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FARMACOLOGIA II AGENTES ANTIFÚNGICOS Prof. Jader Campomizzi Medicina UniBH 2018 FÁRMACOS ANTIFÚNGICOS Infecções fúngicas micoses comuns na população Associadas com a pele e mucosas: "pé de atleta” "sapinhos" Pessoas saudáveis: benignas mais um incômodo do que uma ameaça FÁRMACOS ANTIFÚNGICOS Problema mais grave: quando o sistema imunológico está comprometido quando eles ganham a circulação sistêmica As infecções fúngicas podem ser fatais FUNGOS E INFECÇÕES FÚNGICAS Fungos: células eucarióticas microrganismo mais complexo e evoluído Milhares de espécies de fungos natureza parasitária Importância econômica: úteis na fabricação de outros produtos leveduras de cerveja e na produção de antibióticos por causa dos danos que causam às culturas ou gêneros alimentícios FUNGOS E INFECÇÕES FÚNGICAS Cerca de 50 são patogênicos em humanos: presentes no ambiente podem coexistir com os humanos como comensais sem causar quaisquer riscos evidentes para a saúde Desde 1970: aumento na incidência de graves infecções fúngicas sistêmicas Fatores contribuintes: uso indiscriminado de antibióticos leliminam populações não-patogênicas de bactérias que competem com os fungos aids câncer agentes quimioterápicos imunossupressores FUNGOS E INFECÇÕES FÚNGICAS Principais grupos: Leveduras Cryptococcus neoformans Fungos do tipo levedura que produzem uma estrutura semelhante a um micélio Candida albicans Fungos filamentosos com micélio verdadeiro Aspergillus fumigatus Fungos "Dimórficos” dependendo das limitações nutricionais podem crescer tanto como leveduras ou como fungos filamentosos Histoplasma capsulatum FUNGOS E INFECÇÕES FÚNGICAS Pneumocystis jirovecii (carinii): compartilha características de protozoários e fungos hoje classificado como fungo Não é suscetível a drogas antifúngicas Importante patógeno oportunista: em pacientes com sistemas imunológicos comprometidos (aids) FUNGOS E INFECÇÕES FÚNGICAS Dermatomicoses : infecções da pele, cabelos e unhas ( onicomicose) mais comumente causadas por Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton dando origem a vários tipos de "tinhas" tinea pedis: pé-de-atleta tinea capitis: afeta o couro cabeludo tinea cruris: a virilha tinea corporis: o corpo FUNGOS E INFECÇÕES FÚNGICAS Candidíase superficial: organismo do tipo levedura pode infectar membranas mucosas da boca vagina pele Infecções bacterianas secundárias podem complicar o curso e o tratamento destas condições FUNGOS E INFECÇÕES FÚNGICAS Micoses Sistêmica: blastomicose coccidioidomicose histoplasmose paracoccidioidomicose Basicamente doenças pulmonares porta de entrada pulmonar Doença no hospedeiro normal: dependência da dose infectante Todos os órgãos podem ser atacados FUNGOS E INFECÇÕES FÚNGICAS Micoses Oportunistas: Incremento na medicina atual aspergilose candidose criptococose pneumocistose DROGAS USADAS PARA TRATAR INFECÇÕES FÚNGICAS Classificados em dois grupos: • antifúngicos naturais: • • polienos equinocandinas• drogas sintéticas: • imidazóis• triazóis• ANTIBIÓTICOS ANTIFÚNGICOS Ação: liga ao ergosterol (anfotericina) impede a biossíntese (azóis) Principal alvo membrana citoplasmática do fungo componente principal: ergosterol membrana celular humana: colesterol ANTIBIÓTICOS ANTIFÚNGICOS ANFOTERICINA: anfotericina B desenvolvido em 1956 produto natural da fermentação do actinomiceto Streptomyces. estruturalmente são moléculas grandes pertencentes ao grupo de antifúngicos poliênicos. atividade fúngica de amplo espectro ANFOTERICINA Mecanismo de Ação: ação seletiva: liga-se nas membranas de fungos e alguns protozoários menos ávidas às células de mamíferos não se liga às bactérias. base da especificidade: maior avidez para ergosterol da membrana fúngica não encontrado células animais