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Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22
 
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Olá, Amigo (a)! 
Nesta aula exploraremos as questões cobradas em concursos anteriores referentes ao tema 
Enfermagem em Saúde Mental. 
Lembrando que as nossas aulas são elaboradas com materiais atualizados e de fácil entendimento, nos 
atentamos em está abordando a teoria relacionada com a maneira como os assuntos são abordados pelos 
concursos de Enfermagem. 
Desejamos uma ótima aula e muita disciplina . 
 
Profº. Rômulo Passos 
Profª. Raiane Bezerra 
Profª. Vanessa Ferreira 
 
 
 
www.romulopassos.com.br 
 
Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22
 
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ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL 
 
A ferramenta clínica teoricamente utilizada pela enfermagem para lidar com o sofrimento psíquico do 
paciente tem sido o relacionamento terapêutico ou relacionamento interpessoal enfermeiro-cliente. Apontado 
na década de 1960 como uma intervenção da enfermeira psiquiátrica, este referencial permitiu ao enfermeiro 
deixar de limitar-se aos cuidados físicos e passar a abordar o próprio sofrimento psíquico enquanto fenômeno 
da enfermagem. 
O profissional de enfermagem é de grande importância mediante a assistência prestada para a 
qualidade da assistência em saúde ofertada, e realiza também papel de desmistificar conceitos, mediante os 
mitos relacionados a esses clientes nas instituições de saúde, trabalhando a questão dos estigmas nos 
relacionamentos familiares, tornando-se um agente socializador. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Encontros com os usuários oferecem ao profissional a possibilidade de conhecer as demandas de saúde 
da população de seu território. Com este conhecimento, a equipe de Saúde tem como criar recursos coletivos e 
individuais de cuidado avaliados como os mais necessários ao acompanhamento e ao suporte de seus usuários 
e de sua comunidade. No campo da Saúde Mental, temos como principais dispositivos comunitários os grupos 
terapêuticos, os grupos operativos, a abordagem familiar, as redes de apoio social e/ou pessoal do indivíduo, 
os grupos de convivência, os grupos de artesanato ou de geração de renda, entre outros1. 
A Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional da Saúde Mental, traz o 
seguinte: 
Artigo 2º - Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares ou 
responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no parágrafo único deste artigo. 
Parágrafo único - São direitos da pessoa portadora de transtorno mental: 
I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades; 
 
1
 Ministério da Saúde (Brasil), Secretaria de Atenção à Saúde. Cadernos de Atenção Básica – Saúde Mental. Brasília: Ministério da 
Saúde; 2013. 
 
 
• Criar e manter ambiente terapêutico – aproveitamento de todos os recursos humanos e materiais 
disponíveis I 
• Atuar nos processos decisórios dos projetos dos centros de atenção psicossocial; II 
• Agir como agente socializador; III 
• Atuar como agente psicoterapêutico através do relacionamento um a um; IV 
• Educar o paciente sobre os fatores que afetam a saúde mental, e auxiliar na aceitação do 
tratamento e regulamento da instituição. V 
• Participar e criar ações comunitárias para a saúde mental VI 
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II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando 
alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade; 
III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração; 
IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas; 
V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua 
hospitalização involuntária; 
VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis; 
VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento; 
VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis; 
IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental. 
Artigo 4º - A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-
hospitalares se mostrarem insuficientes2. 
 
INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA 
 
 Internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário; 
A pessoa deve assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse regime de 
tratamento. 
 Internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; 
Deverá, no prazo de setenta e duas horas, ser comunicado ao Ministério Público Estadual pelo 
responsável técnico do estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento 
ser adotado quando da respectiva alta. 
 Internação compulsória: aquela determinada pela justiça. 
 
A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por médico devidamente registrado 
no Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se localize o estabelecimento. Em casos de evasão, 
transferência, acidente, intercorrência clínica grave e falecimento serão comunicados pela direção do 
estabelecimento de saúde mental aos familiares, ou ao representante legal do paciente, bem como à 
autoridade sanitária responsável, no prazo máximo de vinte e quatro horas da data da ocorrência. 
A Atenção Básica tem como um de seus princípios, possibilitar o primeiro acesso das pessoas ao sistema 
de Saúde, inclusive daquelas que demandam um cuidado em saúde mental. Neste ponto de atenção, as ações 
são desenvolvidas em um território geograficamente conhecido, possibilitando aos profissionais de Saúde uma 
proximidade para conhecer a história de vida das pessoas e de seus vínculos com a comunidade/território 
onde moram, bem como com outros elementos dos seus contextos de vida. 
Podemos dizer que o cuidado em saúde mental na Atenção Básica é bastante estratégico pela facilidade 
de acesso das equipes aos usuários e vice-versa. Sendo assim, ações terapêuticas podem ser realizadas por 
todos os profissionais da Atenção Básica, nos mais diversos dispositivos de cuidado, como: Proporcionar ao 
usuário um momento para pensar/refletir; Exercer boa comunicação; Exercitar a habilidade da empatia; 
 
2 Brasil. Ministério da Saúde. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Política Nacional de Saúde Mental. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. 
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Lembrar-se de escutar o que o usuário precisa dizer; Acolher o usuário e suas queixas emocionais como 
legítimas; Oferecer suporte na medida certa, uma medida que não torne o usuário dependente e nem gere no 
profissional uma sobrecarga; Reconhecer os modelos de entendimento do usuário3. 
 
VEJAMOS ALGUMAS QUESTÕES: 
 
1. (Prefeitura de Duque de Caxias-RJ/IDECAN/2014) Acerca da assistência ao paciente portador de sofrimento 
psíquico, o papel do enfermeiro é, EXCETO: 
a) Agir como agentesocializador 
b) Atuar como agente psicoterapêutico através do relacionamento um a um 
c) Educar o paciente sobre os fatores que afetam a saúde mental, e auxiliar na aceitação do tratamento e 
regulamento da instituição 
d) Não atuar nos processos decisórios dos projetos dos centros de atenção psicossocial, sendo tal 
responsabilidade do psiquiatra e do psicólogo 
e) Criar e manter ambiente terapêutico – aproveitamento de todos os recursos humanos e materiais para 
oferecer aos pacientes um bom acolhimento, compreensão, apoio, tratamento pessoal, atividades de 
reestruturação e inclusão na dinâmica global 
COMENTÁRIOS: 
A ferramenta clínica teoricamente utilizada pela enfermagem para lidar com o sofrimento psíquico do 
paciente tem sido o relacionamento terapêutico ou relacionamento interpessoal enfermeiro-cliente. 
Apontado na década de 1960 como uma intervenção da enfermeira psiquiátrica, este referencial permitiu ao 
enfermeiro deixar de limitar-se aos cuidados físicos e passar a abordar o próprio sofrimento psíquico enquanto 
fenômeno da enfermagem. 
O profissional de enfermagem é de grande importância mediante a assistência prestada para a 
qualidade da assistência em saúde ofertada, e realiza também papel de desmistificar conceitos, mediante os 
mitos relacionados a esses clientes nas instituições de saúde, trabalhando a questão dos estigmas nos 
relacionamentos familiares, tornando-se um agente socializador. 
São diversas as modalidades de tratamentos ofertadas aos clientes com transtornos mentais, há 
terapêuticas tradicionais e as não tradicionais fazendo com que o profissional desempenhe melhor seu 
trabalho. Os profissionais de enfermagem dispõem de várias possibilidades nas utilizações de ações em sua 
vivência com essa demanda, pois estará devidamente qualificado para lidar com as diversas situações, 
ajudando os pacientes sobre fatores que afetam a saúde mental, auxiliando na aceitação do tratamento e 
atuando nos processos decisórios dos projetos terapêuticos. 
São inúmeras as modalidades terapêuticas e suas finalidades como, por exemplo, a música, atividades 
lúdicas, atividades físicas, terapêutica para uma melhor adesão ao tratamento já que existe grande índice de 
abandono do mesmo, ioga, entre diversos outros disponíveis no mercado, criando e mantendo o ambiente 
terapêutico e aproveitando-se de todos os recursos humanos e materiais para oferecer aos pacientes. A fim 
de promover além de qualidade de vida a essa clientela, também o amparo biopsicossocial, promovido com a 
interdisciplinaridade, objetivando assistir a pessoa nas suas diversas necessidades. 
 
3 Ministério da Saúde (Brasil), Secretaria de Atenção à Saúde. Cadernos de Atenção Básica – Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde; 2013. 
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2. (Prefeitura de Cambé-PR/ FUNTEF-PR/2014) Em um hospital psiquiátrico ou em um Centro de Atenção 
Psicossocial (CAPS), o profissional de enfermagem sempre deve 
a) resolver todos os problemas do centro. 
b) agir sempre com lentidão. 
c) manter-se distraído. 
d) manter-se arredio aos pacientes. 
e) manter-se em atenção permanente. 
COMENTÁRIOS: 
Pelas singularidades existentes nos Centros de Atenção Psicossociais e Hospitais Psiquiátricos, entende-
se que o trabalho da enfermagem se insere em uma prática que vai além dos chamados "recursos 
tradicionais", como a comunicação terapêutica, relacionamento interpessoal, atendimento individual, 
administração de medicamentos, entre outros. A proposta de trabalho inclui, além da pessoa com transtorno 
mental, a família e a sociedade, exigindo atividades direcionadas a um grupo ampliado, para o qual a 
enfermagem deverá utilizar-se do saber acumulado na profissão e agregá-lo ao que é necessário na prática 
cotidiana. Sendo assim, o enfermeiro deve manter-se em atenção permanente para a observação dos 
aspectos biopsicossociais necessários para o cuidado na prática diária. 
 
 
3. (Prefeitura de Imaruí-SC/ Prefeitura de Imaruí-SC/2014) A enfermagem em saúde mental é centrada no 
cuidado da pessoa com transtornos mentais e seus familiares, promovendo a manutenção, recuperação, 
prevenção secundária e reintegração ou reabilitação social do indivíduo. É uma função que compõe o papel 
do enfermeiro: 
a) Prescrever medicamentos ansiolíticos para aliviar os sintomas de depressão. 
b) Participar de e criar ações comunitárias para a saúde mental. 
c) Desencorajar o cliente, quando este manifestar vontade de sair, conversar com outras pessoas. 
d) Discutir com o cliente sempre que ele estiver em delírio, discordando com suas ideias. 
COMENTÁRIOS: 
Hoje, o conhecimento de enfermagem necessita ser ampliado no novo contexto em que se encontra a 
saúde mental, pois o relacionamento terapêutico foi incorporado ao rol de suas atividades e o enfermeiro 
passa a ter um papel reconhecido como "agente terapêutico, por sua possibilidade de influir nas relações 
interpessoais, de modificar favoravelmente o ambiente e de orientar as interações em grupo". Nessa 
concepção, seu relacionamento e comunicação com o paciente, sua capacidade de ouvir e interagir contribuiu 
para a construção de nova identidade para esses profissionais na atenção ao portador de transtornos 
psiquiátricos, participando e criando ações comunitárias para a saúde mental. Hoje se discute o enfoque no 
atendimento global, que pressupõe a inserção do paciente em um contexto sociocultural, político e econômico 
com ênfase nas relações terapêuticas interpessoais, vinculadas às ações comunitárias, com uma lógica inversa 
àquela da exclusão e do internamento. 
 
 
A partir dos comentários, constatamos que o gabarito da questão é a letra D. 
 
Diante do exposto, o gabarito é a letra E. 
 
Nessa esteira, a alternativa correta é a B. 
 
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4. (Prefeitura de Duque de Caxias-RJ/IDECAN/2014) Acerca da assistência ao paciente portador de sofrimento 
psíquico, o papel do enfermeiro é, EXCETO: 
a) Agir como agente socializador. 
b) Atuar como agente psicoterapêutico através do relacionamento um a um. 
c) Educar o paciente sobre os fatores que afetam a saúde mental, e auxiliar na aceitação do tratamento e 
regulamento da instituição. 
d) Não atuar nos processos decisórios dos projetos dos centros de atenção psicossocial, sendo tal 
responsabilidade do psiquiatra e do psicólogo. 
e) Criar e manter ambiente terapêutico – aproveitamento de todos os recursos humanos e materiais para 
oferecer aos pacientes um bom acolhimento, com preensão, apoio, tratamento pessoal, atividades de 
reestruturação e inclusão na dinâmica global. 
COMENTÁRIOS: 
De acordo com o Caderno de Atenção Básica sobre Saúde Mental, podemos perceber que várias são as 
atribuições do enfermeiro ao paciente portador de transtorno psíquico. Dentre elas podemos citar algumas, 
como: 
 Criar e manter ambiente terapêutico – aproveitamento de todos os recursos humanos e materiais 
para oferecer aos pacientes um bom acolhimento, com preensão, apoio, tratamento pessoal, atividades 
de reestruturação e inclusão na dinâmica global; 
 Atuar nos processos decisórios dos projetos dos centros de atenção psicossocial; 
 Agir como agente socializador; 
 Atuar como agente psicoterapêutico através do relacionamento um a um; 
 Educar o paciente sobre os fatores que afetam a saúde mental, e auxiliar na aceitação do 
tratamento e regulamento da instituição. 
 
 
O início do processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil é contemporâneo da eclosão do “movimento 
sanitário”, nos anos 70, em favor da mudança dos modelos de atenção e gestão nas práticas de saúde,defesa 
da saúde coletiva, equidade na oferta dos serviços, e protagonismo dos trabalhadores e usuários dos serviços 
de saúde nos processos de gestão e produção de tecnologias de cuidado. 
Embora contemporâneo da Reforma Sanitária, o processo de Reforma Psiquiátrica brasileira tem uma 
história própria, inscrita num contexto internacional de mudanças pela superação da violência asilar. Fundado, 
ao final dos anos 70, na crise do modelo de assistência centrado no hospital psiquiátrico, por um lado, e na 
eclosão, por outro, dos esforços dos movimentos sociais pelos direitos dos pacientes psiquiátricos, o processo 
da Reforma Psiquiátrica brasileira é maior do que a sanção de novas leis e normas e maior do que o conjunto 
de mudanças nas políticas governamentais e nos serviços de saúde. 
A Reforma Psiquiátrica é processo político e social complexo, composto de atores, instituições e forças 
de diferentes origens, e que incide em territórios diversos, nos governos federal, estadual e municipal, nas 
universidades, no mercado dos serviços de saúde, nos conselhos profissionais, nas associações de pessoas com 
transtornos mentais e de seus familiares, nos movimentos sociais, e nos territórios do imaginário social e da 
opinião pública. Compreendida como um conjunto de transformações de práticas, saberes, valores culturais e 
Nessa esteira, o gabarito correto é a letra D. 
 
