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Registro de Imóveis Estudo Dirigido Referência: rotas de aprendizagem da disciplina e obra: CASTRO, Lucas Fernando de. Registro de Imóveis. Curitiba: InterSaberes, 2017. Olá, prezado aluno. O estudo dirigido é um pequeno resumo de alguns dos temas que podem ser cobrados nas avaliações da disciplina. Por se tratar de um resumo, ele é apenas um complemento. Estude pelas videoaulas, textos e demais materiais disponibilizados a você, de acordo com a Rotina de Estudos entregue na fase. Sumário ( 1 ) Registro de Imóveis: Introdução ..................................................... 2 ( 2 ) Registro e averbação ....................................................................... 3 ( 3 ) Livros .............................................................................................. 4 ( 4 ) Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/1973) ................................... 4 ( 5 ) Delegação da atividade ................................................................... 6 ( 6 ) Responsabilidade gerencial do registrador ..................................... 7 ( 7 ) Responsabilidade civil .................................................................... 7 ( 8 ) Aquisição de Direito Real ............................................................... 8 ( 9 ) Prenotação ....................................................................................... 9 ( 10 ) Qualificação registral ................................................................ 10 ( 11 ) Retificação ................................................................................. 10 ( 12 ) Usucapião extrajudicial ............................................................. 11 2 ( 1 ) Registro de Imóveis: Introdução O registro de imóveis frequentemente é visto como uma atividade secundária ou meramente burocrática. Por muito tempo, aliás, os serviços de registros públicos foram considerados, até mesmo por advogados e membros do Ministério Público e do Poder Judiciário, como assessórios. As aquisições imobiliárias no Brasil têm uma longa tradição de informalidade: compromissos de compra e venda, contratos de gaveta, cessões de direitos, mero exercício de posse sem título, entre outros aspectos. Porém, hoje busca-se, cada vez mais, a segurança jurídica no tráfego imobiliário, com o cuidado até de se contratar advogados para pesquisar e verificar eventuais problemas que possam inviabilizar o negócio jurídico. Assim: O registrador de imóveis é o profissional concursado que busca garantir que as aquisições de imóveis sejam feitas de forma segura, eficiente e sem obstáculos. O ofício de Registro de Imóveis busca garantir que as aquisições de imóveis sejam feitas de forma segura, eficiente e sem obstáculos. Em uma definição legal, de acordo com a Lei n. 8.935/1994, notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, são profissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notarial e de registro. Os registradores têm sua atividade fiscalizada pelo Poder Judiciário estadual, especificamente pela Corregedoria-Geral de Justiça — pelo juiz corregedor. Essa fiscalização decorre de determinação constitucional e busca evitar prejuízos aos cidadãos quando existem equívocos ou fraudes na inscrição de determinados atos. A fiscalização judicial da atividade não interfere na independência que os registradores gozam no exercício da atividade. Os notários e oficiais de registro gozam de independência no exercício de suas atribuições, têm direito à percepção dos emolumentos integrais pelos atos praticados na serventia e só perderão a delegação nas hipóteses previstas em lei. Se houver o descumprimento de algum dever, o registrador está sujeito a processo administrativo disciplinar, a ser aberto pelo Juízo Corregedor competente, que poderá resultar em penalidades. Repreensão; 3 multa; suspensão (de até 90 dias); ou perda da delegação. ( 2 ) Registro e averbação Registro é, nas palavras de João Batista Galhardo, o assento que tem por finalidade escriturar os atos translativos ou declaratórios da propriedade imóvel e os constitutivos de direitos reais. São exemplos de títulos que podem ser registrados: contrato de compra e venda, contrato de locação, contrato de incorporação, penhora, arresto, sequestro, alienação fiduciária, usufruto, citação de ações reais, doação, transferência de imóvel a sociedade, convenção de condomínio.1 