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1 Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 2 Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 3 Olá, Amigo (a)! Nesta aula exploraremos as questões cobradas em concursos anteriores referentes ao tema Enfermagem em Saúde Mental. Lembrando que as nossas aulas são elaboradas com materiais atualizados e de fácil entendimento, nos atentamos em está abordando a teoria relacionada com a maneira como os assuntos são abordados pelos concursos de Enfermagem. Desejamos uma ótima aula e muita disciplina . Profº. Rômulo Passos Profª. Raiane Bezerra Profª. Vanessa Ferreira www.romulopassos.com.br Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 4 ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL A ferramenta clínica teoricamente utilizada pela enfermagem para lidar com o sofrimento psíquico do paciente tem sido o relacionamento terapêutico ou relacionamento interpessoal enfermeiro-cliente. Apontado na década de 1960 como uma intervenção da enfermeira psiquiátrica, este referencial permitiu ao enfermeiro deixar de limitar-se aos cuidados físicos e passar a abordar o próprio sofrimento psíquico enquanto fenômeno da enfermagem. O profissional de enfermagem é de grande importância mediante a assistência prestada para a qualidade da assistência em saúde ofertada, e realiza também papel de desmistificar conceitos, mediante os mitos relacionados a esses clientes nas instituições de saúde, trabalhando a questão dos estigmas nos relacionamentos familiares, tornando-se um agente socializador. Encontros com os usuários oferecem ao profissional a possibilidade de conhecer as demandas de saúde da população de seu território. Com este conhecimento, a equipe de Saúde tem como criar recursos coletivos e individuais de cuidado avaliados como os mais necessários ao acompanhamento e ao suporte de seus usuários e de sua comunidade. No campo da Saúde Mental, temos como principais dispositivos comunitários os grupos terapêuticos, os grupos operativos, a abordagem familiar, as redes de apoio social e/ou pessoal do indivíduo, os grupos de convivência, os grupos de artesanato ou de geração de renda, entre outros1. A Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional da Saúde Mental, traz o seguinte: Artigo 2º - Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único - São direitos da pessoa portadora de transtorno mental: I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades; 1 Ministério da Saúde (Brasil), Secretaria de Atenção à Saúde. Cadernos de Atenção Básica – Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde; 2013. • Criar e manter ambiente terapêutico – aproveitamento de todos os recursos humanos e materiais disponíveis I • Atuar nos processos decisórios dos projetos dos centros de atenção psicossocial; II • Agir como agente socializador; III • Atuar como agente psicoterapêutico através do relacionamento um a um; IV • Educar o paciente sobre os fatores que afetam a saúde mental, e auxiliar na aceitação do tratamento e regulamento da instituição. V • Participar e criar ações comunitárias para a saúde mental VI Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 5 II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade; III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração; IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas; V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária; VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis; VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento; VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis; IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental. Artigo 4º - A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra- hospitalares se mostrarem insuficientes2. INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA Internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário; A pessoa deve assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse regime de tratamento. Internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; Deverá, no prazo de setenta e duas horas, ser comunicado ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando da respectiva alta. Internação compulsória: aquela determinada pela justiça. A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se localize o estabelecimento. Em casos de evasão, transferência, acidente, intercorrência clínica grave e falecimento serão comunicados pela direção do estabelecimento de saúde mental aos familiares, ou ao representante legal do paciente, bem como à autoridade sanitária responsável, no prazo máximo de vinte e quatro horas da data da ocorrência. A Atenção Básica tem como um de seus princípios, possibilitar o primeiro acesso das pessoas ao sistema de Saúde, inclusive daquelas que demandam um cuidado em saúde mental. Neste ponto de atenção, as ações são desenvolvidas em um território geograficamente conhecido, possibilitando aos profissionais de Saúde uma proximidade para conhecer a história de vida das pessoas e de seus vínculos com a comunidade/território onde moram, bem como com outros elementos dos seus contextos de vida. Podemos dizer que o cuidado em saúde mental na Atenção Básica é bastante estratégico pela facilidade de acesso das equipes aos usuários e vice-versa. Sendo assim, ações terapêuticas podem ser realizadas por todos os profissionais da Atenção Básica, nos mais diversos dispositivos de cuidado, como: Proporcionar ao usuário um momento para pensar/refletir; Exercer boa comunicação; Exercitar a habilidade da empatia; 2 Brasil. Ministério da Saúde. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Política Nacional de Saúde Mental. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 6 Lembrar-se de escutar o que o usuário precisa dizer; Acolher o usuário e suas queixas emocionais como legítimas; Oferecer suporte na medida certa, uma medida que não torne o usuário dependente e nem gere no profissional uma sobrecarga; Reconhecer os modelos de entendimento do usuário3. VEJAMOS ALGUMAS QUESTÕES: 1. (Prefeitura de Duque de Caxias-RJ/IDECAN/2014) Acerca da assistência ao paciente portador de sofrimento psíquico, o papel do enfermeiro é, EXCETO: a) Agir como agentesocializador b) Atuar como agente psicoterapêutico através do relacionamento um a um c) Educar o paciente sobre os fatores que afetam a saúde mental, e auxiliar na aceitação do tratamento e regulamento da instituição d) Não atuar nos processos decisórios dos projetos dos centros de atenção psicossocial, sendo tal responsabilidade do psiquiatra e do psicólogo e) Criar e manter ambiente terapêutico – aproveitamento de todos os recursos humanos e materiais para oferecer aos pacientes um bom acolhimento, compreensão, apoio, tratamento pessoal, atividades de reestruturação e inclusão na dinâmica global COMENTÁRIOS: A ferramenta clínica teoricamente utilizada pela enfermagem para lidar com o sofrimento psíquico do paciente tem sido o relacionamento terapêutico ou relacionamento interpessoal enfermeiro-cliente. Apontado na década de 1960 como uma intervenção da enfermeira psiquiátrica, este referencial permitiu ao enfermeiro deixar de limitar-se aos cuidados físicos e passar a abordar o próprio sofrimento psíquico enquanto fenômeno da enfermagem. O profissional de enfermagem é de grande importância mediante a assistência prestada para a qualidade da assistência em saúde ofertada, e realiza também papel de desmistificar conceitos, mediante os mitos relacionados a esses clientes nas instituições de saúde, trabalhando a questão dos estigmas nos relacionamentos familiares, tornando-se um agente socializador. São diversas as modalidades de tratamentos ofertadas aos clientes com transtornos mentais, há terapêuticas tradicionais e as não tradicionais fazendo com que o profissional desempenhe melhor seu trabalho. Os profissionais de enfermagem dispõem de várias possibilidades nas utilizações de ações em sua vivência com essa demanda, pois estará devidamente qualificado para lidar com as diversas situações, ajudando os pacientes sobre fatores que afetam a saúde mental, auxiliando na aceitação do tratamento e atuando nos processos decisórios dos projetos terapêuticos. São inúmeras as modalidades terapêuticas e suas finalidades como, por exemplo, a música, atividades lúdicas, atividades físicas, terapêutica para uma melhor adesão ao tratamento já que existe grande índice de abandono do mesmo, ioga, entre diversos outros disponíveis no mercado, criando e mantendo o ambiente terapêutico e aproveitando-se de todos os recursos humanos e materiais para oferecer aos pacientes. A fim de promover além de qualidade de vida a essa clientela, também o amparo biopsicossocial, promovido com a interdisciplinaridade, objetivando assistir a pessoa nas suas diversas necessidades. 3 Ministério da Saúde (Brasil), Secretaria de Atenção à Saúde. Cadernos de Atenção Básica – Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde; 2013. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 7 2. (Prefeitura de Cambé-PR/ FUNTEF-PR/2014) Em um hospital psiquiátrico ou em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), o profissional de enfermagem sempre deve a) resolver todos os problemas do centro. b) agir sempre com lentidão. c) manter-se distraído. d) manter-se arredio aos pacientes. e) manter-se em atenção permanente. COMENTÁRIOS: Pelas singularidades existentes nos Centros de Atenção Psicossociais e Hospitais Psiquiátricos, entende- se que o trabalho da enfermagem se insere em uma prática que vai além dos chamados "recursos tradicionais", como a comunicação terapêutica, relacionamento interpessoal, atendimento individual, administração de medicamentos, entre outros. A proposta de trabalho inclui, além da pessoa com transtorno mental, a família e a sociedade, exigindo atividades direcionadas a um grupo ampliado, para o qual a enfermagem deverá utilizar-se do saber acumulado na profissão e agregá-lo ao que é necessário na prática cotidiana. Sendo assim, o enfermeiro deve manter-se em atenção permanente para a observação dos aspectos biopsicossociais necessários para o cuidado na prática diária. 3. (Prefeitura de Imaruí-SC/ Prefeitura de Imaruí-SC/2014) A enfermagem em saúde mental é centrada no cuidado da pessoa com transtornos mentais e seus familiares, promovendo a manutenção, recuperação, prevenção secundária e reintegração ou reabilitação social do indivíduo. É uma função que compõe o papel do enfermeiro: a) Prescrever medicamentos ansiolíticos para aliviar os sintomas de depressão. b) Participar de e criar ações comunitárias para a saúde mental. c) Desencorajar o cliente, quando este manifestar vontade de sair, conversar com outras pessoas. d) Discutir com o cliente sempre que ele estiver em delírio, discordando com suas ideias. COMENTÁRIOS: Hoje, o conhecimento de enfermagem necessita ser ampliado no novo contexto em que se encontra a saúde mental, pois o relacionamento terapêutico foi incorporado ao rol de suas atividades e o enfermeiro passa a ter um papel reconhecido como "agente terapêutico, por sua possibilidade de influir nas relações interpessoais, de modificar favoravelmente o ambiente e de orientar as interações em grupo". Nessa concepção, seu relacionamento e comunicação com o paciente, sua capacidade de ouvir e interagir contribuiu para a construção de nova identidade para esses profissionais na atenção ao portador de transtornos psiquiátricos, participando e criando ações comunitárias para a saúde mental. Hoje se discute o enfoque no atendimento global, que pressupõe a inserção do paciente em um contexto sociocultural, político e econômico com ênfase nas relações terapêuticas interpessoais, vinculadas às ações comunitárias, com uma lógica inversa àquela da exclusão e do internamento. A partir dos comentários, constatamos que o gabarito da questão é a letra D. Diante do exposto, o gabarito é a letra E. Nessa esteira, a alternativa correta é a B. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 8 4. (Prefeitura de Duque de Caxias-RJ/IDECAN/2014) Acerca da assistência ao paciente portador de sofrimento psíquico, o papel do enfermeiro é, EXCETO: a) Agir como agente socializador. b) Atuar como agente psicoterapêutico através do relacionamento um a um. c) Educar o paciente sobre os fatores que afetam a saúde mental, e auxiliar na aceitação do tratamento e regulamento da instituição. d) Não atuar nos processos decisórios dos projetos dos centros de atenção psicossocial, sendo tal responsabilidade do psiquiatra e do psicólogo. e) Criar e manter ambiente terapêutico – aproveitamento de todos os recursos humanos e materiais para oferecer aos pacientes um bom acolhimento, com preensão, apoio, tratamento pessoal, atividades de reestruturação e inclusão na dinâmica global. COMENTÁRIOS: De acordo com o Caderno de Atenção Básica sobre Saúde Mental, podemos perceber que várias são as atribuições do enfermeiro ao paciente portador de transtorno psíquico. Dentre elas podemos citar algumas, como: Criar e manter ambiente terapêutico – aproveitamento de todos os recursos humanos e materiais para oferecer aos pacientes um bom acolhimento, com preensão, apoio, tratamento pessoal, atividades de reestruturação e inclusão na dinâmica global; Atuar nos processos decisórios dos projetos dos centros de atenção psicossocial; Agir como agente socializador; Atuar como agente psicoterapêutico através do relacionamento um a um; Educar o paciente sobre os fatores que afetam a saúde mental, e auxiliar na aceitação do tratamento e regulamento da instituição. O início do processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil é contemporâneo da eclosão do “movimento sanitário”, nos anos 70, em favor da mudança dos modelos de atenção e gestão nas práticas de saúde,defesa da saúde coletiva, equidade na oferta dos serviços, e protagonismo dos trabalhadores e usuários dos serviços de saúde nos processos de gestão e produção de tecnologias de cuidado. Embora contemporâneo da Reforma Sanitária, o processo de Reforma Psiquiátrica brasileira tem uma história própria, inscrita num contexto internacional de mudanças pela superação da violência asilar. Fundado, ao final dos anos 70, na crise do modelo de assistência centrado no hospital psiquiátrico, por um lado, e na eclosão, por outro, dos esforços dos movimentos sociais pelos direitos dos pacientes psiquiátricos, o processo da Reforma Psiquiátrica brasileira é maior do que a sanção de novas leis e normas e maior do que o conjunto de mudanças nas políticas governamentais e nos serviços de saúde. A Reforma Psiquiátrica é processo político e social complexo, composto de atores, instituições e forças de diferentes origens, e que incide em territórios diversos, nos governos federal, estadual e municipal, nas universidades, no mercado dos serviços de saúde, nos conselhos profissionais, nas associações de pessoas com transtornos mentais e de seus familiares, nos movimentos sociais, e nos territórios do imaginário social e da opinião pública. Compreendida como um conjunto de transformações de práticas, saberes, valores culturais e Nessa esteira, o gabarito correto é a letra D. