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Prof. Danilo Assis Pereira, Ph.D. Doutor em Neurociências (UnB) Mestre em Processos Psicológicos Básicos (UnB) Presidente Fundador do IBNeuro A Neuropsicologia Clínica é uma ciência aplicada que lida com as cognições e comportamentos decorrentes da disfunção cerebral. Cada vez mais, os neurocientistas vêm relacionando os construtos cognitivos e técnicas psicológicas ao estudarem as relações entre cérebro e comportamento. A Neuropsicologia Clínica é um campo da Psicologia, que engloba os conhecimentos em Psicometria, Psicolinguística, Psicomotricidade, Psicobiologia, Psicofísica e a própria prática clínica. Ramo das neurociências que estuda a relação entre cérebro-mente-comportamento Neurociências Cérebro Mente Comportamento Biológicos Comportamentais Método? Psicobiologia Neuropsicologia Estrutura Mente Comportamento Psicobiologia Neuropsicologia A neuropsicologia é uma das ciências que contribui decisivamente à nosso conhecimento sobre como trabalha o cérebro e as alterações de seu funcionamento. Com a prática da Neuropsicologia, aparece o termo ‘Reabilitação Neuropsicológica’ ou reabilitação do funcionamento cerebral, que se define como aquela atividade que busca ensinar ou treinar habilidades dirigidas à melhorar o funcionamento cognitivo, da personalidade global e dos comportamentos alterados por uma lesão ou dano cerebral estrutural ou funcional. Lesões no Sistema Nervoso Central Mudanças no Intelecto Mudanças nas Emoções Mudanças no Caráter Relação Causal Correlação Anátomo- Clínica AS PRIMEIRAS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS Franz Joseph Gall Gall e cols. Acreditavam que uma análise detalhada da anatomia do crânio poderia descrever a personalidade de uma pessoa, a Personologia Anatômica. Frenologia Paul Broca Paul Pierre Broca, brilhante cirurgião e antropólogo francês, nasceu em Sant-Foy-la- Grande, em 1824. Ele chegou a esta descoberta ao estudar os cérebros de pacientes afásicos (pessoas incapazes de falar), particularmente o cérebro de seu primeiro paciente no Hospital Bicêtre de Paris, que era alcunhado de "Tan". Broca demonstrou, em 1861, que ele tinha uma lesão em um lado do cérebro, precisamente na área que controla a linguagem falada. Paul Pierre Broca faleceu em Paris, em 1880, provavelmente de um aneurisma cerebral. Carl Wernicke Cérebro de um paciente de Wernicke com Afasia de Compreensão Caso Phineas Gage Casos de Intervenção Neuropsicológica Apesar do auge da reabilitação das funções cerebrais nos últimos anos, podemos encontrar que o mais antigo documento sobre tratamento de pessoas com lesão cerebral data de mais de 3 mil anos (descoberto por Luxor em 1862). Muitas das técnicas atuais foram criadas no século XIX por Itard, quando trabalhou com um menino selvagem encontrado em 1800 em Aveyron. Para muitos autores, foi Luria, em 1963, em seus estudos com combatentes russos, o primeiro a oferecer uma das maiores bagagens no campo da Neuropsicologia clínica e experimental, com a elaboração de todo um modelo teórico sobre a organização cerebral e sua reabilitação. Ainda, um destacado professor em Cambridge, Dr. Zangwill, foi quem sugeriu muitos enfoques importantes e ainda vigentes na atualidade. 1ª. TRIAGEM E ANAMNESE 2ª. AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA 3ª. ACOMPANHAMENTO FAMILIAR 4ª. INTERVENÇÃO E REABILITAÇÃO COGNITIVA 5ª. REAVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA 6ª. ACOMPANHAMENTO E FOLLOW-UP A escolha de instrumentos psicológicos para cada caso clínico Fundamentos básicos • Objetivos: – traçar perfil cognitivo - comportamental do paciente – estabelecer déficits X capacidades preservadas – manifestação do perfil neuropsicológico na vida diária – traçar o plano de reabilitação • Instrumentos: – entrevista detalhada – testes convencionais – baterias ecológicas • severo déficit atencional quanto à seletividade e sustentação do tônus atencional • desorientação temporal • lentidão significativa no processamento de informações • lentidão motora importante • baixa fluência verbal, hesitação motora ao iniciar a fala • amnésia anterógrada e retrógrada, especialmente: – registro e evocação de material declarativo verbal – evocação do contexto em que a informação foi adquirida • perda da capacidade de realizar raciocínio abstrato complexo • dificuldade de nomeação, acarretando em prejuízo para comunicar-se com clareza • baixa percepção dos déficits • preservação das seguintes habilidades: – compreensão verbal – processar e reter informações implicitamente – raciocínio não-verbal – registro de relações espaciais entre elementos visuais A avaliação neuropsicológica tem, atualmente, cinco objetivos básicos: Diagnóstico discriminar entre sintomas neurológicos e psiquiátricos, oferecendo dados comportamentais para a localização cerebral da lesão (hoje com ajuda de neuroimagens e técnicas eletrofisiológicas). Muitas das técnicas e análises laboratoriais ainda não são capazes de diagnosticar encefalopatias tóxicas (Morrow, 1998), Alzheimer e outras demências (Derrer et. al., 2002; Welsh-Bohmer et. al., 2003) e danos traumáticos cerebrais leves (Reitan & Woldfson, 1999; Ricker e Zafonte, 2000). O rastreio é outro aspecto do diagnóstico. Detecta pessoas com certo risco para alguma condição específica. Cuidados ao paciente e planejamento uma informação descritiva precisa sobre o status emocional e cognitivo é essencial para gerenciar o cuidado de muitos distúrbios neurológicos. Conhecer as capacidades e limitações do paciente. Dados de avaliações neuropsicológicas repetidas em intervalos regulares podem oferecer indicações se a condição neurológica está mudando e, em caso afirmativo, o quão rapidamente e de que formas (Salmon, Heindel e Langue, 1999). A avaliação repetida