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sociais, é no cotidiano da vida das instituições, dos serviços e das relações interpessoais que o processo da 
Reforma Psiquiátrica avança, marcado por impasses, tensões, conflitos e desafios. 
O ano de 1978 costuma ser identificado como o de início efetivo do movimento social pelos direitos dos 
pacientes psiquiátricos em nosso país. O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), 
movimento plural formado por trabalhadores integrantes do movimento sanitário, associações de familiares, 
sindicalistas, membros de associações de profissionais e pessoas com longo histórico de internações 
psiquiátricas, surge neste ano. É, sobretudo, este Movimento através de variados campos de luta, que passa a 
protagonizar e a construir a partir deste período a denúncia da violência dos manicômios, da mercantilização 
da loucura, da hegemonia de uma rede privada de assistência e a construir coletivamente uma crítica ao 
chamado saber psiquiátrico e ao modelo hospitalocêntrico na assistência às pessoas com transtornos mentais. 
A experiência italiana de desinstitucionalização em psiquiatria e sua crítica radical ao manicômio é inspiradora, 
e revela a possibilidade de ruptura com os antigos paradigmas, como, por exemplo, na Colônia Juliano 
Moreira, enorme asilo com mais de 2.000 internos no início dos anos 80, no Rio de Janeiro. Passam a surgir as 
primeiras propostas e ações para a reorientação da assistência. O II Congresso Nacional do MTSM (Bauru, SP), 
em 1987, adota o lema “Por uma sociedade sem manicômios”. Neste mesmo ano, é realizada a I Conferência 
Nacional de Saúde Mental (Rio de Janeiro). 
Neste período, são de especial importância o surgimento do primeiro CAPS no Brasil, na cidade de São 
Paulo, em 1987, e o início de um processo de intervenção, em 1989, da Secretaria Municipal de Saúde de 
Santos (SP) em um hospital psiquiátrico, a Casa de Saúde Anchieta, local de maus-tratos e mortes de 
pacientes. É esta intervenção, com repercussão nacional, que demonstrou de forma inequívoca a possibilidade 
de construção de uma rede de cuidados efetivamente substitutiva ao hospital psiquiátrico. Neste período, são 
implantados no município de Santos Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) que funcionam 24 horas, são 
criadas cooperativas, residências para os egressos do hospital e associações. A experiência do município de 
Santos passa a ser um marco no processo de Reforma Psiquiátrica brasileira. Trata-se da primeira 
demonstração, com grande repercussão, de que a Reforma Psiquiátrica, não sendo apenas uma retórica, era 
possível e exequível. 
Também no ano de 1989, dá entrada no Congresso Nacional o Projeto de Lei do deputado Paulo 
Delgado (PT/MG), que propõe a regulamentação dos direitos da pessoa com transtornos mentais e a extinção 
progressiva dos manicômios no país. É o início das lutas do movimento da Reforma Psiquiátrica nos campos 
legislativo e normativo. Com a Constituição de 1988, é criado o SUS – Sistema Único de Saúde, formado pela 
articulação entre as gestões federal, estadual e municipal, sob o poder de controle social, exercido através dos 
“Conselhos Comunitários de Saúde”. 
A partir do ano de 1992, os movimentos sociais, inspirados pelo Projeto de Lei Paulo Delgado, 
conseguem aprovar em vários estados brasileiros as primeiras leis que determinam a substituição progressiva 
dos leitos psiquiátricos por uma rede integrada de atenção à saúde mental. É a partir deste período que a 
política do Ministério da Saúde para a saúde mental, acompanhando as diretrizes em construção da Reforma 
Psiquiátrica, começa a ganhar contornos mais definidos. É na década de 90, marcada pelo compromisso 
firmado pelo Brasil na assinatura da Declaração de Caracas e pela realização da II Conferência Nacional de 
Saúde Mental, que passam a entrar em vigor no país as primeiras normas federais regulamentando a 
implantação de serviços de atenção diária, fundadas nas experiências dos primeiros CAPS, NAPS e Hospitais-
dia, e as primeiras normas para fiscalização e classificação dos hospitais psiquiátricos. 
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Neste período, o processo de expansão dos CAPS e NAPS é descontínuo. As novas normatizações do 
Ministério da Saúde de 1992, embora regulamentassem os novos serviços de atenção diária, não instituíam 
uma linha específica de financiamento para os CAPS e NAPS. Do mesmo modo, as normas para fiscalização e 
classificação dos hospitais psiquiátricos não previam mecanismos sistemáticos para a redução de leitos. Ao 
final deste período, o país tem em funcionamento 208 CAPS, mas cerca de 93% dos recursos do Ministério da 
Saúde para a Saúde Mental ainda são destinados aos hospitais psiquiátricos. 
É somente no ano de 2001, após 12 anos de tramitação no Congresso Nacional, que a Lei Paulo Delgado 
é sancionada no país. A aprovação, no entanto, é de um substitutivo do Projeto de Lei original, que traz 
modificações importantes no texto normativo. Assim, a Lei Federal 10.216 redireciona a assistência em saúde 
mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária, dispõe sobre a proteção 
e os direitos das pessoas com transtornos mentais, mas não institui mecanismos claros para a progressiva 
extinção dos manicômios. Ainda assim, a promulgação da lei 10.216 impõe novo impulso e novo ritmo para o 
processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil. É no contexto da promulgação da lei 10.216 e da realização da III 
Conferência Nacional de Saúde Mental, que a política de saúde mental do governo federal, alinhada com as 
diretrizes da Reforma Psiquiátrica, passa a consolidar-se, ganhando maior sustentação e visibilidade. Linhas 
específicas de financiamento são criadas pelo Ministério da Saúde para os serviços abertos e substitutivos ao 
hospital psiquiátrico e novos mecanismos são criados para a fiscalização, gestão e redução programada de 
leitos psiquiátricos no país. A partir deste ponto, a rede de atenção diária à saúde mental experimenta uma 
importante expansão, passando a alcançar regiões de grande tradição hospitalar, onde a assistência 
comunitária em saúde mental era praticamente inexistente. 
Neste mesmo período, o processo de desinstitucionalização de pessoas longamente internadas é 
impulsionado, com a criação do Programa “De Volta para Casa”. Uma política derecursos humanos para a 
Reforma Psiquiátrica é construída, e é traçada a política para a questão do álcool e de outras drogas, 
incorporando a estratégia de redução de danos. Realiza-se, em 2004, o primeiro Congresso Brasileiro de 
Centros de Atenção Psicossocial, em São Paulo, reunindo dois mil trabalhadores e usuários de CAPS. Este 
processo caracteriza-se por ações dos governos federal, estadual, municipal e dos movimentos sociais, para 
efetivar a construção da transição de um modelo de assistência centrado no hospital psiquiátrico, para um 
modelo de atenção comunitário. O período atual caracteriza-se assim por dois movimentos simultâneos : a 
construção de uma rede de atenção à saúde mental substitutiva ao modelo centrado na internação hospitalar, 
por um lado, e a fiscalização e redução progressiva e programada dos leitos psiquiátricos existentes, por outro. 
É neste período que a Reforma Psiquiátrica se consolida como política oficial do governo federal. 
Durante todo o processo de realização da III Conferência e no teor de suas deliberações, condensadas 
em Relatório Final, é inequívoco o consenso em torno das propostas da Reforma Psiquiátrica, e são pactuados 
democraticamente os princípios, diretrizes e estratégias para a mudança da atenção em saúde mental no 
Brasil. Desta forma, a III Conferência consolida a Reforma Psiquiátrica como política de governo, confere aos 
CAPS o valor estratégico para a mudança do modelo de assistência, defende a construção de uma política de 
saúde mental para os usuários de álcool e outras drogas, e estabelece o controle social como a garantia do 
avanço da Reforma Psiquiátrica no Brasil. É a III Conferência Nacional de Saúde Mental, com ampla 
participação dos movimentos sociais, de usuários e de seus familiares, que fornece os substratos políticos e 
teóricos para a política de saúde mental no Brasil. 
 
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 PROCESSO DE DESINSTITUCIONALIZAÇÃO 
 
O processo de redução de leitos em hospitais psiquiátricos e de desinstitucionalização de pessoas com 
longo histórico de internação passa a tornar-se política pública no Brasil a partir dos anos 90, e ganha grande 
impulso em 2002 com uma série de normatizações do Ministério da Saúde, que instituem mecanismos claros, 
eficazes e seguros para a redução de leitos psiquiátricos a partir dos macro-hospitais. Para avaliar o ritmo da 
redução de leitos em todo o Brasil, no entanto, é preciso considerar o processo histórico de implantação dos 
hospitais psiquiátricos nos estados, assim como a penetração das diretrizes da Reforma Psiquiátrica em cada 
região brasileira, uma vez que o processo de desinstitucionalização pressupõe transformações culturais e 
subjetivas na sociedade e depende sempre da pactuação das três esferas de governo (federal, estadual e 
municipal). 
O processo de desinstitucionalização de pessoas com longo histórico de internação psiquiátrica avançou 
significativamente, sobretudo através da instituição pelo Ministério da Saúde de mecanismos seguros para a 
redução de leitos no país e a expansão de serviços substitutivos aos hospital psiquiátrico. O Programa Nacional 
de Avaliação do Sistema Hospitalar/Psiquiatria (PNASH/Psiquiatria), o Programa Anual de Reestruturação da 
Assistência Hospitalar Psiquiátrica no SUS (PRH), assim como a instituição do Programa de Volta para Casa e a 
expansão de serviços como os Centros de Atenção Psicossocial e as Residências Terapêuticas, vem permitindo 
a redução de milhares de leitos psiquiátricos no país e o fechamento de vários hospitais psiquiátricos. Embora 
em ritmos diferenciados, a redução do número de leitos psiquiátricos vem se efetivando em todos os estados 
brasileiros, sendo muitas vezes este processo o desencadeador do processo de Reforma. 
Entre os instrumentos de gestão que permitem as reduções e fechamentos de leitos de hospitais 
psiquiátricos de forma gradual, pactuada e planejada, está o Programa Nacional de Avaliação do Sistema 
Hospitalar/Psiquiatria (PNASH/Psiquiatria), instituído em 2002, por normatização do Ministério da Saúde. 
Essencialmente um instrumento de avaliação, o PNASH/Psiquiatria permite aos gestores um diagnóstico da 
qualidade da assistência dos hospitais psiquiátricos conveniados e públicos existentes em sua rede de saúde, 
ao mesmo tempo que indica aos prestadores critérios para uma assistência psiquiátrica hospitalar compatível 
com as normas do SUS, e descredencia aqueles hospitais sem qualquer qualidade na assistência prestada a sua 
população adscrita. Trata-se da instituição, no Brasil, do primeiro processo avaliativo sistemático, anual, dos 
hospitais psiquiátricos. Se a reorientação do modelo de atenção em saúde mental no Brasil é recente, mais 
recente ainda são seus processos de avaliação. 
• I Conferência Nacional de Saúde Mental 1987 
• II Conferência Nacional de Saúde Mental 1992 
• III Conferência Nacional de Saúde Mental 2001 
• IV Conferência Nacional de Saúde Mental 2010 
Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22
 
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É importante ressaltar que a tradição de controle e avaliação anterior ao PNASH-Psiquiatria ancorava-se 
em dois mecanismos: as supervisões hospitalares, realizadas por supervisores do SUS, de alcance limitado, e as 
fiscalizações ou auditorias que atendiam a denúncias de mau funcionamento das unidades. É a partir da 
instituição do PNASH/Psiquiatria que o processo de avaliação da rede hospitalar psiquiátrica pertencente ao 
Sistema Único de Saúde passa a ser sistemático e anual, e realizado por técnicos de três campos 
complementares: o técnico-clínico, a vigilância sanitária e o controle normativo. 
Fundamentado na aplicação, todos os anos, em cada um dos hospitais psiquiátricos da rede, de um 
instrumento de coleta de dados qualitativo, o PNASH/Psiquiatria avalia a estrutura física do hospital, a 
dinâmica de funcionamento dos fluxos hospitalares, os processos e os recursos terapêuticos da instituição, 
assim como a adequação e inserção dos hospitais à rede de atenção em saúde mental em seu território e às 
normas técnicas gerais do SUS. É parte deste processo de avaliação, a realização de “entrevistas de satisfação” 
com pacientes longamente internados e pacientes às vésperas de receber alta hospitalar. 
Este instrumento gera uma pontuação que, cruzada com o número de leitos do hospital, permite 
classificar os hospitais psiquiátricos em quatro grupos diferenciados: aqueles de boa qualidade de assistência; 
os de qualidade suficiente; aqueles que precisam de adequações e devem sofrer revistoria; e aqueles de baixa 
qualidade, encaminhados para o descredenciamento pelo Ministério da Saúde, com os cuidados necessários 
para evitar desassistência à população. 
A política de desinstitucionalização teve um forte impulso com a implantação do Programa Nacional de 
Avaliação dos Serviços Hospitalares – PNASH/Psiquiatria. O PNASH vem conseguindo vistoriar a totalidade dos 
hospitais psiquiátricos do país, leitos de unidades psiquiátricas em hospital geral, permitindo que um grande 
número de leitos inadequados às exigências mínimas de qualidade assistencial e respeito aos direitos humanos 
sejam retirados do sistema, sem acarretar desassistência para a população. 
O processo demonstrou ser um dispositivo fundamental para a indução e efetivação da política de 
redução de leitos psiquiátricos e melhoria da qualidade da assistência hospitalar em psiquiatria. Em muitos 
estados e municípios, o PNASH/Psiquiatria exerceu a função de desencadeador da reorganização da rede de 
saúde mental, diante da situação de fechamento de leitos psiquiátricos e da consequente expansão da rede 
extra-hospitalar. Em permanente aprimoramento,o PNASH/Psiquiatria ainda exerce um impacto importante 
no avanço da Reforma Psiquiátrica em municípios e estados com grande tradição hospitalar. 
 