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 9 sociais, é no cotidiano da vida das instituições, dos serviços e das relações interpessoais que o processo da Reforma Psiquiátrica avança, marcado por impasses, tensões, conflitos e desafios. O ano de 1978 costuma ser identificado como o de início efetivo do movimento social pelos direitos dos pacientes psiquiátricos em nosso país. O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), movimento plural formado por trabalhadores integrantes do movimento sanitário, associações de familiares, sindicalistas, membros de associações de profissionais e pessoas com longo histórico de internações psiquiátricas, surge neste ano. É, sobretudo, este Movimento através de variados campos de luta, que passa a protagonizar e a construir a partir deste período a denúncia da violência dos manicômios, da mercantilização da loucura, da hegemonia de uma rede privada de assistência e a construir coletivamente uma crítica ao chamado saber psiquiátrico e ao modelo hospitalocêntrico na assistência às pessoas com transtornos mentais. A experiência italiana de desinstitucionalização em psiquiatria e sua crítica radical ao manicômio é inspiradora, e revela a possibilidade de ruptura com os antigos paradigmas, como, por exemplo, na Colônia Juliano Moreira, enorme asilo com mais de 2.000 internos no início dos anos 80, no Rio de Janeiro. Passam a surgir as primeiras propostas e ações para a reorientação da assistência. O II Congresso Nacional do MTSM (Bauru, SP), em 1987, adota o lema “Por uma sociedade sem manicômios”. Neste mesmo ano, é realizada a I Conferência Nacional de Saúde Mental (Rio de Janeiro). Neste período, são de especial importância o surgimento do primeiro CAPS no Brasil, na cidade de São Paulo, em 1987, e o início de um processo de intervenção, em 1989, da Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SP) em um hospital psiquiátrico, a Casa de Saúde Anchieta, local de maus-tratos e mortes de pacientes. É esta intervenção, com repercussão nacional, que demonstrou de forma inequívoca a possibilidade de construção de uma rede de cuidados efetivamente substitutiva ao hospital psiquiátrico. Neste período, são implantados no município de Santos Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) que funcionam 24 horas, são criadas cooperativas, residências para os egressos do hospital e associações. A experiência do município de Santos passa a ser um marco no processo de Reforma Psiquiátrica brasileira. Trata-se da primeira demonstração, com grande repercussão, de que a Reforma Psiquiátrica, não sendo apenas uma retórica, era possível e exequível. Também no ano de 1989, dá entrada no Congresso Nacional o Projeto de Lei do deputado Paulo Delgado (PT/MG), que propõe a regulamentação dos direitos da pessoa com transtornos mentais e a extinção progressiva dos manicômios no país. É o início das lutas do movimento da Reforma Psiquiátrica nos campos legislativo e normativo. Com a Constituição de 1988, é criado o SUS – Sistema Único de Saúde, formado pela articulação entre as gestões federal, estadual e municipal, sob o poder de controle social, exercido através dos “Conselhos Comunitários de Saúde”. A partir do ano de 1992, os movimentos sociais, inspirados pelo Projeto de Lei Paulo Delgado, conseguem aprovar em vários estados brasileiros as primeiras leis que determinam a substituição progressiva dos leitos psiquiátricos por uma rede integrada de atenção à saúde mental. É a partir deste período que a política do Ministério da Saúde para a saúde mental, acompanhando as diretrizes em construção da Reforma Psiquiátrica, começa a ganhar contornos mais definidos. É na década de 90, marcada pelo compromisso firmado pelo Brasil na assinatura da Declaração de Caracas e pela realização da II Conferência Nacional de Saúde Mental, que passam a entrar em vigor no país as primeiras normas federais regulamentando a implantação de serviços de atenção diária, fundadas nas experiências dos primeiros CAPS, NAPS e Hospitais- dia, e as primeiras normas para fiscalização e classificação dos hospitais psiquiátricos. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 10 Neste período, o processo de expansão dos CAPS e NAPS é descontínuo. As novas normatizações do Ministério da Saúde de 1992, embora regulamentassem os novos serviços de atenção diária, não instituíam uma linha específica de financiamento para os CAPS e NAPS. Do mesmo modo, as normas para fiscalização e classificação dos hospitais psiquiátricos não previam mecanismos sistemáticos para a redução de leitos. Ao final deste período, o país tem em funcionamento 208 CAPS, mas cerca de 93% dos recursos do Ministério da Saúde para a Saúde Mental ainda são destinados aos hospitais psiquiátricos. É somente no ano de 2001, após 12 anos de tramitação no Congresso Nacional, que a Lei Paulo Delgado é sancionada no país. A aprovação, no entanto, é de um substitutivo do Projeto de Lei original, que traz modificações importantes no texto normativo. Assim, a Lei Federal 10.216 redireciona a assistência em saúde mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária, dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais, mas não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios. Ainda assim, a promulgação da lei 10.216 impõe novo impulso e novo ritmo para o processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil. É no contexto da promulgação da lei 10.216 e da realização da III Conferência Nacional de Saúde Mental, que a política de saúde mental do governo federal, alinhada com as diretrizes da Reforma Psiquiátrica, passa a consolidar-se, ganhando maior sustentação e visibilidade. Linhas específicas de financiamento são criadas pelo Ministério da Saúde para os serviços abertos e substitutivos ao hospital psiquiátrico e novos mecanismos são criados para a fiscalização, gestão e redução programada de leitos psiquiátricos no país. A partir deste ponto, a rede de atenção diária à saúde mental experimenta uma importante expansão, passando a alcançar regiões de grande tradição hospitalar, onde a assistência comunitária em saúde mental era praticamente inexistente. Neste mesmo período, o processo de desinstitucionalização de pessoas longamente internadas é impulsionado, com a criação do Programa “De Volta para Casa”. Uma política derecursos humanos para a Reforma Psiquiátrica é construída, e é traçada a política para a questão do álcool e de outras drogas, incorporando a estratégia de redução de danos. Realiza-se, em 2004, o primeiro Congresso Brasileiro de Centros de Atenção Psicossocial, em São Paulo, reunindo dois mil trabalhadores e usuários de CAPS. Este processo caracteriza-se por ações dos governos federal, estadual, municipal e dos movimentos sociais, para efetivar a construção da transição de um modelo de assistência centrado no hospital psiquiátrico, para um modelo de atenção comunitário. O período atual caracteriza-se assim por dois movimentos simultâneos : a construção de uma rede de atenção à saúde mental substitutiva ao modelo centrado na internação hospitalar, por um lado, e a fiscalização e redução progressiva e programada dos leitos psiquiátricos existentes, por outro. É neste período que a Reforma Psiquiátrica se consolida como política oficial do governo federal. Durante todo o processo de realização da III Conferência e no teor de suas deliberações, condensadas em Relatório Final, é inequívoco o consenso em torno das propostas da Reforma Psiquiátrica, e são pactuados democraticamente os princípios, diretrizes e estratégias para a mudança da atenção em saúde mental no Brasil. Desta forma, a III Conferência consolida a Reforma Psiquiátrica como política de governo, confere aos CAPS o valor estratégico para a mudança do modelo de assistência, defende a construção de uma política de saúde mental para os usuários de álcool e outras drogas, e estabelece o controle social como a garantia do avanço da Reforma Psiquiátrica no Brasil. É a III Conferência Nacional de Saúde Mental, com ampla participação dos movimentos sociais, de usuários e de seus familiares, que fornece os substratos políticos e teóricos para a política de saúde mental no Brasil. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 11 PROCESSO DE DESINSTITUCIONALIZAÇÃO O processo de redução de leitos em hospitais psiquiátricos e de desinstitucionalização de pessoas com longo histórico de internação passa a tornar-se política pública no Brasil a partir dos anos 90, e ganha grande impulso em 2002 com uma série de normatizações do Ministério da Saúde, que instituem mecanismos claros, eficazes e seguros para a redução de leitos psiquiátricos a partir dos macro-hospitais. Para avaliar o ritmo da redução de leitos em todo o Brasil, no entanto, é preciso considerar o processo histórico de implantação dos hospitais psiquiátricos nos estados, assim como a penetração das diretrizes da Reforma Psiquiátrica em cada região brasileira, uma vez que o processo de desinstitucionalização pressupõe transformações culturais e subjetivas na sociedade e depende sempre da pactuação das três esferas de governo (federal, estadual e municipal). O processo de desinstitucionalização de pessoas com longo histórico de internação psiquiátrica avançou significativamente, sobretudo através da instituição pelo Ministério da Saúde de mecanismos seguros para a redução de leitos no país e a expansão de serviços substitutivos aos hospital psiquiátrico. O Programa Nacional de Avaliação do Sistema Hospitalar/Psiquiatria (PNASH/Psiquiatria), o Programa Anual de Reestruturação da Assistência Hospitalar Psiquiátrica no SUS (PRH), assim como a instituição do Programa de Volta para Casa e a expansão de serviços como os Centros de Atenção Psicossocial e as Residências Terapêuticas, vem permitindo a redução de milhares de leitos psiquiátricos no país e o fechamento de vários hospitais psiquiátricos. Embora em ritmos diferenciados, a redução do número de leitos psiquiátricos vem se efetivando em todos os estados brasileiros, sendo muitas vezes este processo o desencadeador do processo de Reforma. Entre os instrumentos de gestão que permitem as reduções e fechamentos de leitos de hospitais psiquiátricos de forma gradual, pactuada e planejada, está o Programa Nacional de Avaliação do Sistema Hospitalar/Psiquiatria (PNASH/Psiquiatria), instituído em 2002, por normatização do Ministério da Saúde. Essencialmente um instrumento de avaliação, o PNASH/Psiquiatria permite aos gestores um diagnóstico da qualidade da assistência dos hospitais psiquiátricos conveniados e públicos existentes em sua rede de saúde, ao mesmo tempo que indica aos prestadores critérios para uma assistência psiquiátrica hospitalar compatível com as normas do SUS, e descredencia aqueles hospitais sem qualquer qualidade na assistência prestada a sua população adscrita. Trata-se da instituição, no Brasil, do primeiro processo avaliativo sistemático, anual, dos hospitais psiquiátricos. Se a reorientação do modelo de atenção em saúde mental no Brasil é recente, mais recente ainda são seus processos de avaliação. • I Conferência Nacional de Saúde Mental 1987 • II Conferência Nacional de Saúde Mental 1992 • III Conferência Nacional de Saúde Mental 2001 • IV Conferência Nacional de Saúde Mental 2010 Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 12 É importante ressaltar que a tradição de controle e avaliação anterior ao PNASH-Psiquiatria ancorava-se em dois mecanismos: as supervisões hospitalares, realizadas por supervisores do SUS, de alcance limitado, e as fiscalizações ou auditorias que atendiam a denúncias de mau funcionamento das unidades. É a partir da instituição do PNASH/Psiquiatria que o processo de avaliação da rede hospitalar psiquiátrica pertencente ao Sistema Único de Saúde passa a ser sistemático e anual, e realizado por técnicos de três campos complementares: o técnico-clínico, a vigilância sanitária e o controle normativo. Fundamentado na aplicação, todos os anos, em cada um dos hospitais psiquiátricos da rede, de um instrumento de coleta de dados qualitativo, o PNASH/Psiquiatria avalia a estrutura física do hospital, a dinâmica de funcionamento dos fluxos hospitalares, os processos e os recursos terapêuticos da instituição, assim como a adequação e inserção dos hospitais à rede de atenção em saúde mental em seu território e às normas técnicas gerais do SUS. É parte deste processo de avaliação, a realização de “entrevistas de satisfação” com pacientes longamente internados e pacientes às vésperas de receber alta hospitalar. Este instrumento gera uma pontuação que, cruzada com o número de leitos do hospital, permite classificar os hospitais psiquiátricos em quatro grupos diferenciados: aqueles de boa qualidade de assistência; os de qualidade suficiente; aqueles que precisam de adequações e devem sofrer revistoria; e aqueles de baixa qualidade, encaminhados para o descredenciamento pelo Ministério da Saúde, com os cuidados necessários para evitar desassistência à população. A política de desinstitucionalização teve um forte impulso com a implantação do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares – PNASH/Psiquiatria. O PNASH vem conseguindo vistoriar a totalidade dos hospitais psiquiátricos do país, leitos de unidades psiquiátricas em hospital geral, permitindo que um grande número de leitos inadequados às exigências mínimas de qualidade assistencial e respeito aos direitos humanos sejam retirados do sistema, sem acarretar desassistência para a população. O processo demonstrou ser um dispositivo fundamental para a indução e efetivação da política de redução de leitos psiquiátricos e melhoria da qualidade da assistência hospitalar em psiquiatria. Em muitos estados e municípios, o PNASH/Psiquiatria exerceu a função de desencadeador da reorganização da