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Classicamente a dor 
se inicia após 20-30 minutos do início do exercício e cessa após 15-30 minutos 
do repouso. O tratamento na maioria dos casos é cirúrgico, pois a única alterna-
tiva seria a cessação na realização das atividades físicas causadoras. Realiza-se 
fasciotomia isolada do compartimento acometido, existindo para isso diversas 
técnicas possíveis. Mais de 80% dos casos de síndrome compartimentai crônica 
da perna são bilaterais. 
Referência: Maffulli N, et ai. Management of acute and chronic ankle instability. J Am Acad 
Orthop Surg. 2008, 16, p.608-15. 
696. Resposta correta: d. 
Lesões ligamentares laterais do tornozelo são muito mais comuns que as 
lesões sindesmóticas e mediais, representando 85% dos casos. O ligamento fibu-
localcâneo é o 2° mais lesado do complexo lateral, sendo que a lesão ocorre em 
50-75% dos casos dos entorses laterais. O fibulotalar anterior está lesado em 
quase todos os casos e o fibulotalar posterior em apenas 10% dos casos. Testa-se 
o ligamento fibulotalar anterior na manobra de gaveta anterior, com tornozelo 
neutro, e o fibulocalcâneo com o estresse em varo, com tornozelo em dorsiflexão. 
Lesões ligamentares do tornozelo são classificadas em três graus de intensidade, 
sendo o grau 3 o mais intenso (lesão completa do fibulotalar anterior, fibulocal-
câneo e lesão adicional da cápsula articular e parcial, ou total, do fibulotalar 
posterior). Mesmo nesses casos o tratamento se dá com período de imobilização 
seguido de recuperação fisioterápica funcional intensa, ficando o tratamento ci-
rúrgico como resgate no caso de falha no tratamento conservador. 
Referência: Maffulli N, et ai. Management of acute and chronic ankle instability. J Am Acad 
Orthop Surg. 2008, 16, p.608- 15. 
Respostas comentadas - Seção 11 - Tornozelo e pé 385 
697. Resposta correta: b. 
A frequência de casos de artropatia de Charcot realmente vem aumentando, 
mas continua sendo patologia rara que ocorre em O, 1-1 ,2% dos pacientes diabéticos. 
A artropatia de Charcot costuma ocorrer mais cedo nos pacientes com DM tipo l, 
geralmente na 5ª década, após 20-24 anos, em média, de doença. Nos pacientes 
DM tipo 2, alterações ocorrem geralmente na 6ª década, porém, com menor tem-
po de doença (5-9 anos). Mesmo com diagnóstico de base de neuropatia e dimi-
nuição ou ausência da sensibilidade na extremidade, aproximadamente 50% dos 
casos de artropatia de Charcot estão associados com queixas álgicas. O local mais 
comum de ocorrência é a articulação de Lisfranc (tarsometatarsal), onde ocorrem 
60% dos casos. O 2° local mais comum é a articulação de Chopard (10% dos casos). 
Referência: van der Ven A, et al. Charcot neuroarthropathy of the foot and ankle. J Am Acad 
Orthop Surg. 2009, 17, p.562-71. 
698. Resposta correta: a. 
Oitenta e nove por cento dos pacientes reumatoides apresentam artrites e 
deformidades sintomáticas dos pés e tornozelos. A deformidade clássica do retro-
pé reumatoide é o valgo da subtalar, com colapso do arco medial do pé, podendo 
ou não haver tendinopatia associada do tendão tibial posterior. A deformidade 
isolada em martelo dos dedos é rara no reumatoide, pois nessa deformidade a al-
teração se dá principalmente na articulação intefalangeana proximal, com flexão 
desta, poupando inicialmente a articulação metatarsofalangeana. Nos reumatoides, 
a artrite metatarsofalangeana é muito comum, geralmente com deformidade inicial 
em extensão da metatarsofalangeana e secundariamente por desbalanço da mus-
culatura intrínseca e extrínseca, flexão das interfalangeanas e luxação progressiva 
da metatarsofalangeana. Dessa forma, a deformidade em garra clássica é mais co-
mum que o martelo. O local mais comum de acometimento pela doença é o ante-
pé, principalmente as metatarsofalangeanas, seguido por alterações do retropé e só 
então do mediopé. 
Referência: Canale ST, Beaty JH. Campbell's operative orthopaedics. 11. ed. Mosby, 2008. 
