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�MÓDULO 1 – Sintaxe – I Atenção: As questões de números 1 a 12 referem-se ao texto que segue. 1. (FMABC-2018) – É correto o seguinte comentário: no texto, a autora a) vale-se de um relato cinematográfico como motivação para expor uma prática social que deixa transparecer a percepção que as pessoas têm do seu país e de sua história. b) manifesta-se sobre o sentido que deve ser atribuído à palavra “patrimônio”, pronunciada no filme que ela cita, demonstrando a natureza dos desafios enfrentados pelo grupo social retratado para fazer uso do termo. c) evidencia que grupos sociais decidem sobre a melhor maneira de avaliar os monumentos históricos do seu país, porque reconhecem que dessa apreciação coletiva decorre o valor pecuniário desse patrimônio. d) concentra sua atenção num específico filme de produção nacional, do qual analisa uma peculiar passagem com o objetivo de determinar o significado preciso da obra e julgar seu valor. e) narra a história de um vilarejo ameaçado para demons trar como esse evento foi transposto para a linguagem cinematográfica e refere, especialmente, a caracte rização da realidade dos habitantes do lugar. 2. (FMABC-2018) –O parágrafo 4 permite a seguinte conclusão: a) o movimento rápido e intenso do cotidiano, que não permite a contemplação de objetos que se destacam numa cidade, retira de um bem coletivo sua legiti midade como patrimônio, tornando-o coisa corriqueira. b) memórias individuais de um grupo que habita distintas paisagens precisam ser confrontadas, para que sejam comprovados os fatos que são realmente históricos, condição para o reconhecimento de patrimônios da coletividade. Um filme nacional de 2003 − Os narradores de Ja vé, de Eliane Caffé − mostra um vilarejo fictício amea çado de ser inundado por uma grande represa. Pobres e esquecidos por todos, seus habitantes não sabem como se defender, até que uma voz parece en contrar a solução: Javé precisa ser reconhecida co mo “patri mônio”, pois assim não se tornaria uma ci dade submersa. Duas dimensões dessa fala me re cem ser assinaladas: “patri mônio” aparece como um recurso e uma reivindicação; a palavra, enun cia da naquela específica cena, evidencia o quanto deixou há muito de ser um termo técnico, especiali zado, vinculado a um saber e a uma política formal, pa ra se tornar um lugar-comum; em uma me táfora poderosa, submersão equivale a esque cimento e a não reconhecimento: a reivin dicação de posse de um patrimônio é uma demanda de visibilidade. Desprovidos de recursos materiais que pudessem ser considerados de valor histórico, os narradores de Javé só podem recordar e reinventar suas histórias, seu mito de fundação, um patrimônio que hoje chamamos imaterial, ou intangível. O termo “patrimônio”, do latim pater, pai, tor nou-se corriqueiro e sua adjetivação se espraiou: patrimônio pode ser histórico, ambiental, arqueo lógico, artístico, material, ima terial etc., qualifica ções comumente subsumidas sob o guarda-chuva “cultural”. A remissão a pai, patriarca, nos conduz a legado, herança − e não por acaso o termo em inglês é exata mente este: heritage. No filme citado não bastava reconhecer algo importante: era preciso escrever, anotar, identificar – e passar adiante. Esse conjunto de práticas é o que pode transmutar os relatos, as estórias passadas em conversas informais e os costumes em “patrimônio” − da cidade, de um grupo, região ou nação. Patri mônio não é uma representação coletiva como outra qualquer, e sim uma prática constituída por um pro cesso de atribuição de um valor, que deve ser re conhecido por um grupo disposto a conservá-lo. Em outras palavras, patrimônio histórico remete a polí ticas públicas ou a ações que têm lugar na esfera pública. Os grupos sociais atribuem valores distintos aos seus bens materiais, suas memórias, suas marcas territoriais; nomeiam − e desse modo distinguem, clas sificam − o ambiente que os rodeia, destacam passagens de sua história comum, de um passado coletivo, elegem paisagens. Por isso, quando fala mos em patrimônio (histórico, cultural etc.), é disso que se trata: de um conjunto de bens materiais ou ima teriais fruto de uma decisão que partiu da identificação de algo que merecia ser destacado, retirado de certo fluxo corriqueiro das coisas, da rotina cotidiana: um bem tido como especial. A esse bem chama-se bem patrimonial. 1 5 10 15 20 25 30 35 40 45 O termo é hoje lugar-comum, em duplo sentido: é corriqueiro, parece estar no discurso de todos, mas pode ser também um lugar compartilhado, um ponto de encontro de saberes, disciplinas e políticas. Con tu do, não estamos diante de um fenômeno universal, tampouco permanente. Na França, preocupações com patrimônio ou, para usar um termo então uti lizado, com monumentos tiveram início após a Revo lução Francesa; na Inglaterra, em meio à Revolução Industrial, vitorianos que denunciavam uma civiliza ção moderna percebida como sem raízes se voltavam para um passado pré-industrial, localizado na arquitetura. No Brasil, a descoberta de um patri mônio na iminência de ser perdido não se vinculou a revolução de qualquer tipo: foi um debate que teve início na nada revolucionária Primeira República (1889-1930), quando cidades passavam por reformas urbanas pautadas por um “bota abaixo” − como ocorreu no Rio de Janeiro e no Recife no começo do século XX −, e consolidou-se no Estado Novo. (Adaptado de: RUBINO, Silvana. Patrimônio: história e memória como reivindicação e recurso. In: Agenda bra sileira: temas de uma sociedade em mudança. Orgs. André Botelho, Lilia Moritz Schwarcz. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 392 e 393) 50 55 60 65 – 1 P O R T U G U ÊS 3 .a S EXERCÍCIOS-TAREFA REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 1 2 – P O R T U G U ÊS 3 . aS c) um bem patrimonial, por exemplo, arquitetônico, é aquele que, entre outros, é classificado em primeiro lugar pelos habitantes do território em que está inserido. d) dar um nome próprio a, por exemplo, uma estação ferroviária − “Estação da Luz”, em São Paulo −, é demonstração de que a sociedade a considera bem patrimonial. e) a consideração, por exemplo, da estátua de um herói como “patrimônio”, por ser determinada por um certo grupo social, é antes de mais nada histórica, o que abre a possibilidade de, em algum outro momento, ser posta sob suspeita. 3. (FMABC-2018) – Consideradas as linhas iniciais do texto, afirma-se com correção: a) (linhas 8 e 9) Compreender que a palavra “patri mônio” aparece como um recurso está ligado ao fato de que a população de Javé a entendeu como meio para evitar a iminente inundação da cidade. b) (linhas 9, 10 e 11) Ao ter-se tornado vocábulo comum numa população simples de um vilarejo, a palavra “patri mônio” deixou de ser empregada em textos es pe ciali zados, de estudiosos e técnicos de várias áreas do saber. c) (linhas 1 e 2) Os travessões isolam informações con sideradas, no contexto, de menor relevância, pois constituem meros detalhes, que, por isso, não contri buem para a coesão textual. d) (linha 4) Em seus habitantes não sabem como se defender, o pronome destacado indica reciprocidade, como se tem em “Avô e neto se abraçaram emocio nados”. e) (linhas 4 e 5) Em até que uma voz parece encontrar a solução, a preposição destacada expressa um limite espacial. 4. (FMABC-2018) Sobre o que se tem no acima transcrito, em seu contexto, comenta-se com propriedade: a) O emprego da palavra mito sinaliza que os relatos dos narradores eram fruto exclusivo da imaginação. b) A conjunção destacada em patrimônio que hoje cha ma mos imaterial, ou intangível denota que cada uma das designações remete a um específico tipo de patri mô nio. c) A expressão em uma metáfora poderosa remete à seguinte ideia: é em sentido figurado quese pode entender que “submergir” implica sumir sob as águas. d) Os dois-pontos introduzem fato que é consequência do que se afirma anteriormente − em uma metáfora pode ro sa, submersão equivale a esquecimento e a não re conhe cimento. e) O segmento Desprovidos de recursos materiais que pudessem ser considerados de valor histórico expressa uma circunstância temporal. 5. (FMABC-2018) – No parágrafo 2, o segmento qualificações comumente subsumidas sob o guarda-chuva “cultural” explica um tipo de relação que se estabelece entre palavras do texto. Observe-se o fenômeno de “qualificação subsumida sob um guarda-chuva”. Ele é reconhecível, na devida ordem, na relação entre a) guaraná zero e refrigerante. b) doce e chocolate diet. c) cereal e trigo. d) doença e gripe espanhola. e) arbusto e papoula. 6. (FMABC-2018) – Considerados os parágrafos 2 e 3, em seu contexto, afir ma-se corretamente: No processo de argumentação, a) a afirmação Patrimônio não é uma representação cole tiva como outra qualquer perderia seu valor na cons trução do raciocínio se a palavra destacada fosse deslocada para depois do pronome qualquer. b) o emprego da expressão Em outras palavras evidencia a intenção de − por meio de distinta redação e sem ex pandir o pensamento desenvolvido na frase anterior − reafirmar-se o que nela foi enunciado. c) a referência à origem da palavra “patrimônio” dá acesso ao seguinte entendimento: os bens sobre os quais se construiu um consenso quanto ao seu valor são salvaguardados e transmitidos às gerações que se seguem. d) a citação da palavra inglesa “heritage” é recurso para a desejada comprovação de que bens patrimoniais não são exclusivos de apenas algumas coletividades, ideia reforçada pela expressão não por acaso. e) justifica-se o emprego de histórico, ambiental, arqueo ló gico, artístico, material, imaterial pelo fato de serem palavras usadas em situações informais; esse traço é deter minante para demonstrar que o uso do termo patrimônio tornou-se corriqueiro. 7. (FMABC-2018) – O enunciado em que a informação vem marcada por traço imperativo é: a) (parágrafo 2) A remissão a pai, patriarca, nos conduz a legado, herança − e não por acaso o termo em inglês é exatamente este: heritage. b) (parágrafo 1) Javé precisa ser reconhecida como “pa tri mônio”, pois assim não se tornaria uma cidade submersa. c) (parágrafo 1) Um filme nacional de 2003 − Os nar radores de Javé, de Eliane Caffé − mostra um vilarejo fictício ameaçado de ser inundado por uma grande represa. d) (parágrafo 3) Esse conjunto de práticas é o que pode transmutar os relatos, as estórias passadas em conver sas informais e os costumes em “patrimônio”. e) (parágrafo 1) a palavra, enunciada naquela específica cena, evidencia o quanto deixou há muito de ser um termo técnico, especializado. ..em uma metáfora poderosa, submersão equivale a es quecimento e a não reconhecimento: a reivindicação de pos se de um patrimônio é uma demanda de visibi lidade. Desprovidos de recursos materiais que pudessem ser con siderados de valor histórico, os narradores de Javé só po dem recordar e reinventar suas histórias, seu mito de fun dação, um patrimônio que hoje chamamos imaterial, ou intangível. REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 2 8. (FMABC-2018) – Levando em conta o parágrafo 5, observa-se com corre ção: a) Se a palavra lugar-comum estivesse empregada no plural, a forma correta a ser empregada seria “lugares comum”. b) No segmento em meio à Revolução Industrial, o sinal indicativo da crase está corretamente empregado, mas não estaria se a formulação fosse “em meio àquilo que se chamou de Revolução Industrial”. c) A conjunção Contudo expressa ideia de restrição. d) No contexto em que aparece, a palavra tampouco não está empregada como reforço de uma negação. e) A vírgula depois da palavra compartilhado exerce função equivalente à função que exerceria a conjunção e ao ligar dois segmentos de idêntica função sintática na frase. 9. (FMABC-2018) – Observado o parágrafo 5, é afirmação correta: a) O período final contém ambiguidade, pois nada indica se o trecho e consolidou-se no Estado Novo deve unir-se a foi um debate que teve início na nada revo lucionária Primeira República ou a como ocorreu no Rio de Janeiro e no Recife no começo do século XX. b) O advérbio hoje poderia ser substituído pela expressão “na modernidade” sem prejuízo do sentido original, pois ambos abarcam a mesma extensão temporal. c) Em nada revolucionária Primeira República, o seg mento destacado constitui pleonasmo a ser evitado, pois não promove ampliação alguma da ideia anun ciada anteriormente sobre a relação entre patrimônio e revolução no Brasil. d) Explica-se o enunciado No Brasil, a descoberta de um patrimônio na iminência de ser perdido não se vin cu lou a revolução de qualquer tipo porque o contexto si na lizou a probabilidade de ocorrência dessa vin cu lação. e) Se o segmento destacado em vitorianos que denun ciavam uma civilização moderna percebida como sem raízes se voltavam para um passado pré-industrial viesse entre vírgulas, o sentido original não seria prejudicado 10.(FMABC-2018) – Considerado o contexto, o segmento que está correta men te traduzido é: a) (linha 36) remete a políticas públicas / implica ações de governos para assegurar o direito da coletividade. b) (linhas 59 e 60) se voltavam para um passado pré-industrial, localizado na arquitetura / atribuíam os danos a patrimônios arquitetônicos à época pré-industrial. c) (linha 29) o que pode transmutar os relatos / o que pode falsear as narrativas. d) (linhas 55 e 56) ou, para usar um termo então utilizado / dito de outra maneira, em termo hoje arcaico. e) (linhas 64 e 65) reformas urbanas pautadas por um “bota abaixo” / projetos de aprimoramento das cidades por gradativa implosão de edificações degradadas. 11. (FMABC-2018) – O segundo termo do par apresentado em cada alternativa participa da coesão textual ao retomar o primeiro. A retomada que está adequadamente analisada é: a) (linha 47) um bem / A esse bem − a retomada se dá pela repetição da palavra, com o respectivo pronome demonstrativo; não existe indicação de que a palavra “bem” tenha aparecido anteriormente. b) (linhas 5 e 7) uma voz / dessa fala − a retomada se dá por meio de sinônimo; o artigo indefinido, no primeiro termo, anuncia informação nova; a definição, no segundo, indica que a referência não é nova, mas recuperada. c) (linha 18) um patrimônio / que – a retomada se dá por meio de conjunção subordinativa. d) (linhas 28 e 29) era preciso escrever, anotar, identificar − e passar adiante / Esse conjunto de práticas − o segundo termo realiza a recuperação englobando as cinco informações citadas no primeiro. e) (linhas 38 e 40/41) Os grupos sociais / os rodeia − a reto ma da se dá por meio do pronome oblíquo, que remete ao complemento indireto do verbo. 12.(FMABC-2018) – Considere as afirmações que seguem. I. A palavra lugar-comum é composta por elementos pertencentes às mesmas classes gramaticais que compõem o vocábulo guarda-chuva. II. As palavras imaterial e intangível apresentam elemento de formação de mesmo valor semântico. III. A palavra guarda-chuva empregada no texto exem pli fica o fenômeno da polissemia. Está correto o que se afirma em a) II e III, apenas. b) I, apenas. c) I e III, apenas. d) I, II e III. e) II, apenas. �MÓDULO 2 – Sintaxe – II Leia o poema de Alberto de Oliveira para responder à questão 1. 1. (SANTACASA-2018) – Quanto aos tipos de complementos requeridos, o verbo “deixou” (1.a estrofe) é semelhante ao verbo da oração: a) O filho daquele casal fica feliz em qualquer lugar. b) Maria Cristina chutou com força a parede e o medo. c) Quarta-feira da semana passada não choveu muito. d) Emprestei por dois dias minha namorada a um inimigo. e) AntonioCarlos leu milhares de livros ruins e inúteis. O MURO É um velho paredão, todo gretado1, Roto2 e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco de musgo em cada fenda. (Parnasianismo, 2006.) 1 gretado: rachado. 2 roto: danificado. – 3 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 3 4 – P O R T U G U ÊS 3 . aS Leia o texto de Fernando Gabeira para responder às questões de 2 a 4. 2. (SANTACASA-2018) – Segundo o texto, a) o cânhamo e a maconha são úteis à humanidade e, portanto, deveriam ser liberados. b) o cânhamo e a maconha são perigosos e, por isso, são proibidos em vários países. c) o cânhamo e a maconha são ambos proibidos em vários países, embora apenas um deles seja potencialmente perigoso. d) o cânhamo, apesar de ser tão tóxico quanto a maconha, é tratado erroneamente de maneira positiva. e) a maconha é mais conhecida que o cânhamo e, por isso, leva toda a culpa pelos malefícios que ambos causam. 3. (SANTACASA-2018) – “Nos primeiros meses de 2000, cientistas da Califórnia chegaram à conclusão de que maconha dá câncer e cien - tistas ingleses concluíram que maconha cura câncer.” (2.° parágrafo) No contexto em que se encontra, o trecho selecionado a) confirma a ideia de “resultados frontalmente antagô nicos”. b) confirma a ideia de “destrói o cérebro”. c) relativiza a ideia de “família”. d) contrapõe-se à ideia de “conduz ao crime”. e) contrapõe-se à ideia de “maravilhosa”. 4. (SANTACASA-2018) – “Se a Cannabis sativa fosse uma família, teria dois filhos.” (3.° parágrafo). A frase que mantém o sentido original e está de acordo com a norma-padrão é: a) Caso tivesse dois filhos, a Cannabis sativa seria uma família. b) Desde que tivesse dois filhos, a Cannabis sativa seria uma família. c) Na medida em que a Cannabis sativa fosse uma família, teria dois filhos. d) Fosse uma família, a Cannabis sativa teria dois filhos. e) Conforme a Cannabis sativa fosse uma família, teria dois filhos. Leia o texto de Marcelo Lopes de Souza para responder às questões de 5 a 8. 5. (SANTACASA-2018) – Em sua argumentação, o texto a) defende que as ideias de “desenvolvimento” e “desenvolvimento econômico” são sinônimas, na medida em que é preciso garantir os meios necessários para atingir as transformações (para melhor) na vida das pessoas. b) explica que a ideia de “desenvolvimento econômico” corresponde a uma melhoria dos meios de produção de bens, o que a afasta da pers pectiva social de “desen vol vimento”, que teria como fina - lidade e foco a mu dança (para melhor) da qualidade de vida das pessoas. c) defende a ideia de que o “desenvolvimento econô mi co” corres - ponde à ideia social de “desenvolvimento”, na medida em que, para melhorar os meios de produção de bens, é preciso transformar (para melhor) a vida das pessoas. d) critica a ideia de que “desenvolvimento” e “desen volvimento econômico” sejam sinônimos, na medida em que as transfor - mações (para melhor) na vida das pessoas são proporcionais à capacidade que essas pessoas têm de produzir seus próprios bens. e) critica a ideia de que o “desenvolvimento” deva ter como finali - dade as transformações (para melhor) na vida das pessoas, afirmando que ele deveria se preocupar com a melhoria dos meios de produção dos bens para a sociedade. A resposta padrão à pergunta O que é desenvolvi mento? gira em torno da aceitação de que desenvol vimento e desenvol vimento econômico são sinônimos. Para muitos, esta é, ainda hoje, uma associação óbvia e imediata: tão óbvia e tão imediata que qualquer desconfiança a propósito de sua validade soa como uma impertinência. Seja lá como for, o presente autor tem sido, a esse respeito, radicalmente impertinente, tendo sua recusa da associação reducionista entre desenvolvimento e desen vol vimento econômico sido insistentemente martelada em vários trabalhos publicados anteriormente. Por que, entretanto, valeria a pena correr os riscos de semelhante afronta à opinião corrente? Principie-se pelo esclarecimento do que seja desenvolvimento econômico. Ora, esse não se refere a outra coisa que não ao aumento da capacidade de uma sociedade produzir mais bens e de uma maneira melhor (isto é, produtos melhores produzidos mais eficiente mente), de modo a satisfazer necessidades huma nas. Logo, ele diz respeito, na melhor das hipóteses, a meios para se atingirem maiores qualidade de vida, justiça social etc. e não a fins. No entanto, sob a guarida de uma certa ideologia do desenvolvimento, ainda hoje hegemônica, privilegia-se, na conceituação de desenvolvimento, exatamente sua dimensão econômica, levando a que se entronize um conceito que se define antes pelos meios, mediante os quais se pode aprimorar o modelo social capitalista, do que pelos fins que, de um ponto de vista social geral, deveriam nortear e dar concretude à expressão mudança para melhor. A referida ideologia, saliente-se, encobre interesses vinculados ao verdadeiro fim, que é a perpetuação desse modelo e, nesse contexto, dos benefícios de determinados grupos ou classes. (O desafio metropolitano, 2000.) Dizer “maconha” é espalhar um rastro de discórdia. Há quem afirme que ela destrói o cérebro e conduz ao crime. Há quem, como o escritor Carl Sagan, a considere maravilhosa. Há os que duvidam, os que ignoram, os que pesquisam e chegam a resultados frontalmente antagônicos. Nos primeiros meses de 2000, cientistas da Califórnia chegaram à conclusão de que maconha dá câncer e cientistas ingleses concluíram que maconha cura câncer. Se a Cannabis sativa fosse uma família, teria dois filhos. São irmãos de sangue, com a diferença de que num deles os exames detectam níveis mais altos de THC1 − o tetraidrocanabinol. O cânhamo, que entra na produção de 20 mil produtos importantes para a humanidade, tem um nível de THC inferior a 3%. A partir daí, entra em cena sua irmã, a maconha, que produz toneladas de bons e maus sonhos, com um teor de THC em torno de 6%. Na maioria dos países, a plantação de cânhamo e de maconha é igualmente proibida, um irmão pagando pelo outro, o cordeiro pelo lobo. (A maconha, 2000. Adaptado.) 1 THC: substância encontrada nas plantas do gênero Cannabis, que inclui o cânhamo e a maconha. REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 4 6. (SANTACASA-2018) – “levando a que se entronize um conceito que se define antes pelos meios” (3.° parágrafo) Em seu contexto, “entronizar um conceito” deve ser entendido como: a) atribuir a uma ideia um status elevado, ideal. b) considerar óbvia uma ideia que ainda não foi contes tada. c) valorizar uma ideia a qual todos criticam. d) relativizar uma ideia que parece óbvia. e) tomar uma ideia, abstrata, como se fosse algo concreto. 7. (SANTACASA-2018) No contexto em que se encontra, a conjunção destacada introduz uma oração que expressa ideia de a) finalidade. b) condição. c) conclusão. d) causa. e) explicação. 8. (SANTACASA-2018) – “isto é, produtos melhores produzidos mais eficiente mente” (2.° parágrafo). É correto afirmar que o termo destacado é a) a forma superlativa plural do advérbio “bom”. b) a forma comparativa plural do adjetivo “bem”. c) a forma superlativa plural do adjetivo “bom”. d) a forma comparativa plural do advérbio “bem”. e) a forma comparativa plural do adjetivo “bom”. �MÓDULO 3 – Sintaxe – III Texto para as questões 1 e 2. 1. (UNICAMP) – A partir da identificação de várias expressões nominais ao longo do texto, é correto afirmar que: a) As expressões “pedagogia do abraço”, “pedagogia da roda”, “pedagogia do sabão”, “pedagogia do brin que do”, “oficinas de cafuné” são referência a termino logias educacionais de caráter técnico. b) As expressões “biscoito escrevido”, “processo de ensinagem” e “folia do livro” sãoneologismos criados por meio da manipulação de processos de formação de palavras. c) A expressão “escola” está entre aspas, porque se refere aos espaços de aprendizagem diferentes da escola tradicional de hoje e que não serão encontrados no futuro. d) A expressão “processo eletivo”, compreendida no texto como exclusão social, pressupõe a existência de um projeto educacional que tem por objetivo a uniformi zação da aprendizagem. 2. (UNICAMP) – Em relação ao trecho “E ainda colocou em uso termos como ‘empodimento’, após várias vezes ser questionado pelas comunidades: ‘Pode [fazer tal coisa], Tião?’ Seguida da resposta certeira: ‘Pode, pode tudo’”, é correto afirmar: a) A expressão “Seguida da resposta certeira” indica a elipse de uma outra expressão. É POSSÍVEL FAZER EDUCAÇÃO DE QUALIDADE SEM ESCOLA É possível fazer educação embaixo de um pé de manga? Não só é, como já acontece em 20 cidades brasileiras e em Angola, Guiné- Bissau e Moçambique. Decepcionado com o processo de “ensinagem”, o antropólogo Tião Rocha pediu demissão do cargo de professor da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) e criou em 1984 o CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento). Curvelo, no Sertão mineiro, foi o laboratório da “escola” que abandonou mesa, cadeira, lousa e giz, fez das ruas a sala de aula e envolveu crianças e familiares na pedagogia da roda. “A roda é um lugar da ação e da reflexão, do ouvir e do aprender com o outro. Todos são educadores, porque estão preocupados com a aprendizagem. É uma construção coletiva”, explica. O educador diz que a roda constrói consensos. “Porque todo processo eletivo é um processo de exclusão, e tudo que exclui não é educativo. Uma escola que seleciona não educa, porque excluiu “Ora, esse não se refere a outra coisa que não ao aumento da capacidade de uma sociedade produzir mais bens e de uma maneira melhor (isto é, produtos melhores produzidos mais eficientemente), de modo a satisfazer necessidades humanas. Logo, ele diz respeito, na melhor das hipóteses, a meios para atingirem maiores qualidade de vida, justiça social etc. e não a fins.” (2.