fornece documentação da cognição de distúrbios psiquiátricos, bom como efeitos de medicação na memória, na linguagem, na percepção, na atenção, etc. Tratamento: planejamento e avaliação do tratamento atualmente, muitos neuropsicólogos estão envolvidos no tratamento ou em pesquisas sobre tratamento (Vanderploeg, 1998). Como os serviços são caros e dispendiosos, a avaliação ajuda a verificar a efetividade e o custo-benefício para o paciente, bem como o efeito positivo e negativo de um procedimento cirúrgico (Bell e Davis, 1998); lobotomia temporal para controle de epilepsia (Newman et. al., 2001); cirurgia arterial coronária (Meador, Loring e Hulihan et al., 2003) e outras. Pesquisa – investigações de como o cérebro ou um dano cerebral pode alterar um comportamento. A pesquisa neuropsicológica tem feito contribuições cruciais no estudo do comportamento normal e em suas funções cerebrais. Neuropsicologia forense bastante útil para considerar se um sujeito é ou não apto a ser considerado responsável por seus comportamentos, por cuidar de suas finanças, por se aposentar, etc. Validade ecológica – tipicamente se refere a quão bem os dados da avaliação neuropsicológica predizem o futuro ou o comportamento, como a detecção de demência. A importância de testes específicos para a língua, cultura e faixa etária do paciente. Programas computadorizados de avaliações têm proliferado e podem ser dominantes no repertório das avaliações neuropsicológicas. Reitan (1964) notou que “seremos capazes de acumular grande quantidade de grupos (para propósitos normativos) nos próximos 20 anos, mas podemos esperar que os resultados terão perdido o seu significado, pelo menos parcialmente, pois a bateriade testes terá se tornado obsoleta”. O neurologista examina a força, a eficiência, a reatividade e as respostas apropriadas do paciente à comando, perguntas, estimulação discreta de um subsistema neural particular e mudanças específicas para grupos motores específicos. Examina, ainda, a estrutura corporal pela busca de evidências de disfunções cerebrais como a retina, distrofia muscular, etc. Usa de neuroimagens como a Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética Funcional para investigar a anatomia intracraniana. O neuropsicólogo usa a avaliação neuropsicológica como método para examinar o cérebro, estudando seu produto comportamental. Assim como o neurologista, os achados são interpretados dentro do contexto clínico do paciente. Danos cerebrais resultam muitas condições diferentes e têm efeitos diferentes. As primeiras formulações do dano cerebral como condição unitária que estava presente ou ausente eram refletidas na proliferação de testes com a única função de “organicidade”, distinguindo pacientes psiquiátricos dos pacientes “orgânicos” ou de sujeitos normais. Num próximo estágio, o dano cerebral ainda era tratado como um fenômeno unitário, mas lhe era dada uma extensão mensurável. Karl Lashley sabia que mesmo em ratos, certas funções como a discriminação visual, havia comprometimento quando envolvia lesões cerebrais em áreas corticais bem definidas. Atualmente, sabe-se que as repercussões comportamentais do dano cerebral variam com a natureza, extensão, localização e duração da lesão; com a idade, sexo, condição física e background psicossocial e diferenças neuroanatômicas e fisiológicas. Não apenas o padrão do défice neuropsicológico diferiu com diferenças nas características e localização das lesões, como duas pessoas com patologia e locais lesionados similares podem ter perfis neuropsicológicos distintamente diferentes (Luria, 1970, DeBleser, 1988; Howard, 1997). Em contraste, pacientes com danos em locais diferentes podem apresentar défices similares (Naeser, Palumbo et. al., 1989). O comportamento pode ser conceitualizado em termos de três sistemas funcionais: 1) cognição; 2) emoção e 3) funções executivas. A cognição é a manipulação da informação; a emoção é a motivação e sentimentos; e as funções executivas é a forma como o comportamento é expresso. Na neuropsicologia, as funções executivas tem recebido muito mais atenção do que os sistemas emocionais e de controle. No entanto, o dano cerebral raramente afeta apenas um destes sistemas, envolvendo, na maioria das vezes, todos os três sistemas (Lezak, 1994). As quatro maiores classes das funções cognitivas tem seu análogo nas operações computacionais de input, armazenagem, processamento e output. 1) as funções receptivas envolvem a habilidade de selecionar, adquirir, classificar e integrar a informação; 2) a memória e aprendizagem se referem ao armazenamento e recuperação da informação; 3) o pensamento se refere à organização mental e reorganização da informação; 4) as funções expressivas são o modo pelo qual a informação é comunicada e posta em ação. Antônio e Hanna Damásio (1990) descreveram a memória (armazenamento e recuperação da informação) como componentes do reconhecimento visual. Também chamam a atenção para o papel que o pensamento (formação de conceitos) desempenha no simples ato de identificar um estímulo visual pelo nome. De modo geral, dentro de cada classe de funções cognitivas, uma divisão pode ser feita entre aquelas funções que medeiam a informação verbal/simbólica e aquelas que lidam com os dados que não podem ser comunicados em palavras ou símbolos, como um padrão visual ou sonoro complexo. NEUROPSICOLOGIA E O CONCEITO DE INTELIGÊNCIA A função cerebral é muito complexa para ser comunicada num único escore, porém, a atividade cognitiva foi originalmente atribuída à uma única função: a inteligência. Os primeiros investigadores trataram do conceito de inteligência como se fosse uma variável unitária (Binet & Simon, 1908; Terman, 1916) e diminuía com a quantidade de tecido cerebral perdida num acidente ou doença (Chapman & Wolff, 1959; Lashley, 1938). A pesquisa neuropsicológica tem contribuído para a redefinição da natureza da “inteligência” (Gazzaniga, 2000; Kolb & Wishaw, 1996). Estudos neuropsicológicos não encontraram uma cognição ou função intelectual geral, mas muitas e discretas que trabalham juntas tão sutilmente no cérebro intacto que a cognição é percebida como sendo única. Habilidades cognitivas ou habilidades mentais são termos utilizados quando se referem àquelas funções psicológicas delicadas à recepção da informação, processamento e expressão e às funções executivas – as habilidades necessárias para o controle metacognitivo e direção da experiência mental. O termo “Q.I.” se refere ao escore derivado de muitas baterias de testes delineados a medir a habilidade hipotética geral: a inteligência. Devido à multiplicidade das funções cognitivas avaliadas nas baterias, os escores de Q.I. não são úteis em descrever os desempenhos nos testes cognitivos. A avaliação neuropsicológica se concentra em documentar e descrever os défices, bem como as funções preservadas e as competências comportamentais dos pacientes. Em alguns pacientes, a perda ou défice são bastante sutis, se tornando aparentes apenas durante tarefas complexas. Embora os efeitos dos danos cerebrais raramente estejam confinados à uma única dimensão comportamental ou sistema funcional, a avaliação do défice psicológico se foca no prejuízo cognitivo por várias razões: 1) algum nível de prejuízo cognitivo acompanha a maioria das disfunções cerebrais e é uma característica significativa para o diagnóstico de muitos quadros neurológicos; 2) os psicólogos são mais aptos a medirem a atividade cognitiva do que qualquer outro tipo de comportamento, exceto talvez as reações psicofísicas simples e respostas sensório-motoras. O conceito de défice comportamental pressupõe algum funcionamento ideal, normal que é comparado com o desempenho do paciente que pode ser medido. Esta comparação padronizada pode ser normativa (derivada de uma população apropriada) ou individual (derivada da história do paciente ou características presentes), dependendo do paciente, do comportamento avaliado ou do objetivo da avaliação. A avaliação neuropsicológica usa tanto os padrões normativos como o individual para comparação e medidas dos défices. No entanto, os examinadores precisam estar cientes dos vieses de julgamento quando estimam as habilidades pre-mórbidas (Kareken, 1997). O padrão de comparação normativa pode ser uma pontuação média ou mediana. Para muitas funções cognitivas, variáveis de idade e educação podem afetar o desempenho do teste. A medida do comportamento infantil pode ser afetada pela idade, escolaridade e sexo (Binet & Simon, 1908). Na avaliação neuropsicológica, as normas populacionais são mais úteis em avaliar as funções cognitivas básicas que se desenvolvem através da infância. Elas podem ser distintas das habilidades mentais complexas ou habilidades acadêmicas quando examinadas como funções relativamente puras. Muitos testes de percepção, memória e atenção, e aqueles que envolvam habilidades motoras, entram nesta categoria (Dodrill, 1999; Willian, 1997). Tipicamente, desempenhos destas capacidades não são normalmente distribuídas. Que testes utilizar? Para selecionar os testes para um determinado cliente, é fundamental que o neuropsicólogo esteja totalmente familiarizado com a série de testes disponíveis e seus objetivos. OS TESTES SÃO A “CAIXA DE FERRAMENTAS”DO NEUROPSICÓLOGO McKinlay (1992) cita um caso de um psicólogo inexperiente que dependia obter apenas uma medida de inteligência geral e um teste de memória. Os resultados de uma seleção tão limitada podem ser seriamente enganosos. Por outro lado, uma bateria de testes fixos, como a bateria de Halstead-Reitan, pode ser excessivamente demorada e deixa pouco espaço para a verificação da profundidade dos défices em áreas específicas. Em nossa prática, a seleção de testes para um determinado cliente é muitas vezes aberto, i.e., nem todos os testes que serão dados em um caso específico são determinadas com antecedência. Em vez disso, alguns testes básicos são dados em primeiro lugar, com base nas informações disponíveis sobre o problema do cliente. Estes geralmente incluem um teste de inteligência adequado para a idade do cliente e vários testes de rastreio curtos nas áreas de déficit presumido, ou seja, os testes de memória, concentração, atenção, etc. Testes adicionais são selecionados após análise dos resultados dos principais comportamentos, de queixas do cliente, e durante os próprios testes. Ocasionalmente, é óbvio que o cliente se cansa facilmente ou é susceptível em falhar nos testes mais exigentes. Nesse caso, a seleção de ensaios adicionais é fundamental e deve concentrar-se diretamente sobre os problemas-alvo e na capacidade do cliente para trabalhar com o examinador. Relativamente pouca atenção tem sido dada para consumidor de avaliação neuropsicológica. A fim de obter o máximo benefício para o cliente, no entanto, o neuropsicólogo deve estar preparado para seguir algumas das regras básicas que surgiram a partir de um de acompanhamento de 129 pacientes atendidos em cinco centros australianos. Estas regras parecem igualmente aplicáveis a outras localizações geográficas (Bennett-Levy et al., 1994): 1. Os clientes normalmente não são preparados para o que esperar durante uma avaliação. 60% dos clientes no estudo não tinham nenhuma informação sobre o que esperar ou não sabiam que a avaliação pode levar até 3 horas. Isto pode ser evitado com a orientação dos agentes, antes da avaliação, e fornecendo uma introdução detalhada antes do início do teste. 2. Aos clientes deve ser dada uma justificativa adequada para os ensaios para que eles possam ver a importância dos testes para a sua própria situação na vida diária. 