colesterol principal esterol ANFOTERICINA Mecanismo de Ação:• membranas das células fúngicas:• interfere na permeabilidade e funções de transporte • forma grandes poros na membrana • cria um canal iônico transmembrana• causa perturbações graves no balanço de íons• incluindo a perda de K + intracelular• Mecanismo de Ação ANFOTERICINA Ativa contra a maioria dos fungos e leveduras Útil para quase todas as infecções micóticas potencialmente fatais Padrão ouro para o tratamento de infecções disseminadas: aspergillus cândida criptococose hospedeiros imunodeprimidos Aumenta o efeito antifúngico da flucitosina combinação sinérgica útil ANFOTERICINA Aspectos Farmacocinéticos: pouco absorvida administrada por via oral administrada por injeção intravenosa lenta lSolução glicosada (não salina) Formulações: Anfotericina b desoxicolato lAnfotericina b convencional Anfotericina b lipossomal melhora a farmacocinética reduz a carga considerável de efeitos secundários ANFOTERICINA Penetra pouco nos tecidos e membranas lcomo a barreira hematoencefálica concentrações elevadas em exsudatos inflamatórios atravessa a barreira hematoencefálica com meninges inflamadas administração intratecal Excretada lentamente por via renal vestígios encontrados na urina dois meses após a administração ANFOTERICINA Efeitos Indesejados: mais comum e mais grave toxicidade renal algum grau de redução da função renal ocorre em mais de 80% dos pacientes recupera após tratamento algum comprometimento da filtração glomerular pode l permanecer hipocalemia em 25% dos pacientes exige suplementação de cloreto de potássio hipomagnesemia anemia ANFOTERICINA Outros efeitos indesejados: insuficiência hepática trombocitopenia reações anafiláticas calafrios, zumbido, febre e dor de cabeça um em cada cinco pacientes vomita irritante para o endotélio das veias tromboflebite local após a injeção intravenosa preparações lipossomais (mais caras): não têm maior eficácia causam menos reações adversas ANFOTERICINA Gen érico: Anfotericina B Nomes comerciais: Fungizon , Anforicin B, Fungi B Apresenta ção: Frasco -ampola com 50 mg ANFOTERICINA Principais usos: lcandidíase, criptococose, aspergilose invasiva, blastomicose pulmonar grave ou extrapulmonar, histoplasmose pulmonar grave; coccidioidomicose grave; esporotricose cutânea que não respondeu a outro tratamento; paracoccidioidomicose resistente a outros agentes Tratamento empírico pacientes l neutropênicos, com febre persistente apesar do uso de antibióticos NISTATINA Nistatina : estrutura semelhante à anfotericina mesmo mecanismo de ação não há praticamente nenhuma absorção pelas membranas mucosas do corpo ou pela pele uso limitado às infecções por cândida: pele mucosas trato gastrointestinal efeitos indesejáveis: náuseas, vômitos e diarréia GRISEOFULFINA Griseofulfina: antifúngico de espectro estreito isolado de culturas de Penicillium griseofulvum pode ser usada para tratar infecções por dermatófitos da pele, unhas e cabelos quando o tratamento local é ineficaz tratamento muito prolongado foi substituída por outras drogas GRISEOFULFINA Aspectos Farmacocinéticos: administrado oralmente concentrações plasmáticas máximas atingidas em cerca de 5 horas captada seletivamente pela pele recém -formada se concentra na queratina meia -vida plasmática é de 24 horas mas é retida na pele por muito mais tempo GRISEOFULFINAInduz as enzimas do citocromo P 450 interações farmacológicas clinicamente importantes; Efeitos Indesejados: raros pode causar distúrbios gastrointestinais cefaléia fotossensibilidade reações alérgicas (erupções cutâneas, febre) não deve ser administrada a grávidas GRISEOFULFINA Usos terapêuticos: doenças micóticas da pele, dos cabelos e unhas Casos infantis de tinha da cabeça droga de escolha eficácia e segurança Tratamento