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ANÁLISES DE CARACTERIZAÇÃO DOS RH Qualquer organização, seja ela empresa ou outra instituição pública e privada evita contratar a pessoa errada para o trabalho, ter funcionários que não dão o melhor de si, ser considerada irregular no cumprimento da legislação laboral e ter práticas de trabalho injustas. Por isso, o conhecimento dos princípios de GRH é fundamental para ajudar a evitar esses erros e assegurar a obtenção dos resultados organizacionais por meio das pessoas. Abordagem conceitual de recursos humanos e gestão de recursos humanos O dicionário de língua portuguesa define a palavra recurso como acto ou efeito de recorrer; apelação judicial; auxílio; expediente; meio de resolver uma dificuldade; amparo; ajuda; remédio; ou ainda recursos como haveres; posse; faculdades; dotes. São indispensáveis nas organizações: Recursos materiais Recursos financeiros Recursos humanos Recursos tecnológicos Nesta ordem de pensamento, Recursos Humanos podem ser entendidos como “auxílio humano”; “meios de resolver dificuldades por meio de homens”; “ajuda humana”; “faculdades humanas”; ou ainda “dotes humanos”. Para Chiavenato (2009), a expressão Recursos Humanos refere-se às pessoas que participam das organizações e que nelas desempenham determinados papéis no sentido de dinamizar os outros recursos organizacionais. As organizações requerem pessoas para suas actividades e operações da mesma forma que requerem recursos financeiros, materiais e tecnológicos. Daí a denominação Recursos Humanos para descrever as pessoas que trabalham nas organizações. A denominação de pessoas como recursos vem desde a era industrial e peca pelo seu reducionismo ao equipará-las como meros recursos organizacionais. Hoje as pessoas deixaram de ser simples recursos ou activos da organização para se transformar em seus parceiros, capazes de proporcionar a vida e o sucesso organizacional. A Gestão de Recursos Humanos é tradicionalmente conhecida por Administração de Recursos Humanos (ARH). Como um campo teórico e de prática social, a ARH surge na década de 70 e funda-se nas tradições da psicologia industrial, das teorias organizacionais, da abordagem sociotécnica, da dinâmica de grupos entre outras (Davel e Vergara, 2007). Toledo (1980) considera que Administrar Recursos Humanos é zelar, através de variadas formas de acção, pelas Relações Humanas da Organização. Para o mesmo autor, a expressão relações humanas é geralmente utilizada em três sentidos. No primeiro sentido, é utilizada para significar o estado de ânimo do agrupamento humano de determinada organização ou a atitude e o comportamento de um grupo de dirigentes para com os seus dirigidos. O segundo sentido é o de nomear relações humanas como o conjunto de ações que visam à criação e manutenção da motivação do grupo, o que melhor seria designado por técnicas de relações humanas. Nestas técnicas estão incluídos os comportamentos humanos, tais como, saber ouvir, avaliar correctamente desempenhos e incentivar trabalhos bem-feitos, comunicar bem e oportunamente, usar ponderação e sensibilidade em resolver problemas interpessoais e intergrupais, entre outros. O terceiro sentido é mais técnico, e considera as Relações Humanas no Trabalho como a rede (ou teia) de relações mantidas entre as pessoas e os grupos no ambiente de trabalho. Para Dessler (2003), gestão de recursos humanos refere-se às práticas e às políticas necessárias para conduzir os aspectos relacionados às pessoas no trabalho de gestão, especificamente à contratação, ao treinamento, à avaliação, à remuneração e ao oferecimento de um ambiente bom e seguro aos funcionários de uma dada organização. Práticas de recursos humanos podem ser entendidas como tarefas, atividades ou tudo que se faz no dia que se relaciona com a gestão de recursos humanos. Políticas de recursos humanos são regras estabelecidas para governar funções e assegurar que elas sejam desempenhadas de acordo com o objetivo desejado. Constituem uma orientação administrativa para impedir que as pessoas desempenhem funções indesejáveis ou ponham em risco o sucesso de suas funções específicas. São guias para a acção. Servem para prover as respostas às questões ou aos problemas que podem ocorrer com certa frequência. Políticas de recursos humanos referem-se às maneiras ou às filosofias pelas quais a organização pretende lidar com os seus membros e por intermédio deles atingir os objetivos organizacionais, permitindo condições para o alcance dos objectivos individuais (Chiavenato, 2009). Entre outras, as práticas e políticas estão relacionadas com os seguintes aspectos (Dessler, 2003): Conduzir análise de cargo (determinar a natureza do trabalho de cada funcionário); Prever as necessidades de trabalho e recrutar candidatos; Seleccionar candidatos; Orientar e treinar novos funcionários; Gerir recompensas e salários (como remunerar os funcionários) Oferecer incentivos e benefícios; Avaliar o desempenho; Comunicar-se (entrevistando, aconselhando, disciplinando); Treinar e desenvolver; Construir o comportamento do funcionário. Para Chiavenato (2009) a administração de recursos humanos consiste na planificação, organização, desenvolvimento, coordenação e controle de técnicas capazes de promover o desempenho eficiente do pessoal, ao mesmo tempo que a organização constitui o meio que permite às pessoas que com ela colaboram, alcançar os objectivos individuais relacionados directa ou indirectamente com o trabalho. A ARH busca conquistar e manter pessoas na organização, trabalhando e dando o máximo de si, com uma atitude positiva e favorável. Neste contexto, o papel da ARH é complexo. Segundo Chiavenato (2009), em um mundo de negócios caracterizado pela explosão da inovação tecnológica, pela globalização dos mercados, pela forte competição entre organizações e pelas mudanças demográficas, políticas e culturais, as organizações precisam ser rápidas, ágeis, e eficazes. Para isso, as organizações devem possuir recursos, conhecimentos, habilidades e competências e, acima de tudo, pessoas que incorporem essas novas características. Tudo isso requer novas práticas administrativas e de trabalho, a contínua redefinição e realinhamento das práticas e políticas de recursos humanos para criar novos comportamentos e competências dos colaboradores. Deste modo, o papel de RH deixa de ser a simples manutenção do estatuto social para se transformar na área capaz de criar organizações bem-sucedidas, mais rápidas e competitivas. Assim, os principais objectivos da ARH são: Criar, manter e desenvolver um contingente de pessoas com habilidades e competências, motivação e satisfação para realizar os objectivos da organização. Criar, manter e desenvolver condições organizacionais de aplicação, desenvolvimento e satisfação plena das pessoas e alcance dos objetivos organizacionais e individuais. Alcançar eficiência e eficácia através das pessoas. Os subsistemas da Administração de Recursos Humanos Segundo Chiavenato (2009) a Administração de Recursos Humanos (ARH) é uma área interdisciplinar que envolve conceitos de Psicologia Industrial e Organizacional, Sociologia Organizacional, Engenharia Industrial, Direito do Trabalho, Engenharia de Segurança, Medicina do Trabalho, entre outros. A ARH como um processo provoca impactos nas pessoas e nas organizações. A qualidade da maneira como as pessoas são geridas na organização é um aspecto crucial para a competitividade organizacional. Os processos básicos na gestão de pessoas são cinco, nomeadamente: provisão, aplicação, manutenção,desenvolvimento e monitoria de recursos humanos. Dentro de uma visão sistémica, os cincos processos podem ser abordados como subsistemas de um sistema maior. Os cinco subsistemas de ARH Processo de Provisão de RH Processo de Aplicação de RH Processo de Manutenção de RH Processo de Desenvolvimento de RH Processo de Monitoria de RH Os cinco subsistemas formam o processo global e dinâmico através do qual as pessoas são captadas e atraídas, aplicadas em suas tarefas, mantidas na organização, desenvolvidas e monitoradas pela organização. O processo global nem sempre apresenta essa sequência, devido à íntima interacção entre os subsistemas e pelo facto de esses cinco subsistemas não estarem relacionados entre si de uma única e especifica maneira. Eles são contingenciais ou situacionais e variam conforme a organização e dependem de factores ambientais, organizacionais, humanos, tecnológicos, entre outros. São extremamente variáveis e, embora interdependentes, o facto de um deles mudar ou desenvolver-se em certa direcção não significa que os outros mudem ou se desenvolvam também na mesma direcção e na mesma medida. O quadro que segue sistematiza os objetivos e as principais atividades envolvidas em cada subsistema de ARH. As principais actividades por subsistema de ARH Subsistema Objectivo Actividades envolvidas Provisão (suprimento) de RH Quem irá trabalhar na organização Planificação de RH Recrutamento de pessoal Seleção de pessoal Aplicação de RH O que as pessoas farão na organização Integração de pessoas Desenho de cargos Descrição e análise de cargos Avaliação de desempenho Manutenção de RH Como manter as pessoas trabalhando na organização Remuneração e compensação Benefícios