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ARTRÓPODES – Aula-rede - 2014 Artropodos = pés articulados (arthron= articulação, pous= pé). Há inúmeras espécies de artrópodes, mais de ¾ das espécies de animais são representadas pelos artrópodes. Há mais de 1 milhão de espécies de insetos, e mais de ¼ destes são besouros. Há mais do que 50.000 espécies de aracnídeos e 30.000 de crustáceos. Os artrópodes tem muitas características semelhantes aos anelídeos. Não se sabe se os artrópodes surgiram dos anelídeos ou ambos surgiram de um ancestral comum. Devido ao seu tamanho e a presença do exoesqueleto de quitina tem a capacidade de viver em vários tipos de habitats. Grande população e capacidade de se multiplicar rapidamente resistência genética aos pesticidas. São cinco as principais classes representantes do filo Insecta: formigas, moscas , baratas, etc. Arachnida: aranhas, escorpiões, carrapatos, ácaros, etc. Crustacea: siris, camarões, caranguejos, lagostas, etc. Chilopoda: lacraias ou centopéias. Diplopoda: piolho-de-cobra São 2 as classes principais: Insecta e Arachnida. Insecta: tem 3 pares de patas, cabeça, tórax e abdômen distintos e um único par de antenas. Arachnida: adultos têm 4 pares de patas, o corpo é dividido em gnatossoma (partes bucais) e idiossoma (cefalotórax e abdômen fundidos); sem antenas. Características principais: Simetria bilateral. Corpo segmentado (metâmeros). Pares de apêndices nos segmentos (metâmeros). Exoesqueleto de quitina. Celoma Sistema muscular: músculo estriado. Sistema respiratório com brânquias, traquéia ou espiráculos. Sistema digestório: canal alimentar tubular com boca e ânus. Sistema circulatório aberto, vaso sanguíneo tubular dorsal. Sistema nervoso: um cérebro anterior dorsal, cordão nervoso ventral que contém formações ganglionares em cada segmento. Durante a evolução, os artrópodos tiveram uma diminuição no metamerismo alguns segmentos foram perdidos, outros foram fundidos. A fusão dos grupos dos segmentos é denominada de tagmatização. Com a tagmatização, vários apêndices ou segmentos se especializaram para ter outras funções além da locomoção, como captura da presa, filtragem do alimento, sensibilidade à vários tipos de estímulos, troca de gás, copulação etc.… Metâmeros bem distintos na fase larvária. Nos adultos se encontram fundidos. Os metâmeros podem se apresentar agrupados em três regiões distintas (insetos) ou em duas (aracnídeos). - Três: cabeça, tórax e abdômen (insetos) - Dois: cefalotórax e abdômen (aracnídeos) Os metâmeros são revestidos por um exoesqueleto Cada metâmero pode ter um par de apêndice articulado Exoesqueleto: constituído por um polissacarídeo nitrogenado denominado quitina. Em alguns artrópodes há uma camada de cera na superfície que atua como repelente hídrico. Crustáceos: deposição de sais de cálcio. Secretado pela epiderme, pode ser fino e flexível, mas geralmente é espesso e rígido. Como o esqueleto impede o crescimento do artrópode, para crescerem sofrem perda desse esqueleto de tempos em tempos: ecdise ou muda. Vantagens do exoesqueleto: Base para inserção da musculatura bem como asas. Pode auxiliar na movimentação e força: alavancas para os músculos Oferece proteção Evita a desidratação Serve como barreira para prevenir infecção Repelente hídrico O exoesqueleto é dividido em placas e cilindros Na junção entre as placas e os cilindros o exoesqueleto torna-se fino e flexível, como se fossem articulações onde inserem-se os apêndices. Apêndices articulados permitem que os artrópodes se movam rapidamente Os músculos são integrados aos movimentos dos artrópodes, sua inserção se dá no exoesqueleto que funciona como um sistema de alavanca. Apêndices: O número, forma e localização variam muito entre as classes e ordens. Cefálicos: peças bucais e as antenas Antenas: órgãos sensoriais Crustáceos: 4 antenas Insetos e miriápodes: 2 antenas Aracnídeos: substituídas por quelíceras Peças bucais: Destinados à preensão e ingestão dos alimentos. Variam de acordo com os hábitos alimentares dos artrópodes. Torácicos: pernas e asas. Função locomotora Insetos: hexápodes Aracnídeos: octópodes Miriápodos: vários pares de pernas Sistema Respiratório: Apresentam estruturas que permitem um metabolismo mais eficiente e rápida movimentação. índices metabólicos rápido transporte de oxigênio. Artrópodes tem órgãos que tem grande área de superfície para rapidamente adquirir oxigênio. Artrópodes terrestres traquéia (formada por invaginação do tegumento). Insetos apresentam aberturas denominadas de espiráculos do qual se segue um sistema de traquéias que se subdividem em traquéolas. A respiração é feita através deste sistema de canais ramificados que mantém contato direto com os tecidos o sangue dos insetos não transporta gases. As traquéias se alargam em determinados pontos formando os sacos aéreos (principalmente observado em insetos de vôo rápido). Os sacos aéreos possibilitam tanto armazenamento de oxigênio como ventilação. Em muitos insetos o espiráculo é geralmente provido de um mecanismo de fechamento que reduz a perda hídrica. Em alguns insetos há estruturas filtradoras que impedem a entrada de pó e de parasitas, além de reduzirem a perda de água. Aracnídeos possuem pulmões laminares, câmaras contendo placas para a troca gasosa. Sistema Circulatório Relativamente simples, a circulação é aberta. O sangue não está envolvido com troca gasosa. Composto por um coração (vaso dorsal), vasos e hemocele (espaço preenchido pela hemolinfa) O coração varia em posição e comprimentos nos diferentes artrópodes. O coração é um tubo muscular perfurado por pares de aberturas laterais denominadas de óstios (permitem que a hemolinfa flua para o interior do coração durante a diástole). Após deixar o coração (sístole) a hemolinfa é bombeada para os tecidos corporais através das artérias interior dos seios que formam a hemocele. Estes seios colocam o sangue em contato com os tecidos. O sangue então retorna por várias rotas até o seio pericárdio. O sangue dos artrópodes tem vários tipos de células e em alguns há o pigmento respiratório: hemiocianina. O sangue do artrópode também coagula. A coagulação é iniciada pelos hemócitos (células sanguíneas) liberam uma enzima que converte o fibrinogênio proteíco sanguíneo em fibrina. Sistema Digestório: Dividido em três principais regiões: intestino anterior, intestino médio e intestino posterior. Os Intestinos anterior e posterior são revestidos por quitina (são invaginações do exoesqueleto do artrópode) Intestino anterior: ingestão, trituração mecânica e o armazenamento do alimento Cavidade bucal, apêndices bucais Faringe Esôfago Papo Glândulas salivares Entre intestino anterior e médio há o proventrículo A forma e a função do proventrículo varia de acordo com o tipo de alimento. Insetos que se alimentam de sólidos: proventrículo = moela Insetos sugadores: proventrículo = válvula que controla a passagem do alimento Intestino médio: produção de enzimas, digestão e absorção do alimento. Comumente há invaginações formando bolsas ou grandes glândulas digestivas que aumentam a área para digestão e absorção do alimento. - Cecos gástricos principal local para absorção Intestino posterior : Absorção da água e formação das fezes. - Reto Sistema Excretor: Para muitos artrópodos o principal excreta é o ácido úrico, que é recolhido por um conjunto de túbulos renais (Túbulos de Malpighi) que desembocam na junção entre os intestino médio e posterior. Tubos de Malpighi excretam os metabólitos nitrogenados da hemolinfa Sistema Reprodutor: Os sexos são separados. Artrópodes aquáticos: fertilização exterma Artrópodes terrestres: fertilização interna Sistema Nervoso: Artrópodes tem um sistema nervoso bem desenvolvido, semelhante ao dos analídeos. Tem um cérebro anterior e um duplo cordão nervoso. É do tipo ganglionar, isto é, vários gânglios da cabeça fundem-se, originandoum cérebro primitivo, o gânglio cerebróide Órgãos dos sentidos: Os órgãos sensoriais geralmente são associados à modificações do exoesqueleto. Na cabeça há vários órgãos sensorias que são muito sensíveis (ex. antenas) Muitos artrópodes tem olhos compostos capazes de ver cor e movimento da presa ou predador. Alguns tem olhos simples com poucos fotoreceptores (sensíveis à luz), são capazes de formar uma imagem rudimentar. Classificação: Insetos: O corpo é dividido em três partes: cabeça, tórax e abdome. A cabeça tem um par de antenas, um par de olhos compostos e vários olhos simples (ocelos) Olhos simples (ocelos) percebem o grau de intensidade luminosa. Olhos compostos: formados por estruturas chamadas omatídeos captação de imagens. Peças bucais: um par de mandíbulas e dois pares de maxilas. Peças bucais bem adaptadas segundo a função, o tipo de alimentação. O torax é composto por 3 segmentos e cada um tem um par de pernas, os últimos dois segmentos também tem um par de asas. As asas nos insetos são modificações do exoesqueleto. Alguns insetos, como as pulgas, não possuem asas, outros somente adquirem asas na época da reprodução (formigas e cupins) Abdômen não tem apêndices, a porção terminal alberga órgãos reprodutivos. Muitos insetos sofrem metamorfose que pode ser incompleta (desenvolvimento hemimetábolo) ou completa (desenvolvimento holometábolo). Incompleta: estágios iniciais do desenvolvimento são muito semelhantes aos adultos, somente as asas e as estruturas reprodutoras desenvolvem gradualmente Os estágios imaturos são denominados de ninfa Ovo ninfa adulto Desenvolvimento completo, holometábolo: Cada estágio do desenvolvimento é estruturalmente e funcionalmente distinto. Os ovos desenvolvem em larva imatura que apresenta grande voracidade. Em seguida há a formação da pupa que origina o adulto. Aracnídeos: Compostos por escorpiões, aranhas, carrapatos e ácaros. Peças bucais são denominadas de quelíceras, não possuem antenas. Muitas espécies apresentam associado às quelíceras glândulas que contém veneno. Apresentam 4 pares de patas Respiração: pulmão laminado, traquéia ou ambos. Entre as aranhas, o cefalotórax e o abdômen não apresentam segmentação externa. O abdômen está conectado ao cefalotórax por um estreito pedicelo. Geralmente apresentam 8 olhos simples, que detectam movimento, são capazes de formar uma imagem rudimentar. Relação Artrópodes-Hospedeiros: Os artrópodes existem há mais de 500 milhões de anos, 300 milhões de anos antes do surgimento dos animais de sangue quente. Não se sabe exatamente quando os artrópodes começaram a parasitar, mas pensa-se que com o aparecimento dos animais vertebrados terrestres os artrópodes começaram a explorar novos ambientes, oportunidades. Um dos fatores que podem ter favorecido a parasitismo foi a possibilidade de se alimentar no hospedeiro vertebrado. Os artrópodes inicialmente deveriam ter se alimentado de matéria orgânica e no hospedeiro passaram a se alimentar de debris de pele ou pêlos, penas. Já deviam ter peças bucais adaptadas para picar, mastigar, sugar, etc... Durante o processo evolutivo, provavelmente uma refeição ocasional de sangue tenha se tornado obrigatória para a existência de alguns artrópodes. A associação hospedeiro-parasita pode ser contínua (ocorre durante toda a vida do parasita) ou intermitente (algumas fases evolutivas no hospedeiro) Podem variar quanto a especificidade: Hospedeiro específico, acometendo somente uma espécie e, muitas vezes somente uma região do hospedeiro vertebrado. Parasitar hospedeiros de espécies distintas. A relação entre o hospedeiro e o artrópode várias formas: Parasitismo obrigatório Parasitismo facultativo Hospedeiro pode fornecer: Fonte de alimento (sangue, linfa, lágrimas ou suor, debris da pele, pêlos ou penas Proteção do meio ambiente Transporte de um local a outro (transmissão de um hospedeiro a outro) Como resultado da sua atividade os artrópodes podem ter ação indireta ou direta sobre o hospedeiro. Ação Indireta queda nos índices de produtividade, de reprodução Perturbação Irritação Ferimentos: na tentativa de escapar do incômodo gerado pelos insetos, os animais sofrem colisões com objetos podendo se ferir. Ação Direta: Perda de sangue: Alta carga parasitária anemia (Dermanyssus gallinae). Miíase: Infestação por larva danos à pele ou carcaça Inflamação da pele ou prurido: Prurido, irritação, alopecia e dermatose. Hipersensibilidade, alergia: saliva (picada) Reações tóxicas Em adição aos efeitos diretos: Atuar como vetor de patógenos: vírus, bactérias, protozoários, cestóides, nematóides e mesmo outros artrópodos. Vetor mecânico: bactérias, vírus, protozoários etc. Este patógenos podem ser carreados pelas patas, peças bucais, pelo corpo e serem transmitidos a outro hospedeiro quando se alimentam. Dentre outros fatores, a eficiência da transmissão está relacionada à resistência do patógeno no meio ambiente. Vetor biológico: Atua como hospedeiro intermediário para muitos protozoários, nematóides e cestóides. O patógeno se desenvolve no hospedeiro intermediário, tornando-se infectante para o hospedeiro vertebrado. Requer um período de tempo entre a aquisição e a produção de parasitas infectantes. Dentro do vetor o patógeno pode ou não se multiplicar, além disso, pode ou não causar doença ao vetor. De um modo geral, o prejuízo causado pelos artrópodes é diretamente