° parágrafo) alguns. A melhor pedagogia é aquela que leva todos os meninos a aprenderem. E todos podem aprender, só que cada um no seu ritmo, não podemos uniformizar.” Nesses 30 anos, o educador foi engrossando “seu dicionário de terminologias educacionais, todas calcadas no saber popular: surgiu a pedagogia do abraço, a pedagogia do brinquedo, a pedagogia do sabão e até oficinas de cafuné. Esta última foi provocada depois que um garoto perguntou: “Tião, como faço para conquistar uma moleca?” Foi a deixa para ele colocar questões de sexualidade na roda. Para resolver a falência da educação, Tião inventou uma UTI educacional, em que “mães cuidadoras” fazem “biscoito escrevido” e “folia do livro” (biblioteca em forma de festa) para ajudar na alfabetização. E ainda colocou em uso termos como “empodimento”, após várias vezes ser questionado pelas comunidades: “Pode [fazer tal coisa], Tião?” Seguida da resposta certeira: “Pode, pode tudo”. Aos 66 anos, Tião diz estar convicto de que a escola do futuro não existirá e que ela será substituída por espaços de aprendizagem com todas as ferramentas possíveis e necessárias para os estudantes aprenderem. “Educação se faz com bons educadores, e o modelo escolar arcaico aprisiona e há décadas dá sinais de falência. Não precisamos de sala, precisamos de gente. Não precisamos de prédio, precisamos de espaços de aprendizado. Não precisamos de livros, precisamos ter todos os instrumentos possíveis que levem o menino a aprender.” Sem pressa, seguindo a Carta da Terra e citando Ariano Suassuna para dizer que “terceira idade é para fruta: verde, madura e podre”, Tião diz se sentir “privilegiado” de viver o que já viveu e acreditar na utopia de não haver mais nenhuma criança analfabeta no Brasil. “Isso não é uma política de govemo, nem de terceiro setor, é uma questão ética”, pontua. (Qsocial, 09/12/2014. Disponível em http://www.cpcd.org.br/ portfolio/e_possivel_fazer_educacao_de_qualidade_100_escola/.) – 5 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 5 6 – P O R T U G U ÊS 3 . aS b) A criação da palavra “empodimento” é resultado de um processo: sufixação. c) A repetição do verbo no enunciado “Pode, pode tudo” exemplifica o estilo reiterativo do texto. d) O discurso direto presente no trecho tem a função de dar voz às comunidades. Texto para a questão 3. 3. (UNICAMP) – Considerando as posições expressas no tex to em relação à valorização da malandragem, é correto afirmar que: a) O verbo “equivale” relaciona a valorização da malan dragem à negação da justiça, da igualdade perante a lei e das instituições democráticas. b) Entre os pares de termos “benigna/maligna” e “maxi ma - lista/reducionista” estabelece-se no texto uma rela ção semântica de equivalência. c) O elogio da malandragem reside na valorização da criatividade adaptativa e da sensibilidade em contra posição à fria aplicação da lei. d) O articulador discursivo “porém” introduz um argu mento que se contrapõe à proposta de valorização da malandragem. Texto para a questão 4. 4. (UNICAMP) – A publicidade acima foi divulgada no site da agência FAMIGLIA no dia 24 de janeiro de 2007, véspera do aniversário de São Paulo, no período em que foi proposta a campanha “Cidade Limpa”. Na base da foto, em letras bem pequenas, está escrito: Tomara, mas tomara mesmo, que nos próximos aniversários o paulistano comemore uma cidade nova de verdade. Considerando os sentidos produzidos por esse anúncio, é correto afirmar: a) As duas perguntas e as duas respostas que configuram o texto do outdoor na publicidade acima pressupõem que os paulistanos estão discutindo o número de outdoors e também o abandono de muitos dos mora dores da cidade. b) O texto escrito em letras pequenas tem a função de exortar os paulistanos a refletir sobre as próximas eleições e sobre como fazer para que seja estabelecido um conjunto de prioridades socialmente relevantes para toda a sociedade. c) A publicidade pretende levar os leitores a perceber que as prioridades estabelecidas pela gestão municipal da cidade não permitem que os paulistanos enxerguem os verdadeiros problemas que estão nas ruas de São Paulo. d) A publicidade, composta de texto verbal e imagem, tem como objetivo principal encampar o projeto “Cidade Limpa” elaborado pela gestão municipal e também propor a discussão de outras prioridades para a cidade. Leia o trecho inicial de um artigo do livro Bilhões e bilhões do astrônomo e divulgador científico Carl Sagan (1934-1996) para responder às questões de 5 a 10. O TABULEIRO DE XADREZ PERSA Segundo o modo como ouvi pela primeira vez a história, aconteceu na Pérsia antiga. Mas podia ter sido na Índia ou até na China. De qualquer forma, aconteceu há muito tempo. O grão-vizir, o principal conselheiro do rei, tinha in ven tado um novo jogo. Era jogado com peças móveis sobre um tabuleiro quadrado que consistia em 64 quadrados vermelhos e pretos. A peça mais importante era o rei. A segunda peça mais importante era o grão-vizir – exatamente o que se esperaria de um jogo inventado por um grão-vizir. O objetivo era capturar o rei inimigo e, por isso, o jogo era chamado, em persa, shahmat – shah para rei, mat para morto. Morte ao rei. Em russo, é ainda chamado shakhmat. Expressão que talvez transmita um remanes cente sentimento revolucionário. Até em inglês, há um eco desse nome – o lance final é chamado checkmate (xeque-mate). O jogo, claro, é o xadrez. Ao longo do tempo, as peças, seus movimentos, as regras do jogo, tudo evoluiu. Por exemplo, já não existe um grão-vizir – que se metamorfoseou numa rainha, com poderes muito mais terríveis.A razão de um rei se deliciar com a invenção de um jogo chamado “Morte ao rei” é um mistério. Mas reza a história que ele ficou tão encantado que mandou o grão-vizir determinar sua própria recompensa por ter criado uma invenção tão magnífica. O grão-vizir tinha a resposta na ponta da língua: era um homem modesto, disse ao xá. Desejava apenas uma recompensa simples. Apontando as oito colunas e as oito filas de quadrados no tabuleiro que tinha inventado, pediu que lhe fosse dado um único grão de trigo no primeiro quadrado, o dobro dessa quantia no segundo, o dobro dessa quantia no terceiro e assim por diante, até que cada quadrado tivesse o seu complemento de trigo. Não, protestou o rei, era uma recompensa demasiado modesta para uma invenção tão importante. Em sua versão benigna, a valorização da malandragem corresponde ao elogio da criatividade adaptativa e da predo mi nância da especificidade das circunstâncias e das relações pessoais sobre a frieza reducionista e genera lizante da lei. Em sua versão maximalista e maligna, porém, a valorização da malandragem equivale à negação dos princípios elementares de justiça, como a igualdade perante a lei, e ao descrédito das instituições democrá ticas. (Adaptado de Luiz Eduardo Soares, Uma interpretação do Brasil para contextualizar a violência, em C. A. Messeder Pereira, Linguagens da violência. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, p. 23-46.) REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 6 5. (UNIFESP) – Por ser um artigo de divulgação científica, o texto apresenta uma linguagem a) técnica e impessoal. b) hermética e mal-humorada. c) acessível e divertida. d) rebuscada e pretensiosa. e) inteligível e pedante. 6. (UNIFESP) – No artigo, o recurso à ironia está bem exemplificado em: a) “O relato do que aconteceu a seguir não chegou até nós.” (4o. parágrafo) b) “Quanto pesam 18,5 quintilhões de grãos de trigo?” (4o. parágrafo) c) “Ao longo do tempo, as peças, seus movimentos, as regras do jogo, tudo evoluiu.” (1o. parágrafo) d) “Segundo o modo como ouvi pela primeira vez a história, aconteceu na Pérsia antiga.” (1o. parágrafo) e) “Talvez o grão-vizir estivesse fazendo uma dieta rica em fibras.” (3o. parágrafo) 7. (UNIFESP) – O trecho “era um homem modesto, disse ao xá” (2o. parágrafo) foi construído em discurso indireto. Ao se adaptar tal trecho para o discurso direto, o verbo “era” assume a seguinte forma: a) serei. b) fui. c) seria. d) fosse. e) sou. 8. (UNIFESP) – Assinale a alternativa cujo excerto se afasta da lógica exposta pela fábula do tabuleiro de xadrez persa. a) “No presente, o tempo de duplicação da população mundial é de cerca de quarenta anos. A cada quarenta anos haverá o dobro de seres humanos. Como o clérigo inglês Thomas Malthus apontou em 1798, uma população que cresce exponencialmente – Malthus a descreveu como uma progressão geométrica – vai superar qualquer aumento concebível de alimentos.” b) “No momento, em muitos países o número de pessoas com sintomas de aids está crescendo exponencial mente. O tempo de duplicação é mais ou menos de um ano. Isto é, a cada ano há duas vezes mais casos de aids do quehavia no ano anterior. Essa doença já nos cobrou um tributo desastroso em mortes.” c) “Vamos considerar primeiro o simples caso de uma bactéria que se reproduz dividindo-se em duas. Depois de certo tempo, cada uma das duas bactérias filhas também se divide. Desde que exista bastante alimento e não haja nenhum veneno no ambiente, a colônia de bactérias vai crescer exponencialmente.” d) “A população da Terra na época de Jesus consistia talvez em 250 milhões de pessoas. Existem 93 milhões de milhas (150 milhões de quilômetros) da Terra até o Sol. Aproximadamente 40 milhões de pessoas foram mortas na Primeira Guerra Mundial; 60 milhões na Segunda Guerra Mundial. Há 31,7 milhões de segundos num ano (como é bastante fácil verificar).” e) “Atualmente, há cerca de 6 bilhões de humanos. Em quarenta anos, se o tempo de duplicação continuar constante, haverá 12 bilhões; em oitenta anos, 24 bilhões; em cento e vinte anos, 48 bilhões... Mas poucos acreditam que a Terra possa suportar tanta gente.” 9. (UNIFESP) – O eufemismo (do grego euphemismós, que significava “emprego de uma palavra favorável no lugar de uma de mau augúrio”, vocábulo formado de eu, “bem” + femi, “dizer, falar”, designando, pois, “o ato de falar de uma maneira agradável”) é a figura de retórica em que há uma diminuição da intensidade semântica, com a utilização de uma expressão atenuada para dizer alguma coisa desagradável. (José Luiz Fiorin. Figuras de Retórica, 2014. Adaptado.) Verifica-se a ocorrência desse recurso no seguinte trecho: a) “se o último experimentou as aflições de um novo jogo chamado vizirmat” (4o. parágrafo). b) “O número de grãos começa bem pequeno” (3o. parágrafo). c) “pediu que lhe fosse dado um único grão de trigo no primeiro quadrado” (2.° parágrafo). d) “De qualquer forma, aconteceu há muito tempo” (1o. pa rágrafo). e) “admirando-se secretamente da humildade e comedi mento de seu conselheiro” (2o. parágrafo). 10. (UNIFESP) – Considerado em seu contexto, o trecho “A razão de um rei se deliciar com a invenção de um jogo chamado ‘Morte ao rei’ é um mistério.” (2o parágrafo) sugere que a) o caráter misterioso das regras do xadrez decorre de sua ligação com a esfera política. b) a satisfação do rei com um jogo que visa sua morte é algo difícil de ser explicado. c) a alusão à morte presente no nome do jogo não foi compreendida pelo rei. Ofereceu joias, dançarinas, palácios. Mas o grão-vizir, com os olhos apropriadamente baixos, recusou todas as ofertas. Só desejava pequenos montes de trigo. Assim, admirando-se secretamente da humildade e comedimento de seu conselheiro, o rei consentiu. No entanto, quando o mestre do Celeiro Real começou a contar os grãos, o rei se viu diante de uma surpresa desagradável. O número de grãos começa bem pequeno: 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024... mas quando se chega ao 64o. quadrado, o número se torna colossal, esmagador. Na realidade, o número é quase 18,5 quintilhões*. Talvez o grão-vizir estivesse fazendo uma dieta rica em fibras. Quanto pesam 18,5 quintilhões de grãos de trigo? Se cada grão tivesse o tamanho de um milímetro, todos os grãos juntos pesariam cerca de 75 bilhões de toneladas métricas, o que é muito mais do que poderia ser armazenado nos celeiros do xá. Na verdade, esse número equivale a cerca de 150 anos da produção de trigo mundial no presente. O relato do que aconteceu a seguir não chegou até nós. Se o rei, inadimplente, culpando-se pela falta de atenção nos seus estudos de aritmética, entregou o reino ao vizir, ou se o último experimentou as aflições de um novo jogo chamado vizirmat, não temos o privilégio de saber. * 1 quintilhão = 1 000 000 000 000 000 000 = 1018. Para se contar esse número a partir de 0 (um número por segundo, dia e noite), seriam necessários 32 bilhões de anos (mais tempo do que a idade do universo). (Carl Sagan. Bilhões e Bilhões, 2008. Adaptado.) – 7 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 7 8 – P O R T U G U ÊS 3 . aS d) as origens do jogo de xadrez ainda precisam ser esclarecidas. e) o próprio rei parecia desconhecer o funcionamento do jogo de xadrez. �MÓDULO 4 – Sintaxe – IV Texto para as questões 1 e 2. 1. (ALBERT EINSTEIN-2018) – No texto de Cláudia Colucci, o posicionamento do presidente do Cremesp e o do cirurgião em sua disser tação de mestrado a) advertem sobre a necessidade de divulgação das imagens de pacientes se for para o bem deles. b) são contraditórios quanto às perspectivas éticas referentes a exposições de dados de pacientes. c) convergem em relação a questões éticas sobre a disseminação de imagensde pacientes. d) defendem a exposição de informações sobre dados de pacientes desde que com consentimento. 2. (ALBERT EINSTEIN-2018) – Ainda na matéria Conselho não cassa registro por quebra de sigilo médico, tanto no início do terceiro parágrafo como no início do quarto, estão elípticas, respec ti va men te, as expressões a) registros profissionais; penas públicas. b) culpados; censuras sigilosas. c) processos éticos; penas confidenciais. d) procedimentos julgados; advertências sigilosas. Mas conforme apurou a Folha com conselheiros, a tendência é que os médicos acusados recebam, no míni mo, uma censura pública. Na opinião de Aranha, é preciso que os médicos repensem seus papéis nas redes sociais. “Elas convidam a pessoa a responder de forma instantânea, intempestiva. O médico não tem que ser um santo, mas o ato médico exige prudência.” MÍDIAS SOCIAIS A violação do sigilo médico em mídias sociais não é uma prática incomum entre alunos de medicina, residentes e cirurgiões, aponta uma dissertação de mestrado apre sen tada nesta quarta (8), na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). No estudo envolvendo 156 pessoas (52 alunos, 51 residentes e 53 docentes), o cirurgião Diego Adão Fanti Silva verificou que 53% dos alunos, 86% dos residentes e 62% dos docentes divulgam dados de pacientes nas mídias sociais. A maioria (entre 86,5% e 100%) relata que oculta a identidade dos pacientes no momento da divulgação. No trabalho, o autor diz que é ilegal e antiética a divulgação de imagens de pacientes mesmo com a autorização dos expostos e mesmo não identificando o doente. Só há permissão se a publicação tiver fins acadêmicos ou assis - tenciais – ainda assim, é necessário o consentimento do paciente. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/ 2017/02/1857393-conselho-nao-cassa-registro-porquebra-de- sigilo-medico.shtml. Acesso em: 8 out. 2017 CONSELHO NÃO CASSA REGISTRO POR QUEBRA DE SIGILO MÉDICO Cláudia Colucci, 10 fev. 2017 – 2h00 de São Paulo Nos últimos quatro anos, nenhum médico teve seu registro profissional cassado no Estado de São Paulo por quebra de sigilo médico. Segundo o Cremesp (conselho médico paulista), de 2012 a 2016, foram registrados 379 processos éticos por essa razão – 87 já julgados. Desses, 39 foram inocentados e 48, julgados culpados. A maioria (26) recebeu penas confidenciais e 22, públicas. As primeiras são advertências e censuras sigilosas (só o médico fica sabendo). Já as públicas envolvem publicação na imprensa oficial e a suspensão do exercício profis sional por até 30 dias. No mesmo período, 26 médicos foram cassados em primeira instância pelo Cremesp por diferentes motivos. Cabe recurso das decisões no Conselho Federal de Medicina. Para Mauro Aranha, presidente do Cremesp, o fato de não ter havido nenhuma cassação por quebra de sigilo não significa que essa seja um infração menos grave. “É uma infração ética muito importante. Mas a pena depende de uma série de contextos, por exemplo, o dano provocado ao paciente, se o médico cometeu o ato de forma proposital ou se foi negligente e do seu histórico ético no conselho”, explica. Se a pessoa usar a quebra de sigilo para conseguir algum benefício (dinheiro, por exemplo), o ato é considerado gravíssimo. Aranha não comenta sobre as duas sindicâncias abertas para apurar o envolvimento de médicos na divulgação de dados de Marisa Letícia Lula da Silva e de mensagens de ódio em redes sociais (o processo é sigiloso). REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 8 Os dois textos – Era digital desafia exercício profissional e Conselho não cassa registro por quebra de sigilo médico – servirão de base para você responder às cinco questões objetivas de Língua Portuguesa (de 3 a 5) e elaborar sua Redação. 3. (ALBERT EINSTEIN-2018) – No primeiro parágrafo do editorial do CFM, as aspas são empregadas, respectivamente, para demarcar a) críticas tanto ao Tribunal de Justiça quanto à mesa- redonda de Diaulas Costa Ribeiro. b) o dizer tal e qual foi proferido por Diaulas Costa Ribeiro e o título da mesa-redonda. c) o velho método do médico de família e o estado das mídias sociais na medicina atual. d) o uso de modernas tecnologias na medicina e a fala do desembargador do TJDFT 4. (ALBERT EINSTEIN-2018) – Para defender seu ponto de vista, ainda na matéria do CFM, Malthus Galvão se sustenta em argumentos a) do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. b) do senso comum. c) formulados com perguntas retóricas. d) de autoridade. 5. (ALBERT EINSTEIN-2018) – Diaulas Costa Ribeiro, desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), refere-se ao “dr. Google” para explicar o tipo de paciente da atualidade, ou seja, a) um sujeito mais bem informado sobre doenças, o que demanda uma relação diferente entre ele e seu médico. b) um indivíduo atualizado sobre tratamentos médicos e, por isso, de postura intransigente sobre as condutas médicas. c) uma pessoa mais predisposta a interferir nos trata men tos médicos, por ter acesso a tudo que se publica sobre doenças. d) um médico virtual que se propõe a atender com presteza as demandas dos pacientes mais bem informados em relação a questões de saúde. ERA DIGITAL DESAFIA EXERCÍCIO PROFISSIONAL “A medicina não sobreviverá ao velho método do médico de família, mas terá que se adaptar”. A afirmação é do desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Diaulas Costa Ribeiro, proferida durante a mesa redonda “Panorama atual das mídias sociais e aplicativos na medicina contemporânea”. Para ele, as novas tecnologias trazem desafios que precisam ser colocados em perspectiva para garantir a ética e o sigilo. “Possivelmente vamos chegar a uma medicina sem gosto, distanciada, mas que também funciona. Talvez este não seja o fim, mas um recomeço”, ponderou Ribeiro. Segundo ele, antes de gerar um novo modelo de atendimento médico, o “dr. Google” – termo que utilizou para indicar as buscas por informações médicas na internet – gerou um novo tipo de paciente, que passou a conhecer mais sobre as doenças e, por isso, exige um novo rela - cio na mento com seu médico. O desembargador ainda reforçou a necessidade de se rediscutir questões como o uso da internet nessa relação médico-paciente e a segurança do sigilo médico neste cenário. “Precisamos refletir sobre algumas questões importantes. Quem guardará o sigilo? Ou não haverá sigilo? O sigilo médico será mantido ou valerá o direito público à informação? Os conflitos serão reinventados ou serão os mesmos? A solução para os problemas será a de sempre?”, indagou. Ética – Na perspectiva do médico legista e professor da Universidade de Brasília (UnB), Malthus Galvão, embora acredite que algumas mudanças serão inevitáveis e necessárias, é preciso defender os princípios fundamentais instituídos pelo Código de ética médica (CEM). “As novas mídias devem ser entendidas como um sistema de interação social, de compartilhamento e criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos e não podemos perder essa oportunidade”, destacou. Ele lembra, por exemplo, que desde a Resolução CFM 1.643/2002, que define e disciplina a prestação de serviços através da telemedicina, alguns avanços colaborativos já foram possíveis. Galvão apresentou ainda preceitos da Resolução CFM 1.974/2011 e também da Lei do Ato Médico (12.842/2013), chamando a atenção para alguns cuidados que o médico deve ter ao divulgar conteúdo de forma sensacionalista. “Segundo o CEM, é vedada a divulgação de informação sobre assunto médico de forma sensa cio na lista, promocional ou de conteúdo inverídico. A internet deve ser usada como um instrumento de promoção da saúde e orientação à população”, reforçou. Editorial do Jornal Medicina – Publicação oficial do Conselho Federal de Medicina (CFM). Brasília, jul. 2017,p. 7 – 9 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 9 10 – P O R T U G U ÊS 3 . aS Texto para as questões de 6 a 10. 6. (ALBERT EINSTEIN) – Como texto argumentativo que é, o editorial Violência à Saúde tem como tese a) narrar sobre os contribuintes brasileiros como aqueles que não têm o retorno devido em demandas por saúde. b) divulgar dados de pesquisa realizada pelo Cremesp sobre a violência. c) defender ponto de vista sobre a tolerância a ser compar tilhada por médicos e pacientes. d) descrever que ser médico é escolher a compreensão científica do mecanismo humano. 7. (ALBERT EINSTEIN) – No terceiro parágrafo, a proposta da SSP-SP implica a) construir proposta interventiva inicial para posterior aperfeiçoa - mento e adoção em maiores proporções. b) promover debate para discutir as providências que podem enfrentar a violência contra profissionais da saúde. c) discutir com os profissionais da saúde quais seriam as melhores ações interventivas. d) intervir retroativamente com base nos registros de ameaças ou de truculência a que foram submetidos médicos e enfermeiros. 8 (ALBERT EINSTEIN) – Segundo o texto, as causas que estão na base da violência à saúde a) dizem respeito ao descaso quanto ao que implica ser médico, o que está detalhado no sétimo parágrafo. b) decorrem dos altos tributos que os brasileiros pagam sem o devido retorno, como está no quinto parágrafo. c) extrapolam a relação direta entre pacientes e profissio nais da saúde, e algumas delas se encontram no quarto parágrafo. d) concentram-se restritivamente à forma como a relação médico- paciente se desenvolve na saúde brasileira. 9. (ALBERT EINSTEIN) – No oitavo parágrafo, o pronome -lhes a) refere-se a profissionais da saúde, pois esse é o tema do texto. b) antecipa a informação nova que está no parágrafo subsequente. c) retoma informação já apresentada, dando-lhe um valor enfático. d) introduz informação nova relacionada ao tema do texto. 10.