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69 Ética e responsabilidade social empresarial
AULA
5
Ética e responsabilidade 
social empresarial
METAS DE COMPREENSÃO
´ Entender quais os conceitos de ética empresarial, responsabilidade social
e empresarial.
´ Analisar como a ética influi no cotidiano das organizações e como conciliar
sua aplicação com o lucro das empresas.
´ Avaliar quais as responsabilidades éticas dos colaboradores
nas organizações.
 ´ APRESENTAÇÃO
Nessa aula da Unidade Curricular Estudos Organizacionais, você será levado a compreen-
der uma série de conceitos que o fará refletir sobre as questões que envolvem a ética e a 
responsabilidade social e a sua grande importância no mercado e nas organizações. Mais que 
isso, será grande o efeito que esses conteúdos terão em sua vida cotidiana, contribuindo 
para seu maior entendimento como profissional e como ser humano. Boa aula!
NESTA AULA
´ Responsabilidade social
´ Responsabilidade ambiental
´ Conceitos introdutórios sobre a ética
´ A abrangência da ética na administração
´ O entendimento ético dos objetivos empresariais
´ Sustentabilidade empresarial
´ A empresa em relação aos seus stakeholders
´ O indivíduo na empresa: responsabilidades e expectativas
´ Ética profissional
70 Informações Estratégicas
Responsabilidade social
Atualmente tem ficado cada vez mais claro que para melhorar a qua-
lidade de vida da população é preciso reduzir drasticamente as injustiças 
sociais cometidas ao longo de muitos anos.
Nesse sentido, tanto o Estado quanto a iniciativa privada vêm mudando 
suas formas de encarar esse desafio, na medida em que formulam novas 
políticas de atuação.
A responsabilidade social é um tema muito discutido nos últimos anos, 
deixando de ser apenas uma atividade governamental, pois as empre-
sas também têm obrigações sobre este assunto com seus empregados, 
clientes e comunidade que de uma forma ou outra possuem relação com 
seus negócios.
No Brasil, o governo tem se preocupado em garantir o acesso da po-
pulação a setores básicos, como a educação, reservando cotas para ne-
gros e índios. Ao mesmo tempo, programas como Bolsa Família são respon-
sáveis por reduzir a miséria, fornecendo insumos básicos para boa parte 
da população.
Para as empresas a preocupação não é diferente, na medida em que é 
cada vez mais necessário que se qualifique os funcionários para que con-
sigam acompanhar uma competição acirrada. Além disso, as organizações 
devem se dispor a fornecer condições de trabalho que estimulem a socia-
bilidade entre seus membros, estabelecendo um vínculo entre sua imagem 
e ações que demonstrem responsabilidade social. Um exemplo é a rede 
de hotéis Hilton, que na sua unidade em São Paulo tem um programa de 
qualificação de jovens que moram na favela Paraisópolis, próxima ao hotel.
Ao abordarmos a responsabilidade social nas empresas, devemos nos 
ater ao fato de que as organizações precisam desenvolver suas atividades 
e métodos na medida não apenas de suas necessidades, como também em 
razão das aspirações da sociedade a que 
pertence. Nesse sentido, as empresas 
vêm, de forma crescente, percebendo 
que devem retornar à sociedade as van-
tagens e benefícios que dela recebe.
A princípio, as empresas deveriam 
compreender essa realidade, não vio-
lando qualquer tipo de código de con-
duta ético e/ou social. Porém, o que se 
evidencia é que as organizações muitas 
vezes não respeitam as relações básicas 
de consumo, o que faz com que a socie-
dade estipule inúmeras ferramentas e 
códigos de conduta para se proteger de 
problemas causados, mesmo que invo-
luntariamente, pelas empresas. Podemos 
colocar como exemplo de um desses có-
digos o Código de Defesa do Consumidor. 
Portanto, as organizações necessitam 
seguir, entre outros, o Código de Defesa 
do Consumidor, se desejam planejar sua 
gestão com base em condutas éticas e na 
responsabilidade social.
As empresas devem retornar à sociedade as vantagens e benefícios 
que dela recebe.
Wikimedia Commons
71 Ética e responsabilidade social empresarial
LEiTURAS iNDiCADAS
É fundamental para o administrador e gestor conhecer 
o Código de Direito do Consumidor (Lei N. 8.078, de 11 de
setembro de 1990).