• AS RESIDÊNCIAS TERAPÊUTICAS 
A desinstitucionalização e a efetiva reintegração das pessoas com transtornos mentais graves e 
persistentes na comunidade são tarefas às quais o SUS vem se dedicando com especial empenho nos últimos 
anos. A implementação e o financiamento de Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) surgem neste contexto 
como componentes decisivos da política de saúde mental do Ministério da Saúde para a concretização das 
diretrizes de superação do modelo de atenção centrado no hospital psiquiátrico. Assim, os Serviços 
Residenciais Terapêuticos, residências terapêuticas ou simplesmente moradias, são casas localizadas no 
espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos 
mentais graves, egressas de hospitais psiquiátricos ou não. 
Embora as residências terapêuticas se configurem como equipamentos da saúde, estas casas, 
implantadas na cidade, devem ser capazes em primeiro lugar de garantir o direito à moradia das pessoas 
egressas de hospitais psiquiátricos e de auxiliar o morador em seu processo – às vezes difícil – de reintegração 
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na comunidade. Os direitos de morar e de circular nos espaços da cidade e da comunidade são, de fato, os 
mais fundamentais direitos que se reconstituem com a implantação nos municípios de Serviços Residenciais 
Terapêuticos. Sendo residências, cada casa deve ser considerada como única, devendo respeitar as 
necessidades, gostos, hábitos e dinâmica de seus moradores. 
Uma Residência Terapêutica deve acolher, no máximo, oito moradores. De forma geral, um cuidador é 
designado para apoiar os moradores nas tarefas, dilemas e conflitos cotidianos do morar, do co-habitar e do 
circular na cidade, em busca da autonomia do usuário. De fato, a inserção de um usuário em um SRT é o início 
de longo processo de reabilitação que deverá buscar a progressiva inclusão social do morador. Cada residência 
deve estar referenciada a um Centro de Atenção Psicossocial e operar junto à rede de atenção à saúde mental 
dentro da lógica do território. 
Especialmente importantes nos municípios-sede de hospitais psiquiátricos, onde o processo de 
desinstitucionalização de pessoas com transtornos mentais está em curso, as residências são também 
dispositivos que podem acolher pessoas que em algum momento necessitam de outra solução de moradia. 
O processo de implantação e expansão destes serviços é recente no Brasil. Nos últimos anos, o 
complexo esforço de implantação das residências e de outros dispositivos substitutivos ao hospital psiquiátrico 
vem ganhando impulso nos municípios, exigindo dos gestores do SUS uma permanente e produtiva articulação 
com a comunidade, a vizinhança e outros cenários e pessoas do território. De fato, é fundamental a condução 
de um processo responsável de trabalho terapêutico com as pessoas que estão saindo do hospital psiquiátrico, 
o respeito por cada caso, e ao ritmo de readaptação de cada pessoa à vida em sociedade. Desta forma, a 
expansão destes serviços, embora permanente, tem ritmo próprio e acompanha, de forma geral, o processo 
de desativação de leitos psiquiátricos. 
 
• PROGRAMA DE VOLTA PARA CASA 
O Programa de Volta para Casa é um dos instrumentos mais efetivos para a reintegração social das 
pessoas com longo histórico de hospitalização. Trata-se de uma das estratégias mais potencializadoras da 
emancipação de pessoas com transtornos mentais e dos processos de desinstitucionalização e redução de 
leitos nos estados e municípios. Criado pela lei federal 10.708, encaminhada pelo presidente Luís Inácio Lula 
da Silva ao Congresso, votada e sancionada em 2003, o Programa é a concretização de uma reivindicação 
histórica do movimento da Reforma Psiquiátrica Brasileira, tendo sido formulado como proposta já à época da 
II Conferência Nacional de Saúde Mental, em 1992. 
O objetivo do Programa é contribuir efetivamente para o processo de inserção social das pessoas com 
longa história de internações em hospitais psiquiátricos, através do pagamento mensal de um auxílio-
reabilitação. Para receber o auxílio-reabilitação do Programa De Volta para Casa, a pessoa deve ser egressa de 
Hospital Psiquiátrico ou de Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, e ter indicação para inclusão em 
programa municipal de reintegração social. 
O Programa possibilita a ampliação da rede de relações dos usuários, assegura o bem estar global da 
pessoa e estimula o exercício pleno dos direitos civis, políticos e de cidadania, uma vez que prevê o pagamento 
do auxílio-reabilitação diretamente ao beneficiário, através de convênio entre o Ministério da Saúde e a Caixa 
Econômica Federal. Assim, cada beneficiário do Programa recebe um cartão magnético, com o qual pode sacar 
e movimentar mensalmente estes recursos. O município de residência do beneficiário deve, para habilitar-se 
ao Programa, ter assegurada uma estratégia de acompanhamento dos beneficiários e uma rede de atenção à 
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saúde mental capaz de dar uma resposta efetiva às demandas de saúde mental. A cada ano o benefício pode 
ser renovado, caso o beneficiário e a equipe de saúde que o acompanha entendam ser esta uma estratégia 
ainda necessária para o processo de reabilitação. 
Trata-se de um dos principais instrumentos no processo de reabilitação psicossocial, segundo a 
literatura mundial no campo da Reforma Psiquiátrica. Seus efeitos no cotidiano das pessoas egressas de 
hospitais psiquiátricos são imediatos, na medida em que se realiza uma intervenção significativa no poder de 
contratualidade social dos beneficiários, potencializando sua emancipação e autonomia. 
 
• O PAPEL ESTRATÉGICO DOS CAPS 
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), entre todos os dispositivos de atenção à saúde mental, têm 
valor estratégico para a Reforma Psiquiátrica Brasileira. É o surgimento destes serviços que passa a 
demonstrar a possibilidade de organização de uma rede substitutiva ao Hospital Psiquiátrico no país. É função 
dos CAPS prestar atendimento clínico em regime de atenção diária, evitando assim as internações em 
hospitais psiquiátricos; promover a inserção social das pessoas com transtornos mentais através de ações 
intersetoriais; regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental na sua área de atuação e dar 
suporte à atenção à saúde mental na rede básica. É função, portanto, e por excelência, dos CAPS organizar a 
rede de atenção às pessoas com transtornos mentais nos municípios. Os CAPS são os articuladores 
estratégicos desta rede e da política de saúde mental num determinado território. 
Os CAPS devem ser substitutivos, e não complementares ao hospital psiquiátrico. Cabe aos CAPS o 
acolhimento e a atenção às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, procurando preservar e 
fortalecer os laços sociais do usuário em seu território. De fato, o CAPS é o núcleo de uma nova clínica, 
produtora de autonomia, que convida o usuário à responsabilização e ao protagonismo em toda a trajetória 
do seu tratamento. 
Os Centros de Atenção Psicossocial começaram a surgir nas cidades brasileiras na década de 80 e 
passaram a receber uma linha específica de financiamento do Ministério da Saúde a partir do ano de 2002, 
momento no qual estes serviços experimentam grande expansão. São serviços de saúde municipais, abertos, 
comunitários, que oferecem atendimento diário às pessoas com transtornos mentais severos e persistentes, 
realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social destas pessoas atravésdo acesso ao trabalho, 
lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. 
Não existem dúvidas de que a expansão da rede CAPS foi fundamental para as visíveis mudanças que estão em 
curso na assistência às pessoas com transtornos mentais. A implantação dos serviços de atenção diária tem 
mudado radicalmente o quadro de desassistência que caracterizava a saúde mental pública no Brasil. 
Os CAPS se diferenciam pelo porte, capacidade de atendimento, clientela atendida e organizam-se no 
país de acordo com o perfil populacional dos municípios brasileiros. Assim, estes serviços diferenciam-se como 
CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPSi e CAPSad. 
Os CAPS I são os Centros de Atenção Psicossocial de menor porte, capazes de oferecer uma resposta 
efetiva às demandas de saúde mental em municípios com população entre 20.000 e 70.000 habitantes - cerca 
de 19% dos municípios brasileiros, onde residem por volta de 17% da população do país. Estes serviços têm 
equipe mínima de 9 profissionais, entre profissionais de nível médio enível superior, e têm como clientela 
adultos com transtornos mentais severos e persistentes e transtornos decorrentes do uso de álcool e outras 
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drogas. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana, e têm capacidade para o acompanhamento de 
cerca de 240 pessoas por mês. 
Os CAPS II são serviços de médio porte, e dão cobertura a municípios com população entre 70.000 e 
200.000 habitantes - cerca de 10% dos municípios brasileiros, onde residem cerca de 65% da população 
brasileira. A clientela típica destes serviços é de adultos com transtornos mentais severos e persistentes. Os 
CAPS II têm equipe mínima de 12 profissionais, entre profissionais de nível médio e nível superior, e 
capacidade para o acompanhamento de cerca de 360 pessoas por mês. Funcionam durante os cinco dias úteis 
da semana. 
Os CAPS III são os serviços de maior porte da rede CAPS. Previstos para dar cobertura aos municípios 
com mais de 200.000 habitantes, os CAPS III estão presentes hoje, em sua maioria, nas grandes metrópoles 
brasileiras – os municípios com mais de 500.000 habitantes representam apenas 0,63 % por cento dos 
municípios do país, mas concentram boa parte da população brasileira, cerca de 29% da população total do 
país. Os CAPS III são serviços de grande complexidade, uma vez que funcionam durante 24 horas em todos os 
dias da semana e em feriados. Com no máximo cinco leitos, o CAPS III realiza, quando necessário, acolhimento 
noturno (internações curtas, de algumas horas a no máximo 7 dias). A equipe mínima para estes serviços deve 
contar com 16 profissionais, entre os profissionais de nível médio e superior, além de equipe noturna e de 
final de semana. Estes serviços têm capacidade para realizar o acompanhamento de cerca de 450 pessoas por 
mês. 
Os CAPSi, especializados no atendimento de crianças e adolescentes com transtornos mentais, são 
equipamentos geralmente necessários para dar resposta à demanda em saúde mental em municípios com 
mais de 200.000 habitantes. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana, e têm capacidade para realizar 
o acompanhamento de cerca de 180 crianças e adolescentes por mês. A equipe mínima para estes serviços é 
de 11 profissionais de nível médio e superior. 
Os CAPSad, especializados no atendimento de pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras 
drogas, são equipamentos previstos para cidades com população de 70.000 a 200.000 habitantes, ou cidades 
que, por sua localização geográfica (municípios de fronteira, ou parte de rota de tráfico de drogas) ou cenários 
epidemiológicos importantes, necessitem deste serviço para dar resposta efetiva às demandas de saúde 
mental. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana, e têm capacidade para realizar o acompanhamento 
de cerca de 240 pessoas por mês. A equipe mínima prevista para os CAPSad é composta por 13 profissionais 
de nível médio e superior. 
O perfil populacional dos municípios é sem dúvida um dos principais critérios para o planejamento da 
rede de atenção à saúde mental nas cidades, e para a implantação de Centros de Atenção Psicossocial. O 
critério populacional, no entanto, deve ser compreendido apenas como um orientador para o planejamento 
das ações de saúde. De fato, é o gestor local, articulado com as outras instâncias de gestão do SUS, que terá as 
condições mais adequadas para definir os equipamentos que melhor respondem às demandas de saúde 
mental de seu município. 
A posição estratégica dos Centros de Atenção Psicossocial como articuladores da rede de atenção de 
saúde mental em seu território, é, por excelência, promotora de autonomia, já que articula os recursos 
existentes em variadas redes: sócio-sanitárias, jurídicas, sociais e educacionais, entre outras. A tarefa de 
promover a reinserção social exige uma articulação ampla, desenhada com variados componentes ou recursos 
da assistência, para a promoção da vida comunitária e da autonomia dos usuários dos serviços. 
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 16 
Os CAPS, no processo de construção de uma lógica comunitária de atenção à saúde mental, oferecem 
então os recursos fundamentais para a reinserção social de pessoas com transtornos mentais. 
 
PASSEMOS AGORA PARA A RESOLUÇÃO DE ALGUMAS QUESTÕES: 
 
5. (Prefeitura de Espera Feliz-MG/IDECAN/2014) O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) são casas localizadas 
no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de 
transtornos mentais graves, institucionalizadas ou não, sua regulamentação foi feita através da Lei Federal nº 
10.216/2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, 
redirecionando o modelo assistencial em saúde mental. Qual a equipe necessária para o acompanhamento 
dos portadores de doenças mentais graves? 
a) Psiquiatras. 
b) Fisioterapeutas. 
c) Médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. 
d) Psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais. 
e) Profissionais vinculados ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou ambulatórios especializados em saúde 
mental. 
COMENTÁRIOS: 
O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) – ou residência terapêutica ou simplesmente "moradia" – são 
casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas 
portadoras de transtornos mentais graves, institucionalizadas ou não. 
O número de usuários pode variar desde 1 indivíduo até um pequeno grupo de no máximo 8 pessoas, 
que deverão contar sempre com suporte profissional sensível às demandas e necessidades de cada um. 
O suporte de caráter interdisciplinar (seja o CAPS de referência, seja uma equipe da atenção básica, 
sejam outros profissionais) deverá considerar a singularidade de cada um dos moradores, e não apenas 
projetos e ações baseadas no coletivo de moradores. O acompanhamento a um morador deve prosseguir, 
mesmo que ele mude de endereço ou eventualmente seja hospitalizado. 
O processo de reabilitação psicossocial deve buscar de modo especial a inserção do usuário na rede de 
serviços, organizações e relações sociais da comunidade. Ou seja, a inserção em um SRT é o início de longo 
processo de reabilitação que deverá buscar a progressiva inclusão social do morador. 
Os SRTs devem ser acompanhados pelos CAPS ou ambulatórios especializados em saúde mental, ou, 
ainda, equipe de saúde da família (com apoio matricial em saúde mental). A equipe técnica deve ser 
compatível com a necessidade dos moradores e segundo se aproximem mais de um dos dois tipos descritos no 
tópico anterior. O cuidador tem uma tarefa importante na moradia. 
 
 
6. (Prefeitura dePiedade-SP/DIRECTA/2014) De acordo com a Portaria GM 336/02 tópico 4.2 com relação à 
CAPS II estabelece que o serviço de atenção psicossocial com capacidade operacional para atendimento em 
municípios com população entre: 
a) 20.000 e 70.000 habitantes. 
b) 20.000 e 100.000 habitantes. 
 Dito isso, o gabarito é a assertiva E. 
 
