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TRATAMENTO EM CÃES E GATOS COM DERMATITE ALÉRGICA POR PICADA DE PULGA

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1. INTRODUÇÃO 
 
 
 
 
A dermatite alérgica a picada de pulga (DAPP), é uma hipersensibilidade 
muito comum, observada frequentemente nas clínicas veterinárias. Acomete cães e 
gatos e caracteriza-se por uma reação de hipersensibilidade aos alergénos 
presentes na saliva da pulga. Espécies responsáveis pela DAPP são 
Ctenocephalides felis e Ctenocephalides canis, sendo a primeira mais prevalente em 
cães e gatos e a segunda restrita a cães. O principal sinal clínico observado é o 
prurido intenso (SCOTT et al., 2011). 
A DAPP ocorre quando as pulgas, durante seu repasto sanguíneo 
(alimentação) no animal, injetam saliva na pele deste, que possui propriedades 
anticoagulantes. Na saliva estão presentes proteínas que estimulam o sistema 
imunológico do animal. Animais alérgicos reagem contra essa proteína, 
desencadeando uma reação de hipersensibilidade (ALVES, 2012; HNILICA, 2012). 
Aparentemente, não há predileções para sexo ou raça, embora seja relatado 
com mais frequência em Setters, Fox Terriers, Cocker Spaniel e Chow-Chow 
(RISTOW, 2012). 
Os sinais clínicos são erupções pruriginosas, crostas e pápulas, com eritema 
secundário, alopecia, seborreia e escoriações (HNILICA, 2012). 
O tratamento deve ser tanto através do controle da população de pulgas no 
animal, quanto no ambiente em que vive. Atualmente existem diversos produtos 
para o tratamento do meio ambiente, estes produtos têm uma eficácia variável para 
eliminar as diferentes etapas do ciclo evolutivo da pulga, a maioria dos produtos têm 
uma boa atividade residual durante 2 ou 3 meses. Nos casos de infecções 
secundárias, deve-se efetuar o tratamento das mesmas (ALVES, 2012; 
RODRIGUÊS, 2008). 
DAPP não significa ter o animal contaminado por um número elevado de 
pulgas, basta o animal ser alérgico e ser picado por uma única pulga para 
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apresentar uma dermatite grave. Assim, nos animais alérgicos é indispensável a 
prevenção de ectoparasitas para o controle dessa doença (RISTOW, 2012). 
O objetivo do presente trabalho é fazer uma revisão sobre a dermatite 
alérgica à picada de pulga (DAPP), quanto à sua patogenia, diagnóstico e 
tratamento. 
 
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2. REVISÃO DE LITERATURA 
 
 
 
 
2.1. Dermatite Alérgica à picada de pulga 
 
 
A DAPP é uma desordem cutânea, caracterizada pela presença de prurido e 
pápulas na pele de cães e gatos, resultantes dos alergénos presentes na saliva da 
pulga (FERNANDES, 2014). 
No repasto sanguíneo da pulga no cão, as pulgas injetam saliva na pele com 
anticoagulantes. A proteína presente na saliva da pulga estimula o sistema imune, e 
logo em seguida iniciam-se os sinais clínicos. Somente animais alérgicos 
apresentam sinais de reação alérgica (ALVES, 2012). 
São mais predispostos a desenvolver DAPP os cães que estão sempre 
expostos as pulgas, que são tratados irregularmente ou o controle de ectoparasitas 
é interrompido até que as pulgas reapareçam (BLAGBURN; DRYDEN, 2009). 
A reação alérgica a picada da pulga pode ser tanto do tipo imediata como 
tardia, o prurido pode começar no momento em que o animal foi picado e persistir 
por um longo período depois da pulga já ser eliminada no ambiente. E uma reação 
de hipersensibilidade mista do tipo I, IV, imediata de fase tardia e basofílica cutânea 
(FERNANDES, 2014). 
 