sociais Qualidade de vida no trabalho Relações sindicais Desenvolvimento de RH Como preparar e desenvolver as pessoas Treinamento Desenvolvimento de pessoas Desenvolvimento organizacional Monitoria de RH Como saber o que são e o que fazem as pessoas Banco de dados Sistemas de informação Auditoria de RH Para cada subsistema, cada organização desenvolve a política de RH à sua filosofia e às suas necessidades. Ao rigor, uma política de recursos humanos deve abranger o que a organização pretende. Exemplo: Política de provisão de Recursos Humanos: Onde recrutar (fontes de recrutamento dentro ou fora da organização), em que condições e como recrutar (técnicas de recrutamento escolhidas pela organização) os recursos humanos necessários à organização. Critérios de seleção e padrões de qualidade para admissão, quanto às aptidões físicas e intelectuais, experiências e potencial de desenvolvimento, tendo-se em vista os cargos da organização. Como integrar os novos funcionários ao ambiente interno da organização, com rapidez e eficácia. (Chiavenato, 2009, p. 125 A Gestão de recursos humanos, gestão de pessoas ou ainda administração de recursos humanos, conhecida pela sigla 'RH' é uma associação de habilidades e métodos, políticas, técnicas e práticas definidas com o objectivo de administrar os comportamentos internos das pessoas e potencializar o capital humano. Tem por finalidade seleccionar, gerir, usar, reter, desenvolver e nortear os colaboradores na direcção dos objectivos e metas da organização. A expressão Recursos Humanos refere-se às pessoas que participam das organizações e que nelas desempenham determinados papéis no sentido de dinamizar os outros recursos organizacionais. A ARH pode ser visualizada como um sistema que envolve cinco subsistemas independentes: provisão, aplicação, manutenção, desenvolvimento e, finalmente, monitoria de recursos humanos. As práticas e políticas de recursos humanos estão geralmente assentadas em como cuidar de cada um desses cinco subsistemas. A evolução e o papel da GRH nas organizações O conceito e o conteúdo da gestão de recursos humanos não foi sempre o mesmo, ele sofreu uma evolução ao longo das diferentes épocas. A evolução conceitual da GRH (ARH) passou e está passando por grandes mudanças. Segundo Chiavenato (2009), suas origens remontam desde o início do século XX, após o forte impacto da Revolução Industrial, com a denominação Relações Industriais, como uma actividade mediadora entre as organizações e as pessoas, para abrandar ou reduzir o conflito industrial entre os objectivos organizacionais e os objectivos individuais das pessoas. Por volta da década de 1950, passou a ser denominado Administração de Pessoal, com o papel de administrar as pessoas de acordo com a legislação trabalhista vigente e administrar os conflitos que surgiam continuamente. Na década de 1960, o conceito teve uma nova ampliação. As pessoas passam a ser consideradas os recursos fundamentais para o sucesso organizacional. Na década de 1970, surge o conceito de Administração dos Recursos Humanos (ARH), mas visualizando as pessoas como recursos produtivos ou meros agentes passivos cujas actividades devem ser planeadas e controladas a partir das necessidades da organização. Neste milénio, com a globalização da economia, forte competitividade no mundo dos negócios, mudanças rápidas e imprevisíveis e o dinamismo do ambiente, as organizações bem-sucedidas não mais administram recursos humanos, nem mais administram pessoas, mas administram com pessoas, ou seja, elas tratam as pessoas como agentes activos e proactivos, dotados de inteligência e criatividade, iniciativa e decisão, habilidades e competência e não apenas de capacidades manuais, físicas e artesanais. As pessoas deixam de ser meros recursos que a organização consome e utiliza e que produzem custos, e passam a constituir um poderoso activo que impulsiona a competitividade organizacional, da mesma forma que o mercado e a tecnologia. Fischer (1998) classifica as grandes correntes do pensamento sobre gestão de pessoas em quatro categorias, que correspondem a períodos históricos específicos: Administração de Recursos Humanos como Gestão de Pessoal; Administração de Recursos Humanos como Gestão do Comportamento; Administração de Recursos Humanos como Gestão Estratégica; e Administração de Recursos Humanos como Vantagem Competitiva. Estas categorias, nas suas especificidades, trazem concepções diferenciadas sobre o papel e actuação desta gestão dentro de determinados contextos históricos. A seguir, apresenta-se um resgate destas concepções: Administração de recursos humanos como gestão de pessoal