Um princípio que rege a atividade registral é o da especialidade. O princípio da especialidade é caracterizado como a individuação que se lança no registro, inerente ao bem objeto do direito real sobre o qual recai o negócio jurídico, indicando-se o valor pecuniário em moeda nacional, o prazo, a qualificação das partes e a taxa de juros, se houver. Quando ocorre a fusão de dois imóveis, constitui-se um terceiro, inconfundível com os outros dois, razão pela qual o ordenamento registral determina o encerramento das matrículas anteriores e a abertura de nova, conforme consta no art. 234 da Lei de Registros Públicos. Além do registro, outro ato atribuído ao registrador é a averbação, cuja função é lançar alterações e extinções de alguma situação jurídica constante da matrícula. As alterações decorrentes de relações jurídicas do proprietário (casamento ou divórcio, falecimento, modificações no regime de bens dos cônjuges) devem constar na matrícula, mediante averbação. A averbação é ato acessório, tanto em relação à forma, quanto a sua substância, em face dos efeitos que deve produzir. Porém, isso não significa que seja de menor importância. Mas apesar de se apresentar como ato acessório, a averbação não é menos importante, pois abrange situações que podem influenciar diretamente o direito real. 1 Os títulos passíveis de registros estão consignados no art. 167, inciso I da Lei de Registros Públicos, no total de 40. 4 ( 3 ) Livros A Lei Imperial de 1864, regulada pelo Decreto n. 3.453, de 26 de abril de 1865, previu a criação de oito livros, a saber: Livro n. 1 (Protocolo); Livro n. 2 (Inscrição Especial); Livro n. 3 (Inscrição Geral); Livro n. 4 (Transcrição das Transmissões); Livro n. 5 (Transcrição de Ônus Reais); Livro n. 6 (Transcrição do Penhor de Escravos); Livro n. 7 (Indicador Real); Livro n. 8 (Indicador Pessoal). Atualmente são cinco livros no registro de imóvel: Livro nº 1 – Protocolo: é a porta de entrada do título causal e, por conta deste livro, dos princípios da prioridade e da publicidade, o detentor do direito real já encontra proteção da oponibilidade erga omnes (contra todos; em face de todos), marca do direito real. Livro nº 2 - Registro Geral: nele são registradas e averbadas as diversas mutações jurídicas dos direitos reais. Cada matrícula que nele se encontra representa um único imóvel. Livro nº 3 - Registro Auxiliar: é destinado ao registro dos atos que, sendo atribuídos ao Registro de Imóveis por disposição legal, não digam respeito diretamente a imóvel matriculado. Livro nº 4 - Indicador Real: é o repositório de todos os imóveis que figurarem nos demais livros, devendo conter sua identificação, referência aos números de ordem dos outros livros e anotações necessárias. Ele facilita o trabalho diário da serventia, seja para a emissão de certidões, seja para a qualificação registral dos títulos. Livro nº 5 - Indicador Pessoal: nele são anotados todos os nomes que figuram nos demais livros. Sua finalidade consiste em oferecer um elemento alternativo de busca, bem como de controlepara a localização de bens que integram o patrimônio de determinada pessoa. ( 4 ) Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/1973) Desde o descobrimento até a Independência, no Brasil a propriedade imobiliária era única e exclusivamente da Coroa Portuguesa, o que tornava desnecessária a existência de um registro da propriedade imobiliária. O fato inicial 5 que ensejou a criação do ofício de Registro de Imóveis no Brasil foi a chegada da família real portuguesa ao país, em 1808. Houve, com Constituição de 1967 e sua vultosa reforma de 1969, a estatização de todas as serventias registrais e notariais. A Constituição de 1988 manteve a estatização das serventias judiciais e criou, para os serviços notariais e registrais, uma nova disciplina: o exercício de função de forma privada, por delegação do Poder Público. Antes do surgimento da atual Lei de Registros Públicos, de 1973, os registradores eram funcionários públicos, remunerados pelos cofres públicos, e a receita obtida com os emolumentos seria recolhida ao erário. Hoje, pela atual Lei de Registros Públicos, de 1973, os registradores são delegatários de serviço público concursados, remunerados de maneira privada pelos emolumentos recebidos. E, como mudança mais relevante trazida pela Lei n. 6.015/1973: modificou-se o sistema do fólio pessoal para o sistema do fólio real, no qual o imóvel é o centro do sistema de registro. O sistema registral brasileiro é também chamado eclético. Combina a importância do título com a forma de aquisição do direito, utilizando a clássica doutrina romana (da necessidade de existência do título e da tradição). A inscrição do título cria o direito real e dá publicidade a terceiros, gerando oponibilidade erga omnes (perante todos). 