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02   A Donzela Feroz (rev PRT)

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plano com sua capa em um colchão de folhas. De onde tirava a moça suas idéias sobre os Normandos, ele não sabia. 
O interior da cabana estava surpreendentemente limpo. Embora uma fina capa de pó cobrisse tudo e os escassos móveis no quarto pareciam mais toscos que a própria choça. 
A lareira estava cheia de madeira cortada, e três panelas estavam penduradas de uma barra suspensa sobre o fogo. Ao lado do fogo havia uma pá, uma corda e uma fonte cheia de colheres de vários tamanhos. Um banco de três pés estava ao lado de um pequeno arca de madeira, e uma lamparina de azeite vazio estava pendurada de um gancho na parede. Contra uma parede havia uma cama razoavelmente limpa. O exterior da choça podia ser frondoso, mas alguém tinha usado o interior recentemente. 
"Traz para cá seus reféns?" perguntou a ela. 
Ela sorriu travessamente, e em seguida assinalou a cama. "Deite-te na cama." 
Ele lançou a ela um olhar luxurioso. “Se insiste." 
Enquanto ele se deitava torpemente com seus braços atados, ela procurou a corda e a cortou em tiras. 
Ela agarrou um de seus tornozelos e começou a atá-lo ao pé da cama. 
Enquanto Colin compreendia seu desejo de mantê-lo prisioneiro, mas não gostava da idéia de ser deixado indefeso. 
"Minha lady é isto absolutamente necessário?" 
"Não posso deixar que meu refém escape." 
"Mas e se houver um incêndio? E se os lobos vierem? E se...”. 
"Disse-lhe isso antes," ela disse, assegurando o nó, "Necessito-te vivo. Não permitirei que nada te aconteça.”. 
Ele apertou seus dentes enquanto ela começava a segurar sua outra perna. Ele tinha sido criado para ser independente. Era suficientemente difícil para ele depender de seus companheiros cavalheiros. Mas pôr sua confiança em uma mulher, e em uma tão impetuosa como essa... 
"E se eu te dou minha palavra de que não escaparei?" 
Ela o olhou. "Sua palavra? A palavra de um Normando?" 
"Mantive minha palavra de vir voluntariamente," ele raciocinou. 
"Manteve sua palavra porque eu te apontava com a faca." 
Ela tinha razão pela metade Uma vez que ele fazia uma promessa, jamais consideraria tentar escapar, embora provavelmente tivesse tido uma dúzia de oportunidades de fazê-lo. Ele era, depois de tudo, um homem de honra. 
Ele se retorceu na cama, tratando de aliviar o adormecimento de suas mãos, presas abaixo de suas costas. Arrancou-lhe a atadura de seus pulsos, liberando seus braços. Mas ela foi cuidadosa de levar sua arma a sua garganta. 
"Os braços para cima," ela disse. 
"Espero que estejas certa," ele murmurou, levantando seu braço sem queixar-se. 
"Espero que sua irmã venha antes que ladrões." 
Ela atou seu braço direito na beira da cama "Deixa que eu me ocupe dos ladrões, Normando.”. 
Enquanto ela se inclinava sobre ele para tomar posse de seu pulso esquerdo, ele esteve tentado a fazer uma tentativa final de escapar. Um que implicava golpeá-la com seu punho e provavelmente deixá-la inconsciente. 
Duas coisas o detiveram. 
O primeiro: o cavalheirismo. Colin sempre tratava às mulheres gentilmente. Nunca tinha golpeado a uma mulher. De fato, ocasionalmente levantava a voz a uma dama. A idéia de ferir intencionalmente a uma mulher era inconcebível. 
A segunda coisa que o deteve foi o fato de que enquanto Helena se cruzava em cima de seu corpo, ela perdeu o equilíbrio e tropeçou para frente golpeando contra seu peito. Ele se esticou, seguro que havia sentido a adaga em sua garganta. 
Felizmente, os instintos dela foram rápidos. Ela correu a adaga antes que pudesse danificá-lo. Mas por um instante enquanto ela jazia ali, esmagando suas costelas, seus olhos captaram a mútua vulnerabilidade pelo que ocorria entre eles. Ela poderia cravar-lhe a adaga. Ele podia desarmá-la. Em troca, ambos ficaram paralisando em uma pausa muito curiosa. E nesse momento, enquanto ele a olhava com atônitos olhos verdes, incapaz de mover-se, incapaz de respirar, ele vislumbrou debaixo da atitude selvagem dela, um coração gentil. 
