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UNIVERSIDADE DA REGIÃO
 DA CAMPANHA
Microbiologia
	
e
 Imunologia
Prof. Laercio Rodrigues dos Santos
2015
Microbiologia e Imunologia
I Microbiologia
I.I BACTERIOLOGIA GERAL
1. Introdução ao estudo da Microbiologia
2. Morfologia e citologia bacteriana
3. Nutrição e metabolismo bacterianos (Cultivo bacteriano)
4. Genética bacteriana
5. Taxonomia bacteriana
6. Métodos de esterilização e desinfecção (Controle de microrganismos)
7. Antimicrobianos	
I.II VIROLOGIA
1. Introdução ao estudo dos vírus
2. Estruturas dos virus
2. Principais doenças virais 
I.III MICOLOGIA GERAL
1. Estudo dos fungos
2. Micoses superficiais 
3. Micoses cutâneas
4. Micoses subcutâneas
5. Micoses sistêmicas 
6. Micoses Oportunistas 
II. IMUNOLOGIA
1. Introdução ao estudo da imunologia
2. Sistema imune
3. Antígenos
4. Imunoglobulinas
5. Sistema complemento
6. Complexo de histocompatibilidade principal
7. Imunofisiologia: interações e funções celulares
8. Hipersensibilidade
9. Imunologia dos transplantes
10. Tolerância Imunológica
11. Doenças auto-imunes
12. Imunoprofilaxia e Imunoterapia
I.I BACTERIOLOGIA GERAL
1. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA MICROBIOLOGIA
 A palavra microbiologia deriva de três palavras gregas - mikros “pequeno”; bios “vida”; logos “ciência”.
A microbiologia é o ramo da biologia dedicado ao estudo dos microrganismos e dos vírus em seus aspectos estruturais, genéticos, fisiológicos e ambientais, suas atividades, relações entre si, com plantas, animais e o homem, incluindo sua utilidade na pesquisa científica, na saúde e na indústria. 
Os microrganismos (bactérias, vírus, fungos, protozoários, etc.) são uma forma de vida que não pode ser visualizada sem auxílio de um microscópio. Estão em todos os lugares e viabilizam a nossa vida. Os microrganismos vivem em íntimo contato com seres vegetais e animais e grande parte deles é importante, ou mesmo essencial, para o correto funcionamento dos organismos multicelulares. 
A Microbiologia nasceu por causa do impacto das doenças infecciosas sobre a vida das pessoas e muitas vezes de grandes populações. O homem primitivo não entendia as doenças e não tinha noção alguma sobre a transmissibilidade das doenças infecciosas.
Conhecimentos básicos de microbiologia são importantes para a vida das pessoas, pois regem hábitos fundamentais de higiene, esterilização, manipulação e conservação dos alimentos, ecologia, entre outros aspectos. São também instrumentos para pesquisa científica visando entendimento dos mecanismos moleculares da vida celular, fornecendo instrumentos biotecnológicos estratégicos, para o tratamento de diversas doenças microbianas ou não. Por exemplo, as bactérias, há algum tempo, são manipuladas geneticamente para sintetizar insulina e outros hormônios de humanos, usados no tratamento da diabetes e outros distúrbios endócrinos, respectivamente.
2. MORFOLOGIA E CITOLOGIA BACTERIANA
2.1 Forma e arranjo
	De acordo com a sua morfologia, as bactérias são classificadas em três grupos básicos: cocos (formas esféricas), bacilos (bastonetes retos ou encurvados) e espiroquetas (espiral).
	Os cocos são redondos, mas podem ser ovais, alongados ou achatados em uma das extremidades. As bactérias, em forma de cocos, ao se dividirem podem permanecer unidas umas às outras formando pares (diplococos), cadeias (estreptococos) e cachos (estafilococos).
	Os bacilos se dividem no plano sobre seu eixo menor de tal forma que são poucos arranjos ou agrupamentos: diplobacilos (pares) e cadeias (estreptobacilos).
	O termo bacilo significa determinada forma, e o termo Bacillus significa o gênero que esta forma tem.
	As bactérias espiraladas podem ter um ou mais espirais. Quando têm o corpo rígido e são como vírgulas, são chamadas de vibriões, espirilos quando têm a forma de saca-rolhas e espiroquetas as de corpo flexível.
	A forma das bactérias é uma característica genética e geralmente as bactérias são monomórficas, ou seja, mantêm uma única forma. Entretanto, algumas condições ambientais e de cultivo podem fazer com que os organismos apresentem formas ou arranjos diferentes.
2.2 Ordem de grandeza
	O tamanho das bactérias é da ordem de milésimos de milímetro (mícron, pl. micra; abreviadamente: μ).
A maioria das bactérias é do tamanho de 0.5 μ, sendo que algumas como estafilococos medem de 0,5 a 1 μ, o bacilo tífico, 0,5 μ de diâmetro por 2 a 3 μ de comprimento, e outras como a Campylobacter chegam a 0.3 μ ou menores ainda.
2.3 Reações tintoriais
		As bactérias têm afinidade para um grande número de corantes, em particular os derivados básicos da anilina (azul de metileno, violeta de genciana, fucsina básica, etc.).
Uma vez que os microrganismos são transparentes, é freqüente o uso de corantes para facilitar a visualização da forma e do tipo de arranjo. Os métodos de coloração mais empregados em bacteriologia são os de Gram e de Ziehl-Neelsen.
O método de Gram se baseia no fato de que, quando certas bactérias são coradas pela violeta de genciana e depois tratadas pelo iodo (solução de lugol), forma-se um composto de coloração escura entre o iodo e a violeta genciana, o qual é fortemente retido pelas bactérias e não pode ser removido pelo tratamento subseqüente com álcool. Bactérias Gram-positivas tomam o Gram. As bactérias que não tomam o Gram são descoradas facilmente pelo álcool e são chamadas de Gram-negativas. Para estas últimas faz-se uma coloração de fundo usando a fucsina a qual dará a elas uma tonalidade vermelha. 
O método de Ziehl-Neelsen é amparado no fato de que certas bactérias, como os bacilos da tuberculose e da lepra, quando tratadas pela fucsina fenicada a quente, resistem ao descoramento subseqüente por uma solução de ácido forte e, assim sendo, permanecem coradas em vermelho; outras não resistem ao descoramento e tomam a coloração de fundo que é feita utilizando o azul de metileno. Os bacilos que resistem à descoloração pela solução de ácido forte são chamados de bacilos álcool - ácido resistentes (BAAR). Assim, ao serem observadas após coloração, mediante fucsina fenicada, e contraste, com azul de metileno, encontraremos as bactérias:
Álcool - ácido resistentes: coradas de vermelho. 
Não álcool - ácido resistentes: coradas de azul. 
2.4 Estruturas bacterianas e suas funções
	A célula bacteriana apresenta várias estruturas. Algumas delas estão presentes apenas em determinadas espécies, enquanto outras, classificadas como essenciais, são encontradas em todas as bactérias.
	Estruturas de uma célula bacteriana típica.
2.4.1 Membrana citoplasmática
	
