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FISSURA ANAL É uma úlcera muito dolorosa, que apresenta-se como uma rachadura na mucosa com presença de sangramento. Apresenta incidência de 11% a 13%, e predomina em pessoas jovens. Os sintomas muitas vezes são atribuídos às hemorróidas. Porém a fissura anal não deve ser confundida com a hemorróida, que exibe sangramento anal e indolor. se o sangramento estiver associado a dor, já não se pode considerar que é unicamente hemorróida, deve-se suspeitar de fissura associada. Incidência da distribuição anatômica da fissura anal: ❏ Linha média posterior: 86%. ❏ Fissura anterior: 10%→ mais comum em mulheres. ❏ Concomitantes: 3% ❏ Fora da linha média: 1%. Tríade clássica da fissura anal: quando torna-se crônica. →Fissura . →Plicoma sentinela: trata-se de um tecido cicatricial, que formou-se em decorrência do processo de inflamação recorrente daquela região de mucosa. →Papila hipertrófica : Consiste na hipertrofia da cicatriz do plicoma sentinela. Tipos de fissura anal: 1. Fissura anal inespecífica aguda. 2. Fissura anal inespecífica crônica. 3. Plicoma sentinela. Os diagnósticos diferenciais são: ◼Doença de Crohn ◼Retocolite ulcerativa ◼Sífilis ◼Tuberculose ◼Herpes ◼Leucemia ◼Câncer ◼HIV Pacientes imunossuprimidos estão mais suscetíveis ao surgimento de fissuras anais. Na retrocolite ulcerativa, a fissura ocorre de maneira disseminada,vários focos de fissura, que é típico de doença inflamatória intestinal. Fissura anal ângulo posterior Apresenta-se como uma pequena ferida, descrita como uma rachadura na mucosa anal. Etiologia Ocorre um ciclo vicioso: Hipertonia reflexa do esfíncter interno ocasiona dor, consequentemente, o paciente tem a conscientização que a evacuação será dolorosa, causando repercussão trato intestinal, que por um mecanismo dito neurológico, acaba por promover impactação fecal voluntária e involuntária que desencadeará fissura. Como a impactação fecal desidrata as fissuras, essas vão ficando cada vez mais rígidas, endurecidas, fazendo com que ocorra uma hipertonia reflexa do esfíncter anal, voltando ao início do ciclo. Outras etiologias da fissura anal Fissuras da doença de Crohn. Fissuras da retocolite ulcerativa. Fissuras luéticas: lúpus. Fissuras residuais. Fissuras traumáticas. Fissuras tuberculose. Fissuras actínicas:Decorre da inflamação crônica do reto e do canal anal induzida pela radiação após tratamento de câncer de próstata ou do cólon. Quadro clínico: ★ Dor intensa: é bem compreendida, em razão da mucosa anal ser ricamente vascularizada e inervada. ★ Sangramento anal. ★ Exsudação: formação de pequeno volume de líquido seroso na fissura anal. ★ Prurido anal. ★ Infecção: a fissura anal é uma porta de entrada para as bactérias, sendo essa região colonizada por bactérias fecais, dessa forma, infecções associadas podem ocorrer, como os abscessos anais. É muito comum pacientes no pós-operatório desenvolverem abscesso anal, se o abcesso for pequeno, pode ser drenado no pronto socorro e abscessos maiores deverão ser drenados no bloco cirúrgico. É Importante lembrar que, na fissura anal a dor sempre estará presente, ao contrário das hemorróidas onde o sangramento anal é sempre indolor. As fissuras também podem ser classificadas de acordo com o tempo em que surgiram os primeiros sintomas: ▶▶Fissuras agudas: o paciente refere-se ao surgimento de sintomas, como recentes. ▶▶Fissuras crônicas: os sintomas se arrastam por longos períodos, que se alternam em períodos de melhora, seguidos por períodos com fortes dores. É exatamente esses períodos de acalmia, seguidos por períodos de inflamação é que causam dor. São responsáveis por formar o plicoma sentinela e a papila hipertrófica. Diagnóstico: respeitar a sequência da investigação das doenças anais: ● Inspeção. ● Toque retal. ● Anuscopia. ● retossigmoidoscopia. ● colonoscopia. Exame proctológico: É a primeiro exame, é feito com paciente em decúbito lateral, expondo a região anal