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Lição 06 / 1 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES Índice 1.Introdução 2. Consideração Sobre o Método Científico 3. Tipos de Métodos Científicos 3.1. Método Indutivo 3.2. Método Dedutivo 3.3.Método Hipotético-dedutivo 3.4. Método Dialético 3.5. Método Fenomenológico 3.6. Método Experimental 3.7. Método Estatístico 3.8. Método Histórico 3.9. Método Comparativo 3.10. Método Clínico 3.11. Método Observacional 4. Conclusão 5. Notas complementares 6.Referências Metodologia Científica Lição 06 Técnicas e Métodos Científicos Lição 06 / 2 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 1. Introdução Agora, veremos, neste tópico, como o método se constitui no caminho de construção do discurso científico. Ele é a trajetória que o pesquisador percorre para conhecer o objeto (fenômeno/fato investigado) em busca de construir um conhecimento racional e sistemático, conforme visto na aula anterior. O método enquanto construção, resultante de um processo por meio do qual o homem procura conhecer a natureza e a sociedade, deve ser compreendido e explicado como resultado de relações entre homens em contextos históricos particulares e singulares. Diante disso, ele se altera refletindo o desenvolvimento e as rupturas nos diferentes momentos da história. Nesta lição, você vai conhecer os tipos de métodos criados no processo de desenvolvimento do homem em busca do conhecimento, partindo-se da relação que se estabelece entre sujeito e objeto do conhecimento. E a diferença entre o método e a técnica, onde você entenderá melhor essa relação com a ciência. Percebendo o mundo, o homem constrói trajetórias para conhecer e explicar os fenômenos.. Pense nisto!!! O homem cria diversos caminhos para apreender, compreender e explicar o que o cerca. Esses caminhos podem ser percorridos por pontos diferentes, ora pela razão, ora pela percepção, ou então, pela convergência entre esses pontos. No nosso dia a dia, associamos método com ordem e organização. Pois bem, na esfera do conhecimento, da investigação (pesquisa) ou de qualquer atividade intelectual, o vocábulo método está associado ao termo metodologia, que é o estudo dos métodos utilizados no processo de conhecimento. Mas, afinal, qual a importância do método para uma investigação científica? Será que o método é determinante para um trabalho científico? Quais são as características do método? Quais são os tipos de métodos de que dispomos para realizar uma investigação científica? Lição 06 / 3 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES Veremos isso tudo a seguir... Lição 06 / 4 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 2. Consideração Sobre o Método Científico Você já viu que, como conhecimento metódico, sistemático, programado, a Ciência tem como principal objetivo a busca da verdade sobre as coisas, os fatos, as ideias. Este, no entanto, também é o objetivo das demais formas de conhecimento. Pergunta: O que distingue, então, o conhecimento científico dos outros conhecimentos? Resposta: A possibilidade da verificação de seus resultados. O conhecimento científico tem uma característica especial: os raciocínios e as técnicas que utiliza podem ser claramente identificados. Quando sabemos exatamente qual foi o caminho seguido, poderemos proceder com exatidão à verificação dos passos percorridos até o resultado final. Esse caminho seguido, o roteiro seguro que guia o cientista em suas investigações, é o método por ele utilizado. Vamos então definir de forma provisória e geral o método como o caminho que adotamos para alcançar determinado fim. Então, fica fácil para você deduzir que o método científico é o caminho seguido pelo cientista na persecução de seus resultados investigativos almejados. Veja bem, é necessário que você compreenda com clareza que ...sem método científico, não se faz ciência!!! A ciência é constituída de um conhecimento racional [1] , metódico [2] e sistemático [3] , capaz de ser submetido à verificação [4] , buscado através de métodos e técnicas diversas, ou seja, por passos nos quais se descobrem novas relações entre fenômenos que interessam a um determinado ramo científico ou aspectos ainda não revelados de um determinado fenômeno (GALLIANO, 1986, p. 28). Agora que você leu as considerações sobre o método científico, apresentaremos uma Lição 06 / 5 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES