Doenças Endocrinas em Pequenos Animais - Hipotireoidismo e Diabetes Mellitus
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Doenças Endocrinas em Pequenos Animais - Hipotireoidismo e Diabetes Mellitus

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Clínica Médica de Pequenos Animais
1ª Prova \u2013 Aula 6 (20/10/16)
Aula 6: Doenças Endócrinas \u2013 Hipertireoidismo e Diabetes 
# Hipertireoidismo #
- É uma situação de aceleração orgânica. Por algum motivo os hormônios da tireóide, principalmente o T4 está aumentado na circulação normal e, isso faz com que haja uma aceleração do metabolismo celular.
- Nesta doença é \u201ctudo acelerado\u201d. 
- É uma das doenças endócrinas mais comuns nos felinos, e mais rara nos cães.
- Glândulas tireoides próximas da laringe. Estrutura relativamente grande, mas na palpação não conseguimos localizar a posição delas. Ficam muito próximas também as glândulas paratireoides \u2013 considerar em um processo cirúrgico.
# Etiologia
- Tem um componente hereditário muito esclarecido. 
- Acredita-se que influências ambientais podem estar associadas também, componentes de dietas como uma das causas.
* Dietas enlatadas: quantidade muito variável de iodo.
* Ambientais: toxinas bociogênicas, pesticidas, herbicidas, etc.
- Normalmente é uma hiperplasia adenomatosa funcional \u2013 por alguma razão as glândulas tireoides ficam hiperplásicas, e na maioria das vezes ocorre de forma bilateral na glândula (Mas também é possível unilateral \u2013 provavelmente por algum tipo de influência ambiental)
- Os tumores malignos (Carcinoma de tireoide) são mais raros.
# Fisiopatologia
- Estado hipermetabólico que afeta múltiplos órgãos.
- Quer dizer que é um animal que sente mais calor, tudo é o contrário do hipotireoidismo
- Grande apetite, come muito e não engorda. 
- Metabolismo acelerado das proteínas
- Coração fica mais sensível as catecolaminas \u2013 taquicardia, pressão arterial elevada. Sensibilização do SNA.
# Características clínicas
- Gatos mais iodos (> 8 anos a maioria)
- Não há predileção racial
- Animal hiperativo
- Muitas vezes na região da tireóide, em que ocorre uma hiperplasia, ela se modifica de tamanho. Pode ter um aumento de volume na região cervical, ás vezes perceptível na palpação. 
* Sempre palpar a tireoide em gatos idosos, buscando essa doença.
- Apetite aumentado e emagrecimento
- Sinais clínicos mais comuns: perda de peso é o principal sinal clínico relatado, polifagia, hiperativo (salta, sobe em estante, corre muito), taquicardia, poliuria e polidipsia (pressão arterial aumentada e urina mais que o normal, portanto tem que tomar mais água \u2013 troca da caixinha de areia com mais frequência), vômito (dependendo da complicação que ele tem), sopro cardíaco, diarreia (aumento da ingesta e trânsito muito rápido, não dá tempo de digerir)
# Exames Complementares
* Antes ter feito um bom exame físico, com atenção especial para auscultação cardíaca e mensuração da pressão arterial para aferir se há algum grau de comprometimento. 
- Hemograma
Maior taxa de produção de eritropoietina (T4 aumentado no sangue), produz mais células vermelhas
Hematócrito elevado
Animal que está desidratando dependendo do grau de poliuria que ele tem. Se ele não compensa com a polidipsia adequadamente, o hematócrito sobe.
Leucograma de estresse não é tão comum nestas situações (se devem principalmente devido a liberação do corticoide, só <20% apresentam. Linfopenia com neutrofilia)
- Bioquímica sérica
Aumento leve a moderado de ALT, AST e FA (fígado hiperativo, tendência a lesão)
Aumento de ureia e creatinina, hiperfosfatemia \u2013 ver os 3 juntos para avaliar função renal adequadamente.
 Normalmente o animal é hipertenso - pode fazer com que mostre sinais de Insuficiência Renal (lesão nos rins a longo prazo dependendo da evolução)
Quando os rins estão lesados não eliminam o fósforo bem (aumentado na circulação)
- Urinálise - Densidade >1035 se o animal não tiver IR. (+ poliuria e polidipsia. Se estiver desidratando, a tendência é aumentar a densidade) 
* Raio X de tórax de gato: região dos pulmões e cúpula cardíaca. Projeção dorso-ventral, mostrando o coração. Em sua parte mais cranial, nesta posição, o bordo cardíaco não devia estar tão próximo da lateral do tórax. Então, concluímos que na parte mais cranial, considerando um corte sagital dividindo o coração em 4, corresponde aos átrios. 
