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‘ 1 Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia Química, apresentado na Unifacs – Universidade Salvador, em 2018.2 Orientado pelo Prof. José Antônio Carvalho Cunha, (jose.antonio@unifacs.br) 1 ruthumpierre@gmail.com ESTUDO DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA PARA IMPLEMENTAÇÃO DE UM SISTEMA DE ENERGIA FOTOVOLTAICA EM UMA INDÚSTRIA DE FERTILIZANTE MINERAL EM LUIS EDUARDO MAGALHÃES – BAHIA1 Ruth Araújo Umpierre Barreto2 José Antônio Carvalho Cunha3 RESUMO Esse artigo visa avaliar a viabilidade da instalação de um sistema de geração de energia fotovoltaica numa fábrica de fertilizante mineral, localizada em Luís Eduardo Magalhães – Bahia, tanto no que diz respeito a uma análise técnica, quanto econômica. Neste, são apresentados dados que visam estimar a quantidade de radiação no local, perdas relacionadas ao sistema, tributação, incentivos do governo, normas e o dimensionamento. Já para a análise econômica serão avaliados parâmetros como custos envolvidos, TIR, VPL, tempo de retorno do investimento e suas vantagens e desvantagens em relação ao antigo sistema padrão de fornecimento de energia elétrica. Palavras-chaves: Energia Solar, Dimensionamento Solar Fotovoltaico, Viabilidade Econômica, Sistema Fotovoltaico. 1. INTRODUÇÃO O desenvolvimento Industrial no mundo e especialmente no Brasil, cresceu exponencialmente nos últimos anos, fazendo com que a demanda energética acompanhasse esse crescimento exponencial, todavia, o sistema de geração de energia não foi capaz de acompanhar tal expansão, o que tornou a produção energética, principalmente as oriundas de fontes renováveis, pauta mundial de discussão e pesquisa. No Brasil, 90% da capacidade de produção energética é baseada em Hidrelétricas, que apesar de ser uma fonte de energia renovável gera consequências negativas para o meio ambiente devido ao alagamento de grandes áreas, causando assoreamento dos leitos dos rios, eliminação da fauna e flora local, impactos sociais, além do alto custo de produção. A energia solar ou fotovoltaica destaca-se dentre as fontes de energia pois ela é renovável, inesgotável e não causa danos ao meio ambiente, além disso, ela apresenta menor dependência de fatores ‘ climáticos quando comparada às demais, pois, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) “apesar da radiação solar ser variável ao longo do ano, a radiação global horizontal, que é a aproveitada pela geração fotovoltaica, possui baixa variação”, o que traz maior segurança no que diz respeito à eficiência do sistema proposto e consequentemente, ao retorno financeiro esperado. Outra vantagem tem sido os programas de incentivo que o governo brasileiro vem implementando, como a resolução normativa da ANEEL 482/2012 e o programa de desenvolvimento de geração distribuída, sem esquecer também da significativa queda que o custo por Watt gerado pelo sistema de energia solar vem tendo desde a década de 70. Esse valor equivalia em 2015 0,4% do preço de 41 anos atrás, conforme mostrado na figura 1: Figura 1 -Relação entre ano x preço do Watt/US$. Fonte: PortalSolar. Uma grande vantagem de investir em energia solar no Brasil, é a sua elevada disponibilidade de proveito energético que se dá devido à sua localização intertropical o que faz com que o DNI (quantidade de radiação recebida por unidade de área) brasileiro seja maior do que o de países líderes em produção de energia solar, como a Alemanha, onde o DNI gira em torno de 2,46 a 3,42 kWh/m2dia, e no brasil esse número varia de 3,9 chegando até a 6,3 kWh/m2dia no Nordeste, como pode ser visto na figura 2, isso mostra o quanto a energia fotovoltaica têm capacidade de expansão no cenário Brasileiro. ‘ Figura 2 – Incidência de radiação solar no Brasil Esse parâmetro, o DNI, é um