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AGRESSÃO E DEFESA – Resumo 2ºBim/2ºP Raíssa Giacomin AULA 1: Introdução à Microbiologia Clínica Desenvolvimento de técnicas Alemães - conceito de meio de cultura: colônias em batatas - isolamento Placa de Petri: para meio de cultura Coleta Coleta correta, meio de cultura correto, bactéria correta; Realizada do local real da infecção ex: abscesso; Obtenção de uma quantidade suficiente de amostra; Utilização de dispositivos apropriados para a coleta do material; Obtenção de cultura antes da administração de antibióticos; Identificação do material. Swab: Amostras rejeitadas Amostra recebida em formalina; (mata a bactéria) Coleta de escarro de 24 horas; Único swab para vários fins; (contaminação) Recipiente impróprio, contaminado ou com vazamento; Placas de cultura com crescimento excessivo ou secas. (ex: muito tempo na geladeira) Fase Analítica Seleção de meios de cultura primários; (cada bactéria tem um determinado meio de cultura seletivo para crescimento mais rápido) Interpretação das culturas e análise dos resultados. Meios de Cultura Destinados para a reprodução, isolamento e análise dos microrganismos de interesse médico. Meio de cultura não seletivos: Crescimento: Ágar chocolate: meio nutritivo maioria bactérias, é adicionado sangue de cavalo, carneiro ou coelho em temperatura alta, o que faz com que as hemácias lisem, liberando hematina. Crescimento de microrganismos exigentes Haemophilus spp., Neisseria spp., Branhamella catarrhalis e Moraxella spp. Ágar sangue: meio não seletivo, crescimento de bactérias gram – e + Ágar Cled (Ágar cystine lactose eletrolyte deficiente): meio que permite o crescimento de gram+ e gram-. Urocultura. Ágar Mueller-Hinton: é um meio de cultura microbiológico que é frequentemente usado para testes de susceptibilidade antimicrobiana - Antibiograma. Teague: Utilizado na urocultura, crescimento de gram -. Hemólise: Processamento: culturas quantitativas Caldos Feito em tubo de ensaio, o que permite melhor transporte. Caldo tetrationato: Meio de enriquecimento para uso com Salmonella spp.- Cosposto por sais de bile impede o crescimento de bactérias Gram-positivas e o iodo proporciona o impedimento de crescimento de espécies fecais. Caldo selenito: Diferenciar e identificar vários tipos de bactérias especialmente a família Enterobacteriaceae. Inibem coliformes e outras espécies da flora intestinal como estreptococos. Caldo nitrato Caldo malonato: Usado para a diferenciação de bactérias gram-negativas com base na habilidade de utilizar malonato e produzir ácido pirúvico. Caldo triptona e SIM: Metabolizar o triptofano em indol. Diferenciar gêneros e espécies de enterobactérias, não fermentadores, Haemophilus e anaeróbios. Caldo BHI: Caldo infusão de cérebro e coração e um meio altamente nutritivo empregado para a propagação de cocos. Meios de cultura para transporte e conservação Ágar Nutriente Salina tamponada Clary Blair Meio Stuart Água peptonada Avaliação das colônias Odores: tênis sujo (citrobacter spp.), pútrido (Clostridium difficile), pêlo molhado (Haemophillus spp), chocolate queimado (Proteus spp); Mudanças de cor no meio: indicadores de pH. Uso de corantes biológicos Coloração de Gram Coloração ácido resistente Coloração fluorescente (UV) – fluorocromos (ag/ac) Laranja de acridina Azul de Toluidina – biópsia de pulmão e secreções respiratórias Técnica de Gram Identificação das características bacterianas referente ‘a coloração da parede celular e sua diferenciação em bactérias Gram positivas e Gram negativas; Verificação da forma, arranjo e tamanho das bactérias. Recebimento das amostras Amostras recebidas em Swab Rolar delicadamente o swab sobre a superfície de uma lâmina limpa; Se o swab estiver seco, colocar um pequeno volume de solução fisiológica estéril, agitar vigorosamente, comprimindo-o contra a parede do tubo e utilizar essa suspensão para o preparo do esfregaço; Deixar secar ao ar e fixar ao calor; Corar pelo método de Gram. Resultado: Bactéria Gram positiva – roxo escuro; Bactéria Gram negativa – avermelhadas (rosada). Princípio da técnica: O cristal violeta cora tanto a parede celular das bactérias Gram + quanto Gram -; O lugol tem ação de fixador, sendo absorvido por ambas, formando assim o complexo cristal violeta-iodo (CV-I) corando a bactéria de roxo; O álcool acetona funciona como um solvente atuando na porção lipídica da parede celular das bactérias Gram -, resultando numa porosidade e permeabilidade aumentada, extraindo desta forma o complexo CV-I, descorando as células; O álcool acetona, desidratando a espessa camada de peptideoglicano das bactérias Gram +, provoca a contração dos poros, retendo desta forma o CV-I, mantendo as células coradas; A última etapa do processo é tratamento com o corante fucsina que cora a parede celular das Gram -, tornando-as avermelhadas ou rosa. Morfologia e estrutura da célula bacteriana Estrutura celular Membrana Citoplasmática Proteínas (60%) imersas numa bicamada fosfolipídica (40%) Funções: Transporte de solutos - Difusão facilitada - Transporte ativo - Translocação de grupo Produção de Energia - Transporte de Elétrons - Fosforilação oxidativa Biossíntese de Macromoléculas - Lipídios de Membrana - Peptidoglicano - Ácido teicóico e Ácido Lipoteicóico - Polissacarídeos extracelulares (LPS) - Duplicação do DNA Excreção de Enzimas hidrolíticas Quimiotaxia Parede celular Bactérias gram-positivas diferente de gram-negativas. Os peptideoglicanos são a principal diferença. Além de uma camada a mais (de lipossacarídeos) nas gram negativas. Peptideoglicano: É um polímero que alterna resíduos de N acetil glucosamina e N acetil murâmico. No resíduo murâmico ocorre junção de 5 aminoácidos, formando um composto pentapeptídeo. Peptídeos se ligam ao resíduo murâmico (D-alanina da pos. 4 de um peptídeo com resíduo dibásico pos. 3 do outro), formando as pontes peptídicas que une as camadas de peptidoglicano. Funções: Manutenção da forma celular; Suportar a elevada pressão osmótica; Auxiliar na divisão celular. Estrutura: Gram- positivas: 15-50% de Mureina Gram-negativas: aprox. 5% de Mureina Bactérias Gram-positivas: Parede composta de até 90% peptoglicano Pode chegar a 50% do peso da bactéria Contém Ácidos teicóicos e Ácidos Lipoteicóicos que servem como fator de virulência Propriedades Facilitar a entrada e saída de cátions Regular atividade de autolisinas Sítios receptores de bacteriófagos Adesinas ao epitélio do hospedeiro São antígenos celulares – permitem a identificação sorológica Bactérias Gram-negativas: Membrana externa + peptideoglicano Composta de uma ou poucas camadas de peptoglicano, espaço periplasmático e uma membrana externa que contem LPS (lipopolissacarídeo). Cromossomo: molécula circular de DNA (contém todas as informações necessárias à sobrevivência da célula e é capaz de auto replicação); Plasmídio: moléculas menores de DNA (não codificam características essenciais); Ribossomos Grânulos de reserva: glicogênio; Membrana citoplasmática: fosfoliídeos e proteínas; Parede: divide em gram-positivo e gram-negativo; Espaço periplásmico: entre a membrana externa e citoplasmática (apenas em gram -); Lipopolissacarídeo; Cápsulas: relacionada com a virulência da bactéria (confere resistência a fagocitose); Flagelos: estruturas protéicas, confere motilidade; Classificado de acordo com localização na célula; Pili ou Fímbrias: capacidade de adesão de bactérias gram negativas (E.Coli). Fímbria sexual: para transferência de material genético; Funções: Pili Sexual Sítios Aceptores de Vírus Adesão à células receptoras de mamíferos Esporos: nutrientes bacterianos se tornam escassos. Sua capa camada rígida de proteína semelhantea queratina, rica em ligações S-S. Quando a bactéria está morrendo ela libera esporos no meio ambiente que são resistentes para a sobrevivência da espécie. Vírus Entidades infecciosas não celulares cujo genoma pode ser DNA ou RNA. Replicam-se somente em células vivas, utilizando toda a maquinaria de biossíntese e de produção de energia da célula para síntese e transferência de cópias de seu próprio genoma para outras células. Causadores de doenças em humanos, animais ou plantas. Em humanos são responsáveis por uma série de infecções benignas, como gripes e verrugas, assim como podem ser causa de doenças graves, como poliomielite, câncer e AIDS. Composição: Ácido nucléico, DNA ou RNA, envolvido por uma capa proteica, denominada capsídeo ou cápside e, em alguns casos, de uma membrana lipoprotéica, denominada “envelope” ou “envoltório”; São parasitas intracelulares obrigatórios. DNA e RNA: DNA ou RNA são portadores das informações genéticas para sua propagação. Vírus de DNA, similar às células, podem empregar diretamente a maquinaria celular para transcrição de seus genes, sua replicação e reparo do seu DNA. Vírus de RNA sintetizam enzimas próprias para serem processados, RNA transcriptases e replicases. Capsídeo – Envelope viral: Capsídeo: o genoma do vírus é protegido por uma capa proteica. Proteínas codificadas pelo genoma viral; Proteção e rigidez; Simetria: Icosaédrica (hexagonal) Helicoidal Complexa (apresenta 3 partes) Icosaédrica: O capsídeo está organizado como um polígono retangular; Nas vértices dos triângulos são encontrados os capsômeros; Assemelham-se a cristais. Ex: Adenovírus, os Picornavírus, os Rinovírus. Helicoidal: O ácido nucleico é circundado por um capsídeo cilíndrico como uma estrutura de hélice. Ex: Influenza e o vírus do Mosaico do Tabaco. Complexa: Apresentam uma organização morfológica mais complexa, pois podem apresentar duas cadeias peptídicas na constituição do capsídeo; Sua forma resulta da suborganização de cada um dos componentes da partícula viral. Ex: Poxvírus. Envelope viral: Alguns vírus apresenta o “envelope”, que é uma estrutura complexa formada por uma bicamada lipídica com proteínas Lisozima: (alguns vírus) Enzima que perfura parede celular para a penetração do genoma viral. Penetração do Vírus no Hospedeiro: Pele: através de picada de artrópodes, agulhas, mordedura de animais (raiva, hepatite Trato Respiratório (influenza) Trato Gartrointestinal (rotavírus, astrovírus) Trato Geniturinário (herpes, HIV, papilomavírus) Características gerais: Sem metabolismo próprio. Parasitas intracelulares obrigatórios. Não se desenvolvem em ambientes extracelulares. Tipo de material genético (DNA ou RNA) Tamanho e Forma Natureza do envoltório (com ou sem envelope) Genoma muito simples Estrutura básica dos vírus: Vírion = partícula viral completa e infecciosa Taxonomia: Classificados de acordo com as características físicas, químicas e biológicas; Sistema é estabelecido pelo Comitê Internacional de Taxonomia dos Vírus (CITV); Nome da família termina em viridae Ex. Picornaviridae (vírus pequenos) subfamílias virinae Os vírus podem ser classificados em 6 classes. Ciclo reprodutivo: Vírus uma vez dentro da célula possuem genes capazes de controlar os sistemas de produção de energia e síntese de proteínas da célula hospedeira Ácidos nucléicos DNA ou RNA nunca ambos Quantidade de ácidos nucléicos varia em diferentes tipos de vírus vai de 3-4 genes até centenas Estrutura do DNA fita dupla ou única linear ou circular Reprodução ou replicação intracelular 2 tipos de ciclos reprodutivos: ciclo lítico ciclo lisogênico Os 2 ciclos iniciam-se aderindo à superfície da célula bacteriana (fibras protéicas da cauda) esta contrai-se impelindo a parte central para dentro da célula (semelhante microsseringa) DNA é injetado Ciclo lítico de um bacteriófago: O vírus invade a bactéria, injeta seu DNA. O DNA se divide e começa a fazer as partes separadas do vírus. Depois essas partes se juntam, formando o vírus outra vez e libera, com ajuda das lisozimas, para infectar outras células. Ciclo lisogênico: O DNA viral se acopla ao DNA bacteriano, quando essa bactéria se divide ela leva o DNA do vírus. Pode ser que esse ciclo torne-se um ciclo lítico. Diagnóstico laboratorial: Sorologia: testes rápidos Elisa Imunofluorescência Cultura Diagnóstico Molecular: RT-PCR Micologia, o estudo dos fungos São seres uni ou pluricelulares, eucariontes. Aeróbios ou anaeróbios, dependendo das condições A parede celular não tem peptideoglicano, fato que a difere das bactérias (parede celular de quitina, membrana plasmática possui zimosterol e ergosterol, não colesterol, como nas células animais) Leveduras x filamentosos x dimórficos Leveduras: assexuada, brotamento; Hifas e esporos são características clássicas dos filamentosos; reprodução assexuada ou sexuada; Fungos e plantas: 1969 - Reino a parte. Fungos não sintetizam clorofila, não tem celulose, não armazenam amido como substância de reserva, substância quitinosas, não tem capacidade de armazenar glicogênio. Estrutura: Leveduriformes: colônias pastosas ou cremosas, formadas por microorganismos unicelulares. Filamentosas: colônias algodonadas, aveludadas, constituidos por elementos multicelulares em forma de tubos- as hifas (micélio). Reprodução: Assexuada: fragmentação, brotamento, produção de conídios. Sexuada Metabolismo: microrganismos heterotróficos, aeróbicos obrigatórios. (alguns são aeróbicos facultativos) Classificação: Tecidos e órgãos afetados Micoses Superficiais: camada mais superficial de pele e epitélio. Pitiríase Versicolor: M.furfur (pano branco) Tinha Negra: palma das mãos e planta dos pés Piedras: pelos do corpo. Micoses cutâneas ou dermatomicoses: pele, pelos e unhas em maior extensão Micoses subcutâneas: pele e tecidos subcutâneos Dermatomicoses por dematófitos. Dermatomicoses por leveduras (candida). Esporotricose Cromoblastomicose Micetoma Lobomicose Micoses sistêmicas ou profundas: órgãos internos e vísceras. Paracoccidioidomicose Coccidioidomicose Blastomicose Histoplamose Criptococose Diagnóstico: Exame direto: material tratado com KOH 10 a 20%, clareamento mais tinta parker, observa-se as formas dos fungos. (o melhor) Imunofluorescência: cortes de tecidos e secreções. Biópsia e Cultura OBS.: A parede celular não tem peptideoglicano, fato que a difere das bactérias. Parede celular de quitina, membrana plasmática possui zimosterol e ergosterol, não colesterol, como nas células animais. AULA 2: Células do sangue: Série branca Kerolaine Schaefer • O hemograma é um exame muito comum e importante. É o mais realizado no mundo. • Leucograma é a parte do hemograma que analisa quantitativamente e qualitativamente os leucócitos. •Horário da coleta, jejum, exercícios físicos recentes, fumo, obesidade e medicamentos alteram os valores do leucograma. • O que vamos visualizar na corrente sanguínea são apenas células maduras, derivadas de células imaturas que estão na medula óssea e a única célula jovem que será encontrada no sangue periférico é o precursor do neutrófilo. Encontramos: Basófilos, neutrófilos, eosinófilos, monócitos, plaquetas, eritrócitos e linfócitos. •Vale lembrar que as duas únicas células mononucleadas do sangue periférico são o monócito e o linfócito. São muito semelhantes no formato, porém todas as células de “cá” são derivadas de linhagem mieloide e a única célula que temos derivada do sistema linfoide é então o linfócito. Apesar de linfócitos e monócitos terem características semelhantes, são derivados de linhagens diferentes. Isso fará toda diferença naresposta imune. • Os VALORES DE REFERÊNCIA vão variar de um laboratório para o outro, de um país/estado para outro, ou pelo menos deveria variar, por ser um “estudo’ da população daquela região. Porém, no BRASIL não existe uma diferença muito grande, então utilizamos valores já trabalhados, que são muito semelhantes, com variação muito pequena e esses valores são usados como rotina. • Nós teremos grandes diferenças se tratando de séries vermelhas. Se eu moro em uma região mais alta, com disponibilidade de oxigênio menor, ou em uma região mais baixa, com disponibilidade maior. Série branca não tem essa diferença. Então, estando numa região mais alta ou não, não apresentará diferença significativa de valores. • Os valores de referência de leucócitos totais no sangue periférico gira em torno de 4.500 – 11000. Vamos encontrar em torno de 4000-10000, isso não é diferença significativa. Só “terei” uma leucopenia abaixo de 2000/2500. Valores acima de 10000/11000 só serão considerados “problema” dependendo da alteração das células. Além do mais, temos leucocitoses fisiológicas durante a gravidez. (obs.: podemos considerar valores acima de 11000 como discreta leucocitose, só que dependerá também do número de neutrófilos e bastões) • O que importa na interpretação de um hemograma são os valores absolutos. • Resposta imune: Eu tenho a resposta inflamatória e nessa resposta terei elevação das proteínas de fase aguda, da PCR (proteína C reativa! Não confundir com técnica de PCR!) que é uma proteína sintetizada pelo fígado quando se tem processo inflamatório em andamento. PCR aumentará muuuito mais em respostas à agentes bacterianos do que à agentes virais. Em respostas a vírus PCR será negativo ou positivo muito