3. Fornecer feedback sobre os pontos fortes e sobre as áreas problemáticas com sugestões sobre como começar pelas áreas problemáticas, por ser mais essencial. 4. Convidar um parente para acompanhar o cliente pode ser benéfico para aliviar a ansiedade, mas também pode ajudar na tomada de história e informações na entrevista. Na maioria dos casos, o acompanhante deve ser entrevistado separadamente para evitar constrangimento para o cliente. Além disso, as discrepâncias entre as declarações prestadas pelo informante e pelo cliente podem fornecer pistas sobre a percepção do cliente ou a consciência dos déficits, e sobre os efeitos de tais déficits no funcionamento diário. 5. Aliviar a ansiedade do cliente, o tanto quanto possível. A experiência em testes pode ter um impacto significativo na autoconfiança. Garantia de que nem todos os itens de um teste podem ser realizados pela maioria dos clientes, ou que, em alguns testes (por exemplo, Rorschach, MMPI-2) não há respostas corretas e devem ser fornecidas de forma rotineira. A maioria dos clientes entende que um teste contém itens com maior dificuldade para evitar um efeito de teto para certos indivíduos. 6. Fornecer um ambiente confortável para a testagem e pedir ao cliente como ele poderia estar mais confortável. Mais de 90% dos clientes no estudo de Bennett-Levy mencionou que era muito quente, muito frio ou muito barulhento. Alguns clientes se queixam de dores nas costas, a disponibilidade de um apoio para as costas pode aliviar as queixas. As crianças devem estar equipados com tamanho adequado mesas e cadeiras. 7. Fornecer pausas adequadas e bebidas quentes ou frias. Normalmente, uma pausa depois de uma hora e meia entre os testes é indicado. 8. Oferecer ao cliente a escolha de uma avaliação em apenas uma única sessão, ou com separação entre elas. Setenta e dois por cento dos clientes do estudo de Bennett-Levy indicou que, para uma avaliação de 3 horas, eles teriam preferido duas sessões, em vez de uma. Em situações onde o cliente é um terceiro, i.e., nas avaliações forenses, judiciais ou aposentadoria, onde o psicólogo trabalha para o réu, ostensivamente o cliente deve ser assegurado que o objetivo da avaliação é fornecer uma imagem válida de seus pontos fortes e fracos. O cliente deve ser incentivado a cooperar plenamente para evitar resultados enganosos. Há algumas evidências (por exemplo, a Johnson & Lesniak-Karpiak, 1997) alerta aos clientes que pode ser possível detectar o exagero dos défices em testes neuropsicológicos. Raramente se encontra clientes que se recusam a colaborar a título definitivo, mas ocasionalmente podem apresentar falta de esforço, tentando obter um baixo desempenho nos testes. Em tais casos, uma breve discussão repetindo a finalidade da avaliação e / ou uma pausa seja necessária. Se um cliente se recusar a cooperar em um determinado teste, a mudança para outro teste muito diferente pode ser uma opção. A recusa a cooperar, embora extremamente rara, deve ser aceita pelo examinador, que então interrompe a sessão. Em tais casos, se oferece ao cliente uma saída para a situação, assegurando-lhe que os testes podem ser agendados em outro momento quando o cliente se sentir melhor. Quando se testa crianças ou adolescentes é especialmente importante se estabelecer um bom rapport. Tal como acontece com os adultos. Uma atitude de aceitação, compreensão e respeito ao cliente é mais importante do que truques divertidos para criar e manter o rapport. As crianças mais velhas podem experimentar os testes como sendo semelhante a uma situação de teste da escola, que pode evocar o medo do fracasso e da ansiedade. A reafirmação e o encorajamento para o esforço pode funcionar melhor do que o elogio para os resultados do esforço, porque a maioria dos testes possui progresso rápido aos itens difíceis, onde o insucesso é inevitável (Sattler, 1990). As crianças mais jovens e crianças com problemas de comportamento podem tentar manipular o examinador, fazendo perguntas, recusando-se a responder, levantando-se constantemente a pedir pausas, ou mesmo exibindo hostilidade aberta ou sair da sala de avaliação. Isto pode ser evitado alterando o material de teste para uma avaliação diferente ou para tarefas em que o cliente fique mais confortável. O examinador deve ter em mente que o comportamento da criança não reflete sobre o examinador, mas mostra uma forma de como a criança pode enfrentar em situações semelhantes. Um examinador inexperiente com filhos pode querer chamar um colega que trabalha regularmente com crianças. Storandt (1994) discute as características dos pacientes idosos que podem afetar o andamento e os resultados da avaliação. O cliente pode, muitas vezes, ser excessivamente loquaz e pode retransmitir, ao longo do tempo, histórias pessoais enquanto está sendo testado. Para este tipo de cliente, Storandt recomenda uma atitude agradável, mas metódica por parte do examinador, adiando todas as discussões até o final da sessão, explicando que durante o teste há muito a ser realizado. Em contrapartida, o cliente deprimido ou desanimado pode exigir considerável incentivo e paciência do examinador (tempo e também outras coisas mais). O objetivo da avaliação neuropsicológica é ajudar o cliente em muitas maneiras diferentes: para assessorar e aconselhar diretamente, para fornecer informações para o processo de diagnóstico, para obtenção de dados essenciais para a terapia, e para medir o progresso ou declínio da função ao longo do tempo. Às vezes, essa informação é recolhida para ajudar a decidir questões forenses. Em todos os casos, é elaborado um relatório que reflita os resultados de ensaios, observações e outros materiais relevantes. Decorre disto que os relatórios de avaliação neuropsicológica variam muito em