situação interessante, descrita por Galliano (1986, p.4-5). O autor afirma que qualquer pessoa vive diariamente cercada por métodos, ainda que não os perceba. Ao limpar a casa, você não passa, primeiro, o pano molhado, para, depois, varrer o chão; ao fazer um churrasco, você não assa a carne antes de colocar o sal e os temperos; ao comer uma laranja, você não a corta em pedaços para depois tirar a casca; tem de usar o método adequado para atingir um objetivo tão simples. Galliano cita um exemplo, o de estar calçado com meia e sapato, que deixa ainda mais clara a explicação. Se não seguir a ordem correta das ações, primeiro você calçará o sapato, depois verificará que não é possível pôr a meia, já calçado com o sapato, assim, terá de descalçá-lo, para então colocar a meia e novamente calçá-lo. O que o autor quis demonstrar com o exemplo? Que, ao deixar de seguir a ordem correta das ações no emprego do método, o resultado não é alcançado na primeira tentativa. Para chegar ao resultado esperado, você deve voltar ao início da sequência e fazê-la de forma correta, ou seja, observar o método, já que quando o método não é observado, você gasta tempo e energia inutilmente. O autor complementa: o método nada mais é do que o caminho para chegarmos a um fim. Reflita um pouco!!! Você consegue lembrar de outros métodos que estão presentes na sua vida cotidiana? Analise o que existe de comum entre eles, assim, poderá fazer sua própria definição sobre método. Lição 06 / 6 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 3. Tipos de Métodos Científicos Esses métodos científicos de que vamos tratar agora pressupõem ao menos uma das formas de organização do raciocínio que poderá ser empregado na pesquisa. A partir delas, o pesquisador poderá optar pelo alcance de sua investigação, pelas premissas que explicarão os fatos, as coisas, os objetos, e pela validade de suas generalizações. Portanto, quando falamos em raciocínio, estamos nos referindo a um modo de pensar ordenado, coerente e lógico. Considerando as formas de organização do raciocínio, podemos classificar os métodos científicos em: indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico. Além desses métodos científicos considerados como primordiais e reciprocamente excludentes na atividade investigativa, temos outros métodos que podem ser igualmente empregados de forma concomitante com os primeiros, de acordo com as condições e os objetivos finais a serem alcançados. Esses métodos auxiliares cumprem, por conseguinte, uma função técnica e estratégica. 3.1. Método Indutivo O MÉTODO INDUTIVO tem a característica principal de analisar várias situações, uma a uma, achando semelhanças entre elas. O método indutivo permite que possamos analisar nosso objeto para tirarmos conclusões gerais ou universais. Assim, a partir, por exemplo, da observação de um ou de alguns fenômenos particulares, uma proposição mais geral é estabelecida para, por sua vez, ser aplicada a outros fenômenos. É, portanto, um procedimento generalizador. Lição 06 / 7 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES O MÉTODO INDUTIVO tem a característica principal de analisar várias situações, uma a uma, achando semelhanças entre elas. Segundo o exemplo acima, se o corvo 1, se ocorvo 2, se o corvo 3 (e assim por diante) são negros, LOGO, TODO CORVO É NEGRO. Se cobre, zinco e cobalto conduzem energia e são metais, LOGO, TODO METAL CONDUZ ENERGIA. OUTRO EXEMPLO: Observo que Pedro, José, João, etc. são mortais; verifico a relação entre ser homem e ser mortal; generalizo dizendo que todos os homens são mortais. Exemplo: Observo que Pedro, José, João, etc. são mortais; verifico a relação entre ser homem e ser mortal; generalizo dizendo que todos os homens são mortais. EXEMPLOS: Lição 06 / 8 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES Podemos concluir que o método indutivo é uma forma de organizar o raciocínio da pesquisa, que é o pressuposto básico para a existência de qualquer tipo de Ciência experimental, pois sem a existência do método indutivo a concepção de Ciência estaria limitada a um conhecimento sem possibilidade de comprovação ou de verificação. RESUMO: O método INDUTIVO parte do PARTICULAR para o GERAL. 