proporcional à sua abundância. Em relação à transmissão de doenças, mesmo baixa carga parasitária é suficiente para gerar grande impacto econômico. Criação de animais domésticos tem favorecido o parasitismo: Superlotação de animais maior oferecimento de alimento para o parasita. Seleção genética: maiores índices de produtividade menor resistência às doenças. Transporte de animais: Transporte de hospedeiros susceptíveis para áreas endêmicas. Ex. Introdução do Bos taurus em áreas onde só existiam Bos indicus , últimos resistentes à vários parasitas. Introdução de parasitas que não existiam na região. Ex. Piolho de ovelha introduzido na Austrália. ORDEM HEMIPTERA: inclui piolhos, besouros e percevejos. Importante em Veterinária os do gênero Triatoma, Rhodnius e Panstrongylus, que são sugadores de sangue em animais e seres humanos (família Reduvidae). São vetores do protozoário Trypanosoma cruzi, que causa a doença de Chagas na América do Sul. ORDEM DIPTERA: são as moscas verdadeiras. Tem + de 120.000 espécies descritas.Têm 1 par de asas. O outro par foi reduzido p/ se tornar “halteres”, que auxiliam na estabilidade do vôo. Todos tem ciclo de vida c/ metamorfose completa. Assim, podem ser parasitas em estágio de larva ou adultos, mas raramente são parasitas nos 2 estágios. Os adultos desta ordem também são importantes como vetores de doenças. Essa ordem é comumente dividida em 3 sub-ordens: Cyclorrapha, Brachycera e Nematocera. Sub-ordem Nematocera: 4 famílias: Psycodidae, Simulidae, Culicidae e Ceratopogonidae. Sub-ordem Brachycera: família Tabanidae Sub-ordem Cyclorrapha: 2 séries, 2 seções e 3 superfamílias: Oestroidae, Hippoboscoidea e Muscoidea. Sub-ordem Cyclorrapha – superfamília Oestroidae: 3 Famílias: Oestridae, Sarcophagidae e Calliphoridae. Sub-ordem Cyclorrapha – superfamília Hippoboscoidea: 2 famílias: Glossinidae e Hippoboscidae Sub-ordem Cyclorrapha – superfamília Muscoidea: 2 famílias: Muscidae e Fannidae Dipteros – larvas parasitas = Miíases -Cochliomya homnivorax – Mosca do berne - Classe Insecta – família Calliphoridae. Hospedeiros: bov, suínos, eqüinos + frequentemente. Podem parasitar qualquer mamífero, inclusive o homem. -Chrysomya megacephala – mesma família anterior. -Calliphora vicina (ou erythrocephala) :mosca azul de berne – família idem -Lucilia spp – mosca de berne de ovinos – fam. Idem Família Oestridae: Dermatobia hominis – mosca do berne humano Família Sarcophagidae: Sarcophaga spp – mosca dacarne – localização: feridas cutâneas MOSCAS PICADORAS E NOCIVAS -Haematobia irritans – mosca dos chifres - fam.Muscidae -Musca domestica - fam.Muscidae -Stomoxys calcitrans – mosca dos estábulos - fam.Muscidae -Fannia canicularis – mosca doméstica pequena – fam. Faniidae -Hippobosca eqüina – mosca da floresta, mosca-piolho – fam. Hippoboscidae TABANÍDEOS: MOSCAS DE EQUINOS – fam Tabanidae -Tabanus spp CULICIDEOS: MOSQUITOS -Aedes spp – fam Culicidae -Anopheles spp – idem -Culex spp – idem CULICÓIDES: MOSQUITO PÓLVORA -FAM. CERATOPOGONIDAE MOSCAS PRETAS, MOSQUITOS-PÓLVORA DE BÚFALOS -Simulium spp – fam. Simuliidae FLEBÓTOMOS - Phlebotomus spp – fam Psychodidae Classe Insecta: ciclo de vida geral: Na maior parte dos insetos a fase juvenil é muito parecida com a adulta, exceto a genitália e as asas. Os jovens, geralmente chamados “ninfas”, preparam nova cutícula e liberam a antiga em intervalos durante o desenvolvimento, tipicamente 4 ou 5 vezes, aumentando de tamanho antes da emergência do adulto. Este é o ciclo simples com metamorfose incompleta ou parcial (metamorfose hemimetabólica). Em outras, mais avançadas, os jovens são diferentes dos adultos. O instar jovem, que pode ser referido como “larva”, “lagarta” ou “berne”, preocupou-se primariamente com a alimentação e o crescimento. O adulto ou “imago” tornou-se o instar especializado na reprodução e dispersão. P/ atingir a forma adulta, a larva deve sofrer metamorfose completa, durante a qual o corpo é reorganizado e reconstruído dentro das “pupa”, que é imóvel, não se alimenta mas é metabolicamente ativa, pois os órgãos são perdidos ou remodelados e substituídos por órgãos adultos. É a metamorfose completa ou holometabólica. Ordem: Diptera Sub-ordem: - Brachycera Infra-ordens: Muscomorpha e Tabanomorpha - Nematocera família Tabanidae super- famílias: Muscoidea - Hippoboscoidea – Oestroidea Aparelho bucal: Lambedor se alimentar de líquidos mosca doméstica, mosca varejeira Picador perfurar a pele e sugar sangue mosca dos estábulos, mosca dos chifres. Super- família: Muscoidea Família Faniidae Família: Muscidae Espécies: Musca domestica Stomoxys calcitrans Haematobia irritans Super- família: Oestroidea Famílias: Calliphoridae (varejeiras), Oestridae , Cuterebridae Cochliomyia spp. Chrysomya spp Lucilia spp. Calliphora spp. Super-família: Hippoboscoidea Melophagus ovinus Pseudolynchia canariensis Muscomorpha: Interação: - Sinantrópicos (Syn = ação conjunta; Antropos = homem): “Aqueles que, em função do seu desenvolvimento, aproveitam-se das condições criadas pelo homem, ou seja, dos produtos resultantes do processo de urbanização e/ou do baixo nível de higiene ambiental (excretas humanos e dos animais domésticos, detritos urbanos e industriais, lixões, aterros sanitários e fossas abertas, feiras livres, etc.)” Musca domestica Chrysomya spp. Lucillia spp. - Simbovinos “Ligados ao homem através dos excretas dos animais domésticos, principalmente herbívoros” Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos) Haematobia irritans (mosca-dos chifres) - Produtores de miíases Criação animal (bovinos, aves) densidade populacional, excretas favorecimento do desenvolvimento de larvas moscas sinantrópicas ou simbovinas. Expansão desordenada das cidades acúmulo de lixo condições para a proliferação de moscas sinantrópicas. Incômodo pela presença Vetor mecânico ou biológico de patógenos Miíases. Musca domestica Tórax de coloração cinza-amarelado a cinza-escuro; 4a veia longitudinal alar ( M1+2 ) curvada, formando cotovelo; abdômen amarelado. Local: interior de residências, estábulos, granjas, mercados, matadouros, feiras-livres, etc. Distribuição cosmopolita, alto índice de sinantropia, grande interesse médico-sanitário. Relacionada à transmissão de inúmeros patógenos para o homem, animais domésticos e silvestres. Capaz de se desenvolver em vários tipos de matéria orgânica: Zonas rurais Fezes de eqüinos, bovinos e suínos Produtos das granjas de aves poedeiras Zonas urbanas: fezes humanas, fossas abertas, aterros sanitários, lixo Biologia Fêmea de M. domestica pode depositar cerca de 150 ovos sobre o substrato. Há produção de aproximadamente 600 ovos/fêmea. Eclosão larval ( L1 ) entre 8-12 horas. A duração desta fase dependente da temperatura e da umidade. Desenvolvimento da larva (3 a 9 dias): dependente dos fatores físicos ambientais, influenciado pela disponibilidade de alimento: disponibilidade tempo de desenvolvimento. Nos dois últimos dias, a larva ( L3 ) deixa de se alimentar, seu tegumento se contrai, endurece e escurece pupário, dentro do qual se encontra a pupa. Sob temperatura favorável 3-10 dias emergência dos adultos. Em 18 horas maturidade sexual. Alimento: água e carboidratos. Fêmeas, requerem também proteínas e aminoácidos para a maturação dos folículos ovarianos. Alimentos sólidos, antes de serem ingeridos através do aparelho bucal lambedor, primeiramente são liquefeitos através da saliva e/ou regurgitação. Fêmeas: receptivas aos machos em cerca de 36 horas após a emergência, geralmente aceita-os uma única vez. Deposição dos primeiros ovos ocorre em 5-8 dias após a fecundação. Período de desenvolvimento do ciclo total 10-14 dias. Regiões tropicais 30 gerações por ano. Tempo médio de vida de uma fêmea adulta varia de 25-52 dias. Chrysomya spp. Introduzidas em 1975 e 1976 por embarcações que transportavam refugiados de Angola e de Moçambique, animais domésticos e diferentes tipos de alimentos. A partir daí, disseminaram-se em diversas regiões do país. Há três espécies de califorídeos do gênero Chrysomya: Chrysomya putoria, Chrysomya megacephala e Chrysomya albiceps. Moscas sinantrópicas. Algumas espécies ovopositam em carcaças. Larvas: saprófagas, desenvolvem-se em detritos orgânicos. Algumas espécies são produtoras de miíases primárias ou secundárias. Morfologia e Importância Coloração metálica, típica dos califorídeos, verde a negro-azulado. Presença de faixas ou bandas transversais opacas e enegrecidas no ápice dos segmentos abdominais. Chrysomya spp.: Transmitem organismos enteropatogênicos (enterobactérias). Vetores de poliovírus Chrysomya putoria Importância C. putoria freqüentes em granjas de galinhas poedeiras. Ovos quebrados e carcaças das aves atrativos para a oviposição das fêmeas. População de insetos que se desenvolvem no esterco de galinhas: 90% representados por C. putoria e M. domestica. Importância Sua presença em granjas avícolas é atribuída ao manejo inadequado de: carcaças de aves ovos quebrados esterco, principalmente o acumulado embaixo das gaiolas de galinhas poedeiras. Esporadicamente: larvas de C. putoria invadem tecidos necrosados de animais vivos miíases cutâneas secundárias em ovinos, bovinos e no homem. Chrysomya megacephala Importância Maior freqüência nas áreas urbanas e suburbanas feiras livres, lixões. Desenvolvem-se na primeira fase de decomposição do lixo. Há outras espécies de dípteros que preferem as fases mais adiantadas da decomposição do lixo. Chrysomya albiceps Larvas preferem substratos de origem animal em decomposição (carcaças, vísceras). Larvas: predadoras de larvas de outras espécies de muscóides, podem causar miíases necrobiontófagas, mas não necessariamente miíases secundárias. Lucilia spp. Espécies: L. sericata,L. eximia, L. cuprina L. sericata: espécie de distribuição quase cosmopolita. Presente no Brasil. Após a introdução de Chrysomya spp. no Brasil densidade populacional (pressão da competição) Coloração geral verde-brilhante ou amarelado até o azul ou verde-cuprino, com reflexos metálicos; cabeça escurecida e palpos amarelados. Lucilia sericata Importância Comum nas áreas urbanas e suburbanas, encontrada principalmente em matéria orgânica de origem animal em decomposição. Presente em aviários com manejo inadequado. Ciclo evolutivo completo: 12 dias. Fêmeas produzem 2000 e 3000 ovos, distribuídos por 9-10 posturas. Baixo valor epidemiológico. Pode causar miíases em ovelhas em climas temperados e frios. Controle de moscas sinantrópicas em aviários Objetivo do controle não é a erradicação das moscas e sim a diminuição das populações em níveis toleráveis. Importante conhecer a biologia e a ecologia das moscas, como também características do sistema de criação, manejo, etc.. Êxito do controle depende do tipo das instalações, do manejo das aves e do esterco, além das condições climáticas. Controle químico – considerações Desenvolvimento de resistência Custo elevado Número limitado de inseticidas e métodos de aplicação eficientes. Preocupação com possíveis intoxicações ou com resíduos de inseticidas no ovo e na carne. Populações de moscas não devem ser erradicadas e sim suprimidas. Ideal: conciliar manejo das condições ambientais com métodos químicos (uso adequado de inseticidas seletivos) e métodos biológicos (manejo das populações de inimigos naturais). Controle das condições ambientais: umidade do esterco a oviposição dos dípteros adultos e desenvolvimento das larvas: evitar vazamento no sistema de abastecimento de água ventilação e temperatura adequadas escoamento adequado das águas pluviais retirada de esterco oferta de matéria prima onde há o desenvolvimento das larvas: Remoção do esterco adubo orgânico: acúmulo de esterco cobertos com plásticos pretos em pátios, o processo de fermentação e temperatura (cerca de 60oC). Remoção de aves mortas e dos ovos quebrados Controle Químico Importante correta aplicação dos inseticidas Emprego de inseticidas seletivos, preservando inimigos naturais Inseticidas adulticidas: inseticidas associados à iscas (ferormônio): é mais prático. Inibidores de crescimento de larvas Podem ser incorporados na ração, ingeridos pelas aves e eliminados nas fezes Pode ser aplicados diretamente no esterco sob a forma de pulverização. Ação seletiva contra larvas de muscóides, não afetando o desenvolvimento dos inimigos naturais que ocorrem no esterco. Controle Biológico ou biocontrole: Introdução de inimigos naturais (fauna exótica) Aumento da população de inimigos naturais (fauna nativa e/ou exótica) Conservação, favorecimento da proliferação dos inimigos naturais Inimigos naturais: Ácaros famílias Macrochelidae, Uropodidae e Parasitidae predação dos ovos e as larvas de primeiro ínstar das moscas. Coleópteros: Famílias mais importantes: Histeridae e Staphylinidae. Adultos e larvas predadores de larvas de moscas. Parasitóides, importante grupo no controle biológico, incluem pequenas vespas perfuram o pupário da mosca com o auxílio do ovipositor, depositam um ovo sobre a pupa em desenvolvimento. Após a eclosão, as larvas se alimentam do conteúdo da pupa. Há formação do estádio pupal dentro do pupário da mosca e em seguida emergência dos adultos. Moscas Simbovinas: Stomoxys calcitrans Haematobia irritans Gênero Stomoxys: Há cerca de 18 espécies, 17 estão restritas