É uma estrutura de aproximadamente 8 nm de espessura. Forma uma barreira responsável pela separação do meio interno (citoplasma) e externo da célula.
Estrutura química
	Como a maioria das membranas biológicas, a membrana das bactérias é composta de proteínas (60%) imersas em uma bicamada fosfolipídica (40%). As proporções dos componentes são variáveis, dependendo da espécie bacteriana e das condições de cultivo.
 Os ácidos Graxos dos lipídios são responsáveis pela condição hidrofóbica da porção interna da membrana enquanto a parte hidrofílica dos mesmos fica exposta ao meio externo aquoso.
Funções
►Transporte de solutos: atua como barreira altamente seletiva, impedindo a passagem livre de moléculas e íons, possibilitando assim a concentração de metabólitos específicos dentro da célula. Além disso, a excreção de substâncias inúteis à célula também é feita através da membrana. 
►Produção de energia por transporte de elétrons e fosforilação oxidativa: 
►Biossíntese: as enzimas de síntese dos lipídios da membrana e de várias classes de macromoléculas componentes de outras estruturas externas à membrana (petidioglicano, ácidos teicóicos, lipopolissacarídeios e polissacarídeos extracelulares) estão ligadas à membrana citoplasmática.Uma vez sintetizadas, estas macromoléculas são permeadas para o lado externo pelos canais chamados junções de Bayer.
►Duplicação do DNA: algumas proteínas do complexo de duplicação de DNA estão localizadas na membrana plasmática.
►Secreção: a membrana está envolvida na secreção de enzimas hidrolíticas que têm como função romper as macromoléculas do meio fornecendo subunidades que servirão como nutrientes. Outras macromoléculas, como toxinas, bacteriocinas e penicilinases, podem ser secretadas através da membrana plasmática.
2.4.2 Mesossomo
A membrana citoplasmática pode apresentar invaginações múltiplas que formam estruturas especializadas denominadas mesossomos. Existem dois tipos: 
a) septal: desempenha importante papel na divisão celular, pois, após a duplicação do DNA, ao qual se encontra ligado, atua como o fuso no processo de divisão da célula eucariótica, separando os dois cromossomos e conduzindo-os para os pólos da célula. Além disso, participa também da formação das paredes transversais.
b) lateral: encontrado em determinadas bactérias, parece ter como função concentrar enzimas envolvidas no transporte eletrônico, conferindo à célula maior atividade respiratória ou fotossintética. 
2.4.3 Parede celular
Geralmente a pressão osmótica do interior das bactérias (15 a 20 atmosferas) é muitas vezes superior à do meio externo, de maneira que a tendência da célula a intumescer é grande e, se não fosse a presença da parede celular, as bactérias estourariam. A manutenção da forma bacteriana (bacilo, coco, etc.) é devida a esta estrutura. Além disso, a parede desempenha um papel importante na divisão celular como primer para sua própria biossíntese, dando origem ao septo que separa as duas novas células oriundas da divisão celular. 
Peptideoglicano (mureína ou mucopeptídeo) é um composto exclusivamente encontrado no domínio Bacteria, sendo o responsável pela rigidez da parede celular. O peptideoglicano corresponde a um enorme polímero complexo que, em bactérias Gram-positivas pode formar até 20 camadas, enquanto em células Gram-negativas está presente, formando apenas uma ou duas camadas.
O peptidioglicano, responsável pela forma das células e proteção do citoplasma frente às diferenças de pressão osmótica entre os meios externo e interno, confere rigidez ao corpo bacteriano.
Nas bactérias Gram-positivas, aproximadamente 90% da parede são compostos de peptidioglicano.
Além desta macromolécula, encontramos proteínas e ácidos teicóicos (ácidos teicoicos e ácidos lipoteicoicos) que podem apresentar até 50% da massa seca da parede.
Nas bactérias Gram-negativas, a parede celular está composta por uma camada de peptidioglicano e três outros componentes que a envolvem externamente; lipoproteína, lipopolissacarídeo e membrana externa. 
A lipoproteína está ligada de modo covalente ao peptidioglicano e não covalente à membrana externa; sua função, inferida de estudos realizados com amostras mutantes, é estabilizar a membrana externa e ancorá-la à camada de peptídioglicano. A membrana externa é uma dupla camada, contendo fosfolipídeos e proteínas apresentando, em sua camada externa, o lipopolissacarídeo (LPS).
O LPS é constituído de um lipídio complexo (lipídio A), ao qual está ligado um polissacarídeo chamado antígeno O. Os açúcares que formam a cadeia lateral deste polissacarídeo variam de espécie para espécie e, por isso, são responsáveis pelas características antigênicas em bactérias Gram-negativas. O LPS é também chamado de endotoxina, pois é tóxico, provocando muitas vezes respostas fisiológicas, como febre em animais, incluindo o homem.
	Como a maioria das membranas biológicas, a membrana externa das bactérias Gram-negativas é formada por dupla camada lipídica. Caracteristicamente, possui camada interna composta basicamente de fosfolipídios, e uma externa contendo lipopolissacarídeos e proteínas.
Diferentemente das citadas anteriormente, há bactérias com paredes de composição química diferente ou sem parede 
Arqueobactérias – Peptidioglicanos típicos com ácido murâmico e D-aminoácidos, característicos das eubactérias. Algumas possuem paredes exclusivamente de N-acetilglicosamina e outras apenas de proteínas. 
Micoplasmas – Não possuem parede celular e seu citoplasma é limitado apenas por uma bicamada fosfolipídica associada a proteínas e alta concentração de esteróis. 
Formas L – Células sem parede originadas de bactérias Gram positivas ou Gram negativas selecionadas pelo uso de agentes que destroem a parede (lisozima ou penicilina). Uma vez isoladas, podem ser estáveis (permanecem sem parede na ausência do agente) ou instáveis (quando voltam a sintetizar a parede). 
2.4.4 Cápsula
Bactérias Gram-positivas e Gram-negativas podem construir uma camada viscosa constituída de uma combinação de polissacarídios e proteínas denominada “cápsula”. As cápsulas variam em espessura e podem atingir duas vezes o volume da célula produtora. 
A cápsula provavelmente confere proteção contra compostos tóxicos que não se difundam facilmente na matriz polissacarídica e, nos processos infecciosos, dificultam a captura e destruição das bactérias pelas células do sistema imunológico do hospedeiro.
2.4.5 Flagelos
O flagelo bacteriano confere movimento à célula e é formado de uma estrutura basal, um gancho e um longo filamento externo à membrana. O filamento é composto de um único tipo de proteína chamado de flagelina.
2.4.6 Pili ou fímbrias
Muitas bactérias Gram negativas são dotadas de apêndices filamentosos protéicos que não são flagelos. A tais apêndices chamamos fímbrias. São menores, mais curtos e mais numerosos que os flagelos e não formam ondas regulares. As fímbrias podem ser vistas apenas sob microscopia eletrônica. Não desempenham nenhum papel relativo a mobilidade, pois são encontradas tanto em espécies móveis como em espécies imóveis. Há, contudo, várias funções associadas com diferentes tipos de fímbrias. Um tipo, conhecido como fímbria F, serve como porta de entrada de material genético durante a conjugação bacteriana.
2.4.7 Nucleóide
O nucleóide procariótico ou DNA bacteriano, quando devidamente corado, pode ser visualizado com o auxílio do microscópio óptico. Micrografias eletrônicas revelam a ausência de uma membrana nuclear e de um aparelho mitótico. A região nuclear é preenchida por fímbrias de DNA dupla hélice na forma de uma única molécula de aproximadamente 1mm de comprimento (desdobrada) e peso molecular de 2 a 3 x 109 D. O DNA com carga negativa é neutralizado, pelo menos parcialmente, por poliaminas pequenas e pelo íon magnésio. Entretanto, recentemente foram descobertas proteínas semelhantes às histonas de mamíferos e, provavelmente, elas desempenham um papel semelhante ao das histonas na cromatina eucariótica. 
2.4.8 Plasmídios
Estes são compostos por DNA extra-cromossômico, usualmente presentes em múltiplas cópias freqüentemente codificam fatores de virulência e fatores de resistência a antibióticos. Algumas formas estão envolvidas na replicação bacteriana. 
2.4.9 Citoplasma
O citoplasma da célula bacteriana é uma solução aquosa limitada pela membrana plasmática. Imersas no citoplasma existem partículas insolúveis, algumas essenciais (ribossomos e nucleóide) e outras encontradas apenas em alguns grupos de bactérias, nas quais exercem funções especializadas como os grânulos e os vacúolos gasosos. 
2.4.10 Ribossomos
Partículas citoplasmáticas responsáveis pela síntese protéica, compostas de RNA (60%) e proteína (40%). Em procariotos possuem coeficiente de sedimentação de 70S e são compostos de duas subunidades 30S e 50S. Embora a estrutura e a biossíntese dos ribossomos sejam bastante diferentes entre procariotos e eucariotos, sua função é a mesma.
2.4.11 Esporos
Os endósporos são estruturas formadas por algumas espécies de bactérias Gram-positivas, particularmente as dos gêneros Bacillus e Clostridium, quando o meio se torna carente de água ou de nutrientes essenciais.3. NUTRIÇÃO E METABOLISMO BACTERIANOS (CULTIVO BACTERIANO)
3.1 Introdução
As bactérias têm os mesmos requerimentos nutricionais básicos de todas as formas de vida, que incluem primariamente fontes de energia, compostos orgânicos e inorgânicos. As bactérias são encontradas em grandes números em quase todos os ambientes do planeta onde haja disponibilidade de água. Existem grupos bacterianos adaptados para viverem sob os mais diversos ambientes: solo, água doce, água salgada, gelo, trato alimentar dos animais e até em tanques de combustível de aeronaves. As bactérias metabolizam desde os nutrientes mais comumente assimiláveis a todos os seres vivos como açúcares, proteínas, gorduras, celulose, até os menos usuais como antibióticos, penas de aves, petróleo, asfalto, gasolina, plásticos e minerais como ferro, enxofre e manganês.
3.2 Fontes de Energia 
	A grande maioria das bactérias é quimiotrófica, ou seja, obtêm energia à custa de reações químicas onde substratos adequados são oxidados. As litotróficas oxidam compostos inorgânicos, enquanto as organotróficas oxidam compostos orgânicos.
	Para que as bactérias possam crescer e multiplicar-se, sintetizando a sua própria matéria orgânica, é necessário que disponham de fontes de carbono, hidrogênio, nitrogênio, enxofre e fósforo.
	Fontes de carbono. Para as bactérias autotróficas, a única fonte de carbono é o CO2 ou o íon bicarbonato a partir dos quais conseguem sintetizar todos os compostos orgânicos de que necessitam. A maioria das bactérias é heterotrófica, exigindo fontes orgânicas de carbono; destas, as mais comuns são os carboidratos (glicose, amido, celulose, aminoácidos, lipídios, etc)
	Fontes de Nitrogênio. Algumas bactérias retiram o nitrogênio diretamente da atmosfera e o convertem a nitrogênio orgânico. Outras bactérias exigem fontes orgânicas de nitrogênio (aminoácidos). A maioria das bactérias utiliza compostos inorgânicos de nitrogênio (sais de amônio, nitratos).
	Além de carbono e nitrogênio, as bactérias exigem uma série de outros elementos tais como: fósforo, minerais (sódio, potássio, enxofre, magnésio), cálcio, ferro, zinco, cobalto e outros, requeridos em quantidades mínimas. 	
3.3 Água
 Não é um nutriente, mas é indispensável para o crescimento e é múltiplo o seu papel. As bactérias se nutrem pela passagem de substâncias em solução através da membrana citoplasmática. Exerce função na regulação osmótica e térmica. A maior parte das bactérias, quando não esporuladas, morre rapidamente pela dessecação.
3.4 Oxigênio atmosférico
	Como a água, o oxigênio atmosférico não é um nutriente e funciona apenas como receptor final de hidrogênio nos processo de respiração aeróbica. As bactérias têm comportamento diferente na presença de O2 livre: aeróbias exigem a presença de oxigênio livre; entretanto, algumas o exigem em pequena quantidade, são as microaerófilas; anaeróbias estritas não toleram presença de oxigênio livre, morrendo rapidamente nessas condições; anaeróbias não estritas que não utilizam o oxigênio atmosférico, mas este não é tóxico, e facultativas que tanto podem crescer na presença de como na ausência de oxigênio livre.
3.5 Meios de cultura
Nas condições artificiais do laboratório, o crescimento de bactérias é obtido pela semeadura das mesmas em meios de cultura. Por não haver um meio de cultura universal, a composição deste deve ser compatível com a fisiologia da bactéria em estudo, pois cada microorganismo duplicado ou multiplicado deve possuir todos os componentes da célula original. 
3.5.1 Composição dos meios de cultura
	Basicamente existem dois grandes grupos de meios de cultura:
a) meios sintéticos: a composição química é qualitativa e quantitativamente conhecida; e
b) meios complexos: composição química não perfeitamente definida.
3.5.2 Estado físico dos meios de cultura
	Um meio de cultura pode ser sólido, semi-sólido ou liquido, quanto à consistência. São classificados quanto ao estado físico em sólidos, quando contém agentes solidificantes, principalmente ágar, polissacarídeo extraído de algas, que funde a 100ºC e solidifica ao redor de 45ºC. A adição de 1,5 a 2,0 % de ágar ao meio de cultura líquido é suficiente para solidificação deste. Os meios semi-sólidos são obtidos quando a quantidade de ágar e ou gelatina acrescida ao meio líquido é de 0,075 a 0,5 %, dando uma consistência intermediária, de modo a permitir o crescimento de microrganismos em tensões variadas de oxigênio ou a verificação da motilidade e também para conservação de culturas. Os líquidos não têm agentes solidificantes e apresentam-se como um caldo.
3.5.3 Classificação dos meios de cultura de acordo com a finalidade
De acordo com a finalidade, os meios de cultura podem ser classificados em:
a) Meios de Enriquecimento - quando proporcionam nutrientes adequados ao crescimento de microrganismos presentes usualmente em baixos números ou de crescimento lento, bem como microrganismos exigentes Ex. Caldo Tetrationato e Selenito-Cistina para cultivo de Salmonelas (líquidos). Ex. Caldo Tetrationato e Selenito-Cistina para cultivo de Salmonelas;
b) Diferenciais - são aqueles que conferem características especiais especiais às colônias que, em condições normais, seriam idênticas. Assim, bactérias fermentadoras de lactose, semeadas em meio contendo lactose e um indicador, dão colônias de cor diferente das não-fementadoras, pois, crescendo, fermentam a lactose, originando ácido lático, que faz “mudar” o indicador. Exemplo: Teague, Eozina Azul de Metileno, etc.;
c) Seletivos - os que contém substâncias que inibem o desenvolvimento de determinados grupos de microrganismos, permitindo o crescimento de outros. Exemplo: o meio de ágar MacConkey contém substâncias que inibem o crescimento de bactérias Gram-positivas, assim, é destinado ao crescimento de bactérias Gram-negativas. 
d) Identificação - prestam-se para a realização de provas bioquímicas e verificação de funções fisiológicas de organismos submetidos a identificação. Exemplo: Ágar Citrato, Sulfito Indol Motilidade, etc.; 
e) Dosagem - empregados nas determinações de vitaminas, antibióticos e aminoácidos;
f) Contagem - empregados para a determinação quantitativa da população microbiana (Agar de Contagem em Placas, etc.); e
g) Estocagem ou manutenção - utilizados para conservação de microrganismos no laboratório para garantir a viabilidade de microrganismos (Ágar Sabouraud, Ágar Sangue, Ágar Simples, etc.). 
3.5.4 Outros fatores envolvidos na nutrição bacteriana
a) Temperatura: cada bactéria tem um ótimo de temperatura para absorção de nutrientes que está intimamente relacionado ao crescimento e ao desenvolvimento das culturas. Assim, as bactérias psicotrófilas crescem e absorvem melhor entre as temperaturas de 0 e 18ºC; mesófilas entre 25 e 40ºC e as termófilas entre 50 e 80ºC.
b) Concentração hidrogeniônica: os valores de pH em torno de 7,0 são os mais adequados para absorção de nutrientes, embora existam algumas bactérias adaptadas a viver em ambientes ácidos.
c) Enzimas: a membrana citoplasmática não permite a passagem de nutrientes de elevado peso molecular, no entanto sabemos que elas podem utilizar amido, proteínas, gorduras e outras macromoléculas. A quebra destas para posterior absorção é feita à custa de enzimas extracelulares ou exoenzimas.
3.6 Metabolismo microbiano
Metabolismo é o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. Estas reações são responsáveis pelos processos de síntese e degradação dos nutrientes na célula e constituem a base da vida, permitindo o crescimento e reprodução das células, mantendo as suas estruturas e adequando respostas aos seus ambientes.
NUTRIENTES --------- METABOLISM0--------SUBUNIDADES ESTRUTURAIS: 
						 ENERGIA: 
 CRESCIMENTO BACTERIANO 
3.7 Crescimento bacteriano
 	O crescimentoé um somatório dos processos metabólicos progressivos, que normalmente conduz à divisão (reprodução) com concomitante produção de duas céluas-filha a partir de uma. A grande maioria, de fato, divide-se dando origem a duas céluas-filha iguais (divisão binária), embora algumas espécies formem brotos que crescem até atingir o tamanho da célula-mãe e, então, destacam-se. 
3.7.1 Curva de crescimento
	Embora as bactérias desenvolvam-se bem em meios de cultura sólidos, os estudos de crescimento são feitos essencialmente em meios líquidos.
	Quando uma determinada bactéria é semeada num meio líquido de composição apropriada e incubada em temperatura adequada, o seu crescimento segue uma curva definida e característica. Esta curva de crescimento pode ser arbitrariamente dividida em quatro fases.:
a) Fase lag: ocorre aumento de massa e, praticamente, não ocorre divisão celular.
b) Fase logarítmica: ocorre divisão regular em velocidade máxima e constante, porém, quando as condições do meio se alteram pela atividade metabólica das bactérias, esta fase termina.
c) Fase estacionária: a velocidade de multiplicação diminui gradualmente até que se anule, isto se deve à falta de nutrientes e ao acúmulo de materiais tóxicos no meio.
d) fase de declínio: gradualmente os microorganismos diminuem em número até que a cultura se torne estéril.
Lag: síntese; Log: crescimento exponencial; Estacionária: taxa de 
divisão celular é muito próxima da taxa de morte celular.
3.7.2 Fatores que afetam o crescimento bacteriano
 
 Entre os diversos fatores que afetam o crescimento bacteriano, podem ser destacados: temperatura de incubação, natureza do meio, aeração do meio, concentração de íons hidrogênio e natureza do organismo.
3.7.2.1 Temperatura de incubação
	Os diferentes microrganismos apresentam, conforme seu hábitat natural, diferentes ótimos de temperatura, onde suas enzimas estão na forma mais ativa. Assim, obedecida essa temperatura ideal, o tempo de geração será menor.
3.7.2.2 Natureza do meio
	Em geral, o desenvolvimento bacteriano é mais eficiente em meios complexos do que em meios quimicamente defenidos. Por exemplo, Escherichica coli apresenta tempo de geração de 20 minutos em caldo comum e 50 minutos em caldo sintético(glicose + sais). Assim, as contribuições do meio de cultura para a velocidade de crescimento são sua concentração e presença de todos os nutrientes essenciais.
3.7.2.3 Aeração do meio	
	A influência da presença ou não do O2 no meio depende diretamente das vias pelas quais os organismos obtêm energia. Assim, a aeração acelera o crescimento de microrganismos aeróbios estritos e de facultativos fermentativos e é completamente tóxica para os anaeróbios estritos.
3.7.2.4 Concentração de íons hidrogênio
	O pH do meio de cultura é um fator muito importante para a atividade enzimática. De maneira geral, o pH neutro é requerido para o melhor desenvolvimento da cultura em termos de velocidade. Porém, dentro de certos limites, uma alteração de pH não afeta consideravelmente o tempo de geração. 
3.7.2.5 Natureza do organismo
	Dependendo das características metabólicas do microrganismo, seu tempo de geração será maior ou menor. As variações se estendem desde dez minutos para uma bactéria marinha até semanas para algumas espécies do gênero Mycobacterium.
	Foi observado que mesmo microorganismos altamente patogênicos têm seu tempo de geração diminuído quando se desenvolvem in vivo. 
	A fase logarítmica termina quando as condições do meio de cultura se alteram pela atividade metabólica das bactérias, que não mais as condições adequadas ao crescimento uniforme. 
4. GENÉTICA BACTERIANA
	O processo de evolução biológica de todo organismo vivo é produto de alterações no seu material genético. A informação contida neste material está codificada na grande maioria dos organismos pelo ácido desoxirribonucléico (DNA). 
	A molécula de DNA é geralmente uma dupla fita. O DNA possui em vários organismos as mesmas propriedades ou funções, as quais incluem a capacidade de replicação e transmissão das moléculas hereditárias durante a divisão celular.
	O DNA em bactérias é uma macromolécula em forma de dupla fita circular, com um comprimento de aproximadamente 1,1 mm, altamente empacotado e dobrado para se manter dentro da célula, que mede de 1 a 2µm de comprimento.
4.1 Recombinação genética nas bactérias
	A reprodução das bactérias ocorre por fissão binária, um processo assexuado que não envolve eventos de recombinação e resulta na formação de duas células filhas idênticas à célula mãe. Entretanto, diversos grupos de bactérias possuem a capacidade de troca e recombinação genética com outros organismos. A permuta genética entre bactérias ocorre por meio de um dos seguintes mecanismos: transformação, transdução, e conjugação.
 