6 A Lei 6.015/1973 adotou a matrícula (fólio real) como núcleo central da organização cadastral do registro. Ainda, a citada lei esmiuçou quais seriam os títulos passíveis de inscrição na tábua imobiliária em seu art. 221. Somente aos títulos descritos no art. 221 a lei faculta a entrada no ofício imobiliário — com exclusão de todos os outros! Trata-se, portanto, de rol exaustivo (numerus clausus). A par da existência das normas gerais, no âmbito nacional, acerca da função dos registros de imóveis e de suas atribuições, sempre existiram os regulamentos e as normas administrativas estaduais, que buscam detalhar e esmiuçar os procedimentos formais existentes. Isso ocorre porque é da tradição registral brasileira atribuir tal função às Leis de Organização Judiciária e, de forma mais detalhada, aos regulamentos administrativos do Poder Judiciário local, que é órgão fiscalizador. As normas estaduais expedidas pelo juízo competente estão, em muitos estados, consolidadas nos Códigos de Normas da Corregedoria-Geral de Justiça de cada estado. ( 5 ) Delegação da atividade Conforme a Lei 8.935/1994, em seu art. 14, a delegação para o exercício da atividade notarial e de registro depende dos seguintes requisitos: I - habilitação em concurso público de provas e títulos; II - nacionalidade brasileira; III - capacidade civil; IV - quitação com as obrigações eleitorais e militares; V - diploma de bacharel em direito; VI - verificação de conduta condigna para o exercício da profissão. Lei 6.015/1973 “Art. 221 - Somente são admitidos registro: I - escrituras públicas, inclusive as lavradas em consulados brasileiros; II - escritos particulares autorizados em lei, assinados pelas partes e testemunhas, com as firmas reconhecidas, dispensado o reconhecimento quando se tratar de atos praticados por entidades vinculadas ao Sistema Financeiro da Habitação; III - atos autênticos de países estrangeiros, com força de instrumento público, legalizados e traduzidos na forma da lei, e registrados no cartório do Registro de Títulos e Documentos, assim como sentenças proferidas por tribunais estrangeiros após homologação pelo Supremo Tribunal Federal; IV - cartas de sentença, formais de partilha, certidões e mandados extraídos de autos de processo. V - contratos ou termos administrativos, assinados com a União, Estados, Municípios ou o Distrito Federal, no âmbito de programas de regularização fundiária e de programas habitacionais de interesse social, dispensado o reconhecimento de firma.” 7 ( 6 ) Responsabilidade gerencial do registrador A lei n. 8.935/1994 diz: Art. 21. O gerenciamento administrativo e financeiro dos serviços notariais e de registro é da responsabilidade exclusiva do respectivo titular, inclusive no que diz respeito às despesas de custeio, investimento e pessoal, cabendo-lhe estabelecer normas, condições e obrigações relativas à atribuição de funções e de remuneração de seus prepostos de modo a obter a melhor qualidade na prestação dos serviços. Portanto, o custeio da atividade de registro (contratação de prepostos, aquisição de bens e software, cuidado com o armazenamento dos livros e todas as atividades relacionadas à função) é inteiramente de responsabilidade do oficial. Os ofícios de registro, os tabelionatos e outros estabelecimentos em que os agentes delegados prestam seus serviços não têm personalidade jurídica própria! Um cartório não pode ser parte em uma ação judicial, por exemplo, pois cartórios são apenas os locais de prestação dos serviços; é o serventuário, pessoa física, que recebe a delegação para exercer, em determinada localidade, o serviço extrajudicial. Toda a responsabilidade (contratação de funcionários, aquisições, tributação) recai diretamente sobre a pessoa do registrador ou do tabelião. O Estado não tem qualquer ingerência direta sobre a atividade, pois, embora seja serviço público, ele é delegado a um agente privado, que exerce a atividade em caráter privado. ( 7 ) Responsabilidade civil A responsabilidade civil (isto é, responsabilidade pela reparação de danos eventualmente causados) dos registradores é subjetiva (também dita aquiliana), ou seja, depende de apuração de culpa. Vemos um exemplo nesta ementa de acórdão judicial: “APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO DE DANOS MORAIS. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA DO REGISTRADOR. FALSIFICAÇÃO DE ASSINATURA. DANO MORAL NÃO CARACTERIZADO. 1. A responsabilidade dos notários e oficiais de registro é subjetiva, assim disciplinada na Lei n. 8935/94, exigindo a comprovação de culpa no evento danoso, não incumbindo a este examinar a veracidade dos dados que lhe foram repassados, mas sim a sua regularidade formal. 2. Incumbe ao tabelião verificar a simples regularidade formal do título, sendo- lhe vedado, todavia, levar a aponte cheque que contenha rasura ou 8 emenda modificadora, consoante estabelece o art. 717 da Consolidação Normativa Notarial e Registral 3. A parte autora não comprovou a falsificação ou adulteração de sua assinatura na procuração de fl. 20, havendo clara indicação que eventual fraude perpetrada teve a colaboração desta. Negado provimento ao recurso.” (Apelação Cível Nº 70052859972, Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jorge Luiz Lopes do Canto, Julgado em 24/04/2013.) Nenhum ato pode ser executado de ofício pelo registrador, devido ao princípio da rogação ou da instância. O registrador somente age a pedido do interessado. ( 8 ) Aquisição de Direito Real A aquisição do direito real somente se dá com o registro no ofício de registro, ou seja, com a inscrição do título no cadastro imobiliário em todos os casos, sem exceção de nenhum título, presumindo-se, paratodos os efeitos, detentor do direito aquele que consta na matrícula. É o que dispõe o Código Civil, em seu art. 1.245. Esse dispositivo legal está ligado ao princípio da inscrição. Este princípio expressa que a constituição, a transmissão e a extinção de qualquer direito real somente se opera por intermédio da inscrição do título na tábua registral. Isso significa que a mutação jurídico-real somente ocorrerá quando o negócio jurídico, formalizado por intermédio de instrumento público ou particular, for inscrito perante o ofício imobiliário competente. O registro de uma nova propriedade só pode ser feito diretamente pelo proprietário anterior. Não é possível um registro “por saltos”, em que Fulano vende para Sicrano, sem registro (mediante contrato de gaveta), e depois Sicrano tenta registrar sua venda a Beltrano. Isso não seria possível, pois ainda constaria Fulano como proprietário, logo, não poderia Sicrano vender para Beltrano porque, perante a lei, não é o proprietário. Diz a Lei n. 6.015/1973, em seu art. 195: “Se o imóvel não estiver matriculado ou registrado em nome do outorgante, o oficial exigirá a prévia (Código Civil) “Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel.” 9 matrícula e o registro do título anterior, qualquer que seja a sua natureza, para manter a continuidade do registro”. O princípio da continuidade aqui expresso pode ser conceituado desta maneira: “em relação a cada imóvel, adequadamente individuado, deve existir uma cadeia de titularidade à vista da qual só se fará a inscrição de um direito se o outorgante dele aparecer no registro como seu titular.” ( 9 ) Prenotação Como regra, todos os títulos apresentados a registro são prenotados, conforme o art. 182 da Lei de Registros Públicos.2 O número de ordem e a data de prenotação devem ser reproduzidos no instrumento apresentado pelo interessado. Esse requisito é relacionado à necessidade de inscrição no Livro Protocolo de todos os atos que o registrador formalizar. O cancelamento da prenotação pode ocorrer pelos seguintes motivos: Por iniciativa do registrador, em face da irregistrabilidade manifesta do título ou do aparecimento da primeira hipoteca no prazo de espera previsto no art. 189 da Lei n. 6.015/1973; Por desistência da parte no cumprimento das exigências após 30 dias do protocolo do título; Por decisão do juiz em processo, seja ele de dúvida ou contencioso; e, por fim, Por autorização escrita do titular do direito prenotado. A prenotação é muito importante, pois garante os princípios da prioridade e publicidade. Assim, pelo princípio da prioridade (garantido pela prenotação), em caso de incompatibilidade de direitos: podemos citar a existência de dois negócios jurídicos nos quais o proprietário vendeu a diferentes pessoas a propriedade do imóvel. O primeiro adquirente que ingressar no fólio real terá acolhido seu direito, enquanto o segundo título será excluído, ainda que ambos os títulos sejam, em princípio, totalmente válidos. Pela importância da prenotação em garantir princípios do registro, ainda que o título recebido para registro seja deficiente e faltem algumas qualidades, ele 2 Como exceção, a apresentação do título somente exame de exigências e cálculo de emolumentos, como previsto no parágrafo único do art. 12 da Lei n. 6.015/1973, não recebe prenotação; não há acesso ao Livro Protocolo, portanto, não é gerado qualquer efeito decorrente do princípio da prioridade. 