(ALBERT EINSTEIN) – Ao longo do texto, estão evidenciados elementos de coesão textual. Assinale a alternativa que apresenta a relação de sentido por eles estabelecida, de acordo com a ordem em que se apresentam. a) Concessão, condição, contraste e contradição. b) Finalidade, oposição, concessão e explicação. c) Concomitância, condição, oposição e explicação. d) Finalidade, concomitância, condição e oposição. VIOLÊNCIA À SAÚDE Mauro Gomes Aranha de Lima – Jornal do Cremesp, agosto de 2016 O aumento da violência contra médicos e enfermeiros finalmente passou a ser encarado como questão de Estado. Graças às denúncias do Cremesp [Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo] e do Coren-SP [Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo], a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) mantém agora um grupo de trabalho que se debruça na busca de soluções para o problema. Em recente reunião, o secretário adjunto da SSP-SP, Sérgio Sobrane, comprometeu-se a tomar providências. A Secretaria de Saúde (SES-SP) também participou dos debates que culminaram com proposta do Cremesp e do Coren de um protocolo para orientar profissionais da Saúde a lidar com situações em que o usuário/familiar se mostre agressivo ou ameaçador. Simultaneamente, a SSP-SP preparará um piloto de intervenção baseado em registros de ameaças ou de truculência na Capital. Se bem sucedido, será multiplicado ao restante do Estado. São medidas oportunas e as levaremos em frente. Contudo, tal empenho não será o bastante. A violência emerge de raízes profundas: governos negligenciam a saúde dos cidadãos, motivo pelo qual a rede pública padece de graves problemas no acesso ou continuidade da atenção; hospitais sucateados e sob o contin gencia mento de leitos e serviços; postos de saúde e Estratégia Saúde da Família com equipes incompletas para a efetivação de metas integrativas biopsicossociais. O brasileiro é contribuinte assíduo e pontual, arca com uma das mais altas tributações do mundo, e, em demandas por saúde, o que recebe é o caos e a indiferença. Resignam-se, muitos. Todavia, há os que não suportam a indignidade. Sentem-se humilhados. Reagem, exaltam-se. Eis que chegamos ao extremo. Em pesquisa encomen dada pelo Cremesp, em 2015, com amostra de 617 médicos, 64% toma ram conhecimento ou foram vítimas de violência. Ouvimos também os pacientes: 41% dos entrevistados atribuíram a razão das agressões a proble mas como demora para serem atendidos, estresse, muitos pacientes para poucos médicos, consultas rápidas e superficiais. Ser médico é condição e escolha. Escolhemos a compreensão científica do mecanismo humano, revertida em benefício do ser que sofre. Vocação, chamado, desafio, e o apelo da dor em outrem, a nos exigirem fôlego, sereni dade e dedicação. Estamos todos, médicos e pacientes, em situação. Há que se cultivar entre nós uma cultura de paz. E um compromisso mútuo de tarefas mínimas. Aos pacientes, cabe-lhes o cultivo de uma percepção mais refletida de que, em meio à precariedade posta por governos cínicos, o Estado não é o médico. Este é apenas o servidor visível, por detrás do qual está aquele que se omite. Aos médicos, a compreensão de que os pacientes, além de suas enfermidades, sofrem injustiças e agravos sociais. A tolerância não é exatamente um dom, uma graça, ou natural pendor. É esforço deliberado, marco estrutural do processo civilizador. Tarefas e esforços compartilhados: a solução da violência está mais dentro do que fora de nós. In: Jornal do Cremesp. Órgão Oficial do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. No 339, agosto 2016. [Adaptado] REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 10 �MÓDULO 5 – Literatura e Análise de Textos Literários – I Texto para o teste 1. Comigo me desavim sou posto em todo perigo não posso viver comigo nem posso fugir de mim. Com dor da gente fugia, Antes que esta assim crescesse; Agora já fugiria De mim, se de mim pudesse. (...) (Sá de Miranda) 1. Leia as seguintes afirmações sobre o autor dos versos: I. Da Itália, onde viveu de 1520 a 1527, Sá de Miranda trouxe a medida nova, introduzindo em Portugal formas e temas do clas - sicismo renascentista. II. Em sua poesia se constata a expressão de um autor apegado à visão teocêntrica do mundo, em que o homem se vê a serviço de Deus. III. O poeta utilizou-se tanto da medida velha (versos redondilhos, como os que foram transcritos acima) como da medida nova (versos decassílabos). Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) I e III. c) II e III. d) III, apenas. e) I, II e III. Texto para os testes 2 e 3. Busque Amor novas artes, novo engenho, para matar-me, e novas esquivanças; maldades, crueldades que não pode tirar-me as esperanças, que mal me tirará o que eu não tenho. Olhai de que esperanças me mantenho! Vede que perigosas seguranças! Que não temo contrastes nem mudanças, andando em bravo mar, perdido o lenho. barco Mas, conquanto não pode haver desgosto onde esperança falta, lá me esconde Amor um mal, que mata e não se vê. Que dias há que na alma me tem posto um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei por quê. (Camões) 2. (FUVEST/FGV-SP) – Neste poema é possível reconhecer que a dialética amorosa consiste na oposição entre a) o bem e o mal. b) a proximidade e a distância. c) o desejo e a idealização. d) a razão e o sentimento. e) o mistério e a realidade. 3. (FUVEST/FGV-SP) – Uma imagem de forte expressividade deixa implícita uma comparação com o arriscado jogo do amor. Assinale a alternativa que contém essa imagem. a) O engenho do amor. b) O perigo da segurança. c) Naufrágio em bravo mar. d) Mar tempestuoso. e) Um não sei quê. Leia o soneto “A uma dama dormindo junto a uma fonte”,do poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696), para responder aos testes 4 e 5. À margem de uma fonte, que corria, Lira doce dos pássaros cantores A bela ocasião das minhas dores Dormindo estava ao despertar do dia. Mas como dorme Sílvia, não vestia O céu seus horizontes de mil cores; Dominava o silêncio entre as flores, Calava o mar, e rio não se ouvia. Não dão o parabém à nova Aurora Flores canoras, pássaros fragrantes, Nem seu âmbar respira a rica Flora. Porém abrindo Sílvia os dois diamantes, Tudo a Sílvia festeja, tudo adora Aves cheirosas, flores ressonantes. (Poemas Escolhidos) 4. (UNIFESP-SP) – A sinestesia consiste em transferir percepções de um sentido para as de outro, resultando um cruzamento de sensações (Celso Cunha, Gramática Essencial, 2013). Verifica-se a ocorrência desse recurso no seguinte verso: a) “Flores canoras, pássaros fragrantes” (3.ª estrofe) b) “À margem de uma fonte, que corria” (1.ª estrofe) c) “Porém abrindo Sílvia os dois diamantes” (4.ª estrofe) d) “Dominava o silêncio entre as flores” (2.ª estrofe) e) “O céu seus horizontes de mil cores” (2.ª estrofe) 5. (UNIFESP-SP) – Assinale a alternativa em que o trecho do soneto está reescrito em ordem direta, sem alteração do seu sentido original. a) “Não dão o parabém à nova Aurora / Flores canoras, pássaros fragrantes” → A nova Aurora não dá o parabém às flores canoras e aos pássaros fragrantes. b) “Calava o mar, e rio não se ouvia” → O mar se calava e não ouvia o rio. c) “não vestia / O céu seus horizontes de mil cores” → O céu não vestia seus horizontes de mil cores. d) “Tudo a Sílvia festeja, tudo adora” → A Sílvia festeja tudo, adora tudo. e) “A bela ocasião das minhas dores / Dormindo estava ao despertar do dia” →Ao despertar do dia, estava dormindo a bela ocasião de minhas dores. – 11 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 11 12 – P O R T U G U ÊS 3 . aS Texto para o teste 6. A primeira coisa que me desedifica, peixes, de vós, é que comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande (…). Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros. Tão alheia coisa é não só da razão, mas da mesma natureza, que, sendo criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer. (VIEIRA, Antônio. Obras Completas do Padre Antônio Vieira: sermões. Prefaciados e revistos pelo Pe. Gonçalo Alves. Porto: Lello e Irmão Editores, 1993. v. III. p. 264-5.) 6. (UFV-MG) – O texto de Vieira contém algumas características do Barroco. Entre as alternativas seguintes, assinale aquela em que não se confirmam essas tendências estéticas. a) O culto do contraste, sugerindo a oposição bem x mal, em lingua - gem simples, concisa, direta e expressiva da intenção barroca de resgatar os valores greco-latinos. b) A tentativa de convencer o homem do século XVII, imbuído de práticas e sentimentos comuns ao semipaganismo renascentista, a reto mar o caminho do espiritualismo medieval, privilegiando os valores cristãos. c) A presença do discurso dramático, recorrendo ao princípio hora - ciano de “ensinar deleitando” — tendência didática e moralizante comum na Contrarreforma. d) O tratamento do tema principal — a denúncia da cobiça humana — valendo-se do conceptismo, ou jogo de ideias. e) A utilização da alegoria, da comparação, como recursos oratórios, visando à persuasão do ouvinte. Textos para os testes de 7 a 9. SONETO VI Brandas ribeiras, quanto estou contente De ver-vos outra vez, se isto é verdade! Quanto me alegra ouvir a suavidade, Com que Fílis entoa a voz cadente! Os rebanhos, o gado, o campo, a gente, Tudo me está causando novidade: Oh! como é certo que a cruel saudade Faz tudo, do que foi, mui diferente! Recebei (eu vos peço) um desgraçado, Que andou até agora por incerto giro, Correndo sempre atrás do seu cuidado: Este pranto, estes ais com que respiro, Podendo comover o vosso agrado, Façam digno de vós o meu suspiro. (Cláudio Manuel da Costa) SONETO Estes os olhos são da minha amada, Que belos, que gentis e que formosos! Não são para os mortais tão preciosos Os doces frutos da estação dourada. Por eles a alegria derramada Tornam-se os campos de prazer gostosos. Em zéfiros suaves e mimosos Toda esta região se vê banhada. Vinde olhos belos, vinde, e enfim trazendo Do rosto do meu bem as prendas belas, Dai alívio ao mal que estou gemendo. Mas ah! delírio meu que me atropelas! Os olhos que eu cuidei que estava vendo, Eram (quem crera tal!) duas estrelas. (Cláudio Manuel da Costa) 7. (MACKENZIE-SP) – É traço relevante na caracterização do estilo de época a que pertencem os poemas de Cláudio Manuel da Costa, exceto: a) a valorização do locus amoenus. b) a poesia bucólica. c) a utilização de pseudônimos pastoris. d) a busca da aurea mediocritas. e) a repulsa à tradição clássica da poesia. 8. (MACKENZIE-SP) – Na composição poética árcade, a natureza é tratada como a) uma lembrança da pátria da qual foram exilados. b) um refúgio da vida atribulada das metrópoles do século XIX. c) um prolongamento do estado emocional do poeta. d) um local em que se busca a vida simples, pastoril e bucólica. e) uma fonte para o retrato crítico às desigualdades sociais. 9. (MACKENZIE-SP) – A respeito do momento histórico-literário brasileiro, à época do Arcadismo, pode-se afirmar que a) ocorre a transferência do centro econômico do Nordeste para a região Sudeste, com destaque para Minas Gerais, onde os poetas mantêm uma relação com sua geografia, sua política e sua história. b) as invasões holandesas foram o maior conflito político-militar ocorrido no período, que estimularam o engajamento político- literário e a confecção das Cartas Chilenas. c) a utilização do ouro, do aço e do petróleo impulsionaram o avanço científico da colônia, possibilitando a criação da Arcádia acadêmica, fonte de cultura para toda uma geração de poetas. d) o nacionalismo ufanista e o irracionalismo alimentaram os primeiros momentos da Inconfidência Mineira, estabelecendo a permanência de uma literatura libertária no aspecto formal. e) o lucro obtido com a extração do ouro e com a economia cafeeira estimulou as manifestações de independência, representada literariamente pela utilização constante dos versos livres. REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 12 �MÓDULO 6 – Literatura e Análise de Textos Literários – II 1. (UEL-PR) – Examine as proposições a seguir e assinale a alternativa incorreta. a) A relevância da obra de José de Alencar no contexto romântico decorre, em grande parte, da idealização dos elementos considerados como genuinamente brasileiros, notadamente a natureza e o índio. Essa atitude impulsionou o nacionalismo nascente, por ser uma forma de reação política, social e literária contra Portugal. b) Ao lado de O Guarani e Ubirajara, Iracema representa um mito de fundação do Brasil. Nessas obras, a descrição da natureza brasileira possui inúmeras funções, com destaque para a “cor local”, isto é, o elemento particular que o escritor imprimia à literatura, acreditando contribuir para a sua nacionalização. c) Embora tendo sido escrito no período romântico, Iracema apresenta traços da ficção naturalista tanto na criação das personagens quanto na tematização dos problemas do país. d) A leitura de Iracema revela a importância do índio na literatura romântica. Entretanto, sabe-seque a presença do índio não se restringiu a esse contexto literário, tendo desembocado inclusive no Modernismo, por intermédio de escritores como Mário de Andrade e Oswald de Andrade. e) O contraponto poético da prosa indianista de Alencar é constituído pela lírica de Gonçalves Dias. Indiscutivelmente, em “O Canto do Guerreiro” e em “O Canto do Piaga”, entre outros poemas, o índio é apresentado de maneira idealizada, numa perpetuação da imagem heroica e sublime adequada aos ideais românticos. Texto para o teste 2. Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros; Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas. 2. (PUC-SP) – Este trecho é o início do romance Iracema, de José de Alencar. Dele, como um todo, é possível afirmar que a) Iracema é uma lenda criada por Alencar para explicar poeticamente as origens das raças indígenas da América. b) as personagens Iracema, Martim e Moacir participam da luta fratricida entre os Tabajaras e os Pitiguaras. c) o romance, elaborado com recursos de linguagem figurada, é considerado o exemplar mais perfeito da prosa poética na ficção romântica brasileira. d) o nome da personagem-título é anagrama de América e essa relação caracteriza a obra como um romance histórico. e) a palavra Iracema é o resultado da aglutinação de duas outras da língua guarani e significa “lábios de fel”. Texto para o teste 3. O camucim, que recebeu o corpo de Iracema, embebido de resinas odoríferas, foi enterrado ao pé do coqueiro, à borda do rio. Martim quebrou um ramo de murta, a folha da tristeza, e deitou-o no jazigo de sua esposa. A jandaia pousada no olho da palmeira repetia tristemente: — Iracema! 3. (PUC-SP – modificado) – O trecho transcrito, do romance Iracema, refere a morte da personagem, cuja causa se deu a) pelo fato de ter sido abandonada por Martim, que volta para a Europa para encontrar-se com a noiva que lá deixara. b) por ter o lábio amargo de tristeza e recusar o alimento restaurador das forças do corpo, debilitado pelo parto e pela difícil amamentação do filho. c) em razão da ação perpetrada por Irapuã, que se sente traído em seu amor por Iracema e se vinga dela, durante a guerra contra os pitiguaras. d) pela escassez de leite para alimentar o filho, o que a levou ao encontro de filhotes abandonados e famintos para sugar seus seios e fazer jorrar leite, fato que acabou por debilitá-la e contaminá-la, provocando sua morte. Texto para o teste 4. Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia na fronde da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros; Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas. 4. (PUC-SP – modificado) – O trecho transcrito integra o romance Iracema, sobre o qual Machado de Assis se referiu como um verdadeiro poema em prosa. Indique, nas alternativas abaixo, aquela que se mostra errada quanto ao texto em pauta. a) Evidencia um esmerado trabalho de linguagem, marcada por significativo uso de figuras de estilo, entre as quais se destaca a comparação. b) Apresenta musicalidade, ritmo e cadência que o aproximam da poesia metrificada de extração popular. c) Faz aflorar no tecido poético a força da função conativa como apelo para abrandar os elementos e as forças da natureza. d) Utiliza apenas a construção anafórica para dar força ao texto, não se valendo de outras figuras que poderiam potencializar sua dimensão poética. – 13 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 13 14 – P O R T U G U ÊS 3 . aS Texto para o teste 5. Caracterizou-o sempre um sincero amor pelas coisas de sua terra, pela sua gente, e se existe obra que possa ser chamada de brasileira, é a dele. Se seus assuntos eram o homem e a terra do Brasil, apanhados no Norte, no Sul, no Centro, a forma por que os explorava era também brasileira, pela sintaxe que empregava e pelos modismos que introduzia. O Brasil do campo e o das cidades está presente em sua obra, assim como o homem da sociedade, o homem da rua e o trabalhador rural. Abarcou os aspectos mais variados da nossa sensibilidade e da nossa formação, constituindo sua obra um painel a que nada falta, inclusive o índio, que nela tem participação considerável. (José Paulo Paes e Massaud Moisés (orgs). Pequeno Dicionário de Literatura Brasileira, 1980. Adaptado.) 5. (UNIFESP-SP) – Tal comentário refere-se ao escritor a) Machado de Assis. b) Manuel Antônio de Almeida. c) José de Alencar. d) Aluísio Azevedo. e) Guimarães Rosa. 6. (PUC-SP – modificado) – Segundo o crítico Araripe Jr., referindo-se à produção de Alencar no romance Iracema, “os assuntos pouco interessavam à sua musa fértil; a linguagem era tudo”. Assim, é correto afirmar que, na linguagem da obra, a) predomina a função poética, ou seja, a que se volta para a construção do texto, a partir dos procedimentos de seleção e combinação vocabular, marcado por princípio estético. b) predomina a função emotiva, em detrimento da referencial, já que é sob a óptica de Iracema que se constrói a narrativa. c) a função referencial, de caráter histórico, é que dá chão firme para o desenvolvimento do romance que alegoriza a fundação do Ceará. d) há largo uso da função apelativa, visto que é forte a intervenção do narrador sobre os sentimentos das personagens. Texto para os testes 7 e 8. Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe1 em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se, porém, do negócio e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado e que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia2 rechonchuda e bonitota. O Leonardo, fazendo-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal- apessoado, e sobretudo era maganão3. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela e, com ferrado sapatão, assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se, como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também, em ar de disfarce, um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer, passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos. Quando saltaram em terra, começou a Maria a sentir certos enojos; foram os dois morar juntos; e daí a um mês manifes taram-se claramente os efeitos da pisadela e do beliscão; sete meses depois teve a Maria um filho, formidá vel menino de quase três palmos de comprido, gordo e vermelho, cabeludo, esperneador e chorão; o qual, logo depois que nasceu, mamou duas horas seguidas sem largar o peito. E este nascimento é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interes sa, porque o menino de quem falamos é o herói desta história. (Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento de Milícias, cap. I) 1 – Algibebe: vendedor de roupas ordinárias. 2 – Saloia: camponesa, aldeã. 3 – Maganão: namorador, gracejador. 7. Quando vamos contar alguma coisa a alguém, podemos conhecer totalmente os fatos que vamos narrar ou conhecê-los parcialmente. Com o narradorde um romance, acontece o mesmo. No caso de Memórias de um Sargento de Milícias, podemos dizer que o narrador I. conhece as personagens e tudo sobre seu passado, pre sen te e futuro; II. não conhece os fatos, os quais vão sendo revelados so mente pelas personagens; III. conhece externamente as personagens, mas não con se gue “ler” seus pensamentos e intenções; IV. é uma das personagens principais do romance. Está(ão) correta(s) a) apenas a afirmativa I. b) apenas as afirmativas II e IV. c) apenas a afirmativa IV. d) apenas as afirmativas II e III. e) todas as afirmativas. 8. No trecho lido, o narrador aponta como fato mais impor tante entre os apresentados: a) como o meirinho Leonardo recebeu o epíteto Pataca. b) o beliscão que Maria da hortaliça aplicou na mão de Leonardo- Pataca. c) o nascimento de Leonardo. d) as atividades dos oficiais de justiça. e) o casamento de Leonardo-Pataca com Maria da hortaliça. REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 14 �MÓDULO 7 – Literatura e Análise de Textos Literários – III Texto para o teste 1. O Romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos — para nos conhecermos, para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos, para condenar o que houver de mau na nossa sociedade. (Eça de Queirós) 1. (UFV-MG – modificado) – O texto de Eça de Queirós reúne alguns princípios básicos do Realismo. Entre as alternativas abaixo, assinale a que não está em conformidade com a definição do romancista português. a) O Realismo foi marcado por um forte espírito crítico e assumiu uma atitude mais combativa diante dos problemas sociais contemporâneos a ele. b) O autor realista procurou retratar com fidelidade a psicologia da personagem, demonstrando um interesse maior pelas fraquezas humanas e pelos dramas existenciais. c) As preocupações psicológicas da prosa de ficção realista levaram o romancista a uma conscientização do próprio “eu” e à manifestação de sua mais profunda interioridade. d) Em oposição à idealização romântica, o escritor realista procurou descobrir a verdade de suas personagens, dissecando-lhes o comportamento. e) O sentido de observação e análise vigente no Realismo exigiu do escritor uma postura racional e crítica diante das contradições do homem enquanto ser social. Texto para o teste 2. Talvez o aspecto mais evidente da novidade retórica e formal na composição dessa obra seja justamente a metalinguagem ou a autorreflexividade da narrativa, quer dizer, o narrador “explica” constantemente para o leitor o andamento e o modo pelo qual vai contando suas histórias. Essa autorreflexividade tem um importante efeito de quebra da ilusão realista, pois lembra sempre o leitor de que ele está lendo um livro e que este, embora narre a respeito da vida de personagens, é apenas um livro, ou seja, um artifício, um artefato inventado. Pode-se dizer também que a reflexão do narrador, além de revelar a poética que preside a composição de sua narrativa, revela também a exigência dessa poética de contar com um novo tipo de leitor: o narrador como que pretende um leitor participante, ativo e não passivo. (Valentim Facioli, Um Defunto Estrambótico, 2008 – adaptado.) 2. (UNIFESP-SP) – Tal comentário aplica-se à obra a) Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida. b) O Ateneu, de Raul Pompeia. c) O Cortiço, de Aluísio Azevedo. d) Iracema, de José de Alencar. e) Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Releia a seguir um trecho de Memórias Póstumas de Brás Cubas analisado em sala de aula e responda aos testes de 3 a 5. Reconheço que [Cotrim] era um modelo. Arguiam-no de avareza, e cuido que tinham razão; mas a avareza é apenas a exageração de uma virtude e as virtudes devem ser como os orçamentos: melhor é o saldo que o deficit. Como era muito seco de maneiras, tinha inimigos, que chegavam a acusá-lo de bárbaro. O único fato alegado neste particular era o de mandar com frequência escravos ao calabouço, donde eles desciam a escorrer sangue; mas, além de que ele só mandava os perversos e os fujões, ocorre que, tendo longamente contrabandeado em escravos, habituara-se de certo modo ao trato um pouco mais duro que esse gênero de negócio requeria, e não se pode honestamente atribuir à índole original de um homem o que é puro efeito de relações sociais. 3. (FGV-SP-ADM) – Nas Memórias Póstumas de Brás Cubas, de que procede o excerto aqui reproduzido, reconhece-se o romance que a) abre a fase chamada de realista da literatura brasileira. b) retrata a decadência e queda da monarquia no Brasil. c) inaugura a militância abolicionista do seu autor. d) revela a opção republicana de Machado de Assis. e) primeiro representou, no Brasil, o tipo social do arrivista. 4. (FGV-SP-ADM) – Considere as seguintes afirmações: I. A defesa de Cotrim, feita neste trecho pelo narrador, resulta em um grande ataque a essa personagem. O meio utilizado para se obter essa inversão de sentido é o da ironia. II. No texto, já são mencionados os escravos, que virão a figurar entre as personagens centrais da obra. III. Deduz-se do texto que, para a sociedade figurada na obra, contra - bandear escravos não era atividade que manchasse a dignidade dos que a praticavam. Está correto apenas o que se afirma em a) I. b) II. c) I e II. d) I e III. e) II e III. 5. (FGV-SP-ADM) – Segundo o narrador, “a avareza é uma exageração” de uma determinada virtude. Trata-se da a) prodigalidade. b) parcimônia. c) humildade. d) paciência. e) piedade. 6. (UFV-MG) – Leia o texto abaixo, extraído de O Cortiço, e res - pon da ao que se pede. Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu, de uma assentada, sete horas de chumbo. (…) O rumor crescia, condensando-se; o zum-zum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se1 discussões e rezingas2; ouviam-se garga - lhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fer - men tação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que – 15 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 15 16 – P O R T U G U ÊS 3 . aS mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra. (AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 15. ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28-29) 1 – Ensarilhar-se: enredar-se, emaranhar-se. 2 – Rezinga: discussão acalorada. Assinale a alternativa que não corresponde a uma possível leitura do fragmento transcrito. a) No texto, o narrador enfatiza a força do coletivo. Todo o cortiço é apresentado como uma personagem que, aos poucos, acorda como uma colmeia humana. b) O texto apresenta dinamismo descritivo, ao enfatizar os elementos visuais e auditivos. c) O discurso naturalista de Aluísio Azevedo enfatiza nas per so na - gens de O Cortiço o aspecto animalesco, “rasteiro” do ser hu - mano, mas também a sua vitalidade e energia naturais, oriundas do prazer de existir. d) Através da descrição do despertar do cortiço, o narrador apresenta os elementos introspectivos das personagens, procurando criar correspondências entre o mundo físico e o metafísico. e) Observa-se, no discurso de Aluísio Azevedo, pela constante uti li - zação de metáforas e sinestesias, uma preocupação em apresentar elementos descritivos que comprovem a sua tese determinista. Texto para o teste 7. Nesta obra, eu quis estudar temperamentos e nãocaracteres. Escolhi personagens soberanamente dominadas pelos nervos e pelo sangue, desprovidas de livre-arbítrio, arrastadas a cada ato de suas vidas pelas fatalidades da própria carne. Começa-se a compreender que o meu objetivo foi acima de tudo um objetivo científico. (Émile Zola apud Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira, 1994 – adaptado.) 7. (UNIFESP-SP) – Depreendem-se dessas considerações do escritor francês Émile Zola, a respeito de uma de suas obras, preceitos que orientam a corrente literária a) romântica. b) árcade. c) naturalista. d) simbolista. e) barroca. Texto para o teste 8. Desde que a febre de possuir se apoderou dele totalmente, todos os seus atos, todos, fosse o mais simples, visavam a um interesse pecu niá rio. (...) Aquilo já não era ambição, era uma moléstia nervo - sa, uma loucura, um desespero de acumular, de reduzir tudo a moeda. (Aluísio Azevedo, O Cortiço) 8. (MACKENZIE-SP) – No excerto transcrito, a percepção do narrador traz marcas do estilo naturalista, pelo fato de a) caracterizar o modo de ser da personagem como uma patologia. b) trazer ao leitor, com objetividade e parcimônia, o lado cômico do comportamento humano. c) criar analogia entre homem e animal, imagem resul tante da proje - ção subjetiva do observador sobre o observado. d) criticar explicitamente a ambição desmesurada da alta burguesia. e) apresentar sintaxe e léxico inovadores e temática cientificista. �MÓDULO 8 – Literatura e Análise de Textos Literários – IV 1. (FGV-SP-ADM) – Comparando o Simbolismo com outros estilos de época, um crítico afirmou: I. “Ambos os movimentos exprimem o desgosto pelas soluções racionalistas.” II. “É comum a ambas as correntes a tentação do esteticismo e do formalismo.” Por meio das palavras “ambos” (I) e “ambas” (II), o crítico faz uma aproximação entre o Simbolismo e, respectivamente, o a) Barroco e o Neoclassicismo. b) Naturalismo e o Expressionismo. c) Classicismo e o Impressionismo. d) Realismo e o Modernismo. e) Romantismo e o Parnasianismo. Texto para o teste 2. Só, incessante, um som de flauta chora, Viúva, grácil, na escuridão tranquila, — Perdida voz, que de entre as mais se exila, — Festões1 de som dissimulando2 a hora. Na orgia, ao longe, que em clarões cintila E os lábios, branca, do carmim desflora... Só, incessante, um som de flauta chora, Viúva, grácil, na escuridão tranquila. E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora, Cauta3, detém. Só modulada trila4 A flauta flébil5... Quem há de remi-la6? Quem sabe a dor que sem razão deplora7? Só, incessante, um som de flauta chora... (Camilo Pessanha) 1 – Festão: ramalhete de flores e folhagens. 2 – Dissimular: disfarçar. 3 – Cauto: prevenido. 4 – Trilar: soar como um gorjeio. 5 – Flébil: choroso, lacrimoso. 6 – Remir: salvar, libertar. 7 – Deplorar: chorar, lamentar. 2. O poema anterior foi extraído da principal obra do Simbolismo português, Clepsidra, de Camilo Pessanha. Sua filiação a essa escola literária é notada pela a) ênfase nos recursos sonoros. b) crítica social. c) visão dilemática da existência. d) escatologia. e) linguagem coloquial. Texto para o teste 3. O planalto central do Brasil desce, nos litorais do Sul, em escarpas inteiriças, altas e abruptas. Assoberba os mares; e desata-se em chapadões nivelados pelos visos das cordilheiras marítimas, distendidas do Rio Grande a Minas. Mas ao derivar para as terras setentrionais diminui gradualmente de altitude, ao mesmo tempo que REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 16 descamba para a costa oriental em andares, ou repetidos socalcos, que o despem da primitiva grandeza afastando-o consideravelmente para o interior. De sorte que quem o contorna, seguindo para o norte, observa notáveis mudanças de relevos: a princípio o traço contínuo e dominante das montanhas, (...) depois, no segmento de orla marítima entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, um aparelho litoral revolto, feito da envergadura desarticulada das serras, riçado de cumeadas e corroído de angras, e escancelando-se em baías, e repartindo-se em ilhas, e desagregando-se em recifes desnudos, (...) em seguida, transposto o 15º paralelo, a atenuação de todos os acidentes — serranias que se arredondam e suavizam as linhas dos taludes, fracionadas em morros de encostas indistintas no horizonte que se amplia (...)... Este facies geográfico resume a morfogenia do grande maciço continental. (Euclides da Cunha, Os Sertões) 3. (MACKENZIE-SP) – A partir do fragmento de Os Sertões, pode-se afirmar que todas as afirmações estão corretas, exceto: a) O autor compõe seu texto com traços tanto de uma prosa científica quanto de uma prosa literária. b) A constante utilização de termos científicos, como “cumeadas”, “taludes” e “morfogenia”, compromete o valor literário da obra. c) Destacam-se contrastes geográficos do Brasil, como evidenciado no fragmento: “Mas ao derivar para as terras setentrionais diminui gradualmente de altitude”. d) Há uma detalhada descrição da região embasada pelo conhecimento das Ciências Naturais. e) A opção pela utilização de mais de um adjetivo para caracterizar o substantivo, como em “escarpas inteiriças, altas e abruptas”, está vinculada à ideia da objetividade científica. Texto para o teste 4. É preciso ler esse livro singular sem a obsessão de enquadrá-lo em um determinado gênero literário, o que implicaria em prejuízo paralisante. Ao contrário, a abertura a mais de uma perspectiva é o modo próprio de enfrentá-lo. A descrição minuciosa da terra, do homem e da luta situa-o no nível da cultura científica e histórica. Seu autor fez geografia humana e sociologia como um espírito atilado poderia fazê-las no começo do século, em nosso meio intelectual, então avesso à observação demorada e à pesquisa pura. Situando a obra na evolução do pensamento brasileiro, diz lucidamente o crítico Antonio Candido: Livro posto entre a literatura e a sociologia naturalista, esta obra assinala um fim e um começo: o fim do imperialismo literário, o começo da análise científica aplicada aos aspectos mais importantes da sociedade brasileira (no caso, as contradições contidas na diferença de cultura entre as regiões litorâneas e o interior). (BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 1987. p. 348 – adaptado.) 4. (UNIFESP-SP) – O excerto trata da obra a) Capitães da Areia, de Jorge Amado. b) O Cortiço, de Aluísio Azevedo. c) Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. d) Vidas Secas, de Graciliano Ramos. e) Os Sertões, de Euclides da Cunha. 5. (UNIP-SP) – Assinale a alternativa que transcreva um fragmento de texto no qual sejam evidentes algumas características fundamen - tais do Simbolismo. a) Sinto-me, sem sentir, todo abrasado No rigoroso fogo que me alenta; O mal que me consome me sustenta, O bem que me entretém me dá cuidado. b) Lede, que é tempo, os clássicos honrados; Herdai seus bens, herdai suas conquistas, Que em reinos dos romanos e dos gregos Com indefeso estudo conseguiram. c) Brancuras imortais da Lua Nova Frios de nostalgia e sonolência... Sonhos brancos da Lua e viva essência Dos fantasmas noctívagos da Cova. d) Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém. Todos tiveram pai, todos tiveram mãe. Mas eu, que nunca principio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. e) Olha bem estes sítios queridos, Vê-os bem neste olhar derradeiro... Ai! o negro dos montes erguidos, Ai! verde do triste pinheiro! 6. (FUVEST-SP – adaptado) – Sobre Os Sertões (1902), de Eucli - des da Cunha, assinale a alternativa incorreta. a) Representam o amadurecimento da Literatura Brasileira no questio namento de nossa realidade social. b) Apoiada nas teorias científico-filosóficas do fim do século XIX, esta obra projeta amplo domínio do autor em áreas tão distintascomo a sociologia, a geografia, a geologia, a etnografia, a botâ ni - ca e outras ciências. c) A obra apresenta linguagem bastante simples, tendo em vista a preocupação do autor de tornar seu texto um retrato fiel do falar sertanejo; a linguagem figurada praticamente inexiste. d) Trata-se de grande realização artística, de entonação épica, que muitos consideram a maior obra da literatura latino-americana. e) Os Sertões são a primeira denúncia da miséria e do subdesen - volvimento nordestinos. 7. O tema de Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, obra do Pré-Modernismo, é a) o atraso do caboclo. b) a revolta de Canudos. c) o nacionalismo exagerado. d) o drama do retirante. e) o movimento operário. Texto para o teste 8. E, bem pensando, mesmo na sua pureza, o que vinha a ser a Pátria? Não teria levado toda a sua vida norteado por uma ilusão, por uma ideia a menos, sem base, sem apoio, por um Deus ou uma deusa cujo império se esvaía? (Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma) – 17 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 17 8. (UFJF-MG) – No fragmento transcrito, percebe-se a) o desdém de Policarpo Quaresma pela ideia de Pátria ou de Nação. b) a recusa de Policarpo em aderir à ideia de patriotismo ou defesa do país. c) a intransigência de Policarpo Quaresma em relação aos que queriam vender a Pátria e os princípios. d) a consciência de Policarpo a respeito do idealismo abstrato que sempre o levou à ação. e) a indecisão de Policarpo Quaresma diante da necessidade de servir ao governo florianista. 9. (UEL-PR – adaptado) – Nas duas primeiras décadas do século XX, as obras de Euclides da Cunha e Lima Barreto, tão diferentes entre si, têm como elemento comum a) a intenção de retratar o Brasil de modo otimista e idealizante. b) a adoção da língua coloquial das camadas populares do sertão. c) a expressão de aspectos da realidade brasileira até então negli genciados. d) a prática de um experimentalismo linguístico radical. e) o estilo conservador do antigo regionalismo romântico. �MÓDULO 9 – Literatura e Análise de Textos Literários – V Textos para o teste 1. Texto I Pedro apenas trabalhou. Ganhou mais, foi subindinho, Um pão de terra comprou. Um pão apenas, três quartos E cozinha num subúrbio Que tudo dificultou. Texto II A cidade progredia Em roda de minha casa Que os anos não trazem mais Debaixo da bananeira Sem nenhum laranjais 1. (PUCCamp-SP) – Tanto no texto I, de Mário de Andrade, quanto no texto II, de Oswald de Andrade, encontram-se exemplos de uma das propostas dos modernistas de 1922. Assinale a alternativa em que essa proposta se explicita. a) Os nossos poetas de hoje, possuindo um senti mento igual, e às vezes superior, ao dos poetas antigos, sobre eles excelem pelo cuidado que dão à pureza da linguagem e pela habilidade com que variam e aperfeiçoam a métrica. b) A língua sem arcaísmos. Sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. c) Os tempos em que vivemos são outros, tempos de técnica e comu - ni cação maciça, tempos em que outra é a percepção da realidade (...); logo, tempos em que já não faria sentido o uso da unidade do verso linear nem o da frase. d) A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa, o êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo de corrida, o salto mortal, o bofetão e o soco. e) O filho dos trópicos deve escrever numa linguagem propria mente sua, lânguida como ele, quente como o sol que o abrasa, grande e misteriosa como as suas matas seculares. 2. (UFMG-MG) – As histórias de Macunaíma foram contadas pelo papagaio ao narrador, que vai con tinuar contando-as: …ponteei na violinha e em to que rasgado botei a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói de nossa gente. Sabe-se que o livro Macunaíma foi considerado, por seu autor, uma rapsódia. Com relação a esse fato, é correto afirmar que a) a palavra rapsódia significa narrativa acompa nhada de viola. b) as histórias populares, tradicionalmente chamadas de rapsódia, são moralizadoras. c) o narrador alinhava, na rapsódia, histórias da tra dição oral. d) rapsódia é o nome que se dá às narrativas orais recuperadas por escritores. 3. Assinale a alternativa errada a respeito de Ma cunaíma, de Mário de Andrade. a) Passando abruptamente do primitivismo solene à crônica jocosa e desta ao distanciamento da paró dia, o autor jogou sabiamente com níveis de cons ciência e de comunicação diversos, justifi - cando plenamente o título rapsódia. b) O herói sem nenhum caráter foi trabalhado co mo síntese de um presumido ‘modo de ser bra sileiro’ descrito como luxurioso, ávido, pre gui ço so e so nhador: caracteres que lhe atribuía um teó - rico do Modernismo, Paulo Prado, em Retrato do Bra sil. c) Meio epopeia, meio novela picaresca, atuou nes sa obra uma ideia-força do seu autor: o em prego diferen cia do da fala brasileira em nível cul to; tarefa que deveria, para ele, consolidar as con quis tas do Modernismo. d) A mediação entre o material folclórico e o tra ta mento literário moderno faz-se por meio de Freud e con soante uma corrente de abordagem psica nalítica dos mitos e dos costumes primitivos que as teorias do Inconsciente e da “mentalidade pré-ló gica” pro piciaram. e) O realismo do autor não é orgânico nem espon tâneo. É crítico. O herói é sempre um problema: não aceita o mundo, nem os outros, nem a si mes mo. 4. (VUNESP-SP) – A partir da leitura dos seguintes poemas, assina - le a alternativa incorreta com relação ao Modernismo. VÍCIO NA FALA Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados. (Oswald de Andrade) POEMA DO BECO Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte? — O que eu vejo é o beco. (Manuel Bandeira) FESTA FAMILIAR Em outubro de 1930 Nós fizemos — que animação! Um pic-nic com carabinas. (Murilo Mendes) 18 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 18 COTA ZERO Stop A vida parou Ou foi o automóvel? (Carlos Drummond de Andrade) a) Os poemas, quando não se fixam em uma cena da vida cotidiana, podem refletir sobre a nossa história com muito humor e ironia. b) Há predomínio do verso livre e cultivo de uma poesia sintética. c) Introduzem-se a fala popular e elementos caracte rís ticos da prosa. d) Os poemas mostram claramente uma ruptura, na forma, com os códigos literários anteriores; no con te údo buscam penetrar mais fundo na realidade brasileira. e) As experiências de linguagem desses poemas mo dernistas tentam resgatar o formalismo e a riqueza sonora da poesia parnasiana. �MÓDULO 10 – Literatura e Análise de Textos Literários – VI 1. (FGV-SP) – Assim como Vinicius de Moraes e Murilo Men des, Carlos Drummond de Andrade pertence a uma geração de poetas que se caracterizou, principalmente, por ter a) sido pioneira na formulação dos conceitos estéticos que orien ta - ram a Semana de Arte Moderna, em 1922. b) radicalizado, em suas regiões, as experiências estilísticas e temá - ticas que marcaram os anos de 1920. c) colhido, nos anos de 1930, os resultados da pesquisa estética da década precedente, atenuando-lhe o caráter destruidor. d) valorizado a linguagem regional, para, por meio dela, fazer a crítica da política local. e) repudiado o universalismo, sugerindo um caminho nacionalista para a poesia brasileira do século XX. Textos para os testes 2 e 3. Texto 1 A FLOR E A NÁUSEA Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjoo? Posso,sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse. (...) Vomitar esse tédio sobre a cidade. Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado. Nenhuma carta escrita nem recebida. Todos os homens voltam para casa. Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem. (...) Pôr fogo em tudo, inclusive em mim. Ao menino de 1918 chamavam anarquista. Porém meu ódio é o melhor de mim. Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima. Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor. Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. (Carlos Drummond de Andrade) Texto 2 A ROSA DE HIROXIMA Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroxima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A antirrosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada (Vinicius de Moraes) – 19 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 19 2. (PUC-SP) – O texto 1 integra o livro A Rosa do Povo, cujos poemas foram escritos por Carlos Drummond de Andrade nos anos sombrios da ditadura de Getúlio Vargas e da Segunda Guerra Mundial. No contexto do poema, a flor encarna significados que a tornam símbolo de um momento histórico e social. Assim, indique, entre as alternativas abaixo, a que não condiz com as várias possibilidades de sua caracterização. a) Assume características que fazem dela uma exceção na ordem natural das coisas. b) Nascida em contexto adverso, representa a incerteza do futuro e anuncia as perplexidades e o desconcerto do mundo. c) Caracteriza-se como algo frágil e se configura pelo conjunto de negativas e ausências. d) Simboliza a imagem da poesia e do desabrochar revolucionário. e) Representa a vitória sobre os bloqueios físicos do mundo e os sentimentos negativos dos homens. 3. Considerando os textos 1 e 2, leia as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta. I. A antirrosa do poema de Vinicius de Moraes representa a bomba atômica. Como esta é destruidora de toda a vida e de toda a beleza — ou seja, de todas as coisas belas tradicionalmente associadas à imagem da rosa —, compreende-se que o poeta a represente como uma “antirrosa”. II. A imagem da rosa, no poema de Vinicius de Moraes, tem o mesmo significado que tem a flor no poema “A Flor e a Náusea”, pois em ambos ela representa um acontecimento iminente, prestes a acontecer. III. No poema de Drummond, o tema da esperança, da vida que renasce, ainda que sob a forma de uma flor frágil e feia, representa um alento contra a descrença produzida pelos horrores da Segunda Guerra Mundial e pelo momento por que passava o Brasil, com a Ditadura de Getúlio Vargas. IV. O poema de Vinicius, referindo-se à bomba atômica lançada sobre a cidade de Hiroxima em 6 de agosto de 1945, evoca a imagem da rosa ou, mais adequadamente, da antirrosa, para representar a eclosão da bomba e a forma que ela assume, semelhante a uma flor (um cogumelo). Está correto o que se afirma em a) I, II, III e IV. b) II, III e IV. c) I, II e III. d) I, III e IV. e) III e IV, apenas. 4. (PUC-SP) – Carlos Drummond de Andrade escreveu a obra Claro Enigma. Sobre ela é correto afirmar que a) os temas aí expostos se referem, apenas, às cintilações e fulgurâncias da luz. b) a obscuridade e as imprecisões luminosas não têm espaço nessa obra de Drummond. c) o oxímoro é a figura de retórica que dá suporte à obra e se manifesta claramente em vários de seus poemas, como “Oficina Irritada” e “Sonetilho do Falso Fernando Pessoa”. d) a estrutura do poema preserva a forma livre da composição poética e há um desprezo total às formas fixas e clássicas. Texto para os testes 5 e 6. CANÇÃO Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; — depois, abri o mar com as mãos, Para o meu sonho naufragar. Minhas mãos ainda estão molhadas Do azul das ondas entreabertas, E a cor que escorre dos meus dedos Colore as areias desertas. O vento vem vindo de longe, A noite se curva de frio; Debaixo da água vai morrendo Meu sonho, dentro de um navio... Chorarei quanto for preciso, Para fazer com que o mar cresça, E o meu navio chegue ao fundo E o meu sonho desapareça. Depois, tudo estará perfeito: Praia lisa, águas ordenadas, Meus olhos secos como pedras E as minhas duas mãos quebradas. (Cecília Meireles) 5. (UFMT-MT – modificado) – Em relação à construção dos sen tidos do poema, assinale V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) O emprego de verbos na primeira pessoa do singular — pus, abri e chorarei — explica-se pela atitude lírica da poeta, que fala de seus sentimentos e desejos. ( ) A recorrência aos possessivos — meu sonho, minhas mãos, meu navio, meus olhos, minhas duas mãos — reforça a atitude autocentrada do eu poético. ( ) O substantivo sonho deve ser entendido como uma manifes - tação do estado onírico que ocorre durante o sono. ( ) A dimensão emocional, no poema, dá suporte a atitudes que seriam inverossímeis fora do contexto poético ou artístico (abrir o mar com as mãos, por exemplo). Assinale a sequência correta. a) V, V, V, F b) V, F, F, F c) F, V, V, F d) F, V, F, V e) V, V, F, V 6. (UFMT-MT) – Da leitura do poema, pode-se afirmar: a) As lágrimas do eu lírico guardam uma relação inversamente propor cional às águas de um mar abstrato. b) O emprego da palavra navio, essencialmente concreta, não se presta de maneira adequada às especificidades de contextos poéticos. 20 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 20 c) A estrofe final denuncia uma secura pétrea do olhar, coerente com a frieza marcante do eu lírico. d) Os olhos secos como pedras são o resultado de um chorar hiper - bólico, de um mar de lágrimas. e) A aliteração em v (Vento Vem Vindo) sugere que a angústia que domina o eu lírico é momentânea e, como o vento, irá passar. Texto para o teste 7. MURMÚRIO Traze-me um pouco das sombras serenas que as nuvens transportam por cima do dia! Um pouco de sombra, apenas, — vê que nem te peço alegria. Traze-me um pouco da alvura dos luares que a noite sustenta no teu coração! A alvura, apenas, dos ares: — vê que nem te peço ilusão. Traze-me um pouco da tua lembrança, aroma perdido, saudade da flor! — Vê que nem te digo — esperança! — Vê que nem sequer sonho — amor! (Cecília Meireles) 7. (MACKENZIE-SP – corrigido) – Assinale a alternativa incor reta. a) O tom dos três pedidos, bem representado pela expressão “um pouco”, contextualiza-se na escolha lexical do título. b) Instaura-se o interlocutor já na desinência de número e de pessoa da primeira forma verbal do poema. c) As estrofes bipartem-se em um pedido e em uma observação sobre o pedido, ambos dirigidos ao mesmo interlocutor. d) Há um paralelismo sintático na construção do apelo, marcando uma regularidade rítmica, já evidenciada pelasrimas. e) A materialidade do objeto do apelo emerge do verso 10, ratificada pelos dois versos finais do poema. �MÓDULO 11 – Literatura e Análise de Textos Literários – VII 1. (FUND. CARLOS CHAGAS-SP) – O romance regionalista nor - destino que surge e se desenvolve a partir de 1930, aproxi ma damente, pode ser chamado “neorrealista”. Isso se deve a que esse romance a) retoma o filão da temática regionalista, descoberto e explorado inicialmente pelos realistas do século XIX. b) apresenta, através do discurso narrativo, uma visão realista e crítica das relações entre as classes que estruturam a sociedade do Nordeste. c) tenta explicar o comportamento do homem nordestino, com base numa postura estritamente científica, pelos fatores raça, meio e momento. d) abandona todos os pressupostos teóricos do Realismo do século XIX, buscando as causas do comportamento humano mais no indi vidual que no social. e) procura fazer da narrativa a anotação fiel e minuciosa da nova realidade urbana do Nordeste. 2. (FUVEST-SP) – Um escritor classificou Vidas Secas como “romance desmontável”, tendo em vista sua composição descontínua, feita de episódios relativamente independentes e sequências parcial - mente truncadas. Essas características da composição do livro a) constituem um traço de estilo típico dos romances de Graciliano Ramos e do Regionalismo nordestino. b) indicam que ele pertence à fase inicial de Graciliano Ramos, quando este ainda seguia os ditames do primeiro momento do Moder nismo. c) diminuem o seu alcance expressivo, na medida em que dificultam uma visão adequada da realidade sertaneja. d) revelam, nele, a influência da prosa seca e lacunar de Euclides da Cunha em Os Sertões. e) relacionam-se à visão limitada e fragmentária que as próprias personagens têm do mundo. Texto para o teste 3. A cada figura da novela — Fabiano, Vitória, sua mulher, o menino mais velho, o menino mais novo — o romancista dedica um capítulo, que é como que um retrato de caracterização, em que o próprio personagem se apresenta ao leitor. 