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02   A Donzela Feroz (rev PRT)

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Mas as três irmãs tinham dirigido a fortaleza suficientemente bem em substituição a seu pai.
 Elas não necessitavam a ajuda de Pagan. E ela, por certo, não necessitava dele, posto que sua primeira obrigação como administrador seria enforcar-la por traição. 
Mas embora ele não a tivesse arrastado a tábua de enforcamento, Pagam a tinha deixado nas garras de seu sócio na maldade, Colin du Lac. O homem já a tinha ameaçado danificar-la fisicamente, já tinha mencionado indiretamente castigos de natureza cruel. 
E na noite anterior, lutando nas escadas, o canalha tinha posto suas asquerosas mãos nela, apertando seus seios como se ela fosse uma puta à venda. 
Ela não tinha confiado nesse homem desde o momento em que o tinha visto no jantar, seus olhos verdes brilhando com malícia, seu cabelo preto tão irreverente e rebelde como seu humor, seus lábios sutilmente curvados diante de cada coisa divertida que ouvia. Ele era arrogante, como todos os normandos, atrevido e matreiro, o tipo de homem que se sentia merecedor de algo que desejasse. Já desfrutava da comida, do vinho e da comodidade de Rivenloch. 
Que Deus a condenasse se permitisse que ele desfrutasse dela. Ela estreitou seus olhos olhando para a porta, como se ela pudesse perfurar um buraco nela e matar a ele do outro lado. É obvio, ele não estaria ali. A esta altura todos estariam reunidos na capela ou no pátio para assistir ao casamento. 
Murmurando um insulto, ela se levantou lentamente para examinar o escuro porão, procurando algo, algo, que pudesse usar para escapar dali. O quarto ao qual ele havia a havia trazido naturalmente era um que armazenava coisas completamente inúteis : baús com dobradiças quebradas, bancos com pés quebrados, garrafas poeirentas e baixelas imprestáveis, pergaminhos rasgados, e pedaços de tecidos muito pequenos e muito velhos para serem usados para algo mais que limpar sua adaga ou seu traseiro. 
Seu estomago grunhiu se queixando. Uma porta mais além no corredor estava o depósito cheio de queijos, presunto, cereais e pescado conservado em sal. Mais além estava o depósito cheio de açúcar, espécies, e coisas doces. Mas, é obvio o normando a tinha encerrado em um lugar sem comida. 
Talvez, ela pensou sombriamente, ele planejava matar-la de fome. Ela viu o amplo espaço vazio na parte debaixo da porta, por onde uma luz débil se filtrava, provocando-a. Em seguida franziu o cenho. Se pudesse deslizar seu braço através dessa abertura e de algum jeito tirar a tranca... 
Necessitaria de sua espada ou de um pau comprido... mas parecia possível. Animada por essa esperança, atirou-se ao chão para espiar por debaixo da porta, tentou colocar sua mão através da abertura. Mas embora ela empurrou e lutou, não pôde passar mais do que até seu cotovelo. 
"Merda!" Tirou seu braço da abertura e tentou por outro ponto. O piso era irregular. Talvez a abertura fosse mais larga em outro lugar. Mas outra vez seu braço se travou. 
Duas vezes mais ela tentou, ganhando nada mais que um braço avermelhado e raspado por seus esforços. Em seguida enquanto tentava espiar pela abertura da porta, viu um pequeno objeto sobre o piso. Estava muito escuro para definir o que era ou se estava ao alcance de seu braço. Mas a possibilidade de que poderia ser comestível a convenceu de fazer à tentativa. 
Usando seu braço direito desta vez e pressionando sua bochecha ao piso frio do porão, estirou-se o mais longe possível, apalpando o chão com os dedos, tratando de localizar o objeto. Com um gemido de dor e esforço, conseguiu estirar uns centímetros mais, e seu dedo do meio contatou algo frio e duro. Ofegante e triunfal arrastou a coisa até que conseguiu trazê-la mais perto. E quando finalmente sua mão se fechou no objeto de contornos familiares, ela sorriu, esquecendo da dor de cabeça. 
Colin sacudiu sua cabeça enquanto caminhava para o porão. Esse dia tinha sido estranho por certo. Despertando cedo, tinha revisado a tranca no depósito, e em seguida tinha ido ajudar Pagan a preparar-se para seu casamento. E que casamento tinha sido! Com trovões e relâmpagos cruzando o céu e chuva golpeando a terra com vingança. A criada de Miriel, uma estranha mulher oriental, o pai da noiva semi delirante e com a aparência de um Viking e a noiva... 