3.2. Método Dedutivo O método dedutivo parte de argumentos gerais para argumentos particulares. Primeiramente, são apresentados os argumentos que se consideram verdadeiros e inquestionáveis para, em seguida, chegar a conclusões formais, já que essas conclusões ficam restritas única e exclusivamente à lógica das premissas estabelecidas. A questão fundamental da dedução está na relação lógica que deve ser estabelecida entre as proposições apresentadas, a fim de não comprometer a validade da conclusão. O raciocínio dedutivo fundamenta-se em uma operação típica de um estudo de uma ciência chamada LÓGICA em que, a partir de uma PREMISSA MAIOR e mais genérica e uma PREMISSA MENOR e mais específica, pode-se chegar a um resultado necessário que é a conclusão, chamada de SILOGISMO. Exemplo de raciocínio dedutivo: Premissa maior: o ser humano é mortal. Premissa menor: Pedro é um ser humano. Conclusão: Logo, Pedro é mortal. Cabe esclarecer, por fim, que muitas vezes o método dedutivo e o indutivo não se apresentam de forma muito clara, isto porque ambos estão fundamentados no processo Lição 06 / 9 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES observacional. Ressalta-se, no entanto, que, se por um lado, o método dedutivo pode nos levar à construção de novas teorias e novas leis, por outro, o método indutivo só nos possibilita chegar a generalizações empíricas de observações. Para que você possa compreender melhor, veja os seguintes exemplos: DEDUTIVO: Todo mamífero tem um coração. (PREMISSA MAIOR) O cão é um ser mamífero. (PREMISSA MENOR) Logo, todo cão tem um coração. (SILOGISMO) INDUTIVO: O ser humano Ricardo não é eterno. (PREMISSA 01) Lição 06 / 10 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES O ser humano Rafaela não é eterno. (PREMISSA 02) O ser humano Bruno não é eterno. (PREMISSA 03) Logo, o ser humano não é eterno. (SILOGISMO) 3.3.Método Hipotético-dedutivo Vamos nos ocupar agora de um método científico que possui características comuns aos dois anteriores: o método hipotético-dedutivo. Ele tem em comum com o método dedutivo o procedimento racional que transita do geral para o particular, e com o método indutivo, o procedimento experimental como sua condição fundante. Vamos ver como isso funciona? Tal método, proposto pelo filósofo austríaco Karl Popper, tem uma abordagem que busca a eliminação dos erros de uma hipótese. Faz isso a partir da ideia de testar a falsidade de uma proposição, ou seja, a partir de uma hipótese, estabelece-se que situação ou resultado experimental nega essa hipótese e tenta-se realizar experimentos para negá-la. Assim, a abordagem do método hipotético-dedutivo é a de buscar a verdade eliminando tudo o que é falso. Para Karl R. Popper, o método científico parte de um problema (P1), ao qual se oferecesse uma espécie de solução provisória, uma teoria-tentativa (TT), passando-se depois a criticar a solução, com vista à eliminação do erro (EE) e, tal como no caso da dialética, esse processo se renovaria a si mesmo, dando surgimento a novos problemas (P2). Posteriormente, diz o autor, “condensei o exposto no seguinte esquema: P1__________TT__________EE__________P2 (…) Eu gostaria de resumir este esquema, dizendo que a ciência começa e termina com problemas” (1977:140-1). Já tinha escrito em outro lugar: “eu tenho tentado desenvolver a tese de que o método científico consiste na escolha de problemas interessantes e na crítica de nossas permanentes tentativas experimentais e provisórias Lição 06 / 11 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES de solucioná-los” (1975: 14). O esquema apresentado por Popper anteriormente poderá ser expresso da seguinte maneira: Portanto, Popper defende estes momentos no processo investigatório: 1. Problema: formulação de uma ou mais hipóteses a partir das teorias existentes; 2. Solução: dedução de consequências na forma de proposições; 3. Testes de falseamento: tentativas de refutação, entre outros meios, pela observação e experimentação. Lição 06 / 12 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES Exemplo: Ao tentar ligar a televisão com o controle remoto, João notou que o aparelho não estava ligando. Inicialmente, ele testou ligar a TV diretamente e viu que ela estava funcionando; então, supôs que o problema fosse o controle. Pensou em duas possibilidades: ou as pilhas haviam descarregado ou então o controle estava quebrado. Como o controle nunca caiu no chão e nem foi molhado, resolveu testar a primeira hipótese: a de que as pilhas haviam descarregado. João inclusive pensou que, se as pilhas haviam descarregado, não fariam outro aparelho funcionar e pilhas novas poderiam fazer com que a televisão ligasse. Sendo assim, tirou as pilhas do controle da TV e as colocou no controle do rádio. O rádio não ligou. Além disso, testou pilhas novas tanto no controle da TV quanto no controle do rádio e agora, ambos os aparelhos ligaram. Logo, concluiu que realmente, o problema era que as pilhas haviam descarregado e foi assistir ao seu programa favorito. 