principalmente às Regiões Afrotropical e Oriental Stomoxys calcitrans, mosca-dos-estábulos, mais importante, distribuição cosmopolita, adaptada às varias condições ecológicas, ocorre em zonas de clima temperado, subtropical e tropical. É hemissinantrópica, simbovina Semelhante à M. domestica. Diferenciação: Probóscida rígida, projetada horizontalmente para a frente da cabeça A 4a veia longitudinal alar ( M1+2 ) é curvada, não forma o cotovelo observado em M. domestica. Adultos medem de 4 a 7 mm de comprimento Corpo de coloração cinza, com 4 faixas longitudinais no tórax O abdômen é mais curto e largo que a M. domestica. Apresenta três manchas escuras no segundo e terceiro segmentos abdominais Palpos finos e curtos. Formas adultas (macho e fêmea) hábitos hematófagos. Observada na comunidade e/ou instalações rurais próximas do homem e animais domésticos, raramente em residências. Desenvolvimento das larvas: Matéria orgânica vegetal em decomposição: cama de animais, palha, feno, restos de lavouras, alfafa, grãos ou farinhas umedecidas etc.. (Nestes há intensa atividade metabólica de bactérias e de fungos). Esterco das aves, principalmente se estiver misturado com esterco velho e ressequido. Cama de animais de estábulos fermentada e misturada com fezes e urina Fase final da decomposição do lixo em aterros sanitários, ou seja, quando há formação do húmus. Os ovos (1 mm de comprimento) são depositados sobre o substrato em pequenos aglomerados de no mínimo 20 ovos. A fêmea pode apresentar mais de 7 ciclos ovarianos (~ 560-1000 ovos/fêmea ). Sob determinadas condições de temperatura após 20 a 80 horas há a eclosão larval. Larvas recém-eclodidas (L1) penetram no substrato onde se alimentam de matéria orgânica. No interior do substrato a umidade e altas temperaturas (23 - 300 C ou superior) propiciam seu desenvolvimento ( 8 a 10 dias). Próximo do período pupal, as larvas L3 áreas mais secas do substrato. Fatores físicos ambientais favoráveis em 2-8 dias adultos. Ciclo completo: 3-4 semanas (climas quentes), pode durar mais do que 2 meses. Período médio de vida das formas adultas: 17-29 dias. Adultos: após seis horas da sua emergência do pupário, são capazes de realizar o hematofagismo. Machos e fêmeas ficam ingurgitados em 3-4 minutos num único repasto sanguíneo. Procuram picar regiões anatômicas não atingidas por reações de auto-defesa (movimentos de cauda, lambedura, coçadura ou fricção) Eqüinos e bovinos patas e abdômen. Perfuram a pele diversas vezes antes de sugar (picada extremamente dolorosa). Após o repasto sanguíneo, as moscas pousam em locais como celeiros, cercas ou árvores. Eqüinos e bovinos mais afetados. As aves, dificilmente são atacadas, provavelmente em função da cobertura plumosa e da rapidez de seus movimentos Homem: hospedeiro alternativo, é picado mesmo através da vestimenta. Sob condições favoráveis nuvens de moscas atacam os bovinos e outras espécies de animais domésticos. Ação sobre os hospedeiros Considerada uma das pragas mais irritantes para bovinos, eqüinos, ovinos e caprinos. Picada muito dolorosa. Moscas muito ativas, seguem seu hospedeiro por longas distâncias. infestação perda de sangue e estresse. Espoliação, irritação, decréscimo do peso corporal (15 a 20%) e da produtividade de leite (40 a 60%), eventualmente pode ocorrer mortalidade. Hospedeiro intermediário: nematódeo Habronema microstoma (causa habronemose gástrica e/ou cutânea dos eqüinos). Também pode transmitir o vírus da anemia infecciosa eqüina. Vetor mecânico: Trypanosoma evansi Haematobia irritans Popularmente denominada de “mosca-dos-chifres” é um díptero pequeno (3 a 5 mm) hematófago. Ataca quase exclusivamente o gado bovino, considerada uma das maiores pragas da bovinocultura. Ocorre praticamente em todos os Estados do Brasil Semelhante à S calcitrans, mas são bem menores (metade do tamanho), os palpos são espatulados e quase tão longos quanto a probóscida rígida. Ocorre em regiões tropicais e sub-tropicais até 20.000 moscas/animal Mosca dos chifres: se agrupam ao redor do chifre (comportamento observado somente em regiões de clima temperado) Ataca mais comumente bovinos, eventualmente pode parasitar outras espécies, como, eqüinos. Este último é bastante sensível à picada da mosca. Zebuínos são menos infestadosdo que taurinos. Há preferência por animais machos (especialmente touros) relacionada com a atividade das glândulas sebáceas. Bezerros antes da desmama: são os menos infestados. Permanece no animal hospedeiro dia e noite, de preferência no dorso, lado do tórax, abdômen, ao redor da cabeça e cupim (zebuínos). Só abandonam o animal para se acasalar e depositar os ovos. No animal, sempre dirige sua cabeça em direção ao solo, mantendo as asas semi-abertas. Geralmente as moscas se acumulam em hospedeiros com pelagem escura ou nas manchas escuras dos animais. Horas mais quentes regiões ventrais do hospedeiro, retornando às partes altas em condições climáticas favoráveis. Hábitos hematófagos intermitentes, repasto sanguíneo pode ocorrer de 20 a 40 vezes/dia. Número de moscas sobre um hospedeiro: varia de uns poucos até 5000 ou mais. Raramente andam. Quando perturbadas, fazem um vôo vertical, simultâneo, retornando imediatamente ao hospedeiro. Cerca de 25% das fêmeas presentes no hospedeiro estão em fase de produção de ovos. Fecundação fêmeas partes mais baixas (face ventral, patas), para esperar o hospedeiro (ou um vizinho próximo) defecar. Bovino defeca fêmeas voam rapidamente e depositam ovos em embaixo da borda da massa fecal. Oviposição: durante o dia e/ou noite, mais freqüente durante o dia (temperatura e umidade mais elevadas). Noites quentes e úmidas também são favoráveis rapidez do ciclo biológico. Eclosão depende das condições climáticas e existência de predadores naturais. A mortalidade natural dos ovos no bolo fecal pode atingir 90-93% dos ovos depositados. Fêmea, receptiva ao macho uma única vez, pode apresentar 15 ciclos ovarianos ou mais, há oviposição de ~ 225-375 ovos/fêmea. Os ovos (1,3-1,5 mm de comprimento) são de coloração castanho-amarelada até a castanho-avermelhada. Sob temperatura favorável: eclosão larval ocorre em 24 horas. Larvas (L1) penetram no bolo fecal 2 mudas L3 (período total: 3-12 dias) fase pupal (partes baixas da massa fecal ou no solo) Sob condições ambientais favoráveis em 2-8 dias emergência dos adultos que dentro de algumas horas (2-3 horas) já são capazes de iniciar o hematofagismo. Período do ciclo biológico: 8-12 dias (épocas mais quentes e úmidas), 30-45 dias (épocas mais frias). Após 1-2 dias da emergência dos adultos acasalamento: observado nas partes mais altas do corpo do hospedeiro. parasitismo migração das moscas para outros locais. Geralmente, fêmeas recém-emergidas: > capacidade de dispersão que fêmeas mais velhas. Pode voar até 15 km de um local para outro, podendo permanecer viva de 18 a 26 horas sem se alimentar. Ação sobre o hospedeiro: Perda de sangue Picada dolorosa Intensa irritação Queda nos índices de produtividade Machos: diminuição da libido e baixo desempenho reprodutivo. Vetor: Stenofilaria stilesi (parasita pele de bovinos), Habronema (equinos). Considerada como uma das mais importantes pragas do rebanho bovino nas Américas. Nos E.U.A: prejuízos atribuídos à H. irritans ao redor de US$ 700 milhões/ano. Controle: Objetivo: redução da infestação em níveis toleráveis, minimizando os prejuízos econômicos. Inicialmente: determinar o nível populacional máximo aceitável de moscas/animal. Calcular a relação custo/benefício: infestação x tratamento (varia para cada tipo de criação, região, manejo, alimentação, etc..). Definir a estratégia de controle: Não fazer o tratamento Tratar somente aqueles animais portadores de 70% da população de moscas (“distribuição agregada”). Realizar o tratamento quando há prejuízo decorrente da parasitose. Como conseqüência: evita o uso indiscriminado de inseticidas retarda resistência da mosca aos inseticidas Inseticidas Aspersão, imersão, uso de brincos com inseticidas (cuidados com o uso indiscriminado), oral (bolus intra-ruminal ou aditivo em alimento). Empregar substâncias que interrompem o crescimento e o desenvolvimento das larvas nas fezes: inibidores específicos não atuando sobre demais artrópodos que são úteis para a desintegração do bolo fecal. Controle biológico: Competidores, predadores ou parasitóides, que usualmente vivem ou se utilizam do bolo fecal. Besouro coprófago africano: Onthophagus gazella (mais eficiente que o brasileiro). Onthophagus gazella remove massa fecal, de modo mais eficiente que o besouro brasileiro (Dichotomius anaglypticus). O. gazella enterra 68,7g de fezes e o D. anaglypticus somente 9,2 g do esterco. O ciclo de O. gazella é 12 vezes mais rápido (1 mês), a fêmea deixa 90 descendentes o D. anaglypticus deixa somente 20. Besouro cava túneis, apanha pequenas porções do esterco que são roladas (daí o nome “rola-bosta”) e enterradas, formando as “peras de incubação” ricas em matéria orgânica, onde evoluem suas larvas e pupas. Matéria seca não utilizada seca-se rapidamente (está presente na superfície). Há decréscimo da “qualidade” da massa fecal menor desenvolvimento de larvas e pupas da H. irritans Além de interferir com o desenvolvimento das larvas de H.irritans, o fato das fezes serem enterradas também interrompe o ciclo de helmintos. Nos E.U.A., mesmo em áreas onde a criação de O. gazella foi perfeitamente implantada, as populações de H. irritans muitas vezes somente são controladas empregando-se inseticidas. Muscomorpha – Hippoboscidae Moscas hematófagas de aves e de certos mamíferos. Corpo largo, achatado dorso-ventralmente, cabeça pequena e intimamente justaposta ao prótorax. Antenas com 3 segmentos. Olhos vestigiais às vezes ausentes. Pernas bem desenvolvidas, com fortes garras recurvadas, adaptadas para a fixação em pêlos ou penas dos hospedeiros. Coxas muito separadas umas das outras, com as pernas estendidas para os lados. Asas desenvolvidas, vestigiais ou ausentes. Parasitas permanentes ou permanecem nos hospedeiros a maior parte de seu ciclo biológico. Hippoboscidae: Fêmeas vivíparas, retém a larva no oviduto até o terceiro estádio depositando-a quando a larva está apta para pupar. Há cerca de 200 espécies nesta família. Mais importantes: Melophagus ovinus e Pseudolynchia canariensis Melophagus ovinus Morfologia: Moscas picadoras semelhante a carrapatos. As garras são fortes. O corpo é castanho medindo de 5 a 8 mm. Abdômen indistintamente segmentado e de consistência mole. Biologia: Adultos são ectoparasitas permanentes alimentam-se do sangue de ovelhas e cabras. Os ovos eclodem dentro do corpo da fêmea que deposita a larva L3 próxima de pupar nos pêlos ou lã do animal. O adulto emerge da pupa em 22 dias. Moscas não sobrevivem mais do que 4 dias sem se alimentar. Danos ao hospedeiro: Anemia, animais ficam inquietos, apresentam emaciação, inapetência. A picada induz um intenso prurido, os animais se mordem ou se esfregam com perda de lã. As fezes do parasita mancham a lã diminuindo seu valor comercial. A tosquia da lã pode remover um grande número destes parasitas. Pseudolynchia canariensis Morfologia: Mosca picadora. Machos medem 10mm e fêmeas 13mm. Cabeça mais ou menos esférica. Olhos relativamente pequenos, ocelos ausentes. Pernas anteriores e médias mais curtas que as posteriores. Biologia: Largamente distribuída, capaz de atacar mais de 30 espécies de aves. Comumente observada no pombo doméstico. Fêmeas são larvíparas. O período pupal dura de 25 a 31 dias. Estas moscas são rápidas e freqüentemente esconde-se embaixo das penas das aves. Danos ao hospedeiro: Anemia, aves ficam irritadas. Pode ocorrer mortalidade de pombos jovens. Transmite o Haemoporoteus columbae, hematozoário comum em pombos. Tratamento: O uso de repelentes têm pouca eficácia contra estes insetos. Remoção manual das moscas e inspeção periódica para averiguação de reinfestação. Controle: Não permitir acesso a aves de vida livre Tabanidae (mutucas) Morfologia: Moscas robustas de tamanho médio a grande (6 a 33 mm de comprimento), corpo sem cerdas. Coloração: castanho-cinza até preto-escuro,algumas são amarelas. Cabeça grande, levemente côncava posteriormente, olhos bem desenvolvidos. Machos: olhos holópticos. Algumas espécies os olhos são iridescentes. Palpos com 2 segmentos. Probóscida robusta e rígida Mandíbulas e maxilas geralmente em forma de estiletes adaptados à perfuração, às vezes ausente em espécies não hematófagas. Tórax grande, pernas robustas, tarso terminando em três almofadas. Abdômen largo com sete segmentos visíveis, frequentemente apresentando padrão cromático distinto. Biologia: Considerada praga dos animais domésticos e do homem. Somente fêmeas são hematófagas. Os machos vivem de néctar. Algumas espécies não se alimentam na fase adulta. Mais ativos nos dias quentes, ensolarados e sem ventos. Gado de coloração preta é mais atacado. Ovos depositados em ambientes aquáticos ou semi-aquáticos (vegetação aquática) larvas nove estádios. A maioria das larvas é predadora de larvas de pequenos artrópodes, moluscos ou anelídeos. Outras se alimentam de detritos orgânicos. Período larval geralmente é longo (1 ano ou mais em regiões de clima temperado). O ciclo de vida pode levar de 2 meses até 