baixo. --- resposta inespecífica/natural e fagocitose. • Resposta celular Específica: produção de linfocinas Linfócitos T: infecções por vírus e fungos (intracelulares) • Resposta humoral Específica: produção de anticorpos Linfócitos B: infecções por organismos extracelulares • Vale lembrar que os órgãos linfoides primários (timo e medula) são incapazes de resposta imune a antígenos. Então, não vão formar células ativas na resposta imune inicial. Terei então a resposta imune mediada por órgãos linfoides secundários. • Linfócito T na série branca posso considerar, então, um aumento relativo ou aumento absoluto. Aumento absoluto é o aumento real no número de células. Aumento relativo é a redução do número de um tipo celular, resultando em aumento aparente do número das demais células. • Temos que considerar os valores absolutos e não os relativos. • Na série vermelha as mudanças nesses valores podem demorar meses, na branca pode ser de minutos ou horas. •A avaliação absoluta (valor absoluto) é mais importante que o valor relativo (%) sob o ponto de vista clínico. Mas em alguns casos o valor relativo é útil para o diagnóstico de desvio à esquerda (células jovens como mieloblasto, promielócito, metamielócito e mielócito). • Série branca. Variações em minutos ou horas: Hormônios corticosteroides linfócitos e eosinófilos desaparecem da circulação em 4 a 8 horas. Epinefrina granulocitose em minutos (ex.: se eu tomo um susto, níveis de epinefrina aumentam e tenho uma granulocitose) Exame de série branca é como o de glicose, “serve” para aquele momento. Ex. agora está um nível, se sofre crise de apendicite e vai analisar no hospital, está outro nível. Circulação central (+rápida) e circulação marginal (+lenta). No exame é considerada a circulação central, pois a marginal é mais lenta, tem mais plaquetas... Algumas vezes o hemograma não diz nada, pois numa criança, por exemplo, que se movimente e chore muito durante a punção, a circulação periférica pode se “movimentar” • Lembrando: Infecção é a resposta a agressão por agente BIOLÓGICO e inflamação é a resposta a QUALQUER agente agressor. Funções da inflamação: Destruir o agente, limitar os efeitos e reparar o tecido lesado. • Primeira fase da inflamação: rubor, calor, tumor e dor. • Segunda fase da inflamação: migração de fagócitos e fagocitose • Terceira fase da inflamação: Reparo tecidual (estágio final da inflamação) • Tecidos e órgãos: Medula óssea tec. Linfoide, tec. Mieloide e sistema retículo endotelial • Células da medula: Granulopoese: granulócitos segmentados, eosinófilos (contêm histaminases) e basófilos (contêm histamina) (segmentados não voltam à circulação /// eosinófilos retornam à circulação e à medula óssea) Linfopoese: série dos agranulócitos (linfócitos- semanas a meses) Eritropoese: formação de células vermelhas (2milhões de hemácias por segundo --- 120dias) Trombopoese: formação de plaquetas (plaquetas---10dias) • RESPOSTA IMUNE: - Bactérias Extracelulares: >Imunidade natural: -Medula óssea (neutrófilos e macrófagos) -Fagocitose, ativação de complemento, resposta inflamatória. >Imunidade adquirida: Imunidade humoral - Bactérias Intracelulares: >Imunidade natural: -Medula óssea (neutrófilos e macrófagos) -Fagocitose e células natural killer >Imunidade adquirida: Imunidade celular (TCD4+ e TCD8+) - Fungos - imunodeficiência *Na maioria das vezes, as respostas a fungos estão envolvidas com a imunodeficiência. Respostas sistêmicas a fungos, geralmente envolvem casos de imunodeficiência. *Fungos “oportunistas” que na imunodeficiência causarão transtornos *A resposta a fungo “normal” não vemos no hemograma! >Imunidade natural: Medula óssea (neutrófilos e macrófagos) >Imunidade adquirida: Imunidade celular (TCD4+ e TCD8+) Quando “eu tenho” uma bactéria, tenho resposta mediada por neutrófilos. Logo, terei um número de neutrófilos aumentado. A medida que tenho a migração desses neutrófilos, eles não retornam! No processo de fagocitose, eles “matarão” o agente e se “transformarão” em pus (nos processos supurativos! Nos processos inflamatórios não supurativos-processos reumáticos-não teremos neutrófilos, pois são respostas mediadas por anticorpos). À medida que “aumenta” essa infecção bacteriana, a medula aumenta a produção de neutrófilos. Quando a agressão ocorre de forma lenta, a medula tem tempo para reagir e aumentar a produção de neutrófilos (infecção crônica, evolução lenta- eosinófilos desaparecerão da circulação e o número de bastões continuará normal). Se a infecção ocorre de forma rápida, a medula aumentará a produção, só que em determinado momento a rapidez é tanta que ultrapassará a capacidade da medula de amadurecer as células e lançar na corrente sanguínea células maduras (nesse caso há o aumento no número de bastões). O que diferenciará um processo agudo de um crônico é o número de bastões! Se eu tenho um número normal é processo crônico. Se há aumento é processo agudo. • Resposta imune a vírus: - Primeiramente: Timo e medula (órgãos linfoides primários) são incapazes de resposta. Logo, a resposta se dará pelos órgãos linfoides secundários! (Linfócitos virgens necessitam dos órgãos linf. sec. Para amadurecer) >Imunidade natural: células natural killer >Imunidade adquirida: Imunidade humoral (linfócito citotóxico e TCD8+) --- Como a minha medula não terá resposta nenhuma, não haverá aumento na produção de linfócitos. Então ‘quem” ajudará será o órgão linfoide secundário. Não haverá aumento no número de neutrófilos, nem de bastões. - resposta a vírus—aumento da expansão clonal. - No hemograma não conseguiremos diferenciar linfócitos T de B. • ÚNICA célula mais jovem que está no sangue circulante é o BASTÃO. O número de bastões indica o “nível” de atividade da medula. • DESVIO A ESQUERDA: Nada mais é do que a presença de um processo inflamatório bacteriano AGUDO. -Aumento de elementos situados à esquerda da linha de maturação dos segmentados: bastões ...... - Ausência de desvio indica infecções subagudas, crônicas ou reativadas -REDUÇÃO DO DESVIO INDICA EVOLUÇÃO FAVORÁVEL! • DESVIO A DIREITA: É a ausência de desvio a esquerda! Na terminologia não se usa “você tem desvio a direita”, simplesmente tem desvio a esquerda ou não. • Basófilos (mastócitos): O mastócito,dentro da corrente circulatória, é o basófilo. Quando o basófilo sai da circulação passa a se chamar mastócito. -IgE só deveria ser sintetizada em resposta a grandes parasitas, mas o corpo, por engano, o sintetiza (alergias). Sistema imune só amadurece totalmente aos 18 anos (por isso dizem que a partir dos 18 anos não iremos mais desenvolver febre reumática). Quando sintetizo IgE, ela ficará ancorada nos mastócitos teciduais. A resposta alérgica não ocorre no primeiro contato, pois ainda não fui sensibilizado (Primeiro contato – síntese de IgE. Esse IgE ficará ancorado nos mastócitos. O antígeno passa a ser um alérgeno e quando tem contato novamente há reação alérgica – liberação de histamina). -Grânulos ricos em histamina, serotonina, sulfato de condroitina e leucotrienos. -Basofilia (aumento do número de basófilos na corrente circulatória) só será encontrada em Leucemia. • Eosinófilos: RESPOSTA à reação alérgica! (Não é o eosinófilo que causa reação alérgica, ele não tem histamina. Ele tem histaminase --- anti histamina) - Depois que houve liberação de histamina, eosinófilo sofre desgranulação, liberando o conteúdo de seus grânulos, que têm histaminase e vão lá para neutralizar a reação. Helmintos (que não podem ser fagocitados): estimulam síntese de IL4 e IL5 (TCD4) -IL4: Ativa síntese de IgE -IL5: Ativa Eosinófilos -IgE: Ativa Eosinófilos -Helminto – IgE – Eosinófilos: liberação de histaminase. -Parasitas grandes que não podem ser fagocitados Alergias -Ag – IgE – Mastócitos: Libera histamina -Eosinófilo libera histaminase *Grânulos: ricos em histaminase, peroxidase,aril sulfatase, fosfatase ácida e fosfolipase. *Eosinopenia (redução da contagem de eosinófilos abaixo da que seria esperada em um indivíduo sadio): Durante processos inflamatórios agudos • Monócitos: - São células mononucleadas. Uma de suas principais funções é fazer a apresentação de antígenos. -Monócitos e macrófagos são “teoricamente” a mesma célula (teoricamente pq alguns autores discordam, mas na prática consideramos que são as mesmas, com função de fagocitose) - Os monócitos desenvolvem-se a partir da medula óssea, circulam depois na corrente sanguínea por poucos dias e finalmente deslocam-se para os tecidos onde, por razões históricas, são denominados macrófagos. - Os monócitos que migram do sangue para os tecidos são denominados macrófagos. - Os macrófagos são os responsáveis pela proteção dos tecidos. Mantêm os tecidos livres de corpos estranhos. -Fagocitam bactérias, fungos, protozoários e restos nucleares. -MONOBLASTO: célula primitiva identificada como originária de um monócito. -PROMONÓCITO: • Linfócitos: Só 5% estão na nossa circulação periférica///95% estarão nos órgãos linfoides secundários - desses 95%, só 15 – 20% serão linfócitos B. - Defesa e reparação - Remoção de antígenos invasores - Imunidade Humoral (linf.B) - Imunidade Celular (linf.T) - Linfoblastos: é uma célula precursora linfoide imatura. São encontrados em medulas ósseas normais, em pequena porcentagem. - Prolinfocito * Linfócitos B: -Imunidade humoral->anticorpos -IgE->Hipersensibilidade imediata -IgG (única que atravessa placenta), IgM (maior Ig! Aumento inicial – fase aguda),IgE, IgA (proteção de mucosa),IgD. - PLASMÓCITOS: linfócitos B ativados pelo estímulo antigênico. • Viroses em geral: Síntese de IgG e IgM dependerá da capacidade do patógeno de causar a produção de linfócitos de memória ou não. Ex.: Quando eu estou tratanto de catapora, sarampo ou rubéola--- quando contraio a doença terei o IgM, que tem sempre um aumento inicial, o IgG sempre iniciará sua produção depois e em algum momento superará a produção de IgM. No caso dessas doenças, terei a permanência do IgG de memória para o resto da vida. Não adoecerei novamente, pois tenho linfócitos de memória que vão efetuar essa “correção”. • Vacinação: Se eu tomar vacina, terei a síntese de IgG sem IgM. No caso do TÉTANO vacinarei. Só que essa vacina provoca elevação do IgG, porém essa memória não permanece para o resto da vida, dura mais ou menos 10 anos. Toxina tetânica age extremamente rápido! Não adianta tomar a vacina depois que se “fura o pé com prego”, ou com alguma outra coisa que tinha o patógeno. Por isso deve-se entrar logo com soro hiper imune toda vez que não houver tempo do meu corpo responder (síntese de IgM se inicia cerca de 48 hs depois!!!! Até isso, paciente com tétano, botulismo... já morreu) • Toxoplasmose: Quando eu adquiro a toxoplasmose, sintetizarei IgM e depois IgG. Esse IgG permanece. Porém, se eu permanecer com oocistos no fígado, que podem ficar ali durante muitos anos e se um dia “saem” dali, “contraio” a doença novamente e a quantidade de IgM será insignificante, não dará positivo nos testes, se der... é muito baixo! (isso é a reagudização!) • Sífilis: -Primária: Será que já tive sífilis??? Pode fazer IgG e IgM que dará tudo negativo... (Igs sem memória se não alcança fase latente ou terciária) *Fase latente (assintomática) pode durar vários anos ou evoluir muito rápido para a fase terciária (lesão óssea, cardíaca...) - Se eu entro na fase LATENTE, sintetizarei IgG e IgM, mas meu IgG nunca mais dará negativo (cicatriz sorológica) • Linfócitos T: *75 – 80% do total de linfócitos - TCD8 e TCD4 - Linfócitos atípicos: são linfócitos T ativados pelo estímulo antigênico. - A linfocitose é fisiológica até os 5 anos, até essa idade se tem o timo muito desenvolvido - Linfocitose em leucemia linfocítica e linfomas - Linfocitopenia (diminuição muito “grande’ no número de leucócitos) indicativo muito forte de imunodeficiência • Plaquetas ou trombócitos - Plaquetas não são células! São “pedaços” de citoplasma megacariótico. - Plaquetas em excesso são fatores de trombose vascular. - É muito comum encontramos falsas plaquetopenias, por causa do uso de drogas. - É “comum’ falsas plaquetopenias em análises de laboratório, pois as plaquetas aderem muito a parede de tubos de ensaio. -As plaquetas são marcadores da medula para o retorno de sua atividade normal. Por isso, pacientes que fazem quimioterapia, ante do procedimento, fazem contagem de plaquetas. Se a contagem estiver muito diminuída, significa que a medula não tem condições de responder BEM à uma nova quimioterapia. Então o paciente precisa aguardar mais até o número de plaquetas voltar ao “normal”. • Na criança tenho o timo mais desenvolvido, o número de neutrófilos e linfócitos muda muito de criança para adultos. Importância do PCR para diferenciação de infecções bacterianas ou virais em crianças! AULA 3: Staphylococcus • Cocos, Gram-positivos, esféricos, imóveis; • Não-esporulados, são microrganismos principalmente aeróbios, mas podem ser anaeróbios facultativos; As principais bactérias que esporulam são do gênero Bacilum ou Clostridium; • Quimiorganotróficos (metabolismo fermentativo –infecção em tecido profundo- e respiratório); • Pleomórficos (podem apresentar diferentes tamanhos morfológicos): 0.5-1.5µm; O que induz o tamanho do organismos são as condições ambientais, principalmente a temperatura; • Micromorfologia: Cocos isolados, pareados, cadeias curtas, grupos irregulares, forma de "cacho de uva” • 36 espécies: 16 patogênicas para ser-humano, 06 apresentam relevante importância clínica Todo subproduto proveniente do metabolismo das bactérias é secretado para o meio extracelular, grande parte desse subproduto é composto por enzimas = Toxinas extracelulares, fatores de virulência/resistência • S.aureus, S.epidermidis, S.haemolyticus, S.saprophyticus, S.intermedius, S.hyicus Dado a conformação morfológica de bactérias gram positivas e negativas o que é pior do ponto de vista clínico: a resistência da gram positiva ou a virulência da gram negativa? Nenhuma das duas. Quando eu falo das bactérias gram positivas obviamente existem fatores de virulência associados, mas se deve chamar atenção aos fatores de resistência, e quando nós formos falar de gram negativas aí sim os fatores de virulência são melhores expressos. • Temperaturaótima de crescimento: 30-37°C; ou seja, dentro do padrão de temperatura corporal; • Habitat Superfície cutânea, membranas mucosas Caráter anfibiôntico (são microrganismos que comumente fazem parte da microbiota residente, eventualmente, diante de um processo de desbalanço do paciente, ele pode vir a induzir um quadro de infecção) Boca, glândulas mamárias, tratos gastrointestinal, urinário e respiratório superior Narina anterior, axilas, região inguinal (S.aureus) Vagina, períneo, reto Alimentos (queijo, ovos, carne, leite), poeira, água Infecção em lugares com grande quantidade de proteína é comumente bacteriana Infecções onde tem grande quantidade de extrato queratinizado é fúngica Microbiota residente Frequentemente são benéficos e necessários à manutenção da saúde. Características nocivas: Caráter Anfibiôntico: Microrganismos podem se comportar como patógenos oportunistas em situações de desequilíbrio ou ao serem introduzidos em sítios. Fatores que interferem no equilíbrio da microbiota: Dieta, antibióticos, microbiota exógena, função fisiológica, fumo, idade, obesidade, estresse, clima, drogas, infecção, resposta imune, doenças e câncer. Classificação dos estafilococos Produção de coagulase, hemolisinas, atividades enzimáticas, resistência a antibióticos, produção de ácidos a partir de carboidratos. Fatores de risco – Estafilococos • Presença transitória nas mãos Fonte de infecção Determinante de autoinfecção (infecção endógena) ex: agulha Infecção para outros indivíduos (infecção exógena) • Fatores para invasão tecidual Interações bactéria-hospedeiro -> polaridade Adesão e invasão Superfície mucosa ou cutânea • Adquiridas na comunidade ou ambiente hospitalar Contato direto interpessoal • Pacientes com infecções cutâneas, secreções purulentas, ferida cirúrgica ou pneumonia Podem disseminar grande número de bactérias Obs.: em amostragem de úlcera, procurar as bordas, onde está a maioria das secreções purulentas e acontece maior metabolismo aeróbio. • Acumula-se na roupa de cama, mobiliário, equipamentos ao redor do paciente infectado • Resiste às condições ambientais Sobrevivência, longo tempo, no mobiliário hospitalar Fatores de virulência • Staphylococcus aureus Componentes da superfície celular (superficiais) Toxinas e enzimas (extracelulares) – subproduto metabólico a partir da intensa proliferação do microrganismo Curva de crescimento! Fase Lag: Microrganismo começa a se aderir na superfície (Proteína A, proteína de ligação a fibronectina, fator de formação de coagulo) Fase Log: Intensa proliferação Fase estacionária: (Superantígenos) Morte celular: A partir da diminuição da oferta nutricional Caracteriza uma infecção autolimitada, quando não é, a fase estacionária é bastante longa Dependendo da fase, alguns componentes da superfície