formato, conteúdo e linguagem, dependendo da finalidade da avaliação. Um formato fixo é apropriado para todos os fins. No entanto, os passos na elaboração do relatório são semelhantes e serão descritos. Além disso, vamos fazer um breve comentário sobre as questões de conteúdo, de confidencialidade, o uso do computador, e outras questões relevantes na elaboração de relatórios e laudos. A maioria dos relatórios de avaliação neuropsicológica conter algumas informações básicas. É útil preparar o relatório em treze etapas, organizando as informações recolhidas durante a avaliação nos seguintes básicos: 1. Dados do cliente 2. Motivos e demandas 3. História relevante 4. Revisão pertinente de relatórios e exames anteriores 5. Preocupações atuais do cliente 6. Relato do(s) informante(s) 7. Observações durante a anamnese e testes 8. Resultados dos testes (Status cognitivo geral, função executiva, atenção / concentração, aprendizagem / memória, linguagem, habilidade visuo-espacial, função motora, função sensorial, personalidade / humor) 9. Interpretação dos resultados dos testes e observações 10. Resumo do diagnóstico 11. Recomendações 12. Implicações vocacionais, etc. 13. Apêndice: Testes administrados Para evitar confusão na transmissão do relatório e do laudo, o nome completo, data de nascimento e endereço do paciente, bem como a data de aplicação dos testes e as fontes de referências devem ser listadas no topo do relatório. Se o relatório for escrito em formulário padrão fornecido pelo hospital ou de uma clínica, ou ainda em forma de carta, esta informação deve ser listada separadamente no início do relatório. A identidade da pessoa que escreve o relatório pode ser indicada pelo timbre do papel, carimbo ou pela assinatura. Em relatórios escritos para fins forenses, a qualificação do psicólogo (registro ou licença, o Conselho de certificação, área de especialização, anos de experiência) são necessários e, geralmente, formam a primeira frase do relatório. Dependendo do destinatário do relatório, uma frase do prefácio que define a validade limitada de um relatório e deve ser inserida no começo, principalmente quando o paciente é uma criança. Normalmente, para crianças, um prazo é de um ano para a utilização do relatório. Embora antigos relatórios possam ser úteis para fins de comparação, todos os relatórios ou arquivos de escolares são citados repetidamente ao invés de substituído por uma nova avaliação, o que leva a decisões prejudiciais, mesmo muito tempo depois de um problema tem sido superado com sucesso pelo cliente. Reconhecendo este problema, alguns conselhos escolares têm removido as referências aos relatórios de avaliação, os próprios relatórios, e até mesmo a realização de teste ou resultados obtidos pelos professores em sala de aula a partir do registro da escola permanente. No entanto, esta informação é valiosa para determinar a capacidade pré-mórbida. É indispensável indicar brevemente a finalidade do relatório no início, a fim de concentrar o relatório e para esclarecer a relação do escritor com o destinatário do relatório. Desde que o motivo, muitas vezes, guia a seleção de testes, citando que ajuda a esclarecer por que determinados testes foram aplicados, bem como o teor da anamnese subsequente. Nos casos referidos por um médico ou outro psicólogo, um advogado, e mesmo no caso de autoreferido pelo paciente, uma frase ou duas confirmam que você tenha entendido o pedido e irá abordar questões relevantes ao invés de dar um parecer geral. Isto não exclui enfrentar outros problemas em seu relatório. Na verdade, o receptor será grato ao encontrar outras informações no relatório de que ele ou ela não tenha conhecimento. Algumas referências são feitas sem uma indicação clara de finalidade. Em tais casos, um telefonema ou correspondência é necessário para esclarecer o motivo da remessa. Um formulário de encaminhamento de questões específicas deve ser utilizado sempre que possível, ao agente de referência. Além dos acima citados, o laudo ou relatório normalmente inclui informações sobre o local de nascimento do cliente, e história médica familiar pertinente, escolaridade, história ocupacional, contato com produtos químicos no trabalho, uso de álcool e drogas, família e vida situação, hobbies e relações interpessoais. A ênfase neste ponto é a informação que seja relevante para efeitos do relatório. Incluir a informação só contribui para a compreensão da questão de referência. Por exemplo, se a deterioração cognitiva é a suspeita, esta secção do relatório que estabelece as bases para a determinação do tipo de transtorno, detalhando todas as contribuições genéticas, bem como o curso do transtorno (por exemplo, abrupta ou insidiosa). Ela permite uma estimativa do funcionamento pré-mórbido a ser apurada descrevendo destaques do sucesso escolar e profissional. Também contribui para uma compreensão do impacto da doença sobre a situação social e profissional do cliente. Informação que é verdadeira e interessante, mas não relevante para a questão de referência, no entanto, deve ser omitido. Duplicidade de informações disponíveis de outras fontes também deve ser evitada. Isso só acrescenta em massa para o relatório e os resíduos, tanto o escritor e o tempo do leitor. Omitir informação relevante ao longo do relatório é igualmente previsto pelo Código de Ética do Psicólogo do Conselho Federal de Psicologia. Segundo este princípio, o psicólogo não deve escrever no relatório que as declarações não são pertinentes para a avaliação ou que sejam uma indevida invasão da privacidade. Outros itens do Código de Ética do interesse específico para o neuropsicólogo (por exemplo, a documentação dos resultados da avaliação, a competência, múltiplas relações) são delineados pela Binder e Thompson (1995). Esta seção fornece