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Parasitologia – Aula 7
Prof.ª Me. Juliana conti viana
Helmintos
Helmintos ou vermes – animais de corpo mais longo do que largo, geralmente parasitos humanos
Os helmintos podem-se classificar em três grandes grupos: 
Nematódeos, ou vermes cilíndricos
Cestóides, ou vermes achatados
Trematódeos, providos de ventosas
Trematodeos
Fasciola hepatica
Fasciola hepatica
Parasito de canais biliares de ovinos, bovinos, caprinos, suínos e vários mamíferos silvestres.
Ocasionalmente pode infectar seres humanos, e no Brasil já foram relatados vários casos.
Encontrada em quase todos os países do mundo em áreas úmidas, alagadiças ou sujeitas a inundações periódicas.
Doença: fasciolose
Esse helminto é popularmente conhecido entre os criadores de animais como “baratinha do fígado”.
Fasciola hepatica - morfologia
O verme adulto tem aspecto foliáceo, mede cerca de 3 cm de comprimento por 1,5 cm de largura e tem cor pardo-acinzentada.
Apresenta uma ventosa oral (localizada na extremidade anterior), da qual segue uma faringe curta. Dessa, partem ramos cecais (um de cada lado) até a extremidade posterior. Os cecos são extremamente ramificados.
Logo abaixo da ventosa oral vê-se a ventosa ventral ou acetábulo. Junto a esta nota-se a abertura do poro genital.
É hermafrodita
(acetábulo)
Habitat
Normalmente a Fasciola hepatica é encontrada no interior da vesícula e canais biliares mais calibrosos de seus hospedeiros usuais.
No homem, que não é seu hospedeiro habitual, pode ser encontrada nas vias biliares, como também nos alvéolos pulmonares e esporadicamente em outros locais. 
Ciclo Biológico – Fasciola hepatica
Heteroxênico: 
Hospedeiro intermediário, no Brasil, caramujos principalmente das espécies Lymnaea columela e L. viatrix.
Hospedeiros definitivos: ovinos, bovinos, caprinos, suínos, mamíferos silvestres e ser humano.
Os adultos, no hospedeiro definitivo, põem ovos operculados que, com a bile, passam para o intestino, de onde são eliminados com as fezes. Os ovos possuem uma massa de células que, encontrando condições favoráveis de temperatura (25 – 30ºC), umidade e ausência de contaminação, dão origem a um miracídio.
Ciclo Biológico – Fasciola hepatica
Essa forma, ainda dentro do ovo, apresenta uma longevidade de 9 meses, quando permanece em ambiente não putrefeito e em presença de sombra e umidade.
Em condições adversas, morre rapidamente.
O miracídio só sai do ovo quando o mesmo entra em contato com a água e é estimulado pela luz solar. Nessas condições, o miracídio sai ativamente do ovo, levando o opérculo e passando pelo orifício deixado.
O muco produzido pelo molusco atrai o miracídio, que nada aleatoriamente na água. Assim, pode penetrar em diversos moluscos aquáticos, porém só completarão o ciclo, os miracídios que alcançaram a Lymnaeae.
O molusco também sofre com a penetração dos miracídios, caso penetre um grande número, ele morrerá.
3 a 5 miracídios por molusco é o número ideal para a produção de cercarias. Caso não encontre o hospedeiro intermediário, morre em poucas horas (vida média do miracídio: 6 horas).
Penetrando no molusco, cada miracídio forma um esporocisto, que dá origem a várias rédias. Estas podem originar rédias de segunda geração (quando as condições do meio são adversas) ou cercárias.
Desde que o miracídio penetrou no molusco até a liberação das cercárias, decorrem de 30 a 40 dias à temperatura de 26ºC (em temperaturas mais baixas o tempo alonga-se ou não se processa a evolução).
Cada molusco libera de 6 a 8 cercárias por dia durante 3 meses. E cada miracídio produz em média 225 cercárias.
A cercária mede 900 µm, com cauda não bifurcada. Quando sai do caramujo, nada alguns minutos e adere a alguma superfície (como plantas) ou chega à superfície da água. Em contato com o oxigênio, perde a cauda.
