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01 
“Espelho de Aula” 
 
 DAS ARRAS OU SINAL (ART. 417 a 420 do NCC 2015) 
 
 Conceito: 
 
- Sinal ou arras é quantia ou coisa entregue por um dos contraentes ao outro, como 
confirmação de acordo de vontades e princípio de pagamento. (Gonçalves, 2018, p. 
431). 
- Quantia em dinheiro em bem móvel que um dos contratantes entrega ao outro o 
objeto de confirmar o acordo de vontades e de servir de princípio de pagamento. 
(Peluso, 2017, p. 426) 
 Para o professor Sílvio Rodrigues (2107, p.83) 
“as arras, ou sinal, constituem a importância em dinheiro ou a coisa dada 
por um contratante ao outro, por ocasião da conclusão do contrato, com o 
escopo de firmar a presunção de acordo final e tomar obrigatório o ajuste; 
ou ainda, excepcionalmente, com o propósito de assegurar, para cada um 
dos contraentes, o direito de arrependimento". 
 
 Aspecto Histórico: 
 Com relação ao aspecto histórico da expressão arras, esta foi introduzida no 
vocabulário comercial dos gregos através da palavra arrabon e dos romanos por 
intermédio do termo arrhabo frequentemente utilizado pelos mercadores fenícios, de 
modo a indicar o penhor que funcionava como sinal de firmeza de um contrato 
pactuado. 
 Diante do aspecto histórico, é possível constatar que as arras podiam ser 
fornecidas em dinheiro, bem como em qualquer outra espécie de bem dotado de 
valor econômico, pressupondo sempre a existência de uma obrigação principal, da 
qual eram caracterizadas as arras como acessório, podendo ser civil, natural, pura e 
simples, condicional ou a termo. 
 Vale ressaltar que as arras não podem ser equivalentes à integralidade do 
pagamento, possuindo diversas finalidades na relação contratual, pois servem como 
garantia para demonstrar seriedade ao ato, valendo ainda como princípio de 
02 
pagamento, e de indenização na hipótese de ser configurado o arrependimento de 
qualquer dos contratantes, quando estiver devidamente expressa no instrumento 
contratual. 
 Deste modo, as arras caracterizam-se como pacto acessório, que insere uma 
condição resolutiva ao negócio jurídico pactuado caso venha a ocorrer a 
possibilidade de arrependimento. 
 Sua função é confirmar o contrato, que se torna obrigatório após a entrega da 
garantia, quer seja pecúnia ou bem móvel. Comprova o acordo de vontades, 
tornando ilícito a qualquer dos contratantes rescindirem de forma unilateral. 
 Quando há o estrito cumprimento da vontade das partes, são facultados aos 
contraentes a devolução da garantia dada outrora ou o abatimento do valor para 
quitação do contrato, já este deve ocorrer com mais frequências nos negócios 
celebrados. Contudo, quando há descumprimento contratual unilateral, se quem 
garantiu as arras desiste do negócio, este perde o valor para a parte contraria, do 
contrário, se quem as recebeu desiste do contrato, terá de devolvê-las em dobro. 
 É de relevância discorrer que as arras podem estar presentes em todos os 
contratos nos quais restam pendentes obrigações, podendo ser inseridas nos 
negócios jurídicos bilaterais e unilaterais. Cumpre esclarecer ainda que não é 
possível que terceiro estranho à relação contratual, pois estaria descaracterizado 
o negócio, já que o instituto jurídico das arras é exclusivo das partes contratantes. 
 Deste modo, Maria Helena Diniz (2007) em sua obra Curso de Direito Civil 
Brasileiro – Teoria das Obrigações “As arras ou sinal vêm a ser a quantia em 
dinheiro, ou outra coisa móvel, em regra, fungível, dada por um dos contraentes ao 
outro, a fim de concluir o contrato, e, excepcionalmente, assegurar o pontual 
cumprimento da obrigação.” 
 Arrras ou Sinal está elencado nos Artigos 417 ao 420 do NCC 2015. 
 
Art.417- Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a 
título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de 
execução, ser restituídas ou computadas na prestação devida, se do 
mesmo gênero da principal. 
 
 
 O artigo 417 transmite justamente a função das arras relacionadas ao início 
de pagamento ou confirmação do negócio jurídico, ressaltando a questão do sinal 
em dinheiro, modalidade habitual, levando-se em consideração que o valor das arras 
deve ser computado no pagamento do preço total. 
 