dos mais importantes numa análise de viabilidade técnica da instalação de um sistema fotovoltaico, pois a eficiência do mesmo depende totalmente da radiação incidente nos módulos solares, que é transformada em energia elétrica através de células fotovoltaicas. Outros parâmetros como altura do telhado, inclinação dos painéis fotovoltaicos, temperatura e sombreamento médio local também podem influenciar na geração final de energia. Há duas configurações possíveis de sistemas fotovoltaicos: o off-grid que consiste em um sistema isolado no qual não se conecta à rede elétrica e o on-grid, que é integrado à rede elétrica local. Nesse artigo, será levado em consideração o sistema de geração de energia fotovoltaico on-grid, pois a nível industrial, não é interessante que o sistema se mostre totalmente independente da energia fornecida pela concessionária, visto que podem ocorrer alterações na demanda energética da fábrica, eventuais quedas na geração de energia por problemas técnicos, necessidade de manutenção, sendo assim, num sistema integrado a produção não será prejudicada por flutuações do sistema de geração de energia, além do mais o sistema on-grid possui vantagens tanto no que diz respeito aos custos pois estingue o uso de Fonte: Atlas Brasileiro de energia solar ‘ baterias e controladores de carga, como no que diz respeito à eficiência, se mostrando 30% mais eficiente que um sistema of-grid. Por fim, é imprescindível que a implementação de um projeto em uma empresa seja viável tanto para área técnica quanto econômica. Diante de um cenário onde se perpetua a ascensão das tarifas de energia elétrica e a disponibilidade de certos recursos naturais abundantes e inesgotáveis prontos para serem aproveitados, o modelo de geração energética fotovoltaica se traduz em uma alternativa viável de economia financeira que, apesar de ser um investimento com alto valor econômico agregado, proporciona retorno considerável. 2. SISTEMA FOTOVOLTAICO 2.1 A célula fotovoltaica e o Efeito Fotovoltaico De maneira geral, o sistema gera energia através da incidência de radiação solar nas células fotovoltaicas presentes nas placas coletoras, que são formadas por um material semicondutor, usualmente o silício, convertendo assim a luz direta do sol em eletricidade, esse fenômeno é chamado de efeito fotovoltaico. 2.2 Componentes de um sistema fotovoltaico on-grid O sistema é composto pelos seguintes equipamentos: placa solar ou módulo fotovoltaico, inversor solar, estrutura de fixação das placas solares, cabeamentos e conectores específicos e outros materiais elétricos como disjuntores e fusíveis. 2.2.1 Módulo fotovoltaico: O módulo fotovoltaico é uma unidade básica formada por um conjunto de células fotovoltaicas, interligadas eletricamente e encapsuladas, com o fim de gerar energia elétrica. (NBR 5410) A primeira informação que se deve ter é qual tecnologia de módulo usar, um painel solar fotovoltaico mono-cristalino, multi-cristalino também conhecidos como poli silício (p-Si) e silício multi-cristalino (mc-Si) ou filme fino. A tabela 1 relaciona as tecnologias com suas respectivas eficiências ‘ Tabela 1 – Relação entre Tecnologia e sua eficiência Tecnologia Eficiência (%) Mono-cristalino 15 – 22% Multi-cristalino 14 – 20% Filme Fino 7-13% Fonte: Própria É indispensável que o engenheiro e/ou o responsável técnico pela obra atente-se a verificar se a área disponível para instalação é compatível com a área mínima requerida para um arranjo efetivo dos painéis solares,pois também precisam ser previstos os espaçamentos entre os painéis, estruturas para fixação dos painéis, passagem de cabeamento, abrigo dos conversores estáticos de potência (inversores de frequência), bem como dispositivos de proteção e de medição. Tais opções implicam diretamente na aplicação desejada, seu custo e benefício. 