Transformação
	Processo que envolve a incorporação de DNA livre no meio circundante. As células fisiologicamente capazes de captar e incorporar DNA livre em seus genomas são denominadas competentes. A competência usualmente é um estado transitório que ocorre no final da fase de crescimento exponencial.
 Figura -Transformação
Transdução
	Refere-se à permuta de informação genética por meio de bacteriófagos (vírus que infectam bactérias). Alguns bacteriófagos (ou simplesmente fagos) são líticos, isto é, após infectarem a célula bacteriana, os genes reguladores do bacteriófago “assumem o controle” do mecanismo de biossíntese celular, resultando na expressão dos genes estrutruais do fago e na produção de novas partículas do fago, as quais são liberadas devido a lise e morte da bactéria hospedeira. Com bacteriófagos temperados, o material genético do bacteriófago é incorporado ao DNA da célula hospedeira como um “profago” e se reproduz junto com o cromossomo bacteriano. 
	A transferência de informação genética durante a transdução por ser generalizada, processo em que o vírus leva DNA bacteriano, ou especializada, processo em que ocorre a transferência de genes bacterianos específicos.
Figura - Transdução
Conjugação 
	É o único mecanismo de troca genética entre bactérias que requer contato célula a célula. As bactérias gram-negativas capazes de participar na conjugação possuem plasmídeo denominado F, que codifica para um pilus sexual. Este pilus especializado atua como veículo para estabelecer contato com a outra célula bacteriana, como “tubo” através do qual o DNA passa durante o processo de conjugação. As células que possuem o plasmídeo F são referidas como F+ e as que não apresentam este plasmídeo são denominadas F-. Assim que o contato de uma célula F+ com uma célula F- é estabelecido através de um pilus sexual, o plasmídeo circular F começa a ser replicado. Durante este processo uma das cadeias simples de DNA plasmidial passa para a célula receptora através do pilus.
 Figuras - Conjugação
 
4.2 Mutações
	As alterações na estrutura química ou física no DNA são conhecidas como mutações. Estas podem ser ocasionadas por agentes físicos ou químicos chamados mutágenos ou agentes genotóxicos. O organismo não exposto a um mutágeno é chamado tipo selvagem, enquanto o organismo com alterações resultantes da ação destes agentes é um mutante. De acordo com o agente, as mutações podem ser espontâneas ou induzidas.
a) Espontâneas: podem ser causadas por erros durante a replicação do DNA ou pla exposição do organismo a influência extracelulares do meio ambiente, como radiações ou agentes químicos.
b) Induzidas: são produto de uma ação deliberada na qual o orgnismo é exposto à ação de um genotóxico.
5. TAXONOMIA BACTERIANA
	Taxonomia ou Sistemática é o ramo da microbiologia que é responsável pela caracterização e designação dos microorganismos, bem como pela organização dos mesmos em grupos. A taxonomia bacteriana compreende três atividades diferentes: nomenclatura, classificaçãoe identificação.
5.1 Nomenclatura
	A nomenclatura das bactérias é regulamentada pelo “Código internacional para a nomenclatura de procariontes” e compreende as regras, os princípios e as recomendações para a descrição de uma nova unidade de classificação (ou taxon, no plural taxa), ou seja, espécie, gênero ou família. De acordo com essas regras, o nome de uma espécie bacteriana baseia-se no sistema binomial desenvolvido pelo taxonomista sueco Carl von Linné para plantas e animais. Nesse sistema, o nome de uma espécie bacteriana é sempre dado como uma combinação em latim constituída de duas partes, o nome do gênero e o nome específico que denota a espécie. Por exemplo, uma das bactérias que habitam o intestino de mamíferos é designada de Escherichia coli (nome de gênero seguido do nome da espécie). Apenas a primeira letra do nome do gênero é escrita com letra maiúscula e o nome completo deve ficar em itálico ou sublinhado. A raiz para o nome de uma espécie ou de um táxon pode ser derivada de qualquer língua, mas a terminação deve ser em latim. Por exemplo, na bactéria Staphylococcus aureus, o nome de gênero é derivado das palavras de origem grega staphyle (cacho de uva) e coccus (semente), a terminação “us” é oriunda do latim e corresponde a uma das terminações utilizadas para substantivos (Staphylococcus) e adjetivos (auereus) masculinos.
5.2 Classificação
	A classificação é responsável pelo agrupamento de bactérias que compartilham certas características comuns em grupos taxonômicos denominados taxa (singular táxon).
	Os sistemas de classificação podem ser artificiais ou naturais. Os artificiais baseiam-se em características fenotípicas, principalmente morfológicas e fisiológicas dos microrganismos. Os sistemas naturais amparam-se nas relações filogenéticas das bactérias pela comparação de sequências de várias macromoléculas ou genes que as codificam. Embora filo ou divisão, subfilo, classe, subclasse, ordem, subordem e superfamília sejam, de modo progressivo, grupos taxonômicos (taxons) mais inclusivos nos reinos das plantas superiores e dos animais, os taxons que abrangem família, gênero e espécies são os níveis de classificação mais comumente utilizados para bactérias, protozoários e fungos patogênicos. A espécie é a unidade taxonômica básica, ou seja, é o menor e mais mais definitivo nível de divisão, embora algumas espécies possuam categorias de subespécies que são baseadas em variações fenotípicas menores.
	
5.3 Identificação
	A identificação consiste na determinação da espécie ou de outra unidade taxonômica de uma bactéria recém-isolada. Por exemplo, os microbiologistas de alimentos necessitam determinar a presença ou não de bactérias como Salmonella ou de outras bactérias patogênicas em aliementos.
	O processo de identificação primeiro assume que a bactéria de interesse já tenha sido descrita e nomeada. 
	As características usadas para a identificação bacteriana são fenotípics baseadas no emprego de uma série de testes bioquímicos e as genotípicas amparadas na detecção de sequências genéticas específicas pelas sondas genéticas ou Reação em cadeia pela Polimerase (PCR).
6. MÉTODOS DE ESTERILIZAÇÃO E DESINFECÇÃO
(CONTROLE DE MICRORGANISMOS)
	O controle de microorganismos é um tema amplo e de inúmeras aplicações práticas envolvendo toda a microbiologia e visa, principalmente: prevenir a transmissão de doenças, evitar a decomposição de alimentos e a contaminação da água e do ambiente.
	O controle de microorganismos é possível graças às ações de agentes físicos e químicos que apresentam propriedades que podem matá-los ou impedir a reprodução dos mesmos.
	Precedendo o tópico sobre os agentes físicos e químicos encontram-se a seguir algumas definições utilizadas no controle de microrganismos:
Esterilizar: destruir ou remover todas as formas de vida.
Desinfectar: inibir, matar ou remover vários microorganismos patogênicos e saprófitas sem eliminar todas as formas de vida.
Sanitizar: reduzir o número de microorganismos a níveis seguros.
Anti-séptico: produto utilizado em tecidos para evitar infecção, seja matando os microrganismos, inibindo a reprodução ou o metabolismo.
Desinfetante: agentes anti-sépticos aplicados em materiais inanimados, em ambientes e em excretas. 
Germicida: agente que mata microorganismos, exceto endósporos.
 “Cida”: qualquer agente que promova a morte 
“Stático”: qualquer agente que promova a inibição do crescimento.
 	
6.1 Métodos físicos de controle microbiano
Os principais agentes físicos que promovem o controle microbiano são: calor, filtração e radiações.
	Por ser eficaz, barato e prático, o método mais empregado para a esterilização e/ou desinfecção é o calor. O efeito letal produzido pelo calor sobre os microorganismos resulta de um processo de desnaturação e subseqüente coagulação de proteínas. O calor pode ser empregado sob duas formas: seco e úmido.
6.1.1 Calor seco
	A forma mais simples de esterilização, empregando o calor seco, e a flambagem. A incineração, empregada para queimar sacos e copos de papel, plástico, carcaça de animais, materiais descartáveis que já foram utilizados, entre outros, é também uma forma de esterilizar.
	Outra forma de esterilização empregando calor seco é feita em fornos (estufas de esterilização) e, nestes, o binômio tempo e temperatura dever ser observado atentamente.
6.1.2 Calor úmido	
	Uma das formas mais freqüentes de redução do número de microorganismos é a fervura (100ºC), que mata todas as formas vegetativas dos patógenos, muitos vírus, fungos e seus esporos em até 15 minutos. Entretanto, alguns vírus e alguns endósporos bacterianos não são destruídos tão rapidamente. 
	A esterilização empregando calor úmido requer temperaturas acima de fervura da água (120ºC). Estas temperaturas são conseguidas nas autoclaves e este é o método preferencial de esterilização desde que a substância ou o material a ser esterilizado não sofra alteração pelo calor úmido ou umidade. A autoclavação é um método eficaz de esterilização e, neste, a atenção deve estar no trinômio tempo, temperatura e pressão. A esterilização é mais facilmente alcançada quando os organismos são submetidos ao calor úmido em uma temperatura de 121ºC e pressão de 15 libras/polegada quadrada por cerca de 15 minutos.
6.1.3 Pasteurização
A pasteurização é um método criado, em 1864, por Louis Pasteur. É o processo usado em alimentos para destruir bactérias patogênicas e reduzir o número de todos os microorganismos ali existentes. Consiste em aquecer o produto a uma dada temperatura num dado tempo e, a seguir, resfriar bruscamente. 
6.1.4 Filtração
	Processo muito útil na esterilização de materiais termolábeis, sendo empregado para líquidos e gases. A passagem de soluções ou gases através de filtros, poros suficientemente pequenos para reter bactérias e fungos. Entretanto, os vírus não são retidos.
6.1.5 Radiações 
	As radiações têm seus efeitos dependentes do comprimento de onda, da intensidade, da duração e da distância da fonte. Os dois tipos de radiações empregados no controle de microorganismos são: ionizantes e não-ionizantes.
	As ionizantes, como, por exemplo, as radiações gama, têm comprimento de onda mais curto que as não-ionizantes e carregam mais energia. O principal efeito da radiação ionizante é a ionização da água, formando radicais super-reativos (superóxidos) e estes reagem com componentes celulares orgânicos, dentre eles o DNA, matando ou inativando os microrganismos. 
	As não-ionizantes têm comprimento de onda mais longo que as anteriores sendo a mais empregada a luz ultravioleta (UV). O UV provoca a formação de ligações químicas entre as timinas adjacentes e estes dímeros alteram a replicação do DNA no momento da reprodução.
6.1.6 Outros agentes físicos
Temperaturas baixas: a refrigeração ou o congelamento reduzem ou interrompem o metabolismo dos microorganismos.
Dessecação: liofilização ou dessecamento natural.6.2 Métodos químicos de controle microbiano
	Os agentes químicos empregados no controle dos microorganismos podem ser esterilizantes ou desinfetantes. Os esterilizantes matam todos os microorganismos e os desinfetantes reduzem a carga microbiana de tal forma que o material tratado deixa de representar um risco à disseminação de microorganismos.
	Os principais grupos de agentes químicos usados no controle de microorganismos são: álcoois, aldeídos, halogênios, metais pesados, agentes oxidantes e agentes de superfície.
6.2.1 Álcoois
	São baratos, facilmente obtidos e bactericidas diante das formas vegetativas. Exercem ação bactericida rápida através da desnaturação de proteínas, processo que necessita de água. 
De todos os álcoois, o álcool etílico é o mais empregado, principalmente em situações que levam à ruptura da integridade da pele, sendo em solução a 70%. O álcool isopropílilico é mais eficiente que o etanol na redução da tensão superficial das células bacterianas e na desnaturação de proteínas. É menos sensível à interferência da diluição e apresenta poder germicida, quando puro, superior ao do álcool etílico.
6.2.1 Aldeídos e derivados
	Deste grupo, o mais empregado ainda é o aldeído fórmico. Por ser facilmente solúvel em água, é empregado sob a forma de solução aquosa em concentrações que variam de 3 a 8 %. 
	Face aos bons resultados, o aldeído glutárico em soluções aquosas alcalinas a 2% tem substituído o aldeído fórmico.
	A metenamina é um anti-séptico urinário que deve sua atividade à liberação do aldeído fórmico.
	Os aldeídos agem mediante a alquilação direta dos grupos funcionais das proteínas, tais como aminas, carboxilas e hidroxilas, formando hidroximetilderivados inativos.
6.2.3 Fenóis e derivados
	O fenol é um desinfetante fraco, tendo interesse apenas histórico, pois foi o primeiro agente a ser utilizado como tal na prática médica e cirúrgica.
	Os fenóis atuam sobre qualquer proteína, mesmo aquelas que não fazem parte da estrutura do protoplasma do microorganismo, significando que, em meio orgânico protéico, os fenóis perdem sua eficiência por redução da concentração atuante. Para exercerem uma atividade bactericida in vivo, é necessário concentração de 0,2 a 1%, dependendo da espécie microbiana. 
	A seguir encontram-se exemplos de agentes químicos pertencentes a este grupo:
a) cresóis: empregados em mistura contendo os três isômeros sendo que o metacresol e o mais ativo;
b) creolina: mistura dos cresóis, é utilizada na desinfecção de pisos, vasos sanitários, etc.;
c) timol: é cerca de 30 vezes mais ativo que o fenol e tem menor toxicidade;
d) triclosan: anti-séptico halogenado, tem atividade bacteriostática ampla bem como fungistática. Por não ser tóxico e serem raros os casos de sensibilização, quando aplicado na pele, entra na composição de muitos sabões medicinais, desodorantes e cremes dentais.
6.2.4 Halogênios e derivados
 Os halogênios atuam tanto como anti-sépticos quanto como desinfetantes. O iodo, sob a forma de tintura, é um dos anti-sépticos mais utilizados na prática cirúrgica. As soluções alcoólicas a 2% de iodo exercem ação imediata sendo bactericida, esporocida e fungicida. O mecanismo de ação é a combinação com irreversível com proteínas, provavelmente, através da interação com aminoácidos. 
 O cloro elementar é usado para desinfetar utensílios, piscinas, água postável e até tecidos. Pode ser aplicado na forma de gás, hipoclorito de sódio ou de cálcio, que gera ácido hipocloroso. Então, o oxigênio nascente promove a oxidação de certas enzimas vitais.
 
