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Apostila  I   Neuropsicopedagogia 2

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Neuropsicologia 
Núcleo de Pós-Graduação 
 
Contribuições da 
Neuropsicologia à Aprendizagem 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
Um dos grandes referenciais da mudança educacional da última década está pautado nos 
avanços neurocientíficos, representados pela palavra “Neurociências”, que conforme 
Herculano-Houzel (2004), ainda é uma ciência nova, tendo em torno de 150 anos, mas que 
a partir da década de 90 alcançou um maior auge e vem proporcionando mudanças 
significativas na forma de perceber o funcionamento cerebral. Estes avanços ocorreram 
devido a neuroimagem, ou seja, o imageamento do cérebro. As contribuições provindas 
das Neurociências despertaram interesse de vários seguimentos e entre estes a 
Educação, no sentido da maior compreensão de como se processa a aprendizagem em 
cada indivíduo. 
 
Dentro dessa abordagem, se procurará mostrar o que é Neurociências, suas possíveis 
contribuições para a área educacional, bem como a contextualização da 
Neuropsicopedagogia e sua relação com o processo ensino e aprendizagem. 
Tabaquim (2003) destaque que: 
 O cérebro é o órgão privilegiado da aprendizagem. Conhecer sua estrutura 
e funcionamento é fundamental na compreensão das relações dinâmicas e 
complexas da aprendizagem. Na busca pela compreensão dos processos 
de aprendizagem e seus distúrbios, é necessário considerar os aspectos 
neuropsicológicos, pois as manifestações são, em sua maioria, reflexo de 
funções alteradas. As disfunções podem ocorrer em áreas 
de input (recepção do estímulo), integração (processamento da informação) 
e output (expressão da resposta). O cérebro é o sistema integrador, 
coordenador e regulador entre o meio ambiente e o organismo, entre o 
comportamento e a aprendizagem. 
 
Uma das áreas que vem abrindo espaço dentro âmbito de conhecimento é a 
Neuropsicopedagogia. Fernandez (2010) afirma que a Neuropsicopedagogia traz 
importantes contribuições à educação, pois existe a possibilidade de se perceber o 
indivíduo em sua totalidade. Para Hennemann (2012) a Neuropsicopedagogia apresenta-
se como um novo campo de conhecimento que através dos conhecimentos 
neurocientíficos, agregados aos conhecimentos da pedagogia e psicologia vem contribuir 
 
 
 
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para os processos de ensino-aprendizagem de indivíduos que apresentem dificuldades de 
aprendizagem e que estão inseridos no processo de inclusão. 
 
Através dos conhecimentos neuropsicopedagógicos existe a possibilidade de entender 
como se processa o desenvolvimento de aprendizagem de cada indivíduo, 
proporcionando-lhe melhoras nas perspectivas educacionais e dessa forma desmistificar a 
ideia de que a aprendizagem não ocorre para alguns; na verdade sempre acontecerá a 
aprendizagem, entretanto para uns ela vem acompanhada de muita estimulação, 
atividades diferenciadas, respeitando o ritmo de desenvolvimento do indivíduo. 
 
 
FUNDAMENTOS DA APRENDIZAGEM 
 
Onde se dá aprendizagem? Não restam dúvidas de que o processo da aprendizagem se 
dá no sistema nervoso central (SNC), que é uma estrutura complexa. 
 
No que se refere ao processo de aprendizado, existe uma interface entre duas áreas de 
atuação: a educação e a saúde. Na primeira, agem os educadores, orientadores 
educacionais, pedagogos e psicopedagogos; na segunda, atuam pediatras, neurologistas, 
neuropediatras, psicólogos, psiquiatras da infância e adolescência, fonoaudiólogos, 
psicomotricistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, entre outros. A rigor, essa 
interface entre saúde e educação, na qual o assunto é a aprendizagem e seus principais 
problemas, poderia ser denominada neuropedagogia (ROTTA, 2006). 
 
As informações vindas das neurociências e da área médica, em especial da neurologia, 
são de suma importância para o entendimento do processo da aprendizagem e dos seus 
distúrbios, que em última análise são funções corticais. Dentro da abordagem médica, o 
neuropediatra é o profissional em melhores condições para bordar os fundamentos 
psiconeurológicos do aprendizado. 
 
 
 
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O processo de aprendizagem é foco constante das pesquisas em psicologia, educação e 
neurociências, a preocupação não envolve apenas como se aprende, mas como se ensina 
também. Os conhecimentos sobre como esses dois processos podem ser implementados 
fazem parte do universo de educadores e de estudiosos da área, isto é, que tipo de 
métodos, estratégias, perspectivas e contextos diferenciados, além dos estilos de ensinar e 
de aprender, servem de base para o processo educacional. 
 
Neste sentido, Coll (2003) enfatiza que as práticas educativas são fenômenos complexos, 
mesmo que aparentemente classificadas como mais simples. Doyle, citado por Coll (2003) 
reafirma o nível de complexidade que é inerente aos processos de ensino e aprendizagem, 
sublinhando que as relações professo-aluno se evidenciam pela multidimensionalidade 
(vários eventos estão presentes), simultaneidade (sucessão de tópicos e condições), 
imediação (rapidez que os eventos se sucedem), imprevisibilidade (elementos não 
esperados e não planejados que ocorrem), publicidade (as atividades que envolvem os 
sujeitos da aprendizagem são públicas e reconhecidas), história (há uma continuidade das 
ações e atos pedagógicos relacionados às aulas ou situações anteriores). Acrescentam-se 
ainda, os fatores afetivos, os interativos e os de comunicação que interferem no processo 
ensino-aprendizagem. 
 
Por essas condições, percebe-se que o conceito de aprendizagem é multifacetado, pois 
ela se inicia pela inserção da pessoa no mundo de relações, em que o aprendiz é produto 
e produtor de conhecimento e de transformações em nível cognitivo, afetivo, social e 
histórico. Marques (2000) ressalta que toda aprendizagem tem sentido quando se 
repercute nas práticas cotidianas dos indivíduos e grupos, reconstruindo os seus 
significados e possibilitando novas situações e experiências. 
 
Fonseca (1995) destaca que a aprendizagem resulta em uma mudança de comportamento 
oriunda da experiência que paralelamente é consolidada no próprio cérebro indivíduo. 
 
 
 
 
 
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Envolve uma dupla condição: a de assimilação e a de conversação do conhecimento que 
conecta com o controle e mudança no ambiente, retratando a experiência humana e sua 
história. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando o aprendiz entra em contato com o objeto de conhecimento, esses dois 
mecanismos se alternam, gerando, então, os processos de assimilação e acomodação, 
imprescindíveis à aprendizagem. 
 
 
Dentro de uma perspectiva 
construtivista, a aprendizagem 
escolar traduz dois aspectos 
entrelaçados, o primeiro refere-
se ao processo de construção de 
significados e de atribuição de 
sentidos que resulta em uma 
diferenciada atividade mental 
direcionada às interfaces entre 
conteúdos e experiências. 
Devido à natureza social e 
cultural dos conteúdos 
escolares, organizados e 
construídos sistematicamente, 
neste processo, o 
estabelecimento da relação 
entre significados, necessidades 
e atribuições de sentido é 
fundamental para promover o 
seu emprego no universo social 
(COLL, 2003. 
Importante 
 Vygotsky (2004) afirma que o ser 
humano nasceu com uma potencialidade de 
aprender, sendo, então, a condição básica 
do psiquismo humano, afinal a consciência 
pressupõe uma condição intencional, 
organizada, sistematizada, ilustrando o

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