rede de saúde mental, diante da situação de fechamento de leitos psiquiátricos e da consequente expansão da rede extra-hospitalar. Em permanente aprimoramento,o PNASH/Psiquiatria ainda exerce um impacto importante no avanço da Reforma Psiquiátrica em municípios e estados com grande tradição hospitalar. • AS RESIDÊNCIAS TERAPÊUTICAS A desinstitucionalização e a efetiva reintegração das pessoas com transtornos mentais graves e persistentes na comunidade são tarefas às quais o SUS vem se dedicando com especial empenho nos últimos anos. A implementação e o financiamento de Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) surgem neste contexto como componentes decisivos da política de saúde mental do Ministério da Saúde para a concretização das diretrizes de superação do modelo de atenção centrado no hospital psiquiátrico. Assim, os Serviços Residenciais Terapêuticos, residências terapêuticas ou simplesmente moradias, são casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves, egressas de hospitais psiquiátricos ou não. Embora as residências terapêuticas se configurem como equipamentos da saúde, estas casas, implantadas na cidade, devem ser capazes em primeiro lugar de garantir o direito à moradia das pessoas egressas de hospitais psiquiátricos e de auxiliar o morador em seu processo – às vezes difícil – de reintegração Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 13 na comunidade. Os direitos de morar e de circular nos espaços da cidade e da comunidade são, de fato, os mais fundamentais direitos que se reconstituem com a implantação nos municípios de Serviços Residenciais Terapêuticos. Sendo residências, cada casa deve ser considerada como única, devendo respeitar as necessidades, gostos, hábitos e dinâmica de seus moradores. Uma Residência Terapêutica deve acolher, no máximo, oito moradores. De forma geral, um cuidador é designado para apoiar os moradores nas tarefas, dilemas e conflitos cotidianos do morar, do co-habitar e do circular na cidade, em busca da autonomia do usuário. De fato, a inserção de um usuário em um SRT é o início de longo processo de reabilitação que deverá buscar a progressiva inclusão social do morador. Cada residência deve estar referenciada a um Centro de Atenção Psicossocial e operar junto à rede de atenção à saúde mental dentro da lógica do território. Especialmente importantes nos municípios-sede de hospitais psiquiátricos, onde o processo de desinstitucionalização de pessoas com transtornos mentais está em curso, as residências são também dispositivos que podem acolher pessoas que em algum momento necessitam de outra solução de moradia. O processo de implantação e expansão destes serviços é recente no Brasil. Nos últimos anos, o complexo esforço de implantação das residências e de outros dispositivos substitutivos ao hospital psiquiátrico vem ganhando impulso nos municípios, exigindo dos gestores do SUS uma permanente e produtiva articulação com a comunidade, a vizinhança e outros cenários e pessoas do território. De fato, é fundamental a condução de um processo responsável de trabalho terapêutico com as pessoas que estão saindo do hospital psiquiátrico, o respeito por cada caso, e ao ritmo de readaptação de cada pessoa à vida em sociedade. Desta forma, a expansão destes serviços, embora permanente, tem ritmo próprio e acompanha, de forma geral, o processo de desativação de leitos psiquiátricos. • PROGRAMA DE VOLTA PARA CASA O Programa de Volta para Casa é um dos instrumentos mais efetivos para a reintegração social das pessoas com longo histórico de hospitalização. Trata-se de uma das estratégias mais potencializadoras da emancipação de pessoas com transtornos mentais e dos processos de desinstitucionalização e redução de leitos nos estados e municípios. Criado pela lei federal 10.708, encaminhada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva ao Congresso, votada e sancionada em 2003, o Programa é a concretização de uma reivindicação histórica do movimento da Reforma Psiquiátrica Brasileira, tendo sido formulado como proposta já à época da II Conferência Nacional de Saúde Mental, em 1992. O objetivo do Programa é contribuir efetivamente para o processo de inserção social das pessoas com longa história de internações em hospitais psiquiátricos, através do pagamento mensal de um auxílio- reabilitação. Para receber o auxílio-reabilitação do Programa De Volta para Casa, a pessoa deve ser egressa de Hospital Psiquiátrico ou de Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, e ter indicação para inclusão em programa municipal de reintegração social. O Programa possibilita a ampliação da rede de relações dos usuários, assegura o bem estar global da pessoa e estimula o exercício pleno dos direitos civis, políticos e de cidadania, uma vez que prevê o pagamento do auxílio-reabilitação diretamente ao beneficiário, através de convênio entre o Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal. Assim, cada beneficiário do Programa recebe um cartão magnético, com o qual pode sacar e movimentar mensalmente estes recursos. O município de residência do beneficiário deve, para habilitar-se ao Programa, ter assegurada uma estratégia de acompanhamento dos beneficiários e uma rede de atenção à Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 14 saúde mental capaz de dar uma resposta efetiva às demandas de saúde mental. A cada ano o benefício pode ser renovado, caso o beneficiário e a equipe de saúde que o acompanha entendam ser esta uma estratégia ainda necessária para o processo de reabilitação. Trata-se de um dos principais instrumentos no processo de reabilitação psicossocial, segundo a literatura mundial no campo da Reforma Psiquiátrica. Seus efeitos no cotidiano das pessoas egressas de hospitais psiquiátricos são imediatos, na medida em que se realiza uma intervenção significativa no poder de contratualidade social dos beneficiários, potencializando sua emancipação e autonomia. • O PAPEL ESTRATÉGICO DOS CAPS Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), entre todos os dispositivos de atenção à saúde mental, têm valor estratégico para a Reforma Psiquiátrica Brasileira. É o surgimento destes serviços que passa a demonstrar a possibilidade de organização de uma rede substitutiva ao Hospital Psiquiátrico no país. É função dos CAPS prestar atendimento clínico em regime de atenção diária, evitando assim as internações em hospitais psiquiátricos; promover a inserção social das pessoas com transtornos mentais através de ações intersetoriais; regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental na sua área de atuação e dar suporte à atenção à saúde mental na rede básica. É função, portanto, e por excelência, dos CAPS organizar a rede de atenção às pessoas com transtornos mentais nos municípios. Os CAPS são os articuladores estratégicos desta rede e da política de saúde mental num determinado território. Os CAPS devem ser substitutivos, e não complementares ao hospital psiquiátrico. Cabe aos CAPS o acolhimento e a atenção às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, procurando preservar e fortalecer os laços sociais do usuário em seu território. De fato, o CAPS é o núcleo de uma nova clínica, produtora de autonomia, que convida o usuário à responsabilização e ao protagonismo em toda a trajetória do seu tratamento. Os Centros de Atenção Psicossocial começaram a surgir nas cidades brasileiras na década de 80 e passaram a receber uma linha específica de financiamento do Ministério da Saúde a partir do ano de 2002, momento no qual estes serviços experimentam grande expansão. São serviços de saúde municipais, abertos, comunitários, que oferecem atendimento diário às pessoas com transtornos mentais severos e persistentes, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social destas pessoas atravésdo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. Não existem dúvidas de que a expansão da rede CAPS foi fundamental para as visíveis mudanças que estão em curso na assistência às pessoas com transtornos mentais. A implantação dos serviços de atenção diária tem mudado radicalmente o quadro de desassistência que caracterizava a saúde mental pública no Brasil. Os CAPS se diferenciam pelo porte, capacidade de atendimento, clientela atendida e organizam-se no país de acordo com o perfil populacional dos municípios brasileiros. Assim, estes serviços diferenciam-se como CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPSi e CAPSad. Os CAPS I são os Centros de Atenção Psicossocial de menor porte, capazes de oferecer uma resposta efetiva às demandas de saúde mental em municípios com população entre 20.000 e 70.000 habitantes - cerca de 19% dos municípios brasileiros, onde residem por volta de 17% da população do país. Estes serviços têm equipe mínima de 9 profissionais, entre profissionais de nível médio enível superior, e têm como clientela adultos com transtornos mentais severos e persistentes e transtornos decorrentes do uso de álcool e outras Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 15 drogas. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana, e têm capacidade para o acompanhamento de cerca de 240 pessoas por mês. Os CAPS II são serviços de médio porte, e dão cobertura a municípios com população entre 70.000 e 200.000 habitantes - cerca de 10% dos municípios brasileiros, onde residem cerca de 65% da população brasileira. A clientela típica destes serviços é de adultos com transtornos mentais severos e persistentes. Os CAPS II têm equipe mínima de 12 profissionais, entre profissionais de nível médio e nível superior, e capacidade para o acompanhamento de cerca de 360 pessoas por mês. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana. Os CAPS III são os serviços de maior porte da rede CAPS. Previstos para dar cobertura aos municípios com mais de 200.000 habitantes, os CAPS III estão presentes hoje, em sua maioria, nas grandes metrópoles brasileiras – os municípios com mais de 500.000 habitantes representam apenas 0,63 % por cento dos municípios do país, mas concentram boa parte da população brasileira, cerca de 29% da população total do país. Os CAPS III são serviços de grande complexidade, uma vez que funcionam durante 24 horas em todos os dias da semana e em feriados. Com no máximo cinco leitos, o CAPS III realiza, quando necessário, acolhimento noturno (internações curtas, de algumas horas a no máximo 7 dias). A equipe mínima para estes serviços deve contar com 16 profissionais, entre os profissionais de nível médio e superior, além de equipe noturna e de final de semana. Estes serviços têm capacidade para realizar o acompanhamento de cerca de 450 pessoas por mês. Os CAPSi, especializados no atendimento de crianças e adolescentes com transtornos mentais, são equipamentos geralmente necessários para dar resposta à demanda em saúde mental em municípios com mais de 200.000 habitantes. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana, e têm capacidade para realizar o acompanhamento de cerca de 180 crianças e adolescentes por mês. A equipe mínima para estes serviços é de 11 profissionais de nível médio e superior. Os CAPSad, especializados no atendimento de pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas, são equipamentos previstos para cidades com população de 70.000 a 200.000 habitantes, ou cidades que, por sua localização geográfica (municípios de fronteira, ou parte de rota de tráfico de drogas) ou cenários epidemiológicos importantes, necessitem deste serviço para dar resposta efetiva às demandas de saúde mental. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana, e têm capacidade para realizar o acompanhamento de cerca de 240 pessoas por mês. A equipe mínima prevista para os CAPSad é composta por 13 profissionais de nível médio e superior. O perfil populacional dos municípios é sem dúvida um dos principais critérios para o planejamento da rede de atenção à saúde mental nas cidades, e para a implantação de Centros de Atenção Psicossocial. O critério populacional, no entanto, deve ser compreendido apenas como um orientador para o planejamento das ações de saúde. De fato, é o gestor local, articulado com as outras instâncias de gestão do SUS, que terá as condições mais adequadas para definir os equipamentos que melhor respondem às demandas de saúde mental de seu município. A posição estratégica dos Centros de Atenção Psicossocial como articuladores da rede de atenção de saúde mental em seu território, é, por excelência, promotora de autonomia, já que articula os recursos existentes em variadas redes: sócio-sanitárias, jurídicas, sociais e educacionais, entre outras. A tarefa de promover a reinserção social exige uma articulação ampla, desenhada com variados componentes ou recursos da assistência, para a promoção da vida comunitária e da autonomia dos usuários dos serviços. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 16 Os CAPS, no processo de construção de uma lógica comunitária de atenção à saúde mental, oferecem então os recursos fundamentais para a reinserção social de pessoas com transtornos mentais. PASSEMOS AGORA PARA A RESOLUÇÃO DE ALGUMAS QUESTÕES: 5. (Prefeitura de Espera Feliz-MG/IDECAN/2014) O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) são casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves, institucionalizadas ou não, sua regulamentação foi feita através da Lei Federal nº 10.216/2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, redirecionando o modelo assistencial em saúde mental. Qual a equipe necessária para o acompanhamento dos portadores de doenças mentais graves? a) Psiquiatras. b) Fisioterapeutas. c) Médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. d) Psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais. e) Profissionais vinculados ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou ambulatórios especializados em saúde mental. COMENTÁRIOS: O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) – ou residência terapêutica ou simplesmente "moradia" – são casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves, institucionalizadas ou não. O número de usuários pode variar desde 1 indivíduo até um pequeno grupo de no máximo 8 pessoas, que deverão contar sempre com suporte profissional sensível às demandas e necessidades de cada um. O suporte de caráter interdisciplinar (seja o CAPS de referência, seja uma equipe da atenção básica, sejam outros profissionais) deverá considerar a singularidade de cada um dos moradores, e não apenas projetos e ações baseadas no coletivo de moradores. O acompanhamento a um morador deve prosseguir, mesmo que ele mude de endereço ou eventualmente seja hospitalizado. O processo de reabilitação psicossocial deve buscar de modo especial a inserção do usuário na rede de serviços, organizações e relações sociais da comunidade. Ou seja, a inserção em um SRT é o início de longo processo de reabilitação que deverá buscar a progressiva inclusão social do morador. Os SRTs devem ser acompanhados pelos CAPS ou ambulatórios especializados em saúde mental, ou, ainda, equipe de saúde da família (com apoio matricial em saúde mental). A equipe técnica deve ser compatível com a necessidade dos moradores e segundo se aproximem mais de um dos dois tipos descritos no tópico anterior. O cuidador tem uma tarefa importante na moradia. 