2.2.1.1 Curva do Módulo As curvas características dos módulos fotovoltaicos são informações indispensáveis para o bom dimensionamento do projeto, sendo possível identificar dados como potência máxima (MPP) e informações sobre os limites de corrente (IMPP) e tensão (VMPP). Essas curvas geralmente são fornecidas pelos fabricantes dos painéis. A figura 3 é um exemplo de uma curva característica de uma célula fotovoltaica para diferentes valores de incidência solar: Figura 3- Curva IxV / PxV em função da radiação solar de um módulo. Fonte: Datasheet da Znshine Solar Figura 3 - Curva característica de uma célula fotovoltaica ‘ 2.2.1.2 Arranjo do Módulo Os módulos podem ser arranjados tanto em série quanto em paralelo com intuito de alcançar a melhor eficiência de projeto, atingindo assim os valores de tensão e corrente do mesmo. A figura 4, mostra um diagrama dos módulos arranjados em paralelo, quando a associação é feita em paralelo as correntes são somadas, permanecendo inalterada a tensão (MANUAL DE ENGENHARIA PARA SISTEMAS FOTOVOLTAICOS, 2014). Já quando a associação é feita em série, conforme figura 5, as tensões são somadas permanecendo-se inalteradas as correntes. (MANUAL DE ENGENHARIA PARA SISTEMAS FOTOVOLTAICOS, 2014). Há também o arranjo misto, que consiste em um sistema com uma certa quantidade de módulos arranjada em série e outra quantidade em paralelo, maximizando a eficiência do sistema. “A determinação da quantidade de painéis em série deve ser correspondente ao menor valor inteiro da relação entre a tensão máxima do inversor (Vinv) e a tensão total de circuito aberto (VOC) dos painéis conectados em série. (Matias, 2011). Figura 4 Diagrama de módulos arranjados em paralelo Fonte: CRESEB Figura 5 - Diagrama de módulos arranjados em série Fonte: CRESEB ‘ Conforme descrito na equação 1: “A quantidade máxima de cadeia de painéis em paralelo (Nparalelo) pode ser calculado pelo menor valor inteiro da relação entre a capacidade de corrente do inversor (Iinv) e a corrente de curto-circuito (ISC_paineis) da cadeia de painéis. (Matias, 2011). Conforme descrito na equação abaixo: Esses valores são facilmente consultados no datasheet dos equipamentos, presente no site dos fornecedores. 2.2.2 Inversor Solar ou Fotovoltaico O inversor tem como principal finalidade transformar a energia elétrica gerada pelos painéis, de corrente contínua (CC) em corrente alternada (AC). O inversor também mede a energia gerada pelos painéis o que possibilita monitorar o desempenho do sistema e garante e segurança do mesmo, desconectando-se automaticamente da rede elétrica quando os valores de tensão e frequência de rede saem dos limites do regime de operação. Como no estudo em questão o modelo fotovoltaico aderido é o on-grid, o inversor utilizado será do tipo grid-tie, que é usado para sincronizar o sistema de geração solar na rede elétrica convencional. 2.2.3 Medidor Bidirecional O medidor bidirecional, diferente dos convencionais unidirecionais, tem a capacidade de computar tanto a energia ativa gerada e injetada na rede quanto a energia consumida da distribuidora, dessa forma, o consumidor passa a ter direito ao Sistema de Compensação de Energia da ANEEL, fazendo com que a energia gerada pelo sistema vire desconto na conta de energia, e caso haja excedente de energia gerada o mesmo vire créditos futuros. Eq. 2 Eq. 1 ‘ Figura 6- Esquema de um sistema de geração fotovoltaica com inversor bidirecional. A fim de dimensionar o medidor, é necessário analisar parâmetros como: tensão nominal, correntes máxima e nominal, potência e etc. 2.3 Tarifação e Consumo Energético No Brasil, a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, é responsável pela regulação e fiscalização do setor elétrico, pela mesma, as unidades consumidoras são classificadas em dois grupos