3.4. Método Dialético O método dialético parte da premissa de que, na natureza, tudo se relaciona, se transforma e há sempre uma contradição inerente a cada fenômeno. Nesse tipo de método, para conhecer determinado fenômeno ou objeto, o pesquisador precisa estudá-lo em todos os seus aspectos, relações e conexões, sem tratar o conhecimento como algo rígido, já que tudo no mundo está sempre em constante mudança. Dialética é um método de DIÁLOGO cujo foco é a CONTRAPOSIÇÃO e CONTRADIÇÃO de ideias que levam a outras ideias e que tem sido um tema central na filosofia ocidental e oriental desde os tempos antigos. A tradução literal de dialética significa "caminho entre as ideias". A forma mais comum atualmente utilizada é a que foi apresentada por Johann Gottlieb Fichte, também adotada por Georg Wilhelm Friedrich Hegel, que consiste em abordar a questão a ser discutida na forma de TESE e ANTÍTESE, com objetivo de chegar-se à SÍNTESE, que seria uma terceira tese. Segundo estes autores, o objetivo da dialética não seria interpretar a realidade, mas refleti-la. De uma forma mais simples, o método dialético trabalha com a contradição, ou seja, eu, enquanto pesquisador, analiso o meu objeto de pesquisa. Depois de várias Lição 06 / 13 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES análises, chego a uma conclusão. A partir desta conclusão, começo a questionar minha própria conclusão, e isso gera uma antítese. E o trabalho de análise continua chegando a uma nova conclusão. Na Dialética, o pensamento passa necessariamente por uma afirmação ou TESE INICIAL, a construção de sua CONTRADIÇÃO, ou antítese dela, para se chegar a uma SÍNTESE.3.5. Método Fenomenológico Preconizado por Husserl, o método fenomenológico não é dedutivo nem indutivo. Preocupa-se com a descrição direta da experiência tal como ela é. A realidade é construída socialmente e entendida como o compreendido, o interpretado, o comunicado. Então, a realidade não é única: existem tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações. O sujeito/ator é reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento (GIL, 1999; TRIVIÑOS, 1992). Temas apropriados para este método são os referentes à experiência vivida pelos seres humanos, que se expressa em sentimentos, crenças, aspirações e temores. Na área administrativa, por exemplo, é possível utilizá-la para pesquisar satisfação no ambiente de trabalho, o pertencimento a uma organização, o exercício da liderança, o moral no trabalho e a qualidade de vida no trabalho. Na área de saúde, pode ser Lição 06 / 14 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES utilizada para investigar os fenômenos relacionados à vida, à doença, à dor, ao sofrimento, ao convívio com pessoas doentes, à perda de uma parte do corpo, ao medo da morte e à hospitalização. No campo psicológico, pode ser útil para estudar o convívio com a frustração, com a depressão, com a separação e com a sexualidade, Em educação, podem ser adequados para investigar o cotidiano dos alunos, o relacionamento professor-aluno, as aspirações acadêmicas, o medo do fracasso e da punição e a satisfação dos professores com a profissão. É um método muito usado nas ciências sociais para estudos de fenômenos, tais como população, pobreza, controle social, etc. Como se trata de coisas muito variáveis, pois elementos sociais estão sempre em mudança, o método fenomenológico se altera de acordo com os dados que vão surgindo ao longo da pesquisa. O êxito do método científico está no estabelecimento de uma "verdade provisória" útil, que será verdade até que um fato novo mostre outra realidade. A fenomenologia é o estudo da consciência e dos objetos da consciência. É o processo pelo qual tudo que é informado pelos sentidos é mudado em uma experiência de consciência, em um fenômeno que consiste em se estar consciente de algo. Coisas, imagens, fantasias, atos, relações, pensamentos, eventos, memórias, sentimentos, etc. constituem nossas experiências de consciência. A experiência fenomenológica e sua interpretação pode variar de pesquisador para pesquisador diante de uma mesma pergunta. A exemplo, poder-se-ia analisar: experiência de sentir-se perdido. Um pesquisador orientado pela perspectiva descritiva poderia perguntar: “Qual a experiência vivida da sensação de perda?”