Para ter acesso completo ao código, procure no site do 
governo federal:
Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.
htm>. Acesso em 20 jun 2013.
A questão ambiental também se faz muito importante quando as em-
presas se preocupam com a responsabilidade social, pois foram criados 
inúmeros dispositivos na lei que regula as normas e procedimentos das 
organizações em relação ao aspecto ambiental. Com o incessante avanço 
na tecnologia, as empresas precisam ser administradas de forma a que não 
coloquem em risco as condições ambientais da sociedade, tanto em bases 
locais quanto globais.
Como a questão ambiental ainda é muito recente em relação à sua regu-
lamentação, as organizações necessitam muitas vezes se auto regularem, 
na medida em que existem muitos aspectos que ainda não constam nesses 
códigos de conduta. Tal fato é necessário, pois encontramos muitas em-
presas que apenas seguem o que está expresso na lei, não se interessando 
na questão ética de fazer o que sabe ser correto. Isso sem contar a grande 
maioria das empresas que sequer seguem a lei.
Logo, é preciso que a responsabilidade social seja parte de um entendi-
mento natural das organizações, fazendo parte da sua identidade e estan-
do expressa no seu planejamento. Consequentemente, tal entendimento e 
postura podem gerar efeitos positivos, que se renovam, pois as empresas 
precisam estar atentas à concorrência, em mercados que se mostram cres-
centemente competitivos. Logo, não podem mais negligenciar a questão 
ambiental como forma de se diferenciar no mercado, pois as mudanças no 
ambiente organizacional são constantes, tornando obrigatório que as em-
presas se adaptem continuamente, exercendo a responsabilidade social nas 
suas ações para o alcance da qualidade e sustentabilidade organizacional.
Responsabilidade ambiental
Nos últimos anos, tem-se verificado na mídia em geral como a questão 
da sobrevivência do planeta se tornou ponto fundamental nas preocupa-
ções da sociedade. Logo, o mundo empresarial não poderia ficar imune a 
essas preocupações, sendo obrigado a assumir suas responsabilidades em 
relação à poluição do planeta. 
Para a sobrevivência das empresas tornou-se fundamental então mostrar 
ações efetivas que demonstrem que seus produtos e/ou serviços não preju-
diquem o meio ambiente.
72 Informações Estratégicas
Nessa busca por diferenciação dentro de um mercado cada vez mais 
competitivo, as empresas desenvolvem processos que tornam seus produ-
tos mais adaptados a um mundo em transformação, que passa a exigir a 
sustentabilidade como condição de existência.
Vemos então empresas que se dedicam a desenvolver produtos orgânicos 
(que não se utilizam de compostos prejudiciais à saúde humana), os quais 
terão um preço maior ao consumidor final. Da maneira similar, encontra-
mos organizações que apenas trabalham com produtos certificados (por 
exemplo madeira), dando ao consumidor a certeza de que ele não está 
adquirindo algo que foi obtido de forma ilegal e não sustentável.
A questão da sobrevivência do planeta se tornou ponto fundamental nas preocupações da sociedade
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SAibA
Consciência ambiental quadruplicou no Brasil
Os brasileiros estão mais conscientes sobre a importância do meio ambiente do que há 20 anos. 
Na comparação entre os primeiros e últimos resultados, a pesquisa “O que o brasileiro pensa do meio 
ambiente e do consumo sustentável”, realizada desde 1992, mostrou que a consciência ambiental no 
país quadruplicou.
As versões do levantamento mostram, que enquanto na primeira edição, que ocorreu durantea Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, 47% dos 
entrevistados não sabiam identificar os problemas ambientais. Em 2012, apenas 10% ignoravam a questão.
Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente. Nessa projeção, a 
população da Região Sul mostrou-se mais engajada ambientalmente. Mais da metade dos sulistas 
sabem o que é consumo sustentável.
Ao longo de duas décadas, os mais jovens e os mais velhos são os que menos conhecem a 
realidade ambiental, mas a consciência aumentou. Há 20 anos, quase 40% dos entrevistados entre 
16 e 24 anos não opinaram sobre problemas ambientais, assim como mais de 60% dos brasileiros 
com 51 anos ou mais. Em 2012, as proporções caíram para 6% entre os jovens e 16,5% entre os 
mais velhos.