Essa foi a maior surpresa de tudo. E para o assombro de Colin, Pagam não pareceu se importar o mínimo de haver-se casado com a irmã equivocada. Como se tudo isso não fosse suficiente excitação para uma manhã, os guardas de Rivenloch tinham divisado um exército aproximando-se no horizonte, um exército o qual Deirdre estava convencida que era inglês. É obvio, Colin e Pagan sabiam que não era assim. Não eram senão os Cavalheiros de Cameliard. Mas Pagan tinha escolhido não revelar esse fato aos escoceses. 
Ele tinha decidido usar sua chegada como uma prova para ver como estavam às defesas de Rivenloch. E agora Colin tinha sido enviado para convocar Helena, quem, segundo Deirdre lhe tinha informado era a segunda no comando da guarda. 
Uma mulher no comando da guarda. Ele se estremeceu. O que fariam os escoceses depois disto? É obvio, ele não tinha intenção de liberar Helena. Não ia deixar o exército de Rivenloch nas mãos de uma moça que tinha tentado matar a seu capitão. Provavelmente ordenaria a seus arqueiros que abrissem fogo sobre os Cavalheiros de Cameliard. 
Mas embora ele não tivesse planos de liberar à donzela assassina ainda, não podia deixá-la nesse calabouço. Acima de tudo ela era uma donzela, jovem e tola, sem mais detalhe. Além disso, indubitavelmente ela estaria sofrendo remorso e fome nessa manhã. Sorriu enquanto desembrulhava a ainda quente fumaça de pão que tinha furtado da cozinha. Poderia ao menos aliviar um de seus sofrimentos. 
Perguntando-se se ganharia compaixão como modo de agradecimento, ele golpeou a porta do porão. "Bom dia, Diabinha. Está acordada?" Não houve resposta. Ele pressionou seu ouvido contra a porta. "Lady Helena?" Ela de repente se lançou contra a porta com grande impulso. Atônito, ele retrocedeu. 
"Ajuda," ela gritou através da fresta na porta. "Ajuda! Por favor! Não posso resp... respirar...”. 
Alarmado, ele deixou cair o pão no piso, e em seguida avançou, correndo a tranca e abrindo a porta. Com seu coração invadido de um temor mortal, rapidamente revisou o recinto mal iluminado. 
Ela se tinha pressionado contra a parede, e quando ele entrou, ainda antes que tivesse tempo de lamentar sua falta de cautela, ela avançou contra ele, empurrando-o contra a parede com uma faca posta em sua garganta. 
"Faz um ruído, e te corto," ela murmurou entre dentes. "Move um músculo, e te corto. Se pensar em resistir juro-te que derramarei seu asqueroso sangue normando no piso deste porão." 
Ainda em choque, ele murmurou ”De onde tirou...”. 
Ele sentiu uma espetada em sua carne. Ele se estremeceu. Jesus! A moça era assunto sério, tão sério como sua irmã, que tinha marcado a Pagan com sua espada no dia anterior. 
“É sua própria adaga, idiota," ela se burlou. A adaga que tinha caído nas escadas na noite anterior... de algum jeito ela a tinha encontrado. 
Com sua mão livre, ela irreverentemente o apalpou na zona da cintura e as coxas, encontrando e descartando sua faca de comer, lhe deixando a moeda que tinha ganhado do pai dela na noite anterior. Sob circunstâncias diferentes, Colin poderia ter desfrutado de semelhante tratamento agressivo por parte de uma mulher. 
 Mas não havia nada sedutor ou afetivo a respeito de seu contato, e para sua irritação, ele começou a sentir que estava à mercê da moça. 
Os homens podiam ser tão tolos, Helena pensou, colocando rapidamente uma missiva em sua camisa e em seguida empurrou ao normando lhe pondo a faca contra suas costelas. Eles sempre assumiam que as mulheres eram criaturas indefesas, desprovidas de músculos e lentas de raciocínio. Helena não era nada disso. Sim, como muitas mulheres, era impulsiva, mas desta vez essa impulsividade traria resultados muito suculentos. 
"Lentamente," lhe disse
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