A Administração de Recursos Humanos (Human Resource Management) é resultado do desenvolvimento empresarial e da evolução da teoria organizacional dos Estados Unidos. Foi uma produção tipicamente americana da qual outros países tiraram proveito de diferentes formas, construindo a partir destas bases suas práticas particulares (FISCHER, 1998:99). A origem conhecida da história da gestão de Recursos Humanos poderia ser datada de 1890, quando a NCR Corporation criou seu Personnel Office (gerentes de pessoal) com o objectivo de “estabelecer um método pelo qual eles pudessem discernir melhor, entre a extensa e diversificada massa de candidatos a emprego, quais os indivíduos que poderiam se tornar empregados eficientes ao menor custo possível” (SPRINGER 1990:41). Fischer (1998:100) comenta que o aparecimento do departamento de pessoal acontece quando os empregados se tornaram um factor de produção, cujos custos deveriam ser administrados tão racionalmente quanto os custos dos outros factores de produção. A raiz da posterior Administração de Recursos Humanos estaria na necessidade da grande corporação gerenciaros funcionários como custos, o elemento diferenciador de competitividade da época, o que levou a NCR a investir em uma área especificamente voltada para esta finalidade (FISCHER, 1998:100). O departamento de pessoal, voltado para a eficiência de custos e para a busca de trabalhadores adequados às tarefas cientificamente ordenadas, era compatível com administração científica, ideologia organizacional dominante no início do século XX. Uma das ideias centrais do Movimento de Administração Científica, de Taylor, é a de que o homem é um ser eminentemente racional [...] cujo comportamento não variava muito. Incentivos financeiros adequados, constante vigilância e treinamento eram acções consideradas suficientes para garantir boa produtividade (MOTTA & VASCONCELOS, 2006). Nesta fase predomina a visão do Homo Economicus da Escola de Administração Científica. Administração de recursos humanos como gestão do comportamento humano A utilização da psicologia como uma ciência capaz de apoiar a compreensão e a intervenção na vida organizacional vai provocar uma reorientação no foco de acção da gestão de Recursos Humanos. Ao invés de se concentrar exclusivamente na tarefa, nos custos e no resultado produtivo imediato, passa a actuar sobre o comportamento das pessoas. Isto acontece através de duas escolas da psicologia cuja influência ocorria em diferentes épocas. Segundo Fischer (1998:101), nas décadas de 1930 e 1940 predominou a linha behaviorista do Institute of Human Relations da Yale University, cuja principal contribuição foi a criação dos instrumentos e métodos de avaliação e desenvolvimento de pessoas que, nas empresas, formariam o arsenal da psicologia e da psicometria aplicadas aos procedimentos de gestão de Recursos Humanos. A preparação para novas mudanças ganhou força com Follet, Mayo, Roethlisberger, Dickson, Leavitt, McGregor e outros que contribuíram para a visão do Homo Social em substituição ao Homo Economicus da Escola de Administração Científica (SILVEIRA, s/d). Para Elton Mayo e seus parceiros da Escola de Relações Humanas, os sistemas sociais formados por pessoas e suas necessidades, sentimentos e atitudes têm tanta ou mais influência sobre o desempenho da organização do que o seu sistema técnico. No centro do processo administrativo está o ser humano e não o sistema técnico. “O ser humano é a medida de tudo” (MAXIMIANO, 2006:208). De acordo com Springer (1990), a partir dos anos 1920 os pressupostos tayloristas continuaram sendo adoptados praticamente por todas as empresas, enquanto a teoria avançava numa outra direcção. Elton Mayo e seus seguidores estariam promovendo as primeiras experiências de contacto mais intenso entre a administração e a psicologia, determinando uma nova fase na história da administração de Recursos Humanos. Nos anos 1930, Abraham Maslow rompe com a escola behaviorista, iniciando o período em que a psicologia humanista passa a interferir na teoria organizacional. Esta corrente vinculou todos os demais autores de projecção nesta área, que produziriam até a década de 1970 (Argyris, Macgregor, Herzberg, entre outros). Fischer (1998), prossegue afirmando que o termo Human Resource Management é o foco prioritário no comportamento humano, podendo ser considerado como o principal resultado da afirmação definitiva da psicologia humanista na teoria organizacional. Nos anos 1960 e 1970, a Escola de Relações Humanas, influenciada pela psicologia humanista, predominou, enquanto matriz de conhecimento em gestão de pessoas. Uma de suas