Leucemias, Mielomas, Linfomas e Esferocitose Hereditária
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Leucemias, Mielomas, Linfomas e Esferocitose Hereditária


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Priscilla Epprecht Machado França
Anemias hemolíticas
Esferocitose hereditária (EH)
	A esferocitose hereditária é uma doença autossômica dominante caracterizada pela produção de eritrócitos microcíticos com alta concentração de hemoglobina. As hemácias são esféricas e sem a palidez central. Esses eritrócitos são chamados de esferócitos. Esse distúrbio pode se apresentar de forma assintomática até quadros de anemia hemolítica grave. 
	As alterações genéticas geram modificações nas proteínas de membrana do eritrócito, principalmente na espectrina, anquirina e proteína banda 3. Essas proteínas têm a função de fornecer a rigidez e integridade à membrana. 
	Na EH, as hemácias possuem uma vida média mais curta que o normal, já que as alterações estruturais da membrana fazem com que os macrófagos do baço reconheçam a anormalidade e façam a hemólise intraesplênica.
	A medula óssea consegue compensar a hemólise aumentando sua produção, porém se a hemólise excede esse ritmo, pode acarretar em uma anemia, que, por ter sua origem na hemólise dos esferócitos, é a anemia hemolítica.
	Os sintomas da anemia hemolítica causada pela esferocitose são cansaço, falta de fôlego, palidez, dor corporal, icterícia, esplenomegalia e cálculos biliares (causados pela produção excessiva de bilirubina, produto da hemólise).
	O diagnóstico pode ser feito através do hemoograma, em que se vê a presença de microcitose e aumento do CHCM. O exame de Resistência Globular Osmótica também pode ser feito, nesse caso a resistência da membrana será melhor e ocorrerá hemólise em caso positivo da doença. No Reticulócito, a contagem estará aumentada. 
	O tratamento mais utilizado é a esplenectomia para que se diminua o índice de hemólise. Além disso, reposição de ácido fólico é recomendada para a formação de novas células na medula.
Estudo Dirigido I \u2013 Leucemias
As leucemias podem ser classificadas em três grandes grupos: Leucemias Agudas, Leucemias Linfoides Crônicas e Leucemias Mieloides Crônicas. Elas são caracterizadas por uma produção exacerbada de glóbulos brancos .
LEUCEMIAS AGUDAS
	Acredita-se que a leucemia aguda surge de uma mutação somática de uma célula contida numa população de células tronco ou progenitoras na medula óssea ou no timo. Ela é o resultado do acúmulo de precursores jovens mieloides e linfoides na medula óssea. Ela aparece como reincidente ou como evento terminal em várias doenças sanguíneas como a policitemia rubra vera, leucemia mieloide crônica ou alguma síndrome mielodisplásica.
	Ela pode ser separada em dois subgrupos, a leucemia mieloblástica aguda (LMA) e a leucemia linfoblástica aguda (LLA). A LMA ainda pode ser dividida em subtipos que variam de M0 a M7, enquanto a LLA de L1 a L3. 
	A doença se manifesta com sinais de falência da medula óssea, como anemia (deficiência na produção de glóbulos vermelhos), infecções (deficiência na produção de glóbulos brancos), hemorragia (deficiência na produção de plaquetas). Ela ainda pode apresentar órgãos com infiltração de células leucêmicas, normalmente os linfonodos, baço e fígado, meninges e sistema nervoso central, testículos e pele. Alguns indivíduos acometidos com esse distúrbio apresentam dermatose neutrofílica febril aguda.
	A citoquímica é interessante para se diferenciar os tipos de leucemia aguda. Na LMA, colorações especiais como a mieloperoxidase ou a Sudan black são usadas para confirmar a presença de grânulos nas células mieloides. A diferenciação monocítica é apontada pela coloração esterase inespecífica, que se combinada com cloroacetato ainda diferencia monoblastos de mieloblastos. O PAS pode ser positivo para o tipo eritroide (M6 e M7). Quando se trata de LLA, o PAS é positivo na linhagem B. Com a fosfatase ácida as de linhagem T mostram o aparelho de Golgi excêntrico. Além disso Oil Red O explicita características da leucemia de linhagem B semelhantes às do linfoma de Burkitt.