699. Resposta correta: d. 
A polidactilia nos membros inferiores é mais comum em negros ( 4x), po-
rém, não há predileção por sexo. Cinquenta por cento dos casos são bilaterais. A 
patologia pode estar associada a síndromes genéticas, porém, na grande maioria 
dos casos, consiste em alteração congênita isolada. As polidactilias pós-axiais (5° 
dedo) são as mais comuns (79%), seguidas pelas pré-axiais (hálux) (13%) e, só 
então, as centrais (6%). 
Referência: Morrissy RT, Weinstein SL. Lovell's and Winter's pediatric orthopaedics. 6. ed. Phila-
delphia: Lippincott Williams & W ilkins, 2005. 
386 1.000 Perguntas e Respostas Comentadas em Ortopedia e Traumatologia 
700. Resposta correta: e. 
A classificação de Wagner varia de 0-6 de acordo com a profundidade da 
ulceração, grau de necrose dos tecidos e presença ou não de infecção. O tipo O 
de Wagner representa o pé insensível sob risco, com deformidade anatômica 
presente. O tipo 1 representa a presença de ulceração localizada superficial. A 
classificação de Brodsky varia de 0-3 e considera os mesmos parâmetros utiliza-
dos na classificação de Wagner. O tipo 3 representaria o mais grave, com expo-
sição óssea ou articular e osteomielite associada. Não existe um tipo 4. Existem 
alguns critérios clínicos consideráveis para bom prognóstico quanto ao fecha-
mento de ulcerações e feridas operatórias nos pés diabéticos. São bons preditores: 
índice tornozelo-braquial > 0,6, pressão absoluta do tornozelo ;:,: 70 mmHg e 
pressão absoluta no hálux ;:,: 40 mmHg. A aferição da pressão absoluta no hálux 
seria a maneira mais sensível de se diagnosticar arteriopatia periférica no pé 
diabético. 
Referência: Canale ST. C irurgia ortopédica de Campbell, 10.ed. Barueri: Manole, 2006. 
701. Resposta correta: a. 
A aferição do ângulo intermetatarsal entre 4° e 5° metatarsos parece ser a 
principal alteração radiográfica associada com o desenvolvimento da deformi-
dade em bunionete. O valor normal médio nos pés normais é de 6,4º. Considera-
se alterado quando > 8º. O grau de angulação distal do 5° metatarso e o ângulo 
metatarsofalangeano do 5° dedo também são parâmetros radiográficos avaliados. 
A classificação de Coughlin para deformidade em bunionete divide-se em três 
tipos, sendo o tipo 1 o alargamento da cabeça do 5° metatarso ou presença de 
exostose lateral; o tipo 2 representa a presença do desvio lateral distal do 5° me-
tatarso; e o tipo 3 representa o ângulo intermetatarsal 4°-5° aumentado. Apre-
sença de osteoartrose na articulação metatarsofalangeana não entra na classifi-
cação. A associação da deformidade em bunionete com pé plano valgo é muito 
comum e ocorre em 2/3 dos casos. 
Referência: Cohen BE, et ai. Bunionette deformity. J Am Acad Orthop Surg. 2007, 15, 300-07. 
702. Resposta correta: d. 
Lesões sindesmóticas completas e agudas sem lesão associada do ligamen-
to deltoide não levam à instabilidade do tornozelo. As lesões isoladas ocorrem, 
porém, são raras. São muitas vezes diagnosticadas como "entorses do tornozelo". 
Lesões da sindesmose na maioria dos casos estão associadas a fraturas maleolares. 
O mecanismo clássico para lesão da sindesmose é a rotação externa do pé. O 
parâmetro mais sensível para avaliação radiográfica da sindesmose é o espaço 
Respostas comentadas - Seção 11 - Tornozelo e pé 387 
claro tibiofibular que deve medir < 6 mm tanto no AP quanto no mortise do 
tornozelo. A maneira correta de se aferir o espaço claro tibiofibular e o overlap 
tibiofibular é 1 cm proximalmente à linha articular da tíbia distal. 
Referência: Zalavras C, et ai. Ankle syndesmotic injury. J Am Acad Orthop Surg. 2007, 15, 
p.330-9. 
703. Resposta correta: d. 
Osteonecroses do tálus podem ser traumáticas e idiopáticas. A traumática 
é a causa mais comum, em geral sucedendo fraturas do colo e corpo do tálus, 
principalmente as desviadas e cominutas, podendo também ocorrer após luxações 
peritalares. Osteonecrose idiopática do navicular