celular podem ser exarcebados Geralmente na fase Log, temos a importância dos fatores superficiais, enquanto na estacionária temos a importância dos fatores extracelulares • FATORES SUPERFICIAIS (Fase Log) CÁPSULA – quase intrínseca de bactérias gram positivas Constituída por polissacarídeos Confere proteção contra fagocitose Classificação em 11 sorotipos a partir da sua composição – Maioria das infecções: sorotipos 5 (CP5) e 7 (CP7) (para cada sorotipo, um antibiótico diferente) PEPTÍDEOGLICANOS E ÁCIDOS TEITÓICOS (AT) A bactéria gram positiva apresenta maior quantidade de peptídeoglicanos na sua parede celular Ativação via alternativa do complemento (Peptídeoglicanos) Estímulo à produção de Interleucina-1 (Peptídeoglicanos) Adesão membranas mucosas do hospedeiro e ligação específica a fibronectina (AT) fibronectina = produção de colágeno PROTEÍNA A Principal componente da parede celular bacteriana Liga-se na porção Fc do anticorpo (IgG) Uma vez que a cadeia pesada se liga a proteína A, ocorre o processo de inibição da fagocitose, porque quando a cadeia leve se liga a uma proteína de membrana ela recruta fagócitos. Previne opsonização ADESINAS Proteínas de ligação à fibronectina (principalmente), colágeno e fibrinogênio Ancoradas no peptideoglicano da bactéria Promovem colonização tecidual – Adesão celular proliferação bacteriana secreta novas colônias na corrente sanguínea • FATORES EXTRACELULARES (TOXINAS) (Fase Estacionária) ESFOLIATINA (EPIDERMOLISINA) Atua principalmente entre as junções comunicantes Toxinas esfoliativas A e B (ETA, ETB) – ETA: origem cromossomal; ETB: origem plasmidial. (A ETB é pior. Todo fator de virulência mediada por plasmídeo apresenta maior importância clínica, porque não é necessária reprodução binária, disseminação muito maior.) – Quebra de pontes intracelulares na estrato granuloso da epiderme Síndrome da pele escaldada (Doença de Ritter) Separação da epiderme da derme, justamente por atuar no contato entre uma célula e outra ETA: atua sobre desmogleína » Desmogleína: proteína de superfície células epiteliais da pele que promove adesão intercelular. ALFA-TOXINA/ALFA-HEMOLISINA Hemolisina formadora de poros na membrana celular dos eritrócitos – Induz perda de conteúdo intracelular (hipotônico) e morte da célula Outras hemolisinas (lise de hemácias): Beta, Gama e Delta. LEUCOCIDINA PANTON-VALENTINE Ruptura da membrana de leucócitos, liberando citocinas que se tornam um fator nocivo para o hospedeiro Contribui para o desenvolvimento do choque séptico Presente em 90% das lesões dermonecróticas graves TSST-1 (TOXIC SHOCK SYNDROME TOXIN-1) Reconhecida como superantígeno. O único superantígeno com capacidade de atravessar mucosa!!! Choque tóxico estafilocócico (TSS) ENTEROTOXINAS Causa direta da intoxicação alimentar estafilocócica Estímulo de linfócitos T liberam citocinas: induz choque tóxico Oito tipos sorológicos distintos (A-E, G-I) Termoestáveis a 100ºC por 30 minutos Resistentes a hidrólise por enzimas gástricas • Professor, o que são superantígenos? São moléculas que, mesmo em concentrações muito baixas, estimulam intensamente a produção de citocinas por populações de células T. O processo de ativação ocorre quando a molécula de superantígeno liga-se direta e simultaneamente ao receptor na superfície de célula T e à molécula de classe II do complexo principal de histocompatibilidade, situada na superfície de outra célula (S. aureus). • FATORES EXTRACELULARES (ENZIMAS) COAGULASE Coagulação do plasma – Transformação da protrombina em trombina ativa a formação da fibrina a partir do fibrinogênio Uma vez que forma o coagulo de fibrina a bactéria deixa de ser reconhecida pelo sistema fagocitário do hospedeiro e ali dentro começa a se proliferar (fase log), secreta a fibrinolisina (fase estacionária), desfaz o coagulo de fibrina e infecta os vasos com muitas bactérias. FIBRINOLISINA (ESTAFILOQUINASE) Capacidade de dissolver coágulos de fibrina OUTRAS ENZIMAS: Catalase, nuclease (Dnase), hialuronidase, lipase, proteases – Hidrólise de proteínas e macromoléculas: nutrientes utilizáveis pela bactéria – Potencializa infecção tecidual – Facilita disseminação hematogênica Penicilinase (Betalactamase) – 90% cepas hospitalares, 50% comunidade: resistência via transmissão plasmidial – Inativação de penicilinas (oxacilina, meticilina), hidrólise do anel betalactâmico – Resistência adquirida: vancomicina (glicopeptídio) como alternativa! Manifestações clínicas (S. aureus) • DOENÇAS ESTAFILOCÓCICAS TOXIGÊNICAS • Síndrome da pele escaldada (Doença de Ritter) Toxina esfoliativa ou epidermolisina (A, B) Sintomas Febre; irritabilidade; dor à palpação; eritema macular (manchas avermelhadas elevadas), descamação na face, pescoço, axilas Tratamento ≥ 2 semanas Derivados semi-sintéticos de penicilina CefalosporinasSepsis estafilocócia: oxacilina endovenosa Taxa de mortalidade Baixa em crianças, > 50% em adultos (sepsis estafilocócica) • Síndrome do Choque Tóxico Enterotoxina estafilocócica F Sintomas Febre alta (≥ 38,9ºC); cefaléia; hipotensão; eritroderma macular difuso; vômitos; diarreia aquosa; mialgia severa; hiperemia conjuntival, orofaríngea na, vaginal; distúrbios vinculados ao SNC (confusão mental, alteração de consciência); descamação epitelial (palma das mãos, planta dos pés); anemia; lesão renal, hepática e muscular; disfunções cardíacas e pulmonares Tratamento Bactérias resistentes à penicilina Antibióticos resistentes à β-Iactamase em doses altas, EV Taxa de mortalidade: 5-10%, até 65% • Toxi-infecção alimentar Enterotoxinas A, B, C, D, E Sintomas Náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia e prostração são sintomas habituais. Febre pode não ocorrer. Evolução autolimitada (24-48h) Tratamento Terapêutica de suporte – Reposição de líquidos, eletrólitos, medicamentos sintomáticos Antibióticos não são necessários • INFECÇÕES CUTÂNEAS IMPETIGO Mácula-vesícula-pústula-crosta FOLICULITE Sicose(terçol) FURUNCULOSE Extensão dolorosa e necrótica da foliculite ANTRAZ Coalescência de furúnculos FERIDAS CIRÚRGICAS ou TRAUMÁTICAS • BACTEREMIA E ENDOCARDITE ORIGEM Geralmente a partir de um foco infeccioso 50% dos casos: infecção hospitalar (cateterismo) ENDOCARDITE Taxa de mortalidade elevada • PNEUMONIA E EMPIEMA PNEUMONIA Ocorrência após aspiração de secreções orais (crianças, idosos, fibrose cística, gripe, doenças obstrutivas) Disseminação hematogênica (endocardite, cateterismo) EMPIEMA Acúmulo de secreção purulenta em cavidade pré-existente na pleura Difícil drenagem (áreas isoladas) • OSTEOMIELITE E ARTRITE SÉPTICA OSTEOMIELITE Infecção hematogênica ou pós-traumática Crianças: infecção metafisária de ossos longos (áreas altamente vascularizadas) com dor local e febre alta. Adultos: região vertebral (dor intensa, febre) ARTRITE Acomete crianças pequenas e adultos com problemas articulares Causa inflamação e dor nas articulações (ombro, joelho, quadril, cotovelo) Estafilococos coagulase-negativos Microbiota residente da pele e mucosas Capacidade de causar infecções oportunistas Penetração por lesões cutâneas seja por traumas ou procedimentos médicos invasivos Principais agentes de bacteremia, origem hospitalar e infecções Presença de corpos estranhos Grupos de risco: Imunocomprometidos, doentes crônicos, idosos e prematuros. Produzem vários fatores de virulência: β-lactamase e resistência à meticilina Importância clínica: Staphylococcus epidermidis Staphylococcus saprophyticus S.haemolyticus, S.hominis, S.warneri, S.simulans, S.lugdunensis, S.schleiferi, S.saccharolyticus Fatores de virulência Staphylococcus epidermidis Característica peculiar do ponto de vista clínico – Capacidade de aderência à material plástico, como cateter (intravascular, diálise intraperitoneal) e próteses (cardíacas, articulares). Fases da Aderência: Adesão Polissacarídeo capsular (PS/A) + Proteínas de superfície (adesinas) Interações com proteínas tecido conjuntivo (Colágeno e laminina) Interações com proteínas séricas (fibronectina e vitronectina) – importância na via hematogênica Formação de mucoproteínas ou biofilme Ácido teicóico (Substância Limosa Extracelular, ESS ou slime) Biofilme: barreira física contra antimicrobianos, inibe proliferação Linfócitos Temonócitos periféricos, inibe opsonização e fagocitose (inibição de quimitoxacia de leucócitos PMN) Staphylococcus saprophyticus Infecções vias urinárias - 2º maior agente de infecção urinária (E. Coli) Mulheres jovens sexualmente ativas Disúria (dor ao urinar) Piúria (secreção purulenta na urina) Hematúria (eritrócitos na urina) Numerosos microrganismos na urina Resposta aos antimicrobianos normalmente é rápida Fases de aderência: Adesinas: específicas para glicoproteínas do epitélio uretral. Ssp (S. saprophyticus surface-associated protein): Interação e adesão em células uroepiteliais, uretrais e periuretrais. Urease: invasão do tecido vesical Biofilme: presença de slime não é comum! Mucoproteínas Carboidratos Cristais de stuvita e apatita (ocorrem na presença de uréia) Diagnóstico laboratorial Cultura: meios de cultura Ágar sangue e Ágar manitol salgado Bacterioscopia Coloração de Gram Cocos gram-positivos Isolados/dispostos pequenos aglomerados Cultura: Ágar Baird-Parker Seletivo p/ S.aureus; UFC’s negras (redução do Telurito de Potássio) Zona opaca (ação da lecitinase sobre gema de ovo) Zona clara (ação da lipase sobre gema de ovo) Antibioticoterapia • S.aureus, S.epidermidis e outros estafilococos coagulase-negativos isoladas no Brasil (comunidade e hospitais) Resistentes à penicilina G, ampicilina e amoxicilina • Maiorias cepas estafilocócicas (infecções comunitárias) Sensível à meticilina, oxacilina, cloxacilina e cefalosporinas • Maiorias cepas estafilocócicas (infecções hospitalares) Resistente à meticilina, oxacilina, cloxacilina e cefalosporinas •Neste caso… Preferência para antibióticos glicopeptídicos Vancomicina, teicoplanin Profilaxia . Microbiota transitória nas mãos de profissionais de saúde = Faz-se necessário aplicação do correto procedimento de assepsia! . Higienização das mãos = medida profilática de assepsia voltada à redução ou remoção parcial da microbiota transitória da pele ou outros tecidos por métodos químicos e mecânicos AULA 4: Introdução à virologia Os vírus são microrganismos de grande simplicidade: • pequenos, de 20 a 300 nm de diâmetro; • possuem apenas um tipo de ácido nucléico; • se multiplicam dentro de células vivas; • usam (em maior ou menor grau) o sistema de síntese das células; • induzem a síntese de ácido nucléico viral e proteínas, capazes de auxiliá-los a infectar novas células; • desprovidos de estrutura celular; • não crescem, não metabolizam; • não sofrem divisão; • inertes fora de células vivas; • são parasitas intracelulares obrigatórios; seu único objetivo é perpetuar-se Tamanho Relativo Origem: Componentes celulares que adquiriram um invólucro proteico e tornaram-se autônomos (involução)? O vírus é um ser vivo? “Um organismo é uma unidade elementar de uma linhagem com uma história evolutiva individual.” (Luria, 1978) • 1966: comitê de nomenclatura viral – Ácido nucléico – Simetria do capsídeo – Envelope – Dimensões do vírion CLASSIFICAÇÃO VIRAL – ICTV 1973: ICTV – 45 grupos de estudo com mais de 400 virologistas 30-40 mil vírus isolados (bactérias, plantas, animais) 1. Morfologia 2. Propriedades físico-químicas 3. Replicação viral e organização gênica 4. Propriedades antigênicas e biológicas Ordem, Família e subfamília, Gênero e Espécie Ex: Ordem Mononegavirales, Família Paramyxoviridae, subfamília Pneumovirinae, gênero Pneumovirus, vírus respiratório sincicial. 1973 Morfologia Viral Capsídeo Capa protéica que envolve o ácido nucléico/protege o genoma viral Libera o genoma e participa de outras interações; O agrupamento das proteínas virais dá ao capsídeo sua simetria característica, normalmente icosaédrico, helicoidal ou complexo. O genoma (ácido nucleíco) + o capsídeo constitui o nucleocapsídeo. O capsídeo viral tem que ser formado de subunidades identicas, chamadas protômeros, que se agrupam formando subunidades maiores, os capsômeros. É esta capa proteica que dá formato aos vírus quando são observados pela microscopia eletrônica. - Funções da Proteínas do Capsídeo 1. Proteção do genoma 2. Liberação do genoma 3. Outras interações Ácido nucleico O vírus contém em geral, apenas um tipo de ácido nucleico, DNA ou RNA, que é o portador das informações genéticas para sua propagação. Esse material genético pode apresentar-se de variadas formas nos vírus: DNA de fita simples DNA de fita dupla; RNA defita simples; – polaridade + ou - RNA de fita dupla. OBS: Quando o RNA apresenta polaridade positiva, que dizer que ela apresenta a mesma polaridade do RNAm. Ou seja, se esse genoma for processado pelo ribossomo, vai virar proteína. Quando apresenta RNA de polaridade negativa, ele vai precisar transcrever para um fita complementar e esse RNA obtido através da transcrição vai funcionar como RNAm. Proteínas virais - Facilitar a transferência do ácido nucleico viral de uma célula para outra. - Proteção do genoma contra a inativação por nucleases. - Enzimas: RNA-polimerase (responsável por sintetizar o RNA viral) / transcriptase reversa (responsável por realizar uma síntese inversa de DNA: formar DNA a partir de RNA). • Core ou cerne: proteínas participantes da replicação que permanecem agregadas ao genoma • Matriz proteica: proteínas alojadas entre o envelope e o capsídeo • Envelope: glicoproteínas (espículas) Estruturais: Compõe partículas virais que deixam o vírus; protegem o ácido nucléico; Ligam-se a receptores nas células (tropismo). – Protegem o ácido nucléico – Ligam-se a receptores nas células (tropismo) – Enzimas Não estruturais: Não compõe partículas virais que deixam os vírus; participam do processo de replicação viral. Iniciam o programa de replicação; Sinalização intracelular: Enzimas. – Iniciam o programa de replicação – Sinalização intracelular – Enzimas Envelope Além do material genético e do capsídeo, alguns vírus possuem estruturas complexas de membrana envolvendo o nucleocapsídeo. O envelope viral consiste em uma bicamada lipídica com proteínas, em geral glicoproteínas, embebidas nesta. A membrana lipídica provêm da célula hospedeira, muito embora as proteínas sejam codificadas exclusivamente pelos vírus. OBS: Vírion é a unidade infecciosa inteira do vírus, sendo constituido de cerne de ácido nucleico (DNA ou RNA), invólucro proteico (nucleocapsídeo). Nesta forma, o vírus é capaz de replicar-se no interior da célula. Classificação de Baltimore Os vírus foram agrupados em sete classes propostas por Baltimore em 1971, de acordo com as características do ácido nucleico e as estratégias de replicação. Classe I: Ocorre no citoplasma, independente do genoma celular, que é bloqueado. Classe II: É realizada no núcleo, simultaneamente à síntese do genoma celular. Classe III: Processa-se no citoplasma; sendo, no início, apenas umas das fitas do ácido nucleico copiada. Classe IV: Ocorre no citoplasma, por meio de um processo complexo, ainda pouco esclarecido. Classe V: A fita simples de RNA serve de molde para a formação de genoma viral e síntese de RNA mensageiro. Classe VI: Pertence a essa classe a família Retroviridae, que possui uma enzima chamada Transcriptase Reversa, responsável pela síntese de DNA a partir de RNA. Classe VII: Tem como exemplo a família Hepadnaviridae, cuja característica principal é a formação de um RNA intermediário. OBS.: Nos vírus inseridos nas classes I, III, IV e V, o processo de tradução do RNA mensageiro ocorre no citoplasma da célula hospedeira. Já nos vírus da classe II, este processo ocorre no núcleo. Em todas estas classes, o RNA mensageiro sintetizado vai se ligar aos ribossomas, codificando a síntese das proteínas virais. Estabilidade da partícula viral • pH • força iônica • temperatura Os vírus envelopados são mais lábeis? Ciclo de replicação Embora os vírus sejam diferentes no número de genes que contêm, o genoma viral deve codificar para três tipos de funções expressas pelas proteínas que sintetizam. Estas funções são: alterar a estrutura e/ou função da célula infectada, promover a replicação do genoma viral e promover a formação de novas partículas virais. Para que ocorra a replicação dos vírus é necessária a síntese de proteínas virais pela maquinaria de síntese da célula hospedeira. 