tarifários: Grupo A, que tem tarifa binômia e Grupo B, que tem tarifa monômia. O agrupamento é definido, principalmente, em função do nível de tensão em que são atendidos e também, como consequência, em função da demanda (kW). Os consumidores atendidos em alta tensão, acima de 2300 volts, como indústrias, shopping centers e alguns edifícios comerciais, são classificados no Grupo A. (MANUAL DE TARIFAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA, 2011) O grupo A é subdividido de acordo com o nível de tensão oferecido, conforme mostra a tabela a seguir: Tabela 2 – Divisão de subgrupos de tarifação SUBGRUPO NÍVEL DE TENSÃO A1 230 kV ou mais A2 88 a 138 kV A3 69 kV A3a 30 a 44 kV A4 2,3 a 25 kV AS Para sistema subterrâneo. Fonte: Manual da Tarifação de Energia Elétrica (2011) Fonte: Diniz (2017) - Adaptado ‘ 2.4 Perdas Estimadas As perdas são causadas por uma gama de motivos, as principais são baixa eficiência do inversor e cabos, sujeira, sombreamento, quedas de tensão nos lados DC e AC, aumento da temperatura dos módulos, perdas por mau dimensionamento. A consideração desses valores frente ao estudo de viabilidade econômica é de suma importância, bem como para um dimensionamento técnico mais assertivo. A tabela 3 relaciona as perdas do sistema e seus respectivos impactos na eficiência global do projeto. 3.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1. Incidência de Radiação Através da ferramenta Google Maps foi possível obter a localização exata da fábrica de fertilizante mineral, situada em Luís Eduardo Magalhães – BA, no qual forneceu os dados de longitude e latitude da mesma: 46,249° O e 12,301° S respectivamente; A partir daí, com o Tabela 3 - Perdas de um sistema fotovoltaico. Fonte: Biagio, 2014 ‘ auxílio dos dados da base “SunData” do CRESESB - Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito, foi possível obter o DNI local e perceber que a irradiação solar diária média mensal é ainda maior do que a média nacional, girando em torno de 5,5 kWh/m2dia Fonte: CRESEB 3.2 Inclinação A inclinação no qual os painéis fotovoltaicos são instalados afetam na eficiência dos mesmos, logo, afim de maximizar o aproveitamento da radiação solar, pode- ajustar a posição dos módulos fotovoltaicos levando como parâmetro inicial a latitude local. O ângulo dito ótimo é o que resulta na mais alta média anual. Com intuito de analisar as inclinações e suas respectivas eficiências foi utilizado o software “SunData” do CRESESB que gerou a seguinte figura: Pudemos perceber a partir da figura 7 que a inclinação que nos oferece maior médiade incidência de radiação, atingindo o valor de 5,6 kWh/m2.dia, é 14° (graus) ao Norte. Fonte: SunData – CRESEB. Figura 8- Irradiação diária média em Luís Eduardo Magalhães. Figura 7- Gráfico que relaciona a incidência de radiação local com a inclinação dos painés Fonte: CRESEB ‘ 3.3 Consumo da fábrica A fábrica se enquadra na classe "Comercial Trifásico”, subgrupo A3a. A figura 9 a seguir apresenta o consumo de energia elétrica da mesma em kWh nos últimos doze meses, o qual será usado como base para o dimensionamento do sistema. Figura 9 - Consumo de energia elétrica da fábrica nos últimos 12 meses. Fonte: Própria Temos então um total de 49924,44 kWh consumidos nos 12 meses, com uma média de 4160,37 kWh por mês. 3.3 Dimensionamento 3.3.1 Potência do Inversor O primeiro passo é dimensionar a potência do inversor, para tal deve-se levar em consideração a média do consumo diário e o DNI local, deve-se conhecer também, ou estimar, a eficiência dos diversos componentes do sistema como painéis, inversores, cabos, e etc. Neste artigo, será estipulada uma eficiência global de 82% de acordo com o analisado anteriormente. 𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜 𝑑𝑖á𝑟𝑖𝑜 (𝑘𝑊ℎ/𝑑𝑖𝑎) 𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑒𝑥𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 (ℎ/𝑑𝑖𝑎)∗ 𝜂 𝑑𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 1546,99 3128,79 7711,43 7062,96 3420,68 2286,92 6267,69 4358,254376,324268,083976,42 1429,88 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000 Eq. 3 ‘ Logo, substituindo os dados, temos: 𝑃𝑜𝑡 = 138,68 5,6 ∗ 0,82 = 30,2 𝑘𝑊𝑝 Para escolhermos o inversor adequado iremos levar em consideração o FDI - fator de dimensionamento do inversor, o qual é usado para uma otimização com intenção de compensar perdas de potência entre o arranjo dos módulos e o inversor, dessa maneira há uma economia no custo da conversão CC/CA. Sabendo que a instalação dos módulos terá até 25% de perda de energia, escolhe-se um inversor que ofereça de 70 a 85% da potência requerida. Se o valor da divisão entre a potência nominal do inversor e a potência requerida pelo sistema estiver entre 0,75 e 0,85 o inversor está bem dimensionado. Foi escolhido o inversor CSI-25KTL-GI-FL da CanadianSolar, o qual apresenta uma potência nominal de 25kWp, o resultado da divisão foi 0,82 o que garante o dimensionamento correto do mesmo. 3.3.2 Quantidade e Arranjo dos Painéis Para determinar a quantidade de painéis, é utilizada a equação 4: 𝑁° 𝑝𝑎𝑖𝑛é𝑖𝑠 = 𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜𝑟 𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 A potência do painel varia de acordo com cada modelo e com cada fabricante, com intuito de utilizar o menor numero de painéis possíveis e consequentemente de reduzir a área requerida para instalação dos mesmos, o painel escolhido foi o N330 da Panasonic o qual fornece uma potência de 330 Watts por módulo; Outros fatores como coeficiente de temperatura, eficiência e dependência da radiação também foram analisados para a escolha. Dessa maneira, concluímos que são necessários 92 módulos fotovoltaicos para gerar a potência requerida no projeto. Sabendo que o fabricante do inversor permite até 8 cadeias de painéis com rastreamento eles serão arranjados em 3 cadeias, duas contendo 14 painéis em série e 17 em paralelo e uma contendo 14 painéis em série e 16 em paralelo, de acordo com os resultados obtidos nas equações 1 e 2 Eq. 4 ‘ 3.3 Geração de energia esperada A geração de energia mensal esperada é dada através de parâmetros como: número de dias ensolarados no mês (𝜂 ds) radiação solar média (Cmm), número de painéis (n), eficiência global (𝜂 global) e dos painéis (𝜂 painéis) e área útil (A), conforme equação 5: No gráfico da figura 11 é possível visualizar a geração média mensal do sistema: 3.4 Viabilidade Econômica A análise de viabilidade econômica do projeto é de suma importância para a aprovação do ou não do mesmo frente ao setor financeiro da empresa. Para o estudo da viabilidade econômico-financeira da implementação do projeto fotovoltaico em questão serão utilizados os principais indicadores financeiros: Payback, VPL (Valor Presente Líquido) e o TIR (Taxa Interna de Retorno). 4021,8 3752,3 4229,8 4052,3 4222,3 4106,7 4420,8 4877,0 4399,0 4080,4 3820,0 3942,1 0,0 1000,0 2000,0 3000,0 4000,0 5000,0 6000,0 kW/h Eq. 5 Figura 11- Geração mensal média de energia Fonte: Própria ‘ 3.4.1 Payback O payback nada mais é do que o tempo necessário para que se obtenha o retorno do investimento feito, indicando o tempo em que o lucro líquido se iguala ao valor aplicado no investimento. É um método de análise geral, entretanto, é extremamente limitado, pois, neste método não são considerados parâmetros como: financiamento, correção monetária, riscos. É valido ressaltar que existem dois tipos de payback, o simples e o descontado. No payback descontado é considerado o valor do dinheiro no tempo, diferente do payback simples que considera estritamente o valor que foi investido. 