6.2.5 Ácidos inorgânicos e orgânicos
	Provavelmente, um dos ácidos orgânicos mais populares como anti-sépticos seja o ácido bórico.
	Outros ácidos utilizados são: 
a) ácido acético, ácido lático, ácido benzóico e seus derivados: preservação de alimentos
b) ácido mandélico e ácido nalidíxico: anti-sépticos das vias urinárias
c) ácido undecilênico e capróico: antifúngicos usados topicamente.
6.2.6 Agentes oxidantes
	A propriedade comum destes agentes é a liberação de oxigênio nascente, que é extremamente reativo e oxida, entre outras substâncias, os sistemas enzimáticos indispensáveis para a sobrevivência dos microorganismos. Os agentes oxidantes mais usados são: peróxido de hidrogênio (água oxigenada) e permanganato de potássio.
6.2.7 Esterilizantes gasosos
	Neste grupo encontra-se o óxido de etileno que é empregado com sucesso na esterilização de instrumentos médico-hospitalares que não podem ser expostos ao calor ou a agentes esterilizantes líquidos (por exemplo. O óxido de etileno reage com a parte sulfídrica da proteína do sítio ativo no núcleo do microrganismo, impedindo assim sua reprodução.		 
7. ANTIMICROBIANOS
7.1 Introdução
	O homem e os microorganismos partilham uma vida em comum que se perde na sombra do tempo, e, certamente, desde a pré-história os microorganismos provocam doenças no homem. Entretanto, as causas destas doenças só começaram a ser descobertas no século XIX, a partir de 1878, graças, sobretudo, aos trabalhos de Pasteur e Koch e seus contemporâneos, que demonstraram a origem infecciosa de várias enfermidades do homem e de outros animais.
	Quimioterapia é o tratamento de moléstias com substâncias químicas. Algumas são sintetizadas em laboratório e, por isso, são chamadas quimioterápicos; outras são produzidas por seres vivos e são chamadas antibióticos..
	Quimioterápicos e antibióticos podem ter ação antibacteriana, antifúngica, antiviral e ainda antiblástica. Esta ação pode levar à inibição do crescimento, à inativação ou à morte do agente infeccioso.
	Como conceito mais importante da terapia antimicrobiana tem-se o da toxicidade seletiva, ou seja, a inibição seletiva do crescimento do microorganismo sem danos ao hospedeiro. 
	
7.2 Principais grupos de agentes antibacterianos
	A estrutura química dos antimicrobianos (quimioterápicos e antibióticos) é bastante variada pelo fato serem compostos orgânicos cíclicos. A seguir serão analisados os principais grupos: 
,
7.2.1 Penicilinas
	Assim como as cefalosporinas as penicilinas pertencem ao grupo dos antibióticos Betalactâmicos. Todos possuem em comum o anel beta-lactâmico.
	A diferença existente entre as várias penicilinas está no radical R ligado ao ácido 6-amino-penicilânico. Algumas penicilinas são sintetizadas integralmente pelos fungos do gênero Penicillium, outras são sintetizadas a partir do ácido 6-amino-penicilânico, previamente produzido pelo fungo e posteriormente modificado. 
	Algumas penicilinas podem ser inativadas por enzimas chamadas penicilinases ou beta-lactamases quem rompem o anel beta-lactâmico.
	As penicilinas mais utilizadas na terapêutica são: penicilina G, penicilina V, benzilpenicilina benzatina (benzetacil), ampicilina e amoxicilina. 
Mecanismo de ação
A ação antibacteriana das penicilinas se deve à interferência na síntese do peptidioglicano, importante constituinte da parede celular, mediante a inibição da enzima transpeptidase, que catalisa a biossíntese da última etapa da formação da parede celular, conseqüentemente ocorre aumento da pressão interna da bactéria e causa ruptura da parede com subseqüente morte do microrganismo.
7.2.1.2 Usos terapêuticos
 As penicilinas, em sua maioria, somente atuam sobre microrganismos Gram-positivos devido à suscetibilidade da parede celular que estes apresentam em relação àquelas. São indicadas no tratamento e na profilaxia de infecções causadas por cocos, bacilos, e alguns microrganismos Gram-negativos, bem como para o tratamento da sífilis.
7.2.1.3 Mecanismo de resistência
	As bactérias se tornam resistentes às penicilinas através da produção das beta-lactamases. Estas enzimas são capazes de hidrolisar o anel beta-lactâmico, transformando os antibióticos correspondentes em produtos inativos.
7.2.2 Cefalosporinas
Produzidas por fungos pertencentes ao antigogênero Cephalosporium, hoje Acremonium. Têm sido sucessivamente modificadas gerando produtos de primeira, segunda, terceira e quarta geração. 
Algumas das cefalosporinas mais utilizadas na terapêutica são: cefalexina, cefaclor, ceftriaxona, etc.
 
		
Mecanismo de ação
A ação antibacteriana das cefalosporinas é semelhante à das penicilinas, mediante a inibição da transpeptidase, enzima que catalisa a biossíntese da última etapa da formação da parede celular, interferem na síntese do peptidioglicano, importante constituinte da parede celular.
7.2.2.2 Usos terapêuticos
São indicadas no tratamento e na profilaxia de infecções causadas por microrganismos Gram-positivos e Gram-negativos.
7.2.2.3 Mecanismo de resistência
	As bactérias se tornam resistentes às cefalosporinas de forma assemelhada às penicilinas. 
7.2.3 Tetraciclinas
 A característica deste grupo de antibióticos, produzidos por bactérias do gênero Streptomyces, é o tetra anel, e as diferenças residem nos grupos químicos ligados a ele.
 As tetraciclinas mais utilizadas na terapêutica são: tetraciclina, oxitetraciclina, minociclina, doxiciclina, etc.
7.2.3.1 Propriedades
	
As tetraciclinas têm propriedades quelantes. Estas possibilitam que as tetracilinas formem complexos insolúveis com sais de ferro, cálcio, magnésio e alumínio sendo eliminados como quelatos inativos nas fezes. Para uma boa absorção é recomendável que as mesmas não sejam administradas com leite e seus derivados, antiácidos e demais produtos ricos nestes sais. 
7.2.3.2 Mecanismo de ação
Difundem-se para o interior das células e inibem a síntese protéica bacteriana, provavelmente ligando-se ao ribossoma 30S da bactéria e impedindo a fixação do ARN de transporte. Assim, interfere no aporte e ligação dos aminoácidos formadores das proteínas.
7.2.3.3 Usos terapêuticos
	São antibióticos de amplo espectro de ação, ativos contra bactérias aeróbias e anaeróbias gram-positivas e gram-negativas, clamídias, micobactérias e outros microrganismos.
7.2.3.4 Mecanismo de resistência
	De um modo geral as bactérias tornam-se resistentes às tetraciclinas por aquisição de plasmídeos de resistência. A resistência é bastante difundida entre as bactérias gram-negativas e gram-positivas e se manifesta principalmente por alterações no sistema de transporte da célula, o que impede a acumulação do antibiótico no seu interior.
7. 2.4 Cloranfenicol
 Produzido por Streptomyces venezuelae, o cloranfenicol tem uma estrutura química relativamente simples. Atualmente já sintetizada integralmente em laboratório, assim como seu análogo, o tianfenicol.
 Os três fármacos mais empregados do grupo são: cloranfenicol, tianfenicol e cetofenicol.
Mecanismo de ação
Promove a inibição da síntese protéica. Penetra rapidamente nas células bacterianas, provavelmente por processo de difusão facilitada. Atua fundamentalmente por ligação reversível com a subunidade ribossômica 50S inibindo a ação de peptidil-transferases e bloqueando a união dos aminoácidos na formação do polipeptídio.
7.2.4.2 Usos terapêuticos
É um antibiótico de amplo espectro. Indicado no tratamento de infecções causadas microrganismos Gram-positivos e Gram-negativos.
7.2.4.3 Mecanismo de resistência
	O principal mecanismo bioquímico da resistência ao cloranfenicol consiste na sua inativação enzimática.
 A impermeabilidade do microorganismo à droga constitui um outro mecanismo de importância na resistência.
7.2.5 Aminoglicosídeos/Aminociclitóis
	Constituem uma classe de antibióticos de estrutura química complexa, ativos contra os bacilos gram-negativos, com ação bactericida sobre os microorganismos sensíveis por interferirem em sua síntese protéica. O principal antibiótico deste grupo é a estreptomicina, produzida desde a década de 1940 a partir de culturas de Streptomyces griseus. Os outros antibióticos do grupo são: canamicina, neomicina, gentamicina, tobramicina e amicacina.
 Estreptomicina
 
 
7.2.5.1 Mecanismo de ação
	 São primariamente bactericidas, por causarem alterações nas proteínas formadas pela célula bacteriana, ao ligarem-se ao ribossoma bacteriano. Podem agir também como drogas bacteriostáticas, ao inibirem a síntese de proteínas. 
7.2.5.2 Usos terapêuticos
	São antibióticos ativos principalmente contra as bactérias gram-negativas aeróbias da família das enterobactérias.
7.2.5.3 Mecanismo de resistência
	A resistência bacteriana pode ocorrer em virtude da falta de permeabilidade da parede bacteriana ao fármaco, baixa afinidade deste pelo ribossoma do microorganismo ou inativação por enzimas bacterianas.
7.2.6 Rifamicinas
São antibióticos produzidos pelo Streptomyces mediterranei. A rifampicina, obtida em laboratório a partir da rifamicina, é o fármaco mais importante deste grupo.
Rifampicina
7.2.6.1 Mecanismo de ação
	O alvo primário das rifamicinas é a síntese do RNA. Estes antibióticos exercem sua atividade antibacteriana por inibirem a síntese protéica em todos os seus estágios, impedindo a formação do RNA mensageiro, RNA ribossomal e RNA de transporte. Esta ação resulta de sua ligação com a RNA polimerase impedindo sua atividade. 
7.2.6.2 Usos terapêuticos
	A rifampicina apresenta atividade superior às dos outros membros do grupo. Apresenta amplo espectro de ação, mostrando-se ativa contra bactérias gram-positivas, cocos gram-negativos, micobactérias, clamidias e vários bastonetes gram-negativos, entre os quais a Escherichia coli, Proteus e Klebsiella.
7.2.6.3 Mecanismo de resistência
	Diversas espécies de bacilos gram-negativos são naturalmente resistentes à rifampicina, entre eles Pseudomonas aeruginosa, Enterobacter e Serratia. A resistência consiste principalmente na presença de uma ARN-polimerase que se mostra refratária à inibição pela rifampicina. Outro mecanismo possível reside na impermeabilidade das membranas à penetração do antibiótico.
7.2.7 Macrolídeos
	O principal representante deste grupo é a eritromicina, produzida pelo Streptomyces erythreus. Outros membros utilizados na terapêutica são: azitromicina e claritromicina. A estrutura destes fármacos é constituída por um anel lactônico ligado, através de pontes glicosídicas, a aminoaçúcares.
 
 aminoaçúcar 
 
	
Anel lactônico
7.2.7.1 Mecanismo de ação
	São agentes bacteriostáticos que inibem a síntese protéica através de ligação reversível com as subunidades ribossômicas 50S de microorganismos sensíveis.	 
7.2.7.2 Mecanismo de resistência
A resistência bacteriana pode ocorrer pela falta de permeabilidade ao antibiótico, pela modificação no ribossoma 50S, de tal maneira que o antibiótico não possa ligar-se ao seu receptor e alterar a síntese protéica, e por mecanismo de efluxo no qual a droga é retirada da célula bacteriana logo após a sua penetração. 
7.2.7.3 Usos terapêuticos
	Processos infecciosos nos quais os microorganismos são sensíveis, tais como infecções das vias aéreas, tecidos moles, pele etc.
	
7.2.8 Quinolonas
As quinolonas são um grupo de antimicrobianos obtidos a partir da degradação de alcalóides. O primeiro membro do grupo a ser usado contra infecções bacterianas foi o ácido nalidíxido. Posteriormente, diferentes centros de pesquisa interessaram-se em obter substâncias com características químicas semelhantes e que pudessem ter melhor atividade antimicrobiana e farmacocinética mais favorável. Dentre os vários derivados descobertos encontram-se: norfloxacino, ciprofloxacino, levofloxacino, gatifloxacino, etc.
7.2.8.1 Mecanismo de ação
	
	Atuam inibindo a subunidade A e, provavelmente, também a subunidadeB da enzima DNA-girase, além da topoisomerase IV que são essenciais para a síntese do DNA bacteriano.
7.2.8.2 Mecanismo de resistência
A resistência adquirida às quinolonas, entre outros mecanismos, tem origem cromossômica, resultando de um processo de mutação em única ou duas etapas, manifestando-se pela existência de DNA-girases modificadas que não sofrem inibição pelas drogas, redução da difusão da droga para o interior da bactéria e existência de mecanismo de efluxo.
7.2.8.3 Usos terapêuticos
	São empregadas, frequentemente, para combater infecções das vias urinárias e respiratórias provocadas por bactérias gram-negativas ou gram-positivas.
7.2.9 Sulfonamidas
As Sulfonamidas são um grupo de antimicrobianos sintéticos usados no tratamento de doenças infecciosas devidas a microorganismos. Entre as sulfonamidas destacam-se o sulfametoxazol, a sulfadiazina e a sulfamerazina.
7.2.9.1 Misturas
	O sulfametoxazol é frequentemente utilizado com trimetoprima, para infecções bacterianas, e a sulfadiazina com pirimetamina para combater a toxoplasmose.
7.2.9.2 Mecanismo de ação
	As sulfonamidas são inibidoras competitivas da enzima bacteriana diidropteroato-sintetase que é responsável pela incorporação do ácido para-aminobenzóico (PABA) no ácido diidropteróico, precursor imediato do ácido fólico. Pirimetamina e trimetoprima, por serem análogos do ácido fólico, tomam o lugar deste na enzima diihidrofolato redutase bacteriana, consequentemente impedem a bacteria de usar o ácido fólico.
7.2.9.3 Mecanismo de resistência
	As bactérias resistentes produzem enzimas não inibidas pelas sulfonamidas ou produzem maior quantidade de PABA.
	