1. Adsorção 2. Penetração 3. Desnudamento 4. Expressão gênica 5. Replicação 6. Montagem / Maturação 7. Liberação 1- Adsorção – Contato com a célula hospedeira: ligação da glicoproteína viral ao receptor celular É a ligação de uma molécula presente na superfície da partícula viral com os receptores específicos da membrana celular do hospedeiro. Nos vírus envelopados, as estruturas de ligação geralmente se apresentam sob a forma de espículas e nos vírus sem envelope a ligação célula-vírus geralmente está relacionada a um ou grupo de polipeptídeos estruturais. A presença ou ausência de receptores celulares determina o tropismo viral, ou seja, o tipo de célula em que são capazes de ser replicados. • Moléculas de adesão Proteínas Virais Receptores Celulares Imunoglobulinas Integrinas Glicosaminoglicano Sulfato de heparana Carboidratos Ácido siálico 2- Penetração – Depende de energia É a entrada do vírus na célula. Esta pode ser feita de três maneiras: Penetração direta, endocitose e fusão. A penetração direta é menos comum e ocorre quando o vírus injeta seu ácido nucleico na célula hospedeira; A endocitose é uma invaginação da membrana celular mediada por receptores e por proteínas, denominadas clatrinas, que revestem a membrana internamente; A fusão é quando a membrana celular e o envelope do vírus se fundem, permitindo a entrada deste no citosol da célula. • Penetração direta (ácido nucléico) • Endocitose • Fusão 3- Desnudamento – Disponibiliza o genoma para replicação Neste processo, o capsídeo é removido pela ação de enzimas celulares existentes nos lisossomos, expondo o genoma viral. Pode ser dependente ou não de pH. 4- Expressão gênica e replicação Compreende a síntese das proteínas estruturais e não estruturais a partir dos processos de transcrição e tradução. 5- Montagem/Maturação Nessa fase, as proteínas vão se agregando ao genoma, formando o nucleocapsídeo. 6- Liberação Se dá por dois tipos de mecanismos; Em vírus envelopados geralmente ocorre por brotamento; Nos vírus não envelopados exclusivamente por lise celular, a célula entra em colapso pela grande quantidade de partículas vírais no seu interior. AULA 5: Streptococcus • Família Streptococcacea • Grupo heterogêneo de bactérias Gêneros Streptococcus e Enterococcus Constituído por muitas espécies • Microbiota residente Micromorfologia • Pares (S.pneumoniae, S.mutans) • Cadeias curtas (espécimes clínicos) e cadeias longas (cultivos líquidos) Características gerais Cápsula (Ácido Hialurônico ou Polissacarídica); Imóveis, não-esporulados; Cocos esféricos; Gram-positivos; Catalise negativo; Anaeróbios facultativos (algumas espécies necessitam de 5% de CO2 para se procriarem); Produzem leucina aminopeptidase (LAP) – causa inflamação; Classificação dos estreptococos • Padrão hemolítico (Ágar sangue): ALFA (α): lise parcial dos eritrócitos (verde); BETA (β): lise completa dos eritrócitos (amarelo); GAMA (γ): não há lise de eritrócitos (vermelho); OBS: os estreptococos apresentam mais de 80 tipos de antígenos em sua superfície. A partir disso, foi possível dividi-los e grupos sorológicos baseados em suas características antigênicas (Grupos de Lancefield), sendo o Grupo A o mais patogênico e com patogenias de pior prognóstico. Características antigênicas: Carboidrato C Grupos sorológicos de Lancefield: A B C D F G Área médica H K L M N O P Q R S T U V Obs - S. pneumoniae e estreptococcus viridans – Não Agrupáveis Streptococcus pneumoniae Aos pares ou pequenas cadeias; Alfa-hemolíticos; Principal agente etiológico das peneumonias; Colonização da nasofaringe, ouvido médio e pulmões (pode ocorrer dispersão por via sanguínea); Caráter anfibiôntico (patógenos oportunistas); Fatores de virulência: Cápsula: proteção contra fagocitose; Pneumolisina: induz necrose tecidual; Parede celular: possui ácido teicóico que garante adesão e invasão à célula do hospedeiro; Hialuronidase: invasão e aderência; Streptococcus agalactiae Forma cadeias longas; Grupo B de Lancefield;Gama-hemolítico Coloniza o canal vaginal, infecção neonatal, meningite (dispersão em leitos hospitalares) Fatores de virulência: Cápsula: formado por ácido siálico e galactose; Ácido lipoteicóico: confere adesão a célula hospedeira e inibe a fagocitose; Proteínas de superfície: produzem anticorpos protetores; Streptococcus pyogenes Beta-hemolítico; Presente no grupo A de Lancefield; Se desenvolve apenas em ágar sangue; Se adere ao epitélio de mucosas, inicia-se nas vias aéreas superiores, causa faringites, piodermites, erisipela, fascite necrosante, escarlatina e choque tóxico. Fatores de virulência: Cápsula: composta por ácido hialurônico, não confere caráter imunogênico, protege contra a fagocitose; Exotoxinas pirogênicas: (superantígenos) ativam os linfócitos de forma não específica, provocando uma resposta imunitária desapropriada como a febre. Ácido lipoteicóico; produz citocinas; Proteína M: promove a fixação da célula no epitélio humano; resistente a fagocitose; possui caráter mimetizante (mascara); Proteína F: principal adesina; adere a bactéria à mucosa; Estreptolisinas: S (Morte de fagócitos); O (lise de hemácias e leucócitos quando na ausência de O2); Enterococcus faecalis Beta-hemolítico; Grupo D de Lancefield; Microbiota residente do trato intestinal; Associados a infecções alimentares; Fatores de virulência: Citolisina: atividade patogênica contra células do hospedeiro; Substância agregativa: promove a agregação de células da bactéria durante a conjugação. Streptococcus viridans Grupo de microrganismos: S.mutans, S.salivarium e S.mitis. São alfa-hemolíticos; Estão presentes na cavidade oral. Fatores de virulência: Parede celular: formada por proteínas que ligam as células a cavidade oral; Biofilme: precursor da cárie (fácil acesso a corrente sanguínea). AULA 6: Mycobacterium Domínio: Bacteria Filo: Actinobacteria Classe: Actinobacteridae Ordem: Actinomycetales Famílias: Mycobacteriaceae, Corynebacteriaceae, Micrococcaceae Gêneros: Mycobacterium, Corynebacterium, Micrococcus • Complexo Mycobacterium tuberculosis: Mycobacterium tuberculosis, M.bovis, M.africanum, M. microti (roedores), M. caprae (caprinos), M. canetti (var. do M. tuberculosis Somália), M. pinnipedii (leões) 99,9% de identidade filogenética(gene 16S rRNAr) • Mycobacterium leprae • Complexo Mycobacterium avium: Mycobacterium avium subsp.avium, M. avium subsp.hominissuis, M. avium subsp.paratuberculosis, M.intracellulare Infecções oportunistas em pacientes com AIDS • Micobactérias não-tuberculosas (MNT): Classificação Runyon (1959) (Grupos I, II, II e IV): Tempo de crescimento, Produção de pigmento carotenóide e Microrganismos “atípicos” Infecções linfáticas, pulmonares, ósseas, cutâneas e disseminadas. Ordem Actinomycetales Família Mycobacteriaceae Genero Mycobacterium Aproximadamente 172 espéciese 13 sub-espécies no gênero Mycobacterium Classificação Clínica das Micobactérias Micobactérias não-tuberculosas (Runyon,1959) Micobactérias fotocromogênicas: Requerem luz para produção de pigmento carotenoide em meio de cultura. Micobactérias escotocromogênicas: Produzem pigmento carotenóide na ausência de luz em meio de cultura. Micobactérias não-cromogênicas: Não produzem pigmento carotenoide em meio de cultura. Micobactérias de importância clínica Características Gerais Bacilos pleomórficos: retos ou encurvados, cocobacilos, filamentosos ou formas ramificadas. 0,2-0,6 µm por 1-10µm Não formam esporo, flagelo, cápsula Parede: Complexa Lipídeos (60% PS) Natureza hidrofóbica (30% do genoma) produção destes lipídeos (Ácido micólico = 70 a 80 carbonos) Bacilos Álcool Ácidos Resistentes (BAAR) Método tintorial de Ziehl-Neelsen Intracelulares - infectam e proliferam-se no interior de macrófagos Complexo Mycobacterium tuberculosis •Espécies M.tuberculosis, M.bovis, M.microti, M.africanum, M.canetti – Bactérias intracelulares, aeróbias estritas – Bacilos retos, imóveis – 0.2-0.6μm x 1-10μm – Não apresentam esporos ou cápsulas – Álcool-Ácido Resistência (BAAR) – Crescimento lento (18-48h), virulência variável Tuberculose • Doença infecciosa, evolução lenta, curso crônico • M. tuberculosis (RobertKoch, 1882), BK – Resistência à vancomicina (caráter diferencial) • Parede celular insolúvel a glicoproteínas • Sintomas respiratórios: Tosse produtiva (> 3 semanas), hemoptise, dispneia, dor torácica, rouquidão; • Sintomas gerais: Febre vespertina, sudorese noturna, fraqueza, anorexia, perda ponderal. Professor, porque a sudorese noturna? • Em geral, ocorre no início do curso da doença, juntamente com febre vespertina. 1. Mudanças no processo de termorregulação do organismo; 2. Resultado da produção de citocinas inflamatórias por macrófagos; 3. Os macrófagos são as principais células infectadas pelo M.tuberculosis e citocinas são liberadas para regular a resposta imune do hospedeiro à infecção. 4. O processo febril induz a mobilidade de células imunes; 5. A partir do aumento da temperatura corporal (hipertermia), o corpo responde por indução de sudorese. À noite, a circulação de ar entre as folhas pleurais é reduzida, podendo ocorrer atelectasia. O ar aprisionado na cavidade pulmonar aumenta gradativamente a temperatura corporal. 6. Como resultado do aquecimento, baixa saturação de oxigênio e batimento cardíaco acelerado, a quantidade de suor aumenta gradualmente, induzindo intensa sudorese noturna para diminuição da temperatura corporal. Formas clínicas • Forma pulmonar (85%): Carga infectante e resposta imunológica • Formas extrapulmonares (15%): Pleural, ganglionar periférica, geniturinária, osteoarticular, ocular • Forma miliar (3%): Lesão cutânea aguda disseminada • Forma meningoencefálica (2%):SNC, meninges Transmissão • Via aérea, facilitada pela aglomeração humana Partículas maiores se depositam no chão, misturando-se com poeira Partículas menores levitam no ar, ressecam, alcançam 210 µm, gotícula núcleo de Wells Um ou dois bacilos viáveis alcançam alvéolos pulmonares e se implantam Partículas não ressecadas, depositadas no sistema mucociliar, digeridas e eliminadas sistema digestivo Diagnóstico • Forma clínica + características do doente • Diagnóstico clínico – Exame físico – Teste tuberculínico (Mantoux) PPDRT 23, terço médio, face anterior, antebraço esquerdo 0.1 mL (2 UT), 48-72h Neg.: ≤ 4 mm Reator fraco: 5-9 mm Reator forte: ≥ 10mm – Teste tuberculínico: INTERPRETAÇÃO Negativo(não-reator): Índivíduo não infectado pelo M. tuberculosis ou outra micobactéria; indivíduo infectado pelo M. tuberculosis em fase de viragem tuberculínica; excepcionalmente, em pessoas infectadas ou doentes pelo M. tuberculosis (p.ex., paciente imunodeprimido). Formas graves e disseminadas da doença podem apresentar resultado negativo. Reator fraco: indivíduo vacinado com BCG; pessoas infectadas pelo bacilo da tuberculose ou por outras micobactérias Reator forte: indivíduo vacinado recentemente com BCG; pessoa infectada pelo bacilo da tuberculose, que pode estar doente ou não ATENÇÃO: Esta classificação somente é válida para pacientes com testes sorológicos anti-HIV negativos. As pessoas infectadas pelo HIV são consideradas coinfectadas pelo bacilo da tuberculose, desde que apresentem teste tuberculínico com enduração igual ou superior a 5mm. – DIAGNÓSTICO CLÍNICO Tuberculose primária Pode se apresentar de modo agudo e grave ou, mais comumente, de maneira insidiosa e lenta. Forma insidiosa: paciente, geralmente criança, apresenta-se irritadiço, com febre prolongada, inapetência e perda ponderal. Repercussão sobre aparelho respiratório costuma ser pequena. Nesses pacientes de baixa idade, um dado de grande auxílio é a descoberta de contato, intradomiciliar ou não, com indivíduos adultos portadores de tuberculose pulmonar. Tuberculose pós-primária Gravidade dos sintomas dependedo tempo de adoecimento. Na fase inicial, diagnóstico essencialmente radiológico, paciente não refere sintomas. Quando estes aparecem, o mais frequente e característico é tosse produtiva, podendo evoluir para escarros sanguíneos e hemoptise. Outras manifestações clínicas comuns: Ausculta pulmonar pode mostrar alterações como diminuição do murmúrio vesicular ou sopro anfórico. Em geral, alterações no aparelho respiratório passam despercebidas ao exame físico. • Diagnóstico por imagem – Radiografia convencional – Tomografia computadorizada – Ultrassonografia • Diagnóstico laboratorial – Exame direto (baciloscopia) – Cultura – Biologia molecular – Histopatologia – Imunodiagnóstico – Sorologia Dicas importantes! Escarro (sempre amostragem em triplicata): – Exame direto mostra BAAR em 40 a 67% dos co-infectados – Cultura positiva 75-95% dos casos (sempre que possível, obter antibiograma) – Caso não haja escarro espontâneo, induzir com nebulização ultrasônica com solução salina a 3% Doença pulmonar sem diagnóstico: – Realizar fibrobroncoscopia, com ou sem biópsia transbrônquica – Outros sítios devem ser avaliados, por exemplo, linfonodos ou fígado – Hemoculturas são positivas em 26 a 42% dos casos (especialmente com bacteremia) – Biópsia de medula óssea tem importância clínica-diagnóstica em casos de tuberculose disseminada. – Diagnóstico molecular pode ser de utilidade no SNC ou cavidades ou para distinguir entre o bacilo da tuberculose e demais micobactérias. Tratamento Prevenção • Vacinação M. bovis Bacillus Calmette-Guérin (BCG) Cepa avirulenta Propriedades preservadas estimulação imunológica Primovacinação: intradérmica, 0.1mL, braço direito, inserção inferior do músculo deltoide Revacinação: 1-2cm acima da região de inserção • Contraindicações Crianças imunossuprimidas (doença, tratamento) Recém-nascidos, peso < 2kg Afecções dermatológicas extensas ou no local de aplicação Enfermidade grave (hospitalização) • Quimioprofilaxia – Infecção latente M. tuberculosis – Isoniazida, 10mg/kgpeso/dia (máximo de 400mg) – 6-9 meses (MS), redução 60-90% risco adoecimento • Pacientes – TB + HIV – Uso de bloqueadores de TNF-α – Terapia corticosteroide oral prolongada Profissionais de saúde, usuários de drogas injetáveis, população indígena, carcerária, moradores de abrigos, asilos Mycobacterium leprae Características gerais Morfologia semelhante ao M.tuberculosis (bacilos retos ou ligeiramente encurvados); Dimensões 0,3-0,6µm por 4,0-7,0µm; • BAAR; Não móveis e não produtores de esporos; Não cultivados em meios de cultura artificiais Culturas de células neurais (célula de Schwann) Temperatura ótima de crescimento: 30°C Intracelular obrigatório Homem único a apresentar a doença! Afinidade células cutâneas, células nervos periféricos Baixa patogenicidade, alta infectividade, alta resistência, alto período de incubação • Capacidade para infectar grande número de indivíduos! Aspectos gerais da doença Afeta principalmente a pele e os nervos, mas pode atingir outros órgãos Tecidos mais frios como pele, nervos superficiais, nariz, faringe, laringe, olhos e testículos (TC ótima= 30oC) Lesões cutâneas na forma de máculas pálidas e anestésicas, nódulos eritematosos ou infiltração cutânea difusa. Distúrbios: anestesia, neurite, reabsorção óssea e encurtamento dos ossos. Formas Clínicas da Hanseníase FORMA INTERPOLAR INDETERMINADA: Manchas hipocrômicas, limites imprecisos, alteração de sensibilidade sem alteração de cor, baciloscopia negativa FORMA INTERPOLAR DIMORFA (BORDERLINE): Lesões eritematosas, violáceas, edematosas, brilhantes, escamosas, contorno interno bem definido e externo mal definido, presença de nódulos, infiltrações em face e pavilhões auriculares, comprometimento neurológico, potencial incapacitante FORMA POLAR TUBERCULÓIDE: Lesões eritematosas, hipocrômicas, escamosas, bordas discretamente elevadas, comprometimento neurológico, aceleração de motricidade, úlceras profundas FORMA POLAR VIRCHOWIANA: Lesões eritematosas, acastanhadas, mal definidas e distribuição simétrica, disseminação sistêmica com manifestações viscerais em olhos, testículos e rins. Modo de transmissão • Indivíduo assintomático (bacilífero) • Dispersão acidental no meio ambiente • Vias aéreas superiores • Necessário contato direto Hanseníase Aparecimento doença Relação parasita/hospedeiro (2 -7 anos) Afeta todas idades, ambos sexos • Mais frequente homens (2:1) • Raramente crianças • Período longo de incubação da bactéria Risco de adoecer: condições individuais, socioeconômicas Patogenicidade Hanseníase Tuberculóide: Curso benigno e não progressivo com máculas cutâneas (perda de sensibilidade e alopécia). Ausência ou pequena quantidade de bacilos nas lesões (não-bacilífera). Hanseníase Lepromatosa (Hanseníase Virchowiana): Progressiva e maligna. Lesões cutâneas e formas nodulares que desfiguram o corpo. Grande quantidade de bacilos nas lesões contendo secreções sero-sanguinolentas. ATENÇÃO: Altamente contagiosa (109bac/grama de tecido;105 bac/mL sangue)! Formas clínicas As características genéticas têm importância relevante na destruição ou multiplicação do bacilo no sistema macrofágico do hospedeiro. Classificação OMS: Paucibacilar ou hanseníase tuberculóide < 5 lesões, cura espontânea; A resposta imune parece ser regulada pela subpopulação celular com padrão Th1, que libera as citocinas IL-2, IL-12, IL-15, IL-18 e IFNα. Promovem ativação dos macrófagos, resultando em uma resposta vigorosa contra os bacilos e desencadeia a resposta celular; Forma clínica mais branda e caracterizada por manchas de pele não-pigmentadas. Multibacilar ou hanseníase lepromatosa > 5 lesões cutâneas; Apresenta o padrão Th2, que promove a liberação de IL-4, IL-10 e IL-13, responsáveis pela desativação dos macrófagos, aumentando a proliferação bacilar; Forma clínica caracterizada por lesões de pele desfigurantes, nódulos, placas, espessamento da derme e envolvimento da mucosa nasal. Aspectos clínicos Sinais e sintomas dermatológicos -Lesões -Alteração sensibilidade -Mais frequentes: face, orelhas, nádegas, braços, pernas e costas Interação parasita-hospedeiro Neurotropismo pelo Sistema Nervoso Periférico Células de Schwann 1. Não apresentam capacidade fagocítica, sendo incapazes de inativar o patógeno. 