3.4.2 VPL O VPL é obtido pela diferença entre o valor presente dos benefícios previstos de caixa e o valor presente do fluxo de caixa inicial (valor do investimento, do empréstimo ou do financiamento). (MUSTAFA, 2018). O VPL é o método de análise de investimento em projetos mais utilizado por profissionais de finanças, pois permite interpretar facilmente os resultados (BAGATINI, 2012). Temos a formulação matemática do VPL descrita na equação 5 n – Número de anos; Io – Investimento Inicial; R – Receita (valor anual); C – Custos (manutenção); a – Taxa de juros a ser considerada; FCn – Fluxo de Caixa do ano referência (Rn – Cn); 3.4.3 TIR Com a TIR, determina-se uma única taxa de retorno para sintetizar os méritos de um projeto. Essa taxa é dita interna, no sentido de que depende somente dos fluxos de caixa de certo investimento e não de taxas oferecidas em algum outro lugar (LEMES JÚNIOR, RIGO e CHEROBIM, 2002). Eq. 5 ‘ Portanto, a TIR é a taxa de juros que iguala, em determinado momento de tempo, o valor presente das entradas (recebimento) com o das saídas (pagamento) previstos de caixa, ou seja, zera o VPL. Até atingir a TIR, o VPL é positivo, indicando atratividade do investimento. A partir desta taxa o valor presente líquido passa a ser negativo, demostrando que o projeto é incapaz de produzir uma riqueza econômica positiva para uma taxa de desconto superior à TIR. (MUSTAFA, 2018) A TIR é representada matematicamente pela equação 6: Onde: TIR = Taxa Interna de Retorno CF = Fluxo de Caixa n = Período do movimento no Fluxo de caixa 3.4.4 Custos relacionados ao projeto Segundo, Eliza (2017) em um projeto de geração de energia fotovoltaica, os equipamentos que apresentam maior influência no custo são os módulos fotovoltaicos e o inversor, de modo que é uma pratica comum entre empresas energéticas que oferecem este tipo de projeto uma extrapolação baseadano preço apenas destes dois equipamentos acrescido de 10% para compra do restante do material que consiste na estrutura de fixação, string box, cabos, conectores além de custos com projeto e mão de obra. Devidos a baixíssimos custos de manutenção do sistema, o mesmo não será levado em consideração nos cálculos de retorno. Serão desconsiderados também custos com importação e impostos como IPI, PIS e CONFINS, visto que os equipamentos foram orçados através de fornecedores direto da fábrica o que já inclui tais valores nas respectivas notas. Os custos do projeto são mostrados pela tabela 3: Tabela 3 – Custos do sistema MATERIAIS QNTD PREÇO UNITÁRIO PREÇO TOTAL Painel Solar Panasonic N330W 92 R$ 1.304,00 R$ 119.968,00 Inversor Solar CanadianSolar 2 R$ 19.950,75 R$ 39.901,50 Estrutura de fixação dos módulos 92 R$ 105,00 R$ 9.660,00 Demais equipamentos e mão de obra - 10% 1 - R$ 15.986,95 TOTAL R$ 185.516,45 Fonte: Própria Eq. 6 ‘ 3.4.5 Valor a ser economizado Ao analisar o retorno financeiro da implementação de um sistema de geração de energia solar, é importante ter em mente que a conta de energia não será zerada, visto que há um custo fixo da demanda contratada, isso é, da potência disponibilizada pela concessionária de energia elétrica, bem como uma taxa referente à contribuição de iluminação pública. Esses valores serão pagos ainda que o sistema de geração compense 100% da energia consumida. A tabela 5 a seguir demonstra o valor médio total da fatura paga pela empresa, bem como os custos fixos agregados citados acima e a economia real anual quando descontados tais custos. Tabela 5 – Custo médio anual com energia elétrica e economia líquida anual MÊS VALOR DA FATURA CUSTO DE DEMANDA TAXA PUBLICA setembro R$ 3.656,25 R$ 2.664,00 R$ 500,00 outubro R$ 5.498,23 R$ 2.851,00 R$ 500,00 novembro R$ 8.720,80 R$ 2.851,00 R$ 500,00 dezembro R$ 10.042,99 R$ 2.851,00 R$ 500,00 Janeiro R$ 5.014,88 R$ 2.760,63 R$ 500,00 fevereiro R$ 2.660,01 R$ 2.727,53 