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 17 
c) 70.000 e 100.000 habitantes. 
d) 70.000 e 200.000 habitantes. 
COMENTÁRIOS: 
De acordo com a Portaria/GM Nº 336 – de 19 de fevereiro de 2002, o CAPS II – É o serviço de atenção 
psicossocial com capacidade operacional para atendimento em municípios com população entre 70.000 e 
200.000 habitantes. 
 
 
7. (Prefeitura de Princesa Isabel –PB/CONPASS/2014) Qual a Lei que dispõe sobre a proteção e os direitos das 
pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental? 
a) Lei no 11.318, de 6 de abril de 2010. 
b) Lei no 10.216, de 6 de abril de 2001. 
c) Lei no 5.456, de 10 de março de 2000. 
d) Lei no 12.116, de 6 de abril de 1999. 
e) Lei no 1.799, de 29 de janeiro de 2011. 
COMENTÁRIOS: 
A Lei nº 10.216, de 6 de Abril de 2001, dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de 
transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. 
 
 
8. (Residência Multiprofissional em Saúde/UPE/2014) Sobre a Reforma Psiquiátrica e a Política de Saúde 
Mental no Brasil, leia as afirmativas abaixo e coloque V nas Verdadeiras e F nas Falsas. 
( ) A Reforma Psiquiátrica é a ampla mudança do atendimento público em Saúde Mental, garantindo o 
acesso da população aos serviços e o respeito a seus direitos e liberdade; é amparada pela Lei 10.216/2001. 
( ) O fortalecimento das políticas de saúde, voltadas para grupos de pessoas com transtornos mentais de alta 
e baixa cobertura assistencial e a consolidação da ampliação de uma rede de atenção de base comunitária e 
territorial continuam sendo desafios da Política Nacional de Saúde Mental. 
( ) Os Centros de Atenção Psicossocial têm como função prestar atendimento clínico em regime de atenção 
diária; promover a inserção social das pessoas com transtornos mentais através de ações intersetoriais; 
regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental na sua área de atuação e dar suporte à 
atenção à saúde mental na rede básica. 
( ) São princípios fundamentais da articulação entre saúde mental e atenção básica/saúde da família: 
promoção de saúde, território, acolhimento, vínculo e responsabilização, integralidade, intersetorialidade, 
multiprofissionalidade, organização da atenção à saúde em rede, desinstitucionalização, reabilitação 
psicossocial; participação da comunidade; promoção de cidadania dos usuários. 
Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA. 
a) V, F, F, F 
b) F, F, V, V 
c) V, V, F, V 
d) V, V, V, V 
e) F, F, F, V. 
Portanto, o gabarito da questão é a letra D. 
 
 Sendo assim, o gabarito é a letra B. 
 
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 18 
COMENTÁRIOS: 
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), entre todos os dispositivos de atenção à saúde mental, têm 
valor estratégico para a Reforma Psiquiátrica Brasileira. Esta Reforma é a ampla mudança do atendimento 
público em Saúde Mental, sendo posteriormente amparada pela Política Nacional de Saúde Mental (Lei 
10.216/2001). 
Com o surgimento dos CAPS passa-se a demonstrar a possibilidade de organização de uma rede 
substitutiva ao Hospital Psiquiátrico no país. É função dos CAPS prestar atendimento clínico em regime de 
atenção diária, evitando assim as internações em hospitais psiquiátricos; promover a inserção social das 
pessoas com transtornos mentais através de ações intersetoriais; regular a porta de entrada da rede de 
assistência em saúde mental na sua área de atuação e dar suporte à atenção à saúde mental na rede básica. É 
função, portanto, e por excelência, dos CAPS organizar a rede de atenção às pessoas com transtornos mentais 
nos municípios. Os CAPS são os articuladores estratégicos desta rede e da política de saúde mental num 
determinado território. 
Os CAPS devem ser substitutivos, e não complementares ao hospital psiquiátrico. Cabe aos CAPS o 
acolhimento e a atenção às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, procurando preservar e 
fortalecer os laços sociais do usuário em seu território. De fato, o CAPS é o núcleo de uma nova clínica, 
produtora de autonomia, que convida o usuário à responsabilização e ao protagonismo em toda a trajetória do 
seu tratamento. 
São serviços de saúde municipais, abertos, comunitários, que oferecem atendimento diário às pessoas 
com transtornos mentais severos e persistentes, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social 
destas pessoas através do acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços 
familiares e comunitários. 
O Ministério da Saúde vem estimulando ativamente, nas políticas de expansão, formulação e avaliação 
da Atenção Básica, diretrizes que incluam a dimensão subjetiva dos usuários e os problemas mais frequentes de 
saúde mental. Afinal, grande parte das pessoas com transtornos mentais leves ou severos está sendo 
efetivamente atendida pelas equipes de Atenção Básica nos grandes e pequenos municípios. Assumir este 
compromisso é uma forma de responsabilização em relação à produção da saúde, à busca da eficácia das 
práticas e à promoção de equidade, da integralidade e da cidadania num sentido mais amplo, especialmente 
em relação aos pequenos municípios (grande maioria dos municípios brasileiros), onde não é necessária a 
implantação de Centros de Atenção Psicossocial4. 
 
 
9. (Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Saúde Mental/UPE/2014) Os Centros de Atenção 
Psicossocial (CAPS) são serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico, que têm valor estratégico para a 
Reforma Psiquiátrica Brasileira. Sobre esses serviços, analise as afirmativas abaixo: 
I. Os CAPS atendem às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e às com necessidades 
decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, admitindo-as independentemente de sua área territorial. 
 
4 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no 
Brasil. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. Brasília, novembro de 
2005. 
 A partir do exposto fica claro que o gabarito da questão é a letra D. 
 
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 19 
II. O trabalho no CAPS é realizado, prioritariamente, em espaços coletivos, de forma articulada com os outros 
pontos de atenção da rede de saúde e das demais redes. 
III. O cuidado é desenvolvido através de Projeto Terapêutico Singular, construído pela equipe multiprofissional 
a partir do acolhimento do usuário. 
IV. A ordenação do cuidado está sob a responsabilidade do CAPS ou da Atenção Básica, garantindo 
permanente processo de cogestão e acompanhamento longitudinal do caso. 
Está CORRETO o que se afirmar em: 
a) I, II, III e IV. 
b) II, apenas. 
c) II e IV, apenas. 
d) I, III e IV, apenas. 
e) I e IV, apenas. 
COMENTÁRIOS: 
Agora vamos relembrar o que diz a Portaria Nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011, que institui a Rede de 
Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do 
uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 
Art. 7º O ponto de atenção daRede de Atenção Psicossocial na atenção psicossocial especializada é o 
Centro de Atenção Psicossocial. 
§ 1º O Centro de Atenção Psicossocial de que trata o caput deste artigo é constituído por equipe 
multiprofissional que atua sob a ótica interdisciplinar e realiza atendimento às pessoas com transtornos 
mentais graves e persistentes e às pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras 
drogas, em sua área territorial, em regime de tratamento intensivo, semi-intensivo, e não intensivo. 
§ 2º As atividades no Centro de Atenção Psicossocial são realizadas prioritariamente em espaços 
coletivos (grupos, assembleias de usuários, reunião diária de equipe), de forma articulada com os outros 
pontos de atenção da rede de saúde e das demais redes. 
§ 3º O cuidado, no âmbito do Centro de Atenção Psicossocial,é desenvolvido por intermédio de Projeto 
Terapêutico Individual, envolvendo em sua construção a equipe, o usuário e sua família, e a ordenação do 
cuidado estará sob a responsabilidade do Centro de Atenção Psicossocial ou da Atenção Básica, garantindo 
permanente processo de cogestão e acompanhamento longitudinal do caso5. 
Após leitura da portaria, fica claro que apenas o item I está incorreto, pois os CAPS atendem as pessoas 
em sua área territorial. 
SENDO ASSIM, A QUESTÃO FOI ANULADA. 
 
 
Os Transtornos mentais (ou doenças mentais, transtornos psiquiátricos ou psíquicos, entre outras 
nomenclaturas) são condições de anormalidade, sofrimento ou comprometimento de ordem psicológica, 
mental ou cognitiva. Em geral, um transtorno representa um significativo impacto na vida do paciente, 
provocando sintomas como desconforto emocional, distúrbio de conduta e enfraquecimento da memória. 
 
5
 Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011, que institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas 
com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema 
Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da República Federativa do Brasil. 
O gabarito seria itens II, III e IV corretos. 
 
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 20 
Os transtornos mentais acometem, em algum momento da vida, ao menos 20% da população mundial. 
Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, transtornos mentais é a segunda causa dos atendimentos de 
urgência. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) de 2006 realizada no Serviço de 
Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Marília, no interior de São Paulo, mostrou que 16% dos pacientes 
atendidos apresentaram transtornos mentais e do comportamento. 
 
Dentre os principais transtornos mentais incluem-se: 
 
 TRANSTORNO DA ANSIEDADE GENERALIZADA 
A ansiedade é uma reação normal do ser humano diante de situações que podem provocar medo, 
dúvida ou expectativa. No entanto, quando esse sentimento persiste por longos períodos de tempo e passa a 
interferir nas atividades do dia a dia, a ansiedade deixa de ser natural e passa a ser motivo de preocupação. 
Esse, na verdade, é o principal sintoma do Transtorno da ansiedade generalizada (TAG), um distúrbio 
caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”. O transtorno da ansiedade 
generalizada é uma doença comum. Tal como acontece com muitas condições de saúde mental, não se sabe 
ao certo o que causa esse distúrbio. 
Acredita-se, porém, que o transtorno da ansiedade generalizada esteja diretamente relacionado a 
alguns neurotransmissores que ocorrem naturalmente em nosso cérebro, a exemplo da serotonina, dopamina 
e norepinefrina. Outra crença é a de que um conjunto de fatores possa estar envolvido nas razões pelas quais 
um indivíduo possa vir a apresentar a doença, entre eles genética e fatores externos, como o estresse do dia a 
dia e a qualidade de vida da pessoa. 
Algumas condições físicas também podem ser associadas à ansiedade. Os exemplos incluem: 
▪ Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE); 
▪ Doenças cardíacas; 
▪ Hipotireoidismo e hipertireoidismo; 
▪ Menopausa 
Alguns fatores que podem aumentar o risco do transtorno de ansiedade generalizada, incluem: gênero, 
trauma de infância, doenças concomitantes, personalidade, genética, abuso de substâncias. 
O principal sintoma do transtorno de ansiedade generalizada é a presença quase permanente de 
preocupação ou tensão, mesmo quando há poucos motivos ou quando não existe motivo algum para isso. As 
preocupações parecem passar de um problema para outro, como questões familiares, amorosas, relacionadas 
ao trabalho, à saúde ou de várias outras origens. 
Mesmo quando as pessoas com esse transtorno têm consciência de que suas preocupações ou medos 
são mais fortes do que o necessário, elas ainda têm dificuldade para controlar essas reações. 
Outros sintomas incluem: 
▪ Dificuldade de concentração; 
▪ Fadiga; 
▪ Irritabilidade; 
▪ Problemas para adormecer ou para permanecer dormindo e um sono que raramente é revigorante 
e satisfatório; 
▪ Inquietação, geralmente ficando assustado com muita facilidade; 
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 21 
▪ Além das preocupações e ansiedades, diversos sintomas físicos também podem se manifestar, 
incluindo tensão muscular (tremedeira, dores de cabeça) e problemas de estômago, como náusea ou 
diarreia. 
O objetivo do tratamento é ajudar o paciente a agir normalmente na vida cotidiana, limitando suas 
preocupações. Uma combinação de medicamentos e terapia cognitivo-comportamental (TCC) funciona melhor 
que uma técnica ou outra isoladamente. A terapia cognitivo-comportamental ajuda a compreender os 
comportamentos e como conseguir controlá-los. 
 