A questão relacionada ao lixo, por exemplo, é um dos problemas que mais ganhou posições no 
ranking dos desafios ambientais montado pelos brasileiros. O destino, seleção, coleta e outros 
processos relativos aos resíduos que preocupavam 4% das pessoas entrevistadas em 1992, agora são 
alvos da atenção de 28% das pessoas.
Adaptado da Agência Brasil (www.agenciabrasil.gov.br)
73 Ética e responsabilidade social empresarial
Conceitos introdutórios sobre a Ética
Para abordarmos a ética e suas relações nas empresas, primeiro pre-
cisamos abordar o principal agente nessas organizações: o ser humano. 
Sem ele, as empresas nada mais são do que estruturas de concreto sem 
uma alma.
O ser humano é muito peculiar na sua existência, pois apenas ele possui 
a consciência de si próprio e do mundo que o cerca. Além disso, ele tem 
a condição de pensar e tomar ações sobre si mesmo, mudando a maneira 
como enxerga o mundo.
Tal fato conduz o ser humano a uma série de perguntas e reflexões sobre 
sua vivência no cotidiano, perguntas essas que são a base do pensamento 
filosófico, como por exemplo “de onde vim?”, “qual a razão da minha exis-
tência?” e “o que é certo e errado?”. 
Logo, o pensamento filosófico tem a intenção de 
refletir e desenvolver pensamentos a respeito de 
questões essenciais para o ser humano, utilizando 
da constante renovação para dar novo entendimen-
to à essas questões. A filosofia não busca encontrar 
soluções finais nem conclusões definitivas sobre as 
questões que levanta, mas sim procura deixar as re-
flexões sobre tais questões permanentemente aber-
tas e livres. Portanto, a filosofia não se constitui de 
um conjunto de regras e de conclusões. 
Em todo o estudo da filosofia, vamos encontrar 
muitas doutrinas com fundamentos que são muito 
diferentes entre si. Ou seja, os filósofos não divi-
dem quase nenhuma concordância em relação aos 
conceitos de cada corrente filosófica. Isso ocorre 
pelo fato de que o conceito de uma “verdade” geral 
é muito relativo, fazendo com que a busca de respostas seja sempre limi-
tada pela capacidade intelectual do ser humano. Logo, estamos sempre 
insatisfeitos nessa busca.
Dentro desse estudo, alguns pensamentos se tornaram famosos mesmo 
pelas pessoas que não conhecem a filosofia, pois são questões relativas ao 
ser humano em geral e/ou a época em que vive. Esses pensamentos são 
sintetizados por frases como “Conhece-te a ti mesmo” (Sócrates); “Penso, 
logo existo!” (Descartes); “O homem é o lobo do homem” (Hobbes); “Os 
fins justificam os meios” (Maquiavel).
Se trouxermos as questões filosóficas para os dias de hoje, vamos encon-
trar reflexões que nos inquietam sobre os motivos de encontrarmos pessoas 
que não tem o que comer, enquanto outras vivem com excesso material, 
ou então qual o motivo de certas pessoas precisarem contar com o fracasso 
alheio para obterem sucesso em suas profissões.
Apenas o ser humano possui a consciência de si 
próprio e do mundo que o cerca
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74 Informações Estratégicas
A abrangência da ética na administração
Atualmente, as questões ligadas à ética na administração vêm ganhando 
cada vez mais importância, pois a grande maioria do mundo se estabelece 
economicamente no modelo capitalista, o qual acaba por criar inúmeras 
distorções e injustiças no campo social.
Como os modelos econômicos que são divergentes ao capitalismo, como 
o comunismo e o socialismo, tentaram com pouco sucesso reduzir as injus-
tiças sociais gerada por má distribuição de riquezas e pelo intenso indivi-
dualismo humano, a ética na administração passou a ser ponto fundamen-
tal para regular tais comportamentos e ações no mundo empresarial.