. Um pesquisador heurístico poderia preferir atender à sua própria experiência e perguntar: “Qual a minha experiência de sentir-se perdido?”. Um pesquisador animado pela perspectiva do lifeworld (mundo vivido) poderia perguntar: “Qual o mundo vivido de quem se sente perdido?” Um pesquisador vinculado à Análise Fenomenológica Interpretativa, com vistas a captar variações entre os co-pesquisadores, poderia perguntar: “Qual a experiência individual de sentir-se sozinho?”. Um pesquisador identificado com a abordagem crítico-narrativa, visando interrogar uma única pessoa, poderia perguntar: “Que história poderia ser contada acerca da sua experiência quanto a sentir-se perdido?”. Um pesquisador relacional, por fim, buscando intensificar a dinâmica do encontro com o pesquisado, poderia perguntar: “Como é sentir-se perdido?”. 3.6. Método Experimental O método experimental ou empírico é aquele fundado na experiência, que é um tipo de Lição 06 / 15 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES ensaio científico em que o objeto de pesquisa é submetido a um quadro totalmente controlado destinado à verificação de seus atributos. Pela aplicação desse método é possível pôr à prova determinado fenômeno, testando-o sob condições ideais, que são reproduzidas, por exemplo, em laboratório (mas não necessariamente). O emprego do método experimental pressupõe a eleição de certas hipóteses a serem verificadas durante a experiência. Assim, tais hipóteses poderão ser confirmadas ou prejudicadas pelos efeitos alcançados. Regras da experimentação Estender a experiência, intensificando a suposta causa para ver se proporcionalmente intensifica-se o suposto efeito. Variar a experiência, tentando relacionar a suposta causa com outros elementos para ver se o resultado varia ou não; Inverter a experiência – depois de feita a análise do fato, pela decomposição de seus elementos, recompô-lo para buscar a verificação da suposição. (BASTOS; KELLER, 1999, p. 86). 3.7. Método Estatístico Este método, desenvolvido por Quetelet, permite a transformação dos dados qualitativos em resultados quantitativos, através de representações que demonstram a constatação de relações entre os fenômenos, objetivando generalizações sobre sua natureza, ocorrência e significado. Fundamenta-se na aplicação da teoria estatística da probabilidade e constitui um importante auxílio para as investigações sociais. Suas conclusões, embora admitam certa margem de erro, apresentam grandes possibilidades de serem verdadeiras. A manipulação estatística permite comprovar as relações dos fenômenos entre si, e obter generalizações sobre sua natureza, ocorrência ou significado. Lição 06 / 16 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES EXEMPLOS Verificar a correlação entre nível de escolaridade e número de filhos; Pesquisar as classes sociais dos estudantes universitários e o tipo de lazer preferido pelos estudantes de 1o e 2o graus. Lição 06 / 17 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 3.8. Método Histórico Elaborado por Franz Boas, preocupa-se em estudar o passado das atuais formas de vida social, as instituições e os costumes para compreender o passado, entender o presente e predizer o futuro, verificando, não apenas a influência do fato e do fenômeno, como também sua formação, modificação e transformação durante determinado espaço Lição 06 / 18 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES de tempo. Consiste em investigar os acontecimentos, processos e instituições do passado para verificar sua influência na sociedade de hoje. EXEMPLOS Para compreender a noção atual de família e parentesco, pesquisam-se no passado os diferentes elementos constitutivos dos vários tipos de família e as fases de sua evolução social; Para descobrir as causas da decadência da aristocracia cafeeira, investigam-se os fatores socioeconômicos do passado. 