3. (PUC-SP) – O trecho transcrito é uma referência à obra de Graciliano Ramos, Vidas Secas, feita por Álvaro Lins. Assim, da personagem Sinha Vitória, pode-se afirmar que a) tem uma relação conjugal pacífica com Fabiano, com o qual nunca se desentendeu e de quem sempre mereceu elogios e estímulos positivos. b) domina os conhecimentos básicos da família e do meio e é capaz de dar respostas corretas a todas as perguntas feitas pelos filhos. c) protege os animais, o papagaio e a cachorra Baleia, colocando-se contra Fabiano, que os ameaça, e evitando, assim, a morte de ambos. d) alimenta o sonho de ter uma cama de lastro de couro bem esticado e bem pregado, como a do Seu Tomás da Bolandeira. e) é marcada pela desesperança diante do infortúnio de nova seca e não vê nenhum tipo de saída para ela, para os meninos e para Fabiano. Texto para o teste 4. Tinha medo e repetia que estava em perigo, mas isto lhe pareceu tão absurdo que se pôs a rir. Medo daquilo? Nunca vira uma pessoa tremer assim. Cachorro. Ele não era dunga na cidade? Não pisava os pés dos matutos, na feira? Não botava gente na cadeia? Sem-vergonha, mofino. 4. (PUC-SP – modificado) – Do trecho transcrito, da obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é correto afirmar que a) emprega o discurso direto para anunciar o contraste entre o riso e o medo que acometem a personagem. b) expressa o mundo interior da personagem, que atinge e magoa seu interlocutor com expressões diretas e grosseiras. c) deixa transparecer o desprezo do narrador diante da reação do oponente, o Soldado Amarelo. – 21 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 21 d) confunde narrador, personagem e tipos de discurso, o que impede o leitor de entender o texto com clareza. e) envolve duas personagens em situação de conflito, Fabiano e o Soldado Amarelo, que destratava pessoas em nome de sua autoridade. Texto para o teste 5. — Olha, rapariga. — A palavra rapariga magoa de leve Chinita, que reconhece nela uma significação pejorativa. Mas a mágoa é um pingo d’água naquele deserto escaldante. — Olha, rapariga — repete ele — tu pensas que sempre vais ter dezoito anos? E esse corpo bonito? E esses olhos? E esses seios? Não demora muito e estás franzida, murcha, velha (Salu vai num crescendo), horrorosa! E que fizeste da tua mocidade? (VERÍSSIMO, Érico. Caminhos Cruzados. 30. ed. São Paulo: Ed. Globo, 1995, p. 237.) 5. No excerto, Salu, ciente de que Chinita é vaidosa e valoriza a fantasia, utiliza como expediente para conquistá-la a) a referência a ideais dionisíacos. b) o tema clássico do carpe diem. c) a visão biológica da função feminina. d) o discurso racional do estilo realista. Leia o trecho de Minha Vida de Menina, de Helena Morley, para responder ao teste 6. Quinta-feira, 23 de fevereiro Leontino veio nos convidar para irmos assistir à inauguração do telégrafo, que eles fizeram em casa, e que tia Aurélia esperava mamãe e a família toda com muito carajé1, chocolate e sequilhos. Fomos todos e Dindinha também. Ficamos, a metade das pessoas, na sala de visitas e a outra metade na sala de jantar, no fim do corredor, que é muito comprido. Os da sala passavam telegrama para os de lá de dentro e a resposta era escrita com uns risquinhos, que a pena ia fazendo numa tira de papel, que Sérgio lia, e estava certinho. Dindinha, mamãe e as tias ficavam de boca aberta, de ver como eles passavam direito, como se fosse no telégrafo. Comemos muito carajé. Tivemos uma boa mesa de chocolate, café e sequilhos, e as tias saíram falando da inteligência dos meninos de lá. (Helena Morley, Minha Vida de Menina) 1 – Carajé: acarajé. 6. (FASM-SP) – Verifica-se que a autora escreve este trecho na condição de uma criança que a) ignora o comportamento dos adultos. b) lembra os fatos com dificuldade. c) chama a atenção dos adultos por ter feito um telégrafo. d) avalia positivamente o encontro em família. e) rememora os fatos sem descrever o espaço. �MÓDULO 12 – Literatura e Análise de Textos Literários – VIII Texto para o teste 1. ... De repente, todos gostavam demais de Sorôco. Ele se sacudiu, de um jeito arrebentado, desacontecido, e virou, pra ir-s’embora. Estava voltando para a casa, como se estivesse indo para longe, fora de conta. Mas, parou. Em tanto que se esquisitou, parecia que ia perder o de si, parar de ser. Assim num excesso de espírito, fora de sentido. E foi o que não se podia prevenir: quem ia fazer siso naquilo? Num rompido — ele começou a cantar, alteado, forte, mas sozinho para si — e era a cantiga, mesma, de desatino, que as duas tinham tanto cantado. Can tava continuando. A gente se esfriou, se afundou — um instantâneo. A gente... E foi sem combinação, nem ninguém entendia o que se fizesse: todos, de uma vez, de dó do Sorôco, principiaram também a acompanhar aquele canto sem razão. E com as vozes tão altas! Todos caminhando com ele, Sorôco e canta que cantando, atrás dele, os mais detrás quase que corriam, ninguém deixasse de cantar. Foi o de não sair mais da me mória. Foi um caso sem comparação. A gente estava levando agora o Sorôco para a casa dele, de verdade. A gente, com ele, ia até aonde que ia aquela cantiga. (ROSA, João Guimarães. Primeiras Estórias. 8. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975.) 1. (UNIP-SP) – Uma característica marcante da linguagem de Gui - marães Rosa que se pode verificar no texto transcrito é a) a objetividade e a concisão, próximas dos autores realistas. b) o caráter documental que se evidencia no acúmulo de pormenores descritivos. c) a despreocupação com o estilo, como demonstram as diversas transgressões às normas gramaticais. d) a recriação da fala sertaneja, o aproveitamento poético de sua expressividade. e) a aproximaçãocom o Neoclassicismo, com o bucolismo e com a simplicidade dos autores árcades. Texto para o teste 2. Sim, que, à parte o sentido prisco1, valia o ileso gume do vocábulo pouco visto e menos ainda ouvido, raramente usado, melhor fora se jamais usado. Porque, diante de um gravatá2, selva moldada em jarro jônico, dizer-se apenas drimirim ou amormeuzinho é justo; e, ao descobrir, no meio da mata, um angelim que atira para cima cinquenta metros de tronco e fronde, quem não terá ímpeto de criar um vocativo absurdo e bradá-lo — Ó colossalidade! — na direção da altura? (João Guimarães Rosa, “São Marcos”, in Sagarana) 1 – Prisco: antigo, relativo a tempos remotos. 2 – Gravatá: planta da família das bromeliáceas. 2. (FUVEST-SP) – Neste excerto, o narrador do conto “São Marcos” expõe alguns traços de estilo que correspondem a características mais gerais dos textos do próprio autor, Guimarães Rosa. Entre tais características, só não se encontra 22 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 22 a) o gosto pela palavra rara. b) o emprego de neologismos. c) a conjugação de referências eruditas e populares. d) a liberdade na exploração das potencialidades da língua portuguesa. e) a busca da concisão e da previsibilidade da linguagem. Texto para os testes 3 e 4. Incompetente para a vida. Faltava-lhe o jeito de se ajeitar. Só vagamente tomava conhecimento da espécie de ausência que tinha de si em si mesma. Se fosse criatura que se exprimisse diria: o mundo é fora de mim. (Vai ser difícil escrever esta história. Apesar de eu não ter nada a ver com a moça, terei que me escrever todo através dela por entre espantos meus. Os fatos são sonoros, mas entre os fatos há um sussurro. É o sussurro o que me impressiona). Faltava-lhe o jeito de se ajeitar. Tanto que (explosão) nada argumentou em seu próprio favor quando o chefe da firma de representante de roldanas avisou-lhe com brutalidade (brutalidade essa que ela parecia provocar com sua cara de tola, rosto que pedia tapa), com brutalidade que só ia manter no emprego Glória, sua colega, porque quanto a ela, errava demais na datilografia, além de sujar invariavelmente o papel. Isso disse ele. Quanto à moça, achou que se deve por respeito responder alguma coisa e falou cerimoniosa a seu escondidamente amado chefe: — Me desculpe o aborrecimento. (Clarice Lispector, A Hora da Estrela) 3. Com base na leitura do texto, assinale a alternativa incorreta. a) O narrador se aproxima da personagem central, a moça, construindo com ela uma cumplicidade, marcada, sobretudo, pelo seu modo de narrar. b) O narrador assume sua presença comentando o fato narrado, ideia indicada pelo uso dos comentários entre parênteses. c) A descrição da personagem é pretexto para o narrador refletir sobre a própria linguagem e o seu ofício de narrar. d) O narrador-observador descreve a personagem de modo idea - lizado e cúmplice, denunciando os desníveis da relação patrão- empregado. e) O narrador constrói uma espécie de monólogo interior, atestando sua cumplicidade permanente ao fato narrado. 4. “Apesar de eu não ter nada a ver com a moça, terei que me escrever todo através dela por entre espantos meus (...)” – Tal atitude do narrador em face da história que vai narrar só não encontra corres - pon dência em: a) “Por enquanto quero andar nu ou em farrapos, quero experimentar pelo menos uma vez a falta de gosto que dizem ter a hóstia.” b) “(...) eu não vou enfeitar a palavra, pois se eu tocar no pão da moça se tornará em ouro — e a jovem (...) não poderia mordê-lo, morrendo de fome.” c) “(...) para falar da moça tenho que não fazer a barba durante dias e adquirir olheiras escuras por dormir pouco (...)” d) “(...) e ao escrever me surpreendo um pouco pois descobri que tenho um destino. Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa?” e) “Tenho então que falar simples para captar a sua delicada e vaga existência.” Texto para o teste 5. CEMITÉRIO PERNAMBUCANO Nesta terra ninguém jaz, pois também não jaz um rio noutro rio, nem o mar é cemitério de rios. Nenhum dos mortos daqui vem vestido de caixão. Portanto, eles não se enterram, são derramados no chão. Vêm em redes de varandas abertas ao sol e à chuva. Trazem suas próprias moscas. O chão lhes vai como luva. Mortos ao ar-livre, que eram, hoje à terra-livre estão. São tão da terra que a terra nem sente sua intrusão. 5. (ITA-SP) – O poema transcrito consta do livro Paisagem com Figuras, de João Cabral de Melo Neto, publicado em 1955. Este texto mostra com clareza algumas das marcas mais recorrentes na obra de João Cabral, entre elas: a) a presença do realismo de cunho social, que se nota nas refe - rências ao mundo nordestino, aliada à racionalidade típica de boa parte da poesia moderna. b) a presença do realismo de cunho social, mas associado a uma visão do mundo ainda herdeira do Romantismo, o que se nota pela presença das imagens naturais. c) a preocupação em descrever a paisagem nordestina e a intenção de reproduzir a fala popular. d) o caráter mais racional e sóbrio da poesia, que evita o derrama - mento emocional, aliado a certa herança realista no que diz respeito à valorização da cultura brasileira. e) o rigor construtivo do poema, que deixa de lado a emoção e as convenções românticas, o que faz deste texto um bom exemplo de poesia metalinguística. 6. (FUND. CARLOS CHAGAS-SP) – O Concretismo brasileiro caracteriza-se pela(o) a) renovação dos temas, privilegiando-se a revelação expressionista dos estados psíquicos do poeta. b) exploração estética do som, da letra impressa, da linha, dos espa - ços brancos da página. c) preocupação com a correção sintática, desinteresse pela explo - ração de campos semânticos novos. d) descaso pelos aspectos formais do poema. e) preferência pela linguagem formalmente correta. – 23 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 23 �MÓDULO 13 – Morfologia e Redação – I As questões de números 1 a 5 focalizam uma passagem do romance Água-Mãe, de José Lins do Rego (1901-1957). 1. (UNESP) – Com a expressão fugia das entradas, no primeiro parágrafo, o narrador sugere que o jogador Joca manifestava em campo: a) preguiça. b) covardia. c) despreparo. d) esperteza. e) ingenuidade. 2. (UNESP) – No primeiro parágrafo, predominam verbos empregados no a) pretérito perfeito do modo indicativo. b) pretérito imperfeito do modo indicativo. c) presente do modo indicativo. d) presente do modo subjuntivo. e) pretérito mais-que-perfeito do modo indicativo. 3. (UNESP) – Quando entrava no cinema era reconhecido. A língua portuguesa aceita muitas variações na ordem dos termos na oração e no período, desde que não causem a desestruturação sintática e a perturbação ou quebra do sentido. Assinale a alternativa em que a reordenação dos elementos não altera a estrutura do período em destaque e mantém o mesmo sentido. a) Quando era no reconhecido cinema entrava. b) Era reconhecido quando entrava no cinema. c) Entrava quando no cinema era reconhecido. d) Quando era reconhecido entrava no cinema. e) Entrava reconhecido quando era no cinema. 4) (UNESP) – Atitude que, no último parágrafo, melhor sintetiza a reação do antigo center-forward ao sucesso de Joca: a) rancor. b) cavalheirismo. c) colaboração. d) admiração. e) indiferença. 5. (UNESP) – No dia em que tivera que ceder a posição, a um menino do Cabo Frio, fora para ele como se tivesse perdido as duas pernas. Segundo o contexto, a imagem como se tivesse perdido as duas pernas revela, com grande expressividade e força emocional, a) sensação de estar sendo injustiçado pela torcida. b) certeza de que ainda era melhor jogador que o novato. c) sentimento de impotência antea situação. d) vontade e trocar o futebol por outra profissão. e) receio de sofrer novas contusões e ficar incapacitado. Tirinha para as questões 6 e 7. O Estado de S. Paulo, 13/04/2016. 6. (FGV) – A variação do comportamento de Calvin, tal como representada na tirinha, poderia receber, na vida política, o nome de a) oportunismo. b) prevaricação. c) entreguismo. d) alienação. e) peculato. ÁGUA-MÃE Jogava com toda a alma, não podia compreender como um jogador se encostava, não se entusiasmava com a bola nos pés. Atirava-se, não temia a violência e com a sua agilidade espantosa, fugia das entradas, dos pontapés. Quando aquele back1, num jogo de subúrbio, atirou-se contra ele, recuou para derrubá-lo, e com tamanha sorte que o bruto se estendeu no chão, como um fardo. E foi assim crescendo a sua fama. Aos poucos se foi adaptando ao novo Joca que se formara nos campos do Rio. Dormia no clube, mas a sua vida era cada vez mais agitada. Onde quer que estivesse, era reconhecido e aplaudido. Os garçons não queriam cobrar as despesas que ele fazia e até mesmo nos ônibus, quando ia descer, o motorista lhe dizia sempre: – Joca, você aqui não paga. Quando entrava no cinema era reconhecido. Vinham logo meninos para perto dele. Sabia que agradava muito. No clube tinha amigos. Havia porém o antigo center-forward2 que se sentiu roubado com a sua chegada. Não tinha razão. Ele fora chamado. Não se oferecera. E o homem se enfureceu com Joca. Era um jogador de fama, que fora grande nos campos da Europa e por isso pouco ligava aos que não tinham o seu cartaz. A entrada de Joca, o sucesso rápido, a maravilha de agilidade e de opor - tunismo, que caracterizava o jogo do nova to, irritava-o até ao ódio. No dia em que tivera que ceder a posição, a um menino do Cabo Frio, fora para ele como se tivesse perdido as duas pernas. Viram-no chorando, e por isso concentrou em Joca toda a sua raiva. No entanto, Joca sempre o procurava. Tinha sido a sua admiração, o seu herói. (Água-Mãe, 1974) 1Beque, ou seja, o zagueiro de hoje. 2Centroavante. E COMO DITADOR, SÓ EU MANDO NO GOVERNO! E NÃO TOLERAREI DISSIDENTES! EU DECIDIREI O QUE É BOM! EU DECIDIREI... HORA DE DORMIR. NÃO PODEMOS PÔR ISSO EM VOTAÇÃO? 24 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 24 7. (FGV) – A visão crítica, marcadamente cética, dos diferentes sistemas de governo, que se pode subentender na tirinha, só NÃO está presente na seguinte citação: a) Como verdadeiro democrata, nunca nego a ninguém o direito de concordar inteiramente comigo. b) A diferença entre democracia e comunismo é que, na democracia, o governo se proclama povo e, no comunismo, o povo se proclama governo. c) Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim. d) As democracias, embora respeitem a vontade da maioria, protegem escrupulosamente os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias. e) A diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste em que, numa democracia, se pode votar antes de obedecer às ordens. �MÓDULO 14 – Morfologia e Redação – II As questões de números 1 a 5 tomam por base a letra da toada Boiadeiro, de Armando Cavalcante (1914-1964) e Klecius Caldas (1919-2002): 1. (UNESP) – A toada Boiadeiro, de Armando Caval can te e Klecius Caldas, notabilizada pela interpretação de Luiz Gon za ga em 1950, tem sua letra elaborada em versos de doze e de dez síla bas métricas. Observe com atenção os seguintes versos na letra da toada: Dos versos indicados, os que apresentam dez sílabas métricas são apenas: a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) I, II e III. e) II, III e IV. 2. (UNESP) – Embora em muitas versões da letra de Boiadeiro apareça escrita no terceiro verso a palavra cabeças, no plural, no canto essa palavra deve ser entoada no singular. Isso se deve à necessidade de a) eliminar o ruído sibilante do s, que é pouco musical. b) informar que se trata de poucos bois. c) deixar claro que, quando se trata de “gado”, cabeça só se usa no singular. d) manter a sequência do verso com doze sílabas. e) fazer a concordância com pouco e nada. 3. (UNESP) – Um dos melhores recursos expressivos empregados na letra de Boiadeiro é o processo de repetição da mesma estrutura sintática com a mudança de apenas um vocá bulo, que faz progredir o sentido, tal como se verifica, por exemplo, entre os versos 5, 11 e 17. Tal recurso é conhe cido como a) paralelismo. b) metáfora. c) comparação. d) pleonasmo. e) metonímia. 4. (UNESP) – São dez cabeças; é muito pouco, é quase nada – São dez filinho, é muito pouco, é quase nada – É pequenina, é miudinha, é quase nada. O efeito de anticlímax observável nos três versos é expli cável pela a) divisão de cada um dos versos indicados em três se quên cias sin - táticas simétricas. b) repetição da forma verbal “é” por três vezes nos versos men - cionados. c) acentuação regular na quarta, oitava e décima segunda sílabas nos versos. d) atenuação gradativa do sentido que se verifica do início ao fim de cada um dos versos apontados. e) referência a poucos objetos ou entidades nos três ver sos. 5. (UNESP) – Mas não tem outras mais bonitas no lugar. O emprego da forma verbal tem em vez de há no verso mencionado se deve a) à necessidade de substituir um monossílabo tônico por um átono. b) à exigência métrica de uma sílaba a mais. c) à intenção de reforçar o sentido de “existir” nos versos. d) à obediência ao disposto pela norma-padrão. e) ao objetivo dos compositores de representar a fala regional, po - pular. BOIADEIRO De manhãzinha, quando eu sigo pela estrada Minha boiada pra invernada eu vou levar: São dez cabeças; é muito pouco, é quase nada Mas não tem outras mais bonitas no lugar. 5 Vai boiadeiro, que o dia já vem, Leva o teu gado e vai pensando no teu bem. De tardezinha, quando eu venho pela estrada, A fiarada tá todinha a me esperar; São dez filinho, é muito pouco, é quase nada, 10 Mas não tem outros mais bonitos no lugar. Vai boiadeiro, que a tarde já vem Leva o teu gado e vai pensando no teu bem. E quando chego na cancela da morada, Minha Rosinha vem correndo me abraçar. 15 É pequenina, é miudinha, é quase nada Mas não tem outra mais bonita no lugar. Vai boiadeiro, que a noite já vem, Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem! (CAVALCANTE, Armando e CALDAS, Klecius. Boiadeiro. In: Beth Cançado. Aquarela brasileira, vol. I. Brasília: Editora Corte Ltda., 1994. p. 59.) I. Vai boiadeiro, que o dia já vem, II. A fiarada tá todinha a me esperar; III. Vai boiadeiro, que a tarde já vem IV. É pequenina, é miudinha, é quase nada – 25 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 25 �MÓDULO 15 – Morfologia e Redação – III Texto para as questões 1 e 2. 1. (UNICAMP) – Indique a alternativa correta. No texto, a) a informação numérica indica a desproporção entre o número de homens e o de mulheres presentes no mun do da ciência. b) o último período tem a finalidade de justificar a publicação do livro Pioneiras da ciência no Brasil, estabelecendo os objetivos da obra. c) a visão estereotipada de mulher cientista é exem pli fi cada pelos modelos positivos das pioneiras brasileiras na ciência, tema da obra. d) as informações sobre o envolvimento das mulheres nos afazeres do - més ticos não constituem argumentos im por tantes para justificar a obra. 2. (UNICAMP) – Releia o período: “Assim, ainda que dividindo o espaço doméstico com companheiros, as mulheres têm, na maioria dos lares, maior necessidade de articular os papéis fami liares e profissionais.” A expressão sublinhada a) delimita a atmosfera de lares em que a mulher precisa articular tarefas profissionais e domésticas. b) restringeo universo das mulheres mencionadas no trecho ao das que se dedicam à vida doméstica. c) informa o local social em que circulavam as mulheres referidas no trecho. d) destaca o fato de que a maioria das mulheres vive com companheiros. Texto para as questões 3 e 4. 3. (UNICAMP) – A partir da leitura do texto, pode-se afirmar que: a) O robô está presente tanto no lago congelado no ártico como na gruta no trópicos. b) O jovem engenheiro do JLP e a geomicrobióloga carregam respiradores para ajudá-los a respirar. c) O jovem engenheiro do JLP e a geomicrobióloga estão executando suas pesquisas sozinhos. d) O holofote do robô é ligado a partir de um sinal emitido pelo laboratório JPL. 4. (UNICAMP) – Assinale a alternativa que resume adequa da mente o texto. a) Estudos sobre formas de vida em ambientes extremos podem preparar os cientistas para enfrentar a questão da busca pela vida fora da Terra. b) A partir de uma caverna no Alasca, um robô revela pistas sobre outras formas de vida no nosso sistema solar. c) Os trabalhos científicos desenvolvidos em qualquer lugar da Terra permitem compreender formas de vida em outros planetas. d) Cientistas, trabalhando em ambientes extremos, desenvolveram procedimentos capazes de detectar vida fora da terra. O trecho a seguir foi retirado da apresentação da obra Pioneiras da ciência no Brasil. O livro traz biografias de cientistas brasileiras que iniciaram suas carreiras nos anos 1930 e 1940. Cabe uma reflexão sobre a divisão dos papéis masculino e feminino dentro da família, para tentar melhor entender por que a presença feminina no mundo científico mantém-se minoritária. Constata-se que, no Brasil, ainda cabem às mulheres, fortemente, as responsabilidades domésticas e de socialização das crianças, além dos cuidados com os velhos. Assim, ainda que dividindo o espaço doméstico com companheiros, as mulheres têm, na maioria dos lares, maior necessidade de articular os papéis familiares e profissionais. A ideia de que conciliar vida profissional e familiar representa uma dificuldade é reforçada pela análise da população ocupada feminina com curso superior, feita por estudiosos, que constata que cerca de 46% dessas mulheres vivem em domicílios sem crianças. Como as cientistas são pessoas com diplomas superiores, elas estão compreendidas nesse universo. Por outro lado, talvez a sociedade brasileira ainda mantenha uma visão estereotipada – calcada num modelo masculino tradicional – do que seja um profissional da ciência. E certamente faltam às mulheres modelos positivos, as grandes cientistas que lograram conciliar sucesso profissional com vida pessoal realizada. Para quebrar os estereótipos femininos, para que novas gerações possam se mirar em novos modelos, é necessário resgatar do esque cimento figuras femininas que, inadvertida ou delibera da mente, permaneceram ocultas na história da ciência em nosso país. (Adaptado de Hildete P. de Melo e Ligia Rodrigues, Pioneiras da ciência no Brasil. Rio de Janeiro: SBPC. 2006, p. 3-4.) A BUSCA POR VIDA FORA DA TERRA Um sinal eletrônico é emitido pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, sigla em inglês) da NASA, em Pasadena, Califórnia, e viaja até um robô fixado na parte inferior da camada de gelo de 30 centimetros de espessura em um lago do extremo norte do Alasca. O holofote do robô começa a brilhar. “Funcionou!”, exclama Jonh Leichty, um jovem engenheiro do JPL, que está em uma barraca perto do lago congelado. Embora não pareça uma grande façanha tecnológica, esse talvez seja o primeiro passo para a exploração de uma lua distante. Mais de sete mil quilômetros ao sul do Alasca, no México, a geomicrobiológia Penelope Boston caminha por uma água turva que bate em seus tornozelos, em uma gruta, cerca de 15 metros abai xo da superfície. Como os outros cientistas que a acompa nham, Penelope carrega um respirador pesado, além do tanque adicional de ar, de modo que possa sobreviver em meio ao sulfeto de hidrogênio, monóxido de carbono e outros gases venenosos da caverna. Aos seus pés, a água corrente contém ácido sulfúrico. A lanterna no capacete ilumina a gotícula de uma gosma espessa e semitranslúcida que escorre da parede. “Não é incrível?”, exclama. Esses dois locais (um lago congelado no ártico e uma gruta nos trópicos) talvez possam fornecer pistas para um dos mistérios mais antigos e instigantes: existe vida fora do nosso planeta? Criaturas em outros mundos, seja em nosso sistema solar, seja em órbita ao redor de estrelas distantes, poderiam muito bem ter de sobreviver em oceanos recobertos de gelo, como os que existem em um dos satélites de Júpiter, ou em grutas fechadas e repletas de gás, que talvez sejam comuns em Marte. Portanto, se for possível determinar um procedimento para isolar e identificar formas de vida em ambientes igualmente extremos aqui na Terra, então estaremos mais preparados para empreender a busca pela vida em outras partes do Universo. (Adaptada de Michael D. Lemonick. A busca por vida fora da Terra. National Geographic, jul, 2014, p. 38-40.) 