informações de outras fontes, como relatórios médicos, relatórios da escola, e antes de dados de testes psicológicos. Enquanto alguns neuropsicólogos apenas listam os relatórios recebidos, outras fornecem um breve resumo dos relatórios pertinentes. Novamente, a duplicidade de informações disponíveis de outras fontes deve ser evitada. O princípio orientador para a inclusão deve ser se a informação contribui para uma compreensão mais clara dos resultados dos testes atuais, interpretações e recomendações. Por exemplo, se um cliente foi submetido à avaliação psicológica anterior, em seguida, destacar brevemente as principais conclusões podem ser útil desde que o escritor deseje contrastar o atual com os resultados dos testes anteriores. Pode ser importante, em casos de lesão cerebral traumática, relatar informações da história médica sobre a duração da alteração da consciência, a extensão da perda de memória, etc, desde que esta informação tenha influência sobre o diagnóstico e prognóstico. Da mesma forma, poderia ser útil para analisar medicamentos do cliente uma vez que poderá ter implicações sobre a validade dos resultados do teste. É importante incluir uma descrição das queixasdo cliente e suas preocupações. Note que estes podem ser bastante diferentes dos da fonte de referência (por exemplo, o neurologista, o empregador, etc). Além dos problemas físicos e cognitivos, esta secção deve incluir também informações sobre o estado emocional do paciente (por exemplo, estresse, ansiedade, depressão) e do impacto dos sintomas ou queixas sobre a vida diária, pois isso pode afetar a interpretação dos resultados dos testes, bem como as recomendações. Recomendamos que cada área (física, cognitiva, emocional) deve ser tratada de forma deliberada (por exemplo, "Em termos de queixas físicas, o paciente relatou náusea, tontura, etc.”). Esta seção inclui informações de outras pessoas (cônjuge, parente, professores) que contribuem para uma compreensão do desempenho do cliente. Essas informações podem destacar preocupações adicionais e sintomas, bem como descobrir as declarações do cliente que são enganosas no que diz respeito à gravidade dos sintomas e o tempo de sua evolução. Uma vez que testes frequentemente se estendem por várias horas ou dias, o comportamento do paciente durante esse período fornece informações valiosas sobre o funcionamento do dia-a-dia. Competência como historiador, aparência pessoal, pontualidade, cooperativismo, relação com o examinador, abordagem ao romance ou tarefas de rotina, a compreensão das instruções, a resposta ao estímulo, a reação ao fracasso, e grau de esforço podem ser julgados por um examinador experiente. O cooperativismo foi altamente correlacionado com resultados de testes em pacientes geriátricos; tais correlações incluem, naturalmente, não só a vontade, mas também a capacidade de cooperar do paciente. O comportamento no início e no final da sessão, ou o efeito de pausas durante o ensaio sobre a motivação posterior, permitem tirar conclusões sobre a persistência, a fadiga, a velocidade de resposta e controle emocional, de fato, mudanças substanciais no decurso da avaliação e devem ser cuidadosamente documentadas, pois podem afetar a validade dos resultados dos testes. Quaisquer preocupações que os resultados da avaliação possam ser considerados como não confiáveis ou com indicadores válidos da capacidade de um indivíduo, deve ser claramente indicado nesta seção, juntamente com as razões para as preocupações (Os resultados dos testes podem subestimar a capacidade do cliente porque ele tinha um frio severo no dia da testagem). Novamente, esta parte do relatório deve ser mantida a um mínimo de detalhes relevantes. Não há necessidade de sobrecarregar o relatório com as observações gerais não pertinentes à finalidade da avaliação. Esta seção do relatório contém uma descrição dos resultados em termos de nível de desempenho, geralmente expressa em percentual. Outros autores podem preferir os escores T. A seção deve ser antecedida por uma explicação sobre o sistema de pontuação utilizado (isto é, a classificação do percentil 60 indica que o desempenho foi melhor estimada do que 60 por cento da população de referência, da idade do cliente, com base numa comparação normativa) a menos que o destinatário do relatório seja totalmente familiarizado com o sistema utilizado. O relato de escores brutos, pontuações escalonadas, ou QI, ainda é recomendado por autores como Freides (1993, 1995) ou Tallent (1993). Naugle e McSweeny (1995) apontam que essa prática pode levar a interpretações equivocadas e contraria os princípios éticos de Psicólogos (APA, 1992). Existe um consenso emergente de que a utilização de fileiras de percentil ou escores T num relatório dirigido a outros profissionais de saúde ou para o paciente e familiar é preferível: Evita os mitos muitas vezes associadas a escores de QI e fornece ao leitor um sistema de pontuação compreensível dos testes. No entanto, uma desvantagem de comunicação percentil é o pseudo acurácia implícitas em tais pontuações. Basicamente, o rank de percentil representa o número de pessoas abrangidas pela curva de distribuição normal, conforme expresso em desvios-padrão. Com cálculos no computador, mesmo pequenas frações de um desvio-padrão podem ser traduzidas em pontos percentuais que são sem sentido (e não significativos) na realidade, mas as diferenças podem ser bastante evidentes para o leitor familiarizado com princípios psicométricos básicos. Além disso, alguns resultados dos testes não são normalmente distribuídos. Enquanto alguns neuropsicólogos descrevem os resultados dos testes, teste por teste, um bom relatório organiza a informação em domínios (nível intelectual geral, realização, função executiva, atenção / concentração, de