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Dislexia CID 10 CID-10: F81.1 – Transtorno específico de leitura (dislexia de desenvolvimento, leitura especular, retardo específico da leitura) A característica essencial é um comprometimento específico e significativo do desenvolvimento das habilidades da leitura, não atribuíveis exclusivamente à idade mental, a transtornos de acuidade visual ou escolarização inadequada. A capacidade de compreensão da leitura, o reconhecimento das palavras, a leitura oral e o desempenho de tarefas que necessitam da leitura podem estar comprometidos. DSM-IV Organizado pela Associação Psiquiátrica Americana De acordo com DSM-5, a dislexia (ou o equivalente a ela) é um dos distúrbios específicos de aprendizagem. Caracteriza-se por prejuízo na leitura, mais especificamente na precisão e na velocidade de reconhecimento de palavras e no processo de decodificação fonológica, que pode ser combinado ou não com baixas habilidades de soletração. Tipos de dislexia Dislexia adquirida: geralmente mais observada em adultos do que em criança, é a perda da capacidade de ler e escrever através de dano cerebral resultam de lesões cerebrais e correspondem a diferentes prejuízos no processo de leitura e ortografia. Divididas em dislexias periféricas e dislexias centrais. Dislexia do desenvolvimento: mais observada em crianças, é a dificuldade na aquisição da leitura e escrita durante o processo de alfabetização. Dislexias periféricas (Ellis, 1985) Dislexia por negligência (Ellis, 1985) Dislexia por atenção (Ellis, 1985) Leitura letra por letra. (Ellis, 1985) Dislexias centrais (Ellis, 1985) Dislexia disfonética ou fonológica (Border, 1973) Dislexia Diseidética (Border, 1973) Dislexia Mista (Border, 1973) Outros tipos Sintomas Na linguagem oral Atraso no desenvolvimento da fala; Problemas para formar palavras de forma correta, como trocar a ordem dos sons na palavra (popica/pipoca) ou confundir palavras semelhantes (umidade/ humanidade); Erros de pronúncia, incluindo trocas, omissões, substituições, adições e misturas de fonemas; Dificuldade para nomear letras, números e cores; Dificuldade em atividades de aliteração e rima; Dificuldade para se expressar de forma clara. Na leitura Dificuldade em decodificar palavras; Erros no reconhecimento de palavras, mesmo das mais frequentes; Leitura oral devagar e incorreta. Pouca fluência com inadequações de ritmo e entonação, em relação ao esperado para idade e escolaridade; Compreensão de texto prejudicada como consequência da dificuldade para decodificar palavras; Vocabulário reduzido. Na escrita Erros de soletração e ortografia, mesmo nas palavras mais frequentes; Omissões, substituições e inversões de letras e/ou sílabas; Dificuldade na produção textual, com velocidade abaixo do esperado para idade e escolaridade. Prevalência Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), a dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula e atinge entre 5% e 17% da população mundial. O gênero masculino tende a apresentar uma maior prevalência comparativamente com o feminino. CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO DE DILESXIA Sobre uma avaliação de Dislexia deve-se analisar o histórico: 1. Familiar - Maior prevalência de Dislexia ou de dificuldades de aprendizagem entre elementos da família - Fatores hereditários associados 2.Escolar -Informação formal e informal do desepenho -Percurso e histórico escolar 3.Desenvolvimental e médica - Existência de alguma problemática que possa explicar as dificuldades na leitura e escrita - Avaliação clinica= funções neurocognitivas, leitura, escrita etc COMORBIDADES ASSOCIADAS A DISLEXIA DISGRAFIA DISCALCULIA TDAH DISORTOGRAFIA Comorbidades emocionais MAIORES NÍVEIS DE DEPRESSÃO ANSIEDADE COMPORTAMENTOS INTERNALIZANTES QUEIXAS SOMÁTICAS HUMOR DEPRIMIDO IDEAÇÃO SUICIDA Avaliação Neuropsicológica Neuropsicologia Tem como principal método de investigação a avaliação neuropsicológica. A avaliação neuropsicológica utiliza diversos recursos que são desenvolvidos em laboratórios de neuropsicologia, neurologia e psicometria. É essencial na contribuição com o diagnostico diferencial, e em determinar a existência ou não de um transtorno. Avaliação neuropsicológica e Dislexia À medida que a curiosidade acerca da Dislexia foi aumentando, tornou-se possível perceber que a esta não era só “um problema grave de leitura”, estando presentes não só problemas de leitura ou escrita, como também problemas ligados às relações espaciais, à obediência, à capacidade de memorização, entre outros problemas, que afetam os indivíduos disléxicos e que influenciam diariamente a sua vida (Abreu, 2012) Como funciona a avaliação? Uma dupla avaliação que incida nas principais áreas e problemas neuropsicológicos como por