2 anos, dependendo da espécie e da região geográfica. Aparelho bucal: composto por um par de mandíbulas achatadas, denteadas em forma de serra e um par de estreitas maxilas. Entre estas estruturas há o canal alimentar formada por um forte labro e uma estreita hipofaringe. Quando a fêmea Tabanidae suga a labela fica retraída e o labro, mandíbula e maxilas penetram na pele. Durante este processo, as mandíbulas se movem como se fossem uma tesoura. A saliva, tem anticoagulante e é bombeada para o local da picada, antes do sangue ser conduzido para o canal alimentar. Quando cessa a alimentação o aparelho bucal é retirado, as labelas se fecham, formando uma película de sangue entre elas (o patógeno fica aí protegido). Tabanidae – transmissão de patógenos Características dos Tabanídeos que acabam por auxiliar a transmissão de patógenos. Anautogenia: fêmeas necessitam de um repasto sanguíneo para a maturação dos ovos. Telmofagia: Os tabanídeos cortam a pele e se alimentam de sangue Microorganismos dos tecidos superficiais da pele podem ser ingeridos pelas moscas. Grande ingestão de sangue: quantidade de sangue ingerido de ingestão de agentes patogênicos. Tempo longo de ingurgitamento: Demoram de 20 minutos a 1h 30 minutos para ingurgitarem de sangue. Interrupção da alimentação: transmissão de hospedeiro a outro para terminar seu repasto (picada dolorosa). Tabanidae – ação sobre o hospedeiro Picada: infecção secundária, miíase. Redução da produção de leite, dos índices de produtividade. Vetores mecânicos: Vírus da anemia infecciosa equina, estomatite vesicular, encefalite e peste suína, leucose bovina. Anaplasma marginale, Trypanosoma evansi, T. vivax Carbúnculo, brucelose. Dípteros: classificação e importância: Nematocera Insetos – características do grupo: Corpo dividido em 3 segmentos: cabeça tórax e abdômen Cabeça larga e móvel Dois olhos grandes e compostos Um par de antenas contendo 3 componentes: escapo, pedicelo e flagelo Em muitos dípteros os olhos se encontram na fronte (condição holóptica) Especialmente em fêmeas os olhos são divididos pela fronte (condição dicóptica) Dípteros – classificação Três subordens: Nematocera, Brachycera e Cyclorrapha Proposição de incluir Cyclorrapha dentro da subordem Brachycera Dípteros – patologia Moscas adultas se alimentam de sangue, suor, secreções da pele, lágrimas, saliva, urina, e fezes Punctura – insetos picadores – perfuram a pele Mastigação na pele – não picadores, perturbadores Perdas muito grandes de sangue Vetores mecânicos de doenças Reações de hipersensibilidade – coceira Receio dos hospedeiros – comportamento evasivo, fuga, abano de cauda, auto-mutilação – menor tempo de alimentação e performance Podem causar morte por sufocamento – cavalos e bovinos Dípteros – Cyclorrapha Os adultos apresentam antenas com aristas: uma estrutura em forma de pena, emergindo do terceiro segmento da antena Palpos geralmente com um segmento Asas com menos veias do que em Brachycera e Nematocera A pupa se forma em um pupário que libera o adulto pela remoção de uma tampa Constitui um grupo muito grande de moscas picadoras e causadoras de miíases Dípteros – Brachycera (já vistos acima) Moscas pequenas a grandes Corpo volumoso Face bulbosa com três segmentos básicos Antenas curtas Palpos geralmente com dois segmentos e direcionados para a frente Constitui o grupo das tabanídeos (mutucas) Dípteros – Nematocera Moscas pequenas e delgadas – “mosquitos” Asas longas e estreitas Antenas longas com 6 ou mais segmentos Palpos com 4-5 segmentos Após a pupação o adulto sai da pupa através de um corte longitudinal dorsal Constitui o grupo dos mosquitos e borrachudos Dípteros – ciclo de vida A maior parte dos dípteros é ovípara O desenvolvimento embriônico ocorre no ovo Em algumas moscas (Sarcophagidae) os ovos se desenvolvem e eclodem no oviduto – fêmeas depositam larvas de primeiro estágio Em Hippoboscidae e Glossinidae as fêmeas produzem um ovo único e depositam a larva em estágio quase pupal Larvas – corpo mole, sem pernas e segmentado, cabeça evidente em Nematocera e pequena em outros dípteros As larvas requerem água ou umidade – vegetação apodrecida, fezes Após 3 a 5 cinco mudas a larva libera sua pele e se transforma em pupa – apêndices externamente visíveis Em Cyclorrapha forma-se uma estrutura em forma de barril – pupário O adulto sai da pupa A vida do adulto consiste em acasalar e ovipor Fêmeas Anautógenas – requerem uma refeição protéica para maturar os ovos Autógenas – podem maturar os ovos sem refeição protéica Nematocera – família Culicidae Sem ocelos Antenas com 15-16 segmentos Probóscide alongada Pernas longas Conhecido como mosquito Fêmeas hematófagas Sugam sangue à noite Machos alimentam-se de sucos vegetais Fêmeas colocam seus ovos em locais úmidos (plantas flutuantes) ou água Anofelinos - hábitos crepusculares (anofelinos) A cópula se dá momentos antes de se dirigirem para as casas “Dança nupcial" - mosquitos voam em largos círculos e çópula ocorre no ar Um macho pode copular várias fêmeas e uma fêmea pode ser copulada por vários machos As fêmeas alimentam-se em geral de sangue - maturação dos ovos Não usam sangue para subsistência - em laboratório sobrevivem apenas com água e açúcar Os machos alimentam-se de sucos de frutas e néctar de flores Postura e oviposição Anopheles - postura em grandes coleções de água parada, água com leve correnteza ou em água coletada de bromélias Os ovos de Anopheles não resistem a dessecação São postos isoladamente na superfície da água Possuem flutuadores laterais Aedes - Coloca seus ovos à beira das águas de pequenas coleções de vasos, latas, etc.. Evaporando-se a água os ovos aderem as paredes do vaso e resistem ali por vários meses A eclosão das larvas ocorre com a chuva Os ovos de Aedes são postos isoladamente mas não possuem flutuadores Culex - Os ovos são colocados sempre em posição vertical formando jangadas capazes de flutuar Larvas: São encontradas na água, ainda que possam sobreviver algum tempo em ambiente úmido O período larvário representa a fase de crescimento do inseto, durante a qual a larva sofre 4 mudas As larvas se alimentam de microorganismos As larvas são vermiformes e desprovidas de patas e asa O corpo é constituído de cabeça, tórax e abdômen A respiração pode ser feita por um sifão respiratório na extremidade final do abdômen (Subfamília Culicinae) ou via tegumento (Subfamília Anophelinae) Pupas: Após a quarta muda larvária emerge a pupa, com a forma de uma vírgula. É móvel porém não se alimenta O corpo das pupas de mosquitos é constituído de duas partes: cefalotórax e abdômen As pupas da família Culicidae também localizam-se na água Apósa saída do mosquito adulto ele fica em cima da pele da pupa que acabou de deixar para que ocorra a quitinização (quitina em contato com o ar endurece) Criadouros: Permanentes Naturais - lago, riacho Artificiais - caixas de água, garrafas, cascas de ovo, pneus. Temporário - poças Nutrição: Varia de acordo com a espécie Flores, matéria orgânica em decomposição, seiva que escorre dos vegetais feridos no tronco, suor, exsudatos de úlceras cutâneas, sangue de diversos animais Habitat: Forma adulta é terrestre, vive em ambiente diferente daquele onde se desenvolveram as larvas. Encontram-se com freqüência em descampados, folhagens, florestas, alguns se adaptaram a regiões inóspitas como mangues, desertos, cerrados, cavernas. As larvas de Nematocera desenvolvem-se em água corrente ou estagnada, matéria orgânica em decomposição ou no interior de vegetais. São todos holometabólicos Nematocera – família Culicidae Subfamília Anophelinae – Tribo Anophelini Adultos com escamas abundantes Probóscide bem desenvolvida Palpos retos Olhos grandes Antenas plumosas nos machos Larvas sem sifão respiratório - horizontais na superfície d'água Pupas com trompa respiratória de forma cônica curta e de abertura larga Fêmeas com palpos delgados e do mesmo comprimento da probóscida Machos com últimos segmentos do palpo dilatados e pilosos, dando aspecto de clava Quando em repouso esses mosquitos formam um ângulo quase reto ao substrato Gênero Anopheles Criadouros - lagoas, rios, represas Transmite a malária (esporozoítas de Plasmodium na glândula salivar) Hábito crepuscular e noturno. Nematocera – família Culicidae - Tribo Aedini - Gênero Aedes Postura preferencialmente (vizinhança da água ou na sua superfície) em águas limpas existentes em barris, potes de barro, vasos, cacos de garrafa Depositam os ovos separadamente em vários lotes, postos em intervalos de um dia ou mais Ovos resistem a dessecação por vários meses Hábito diurno, gosta de temperatura elevada e pica raramente quando a temperatura fica abaixo de 23 graus O ciclo dura 11 a 18 dias em temperatura de 26 graus A fêmea após ter feito a postura de seus ovos morre rapidamente Em condições normais uma fêmea pode fazer 12 ou mais repastos sangüíneos em um mês o que é de grande importância na transmissão da febre amarela A cópula se processa 12 a 24 horas após o nascimento do imago (adulto) e estimula o desejo de sugar sangue As fêmeas virgens dificilmente sugam sangue As fêmeas após sugarem sangue fazem, a postura dos ovos em poucos dias; se forem alimentadas com líquidos açucarados, os ovos não se desenvolvem, nem há postura Esse mosquito é doméstico e nas horas de repouso (noite) se esconde atrás ou debaixo de móveis As larvas se alimentam de bactérias contidas na água Transmite febre amarela e dengue Nematocera – família Culicidae Tribo Culicini – Subfamília Culicinae Gênero Culex Doméstico de hábito noturno Fêmeas depositam seus ovos em água estagnada pura ou impura nas imediações dos domicílios Os ovos, postos verticalmente são aglutinados formando uma jangada Fêmeas são antropófilas É encontrado principalmente nos dormitórios, sobre o teto, móveis e roupas Após a desova a fêmea morre ou sobrevive poucos dias Ciclo dura mais ou menos 10 a 11 dias Transmite Wuchereria bancrofti (filária, Elefantíase) Ovos desprovidos de flutuadores e postos em jangada Larvas com sifão respiratório Dispõem-se perpendicularmente ou obliquamente na superfície líquida permanecendo com o corpo mergulhado Quando em repouso esses mosquitos ficam com o corpo paralelo a superfície Nematocera – família Psychodidae Subfamília Phlebotominae Phlebotomus (Europa) Lutzomyia (Américas) - mosquito palha Subfamília Psycodinae Psychoda - mosca dos banheiros Nematocera – família Psychodidae Mosquito palha, birigüi, tatuquira Fêmeas hematófagas Atração por luz (casas) Palpos maiores que a probóscide (curta) Durante o dia ficam escondidos O mosquito palha é transmissor do agente causal da leishmaniose (ex. Lutzomyia longipalpis transmite a leishmaniose visceral ou calazar – Leishmania donovani Asa com formato lanceolar e com nervuras longitudinais e paralelas Antenas longas com 16 segmentos Não têm ocelos Quatro estágios larvais e com fase de pupa no mesmo local Cerdas longas espalhadas ao longo do corpo Pouca capacidade de vôo Hábitos noturno (algumas espécies podem ter hábito diurno, manhã e/ou tarde), preferindo locais sombreados e ricos em matéria orgânica para fazer postura como tocas de animais. Nematocera – família Ceratopogonidae Mosquito pólvora, maruim, mosquitinho do mangue Principal gênero - Culicoides Picada produz lesões eczematosas urticarianas Causa dermatite em eqüinos, com perda de pele Ovos postos em água doce ou salgada As fêmeas fazem a postura em pedras, pedaços de pau... Somente as fêmeas são hematófagas Transmite filária, vírus da língua azul para bovinos e ovinos Hábitos diurnos Bem pequeno – 1 a 4 mm Antenas longas e peças bucais curtas Asas manchadas Vive nos mangues e terrenos pantanosos, pois se desenvolvem em certo grau de salinidade Pigmentos nas asas que se distribuem de maneira variada (asa enfuscada) Antenas com 14 segmentos com formato de contas de rosário, os primeiros segmentos antenais parecem bolas Nematocera – família Simulidae Simulium – borrachudos, piuns Mosquito borrachudo Fêmeas hematófagas - se alimentam de sangue de bovinos, eqüinos, ovinos, caprinos, aves Parecem uma pequena mosca - adultos de 1 a 5 mm Antenas com 11 segmentos, sem cerdas e mais curtas que outros Nematocera Habitam áreas de cachoeiras e rios, pois só se desenvolvem em águas correntes Hábitos diurnos (crepuscular), picadas não doem na hora, passado algum tempo dói bastante e ocorre prurido, atacam em bandos Larvas e pupas ficam abaixo do nível das águas Ventosa posterior (para fixação) Escova oral (para captar nutrientes rapidamente) Pseudópodes (por isso é chamada de semi-fixa) Glândulas salivares que produzem um fio pegajoso do qual são tecidas as pupas As pupas são em forma de cones com filamentos traqueais (para absorção de O2) O adulto apresenta asa com nervuras em apenas uma parte dela e a antena parece um chifre e tem segmentos de flagelos achatados Provocam perturbação e reduzem produtividade Reações alérgica contra componentes da saliva Infestações maciças podem levar à morte por anemia ou hipersensibilidade Atuam como vetores de filarídeos (elefantíase, onchocercose) Leucocytozoon em aves Ciclo – Simulium: borrachudos, piuns Fêmea adulta deposita ovos na vegetação emergente em cursos de água Larvas aderem ao fundo das folhas Pupas dentro do seu casulo aderidas