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ACORDÃO

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BREVE RELATO DO JULGAMENTO CONJUNTO RE E ARE REALIZADO PELO STF
O Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria de votos, decidiu, no julgamento conjunto do Recurso Extraordinário (RE) 636331 e do RE com Agravo (ARE) 766618, que os conflitos que envolvem extravios de bagagem e prazos prescricionais ligados à relação de consumo em transporte aéreo internacional de passageiros devem ser resolvidos pelas regras estabelecidas pelas convenções internacionais sobre a matéria, ratificadas pelo Brasil.
O respaldo jurídico predominante foi de que a Constituição Federal em seu artigo 178 relata que, as normas e tratados internacionais limitadoras da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros, especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em relação ao Código de Defesa do Consumidor.
O RE 636331, de relatoria do ministro Gilmar Mendes, foi ajuizado no Supremo pela Air France contra acórdão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que, levando em conta a existência de relação de consumo entre as partes, determinou que a reparação pelo extravio de bagagem deveria ocorrer nos termos do CDC, e não segundo a Convenção de Varsóvia.
Já o ARE 766618, relatado pelo ministro Luís Roberto Barroso, foi interposto pela empresa Air Canadá contra acórdão da justiça paulista, que aplicou o CDC e manteve a condenação da empresa ao pagamento de R$ 6 mil a título de indenização por danos morais a uma passageira, por atraso de 12 horas em voo internacional. A empresa pedia a reforma da decisão, alegando que o prazo de prescrição de ação de responsabilidade civil decorrente de atraso de voo internacional deveria seguir os parâmetros da Convenção de Montreal, sucessora da Convenção de Varsóvia, que é de dois anos, e não do CDC, cuja prescrição é quinquenal.
O julgamento foi concluído na sessão desta quinta-feira (25), após o voto-vista da ministra Rosa Weber, que acompanhou os relatores pela prevalência, nos dois casos, das Convenções de Varsóvia e de Montreal sobre o Código de Defesa do Consumidor, com base, principalmente, no que preceitua o artigo 178 da Constituição Federal. A redação atual do dispositivo, dada pela Emenda Constitucional 7/1995, diz que “a lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade”.
ENTENDIMENTO DO GRUPO EM RELAÇÃO AO CASO
A respeito dos Recursos RE 636.331 e ARE 766618. O primeiro, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, declarou que, por se tratar de uma relação de consumo específica, as convenções internacionais ratificadas pelo Brasil, tem status de norma especial, e prevalece sobre a norma geral do Código de Defesa do Consumidor.
Já no segundo recurso, o Ministro Roberto Barroso considerou que deve ser observada a norma do artigo 178 do Constituição Federal que dispõe sobre o imperativo de observância aos acordos internacionais firmados pela União.
Nota-se no caso em tela que ambos os recursos tem como objeto, serviços de transporte aéreo internacional, e se no caso, por se tratar de uma relação de consumo, deveria ser aplicado os tratados internacionais (no qual o Brasil é signatário) ou código de defesa do consumidor.
O entendimento geral do grupo é de que, deveria ser aplicado o Código de Defesa do Consumidor, pois é indiscutível e nítida a relação de consumo existente entre a companhia aérea internacional e os passageiros, portanto, não pode ser afastada a relação contratual e as normas de proteção internas, em especial o CDC, por estar eminente prejuízo ao consumidor, devendo então prevalecer a norma consumerista.
A utilização desses tratados internacionais como, por exemplo, o Pacto de Varsóvia impedem que a indenização por danos morais atenda aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. O objetivo da quantia estipulada é impedir que o causador do dano promova atos da mesma natureza perante outros consumidores, além de promover a efetiva compensação do prejuízo suportado. Salienta-se também que o prazo prescricional estipulado pelo tratado internacional, em especial o de Varsóvia, é prejudicial ao consumidor, sendo de dois anos, diferentemente do CDC, cuja prescrição é quinquenal. 
Portando, conclui-se que os tratados são mais benéficos para as empresas, já que o Código de Defesa do Consumidor não prevê limite para indenização, ou seja, não se pode interpretar os tratados internacionais como normas protetivas das empresas e cerceadoras de direitos do cidadão consumidor, sob pena de estar violando o art. 5o. da CF.

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