26 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 26 Texto para a questão 5. 5. (UNICAMP) – Considerando a notícia transcrita acima, pode-se dizer que a afirmação reproduzida no título (“Robótica não é filme de Hollywood”) a) reitera a baixa qualidade técnica das imagens da demonstração com o exoesqueleto, depreciando a própria realização do experimento com voluntários. b) destaca a grande receptividade da demonstração com o exoes - queleto junto ao público da Copa, superior à dos filmes produzidos em Hollywood. c) aponta a necessidade de maiores investimentos finan ceiros na geração de imagens que possam valorizar a importância de conquistas científicas na mídia. d) sugere que os resultados desse feito científico são muito mais com plexos do que as imagens veiculadas pela televisão permi - tiram ver. Texto para as questões de 6 a 8. 6. (FGV) – O autor inicia o texto pressupondo que o leitor tenha uma reação motivada a) pela discordância. b) pelo estranhamento. c) pela desinformação. d) pelo autoritarismo. e) pela desatenção. 7. (FGV) – Considere as seguintes afirmações relativas à composição do texto: I. Na frase “e plutocracia quer dizer ‘poder dos ricos’”, a expressão destacada poderia ser substituída por uma vírgula, sem prejuízo para o sentido e para a correção gramatical. II. Na locução “vai se instalando”, o verbo auxiliar (“vai”) reforça a ideia de ação durativa expressa pelo gerúndio (“instalando”). III. Ao empregar a palavra “plutocracia”, o autor se per mi te fazer uso da linguagem informal. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) II, apenas. d) III, apenas. e) I, II e III. 8. (FGV) – Por ser composta de radicais de línguas diferentes, a palavra “Facebookracia” é um exemplo de hibridismo, da mesma forma que o termo sublinhado na seguinte frase: a) Na sentença, o juiz optou por uma decisão monocrática. b) Há países que são regidos por governos teocráticos. c) Reclama-se muito das exigências burocráticas para se abrir uma empresa no Brasil. d) Para os gregos, aristocracia era o governo exercido pelos melhores cidadãos da pólis. e) O poder exercido por anciãos era chamado de gerontocracia. “ROBÓTICA NÃO É FILME DE HOLLYWOOD’, DIZ NICOLELIS SOBRE O EXOESQUELETO. Robô comandado por paraplégico foi mostrado na abertura da Copa. Equipamento transforma força do pensamento em movimentos mecânicos. Em entrevista ao G1, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis comentou que inicialmente estava previsto um jovem paraplégico se levantar da cadeira de rodas, andar alguns passos e dar um chute na bola, que seria o “pontapé inicial” do Mundial do Brasil. Mas a estratégia foi revista após a Fifa informar que o grupo teria 29 segundospara realizar a demonstração científica. Na última quinta-feira, o voluntário Juliano Pinto, de 29 anos, deu um chute simbólico na bola da Copa usando o exoesqueleto. Na transmissão oficial, exibida por emissoras em todo o mundo, a cena durou apenas sete segundos. O neurocientista minimizou as críticas recebidas após a rápida apresentação na Arena Corinthians: “Tenham calma, não olhem para isso como se fosse um jogo de futebol. Tem que conhecer tecnicamente e saber o esforço. Robótica não é filme de Hollywood, tem limitações que nós conhecemos. O limite desse trabalho foi alcançado. Os oito pacientes atingiram um grau de proficiência e controle mental muito altos, e tudo isso será publicado”, garante. (Adaptado de Eduardo Carvalho, ‘Robótica não é filme de Hollywood”, diz Nicolelis sobre o exoesqueleto. Disponível em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/06/robotica- nao-e-filme-de-hollywood-diz-nicolelis-sobre-o- exoesqueleto.html. Acessado em 18/06/2014.) FACEBOOKRACIA É isso mesmo que você leu: “Facebookracia”. Assim como democracia quer dizer “poder do povo” e pluto cra cia quer dizer “poder dos ricos”, a palavra Facebookracia é o poder controlado pelo Facebook. Não é bem um regime ou um sistema político, não é uma forma de governo estabelecida numa Constituição, como acontece com o parlamentarismo ou o presidencialismo. A Facebookracia vai se instalando aos poucos, de maneira mais ou menos informal, até que, quando a gente olha, já tomou conta dos processos pelos quais os eleitores tomam decisões. A Facebookracia é a demo cra cia entregue à lógica das redes sociais. Em sua exuberância cibernética até parece democracia, mas é uma deformação da democracia. O termo Facebookracia não é original, embora ainda seja pouco difundido. Buscando na internet, a gente não o encontra em português, mas ele já aparece em outras línguas (Facebookcracy, por exemplo). (Eugênio Bucci, Época, 28/11/2016) – 27 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 27 �MÓDULO 16 – Morfologia e Redação – IV Para responder às questões de 1 a 4, leia o seguinte verbete do Dicionário de comunicação de Carlos Alberto Rabaça e Gustavo Barbosa: 1. (UNESP) – Segundo o verbete, uma característica comum à crônica e à reportagem é a) a relação direta com o acontecimento. b) a interpretação do acontecimento. c) a necessidade de noticiar de acordo com a filosofia do jornal. d) o desejo de informar realisticamente sobre o ocorrido. e) o objetivo de questionar as causas sociais dos fatos. 2. (UNESP) – De acordo com o verbete, o editorial representa sempre a) o julgamento dos leitores. b) a opinião do repórter. c) a crítica a um fato político. d) a resposta a outros veículos de comunicação. e) o ponto de vista da empresa jornalística. 3. (UNESP) – O termo “dogmatismo”, no contexto do verbete, significa: a) desprezo aos acontecimentos da atualidade. b) obediência à constituição e às leis do país. c) ausência de ideologia nas manifestações de opinião. d) opiniões assumidas como verdadeiras e imutáveis. e) conjunto de verdades religiosas. 4. (UNESP) – De acordo com o verbete, o tema de uma crônica se baseia em a) juízos de valor. b) anedotário popular. c) fatos pessoais. d) eventos do cotidiano. e) eventos científicos. Texto para as questões de 5 a 7. 5. (UNIFESP) – Em suas considerações, o personagem Na tureza Morta conclui que a) as pessoas gostam de sair às ruas em dias de chuva. b) a chuva em excesso teve o seu lado positivo. c) o lado bom da chuva foi o comentário nos botecos. d) as pessoas ficam alegres em dias chuvosos. e) a chuva muito agradou aos vendedores de guarda-chu va. 6. (UNIFESP) – Analise as afirmações, com base na frase – Mas que chuvarada, né? Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 7. (UNIFESP) – As expressões no texto utilizadas como equi va - lentes são a) óbvio e comentário (ambas no 1.º parágrafo). b) teimou e bateu ponto (ambas no 1.º parágrafo). c) sem parar (no título) e ininterrupta (no 3.º parágrafo). d) chuvarada (no 2.º parágrafo) e águas (no 3.º parágrafo). e) pelo excesso de uso e de maneira compulsória (ambas no 4.º parágrafo). CRÔNICA Texto jornalístico desenvolvido de forma livre e pessoal, a partir de fatos e acontecimentos da atualidade, com teor literário, político, esportivo, artístico, de amenidades etc. Segundo Muniz Sodré e Maria Helena Ferrari, a crônica é um meio-termo entre o jornalismo e a litera- tura: “do primeiro, aproveita o interesse pela atualidade informativa, da segunda imita o projeto de ultrapassar os simples fatos”. O ponto comum entre a crônica e a notícia ou a reportagem é que o cronista, assim como o repórter, não prescinde do acontecimento. Mas, ao contrário deste, ele “paira” sobre os fatos, “fazendo com que se destaque no texto o enfoque pessoal (onde entram juízos implícitos e explícitos) do autor”. Por outro lado, o editorial difere da crônica, pelo fato de que, nesta, o juízo de valor se confunde com os próprios fatos expostos, sem o dogmatismo do editorial, no qual a opinião do autor (representando a opinião da empresa jornalística) constitui o eixo do texto. (Dicionário de Comunicação, 1978.) CHOVE CHUVA, CHOVE SEM PARAR O óbvio, o esperado. Nos últimos dias, o comentário que tei - mou e bateu ponto em qualquer canto de Curitiba, principalmente nos botecos, foi um só: – Mas que chuvarada, né? De olho no nível das águas do pequeno riacho que passa junto à mansão da Vila Piroquinha, Natureza Morta procurou o lado bom de tanta chuva ininterrupta. Concluiu que, pelo excesso de uso, dispositivo sempre operante, o tempo fez a alegria do pessoal que conserta limpador de para-brisa. Desse pessoal e, nem tanto, de quem vende guarda- chuva. Afinal, do jeito que a coisa andava, agravada pelo frio, a freguesia – de maneira compulsória – praticamente desapareceu das ruas. (Gazeta do Povo, 2/8/2011.) I. O termo chuvarada, conforme o sufixo que o compõe, indica chuva em grande quantidade, da mesma forma como ocorre com os substantivos papelada e crian çada. II. No contexto, o termo Mas deve ser entendido como um marcador de oralidade, sem valor adversativo. III. A frase não é, de fato, uma pergunta, pois traz a cons tatação de uma situação vivida. Portanto, funciona com valor fático, principalmente. 28 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 28 Texto para o teste 8. 8. (FGV) – As palavras do texto que exemplificam as defi nições são, respectivamente: a) poderosos e envelhecimento. b) econômica e economicamente. c) realizado e população. d) especialistas e demográfico. e) bônus e impressionantes. �MÓDULO 17 – Redação – V Texto para as questões de 1 a 6. 1. (FGV) – Das expressões latinas abaixo, todas de largo uso na linguagem culta, a única que contribui para exprimir corretamente uma afirmação presente no texto ocorre na frase: a) Recomenda-se seguir a intuição, ao divulgar informações pelas redes sociais ou, lato sensu, ao retuitá-las. b) As pessoas devem replicar, ipsis litteris, relatos pré-concebidos que circulam na rede. c) O principal objetivo do terrorismo contemporâneo é manter o status quo por meio de mensagens falsas. d) Ao repercutir na internet fatos que causam grande comoção, os internautas devem checá-los a posteriori. e) O debate é uma condição sine qua non para que da tese e da antítese resulte uma síntese. 2. (FGV) – Considerados no contexto, os termos sublinhados nos trechos “com agendas políticas deletérias” e “mera ocupação de espaço” podem ser substituídos, sem prejuízo do sentido, por: a) dissimuladas; fortuita. b) lesivas; plena. c) perniciosas; simples.d) intencionais; trivial. e) usurpadoras; efetiva. 3. (FGV) – Referem-se de forma crítica a um mesmo conceito desenvolvido no texto as expressões dispostas em gradação ascendente em: a) “debate”; “síntese”; “antítese”. b) “mensagem pré-fabricada”; “informações falsas”; “narrativas pré- concebidas”. c) “massivamente”; “congestionamento”; “sobrecarga”. d) “veículos”; “agentes de disseminação”; “fantoches”. e) “impacto”; “desinformação”; “repercussão social”. 4. (FGV) – A frase “tornando o acesso à internet móvel lento ou inexistente” ganha em clareza e precisão se for assim reescrita: a) Transformando em vagaroso o acesso à internet inexistente. b) Transformando a internet móvel num acesso lento e inexistente. c) Tornando a busca pela internet móvel lenta e impossível. d) Tornando a pesquisa na internet móvel morosa e inexistente. e) Tornando lento ou impossível o acesso à internet móvel. 5. (FGV) – Contrastam, quanto à variedade linguística a que pertencem, as seguintes expressões do texto: a) “onda de incerteza”; “sobrecarga nas linhas”. b) “pegar carona”; “replicar qualquer informação”. c) “agentes de disseminação”; “narrativas pré-concebidas”. d) “informações falsas”; “terrorismo contemporâneo”. e) “circular na rede”; “ocupar espaço”. 6. (FGV) – A única frase em que o emprego do pronome “lhe” está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa é: a) O jogador estava convicto de que os torcedores iriam absolver-lhe. b) O freguês foi logo dizendo ao vendedor: no momento, não posso pagar-lhe. c) O atleta supôs que aquele treinamento poderia prejudicar-lhe. d) O réu entrou no tribunal, ciente de que o júri não lhe condenaria. e) Os netos, ao saírem, gritaram: nós lhe amamos, vovó. Por derivação sufixal formaram-se, e ainda se formam, novos substantivos, adjetivos, verbos e, até, advérbios. Os vocábulos formados pela agregação simultânea de prefixo e sufixo a determinado radical chamam-se parassintéticos. (Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo) NA CRISE, VIRAMOS FANTOCHES NA REDE Quando um fato de grande repercussão social ocorre, o primeiro impacto é o congestionamento. Todos buscam se comunicar, gerando sobrecarga nas linhas de celular, tornando o acesso à internet móvel lento ou inexistente. Logo a seguir vem a onda de incerteza e desinformação. No anseio da busca por notícias rápidas, começam a circular na rede vários dados falsos ou imprecisos, que são replicados massivamente. Estudos mostram que as informações falsas circulam três vezes mais que as corretas, publicadas depois. O dano é enorme. A recomendação nesses casos é contraintuitiva: não replicar qualquer informação sem checá-la antes. Evitar o desejo de "participar" do acontecimento retuitando ou compartilhando informações vindas de fontes não confiáveis, por maior que seja o número de pessoas fazendo o mesmo. Nesses momentos de grande comoção e agitação, extremistas com agendas políticas deletérias aproveitam para fazer circular suas mensagens. Esse é um dos principais efeitos desejados pelo terrorismo contemporâneo: criar uma situação de grande agitação na internet e pegar carona nela para disseminar sua mensagem. Situações como essas transformam as pessoas em veículos. Viramos agentes de disseminação ampla de mensagens pré- fabricadas, produzidas intencionalmente por algumas poucas fontes que sabem exatamente o que estão fazendo. O objetivo não é o debate, mas mera ocupação de espaço. São teses e antíteses incapazes de produzir qualquer síntese. Não passam de narrativas pré-concebidas com o objetivo de ocupar espaço. Ronaldo Lemos, Folha de S. Paulo, 28/03/2016. Adaptado. – 29 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 29 7. (UERJ-2018) – A sequência das falas indica uma compreensão do que seja esperança. O recurso não verbal que reforça essa compreensão é: a) exposição da paisagem no primeiro quadrinho. b) representação do movimento no segundo quadrinho. c) duplicação dos personagens no quarto quadrinho. d) ausência do leitor no quinto quadrinho. 30 – P O R T U G U ÊS 3 . aS Os textos a seguir servirão de base para a realização das nove questões objetivas de Língua Portuguesa. DESAFIO DA NOSSA ÉPOCA É LIDAR COM A ABUNDÂNCIA Leandro Narloch, Folha de S.Paulo 25.abr. 2018 às 9h06 A abundância, quem diria, se tornou um problema. A humanidade passou milênios tentando sobreviver à fome, ao desabrigo e à escassez: hoje precisa aprender a lidar com excesso. Temos alimentos demais, bugigangas demais, roupas, carros, embalagem, papéis, remédios, drogas, livros, filmes, eletrônicos e diversões demais. Ainda estamos aprendendo a viver no meio de tantas coisas. É uma delícia de problema, é claro. Até o século 18, a teoria malthusiana fazia sentido. O crescimento da população levava à escassez de comida e assim à diminuição da poluição. Crises de fome ceifavam multidões todos os séculos. A Revolução Industrial nos fez escapar dessa armadilha. Produzindo mais com menos esforço, operamos um milagre: a população explodiu e a riqueza também. A fome, até então uma condição natural da humanidade, se tornou uma anomalia. Luxos que antes eram reservados a reis ou milionários (chás ou janelas com vidros e cortinas, por exemplo) entraram na casa de trabalhadores comuns. É claro que boa parte do mundo ainda enfrenta a fome e a escassez. Mas não é por falta de conhecimento que isso acontece. Pelo contrário, o caminho da prosperidade já está até mais ou menos mapeado e pavimentado. A abundância é um tipo de problema chique, que todo mundo gostaria de ter. Como o da grã-fina que está cansada de passar as férias em Paris. Mas ainda assim é um problema. Artista faz intervenção na avenida Paulista sobre consumismo Marcus Leoni – 10.jan.2016/Folhapress REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 30 Texto 2 Texto de Gilmar Machado, publicado em 8 jan. 2018. Disponível em: <https://www.humorpolitico.com.br/ tag/meio-ambiente/>. Acesso em: 12 mar. 2018. Texto 3 CONSUMO E DESPERDÍCIO: AS DUAS FACES DAS DESIGUAL DADES Ana Tereza Caceres Cortez – Professora adjunta do Departamento de Geografia Instituto de Geociências e Ciências Exatas – IGCE/Unesp, Rio Claro Um dos símbolos do sucesso das economias capitalistas modernas é a abundância dos bens de consumo, continuamente produzidos pelo sistema industrial. Essa fartura passou a receber uma conotação negativa, sendo objeto de críticas que consideram o consumismo um dos principais problemas das sociedades industriais modernas. Consumismo é o ato de consumir produtos ou serviços, muitas vezes, sem consciência. Há várias discussões a respeito do tema, entre elas o tipo de papel que a propa ganda e a publicidade exercem nas pessoas, induzindo-as ao consumo, mesmo que não necessitem de um produto comprado. Muitas vezes, as pessoas compram produtos que não têm utilidade para elas, ou até mesmo coisas desnecessárias apenas por vontade de comprar, eviden - ciando até uma doença. Segundo o Dicionário Hauaiss, consumismo é “ato, efeito, fato ou prática de consumir (‘comprar em demasia’)” e “consumo ilimitado de bens duráveis, especial mente artigos supérfluos”. – 31 P O R T U G U ÊS 3 .a S Muitas más notícias que os jornais publicam hoje são produtos da abundância: o trânsito, a obesidade, a poluição, o lixo, o tempo que crianças gastam em frente a telas. Não só crianças, mas os adultos — que em média tocam 2600 vezes no celular por dia. As pessoas parecem meio perdidas entre tanto conforto e atrações que desviam a atenção. Se perdem em realizações imediatas de consumo, sem foco e força de vontade para perseguir grandes desejos ou objetivos mais ousados. Se o problema já é grave hoje, imagine no futuro.O autocontrole será cada vez mais necessário. Nossos filhos e netos terão que aprender desde cedo a se controlar diante do excesso de comida, de drogas, de opções de vida e de diversão. O mundo capitalista já resolveu o problema da escassez: precisa agora de uma educação para a abundância. Leandro Narloch – Jornalista, mestre em filosofia e autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, entre outros. Disponível em: <https:/www1.folha.uol.com.br/colunas/leandro-narloch/20l8/04/desafio-da-nossa-epoca-e-lidar-com-a-abundancia.shtml>. Acesso em: 25 abr. 2018. 8. (PUC-junho-2018) – Qual o efeito de sentido da oração intercalada “quem diria”, no primeiro parágrafo do texto 1? a) Pontuar o paradoxo observado atualmente entre o desabrigo, a escassez e a fome. b) Reforçar admiração pelo fato de o consumo contribuir para resolver a abundância. c) Demonstrar deslumbramento diante do antigo problema da abundância e do atual problema da escassez. d) Assinalar perplexidade em relação à abundância, antes almejada, mas um problema nos dias atuais. 9. (PUC-junho-2018) – No terceiro parágrafo do texto 1, o autor alega que a teoria malthusiana fazia sentido ate o século XVIII com base na ideia de a) o crescimento demográfico gerar a falta de alimentos e a fome. b) a escassa cadeia produtiva alimentícia promover aumento populacional. c) a população mundial aumentar e, consequentemente, aumentar a quantidade de alimentos. d) o aumento populacional ser o responsável pelo au mento da poluição. 10. (PUC-junho-2018) – Em “imagine no futuro”, a quem o autor do texto 1 se dirige no penúltimo parágrafo? a) Ao cidadão adepto da teoria malthusiana. b) Ao leitor da coluna. c) À grã-fina cansada de ir a Paris. d) À população em descontrolado crescimento. REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 31 11. (PUC-junho-2018) – Entre as várias acepções que o verbo mudar abarca, a resposta do homem, no Texto 2, contempla a ideia de a) deixar o lugar onde eles vivem por outro. b) incitar que a relação conjugal deles tome outro rumo. c) alterar o local onde eles jogam o lixo. d) modilicar o comportamento deles em relação ao lixo. 12. (PUC-junho-2018) – No terceiro parágrafo do texto 3, são empregadas as seguinte notações especiais: itálico, aspas e parênteses. Indique, respectivamente, as finalidades de tais usos. a) Explicitar autoria, introduzir fala e indicar ironia. b) Assinalar título, fazer citação e apresentar explicação. c) Demarcar citação, apontar autoria e revelar exemplificação. d) Evidenciar título, externar explicação e sinalizar citação. 13. (PUC-junho-2018) – Qual a relação de sentido que os elementos coesivos destacados no texto 3 estabelecem, de acordo com ordem em que são empregados? a) Eventualidade, concessão, contraste e abrangência. b) Exceção, temporalidade, contradição e esclarecimento c) Concessão, frequência, oposição e explicação. d) Inclusão, frequência, contraste e temporalidade. 14. (PUC-junho-2018) – A pergunta retórica “Mas como fazer para não aderir ao perfil consumista?”, presente no último parágrafo do texto 3, tem função de a) desencadear reflexão sobre algo que não se questiona, além de estimular uma resposta imediata do interlocutor, ou seja, fazer que o interlocutor responda à autora. b) demandar uma resposta retórica dos leitores, isto é, que eles se dirijam à autora com um discurso ornamentado com figuras de linguagem. c) criar interesse no leitor e levá-lo a refletir sobre algo que é inques - tionável, ainda que não demande obtenção de resposta do leitor. d) introduzir um apelo à leitura e impor uma resposta imediata do interlocutor, que deverá atender ao que necessitam muitos brasileiros. 15. (PUC-junho-2018) – Em relação à linguagem empregada na construção dos textos: a) no texto 1, predomina o registro formal, de modo a garantir a credibilidade de quem escreve; no texto 3, a informalidade, pois o assunto, por ser complexo, precisa ser facilitado. b) no texto 1, sobressai-se a informalidade, por ser essa a marca dos textos publicados na internet; no texto 3, prepondera o registro informal, pois essa é uma das características dos textos acadêmicos. c) no texto 1, há a presença de algumas ocorrências informais, a fim de estabelecer mais proximidade com o leitor; no texto 3, prevalece a formalidade, por causa do contexto acadêmico em que circula o texto. d) no texto 1, sobressaem características de regionalis mos; no texto 3, recorrem usos típicos da coloquia lidade, por se tratar de texto retirado da internet. 16. (PUC-junho-2018) – A perspectiva temática comum nos três textos diz respeito a) ao consumismo ser um mal que vem para o bem. b) à presença da teoria malthusiana, que perdura até os dias atuais. c) à abundância do consumo e sua conotação positiva. d) às consequências decorrentes de hábitos consumistas. Texto para as questões de 17 a 19. 