A ética nas organizações aborda uma área relativamente recente da ati-
vidade humana, onde muitas vezes o individualismo e a perseguição do 
lucro a qualquer custo foram consideradas ações necessárias e positivas 
para a vida empresarial. Com isso, temos ao longo dos tempos inúmeros 
exemplos de problemas sociais e abusos do ser humano decorrentes da ati-
vidade empresarial. Do sistema escravocrata ao assedio moral, temos uma 
longa lista de vícios encontrados na vida das organizações.
Se a atividade empresarial é recente na história do mundo, muito mais 
é a utilização dos conceitos da ética nas organizações, consolidando a in-
teração de princípios da ética no mercado global, e envolvendo todos seus 
principais agentes, sejam eles diretores, funcionários operacionais, mem-
bros de sindicatos etc.
O entendimento ético dos 
objetivos empresariais
A ética empresarial tem seu foco atualmente voltado para a forma como 
o lucro deve ser entendido em relação à produtividade das empresas, le-
vando-se em conta a responsabilidade social. Procura estabelecer novas
maneiras das organizações se relacionarem tanto com seus colaboradores
quanto com o ambiente em que se localizam.
Com isso, é fundamental para a ética empresarial conseguir estabelecer 
as diferenças entre comportamentos que oprimem o ser humano nas em-
presas daqueles comportamentos que simplesmente são parte do objetivo 
central de qualquer atividade empreendedora, ou seja, a obtenção de lu-
cro, sem o qual nenhuma organização sobrevive.
Essa diferenciação passa por criar e manter vivo um espírito permanen-
temente crítico em relação às contradições das atividades profissionais. 
Ao mesmo tempo que deve-se combater os lugares comuns e clichês como 
75 Ética e responsabilidade social empresarial
por exemplo: “todo político é ladrão!”, deve-se ficar atento aos interesses 
corporativos das classes profissionais que pensam primeiramente nos seus 
interesses individuais, em detrimento dos interesses da sociedade.
A atividade empresarial atual não pode se resumir, de maneira nenhu-
ma, a um empreendimento que deseja apenas obter lucros. Deve muito 
mais do que isso, tentar alcançar tais lucros como parte da realização com 
qualidade de suas atividades, ao mesmo tempo em que participa da socie-
dade em que se encontra.
PENSE NiSSO
Nas empresas, ética e lucro podem andar juntos?
Como o pretendido anteriormente muitas vezes está distante da prática 
do mundo real, acabam se tornando comuns as interpretações de que o 
mercado é frio e egoísta, formado por investidores, acionistas e proprietá-
rios que não possuem outra preocupação se não a de maximizar seus lucros.
Entre essas interpretações negativas sobre a atividade empresarial, en-
contramos pensamentos como “o mercado é uma selva e só sobrevive quem 
é impiedoso com seu competidor”.
Naturalmente, pela sua própria origem, o comércio deve ser competi-
tivo, mas não se deve confundir competição com uma atividade inescru-
pulosa onde se faz qualquer coisa para se obter sucesso, pois por mais 
concorrência que exista em um dado mercado, não se deve perder de 
vista que esse mercado está baseado em inúmeros interesses e normas 
de funcionamento. 
Logo, se torna difícil encontrar um equilíbrio entre entender que os 
acionistas tem direito à busca do lucro, porém que esta busca apenas têm 
sentido num contexto social bemmaior do que a ideia do lucro como um 
fim em si mesmo. É fundamental que se tenha uma concepção de lucro 
como uma maneira para se recompensar o esforço e o investimento, com a 
sociedade sempre sendo beneficiada de forma geral.
Essa forma deturpada, que muitas vezes ocorre, de se encarar a ativi-
dade empresarial, tem um pouco da sua origem na ideia do individualismo 
atomista, a qual simplesmente aborda o cotidiano nas empresas como uma 
série de processos onde existe acordo mútuo entre as partes interessadas 
no negocio, com a mínima ou, se possível, nenhuma interferência do go-
verno. Esses conceitos tiveram origem em Adam Smith e na filosofia que 
reinava na Grã-Bretanha no século XVIII.
Individualismo 
atomista:
Ideia segundo a 
qual os indivíduos 
independem, para 
ser o que são, do 
relacionamento 
com os demais. 