No momento seguinte, essa sensação se foi. Fechou-lhe seus olhos e sua alma e saiu de cima de seu peito com um grunhido desdenhoso. 
Em seguida ela atou sua outra mão. Colin lutou contra seu crescente desconforto. Não era a primeira vez que tinha sido preso a uma cama por uma mulher, mas Helena era primeira em fazer nós impossíveis de desatar. Se algo acontecia, não poderia defender-se nem a si mesmo nem a ela. 
Helena, com sua tarefa completada, assentiu com satisfação. Deu uns passados para trás e se sentou no banco de três pés. Ainda estava nervosa porque quase havia cravado a adaga em seu refém. Ao menos ela tentou convencer-se que essa era a origem de sua inquietação. O fato de que o olhar de Colin tivesse perdido por um momento sua característica zombadora e a tivesse olhado com admiração nada tinha nada que ver com o modo em que seu coração se acelerava. 
"Minha lady, isto é uma loucura e...”. 
"Sh." Ela não queria escutar seus argumentos. Agora que seu cativo estava amarrado, ela podia descansar sabendo que não haveria mais excitação nesse dia. 
Colin obedeceu sua ordem e parecia estar absorto em seus pensamentos enquanto jazia olhando fixamente o teto decrépito da cabana. Agora ela só se sentaria e esperaria. 
E esperaria. 
E esperaria. 
Seu estômago grunhiu sonoramente, e ela olhou brevemente para ver se Colin tinha ouvido o som. Tinha-o escutado. Embora seus olhos não deixaram de olhar o teto, os ângulos de sua boca se curvaram divertidos. 
Ela grunhiu. "Talvez se não me tivesse encerrado em um porão sem comida...”. 
"Desculpe-me," ele disse. 
Ela se mordeu o lábio inferior. Deus! Estava faminta. Havia quem se burlava de seu voraz apetite, mas não se davam conta quanta energia uma guerreira requeria. "Deirdre deveria enviar uma resposta antes do entardecer," ela disse. 
"E se não o fizer?" 
Helena não queria pensar nisso. Em sua impulsividade, ela não havia trazido provisões. Se eram forçados a permanecer de noite, pela manhã ela teria que reconsiderar seus planos seriamente. 
Ela continuou esperando, tão ansiosa como uma fera enjaulada, caminhando no pequeno quarto, em seguida sentando-se pesadamente no banco, para depois ir à janela para espiar através das portinhas, só para ver que as sombras cresciam. 
Na décima viagem à janela, ela pôde ver a vaga silhueta das árvores contra o céu do entardecer. O ar estava pesado com a neblina da tarde, e ela se estremeceu com o ar fresco. Ninguém viria. Embora Helena não temesse nada a respeito do bosque, a precavida Deirdre nunca andaria pelo bosque na escuridão. 
Ela suspirou, afastando-se da janela. Supôs que eles teriam que passar a noite na cabana. 
Ela procurou entre os conteúdos da arca. Havia uma manta de lã com buracos causados pela traças, e a pôs em cima de Colin. Ela tirou as outras duas mantas, e usou uma como colchão para ela sobre o chão ao lado da cama. 
Era injusto, ela pensou dormir sobre o chão duro enquanto seu refém usava a cama. 
Estirando-se com seus pés em direção à cabeça de Colin, tapou-se com a outra manta e observou o ambiente da cabana lentamente voltar-se cinza claro, em seguida cinza escuro, e logo preto. 
Justo quando estava por dormir, na escuridão, Colin murmurou, “Está acordada?”. 
Era tentador não lhe responder. Ela não queria ouvi-lo dizer que ele tinha razão, que ninguém tinha respondido sua nota. Mas ela estava acordada, faminta e aborrecida. Uma conversa seria bem-vinda embora fosse com o Normando. 
"O que quer?" 
"Diga-me, Diabinha, tem medo de algo?" 
Ela saltou ante esse apelido dirigido a ela. "Além de estar isolada em uma cabana com um Normando charlatão?" 
Ele riu. “Sim, além disso." 
“O medo é uma perda de tempo." 
"Mas certamente teme a algo." 
Ela se encolheu de ombros. "O que tenho que temer?" 
"Bestas selvagens. A escuridão." Ele fez uma pausa, e em seguida adicionou "Fome.”. 
Ela grunhiu. "Não se preocupe, Normando. Não deixarei que morramos de fome." Ela sorriu
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