Com a secreção das glândulas cistogênicas, encista-se (em 3 minutos) aderidas à vegetação ou em direção ao fundo formando a metacercária (cercária encistada) – permanece infectante durante 3 meses, em temperaturas de 25º 30ºC. Em temperaturas baixas permanece encistada durante um ano.
O ser humano (animais) infecta-se ao beber água ou ingerir verduras contaminadas por metacercárias. - Transmissão
Estas seguem para o intestino delgado, perfuram a parede do mesmo, caem na cavidade peritoneal, perfuram a cápsula hepática e começam a migrar pelo parênquima hepático, caracterizando a fase aguda da doença.
 2 meses depois estão nos ductos biliares, dando início à fase crônica da doença.
Ciclo Biológico – Fasciola hepatica
Caramujo
Caramujo
caramujo
 ovo
Patogenia
Fasciolose – processo inflamatório crônico do fígado e ductos biliares.
É mais grave nos animais em que a migração simultânea de grande quantidade de formas imaturas pelo fígado causa uma hepatite traumática e hemorragias.
Provoca uma séria perda de peso, diminuição na produção de leite, e mesmo morte dos animais.
Fêmeas grávidas ingerindo metacercárias (cercárias esporuladas) podem ter seus fetos infectados.
Patogenia
Em humanos, por não ser o hospedeiro normal, o número de formas presentes costuma não ser elevado. Ainda assim, podemos constatar alterações orgânicas provocadas pelo helminto. Essas lesões são de dois tipos:
a) lesões provocadas pela migração de formas imaturas no parênquima hepático
b) lesões ocasionadas pelo verme adulto nas vias biliares
Trematodeos
Schistosoma mansoni
Morfologia – Schistosoma mansoni
Macho
Mede cerca de 1 cm. Cor esbranquiçada, com tegumento recoberto por minúsculas projeções (tubérculos).
Apresenta o corpo dividido em duas porções: a anterior, na qual encontra-se a ventosa oral e a ventosa ventral (acetábulo) e a posterior, que se inicia logo após a ventosa ventral e é onde se encontra o canal ginecóforo (dobras laterais no corpo no sentido longitudinal para albergar a fêmea e fecundá-la. Em seguida à ventosa oral, tem o esôfago, que se bifurca na altura do acetábulo e se funde depois formando um ceco único que irá terminar na extremidade posterior. Logo atrás do acetábulo encontramos de 7 a 9 massas testiculares que se abrem diretamente no canal ginecóforo, e aí, alcançam a fêmea, fecundando-a.
Morfologia – Schistosoma mansoni
Fêmea
Mede cerca de 1,5 cm. Possui ceco com sangue semi-digerido e possui tegumento liso. Na metade anterior encontramos a ventosa oral e o acetábulo. Seguinte a este, temos a vulva, depois o útero e o ovário. A metade posterior é preenchida pelas glândulas vitelogênicas e o ceco.
Morfologia – Schistosoma mansoni
Ovo
Mede cerca de 150 µm de comprimento, por 60 de largura, sem opérculo, com formato oval, sendo que na parte mais larga apresenta um espículo voltado para trás. O que caracteriza um ovo maduro é a presença de um miracídio formado, visível pela transparência da casca. O ovo maduro é usualmente a forma encontrada nas fezes.
Miracídio
Forma cilíndrica com dimensões médias de 180 µm de comprimento por 64 µm de largura.
Possuem cílios que permitem o movimento no meio aquático.
A extremidade anterior possui uma papila apical ou terebratorium, que pode se amoldar em forma de ventosa. Aqui existem cílios maiores e terminações nervosas, além das glândulas adesivas – tudo isso – funções táteis, sensoriais e auxílio para que o miracídio penetre nos moluscos.
Morfologia – Schistosoma mansoni
Morfologia – Schistosoma mansoni
Cercária
Comprimento total de 500 µm, cauda bifurcada medindo 230 µm por 50 µm e corpo cercariano medindo 190 µm por 70 µm. Duas ventosas estão presentes (oral e ventral ou acetábulo). A ventosa ventral é maior e possui musculatura mais desenvolvida. É, principalmente através dessa ventosa que a cercária fixa-se na pele do hospedeiro no processo de penetração.