7.2.9.4 Empregos terapêuticos
São eficazes numa grande quantidade de doenças causadas por microorganismos gram-positivos e gram-negativos, sendo que algumas sulfonamidas são também ativas contra vários vírus dos gêneros Bedsonia – Miyagawanella e Chlamydozoon e algumas espécies de protozoários.
I.II VIROLOGIA
1. Introdução ao estudo dos vírus
2. Principais doenças virais 
1. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS VÍRUS
Propriedades gerais
Antes do estabelecimento da teoria dos germes, acreditava-se que muitas doenças eram causadas por venenos. O termo latim para veneno é vírus. 
Vírus são parasitas intracelulares e podem ser encontrados em duas formas, uma dentro das células e outra fora destas. Na forma extracelular, o vírus é uma partícula submicroscópica conhecida como vírion ou partícula viral. Esta apresenta, para cada tipo de vírus, algumas características especiais, entre elas diferentes tamanhos e formas. Quando o vírus penetra na célula hospedeira, inicia-se o estado intracelular ocorrendo a replicação viral.
Os vírus estão entre os menores agentes infecciosos que existem, podendo medir entre 18 a 300nm (0,018 a 0,3µm). Assim, como o poder de resolução do microscópio óptico é de cerca de 200nm, os vírus só podem ser visualizados por microscópio eletrônico.
Estrutura viral
Os vírus não possuem uma organização tão complexa quanto a de células, tendo de fato uma estrutura bastante simples. Eles consistem basicamente de ácido nucléico, DNA ou RNA, envolvido por uma capa protéica, denominada capsídeo ou cápside e, em alguns casos, de uma membrana lipoprotéica, denominada envelope ou envoltório. Essa simplicidade faz com que os vírus sejam incapazes de crescimento independente em meio artificial, podendo replicar somente em células animais, vegetais ou microrganismos. Na verdade, vírus são seres que se utilizam da maquinaria celular para sua reprodução, sendo, por isso, parasitas intracelulares obrigatórios, representando uma forma bastante sofisticada de parasitismo.
1.2.1 Ácido nucléico
	Os vírus contém, em geral, apenas um tipo de ácido núcléico, DNA ou RNA, que é o portador das informações genéticas para sua propagação. É importante destacar que todas as células vivas possuem DNA, na forma de dupla fita, como material genético. Entretanto, nos vírus, tanto o DNA quanto o RNA podem ser encontrados na forma de fita simples (ss: single stranded) ou fita dupla (ds: double stranded). Assim, os quatro tipos de genomas virais(DNA fita dupla - dsDNA, DNA fita simples - ssDNA; RNA fita dupla - dsRNA, RNA fita simples - ssRNA) são encontrados tanto como parasitas de hospedeiros eucariontes (por exemplo, animais e vegetais) quanto procariontes (bactérias). A quantidade de ácido nucléico dos vírus pode variar de 2 a 380 mil pares de bases.
1.2.2 Vírus de DNA
	Virus que possuem DNA como material genético, similar às células, podem empregar diretamente a maquinaria celular para transcrição de seus genes, sua replicação e reparo de seu DNA. Isso permite a alguns vírus ter um genoma grande, como os herpesvírus, que tem um genoma de 125 a mais de 240 mil pares de bases e evoluiram de forma a produzir alguns genes próprios (como para síntese de nucleótideos e polimerases próprias), ficando mais independentes do metabolismo celular. As moléculas de DNA podem ser encontradas na forma linear ou circular, dependendo do vírus. Por exemplo, o vírus de macacos conhecidos como SV40, da família Polyomaviridae, possui um genoma de 5.243 pares de bases de dsDNA circular, enquanto os herpesvírus têm genoma dsDNA linear.
1.2.3 Vírus de RNA
	Como o genoma celular normalmente metaboliza DNA, os vírus de RNA devem conter ou sintetizar enzimas próprias para serem processadas, como por exemplo RNA transcriptases e replicases. Os RNAs virais também podem ser de fita dupla ou simples e lineares ou circulares.
	Os vírus que têm genoma dsRNA, como os rotavírus, em geral, possuem em sua estrutura uma enzima com função de transcriptase, que produz o RNA mensageiro(mRNA) necessário à síntese de protéinas, e uma replicase capaz de replicar o genoma de RNA.
	Genomas cujo RNA de fita simples tem a mesma polaridade do RNA mensageiro (mRNA) e são traduzidos diretamente nos ribossomos são, por definição, denominados RNA+, ou RNA de polaridade positiva, como é o caso dos poliovírus. Os retrovírus, como o HIV, também são vírus contendo RNA+, mas, ao entrarem nas células, são processados para DNA pela enzima transcriptase reversa. Vírus com genomas de polaridade contrária ao mRNA, denominados RNA-, ou RNA de polaridade negativa, como, por exemplo, os vírus da raiva, devem primeiro transcrever uma fita complementar de mRNA, antes de sua tradução pela maquinaria celular.
	
1.2.4 Capsídeo 
	Os vírus têm o seu genoma protegido por uma capa protéica, chamada capsídeo ou cápside. O agrupamento das proteínas virais dá ao capsídeo sua simetria característica, normalmente icosaédrica ou helicoidal. O genoma em conjunto com o capsídeo constitui o nucleocapsídeo.
	Devido a limitações no tamanho do genoma viral, os vírus não podem codificar um grande número de proteínas diferentes. Assim, o cápside viral tem que ser formado de subunidades idênticas, chamadas protômeros, que se agrupam formando subunidades maiores, os capsômeros. Em cápsides mais complexas, as facetas triangulares de um icosaédro são subdivididas em um número progressivamente maior de triângulos. Assim, um cápside pode ser composto por centenas de capsômeros, mas ainda baseado em um simples modelo icosaédrico. O número total de capsômeros é característico de cada grupo viral.
	Vale ainda salientar que alguns vírus apresentam uma estrutura mais complexa sendo compostos de várias partes. É o caso de alguns bacteriófagos que apresentam uma cauda acoplada à cabeça poliédrica.
1.2.5 Envelope viral
	Alguns vírus possuem, além do ácido nucléico e do cápside, estruturas complexas de membrana envolvendo o nucleocapsídeo. O envelope viral consiste em uma bicamada lipídica com proteína, em geral glicoproteínas, embebidas nesta. A membrana lipídica provém da célula hospedeira, muito embora as proteínas sejam codificadas exclusivamente pelo vírus. Devido à presença de lípides no envelope, os vírus envelopados são éter sensíveis, isto é, em presençade éter, os lípides são dissolvidos e o vírus perde a infectividade. É importante salientar que as glicoproteínas do envelope, por estarem expostas na superfície viral, constituem os principais antígenos virais.
1.2.6 Enzimas
Os vírus não realizam processos metabólicos, e, em geral, são inertes fora da célula. Entretanto, algumas partículas virais contêm enzimas que têm grande importância no processo infeccioso. Para exemplificar, há os retrovírus, que carregam na partícula viral a transcriptase reversa, necessária para sua replicação. Alguns vírus possuem enzimas necessárias para ajudar a entrada na célula. É o caso de alguns bacteriófagos, que possuem uma enzima, lisozima, necessária para fazer uma perfuração na parede celular para a penetração do genoma viral. 
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1.3 Replicação viral
	A replicação viral corresponde à fase de multiplicação do material genético viral e de produção das proteínas virais. Apesar de haver uma série de características comuns a todas as infecções virais, as diferenças anatômicas e fisiológicas entre os animais, plantas e bactérias determinam algumas diferenças fundamentais quanto à sua interação com os vírus que os parasitam. Muitas das evidências experimentais sobre as fases da replicação viral derivam da pesquisa com bacteriófagos.
	Embora os vírus sejam diferentes no número de genes que contêm, o genoma viral deve codificar para três tipos de funções que são expressas pelas proteínas que sintetizam. Estas funções são: a) alterar a estrutura e/ou função da célula infectada; b) promover a replicação do genoma viral; e c) promover a formação de partículas virais.
	As fases da infecção viral seguem, basicamente, os seguintes passos:
1 – Adsorção
2 – Penetração
3 – Desnudamento
4 – Replicação do genoma viral
5 – Maturação ou montagem dos virions e liberação da célula hospedeira
1.3.1 Adorção
	É o fenômeno da aderência de um vírion à superfície de uma célula hospedeira viva mediante interação de suas proteínas de ligação ou ligantes com receptores celulares específicos. É o primeiro estágio da infecção para todos os tipos de vírus. Este termo descreve o contato inicial célula-vírus. Trabalhos com diferentes vírus animais, envelopados ou não envelopados, levam à seguinte visão geral da adsorção viral: os virions colidem ao acaso com sítios na superfície celular e, aproximadamente, uma em cada 1000 ou 10000 colisões leva à união complementar entre um sítio da célula (receptor) e uma proteína da superfície viral (anti-receptor). 
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1.3.2 Penetração
	Após a ligação irreversível do vírus à superfície da célula susceptível, o próximo passo da infecção leva à entrada na célula de parte ou de todo o virion e na liberação do material genômico viral. Os mecanismos de penetração nas células são:
a) Injeção do ácido nucléico: muitos bacteriófagos são capazes de, após o processo de adsorção, introduzem o seu ácido nucléico no citoplasma da célula.
b) endocitose: proceso semelhante à fagocitose onde os vírus, após a sua ligação ao receptor, são englobabos pela membrana plasmática.
c) fusão do envelope viral: processo pelo qual os vírus envelopados, através de seu envelope, fundem-se com a membrana celular, liberando o nucleocápside para dentro da célula.
d) Translocação: a partícula viral inteira é translocada através da membrana citoplasmática, porém, é um processo raro e carente de esclarecimentos.
	