exemplo, lateralidade, percepção visual e auditiva e psicomotricidade. A outra avaliação deve preocupar-se com as competências psicolinguísticas, ou seja, com os procedimentos necessários na leitura e na escrita. Pois só em conjunto é possível conseguir uma avaliação dos comportamentos e dos défices tanto na leitura como na escrita, bem como outros problemas que lhe surjam associados. Este processo de avaliação da Dislexia torna-se difícil no sentido em que este distúrbio é de grande complexidade e tem uma multiplicidade de características (Oliveira, 2011) Quais são os passos para uma avaliação? Uma árvore genealógica será estabelecida. Serão estudados os antecedentes pessoais da criança (qualidade da gravidez, incidentes ou acidentes do parto, análise do desenvolvimento psicomotor), o que permitirá ao clínico ter uma ideia da origem da dislexia. Um exame neurológico, no qual, muitas vezes, os sintomas associados são a instabilidade motora, o atraso motor, pequenos sinais neurológicos, etc. É fundamental que a criança passe por um teste de inteligência, e que se estabeleça o melhor possível a personalidade afetiva de casa da criança. É fundamental compreender a situação da criança no seu meio escolar, familiar e social, o que permitirá que a Dislexia seja melhor entendida. Do ponto de vista neuropsicológico, este exame aprofundado permite traçar um quadro geral das dificuldades da criança . TISD (teste para identificação de sinais de Dislexia) O TISD ( teste para identificação de sinais de Dislexia) é um instrumento com objetivo de avaliar sinais de dislexia, destinado a crianças na faixa etária de 8 a 11 anos em uma aplicação individual. O teste pode ser considerado como um instrumento neuropsicológico breve. Além de avaliar sinais de dislexia, o TISD tem como fornecer rastreio das habilidades cognitivo-linguístico. TISD A pontuação do teste é realizada a partir de quantos erros a criança cometeu, ou seja, os erros da criança é os pontos. Portanto quando maior a quantidade de erros menor irá será seu desempenho. ESTUDO DE CASO A HISTÓRIA DO CASO DE JM JM nasceu numa família na qual existia histórico de problemas na leitura e na linguagem. Tinha uma fala pouco desenvolvida para a sua idade e as suas primeiras palavras só apareceram perto dos dois anos. JM foi encaminhado para uma terapeuta da fala aos três anos de idade, que descreveu o seu sistema fonológico como “lento e alterado” ainda que a sua compreensão da linguagem fosse boa e o vocabulário estive a desenvolver-se como era esperado. JM foi acompanhado durante 9 meses, e como respondeu bem à terapia deixou de ser seguido. Com o passar do tempo tornou-se evidente que ele não estava a aprender a ler a um ritmo normal, em comparação com a sua inteligência. Aos sete anos foi examinado por um psicólogo educacional que avaliou o seu QI como alto. Os pais ainda preocupados recorreram a um segundo profissional que confirmou a sua Dislexia. JM realizou um teste de inteligência (A Escala de Wechsler de Inteligência Infantil), neste teste ficou comprovado que o seu QI estava acima da média, com o valor total de 123. Ainda que no subteste as pontuações variassementre 1 e 19, o seu desempenho estava na média ou até mesmo acima, à exceção de um deles em que demonstrou um défice em Sequências de Dígitos. JM não apresentava dificuldades no desenvolvimento do vocabulário nem na área da aritmética, mas para ele era difícil conseguir lembrar-se de certos nomes como por exemplo, de cidades ou de pessoas famosas. JM também não era capaz de aprender sequências simples, como os dias da semana, os meses do ano, ou até mesmo o a ordem das letras do alfabeto. Ainda assim o seu conhecimento geral era melhor do que o previsto para a sua idade. JM utilizava estratégias para ler e soletrar, as quais lhe causavam dificuldades. Na leitura cometia erros como ler “saucer” (pires) como “supper” (jantar) ou “thirsty” (sedento) como “twenty” (vinte). Sempre que não conseguia ler uma palavra, tentava reproduzir o seu som. JM não conseguia descriminar não-palavras e a sua capacidade de entendimento dos sons das palavras era reduzida. As suas principais confusões passavam por trocar “u” pelo “t” e o “b” pelo “p”. Soletrar era a sua maior dificuldade. JM tinha um vocabulário visual curto mas eficiente, era capaz de ler palavras que conhecia, o verdadeiro problema passava por ler não-palavras. Tinha também uma excelente memória visual, mas tinha uma capacidade auditiva deficiente. JM acabou por ser transferido para uma escola especial para crianças disléxicas, onde contou com apoio especializado e intensivo. A transferência para esta escola permitiu que aumentasse a sua autoestima, mas mesmo com esta ajuda mais centrada nas suas dificuldades, o desenvolvimento da sua leitura continuava atrasado.