6. (Prefeitura dePiedade-SP/DIRECTA/2014) De acordo com a Portaria GM 336/02 tópico 4.2 com relação à CAPS II estabelece que o serviço de atenção psicossocial com capacidade operacional para atendimento em municípios com população entre: a) 20.000 e 70.000 habitantes. b) 20.000 e 100.000 habitantes. Dito isso, o gabarito é a assertiva E. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 17 c) 70.000 e 100.000 habitantes. d) 70.000 e 200.000 habitantes. COMENTÁRIOS: De acordo com a Portaria/GM Nº 336 – de 19 de fevereiro de 2002, o CAPS II – É o serviço de atenção psicossocial com capacidade operacional para atendimento em municípios com população entre 70.000 e 200.000 habitantes. 7. (Prefeitura de Princesa Isabel –PB/CONPASS/2014) Qual a Lei que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental? a) Lei no 11.318, de 6 de abril de 2010. b) Lei no 10.216, de 6 de abril de 2001. c) Lei no 5.456, de 10 de março de 2000. d) Lei no 12.116, de 6 de abril de 1999. e) Lei no 1.799, de 29 de janeiro de 2011. COMENTÁRIOS: A Lei nº 10.216, de 6 de Abril de 2001, dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. 8. (Residência Multiprofissional em Saúde/UPE/2014) Sobre a Reforma Psiquiátrica e a Política de Saúde Mental no Brasil, leia as afirmativas abaixo e coloque V nas Verdadeiras e F nas Falsas. ( ) A Reforma Psiquiátrica é a ampla mudança do atendimento público em Saúde Mental, garantindo o acesso da população aos serviços e o respeito a seus direitos e liberdade; é amparada pela Lei 10.216/2001. ( ) O fortalecimento das políticas de saúde, voltadas para grupos de pessoas com transtornos mentais de alta e baixa cobertura assistencial e a consolidação da ampliação de uma rede de atenção de base comunitária e territorial continuam sendo desafios da Política Nacional de Saúde Mental. ( ) Os Centros de Atenção Psicossocial têm como função prestar atendimento clínico em regime de atenção diária; promover a inserção social das pessoas com transtornos mentais através de ações intersetoriais; regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental na sua área de atuação e dar suporte à atenção à saúde mental na rede básica. ( ) São princípios fundamentais da articulação entre saúde mental e atenção básica/saúde da família: promoção de saúde, território, acolhimento, vínculo e responsabilização, integralidade, intersetorialidade, multiprofissionalidade, organização da atenção à saúde em rede, desinstitucionalização, reabilitação psicossocial; participação da comunidade; promoção de cidadania dos usuários. Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA. a) V, F, F, F b) F, F, V, V c) V, V, F, V d) V, V, V, V e) F, F, F, V. Portanto, o gabarito da questão é a letra D. Sendo assim, o gabarito é a letra B. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 18 COMENTÁRIOS: Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), entre todos os dispositivos de atenção à saúde mental, têm valor estratégico para a Reforma Psiquiátrica Brasileira. Esta Reforma é a ampla mudança do atendimento público em Saúde Mental, sendo posteriormente amparada pela Política Nacional de Saúde Mental (Lei 10.216/2001). Com o surgimento dos CAPS passa-se a demonstrar a possibilidade de organização de uma rede substitutiva ao Hospital Psiquiátrico no país. É função dos CAPS prestar atendimento clínico em regime de atenção diária, evitando assim as internações em hospitais psiquiátricos; promover a inserção social das pessoas com transtornos mentais através de ações intersetoriais; regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental na sua área de atuação e dar suporte à atenção à saúde mental na rede básica. É função, portanto, e por excelência, dos CAPS organizar a rede de atenção às pessoas com transtornos mentais nos municípios. Os CAPS são os articuladores estratégicos desta rede e da política de saúde mental num determinado território. Os CAPS devem ser substitutivos, e não complementares ao hospital psiquiátrico. Cabe aos CAPS o acolhimento e a atenção às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, procurando preservar e fortalecer os laços sociais do usuário em seu território. De fato, o CAPS é o núcleo de uma nova clínica, produtora de autonomia, que convida o usuário à responsabilização e ao protagonismo em toda a trajetória do seu tratamento. São serviços de saúde municipais, abertos, comunitários, que oferecem atendimento diário às pessoas com transtornos mentais severos e persistentes, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social destas pessoas através do acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. O Ministério da Saúde vem estimulando ativamente, nas políticas de expansão, formulação e avaliação da Atenção Básica, diretrizes que incluam a dimensão subjetiva dos usuários e os problemas mais frequentes de saúde mental. Afinal, grande parte das pessoas com transtornos mentais leves ou severos está sendo efetivamente atendida pelas equipes de Atenção Básica nos grandes e pequenos municípios. Assumir este compromisso é uma forma de responsabilização em relação à produção da saúde, à busca da eficácia das práticas e à promoção de equidade, da integralidade e da cidadania num sentido mais amplo, especialmente em relação aos pequenos municípios (grande maioria dos municípios brasileiros), onde não é necessária a implantação de Centros de Atenção Psicossocial4. 9. (Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Saúde Mental/UPE/2014) Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico, que têm valor estratégico para a Reforma Psiquiátrica Brasileira. Sobre esses serviços, analise as afirmativas abaixo: I. Os CAPS atendem às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e às com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, admitindo-as independentemente de sua área territorial. 4 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. Brasília, novembro de 2005. A partir do exposto fica claro que o gabarito da questão é a letra D. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 19 II. O trabalho no CAPS é realizado, prioritariamente, em espaços coletivos, de forma articulada com os outros pontos de atenção da rede de saúde e das demais redes. III. O cuidado é desenvolvido através de Projeto Terapêutico Singular, construído pela equipe multiprofissional a partir do acolhimento do usuário. IV. A ordenação do cuidado está sob a responsabilidade do CAPS ou da Atenção Básica, garantindo permanente processo de cogestão e acompanhamento longitudinal do caso. Está CORRETO o que se afirmar em: a) I, II, III e IV. b) II, apenas. c) II e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I e IV, apenas. COMENTÁRIOS: Agora vamos relembrar o que diz a Portaria Nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011, que institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Art. 7º O ponto de atenção daRede de Atenção Psicossocial na atenção psicossocial especializada é o Centro de Atenção Psicossocial. § 1º O Centro de Atenção Psicossocial de que trata o caput deste artigo é constituído por equipe multiprofissional que atua sob a ótica interdisciplinar e realiza atendimento às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e às pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, em sua área territorial, em regime de tratamento intensivo, semi-intensivo, e não intensivo. § 2º As atividades no Centro de Atenção Psicossocial são realizadas prioritariamente em espaços coletivos (grupos, assembleias de usuários, reunião diária de equipe), de forma articulada com os outros pontos de atenção da rede de saúde e das demais redes. § 3º O cuidado, no âmbito do Centro de Atenção Psicossocial,é desenvolvido por intermédio de Projeto Terapêutico Individual, envolvendo em sua construção a equipe, o usuário e sua família, e a ordenação do cuidado estará sob a responsabilidade do Centro de Atenção Psicossocial ou da Atenção Básica, garantindo permanente processo de cogestão e acompanhamento longitudinal do caso5. Após leitura da portaria, fica claro que apenas o item I está incorreto, pois os CAPS atendem as pessoas em sua área territorial. SENDO ASSIM, A QUESTÃO FOI ANULADA. Os Transtornos mentais (ou doenças mentais, transtornos psiquiátricos ou psíquicos, entre outras nomenclaturas) são condições de anormalidade, sofrimento ou comprometimento de ordem psicológica, mental ou cognitiva. Em geral, um transtorno representa um significativo impacto na vida do paciente, provocando sintomas como desconforto emocional, distúrbio de conduta e enfraquecimento da memória. 5 Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011, que institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da República Federativa do Brasil. O gabarito seria itens II, III e IV corretos. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 20 Os transtornos mentais acometem, em algum momento da vida, ao menos 20% da população mundial. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, transtornos mentais é a segunda causa dos atendimentos de urgência. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) de 2006 realizada no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Marília, no interior de São Paulo, mostrou que 16% dos pacientes atendidos apresentaram transtornos mentais e do comportamento. Dentre os principais transtornos mentais incluem-se: TRANSTORNO DA ANSIEDADE GENERALIZADA A ansiedade é uma reação normal do ser humano diante de situações que podem provocar medo, dúvida ou expectativa. No entanto, quando esse sentimento persiste por longos períodos de tempo e passa a interferir nas atividades do dia a dia, a ansiedade deixa de ser natural e passa a ser motivo de preocupação. Esse, na verdade, é o principal sintoma do Transtorno da ansiedade generalizada (TAG), um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”. O transtorno da ansiedade generalizada é uma doença comum. Tal como acontece com muitas condições de saúde mental, não se sabe ao certo o que causa esse distúrbio. Acredita-se, porém, que o transtorno da ansiedade generalizada esteja diretamente relacionado a alguns neurotransmissores que ocorrem naturalmente em nosso cérebro, a exemplo da serotonina, dopamina e norepinefrina. Outra crença é a de que um conjunto de fatores possa estar envolvido nas razões pelas quais um indivíduo possa vir a apresentar a doença, entre eles genética e fatores externos, como o estresse do dia a dia e a qualidade de vida da pessoa. Algumas condições físicas também podem ser associadas à ansiedade. Os exemplos incluem: ▪ Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE); ▪ Doenças cardíacas; ▪ Hipotireoidismo e hipertireoidismo; ▪ Menopausa Alguns fatores que podem aumentar o risco do transtorno de ansiedade generalizada, incluem: gênero, trauma de infância, doenças concomitantes, personalidade, genética, abuso de substâncias. O principal sintoma do transtorno de ansiedade generalizada é a presença quase permanente de preocupação ou tensão, mesmo quando há poucos motivos ou quando não existe motivo algum para isso. As preocupações parecem passar de um problema para outro, como questões familiares, amorosas, relacionadas ao trabalho, à saúde ou de várias outras origens. Mesmo quando as pessoas com esse transtorno têm consciência de que suas preocupações ou medos são mais fortes do que o necessário, elas ainda têm dificuldade para controlar essas reações. Outros sintomas incluem: ▪ Dificuldade de concentração; ▪ Fadiga; ▪ Irritabilidade; ▪ Problemas para adormecer ou para permanecer dormindo e um sono que raramente é revigorante e satisfatório; ▪ Inquietação, geralmente ficando assustado com muita facilidade; Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 21 ▪ Além das preocupações e ansiedades, diversos sintomas físicos também podem se manifestar, incluindo tensão muscular (tremedeira, dores de cabeça) e problemas de estômago, como náusea ou diarreia. O objetivo do tratamento é ajudar o paciente a agir normalmente na vida cotidiana, limitando suas preocupações. Uma combinação de medicamentos e terapia cognitivo-comportamental (TCC) funciona melhor que uma técnica ou outra isoladamente. A terapia cognitivo-comportamental ajuda a compreender os comportamentos e como conseguir controlá-los. SÍNDROME DO PÂNICO A síndrome do pânico é um tipo de transtorno de ansiedade no qual ocorrem crises inesperadas de desespero e medo intenso de que algo ruim aconteça, mesmo que não haja motivo algum para isso ou sinais de perigo iminente. Um indivíduo diagnosticado com síndrome do pânico costuma manifestar de uma a duas crises durante toda a vida. Pode parecer pouco, mas viver com a doença compromete seriamente a qualidade de vida da pessoa, pois ela sofre em dois momentos distintos: no momento exato da crise e também no intervalo entre elas, pois nunca se sabe quando que a crise acontecerá novamente. A crise pode demorar dias, semanas, meses e até mesmo anos para ocorrer mais uma vez. Essa sensação constante de insegurança pode comprometer as atividades diárias do paciente. As causas exatas da síndrome do pânico são desconhecidas, embora a ciência acredite que um conjunto de fatores pode desencadear o desenvolvimento deste transtorno, como: genética, estresse, temperamento forte e suscetível ao estresse, mudanças na forma como o cérebro funciona e reage a determinadas situações. Alguns estudos indicam que a resposta natural do corpo a situações de perigo esteja diretamente envolvida nas crises de pânico. Apesar disso, ainda não está claro por que esses ataques acontecem em situações nas quais não há qualquer evidência de perigo iminente. As crises