1.3.3 Desnudamento
 É a desintegração do capsídeo com exposição do genoma viral. Esta fase só ocorre quando o vírion penetra inteiro na célula. O fenômeno acontece nos primeiros minutos após a infecção. A desagregação das subunidades protéicas do capsídeo pode ocorrer espontaneamente ou pela ação de enzimas digestivas dos lisossomos celulares. Após o desnudamento, o vírion deixa de existir como entidade infecciosa. O ácido nucléico viral é usualmente liberado na forma de um complexo nucleoprotéico. Essa associação é importante porque muitas proteínas são requeridas para a síntese do ácido nucléico viral ou permitem a ligação do RNAm viral aos ribossomos.
1.3.4 Replicação do genoma viral
A infecção viral leva à produção de centenas ou milhares de novas partículas virais por célula infectada. A essência deste tipo de multiplicação viral é dupla: replicação do ácido nucléico viral e produção de cápsides para conter o ácido nucléico produzido.
Após a adsorção, há um período de tempo em que não há aumento do número de partículas virais infecciosas. Este período é chamado período de latência ou eclipse. O número muito baixo de partículas infecciosas, demonstrável durante o período de latência, é atribuído à pequena porção do inóculo que não está participando ativamente do processo infeccioso. As partículas virais ativamente engajadas no processo de infecção são degradadas (eclipsadas) durante o período de latência, para que seja iniciada a transcrição do ácido nucléico viral.
Duas importantes funções dos genomas virais são a trasncrição do ácido nucléico para a formação do RNA mensageiro, que em seguida é traduzido para a síntese de proteínas, e a replicação deste genoma viral de forma a sintetizar novos genomas, que são incorporados à progênie viral.
1.3.4.1 Transcrição do ácido nucléico viral
	A síntese de todas as macromoléculas virais exige, antes de qualquer coisa, a tradução do RNA-mensageiro viral em proteínas específicas do vírus. Os vírus que contêm DNA de fita dupla sintetizam o mRNA da mesma forma que a célula do hospedeiro, utilizando uma RNA-polimerase DNA-dependente. Entretanto, os vírus de RNA devem sintetizar seu mRNA a partir do RNA, o que envolve um mecanismo diferente. 
Vírus ssRNA
	Para os vírus de RNA de fita simples de polaridade positiva (+RNA), a estratégia mais simples de tradução consiste em o ácido nucléico do vírion funcionar diretamente como mRNA. Após a sua penetração na célula do hospedeiro, o mRNA é traduzido, para produzir as várias proteínas virais. Desta forma, não é necessária a penetração na célula de enzimas da partícula viral: estas enzimas são sintetizadas logo que o ácido nucléico penetra na célula, atuando em seguida na transcrição de novos RNA. Os retrovírus (como o HIV) contêm RNA de fita simples (+), porém utilizam uma estratégia peculiar de replicação, que utiliza um intermediário de DNA. O DNA viral de fita simples (+) atua como molde para uma DNA-polimerase RNA-dependente do vírion (transcriptase reversa). A seguir, o DNA é integrado no DNA cromossômico do hospedeiro, onde pode permanecer por um longo perírodo de tempo. A exemplo do DNA cromossômico, a transcrição do DNA viral integrado é efetuada pelas RNA-polimerase da célula hospedeira. 
	O RNA dos vírus de fita simples de polaridade negativa (-RNA) não trasnporta seqüências de codificação para proteínas, o que só é feito pela sua fita complementar. Por conseguinte, esses vírus devem utilizar uma estratégia diferente para a formação do RNA mensageiro. Nesse caso, o genoma é replicado por um RNA intermediário de fita simples (+) que, a seguir, serve de molde para a síntese de mais RNA genômico de fita simples (-). Como as células dos mamíferos não possuem enzimas que utilizam o RNA como molde para a formação de RNA, os vírus que empregam essa estratégia devem conter uma RNA-transcriptase em seu vírion, a qual é traduzida na célula do hospedeiro durante a infecção. 
Vírus dsRNA
	Nos vírus de RNA de fita dupla, à semelhança do DNA, a informção contida no RNA de fita dupla deve ser inicialmente copiada numa fita simples (+) de RNA para atuar como RNA mensageiro. Devido à presença dessa fita dupla, o RNA do vírion não pode funcionar direntamente como mRNA (apesar de possuir uma fita [+]). Os vírus com genoma de RNA de fita dupla contêm uma RNA-transcriptase codificada pelo vírus que transcreve os RNA de fita simples (+) a partir das fitas (-) do genoma viral. O genoma de RNA de fita dupla é sempre encontrado na forma de segmentos, cada um dos quais resulta em um mRNAindividual.
	Há vírus de RNA que se replicam através de um intermediário de DNA. Os retrovírus (como o HIV) contêm RNA de fita simples (+), porém utilizam uma estratégia peculiar de replicação, que utiliza um intermediário de DNA. O RNA viral de fita simples (+) atua como molde para uma DNA-polimerase RNA-dependente do vírion (transcriptase reversa). A seguir, o DNA é integrado no DNA cromossômico do hospedeiro, onde pode permanecer por um longo período de tempo. A exemplo do DNA cromossômico, a transcrição do DNA viral integrado é efetuada pelas RNA-polimerases da célula hospedeira.
Vírus DNA 
	Em geral, os vírus que contêm DNA sintetizam o mRNA utilizando estratégias semelhantes às das células eucarióticas. Nas células infectadas por papovavírus (por exemplo, vírus de verrugas), adenovírus e herpesvírus, a transcrição do DNA viral em mRNA ocorre no núcleo da célula do hospedeiro e depende de enzimas da própria célula hospedeira. No caso dos papovavírus (por exemplo, vírus símio oncogênico, denominado SV40), as proteínas iniciais produzidas após a infecção são denominadas antígenos T (antígenos tumorais). Por serem as primeiras proteínas virais a serem sintetizadas, os antígenos T são também denominados proteínas iniciais. Alguns antígenos T intensificam a replicação do DNA através de sua ligação próximo ao sítio de iniciação da replicação do DNA. Subsequentemente, ocorre transcrição dos mRNA que codificam os polipeptídios do capsídeo (proteínas tardias). No vírus SV40, os mRNA iniciais originam-se apenas de uma das duas fitas do DNA viral (denominada fita I ou fita Inicial), enquanto os mRNA tardios provém da outra fita ( a fita T ou Tardia). 
	Os mRNA individuais para a síntese de proteínas tanto iniciais quanto tardias frequentemente correspondem a sequência do DNA viral (exons), separadas por seqüências espaçadoras denominadas introns. Os produtos de transcrição consistem em moléculas de RNA cuja seqüência é idendtica à do DNA. A seguir, essas moléculas de mRNA imaturas são amplamente clivadas e emendadas, o que remove os introns intervenientes. Em muitos vírus, os mRNA são sintetizados a partir de regiões superpostas do DNA viral. Essa redundância diminui a quantidade de DNA viral necessária para codificar algumas proteínas virais e fornce outro exemplo de economia genética entre os vírus.
1.3.5 Maturação ou montagem dos vírions e liberação da célula hospedeira
	Após terem sido sintetizados, as proteínas e o ácido nucléico viral têm de ser unidos para formar partículas virais maduras, processo geralmente chamado de maturação viral, e liberados das células hospedeiras. A montagem dos vírus sem envoltório e do núcleocapsídio dos vírus com envoltório frequentemente ocorre por auto-organização dos capsômeros virais em arranjos semelhantes a cristais. Uma vez formado, o capsídeo é preenchido com ácido nucléico viral para produzir um virion viável.
	Em geral, os vírions sem envoltório são liberados quando ocorre a lise da célula. Os eventos que levam à ruptura da célula incluem inibição da síntese de macromoléculas e lipídios da célula hospedeira, desorganização do citoesqueleto e alteração da estrutura da membrana da célula hospedeira.
	Tipicamente, os vírus com envoltório são liberados das células infectadas por brotamento. Esse processo pode ou não ser letal para a célula. Em todos os casos, as proteínas específicas do vírus inseridas nas membranas da célula hospedeira deslocam alguns de seus componentes protéicos normais, resultando na reestruturação da membrana.
1.4 Infecção latente
	Quando um vírus infecta uma célula e não há produção de partículas virais infecciosas, esta infecção é definida como infecção latente. Alguns vírus animais (herpesvírus, adenovírus, etc) podem integrar seu genoma ao da célula hospedeira, dando origem a infecções latentes. O genoma viral integrado ao genoma celular é chamado provírus.
1.5 Agentes subvirais ou vírus defeituosos
	Alguns agentes infecciosos apresentam algumas características gerais de vírus, mas por outro lado são estruturalmente mais simples. Duas dessas entidades são as que assumem maior importância na atualidade: prions e viróides.
	Os prions (proteína infecciosa) são agentes transmissíveis contstituídos, provavelmente, apenas de um tipo de proteína, sem ácido nucléico. Eles causam doenças neurodegenerativas, fatais, de progressão lenta. Atualmente, este agente infeccioso tem se tornado muito conhecido por causar uma epidemia no gado inglês, encefalopatia espongiforme de bovinos (BSE) ou a síndrome da vaca louca.
	Os viróides são moléculas pequenas(300 a 400 nucleotídeos de comprimento) de RNA simples fita, circular, sem nenhuma forma de capsídeo. Isto é, o viróide é constituído apenas de RNA, que aparentemente não codifica nenhuma proteína. Portanto, o viróide é completamente dependente das funções celulares para a sua replicação. Os viróides replicam-se em algumas espécies de plantas, causando doenças provavelmente por interferência no metabolismo de regulação gênica da célula hospedeira. 
1.6 Nomenclatura e classificação dos vírus
	Os vírus, seguindo regras próprias, não se classificam de acordo com os princípios de classificação científica utilizados para plantas e animais. Os critérios mais importantes para a classificação dos vírus são: morfologia da partícula viral e tipo de ácido nucléico. De acordo com a simetria do cápside, os vírus podem ser classificados em virions icosaédricos ( polígono de 20 faces triangulares, 12 vértices e 30 arestas, que apresenta três eixos de simetria), virions helicoidais (os capsômeros dispõem-se em torno do ácido nucléico, de acordo com uma estrutura em forma de hélice) e virions de estrutura complexa (os que não podem ser classificados como icosaédricos ou helicoidais). Outros critérios incluem o tamanho, as características físico-químicas, as proteínas virais, os sintomas da doença, a antigenicidade e outras. Uma das classificações possíveis, usada por alguns autores, e fundamentada nas características do genoma viral é a seguinte:
a) Classe I - DNA de banda (ou fita) dupla. 
b) Classe II - DNA de banda simples. 
c) Classe III - RNA de banda dupla. 
d) Classe IV - banda simples de RNA positivo.
e) Classe V - banda simples de RNA negativo.
f) Classe VI - banda simples, positiva, de RNA, com DNA como intermediário na formação das proteínas. 
g) Classe VII - banda dupla de DNA com um RNA intermediário na replicação. 
	No esquema universal desenvolvido pelo Comitê Internacional de Taxonomia dos Vírus (International Committee on Taxonomy of Viruses – ICTV), as características dos vírus são consideradas como critérios para agrupá-los em ordens (virales), famílias (viridae), em alguns casos, subfamílias (virinae), gêneros (vírus) e espécies ( nome do vírus em inglês). A nomenclatura de vírus e de agentes subvirais é independente de outras nomenclaturas biológicas, e são reconhecidas como exceção no Código Internacional de Bionomenclatura. Assim, a classificação dos vírus não utiliza os termos binomiais em latim, empregados para outros organismos.
	Os nomes de ordens, famílias, subfamílias, gêneros e espécies aprovados pelo ICTV são escritos em itálico com a primeira letra maiúscula. Os nomes ainda não aprovados são apresentados entre aspas, em tipo comum. Os nomes tentativos de espécies, estirpes, sorotipos, genótipos e isolados são impressos em tipo comum. A tabela abaixo exemplifica o enunciado acima:
	Família 
	Gênero
	Espécie Tipo
	Simetria do capsídeo
	Ácido nucléico
	Doença ou vírus de importância médica
	Subfamília
	
	Herpesviridae
Alphaherpes-virinae
	
Simplexvirus
	
Human herpesvirus 1
	
Icosaédrica
	
ds-DNA
	
Herpes simplex 1 e 2
	Togaviridae
	Rubivrus
	Rubella virus
	Icosaédrica
	ss-RNA
	Vírus da rubéola
	Retroviridae
Orthoretrovirinae
	