mantido substituição do tecido infectado por normal AGENTES ANTIFÚNGICOS SINTÉTICOS • AZÓIS ANTIFÚNGICOS: • grupo de agentes sintéticos fungistáticos • amplo espectro de atividade • baseado nos núcleos: • imidazóis: • clotrimazol, cetoconazol, miconazol, tioconazol • triazóis: • itraconazol e fluconazol AGENTES ANTIFÚNGICOS SINTÉTICOS Imidazóis e triazóis: mesmo mecanismo de ação Vantagens dos triazóis: melhor absorção metabolizados mais lentamente menos efeitos sobre a síntese de esteróis humanos espectro mais amplo AGENTES ANTIFÚNGICOS SINTÉTICOS Mecanismo de Ação dos Azólicos: inibem a enzima fúngicas 3A do citocromo P450 responsável por converter l lanosterol em ergosterol principal esterol na membrana celular fúngical diminuição do ergosterol: altera a fluidez da membranal interfere com a ação de enzimas associadas à membranal o efeito é uma inibição da replicação inibem a transformação de levedura de cândida em hifas l invasiva e de alta patogenicidade; depleção do ergosterol da membrana: reduz a sítios de ligação para anfotericinal IMIDAZOIS DE USO TÓPICO Clotrimazol Miconazol Econazol Butoconazol Oxiconazol , Isoconazol Sertaconazol Tioconazol Cetoconazol tópico oral CETOCONAZOL Primeiro azol administrado por via oral para o tratamento de infecções fúngicas sistêmicas final da década de 1960 Eficaz contra vários tipos de organismo: tóxico recidiva após o tratamento aparentemente bem sucedido Bem absorvido pelo trato gastrointestinal Amplamente distribuído pelos tecidos e fluidos não atinge concentrações terapêuticas no sistema nervoso central, a menos que altas doses sejam dadas Inativado no fígado e excretado na bile e na urina CETOCONAZOL Indicações Clínicas: ho spedeiro sem alterações do sistema imunológico Malassezia furfur paracoccidioidomicose hi stoplasmose candidíase mucocutânea candidíase oral na aids substituído pelos demais fármacos itraconazoll CETOCONAZOL Efeitos Indesejados:• principal risco• toxicidade do fígado• rara, mas pode ser fatal• distúrbios gastrointestinais e prurido• inibição da síntese • de • esteróides e testosterona adrenocorticais • com altas doses: • ginecomastia em alguns pacientes do sexo masculino• CETOCONAZOL Interações adversas: • ciclosporina, terfenadina, • astemizol causam aumento das concentrações • plasmáticas de cetoconazol ou da droga ou ambos rifampicina, antagonistas do receptor H• 2 da histamina e antiácidos diminuem a absorção do cetoconazol• ITRACONAZOL Não apresenta efeito supressor do cetoconazol sobre os corticosteroides Ativo contra uma gama de dermatófitos Administrado por via oral: absorção facilitada quando administrado com as refeições passa por metabolismo hepático extenso; eliminado pela bile Meia-vida cerca de 36 horas excretado na urina Não penetra no líquido cefalorraquidiano ITRACONAZOL Principais usos: azólico de maior espectro de atividade antifúngica Micoses superficiais: dermatofitoses , onicomicoses, e tinea versicolor. candid íase oral, vaginal e esofágica: resultados superiores com fluconazoll ITRACONAZOL Esporotricose Paracoccidioidomicose Coccidioidomicose Histoplasmose Blastomicose Criptococose sem envolvimento do SNC Boa atividade na aspergilose ITRACONAZOL Fármaco de escolha:• infecções não meníngeas• H. • capsulatum P. brasiliense• onicomicose• subungueal esporotricose• tinha do corpo• tinha versicolor• ITRACONAZOL Efeitos Indesejados: distúrbios gastrointestinais, dores de cabeça e tontura raros: hipocalemia, hepatite e impotência reações alérgicas da pele incluindo síndrome de Stevens-Johnson inibição da esteroidogênese não relatada interações medicamentosas como resultado da inibição de enzimas do citocromo P450 podem ocorrer dano hepático (mínimo) ITRACONAZOL Interações Medicamentosas:• • rifampicina, fenitoína e isoniazida diminuem