à vegetação submersa Adultos dentro de bolhas de ar escapam para a superfície a partir da casca da pupa O corpo apresenta um tórax arqueado, pernas curtas e antenas em forma de chifres – aspecto de búfalo Nematocera – controle Larva Eliminar todos os criadouros artificiais e ter engenharia sanitária para os naturais Controle biológico através de predadores como barrigudinhos (peixes), larvas de caoborídeos (dípteros), Bacillus thurigiensis israelensis Adulto Uso de repelentes no corpo Uso de telas nos canis, janelas e portas (ou mosquiteiros) Inseticidas (no horário de atividade do mosquito) Esterilização dos machos (muito caro) Preservação de matas (para que os mosquitos não venham à domicílio) Evitar áreas de cachoeiras Controle biológico: Bacillus thuringiensis produz uma inclusão cristalina (ou "cristal") composta de proteínas inseticidas - delta-endotoxinas A duração de sua atividade na natureza é mais fraca que a dos inseticidas químicos Biolarvicidas à base de Bacillus thuringiensis Não poluem o ambiente Preservam a maioria da fauna associada Não são tóxicos aos humanos nem aos animais Pouca resistência ao produto Pulgas : Siphonaptera Sãoinsetos sem asas e com o corpo achatado lateralmente Medem cerca de 1,5 a 4 mm Ectoparasitas de mamíferos e aves Hematófagos Não têm olhos compostos, mas podem ter olhos simples Terceiro par de patas é muito mais longo (adaptação para o pulo) Presença de cerdas projetadas para trás Antenas curtas Cabeça é imóvel Porção inferior – gena Apresentam olhos simples Aparelho bucal picador sugador Podem possuir projeções denominadas ctenídeos Presença de ctenídeos em algumas espécies formando um pente na região da gena (bochecha) e na borda posterior do primeiro segmento torácico (pronotal) (utilizado para identificação das espécies) Lacínias – peças perfurantes Formam com a labro-epifaringe o canal sugador O nono segmento abdominal apresenta uma placa dorsal chamada sensilium – função sensorial, alinhamento das genitálias durante o acasalamento, emite ultra-som para comunicação Algumas pulgas podem pular mais de 100 vezes o tamanho do seu corpo (3 mm – 30 cm!!) Equivale a um humano de 1,70 m pulando 170 metros (60 andares)!! Astronautas experimentam acelerações de até 8 g. A pulga do rato produz um pico de aceleração de 140 g !! A energia para pular é armazenada em estruturas denominadas arcos pleurais São formados de uma proteína denominada resilina Para pular o fêmur é rotacionado para uma posição vertical, trazendo o trocânter e o terceiro par de pernas em contato com o solo Ocorre o travamento dos três segmentos torácicos na posição, e a estrutura elástica composta de resilina é forçada A resilina dos arcos é comprimida pela contração dos músculos Para pular o fêmur rotaciona-se para baixo, os músculos relaxam, liberando a energia armazenada na resilina Biologia: São insetos hematófagos com metamorfose completa A alimentação sangüínea é essencial para o início da postura É exclusiva da fase adulta e ambos os sexos são hematófagos Fazem 2 a 3 refeições por dia – 10 minutos cada Tipo de associação Presença e alimentação permanentes – “bicho do pé” (Tunga penetrans) Presença permanente e alimentação intermitente – vivem sob a pelagem dos hospedeiros – Ctenocephalides, Xenopsylla Temporários ou intermitentes - vivem fora do hospedeiro – Pulex irritans - somente exercem a hematofagia Ciclo: Ciclo de vida: 25 a 30 dias. A maior parte do ciclo biológico ocorre fora do hospedeiro A fêmea bota cerca de 20 ovos por vez e 400-500 ovos ao longo da vida Os ovos ficam na poeira e sujidades e raramente no hospedeiro Eclosão das larvas: após 2-16 dias dependendo do ambiente As larvas são vermiformes, ápodas, apresentam um espinho na cabeça que auxilia o rompimento da casca do ovo Contém 3 segmentos torácicos e 10 abdominais Aparelho bucal do tipo mastigador São ativas, alimentam-se de detritos orgânicos e proteináceos (pelos, penas..) e de fezes das pulgas adultas São encontradas em fendas nos pisos, ninhos, local de descanso dos animais, ao abrigo da luz A larva dá origem a uma pupa (7-10 dias) com casulo aderente (10-17 dias ou até meses) que se reveste de resíduos do meio ambiente – camuflagem A pupa permanece no ambiente (no fundo do sofá, colchão, tapetes e carpetes, e frestas de pisos de madeira) por períodos de até 1 ano Após emergir da cutícula pupal, o adulto permanece dentro do casulo e somente emerge quando percebe aumento da temperatura ou vibração causada pela presença do hospedeiro Novas pulgas podem se formar e infestar os animais, mesmo que eles não saiam de casa. A pulga pode sobreviver até 6 meses entre alimentações O tempo médio de vida de uma pulga é de 1 a 2 anos. Não há uma alta especificidade de hospedeiro – geralmente infestam várias espécies Controle de pulgas não se baseia somente no controle efetivo de adultos, mas principalmente de larvas/pulgas jovens presentes no ambiente. Patogênese: Infestações muito grandes são encontradas em animais velhos ou com doenças crônicas debilitantes Reação depende do grau de sensibilização A mais comum reação é de hipersensibilidade de tipo I Animais não sensibilizados – leve prurido Animais sensibilizados – prurido, dermatite, infecções secundárias Gatos – dermatite miliar Cães – dermatite alérgica por picada de pulga (DAPP) Transmissão de doenças: Vetores: Peste bubônica (Yersinia pestis) – Xenopsylla cheopis Salmonelose Tifo exantemático murino (Rickettsia) fezes da pulga do rato Tularemia (Francisella tularensis) – transmissão mecânica Mixomatose dos coelhos – vírus é transmitido pelas peças bucais contaminadas C. felis, C. canis e P. irritans são hospedeiros intermediários do cestódeo Dipylidium caninum C. canis e C. felis são hospedeiros intermediários do filarídeo Dipetalonema reconditum Pulgas – Tungidae – Tunga penetrans Conhecida como “bicho do pé”, “bicho do porco” e “pulga da areia” É a menor das pulgas (adulto 1 mm) Não possui ctenídeos Adultos (machos e fêmeas virgens) vivem em lugares de solo arenoso, quentes e secos, sendo abundantes em chiqueiros de porcos e peri-domícilio São exclusivamente hematófagas Ciclo: A fêmea grávida penetra na pele do porco (ou homem), deixando apenas a extremidade posterior em contato com a atmosfera para respirar As localizações preferenciais da fêmea parasita são a sola dos pés, espaços interdigitais e sob as unhas Aproximadamente após 15 dias, com o acúmulo de ovos seu abdômen se expande, atingindo o tamanho de um grão de ervilha Em torno de 100 ovos são expelidos, os quais, em chão úmido e sombreado, darão origem às larvas e pupas Em seguida a fêmea morre, o corpo da fêmea é expulso pela reação inflamatória da pele Pode ocorrer infecção secundária após saída do adulto por Clostridium tetani (tétano), Clostridium perfringens e outras espécies (gangrena gasosa) ou fungos (Paracoccidioides brasiliensis). Controle: O tratamento consiste na extirpação dos parasitas em condições assépticas, limpeza do ferimento, vacina antitetânica. Prevenção através do uso de calçados, tratamento dos animais domésticos infestados e aplicação de inseticidas no ambiente. Pulgas – Pulicidae Ctenocephalides felis e Ctenocephalides canis Conhecida como “pulga do gato” Apresenta 4 subespécies parasitas de carnívoros C. felis felis (cosmopolita): é a pulga mais comum em cães e gatos C. felis strongylus (África) C. felis damarensis (África) C. felis orientalis (Índia à Austrália) Tem coloração castanho/preta Fêmeas têm cerca de 2,5 mm e machos 1 mm Ctenocephalides felis x Ctenocephalides. canis C. canis apresenta a cabeça mais arredondada do que C. felis Apresentam ctenídios genais e pronotais O primeiro ctenídio é curto C. canis em genal Os dois primeiros ctenídios são de tamanho similar em C.felis Ciclo da Ctenocephalides felis Fototáticos positivos e geotáticos negativos – procuram se mover para o topo dos substratos Notam a presença do hospedeiro pelo calor e visão e o aumento do CO2 Após atingir o hospedeiro ocorre o acasalamento As fêmeas se alimentam e aumentam seu peso em até 75% Logo após o repasto iniciam a defecação – sujeira de pulga Cerca de 24-48 horas após o repasto as fêmeas ovipõem (30-50 ovos por dia, 50-100 dias de vida) Os ovos caem no chão e requerem umidade > 50% e temperaturas amenas As larvas procuram ambientes protegidos como a cama do hospedeiro – ambientes úmidos e escuros – base do carpete, frestas no piso Podem se alimentar das fezes dos adultos Os três estágios larvares duram entre 1 a 5 semanas A larva tece um casulo que permanece vertical e aderido a detritos do ambiente A pupa pode resultar em adulto em 9 dias, mas também pode permanecer assim por longos períodos sob frio (meses) Ciclo total mínimo dura cerca de 17-22 dias para a fêmea e 20-26 dias para o macho – condições normais de 3-5 semanas Patogenia Infestações severas podem levar à anemia Reações alérgicas na pele à saliva da pulga Gatos Dermatite miliar e alopecia simétricaGatos infestados aumentam a lambedura - ingestão de cerca de 50% das pulgas – redução da chance de encontrar as pulgas !! Cães Transmissão de cestódeos (Dipylidium caninum) Reações alérgicas na pele: DAPP – dermatite alérgica por picada de pulga: presença de pápulas com crostas na região lombo sacral, abdômen, pescoço e parte interna de membros posteriores DAPP: Prurido, desassossego, auto-mutilação, perda de pelo, infecções secundárias Echidnophaga gallinacea Não tem ctenídeos Cabeça com fronte em ângulo Hospedeiro – aves, cães, gatos, coelhos, roedores, eqüinos e humanos Pode-se tornar um problema em aves de criação e causar irritação em cães, gatos, coelhos, roedores, eqüinos e humanos A cabeça da pulga se insere dentro da pele – difícil remoção Causa inchaço e ulceração Cães e gatos em contato com aves de criação (caipiras) podem ser infestados Nesses animais a pulga é encontrada principalmente entre os coxins plantares Pode levar a infecções secundárias Não tem importância na transmissão de doenças Patogênese: Aves podem apresentar agregados de pulgas ao redor dos olhos, crista e barbelas Controle: Tratar o ambiente com inseticidas para eliminar as larvas Impedir o contato de cães e gatos com aves de criação Remover manualmente as pulgas e em infestações severas usar produtos químicos Pulex irritans É a pulga mais comum do homem Pode ser encontrada em outros mamíferos: porco, cabras, cão, gato Distribuição cosmopolita Não tem ctenídeos Não tem ctenídeos Cabeça arredondada Olhos grandes Cerda pré-ocular Cerda genal Hospedeiros - homem, cães, gatos, porco e outros mamíferos Xenopsylla cheopis Não tem ctenídeos Cabeça arredondada Cerda pré-ocular tem posição anterior Hospedeiros - roedores Conhecida como “pulga do rato” É a pulga mais encontrada nos ratos, estando distribuída geograficamente nas regiões tropicais e em algumas áreas temperadas. É a principal responsável pela transmissão da peste bubônica (Yersinia pestis) entre ratos e desses para o homem: as bactérias multiplicam-se, bloqueando a passagem do alimento no proventrículo, não há absorção do sangue, pulga fica faminta picando vários hospedeiros, transmitindo a bactéria. Transmitem pelas fezes o tifo murino, doença infecciosa aguda causada pela Rickettsia tiphi Controle: Emergencialmente - controle químico das pulgas Longo prazo - evitar a proliferação dos roedores nas habitações e depósitos de alimentos através de adequada educação sanitária Tratamento do animal para eliminação dos adultos Tratamento do ambiente para eliminação dos estágios de desenvolvimento Aplicação de inseticidas Remoção de frestas, trincas e outros esconderijos Prevenção da re-infestação do ambiente Evitar entrada de outros animais Aplicação periódica de inseticidas Manter ambiente livre de esconderijos de larvas e pupas Limpeza Controle em cães (?) (em gatos é diferente) ADVANTAGE MAX 3 pour-on (BAYER S.A.) – Imidacloprida e Permetrina CAPSTAR comprimido (Novartis) - Nitenpiram FRONTLINE® Topspot e Spray (Merial) – Fipronil PULVEX® Pour-on e Shampoo (SCHERING-PLOUGH) – Permetrina Classificação das pulgas Baseia-se na presença ou ausência de ctenídeos Particularidades Hospedeiro Sem ctenídeos Fronte arredondada Pulex irritans Xenopsylla cheopis Fronte angulosa Echidnophaga gallinae Tunga penetrans C. canis apresenta a cabeça mais arredondada do que C. felis Apresentam ctenídios genais e pronotais O primeiro ctenídio é curto C. canis em genal Os dois primeiros ctenídios são de tamanho similar em C. felis Perguntas: Um cão apareceu no seu consultório apresentando prurido e alopecia Qual é a suspeita clínica? O que você faria para confirmar o diagnóstico? Explique o ciclo biológico do parasita em questão Quais os métodos de controle que deveriam ser empregados. Justifique. Piolhos Ordem Phthiraptera - (do Grego, phthir = piolho aptera = sem asa) Ordem com 3.500 espécies, somente 30 têm importância econômica. Piolhos são insetos adaptados para realizar todo seu ciclo biológico em aves e mamíferos. Há piolhos altamente especializados que parasitam áreas específicas do corpo do hospedeiro. Geralmente só abandonam seus hospedeiros para se fixar em outros hospedeiros. Insetos pequenos, ápteros, medindo de 0,3 a 11 mm de comprimento. Corpo achatado dorsoventralmente, pernas robustas e garras adaptadas