de síndrome do pânico geralmente começam entre a fase final da adolescência e o início da idade adulta. Apesar disso, podem ocorrer depois dos 30 anos e durante a infância, embora no último caso ela possa ser diagnosticada só depois que as crianças já estejam mais velhas. A síndrome do pânico costuma afetar mais mulheres do que homens e pode ser desencadeada por alguns fatores considerados de risco, como: situações de estresse extremo, morte ou adoecimento de uma pessoa próxima, mudanças radicais ocorridas na vida, histórico de abuso sexual durante a infância, ter passado por alguma experiênciatraumática, como um acidente. Ataques de pânico característicos da síndrome geralmente acontecem de repente e sem aviso prévio, em qualquer período do dia e também em qualquer situação, como enquanto a pessoa está dirigindo, fazendo compras no shopping, em meio a uma reunião de trabalho ou até mesmo dormindo. O pico das crises de pânico geralmente dura cerca de 10 a 20 minutos, mas pode variar dependendo da pessoa e da intensidade do ataque. Além disso, alguns sintomas podem continuar por uma hora ou mais. É bom ficar atento, pois muitas vezes um ataque de pânico pode ser confundido com um ataque cardíaco. As crises de pânico geralmente manifestam os seguintes sintomas: ▪ Sensação de perigo iminente; ▪ Medo de perder o controle; ▪ Medo da morte ou de uma tragédia iminente; Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 22 ▪ Sentimentos de indiferença; ▪ Sensação de estar fora da realidade; ▪ Dormência e formigamento nas mãos, nos pés ou no rosto; ▪ Palpitações, ritmo cardíaco acelerado e taquicardia; ▪ Sudorese; ▪ Tremores; ▪ Dificuldade para respirar, falta de ar e sufocamento; ▪ Hiperventilação; ▪ Calafrios; ▪ Ondas de calor; ▪ Náusea; ▪ Dores abdominais; ▪ Dores no peito e desconforto; ▪ Dor de cabeça; ▪ Tontura; ▪ Desmaio; ▪ Sensação de estar com a garganta fechando; ▪ Dificuldade para engolir O pior de todos os sintomas é o medo que se sente de ter outro ataque de pânico. Esse medo pode ser tão grande que a pessoa, muitas vezes, evitará, ao máximo, situações em que essas crises poderão ocorrer novamente. Os ataques de pânico podem alterar o comportamento em casa, na escola ou no trabalho. As pessoas portadoras da síndrome muitas vezes se preocupam com os efeitos de seus ataques de pânico e podem, até mesmo, despertar problemas mais graves, como alcoolismo, depressão e abuso de drogas. Não há como prever as crises de pânico. Pelo menos nos estágios iniciais do transtorno, parece não haver nada específico capaz de desencadear o ataque. Mas há indícios de que lembrar-se de ataques de pânico anteriores possam contribuir e levar a uma nova crise. O principal objetivo do tratamento da síndrome do pânico é evitar qualquer tipo de sintoma característico das crises. As duas principais formas de tratamento para esse transtorno é por meio de psicoterapia e medicamentos. Ambos têm se mostrado bastante eficientes. Dependendo da gravidade, preferência e do histórico do paciente, o médico poderá optar por um deles ou até mesmo por ambos, já que a combinação dos dois tipos de tratamento têm se mostrado ainda mais eficaz do que um ou outro operando isoladamente. DISTÚRBIO DEPRESSIVO MAIOR A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. No sentido patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa autoestima, que aparecem com frequência e podem combinar-se entre si. É imprescindível o acompanhamento médico tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado. Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 23 dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Outros processos que ocorrem dentro das células nervosas também estão envolvidos. Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais, muitas vezes, são consequência e não causa da depressão. Vale ressaltar que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição, que provavelmente é genética. A prevalência (número de casos numa população) da depressão é estimada em 19%, o que significa que aproximadamente uma em cada cinco pessoas no mundo apresenta o problema em algum momento da vida. São sintomas de depressão: ▪ Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia; ▪ Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas; ▪ Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis; ▪ Desinteresse, falta de motivação e apatia; ▪ Falta de vontade e indecisão; ▪ Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio; ▪ Pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa autoestima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte; ▪ A pessoa pode desejar morrer, planejar uma forma de morrer ou tentar suicídio; ▪ Interpretação distorcida e negativa da realidade: tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom "cinzento" para si, os outros e o seu mundo; ▪ Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento; ▪ Diminuição do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação prazerosa habitual) e da libido; ▪ Perda ou aumento do apetite e do peso; ▪ Insônia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito superficial), despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário habitual) ou, menos frequentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo); ▪ Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos, como dores de barriga, má digestão, azia, diarreia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros. O tratamento da depressão é essencialmente medicamentoso. Existem mais de 30 antidepressivos disponíveis. Ao contrário do que alguns temem, essas medicações não são como drogas, que deixam a pessoa eufórica e provocam vício. A terapia é simples e, de modo geral, não incapacita ou entorpece o paciente. TRANSTORNO BIPOLAR O transtorno bipolar é um problema em que as pessoas alternam entre períodos de muito bom humor e períodos de irritação ou depressão. As chamadas "oscilações de humor" entre a mania e a depressão podem ser muito rápidas e podem ocorrer com muita ou pouca frequência. Existem 3 tipos de transtorno bipolar: Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 24 ▪ Transtorno bipolar tipo 1: pacientes apresentam pelo menos um episódio maníaco e períodos de depressão profunda. Antigamente, o transtorno bipolar do tipo 1 era chamado de depressão maníaca; ▪ Transtorno bipolar tipo 2: pacientes nunca apresentaram episódios maníacos completos. Em vez disso, elas apresentam períodos de níveis elevados de energia e impulsividade que não são tão intensos como os da mania (chamado de hipomania). Esses episódios se alternam com episódios de depressão; ▪ Uma forma leve de transtorno bipolar chamada ciclotimia envolve oscilações de humor menos graves. Pessoas com essa forma alternam entre hipomania e depressão leve. As pessoas com transtorno bipolar do tipo II ou ciclotimia podem ser diagnosticadas incorretamente como tendo apenas depressão. A causa exata do transtorno bipolar ainda é desconhecida, mas a ciência acredita que diversos fatores possam estar envolvidos nas oscilações de humor provocadas pela doença, como: peculiaridades biológicas, neurotransmissores, hormônios, hereditariedade, meio ambiente. Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento de transtorno bipolar, como: histórico familiar da doença, estresse intenso, uso e abuso de drogas recreativas e/ou álcool, mudanças de vida e experiências traumáticas, ter entre 15 e 25 anos. Homens e mulheres possuem as mesmas chances de desenvolver a doença. Os sintomas de transtorno bipolar dependem do tipo exato da doença e costumam variar de pessoapara pessoa. Para alguns, os picos de depressão são os que causam os maiores problemas. Para outros, a preocupação é maior durante os picos de mania. Pode acontecer, também, de sintomas de depressão e hipomania acontecerem ao mesmo tempo. Temos como principais sinais do transtorno bipolar: Fase maníaca ▪ Distrair - se facilmente; ▪ Redução da necessidade de sono; ▪ Capacidade de discernimento diminuída; ▪ Pouco controle do temperamento; ▪ Compulsão alimentar, beber demais e/ou uso excessivo de drogas; ▪ Manter relações sexuais com muitos parceiros; ▪ Gastos excessivos; ▪ Hiperatividade; ▪ Aumento de energia; ▪ Pensamentos acelerados que se atropelam; ▪ Fala em excesso; ▪ Autoestima muito alta (ilusão sobre si mesmo ou habilidades); ▪ Grande envolvimento em atividades; ▪ Grande agitação ou irritação. A fase maníaca do transtorno bipolar pode durar dias e até mesmo meses. Os sintomas acima são mais comuns em pessoas que tem o tipo 1 da doença. No tipo 2, os sinais são similares, mas menos intensos. Fase depressiva ▪ Desânimo diário ou tristeza; Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 25 ▪ Dificuldade de se concentrar, de lembrar ou de tomar decisões; ▪ Perda de peso e perda de apetite; ▪ Comer excessivamente e ganho de peso; ▪ Fadiga ou falta de energia; ▪ Sentir-se inútil, sem esperança ou culpado; ▪ Perda de interesse nas atividades que antes eram prazerosas; ▪ Baixa autoestima; ▪ Pensamentos sobre morte e suicídio; ▪ Problemas para dormir ou excesso de sono; ▪ Afastamento dos amigos ou das atividades que antes eram prazerosas. O risco de tentativas de suicídio em pessoas com transtorno bipolar é grande. Os pacientes podem abusar do álcool ou de outras substâncias, piorando os sintomas. Em alguns casos, as duas fases se sobrepõem. Os sintomas maníacos e depressivos podem ocorrer juntos ou rapidamente um após o outro. Isso recebe o nome de estado misto. Episódios de mania e depressão podem resultar também em psicose, doença em que há perda de contato com a realidade. O tratamento para transtorno bipolar costuma durar por muito tempo, até mesmo anos. Ele costuma ser feito por diversos especialistas de várias áreas – como psicólogos, psiquiatras e neurologistas. A equipe médica, primeiramente, tenta descobrir quais são os possíveis desencadeadores da alteração de humor. Também podem ser investigados os problemas médicos ou emocionais que influenciam no tratamento. Mas atenção: os períodos de depressão e mania voltam a ocorrer na maioria dos pacientes, mesmo sob tratamento. Os principais objetivos da terapia para transtorno bipolar são: evitar a alternância entre as fases, evitar a necessidade de hospitalização, ajudar o paciente a agir da melhor maneira possível entre os episódios, impedir comportamento autodestrutivo e suicídio, reduzir a gravidade e a frequência dos episódios. A psicoterapia é uma parte vital do tratamento de transtorno bipolar. Medicamentos antipsicóticos e antiansiedade para problemas de humor costumam ser prescritos pelos médicos, bem como remédios antidepressivos. A terapia eletroconvulsiva (TEC) pode ser usada para tratar a fase maníaca ou depressiva de um transtorno bipolar caso não haja resposta aos medicamentos. ESQUIZOFRENIA A esquizofrenia é um transtorno mental complexo que dificulta na distinção entre as experiências reais e imaginárias, interfere no pensamento lógico, nas respostas emocionais normais e comportamento esperado em situações sociais. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a esquizofrenia não é um distúrbio de múltiplas personalidades. É uma doença crônica, complexa e que exige tratamento por toda a vida. As causas exatas da esquizofrenia ainda são desconhecidas, mas os médicos acreditam que uma combinação de fatores genéticos e ambientais possa estar envolvida no desenvolvimento deste distúrbio. Problemas com certas substâncias químicas do cérebro, incluindo neurotransmissores como a dopamina e o glutamato, também parecem estar envolvidos nas causas da esquizofrenia. Estudos recentes de neuroimagem mostram diferenças na estrutura do cérebro e do sistema nervoso central das pessoas com esquizofrenia em comparação aos de pessoas saudáveis. Embora os pesquisadores não estejam totalmente Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 26 certos sobre o que significam todos esses fatores, estes são indícios de que a esquizofrenia é, de fato, uma doença cerebral. Apesar de as causas da esquizofrenia ainda serem desconhecidas, sabe-se de alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da doença: história familiar de esquizofrenia, ser exposto a toxinas, vírus e à má nutrição dentro do útero da mãe – especialmente nos dois primeiros trimestres da gestação, doenças autoimunes, ter um pai com idade mais avançada, fazer uso de medicamentos psicotrópicos durante a adolescência e o início da vida adulta, tabagismo. Os sintomas de esquizofrenia no sexo masculino costumam aparecer entre os 20 e 25 anos. Já em mulheres, os sinais da doença são mais comuns beirando os 30 anos de idade. É raro encontrar casos de esquizofrenia em crianças ou adultos acima dos 45 anos. A Esquizofrenia envolve uma série de problemas tanto cognitivos quanto comportamentais e emocionais. Os sintomas costumam variar e entre eles estão inclusos: - Delírios Estes são crenças em fatos irreais que não possuem base alguma na realidade. Uma pessoa com esquizofrenia pode achar, por exemplo, que está sendo prejudicada de alguma forma ou até mesmo assediada. Ela pode acreditar, também, que certos gestos ou comentários são direcionados a ela, que ela tem alguma capacidade ou talento excepcional ou até mesmo fama. Pode achar, também, que determinada pessoa está apaixonada por ela e que uma grande catástrofe está prestes a ocorrer. Alguns delírios incluem ideias de que algumas partes do corpo não estão em pleno funcionamento e têm uma incidência de quatro em cinco pessoas com esquizofrenia. - Alucinações Estas, em termos gerais, envolvem ver ou ouvir coisas que não existem. No entanto, para a pessoa com esquizofrenia, essas coisas têm toda a força e o impacto de uma experiência normal. As alucinações podem estar em qualquer um dos sentidos, mas ouvir vozes é a alucinação mais comum de todas. - Pensamento desorganizado Esse sintoma pode ser refletido na fala, que também sai desorganizada e com pouco ou nenhum nexo. A ideia de que pensamento desorganizado é um sintoma da esquizofrenia surgiu a partir do discurso desorganizado de alguns pacientes. Neste sentido, a comunicação eficaz de uma pessoa portadora de esquizofrenia pode ser prejudicada por causa deste problema, e as respostas às perguntas feitas podem ser parcial ou completamente alheias e desconexas. - Habilidade motora desorganizada ou anormal O comportamento de uma pessoa com esse tipo de disfunção não é focado em um objetivo, o que torna difícil para ela executar tarefas. Comportamento motor anormal pode incluir resistência a instruções, postura inadequada e bizarra ou uma série de movimentos inúteis e excessivos. - Outros sintomas Além dos sinais citados, outros parecem estar relacionados com a esquizofrenia. Uma pessoa com a doença pode: não aparentar emoções, não faz contato visual, não alterar as expressões faciais, ter fala monótona e sem adição de quaisquer movimentos que normalmente dão ênfase emocional ao discurso. Além disso, a pessoa pode ter reduzida sua capacidade de planejar ou realizar atividades, tais como: diminuição da fala, negligência na higiene pessoal, perda de interesse em atividades cotidianas, isolamento social, sensação de incapacidade de conseguir sentirprazer. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 27 A Esquizofrenia requer tratamento durante toda a vida, mesmo após o desaparecimento dos sintomas. O tratamento com medicamentos e a terapia psicossocial podem ajudar a controlar a doença. Durante os períodos de crise ou tempos de agravamento dos sintomas, a hospitalização pode ser necessária para garantir a segurança, alimentação adequada, sono adequado e higiene básica do paciente. ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS Antigamente, no Brasil, o tema do uso do álcool e de outras drogas vinha sendo associado à criminalidade e práticas antissociais e à oferta de "tratamentos" inspirados em modelos de exclusão/separação dos usuários do convívio social. As iniciativas governamentais restringiam-se a poucos serviços ambulatoriais ou hospitalares, em geral vinculados a programas universitários. Não havia uma política de alcance nacional, no âmbito da saúde pública. É somente em 2002, e em concordância com as recomendações da III Conferência Nacional de Saúde Mental, que o Ministério da Saúde passa a implementar o Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada aos Usuários de Álcool e outras Drogas, reconhecendo o problema do uso prejudicial de substâncias como importante problema da saúde pública e construindo uma política pública específica para a atenção às pessoas que fazem uso de álcool ou outras drogas, situada no campo da saúde mental, e tendo como estratégia a ampliação do acesso ao tratamento, a compreensão integral e dinâmica do problema, a promoção dos direitos e a abordagem de redução de danos. De fato, a constatação de que o uso de substâncias tomou proporção de grave problema de saúde pública no país encontra ressonância nos diversos segmentos da sociedade, pela relação comprovada entre o consumo e os agravos sociais que dele decorrem ou que o reforçam. O enfrentamento desta problemática constitui uma demanda mundial: de acordo com a Organização Mundial de Saúde, pelo menos 10% das populações dos centros urbanos de todo o mundo consomem de modo prejudicial substâncias psicoativas, independentemente de idade, sexo, nível de instrução e poder aquisitivo. Salvo variações sem repercussão epidemiológica significativa, esta realidade encontra equivalência em território brasileiro. Em especial o uso do álcool, que impõe ao Brasil e às sociedades de todos os países uma carga global de agravos indesejáveis e extremamente dispendiosos, que acometem os indivíduos em todos os domínios de sua Ti p o s d e es q u iz o fr en ia Desorganizada Comportamento regressivo e primitivo Paranóide Delírios persecutórios ou de grande e alucinações auditivas Catatônica Anormalidades acentuadas no comportamento motor – estupor ou excitação Residual Após o episódio agudo – evidências da doença, mas sem sintomas psicóticos proeminentes Indiferenciada Indivíduo não se enquadra em nenhum dos tipos Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 28 vida. A magnitude e complexidade do quadro epidemiológico recomenda uma gama extensa de respostas políticas para o enfrentamento dos problemas decorrentes do consumo. A necessidade de definição de estratégias específicas para a construção de uma rede de assistência aos usuários de álcool e outras drogas, com ênfase na reabilitação e reinsersão social, levou o Ministério da Saúde a instituir, no âmbito do SUS, o Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada aos Usuários de Álcool e outras Drogas, no ano de 2002. Diante da diversidade das características populacionais existentes no País e da variação da incidência de transtornos causados pelo uso abusivo e/ou dependência de Álcool e outras drogas, o Programa organiza as ações de promoção, prevenção, proteção à saúde e educação das pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas e estabelece uma rede estratégica de serviços extra-hospitalares para esta clientela, articulada à rede de atenção psicossocial e fundada na abordagem de redução de danos. Os CAPSad – Centros de Atenção Psicossocial para Atendimento de Pacientes com dependência e/ou uso prejudicial de álcool e outras drogas – são os dispositivos estratégicos desta rede, e passam a ser implantados sobretudo em grandes regiões metropolitanas e em regiões ou municípios de fronteira, com indicadores epidemiológicos relevantes. De fato, o desenvolvimento de ações de atenção integral ao uso de Álcool e drogas deve ser planejado de forma a considerar toda a problemática envolvida no cenário do consumo de drogas. Desta forma os CAPSad, assim como os demais dispositivos desta rede, devem fazer uso deliberado e eficaz dos conceitos de território e rede, bem como da lógica ampliada de redução de danos, realizando uma procura ativa e sistemática das necessidades a serem atendidas de forma integrada ao meio cultural e à comunidade em que estão inseridos, e de acordo com os princípios da Reforma Psiquiátrica. Outros componentes importantes desta rede passam a ter sua implementação incentivada nos estados e municípios através deste Programa de Atenção Integral. São incentivadas assim as ações no âmbito da atenção primária, articulação com as redes de suporte social (tais como grupos de ajuda mútua e entidades filantrópicas), assim como a implementação nos Hospitais Gerais e em sua estrutura de atendimento hospitalar de urgência e emergência, da rede hospitalar de retaguarda aos usuários de álcool e outras drogas. Como nas outras áreas da saúde mental, a organização da rede deve ser diversificada, complexa, com abordagens diversas e na perspectiva da integração social do usuário. O conceito de redução de danos vem sendo consolidado como um dos eixos norteadores da política do Ministério da Saúde para o álcool e outras drogas. Originalmente apresentado de forma favorável na prevenção de doenças transmissíveis, esta estratégia, assumida pelo Ministério da Saúde desde 1994, é internacionalmente reconhecida como alternativa pragmática e eficaz no campo da prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS. No campo do álcool e outras drogas, o paradigma da redução de danos se situa como estratégia de saúde pública que visa a reduzir os danos causados pelo abuso de drogas lícitas e ilícitas, resgatando o usuário em seu papel auto-regulador, sem a exigência imediata e automática da abstinência, e incentivando-o à mobilização social. A estratégia de redução de danos e riscos associados ao consumo prejudicial de drogas vem permitindo que as práticas de saúde acolham, sem julgamento, as demandas de cada situação, de cada usuário, ofertando o que é possível e o que é necessário, sempre estimulando a sua participação e seu engajamento. A estratégia de redução de danos sociais reconhece cada usuário em suas singularidades, traçando com ele estratégias que estão voltadas para a defesa de sua vida. Deste marco ético em defesa da vida, decorre que a abordagem de redução de danos, ao mesmo tempo em que aponta as diretrizes do tratamento e da construção da rede de atenção para as pessoas que fazem uso Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 29 prejudicial de álcool e outras drogas, implica um conjunto de intervenções de saúde pública que visam prevenir as consequências negativas do uso de álcool e outras drogas. Assim, são estratégias de redução de danos a ampliação do acesso aos serviços de saúde, especialmente dos usuários que não têm contato com o sistema de saúde, por meio de trabalho de campo; a distribuição de insumos (seringas, agulhas, cachimbos) para prevenir a infecção dos vírus HIV e Hepatites B e C entre usuários de drogas;a elaboração e distribuição de materiais educativos para usuários de álcool e outras drogas informando sobre formas mais seguras do uso de álcool e outras drogas e sobre as consequências negativas do uso de substâncias psicoativas; os programas de prevenção de acidentes e violência associados ao consumo, e a ampliação do número de unidades de tratamento para o uso nocivo de álcool e outras drogas, entre outras. Síndrome de Abstinência Alcoólica VEJAMOS ALGUMAS QUESTÕES SOBRE ESSA TEMÁTICA: 10. (Prefeitura de Duque de Caxias-RJ/IDECAN/2014) Acerca da assistência ao paciente portador de sofrimento psíquico, o papel do enfermeiro é, EXCETO: a) Agir como agente socializador. b) Atuar como agente psicoterapêutico através do relacionamento um a um. c) Educar o paciente sobre os fatores que afetam a saúde mental, e auxiliar na aceitação do tratamento e regulamento da instituição. d) Não atuar nos processos decisórios dos projetos dos centros de atenção psicossocial, sendo tal responsabilidade do psiquiatra e do psicólogo. e) Criar e manter ambiente terapêutico – aproveitamento de todos os recursos humanos e materiais para oferecer aos pacientes um bom acolhimento, compreensão, apoio, tratamento pessoal, atividades de reestruturação e inclusão na dinâmica global. Si n a is e s in to m a s d a S A A Ansiedade Tremores Medo incontrolável Irritabilidade, agitação e insônia Alucinações ou ilusões transitórias Taquicardia Pupilas dilatadas Sudorese profunda O delirium tremens é a forma mais grave de SAA Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 30 COMENTÁRIOS: A ferramenta clínica teoricamente utilizada pela enfermagem para lidar com o sofrimento psíquico do paciente tem sido o relacionamento terapêutico ou relacionamento interpessoal enfermeiro-cliente. Apontado na década de 1960 como uma intervenção da enfermeira psiquiátrica, este referencial permitiu ao enfermeiro deixar de limitar-se aos cuidados físicos e passar a abordar o próprio sofrimento psíquico enquanto fenômeno da enfermagem. O profissional de enfermagem é de grande importância mediante a assistência prestada para a qualidade da assistência em saúde ofertada, e realiza também papel de desmistificar conceitos, mediante os mitos relacionados a esses clientes nas instituições de saúde, trabalhando a questão dos estigmas nos relacionamentos familiares, tornando-se um agente socializador. São diversas as modalidades de tratamentos ofertadas aos clientes com transtornos mentais, há terapêuticas tradicionais e as não tradicionais fazendo com que o profissional desempenhe melhor seu trabalho. Os profissionais de enfermagem dispõem de várias possibilidades nas utilizações de ações em sua vivência com essa demanda, pois estará devidamente qualificado para lidar com as diversas situações, ajudando os pacientes sobre fatores que afetam a saúde mental, auxiliando na aceitação do tratamento e atuando nos processos decisórios dos projetos terapêuticos. São inúmeras as modalidades terapêuticas e suas finalidades como, por exemplo, a música, atividades lúdicas, atividades físicas, terapêutica para uma melhor adesão ao tratamento já que existe grande índice de abandono do mesmo, ioga, entre diversos outros disponíveis no mercado, criando e mantendo o ambiente terapêutico e aproveitando-se de todos os recursos humanos e materiais para oferecer aos pacientes. A fim de promover além de qualidade de vida a essa clientela, também o amparo biopsicossocial, promovido com a interdisciplinaridade, objetivando assistir a pessoa nas suas diversas necessidades. 11. (UFCG-COMPROV/Prefeitura de Cabaceiras-PB/2014) Doença caracterizada por distúrbios em muitas áreas do funcionamento mental. Raciocínio, percepção, comportamento, motivação e vida emocional são afetados sem exceção. A doença prejudica a atuação no trabalho, os relacionamentos e o autocuidado. As características referem-se a: a) Transtorno da ansiedade generalizada. b) Depressão importante. c) Transtorno bipolar. d) Esquizofrenia. e) Histeria. COMENTÁRIOS: Os primeiros sinais e sintomas da doença aparecem mais comumente durante a adolescência ou início da idade adulta. Apesar de poder surgir de forma abrupta, o quadro mais frequente se inicia de maneira insidiosa. Sintomas prodrômicos pouco específicos, incluindo perda de energia, iniciativa e interesses, humor depressivo, isolamento, comportamento inadequado, negligência com a aparência pessoal e higiene, podem surgir e permanecer por algumas semanas ou até meses antes do aparecimento de sintomas mais característicos da doença. Familiares e amigos em geral percebem mudanças no comportamento do paciente, nas suas atividades pessoais, contato social e desempenho no trabalho e/ou escola. A partir dos comentários, constatamos que o gabarito da questão é a letra D. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 31 Os aspectos mais característicos da esquizofrenia são alucinações e delírios, transtornos de pensamento e fala, perturbação das emoções e do afeto, e déficits cognitivos. Alucinações e delírios são frequentemente observados em algum momento durante o curso da esquizofrenia. As alucinações visuais ocorrem em 15%, as auditivas em 50% e as táteis em 5% de todos os sujeitos, e os delírios em mais de 90% deles. O termo transtorno do pensamento refere-se a uma doença no conteúdo, assim como na forma dos pensamentos do indivíduo. Os transtornos do conteúdo do pensamento são os delírios. Os transtornos na forma de pensamento podem ser subdivididos em duas categorias: perturbação intrínseca do pensamento e, transtorno na forma em que os pensamentos são expressos na linguagem e na fala. A linguagem e o discurso desordenados descarrilamento, tangencialidade, neologismos, pobreza no conteúdo do discurso, incoerência, pressão da fala, fuga de ideias e fala retardada ou mutismo. Os distúrbios do comportamento na esquizofrenia incluem comportamento grosseiramente desordenado e comportamento catatônico. Desde o começo, o comportamento catatônico foi descrito entre os aspectos característicos da esquizofrenia. A catatonia é definida como um conjunto de movimentos, posturas e ações complexas cujo denominador comum é a sua involuntariedade. Os fenômenos catatônicos incluem: estupor, catalepsia, automatismo, maneirismos, esteriotipias, fazer posturas e caretas, negativismo e ecopraxia. A anedonia ou perda da capacidade de sentir prazer, foi proposta como a característica central ou cardinal da esquizofrenia. A anedonia física abrange a perda de prazeres como admirar a beleza do pôr-do-sol, comer, beber, cantar, ser massageado. A anedonia social abrange a perda de prazeres como estar com os amigos ou estar com outras pessoas. O embotamento afetivo foi considerado comum, mas não onipresente, em pacientes com esquizofrenia, sendo também comum em pacientes depressivos. Os déficits cognitivos foram relacionados como características importantes da esquizofrenia. Pacientes com esquizofrenia demonstram um déficit cognitivo generalizado, ou seja, eles tendem a ter um desempenho em níveis mais baixos do que controles normais em uma variedade de testes cognitivos. Eles apresentam múltiplos déficits neuropsicológicos em testes de raciocínio conceitual complexo, velocidade psicomotora, memória de aprendizagem nova e incidental e habilidades motoras, sensoriais e perceptuais. As alterações cognitivas seletivas mais proeminentes na esquizofrenia incluem déficits em atenção, memória e resolução de problemas.12. (DIRECTA/Prefeitura de Piedade-SP/2014) Hiperreatividade emocional, comportamento teatral e atratividade são características do Transtorno de Caráter _________________. a) Esquizoide. b) Narcisista. c) Histriônica. d) Evitadora. COMENTÁRIOS: Personalidade histriônica Transtorno da personalidade caracterizado por uma afetividade superficial e lábil, dramatização, teatralidade, expressão exagerada das emoções, sugestibilidade, egocentrismo, autocomplacência, falta de consideração para com o outro, desejo permanente de ser apreciado e de constituir-se no objeto de atenção e tendência a se sentir facilmente ferido. Portanto, o gabarito da questão é a letra D. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 32 OUTROS DISTÚRBIOS DA PERSONALIDADE Vejamos algumas questões sobre essa temática: 13. (Prefeitura de Piedade-SP/DIRECTA/2014) Analise as informações abaixo referentes aos Transtornos Esquizofrênicos e responda: I- A prevalência de esquizofrenia na população geral é por volta de 1%, com uma incidência em torno de 0,5 por 1000 pessoas/ano. II- A esquizofrenia tem início mais frequentemente na idade adulta tardia; III-A psicose é definida como um distúrbio psiquiátrico que rompe com a realidade experimental ou com processos de pensamento; IV- A esquizofrenia é o principal transtorno mental psicótico arquetípico; a) Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas. b) Apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas. c) Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas. d) Todas as afirmativas estão corretas. COMENTÁRIOS: A esquizofrenia é caracterizada como sendo a principal psicose crônica que altera profundamente a personalidade. É um transtorno mental que em geral se inicia no adulto jovem e afeta a vida do indivíduo e de seus familiares. Tem prevalência de 1% na população geral e incidência em torno de 0,5 por 1000 pessoas/ano. Como incide em os indivíduos no início da vida produtiva, compromete seus relacionamentos sociais, sua vida profissional e afetiva. Ocorre quase que igualmente em homens e mulheres, raramente antes da puberdade ou após os 50 anos de idade. As mulheres apresentam um curso mais brando e, portanto, um melhor prognóstico comparado aos homens. Quando a história familiar é positiva, a idade de início é mais precoce em ambos os sexos. É uma doença de evolução crônica, que exige um acompanhamento do paciente em longo prazo. O objetivo principal Dito isso, o gabarito é a assertiva C. • Desconfiança generalizada e suspeição dos outros; pessoas hipervigilantes, tentas, prontas para qualquer ameaça. Paranóide • Comportamento irresponsável, explorador e isento de culpa, não respeitando o direito dos outros; pessoas manipuladoras e exploradoras Anti-social • Relacionamentos intensos e caóticos, com instabilidade afetiva e variações de atitude; pessoas impulsivas, autodestrutivas Borderline • Necessidade excessiva de ser cuidado, que acarreta comportamento submisso e solícito, com grande medo de separação. Dependente Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 33 do acompanhamento psiquiátrico é a prevenção de recaídas, pois essas contribuem para a deterioração cognitiva e afetiva do paciente. Como objetivos secundários, estão a prevenção do suicídio, a reabilitação do paciente e a diminuição do estresse familiar. Os cuidados familiares são imprescindíveis para se evitar uma evolução residual. Apesar de seu tratamento ser ainda limitado, tem havido nos últimos anos importantes contribuições para o conhecimento desta grave patologia. Classicamente existem variações na apresentação clínica, com implicações terapêuticas e prognósticas. Entretanto, algumas características são comuns: uma alteração detectável ocorre na vida do indivíduo (quebra na curva de vida), mais frequentemente com tendência ao isolamento, desconfiança, estranheza, autoreferência, prejuízo nos cuidados pessoais assim como nos rendimentos intelectuais ou profissionais. Paralelamente, são observadas alterações pensamento. O caráter bizarro é proeminente e quanto mais precoce é esta alteração, pior o prognóstico. Podemos dividir os sintomas esquizofrênicos em três grupos: Positivos: Alucinações (percepção sem objeto), principalmente auditivas e delírios (alteração do julgamento da realidade) são disfunções que surgem. Podem ainda ocorrer (em função dos delírios e das alucinações), comportamento bizarro, atos impulsivos, agitação psicomotora. Negativos: Comprometimento afetivo (Pouca ressonância afetiva, embotamento), alteração da vontade e do pragmatismo, anedonia (incapacidade de sentir prazer), empobrecimento da linguagem e do pensamento, diminuição da fluência verbal, autonegligência, lentificação psicomotora. Desorganização: Alogia (raciocínio sem lógica), comportamento bizarro, alteração do curso do pensamento, afeto inadequado; a tônica é a desorganização, a inadequação das reações. 14. (Prefeitura de Balneário de Barra do Sul –/COMPANY LEARNING/2014) No Brasil, o transtorno de ansiedade encontra-se em primeiro lugar entre os transtornos psiquiátricos. São sintomas observados nos transtornos de ansiedade, exceto: a) Obesidade e desnutrição. b) Crises de dor no peito, coração batendo forte e acelerado. c) Falta de ar e boca seca. d) Dor de cabeça e tonturas. COMENTÁRIOS: Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra. Podemos citar como mais frequentes: (inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular) existem outras queixas que podem estar associadas ao transtorno da ansiedade generalizada: palpitações, falta de ar, boca seca, taquicardia, aumento da pressão arterial, sudorese excessiva, dor de cabeça, alteração nos hábitos intestinais, náuseas, tonturas, aperto no peito, dores musculares. 15. (Secretaria de Saúde de Pernambuco/UPENET/2014) Sobre distúrbios do humor, analise as afirmações abaixo: I - Atualmente, os distúrbios depressivos já estão com as causas definidas, o que facilita o diagnóstico e, consequentemente, a terapêutica. II - O hipotireoidismo subclínico está associado à depressão, especialmente em mulheres. Portanto, o gabarito da questão é a letra B. Desse modo, o gabarito é a letra A. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 34 III. Perturbação dos Processos do Pensamento relacionada com alterações biológicas como demonstrado por agitação, hiperatividade e incapacidade de se concentrar é um dos Diagnósticos de Enfermagem de distúrbio bipolar. IV - O tratamento com lítio está indicado nos distúrbios bipolares. A toxidade do lítio está relacionada à diminuição dos níveis séricos de sódio e à hidratação inadequada. Está CORRETO, apenas, o que se afirma em a) I e III. b) III e IV. c) I. d) III. e) II, III e IV. COMENTÁRIOS: Vejamos cada item da questão: Item I. Incorreto. Atualmente, os distúrbios depressivos já estão com as causas definidas, o que facilita o diagnóstico e, consequentemente, a terapêutica. Nos Distúrbios Depressivos, a causa ainda é desconhecida. O modelo explicativo atual combina predisposição genética com interação com fatores estressantes. Existe um acúmulo familiar na Depressão. O ambiente parece ter importância grande, mas não foi encontrada relação causal direta. Em casos específicos de situações extremas (violência sexual, por exemplo) pode-se apontar um desencadeante claro. Na maior parte dos casos, contudo trata-se de uma somatória de eventos ao longo do tempo e em alguns, não se consegueidentificar o (os) fator (es ) estressor (es). Item II. Correto. O hipotireoidismo subclínico está associado à depressão, especialmente em mulheres. O diagnóstico de hipotireoidismo subclínico deve ser considerado em pacientes com infertilidade e irregularidade menstrual, e também em pacientes deprimidos. Sua prevalência aumenta com a idade e é maior em mulheres. Item III. Correto. Perturbação dos Processos do Pensamento relacionada com alterações biológicas como demonstrado por agitação, hiperatividade e incapacidade de se concentrar é um dos Diagnósticos de Enfermagem de distúrbio bipolar. Item IV. Correto. O tratamento com lítio está indicado nos distúrbios bipolares. A toxidade do lítio está relacionada à diminuição dos níveis séricos de sódio e à hidratação inadequada A gravidade de uma intoxicação por lítio depende de 3 fatores: o pico de concentração sérica de lítio, a duração da intoxicação e a tolerância individual. A toxicidade relaciona-se com a concentração de lítio no soro, pelo que esta deve ser monitorizada durante o tratamento com o lítio (2x por semana). Doze horas após a ingestão de lítio, concentrações séricas de 1,2 a 1,5 mols/L podem representar perigo. Acima de 1,5 mols/L sofre risco de intoxicação. Os primeiros sintomas de uma intoxicação são: diarreia, vómitos, apatia, falta de energia, pernas fracas, sonolência, letargia, dificuldades em falar, tremores irregulares, fraqueza muscular, dores nos braços e nas pernas e ataxia. Estes sintomas, apesar de não significarem risco de vida, são desconfortáveis e indicam a eminência de problemas mais graves. A partir dos comentários, constatamos que o gabarito da questão é a letra E. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 35 16. (Prefeitura de Cianorte-PR/FAUEL/2014) Na abstinência alcoólica, os sinais clínicos da alucinação, EXCETO: a) Ocorrem em 12 a 24 horas da abstinência. b) São vitais alterados. c) Melhoram em 24 a 48 horas. d) Ocorrem em 25% dos casos. COMENTÁRIOS: Quadro Clínico da Abstinência Alcoólica Sinais/sintomas menores (Inicio de 6 a 48 horas após a última dose) - Convulsões Ocorrem em 15-33% dos casos Geralmente entre 6 e 24 h da última dose (> 90% em 48 h) Podem ocorrer após 2 horas de abstinência São convulsões generalizadas e autolimitadas (<3% evoluem para estado de mal epiléptico) Risco de convulsões aumenta nas recorrências de abstinência Nível de consciência preservado (exceto no período pós ictal) - Alucinações Ocorrem em 12 a 24 h da abstinência Melhoram em 24 a 48 h Ocorrem em 25% dos casos Alucinações visuais, táteis e auditivas Nível de consciência é preservado Sinais vitais normais - Delirium tremens Pode ocorrer em 5% dos pacientes Pode iniciar - se entre 48 e 96 h Complicação tardia, após 48 h, em geral nos primeiros 4 dias Complicação grave – média de 2 a 10% de mortalidade, Na ausência de complicações, sintomas podem durar ≥ 7 dias Início abrupto com desorientação, confusão, ideação paranoide, ilusões, alucinações especialmente visuais, sinais de ativação adrenérgica, febre, taquicardia, hipertensão, sudorese. Hiperventilação e alcalose respiratória Alterações hidroeletrolíticas: (hipocalemia, hipomagnesemia, hipofosfatemia). 17. (CEFET-RJ/CESGRANRIO/2014) Uma Campanha voltada para o controle do tabagismo deve considerar que a) o objetivo é disseminar entre os trabalhadores informações sobre os problemas que o tabagismo pode acarretar para a produção e, consequentemente, para a manutenção dos seus empregos. b) a abordagem dos trabalhadores no ambiente profissional fica dificultada pela rotina laboral. c) os fumantes devem ser identificados para criar condições especiais de trabalho que permitam a continuidade do seu hábito, mas protejam os outros trabalhadores. Diante do exposto, o gabarito só pode ser a letra B. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 36 d) os problemas provocados pelo tabagismo no ambiente de trabalho são, entre outros, as faltas, os gastos com doenças, as perdas de produtividade e as aposentadorias precoces. e) durante o desenvolvimento e implementação das ações, devem participar apenas trabalhadores ex- fumantes, para que façam parte dos processos decisórios da política de restrição da instituição. COMENTÁRIOS: Estima-se que até o ano 2020, 70% das mortes provocadas pelo uso do tabaco ocorrerão em países em desenvolvimento. Consequentemente, estes países terão mais gastos em saúde além de custos com perda de produtividade. Em países pobres o orçamento para saúde é geralmente baixo e o atendimento ao paciente com câncer pode ter um custo para o qual não se tem verba e/ou que desvia as verbas já escassas para o atendimento básico de saúde. A perda de produtividade é oriunda de fumantes que adoecem e não podem trabalhar, e de morte precoce devido ao tabagismo. O fenômeno da perda de produtividade pode ser percebido tanto como uma perda para a sociedade como um todo como uma perda pessoal para a família do fumante. Em ambos os casos, a perda de produtividade e de anos causada pelo tabagismo representa um peso desnecessário para o país e sua população. Fumantes tendem a utilizar mais recursos de assistência à saúde ao longo de suas vidas. Embora não fumantes vivam mais e por isso utilizem os serviços de assistência a saúde por mais tempo, eles utilizam esses serviços com muito menos frequência já que são mais saudáveis. De qualquer forma, independentemente dos detalhes fiscais envolvidos, o tabaco representa uma carga de gastos enormes na saúde pública, principalmente nos países menos desenvolvidos. Uma população saudável nutre o processo de desenvolvimento enquanto uma população subnutrida atrasa o crescimento econômico. O governo da Guatemala, por exemplo, estima que o gasto com tratamento de doenças relacionadas ao tabaco está em torno de oitocentos milhões de dólares. Para reverter e/ou minimizar esse quadro, sempre que estiver promovendo um estilo de vida saudável, certifique-se de incluir a importância de não fumar. Ao se colocar pessoalmente, pergunte às pessoas se fazem uso do tabaco, aconselhando-os a deixarem de fumar ou a manter-se não fumantes. A prevenção é a melhor abordagem para a maior parte dos problemas de saúde e um estilo de vida saudável previne muitos problemas sérios de saúde. Transforme todos os ambientes em locais onde o uso do tabaco não é permitido. Distribua folhetos sobre o tabaco e como deixar de fumar. Pendure adesivos e cartazes. Faça com que trabalhadores saudáveis perguntem sobre o uso do tabaco e encorajem as pessoas a deixarem de fumar. Ajude os trabalhadores saudáveis a abandonar o uso do tabaco. Incorpore informação sobre o tabaco em outros materiais sobre saúde. Ao falar sobre, ou promover um estilo de vida saudável, certifique-se de mencionar a necessidade de evitar o fumo ativo ou passivo. 