03 
 De acordo com Peluso apud Rizzardo (2017) na doutrina sobre arras 
“prevalece o sentido confirmatório ou de acordo final, tornando-se definitivo”, pois em 
regra “o sinal dado no início do contrato não autoriza arrependimento”. 
 O Sinal só é possível nos contratos bilaterais destinados à transmissão do 
domínio e tem natureza de pacto acessório. A natureza jurídica das Arras é de 
direito penal, pois só se aperfeiçoam com a entrega do bem ou do dinheiro por um 
contratante ao outro. 
 Há muitas semelhanças entre Sinal e Cláusula penal, pois ambas destinam-
se a “assegurar o cumprimento da obrigação” e “exercem função coercitiva, visto 
que em caso de inadimplemento, tanto a retenção da quantia adiantada como a 
devolução em dobro demonstram a feição sancionatória do sinal”. 
 Com relação Àquele que deu o arras, o art.417 é bastante claro ao dizer que 
perderá ele em favor a outra parte, as arras, se a prestação se impossibilitar por sua 
culpa. Exemplo: 
 Maria Virgínia promete adquirir um imóvel mediante financiamento bancário e 
depois verifica que o financiamento não foi concedido porque ela não tinha 
idoneidade financeira ( cadastro negativo) para obtê-lo. 
 
Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a 
outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as 
arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua 
devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices 
oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. 
 
 Contudo, a jurisprudência já vem admitindo a aplicação, por analogia, do 
referido dispositivo, de modo a impor ao recebedor das arras, que as devolva o 
equivalente a título de prefixação das perdas e danos. 
 
TJ-DF - 20140910272334 DF 0026829-34.2014.8.07.0009 (TJ-DF) 
Jurisprudência•Data de publicação: 04/06/2018 
Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA 
DE IMÓVEL. INADIMPLEMENTO DO PROMITENTE VENDEDOR. 
RESCISÃO CONTRATUAL. ARRAS. DEVOLUÇÃO EM DOBRO. 1. 
Diante da inexecução contratual do promitente vendedor, a 
rescisão da avença e a devolução em dobro das arras pagas 
pelo comprador são medidas que se impõem (art. 418 do 
Código Civil ). 2. Apelação conhecida e não provida 
 
 04 
 Na formação do contrato garantido por arras, é possível que as partes 
pactuem, expressamente, o direito de arrependimento, embora tal possibilidade 
esteja cada vez em menor desuso. Deste modo, regra geral, não é possível 
desfazer o contrato firmado, por simples arrependimento. Para melhor 
compreensão, analisemos os efeitos das arras nas diferentes hipóteses em que 
pode ser pactuada, classificadas nas espécies que seguem. 
 
 
DAS ESPÉCIES DE ARRAS 
1. ARRAS CONFIRMATÓRIAS 
 
As arras confirmatórias são prestadas para indicar o compromisso com o 
negócio firmado, no qual não se pactua o direito de arrependimento. Ou seja, não é 
possível a nenhuma das partes voltar atrás à palavra assumida. Em tais hipóteses, 
se a parte que prestou as arras não mais der continuidade ao contrato, a outra parte 
terá o direito de retê-las e, sendo o caso, pedir indenização suplementar. (art. 418 e 
art. 419 do CC.) Ou seja, as arras servirão de parâmetro mínimo de indenização por 
perdas e danos, sem prejuízo de a parte que não honrou o pacto ter que arcar com 
valor maior. 
Se a inexecução e desfazimento do contrato for motivadapor ato de quem 
recebeu as arras, aquele que as prestou poderá considerar desfeito o contrato. E, 
neste caso, terá direito de exigir a devolução das arras (seja em bem ou dinheiro), e 
pedir que o desistente pague o mesmo valor (art. 418 do CC), sem prejuízo de 
indenização suplementar por perdas e danos, nos termos do art. 419 do CC. 
Chamam-se “confirmatórias” justamente por confirmarem o contrato, 
tornando-o definitivo entre as partes, de tal modo que sua inexecução garante uma 
indenização suplementar. 
 
Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar 
maior prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte 
inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as 
arras como o mínimo da indenização. 
 
 De acordo com o art. 419 do Código Civil, transcrito acima, a parte inocente 
poderá pedir indenização suplementar, caso prove maior prejuízo, valendo as arras 
 
05 
tão somente como taxa mínima de indenização. Sendo assim, nota-se que as arras 
confirmatórias apresentam duas funções: tornar o contrato definitivo, bem como 
antecipação de perdas e danos – penalidade. 
 A entrega do Sinal faz prova do acordo de vontades e as partes não podem 
rescindi-lo unilateralmente, sob pena de responder por perdas e danos, nos termos 
do disposto neste artigo e no seguinte. As Arras Confirmatórias tornam obrigatório o 
negócio e impedem o arrependimento d qualquer das partes. Seus elementos são: 
 A entrega na conclusão do contrato, isto é, quando o mesmo se efetua, ou 
depois de enviada a proposta e emitida a aceitação; 
 A entrega de dinheiro ou bem móvel; 
 A evolução de dinheiro ou do bem quando da execução, ou conclusão do 
contrato; 
 A faculdade de computar a quantia ou o bem móvel entregue no preço do 
negócio, se do mesmo gênero da coisa principal. 
 No caso do sinal confirmatório, o arrependimento de qualquer dos 
contratantes significa inadimplemento e o bem ou valor entregue para tornar o 
negócio definitivo tem função de fixar o valor indenizatório. 
 Deve-se compreender no referido artigo, que, se aquele que deu as arras 
não executar o contrato, as perderá em favor do outro, que poderá considerar 
desfeito o negócio. 
 Acrescenta que se a inexecução foi de quem recebeu as arras, aquele que as 
deu pode considerar desfeito o contrato e exigir sua devolução, além do equivalente, 
atualizado monetariamente e a crescido de juros e honorários de advogado. 
 A parte inocente pode satisfazer-se com retenção do sinal, ou com sua 
devolução acrescida do equivalente, mas pode também, demonstrar que seu 
prejuízo foi superior ao valor do sinal e pretender indenização suplementar (art. 419), 
valor mínimo de indenização. 
2. ARRAS PENITENCIAIS 
 