 SÍNDROME DO PÂNICO 
A síndrome do pânico é um tipo de transtorno de ansiedade no qual ocorrem crises inesperadas de 
desespero e medo intenso de que algo ruim aconteça, mesmo que não haja motivo algum para isso ou sinais 
de perigo iminente. 
Um indivíduo diagnosticado com síndrome do pânico costuma manifestar de uma a duas crises durante 
toda a vida. Pode parecer pouco, mas viver com a doença compromete seriamente a qualidade de vida da 
pessoa, pois ela sofre em dois momentos distintos: no momento exato da crise e também no intervalo entre 
elas, pois nunca se sabe quando que a crise acontecerá novamente. A crise pode demorar dias, semanas, 
meses e até mesmo anos para ocorrer mais uma vez. Essa sensação constante de insegurança pode 
comprometer as atividades diárias do paciente. 
As causas exatas da síndrome do pânico são desconhecidas, embora a ciência acredite que um conjunto 
de fatores pode desencadear o desenvolvimento deste transtorno, como: genética, estresse, temperamento 
forte e suscetível ao estresse, mudanças na forma como o cérebro funciona e reage a determinadas situações. 
Alguns estudos indicam que a resposta natural do corpo a situações de perigo esteja diretamente 
envolvida nas crises de pânico. Apesar disso, ainda não está claro por que esses ataques acontecem em 
situações nas quais não há qualquer evidência de perigo iminente. 
As crises de síndrome do pânico geralmente começam entre a fase final da adolescência e o início da 
idade adulta. Apesar disso, podem ocorrer depois dos 30 anos e durante a infância, embora no último caso ela 
possa ser diagnosticada só depois que as crianças já estejam mais velhas. 
A síndrome do pânico costuma afetar mais mulheres do que homens e pode ser desencadeada por 
alguns fatores considerados de risco, como: situações de estresse extremo, morte ou adoecimento de uma 
pessoa próxima, mudanças radicais ocorridas na vida, histórico de abuso sexual durante a infância, ter passado 
por alguma experiênciatraumática, como um acidente. 
Ataques de pânico característicos da síndrome geralmente acontecem de repente e sem aviso prévio, 
em qualquer período do dia e também em qualquer situação, como enquanto a pessoa está dirigindo, fazendo 
compras no shopping, em meio a uma reunião de trabalho ou até mesmo dormindo. 
O pico das crises de pânico geralmente dura cerca de 10 a 20 minutos, mas pode variar dependendo da 
pessoa e da intensidade do ataque. Além disso, alguns sintomas podem continuar por uma hora ou mais. É 
bom ficar atento, pois muitas vezes um ataque de pânico pode ser confundido com um ataque cardíaco. 
As crises de pânico geralmente manifestam os seguintes sintomas: 
▪ Sensação de perigo iminente; 
▪ Medo de perder o controle; 
▪ Medo da morte ou de uma tragédia iminente; 
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▪ Sentimentos de indiferença; 
▪ Sensação de estar fora da realidade; 
▪ Dormência e formigamento nas mãos, nos pés ou no rosto; 
▪ Palpitações, ritmo cardíaco acelerado e taquicardia; 
▪ Sudorese; 
▪ Tremores; 
▪ Dificuldade para respirar, falta de ar e sufocamento; 
▪ Hiperventilação; 
▪ Calafrios; 
▪ Ondas de calor; 
▪ Náusea; 
▪ Dores abdominais; 
▪ Dores no peito e desconforto; 
▪ Dor de cabeça; 
▪ Tontura; 
▪ Desmaio; 
▪ Sensação de estar com a garganta fechando; 
▪ Dificuldade para engolir 
O pior de todos os sintomas é o medo que se sente de ter outro ataque de pânico. Esse medo pode ser 
tão grande que a pessoa, muitas vezes, evitará, ao máximo, situações em que essas crises poderão ocorrer 
novamente. 
Os ataques de pânico podem alterar o comportamento em casa, na escola ou no trabalho. As pessoas 
portadoras da síndrome muitas vezes se preocupam com os efeitos de seus ataques de pânico e podem, até 
mesmo, despertar problemas mais graves, como alcoolismo, depressão e abuso de drogas. 
Não há como prever as crises de pânico. Pelo menos nos estágios iniciais do transtorno, parece não 
haver nada específico capaz de desencadear o ataque. Mas há indícios de que lembrar-se de ataques de 
pânico anteriores possam contribuir e levar a uma nova crise. 
O principal objetivo do tratamento da síndrome do pânico é evitar qualquer tipo de sintoma 
característico das crises. As duas principais formas de tratamento para esse transtorno é por meio de 
psicoterapia e medicamentos. Ambos têm se mostrado bastante eficientes. Dependendo da gravidade, 
preferência e do histórico do paciente, o médico poderá optar por um deles ou até mesmo por ambos, já que 
a combinação dos dois tipos de tratamento têm se mostrado ainda mais eficaz do que um ou outro operando 
isoladamente. 
 
 DISTÚRBIO DEPRESSIVO MAIOR 
A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. No sentido 
patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa autoestima, que aparecem com frequência e podem 
combinar-se entre si. É imprescindível o acompanhamento médico tanto para o diagnóstico quanto para o 
tratamento adequado. 
Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, 
principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, 
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dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Outros processos que ocorrem 
dentro das células nervosas também estão envolvidos. 
Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais, muitas vezes, são 
consequência e não causa da depressão. Vale ressaltar que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas 
com predisposição, que provavelmente é genética. A prevalência (número de casos numa população) da 
depressão é estimada em 19%, o que significa que aproximadamente uma em cada cinco pessoas no mundo 
apresenta o problema em algum momento da vida. 
São sintomas de depressão: 
▪ Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia; 
▪ Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas; 
▪ Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas 
agradáveis; 
▪ Desinteresse, falta de motivação e apatia; 
▪ Falta de vontade e indecisão; 
▪ Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio; 
▪ Pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa autoestima, sensação de falta de 
sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte; 
▪ A pessoa pode desejar morrer, planejar uma forma de morrer ou tentar suicídio; 
▪ Interpretação distorcida e negativa da realidade: tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom 
"cinzento" para si, os outros e o seu mundo; 
▪ Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento; 
▪ Diminuição do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação 
prazerosa habitual) e da libido; 
▪ Perda ou aumento do apetite e do peso; 
▪ Insônia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito 
superficial), despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário habitual) ou, menos 
frequentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do 
tempo); 
▪ Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos, como dores de barriga, má 
digestão, azia, diarreia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no 
corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros. 
O tratamento da depressão é essencialmente medicamentoso. Existem mais de 30 antidepressivos 
disponíveis. Ao contrário do que alguns temem, essas medicações não são como drogas, que deixam a pessoa 
eufórica e provocam vício. A terapia é simples e, de modo geral, não incapacita ou entorpece o paciente. 
 
 TRANSTORNO BIPOLAR 
O transtorno bipolar é um problema em que as pessoas alternam entre períodos de muito bom humor e 
períodos de irritação ou depressão. As chamadas "oscilações de humor" entre a mania e a depressão podem 
ser muito rápidas e podem ocorrer com muita ou pouca frequência. 
Existem 3 tipos de transtorno bipolar: 
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▪ Transtorno bipolar tipo 1: pacientes apresentam pelo menos um episódio maníaco e períodos de 
depressão profunda. Antigamente, o transtorno bipolar do tipo 1 era chamado de depressão 
maníaca; 
▪ Transtorno bipolar tipo 2: pacientes nunca apresentaram episódios maníacos completos. Em vez 
disso, elas apresentam períodos de níveis elevados de energia e impulsividade que não são tão 
intensos como os da mania (chamado de hipomania). Esses episódios se alternam com episódios de 
depressão; 
▪ Uma forma leve de transtorno bipolar chamada ciclotimia envolve oscilações de humor menos 
graves. Pessoas com essa forma alternam entre hipomania e depressão leve. As pessoas com 
transtorno bipolar do tipo II ou ciclotimia podem ser diagnosticadas incorretamente como tendo 
apenas depressão. 
A causa exata do transtorno bipolar ainda é desconhecida, mas a ciência acredita que diversos fatores 
possam estar envolvidos nas oscilações de humor provocadas pela doença, como: peculiaridades biológicas, 
neurotransmissores, hormônios, hereditariedade, meio ambiente. 
Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento de transtorno bipolar, como: histórico familiar 
da doença, estresse intenso, uso e abuso de drogas recreativas e/ou álcool, mudanças de vida e experiências 
traumáticas, ter entre 15 e 25 anos. Homens e mulheres possuem as mesmas chances de desenvolver a 
doença. 
Os sintomas de transtorno bipolar dependem do tipo exato da doença e costumam variar de pessoapara pessoa. Para alguns, os picos de depressão são os que causam os maiores problemas. Para outros, a 
preocupação é maior durante os picos de mania. Pode acontecer, também, de sintomas de depressão e 
hipomania acontecerem ao mesmo tempo. Temos como principais sinais do transtorno bipolar: 
Fase maníaca 
▪ Distrair - se facilmente; 
▪ Redução da necessidade de sono; 
▪ Capacidade de discernimento diminuída; 
▪ Pouco controle do temperamento; 
▪ Compulsão alimentar, beber demais e/ou uso excessivo de drogas; 
▪ Manter relações sexuais com muitos parceiros; 
▪ Gastos excessivos; 
▪ Hiperatividade; 
▪ Aumento de energia; 
▪ Pensamentos acelerados que se atropelam; 
▪ Fala em excesso; 
▪ Autoestima muito alta (ilusão sobre si mesmo ou habilidades); 
▪ Grande envolvimento em atividades; 
▪ Grande agitação ou irritação. 
A fase maníaca do transtorno bipolar pode durar dias e até mesmo meses. Os sintomas acima são mais 
comuns em pessoas que tem o tipo 1 da doença. No tipo 2, os sinais são similares, mas menos intensos. 
Fase depressiva 
▪ Desânimo diário ou tristeza; 
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▪ Dificuldade de se concentrar, de lembrar ou de tomar decisões; 
▪ Perda de peso e perda de apetite; 
▪ Comer excessivamente e ganho de peso; 
▪ Fadiga ou falta de energia; 
▪ Sentir-se inútil, sem esperança ou culpado; 
▪ Perda de interesse nas atividades que antes eram prazerosas; 
▪ Baixa autoestima; 
▪ Pensamentos sobre morte e suicídio; 
▪ Problemas para dormir ou excesso de sono; 
▪ Afastamento dos amigos ou das atividades que antes eram prazerosas. 
O risco de tentativas de suicídio em pessoas com transtorno bipolar é grande. Os pacientes podem 
abusar do álcool ou de outras substâncias, piorando os sintomas. Em alguns casos, as duas fases se 
sobrepõem. Os sintomas maníacos e depressivos podem ocorrer juntos ou rapidamente um após o outro. Isso 
recebe o nome de estado misto. Episódios de mania e depressão podem resultar também em psicose, doença 
em que há perda de contato com a realidade. 
O tratamento para transtorno bipolar costuma durar por muito tempo, até mesmo anos. Ele costuma 
ser feito por diversos especialistas de várias áreas – como psicólogos, psiquiatras e neurologistas. A equipe 
médica, primeiramente, tenta descobrir quais são os possíveis desencadeadores da alteração de humor. 
Também podem ser investigados os problemas médicos ou emocionais que influenciam no tratamento. Mas 
atenção: os períodos de depressão e mania voltam a ocorrer na maioria dos pacientes, mesmo sob 
tratamento. 
Os principais objetivos da terapia para transtorno bipolar são: evitar a alternância entre as fases, evitar a 
necessidade de hospitalização, ajudar o paciente a agir da melhor maneira possível entre os episódios, impedir 
comportamento autodestrutivo e suicídio, reduzir a gravidade e a frequência dos episódios. 
A psicoterapia é uma parte vital do tratamento de transtorno bipolar. Medicamentos antipsicóticos e 
antiansiedade para problemas de humor costumam ser prescritos pelos médicos, bem como remédios 
antidepressivos. A terapia eletroconvulsiva (TEC) pode ser usada para tratar a fase maníaca ou depressiva de 
um transtorno bipolar caso não haja resposta aos medicamentos. 
 
 ESQUIZOFRENIA 
A esquizofrenia é um transtorno mental complexo que dificulta na distinção entre as experiências reais 
e imaginárias, interfere no pensamento lógico, nas respostas emocionais normais e comportamento esperado 
em situações sociais. 
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a esquizofrenia não é um distúrbio de múltiplas 
personalidades. É uma doença crônica, complexa e que exige tratamento por toda a vida. 
As causas exatas da esquizofrenia ainda são desconhecidas, mas os médicos acreditam que uma 
combinação de fatores genéticos e ambientais possa estar envolvida no desenvolvimento deste distúrbio. 
Problemas com certas substâncias químicas do cérebro, incluindo neurotransmissores como a dopamina 
e o glutamato, também parecem estar envolvidos nas causas da esquizofrenia. Estudos recentes de 
neuroimagem mostram diferenças na estrutura do cérebro e do sistema nervoso central das pessoas com 
esquizofrenia em comparação aos de pessoas saudáveis. Embora os pesquisadores não estejam totalmente 
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certos sobre o que significam todos esses fatores, estes são indícios de que a esquizofrenia é, de fato, uma 
doença cerebral. 
Apesar de as causas da esquizofrenia ainda serem desconhecidas, sabe-se de alguns fatores que podem 
contribuir para o desenvolvimento da doença: história familiar de esquizofrenia, ser exposto a toxinas, vírus e 
à má nutrição dentro do útero da mãe – especialmente nos dois primeiros trimestres da gestação, doenças 
autoimunes, ter um pai com idade mais avançada, fazer uso de medicamentos psicotrópicos durante a 
adolescência e o início da vida adulta, tabagismo. 
Os sintomas de esquizofrenia no sexo masculino costumam aparecer entre os 20 e 25 anos. Já em 
mulheres, os sinais da doença são mais comuns beirando os 30 anos de idade. É raro encontrar casos de 
esquizofrenia em crianças ou adultos acima dos 45 anos. 
A Esquizofrenia envolve uma série de problemas tanto cognitivos quanto comportamentais e 
emocionais. Os sintomas costumam variar e entre eles estão inclusos: 
- Delírios 
Estes são crenças em fatos irreais que não possuem base alguma na realidade. Uma pessoa com 
esquizofrenia pode achar, por exemplo, que está sendo prejudicada de alguma forma ou até mesmo 
assediada. Ela pode acreditar, também, que certos gestos ou comentários são direcionados a ela, que ela tem 
alguma capacidade ou talento excepcional ou até mesmo fama. Pode achar, também, que determinada pessoa 
está apaixonada por ela e que uma grande catástrofe está prestes a ocorrer. Alguns delírios incluem ideias de 
que algumas partes do corpo não estão em pleno funcionamento e têm uma incidência de quatro em cinco 
pessoas com esquizofrenia. 
- Alucinações 
Estas, em termos gerais, envolvem ver ou ouvir coisas que não existem. No entanto, para a pessoa com 
esquizofrenia, essas coisas têm toda a força e o impacto de uma experiência normal. As alucinações podem 
estar em qualquer um dos sentidos, mas ouvir vozes é a alucinação mais comum de todas. 
- Pensamento desorganizado 
Esse sintoma pode ser refletido na fala, que também sai desorganizada e com pouco ou nenhum nexo. A 
ideia de que pensamento desorganizado é um sintoma da esquizofrenia surgiu a partir do discurso 
desorganizado de alguns pacientes. Neste sentido, a comunicação eficaz de uma pessoa portadora de 
esquizofrenia pode ser prejudicada por causa deste problema, e as respostas às perguntas feitas podem ser 
parcial ou completamente alheias e desconexas. 
- Habilidade motora desorganizada ou anormal 
O comportamento de uma pessoa com esse tipo de disfunção não é focado em um objetivo, o que torna 
difícil para ela executar tarefas. Comportamento motor anormal pode incluir resistência a instruções, postura 
inadequada e bizarra ou uma série de movimentos inúteis e excessivos. 
- Outros sintomas 
Além dos sinais citados, outros parecem estar relacionados com a esquizofrenia. Uma pessoa com a 
doença pode: não aparentar emoções, não faz contato visual, não alterar as expressões faciais, ter fala 
monótona e sem adição de quaisquer movimentos que normalmente dão ênfase emocional ao discurso. Além 
disso, a pessoa pode ter reduzida sua capacidade de planejar ou realizar atividades, tais como: diminuição da 
fala, negligência na higiene pessoal, perda de interesse em atividades cotidianas, isolamento social, sensação 
de incapacidade de conseguir sentirprazer. 
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A Esquizofrenia requer tratamento durante toda a vida, mesmo após o desaparecimento dos sintomas. 
O tratamento com medicamentos e a terapia psicossocial podem ajudar a controlar a doença. Durante os 
períodos de crise ou tempos de agravamento dos sintomas, a hospitalização pode ser necessária para garantir 
a segurança, alimentação adequada, sono adequado e higiene básica do paciente. 
 
 ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS 
Antigamente, no Brasil, o tema do uso do álcool e de outras drogas vinha sendo associado à 
criminalidade e práticas antissociais e à oferta de "tratamentos" inspirados em modelos de 
exclusão/separação dos usuários do convívio social. As iniciativas governamentais restringiam-se a poucos 
serviços ambulatoriais ou hospitalares, em geral vinculados a programas universitários. Não havia uma política 
de alcance nacional, no âmbito da saúde pública. 
É somente em 2002, e em concordância com as recomendações da III Conferência Nacional de Saúde 
Mental, que o Ministério da Saúde passa a implementar o Programa Nacional de Atenção Comunitária 
Integrada aos Usuários de Álcool e outras Drogas, reconhecendo o problema do uso prejudicial de substâncias 
como importante problema da saúde pública e construindo uma política pública específica para a atenção às 
pessoas que fazem uso de álcool ou outras drogas, situada no campo da saúde mental, e tendo como 
estratégia a ampliação do acesso ao tratamento, a compreensão integral e dinâmica do problema, a 
promoção dos direitos e a abordagem de redução de danos. 
De fato, a constatação de que o uso de substâncias tomou proporção de grave problema de saúde 
pública no país encontra ressonância nos diversos segmentos da sociedade, pela relação comprovada entre o 
consumo e os agravos sociais que dele decorrem ou que o reforçam. O enfrentamento desta problemática 
constitui uma demanda mundial: de acordo com a Organização Mundial de Saúde, pelo menos 10% das 
populações dos centros urbanos de todo o mundo consomem de modo prejudicial substâncias psicoativas, 
independentemente de idade, sexo, nível de instrução e poder aquisitivo. Salvo variações sem repercussão 
epidemiológica significativa, esta realidade encontra equivalência em território brasileiro. 
Em especial o uso do álcool, que impõe ao Brasil e às sociedades de todos os países uma carga global de 
agravos indesejáveis e extremamente dispendiosos, que acometem os indivíduos em todos os domínios de sua 
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Desorganizada Comportamento regressivo e primitivo 
Paranóide 
Delírios persecutórios ou de grande e 
alucinações auditivas 
Catatônica 
Anormalidades acentuadas no 
comportamento motor – estupor ou 
excitação 
Residual 
Após o episódio agudo – evidências da 
doença, mas sem sintomas psicóticos 
proeminentes 
Indiferenciada 
Indivíduo não se enquadra em 
nenhum dos tipos 
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vida. A magnitude e complexidade do quadro epidemiológico recomenda uma gama extensa de respostas 
políticas para o enfrentamento dos problemas decorrentes do consumo. 
A necessidade de definição de estratégias específicas para a construção de uma rede de assistência aos 
usuários de álcool e outras drogas, com ênfase na reabilitação e reinsersão social, levou o Ministério da Saúde 
a instituir, no âmbito do SUS, o Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada aos Usuários de Álcool e 
outras Drogas, no ano de 2002. Diante da diversidade das características populacionais existentes no País e da 
variação da incidência de transtornos causados pelo uso abusivo e/ou dependência de Álcool e outras drogas, 
o Programa organiza as ações de promoção, prevenção, proteção à saúde e educação das pessoas que fazem 
uso prejudicial de álcool e outras drogas e estabelece uma rede estratégica de serviços extra-hospitalares para 
esta clientela, articulada à rede de atenção psicossocial e fundada na abordagem de redução de danos. 
Os CAPSad – Centros de Atenção Psicossocial para Atendimento de Pacientes com dependência e/ou 
uso prejudicial de álcool e outras drogas – são os dispositivos estratégicos desta rede, e passam a ser 
implantados sobretudo em grandes regiões metropolitanas e em regiões ou municípios de fronteira, com 
indicadores epidemiológicos relevantes. De fato, o desenvolvimento de ações de atenção integral ao uso de 
Álcool e drogas deve ser planejado de forma a considerar toda a problemática envolvida no cenário do 
consumo de drogas. Desta forma os CAPSad, assim como os demais dispositivos desta rede, devem fazer uso 
deliberado e eficaz dos conceitos de território e rede, bem como da lógica ampliada de redução de danos, 
realizando uma procura ativa e sistemática das necessidades a serem atendidas de forma integrada ao meio 
cultural e à comunidade em que estão inseridos, e de acordo com os princípios da Reforma Psiquiátrica. 
Outros componentes importantes desta rede passam a ter sua implementação incentivada nos estados 
e municípios através deste Programa de Atenção Integral. São incentivadas assim as ações no âmbito da 
atenção primária, articulação com as redes de suporte social (tais como grupos de ajuda mútua e entidades 
filantrópicas), assim como a implementação nos Hospitais Gerais e em sua estrutura de atendimento 
hospitalar de urgência e emergência, da rede hospitalar de retaguarda aos usuários de álcool e outras drogas. 
Como nas outras áreas da saúde mental, a organização da rede deve ser diversificada, complexa, com 
abordagens diversas e na perspectiva da integração social do usuário. 
O conceito de redução de danos vem sendo consolidado como um dos eixos norteadores da política do 
Ministério da Saúde para o álcool e outras drogas. Originalmente apresentado de forma favorável na 
prevenção de doenças transmissíveis, esta estratégia, assumida pelo Ministério da Saúde desde 1994, é 
internacionalmente reconhecida como alternativa pragmática e eficaz no campo da prevenção das Doenças 
Sexualmente Transmissíveis/AIDS. No campo do álcool e outras drogas, o paradigma da redução de danos se 
situa como estratégia de saúde pública que visa a reduzir os danos causados pelo abuso de drogas lícitas e 
ilícitas, resgatando o usuário em seu papel auto-regulador, sem a exigência imediata e automática da 
abstinência, e incentivando-o à mobilização social. 
A estratégia de redução de danos e riscos associados ao consumo prejudicial de drogas vem permitindo 
que as práticas de saúde acolham, sem julgamento, as demandas de cada situação, de cada usuário, ofertando 
o que é possível e o que é necessário, sempre estimulando a sua participação e seu engajamento. A estratégia 
de redução de danos sociais reconhece cada usuário em suas singularidades, traçando com ele estratégias que 
estão voltadas para a defesa de sua vida. 
Deste marco ético em defesa da vida, decorre que a abordagem de redução de danos, ao mesmo tempo 
em que aponta as diretrizes do tratamento e da construção da rede de atenção para as pessoas que fazem uso 
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prejudicial de álcool e outras drogas, implica um conjunto de intervenções de saúde pública que visam 
prevenir as consequências negativas do uso de álcool e outras drogas. 
Assim, são estratégias de redução de danos a ampliação do acesso aos serviços de saúde, especialmente 
dos usuários que não têm contato com o sistema de saúde, por meio de trabalho de campo; a distribuição de 
insumos (seringas, agulhas, cachimbos) para prevenir a infecção dos vírus HIV e Hepatites B e C entre usuários 
de drogas;a elaboração e distribuição de materiais educativos para usuários de álcool e outras drogas 
informando sobre formas mais seguras do uso de álcool e outras drogas e sobre as consequências negativas do 
uso de substâncias psicoativas; os programas de prevenção de acidentes e violência associados ao consumo, e 
a ampliação do número de unidades de tratamento para o uso nocivo de álcool e outras drogas, entre outras. 
 
Síndrome de Abstinência Alcoólica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VEJAMOS ALGUMAS QUESTÕES SOBRE ESSA TEMÁTICA: 
 
10. (Prefeitura de Duque de Caxias-RJ/IDECAN/2014) Acerca da assistência ao paciente portador de 
sofrimento psíquico, o papel do enfermeiro é, EXCETO: 
a) Agir como agente socializador. 
b) Atuar como agente psicoterapêutico através do relacionamento um a um. 
c) Educar o paciente sobre os fatores que afetam a saúde mental, e auxiliar na aceitação do tratamento e 
regulamento da instituição. 
d) Não atuar nos processos decisórios dos projetos dos centros de atenção psicossocial, sendo tal 
responsabilidade do psiquiatra e do psicólogo. 
e) Criar e manter ambiente terapêutico – aproveitamento de todos os recursos humanos e materiais para 
oferecer aos pacientes um bom acolhimento, compreensão, apoio, tratamento pessoal, atividades de 
reestruturação e inclusão na dinâmica global. 
 
 
Si
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A
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Ansiedade 
Tremores 
Medo incontrolável 
Irritabilidade, agitação e insônia 
Alucinações ou ilusões transitórias 
Taquicardia 
Pupilas dilatadas 
Sudorese profunda 
O delirium tremens é a forma mais grave de SAA 
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 30 
COMENTÁRIOS: 
A ferramenta clínica teoricamente utilizada pela enfermagem para lidar com o sofrimento psíquico do 
paciente tem sido o relacionamento terapêutico ou relacionamento interpessoal enfermeiro-cliente. Apontado 
na década de 1960 como uma intervenção da enfermeira psiquiátrica, este referencial permitiu ao enfermeiro 
deixar de limitar-se aos cuidados físicos e passar a abordar o próprio sofrimento psíquico enquanto fenômeno 
da enfermagem. 
O profissional de enfermagem é de grande importância mediante a assistência prestada para a 
qualidade da assistência em saúde ofertada, e realiza também papel de desmistificar conceitos, mediante os 
mitos relacionados a esses clientes nas instituições de saúde, trabalhando a questão dos estigmas nos 
relacionamentos familiares, tornando-se um agente socializador. 
São diversas as modalidades de tratamentos ofertadas aos clientes com transtornos mentais, há 
terapêuticas tradicionais e as não tradicionais fazendo com que o profissional desempenhe melhor seu 
trabalho. Os profissionais de enfermagem dispõem de várias possibilidades nas utilizações de ações em sua 
vivência com essa demanda, pois estará devidamente qualificado para lidar com as diversas situações, 
ajudando os pacientes sobre fatores que afetam a saúde mental, auxiliando na aceitação do tratamento e 
atuando nos processos decisórios dos projetos terapêuticos. 
São inúmeras as modalidades terapêuticas e suas finalidades como, por exemplo, a música, atividades 
lúdicas, atividades físicas, terapêutica para uma melhor adesão ao tratamento já que existe grande índice de 
abandono do mesmo, ioga, entre diversos outros disponíveis no mercado, criando e mantendo o ambiente 
terapêutico e aproveitando-se de todos os recursos humanos e materiais para oferecer aos pacientes. A 
fim de promover além de qualidade de vida a essa clientela, também o amparo biopsicossocial, promovido com 
a interdisciplinaridade, objetivando assistir a pessoa nas suas diversas necessidades. 
 
 
11. (UFCG-COMPROV/Prefeitura de Cabaceiras-PB/2014) Doença caracterizada por distúrbios em muitas áreas 
do funcionamento mental. Raciocínio, percepção, comportamento, motivação e vida emocional são afetados 
sem exceção. A doença prejudica a atuação no trabalho, os relacionamentos e o autocuidado. As características 
referem-se a: 
a) Transtorno da ansiedade generalizada. 
b) Depressão importante. 
c) Transtorno bipolar. 
d) Esquizofrenia. 
e) Histeria. 
COMENTÁRIOS: 
Os primeiros sinais e sintomas da doença aparecem mais comumente durante a adolescência ou início da 
idade adulta. Apesar de poder surgir de forma abrupta, o quadro mais frequente se inicia de maneira insidiosa. 
Sintomas prodrômicos pouco específicos, incluindo perda de energia, iniciativa e interesses, humor depressivo, 
isolamento, comportamento inadequado, negligência com a aparência pessoal e higiene, podem surgir e 
permanecer por algumas semanas ou até meses antes do aparecimento de sintomas mais característicos da 
doença. Familiares e amigos em geral percebem mudanças no comportamento do paciente, nas suas 
atividades pessoais, contato social e desempenho no trabalho e/ou escola. 
A partir dos comentários, constatamos que o gabarito da questão é a letra D. 
 
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 31 
Os aspectos mais característicos da esquizofrenia são alucinações e delírios, transtornos de pensamento 
e fala, perturbação das emoções e do afeto, e déficits cognitivos. Alucinações e delírios são frequentemente 
observados em algum momento durante o curso da esquizofrenia. As alucinações visuais ocorrem em 15%, as 
auditivas em 50% e as táteis em 5% de todos os sujeitos, e os delírios em mais de 90% deles. 
O termo transtorno do pensamento refere-se a uma doença no conteúdo, assim como na forma dos 
pensamentos do indivíduo. Os transtornos do conteúdo do pensamento são os delírios. Os transtornos na forma 
de pensamento podem ser subdivididos em duas categorias: perturbação intrínseca do pensamento e, 
transtorno na forma em que os pensamentos são expressos na linguagem e na fala. A linguagem e o discurso 
desordenados descarrilamento, tangencialidade, neologismos, pobreza no conteúdo do discurso, incoerência, 
pressão da fala, fuga de ideias e fala retardada ou mutismo. 
Os distúrbios do comportamento na esquizofrenia incluem comportamento grosseiramente desordenado 
e comportamento catatônico. Desde o começo, o comportamento catatônico foi descrito entre os aspectos 
característicos da esquizofrenia. A catatonia é definida como um conjunto de movimentos, posturas e ações 
complexas cujo denominador comum é a sua involuntariedade. Os fenômenos catatônicos incluem: estupor, 
catalepsia, automatismo, maneirismos, esteriotipias, fazer posturas e caretas, negativismo e ecopraxia. 
A anedonia ou perda da capacidade de sentir prazer, foi proposta como a característica central ou 
cardinal da esquizofrenia. A anedonia física abrange a perda de prazeres como admirar a beleza do pôr-do-sol, 
comer, beber, cantar, ser massageado. A anedonia social abrange a perda de prazeres como estar com os 
amigos ou estar com outras pessoas. O embotamento afetivo foi considerado comum, mas não onipresente, 
em pacientes com esquizofrenia, sendo também comum em pacientes depressivos. Os déficits cognitivos foram 
relacionados como características importantes da esquizofrenia. 
Pacientes com esquizofrenia demonstram um déficit cognitivo generalizado, ou seja, eles tendem a ter 
um desempenho em níveis mais baixos do que controles normais em uma variedade de testes cognitivos. Eles 
apresentam múltiplos déficits neuropsicológicos em testes de raciocínio conceitual complexo, velocidade 
psicomotora, memória de aprendizagem nova e incidental e habilidades motoras, sensoriais e perceptuais. As 
alterações cognitivas seletivas mais proeminentes na esquizofrenia incluem déficits em atenção, memória e 
resolução de problemas.12. (DIRECTA/Prefeitura de Piedade-SP/2014) Hiperreatividade emocional, comportamento teatral e 
atratividade são características do Transtorno de Caráter _________________. 
a) Esquizoide. 
b) Narcisista. 
c) Histriônica. 
d) Evitadora. 
COMENTÁRIOS: 
Personalidade histriônica 
Transtorno da personalidade caracterizado por uma afetividade superficial e lábil, dramatização, 
teatralidade, expressão exagerada das emoções, sugestibilidade, egocentrismo, autocomplacência, falta de 
consideração para com o outro, desejo permanente de ser apreciado e de constituir-se no objeto de atenção e 
tendência a se sentir facilmente ferido. 
Portanto, o gabarito da questão é a letra D. 
 