3.9. Método Comparativo Este método procura identificar semelhanças e explicar diferenças entre grupos, pessoas, sociedades, culturas, sistemas e organizações políticas, padrões de comportamento familiar ou religioso etc. Seu objetivo é entender o comportamento humano, não só no presente, como também no passado. Ele se propõe a explicar o fenômeno por meio da análise completa de seus elementos. Lição 06 / 19 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES EXEMPLOS Modo de vida rural e urbano no Estado de São Paulo; Características sociais da colonização portuguesa e espanhola na América Latina; Classes sociais no Brasil, na época colonial e atualmente; Organização de empresas norte-americanas e japonesas; A educação entre os povos ágrafos e os tecnologicamente desenvolvidos. Sequência de fotos tiradas com câmera digital para o acompanhamento do escurecimento dos tecidos de maçã, banana e pera em diferentes condições: maçã, em tempos de 0, 2 e 4 h a 50 oC, banana, em tempos de 0, 4 e 8 h, a 50 oC e pera em tempos de o, 4 e 8 h 50 oC. Fonte: (LUPETTI, CARVALHO, MOURA & FATIBELLO, 2005). 3.10. Método Clínico Este método, aplicadoem estudos de caso, é útil no contexto da intervenção psicopedagógica. Pode ser utilizado tanto sob o aspecto qualitativo quanto o quantitativo, uma vez que pode incluir intenção, significados, valores, etc. O pesquisador pode valer-se das técnicas de entrevista, história de vida, observação, psicanálise e outras de relação pessoal, dentro Lição 06 / 20 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES desse método. O importante no método clínico é deixar o pesquisador falar livremente e descobrir as tendências espontâneas do mesmo. Segundo Triviños (1987), a “flexibilidade do método clínico depende precisamente da capacidade do pesquisador nessas duas condições fundamentais: apoio teórico e domínio do contexto”. O pesquisador deve saber o que procura, fazendo perguntas adequadas, certas, evitando ambiguidade e não deixando nada sem esclarecimentos. EXEMPLOS Análise de pacientes; estudantes etc. 3.11. Método Observacional Trata-se de um dos métodos mais utilizados nas ciências sociais. De um lado, pode ser considerado o mais primitivo e, portanto, o mais impreciso dos métodos, mas, por outro lado, pode ser tido como um dos mais modernos, uma vez que permite o mais elevado grau de precisão nas ciências sociais. Lição 06 / 21 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES Difere do método experimental em um aspecto: nos experimentos, existe a interferência do pesquisador, enquanto o observacional, o cientista apenas observa algo que acontece ou já aconteceu. Lição 06 / 22 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 4. Conclusão O método científico é um conjunto de regras básicas para desenvolver uma experiência a fim de produzir conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes. É baseado na junção de evidências observáveis, empíricas, e mensuráveis, com o uso do raciocínio lógico. Primeiramente propõem-se hipóteses para explicar certos fenômenos. As hipóteses são usadas para prever novos fenômenos. Então, desenvolvem-se experimentos que testam essas previsões. Então, teorias são formadas juntando-se hipóteses de certa área, em uma estrutura coerente de conhecimento. Isto ajuda na formulação de novas hipóteses, bem como coloca as hipóteses em um conjunto de conhecimento maior. Lição 06 / 23 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 5. Notas complementares 1. Racional constituído por conceitos, tendo como ponto de partida e ponto de chegada apenas ideias (hipóteses), não os fatos. 2. Metódico segue etapas, normas e técnicas, cuja aplicação obedece a um método preestabelecido. 3. Sistemático constitui-se de um sistema de ideias interligadas logicamente que se apresentam como um conjunto de princípios fundamentais, adequados a uma classe de fatos, que compõem uma teoria. 4. Verificação o conhecimento é válido, quando passa pela prova da experiência ou, da demonstração. Lição 06 / 24 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 6.Referências CERVO, A.L.; BREVIAN, P.A; DA SILVA, R. Metodologia científica. São Paulo: McGraw-Hill, 2007 e edições anteriores. GALLIANO, A. Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: Harbra, 1986. LAKATOS, E.M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2010 e edições anteriores. MEZZAROBA, O.; MONTEIRO, C. S. Manual de metodologia da pesquisa no direito. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 21 ed. São Paulo: Cortez, 2000. TRUJILLO FERRARI, A. Metodologia da ciência. 2.ed. Rio de Janeiro: Kennedy, 1974.