Lentivirus
	
Human immunodeficiency virus 1
	
Icosaédrica
	
DNA e RNA com transcriptase reversa
	
HIV1 e HIV2
	HepadnaviridaeOrthohepa-
Dnavirus
	Hepatitis B virus
	icosaédrica
	ds-DNA
	Hepatite B
2. PRINCIPAIS DOENÇAS VIRAIS
2.1 Introdução
	Os sinais e sintomas de doença representam a culminação de uma série de interações entre o vírus e o hospedeiro. Após haver contato com uma célula hospedeira, o vírus deve ter a capacidade de penetrar nela, passar por um período de replicação primária e, a seguir, disseminar-se até atingir o tecido-alvo final. Quando o vírus alcança seus órgãos-alvo, deve infectar e replicar-se com sucesso numa população suscetível de células do hospedeiro.
	A infecção de uma célula hospedeira por um vírus segue três caminhos possíveis:
1) infecção lítica: o vírus sofre múltiplos ciclos de replicação provocando a morte da célula hospedeira (exemplo – poliovirus e vírus da influenza);
2) infecção latente: não ocorre produção imediata de progênie viral ( exemplo – virurs do herpes simples tipo I); e
3) infecção crônica: as partículas virais, sem causar a morte do hospedeiro ou outro dano evidente, continuam lentamente sendo eliminadas, após ter passado o período de doença aguda.
	A transmissão de um vírus de um hospedeiro infectado para um indivíduo suscetível pode ocorrer de diversas maneiras. A fonte de transmissão dos vírus entre seres humanos inclui indivíduos agudamente enfermos ou portadores crônicos; além disso, as gestantes também podem transmitir vírus aos fetos. A transmissão pode ser efetuada por contato direto, como contato sexual, ou através do meio ambiente. A disseminação ambiental pode envolver contaminação orofecal (diarréa causada por rotavírus), aerossóis (varicela) ou inoculação direta através de agulhas ou hemoderivados infectados. A transmissão de animais para humanos pode ocorrer através da mordida do animal doente (raiva) ou através da picada de um inseto vetor (encefalite viral).
	As doenças provocadas por vírus apresentam sintomas comuns, o que pode confundir pacientes e médicos. Febre, dor de cabeça e dor no corpo são os sintomas comuns a um conjunto de viroses. Quando surge uma tosse com secreção, a virose é respiratória. Ocorrendo, por outro lado, náuseas, vômitos e diarréia pode tratar-se de um quadro de virose intestinal. Há situações nas quais não se identifica o agente causador dos sintomas, nesses casos dá-se o nome de virose. Algumas da principais doenças provocadas por vírus são:
a) Resfriado comum: é causado por muitos vírus diferentes (rinovírus, coronavírus, adenovírus, etc) sendo uma infecção do revestimento do nariz, dos seios da face, da garganta e das grandes vias respiratórias. É predominante em crianças, e parece estar relacionado à relativa falta de resistência a infecções nos mais jovens e ao contato com outras crianças em creches e escolas. Os sintomas são desconforto no nariz ou na garganta, espirros, coriza e sensação discreta de mal-estar. Em geral não ocorre febre. A disseminação ocorre de pessoa a pessoa através de gotículas infectadas que são expelidas através da tosse ou dos espirros. Mais de 200 vírus diferentes são conhecidos por causar os sintomas do resfriado comum.
b) Gripe: é causada pelo vírus influenza (tipos A, B e C). Produz febre, coriza, tosse, cefaléia, sensação de mal-estar generalizado e inflamação do revestimento do nariz e das vias aéreas. A disseminação ocorre de pessoa a pessoa através de gotículas infectadas que são expelidas através da tosse ou dos espirros.
c) Hidrofobia (Raiva): o vírus da raiva está presente na saliva de animais infectados. O animal com raiva transmite a doença para outros animiais ou para seres humanos mordendo e, às vezes, lambendo. O vírus penetra pelo ferimento e instala-se no sistema nervoso. Pode ocorrer febre, mal-estar, depressão mental, agitação, espamos musculares dolorosos da garganta e do aparelho vocal causados pela irritabilidade da área do cérebro responsável pela deglutição e pela respiração.
d) Hepatite: inflamação do fígado por qualquer causa. Comumente é decorrente da ação de um vírus, sobretudo de um dos cinco vírus da hepatite (A, B, C, D ou E). Como sintomas podem ocorrer inapetência, sensação de mal-estar generalizado, vômito, febre, dores articulares, erupções cutâneas e icterícia.
 d1) Hepatite A: a disseminação do vírus da hepatite A é orofecal sendo, normalmente, decorrente da higiene deficiente. As epidemias de hepatite A que se propagam através da água e dos alimentos contaminados é freqüente. O consumo de moluscos crus, assim como saladas cruas, tem sido incriminado em diversos casos de hepatite A. O vírus da hepatite A tem grande resistência ao calor, suportando temperaturas de 60ºC por meia hora. Podem ocorrer lesões hepáticas que consistem em necrose celular, mas, geralmente a doença é assintomática e passa desapercebida. 
d2) Hepatite B: um dos meios de transmissão do vírus da hepatite B é o sangue e hemoderivados contaminados. Comumente a transmissão ocorre pelo uso de agulhas contaminadas e por via sexual. O contato acidental de sangue ou secreções corporais contaminadas pelo vírus, com mucosa ou pele com lesões também pode transmitir a doença e, ainda, mulheres grávidas contaminadas podem transmitir a doença para os bebês durante o trabalho de parto. Como complicações podem ocorrer cirrose e câncer de fígado. 
d3) Hepatite C: a transmissão do vírus da hepatite C ocorre por transfusão sanguínea, agulhas infectadas. É incomum a transmissão via sexual. Como complicações podem ocorrer cirrose e câncer de fígado.
d4) Hepatite D: ocorre apenas como uma co-infecção com o vírus da hepatite B. O maior risco de transmissão ocorre mediante o uso de agulhas contaminadas.
d5) Hepatite E: causa epidemias ocaionais similares às causadas pelo vírus da hepatite A. 
e) Gastroenterite: inflamação no estômago e intestino causada pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Pode ser causada por vários vírus (rotavírus, adenovírus, norwalk, etc). Como sintomas podem ocorrer perda de apetite, náusea, vômito, diarréia e desconforto abdominal.
f) Poliomielite: doença causada por um enterovírus denomimado poliovírus. O vírus atinge o sistema nervoso central, atingindo as células da medula óssea que são destruídas. Água, mariscos e verduras cruas são importantes vias de transmissão. A melhora nas condições de higiene, durante a produção de alimentos, e a pasteurização foi, entre outros, um fator importante para a erradicação da doença. Os poliovírus sobrevivem em mariscos por até 90 dias, em solo por até 120 dias e em água não tratada por até 160 dias. 
g) Outros exemplos de doenças viróticas são: Caxumba, Rubéola, Varíola, Sarampo, AIDS (Síndrome da Imuno-Deficiência Adquirida, Catapora e Dengue.
I.III MICOLOGIA GERAL
1. Estudo dos fungos
2. Micoses superficiais 
3. Micoses cutâneas
4. Micoses subcutâneas
5. Micoses sistêmicas 
6. Micoses Oportunistas 
			1. ESTUDO DOS FUNGOS
1.1 Introdução
  	Os fungos apresentam um conjunto de características que permitem sua diferenciação das plantas: não sintetizam clorofila, nem qualquer pigmento fotossintético, são heterotróficos, nutrem-se de matéria orgânica morta (fungos saprófitas) ou viva (fungos parasitários), não têm celulose na parede celular, exceto alguns fungos aquáticos, e não armazenam amido como substância de reserva. A presença de substâncias quitinosas na parede da maior parte das espécies fúngicas e a capacidade de armazenar glicogênio os assemelham às células animais.
	Os fungos são ubíquos, encontrando-se em vegetais, em animais, no homem, em detritos e em abundância no solo, participando ativamente do ciclo dos elementos da natureza.
	A dispersão dos fungos na natureza é feita por várias vias: animais, homem, insetos, água e, principalmente, pelo ar atmosférico, através dos ventos.
	Os fungos são seres vivos eucarióticos com um só núcleo, como as leveduras, ou multinucleados, como os fungos filamentosos ou bolores e os cogumelos (fungos macroscópicos). Suas células possuem vida independentee não se reúnem para formar tecidos verdadeiros.
 Levedura			 Bolor Cogumelo
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1.2 Estrutura da célula fúngica
	Todas as células fúngicas são eucarióticas, isto é possuem núcleo com membrana nuclear.
	Os fungos originam-se de uma única célula ou de fragmentos da hifa e estas unidades apresentam estruturas variadas e, algumas delas, mais especificamente a parede celular, são de grande auxílio na taxonomia destes microrganismos. As principais estruturas da célula fúngica são:
a) Parede: estrutura rígida que protege a célula fúngica de choques osmóticos. De modo geral, é composta por glucanas, mananas e, em menor quantidade, quitina, proteínas e lipídios (esteróis, triacilgliceróis);
b) Membrana citoplasmática: atua como uma barreira semipermiável no transporte ativo e passivo dos materiais para dentro e para fora da célula. As membranas das células dos fungos têm em sua composição química esteróis, que não são encontrados nas células bacterianas.
c) Núcleo: contém o genoma fungico e está agrupado em cromossomas lineares, compostos de dupla fita de DNA em forma de hélice. Além do DNA, no núcleo encontra-se também o RNA. Contém também as histonas que são proteínas básicas, associadas ao DNA cromossômico. A membrana nuclear é de natureza lipídica e possui vários poros.
d) Ribossomos: são os sítios da síntese protéica, compostos por RNA e proteína e ocorrem dentro do citoplasma da célula.
e) Mitocôndria: sítio da fosforilação oxidativa. É composta por membranas de fosfolipídios.
f) Aparelho de Golgi: armazena substâncias que serão desprezadas pela célula fúngica.
g) Lomassomos: corpúsculos que ficam entre a parede celular e a membrana citoplasmática (espaço denominado periplasma). Função ainda desconhecida.
1.3 Morfologia e reprodução
	Os fungos se desenvolvem em meios especiais de cultivo formando colônias de dois tipos: leveduriformes e filamentosas.
	As colônias leveduriformes, em geral, são pastosas ou cremosas e caracterizam o grupo de leveduras. Estes microrganismos são unicelulares, ou seja, a própria célula cumpre as funções vegetativas e reprodutivas. As estruturas microscópicas mais comuns são os blastoconídios, também denominados gêmulas, que possuem forma, em geral, arredondada ou ovalada. Por brotamento da célula-mãe, formam-se os brotos células-filha, que podem desprender-se da célula-mãe, ou permanecer ligados à mesma, em cadeia, formando uma estrutura chamada pseudo-hifa, cujo conjunto é o pseudomicélio.
 As colônias de filamentos que identificam os bolores podem ser algodonosas, aveludadas, pulverulentas, com os mais variados tipos de pigmentação. Esses organismos são constituídos fundamentalmente por elementos multicelulares, em forma de tubos, as hifas, que podem ser contínuas, não septadas ou cenocíticas, e septadas. 
Ao conjunto de hifas dá-se o nome de micélio. O micélio que se desenvolve no interior do substrato, funcionando também como elemento de sustentação e de absorção dos nutrientes, é chamado micélio vegetativo. O micélio que se projeta na superfície e cresce acima do meio de cultivo é o micélio aéreo.
O micélio aéreo dos fungos filamentosos pode diferenciar-se ou formar estruturas de reprodução dos fungos, micélio reprodutivo. Essas estruturas têm origem sexuada ou assexuada e são de importância fundamental na identificação morfológica da maioria das espécies fúngicas.
Os conídios representam o modo mais comum de reprodução assexuada e cumprem importante papel na dispersão dos fungos na natureza.
	Os clamidoconídeos e os esclerotos ou esclerócios são estruturas de resistência dos fungos cuja formação ocorre em condições ambientais adversas, como escassez de nutrientes, de água e temperatura não favoráveis ao desenvolvimento do fungo.
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1.4 Nutrição, crescimento e metabolismo
	Os fungos são microorganismos eucarióticos que se encontram amplamente distribuídos no solo, na água, em alimentos, nos vegetais, em detritos em geral, em animais e no homem, e, em sua maioria, são aeróbios obrigatórios, com exceção de certas leveduras fermentadoras anaeróbicas facultativas, que podem desenvolver-se em ambiente com oxigênio reduzido ou mesmo na ausência deste elemento. Não possuem mecanismos químicos fotossintéticos ou autotróficos para produção de energia ou síntese de constituintes celulares. 
	Os fungos saprófitas utilizam substâncias orgânicas inertes, muitas delas em decomposição. Os parasitas desenvolvem-se em outros organismos vivos, os hospedeiros, e nutrem-se de substâncias existentes em suas células vivas. Os simbiontes associam-se com outros organismos, prestando mútua ajuda em suas funções. 
	A nutrição da maioria dos fungos dá-se por absorção, processo no qual enzimas adequadas hidrolisam macromoléculas, tornando-as assimiláveis através de mecanismos de transporte. Entre as principais enzimas encontradas nos fungos estão: lípases, invertases, amilases e proteinases. Há fungos que têm a capacidade de hidrolisar substâncias orgânicas complexas como quitina, osso, couro, inclusive materiais plásticos.
	Para o seu desenvolvimento, os fungos exigem, de preferência, carboidratos simples como a D-glicose. Entretanto, outros açúcares como sacarose, maltose e fontes de carbono mais complexas como amido e celulose podem ser utilizadas. Substâncias nitrogenadas inorgâncas, como sais de amônia ou nitratos, ou orgânicas, como as peptonas e sais minerais como sulfatos e fosfatos, também são necessárias. Oligoelementos como ferro, zinco, manganês, molibdênio e cálcio são exigidos, porém em pequenas quantidades. Alguns fungos requerem fatores de crescimento que não conseguem sintetizar, em especial vitaminas como tiamina, biotina, riboflavina etc. Além dos nutrientes, os fungos também necessitam de água para o seu desenvolvimento.
	A temperatura de crescimento abrange uma larga faixa havendo espécies psicrófilas, mesófilas e termófilas. Os fungos de importância médica, em geral, são mesófilos, apresentando temperatura ótima entre 20 e 30ºC. 
	Os fungos podem ter morfologia diferente, segundo as condições nutricionais e a temperatura de seu desenvolvimento. O fenômeno de variação morfológica mais importante em micologia médica é o dimorfismo fúngico, que se expressa por um crescimento micelial entre 22 e 28ºC e leveduriforme entre 33 e 37ºC.
	A maioria dos fungos tolera uma ampla variação na concentração de íons de hidrogênio, de modo geral, um pH em torno de 5,6 é ótimo para o desenvolvimento dos mesmos. Os fungos filamentosos podem crescer em ampla faixa de pH variando de 1,5 a 11. As leveduras não toleram pH alcalino. 
	O crescimento dos fungos é mais lento do que o das bactérias, e suas culturas precisam, em média, de 07 a 15 dias ou mais de incubação.
1.5 Taxonomia dos fungos
	Muitas classificações têm sido propostas para os fungos, entretanto, nenhuma é adequada a todos os propósitos. Os fungos são atualmente enquadrados em três reinos distintos: Chromista, Fungi e Protozoa. 
	
Os níveis taxonômicos dos fungos são:
	Filo
	Sufixo
	Mycota
	Subfilo
	Sufixo
	Mycotina
	Classe
	Sufixo
	Mycetes
	Ordem
	Sufixo
	Ales
	Família
	Sufixo
	Aceae
	Gênero
	Sem radical específico
	------------------------------
	Espécie
	Sem radical específico
	------------------------------
 Tendo em vista que os fungos patogênicos e oportunistas se encontram dentro do reino Fungi, os demais reinos não serão abordados.
 O reino Fungi está subdividido em dois grandes grupos: grupo Myxomycota, constituído de fungos inferiores, sem parede celular e não patogênico ao homem e aos animais, e o grupo Eumycota, constituído por fungos verdadeiros, que apresentam parede celular, estando os agentes patogênicos a homens e animais aí incluídos.
No grupamento Eumycota encontram-se os fungos patogênicos e oportunistas mais importantes, os quais estão distribuídosem quatro filos: Ascomycota Basidiomycota, Deuteromycota e Zygomycota. 
a) Ascomycota: agrupa fungos de hifas septadas. A designação do filo deriva da estrutura produtora dos esporos sexuados, o ascocarpo, em forma de saco. Este grupo inclui a maioria dos fungos que causam a deterioração dos alimentos, doenças em plantas e fungos úteis para o homem, como as leveduras utilizadas na produção do pão, vinho e cerveja. 
b) Basidiomycota: compreende fungos superiores ou cogumelos comestíveis. Apresentam hifas septadas e são caracterizados pela produção de esporos sexuados externos, os basidiósporos, típicos da espécie. 
c) Deuteromycota: é considerado um grupo artificial por ser baseado na ausência ou raridade das formas de vida com reprodução sexuada. São considerados por muitos autores como os fungos imperfeitos. A grande maioria dos fungos desse grupo tem hábitat no solo e são os principais componentes da microbiota atmosférica. Muitos são parasitas de plantas e causam doenças no homem.
d) Zygomycota: inclui os fungos de micélio cenocítico (não septado), embora alguns subgrupos apresentem septos. A reprodução pode ser sexuada e assexuada. Podem ser encontrados em material animal ou vegetal em decomposição no solo, parasitando plantas, insetos e outros animais, inclusive o homem e como bolor na superfície de alimentos úmidos e ricos em hidratos de carbono (pão, frutos, etc).
1.5.1 Taxonomia simplificada 
Abaixo encontram-se os principais grupos de fungos de importância médica.
Classe: Zygomycetes
	Ordem: Mucorales
		Gêneros: Rhizopus, Mucor, Rhizomucor, Absidia,
 			 Cunninghamela, Sakesenaea
	Ordem: Endomophthorales
		Géneros: Basidiobolus, Conidiobolus
Classe: Ascomycetes
	Ordem: Endomycetales
		Gêneros: Saccharomyces, Pichia, Teleomorfas de algumas 
			 Candida spp
Ordem: Onygenales
Gêneros: Arthroderma(teleomorfa de Trichophyton e 
 Microsporum spp).
 Ajellomyces(teleomorfa de Histoplasma spp. e 
	 Blastoyces spp.) 
	 Teleomorfas de alguns Aspergillus spp. e 
	 Penicillium spp.
Classe: Deuteromycetes
	Ordem: Cryptococcales
		Gêneros: Candida, Cryptococcus, Trichosporon, Pityrosporum
 Ordem: Moniliales
		Família: Moniliaceae
		Gêneros: Epidermophyton, Coccidioides, Paracoccidioides, 
			 Sporothrix, Aspergillus
		Familia: Dermaticiaceae
		Géneros: Phialophora, Fonsecaea, Exophiala, Wangiella,
			 Xylohypha, Bipolaris, Alternaria
	
	Ordem: Sphaeropsidales
		Gênero: Phoma
	
Classe: Oomycetes
		Gênero: Pythium
1.6 Importância dos fungos
	Os fungos têm existência difusa em toda a superfície terrestre. O número de espécies identificadas conta-se entre 50.000 e 200.000 e inclui organismos conhecidos na nossa linguagem corrente como bolores, mofo, leveduras, cogumelos e morrão.
	A sua considerável importância na natureza e na economia geral é fato bem reconhecido. São utilizados na produção de cerveja, vinho, na alimentação (pão, queijos, champignons), na produção de medicamentos (penicilina), vacinas e etc. Por outro lado, estão envolvidos com a deterioração de tomates, pimentões, frutas, grãos e cereais, alterações de carne e camarões. 
Muitos fungos podem produzir metabólitos tóxicos quando estão se multiplicando nos alimentos. Estes metabólitos recebem a denominação genérica de “micotoxinas” e correspondem a produtos metabólicos secundários que, quando ingeridos com os alimentos, causam alterações biológicas prejudiciais tanto no homem como nos animais (micotoxicoses). Outrossim, tem considerável interesse a potencialidade tóxica de certos cogumelos, por vezes mortal, e as propriedades alucinógênicas de algumas espécies com acentuada importância em toxicologia e na medicina em geral.
    	Os fungos que estão na natureza decompõem substâncias complexas de restos de animais e vegetais em substâncias simples que são dissolvidas ao solo fertilizando-o. 
	