 
2.1.1. Resposta Alérgica 
 
Todos os animais são expostos a antígenos, sejam ambientais, alimentares e 
aerossóis. Em todos os casos, os animais respondem a estes antígenos com a 
produção de anticorpos IgG ou IgA e não tem consequências sobre isto. Porém, em 
alguns animais a resposta a antígenos ambientais podem montar uma resposta 
exagerada, produzindo quantidades excessivas de anticorpos IgE, é nesses casos 
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que esses animais desenvolvem a hipersensibilidade tipo I ou alergias (TIZARD, 
2008). 
As reações de hipersensibilidade tipo I, são uma forma de inflamação que 
resulta da interação de antígenos com imunoglobulinas E (IgE) ligadas a receptores 
em mastócitos. Isso vai levar à rápida liberação do conteúdo dos grânulos 
secretores de mastócitos. Este conteúdo granular é quem vai causar a inflamação 
aguda, com sinais de rubor e prurido. Esta hipersensibilidade está envolvida com a 
genética, produção de anticorpos e imunoglobina E IgE (TIZARD, 2008; 
FERNANDES, 2014). 
A hipersensibilidade tipo IV (tardia), é carreada pelos linfócitos T, que quando 
estimulam liberam citocina responsáveis pelas células de defesas contra o antígeno 
invasores. Esta reação pode levar de 24 a 72 horas após a exposição aos estímulos 
é uma inflamação que se desenvolvem lentamente (TIZARD, 2008; FERNANDES, 
2014). 
A hipersensibilidade tardia, pode ser transferida de animais sensibilizados 
para animais normais por linfócitos T auxiliares e citotóxicos, ela deve ser mediada 
por células. Essas reações resultam em interações envolvendo a proteína, células 
apresentadoras de antígenos e as células T (TIZARD, 2008). 
Quando um animal é picado, os antígenos são fagocitados pelos macrófagos 
e apresentados aos linfócitos T que disparam uma resposta mediada por células e 
geram células de memória. A hipersensibilidade tipo IV pode ocorrer muitos anos 
após a exposição ao antígeno, pois algumas células T de memória tem vida longa. O 
antígeno injetado intradermicamente é capturado pelas células dendríticas, que 
depois migram para o linfonodo drenante e irão atrair neutrófilos e macrófagos, 
tornando essa reação crônica (BETIOLI, 2014). 
No momento da picada são injetados na pele do animal antígenos presentes 
na saliva da pulga, que são capturados pelas células apresentadoras de antígeno, 
(linfócito B, células dendríticas e macrófagos) relacionado a hipersensibilidade tipo I 
e IV. O alérgeno é carreado até o linfonodo onde será reconhecido e desencadeará 
uma reação inflamatória (BETIOLI, 2014). 
 
 
2.1.2. Imunidade a artrópode 
 
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Durante a alimentação, o artrópode injeta saliva que contém enzimas 
digestivas que auxiliam o parasita durante o repasto sanguíneo, pois minimizam a 
resposta inflamatória. A saliva contém quinases que destroem bradicinina e 
proteínas ligantes de histamina, mediadoras da dor e prurido (TIZARD, 2008). 
A resposta imune do hospedeiro pode ser de três tipos e que variam conforme 
os componentes salivares, pois alguns são de baixo peso molecular e não atuam 
como antígenos normais, mas que podem se ligar ao colágeno e estimular a 
resposta Th1 (T helper 1) e levar a hipersensibilidade tardia. Outros antígenos 
salivares podem se ligar a células de Langerhans da epiderme e gerar 
hipersensibilidade cutânea. Por fim, o terceiro tipo de resposta com Th2 (T helper 2) 
leva a produção de IgE e hipersensibilidade tipo I (TIZARD, 2008; TERRA et al., 
2012; SOARES, 2014). 
 
 
2.2. Anatomia e Citologia da Pele 
 
A pele é o maior órgão dos animais, ela determina forma e característica das 
raças e é a barreira entre o organismo e o meio ambiente, além de possuir função 
sensitiva (FEITOSA, 2008). 
Dividida em quatro planos anatômicos ela se diferencia em vários aspectos 
em relação a localização do corpo. Sendo elas a espessura da pele com pelos, pele 
escrotal, coxins e planos nasal. Ao redor dos olhos e no escroto a pele é mais fina, 
e nas costas, entre as escapulas e coxins são grossos (SOUZA, et al., 2009; 
COLVILLE; BASSERT, 2010). 
Nos cães e gatos a pele pode se diferenciar em regiões conforme a raça e 
idade. As estruturas básicas da epiderme dos mamíferos em geral são semelhantes, 
mas entre o homem e os animais, difere apenas em relação a pele com pelos, pois a 
estrutura da epiderme e a densidade da pelagem é