 As arras penitenciais têm como principal função garantir o direito de 
arrependimento entre as partes, vedando indenização suplementar por perdas e 
danos aos contraentes. Ou seja, conclui-se que tem natureza indenizatória, pois o 
seu próprio descumprimento restringe a consequência contratual já prevista. 
 06 
 As arras penitenciais são caracterizadas quando o contrato expressamente 
prevê a possibilidade de arrependimento. Tendo função unicamente indenizatória e 
não de confirmar a existência do contrato, como na hipótese anterior. Ou seja, quem 
as deu irá perdê-las à outra parte ou àquela que a recebeu irá devolvê-las cumulada 
com o equivalente. 
 Nesse caso, exclui-se direito à indenização por perdas e danos 
(art. 420 do Código Civil), aqui cumpre esclarecer que o dispositivo legal está com 
total consonância com a Súmula 412 do STF, que preconiza: 
 No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a 
devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o 
recebeu, exclui indenização maior, a título de perdas e danos, salvo os juros 
moratórios e os encargos do processo. 
 
Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para 
qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente 
indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra 
parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os 
casos não haverá direito a indenização suplementar. 
 
 Peluso apud Rizzardo (2107) argumenta que não há lugar ao arrependimento, 
mesmo no caso de arras penitenciais, se elas representar início de pagamento, pois 
haveria contradição indesejada entre “ firmeza e infirmeza do contrato”. 
 
TJ-RJ - APELAÇÃO APL 00225138720158190209 RIO DE JANEIRO BARRA DA 
TIJUCA REGIONAL 3 VARA CIVEL (TJ-RJ) 
Jurisprudência•Data de publicação: 12/07/2018 
Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. 
EMPRESA AUTORA QUE PLEITEIA A RESTITUIÇÃO DO VALOR PAGO, EM 
DOBRO, A TÍTULO DE SINAL, NA FORMA 
DO ARTIGO 420 DO CÓDIGO CIVIL , BEM COMO A DEVOLUÇÃO DO 
VALOR PAGO COMO COMISSÃO DE CORRETAGEM. PRAZO PREVISTO NA 
AVENÇA PARA FINALIZAÇÃO DE INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL E 
REGULARIZAÇÃO DO IMÓVEL QUE SE TRATA DE MERA ESTIMATIVA, NÃO 
RESTANDO DEMONSTRADO QUE A DEMORA NO TRÂMITE SE DEU POR 
CULPA DOS DEMANDADOS. AJUIZAMENTO DA PRESENTE DEMANDA 
POSTERIORMENTE AO TÉRMINO DO INVENTÁRIO, DE MODO A SE APLICAR 
A SEGUNDA PARTE DA CLÁUSULA 6.1 DO CONTRATO, QUE PREVÊ A 
INCIDÊNCIA DO ARTIGO 420 DO CÓDIGO CIVIL . PARTE AUTORA QUE 
NÃO COMPROVOU CABALMENTE QUE OS RÉUS DESISTIRAM DO NEGÓCIO 
JURÍDICO. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 373, I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. 
COMISSÃO DE CORRETAGEM NÃO DEVIDA. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS 
QUE DEVEM SER MAJORADOS PARA 12% DO VALOR DA CAUSA, A TEOR 
DO ARTIGO 85 , § 11 , DO CPC . RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 
 
07 
QUADRO ESQUEMÁTICO DAS ARRAS (ESPÉCIES E FUNÇÕES) 
 
 
 
 
 
 
 Componentes: 
 
- Eduarda Gonçalves Vieira 
- Edson Cardoso Neto 
- Evandro de Jesus Oliveira 
- Irlene Bomfim Peixoto 
- Janete Inácio 
- Jussara Almeida Sena 
- Maria Virgínia 
- Raquel Lima Oliveira 
- Reinaldo Oliveira Ramos 
- Suèli Sirtoli Bastos 
 
 
Bom Estudo!!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
	TJ-DF - 20140910272334 DF 0026829-34.2014.8.07.0009 (TJ-DF)
	1. ARRAS CONFIRMATÓRIAS
	2. ARRAS PENITENCIAIS
	TJ-RJ - APELAÇÃO APL 00225138720158190209 RIO DE JANEIRO BARRA DA TIJUCA REGIONAL 3 VARA CIVEL (TJ-RJ)

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