2. Barreira sanguínea do nervo limita o acesso de medicamentos às células de Schwann infectadas. 3. Assim, o bacilo multiplica-se continuamente, permanecendo protegido intracelularmente dos mecanismos de defesa do hospedeiro. Sinais e sintomas neurológicos Dor e espessamento nervos periféricos Perda sensibilidade em áreas inervadas Ex: olhos, mãos e pés Perda de força músculos inervados Ex: pálpebras Neurite Diagnóstico da Hanseníase Laboratorial Baciloscopia (Coloração de Ziehl-Neelsen): • Biopsia cutânea superficial, mucosa nasal, nervo sensorial • Secreção linfo-cutânea (lobo da orelhas ou cotovelos) Cultura: • Micobactéria não-cultivável em meio de cultura artificial Apoio ao diagnóstico clínico: • Exame dermatológico [disestesia térmica ou alteração de sensibilidade térmica nas lesões] • Exame neurológico [espessamento de nervo(s) periférico(s)] Teste de Lepromina (Mitsuda): • Valor prognóstico • Apenas forma tuberculóide • Resultado após 28 dias A reação de Mitsuda positiva representa o desenvolvimento de imunidade constitucional, celular, após estímulo pelo próprio M. leprae ou outras micobactérias, pois pessoas de países não endêmicos também podem ter respostas positivas. – Teste de Mitsuda: INTERPRETAÇÃO Reação positiva: Nódulo no local da injeção, podendo ulcerar ou não Intensidade da reação relacionada ao tamanho do nódulo Intensidade da reação medida em cruzes Segundo Organização Mundial da Saúde: Reações 3-5mm correspondem a (+) Reações de 5-10mm correspondem a (++) Quando ulcerado, com mais de 10mm, correspondema (+++) Reação positiva exacerba na forma clínica da hanseníase com imunidade celular específica, sendo negativa quando imunidade está ausente. Tratamento Prevenção Auto-cuidados são procedimentos e exercícios que a própria pessoa, devidamente orientada e supervisionada, pode e deve realizar, para prevenir incapacidades e deformidades. Vacina BCG na prevenção da hanseníase: o nível de proteção variou de 20 a 80%, maior proteção para as formas multibacilares da doença. Mycobacterium ulcerans (Úlcera tuberculótica ou Úlcera de Buruli) Habitat aquático, origem ambiental AULA 7: Gênero Neisseria Carolina Coutinho Propriedades Gerais: Diplococos, Gram-negativos, Imóveis; Produzem a enzima catalase, um importante fator de virulência, uma vez que inativam o íon oxigênio, que é importante na reação de oxidação durante o processo de opsonização do sistema imune. Em linhas gerais são aeróbicos, precisam de alta taxa de O2 para proliferação. Patogenia: N. gonorrhoeae, N. meningitidis Demais espécies: membros da microbiota residente e vivem de relação comensal, ou seja, o parasita vive em harmonia com seus hospedeiro sem causar danos e nem benefícios. Habitat e patogenicidade Aeróbicas: crescem em meios de cultura na presença de O2 quase integral (muito O2), o que é de suma importância para o diagnóstico laboratorial. N. gonorrhoeae: Infecta mucosa genital, anal e orofaringe; N. meningitidis: Infecta nasofaringe (principal porta de entrada) e meninges. Amostras biológicas Devido ao local que essas bactérias se encontram, é de se esperar que esses microrganismos sejam encontrados nestes locais, como: Líquido cefalorraquidiano (LCR) → N. meningitidis, Sangue periférico → N. meningitidis, Secreção nasofaríngea → N. meningitidis, Secreção conjuntival → N. gonorrhoeae (neonatos, IST, adultos com secreção é um forte indicador de abuso sexual), Secreção anal/ genital → N. gonorrhoeae. Cultivo Meios de cultura enriquecidos: Ágar chocolate (patogênicas: N. gonorrhoeae e N. meningitidis) e Ágar nutriente (saprófitas: comensais); Temperatura ótima de crescimento 35-37ºC (próximo a temperatura corporal). Resistência a antimicrobianos: Tanto N. meningitidis como N. gonorrhoeae são cepas resistentes à penicilina e tetraciclina, o que é péssimo. Por isso, é necessário antibiograma por motivos de saber se a cepa isolada possui ou não resistência à PEN e TET. O antibiograma, além de proporcionar uma melhor escolha para o antibiótico, ele proporciona a investigação quanto ao padrão de resistência à PEN e a TET. Neisseria gonorrhoeae É denominada popularmente gonococos no ambiente hospitalar, são cocos gram-negativos intracelulares, 0,6-1 µm de diâmetro (pleomorfismo baixo), reniformes, agrupados dois a dois (diplococos), faces côncavas adjacentes, aeróbicas, encapsuladas (fator de virulência que inibe a fagocitose), imóveis, sensível à antissépticos e ao ambiente externo. Por esse motivo, ele é facilmente removido através de boas práticas de higienização e isso possibilita a difícil transmissão por fômites. Na fase inicial o processo é agudo e rápido e, dependendo do sexo do paciente, podem ser encontrados gonococos extracelular. Assim, depende do sexo e do quadro infeccioso. Etiologia: Gonorréia, uretrite gonocócica ou blenorragia. Exame direto (Coloração de Gram): Ocorre pelo esfregaço, a região anal, conjuntival com o swab próprio. No sexo masculino, a bactéria é intracelular (diplococos Gram-negativos); se for do sexo feminino eles são menos sensíveis e podem ser encontrados extracelularmente. Em geral, ao encontrar o gonococo extracelular no sexo feminino, pode-se perceber o estabelecimento de uma infecção muito bem estabelecida e no antibiograma essas bactérias apresentarão uma taxa de resistência maior. Se houver bactérias intracelulares, trata-se de um infecção precoce e a antibioticoterapia é tranquila. A mudança de pH vaginal permite que a mulher tenha um comportamento bacteriano diferente do sexo masculino, pois cria um ambiente propício para a proliferação dessa bactéria. A mudança de pH para alcalino pode ser um método profilático para a proliferação de gonococo em mulheres. Patogenia É a única espécie de Neisseria que não faz parte da microbiota normal do homem. Geralmente, de caráter inicial é assintomática, o que permite a disseminação da doença e a não procura de um profissional da área da saúde. Pode ser sintomático também, dependendo da evolução clínica. Outras espécies encontradas na genitália humana. N. mucosa, N. sicca, N. lactamica, N. meningitidis geralmente são encontradas na genitália humana. Algumas espécies de Neisseria podem ser adquiridas e originar a infecção no trato urogenital e é de suma importância a identificação do agente, pois os quadros clínicos são semelhantes. Além disso, podem desenvolver o caráter anfibiótico (oportunista). A diferenciação dos espécimes pode ser realizada pela oxidação dos açúcares, pois somente N. gonorrhoeae oxida a glicose! Como ocorre a invasão do microrganismo no hospedeiro 1º) Adesão a microvilosidades do epitélio colunar não-ciliado por meio de fímbrias: Ocorre a interação da IgA e proteína II de fímbrias e assim ocorre a adesão; 2º) Entrada do gonococo na célula por fagocitose: Uma vez fagocitada, a bactéria inativa a atividade ciliar das células do epitélio (atrapalha fluxo sanguíneo e transporte de nutrientes) pelos lipopolissacarídeos, isso origina em necrose do epitélio, formação de secreção e entre outras consequências; 3º) Após ser fagocitados, ocorre a proliferação intracelular do gonococo no fagossomo pela inibição do lissomoso pela acidificação do fagossomo, pois nessa conformação o lisossomo não se adere; 4º) A infecção evolui para um processo inflamatório intenso, principalmente na face subepitelial da célula A característica do gonococo é empurrar o núcleo da célula para a periferia, pois geralmente o gonococo irá se proliferar perto da membrana plasmática, ou seja, na região subepitelial da célula onde a oferta de oxigênio é maior: Após o intenso processo de proliferação, ocorre a lise celular, a liberação bacteriana e recomeço do ciclo infeccioso. Em indivíduos do sexo masculino, essa saída pela lise e a fagocitose ocorrem de maneira mais rápida do que no sexo feminino, justamente pelo valor do pH. Transmissão Contato sexual sem contraceptivo, infecção sexualmente transmissível (IST). No caso de recém-nascido, diante da ausência de um pré-natal, pode se observar um quadro de oftalmia neonatal devido ao contato com a bactéria materna durante o parto normal (mais difícil em cesárea). Manifestações clínicas no homem A principal manifestação é a uretrite aguda, com disúria (sensação de formigamento e prurido intrauretral seguido de dor à micção), corrimento uretral apresentando um aspecto inicial mucoide (evolução aguda), tornando-se purulento em 1-2 dias. Uretrite aguda não-tratada, com epididimite aguda (obstrução do canal epididimário), oligospermia, azospermia e esterilidade. É observado um edema no prepúcio: em particular do prepúcio, seguido de fimose inflamatória. Prostatite: é a mais frequente das complicações. Quadro clínico composto por dor perineal, principalmente ao término da micção, durante a defecação e ao toque retal. Orquite: normalmente associada à epididimite, manifesta-se com dor e edema dos testículos. A orquiepididimite gonocócica é uma das causas mais frequentes de infertilidade masculina e quadro irreversível. Manifestações clínicas na mulher Em geral, assintomáticas na fase aguda ou oligossintomáticas, perpetuando transmissão na população. É de evolução rápida e pode se tornar sintomática. São sintomáticas com período de incubação de dez dias, com de predomínio de cervicite com muco turvo, associado ou não com hiperemia do colo, vulvovaginite aguda, corrimento de grande intensidade, cor amarelo-esverdeada (a mudançade cor de amarelo para amarelo-esverdeado ocorre de modo muito rápido), odor ativo. Em casos de estupro, o quadro de vulvovaginite é o principal sinal e a infecção ocorre durante os primeiros coitos vaginais! Na mulher, também pode ocorrer a uretrite gonocócica com disúria, urgência urinária. Ocorre com menos frequência a secreção amarelada, por vezes erroneamente atribuída a outras causas que não à gonorréia. Diagnóstico diferencial Uretrite não-gonocócica (UNG) principal diagnóstico diferencial da gonorréia; compreende uretrites causadas por bactérias, fungos, vírus ou protozoários. Alguns agentes que podem estar associados à uretrites: -Infecção por Chlamydia trachomatis (elevada frequência de casos de uretrite; além disso é responsável por mortes em neonatos): principal agente etiológico bacteriano, acarretando no homem (uma a duas semanas após o contato sexual infectante) secreção uretral escassa, porém maior pela manhã, mucóide e leve disúria. -Outros agentes causadores da UNG: Ureaplasma urealyticum, Gardnerella vaginalis, Staphylococcus, Streptococcus, Enterococcus, Trichomonas vaginalis, Herpesvirus e Candida albicans. Diagnóstico laboratorial Colheita do material. No homem se colhe o sedimento do primeiro “jato” de urina, coleta de material da próstata. Na mulher coleta da secreção uretral, endocervical ou raspagem da uretra, endocervix ou também fundo de saco vaginal com swab de metal. No início da doença a maioria do gonococos está fagocitada pelos leucócitos (leucocitose). Além disso, existem exames como: Exame bacterioscópico: Análise de secreções uretral, cervical, orofaringe, retal ou conjuntiva, corados pela técnica de Gram. Diplococos gram-negativos intracelulares ou extracelular; Meio de cultura Ágar chocolate c/ vancomicina, colistidina, trimetoprim (antibióticos que os gonococos possuem resistência natural). Incubação, 35-37ºC, 5% CO², 72 horas (crescimento demorado). Colônias mucóides, convexas, transparentes, brilhantes 1 mm de diâmetro. Examinadas por exame bacterioscópico e reação de oxidase; Provas bioquímicas: Diferenciação das espécies. Gram-negativa e oxidase positiva = provas bioquímicas para identificação das espécies. Reações de oxidação, fermentação e catalase. Apresenta algumas limitações: interpretação dos resultados demorada e difícil. Nesse sentido, o exame direto bacterioscópico pelo gram é o mais utilizado durante o diagnóstico. Cultivo: Meio de cultura seletivo Thayer-Martin para N. meningitidis e N. gonorrhoeae. Utiliza-se o meio de cultura seletivo para identificar apenas o patógeno, pois não ocorrerá o crescimento de nenhuma outra microbiota. No entanto, possui alto custo; Cultura estará indicada nos seguintes casos: Pacientes do sexo masculino: quando a bacterioscopia do material de uretra for negativa frente a quadro clínico sugestivo; Todas as pacientes do sexo feminino: o material deve ser coletado da uretra, colo do útero, fundo do saco vaginal e do canal anal como rotina diagnóstica; Suspeita de faringite gonocócica: cultura de secreções da faringe e as provas de oxidase e fermentação de açúcares para diferenciar N. gonorrhoeae de N. meningitidis; Suspeita de anorretite gonocócica: coleta do material do canal anal faz-se com a introdução de swab estéril específico de dois a três centímetros de profundidade; Infecção disseminada (característica da fase crônica e em um estágio bem avançado): (a) dermatite – utiliza-se swab de material cutâneo ou fragmento de pele obtido por biópsia; (b) artrite – punciona-se o líquido sinovial; (c) meningite – realiza-se punção liquórica. Além destes, deve-se sempre coletar material de orofaringe, região anal e secreções genitais. Tratamento Uso de cefalosporinas (B-lactâmicos) ou uso duplo de Fluorquinolonas e Eritromicina. Penicilina e tetraciclina não são usadas mais devido a existência de cepas resistentes a tais antibióticos por mecanismos. A forma ideal para o tratamento inclui a pesquisa de sensibilidade à penicilina, tetraciclina, cefalosporina e fluorquinolona, através de cepa isolada e identificada! Profilaxia Atenção especial às crianças, sexo feminino, > 1 ano de idade pela presença de infecção gonocócica, em particular vulvovaginite, com possibilidade da ocorrência de abuso sexual. Uso regular preservativo masculino ou feminino. Testes sorológicos para a sífilis, HIV, hepatites B e C. Indivíduos sexualmente ativos. Mulheres que desejam engravidar, estão grávidas ou possuam múltiplos parceiros. Observar oftalmia neonatal. Rotina nas maternidades. Aplicação única no saco lacrimal, logo após o nascimento: – Nitrato de prata a 1% (Método de Credè) ou – Eritromicina a 0,5% (colírio) em casos mais avançados ou – Tetraciclina a 1% (colírio). Efetuar ações de educação em saúde sexual e reprodutiva de forma constante e rotineira nas famílias, escolas, serviços médicos e mídias em geral. Notificar todas as IST’s diagnosticadas (de forma etiológica ou sindrômica) para obter-se a real magnitude dessas doenças e possibilitar melhor programação das atividades educacionais, profiláticas e terapêuticas Estimular vacinação contra a hepatite B e HPV. Neisseria meningitidis Cocos Gram-negativos, cápsula externa (é um dos principais fatores de virulência), parede celular, membrana externa peculiar de todo gram negativo, membrana citoplasmática, massa protoplasmática interna e fímbrias. Polissacarídeo capsular São característicos para a resposta imune do hospedeiro. Com isso, eles são classificados, por soroaglutinação, em 13 sorogrupos: A, B, C, D, X, Y, Z, E-29, W-135, H, I, K, L. Confere caráter imunogênico, exceto sorogrupo B que não apresenta caráter imunogênico, ou seja, não induz resposta imune no organismo. A cápsula confere atividade antifagocitária e é importante fator de virulência. Vacinas c/ potencial imunogênico para sorogrupos A, C, Y, W-135. Não existe vacina para o sorogrupo B e apresenta alta taxa de mortalidade. Sorotipos e importância epidemiológica: Casos esporádicos = sorogrupos B e C Casos epidêmicos = sorogrupo A Etiologia Tropismo da bactéria pelo SNC, originando meningoencefalite e meningite. As características da Meningite meningocócica (Meningite C) se resumem em mau-estar, febre, estado mental alterado, cefaléia, vômito, fotofobia. Geralmente, atinge imunocompetentes. Existe um protozoário, Naegleria fowleri (ameba comedora de cérebro), que origina uma meningoencefalite apresenta a mesma sintomatologia e torna-se um diagnóstico diferencial para meningite C. A disseminação está relacionada com a sepse de extrema gravidade (meningococcemia) com formação de erupções cutâneas em membros inferiores (rash) (afeta meninges e é transportada para a via hematogênica). Patogenia A bactéria afeta apenas humanos. O fator de virulência é relacionado à invasão e adesão. Após invadir, alguns antígenos principais, como lipo-oligossacarídeos (endotoxinas), induzem a necrose celular e necrose tecidual. Apresenta capacidade adaptativas às condições do hospedeiro. Após se adaptar, ela começa a se proliferar de maneira mais intensa, por isso a evolução clínica é tão rápida. Infecção inicia-se com a colonização da mucosa da nasofaringe (principal porta de entrada para a barreira hematoencefálica) que por meio das fímbrias ocorre a adesão microbiana