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 32 
 
 
OUTROS DISTÚRBIOS DA PERSONALIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vejamos algumas questões sobre essa temática: 
 
13. (Prefeitura de Piedade-SP/DIRECTA/2014) Analise as informações abaixo referentes aos Transtornos 
Esquizofrênicos e responda: 
I- A prevalência de esquizofrenia na população geral é por volta de 1%, com uma incidência em torno de 0,5 
por 1000 pessoas/ano. 
II- A esquizofrenia tem início mais frequentemente na idade adulta tardia; 
III-A psicose é definida como um distúrbio psiquiátrico que rompe com a realidade experimental ou com 
processos de pensamento; 
IV- A esquizofrenia é o principal transtorno mental psicótico arquetípico; 
a) Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas. 
b) Apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas. 
c) Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas. 
d) Todas as afirmativas estão corretas. 
COMENTÁRIOS: 
A esquizofrenia é caracterizada como sendo a principal psicose crônica que altera profundamente a 
personalidade. É um transtorno mental que em geral se inicia no adulto jovem e afeta a vida do indivíduo e de 
seus familiares. Tem prevalência de 1% na população geral e incidência em torno de 0,5 por 1000 pessoas/ano. 
Como incide em os indivíduos no início da vida produtiva, compromete seus relacionamentos sociais, sua vida 
profissional e afetiva. 
Ocorre quase que igualmente em homens e mulheres, raramente antes da puberdade ou após os 50 anos 
de idade. As mulheres apresentam um curso mais brando e, portanto, um melhor prognóstico comparado aos 
homens. Quando a história familiar é positiva, a idade de início é mais precoce em ambos os sexos. É uma 
doença de evolução crônica, que exige um acompanhamento do paciente em longo prazo. O objetivo principal 
 Dito isso, o gabarito é a assertiva C. 
 
• Desconfiança generalizada e suspeição dos outros; pessoas hipervigilantes, tentas, 
prontas para qualquer ameaça. 
Paranóide 
• Comportamento irresponsável, explorador e isento de culpa, não respeitando o 
direito dos outros; pessoas manipuladoras e exploradoras 
Anti-social 
• Relacionamentos intensos e caóticos, com instabilidade afetiva e variações de 
atitude; pessoas impulsivas, autodestrutivas 
Borderline 
• Necessidade excessiva de ser cuidado, que acarreta comportamento submisso e 
solícito, com grande medo de separação. 
Dependente 
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 33 
do acompanhamento psiquiátrico é a prevenção de recaídas, pois essas contribuem para a deterioração 
cognitiva e afetiva do paciente. Como objetivos secundários, estão a prevenção do suicídio, a reabilitação do 
paciente e a diminuição do estresse familiar. Os cuidados familiares são imprescindíveis para se evitar uma 
evolução residual. Apesar de seu tratamento ser ainda limitado, tem havido nos últimos anos importantes 
contribuições para o conhecimento desta grave patologia. 
Classicamente existem variações na apresentação clínica, com implicações terapêuticas e prognósticas. 
Entretanto, algumas características são comuns: uma alteração detectável ocorre na vida do indivíduo (quebra 
na curva de vida), mais frequentemente com tendência ao isolamento, desconfiança, estranheza, 
autoreferência, prejuízo nos cuidados pessoais assim como nos rendimentos intelectuais ou profissionais. 
Paralelamente, são observadas alterações pensamento. O caráter bizarro é proeminente e quanto mais precoce 
é esta alteração, pior o prognóstico. 
Podemos dividir os sintomas esquizofrênicos em três grupos: 
 Positivos: Alucinações (percepção sem objeto), principalmente auditivas e delírios (alteração do 
julgamento da realidade) são disfunções que surgem. Podem ainda ocorrer (em função dos delírios e das 
alucinações), comportamento bizarro, atos impulsivos, agitação psicomotora. 
 Negativos: Comprometimento afetivo (Pouca ressonância afetiva, embotamento), alteração da vontade 
e do pragmatismo, anedonia (incapacidade de sentir prazer), empobrecimento da linguagem e do pensamento, 
diminuição da fluência verbal, autonegligência, lentificação psicomotora. 
Desorganização: Alogia (raciocínio sem lógica), comportamento bizarro, alteração do curso do 
pensamento, afeto inadequado; a tônica é a desorganização, a inadequação das reações. 
 
 
14. (Prefeitura de Balneário de Barra do Sul –/COMPANY LEARNING/2014) No Brasil, o transtorno de 
ansiedade encontra-se em primeiro lugar entre os transtornos psiquiátricos. São sintomas observados nos 
transtornos de ansiedade, exceto: 
a) Obesidade e desnutrição. 
b) Crises de dor no peito, coração batendo forte e acelerado. 
c) Falta de ar e boca seca. 
d) Dor de cabeça e tonturas. 
COMENTÁRIOS: 
Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra. Podemos citar como mais frequentes: 
(inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular) existem outras queixas que 
podem estar associadas ao transtorno da ansiedade generalizada: palpitações, falta de ar, boca seca, 
taquicardia, aumento da pressão arterial, sudorese excessiva, dor de cabeça, alteração nos hábitos intestinais, 
náuseas, tonturas, aperto no peito, dores musculares. 
 
15. (Secretaria de Saúde de Pernambuco/UPENET/2014) Sobre distúrbios do humor, analise as afirmações 
abaixo: 
I - Atualmente, os distúrbios depressivos já estão com as causas definidas, o que facilita o diagnóstico e, 
consequentemente, a terapêutica. 
II - O hipotireoidismo subclínico está associado à depressão, especialmente em mulheres. 
 Portanto, o gabarito da questão é a letra B. 
 
 
Desse modo, o gabarito é a letra A. 
 
 
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 34 
III. Perturbação dos Processos do Pensamento relacionada com alterações biológicas como demonstrado por 
agitação, hiperatividade e incapacidade de se concentrar é um dos Diagnósticos de Enfermagem de distúrbio 
bipolar. 
IV - O tratamento com lítio está indicado nos distúrbios bipolares. A toxidade do lítio está relacionada à 
diminuição dos níveis séricos de sódio e à hidratação inadequada. 
Está CORRETO, apenas, o que se afirma em 
a) I e III. 
b) III e IV. 
c) I. 
d) III. 
e) II, III e IV. 
COMENTÁRIOS: 
Vejamos cada item da questão: 
Item I. Incorreto. Atualmente, os distúrbios depressivos já estão com as causas definidas, o que facilita o 
diagnóstico e, consequentemente, a terapêutica. 
Nos Distúrbios Depressivos, a causa ainda é desconhecida. O modelo explicativo atual combina 
predisposição genética com interação com fatores estressantes. Existe um acúmulo familiar na Depressão. O 
ambiente parece ter importância grande, mas não foi encontrada relação causal direta. Em casos específicos de 
situações extremas (violência sexual, por exemplo) pode-se apontar um desencadeante claro. Na maior parte 
dos casos, contudo trata-se de uma somatória de eventos ao longo do tempo e em alguns, não se consegueidentificar o (os) fator (es ) estressor (es). 
Item II. Correto. O hipotireoidismo subclínico está associado à depressão, especialmente em mulheres. 
O diagnóstico de hipotireoidismo subclínico deve ser considerado em pacientes com infertilidade e 
irregularidade menstrual, e também em pacientes deprimidos. Sua prevalência aumenta com a idade e é maior 
em mulheres. 
 Item III. Correto. Perturbação dos Processos do Pensamento relacionada com alterações biológicas 
como demonstrado por agitação, hiperatividade e incapacidade de se concentrar é um dos Diagnósticos de 
Enfermagem de distúrbio bipolar. 
 Item IV. Correto. O tratamento com lítio está indicado nos distúrbios bipolares. A toxidade do lítio está 
relacionada à diminuição dos níveis séricos de sódio e à hidratação inadequada 
A gravidade de uma intoxicação por lítio depende de 3 fatores: o pico de concentração sérica de lítio, a 
duração da intoxicação e a tolerância individual. A toxicidade relaciona-se com a concentração de lítio no soro, 
pelo que esta deve ser monitorizada durante o tratamento com o lítio (2x por semana). Doze horas após a 
ingestão de lítio, concentrações séricas de 1,2 a 1,5 mols/L podem representar perigo. Acima de 1,5 mols/L 
sofre risco de intoxicação. Os primeiros sintomas de uma intoxicação são: diarreia, vómitos, apatia, falta de 
energia, pernas fracas, sonolência, letargia, dificuldades em falar, tremores irregulares, fraqueza muscular, 
dores nos braços e nas pernas e ataxia. Estes sintomas, apesar de não significarem risco de vida, são 
desconfortáveis e indicam a eminência de problemas mais graves. 
 
 
 
A partir dos comentários, constatamos que o gabarito da questão é a letra E. 
 
 
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 35 
16. (Prefeitura de Cianorte-PR/FAUEL/2014) Na abstinência alcoólica, os sinais clínicos da alucinação, EXCETO: 
a) Ocorrem em 12 a 24 horas da abstinência. 
b) São vitais alterados. 
c) Melhoram em 24 a 48 horas. 
d) Ocorrem em 25% dos casos. 
COMENTÁRIOS: 
Quadro Clínico da Abstinência Alcoólica 
Sinais/sintomas menores (Inicio de 6 a 48 horas após a última dose) 
- Convulsões 
Ocorrem em 15-33% dos casos 
Geralmente entre 6 e 24 h da última dose (> 90% em 48 h) 
Podem ocorrer após 2 horas de abstinência 
São convulsões generalizadas e autolimitadas (<3% evoluem para estado de mal epiléptico) 
Risco de convulsões aumenta nas recorrências de abstinência 
Nível de consciência preservado (exceto no período pós ictal) 
- Alucinações 
Ocorrem em 12 a 24 h da abstinência 
Melhoram em 24 a 48 h 
Ocorrem em 25% dos casos 
Alucinações visuais, táteis e auditivas 
Nível de consciência é preservado 
Sinais vitais normais 
- Delirium tremens 
Pode ocorrer em 5% dos pacientes 
Pode iniciar - se entre 48 e 96 h 
Complicação tardia, após 48 h, em geral nos primeiros 4 dias 
Complicação grave – média de 2 a 10% de mortalidade, 
Na ausência de complicações, sintomas podem durar ≥ 7 dias 
Início abrupto com desorientação, confusão, ideação paranoide, ilusões, alucinações especialmente 
visuais, sinais de ativação adrenérgica, febre, taquicardia, hipertensão, sudorese. 
Hiperventilação e alcalose respiratória 
Alterações hidroeletrolíticas: (hipocalemia, hipomagnesemia, hipofosfatemia). 
 
 
17. (CEFET-RJ/CESGRANRIO/2014) Uma Campanha voltada para o controle do tabagismo deve considerar que 
a) o objetivo é disseminar entre os trabalhadores informações sobre os problemas que o tabagismo 
pode acarretar para a produção e, consequentemente, para a manutenção dos seus empregos. 
b) a abordagem dos trabalhadores no ambiente profissional fica dificultada pela rotina laboral. 
c) os fumantes devem ser identificados para criar condições especiais de trabalho que permitam a 
continuidade do seu hábito, mas protejam os outros trabalhadores. 
Diante do exposto, o gabarito só pode ser a letra B. 
 
 
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 36 
d) os problemas provocados pelo tabagismo no ambiente de trabalho são, entre outros, as faltas, os 
gastos com doenças, as perdas de produtividade e as aposentadorias precoces. 
e) durante o desenvolvimento e implementação das ações, devem participar apenas trabalhadores ex-
fumantes, para que façam parte dos processos decisórios da política de restrição da instituição. 
COMENTÁRIOS: 
Estima-se que até o ano 2020, 70% das mortes provocadas pelo uso do tabaco ocorrerão em países em 
desenvolvimento. Consequentemente, estes países terão mais gastos em saúde além de custos com perda de 
produtividade. Em países pobres o orçamento para saúde é geralmente baixo e o atendimento ao paciente com 
câncer pode ter um custo para o qual não se tem verba e/ou que desvia as verbas já escassas para o 
atendimento básico de saúde. 
A perda de produtividade é oriunda de fumantes que adoecem e não podem trabalhar, e de morte 
precoce devido ao tabagismo. O fenômeno da perda de produtividade pode ser percebido tanto como uma 
perda para a sociedade como um todo como uma perda pessoal para a família do fumante. Em ambos os 
casos, a perda de produtividade e de anos causada pelo tabagismo representa um peso desnecessário para o 
país e sua população. 
Fumantes tendem a utilizar mais recursos de assistência à saúde ao longo de suas vidas. Embora não 
fumantes vivam mais e por isso utilizem os serviços de assistência a saúde por mais tempo, eles utilizam esses 
serviços com muito menos frequência já que são mais saudáveis. De qualquer forma, independentemente dos 
detalhes fiscais envolvidos, o tabaco representa uma carga de gastos enormes na saúde pública, 
principalmente nos países menos desenvolvidos. Uma população saudável nutre o processo de 
desenvolvimento enquanto uma população subnutrida atrasa o crescimento econômico. O governo da 
Guatemala, por exemplo, estima que o gasto com tratamento de doenças relacionadas ao tabaco está em 
torno de oitocentos milhões de dólares. 
Para reverter e/ou minimizar esse quadro, sempre que estiver promovendo um estilo de vida saudável, 
certifique-se de incluir a importância de não fumar. Ao se colocar pessoalmente, pergunte às pessoas se fazem 
uso do tabaco, aconselhando-os a deixarem de fumar ou a manter-se não fumantes. A prevenção é a melhor 
abordagem para a maior parte dos problemas de saúde e um estilo de vida saudável previne muitos problemas 
sérios de saúde. 
Transforme todos os ambientes em locais onde o uso do tabaco não é permitido. 
Distribua folhetos sobre o tabaco e como deixar de fumar. 
Pendure adesivos e cartazes. 
Faça com que trabalhadores saudáveis perguntem sobre o uso do tabaco e encorajem as pessoas a 
deixarem de fumar. 
Ajude os trabalhadores saudáveis a abandonar o uso do tabaco. 
Incorpore informação sobre o tabaco em outros materiais sobre saúde. Ao falar sobre, ou promover um 
estilo de vida saudável, certifique-se de mencionar a necessidade de evitar o fumo ativo ou passivo. 
 