aprendizagem / memória, linguagem, habilidade visuo-espacial, função motora, função sensorial, personalidade / humor, etc) que podem variar dependendo da finalidade da avaliação. Resultados não contributivos são omitidos ou se resumem brevemente. Nosso relatório típico inclui seções separadas para cada domínio (com legendas). Frases Tópico integram as informações dos testes diferentes que são relevantes para interpretar o funcionamento do cliente dentro desse domínio. Isto é seguido por um relatório sobre os dados que levaram à interpretação. Nossa prática usual é a validação das declarações ao fornecer os dados de apoio e referência entre parênteses os ensaios pertinentes (por exemplo, a Linguagem: compreensão verbal parecia intacto. Ela era bem capaz de seguir comandos complexos [Token Test com percentil 90]. Em contrapartida, as funções expressivas foram consideradas pobres. Sua capacidade de gerar palavras de comando dentro de um prazo fixo [Fluência Verbal] era pobre, abaixo do percentil 10. Ela também tinha muita dificuldade para nomear objetos retratados [Boston Naming Test], sua pontuação foi abaixo do percentil 5. Algumas parafasias [substituição de sons] eram aparentes em tarefas de nomeação [por exemplo, pato gato]. O fornecimento de pistas fonêmicas facilitou a nomeação). Também é útil ter em mente que a maioria dos testes fornece resultados para vários domínios diferentes. Por exemplo, as pontuações dos subtestes do WAIS-III não precisam ser todos referenciados de habilidade intelectual, mas sim de dígitos, que pode ser considerada de atenção, vocabulário de linguagem, delineamento em blocos de práxis de construção, etc. Da mesma forma, o Trail Making Test pode ser considerado sob uma função executiva, atenção e de habilidade visuomotora. A interpretação nunca deve seguir uma ordem teste-por-teste, mas deve apresentar um quadro lógico e coerente de todas as conclusões pertinentes. Em casos de suspeita de défices após danos no cérebro, é útil começar por estabelecer as habilidades pre-mórbidas primeiro, e depois proceder às questões referentes. Estas questões podem agora serem formuladas no contexto de uma avaliação mais detalhada e não devem simplesmente repetir os resultados dos testes. É importante relatar a lista de áreas preservadas (pontos fortes), bem como os pontos fracos do cliente na parte de interpretação do relatório. Pontos fortes em determinadas áreas cognitivas ou outras áreas é a base principal para as estratégias de intervenção. Gostaríamos de salientar que a discussão dos pontos fortes e fracos se refere aos componentes funcionais e não aos resultados dos testes. Quando se analisa os resultados da avaliação, é útil para destacar os melhores e os piores resultados indicados na folha de perfil. Estes podem ser de uma ou mais áreas do funcionamento psicológico e irá gerar várias hipóteses psicológicas ou “síndromes”. O neuropsicólogo deve então continuar revisando os outros testes com funções de medidas similares para cada uma dessas “síndromes”, bem como outras informações (por exemplo, observações comportamentais,relatos do informante, etc) e verificar, modificar, refutar ou explicar- lhes e discutir sua importância neurológica com a elaboração do relatório. A interpretação, com base em informações quantitativas e qualitativas, devem respeitar o que é conhecido sobre as relações entre os comportamentos, ou seja, ele deve fazer sentido do ponto de vista neurológico e neuropsicológico e deve também ter em conta as informações sobre a confiabilidade e validade do teste. Leckliter e Matarazzo (1989) advertem que idade, escolaridade, QI, etnia e gênero podem ter efeitos grandes o suficiente para causar erros falso-positivos quando há inferências sobre a adequação da função cerebral, também com base em normas psicométricas não corrigidas. Além disso, a história de vida e descobertas médicas devem ser consideradas quando julgamentos sobre o comprometimento cognitivo são feitos (Matarazzo, 1990). Leckliter e Forster (1994) apresentam problemas semelhantes para a bateria de Halstead- Reitan para crianças mais velhas. Bengtson et al. (1996) levantam outra questão importante sobre o uso de normas de testes: foi aceito, por algum tempo, que as pontuações médias de QI aumentaram em cerca de 14 pontos durante o período compreendido entre 1932 e 1978. Este aumento gradual, muitas vezes é atribuída à educação e à cultura, ao invés de melhoria intelectual, e também foi observada em uma meta-análise das normas do teste de Halstead-Reitan, em 69 estudos publicados durante os últimos 20 anos, e os resultados foram elevadas (1,3 desvio padrão) para o Teste de Categoria, e 1,0 desvio padrão para o escore de Localização do Teste Tátil. Os autores advertem que, para uso clínico em curso, os padrões normativos devem ser usados. Os dados normativos são muitas vezes baseados em amostras de voluntários saudáveis, provenientes da comunidade. Mesmo que tais amostras possam ser representativas, deve-se ter em mente que os pacientes muitas vezes são testados em um ambiente hospitalar com a ansiedade sobre uma doença em curso e com menos atenção ótima e motivação; dependendo do tipo de hospital, os pacientes também podem estar longe de serem representativos para a população em geral. Lichtenberg et al. (1995) e Ross e Lichtenberg (1997) encontraram, por exemplo, que as normas para idosos internados interior da cidade com os distúrbios neurológicos no Boston Naming Test e outros testes (Fuld Object Memory, Memória Lógica do WMS, Discriminação Visual de Forma no Hooper Visual Organization Test) foram consideravelmente menores do que outras normas publicadas, com base nos voluntários da comunidade e mostrou desvios padrões consideravelmente maiores. Na verdade, algumas normas excederam a pontuação