no epitélio, atravessa epitélio (endocitose), invade a corrente circulatória. Adaptação às condições do hospedeiro. As formas mais graves são: bactéria infecta cérebro, onde produz toxinas causando inflamação das meninges. Transmissão Podem ser adquiridos de indivíduos doentes ou portadores assintomáticos, através contato direto com secreção da nasofaringe. O indivíduo inala aerossol originário de secreção respiratória de portadores de meningococo na orofaringe ou na rinofaringe. O período de colonização, antes do desenvolvimento da doença, pode ser extremamente curto (menor que um dia). A transmissão indireta é questionada, pois meningococo é sensível às variações de temperatura e dissecação. As criançasmenores de 3 anos apresentam resistência devido aos anticorpos maternos anti-N. Meningitidis. No entanto, os títulos desses anticorpos caem e desaparecem entre 6 e 24 meses, por isso deve-se observar e ter cuidado. Criança encontra-se no período suscetível. Perde a proteção dos anticorpos maternos transferidos no ambiente intrauterino. Ascensão linear dos títulos até os 12 anos. Manifestações clínicas Período de incubação varia entre 2 e 5 dias. Os sintomas e sinais ocorrem de maneira súbita e surgem repentinamente. Atingem o ápice em 24 horas em média. Forma aguda: Início brusco – Cefaléia holocraniana, febre alta, vômitos em jato (não relacionados com a alimentação), lesões petequiais características. Infecção da orofaringe com bacteremia, sem septicemia: Quadro benigno. Simula infecção respiratória superior. Meningococcemia, às vezes sem meningite: É a forma mais grave e letal. Evolui, em poucas horas, para estado de choque. Paciente apresenta-se septicêmico, febre alta, leucocitose, mal-estar geral, cefaléia, fraqueza, hipotensão, miocardite e comprometimento sistêmico geral. Meningite: Cefaléia holocraniana, vômitos em jato, febre alta, alterações sensoriais (paciente sonolento, torporoso ou coma superficial), sinais meníngeos e LCR turvo. Ocasionalmente, meningoencefalite mais profunda em coma profundo, parestesias, paralisias e outros sinais neurológicos. Diagnóstico laboratorial Exame bacterioscópico do líquor (meningite) ou do sangue (meningococcemia), coletado através de punção e corado por Gram. No caso de meningite, ocorre a presença do meningococo extracelular. Cultivo (Ágar chocolate, Thayer-Martin), 37ºC, 72 horas; Utiliza-se também materiais de lesões cutâneas. O diagnóstico laboratorial para meningite meningocócica LCR turvo ou purulento: pleiocitose (predomínio de polimorfonucleares neutrófilos), concentração de glicose baixa (menor do que 75% da glicemia, coletada simultaneamente ao LCR), concentração elevada de proteínas (superior a 100 mg/dL). Hemograma, geralmente, apresenta leucocitose, neutrofilia e desvio para a esquerda. O diagnóstico laboratorial de meningococcemia velocidade da hemossedimentação baixa. Plaquetopenia e coagulograma alterados. O diagnóstico laboratorial de meningococcemia com choque gasometria revela acidose e hipóxia. Tratamento Penicilina e tetraciclina para Meningite, pois conseguem atravessar a barreira hematoencefálica. Muitas pessoas acabam morrendo e as pessoas que são curadas apresenta diversas sequelas. Cloranfenicol e cefalosporinas: Usados em casos de alergia à penicilina. Antibióticos por via endovenosa e medidas de suporte (como hidratação). Pessoas que sobrevivem, 9 a 11% ficam com algum tipo de sequela permanente (surdez, paralisias, convulsões, amputação de extremidades). Profilaxia Vacina conjugada de polissacarídeos A = C = W135 = Y: Formulações mono e polivalente. Duração da imunidade transitória e incompleta. Menos imunogênica em crianças (especialmente abaixo de 4 anos) do que em adultos, notadamente contra o sorogrupo C. • Quimioprofilaxia: (contatantes íntimos intradomiciliares): Rifampicina: 600 mg, via oral, cada 12 horas, durante dois dias, adultos e 10 mg/kg/dia, 12 em 12 horas, VO, durante dois dias, crianças. Alternativas para a rifampicina: Ciprofloxacina (500 mg em dose única) e Ciprofloxacina (250 mg, IM, dose única). Obs: Existe vacina para o sorogrupo B, no entanto, o organismo não possui a capacidade de estimular o sistema imune. E por isso está associado a alta taxa de mortalidade. AULA 8: Dengue Dandara Amador - Doença viral aguda. - Principal arbovirose humana, transmitida por mosquitos do gênero Aedes sp - Um dos principais problemas de Saúde Pública em países tropicais e subtropicais - 2.5 bilhões de pessoas vivem em áreas de risco - 50 a 100 milhões de infecções por ano - 550 mil internações - 20 mil óbitos O AGENTE: - Vírus RNA, com envelope, pertence à família Flaviviridae. - Possui 4 sorotipos (tipos antigênicos) - DEN 1 - DEN 2 Prevalência e distribuição geográfica diferentes - DEN 3 - DEN 4 Existe uma proteína no envelope do vírus chamada de proteína E, ela que é utilizada pra fazer essa caracterização antigênica. - Sem diferenças marcantes de virulência -Imunidade tipo-específica é longa -Baixa reatividade sorológica cruzada: pode ter um grau de imunidade entre um sorotipo e outro isso significa se você pegou dengue com o sorotipo 1 durante alguns meses você pode ter algum tipo de imunidade contra outro sorotipo, porém é uma imunidade FRACA e perene. GENOMA: Vírus de RNA de polaridade positiva, isso significa que o RNA genômico já pode ser traduzido em proteínas. Contem 3 genes estruturais, gene que codifica a proteína C que corresponde ao capsídeo do vírus, gene que codifica a proteína pré-M (proteína associada a membrana) e o gene que codifica a proteína E (principal proteína do envelope viral). E 7 genes que codificam proteínas não estruturais (proteínas que não fazem parte da partícula viral), vao executar funções durante o ciclo replicativo. A proteína E fica protegida pela proteína pré-M, importante em termos de antigenicidade, ela que interage com receptores celulares permitindo a entrada do vírus na célula, alguns desses receptores são encontrados nas células de langerhans e nos resíduos de ácido sialico encontrados nos monócitos. Obs.: na região 5’ tem alguns nucleotídeos modificados que vao formar o CAP, que protege o RNA da ação das RNAses, e como ocorre no RNAm é ela que vai conduzir o RNA ao processo de tradução. No RNAm, diferente do vírus da dengue, ainda há na extremidade 3’ a presença de uma cauda poli-A, que é importante para o processo de replicação do genoma, síntese proteica e importante no processo de montagem de novas partículas virais. O vírus através da proteína E está interagindo com o receptor na superfície da célula, penetrando na célula e formando o endossomo, que sofre uma acidificação por conta das bombas de H+ que bombeiam ions H+ p/ dentro, promovendo uma modificação especial da estrutura de ligação, permitindo à fusão do envelope do vírus a membrana do endossomo, que lança o nucleocapsidio viral no citoplasma da célula. Esse RNA lançado, como é de polaridade + ele já vai ser encaminhado pra tradução direta p/ produção das proteínas, C, E, M e as não estruturais. Junto a replicação do RNA genomico a essas proteínas ocorre então a montagem da partícula viral não associado à membrana, mas sim associado a membrana do reticulo endoplasmático, que através de vesícula é conduzido ao complexo de Golgi, lá ocorre o termino da maturação das proteínas e o vírus é então liberado por exocitose. A proteína E existe na forma intra e extra celular. Na intra, ela existe na forma de trimero (3 cadeias polipeptídicas idênticas). Essa proteína ao passar pelo complexo de Golgi sofre uma transformação e passa pra forma de monômeros e se organiza na forma de holodimeros, nessa forma o vírus está ativo e capaz de interagir com a célula hospedeira, na forma de trimero não. Logo, a proteína E na forma de trimero está inativa momentaneamente. Histórico - Décadas de 30-70: campanhas erradicação FA - 1976 -1977: alguns surtos (BA) - 1981: Roraima (11.000 pessoas, tipos 1 e 4) - 1985 -1987: 90.000 casos notificados - 1986 Identificação A. albopictus (RJ, MG, ES) -1986-1993: CE, AL, PE, BA, MG, MT, MS, RS - 2007 – mais de 450.000 casos Epidemiologia - Originalmente mantido em ciclos silvestres (primatas – mosquitos) - Adaptou-se muito bem a população humana - Doença predominantemente URBANA - Ocorrência em países tropicais e subtropicais - Endêmica em mais de 100 países - Epidemias ocorrem no verão (final) ou após épocas chuvosas Re-emergência da dengue Fatores demográficos e ambientais:- Crescimento populacional - Urbanização acelerada e desorganizada - Inchaço das grandes cidades - População marginalizada - Facilidade de movimentação de pessoas Fatores biológicos: - Capacidade de reprodução do Aedes - Transmissão transovariana - Ritmo de reprodução acelerado - Período de transmissão longo (vários dias) - Calor úmido > oviposição acelerada > maior voracidade Transmissão - Picada de mosquitos (arbovírus) - Principal vetor: Aedes aegypti - Hábitos diurnos - Predominantemente urbano - Oviposição em água limpa - Preferencialmente em recipientes artificiais Ciclo de transmissão Somente a femea transmite, por que só ela se alimenta de sangue uma vez que necessita do hormônio luteinizante (presente no sangue) para a maturação dos seus ovos. Manifestações clínicas DENGUE CLÁSSICA (DF): - Período de incubação: 2 – 14 dias (média 4 – 7) - Curso clínico: 3 – 5 dias - Febre: 1 – 7 dias - Cefaléia, dores musculares e articulares. - Náuseas, mal-estar - Exantemas FEBRE HEMORRÁGICA (DHF): - Classificada em graus I a IV - Inicia com sinais clássicos (2 – 7 dias) - Eritemas na pele, manchas cianóticas - Hemorragias na pele - Sangramento gengival, nasal, gastrointestinal - Trombocitopenia (plaquetas 100.000/mm3): a queda do número de plaquetas pode ser explicadas por que o vírus pode se instalar na medula óssea e atrapalhar a produção ou o próprio sistema imunológico retirar as plaquetas por reação cruzada, ou seja identifica-las como algo estranho. Obs.: queda do número de plaquetas = maior suscetibilidade a hemorragias. Logo, para o tratamento da dengue deve se evitar medicamentos que interferem de alguma forma na coagulação. Fisiopatologia Por que algumas pessoas vão desenvolver a dengue clássica e outras a dengue hemorrágica? Teoria dos Anticorpos Potencializadores de Infecção: Ex: tive dengue do sorotipo 1 e isso vai me dar imunidade pra esse sorotipo pra o resto da vida, e esses anticorpos ficam circulantes. Depois de um ano, adquire-se a dengue pelo sorotipo 2, e os anticorpos que tinham presentes para o sorotipo 1 reagem de forma cruzada com o sorotipo 2, mas não são capazes de neutralizar o sorotipo 2, pelo contrário favorecem o processo de infecção pelos monócitos, e se reproduzem de maneira mais eficientes. Ou seja, os anticorpos que antes eram neutralizadores, se tornam opsonizadores. Isso explica por que infecções sucessivas por sorotipos diferentes deixam o indivíduo mais suscetível a desenvolver dengue hemorrágica. Outra teoria: Alguns indivíduos tem resposta imunológica exacerbada pelo vírus da dengue, promovem a chamada “chuva de citocina”. Diagnóstico Clínico-epidemiológico –altamente sugestivo -Prova do “laço”: A prova do laço é um exame rápido que ajuda a identificar fragilidade dos vasos sanguíneos e a tendência ao sangramento, comum em doenças como dengue, Durante o exame, é feita a contagem de pequenos pontos avermelhados que surgem em uma área do braço após obstrução do fluxo de sangue com um torniquete, e quanto maior a quantidade, maior o risco de hermorragias. -Diagnóstico diferencial: Flu, sarampo, rubéola, leptospirose Diagnóstico laboratorial -Isolamento viral: inoculação de soro de pacientes, até 5 dias após o início da febre (período da viremia), em linhagens celulares de camundongos récem nascidos ou de mosquitos. Após o isolamento, o DENV pode ser identificado e sorotipado, comumente por imunofluorescência, utilizando anticorpos monoclonais sorotipos-específicos. A confirmação diagnóstica por isolamento viral pode demorar aproximadamente de sete a doze dias - PCR: O diagnóstico molecular de infecções por DENV utiliza a Transcrição Reversa – seguida de Reação em Cadeia da Polimerase (RT-PCR), e permite classificar os sorotipos de DENV ao utilizar os iniciadores específicos das sequências genômicas de cada sorotipo viral. -Mais usado: ELISA IgM Para os pacientes atendidos em emergências de centros de saúde tem-se utilizado o teste rápido para detecção simultânea de anticorpos IgM, IgG e antígeno NS1. A IgM começa a ser detectável no soro após quatro dias do início dos sintomas, atingindo níveis máximos em sete a oito dias e começa a diminuir depois de 1 a 2 meses. Já os anticorpos do tipo IgG começam a serem detectados em títulos muito baixos a partir do quarto dia, atingindo títulos máximos em duas semanas e persistem por dois a três anos após a infecção. Tratamento Sem tratamento específico, tratamento sintomático (analgésicos e antitérmicos) Cuidados especiais em caso de DHF Evitar salicilatos ((grupo de fármaco que age para inflamação, antipirese, analgesia e artrite reumatoide) Controle - Aplicação de inseticidas (combate ao mosquito) - Evitar reservatórios de água - Sistema de vigilância efetiva - Identificação precoce do mosquito e vírus - Participação ativa da população - Melhores condições de urbanização, habitação, abastecimento de água, educação. - Substituir água dos vasos por terra - Manter seco o prato coletor de água - Desobstruir calhas do telhado - Não deixar recipientes (latas, pneus) que acumulem água. - Tampar cisternas, caixas d’agua, barris, etc. - Acondicionar lixo em sacos plásticos fechados Vacinas - Seriam o meio IDEAL de prevenção - + de 60 anos de pesquisas - Problemas: 1. Quatro sorotipos (tetravalente) 2. Falta de modelo animal 3. Dificuldade de atenuação do DEN 4. Imunidade heteróloga baixa e de curta duração AULA 9: Vírus Influenza A influenza, conhecida como gripe, é uma doença infecciosa aguda de origem viral que acomete o trato respiratório e a cada inverno atinge mais de 100 milhões de pessoas. Estima-se que anualmente, cerca de 10% da população mundial apresente um caso de influenza. O Vírus influenza acomete homens e animais e pertencem a família Orthomyxorovidae. Esta família está dividida em 3 gêneros: Influenza A, influenza B e Influenza c. O vírus da influenza age no corpo no trato respiratório, destruindo a mucosa. Estrutura do Virion Apresenta de 7 a 8 segmentos de RNA simples fita de polaridade negativa precisa de uma enzima para transcrever. Complexo polimerase é constituído por 3 proteínas. É envelopado. Adquire o envelope lipídico a partir ada membrana plasmática da célula do hospedeiro. Hemaglutinina e neuraminidase são cruciais para a infecção viral. Também existe a proteína M2 que funciona como um poro e permite o transporte de ions H+ para dentro da partícula viral, o que facilita o desnudamento. A proteína M1 é importante no processo de montagem da partícula viral. Tem uma forma pleumórfica e tem tamanho intermediário (100 nanômetros). O vírus Influenza pode ser caracterizado de acordo com a nucleoproteína e da proteína da matriz (M1) e se divide em 3 tipos diferentes. Subtipos do Influenza Gêneros A e B - 3 Prot. Env.: Hemaglutinina, neuraminidase, M2 - 8 Segmentos de RNA - Responsável por epidemias e pandemias Gênero C - 1 Prot. Env.: HEF - 7 Segmentos de RNA - Causa resfriado comum Os gêneros A, B e C baseados em antígenos da matrix (M1) e nucleoproteína (NP). Os três gêneros podem infectar humanos. O subtipo A pode infectar outros mamíferos e aves. Proteínas do Envelope Lípidico São glicoproteínas, são sintetizadas no RE, passa pelo complexo de Golgi e são transportadas para a membrana da célula hospedeira. Essas proteínas que são inseridas na membrana plasmática na célula repelem as proteínas celulares. Quando o vírus monta a partícula viral associada a essa função da membrana ele carrega essas proteínas virais para o seu envelope. Proteínas virais PB2: Está associado a replicação viral e é responsável pela ligação do cap nas moléculas de pré-RNAm. PB1: função de adicionar nucleotídeo durante alongamento de RNA. PA: função desconhecida. NS1: função na infecção viral, incluindo a replicação do RNA viral e síntese de proteínasvirais e está envolvida na inibição da resposta imune do hospedeiro. NS2: envolvida na exportação nuclear das RNP para o citoplasma, junto com M1 A Hemaglutinina e Neuraminidade são proteínas imunogênicas, sendo a HA o primeiro alvo dos anticorpos. Absorção e penetração - Fusion Schematic O vírus influenza interage com a célula hospedeira a partir da hemaglutinina interagindo com receptores que apresentam ácido siálico, essas células são encontradas no epitélio do trato respiratório. Essa interação inicial vai promover uma endocitose da particula viral mediada por Clatrina. Lembrando que quando é formado esse endossoma o meio intraendossoma fica mais ácido por causa de proteínas transportadoras de H+ que mantem uma diferença de concentração entre citoplasma da célula e o interior do