10 0 deve ser recepcionado e prenotado, vindo então a serem exigidas as correções, sob pena de, esgotado o prazo sem ação do interessado, a prenotação ser cancelada. ( 10 ) Qualificação registral A qualificação registral é provavelmente a atividade mais relevante e também delicada dos oficiais imobiliários. Os registradores não são receptores passíveis dos títulos causais que executam ofício meramente executivo e subalterno. Apresentado o documento relativo ao negócio jurídico, o oficial verificará a possibilidade de inscrição do título na matrícula, utilizando-se da legislação e dos princípios do direito registral. A isso se dá o nome de qualificação registral. Com a realização qualificação: Em caso de juízo negativo da entrada do título no fólio real, é apresentada a nota de exigências, na qual o oficial apresenta, obrigatoriamente por escrito, os motivos pelos quais o título foi devolvido. No caso de juízo negativo, o interessado pode requerer que o registrador levante procedimento de dúvida, para que o juízo competente decida sobre a regularidade das exigências apresentadas. O registrador de imóveis não poderá se negar a receber o requerimento para instauração de procedimento de dúvida. Em caso de juízo positivo da entrada do título no fólio real, o registrador procede às inscrições necessárias nos livros. ( 11 ) Retificação O procedimento de retificação permite que o interessado solicite a anulação ou retificação do ato se o conteúdo do registro não expressar a verdade, ou que o oficial de registro o faça de ofício — devendo agir com cautela quando assim o faça, para não prejudicar a segurança jurídica. A retificação do registro imobiliário é dividida em três categorias: retificação negativa, retificação positiva e retificação mista: Retificação negativa: Supressão de dados incorretos que não deveriam constar no documento. Retificação positiva: Inserção de informações que foram omitidas. Retificação mista: Correção de informações equivocadas. 11 1 Quando existir necessidade de alteração na descrição do imóvel, o interessado deve anexar ao seu requerimento a planta, o memorial descritivo e a anotação de responsabilidade técnica (ART). O processo de retificação não é apto para extinguir, modificar ou constituir direito real, mas tão somente sanar os vícios no tocante à especialização, ou seja, à descrição do bem, aos dados das partes e à especialidade do direito. ( 12 ) Usucapião extrajudicial O reconhecimento do pedido de usucapião é drástico, pois se trata da aquisição do direito real de propriedade. Para o requerimento de usucapião extrajudicial são necessários alguns requisitos. Primeiramente, precisa-se de um requerimento assinado pelo interessado, representado por advogado. Esse requerimento, uma petição dirigida ao oficial predial, deve conter a exposição dos fatos, como a forma de aquisição, a data do início, os esclarecimentos relativos a eventuais antecessores da posse e a descrição do imóvel objeto da usucapião (na forma do art. 225 da Lei de Registros Públicos), bem como a informação de que a posse é justa, mansa e pacífica, de boa-fé. É imprescindível a juntada de certidões negativas dos distribuidores da comarca da situação do imóvel e do domicílio do requerente, dando conta da inexistência de ações reais, pessoais e reipersecutórias em nome dos requerentes e de seus sucessores. Se, do pedido de usucapião, houver impugnação por qualquer um dos detentores de direitos reais inscritos na matrícula, pelos confrontantes, por qualquer dos entes públicos ou por algum terceiro interessado, o registrador deverá remeter os documentos ao juízo competente. E aqui terminamos este nosso breve estudo dirigido. Bons estudos. Desejamos sucesso! Antoine Youssef Kamel Coordenador adjunto da Graduação em Gestão de Serviços Jurídicos e Notariais