para se fixar fortemente nos pêlos ou penas. Coloração: amarelo esbranquiçado a castanho. Após a alimentação escuros, quase pretos (quando se alimenta de sangue) Biologia Fêmea: deposita de 50 a 100 ovos, geralmente em pencas (cachos) que ficam firmemente aderidos nas penas ou pêlos do hospedeiro. Fêmeas geralmente são maiores que os machos e estão em maior número. Todo o ciclo ocorre no hospedeiro. Insetos hemimetábolos – não têm a fase de larva Ovo 1 a 2 semanas Ninfa eclode (muito semelhante ao adulto, menor e mais clara). Alimentam-se de descamações do tecido epitelial, partes das penas, secreções sebáceas e sangue. Transmissão: geralmente por contágio direto. Ciclo biológico: 4 a 6 semanas. Importância Veterinária: Infestação por piolhos: pediculose. Ação sobre o hospedeiro: Relacionada ao grau de infestação. Irritação (garras tarsais), intenso prurido, animal pode se coçar até sangrar Alopecia, escoriação e auto-mutilação. Estresse, redução do peso e queda na produção. Espécies hematófagas alta infestação anemia. Suínos Infestação por piolhos é muito comum, ocorre frequentemente nas dobras do pescoço, mandíbulas e ao redor das orelhas. Muito pruriginosa, induz danos à pele. Equinos Infestações leves crina, base da cauda e espaço sub-maxilar. Altas infestações pode se espalhar por todo o corpo do animal. Aves Parasitadas por mais de 40 espécies de piolhos mastigadores Causam severa irritação e perda de peso. Altas infestações eventualmente mortalidade. Ordem: Phthiraptera Sub-ordens: Amblycera , Ischnocera, Anoplura , Rhyncophthirina Classificação antiga Mallophaga (Amblycera, Ischnocera e Rhyncophtirina) - mastigadores Anoplura – sugadores Amblycera e Ischnocera (malófagos) Lipeurus spp, Menacanthus e Menopon Denominados de piolhos mastigadores. Adultos: medem de 2 a 3 mm. Cabeça grande e arredondada, olhos reduzidos ou ausentes. Pelo menos dois segmentos do tórax são visíveis. Geralmente se alimentam de fragmentos de queratina da pele, pêlos e penas. Podem sugar sangue de ferimentos na pele. Alguns são capazes de perfurar a pele. Ectoparasitos de aves, marsupiais, carnívoros e roedores. Medem de 2 a 3 mm de comprimento. Cabeça grande, livre, horizontal. Olhos pequenos ou ausentes. Mandíbulas paralelas à superfície ventral da cabeça e cortam no sentido horizontal. Antenas escondidas na fosseta antenal. Antenas clavadas com 4 a 5 segmentos, geralmente só último segmento é visível. Um par de palpos maxilares com dois a quatro segmentos. Abdômen: 9 segmentos Alimentam-se de partículas presentes na superfície da pele. Algumas espécies ocasionalmente são hematófagas: cortam a base das penas novas ou áreas mais finas da pele com a mandíbula hemorragia localizada ingerem o sangue que sai dos vasos. Geralmente andam na pele dos hospedeiros. Adaptados para se mover em superfície lisa. Não se fixam firmemente na pele ou penas. Menacanthus stramineus Importância: Piolho do corpo das aves. Espécie de maior importância na avicultura, principalmente em criação de poedeiras comerciais. Poedeiras debicagem favorece o parasitismo, ave não consegue retirar os piolhos. Geralmente espécie-específico. Morfologia: Adultos 3 a 4 mm de comprimento. Coloração amarelo pálida. Numerosas cerdas na superfície do mesotórax e metatórax. Na superfície dorsal dos segmentos abdominais há duas fileiras de cerdas dirigidas para trás.Biologia Parasita extremamente ativo Todo o ciclo biológico ocorre no hospedeiro, dura de 2 a 3 semanas. Ovos colados na bases das penas principalmente na região do ventre. Ovos eclodem em 4 a 7 dias passando por 3 estádios ninfais. Alimentam-se das barbas e bárbulas das penas. Perfura a base das penas e pode-se alimentar do sangue que flui. Comumente encontrados sobre a pele, em regiões com poucas penas, como região ventral. Infestações observados no peito, embaixo das asas, cabeça e outras regiões do corpo (cloaca). Transmissão do ectoparasita ocorre pelo contato direto entre as aves. Danos ao hospedeiro: Severa irritação. Pele fica inflamada com crostas escamosas. Pode causar anemia. infestação Perda de peso, atraso no desenvolvimento e até mortalidade das aves mais jovens. infestação fissuras e micro hemorragias na região da cloaca. Heterodoxus spiniger Danos ao hospedeiro: Parasita de cães. Grandes infestações podem causar dermatite e pruridos Hospedeiro intermediário do Dipylidium caninum (cestóide) e de Dipetalomena reconditum (nematóide). Cão ovos do cestóide ingeridos pelo Heterodoxus spiniger cisticerco se desenvolve na hemocele cão ingere o piolho contendo o cisticerco Dypilidium caninum adulto. Amblycera Antenas escondidas em sulcos antenais Antenas com 4 segmentos Palpos maxilares presentes Ischnocera Antenas expostas Antenas com 3 a 5 segmentos Palpos maxilares ausentes Subordem Ischnocera Biologia Apresentam antenas filiformes com 3 a 5 segmentos expostas externamente Palpos maxilares ausentes Mesotórax e metatórax fusionados – pterotórax Apresentam localização mais específicas do que os Amblycera no corpo dos hospedeiros Apresenta três famílias, sendo duas com importância veterinária: Philopteridae (parasitas de aves) Trichodectidae (parasitas de mamíferos) Mandíbulas foram um ângulo reto e cortam no sentido vertical. Palpos maxilares ausentes. Antenas cilíndricas e filiformes, visíveis dos lados da cabeça, com 3 a 5 segmentos. Em algumas espécies, nos machos as antenas podem estar modificadas: órgão de preensão. Adaptados para caminhar em pêlos ou penas, mais diversificados que os Amblycera. Damalinia ovis Acomete ovinos, a fêmea deposita cerca de 30 ovos na lã próxima à pele. Damalinia bovis Ataca bovinos, parasitam em grupos Coloração castanho-avermelhada com bandas transversais no abdome. O tarso apresenta uma única garra. Fêmea: pode ser facultativamente partenogenética (produz ovos que se desenvolvem sem fertilização) - aumento rápido da população Alimenta-se de descamações epiteliais acumuladas na pelagem do bovino. A fêmea deposita cerca de 30 ovos no pêlo próximo à pele. Parasitam o topo da cabeça, pescoço, ombros e dorso Ação sobre o hospedeiro: irritação, prurido, alopecia infestações outras partes do corpo. Damalinia equi Parasita a cabeça, crina base da cauda e ombros de cavalos. Damalinia caprae Acomete cabras. Induz intenso prurido, inquietação, diminuição do apetite, alopecia, pêlos eriçados, crostas e descamação. Felicola subrostratus Ectoparasita do gato doméstico Morfologia: Cabeça característica, triangular e projetada anteriormente, para frente. Região ventral da cabeça: há um sulco mediano longitudinal que se adapta ao redor do pêlo do hospedeiro. Antenas: 3 segmentos. Pernas pequenas e terminam numa garra única Abdômen liso, com poucas cerdas e 3 pares de espiráculos. Trichodectes canis Ectoparasita do cão doméstico. Morfologia: Piolho pequeno (1,90 mm comprimento). Cabeça sub-quadrangular, mais larga do que longa. Antenas com 3 segmentos cilíndricos (primeiro segmento mais grosso e o terceiro mais longo). Antenas implantadas em pequenas fossas. Tarsos com uma única garra. Abdômen oval com margens onduladas, fileiras de cerdas longas Espécie muito ativa. Parasita cabeça, pescoço e cauda dos cães, fica presa à base do pêlo. Efeitos sobre o hospedeiro: irritação intensa com descamação da pele, muito pruriginosa. Anoplura - Haematopinus spp. Piolhos sugadores, hematófagos, parasitam somente mamíferos. Insetos pequenos, medindo cerca de 2 mm de comprimento. Há espécies de 0,5 mm e de 8 mm. Cabeça pequena, estreita e alongada. Cabeça é mais estreita que o pró-tórax. Olhos reduzidos ou ausentes. Palpos ausentes. Antenas curtas com 5 segmentos. Aparelho bucal modificado: adaptado para perfurar a pele de seus hospedeiros. Aparelho bucal: três estiletes (estruturas perfurantes) situados numa bolsa ventral A boca (prestômio) abre-se na extremidade anterior da bolsa ventral. Prestômio: revestido por finos dentes que durante a alimentação são extrovertidos ajudando o piolho a se fixar na pele do hospedeiro. Estiletes perfuram a pele, o sangue é sugado para dentro do prestômio por uma bomba muscular (músculos cibariais). Quando não usado, o aparelho bucal fica retraído. Segmentos torácicos fusionados, difícil de serem distinguidos. Apresentam em cada perna uma garra tarsal A garra projeta-se do tarso que ao fechar-se sobre uma expansão da tíbia (esporão tibial) permite que o piolho se fixe no pêlo do hospedeiro. Abdômen: 9 segmentos. Ao longo do lado de cada segmento abdominal há uma placa esclerotizada, a placa paratergal. Haematopinus Há 20 espécies deste gênero, das quais 5 têm importância veterinária. Um dos piolhos de maior importância para mamíferos domésticos. Piolhos grandes (4 a 6 mm de comprimento). Cabeça em forma de losango, apresentando atrás das antenas um processo angular proeminente. Antenas com 5 artículos, olhos ausentes. Placa esternal preta e bem desenvolvida. Pernas de mesmo tamanho, terminando numa única garra forte, oposta à um esporão tibial. Abdômen mais largo que o tórax. Ao longo do lado de cada segmento abdominal há uma placa esclerotizada, a placa paratergal. Haematopinus suis Um dos mais importantes ectoparasitas de suínos. Distribuição cosmopolita. É o maior anoplura que infesta animais domésticos (5 a 6 mm de comprimento). Infestação áreas de pele mais macia: dobras do pescoço, próximo às mandíbulas e nos ombros. Pode ocorrer também nas partes superiores das patas e ao redor da cauda Comumente observados dentro da orelha, especialmente em épocas frias do ano. infestações irritação, desconforto, animais se esfregam ocorrendo escoriações na pele e perda de pêlo. Há queda na produção. Há formação de crostas na pele e inflamação. Sobrevive até 3 dias fora do hospedeiro. Longevidade dos adultos: 35 dias. Pode transmitir agentes patogênicos como vírus Haematopinus asini Parasita eqüinos Espécie cosmopolita. Morfologia: cabeça longa e robusta. Mais abundante em regiões de clima temperado. Cavalos: cabeça, pescoço, dorso e superfície interna das patas. Infestações leves assintomáticas infestações animais inquietos, cansados, pode ocorrer anemia, esfrega-se fortemente, perdendo pêlo e dilacerando a pele. Diagnóstico dos piolhos Aparência quebradiça de pelos ou penas Presença dos parasitas nos pelos/penas Presença de ovos aderidos nos pelos/penas Sinais clínicos: coceira, pelos ou penas com aspectos quebradiço, perda de apetite, irritação na pele Tratamento Existem várias drogas disponíveis Organofosforados Piretróides Avermectina Controle Explorações intensivas favorecem a transmissão (contato direto). Confinamento em exposições, feiras início a um surto ou parasitismo. Introdução de animais novos quarentena, vistoria, se necessário tratamento com inseticida. Quando há infestação : tratamento em intervalos (ovos são mais resistentes). Ácaros – classificação e importância Pertencem à classe Arachnida, artrópodes que não possuem antenas nem mandíbulas. Grupo bastante amplo encontrado nas regiões de clima tropicale temperado. Das 11 subclasses dos Arachnida, 9 são predadoras e apresentam aparelho bucal adaptado para predação. As subclasses Opiliones e Acari não são predadores, sendo uma exceção. A subclasse Acari é bastante heterogênea, composta por carrapatos e ácaros que apresentam grande diversidade de hábitos e habitats. Muitos são de vida livre, alguns se alimentam de vegetais, outros são parasitas de animais invertebrados e vertebrados. Habitam ambientes aquáticos, de água doce a salgada, além de terrestres. Há cerca de 35.000 espécies de ácaros descritas que pertencem a 2000 gêneros. Acredita-se que ainda existam 100.000 espécies de ácaros ainda não descritas. A maioria mede de 0,25 a 0,75 mm. Seu pequeno tamanho permitiu o uso de micro-ambientes variados, tais como traquéias de insetos, debaixo das asas de um besouro, na base das penas dos pássaros e folículos pilosos de mamíferos. Predadores terrestres: se alimentam de nematódeos, pequenos artrópodos e seus ovos, larvas de inseto e outros ácaros Dermatophagoides se alimenta de pele morta e geralmente está associado a poeira doméstica, sendo um importante agente alergênico. A maioria dos ácaros é ectoparasita, particularmente de aves e mamíferos. Um pequeno número (cerca de 500 espécies) são endoparasitas vivendo no trato respiratório, ouvido médio ou interno, passagem nasal, sacos aéreos ou tecido linfático de várias aves, mamíferos ou répteis. Ácaros ectoparasitas de mamíferos e aves se alimentam de sangue, linfa, restos de derme, penas ou secreções sebáceas que ingerem ao perfurar a pele. Causam grande irritação devido à dor produzida pela picada. Grande parte dos ácaros vivem em contato íntimo com seu hospedeiro, desta forma sua propagação se dá por contagio direto, contato físico. A associação hospedeiro-parasita pode ser: Contínua Ex: ácaros da sarna (Psoroptidae e Sarcoptidae) Intermitente Ex. ácaros hematófagos dermanissídeos Ácaros - morfologia: Gnatossoma: região onde se insere as peças bucais e a abertura oral. Gnatossoma: órgão altamente especializado, tubo condutor de alimento, também denominado de capítulo. No capítulo prende-se os palpos e quelíceras. São apêndices retráteis adaptadas para rasgar, cortar ou fixar. Os palpos são dois apêndices segmentados formados de 4 ou 5 