Aparentemente os átrios estão aumentados \u2013 a relação com o hipertireoidismo é ser uma situação hipermetabólica, coração muito sensível as catecolaminas e trabalhando em uma FC elevada, e além disso há o aumento da pressão arterial. 
Com tudo isso, fica mais difícil para o ventrículo bombear o sangue, assim como para o sangue passar dos átrios para os ventrículos. Devido a taquicardia crônica e hipertensão os ventrículos se tornam hipertrofiados \u2013 distende com mais dificuldade par realizar a diástole. Fica difícil também para o átrio bombear sangue (Diminuição da luz ventricular).
Ambos os átrios aumentam de tamanho de tamanho. Coração toma o aspecto de \u201cCoração apaixonado de São Valentino\u201d (Dia dos Namorados). Não é patognomômico, mas é importante característica para considerar como diferencial. (Existem outras hipertrofias que não ocorrem devido aos hormônios da tireóide)
Se este sangue fica mais tempo no átrio devido a dificuldade de bombear para o ventrículo, há possibilidade de coagular - O sangue dos felinos é mais coagulado que os caninos, tem tendência das plaquetas se agregarem e formar um trombo: tromboembolismo.
É formado um trombo dentro do átrio, que se conseguir sair irá para os ventrículos e sai para a artéria aorta. Um dos locais que os trombos costumam parar nos felinos é na bifurcação da aorta \u2013 o animal terá problemas relacionados a perfusão periférica. Quando isto acontece, o prognóstico do animal é extremamente desfavorável, pois uma vez instalado o trombo na bifurcação é muito difícil conseguir desobstruir com medicação ou outras terapias (Heparina normalmente não funciona. Existe um fármaco chamado Estreptoquinase que tenta fazer a lise e é usado em pacientes infartados, mas é uma droga muito nova, cara e mesmo assim pode não ter sucesso)
Se há a obstrução e interrompe a perfusão a consequência é \u2013 falta oxigênio, as células param de funcionar e acumulam água em seu interior, se rompe entra em necrose e no membro forma edema e fica uma região muito dolorosa (esta parte está morrendo). Além disso lembrar da cascata de coagulação: células rompem, exposição da membrana celular, pró-trombinas circulantes - acumula toxinas pró-inflamatórias e mediadores. O risco é que se destruir o trombo também, todas estas toxinas podem cair na circulação de uma vez e podem ser danosas ao coração.
O gato sente muita dor (O tromboembolismo também corre nas hipertrofias verdadeiras) \u2013 muitas vezes, quando chega nesse grau de paresia é recomendado eutanásia do animal. Avaliar primeiro o acometimento. (Obstruções parciais, local que parou, etc)
- Ecocardiografia hipertrofia ventricular (Esquerda) e dilatação atrial.
- Eletrocardiografia Mostra tudo relacionado ao aumento das câmaras. (Taquicardia/ aumenta onda R)
- Cintilografia solução radioativa que consegue marcar o tecido da tireoide, IV, tem tropismo pelo tecido da glândula. Onde ela está hiperplásica, marca mais aquela região \u2013 dá o diagnóstico do tumor da tireoide. Muitas vezes na palpação + sinais clínicos já consegue chegar a essa conclusão, só saber que existe.
# Diagnóstico
- Mais fácil que do hipotireoidismo, pode testar T4 total e T4 livre (Embora o livre seja mais sensível para diagnóstico)
- A dosagem elevada do T4 total já é altamente sugestivo (repetir após 1 \u2013 2 semanas)
- Concentração do T4 livre é mais sensível/específica.
- Existe o teste de supressão de T3, mas como o outro já é bem específico não costuma ser feito. Além disso, é mais caro.
# Tratamento
- Tireodectomia: hiperplasias unilaterais, animal clinicamente estável para entrar na cirurgia (pressão controlada por tratamento medicamentoso que diminuiu os níveis de T4 circulantes). O único risco é que a paratireoide fica ao lado, se o cirurgião não for cuidadoso pode acabar tirando junto e no pós-operatório o animal começa a apresenta distúrbios do cálcio.
Depende do grau, idade e complicações do animal.