18. (Secretaria de Saúde do Distrito Federal - SES-DF/IADES/2014) O profissional que trabalha com redução de danos é aquele que Portanto, o gabarito da questão é a letra D. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 37 a) realiza controle e gerenciamento de riscos na comunidade. b) trabalha com a Defesa Civil prevenindo desastres naturais. c) trabalha junto à população para reduzir danos morais. d) trabalha exclusivamente com prevenção das DSTs. e) desenvolve atividades de sensibilização, conscientização, orientação e acompanhamento de usuários de álcool, fumo e outras drogas, orienta a população quanto ao uso de contraceptivos, acerca do sexo seguro e a respeito do vírus HIV, entre outras funções. COMENTÁRIOS:O agente de redução de danos é o profissional da área da saúde e do bem-estar ligado a programas governamentais e a ONGs, que trabalha com a conscientização da população, na tentativa de reduzir os riscos e danos causados pelo excesso do álcool, de drogas e pela falta de informação. Esse profissional desenvolve atividades de sensibilização, conscientização, orientação e acompanhamento de usuários de álcool, fumo e outras drogas, orienta a população sobre o uso de contraceptivos, sobre o sexo seguro e sobre o vírus HIV, entre outras funções. É de responsabilidade do agente de redução de danos distribuir materiais de higiene como seringas e agulhas descartáveis, distribuir contraceptivos, organizar palestras e debates sobre problemas comuns à região onde atua, elaborar métodos para que a informação chegue aos usuários de drogas, conscientizar a população sobre os riscos de misturar a bebida com direção, etc. 19. (Instituto Federal do Rio Grande do Sul-IF-RS/IF-RS/2014) Segundo a Política Nacional de Álcool e outras drogas (2004), "existe uma tendência mundial que aponta para o uso cada vez mais precoce de substâncias psicoativas, incluindo o álcool". Essa política traz a redução de danos como um programa que visa a reduzir as consequências negativas relacionadas à saúde, a aspectos sociais e econômicos decorrentes do uso e abuso de substâncias psicoativas para os usuários de drogas, suas famílias e comunidades. Quanto à Redução de Danos é correto afirmar, EXCETO: a) A redução de danos tem como único objetivo a ser alcançado a abstinência. b) O foco da redução de danos é nas consequências e não nos comportamentos em si. c) A redução de danos não julga o consumo das drogas e sim a redução dos problemas advindos dela. d) A redução de danos é complementar às estratégias de controle da demanda e da oferta. e) A redução de danos reconhece os direitos humanos individuais e está calcada na aceitação da integridade e responsabilidade individuais. COMENTÁRIOS: A abstinência não pode ser, então, o único objetivo a ser alcançado. Aliás, quando se trata de cuidar de vidas humanas, temos que, necessariamente, lidar com as singularidades, com as diferentes possibilidades e escolhas que são feitas. As práticas de saúde, em qualquer nível de ocorrência, devem levar em conta esta diversidade. Devem acolher, sem julgamento, o que em cada situação, com cada usuário, é possível, o que é necessário, o que está sendo demandado, o que pode ser ofertado, o que deve ser feito, sempre estimulando a sua participação e o seu engajamento. A abordagem da redução de danos nos oferece um caminho promissor, porque reconhece cada usuário em suas singularidades, traça com ele estratégias que estão voltadas não para a abstinência como objetivo a ser alcançado, mas para a defesa de sua vida. Vemos aqui que a redução de danos oferece-se como um Dito isso, o gabarito é a assertiva E. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 38 método (no sentido de methodos, caminho) e, portanto, não excludente de outros. Mas, vemos também, que o método está vinculado à direção do tratamento e, aqui, tratar significa aumentar o grau de liberdade, de co- responsabilidade daquele que está se tratando. Implica, por outro lado, no estabelecimento de vínculo com os profissionais, que também passam a ser corresponsáveis pelos caminhos a serem construídos pela vida daquele usuário, pelas muitas vidas que a ele se ligam e pelas que nele se expressam. 20. (Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Saúde Mental/UPE/2014) Sobre Redução de Danos sociais e à saúde, decorrentes do uso de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência, assinale a alternativa INCORRETA. a) A redução de danos não implica o estabelecimento de vínculo com os profissionais, pois o usuário passa a ser o responsável pelos caminhos a serem construídos em sua vida. b) A redução de danos é uma estratégia de saúde pública, dirigida a usuários ou a dependentes químicos, que não conseguem ou não querem interromper o uso de drogas, tendo como objetivo reduzir os riscos associados sem, necessariamente, intervir na oferta ou no consumo. c) As ações de redução de danos devem ser desenvolvidas em todos os espaços de interesse público em que ocorra ou possa ocorrer o consumo de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência ou para onde se reportem os seus usuários. d) Nas ações de redução de danos, devem ser preservadas a identidade e a liberdade da decisão do usuário ou dependente sobre qualquer procedimento relacionado à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento. e) As ações de informação, educação e aconselhamento devem ser acompanhadas da distribuição dos insumos destinados a minimizar os riscos decorrentes do consumo de produtos, substâncias e drogas que causem dependência. COMENTÁRIOS: A Redução de Danos é uma política que surge, enquanto estratégia de saúde pública, visando controlar possíveis consequências negativas associadas ao consumo de substâncias psicoativas (lícitas e ilícitas) sem, necessariamente, interferir na oferta ou consumo, respeitando a liberdade de escolha, buscando inclusão social e cidadania para os usuários, em seus contextos de vida marginais, com um modo de atuar clínico e efeitos terapêuticos eficazes. Essa política oportunizou a criação da categoria profissional “Redutor de Danos”, cujos integrantes, na sua maioria, são do nível médio de escolaridade e atuam em locais onde usuários de drogas vivem e convivem, assistindo-os pela promoção da saúde com acolhimento, construção de vínculos e norteamentos terapêuticos focados no sujeito. Os programas de redução de danos visam acessar e vincular usuários de drogas a serviços de saúde que promovam a diminuição da vulnerabilidade pela reinserção social, pelos princípios da busca ativa em locais onde o usuário vive e faz uso de drogas; o vínculo ético e afetivo na relação entre usuário e agente redutor de danos, adquirido pela confiança; a abordagem sigilosa, não estigmatizante ou excludente; a intervenção que Desse modo, o gabarito é a letra A. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 39 instigue o desenvolvimento da autonomia do sujeito; e ações de educação em saúde que oportunizem novos modos possíveis de relação com as drogas6. A reabilitação psicossocial é um dos componentes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) compreendida como ações de fortalecimento de usuários e familiares mediante a criação e desenvolvimento de iniciativas articuladas com os recursos do território nos campos do trabalho/economia solidária, habitação, educação, cultura, direitos humanos, que garantam o exercício de direitos de cidadania e a produção de novas possibilidades para projetos de vida. São exemplos de estratégias de reabilitação psicossocial: iniciativas de geração de trabalho e renda, cooperativas sociais, empreendimentos solidários, centros de convivência e cultura, grupos de teatro, pontos de cultura, moradias solidárias, entre outras iniciativas desenvolvidas nos diversos pontos de atenção da RAPS (CAPS, Atenção Básica, Centros de Convivência e Cultura, Residências Terapêuticas, Ambulatórios de Saúde Mental, Hospital Geral, entre outros serviços), na rede intersetorial e em associações de usuários e familiares. No Brasil, as primeiras experiências de reabilitação psicossocial surgiram no contexto da Reforma Psiquiátrica e, desde então, têm se mostrado um potente dispositivo no que se referem às possibilidades de ampliação do acesso ao trabalho, renda, educação, arte e cultura, contribuindo para a formação do fortalecimento de contratualidade das pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindoaquelas com necessidades de saúde decorrentes do uso de álcool e outras drogas. São experiências diversas que reúnem produções em artesanato, bijuteria, gêneros alimentícias, vestuário, acessórios, marcenaria, serralheria, restauração de móveis, além de iniciativas com arte, cultura, música, cinema, teatro, e outras, com prestação de serviços (jardinagem, limpeza, lavagem de carros, assessoria e incubação, serviço de buffet). No que se refere às iniciativas de geração de trabalho e renda, empreendimentos solidários e cooperativas sociais, atualmente, o Ministério da Saúde tem 660 iniciativas mapeadas. Os Projetos de reabilitação psicossocial devem: 1. Atuar em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras drogas do Ministério da Saúde e da Política Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego; 2. Considerar as diretrizes da Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental e da Lei nº 9.867, de 10 de novembro de 1999, que dispõe sobre a criação e o funcionamento de Cooperativas Sociais, visando à integração social daqueles que estão em desvantagem no mercado econômico; 3. Desenvolver ações de fortalecimento de usuários e familiares mediante a criação e desenvolvimento de iniciativas articuladas com os recursos do território nos campos do trabalho/economia solidária, habitação, educação, cultura, direitos humanos, que garantam o exercício de direitos de cidadania e a produção de novas possibilidades para projetos de vida (Portaria GM nº 854, de 22 de agosto de 2012). 6 Pacheco MAAG. Política de redução de danos a usuários de substâncias psicoativas: práticas terapêuticas no Projeto Consultório de Rua em Fortaleza,CE.2013 [acesso em 2014 set 27]; Disponível em: http://www.uece.br/politicasuece/dmdocuments/disserta%C3%A7ao _Eniana.pdf Desse modo, o gabarito é a letra A. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22 40 4. Constituir-se como dispositivo público da rede de atenção psicossocial, oferecendo às pessoas com sofrimento decorrentes de transtorno mental e/ou do uso de álcool e outras drogas espaços de sociabilidade, produção de nova forma de intervenção na cidade e geração de trabalho e renda; 5. Promover ações que ampliem a autonomia dos usuários e o exercício de direitos dos usuários da rede de saúde mental; 6. Contribuir para a construção de novas possibilidades e condições de vida para usuários da saúde mental, assim como para seus familiares; 7. Despertar o interesse pela educação e formação continuada e incentivar a criatividade; 8. Constituir-se como espaços de convívio e sustentação das diferenças na comunidade, facilitando a construção de laços sociais; 9. Ter como eixos a solidariedade, a inclusão social, o respeito às diferenças e a geração de alternativas concretas de vida; 10. Realizar ações de articulação de redes intra e intersetoriais que promovam a articulação com outros pontos de atenção da rede de saúde, educação, justiça, assistência social, direitos humanos e outros, assim como recursos comunitários presentes no território; 11. Contribuir para o fortalecimento do protagonismo de usuários da RAPS e seus familiares, por meio de atividades que fomentem a participação de usuários e familiares nos processos de gestão dos serviços e da rede (participação em assembleis de serviços, inserção em conselhos, conferências e congressos), além da apropriação e defesa de direitos e a criação de formas associativas de organização (Portaria GM n° 854, de 22 de agosto de 2012). 12. Realizar práticas expressivas e comunicativas no território que ampliem o repertório comunicativo e expressivo dos usuários e promovam novos lugares sociais e inserção no campo da cultura (Portaria GM n°854, de 22 de agosto de 2012). 13. Estimular a promoção de contratualidade por meio do acompanhamento de usuários em cenários de vida cotidiana – casa, trabalho, iniciativas de geração de renda, empreendimentos solidários, contextos familiares e comunitários, com mediação de relações para a criação de novos campos de negociação e de diálogo em igualdade de oportunidades e participação social (Portaria GM n° 854, de 22 de agosto de 2012). A Portaria n° 132/2012 foi instituída com o objetivo de ampliar o incentivo financeiro para estados e municípios que desenvolvam projetos de inclusão social pelo trabalho e pela cultura voltados às pessoas portadoras de transtornos mentais e/ou que apresentam problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas. A portaria substitui a Portaria 1169/2005, revogada em 26 de janeiro de 2012. Trata-se de um recurso de custeio pontual que pode ser utilizado para equipar os projetos ou programas de geração de renda e trabalho (oficinas, cooperativas sociais, associações, grupos de produção, entre outros empreendimentos econômicos solidários) e/ou capacitar e formar os usuários, familiares e trabalhadores de saúde mental inseridos em iniciativas de reabilitação psicossocial. Chegamos ao fim de mais uma aula! Foco, força e Fé sempre. Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22