17. (INSPER-2018) – Considerando-se as informações apresentadas, o seu contexto de produção e de circulação, conclui-se que o texto da Folha é a) uma crônica, em que se apresentam, com bom humor e parcialidade, os acertos e erros na busca de energia nos dias de hoje. ESTOCAR VENTO E LUZ A cultura no setor elétrico se formou na abundância de recursos hídricos, fonte renovável que fez da matriz nacional uma das mais limpas do planeta. Só regrediu, em matéria ambiental, com a crise de 2001, quando nos agarramos às poluidoras termelétricas. Desde então, as energias alternativas decolaram. Hoje, os parques eólicos somam uma capacidade instalada equivalente à potência de uma central hidrelétrica como a controversa Belo Monte. Algo comparável deve acontecer com a eletricidade obtida da luz solar por painéis fotovoltaicos. Neste ano, ela alcançará a marca de 1 GW implantado, o que fará o Brasil ingressar num clube com não mais que duas dezenas de países. São quase 10 mil conjuntos de placas disseminados pelo país, quase 80% em telhados residenciais. Se a novidade se espalhar pelos tetos de galpões industriais e comerciais, o potencial de investimento é de R$ 6,8 bilhões, estima a associação do setor, ABSolar. Há projetos para instalar até 5 GW nos próximos anos, mas a crise econômica, que arrefeceu a demanda por energia, levou o governo a suspender o leilão de 2016 para novas usinas solares e eólicas. O caderno especial da Folha [28/04/2017] traz um artigo do físico José Goldemberg chamando a atenção para a necessidade de otimizar o fornecimento de eletricidade não só com base no preço – quesito em que hidrelétricas ainda são campeãs – mas também na sustentabilidade, em que brilham a solar e a eólica. Não deixaria de ser, aliás, uma maneira de estocarmos vento e luz na forma de água, poupando-a nos reservatórios das hidrelétricas. (Folha de S.Paulo, 01.05.2017. Adaptado) O simples “consumo” é entendido como as aquisições racionais, controladas e seletivas baseadas em fatores sociais e ambientais e no respeito pelas gerações futuras. Já o consumismo pode ser definido como uma compulsão para consumir. Mas como fazer para não aderir ao perfil consumista? A fórmula clássica e aparentemente simples é distinguir o essencial do necessário e o necessário do supérfluo. No entanto, é muito difícil estabelecer o limite entre consumo e consumismo, pois a definição de necessidades básicas e supérfluas está intimamente ligada às características culturais da sociedade e do grupo a que perten cemos. O que é básico para uns pode ser supérfluo para outros e vice-versa. Trecho de CORTEZ, Ana Tereza Caceres. Consumo e desperdício: as duas faces das desigualdades. In: CORTEZ, A.T.C.; ORTIGOZA, S.A.G. (Org.). Da produção ao consumo: impactos socioambientais no espaço urbano. São Paulo: UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009. Disponível em: <http://books. scielo.org/id/n9brm/pdf/ortigoza-9788579830075- 03.pdf>. Accssoem: 20 abr. 2018. [Adaptado] 32 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 32 b) um relato, em que se expõem, com humor e imparcialidade, as perspectivas de adoção de tecnologias energéticas sustentáveis. c) um editorial, em que se discutem opções de energia adotadas no Brasil, destacando a ascensão das energias sustentáveis. d) uma notícia, em que se detalham aspectos relevantes relacionados ao potencial energético do Brasil na contemporaneidade. e) uma reportagem, em que se discutem objetivamente fatos da controversa disputa brasileira por energia sustentável. 18. (INSPER-2018) – É correto afirmar que a citação das ideias do físico José Goldemberg a) contradiz a tese do texto, segundo a qual o ingresso do Brasil num grupo seleto de exploração de energia solar está por acontecer. b) corrobora a tese do texto, segundo a qual as energias solar e eólica podem gerar economia de energia de fontes hídricas. c) refuta a tese do texto, segundo a qual o futuro das energias sustentáveis ainda está indefinido no Brasil, por falta de investimento. d) enfatiza a tese do texto, segundo a qual energias alternativas são incapazes de suplantar o potencial energético das termelétricas. e) reformula a tese do texto, segundo a qual a crise econômica responde pela suspensão de leilões de usinas solares e eólicas. 19. (INSPER-2018) – A passagem do texto em que o termo destacado expressa um argumento do autor para reforçar uma ideia é: a) São quase 10 mil conjuntos de placas disseminados pelo país... b) Hoje, os parques eólicos somam uma capacidade instalada... c) Não deixaria de ser, aliás, uma maneira de estocarmos vento e luz na forma de água... d) Algo comparável deve acontecer com a eletricidade obtida da luz solar... e) Há projetos para instalar até 5 GW nos próximos anos... �MÓDULO 18 – Redação – VI Texto para a questão 1. 1. (3.a Aplicação) – O poema de Jorge de Lima sintetiza o percurso de vida de Maria Diamba e sua reação ao sistema opressivo da escravidão. A resistência dessa figura feminina é assinalada no texto pela relação que se faz entre a) o uso da fala e o desejo de decidir o próprio destino. b) a exploração sexual e a geração de novas escravas. c) a prática na cozinha e a intenção de ascender socialmente. d) o prazer de sentir os ventos e a esperança de voltar à África. e) o medo da morte e a vontade de fugir da violência dos brancos. Texto para as questões de 2 a 6. 2. (ESPM) – Conforme o autor: a) Numa sociedade, em que as ligações são mais importantes do que as leis universais, não existem hierarquias. b) Os senhores e escravos se estimam quando há intimidade, confian - ça e consideração e, portanto, não há discriminação social. c) Hierarquia, intimidade, confiança e consideração não estão neces - saria mente em oposição. d) Só há discriminação social quando as leis que governam valem menos que as ligações entre as pessoas. e) Quando leis universalizantes são consideradas fundamentais, então é possível haver intimidade, confiança e consideração. 3. (ESPM) – Segundo o texto: a) O escravo nunca ameaçava o senhor quando havia intimidade, confiança e consideração. Numa sociedade fortemente hierar - quizada, onde as pessoas se ligam entre si e essas ligações são consideradas como fundamentais (valendo mais, na verdade, do que as leis universalizantes que governam as instituições e as coisas), as relações entre senhores e escravos podiam se realizar com muito mais “intimidade, confiança e conside - ração”. Aqui, o senhor não se sente ameaçado ou culpado por estar submetendo um outro homem ao trabalho escravo, mas, muito pelo contrário, ele vê o negro como seu “complemento natural”, como um “outro” que se dedica ao trabalho duro, mas complementar às suas próprias atividades que são as do espírito. Assim a lógica do sistema de relações sociais no Brasil é a de que pode haver intimidade entre senhores e escravos, superiores e inferiores, porque o mundo está realmente hierarquizado, tal qual o céu da Igreja Católica, também repartido e totalizado em esferas, círculos, planos, todos povoados por anjos, arcanjos, querubins, santos de vários méritos etc., sendo tudo consolidado na Santíssima Trindade, todo e parte ao mesmo tempo; igualdade e hierarquia dados simultaneamente. O ponto crítico de todo nosso sistema é a sua profunda desigualdade.(...) Neste sistema, não há necessidade de segregar o mestiço, o mulato, o índio e o negro, porque as hierarquias asseguram a superioridade do branco como grupo dominante. (Roberto da Matta, Relativizando – Uma Introdução à Antropologia Social.) MARIA DIAMBA Para não apanhar mais falou que sabia fazer bolos: virou cozinheira. Foi outras coisas para que não tinha jeito. Não falou mais: Viram que sabia fazer tudo, até molecas para a Casa-Grande. Depois falou só, só diante da ventania que ainda vem do Sudão; falou que queria fugir dos senhores e das judiarias deste mundo para o sumidouro. LIMA, J. Poemas negros. Rio de Janeiro: Record, 2007. – 33 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 33 b) As relações familiares criadas entre senhores e escravos acabaram lançando as bases das leis universalizantes. c) Em sistemas sociais fortemente hierarquizados, o trabalho escravo substituía as atividades do espírito. d) Em sociedade hierarquizada, senhores e escravos eram percebidos naturalmente como complementares. e) Hierarquia e complementaridade são formas naturais de relações sociais. 4. (ESPM) – Depreende-se do texto que: a) o sentimento de culpa do senhor, gerado pelo grau de intimidade com o negro escravo, ficava escamoteado. b) a ideia de trabalho escravo era relativizada pelas relações existentes entre senhores e escravos. c) a Igreja Católica possui um modelo hierárquico herdado de um sistema escravocrata de relações. d) dadas as relações amistosas, havia, embora de modo parcial, igualdade entre senhores e escravos. e) numa sociedade em que um grupo social é superior, justifica-se manter a segregação de grupos considerados inferiores. 5. (ESPM) – “igualdade e hierarquia dados simultaneamente. O ponto crítico de todo nosso sistema é a sua profunda desigualdade.” No contexto, ao fazer essa afirmação, o autor dá a entender que: a) caiu em contradição nos seus postulados. b) hierarquia e desigualdade são antônimos. c) hierarquia deveria ser simultânea a desigualdade. d) o ponto crítico da igualdade é a desigualdade. e) a igualdade a que se refere é apenas aparente. 6. (ESPM) – O vocábulo Aqui no segundo período se reporta a: a) “relações entre senhores e escravos” b) “sociedade fortemente hierarquizada” c) “leis universalizantes” d) “instituições e coisas” e) “trabalho duro” Leia o texto de Ruy Castro para responder às questões de 07 a 10. 7. (SÃO CAMILO-2018) – Na opinião do autor, a) as facilidades das casas do futuro não são garantia de que os homens se dediquem a atividades de cunho intelectual. b) os avanços disponibilizados nas casas do futuro farão com que as pessoas disponham de menos tempo para realizar novas tarefas cotidianas. c) os moradores das casas do futuro continuarão a dedicar parte de seu tempo à execução de tarefas domésticas, porque isso não lhes diminui a inteligência. d) as casas do futuro levarão os indivíduos a executar tarefas domésticas que os tornarão seres mental e espiritualmente mais elevados. e) as habilidades cognitivas dos proprietários das casas do futuro serão constantemente ampliadas para acompanhar a renovação tecnológica. 8. (SÃO CAMILO-2018) – No contexto do terceiro parágrafo, o pronome destacado em “o bicho o leva até lá” refere-se ao a) número selecionado ao se acionar o elevador.b) botão acionado, que faz o elevador se mover. c) elevador, que é também chamado de “bicho”. d) usuário do elevador, identificado pela palavra “você”. e) andar até o qual se deseja subir ou descer. 9. (SÃO CAMILO-2018) –“No futuro, a porta da casa dispensará a chave — abrirá ao contato com a sua impressão digital.” (2.o parágrafo) Preservando-se o sentido original da frase, o travessão pode ser substituído por vírgula seguida da conjunção a) “como”. b) “pois”. c) “porém”. d) “senão”. e) “embora”. começará a funcionar automaticamente, de acordo com a temperatura; as músicas da sua vida surgirão de alguma fonte no volume que você achar ideal. As mãos serão reservadas a práticas mais nobres, porque muita coisa que, até há pouco, ainda dependia delas será resolvida pelo comando de voz. Hoje, ao tomar certos elevadores,você já não precisa apertar um botão — basta dizer o número do andar e o bicho o leva até lá. Em breve, poderá fazer isto também com os eletrodomésticos, do aspirador, que, obedecendo à sua ordem verbal, sairá cafungando por conta própria pelo seu apartamento, ao chuveiro, que ficará pelando, gelado ou médio de acordo com o seu tom de voz. Enfim, será um admirável mundo novo, como nem Aldous Huxley4 ousou imaginar. Liberados das tarefas prosaicas, resta ver de que se ocuparão nossas poéticas cabeças. Francamente, não faço muita fé. (www.folha.uol.com.br, 22.05.2017. Adaptado.) 1Platão (427 a.C.?-347 a.C.?): filósofo da Grécia Antiga. 2Miguel de Cervantes (1547-1616): escritor espanhol, criador do personagem D. Quixote. 3Humphrey Bogart (1899-1957): ator estadunidense. 4Aldous Huxley (1894-1963): escritor inglês, autor do romance Admirável mundo novo. ADMIRÁVEL MUNDO NOVO Os jornais deram: a casa do futuro será fabulosamente inteligente. Pelo que entendi, ela dispensará seu morador de ter de decidir se espana ou passa um pano nos móveis, fecha ou abre uma torneira e dá ou não descarga no vaso.Ou seja, cada vez menos esse morador precisará usar a própria inteligência na intimidade do lar. Isso não será de todo mau. O ser humano, descendente de Platão1, Cervantes2 e Humphrey Bogart3, nasceu para coisas mais importantes do que escolher entre lavar ou deixar de lavar as caçarolas. No futuro, a porta da casa dispensará a chave — abrirá ao contato com a sua impressão digital. As luzes se acenderão assim que você adentrar o recinto e se apagarão à medida que for mudando de aposento. E não só. O ar condicionado ou a calefação 34 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 34 10. (SÃO CAMILO-2018) – Assinale a alternativa cuja frase está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. a) Desde as funções do aspirador às temperaturas do chuveiro, tudo serão regulados automaticamente, a partir das ordens verbais com que receberem de nós. b) Platão, Cervantes e Humphrey Bogart são inspiração aos homens modernos, que partilha uma série de preocupações que ultrapassam lavar ou não as caçarolas. c) Tendo em vista que muito do que ainda depende das mãos passará a ser realizado por comando de voz, será possível reservá-las a práticas mais nobres. d) Espanar ou passar um pano nos móveis, fechar ou abrir uma torneira, dar ou não descarga no vaso são escolhas as quais não teremos de nos preocupar. e) Nas casas do futuro, tudo leva a crer de que o volume das músicas da sua vida serão reguladas de acordo com o que você considerar ideal. Leia o poema de Mario Quintana para responder às questões 11 e 12. 11. (SÃO CAMILO-2018) – Na representação da casa, o eu lírico faz uso a) da personificação, evidente em: “A casa escuta… Meu Deus! a casa está louca, ela não sabe”. b) da antítese, evidente em: “em seu lugar se ergue um monstro de cimento e aço”. c) do pleonasmo, evidente em: “e esse eterno desentendido entre o Espaço e o Tempo”. d) da hipérbole, evidente em: “a coitadinha da velha casa!”. e) do eufemismo, evidente em: “a casa é um fantasma”. 12. (SÃO CAMILO-2018) – A temática abordada no poema diz respeito a) aos benefícios que o progresso pode trazer aos que viveram em casas velhas. b) ao redimensionamento do tempo, que não se mostra adequado ao espaço da casa. c) à solidão das casas velhas, que cria fantasmagorias nas noites insones do eu lírico. d) ao convívio harmônico entre crianças e pássaros que deixaram de habitar a casa velha. e) à nostalgia devida às transformações que os lugares sofrem com o passar do tempo. Texto para as questões 13 e 14. 13. (UNIFEV-2018) – É correto atribuir esses versos a a) Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa, pela linguagem erudita e pela aceitação resignada da adversidade. b) Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa, pelo discurso pessimista e intimista e pela linguagem fragmentária. c) Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, pela afirmação da realidade tal como se apresenta aos sentidos. d) Fernando Pessoa, ele mesmo, pela insatisfação diante das coisas e pelo emprego excessivo de antíteses e paradoxos. e) Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, pela temática futurista e pelo espírito aflito diante das transformações imediatas. 14. (UNIFEV-2018) – Um tema evocado pelo poema, que perpassa a obra de Fernando Pessoa e de seus heterônimos, diz respeito à a) exaltação da estética clássica. b) sujeição da natureza aos desígnios humanos. c) perda da experiência lúdica na infância. d) defesa dos valores da filosofia tradicional. e) transitoriedade das coisas. As bolas de sabão que esta criança Se entretém a largar de uma palhinha São translucidamente uma filosofia toda. Claras, inúteis e passageiras como a Natureza, Amigas dos olhos como as cousas1, São aquilo que são Com uma precisão redondinha e aérea, E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa, Pretende que elas são mais do que parecem ser. Algumas mal se veem no ar lúcido. São como a brisa que passa e mal toca nas flores E que só sabemos que passa Porque qualquer cousa se aligeira em nós E aceita tudo mais nitidamente. (www.dominiopublico.gov.br) 1cousa: coisa. A CASA FANTASMA A casa está morta? Não: a casa é um fantasma, um fantasma que sonha com a sua porta de pesada aldrava1, com os seus intermináveis corredores que saíam a explorar no escuro os mistérios da noite e que as luas, por vezes, enchiam de um lívido2 assombro… Sim! agora a casa está sonhando com o seu pátio de meninos pássaros. A casa escuta… Meu Deus! a casa está louca, ela não sabe que em seu lugar se ergue um monstro de cimento e aço: há sempre uma cidade dentro de outra e esse eterno desentendido entre o Espaço e o Tempo. Casa que teimas em existir a coitadinha da velha casa! Eu também não consegui nunca afugentar meus pássaros. (Baú de espantos, 1986.) 1aldrava: tranca. 2lívido: pálido. – 35 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 35 36 – P O R T U G U ÊS 3 . aS � MÓDULO 1 1) A prática social mencionada é a do reconhecimento “de um conjunto de bens materiais ou imateriais fruto de uma decisão que partiu da identificação de algo que merecia ser destacado, retirado de certo fluxo corriqueiro das coisas, da rotina cotidiana: um bem tido como especial. A esse bem chama-se bem patrimonial.” Resposta: A 2) O fato de que há grupos sociais que atribuem valores diferenciados aos seus bens materiais e imateriais permite que seja possível que algo tido como patri mô nio histórico por certo grupo social possa ser revisto por outro. Assim uma estátua de um herói pode ser descaracterizada a partir do ponto de vista de um grupo social diferente, em diverso momento histórico. Resposta: E 3) O reconhecimento do vilarejo chamado “Javé” como “patrimônio” foi a solução encontrada para que elanão fosse submersa. Resposta: A 4) Solicita-se a “reivindicação de posse”, ou seja, há a demanda pelo reconhecimento de que o vilarejo se torne um patri - mônio, para que não ocorra o seu esquecimento, o seu não reconhecimento, expresso pela metáfora “submersão”. Resposta: D 5) Trata-se da relação entre termos, partindo-se do particular para o geral. Resposta: A 6) Nos parágrafos 2 e 3, a palavra “patrimônio” pode ser entendida como algo relevante para dada comunidade, relevância atribuída de forma consensual e merece dora de ser transmitida a gerações futuras. Resposta: C 7) A locução “precisa ser” evidencia uma ordem a ser seguida, a necessidade de cumprimento de uma exigência. Resposta: B 8) A conjunção “contudo” expressa ideia de oposição (restrição) ao que foi dito no período anterior. Resposta: C 9) Segundo o texto, não houve debate sobre um patri mô nio que estava prestes a ser perdido, porque houve, desde a Primeira República (1889-1930), interesse em se desfazer de construções antigas. Resposta: D 10) A paráfrase apresentada condiz com o significado do trecho do texto. Resposta: A 11) O emprego do artigo indefinido “uma” indica uma nova informação, recuperada pela expressão “dessa fala”. Resposta: B 12) Em I, os termos lugar e comum (lugar-comum) não pertencem à mesma classe gramatical: o primeiro é substantivo e o segundo, adjetivo. Em II, ambos os termos, imaterial e intangível, são formados pelo prefixo negativo -in. Em III, guarda-chuva não foi empregado em sentido literal, mas um sentido figurado, significando tudo que abrange ou faz parte da “cultura”. Resposta: A � MÓDULO 2 1) Os versos em que está o verbo deixar estão em ordem indireta (hipérbato) e para analisar as relações sintáticas é necessário colocá-los em ordem direta: o tempo deixou uma oferenda ao velho paredão num cacto em flor ensan guentado. Assim, “o tempo” é sujeito; “uma oferenda”, objeto direto; “a que” (pronome relativo que retoma “velho paredão”) funciona com objeto indireto e “num cacto em flor ensanguentado” é adjunto adverbial. A mesma estrutura sintática ocorre em “Emprestei por dois dias minha namorada ao inimigo”, em que “minha namorada” é objeto direto; “a um inimigo” é objeto indireto e “por dois dias” é adjunto adverbial. Resposta: D 2) Segundo o texto, o cânhamo pode ser considerado benéfico, pois “entra na produção de 20 mil produtos importantes para a humanidade”. Já a maconha, de acordo com cientistas da Califórnia “dá câncer”. Sobre ela, há no texto também a menção de produção de “maus sonhos”. Daí ser a maconha, não o cânhamo, potencialmente perigosa. Resposta: C 3) O trecho escolhido evidencia nítido contraste entre as conclusões cien tíficas relativas à maconha. Enquanto os cientistas californianos afirmam que ela provoca câncer, os ingleses dizem que ela cura esse mal. Resposta: A RESOLUÇÃO DOS EXERCÍCIOS-TAREFA REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 36 4) A primeira oração do enunciado é adverbial condicional, seguida da oração principal. O mesmo ocorre na alternativa d, em que a ideia de hipótese ou condição é dada pelo verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo (fosse) em correlação verbal com o futuro do pretérito (teria). Resposta: D 5) O texto separa os conceitos de “desenvolvimento econômico” e de “desenvolvimento”. O primeiro é referente ao “aumento da capacidade de uma sociedade produzir mais bens e de uma maneira melhor”. É meramente capitalista. O segundo leva em conta a finalidade social, trazendo uma mudança para melhor a todos os membros da sociedade, não é um enfoque apenas nos bens materiais que servem à classe social hegemônica. Resposta: B 6) O verbo entronizar é derivado de trono e significa “se tornar elevado, sublime, glorioso”. Resposta: A 7) A conjunção logo é coordenativa conclusiva, assim como portanto e por conseguinte. Resposta: C 8) “Melhores” é a forma plural do grau comparativo de superioridade do adjetivo bom. É uma forma irregular que indica algo que é muito bom, superior aos demais. Resposta: E � MÓDULO 3 1) Segundo Tião Rocha, “todo processo eletivo é um processo de exclusão e tudo que exclui não é edu ca ti vo”. Esse processo discrimina aquele que não acom panha essa pedagogia, caracterizada por ser eletiva e excludente, afastando os que não a acompanham. Resposta: D 2) Há a elipse da palavra “pergunta”: “Pergunta seguida da resposta certeira”. Resposta: A 3) A conjunção coordenativa adversativa porém foi empregada entre as orações para estabelecer uma oposição entre a valorização benigna e a maligna da malandragem. Resposta: D 4) A publicidade pretende mostrar que os verdadeiros problemas não são o número de outdoors, mas ques tões sociais mais importantes, como a miséria extrema. Resposta: C 5) O enunciado está mal formulado, porque a preposição por, que o inicia, refere-se à causa de o texto ser um artigo de divulgação científica. O que se espera desse gênero textual é que a linguagem seja técnica e impessoal, mas pelo contrário, ela é “acessível e divertida”, segundo o gabarito oficial. Por isso, o enunciado deveria ter-se iniciado com uma concessiva: “embora seja um artigo de divulgação científica…” Isso pode ter induzido o candidato a erro. Resposta: C 6) O trecho tem teor irônico, pois, obviamente, tal quantidade de grãos não seria para consumo pessoal. Resposta: E 7) O verbo conjugado no imperfeito do indicativo era, passa para o presente do indicativo sou, na transposição do discurso indireto para o direto, pois desse modo se mantém o aspecto durativo. Resposta: E 8) A única alternativa em que não há ideia de função exponencial ou progressão geométrica é a d. Resposta: D 9) O eufemismo ocorre na frase indicada na alternativa a, pois fica implícita a ideia da morte do grão-vizir na palavra “vizirmat”, construída por aglutinação de “vizir” (grão- vizir) e “mat” (morto), mesmo processo de formação de “shakhmat”: “shakh” (rei) e “mat” (morte). Resposta: A 10) É paradoxal a ideia de que um rei fique extasiado com um jogo que tem como objetivo a morte do rei. Resposta: B � MÓDULO 4 1) Ambos os especialistas defendem a gravidade da quebra de sigilo médico. Mauro Aranha, presidente do CREMESP, afirma que não é pela falta de cassações nos últimos anos que se trata de falha menos grave, e o estudo de Diego Adão Fanti Silva afirma que é ilegal e antiética a divulgação de imagens de pacientes, ainda que haja autorização e mesmo sem identificar o paciente. Resposta: C 2) São ambos casos de zeugma de expressões utilizados nos parágrafos anteriores: 39 processos éticos foram inocentados e 48 (processos éticos) julgados culpados. A maioria (26 processos éticos)... e 22 (processos éticos). Resposta: C – 37 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 37 38 – P O R T U G U ÊS 3 . aS 3) A primeira ocorrência de aspas destaca citação de fala do desembargador Diaulas Costa Ribeiro, e a segunda, o título da mesa-redonda “Panorama atual das mídias sociais e aplicativos na medicina contemporânea”. Resposta: B 4) O médico e professor da UnB sustenta suas ideias como apoio ao Código de Ética Médica (CEM) da Lei do Ato Médico, ou seja, usa argumentos de autoridade para fundamentar sua opinião. Resposta: D 5) A alternativa correta traz uma paráfrase do trecho: “ ‘Dr. Google’ – termo que utiliza para indicar as buscas por informações médicas na internet – gerou um novo tipo de paciente, que passou a conhecer mais sobre as doenças e por isso, exige um novo relacionamento com seu médico”. Resposta: A 6) Em um texto dissertativo, considera-se tese o primeiro parágrafo que, no caso, se refere ao aumento de violência contra médicos e enfermeiros. Ao longo do texto, o autor especificaas causas políticas e sociais que desencadeiam ações agressivas por parte dos pacientes. Nos parágrafos finais, o autor exorta mé dicos e pacientes a serem tolerantes. Resposta: C 7) De acordo com o terceiro parágrafo, haverá um plano piloto de intervenção, que será multiplicado pelo Estado de São Paulo, caso o resultado desse plano inicial dê resultados promissores. Resposta: A 8) As causas da violência contra médicos e enfermeiros não dizem respeito exclusivamente à relação entre eles e os pacientes, mas estão ligadas à negligência gover na mental, à falta