Como a cauda irá se perder rapidamente no processo de penetração, não possui órgãos definidos, servindo apenas para a movimentação da larva no meio líquido.
1
Habitat, Ciclo biológico e Transmissão
Vermes adultos – no sistema porta humano (no fígado e sistema vascular até a maturidadesexual, depois migram, pelas veias mesentéricas, para a submucosa do intestino onde há a postura de ovos)
Vida média é de 5 anos, mas um casal pode passar até 30 anos pondo ovos.
Ovos – intestino humano e água. Os ovos levam 4 dias para tornarem-se maduros (apresentar miracídio). Os ovos levam pelo menos 6 dias até alcançarem a luz intestinal (= período de maturação dos ovos). Nas fezes, eles têm expectativa de vida de 24 horas (fezes líquidas) a 5 dias (fezes sólidas).
Miracídios – água. Alcançando a água os ovos liberam os miracídios (em temperaturas mais altas, luz intensa e oxigenação da água).
Há autores que defendem que exista uma atração dos miracídios pelos moluscos.
A capacidade de penetração dos miracídios dura cerca de 8 horas e depende da temperatura.
A larva se estabelece no tecido subcutâneo do caramujo e o miracídio irá se transformar em um esporocisto (saco com paredes cuticulares, contendo a geração das células germinativas ou reprodutivas).
Os esporocistos apresentam movimentos ameboides inicialmente até a completa imobilidade da larva.
Esporocistos primários, secundários e terciários (I, II e II).
A formação da cercária, dentro do molusco, ocorrerá em torno de 27 a 30 dias – até a emergência da cercária para o meio aquático. A cercária migra dentro do caramujo tanto por espaços intercelulares cheios de hemolinfa, como através do sistema venoso do molusco.
Um único miracídio pode formar 300 mil cercárias.
A cercária pode viver por até 48h, mas sua alta capacidade de infecção ocorre nas primeiras 8 horas de vida.
A cercária nada ativamente na água e ao alcançarem a pele de humanos (hospedeiro definitivo) se fixam, preferencialmente entre os folículos pilosos com auxílio das duas ventosas e de uma substância mucoproteica secretadas por suas glândulas acetabulares.
Em seguida, tomam a posição vertical, apoiando-se na pele pela ventosa oral. Por ação lítica (glândulas de penetração) e ação mecânica (movimentos vibratórios intensos) promovem a penetração e a perda da cauda (de 5 a 15 minutos).
Após a penetração as larvas recebem a denominação de esquistossômulos e migram pelo tecido subcutâneo até penetrarem no vaso sanguíneo e serem levadas para os pulmões, coração e chegar ao sistema porta.
caramujo
ou Barriga da’água
Patogenia e Sintomatologia
Está ligada a vários fatores, tais como cepa do parasito, carga parasitária adquirida, idade, estado nutricional e resposta imunitária da pessoa.
Em população com média do números de ovos nas fezes muito elevada (contagem de ovos por grama de fezes), é mais frequente a forma hepatoesplênica e as formas pulmonares.
Sabe-se também que as alterações cutâneas (dermatites) e hepáticas são grandemente influenciadas pela resposta imunológica peculiar do paciente.
Fase aguda
Os sintomas mais exuberantes aparecem em torno de 50 dias e podem durar cerca de 120 dias. Podem ocorrer áreas de necrose levando a enterocolite aguda e também no fígado e em outros órgãos. 
Estado febril acompanhado de sudorese, calafrios, emagrecimento, febre alta, fenômenos alérgicos, diarreia, disenteria (dores e ulcerações), cólicas tenesmo  (espasmos dolorosos do esfíncter anal) , hepatoesplenomegalia, linfadenia (produção excessiva de tecido linfoide), leucocitose (+) com eosinofilia (+), aumento das globulinas e alterações discretas nas funções hepáticas. Em alguns casos pode ser letal.
Esquistossomose crônica
Os sintomas podem variar bastante e levam a alterações predominantemente intestinais, hepatointestinais ou hepatoesplênicas.

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