principais contribuições foi descobrir que a relação entre a empresa e as pessoas é intermediada pelos gerentes de linha. Reconhecer a sua importância e levar o gerente de linha a exercer adequadamente o seu papel passa a ser a principal preocupação da gestão de Recursos Humanos. O foco de actuação se concentraria no treinamento gerencial, nas relações interpessoais, nos processos de avaliação de desempenho e de estímulo ao desenvolvimento de perfis gerenciais coerentes com o processo de gestão de pessoas desejado pela empresa (FISCHER, 1998:102). Administração de recursos humanos como gestão estratégica A administração de Recursos Humanos como gestão estratégica foi introduzida na década de 1980 em resposta à necessidade de vincular a gestão de pessoas às estratégias da organização. Fischer (1998:106) defende a ideia de Staehle (1990), segundo a qual a visão dos pesquisadores da Universidade de Michigan sobre este assunto era de que a gestão de recursos humanos deveria buscar o melhor encaixe possível com as políticas empresariais e os factores ambientais. Para isso, planos estratégicos dos vários processos de gestão de recursos humanos seriam derivados das estratégias corporativas da empresa. Fischer (1998) reconhece o avanço proporcionado pelos pesquisadores de Michigan ao demonstrar a importância do carácter estratégico no modelo de gestão de pessoas, mas ressalta os limites dessa concepção. Para ele, tal perspectiva assume o pressuposto da adaptação e implementação, ou seja, o papel de recursos humanos se resumiria a adaptar-se à estratégia de negócio e a implementar sua diretriz específica. Para ele esta perspectiva peca por não considerar a possibilidade de a ARH intervir na estratégia corporativa introduzindo nas decisões tomadas uma visão estratégica das pessoas e sua contribuição para a empresa. Administração de recursos humanos como vantagem competitiva Neste modelo, o conceito de Gestão de Recursos Humanos intensifica uma perspectiva voltada para o negócio da empresa. Até 1986, a gestão de Recursos Humanos fazia parte nos debates sobre a questão da competitividade e do papel das pessoas para a concretização. Hendry e Pettigrew (1986:3-8) enfatizam a competitividade, afirmando que é preciso ir além, fazendo “que as pessoas sejam vistas pela organização como um recurso estratégico” para atingir a “vantagem competitiva”. Assim, entre finais dos anos 1980 e 1990, a gestão de Recursos Humanos deixa de ser estratégica. As pessoas passam a ser estratégicas somente naquelas situações em que o ser humano “é visto e tratado como uma fonte de vantagem competitiva” (FISCHER, 1998:108). A gerência de recursos humanos afecta a vantagem competitiva em qualquer empresa, chegando em algumas indústrias a ser a chave para a vantagem competitiva (PORTER, 1989:39). Bohlander et al (2003:2) argumentam que: principalmente nos sectores baseados em conhecimentos, como os de software e serviços de informação, o sucesso depende cada vez mais das competências das pessoas. [...] De fato, um número crescente de especialistas alega atualmente que a chave para o sucesso de uma empresa está no estabelecimento de um conjunto de competências essenciais – conhecimentos integrados dentro de uma empresa – que a distinguem de suas concorrentes e agregam valor para os clientes. Fischer (2002:25), enfatiza a competição presente nas obras de autores como Porter (1989), Hamel e Prahalad (1995), direccionando de forma decisiva toda a teoria organizacional e criando as bases do surgimento de um modelo de gestão de pessoas baseado em competências. No estudo deste modelo considera-se gestão de pessoas e vantagem competitiva; gestão de pessoas e reengenharia; e gestão de pessoas e competências. conceito e o conteúdo da gestão de recursos sofreram mudanças evolutivas ao longo dos tempos. Paralelamente à mudança do conceito, também foi evoluindo o papel dos recursos nas organizações Para Chiavenato a gestão de recursos humanos evoluiu desde a expressão relações industriais, gestão de pessoal, administração de recursos humanos e neste milénio gestão com pessoas. Fischer aponta quatro correntes de pensamento que marcarama evolução do modelo de gestão de recursos, designadamente: a ARH com gestão do pessoal, a ARH com gestão do comportamento, a ARH como gestão estratégica e ARH com vantagem competitiva. Em termos de conteúdo e papel das pessoas na organização, parte-se da pessoa como factor de produção e por conseguinte factor de custo para pessoa como dotada de conhecimentos, inteligência, capacidades, habilidades e competências que pode levar a organização a obter vantagens competitivas.