R$ 500,00 Março R$ 5.209,16 R$ 2.727,53 R$ 500,00 Abril R$ 6.804,15 R$ 2.727,53 R$ 500,00 Maio R$ 5.768,96 R$ 2.731,08 R$ 500,00 Junho R$ 5.338,50 R$ 3.580,80 R$ 500,00 Julho R$ 6.609,49 R$ 3.582,82 R$ 500,00 Agosto R$ 4.525,15 R$ 3.649,39 R$ 500,00 TOTAL R$ 69.848,57 R$ 35.704,31 R$ 6.000,00 ECONOMIA LÍQUIDA ANUAL R$ 28.144,26 Fonte: Própria 3.4.6 Análise financeira Para analisar o Payback simples do projeto, que tem como finalidade apenas uma estimativa inicial do tempo de retorno, é aplicado uma tabela que demonstra a depreciação do valor investido versus o valor líquido economizado na conta de energia. A tabela 6 a seguir apresenta o fluxo de caixa até o ano 7 que é quando o sistema passa a dar lucro. O conjunto completo (equipamentos, instalação, projeto e mão de obra) tem como estimativa um investimento no valor de R$ 185.516,45 conforme já mostrado anteriormente. ‘ Tabela 6 – Fluxo de Caixa (payback) Ano Investimento Fluxo de Caixa Payback simples 0 -R$ 185.516,45 -R$ 185.516,45 1 R$ 28.144,26 -R$ 157.372,19 2 R$ 28.144,26 -R$ 129.227,93 3 R$ 28.144,26 -R$ 101.083,67 4 R$ 28.144,26 -R$ 72.939,41 5 R$ 28.144,26 -R$ 44.795,15 6 R$ 28.144,26 -R$ 16.650,89 7 R$ 28.144,26 R$ 11.493,37 Fonte: Própria Já para o cálculo do VPL, os valores economizados são levados a um tempo presente à uma taxa de juros de mercado, logo, no tempo (n) em que esse valor se igualar ao valor investido, teremos o tempo do retorno financeiro. Para uma análise mais criteriosa, foi levado em consideração tanto o aumento tarifário anual que, segundo a ANEEL foi de 32% nos últimos 11 anos, dessa forma consideraremos um aumento médio de 2,6% a.a, quanto a perda de eficiência do sistema de 0,6% ao ano. A TMA (taxa mínima de atratividade) usada do projeto será baseada no rendimento monetário caso o dinheiro fosse aplicado no CDB, o qual rendeu 8,7% em 2017, segundo o portal de finanças. Sendo assim, utilizando a equação 5 para os 25 anos, levando em consideração a perda de eficiência e o ajuste tarifário no cálculo da receita anual a uma taxa de juros de 8,7 % a.a gerou-se um gráfico do valor presente líquido do projeto ao longo do horizonte de projeção. ‘ Figura 12 – VPL do projeto ao longo de 25 anos Fonte: Própria A partir da figura 9 pudemos perceber que o VPL do projeto passa a ser positivo no 8º ano de projeção, o que já apresentou diferença se comparado relacionado ao payback simples que indicava retorno já no 7º ano de operação do sistema. Esse retorno de 8 anos é muito significativo tendo em vista o tempo de vida útil do sistema que é de 25 anos. Vale ressaltar que sistemas bem dimensionados, bem operados e com manutenção em dia chegam a uma vida útil de até 30 anos. A partir da equação 6 a TIR pôde ser calculada, apresentando um valor de 15%. 4. CONCLUSÂO Neste artigo, foi possível dimensionar um sistema de geração de energia fotovoltaica além de apresentar ferramentas financeiras para análise da viabilidade econômica do mesmo. A partir dessas ferramentas pôde-se que concluir que o projeto é técnico-economicamente viável, visto que o VPL passa a ser positivo a partir do 8º ano de operação, gerando lucros em todo o restante de sua vida útil do sistema, outro parâmetro que confirma a viabilidade do projeto é o critério TIR > TMA que fora a atendido, onde a TIR apresentou o valor de 15% a.a e a TMA definida 8,62% a.a. R$(300.000,00) R$(200.000,00) R$(100.000,00) R$- R$100.000,00 R$200.000,00 R$300.000,00 R$400.000,00 R$500.000,00 R$600.000,00 R$700.000,00 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 ANOS ‘ 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT. Norma Brasileira ABNT NBR 5410: Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Brasília: ABNT, 2004. . ANEEL. Tarifas Residenciaisde Energia Elétrica. 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