 
 
18. (Secretaria de Saúde do Distrito Federal - SES-DF/IADES/2014) O profissional que trabalha com redução 
de danos é aquele que 
Portanto, o gabarito da questão é a letra D. 
 
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a) realiza controle e gerenciamento de riscos na comunidade. 
b) trabalha com a Defesa Civil prevenindo desastres naturais. 
c) trabalha junto à população para reduzir danos morais. 
d) trabalha exclusivamente com prevenção das DSTs. 
e) desenvolve atividades de sensibilização, conscientização, orientação e acompanhamento de usuários de 
álcool, fumo e outras drogas, orienta a população quanto ao uso de contraceptivos, acerca do sexo seguro e a 
respeito do vírus HIV, entre outras funções. 
COMENTÁRIOS:O agente de redução de danos é o profissional da área da saúde e do bem-estar ligado a programas 
governamentais e a ONGs, que trabalha com a conscientização da população, na tentativa de reduzir os riscos 
e danos causados pelo excesso do álcool, de drogas e pela falta de informação. Esse profissional desenvolve 
atividades de sensibilização, conscientização, orientação e acompanhamento de usuários de álcool, fumo e 
outras drogas, orienta a população sobre o uso de contraceptivos, sobre o sexo seguro e sobre o vírus HIV, 
entre outras funções. É de responsabilidade do agente de redução de danos distribuir materiais de higiene 
como seringas e agulhas descartáveis, distribuir contraceptivos, organizar palestras e debates sobre problemas 
comuns à região onde atua, elaborar métodos para que a informação chegue aos usuários de drogas, 
conscientizar a população sobre os riscos de misturar a bebida com direção, etc. 
 
 
19. (Instituto Federal do Rio Grande do Sul-IF-RS/IF-RS/2014) Segundo a Política Nacional de Álcool e outras 
drogas (2004), "existe uma tendência mundial que aponta para o uso cada vez mais precoce de substâncias 
psicoativas, incluindo o álcool". Essa política traz a redução de danos como um programa que visa a reduzir as 
consequências negativas relacionadas à saúde, a aspectos sociais e econômicos decorrentes do uso e abuso de 
substâncias psicoativas para os usuários de drogas, suas famílias e comunidades. Quanto à Redução de Danos 
é correto afirmar, EXCETO: 
a) A redução de danos tem como único objetivo a ser alcançado a abstinência. 
b) O foco da redução de danos é nas consequências e não nos comportamentos em si. 
c) A redução de danos não julga o consumo das drogas e sim a redução dos problemas advindos dela. 
d) A redução de danos é complementar às estratégias de controle da demanda e da oferta. 
e) A redução de danos reconhece os direitos humanos individuais e está calcada na aceitação da integridade e 
responsabilidade individuais. 
COMENTÁRIOS: 
A abstinência não pode ser, então, o único objetivo a ser alcançado. Aliás, quando se trata de cuidar de 
vidas humanas, temos que, necessariamente, lidar com as singularidades, com as diferentes possibilidades e 
escolhas que são feitas. As práticas de saúde, em qualquer nível de ocorrência, devem levar em conta esta 
diversidade. Devem acolher, sem julgamento, o que em cada situação, com cada usuário, é possível, o que é 
necessário, o que está sendo demandado, o que pode ser ofertado, o que deve ser feito, sempre estimulando a 
sua participação e o seu engajamento. 
A abordagem da redução de danos nos oferece um caminho promissor, porque reconhece cada usuário 
em suas singularidades, traça com ele estratégias que estão voltadas não para a abstinência como objetivo a 
ser alcançado, mas para a defesa de sua vida. Vemos aqui que a redução de danos oferece-se como um 
Dito isso, o gabarito é a assertiva E. 
 
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método (no sentido de methodos, caminho) e, portanto, não excludente de outros. Mas, vemos também, que o 
método está vinculado à direção do tratamento e, aqui, tratar significa aumentar o grau de liberdade, de co-
responsabilidade daquele que está se tratando. Implica, por outro lado, no estabelecimento de vínculo com os 
profissionais, que também passam a ser corresponsáveis pelos caminhos a serem construídos pela vida daquele 
usuário, pelas muitas vidas que a ele se ligam e pelas que nele se expressam. 
 
 
 
20. (Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Saúde Mental/UPE/2014) Sobre Redução de Danos 
sociais e à saúde, decorrentes do uso de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência, assinale a 
alternativa INCORRETA. 
a) A redução de danos não implica o estabelecimento de vínculo com os profissionais, pois o usuário passa a 
ser o responsável pelos caminhos a serem construídos em sua vida. 
b) A redução de danos é uma estratégia de saúde pública, dirigida a usuários ou a dependentes químicos, que 
não conseguem ou não querem interromper o uso de drogas, tendo como objetivo reduzir os riscos associados 
sem, necessariamente, intervir na oferta ou no consumo. 
c) As ações de redução de danos devem ser desenvolvidas em todos os espaços de interesse público em que 
ocorra ou possa ocorrer o consumo de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência ou para 
onde se reportem os seus usuários. 
d) Nas ações de redução de danos, devem ser preservadas a identidade e a liberdade da decisão do usuário ou 
dependente sobre qualquer procedimento relacionado à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento. 
e) As ações de informação, educação e aconselhamento devem ser acompanhadas da distribuição dos insumos 
destinados a minimizar os riscos decorrentes do consumo de produtos, substâncias e drogas que causem 
dependência. 
COMENTÁRIOS: 
A Redução de Danos é uma política que surge, enquanto estratégia de saúde pública, visando controlar 
possíveis consequências negativas associadas ao consumo de substâncias psicoativas (lícitas e ilícitas) sem, 
necessariamente, interferir na oferta ou consumo, respeitando a liberdade de escolha, buscando inclusão social 
e cidadania para os usuários, em seus contextos de vida marginais, com um modo de atuar clínico e efeitos 
terapêuticos eficazes. 
Essa política oportunizou a criação da categoria profissional “Redutor de Danos”, cujos integrantes, na 
sua maioria, são do nível médio de escolaridade e atuam em locais onde usuários de drogas vivem e convivem, 
assistindo-os pela promoção da saúde com acolhimento, construção de vínculos e norteamentos terapêuticos 
focados no sujeito. 
Os programas de redução de danos visam acessar e vincular usuários de drogas a serviços de saúde que 
promovam a diminuição da vulnerabilidade pela reinserção social, pelos princípios da busca ativa em locais 
onde o usuário vive e faz uso de drogas; o vínculo ético e afetivo na relação entre usuário e agente redutor de 
danos, adquirido pela confiança; a abordagem sigilosa, não estigmatizante ou excludente; a intervenção que 
Desse modo, o gabarito é a letra A. 
 
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instigue o desenvolvimento da autonomia do sujeito; e ações de educação em saúde que oportunizem novos 
modos possíveis de relação com as drogas6. 
 
 
A reabilitação psicossocial é um dos componentes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) 
compreendida como ações de fortalecimento de usuários e familiares mediante a criação e desenvolvimento 
de iniciativas articuladas com os recursos do território nos campos do trabalho/economia solidária, habitação, 
educação, cultura, direitos humanos, que garantam o exercício de direitos de cidadania e a produção de novas 
possibilidades para projetos de vida. 
São exemplos de estratégias de reabilitação psicossocial: iniciativas de geração de trabalho e renda, 
cooperativas sociais, empreendimentos solidários, centros de convivência e cultura, grupos de teatro, pontos 
de cultura, moradias solidárias, entre outras iniciativas desenvolvidas nos diversos pontos de atenção da RAPS 
(CAPS, Atenção Básica, Centros de Convivência e Cultura, Residências Terapêuticas, Ambulatórios de Saúde 
Mental, Hospital Geral, entre outros serviços), na rede intersetorial e em associações de usuários e familiares. 
No Brasil, as primeiras experiências de reabilitação psicossocial surgiram no contexto da Reforma 
Psiquiátrica e, desde então, têm se mostrado um potente dispositivo no que se referem às possibilidades de 
ampliação do acesso ao trabalho, renda, educação, arte e cultura, contribuindo para a formação do 
fortalecimento de contratualidade das pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindoaquelas com 
necessidades de saúde decorrentes do uso de álcool e outras drogas. 
São experiências diversas que reúnem produções em artesanato, bijuteria, gêneros alimentícias, 
vestuário, acessórios, marcenaria, serralheria, restauração de móveis, além de iniciativas com arte, cultura, 
música, cinema, teatro, e outras, com prestação de serviços (jardinagem, limpeza, lavagem de carros, 
assessoria e incubação, serviço de buffet). No que se refere às iniciativas de geração de trabalho e renda, 
empreendimentos solidários e cooperativas sociais, atualmente, o Ministério da Saúde 
tem 660 iniciativas mapeadas. 
 
Os Projetos de reabilitação psicossocial devem: 
1. Atuar em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras drogas 
do Ministério da Saúde e da Política Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego; 
2. Considerar as diretrizes da Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os 
direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental e 
da Lei nº 9.867, de 10 de novembro de 1999, que dispõe sobre a criação e o funcionamento de Cooperativas 
Sociais, visando à integração social daqueles que estão em desvantagem no mercado econômico; 
3. Desenvolver ações de fortalecimento de usuários e familiares mediante a criação e desenvolvimento 
de iniciativas articuladas com os recursos do território nos campos do trabalho/economia solidária, habitação, 
educação, cultura, direitos humanos, que garantam o exercício de direitos de cidadania e a produção de novas 
possibilidades para projetos de vida (Portaria GM nº 854, de 22 de agosto de 2012). 
 
6 Pacheco MAAG. Política de redução de danos a usuários de substâncias psicoativas: práticas terapêuticas no Projeto Consultório de Rua em 
Fortaleza,CE.2013 [acesso em 2014 set 27]; Disponível em: http://www.uece.br/politicasuece/dmdocuments/disserta%C3%A7ao 
_Eniana.pdf 
Desse modo, o gabarito é a letra A. 
 
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4. Constituir-se como dispositivo público da rede de atenção psicossocial, oferecendo às pessoas com 
sofrimento decorrentes de transtorno mental e/ou do uso de álcool e outras drogas espaços de sociabilidade, 
produção de nova forma de intervenção na cidade e geração de trabalho e renda; 
5. Promover ações que ampliem a autonomia dos usuários e o exercício de direitos dos usuários da rede 
de saúde mental; 
6. Contribuir para a construção de novas possibilidades e condições de vida para usuários da saúde 
mental, assim como para seus familiares; 
7. Despertar o interesse pela educação e formação continuada e incentivar a criatividade; 
8. Constituir-se como espaços de convívio e sustentação das diferenças na comunidade, facilitando a 
construção de laços sociais; 
9. Ter como eixos a solidariedade, a inclusão social, o respeito às diferenças e a geração de alternativas 
concretas de vida; 
10. Realizar ações de articulação de redes intra e intersetoriais que promovam a articulação com outros 
pontos de atenção da rede de saúde, educação, justiça, assistência social, direitos humanos e outros, assim 
como recursos comunitários presentes no território; 
11. Contribuir para o fortalecimento do protagonismo de usuários da RAPS e seus familiares, por meio 
de atividades que fomentem a participação de usuários e familiares nos processos de gestão dos serviços e da 
rede (participação em assembleis de serviços, inserção em conselhos, conferências e congressos), além da 
apropriação e defesa de direitos e a criação de formas associativas de organização (Portaria GM n° 854, de 22 
de agosto de 2012). 
12. Realizar práticas expressivas e comunicativas no território que ampliem o repertório comunicativo e 
expressivo dos usuários e promovam novos lugares sociais e inserção no campo da cultura (Portaria GM n°854, 
de 22 de agosto de 2012). 
13. Estimular a promoção de contratualidade por meio do acompanhamento de usuários em cenários de 
vida cotidiana – casa, trabalho, iniciativas de geração de renda, empreendimentos solidários, contextos 
familiares e comunitários, com mediação de relações para a criação de novos campos de negociação e de 
diálogo em igualdade de oportunidades e participação social (Portaria GM n° 854, de 22 de agosto de 2012). 
A Portaria n° 132/2012 foi instituída com o objetivo de ampliar o incentivo financeiro para estados e 
municípios que desenvolvam projetos de inclusão social pelo trabalho e pela cultura voltados às pessoas 
portadoras de transtornos mentais e/ou que apresentam problemas decorrentes do uso de álcool e outras 
drogas. A portaria substitui a Portaria 1169/2005, revogada em 26 de janeiro de 2012. 
Trata-se de um recurso de custeio pontual que pode ser utilizado para equipar os projetos ou programas 
de geração de renda e trabalho (oficinas, cooperativas sociais, associações, grupos de produção, entre outros 
empreendimentos econômicos solidários) e/ou capacitar e formar os usuários, familiares e trabalhadores de 
saúde mental inseridos em iniciativas de reabilitação psicossocial. 
 
 
 
Chegamos ao fim de mais uma aula! 
Foco, força e Fé sempre. 
Glaucio Giscard Ribeiro Coutinho - 055.032.437-22

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