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A EXECUÇÃO INEFICAZ DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE DENTRO DO SISTEMA CARCERARIO BRASILEIRO

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E SIGLAS 
LEP – Lei de Execução Penal 
APAC – Associação de Proteção e Assistência aos Condenados 
RDD – Regime Disciplinar Diferenciado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Sumário 
INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 10 
1 HISTÓRICO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE ...................................................... 11 
1.1 DA PRIVAÇÃO DA LIBERDADE NA ANTIGUIDADE ........................................................... 11 
1.2 A IDADE MÉDIA E A PRIVAÇÃO DA LIBERDADE ............................................................... 13 
1.2.1 Direito Canônico. Provável origem da privação da liberdade como pena ............ 14 
1.3 IDADE MODERNA, ADOÇÃO DA PRIVAÇÃO DA LIBERDADE COMO PENA ............... 16 
1.3.1 O Iluminismo como forma mais humana para a aplicação da pena ...................... 19 
2 FINALIDADES DA PENA ................................................................................................. 21 
2.1 CONCEITO DE PENA ................................................................................................................ 21 
2.2 A FINALIDADE DE RETRIBUIÇÃO OU TEORIA ABSOLUTISTA DA PENA .................... 22 
2.3 A FINALIDADE DA PREVENÇÃO OU TEORIA RELATIVA/UTILITÁRIA DA PENA ....... 23 
2.3.1 A prevenção geral ..................................................................................................... 23 
2.3.2 A prevenção especial ............................................................................................... 24 
2.4 A FINALIDADE RESSOCIALIZADORA, TEORIA MISTA OU UNIFICADORA DA PENA25 
3 A EXECUÇÃO INEFICAZ DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE NO SISTEMA 
CARCERARIO BRASILEIRO .............................................................................................. 26 
3.1 DO SISTEMA PENITENCIÁRIO BRASILEIRO ...................................................................... 26 
3.2 O REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO E SUA INCONSTITUCIONALIDADE ......... 28 
3.3 AS MAZELAS DOS ESTABELECIMENTOS CARCERÁRIOS ............................................ 30 
3.3.1 Quanto ao caráter ressocializador da pena privativa de liberdade no Brasil ....... 31 
3.3.2 Facções criminosas e o tráfico de entorpecentes .................................................. 36 
3.4 OS RESPONSÁVEIS PELA PRECARIEDADE CARCERÁRIA E O PAPEL DA 
SOCIEDADE NA RESSOCIALIZAÇÃO DO PRESO .................................................................... 40 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 44 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 45 
 
 
 
 
10 
 
INTRODUÇÃO 
O presente estudo tem como objetivo analisar e descrever, com base em 
doutrinadores, bem como na legislação e jurisprudência predominante, sobre os 
motivos que levaram a ineficaz execução da pena privativa de liberdade dentro do 
sistema carcerário brasileiro. Para a investigação do tema central deste trabalho, 
utilizou-se o método analítico-descritivo, uma vez que se busca analisar a pena de 
prisão, descrevendo as finalidades da pena trazidas pelos manuais de direito penal. 
O estudo é realizado por meio de pesquisa bibliográfica. A pesquisa bibliográfica se 
vale dos manuais de direito penal e das obras especializadas sobre a pena de 
prisão, bem como demais documentos e internet. 
 Abordar-se-á aspectos históricos da sanção penal, suas finalidades, as 
ideologias atuais do direito penal e os possíveis fatores que fazem o sistema 
carcerário se tornar ineficaz não cumprindo a sua finalidade. 
Este trabalho está estruturado em três capítulos. 
O primeiro capítulo traz uma abordagem histórica da pena de prisão, desde 
os primórdios da civilização, quando a privação da liberdade ainda nem era visto 
como pena, até a Idade Moderna, momento em que nasce a privação da liberdade 
passando a ser considerada como pena. 
No segundo capítulo buscar-se-á o conceito de pena, bem como as suas 
finalidades segundo suas teorias apontadas pelos doutrinadores. 
No terceiro e último capítulo tratar-se-á de elucidar a crise do sistema 
penitenciário brasileiro no que tange a execução ineficaz da pena de prisão, 
abordando aspectos como o sistema carcerário adotado pelo Brasil, a precária 
estrutura das penitenciarias brasileiras, o tráfico de entorpecentes e as organizações 
criminosas, o caráter ressocializador da pena privativa de liberdade, trazendo por fim 
os possíveis responsáveis pela falência da finalidade da pena de prisão e diante 
disso, a atuação da sociedade na busca pela ressocialização do preso. 
 
 
 
 
 
11 
 
Capítulo 1. 
1 HISTÓRICO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE 
Neste primeiro capitulo apresentar-se-á o histórico da pena privativa de 
liberdade desde a antiguidade, quando a privação da liberdade não era visto como 
pena, até o iluminismo, que defende a humanização das penas por meio da razão. 
Dando ênfase as principais formas de privação de liberdade e buscando demonstra 
as principais causas que deu origem a privação de liberdade como pena. 
1.1 DA PRIVAÇÃO DA LIBERDADE NA ANTIGUIDADE 
Tudo começou com os povos primitivos e o interessante é observar que eles 
não tutelavam bens jurídicos, mas relações hipotéticas tidas como verdadeiras e 
baseadas em totens e tabus. 
Durante a Antiguidade, período compreendido entre os anos de 4.000 a.C. a 
476 d.C., a prisão não era visto como pena, nessa época as penas aplicadas entre 
os povos primitivos eram as penas corporais e a pena de morte como uma forma de 
vingança divina ou vingança privada. 
As diversas fases da evolução da vingança penal deixam claro que 
não se trata de uma progressão sistemática, com princípios, períodos 
e épocas caracterizadores de cada um de seus estágios. A doutrina 
mais aceita tem adotado uma tríplice divisão, que é representado 
pela vingança privada, vingança divina e vingança pública, todas elas 
sempre profundamente marcadas por forte sentimento 
religioso/espiritual. (BITENCOURT, 2013, p. 70) 
Importante salientar que neste período surge a Lei de Talião com a máxima 
“sangue por sangue, olho por olho, dente por dente”, adotada por diversos povos 
que segundo estudiosos foi a primeira tentativa de humanizar a sanção criminal. E 
de fato foi, pois limitava a reação à ofensa a um mal idêntico ao praticado, um 
grande marco na história do Direito Penal. 
A lei de talião foi adotada no Código de Hamurabi (Babilônia), no 
Êxodo (hebreus) e na Lei das XII Tábuas (romanos). No entanto com 
o passar do tempo, como o número de infratores era grande, as 
populações iam ficando deformadas, pela perda de membros, 
sentido ou função, que o direito talional propiciava. (BITENCOURT, 
2013, p 71) 
Cesar Roberto Bitencourt (2013, p. 74) aponta que: “A prisão era conhecida 
na Antiguidade tão somente como prisão-custódia, como depósito, uma espécie de 
antessala do suplício, onde os condenados aguardavam para a execução da pena 
12 
 
propriamente dita”. Na Antiguidade, a prisão era vista somente como um meio de 
assegurar o julgamento e a execução da pena imposta ao réu. 
Os Antigos desconheceram a pena privativa de liberdade como nós 
hoje a conhecemos. Embora houvesse, inegavelmente, o 
encarceramento, este não tinha a função de pena, era uma espécie 
de ante-sala de suplícios, um lugar de vigilância e contenção onde o 
acusado aguardava eventual condenação ou execução para 
cumprimento dos martírios característicos da época, a “pena de 
morte”, as penas corporais, as penas ignominiosas.

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