artículos. O último segmento do palpo é geralmente uma estrutura em forma de garra adaptada para cortar. Não há segmentação somática. Maioria dos ácaros não têm olhos O corpo de um ácaro típico consiste de um gnatossoma (anterior) e um idiossoma (posterior). A região onde se insere as pernas é denominada de podossoma e a região posterior às pernas de opistossoma. A região ventral permite a diferenciação entre os vários grupos de ácaros O escudo gênito-ventral abriga o orifício genital Sistema circulatório: reduzido, em alguns grupos, consiste somente de uma rede de seios. A circulação provavelmente resulta da contração muscular. Sistema respiratório: a maioria dos ácaros tem traquéia. Os estigmas (espiráculos) variam de um a quatro pares, localizados na metade anterior do corpo. Os estigmas estão ausentes em muitos ácaros pequenos como os astigmatídeos (ácaros da sarna e da poeira), nestes, a respiração ocorre através da cutícula. As coxas são geralmente fundidas à parede ventral do corpo O estigmas ou espiráculos são aberturas externas que fazem parte do sistema de respiração traqueal Os ácaros podem ser classificados com base na presença de estigmas e sua localização O grupo compreende os Sarcoptiformes (Astigmata), Trombidiformes (Prostigmata) e Gamasida (Mesostigmata) Ácaros: classificação Astigmata (Sarcoptiformes) Ácaros pequenos, pouco esclerosados, ausência de estigmas, respiração pela cutícula (intertegumentar) Inclui as ordens Sarcoptidae, Psoroptidae e Knemidocoptidae Prostigmata (Trombidiformes) Grupo grande e heterogêneo Geralmente têm estigmas que se abrem no gnatossoma ou na parte anterior do idiossoma Inclui 4 famílias de ectoparasitas importantes: Trombiculidae, Demodicidae, Cheyletiellidae e Psorergatidae Mesostigmata (Gamasida) Grupo grande de ácaros A maioria é predadora e algumas espécies são ectoparasitas de aves e mamíferos Estigmas se localizam acima das coxas do segundo, terceiro e quarto pares de pernas São grandes (200 mm a 2 mm) Possuem um grande escudo dorsal e vários pequenos escudos ventrais Têm pernas compridas e posicionadas mais anteriormente Compreendem as famílias Dermanyssidae e Macronyssidae Ácaros têm 4 pares de pernas que geralmente possuem sete segmentos: coxa (epímero), trocânter, fêmur, joelho, tíbia, tarso e pretarso. No ápice das pernas há o empódio, estrutura membranosa situada entre as garras. Em alguns grupos as patas modificam-se para outras funções além de locomoção. Algumas vezes o par anterior de patas pode servir como órgão sensorial para localizar o hospedeiro, para fixar o casal durante o acasalamento e para capturar a presa. Ciclo biológico: O ciclo biológico básico envolve os seguintes estágios: ovo, larva hexápoda, ninfa octópoda e adulto Em muitos casos, há vários estágios ninfais antes de se tornar adulto A expectativa de vida geralmente é curta, cerca de 30 dias. A maturidade é atingida em 7 dias. Não há diferenciação sexual óbvia nos estágios de larva e ninfa A maioria dos ácaros produz ovos. Alguns são ovovivíparos A larva tem 6 pernas O ciclo de vida varia entre 8 dias a 4 semanas A maioria dos ácaros têm vida livre Uma minoria é composta de parasitas, geralmente ectoparasitas Ácaros de aves e mamíferos habitam a pele Alimentam-se de sangue, linfa, detritos da pele, secreções sebáceas, frequentemente perfurando a epiderme Sarna é um termo genérico para designar as várias doenças crônicas de pele causadas por ácaros parasitas e caracterizadas por lesões de pele, prurido e perda de pelos. Patologia: Maioria dos ácaros passa toda a sua vida no hospedeiro Transmissão ocorre pelo contato físico entre hospedeiros Alguns ácaros não têm efeitos detectáveis. Demodex é geralmente presente como fauna normal da pela O cativeiro e a alta densidade pode alterar esse equilíbrio Animais debilitados e/ou imunossuprimidos estão mais sujeitos à infestação Relação entre sarna demodécica e imunossupressão ou doenças concomitantes Antígenos dos ácaros podem desencadear respostas inflamatórias, algumas delas de hipersensibilidade Resposta inflamatório nos hospedeiros Eritema, prurido, formação de crostas e escamas A espoliação de sangue leva à redução da resposta imune do hospedeiro Sarcoptes scabiei – geração de hipersensibilidade mediada por IgE Ácaros – conseqüências da infestação Dano direto ao epitélio levando a inflamação eritema da pele prurido formação de escamas endurecimento e aumento da espessura da pele formação de crostas Produção de resposta de hipersensibilidade (geralmente do tipo I) - alergias Perda de sangue e outros fluidos tissulares Transmissão mecânica e biológica de patógenos Família Sarcoptidae Corpo de aspecto globoso Pernas curtas e grossas Cavam túneis na pele (ácaros escavadores) Principais gêneros: Sarcoptes, Notoedres e Knemidocoptes Sarcoptes scabiei Pernas curtas e grossas Abertura genital forma uma fenda estreita e comprida paralela às estriações do corpo Estriações dorsais quebradas por grande escamas pontiagudas Setas dorsais fortes parecendo espinhos Ânus terminal Hospedeiros mamíferos Mede 0,3 a 0,6 mm O ciclo de vida inteiro ocorre no hospedeiro Causa uma sarna denominada escabiose ou “sarna vermelha” As fêmeas escavam túneis na epiderme utilizando as quelíceras Os túneis podem atingir até 1 cm e crescer 5 mm por dia Cada túnel possui uma fêmea, ovos e fezes Cada fêmea ovipõe 1 a 3 ovos por dia em uma vida reprodutiva de cerca de 2 meses As larvas hexápodas eclodem 3 a 4 dias após a oviposição Ciclo: A larva se torna uma protonifa 2 a 3 dias depois e se abriga nos folículos pilososAlguns dias depois ela se torna uma tritoninfa e depois um adulto Acasalamento ocorre na superfície da pele O macho morre rapidamente após o acasalamento O ciclo total dura cerca de 17 a 21 dias Durante a infestação, o número de parasitas aumenta muito rápido, depois cai e se estabiliza Epidemiologia da Sarcoptes scabiei Sarcoptes scabiei var. hominis – homem Sarcoptes scabiei var. suis – suínos Sarcoptes scabiei var. bovis – bovinos Sarcoptes scabiei var. ovis – ovinos São bastante adaptadas aos respectivos hospedeiros e com alta especificidade parasitária. Quando ocorrem infestações cruzadas os parasitas não conseguem se estabelecer no hospedeiro para o qual não estão adaptados dermatite transitória. A doença clínica é rara em animais silvestres e mais comum em animais em cativeiro A sarna sarcóptica ocorre em cães, suínos, ovinos, caprinos, bovinos e humanos, mas é rara em felinos e eqüinos Geralmente atinge animais mais debilitados A doença é altamente contagiosa através do contato físico Como os ácaros conseguem sobreviver algumas semanas fora do hospedeiro, pode ocorrer infestação através do ambiente e objetos Período de incubação: 1-2 semanas no cão, 2-3 no suíno Patologia: Afeta mais as áreas de pelagem mais esparsa: orelhas, focinho, cabeça, pescoço Os parasitas não mordem e sugam sangue. Alimentam-se de fluidos intercelulares As escavações provocam reações inflamatórias, prurido, espessamento da pela, perda de pelos (alopecia), aumento da descamação. O prurido intenso pode levar a escoriações, hemorragias, infecções secundárias Os parasitas não mordem e nem sugam sangue. Alimentam-se de fluidos intercelulares As escavações provocam reações inflamatórias, prurido, espessamento da pela, perda de pelos (alopecia), aumento da descamação. O prurido intenso pode levar a escoriações, hemorragias, infecções secundárias. Diagnóstico: Sinais clínicos Raspagem profunda (até sangramento) do material cutâneo das aéreas afetadas Examinar o raspado em microscópio óptico entre lâmina e lamínula. Resultado negativo: não se deve descartar a possibilidade de sarna sarcóptica. Controle: Cuidado com a introdução de animais quarentena e tratamento acaricida (se necessário) Ficar atento em relação aos animais que retornam de feiras e exposições agropecuárias. Separar os animais infestados. Por ser altamente contagiosa, deve-se tratar todos os animais. Notoedres cati Ânus dorsal Pernas curtas e grossas Estriações dorsais não quebradas por escamas pontiagudas Setas dorsais simples sem aspecto de espinhas Tarsos com longos pré-tarsos nas pernas I e II Hospedeiros - gatos Mede cerca de 225 mm (fêmeas) e 150 mm (machos) O ciclo de vida inteiro ocorre no hospedeiro e é muito parecido com Sarcoptes scabiei Infesta gatos, mas ocasionalmente pode ser encontrado em cães e coelhos e ratos São encontrados principalmente na cabeça e orelhas, mas podem se espalhar pelo resto do corpo Altamente contagioso, infestação se espalha principalmente através de larvas e ninfas Se não tratada, a sarna notoédrica pode ser fatal em 4-6 meses Pode ocorrer uma dermatite transitória no homem Nos felinos a infecção é geralmente restrita à cabeça Família Psoroptidae Corpo arredondado, mais longo do que largo Pernas longas e mais finas Nos machos o terceiro par de pernas é bem mais longo do que o quarto par Não cavam túneis na pele Principais gêneros: Psoroptes, Chorioptes e Otodectes Psoroptes spp. Pernas longas e não grossas Pré-tarsos com hastes curtas Abertura genital forma um U invertido Hospedeiros – mamíferos domésticos Há possivelmente cinco espécies distintas. Principais: P. cuniculi (sarna de orelhas de coelhos) P. ovis (sarna do corpo de ovinos e bovinos) Fêmas adultas de P. ovis medem cerca de 750 mm Ciclo apresenta ovos, protoninfas, tritoninfas e adultos e dura cerca de 10 dias Sinais clínicos possivelmente relacionados com hipersensibilidade do tipo I Causam inflamação, exsudação, formação de crostas, escoriação devido a trauma auto-induzido A infestação pode regredir espontaneamente e depois recrudescer após até dois anos P. cuniculi : sarna de orelhas de coelhos, podendo também ocorrer em cabra, ovelha, equinos, búfalos. Menos grave que a sarna notoédrica. Geralmente se localiza no conduto auditivo externo inflamação, produção de cerume. Há formação de espessas crostas que podem preencher completamente o pavilhão auditivo grande irritação ao animal e hematomas. Exala odor fétido ( algumas vezes) Pode se espalhar pelo corpo. Chorioptes bovis Pernas longas e não grossas Abertura genital forma uma fenda estreita e comprida quase transversa No macho adulto os pré-tarsos apresentam hastes curtas Quarto par de pernas é muito curto Hospedeiros – animais domésticos Há somente uma espécie de interesse veterinário: Chorioptes bovis Fêmas adultas de P. ovis medem cerca de 300 mm As peças bucais não perfuram a pele, mas são adaptadas para remover debris O ciclo inteiro dura cerca de 3 semanas Os parasitas sobrevivem até 3 semanas fora do hospedeiro, permitindo a transmissão pelo ambiente e objetos Infesta uma variedade de mamíferos herbívoros, mas é mais comum em bovinos e eqüinos Regiões mais atingidas: Eqüinos – região inferior das pernas Bovinos – base da cauda, períneo A infestação causa uma doença menos severa do que o Psoroptes Otodectes cynotis A infestação produz o acúmulo de conteúdo cinza no canal auricular (cães) ou exsudato ceroso castanho (gatos) O prurido intenso pode resultar em arranhões e lesões auto-inflingidas com formação de hematoma, infecções secundárias (otites) A infestação geralmente é bilateral Os animais também apresenta vigorosos meneios de cabeça e podem andar em círculo. Quando penetra no ouvido interno o animal pode apresentar surdez Pernas longas e não grossas Pré-tarsos com hastes curtas Abertura genital transversa Quarto par de pernas muito curtas Infestam as orelhas de cães e gatos Há somente uma espécie de interesse veterinário: Otodectes cynotis Muito semelhante ao Chorioptes O ciclo inteiro dura cerca de 3 semanas A transmissão pode ocorrer pelo contato direto ou das fêmeas infestadas para os filhotes Coloniza as orelhas, mas em infestações severas pode atingir o dorso, cauda e cabeça Animais podem albergar um pequeno número de parasitas sem sintomas Demodex spp Corpo muito alongado com aspecto de crocodilo Presença de anulações transversais Ausência de setas Infestam os poros da pele de mamíferos Medem cerca de 100-400 mm Vivem como comensais com a cabeça voltada para dentro no interior dos folículos pilosos e glândulas sebáceas São incapazes de sobreviver fora do hospedeiro Geralmente não causam doença clínica Em cães podem produzir a sarna demodécica ou “sarna negra” A transmissão mais importante é da fêmea para os filhotes A patogênese envolve imunossupressão do hospedeiro, com redução da resposta celular de linfócitos T Pode estar associada com pioderma estafilocócico. Como o Demodex consegue sobreviver em espaços confinados? Tamanho Redução drástica dos apêndices externos Juvenil Ocorre em animais com 3 a 15 meses de idade Áreas com alopecia focal sem pruridos Auto-limitante e com recorrências raras Início em adulto Geralmente associada com pioderma estafilocócico Forma pustular Localizada ou generalizada Hiperpigmentação da pele Eritema, pústulas, crostas e prurido Diagnóstico Exame microscópico a fresco do pus das lesões entre lâmina e lamínula Raspado de pele (profundo) Tratamento Tratamento Externo: Tosquiar inteiramente o animal (maior contato do medicamento com a pele). Produtos emolientes para facilitar a remoção das crostas (loções, xampus). Usar acaricidas. Em caso de infecções secundárias, os medicamentos mais utilizados são