76 Informações Estratégicas
SAibA
Adam Smith foi um importante filósofo e 
economista escocês do século XVIII. Nasceu na cidade 
escocesa de Kirkcaldy, em 5 de junho de 1723, e faleceu 
em Edimburgo no dia 17 de julho de 1790.
Em plena época do Iluminismo, Adam Smith 
tornou-se um dos principais teóricos do liberalismo 
econômico. Sua principal teoria baseava-se na ideia 
de que deveria haver total liberdade econômica para 
que a iniciativa privada pudesse se desenvolver, sem a 
intervenção do Estado. A livre concorrência entre os 
empresários regularia o mercado, provocando a queda 
de preços e as inovações tecnológicas necessárias para 
melhorar a qualidade dos produtos e aumentar o ritmo 
de produção.
As ideias de Adam Smith tiveram uma grande 
influência na burguesia europeia do século XVIII e de 
fundamental importância para o desenvolvimento do 
capitalismo nos séculos XIX e XX. 
Crédito: Wikimedia Commons
Porém, tais conceitos são muito defasados quando pensamos no merca-
do atual e suas mais variadas inter relações, pois cada vez mais é neces-
sário estabelecer regulações a esse mercado, tanto em nível local como 
mundial, para que o interesse público nunca seja negligenciado nas práti-
cas comerciais. Um exemplo de falta de regulação no mercado que levou 
a conseqüências extremamente danosas até hoje é o que gerou a crise 
mundial de 2008.
Não por acaso a ideia da “cultura empresarial” ganha força atualmen-
te, na medida em que estimula a sociabilidade dentro das organizações, 
bem como entende que o comportamento ético dentro das empresas e fora 
dela, com seus parceiros, é fator fundamental para compartilhar os valores 
culturais que cada organização quer estimular.
Sustentabilidade empresarial
Um dos pontos principais da ética empresarial mais recente é a ideia de 
responsabilidade social. É também um ponto que ainda provoca controvér-
sias, pois a forma como o mercado se acostumou a agir por longo tempo 
nunca levou em conta os conceitos ligados ao tema. A mesma visão simplis-
ta de mercado, orientada apenas para o lucro, aparece aqui, como também 
a concepção do acionista “vilão”.
77 Ética e responsabilidade social empresarial
PALAvRA DE AUTOR
A responsabilidade social hoje encara a figura do acionista como apenas 
um dos interessados nas atividades organizacionais de uma empresa. Os 
stakeholders de uma organização são todos os que são afetados e que têm 
direitos e interesses legítimos em relação às atividades organizacionais. 
Eles são compostos pelos empregados, fornecedores, consumidores, bem 
como a comunidade que os cerca. 
Se pensarmos assim, a ideia da responsabilidade social se constitui como 
parte central em suas preocupações básicas, sendo equilibrada e justa com 
seus administradores, assim como seus funcionários, compradores, forne-
cedores, etc. Enfim, com todos que sofrem alguma influência das ativida-
des da empresa. 
Agora vamos pensar um pouco sobre o lucro.
Em sua opinião, o lucro é o único objetivo da atividade empresarial? 
Explique sua resposta. 
No contexto da responsabilidade social, a ética trata essencialmente 
das relações entre pessoas. Cabe ressaltar que há pessoas e grupos 
dispostos a cobrar essas responsabilidades por meio do ativismo político, 
da imprensa, da legislação e da atuação dos parlamentates. 
(Maximiano, 2007, p. 302)
Stakeholder:
Em português, 
“parte interessada”. 
Termo usado 
em diversas 
áreas gestão e 
administração, 
referente às partes 
interessadas 
que devem estar 
de acordo com 
as práticas de 
governança 
corporativa 
executadas pela 
empresa.
78 Informações Estratégicas
A empresa em relação aos 
seus stakeholders
As empresas têm obrigações para com os seus acionistas, assim como 
para com os seus consumidores, funcionários e a sociedade.
Se uma empresa polui o ambiente enquanto cumpre suas atividades ob-
viamente não está sendo responsável socialmente, assim como se não ga-
rante aos seus consumidores que seus produtos e serviços sejam confiáveis 
e de qualidade. 
Surgem aqui varias reflexões sobre o papel dos administradores, como 
por exemplo: até que ponto a empresa deve tomar precauções contra uti-
lizações dos seus produtos? Quais os limites que devem ser impostos a pro-
dutos que são maléficos (a depender da forma de utilização) para o ser 
humano como bebidas alcoólicas e cigarros e armas de fogo?