de leitos e medicamentos, ao sucateamento dos hospitais entre outras. Resposta: C 9) O pronome “lhes” retoma “ao pacientes”, já mencio nado no início do período. “Aos pacientes” é objeto indireto do verbo caber, assim como o pronome lhes, objeto indireto pleonástico. Resposta: C 10) A preposição “para” estabelece relação de finalidade com a oração anterior. O advérbio “simultaneamente” apresenta circunstância de tempo simultâneo (“con co mitância”). A conjunção “se” estabelece relação de condição com a oração seguinte. A conjunção coorde nativa “contudo” estabelece relação de oposição com o período anterior. Resposta: D � MÓDULO 5 1) Os poemas de Sá de Miranda, tanto na medida velha como na medida nova, põem à mostra as inquietações oriundas da transição do mundo medieval para o mundo moderno. Seus versos, portanto, já expressam a passagem do mundo teocên - trico para o mundo antropocêntrico. Resposta: B 2) Camões aponta para o conflito entre razão — a consciência que o eu lírico tem de que está perdido de amor — e senti - mento — um mal que ele sente, mas não entende. Resposta: D 3) O “jogo” amoroso assemelha-se às vezes a um naufrágio em mar bravio. O amante, que muitas vezes “ignora” a razão, perde o “lenho” e naufraga no “mar do amor”. Resposta: C 4) Em “flores canoras, pássaros fragrantes”, mesclam-se as sensações auditiva (“canoras” = cantantes) e olfativa (“fragrantes” = perfumados). Resposta: A 5) A frase “O céu não vestia seus horizontes de mil cores” está em ordem direta, isto é, apresenta a seguinte organização: sujeito + verbo + complemento verbal. Resposta: C 6) A linguagem barroca marca-se por inversões, faz uso de alegorias, símiles, contrariando, portanto, o que se afirma na alternativa a. Resposta: A 7) Cláudio Manuel da Costa enquadra-se no Arcadismo brasileiro, período que se caracteriza pela retomada dos valores clássicos, o que permite também a nomeação de Neoclassismo para esse movimento literário. Resposta: E 8) O Arcadismo resgata os temas clássicos do locus amoenus (“lugar ameno”), inutilia truncat (“corta o inútil”) e fugere urbem (“fugir da cidade”), que estabelecem com a vida campesina o ideal de harmonia, simplicidade e tranquilidade possíveis longe dos centros urbanos. Resposta: D 9) O movimento da Conjuração Mineira coincide com o Arcadismo brasileiro, período em que a exploração das minas desloca o centro econômico, político e artístico do Nordeste para o Sudeste brasileiro. Resposta: A REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 38 � MÓDULO 6 1) C 2) C 3) Iracema está triste, pois sente-se abandonada por Martim, que partira com Poti para lutar nas guerras contra o europeu invasor. Assim, tem dificuldade em alimentar-se, o que complica seu restabelecimento no pós-parto e dificulta o processo de amamentação de seu filho, Moacir. Resposta: B 4) O romance Iracema, de José de Alencar, é tido como “um verdadeiro poema em prosa” pela profusão de elementos característicos do texto chamado poético: figuras de estilo e exploração da musicalidade. A alternativa d apresenta impropriedade reducionista, pois considera apenas a anáfora como recurso poético utilizado, ignora uma série de procedimentos estilísticos poéticos. Resposta: D 5) O comentário feito por José Paulo Paes e Massaud Moisés refere-se a José de Alencar, autor de destaque do Romantismo brasileiro. Alencar é considerado pela crítica “fundador da literatura brasileira”, por ter realizado uma vasta obra a respeito dos tipos humanos do Brasil, suas regiões e diferentes momentos históricos, criando assim um vasto panorama da formação nacional. Resposta: C 6) Como afirmou o linguista russo Roman Jakobson, a função poética faz da linguagem um espetáculo, pondo em relevo a sua construção. Resposta: A 7) Nas Memórias de um Sargento de Milícias, o narrador é de terceira pessoa e onisciente, pois ele sabe tudo sobre o passado, presente e futuro das personagens. Resposta: A 8) A resposta a este teste pode ser comprovada na passagem: “E este nascimento [o de Leonardo] é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói desta história.” Resposta: C � MÓDULO 7 1) O que se afirma na alternativa c é o oposto do que propôs o Realismo, que procurou realizar crítica social e de alcance universal. Resposta: C 2) O emprego da metalinguagem, a proposta autorreflexiva, a conversa com o leitor, o qual se torna “participante ativo e não passivo”, são marcas da narrativa machadiana em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Resposta: E 3) É de feitio realista — de um realismo irônico, típico do autor — o retrato que o narrador esboça de Cotrim, avarento e contrabandista de escravos. Resposta: A 4) O erro da afirmação II está em que os escravos só figuram marginalmente no romance em questão. Resposta: D 5) Tratar-se-ia de uma exageração da parcimônia, ou seja, do hábito de fazer economia. Resposta: B 6) D 7) O estudo dos temperamentos das personagens “dominadas pelos nervos e pelo sangue”, arrastadas “pelas fatalidades da própria carne”, é base de proposta naturalista, iniciada na França por Émile Zola. Resposta: C 8) A classificação dos comportamentos humanos como patologias é um traço típico do Naturalismo. No trecho transcrito de O Cortiço, a com pulsão do capitalista primitivo na busca obsessiva do dinheiro é chamada “febre”, “moléstia nervosa”, “loucura”. Resposta: A � MÓDULO 8 1) Em I, o Simbolismo é aproximado do antirracionalismo ro - mân tico; em II, do formalismo parnasiano. Resposta: E 2) A 3) Em Os Sertões, Euclides da Cunha faz uso de termos eruditos e científicos, além de regionalismos e neologismos que em nada comprometem o “valor literário” do romance, considerado, por muitos, como uma epopeia da Língua Portuguesa. Além disso, o livro segue o esquema do Determinismo de Taine, associado a teses e princípios científicos em destaque à época da criação da obra. Resposta: B – 39 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 39 4) As informações constantes no excerto de História Concisa da Literatura Brasileira fazem referência ao “livro singular” Os Sertões (1902), que aborda a Guerra de Canudos (1897), analisando, a partir desse fato, a realidade geográfica, política e cultural do Brasil. Os Sertões oscilam “entre a literatura e a sociologia”, apresentam divisão tripartite, rigidamente determinista: A Terra, o Homem, a Luta. Resposta: E 5) A alternativa c contém um fragmento do poema “Flores da Lua”, de Cruz e Sousa, autor que inaugura o Simbolismo bra - sileiro com seus livros Missal e Broquéis (1893). Não se exigia a identificação da autoria, mas das características notórias do estilo simbolista, como as imagens vagas e mais sugestivas do que descritivas, as sinestesias (“frios de nostalgia e sono lên - cia”, “sonhos brancos”), as maiúsculas alego rizantes etc. Resposta: C 6) Os Sertões exprimem a paixão “barroca” de Euclides da Cunha pela palavra, pelas metáforas e pelas antíteses. É o oposto, portanto, do que se afirma na alternativa c. Resposta: C 7) C 8) D 9) C � MÓDULO 9 1) B 2) C 3) E 4) E � MÓDULO 10 1) Drummond, como Vinicius de Moraese Murilo Mendes, é arrolado entre os poetas da “Geração de 1930” (ano em que estreou em livro) ou “Segunda Geração Modernista”, que desenvolveu e ampliou tendências inauguradas pelos autores que promoveram a Semana de Arte Moderna, em 1922. Resposta: C 2) Por mais que seja feia e frágil, a flor que irrompe é um símbolo de esperança no futuro. Portanto, é incorreto associá- la à “incerteza do futuro” e tomá-la como anúncio das “perplexidades” e do “desconcerto do mundo”, sendo ela, antes, uma resposta a eles. Resposta: B 3) O erro do item II consiste em que o poema de Vinicius foi escrito em 1954, sendo posterior, portanto, ao lançamento da bomba (como afirma o item IV, a bomba atômica fora lançada em 1945). Não se trata, pois, de um acontecimento “iminente, prestes a acontecer”, uma vez que o poema faz referência a um fato já ocorrido. Por outro lado, no poema de Drummond, a flor pode, sim, ser considerada como o anúncio de algo iminente, uma mudança renovadora da esperança. Resposta: D 4) Oxímoro é a figura de linguagem que consiste na aproximação de dois termos de sentidos opostos e que se excluem mutuamente. Tal processo ocorre no título do livro de Drummond, Claro Enigma (o que é claro não pode ser enigmático...). Resposta: C 5) E 6) D 7) O erro da alternativa e está na referência à “materialidade do objeto do apelo”, quando se trata de um apelo por coisas imateriais, impalpáveis (“sombras serenas”, “alvura dos luares”, “tua lembrança”). Resposta: E � MÓDULO 11 1) B 2) A estrutura fragmentária de Vidas Secas, o “romance desmontável”, que pode ser lido como livro de contos e como romance, é adequada ao universo que retrata seres de tal modo brutalizados pela natureza e pelas instituições sociais, que são incapazes de articulação verbal; vivem em “silêncio introspectivo, limitados a gestos, sons guturais, monossílabos, frases truncadas, muitas vezes desprovidas de sentido. Os capítulos guardam entre si certa autonomia, pois as notações temporais são mínimas, sugerindo o movimento circular dos “viventes”, tangidos pelo Sol, em um permanente nomadismo. Acresce que alguns daqueles que vieram a ser capítulos de Vidas Secas foram anteriormente publicados como contos. Resposta: E 3) O “sonho” de Sinha Vitória era ter uma cama como a de Seu Tomás da Bolandeira. Resposta: D 4) A cena corresponde ao reencontro de Fabiano com o Soldado Amarelo. Resposta: E 5) Salu lembra Chinita de que um dia ela ficará velha e não poderá mais aproveitar a vida. Utiliza-se, portanto, de tema do carpe diem, vindo do universo clássico e que passou a integrar os ideais do neoclassicismo árcade. Esse é o expediente utilizado por Salu para conquistar sua amada. Resposta: B 6) D 40 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 40 � MÓDULO 12 1) Uma das características que singularizam a obra de Gui - marães Rosa é a “invenção” de uma linguagem lastreada na pesquisa erudita das raízes do idioma e no aproveitamento da melopeia da fala sertaneja. Resposta: D 2) Concisão não é característica da prosa luxuriante de Guimarães Rosa, voltada antes para a abundância, à qual não repugna, por exemplo, a sinonímia e outros tipos de repetição. Previsibilidade é o oposto do efeito produzido por esse estilo inovador e arrojado, tanto no léxico quanto na sintaxe. Resposta: E 3) D 4) D 5) A “racionalidade típica (...) da poesia moderna” pode ser notada na secura lin guística e emocional do poema, no es que - ma formal preciso que enquadra o texto prosaico em versos redondilhos de dureza singular, nada cantan tes, bali zados por rimas ora toantes, ora consoantes. Erros: b) “visão do mundo ainda herdeira do Romantismo”; c) “intenção de reproduzir a fala popu lar”; d) “herança rea - lis ta no que diz respeito à valorização da cultura bra sileira”; e) “poesia metalinguística” (não há metalinguagem no poema, em bora esta compareça assiduamente na obra de João Cabral de Melo Neto). Resposta: A 6) B � MÓDULO 13 1) “Fugir das entradas” significa evitar, com destreza (ou esperteza), os avanços violentos de jogadores adversários. Resposta: D 2) Embora também compareçam verbos no perfeito do indicativo (“atirou-se”, “recuou”, “estendeu”), pre domina no trecho o imperfeito (“jogava”, “podia”, “encostava”, “entusiasmava” etc.), como convém ao teor narrativo do texto. Resposta: B 3) A diferença entre a frase do texto e sua versão alterada, mas equivalente quanto à sintaxe e ao sentido, está na posição, inicial ou final, da oração subordinada adverbial temporal (“quando entrava no cinema”). Resposta: B 4) “Rancor” é o sentimento que equivale à reação do jogador antigo diante do novo: “irritava-o até ao ódio”. Resposta: A 5) Para um jogador de futebol, a sensação de “perder as duas pernas” sugere, “com grande expressividade e força emocional”, o “sentimento de impotência ante a situação”. Resposta: C 6) A atitude de Calvin oscila entre o tiranismo e o processo eletivo, típico de um governo democrático, o que evidencia o oportunismo da personagem de proceder de acordo com o que lhe convém. Resposta: A 7) A única que não condiz com o comportamento oportunista de Calvin é a que define a democracia como um sistema de governo que não só respeita a vontade da maioria, mas também protege “os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias”. Resposta: D � MÓDULO 14 1) Os versos I e III apresentam 10 sílabas métricas, ou seja, são decassíla bos: Vai / bo / ia / dei / ro / queo / di / a / já / vem Vai / bo / ia / dei / ro / quea / tar / de / já / vem Resposta: B 2) Para que o verso tenha doze sílabas, é necessário que haja elisão ou sinalefa da última sílaba da palavra “cabeças” com a vogal da palavra seguinte “é”. Deve-se, portanto, excluir na pronúncia o -s final para que ocorra o encontro das vogais. Escandindo-se o verso, sem o -s, tem-se um dodecassílabo (não um alexan dri no, pois falta a cesura da sexta sílaba e a elisão entre os hemistíquios): São / dez / ca / be / ça; é / mui / to / pou / co, é / qua / se / na(da) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Resposta: D 3) A repetição de estruturas sintáticas chama-se para le lismo. Nos versos citados, repete-se a frase, alterando-se apenas os sujeitos: “dia”, “tarde” e “noite”. Resposta: A 4) Atenuação, em geral, consiste em “perda da força ou intensidade; enfraquecimento, redução, limitação” (dicionário Houaiss); no caso, atenua-se, enfraquece-se o sentido no desenvolvimento do verso. Resposta: D 5) O coloquial tem é mais adequado não só à letra da canção popular como também ao tema regional nela abordado. Resposta: E – 41 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 41 � MÓDULO 15 1) O texto deixa claro que “faltam às mulheres modelos positivos” relativamente ao desempenho feminino na ciência e de conciliação da vida profissional de cientista com a pessoal. O livro visa a suprir essa falta. Resposta: B 2) “Na maioria dos lares” indica o espaço em que as mulheres têm “maior necessidade de articular os papéis familiares e profissionais”. Resposta: A 3) A informação de que trata a questão encontra-se no primeiro período do texto: “Um sinal eletrônico é emitido pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, sigla em inglês) ... O holofote do robô começa a brilhar”. Resposta: D 4) A resposta encontra-se no último período do texto, em que o autor sugere que a pesquisa com formas de vida em ambientes extremos favoreça a busca pela vida em outras partes do Universo. Resposta: A 5) A citação do cientista Nicolelis, no final do texto, deixa claro que apenas a publicação dos resultados dará conta do que foi alcançado no trabalho em questão. Resposta: D 6) No iníciodo texto, o autor usa a função conativa para chamar a atenção do leitor para um neologismo que começou a circular na internet: “facebookracia”. O leitor se sente motivado a ler o texto pelo estranhamento que que lhe causa o título, como também a primeira frase da crônica: “É isso mesmo que você leu: ‘facebookracia’”. Resposta: B 7) Em I, a oração “quer dizer” poderia se omitida e substituída por vírgula, fazendo que “poder dos ricos” passasse a aposto explicativo de “plutocracia”. Em II, tanto o verbo no presente “vai” quanto a forma nominal no gerúndio “instalando” indicam ação durativa. Em III, “plutocracia” (do grego ploutos: riqueza; kratos: poder) não é de uso informal. Resposta: B 8) A palavra “burocracia” é híbrida, formada do francês "bureau” (escritório) e do grego “cracia” (administração). Resposta: C � MÓDULO 16 1) Os acontecimentos são indispensáveis tanto na reportagem quanto na crônica, sendo que nesta última se destaca a interpretação do autor sobre os fatos. Resposta: A 2) Editorial é “um artigo em que se discute uma questão apresentando o ponto de vista da empresa jorna lística”, segundo o dicionário Houaiss. Resposta: E 3) O editorial é dogmático porque segue os preceitos próprios desse gênero discursivo. Resposta: D 4) O verbete afirma que a crônica “aproveita o interesse pela atualidade informativa”, baseia-se, portanto, em eventos do cotidiano. Resposta: D 5) O “lado positivo” da chuva excessiva é associado no texto àqueles que podem lucrar com ela, pois a chuva teria feito “a alegria do pessoal que conserta limpador de para-brisa” e, menos, “de quem vende guarda-chu va”. Resposta: B 6) I. O sufixo –ada tem diversas funções e significados; no caso, forma substantivos de sentido coletivo, geralmente com matiz pejorativo (o que não ocorre necessariamente nos exemplos dados). II. Mas é usado, na linguagem coloquial, para introduzir afirmações ou encadear frases que não têm sentido adversativo. III. Trata-se, de fato, de pergunta retórica, que na verdade vale como afirmação. Resposta: E 7) Ininterrupta é justamente a chuva que cai sem parar. Fora essas duas, as demais expressões que as alternativas aproximam não são equivalentes, como facilmente se percebe da leitura do texto. Resposta: C . 8) A palavra “poderosos” é formada por derivação sufixal, provém do substantivo poder. Em “envelhe cimento”, houve agregação simultânea do prefixo en- e do sulfixo -mento à palavra velho. Resposta: A 42 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 42 � MÓDULO 17 1) A única expressão latina corretamente empregada é “sine qua non”, que pode ser traduzida por “sem a qual não pode ser”, ou seja, é imprescindível que haja debate para que a tese e a antítese possam chegar a uma síntese. Resposta: E 2) Segundo o dicionário Houaiss, tanto deletérias quanto perniciosas podem ser substituídas por “nocivas” e “danosas”. Por sua vez, mera, segundo o mesmo dicionário, significa “sem complexidade, sem importância, banal”, o que também pode ser sinônimo de “simples”. Resposta: C 3) Segundo o texto, as falsas mensagens são replicadas massivamente, o que provoca o congestionamento das linhas de telefonia móvel. Essa sobrecarga torna o serviço de internet “lento ou inexistente”. Resposta: C 4) A única clara e precisa é a alternativa e, que ordena adequadamente o verbo tornar-se e os adjetivos que classificam o substantivo “acesso”. Resposta: E 5) As expressões que contrastam entre si são “pegar carona”, de uso popular, e “replicar qualquer informação” em que replicar é de uso erudito. Resposta: B 6) O pronome oblíquo lhe exerce função sintática de objeto indireto, estando sua utilização correta apenas em b “não posso pagar-lhe”, em que pagar é transitivo indireto quando se refere a pessoa. Em todas as outras o pronome lhe substitui objetos diretos, sendo correto o emprego do pronome “o”: em a, absolvê-lo; em c, prejudicá-lo; em d, não o condenaria; em e, nós a amamos. Resposta: B 7) A percepção de que a esperança está nele mesmos, ou seja, em nós mesmos, é mostrada pela duplicação das personagens. Resposta: C 8) A oração intercalada “quem diria” expõe a admiração do autor diante da realidade de abundância do século XXI, que contraria a teoria malthusiana, do século XVIII, a respeito da escassez que o crescimento da população provocaria. Resposta: D 9) Segundo a teoria de Thomas Malthus, a população cresce em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética, portanto ele acreditava que haveria escassez de alimentos no futuro. Resposta: A 10) A forma verbal “imagine” no imperativo, na 3ª pessoa do singular, refere-se ao leitor do texto. Resposta: B 11) A charge do texto 2 refere-se à necessidade de se alterar os hábitos de consumo, isso comprovado não só pelo entulho que quase cobriu a casa, mas também pela publicação que está sendo lida pela personagem, que tem na capa o título “Lei do Lixo”. Resposta: D 12) O itálico assinala o título do dicionário (Dicionário Houaiss); as aspas demarcam a citação sobre o significado da palavra “consumismo”; o trecho entre parênteses (‘comprar em demasia’) explica o sentido de “prática de consumir”. Resposta: B 13) A locução conjuntiva “mesmo que” estabelece relação de concessão com a oração anterior; a expressão temporal “muitas vezes” indica algo que ocorre com frequência; a conjunção adversativa “no entanto” estabelece relação de oposição ao que foi dito no período anterior; a conjunção “pois” explica que é difícil estabelecer limites entre o que é básico e o que é supérfluo. Resposta: C 14) A autora faz uma pergunta que provoca no leitor a reflexão sobre seus hábitos consumistas, parecendo óbvio que percebam que é fácil distinguir entre o que é essencial e o que é supérfluo. Resposta: C 15) O primeiro texto é de um jornalista e foi publicado na internet. Apresenta linguagem espontânea e informal, frases curtas e tom humorístico, que o aproxima da crônica. São exemplos de informalidade o emprego de “quem diria”, a repetição da palavra “demais” no segundo parágrafo, o trecho “É uma delícia de problema, é claro.” O terceiro texto é trecho de um livro sobre consumo publicado pela Unesp, por isso apresenta linguagem formal, pois tem finalidade didática. Resposta: C 16) Os três textos tratam dos hábitos de consumo excessivo e suas consequências. Resposta: D 17) O texto sobre as alternativas de energia usadas no país é um editorial, ou seja, um artigo que expressa a opinião, o posicionamento crítico do veículo em que é publicado. Resposta: C – 43 P O R T U G U ÊS 3 .a S REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 43 18) Segundo o físico José Goldemberg, o fornecimento de energia elétrica pode ser otimizado, no que diz respeito à sustentabilidade, pelas energias solar e eólica. Esse posicionamento fortalece a tese do editorial que afirma que as termoelétricas poluem o meio ambiente e devem ser substituídas por energias alternativas. Resposta: B 19) A palavra “aliás” equivale, no texto, a além disso, além do mais, e reforça o posicionamento do autor. Resposta: C � MÓDULO 18 1) A figura feminina deixa de falar, pois compreende sua situação de objeto de exploração de seus senhores. Resposta: A 2) Segundo o autor do texto, “ as relações entre senhores e escravos podiam se realizar com muito mais intimidade, confiança e consideração”, não pela igualdade entre ele, mas pela desigualdade, pela crença de que “o mundo está realmente hierarquizado “. Resposta: C 3) O escravo era visto como um complemento natural do senhor por se tratar de uma sociedade hierarquizada: “ele vê o negro como seu complemento natural, como um outro que se dedica ao trabalho duro, mas complementaràs suas próprias atividades que são as do espírito “. Resposta: D 4) Nesse sistema, o senhor não sente culpa e não segrega o escravo em razão da estratificação da sociedade. Essa estrutura relativiza a ideia de trabalho escravo, que é visto como algo natural: “Aqui, o senhor não se sente ameaçado ou culpado por estar submetendo um outro homem ao trabalho escravo . Resposta: B 5) A proximidade entre senhor e escravo não ocorre em razão da igualdade, mas da desigualdade, uma vez que o senhor considera o escravo como seu complemento natural. O autor compara essa hierarquização com a da Igreja Católica em que a divisão forma um todo. Resposta: E 6) O vocábulo Aqui retoma “relações entre senhores e escravos” que aparece no período anterior. Resposta: A 7) No último parágrafo do texto, Ruy Castro escreve: “Liberados das tarefas prosaicas, resta ver de que se ocuparão nossas poéticas cabeças. Francamente, não faço muita fé”. Esse trecho evidencia o ceticismo do autor quanto à dedicação das pessoas à atividade intelectual caso as casas do futuro proporcionem mais facilidade O ócio, portanto, não garantiria o empenho mental. Resposta: A 8) O pronome oblíquo “o” refere-se àquele que porventura utilize o elevador. Esse pronome é retomado anaforicamente por você, pronome de tratamento. Resposta: D 9) A conjunção “pois” substitui adequadamente o travessão por ser causal, devido à relação de sentido estabelecida entre as orações. Resposta: B 10) Corrigindo-se: a) “tudo será regulado” b) “homens modernos que partilham uma série de preocupações.” e) “o volume das músicas da sua vida será reguladas” “são escolhas com as quais não teremos de nos preocupar”. Resposta: C 11) À casa são atribuídas características humanas. Há, portanto, personificação ou prosopopeia. Resposta: A 12) No poema, há referência à nostalgia provocada pela destruição da casa em que se passou a infância. Resposta: E 13) Além da métrica irregular, do ritmo próximo à prosa e da linguagem simples, percebe-se a temática recorrente de Caeiro: a da negação da racionalização. Isso se nota na passagem: “São translucidamente uma filosofia toda. / Claras, inúteis e passageiras.../ São aquilo que são...”. Resposta: C 14.) A efemeridade da vida e de tudo que nela habita é evidente na poética de Ricardo Reis e de Alberto Caeiro, como evidencia-se na passagem: “São como a brisa que passa e mal toca nas flores / e que só sabemos que passa / porque qualquer cousa se aligeira em nós”. Resposta: E 44 – P O R T U G U ÊS 3 . aS REVISAO 1_GERAL_3aS_EXERC_TAREFA_PORT_2018_YONNE 13/09/2018 14:08 Página 44