produtos à base de Amitraz, Cloretidina, Benzoato debenzila, Cetoconazol, etc.. Tratamento Sistêmico: Antibióticos para combater infecções secundárias. Estimulantes de resposta imunológica Acaríases: diagnóstico Aspecto e localização das lesões Raspado de pele em áreas alopécicas (com ausência de pelos) Coloração com potassa (solução de hidróxido de potássio 10%) e exame microscópico Exame histopatológico Carrapatos: classificação e importância: Argasidae e Ixodidae Subclasse Acari Ordem Parasitiformes Ixodida – Ixodidae, Argasidae Mesostigmata – Dermanyssidae, Macronyssidae Ordem Acariformes Trombidiformes - Prostigmata - Demodicidae Sarcoptiformes - Astigmata – Sarcoptidae, Psoroptidae Carrapatos duros (Ixodes, Amblyomma Carrapatos moles (Argas, Ornithodoros, Otobius) (Ácaros causadores de sarnas – vistos acima) Carrapatos Ectoparasitas obrigatórios que se alimentam de sangue São aracnídeos da sub-classe Acari proximamente relacionados aos ácaros Podem sobreviver por um longo tempo – anos Nesse período se alimentam periodicamente sugando o sangue do hospedeiro e depois permanecendo foram do mesmo Habitat Deve possuir uma concentração alta de hospedeiros Deve ter suficiente umidade para permitir a sobrevivência do parasita Causam prejuízos aos animais domésticos Dano mecânico Irritação Inflamação e hipersensibilidade Em altas infestação – anemia e redução de produtividade As secreções salivares podem causar toxicoses e paralisia Podem transmitir uma variedade de agentes patogênicos – vírus, rickettsias e bactérias Família Ixodidae Carrapatos duros Compreende a maioria dos carrapatos de interesse veterinário Família Argasidae Carrapatos moles Pequeno número de organismos de interesse veterinário Família Nuttalliellidae Contém apenas uma única espécie pouco conhecida Efeitos patológicos: Efeitos cutâneos Inflamação Infecção Efeitos sistêmicos Transmissão de microrganismos de outro hospedeiro Paralisia do hospedeiro Bacteremia – introdução de microrganismos Necrose focal na derme no local da picada Resposta inflamatória – eosinófilos Infecção secundária por Staphylococcus aureus – abcessos Infestação maciça Perda de sangue – anemia Menor produtividade Menor ganho de peso Desassossego Predisposição a miíases Vetores na transmissão de doenças Aderem firmemente aos hospedeiros – transporte a novos habitats Longos repastos – ingestão de grande número de patógenos Regurgitação durante o repasto – introdução de agentes patogênicos Vida longa Repasto em vários hospedeiros Rápido aumento populacional Patógenos podem ser transmitidos entre vários estágios e através dos ovários Vários tipos de vírus Febre suína africana – pode ser transmitida por Ornithodoros Erlichiose (“thick-borne fever”) – rickettsia Bovinos – aborto, febre, anorexia, letargia Cães – E. canis causa anemia com trombocitopenia e leucopenia, febre Febre Q – Causada pela Coxiella burnetti, é transmitida por ixodídeos – relacionado com aborto e anorexia Febre maculosa – causada por Rickettsia rickettsi Doença de Lyme – causada por Borrelia burgdorferi, é transmitida por ixodídeos Cães, gatos, bovinos, eqüinos Febre recorrente – causada por espiroquetas do gênero Borrelia, é transmitida por Ornithodoros Babesiose – causa febre, anemia hemolítica, hemoglobinúria, morte Babesia bovis e B. bigemina – transmitida por Boophilus e Rhipicephalus Babesia canis – transmitida por Dermacentor e Rhipicephalus B. cabali e B. equi – transmitida por Rhipicephalus Anaplasmose – causada por Anaplasma marginale (rickettsia), provoca febre, anemia e morte. É transmitida por numerosos carrapatos Presença de neurotoxinas na saliva Rompe sinapses de nervos motores na medula espinal Bloqueia junções neuromusculares Causa a paralisia por carrapato especialmente em cães e gatos Outros efeitos sistêmicos Entrada de bactérias na circulação, especialmente Staphylococcus Infecções em órgãos internos Família Ixodidae Possui 13 gêneros Constitui os chamados “carrapatos duros” – possuem escudo dorsal Ampla distribuição, diversos hospedeiros e apresentam fases de vida no ambiente Podem infestar outros vertebrados, mas mamíferos são os hospedeiros principais Acasalamento geralmente ocorre no hospedeiro São relativamente grandes (2 – 20 mm) Corpo achatado dorso-ventralmente Duas divisões aparentes no corpo - gnatossoma e idiossoma Capítulo (aparelho bucal) projetado para frente e visível quando observado de cima Escudo presente Cobre totalmente o dorso nos machos ou anteriormente nas fêmeas (dimorfismo sexual aparente) Placas espiraculares grandes localizadas posteriormente às coxas IV Quando presentes, os olhos se situam próximos à margem lateral do escudo Ciclos com 1 a 3 hospedeiros Par de palpos – órgãos sensoriais – localização do hospedeiro Par de quelíceras – apêndices altamente esclerotizados – ajudam a cortar e perfurar a pele do animal durante o repasto Hipostômio – estrutura da parede inferior da base do capítulo – possui fileiras de dentes direcionados para trás As quelíceras perfuram a pele do hospedeiro O hipostômio é introduzido e os dentes mantém o parasita aderido Secreções salivares contendo anticoagulantes são largamente produzidas – transmissão de doenças Os palpos permanecem achatados rente à pele Carrapatos com peças bucais curtas podem permanecer aderidos pela solidificação das secreções salivares Fêmas podem sofrer um aumento substancial de tamanho Amblyomma – 10 para 25 mm de comprimento, 0,04 g para 4 g de peso Larvas possuem seis pernas Semelhantemente aos ácaros, as pernas são compostas de seis segmentos: trocânter, fêmur, joelho, tíbia e tarso Possuem na ponta das pernas um par de garras e uma almofada O primeiro par de pernas possui o órgão de Haller – possui quimioreceptores para localização do hospedeiro Machos são menores do que as fêmeas, ingerem muito menos sangue e sofrem pequeno aumento de tamanho Ixodídeos possuem um escudo dorsal Cobre todo o dorso dos machos Pequeno em fêmeas Não possuem antenas Possuem um conjunto de regiões retangulares nas margens posteriores do corpo separadas por fendas - festões Respiração nas larvas é feita pelo tegumento Ninfas e adultos possuem um par de estigmas que levam a um complexo de traquéias – posterior às coxas IV Freqüentemente circundadas por uma placa estigmática Dimorfismo sexual não é evidente em larvas e ninfas Abertura genital e ânus ventrais O esperma liberado é implantado pelas quelíceras do macho no gonóporo da fêmea Ciclo de vida: Os parasitas fazem vários repastos intercalados com períodos fora do hospedeiro Somente cerca de 10% do tempo é passado no hospedeiro Têm vida longa e cada fêmea pode produzir milhares de ovos Os carrapatos sobem nas pontas de plantas como capim e aguardam o hospedeiro passar Os parasitas detectam o hospedeiro através de quimiorreceptores A adesão se faz e o carrapato passa para o hospedeiro O tipo de habitat determinou os tipo de ciclos e números de hospedeiros que os carrapatos utilizam Para habitats com boas condições de sobrevivência e abundância de hospedeiros, ciclos com até 3 hospedeiros se estabeleceram na maioria dos hospedeiros Ciclos de 2 hospedeiros são encontrados em cerca de 50 espécies. Ex. Rhipicephalus bursa Quando o habitat é desfavorável e há pouco abundância de hospedeiros, ocorre um ciclo de 1 hospedeiro. Ex. Boophilus, Dermacentor Carrapatos – ciclo de vida de um ixodídeo de 3 hospedeiros Ciclo de vida de carrapato de 2 hospedeiros: Ciclo de vida de carrapato de 1 hospedeiro: Rhipicephalus (Boophilus) microplus “Carrapato do boi” Atualmente as espécies pertence ao gênero Rhipicephalus* Infesta principalmente bovídeos, mas pode ser encontrado em outros hospedeiros domésticos e silvestres É um carrapato de um só hospedeiro Só excepcionalmente ataca o homem Se distribuina faixa inter-tropical nas Américas (erradicado na A. do Norte), África e Oceania Introduzido no Brasil pelo gado dos colonizadores. Ciclo de vida parasitária: Inicia-se pela subida da larva infestante Larvas fixam-se na base da cauda, barbela, peito e parte posterior das coxas Troca de cutícula e diferenciação em ninfa que se alimenta de sangue Sofre uma muda (metaninfa) e transforma-se em adulto imaturo (neandro macho e neógina fêmea) Após o acasalamento a fêmea inicia o ingurgitamento total Os machos se alimentam ocasionalmente Dura cerca de 21 dias Fase de vida livre: As fêmeas ingurgitadas (teleóginas) desprendem-se naturalmente do hospedeiro e no solo procuram um lugar apropriado para a ovipostura Oviposição em locais com sombra A oviposição pode durar vários dias. As teleóginas realizam a postura de 3000 a 4000 ovos que permanecem aglutinados Terminada a oviposição a fêmea morre (chamada de quenógina) A duração do ciclo não parasitário varia muito dependendo das condições climáticas. Ideal é 27oC e 80% umidade para o desenvolvimento do ciclo Controle: Raças resistentes - zebuínos são mais resistentes que taurinos Carrapaticidas Vacinas – Gavac© Feromônios - associados a substâncias tóxicas Introduzir machos e fêmeas estéreis no ambiente Controle fora do hospedeiro: Rotação de pastejo (40-60 dias) Introdução de espécies de gramíneas com poder de repelência e ou ação letal ao carrapato Formação de um microambiente, que resulta em repelência ou morte das larvas. Ex. capim-gordura, capim-elefante, estilosantes, etc. Alteração de microclima Implantação de lavouras - ausência de animais Uso de agentes biológicos – ainda não disponíveis Queima de pastagens e aplicação de acaricidas não são recomendados Controle no hospedeiro: Aplicação de carrapaticidas - organofosforados, formamidinas, piretróides, avermectinas Formas de aplicação Pulverização Banho de imersão Aplicação dorsal (pour-on e spot-on) Injetável – avermectinas Considerar o período residual do produto – Ex. intervalos de 14-21 dias para piretróides Atentar para surgimento de resistência Rhipicephalus sanguineus “Carrapato vermelho do cão” Carrapato típico de três hospedeiros É encontrado no cão e outros mamíferos, e até aves Espalham-se pelas habitações Multiplicação muito alta – difícil controle Podem escalar muros e paredes Abrigam-se em frestas e forros É cosmopolita Causa irritação e deconforto Transmite a Febre Botonosa (Europa), Babesia canis, Rickettsia canis e Hepatozoon canis Todas as mudas são feitas fora dos hospedeiros As fêmeas põem de 2000 a 3000 ovos em toda sua vida As larvas não alimentadas podem sobreviver até 8 meses e meio, as ninfas seis meses e adultos até 19 meses Pode atacar qualquer região do corpo, porém é mais freqüente nos membros anteriores e nas orelhas Pode atacar o homem causando dermatites Controle: Aplicação de banhos carrapaticidas nos cães, repetindo-se o tratamento duas ou três vezes com intervalos de 14 dias Limpeza dos canis Aplicação de acaricidas nas paredes e pisos das instalações Higiene e isolamento dos cães Amblyomma cajennense “Carrapato estrela, carrapato de cavalo, picaço, carrapato-pólvora, micuim” Parasita a maioria dos animais domésticos (principalmente bovinos e eqüinos) Pode parasitar o homem Exige três hospedeiros para completar o ciclo (trioxeno) pois todas as mudas são feitas fora dos hospedeiros A fêmea pões de 6000 a 8000 ovos em toda sua vida Pode transmitir vários agentes patogênicos e a sua picada pode originar ferimentos na pele de cura demorada Pode transmitir a babesiose eqüina, Febre maculosa no homem (Rickettsia rickettsi) Controle - similar ao Rhipicephalus Anocentor nitens “Carrapato da orelha dos eqüinos” Somente uma espécie de importância Parasita principalmente eqüinos: cavalos, mulas e asnos Locais preferidos: pavilhão auricular e divertículo nasal Podem causar supuração e infecções secundárias e miíases As fêmeas põem em média 3000 ovos no solo. As larvas podem resistir até 71 dias sem se alimentar quando as condições são favoráveis É carrapato de um só hospedeiro É exclusivo do Novo Mundo É um dos principais vetores de Babesia equi e Babesia caballi Hospedeiros: Eqüídeos - pavilhão auricular Ciclo: Monoxeno. As fêmeas põem em média 3000 ovos no solo. As larvas podem resistir até 71 dias sem se alimentar quando as condições são favoráveis. Importância: Pode transmitir vários agentes patogênicos e a sua picada pode originar ferimentos na pele com até perda doa orelha. Favorece miíases. Família Argasidae Constitui os chamados “carrapatos moles” – não possuem escudo O corpo possui uma superfície texturizada Vivem em ninhos e tocas dos hospedeiros. O seu habitat é intimamente associado ao homem e animais Fazem diversas posturas intercaladas com os repastos sangüíneos Acasalamento fora do hospedeiro Dimorfismo sexual não aparente nos adultos Capítulo ventral e invisível quando observado de cima – aparelho bucal ventral Escudo ausente Cobre totalmente o dorso nos machos ou anteriormente nas fêmeas Placas espiraculares pequenas localizadas entre as coxas III e IV Quando presentes, os olhos se situam em dobras laterais Ciclos com múltiplos hospedeiros Ocorrem diversas posturas entre os períodos de repasto sangüíneo Fecundação fora do hospedeiro Gêneros de importância: Ornithodoros, Argas, Otobius Ornithodoros Várias espécies Escondem-se em cavernas e buracos de árvores Podem habitar estábulos São reservatórios da Febre Recorrente Ampla gama de hospedeiros