Quais os limites para empresas de publicidade que têm o objetivo de 
criar estratégias para se vender produtos e/ou serviços? Principalmente 
se pensamos que um dos grandes alvos da publicidade atualmente é o 
público infantil?
Nessa área, somos confrontados com questões éticas muito importantes, 
pois é cada vez mais comum o uso de artifícios questionáveis como:
• Utilização de conotação sexual nos anúncios.
• Tentativas de estabelecer relação entre a utilização de determinado
produto e uma maior chance de “sucesso” na vida.
• Transmissão de conceitos que “rebaixam” a mulher e/ou grupos
de minorias.
Não se pode esquecer que os consumidores também devem procurar infor-
mações e não podem ser tratados como crianças (a não ser quando são, de fato, 
crianças) sem nenhuma responsabilidade pelas suas escolhas, ou seja, a respon-
sabilidade empresarial envolve um conjunto de responsabilidades interligadas.
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79 Ética e responsabilidade social empresarial
TROCANDO iDEiAS
Cada vez mais vemos a responsabilidade social sendo 
entendida como uma questão de diferenciação e até sobrevivência 
pelas empresas.
Nesse sentido, temos um exemplo muito conhecido de uma rede 
internacional de fast food. Essa empresa realiza um evento anual em que, 
em um determinado dia, a renda gerada pela venda de um determinado 
produto é direcionada para uma instituição que trata de crianças 
com câncer.
A princípio, essa atitude da empresa é muito inspiradora, porém não 
seria o caso de questionar se o tipo de alimentação que ela comercializa 
é prejudicial para o público infantil?
No Fórum virtual de discussão coloque seus argumentos sobre 
essa reflexão, se possível com outros exemplos de empresas com 
comportamentos contraditórios.
O indivíduo na empresa: 
responsabilidades e expectativas
A responsabilidade empresarial deve ficar atenta principalmente ao 
funcionário que trabalha na empresa, pois na visão antiga dos negócios 
o funcionário era tratado como mais uma peça da organização na busca
pelo lucro.
Tal fato deve ser combatido no sentido que, como um ser humano, ele 
possui desejos e aspirações que se constituem na principal preocupação de 
qualquer responsabilidade “social” 
Logo, condições de trabalho desfavoráveis, como carga de trabalho de-
sumana ou um ambiente profissional estressante são fatores que não são 
condizentes com uma postura eticamente responsável nas empresas. Nesse 
sentido, a ética empresarial se interessa pelos direitos dos empregados, 
pois se uma organização lida com seus empregados como peças de um jogo,obviamente esses funcionários irão se relacionar com a empresa com uma 
simples etapa de suas carreiras, sem criação de nenhum vínculo. Daí a ne-
cessidade que as empresas cada vez mais possuem de estabelecer laços de 
lealdade com seus empregados.
Tal lealdade é uma via de mão dupla, no sentido que os deveres do fun-
cionário para com a empresa devem ter uma relação direta com os deveres 
da empresa para com ele. 
Temos nas organizações diversos aspectos nessa relação com seus em-
pregados que são claros e especificados em procedimentos e normas, po-
rém muitos outros aspectos não são formais e explícitos, os quais fazem 
parte da “cultura” da empresa. Esses aspectos só são vivenciados pelos 
funcionários com o passar do tempo.
80 Informações Estratégicas
Então, muitas vezes acontece que os funcionários de uma organização 
“percebem” que certos aspectos da cultura empresarial não se encaixam 
com seus próprios valores pessoais, o que é causado muitas vezes por vio-
lações éticas por parte da organização. Com isso, a chance de conflitos é 
grande, pois seus empregadores podem entender isso como nada mais do 
que falta de lealdade, o que é incorreto, pois quando o bem-estar da so-
ciedade está em jogo são os interesses da empresa que devem recuar e não 
os da sociedade.
Ética profissional
De modo mais prático, a ética no cotidiano das empresas estabelece uma 
série de normas que ajudam a regular o comportamento dos empregados 
nas organizações. Como a ética no trabalho engloba todas as áreas profissio-
nais, é natural que possua normas que são específicas para cada profissão.