os níveis de • itraconazol ciclosporina, warfarina, digoxina, • sulfonilureias, e carbamazepina incrementa os níveis séricos destes medicamentos• FLUCONAZOL Bem absorvido pode ser administrado por via oral ou intravenosa Encontrado em altas concentrações no líquido cefalorraquidiano e fluidos oculares pode ser droga de escolha para as meningite por fungos Concentrações fungicidas tecido vaginal, saliva, pele e unhas Meia -vida de aproximadamente 25 horas 90 % é excretada inalterada na urina e 10% nas fezes FLUCONAZOL Principais usos: candidemia , candidíase orofaríngea, esofágica, peritoneal, geniturinária, óssea e disseminada meningite criptocócica, dermatofitoses superficiais excelente tratamento candidíase oral, vaginal, esofágica profilaxia de infecções fúngicas sistêmicas pacientes pós -transplante de medula óssea droga de escolha para o tratamento de manutenção da meningite criptocócica espectro mais limitado que o itraconazol FLUCONAZOL Candidíase orofaringeana Candidíase vaginal não complicada Meningite criptocócica após estabilização com anfotericina b Não possui atividade: histoplasmose blastomicose esporoticose FLUCONAZOL Efeitos Indesejados: geralmente são leves dor de cabeça, náusea e dor abdominal lesões cutâneas esfoliativas síndrome de Stevens-Johnson pacientes com AIDS tratados com múltiplas drogas hepatite rara em doses normalmente utilizadas: não produz inibição do metabolismo hepático da l esteroidogênese que ocorre com cetoconazol VORICONAZOL Tiazólico• de segunda geração Infecções fúngicas invasivas• uso oral e parenteral• Biodisponibilidade oral excelente• Meia• -vida de seis horas Metabolismo no fígado• Indicações clínicas• • infecções superficiais e invasivas por cândida aspergilose• invasiva pacientes imunocomprometidos• VORICONAZOL Efeitos colaterais: Bem tolerado Transtorno temporário da visão fotofobia 30 % não indica suspensão do tratamento EQUINOCANDINAS Nova classe de drogas antifúngicas Interferem síntese da parede celular dos fungos Inibem a enzima 1-3 b glucana sintetase não presente na célula humana perfil de segurança satisfatório Três fármacos caspofungina anidulafungina micafungina CASPOFUNGINA Uso exclusivamente venoso Eliminação hepática Não sofre metabolização dependente do complexo citicromo P450 Meia -vida: 9 a 10 horas (dose única diária) CASPOFUNGINA Efeitos colaterais: bem tolerado não há nefrotoxicidade alterações de enzimas hepáticas flebite CASPOFUNGINA Uso clínico: terapêutica de segunda linha aspergilose invasiva candidíase invasiva AGENTES ANTIFÚNGICOS TÓPICOS Tratamento tópico útil: infecções fúngicas superficiais dermatofitoses candidíase tinha versicolor Não tem sucesso onicomicose tinha do couro cabeludo esporotricose AGENTES ANTIFÚNGICOS TÓPICOS Formulação preferida: creme ou solução Pós: pés lesões úmidas das virilhas IMIDAZÓIS E TRIAZÓIS Aplicação cutânea: tinha do corpo tinha do pé tinha crural tinha versicolor candidíase cutânea aplicar 2 vezes ao dia 3 a6 semanas IMIDAZÓIS E TRIAZÓIS Aplicação vaginal candidíase vaginal 1 vez ao dia ao deitar 1 a 7 dias Sem eficácia na tricomoníase 3 a 10% da dose vaginal é absorvida AZÓLICOS TÓPICOS Clotrimazol Econazol Cetoconazol Miconazol CICLOPIROX OLAMINA Antifúngico sintético Espectro: dermatófitos cândida tinha versicolor creme e loção a 1% Esmalte para unha a 8 onicomicose moderada TERBINAFINA Ativa contra dermatófitos Menos ativa contra leveduras Creme a 1% 2 vezes ao dia NISTATINA Tratamento tópico de infecções por cândida albicans Ineficazes contra dermatófitos Uso limitada ao tratamento de infecções cutâneas e mucosas por cândida NISTATINA Candidíase oral (sapinho): 5 mL na boca vários minutos engolir 4 vezes ao dia Candidíase vulvovaginal 1 comprimido, 2 vezes ao dia, 14 dias 1 comprimido à noite mais 14 dias