	Pode-se utilizar também da imunohistoquímica para se identificar os subtipos de leucemia através do uso de anticorpos de superfície fluerescentes. O padrão de expressão de antígenos varia conforme a citogenética e morfologia da célula leucêmica. 
	A forma mais precisa de se descobrir o tipo da leucemia aguda é através da citogenética. Ela irá mostrar qual alteração genética resultou na leucemia aguda. As anormalidades citogenéticas com um prognóstico mais favorável em relação às LMA são a t(8:21), t(15;17), inv(16) e t(6;9).
LEUCEMIA LINFOIDE CRÔNICA
	As leucemias linfoides crônicas (LLC) estão relacionadas com neoplasias de células B ou T maduras. Existem quatro tipos de leucemias crônicas de células B e três de células T. 
	As LLC de células B são doenças predominantemente de idosos e se caracterizam por um número muito elevado (5.10\u2c69/L) de linfócitos monoclonais no sangue periférico. As células então ficam acumuladas no sangue, no baço, no fígado e nos linfonodos. Elas são uma população monoclonal de linfócitos B imaturos com imunoglobullinas de baixa densidade. Há também a presença de pró-linfócitos cuja proporção varia de acordo com a gravidade da doença. Quando a doença já não está nos primeiros estágios, já é possível ver crescimento de linfonodos, esplenomegalia e hepatomegalia. 
	Infecções podem surgir por conta da falta de imunoglobulinas, neutropenia e disfunção linfoide. Elas podem ser infecções por herpes (zoster ou simplex), candidiase oral ou outro tipo. 
	A contagem de células na LLC evidencia uma linfocitose e o sangue periférico fica com uma característica linfoide. 
	A citogenética indica mudanças cromossomais como deleções e translocações do braço longo do cromossomo 13 na banda q14, trissomia 12 (+12), mutações ou deleções do gene ATM localizado em 11q22-23, anormalidades estruturais do 17p13 (envolvendo o gene p53) e deleções ou translocações do 6q21, principalmente em casos de transformação blástica. 
	Dependendo da alteração, há um prognóstico diferente. Assim como fatores como sexo, estágio, histologia, presença ou ausência de anemia hemolítica autoimune, e teste de antiglobulina direto positivo e o tempo de duplicação do linfócito.
	Existem duas formas de se classificar a LLC. A primeira forma é a classificação de Rai, que varia do estágio 0 ao estágio IV e tem relação gradual com a contagem de linfócitos, plaquetas e glóbulos vermelhos e crescimento dos órgãos. Na classificação de Binet e Cols, a separação é feita em três estágios, A, B e C, que possuem relação com o prognóstico da leucemia, sendo A o mais favorável e o C o menos favorável. Ela se baseia nos níveis de hemoglobina, contagem de plaquetas e número de áreas ganglionares aumentadas de tamanho.
	A Leucemia Pró-linfocítica da célula B(B-LLP) é uma variante da LLC que ocorre em idosos e está associada com a esplenomegalia, linfocitose e um pequeno aumento de linfonodo. A célula pró-linfocítica se caracteriza pelo seu tamanho relativamente grande, citoplasma abundante, cromatina condensada na periferia do núcleo e um nucléolo proeminente. Ela se diferencia justamente nisso da célula leucêmica linfocítica crônica justamente nisso. 
	A leucemia de células pilosas normalmente apresenta pancitopenia e esplenomegalia sem afetar os linfonodos. Suas células B são encontradas em grandes quantidades no sangue periférico e na medulo óssea. Elas são caracteriadas pela aparência \u201ccabeluda\u201d (borda do citoplasma irregular num padrão serrilhado), com núcleo redondo ou oval. A cromatina é menos densa que num linfócito normal.
	Quando tratamos de LLC de células T (T-LLC), sabemos que ela se manifesta de forma similar a leucemia pró-linfocítica das células B. Com uma contagem leucocitária alta, porém normalmente associada a linfadenopatia, espleno megalia, lesões na pele e com um quadro de progressão agressiva. As células morfologicamente também são parecidas entre a B-LLP e T-LLC, porém as células T podem ter seu contorno ligeiramente mais irregular e uma razão núcleo/citoplasma maior, além de ter um nucléolo praticamente imperceptível. A maior