de corte recomendada para pacientes com lesão cerebral. O neuropsicólogo deve examinar cuidadosamente as normas publicadas, a fim de determinar se eles devem ser aplicados a um determinado paciente. Um cuidado especial deve ser tomado quando o paciente apresenta indícios de depressão. Como Sweet et al. (1992) apontam, os pontos de corte usuais na determinação do comprometimento em testes conhecidos pode ser fortemente influenciados por uma depressão (por exemplo, Teste das Trilhas, Dígito de Símbolos do WAIS-III) e não podem ser usados Apesar disto, use um critério mais rigoroso, como um ponto de corte, que é um desvio padrão de distância adicional do desempenho normal. A presença de padrões de comprometimento que não são associados com a depressão tem um peso muito maior. Por exemplo, os sinais de afasia, um efeito verdadeiro do Teste Stroop, ao contrário de lentidão em todas as três páginas de Stroop Color- Word, prejudica a recordação e o reconhecimento, a incapacidade de aprendizagem incidental e intencional, e recordar pares de palavras fáceis e difíceis não são comuns em pacientes deprimidos. •Trabalho Cognitivo •Atendimento Familiar •Psicoterapia Focal Individual •Trabalho em Grupo • Objetivos no momento inicial: – reestruturação do dia-a-dia do paciente – utilização de instrumentos compensatórios – orientação temporal • Objetivos avançados: – aprendizagem de uma habilidade com significado – elaboração de atividades mais complexas a partir de aprendizagens prévias – incorporação destas atividades no dia-a-dia do paciente • Objetivos: – criar vínculo de colaboração entre equipe e família – orientação sobre como lidar com o paciente em casa – continuidade do trabalho cognitivo em casa – informações sobre a patologia e o funcionamento cognitivo – apoio para maior aceitação das perdas permanentes – preparação para alta - generalização • Espaço de reflexão sobre a condição pós-acidente, suas possibilidades e limitações • Foco no enfrentamento das perdas impostas pela lesão e no processo de reabilitação • Através da construção de um vínculo positivo e continente, busca aumentar a auto-percepção do paciente • Objetivos: – promover a integração social entre pacientes, que em geral estão restritos à família – aumentar a auto-percepção através do vínculo positivo com outros pacientes • Modo de Funcionamento: – atividades estruturadas abordando principalmente aspectos sociais e cognitivos – sessões de 1h e meia, 2 a 3 vezes por semana • Critérios para alta: – metas foram atingidas – novos progressos não podem ser alcançados – família tem condições de dar alguma continuidade ao trabalho • Como é realizada: – processo lento e cuidadoso – atendimento intensivo à família – atendimentos do paciente diminuem gradualmente Sala de Estimulação Cognitiva - IBNeuro Os mecanismos para desenvolver a reabilitação cognitiva podem ser isolados ou combinados: 1 - Restauração (ou restituição) 2 - Compensação 3 - Substituição 4 - Ativação-Estimulação 5 - Integração. É o mecanismo no qual se estimula e melhora as funções cognitivas através da atuação direta sobre elas. É utilizado quando existe perda parcial de uma área circunscrita, com diminuição de uma ou várias das funções elementares, pois se pode reorganizar ou reconstituir pelo treinamento. É denominado “modelo de deficiência”, baseado na premissa de que a repetição ou prática pode melhorar tarefas de execução, e de que existe algum nível de generalização entre as tarefas de treinamento (como o uso do computador) e o mundo real. Assume-se que a função alterada não pode se restaurar e se busca potencializar o emprego de diferentes mecanismos alternativos ou habilidades preservadas. Baseia-se em ensinar o paciente diferentes estratégias que ajudam a minimizar os problemas resultantes das disfunções cognitivas. Busca-se substitutos que diminuam o impacto do deterioramento do funcionamento diário. É denominado “modelo de ausência” e pretende proporcionar alternativas com estratégias e ajudas externas (uso de diários, alarmes, anotações) ou internas (técnicas visuais e verbais para melhorar o funcionamento da memória). Se emprega para liberar zonas bloqueadas que tenham sido diminuídas ou suprimidas, que se manifestam em uma lentidão na velocidade de processar informação, fadiga ou falta de motivação. Podem ser úteis os psicofármacos, modificações de comportamento, um ambiente rico em estímulos ou a repetição de respostas ante a um estímulo para melhorar sua execução. Se utiliza quando existe uma interação deficiente entre módulos funcionais ou quando em sua interação temporal se produz interferência. É denominado “modelo de interferência”, se trata de melhorar a atividade mental de maneira global, trabalhando com um modelo ecológico (holístico, multimodal). Constitui num dos mais preferidos atualmente. Trata de eliminar a interferênciacom a utilização de psicofármacos ou treinamento específico. Atuação do Neuropsicólogo Compreensão do alcance dos exames de imagem; Compreensão dos recursos de avaliação Neuropsicológica; Compreensão dos alcances dos programas de Reabilitação Neuropsicológica ; Integração com outras especialidades; Profissionalização da Neuropsicologia; Aumento Significativo de Publicações Cientificas; Ampliação Notória do Campo do Trabalho Verificar a existência de transtornos cognitivos decorrentes de lesões cerebrais ou da instalação de possíveis doenças degenerativas. Contribuir com o diagnóstico clínico e diferencial. Determinar a magnitude do acometimento e em determinadas situações estagiar o grau da doença. Estabelecer as habilidades residuais e potencialidades preservadas do paciente. Contribuir para o desenho e monitorização dos programas de reabilitação. www.ibneuro.com.br Instituto Brasileiro de Neuropsicologia e Ciências Cognitivas