do paciente. o primeiro passo é fazer a inspeção, para identificar a fissura anal, que em 85% dos casos está localizado na linha média posterior. Inspeção: Achados: ◉ Ânus punctiforme, contraído, por vezes protruso e saliente pelo espasmo do esfíncter interno. ◉ O afastamento das bordas anais, pode ser difícil. ◉ As bordas podem ser elevadas nos processos crônicos, e no leito da fissura, é possível identificar as fibras do músculo esfíncter interno. Fissura anal e plicoma sentinela Toque retal: Nem sempre é possível realizá- lo devido a dor e porque pode ocorrer uma importante hipertonia do esfíncter anal interno, que impede a introdução do dedo do examinador no orifício anal A papila se espessa, aumenta de tamanho, passando a ser denominada de papila anal hipertrófica. A fissura quando presente, pode ser consequência de uma doença mais grave, como câncer de cólon. Etapas do exame de toque retal 1. Calçar as luvas e no dedo indicador aplicar Xilocaína. 2. Introduzir o dedo no orifício anal a procura de anormalidades, como calcificações, tecidos inelásticos e hipertonia do esfíncter. 3. Retirar o dedo e constatar a presença de fezes em dedo de luva, que indica normalidade, porém se aparecer sangue indica alteração. Papila anal hipertrófica reparada pela pinça. Diagnóstico da fissura anal crônica: ✽Plicoma sentinela. ✽Fissura. ✽Papila anal hipertrófica. ✽Hipertonia do músculo esfíncter interno, é o elemento principal e mantenedor da fissura, que impede sua cicatrização espontânea. A permanência desses achados no diagnóstico, que foram descritos acima, são responsáveis pela manutenção e cronificação da fissuras anais. Tratamento de fissura anal ✪ Fissura aguda: Tratamento conservador➜ 🎯Modificações dietéticas, com suplementação de fibras e aumento da ingesta de água. 🎯Banho de assento morno. 🎯Uso de supositórios, cremes analgésicos e corticóides locais. 🎯pomada para esfincterotomia química. 🎯Alteração dos hábitos intestinais. 🎯Abolir o uso de papel higiênico e preferir sempre o uso da ducha higiênica. 🎯Uso de laxantes suaves para amolecer o bolo fecal. ✪ Fissura crônica com hipertonia esfincteriana: Conduta cirúrgica➜➜ esfincterotomia parcial do músculo esfíncter interno do ânus lateral subcutânea. -Secção parcial do esfíncter interno: é necessário cautela, para que não haja secção do músculo do esfíncter, pois há risco do paciente desenvolver incontinência fecal no pós-operatório. -Ressecção do plicoma e da papila hipertrófica. -Curetagem ou cauterização do leito da ferida: a cauterização é mais indicada, melhorando o cicatrização.. Abordagem cirúrgica : 1. Exérese dalesão fissurada. 2. Remoção do tecido circundante. 3. Sutura local. Fissura anal + papila hipertrófica e plicoma anal sentinela. Ressecção do plicoma e da papila hipertrófica. A fissura anal é um fator de risco para o câncer do ânus (condição rara) , pois ocorre displasia local secundária a inflamação. O médico pode lançar mão da esfincterotomia química, para reduzir o cálcio intracelular. Pois o cálcio quando aumentado dentro da célula, causa hipertonia do esfíncter anal, que predispõe ainda mais o surgimento de fissuras anais, por essa razão a esfincterotomia química está indicada. Esfincterotomia química: recursos para reduzir o cálcio intracelular: 1. Medicamentos tópicos: ✩✩Substâncias doadoras de óxido nítrico. ✩✩ Bloqueadores dos canais de cálcio. ✩✩ Agonistas muscarínicos. 2. Toxina botulínica. Esses procedimentos inibem a contração do esfíncter, eliminando a hipertonia e promovem a cicatrização da fissura. Quando usados, os recursos acima elevam a taxa de cicatrização. É um tratamento de segunda linha, porque o tratamento principal consiste em fazer a cirurgia. O câncer do canal anal é mais comum em pessoas imunodeprimidas como os pacientes portadores do vírus do HIV, retocolite ulcerativa e doença de Crohn ( Pacientes portadores dessa doença, com evolução de 15 a 20 anos, poderão desenvolver câncer de colo e de reto).