DiCA
Para saber com mais detalhes sobre as normas 
que regulam o trabalho do administrador acesse do 
site do Conselho Regional de Administração de São 
Paulo. Lá você terá acesso ao Código de Ética do 
Administrador.
Disponível em: <www.crasp.gov.br/crasp/
WebForms/lista.aspx?secao_id=56&Idioma_id=1>. 
Acesso em: 21 jun. 2013.
Naturalmente, dependendo da questão ética que encontrarmos, os có-
digos e normas específicos de cada profissão não são suficientes para cobrir 
aspectos que são mais “gerais” e necessitam de um aprofundamento maior, 
como por exemplo no caso das “células tronco”, em que a reflexão a respeito 
não pode ser baseada apenas nas normas que regulam o trabalho dos médicos.
Que tal agora fazermos uma pesquisa sobre esse tema?
Como estamos em uma aula inserida em um curso de Administração, 
pesquise sobre o Código de Ética de Administração e elabore um pequeno 
texto no qual mostre quais, na sua visão, são os principais deveres do 
administrador em relação ao seu código de ética. Justifique sua resposta. 
81 Ética e responsabilidade social empresarial
Esses conflitos éticos deixam claro que nas organizações é fundamental 
capacitar seus colaboradores no sentido que compreendam que suas ativi-
dades profissionais possuem duas dimensões que dependem uma da outra: 
o saber como fazer e o saber como se comportar. A primeira se refere à
qualidade técnica de seu trabalho, enquanto que a segunda se refere à
maneira como ele se comporta eticamente em relação aos seus colegas.
A ética profissional possui seu foco em grande parte sobre o comporta-
mento dos funcionários, pois o ser humano muitas vezes apresenta carac-
terísticas egoístas, tentando defender seus próprios interesses em primeiro 
lugar. Tais comportamentos são comuns na medida em que expressam o 
desejo natural por ser reconhecido e valorizado. 
Porém, as normas éticas de conduta devem ajudar a regular certos ex-
cessos, na medida em que os funcionários não podem ser guiados apenas 
pelas questões ligadas ao dinheiro e sucesso, e sim obtendo um entendi-
mento do seu trabalho como parte do grupo social em que está inserido. 
Esse entendimento deve vir pela noção de que as aspirações do grupo social 
têm prioridade sobre as aspirações de um funcionário. 
SÍNTESE
Na busca por diferenciação dentro de um mercado cada vez mais competitivo, as empresas 
desenvolvem processos que tornam seus produtos mais adaptados a um mundo em transformação, 
que passa a exigir a sustentabilidade como condição de existência.
Em relação à responsabilidade social, as empresas vêm, de forma crescente, percebendo que 
devem retornar à sociedade as vantagens e benefícios que dela recebe.
A ética é a disciplina ou campo do conhecimento que trata da definição e avaliação do 
comportamento de pessoas e organizações.
Embora ainda seja forte a visão de que no mundo dos negócios não há ética, existe uma 
preocupação crescente nas grandes corporações em disseminar as vantagens de uma conduta 
correta, como forma de prestigiar a imagem da empresa e dos executivos e, assim, promover um 
ambiente bom, tanto nos relacionamentos internos quanto nos externos da empresa.
82 Informações Estratégicas
ATiviDADES
ATiviDADES
1. Como você encara a ideia de que na atividade empresarial predomina a “lei da selva”? Ou
seja, você concorda que no mundo dos negócios apenas o melhor sobrevive, com as empresas 
cuidando apenas do seus próprios interesses? Explique sua resposta.
Para ampliar seus conhecimentos, faça uma pesquisa e identifique na mídia uma campanha 
publicitária que tenha se tornado conhecida. Ela pode ser atual ou mesmo antiga, mas é necessário 
que tenha se tornado polemica por questões éticas.
Faça uma reflexão sobre essa campanha a partir dos conceitos sobre ética nos negócios vistos nessa aula.
83 Ética e responsabilidade social empresarial
ATiviDADES
2. A atividade empresarial deve se resumir simplesmente a negócios sobre os quais há interesse 
mútuo entre indivíduos, com pouca ou nenhuma interferência do Estado? Explique sua resposta.
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