endossoma. Essa acidez ativa a hemaglutinina por clivagem proteolítica, nessa hora as cadeias polipeptídicas expõem um sitio hidrofóbico que aproxima o envelope do vírus à membrana do endossoma, fazendo a fusão. Liberando as liponucleoproteínas no citoplasma da célula. Hemaglutinina (HA) Glicoproteína de membrana homotrimero 16 variantes de HA identificadas Ativada quando clivado em 2 cadeias (HA1 & HA2) HA1 importante no evento inicial de fusão do envelope HA2 importante para fusão do virion com a membrana endossômica Neuraminidase Heterotrimero - 9 variantes Importante papel na entrada e saída do vírus (se liga a receptores contendo ácido siálico e corta as ligações da HÁ com esse ácido, sem essa ação as partículas virais ficam retidas no muco do trato respiratório) (também é importante no brotamento desprendendo o vírus da célula hospedeira). Matrix 2 Homotetramero Importante no desnudamento do virion (permite a acidificação interna): Forma canais iônicos que facilitam a passagem de íons de sódio através das membranas da célula. Sua função é conduzir prótons do endossomo acidificado para o interior do vírus, facilitando a dissociação do complexo RNP do restante dos componentes virais, finalizando assim, o processo de desnudamento durante a replicação viral. Ciclo replicativo As ribonucleoproteínas liberadas tem um peptídeo sinal que permite o transporte delas para dentro do núcleo através dos poros. No núcleo acontece a ação do complexo polimerase viral, a transcrição do RNA genômico em RNA mensageiro. As proteínas do complexo polimerase e a nucleoproteína voltam ao núcleo da célula por um peptídeo sinal e se complexam ao RNA nascente. Essas novas ribonucleoproteínas são direcionadas novamente ao citoplasma e conduzidas a partir da M1 para a membrana da célula aonde fazem o empacotamento, onde acontece a montagem e depois o brotamento. Rearranjo Gênico (HA & NA) Antigenic Drift Pequenas mudanças nas características antigênicas – mutações de ponto que resultam em mudanças nos aminoácidos que compõem as glicoproteínas de superficial, permitindo muitas vezes o escape de anticorpos neutralizantes. Elevadas taxas de mutação para o subtipo A As mais importantes na proteína A1. Responsável pelos surtos anuais Antigenic Shift Surgimento de variantes emergentes Imunologicamente distintas, novas combinações de H/N Rearranjo gênico entre cepas de humanas e de animais - a população inteira fica suscetível, ninguém tem imunidade O genoma segmentado facilita o rearranjo Somente observado no tipo A Como o influenza age no corpo? Pode provocar necrose direta da célula ou quando invade as células imunes. Transmissão de pessoa a pessoa Via aérea, muito fácil transmissão. O vírus é expelido pelo hospedeiro a partir de pequenas partículas em suspensão. Essas partículas são inaladas contendo as partículas virais, ou muitas vezes pela mão contaminada na boca. Sintomas Os sintomas surgem de 1 a 4 dias após a infecção. Pode-se transmitir desde o início até 3 a 4 dias após o início dos sintomas. Febre acompanhada de 1 ou mais sintomas: Dor de garganta, coriza, tosse, mal estar geral, mialgia e artralgia, diarreia Complicações – principalmente se existir outras comorbidades Epidemiologia Surtos anuais x Pandemias Sazonalidade caracteriza a influenza. Diagnóstico Imunoflorescência indireta das secreções da nasofaringe - Até 5 dias de infecção é possível detectar antígenos virais. Depois de detectada a Influenza é preciso determinar qual é o subtipo por um PCR. Também pode ser feita analise sorológica. Prevenção Vigilância epidemiológica – identificar rapidamente uma cepa pandêmica. Vacina – vírus inativado cultivado em ovo embrionado Drogas anti-virais Todos os antivirais inibem a replicação do vírus. Zanamivir e Oseltamivir Inibidores da neuraminidase. O vírus fica preso no muco ou no interior da célula hospedeira. Precisam ser administradas precocemente Já foram identificados alguns casos de resistência Amantadina e Rimantadina Inibem a replicação do vírus influenza A. Bloqueio do canal de íons M2 e retenção da partícula viral no endossomo. No entanto, o gene M2 pode sofrer mutação e conferir resistência. AULA 11: Micologia I Victoria da Rós Conceitos: ▪Micologia Ramo da biologia que estuda os fungos macro e microscópicos. ▪Fungos Microrganismos eucariotos pertencentes ao Reino Fungi. ▪Micoses Infecções de origem fúngica em humanos e animais. *Micologia Médica: É a ciência especializada em estudar fungos e enfermidades associadas tanto ao homem como em animais. - A maioria dos fungos de importância médica são caracterizados como ZOOFÍLICOS (animais p/ humanos) #Aumento das infecções fúngicas apresenta relação diretamente proporcional ao aumento de pacientes susceptíveis (imunodeprimidos, crianças, idosos (nossa população está ficando muito idosa), etc. - As infecções fúngicas já ultrapassaram a importância de infecções virais. Já faz 2 ou 3 anos que o índice das infecções fúngicas apresenta uma taxa crescente. A tendência é que o número se equipare as infecções bacterianas, lembrando que a sintomatologia geralmente é muito semelhante. -Disponibilidade de antibióticos e corticoides para aumentar a sobrevida dos pacientes induziu maior vulnerabilidade às infecções oportunistas e, com elas, as infecções fúngicas começaram a ser prevalentes! Essa utilização indiscriminada de antibióticos, principalmente dos de amplo espectro, e de corticoides, que está em alta pois é empregado para diminuir a dor do paciente, induz ao desbalanço da microbiota residente e obviamente eles abrem precedentes para o caráter anfibiontico de alguns microrganismos, principalmente os fúngicos pertencentes ao epitélio humano. - A maioria das infecções fúngicas apresentam caráter oportunista (ou seja, associado ao caráter anfibiontico). Instalação da doença -Em geral, o início do processo infeccioso, dado ao caráter oportunista da infecção, está baseado em 2 principais aspectos: I) Virulência do agente etiológico (lembrando que, quando um microrganismo se torna oportunista, ele cria uma defesa contra o organismo que ele habita naturalmente. Então, nesse caso a virulência é um caráter a ser considerado) II) Resposta imunológica do hospedeiro ao agente agressor (geralmente a resposta imunológica do hospedeiro está associada ao processo de depressão. Então, deprime-se a resposta imunológica do hospedeiro, favorecendo a instalação da infecção pelo agente etiológico) *Estabelecimento da doença ocorre diante do desequilíbrio entre parasita e hospedeiro! #DICA: - Qualquer crescimento bacteriano precisa de assimilação de proteína. Então, onde existe consumo de proteína, presuntivamente, pode estar associado à uma infecção bacteriana. Em linhas gerais, BACTÉRIA tem uma maior predisposição por assimilar PROTEÍNA. Existe consumo intenso de proteína --- provavelmente há nutrição de colônia bacteriana! - Onde existe infecção de “carboidrato” – quitina, queratina, celulose- por exemplo: unha,cabelo, plantas dos pés e palmas das mãos (riquíssimos em queratina), provavelmente pode estar associado à uma infecção de origem FÚNGICA - Assimilação de PROTEÍNAS: presume-se uma infecção de origem BACTERIANA. - Assimilação de CARBOIDRATOS: presume uma infecção de origem FÚNGICA. Crescimento - Crescimento inicial: células simples (lembramos que os fungos são seres eucariotos, extremamente primitivos, então apresentam o crescimento inicial no formato de células simples) Lembrando que existem duas formas básicas de fungos: - Leveduras: formam brotamentos (blastoconídeos) – geralmente são seres arredondados - associados ao processo de reprodução assexuada, que se dá através do processo de brotamento, esses brotos que ocorrem a partir da levedura são denominados de blastoconídeos. - Filamentosas: extensões em formas de tubos, também chamados MICÉLIOS. Os fungos filamentosos podem ser septados ou asseptados – Geralmente se apresentam no caráter de hifas - Formas filamentosas, também chamadas de formas de bolor. - Alguns fungos apresentam o caráter de DIMORFISMO, que é a capacidade de se desenvolver segundo condições ambientais (ex.: histoplasma capsulatum – no meio ambiente se apresenta como fungo filamentoso, 25°C, enquanto no organismo humano ele apresenta uma transformação de dimorfismo para sua forma leveduriforme) * filamentosos: 25°C – 30°C / leveduras: 35°C-37°C. Estrutura da célula fúngica - Os fungos filamentosos podem apresentar tanto reprodução assexuada, quanto sexuada. - Estrutura muito semelhante a procariotos. -Temos membrana celular. - Parede celular riquíssima em peptídeo glicano. Isso quer dizer que eventualmente ele também pode se corar pelo método de GRAM. -Também temos a presença do núcleo, de mitocôndrias e assim por diante... -Basicamente, as mesmas estruturas de organelas que estão presentes em filamentosos também estão presentes em leveduriformes, com a diferença de mecanismos de reprodução. - Fungo LEVEDURIFORME: reprodução ASSEXUADA, com brotamento. - Fungo FILAMENTOSO: reprodução SEXUADA e ASSEXUADA. - Lembrando que fungos são EUCARIOTOS aclorofilados, unicelulares (leveduras) ou pluricelulares (filamentosos). Apresentam estruturas morfológicas muito simples, são formados de filamentos (denominados hifas) e esporos (geralmente na extremidade de cada hifas temos uma estrutura contendo vários esporos). O corpo do fungo é denominado talo, de onde partem as hifas. - Os fungos apresentam estruturas muito peculiares de acordo com o gênero ao qual pertencem, isso é muito importante para uma identificação precoce e precisa do agente etiológico. Por exemplo, existem fungos que possuem estruturas denominadas de ARTROCONÍDIOS (chamando atenção para os gêneros Trichosporon e Geotrichum, os dois principais agentes etiológicos de infecção ungueal, infecção na unha e também em algumas espécies de dermatófitos quando em parasitismo). - O diagnóstico de infecções fúngicas é extremamente simples. - A principal característica dos ARTROCONÍDIOS é a fragmentação do micélio em elementos retangulares com formação de parede espessa ao redor. Parede celular espessa quer dizer pouca penetração antifúngica. Por isso, quando temos uma infecção fúngica ungueal temos que passar o “esmalte” durante meeeses. As infecções fúngicas ungueais são extremamente resistentes a penetração antifúngica. - Geralmente a parede celular de fungos, principalmente os filamentosos, é riquíssima em ergosterol. Esse é um dos motivos pelos quais os principais antifúngicos são feitos à base de compostos azólicos. - CLAMIDOCONÍDIOS: Célula geralmente arredondada, de volume aumentado, com parede dupla e espessa. Com localização apical ou intercalar ao micélio. São encontrados, principalmente, nos gêneros Fusarium (bolor) – principais agentes de infecções fúngicas oculares, com tratamento dificílimo, com grande capacidade de penetração da córnea, induzindo ao transplante e um dos grandes problemas é que a infecção fúngica dificulta o transplante, pois induz formação de vasos nesse tecido que é avascular - e Candida albicans (levedura). Clamidoconidios são importantes estruturas morfológicas de identificação da espécie Candida Albicans, que faz parte da microbiota residente, principalmente do trato urogenital feminino. - ALEURICONÍDIOS são divididos em macro e microconídios. Importante na identificação de dermatófitos, graças a presença desses micro e macroconídios a nível de espécie. Existem várias dermatomicoses que podem ser diferenciadas quanto ao seus agentes, pela configuração dos seus micro e macroconídios, que constituem os aleurconídios. - Basicamente os artroconídios, clamidoconídios e aleuriconídios são as principais estruturas associadas a fungos FILAMENTOSOS. - LEVEDURAS: Blastoconídios: formam “falsas hifas”; apenas microrganismos do gênero Candida tem a capacidade de formar os blastoconídios. Lembrando que, mesmo formando essas falsas hifas, eles ainda se constituem como seres UNICELULARES. Acredita-se que a formação dessas falsas hifas está associada à uma resposta do fungo a algum agente terapêutico. - As colônias de levedura se assemelham morfologicamente à colônias bacterianas. Na lâmina dá para diferenciar. - Reprodução: brotamento.Porém, brotos formados alongam-se e, brotando pelas extremidades, conservam-se em posição seriada, resultando a formação de pseudohifas ou pseudofilamentos. - As colônias deste tipo de micélio são do tipo leveduriforme. Estruturas de reprodução - ESPOROS: são células que, por mitose, originam novos indivíduos. Podem ser facilmente propagados. Revisão Fungos: - São eucariontes - Possuem parede celular de quitina e celulose - Podem ser uni ou pluricelulares - A terapêutica antifúngica é de maior complexidade comparada à bacteriana, devido às características de sua parede celular. - Unicelulares: leveduras - Pluricelulares: filamentosos - Hifas cenocíticas = Hifas asseptadas. - Micélios: são importantes nos mecanismos de reprodução, principalmente assexuda. Classificação das micoses a) MICOSES SUPERFICIAIS (CUTÂNEAS) - Localização da lesão: SUPERFICIAL - Penetração: CONTATO DIRETO - Normalmente não se dissemina por via sanguínea e/ou linfática -Não induz resposta inflamatória - Se caracteriza por seu aspecto autolimitado, ou seja, de se curar sozinha - Geralmente não induz quadro infeccioso, tem maior importância estética - Ex.: Pano branco (pitiríase versicolor) / Tinea Nigra (geralmente associada às palmas das mãos; mancha negra) / Piedra Branca (geralmente associada ao fio de cabelo, especialmente em indivíduos do gênero feminino, associado a questões hormanais; grânulos brancos, muito semelhantes lêndeas) / Dermatofitoses (ou dermatomicoses; caracterizadas por prurido e aparecimento de algumas placas eritematosas) - DERMATOFITOSES: São micoses causadas por fungos dermatófitos (que utilizam a queratina da pele, pelos e unhas como alimento). Envolve três gêneros distintos, biologicamente relacionados: Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton. Apresentam várias espécies, quase 50 (41), mas dessa quantidade apenas 11 causam micoses. - DERMATOMICOSES: São micoses cutâneas causadas por outros fungos, que não sejam fungos dos 3 gêneros mencionados anteriormente. Associadas a Candida e outros fungos. (dermatomicose e dermatofitose não são a mesma coisa) - Colocar óleo de oliva para crescimento (5%) -TODA INFECÇÃO FÚNGICA APRESENTA DESCAMAÇÃO! - Realize raspagem. b) MICOSES SUBCUTÂNEAS - Localização da lesão: DERME - Penetração: MICROTRAUMATISMOS - Disseminação: VIA LINFÁTICA -Resposta do hospedeiro: inflamatória - Ex.: Esporotricose (relação com felinos; com disseminação linfática bastante peculiar, muito semelhante aos casos de Leishmaniose tegumentar); Lobomicose; Cromoblastomicose (muito peculiar em indivíduos de regiões ribeirinhas, com acometimento, principalmente, de membros inferiores);Eumicetomas(induzem a degradação intensa de quase toda a derme do paciente); - Geralmente micoses subcutâneas, devido a evolução clínica intensa, pode facilmente induzir à amputação de um membro. - Olhar tabela com os agentes etiológicos no slide. c) MICOSES SISTÊMICAS - Localização da lesão: ACOMETE ÓRGÃOS INTERNOS (principal órgão acometido é o pulmão direito- temp. mais baixa- trato respiratório superior) - Via de penetração: INALATÓRIA - Via de disseminação: SANGUÍNEA E LINFÁTICA - Resposta do hospedeiro: INFLAMATÓRIA - Formação granulomatosa - Ex.: Paracoccidioidomicose (paciente apresenta mudança na tonalidade de voz; voz mumificada; endêmica no ES); Histoplasmose (disseminação linfática, caracterizada pela presença de nódulas); coccidioidomicose. - Paracoccidiodomicose (Locais de isolamento do patógeno em tatus, Dasypus novemcinctus Associação estreita com monoculturas!) -Histoplasma capsulatum (estudar o objetivo do tutorial relacionado- caverna) (capsulatum duboisii farciminosum Vários surtos epidêmicos Cavernas Guano de aves) - Blastomyces dermatitidis (O cão é considerado animal sentinela desta micose; frequência da Blastomicose em cães é significativamente maior do que em humanos; Não ocorre no Brasil, pois não se suspeita clinicamente. Se não se suspeita clinicamente, não se pede cultivo, se não se pede cultivo, não há diagnóstico definitivo). - Coccidioides immitis: Considerado o fungo patogênico de maior virulência; pode apresentar disseminação por meio de cães (Surtos epidêmicos no Nordeste do Brasil) acredita-se que tatus também podem ser reservatório dessa levedura. - Geralmente micoses sistêmicas estão associadas à fungos dimórficos! d) MICOSES OPORTUNÍSTICAS - Causadas por fungos que normalmente são sapróbios e que em decorrências de fatores adversos passam a produzir lesões. -Indivíduos com ↓ resposta imune -Antibioticoterapia prolongada -Rompimento de barreira de defesa da pele e/ou de mucosas -Ex.: Criptococose (presença de cápsula), Candidíase e Aspergilose. Métodos diagnóstico I. Colheita de material II. Exame microscópico direto -Auxiliares primários no diagnóstico -Várias técnicas, dependendo do material *Dica: Andem sempre com um frasquinho conta gotas de hidróxido de potássio no bolso do jaleco RS (hidróxido de potássio evidenciará as hifas fúngicas) - Tinta da china- coloração criptococos - Sempre realizar raspagem da lesão, sempre que for fungo descamará. - Montagem com hidróxido de potássio (KOH) KOH: dissolver estruturas teciduais, clarear pigmentos evidenciando as estruturas fúngicas - Montagem com tinta da China ou nigrosina • Observação de cápsula - Montagem com GRAM: Utilizados para pesquisas de leveduras em secreções, fungos G+ -Montagem em Giemsa: melhor fixação com utilização de metanol, esfregaço sangue: forma leveduriforme de Histoplasma capsulatum - meios de cultura - Isolamento e identificação pela formação de macroconídios Meios utilizados: Ágar Sabouraud (com antibiótico e/ou cicloheximida), Ágar Sabouraud c/ infusão de cérebro e coração (SABHI), Ágar infusão de cérebro e coração (BHI) , CHROMagar: leveduras, Ágar batata, ágar corn meal com Tween 80: identificação Identificação: Macroscopia/ Microscopia/ Testes fisiológicos Identificação de fungos filamentosos Exame macroscópico: aparência algodonosa -Textura: velutina; granular ou pulverulenta; glabrosa. - Topografia: plana ou lisa; rugosa; umbelicada; verrucosa -exame microscópico: identificação de microconídios. Desvantagem: demora. - Somente candida albicans apresentarão tubos germinativos. - Cor Exame microscópico Diferenças morfológicas das estruturas de reprodução Exame microscópico direto - Colônia: colocado entre lâmina e lamínula, azul de lactofenol * vantagem: estudo imediato das estruturas reprodutivas * desvantagem: desorganização das estruturas - visualização leveduras - cápsulas - blastoconídios - clamidoconídios - pseudohifas - tubo germinativo Microcultivo- cultivo de lâmina - inocular fragmento de cultura em meio previamente depositado sobre a lâmina * Vantagem: manutenção da integridade das estruturas fúngicas * Desvantagem: demora no diagnóstico - Observar a periferia do material com azul de lactofenol Dimorfismo Crescimento temperatura ambiente: forma filamentosa Crescimento 37o C: forma leveduriforme AULA 12: Rotavírus Epidemiologia Os rotavírus são a causa mais comum de diarréia grave, A ocorrência universal dos rotavírus é amplamente reconhecida e sabe-se que praticamente todas as crianças aos cinco anos já apresentaram pelo menos um episódio de infecção por esse patógeno. Outros vírus também relacionados a quadros de diarréias são os astrovírus, os adenovírus e os calicivírus. Essas Gastrenterites causam Alteração do hábito intestinal – aumento do número de evacuações e/ou diminuição da consistência das fezes. Classificação: Aguda – até 15 dias Persistente – maior que 15 dias Crônica –maior que 30 dias Anualmente -1,5 bilhões de episódios de diarréia em crianças menores de 5 anos e 4 milhões de mortes. Nas Américas –2ª causa de morte em menores de 5 anos. No Brasil –3ª causa de morte entre crianças de 1 a 4 anos e 2ª causa em menores de um ano. O rotavírus é um dos principais agentes etiológicos de gastrenterite viral aguda na população infantil. 90% das crianças –pelo menos 1 infecção por RV nos 3 primeiros anos de vida. Importante tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento. 600 000 mortes por ano: Mais de 80% dessas mortes ocorrem em países de baixa renda do sul da Ásia e da África. 15.000 mortes na América Latina. Ocorre principalmente em meses frios e secos. Características gerais Os rotavírus pertencem à família Reoviridae, são não envelopados, apresentando um capsídeo de simetria icosaédrica. Esse envoltório de natureza protéica é constituído de camadas concêntricas organizadas em um, dois e três capsídeos distintos, com diâmetro aproximado de 70 nm. A família Reoviridae possui vário gêneros, sendo o rotavírus um deles, com um capsídeo mais liso ou quase esférico. As partículas virais da família; Reoviridae apresentam 10, 11 ou 12 segmentos genômicos constituídos de RNAs de fita; dupla lineares. O capsídeo viral possui três camadas protéicas e envolve 11 segmentos de RNAs de fita dupla. Esse gênero só infecta animais vertebrados e é transmitido pela via oral-fecal. Os rotavírus são classificados em cinco espécies, RV-A a RV-E, com duas espécies tentativas adicionais: RV-F e RV-G. Os vírus das diferentes espécies são descritos como incapazes, em condições normais, de trocar segmentos genômicos. Cada espécie representa, portanto, um conjunto separado de genes. Os rotavírus do grupo A são considerados como os principais responsáveis pelas gastrenterites agudas graves em crianças de países desenvolvidos e em desenvolvimento. O capsídeo externo dos rotavírus do grupo A consiste de duas proteínas, denominadas VP7 e VP4, que apresentam antígenos com propriedades neutralizantes e imunologicamente protetoras independentes. Em função disso, costuma-se utilizar um sistema binário de classificação dos rotavírus A para designar a neutralização específica para essas duas proteínas. A proteína VP7 é designada como G, por ser uma glicoproteína. A proteína VP4 é designada P, pois essa proteína é sensível à protease. Com base naespecificidade antigênica das proteínas do capsídeo externo, VP4 e VP7, os rotavírus do grupo A são classificados ainda em sorotipos e/ ou genótipos. Os sorotipos são determinados pela reatividade do vírus em ensaios de neutralização. Genótipos G mais comuns: G1, G2, G3, G4 e G9 Genótipos P mais comuns: P[8] e P[4] Combinações mais comuns: G1P[8], G3P[8], G4P[8], G9P[8]e G2P[4] Genótipos incomuns: G5, G8, G10, G12, G6, P[9], P[11], P[14] O vírion apresenta seis proteínas estruturais com localização na partícula viral já definida. O envoltório protéico mais interno é constituído da proteína VP2, que circunda o genoma. proteínas VP1 e VP3 constituem o core da partícula viral. A adição VP6 sobre VP2 dá origem ao segundo envoltório protéico, constituindo partículas denominadas double-layered particles (DLPs). O envoltório mais externo é constituído de glicoproteína VP7, organizada em trímeros, e de dímeros de VP4. As partículas virais que apresentam os três envoltórios são denominadas triple-layered particles (TLPs). Além das seis proteínas estruturais (VPs), o genoma viral codifica ainda seis proteínas não estruturais, NSP1 a NSP6, que participam na replicação do vírus. VP1: a maior proteína estrutural do vírus e apresenta atividade de RNA polimerase dependente de RNA, sendo encontrada em associação com o RNA viral. VP2: VP2 é a proteína mais abundante do interior da partícula viral. Também possui propriedade de se associar ao RNA viral. VP3: VP3 apresenta atividade de guanililtransferase e provavelmente está envolvida na adição do cap, presente na extremidade 5’ de todos os mRNAs virais. VP4: possui um sítio de clivagem por tripsina. A clivagem dessa proteína gera dois produtos protéicos, VP5* e VP8*, o que aumenta a infectividade viral. A entrada dos rotavírus nas células provavelmente é dependente dessa clivagem. VP6: constitui a segunda camada protéica da partícula viral. As duas últimas proteínas estruturais, VP4 e VP7, constituem o envoltório externo. Proteinas não estruturais: NSP1 – 6 NSP1: envolvida nos estágios iniciais da montagem das partículas virais, que inclui a seleção dos segmentos genômicos que serão encapsidados. NSP2: replicação viral NSP3: Associação com citoesqueleto. Replicação Os estágios iniciais da replicação dos rotavírus envolvem a ligação de VP4 aos receptores celulares e a entrada na célula. Dentre os receptores celulares envolvidos na entrada dos rotavírus destacam-se alguns tipos de integrinas e de gangliosídeos. O papel de VP7 nos estágios iniciais da infecção viral ainda não foi elucidado, embora já tenha sido demonstrado que essa proteína interage com a superfície celular logo após a ligação das espículas aos receptores. A entrada do vírus na célula parece ser dependente do tratamento com tripsina, o que resulta na clivagem específica de VP4 em VP8* e VP5*. Logo após a entrada do vírus na célula, a partícula contendo os três envoltórios protéicos (TLP) é desnudada, o que envolve a perda do envoltório mais externo e a manutenção das partículas virais contendo dois envoltórios protéicos. Essas partículas, denominadas DLPs, são ativas na transcrição. A proteína VP1, que tem atividade de RNA polimerase dependente de RNA, sintetiza os primeiros transcritos virais, que são liberados das partículas para o citoplasma celular através de canais localizados nos vértices pentaméricos dos capsídeos. Esses transcritos de RNA, funcionando como mRNAs, servem de molde para a síntese das seis proteínas estruturais e das seis proteínas não estruturais do vírus. Os RNAs de fita simples positivos também servem de molde para a síntese de novos RNAs negativos que dão origem aos segmentos genômicos de RNAs de dupla fita. As proteínas se acumulam no citoplasma em estruturas denominadas viroplasmas. Esse processo dá origem a partículas virais contendo RNAs de dupla fita e partículas virais com uma dupla camada protéica. Essas partículas são responsáveis por uma segunda etapa de transcrição, que resulta na síntese de mais partículas com uma dupla camada protéica. As partículas agora iniciam um brotamento para o interior do retículo endoplasmático, mediado pela interação das partículas com a proteína NPS4 localizada na membrana dessa organela celular. Durante o brotamento as partículas virais adquirem um envelope transitório. Essas partículas têm esse envelope substituído pela camada protéica externa, constituída de VP4 e VP7, bem como pequenas quantidades de outras proteínas não estruturais. Sobre o mecanismo de remoção do envelope lipoprotéico, sabe-se que esse processo de maturação das partículas virais é dependente de cálcio. Provavelmente envolvendo a proteína NSP4, leva a liberação de cálcio do retículo endoplasmático. O aumento da concentração de cálcio no citoplasma dispara diversos processos celulares, incluindo a desestruturação do citoesqueleto. As partículas virais são posteriormente liberadas por lise celular. As moléculas de RNA do rotavírus, permanecem sempre envolvidas por capsídeos e não são encontradas livremente no citoplasma. Isso provavelmente impede que o genoma dos rotavírus seja detectado pelos mecanismos de defesa das células. Dados clínicos - Período de incubação –11 horas até 4 a 6 dias - Eliminação de grande nº de partículas virais (109a 1010partículas/g) - Transmissão oro-fecal e através de fômites - Dose infecciosa – 1-100 partículas - Diarréia aquosa - Anorexia -Vômito -Desconforto abdominal -Desidratação –se grave pode levar à morte Patogênese Os rotavírus se replicam em enterócitos maduros que não mais se dividem, sugerindo que essas células já diferenciadas expressam fatores necessários para a eficiência da infecção e da replicação. A infecção por rotavírus altera a função do epitélio do intestino delgado, resultando em quadros de diarréia. As lesões decorrentes da infecção por rotavírus ocorrem na mucosa jejunal, podendo alcançar o íleo. Várias alterações são observadas, tais como: atrofia das vilosidades, hipertrofia das criptas, infiltração de células mononucleares na lâmina própria, dilatação das cisternas do retículo endoplasmático, dilatação mitocondrial e escassez das microvilosidades. O processo que ocasiona a diarréia tem início quando o rotavírus se liga e infecta os enterócitos no intestino delgado. Durante a replicação e montagem das partículas virais, a alteração na concentração de cálcio no citoplasma diminui a expressão de enzimas na superfície apical dos enterócitos, inibe os sistemas de transporte de sódio através das membranas e promove a necrose. Esses eventos ocasionam a má absorção característica das diarréias. A proteína NSP4, caracterizada como uma enterotoxina, parece ser a principal envolvida nas alterações patológicas observadas nas células infectadas. A NSP4 também induz a secreção de íons cloro, ocasionando a perda osmótica de água. Imunidade VP6: Resposta intensa, porém não neutralizadora VP4 e VP7: Induzem Ac neutralizantes Resposta imune primária –homotípica Resposta heterotípica –induzida por algumas cepas (epítopos de reação cruzada) Diagnóstico - Ensaio imunoenzimático: Detecção do antígeno de RV presente nas fezes - Teste de aglutinação em látex: Detecção de Ag de RV em suspensão de fezes por partículas de látex sensibilizadas com Ac anti-rotavírus (anti-VP6) - Teste de imunocromatografia: Teste rápido - Eletroforese em gel de poliacrilamida (EGPA): Detecção do RNA viral pela observação do padrão de 11 bandas no gel de poliacrilamida - Microscopia eletrônica - RT-PCR:Utilizado para detecção e genotipagem das cepas de rotavírus - Isolamento Tratamento Reidratação oral Crianças mal-nutridas – nutrição suplementar Casos graves – hidratação endovenosa Prevenção Incidência em países desenvolvidos e em desenvolvimento é semelhante Medidas de higiene e saneamento básico não são eficazes Vacinas anti-rotavírus –importante para prevenir as formas graves da doença 1ª vacina licenciada –RotaShield :Tetravalente (G1-G4), Protegia contra os tipos mais comuns. Licenciada em 1998 e suspensa em 1999 -intussuscepção (Condição em que parte do intestino sofre uma invaginação). 1 caso de intussuscepção/2500 crianças vacinadas x 1 morte/100.000 crianças Rotateq (Merck): Pentavalente –G1, G2, G3, G4 e P[8], Reestruturação bovina x humana. Testada em mais de 70.000 crianças. Aprovada pelo FDA e licenciada no EUA: Trêsdoses –6 a 12 semanas e a cada 4 semanas. Reduziu 96% o número de hospitalizações e 94% o número de visitas ao pronto-socorro por RV. Rotarix (GSK): Monovalente G1P[8]; Vírus vivo atenuado; Vacina oral c Duas doses: 4 a 14 semanas 14 a 24 semanas. Licenciada no Brasil – Parte do calendário nacional de vacinação a partir de março de 2006. Proteção: 91% contra G1P[8] 87% contra P[8] 67% contra G2P[4] AULA 13: Schistossoma Mansoni AULA 14: Leishmaniose Tegumentar Gabriela Uliana Importância epidemiológica Grande endemia: 88 países 350 milhões de pessoas no grupo de risco Alta incidência no Brasil Deprime sistema imunológico ‐ associação com HIV Maior incidência em regiões de mata – desmatamento (norte/centro-oeste) Conceito: Doença infecciosa, não contagiosa, causada por protozoários do gênero Leishmania que acomete a pele e mucosas, caracterizada por edemas cutâneos únicos ou disseminados (mucosa nasofaringea, desfiguração da face). Parasito Eurixeno (apresenta uma especificidade parasitária ampla, parasitando diversos hospedeiros); Intracelular obrigatório; Gênero: Leishmania Dois subgêneros: –Leishmania Viannia (V.): Complexo L. brasiliensis –Leishmania Leishmania (L.): demais complexos Formas evolutivas - Promastigotas: forma infectante presente no intestino do vetor - Amastigotas: intracel, princ nos macrófagos do hospedeiro vertebrado (cels SFM) *Sobrevivência no macrófago: Moléculas de superfície para adesão em macrófagos - protease (gp63), lipofosfoglicano(LPG) Hospedeiros: (ciclo biológico heteróxeno) -Invertebrados: Insetos hematófagos de hábitos noturnos, do gênero Díptera, subfamília Phlebotominae (mosquito palha) -Vertebrados: animais silvestres (gambas, tatu e roedores),domésticos (cães e gatos, apresentando sintomas) *Disseminação do parasita é mais fácil a partir de cães e roedores contaminados para o mosquito do que do homem para o mosquito –Psychodopigus sp (Amazônia) –Lutzomyiasp (demais regiões) Características gerais Infecção de macrófagos epiteliais; Formação de pápulas – crostas – ulceração Raramente fatal – quando acontece é por sepse, devido a infecção através das ulcerações; Desfigurante – perda da cartilagem –L.(V.)braziliensis: lesão única ou até três lesões (93%) –L.(V.)guyanensis: úlceras cutâneas múltiplas Lesões de ponta em humanos e animais domésticos Aspectos clínicos Cutânea: (85%) -Simples: úlceras, bordas elevadas, pouco exsudativa, sem dor – disseminação linfática do parasita -Disseminada: cutâneo ‐ mucosa – lesões múltiplas de pele, disseminação hematogênica (L.(V.)braziliensis) Mucosa: Lesões nas vias aéreas superiores com evolução clínica lenta (L.braziliensis) Lesões associadas ao excesso de R.I Difusa: Hansenoide (Hanseníasevirchowiana) Disseminação associada a falta de R.I Formação de edemas Nódulos isolados ou agrupados, rara (L.(L.)amazonenses) Patogenia Incubação de 2 a 3 meses Pápula inicial com ulcera em regiões de fácil acesso ao mosquito Regressão espontânea das lesões com 16 a 18 meses Diagnostico Clínico: característica da lesão e anamnese Laboratorial: - Padrão ouro: exame direto – raspado/aspirado da borda da lesão - Teste intradérmico de Montenegro (IDRM): teste de hipersensibilidade - inoculação de antígeno e observação da reação - Métodos imunológicos: ELISA, RiF - imunofluorescencia) Tratamento O medicamento utilizado no Brasil e em outros países de língua não‐inglesa é o antimonial pentavalente N metil‐glucamina; Período de tratamento da forma cutânea: 20 dias Demais formas clinicas: 30dias Efeitos colaterais: toxicidade terapêutica