2. MICOSES
2.1 Conceito
Qualquer infecção de origem fúngica é chamada de micose. Os fungos estão em toda parte, praticamente todas as pessoas ficam expostas a eles. Quando encontram condições favoráveis, como umidade e calor, os fungos se reproduzem e podem desencadear a infecção.
2.2 Epidemiologia das micoses
	Três tipos de doenças humanas estão associados a elementos fúngicos ou aos seus produtos metabólitos: alégicas, tóxicas e infecciosas. 
	A doença alérgica é causada pela interação de um hospedeiro sensibilizado como antígenos fúngicos, imunologicamente reativos, existentes no ar ou está associada com elementos fúngicos de localização endógena no hospedeiro. Exemplo: aspergilose broncopulmonar alérgica.
	A doença toxigênica pode ser provocada pela ingestão de alimentos contaminados com fungos microscópicos, produtores de micotoxinas (icotoxicoses) pela ingestão de fungos macroscópicos venenosos (micetismos).
	A enfermidade infecciosa é aquela em que o agente possui propriedade de agir como patógeno primário ou oportunista. Exemplo: paracoccidioidomicose, candidíases.
	O reservatório habitual dos fungos que infectam o homem pode ser o próprio homem, os animais ou um sítio na natureza, onde o fungo se desenvolve como saprófita.
2.3 Classificação das micoses
As micoses podem ser classificadas segundo o tecido ou o local do corpo afetado e o modo de entrada do agente no hospedeiro.
Micoses superficiais→afetam apenas as camadas mais externas da pele e dos pêlos/cabelos. A evidência de patologia é pequena ou nula, e os pacientes ficam mais preocupados com os efeitos estéticos. Ex: pitiríase versicolor.
 Micoses cutâneas (Dermatofitoses e Dermatomicoses) → ocorre destruição da queratina da pele, dos pêlos/cabelos e das unhas. Raramente há invasão de tecidos mais profundos. São Causadas principalmente por dermatófitos e por Candida.
 
Micoses subcutâneas→ comprometem a pele, os músculos e o tecido conjuntivo situado imediatamente abaixo da pele. Os tecidos mais profundos raramente são comprometidos. Ex: esporotricose.
 Micoses profundas ou sistêmicas →comprometem os tecidos profundos, órgãos internos e vísceras, podendo abranger muitos tecidos e órgãos diferentes. Nas suas formas disseminadas, as áreas subcutâneas e cutâneas também podem ser invadidas. Ex: blastomicose.
Micoses oportunistas →surgem em razão de fatores predisponentes. Ex: Candida, Cryptococcus
2.3.1 Micoses superficiais
	Entende-se por micoses superficiais estritas o conjunto de entidades clínicas causadas por fungos, que apresentam como características comuns a limitação de determinarem alterações apenas na camada mais superficial do estrato córneo e não induzirem, na maioria das vezes, qualquer resposta inflamatória no hospedeiro. Fazem parte deste conjunto de micoses superficiais: pitiríase versicolor (Malassezia sp), piedra branca (Trichosporon sp), piedra negra (Piedraia hortae), tinha negra ou tinea nigra (Phaeoannellomyces werneckii). 
a) Pitiríase versicolor
Caracteriza-se por atingir somente a camada córnea da epiderme, com descamação furfurácea causada pela levedura Malassezia furfur. No norte do Brasil é popularmente chamada de pano branco, e nas áreas litorâneas, micose de praia, apesar de não haver nenhuma comprovação de que a areia seja a fonte de infecção dessa micose.
	A localização mais freqüente da Pitiriase versicolor é a região do tórax e do pescoço, podendo ser atingidos os membros superiores, os inferiores, o abdome, e especialmente o couro cabeludo. Além das formas localizadas, algumas pessoas apresentam formas disseminadas. O couro cabeludo é um importante foco que permanece ativo pelo fato de, geralmente, não ser tratado, permitindo a recidiva.
	É uma enfermidade de distribuição universal e compromete igualmente indivíduos de ambos os sexos. 
	É uma infecção, geralmente, assintomática. Clinicamente se apresenta com pequenas lesões hipo ou hipercrômicas (rósea, castanho claro,marron e branca) descamativas que aglutinam formando placas, podendo coexistir diferença na coloração das lesões em um mesmo paciente. 
b) Tinea nigra (Phaeoannellomyces werneckii)
É uma enfermidade causada pelo fungo demácio denominado Phaeoannellomyces werneckii. Apresenta características primariamente estética, com a presença de manchas de tonalidade marron ou negra preferencialmente na região palmar ou ocasionalmente na região plantar, sendo superficial, benigna, não contagiosa e que acomete indistintamente homens e mulheres. 
		A doença parece não ser transmitida de homem a homem, estando sua manifestação básica correlacionada a dois fatores predisponentes: condições climáticas e condições endógenas do hospedeiro.
2.3.2 Micoses cutâneas 
São encontradas em locais ligeiramente mais profundos na epiderme. Essas condições são causadas por fungos denominados dermatófitos. As doenças que causam podem ser agudas ou crônicas, dependendo do agente etiológico e do estado imunológico do paciente. Os agentes etiológicos pertencem a três gêneros: Microsporum (canis e gypseum), Trichophyton (rubrum, tonsurans, mentagrophytes, concentricum, etc) e Epidermophyton (stokdaleae e flocosum). As doenças clínicas que são denominadas tinha ou tinea (qualquer lesão que acometa exclusivamente o estrato córneo do couro cabeludo e/ou região de barba e bigode) são descritas de acordo com a área do corpo acometida: exemplos:
a) Tinea tonsurante ( tinea capitis)
É uma das mais freqüentes apresentações clínicas das dermatofitoses, acometendo preferencialmente as crianças no período escolar, na idade compreendida entre 4 e 10 anos, sendo pouco freqüente entre os recém-nascidos e crianças da fase pré-escolar. Excepcionalmente são encontradas em indivíduos imunocompetentes após a puberdade.
As lesões se caracterizam pelo aparecimento, no couro cabeludo, de uma ou várias placas de alopecia aparente, onde se observam fragmentos de pêlos emergindo dos folículos pilosos, os quais são remanescentes dos pêlos na sua totalidade. Os fungos envolvidos com a Tinea tonsurante pertencem ao gênero Microsporum (mais freqüente M. canis) e Trichophyton.
 
 Tinea tonsurante
b) Tinea supurativa (Tinea capitis)
Acomete indistintamente crianças e adultos. Essas lesões apresentam uma predisposição na criança e na mulher adulta pelo couro cabeludo, e no homem pela região da barba e bigode. Caracterizam-se pelo aparecimento gradual, como em todas as tineas, de uma placa escamosa, que se estende por um período de vários dias de evolução até que abruptamente, começa a demonstrar sinais clássicos de inflamação, como edema, rubor e secreção purulenta, seguidos de perda dos cabelos e/ou pêlos. 
	Os dermatófitos mais freqüentemente implicados com essa patologia pertencem ao gênero Trichophyton (T. mentagrophytes é a espécie mais freqüente).
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c) Tinea corporis(herpes circinada)
	Lesão superficial, inflamatória, mais ou menos intensa, de evolução centrífuga, única ou múltipla, com tendência a coalescer, localizada na pele glabra, com exceção áreas de pregas corpóreas, ocasionada por fungos dos gêneros Microsporum, Epidermophyton e Trichophyton.
	
Cosmopolita, acomete crianças e adultos de ambos os sexos. Inicia-se por uma pequena lesão do coloração rósea, pruriginosa ou não, com evolução excêntrica e descamativa, tendendo a formar na periferia pequenas pápulas ou vesículas, as quais circunscrevem a área escamosa. 
	
d) Tinea cruris (lesões de grandes pregas)
 Lesão localizada mais freqüentemente na região inguinal, que se inicia pelo aparecimento insidioso, na face interna proximal das coxas, de uma ou mais manchas avermelhadas que tendem a confluir para formar placa única, que ocupará preferencialmente toda a face interna das coxas, podendo, também, tender para a região posterior e mesmo interglútea. Esse tipo de lesão pode também ser observada nas regiões axilares, inframamárias e interglúteas, com menor freqüência. Apresenta prurido moderado ou intenso;
			É uma infecção bastante contagiosa e a transmissão é feita pelo contato íntimo de roupa contaminada, sala de ginástica etc.
d) Tinea pedis e Tinea manum (lesões interdigitoplantares e palmares)
Caracterizam-se pele aparecimento de lesões nos espaços interdigitais e na planta dos pés. É a mais cosmopolita das micoses.
O prurido pode ser ou não intenso. Raramente se observam lesões no dorso do pé.
As lesões interdigitopalmares são caracterizadas pelo aparecimento, na superfície palmar e na parte lateral dos dedos, de lesões que podem apresentar aspectos que variam do desidrótico ou eczematóide a hiperceratótico. As lesões são geralmente unilaterais. 
e) Onicomicose	
	Constitui em sério problema em razão elevada de sua freqüência, sua dificuldade diagnóstica (freqüente negatividade das culturas) e dificuldade terapêutica.
2.3.3 Micoses subcutâneas
São causadas por grupo de fungos diversificado que ataca o homem e os animais. As lesões aparecem inicialmente a partir do ponto de inoculação de estruturas fúngicas, através de traumatismos diversos. Podem permanecer localizadas ou, por via hematogênica ou linfática, se espalhar pelos tecidos adjacentes. A maioria dos fungos envolvidos são fungos sapróbodos habituais do solo e de vegetais em decomposição. Exemplos de micoses subcutâneas: Esporotricose, Cromomicose, Doença de Jorge Lobo (Lobomicose), Zigomicose, etc.
a) Esporotricose
Infecção subaguda ou crônica, produzida por um fungo dimórfico, denominado Sporothrix schenckii, que afeta o homem, outros mamíferos (ratos, eqüinos, cães, gatos, glofinhos etc) e aves. A principal característica clínica desta doença é a produção de pequenos tumores subcutâneos (gomas), que tendem à supuração e ulceração.
Sua distribuição geográfica é universal sendo mais freqüente em áreas de clima tropical e temperado.
Pacientes com esporotricose têm sido diagnosticados em vários grupos raciais e em todas as faixas etárias. Os indivíduos do sexo masculino são mais afetados.
b) Cromomicose
	Infecção crônica, de evolução lenta, que acomete a pele e o tecido celular subcutâneo do homem e dos animais. A maioria das lesões é causada por fungos da família Dematiaceae, que vivem no solo ou vegetais em decomposição.
	O aspecto clínico das lesões é polimorfo, caracterizando-se principalmente pela formação de nódulos, lesões papulosas eritêmato-descamativas e pela forma clássica, verrucosa, que pode apresetar-se ulcerada ou não. Normalmente as lesões se localizam nos membros inferiores, principalmente nos pés e pernas. Os membros superiores são afetados em menor proporção. Contudo, outros locais, como tronco, pescoço, face, nádegas, são raramente afetados. Os indivíduos do sexo masculino são os mais acometidos.
	Espécies de fungos envolvidos, até o presente ensejo: Fonsecaea pedrosoi, Fonsecaea compacta, Phialophora verrucosa, Cladosporium carrionii e Rhinocladiella aquaspersa. 
 Cromomicose
c) Doença de Jorge Lobo (Lobomicose)
	É uma infecção fúngica subcutânea, subepiderma, crônica caracterizada pela presença de lesões queloidais (na maioria dos casos), nodulares, ulceradas e verrucosas; algumas vezes, apresenta-se com lesões crostosas e descamativas cujo agente é o Loboa loboi (Lacazia loboi).
	É a mais freqüente na América do Sul e Central, sendo o maior número de casos humanos registrado na região Norte do Brasil, principalmente nos estados do Pará e do Amazonas. 
É a que mais atinge indivíduos do sexo masculino, numa faixa etária entre 20 e 45 anos, sendo na maioria dos casos trabalhadores rurais, agricultores, pescadores, seringueiros etc. 
				Doença de Jorge Lobo
2.3.4 Micoses profundas
	Sob a denominação de micoses profundas, agrupam-se quatro doenças que apresentam algumas características em comum, tais como: são causadas por fungos com virulênciaindividual e inerentes a cada espécie; não ocorre o contágio ao contato com uma pessoa infectada; são dimórficos e necessitam, para o seu isolamento, de laboratórios com as condições técnicas de segurança mínimas. Sua distribuição é relativamente limitada às zonas tropicais. Esses fungos vivem saprofiticamente no solo, na forma filamentosa, e, em condições especiais, são capazes de liberar estruturas de reprodução assexuada (conídios) que, ao serem inaladas por homens e animais, vão ocasionar uma primoinfecção, que pode ser em geral discreta ou mesmo não aparente. Na dependência do binômio parasita/hospedeiro, a infecção pode ser autolimitada ou evoluir para formas mais graves. Entretanto, antes dessa disseminação, uma fase latente muito longa se estabelece (até mais de 20 anos). 
	A tabela abaixo apresenta os quatro os fungos causadores de micoses profundas com as respectivas patologias.
	Agente 
	Doença
	Paracoccidioides brasiliensis
	Paracoccidioidomicose
	Histoplasma capsulatum
	Histoplasmose
	Coccidioidis immitis
	Coccidioidomicose
	Blastomyces dermatitidis
	Blastomicose
 
2.3.5 Micoses oportunistas
Micoses causadas por fungos de baixa virulência que estabelecem uma infecção só como conseqüência de fatores tais como a presença da doença debilitante (leucemias, linfomas, diabetes,SIDA etc.) ou a administração de agentes imunossupressores e outros agentes terapêuticos ou radioterapia. A maioria dos fungos causais é normalmente saprófita do solo e de vegetação em decomposição. As micoses oportunistas são: Candidíase, Criptococose, e Aspergilose.
a) Candidíase (Candida albicans)
	É a mais freqüente infecção fúngica oportunista. 
	O habitat da Candida albicans e de outras espécies de Candida é bastante amplo, estando ligado, assim, a espécie humana e a todas as espécies de primatas até o momento investigadas. Animais domésticos, uma imensa variedade de mamíferos selvagens e todos os pássaros têm sido também imputados como reservatórios desse microoganismo.	
		 Micose oportunista
b) Criptococose
Micose subaguda habitualmente subaguda ou crônica, conhecida, sobretudo, por sua localização menígea, após aquisição da infecção por via respiratória. Essa meningoencefalite é sempre mortal na ausência de tratamento.
O agente se denomina Cryptococcus neoformans, leveduras que apresentam células esféricas envoltas em espessa capsula de polissacarídeo, medindo de 5 a 20 micrômetro de diâmetro. É um fungo saprófita que vive no solo, frutas secas, cereais e nas árvores e é isolado nos excrementos de aves, principalmente pombos. 
	
c) Aspergilose
É termo que alberga ampla gama de manifestações clínicas provocadas por espécies (mais de 200) diferentes de Aspergillus. Esses fungos são cosmopolitas e extremamente presentes na natureza, sendo encontrados em restos orgânicos, no solo, no ar, em diversos veículos líquidos, sobre superfície de seres vivos etc. Os principais agentes pertencem aos grupos Aspergillus fumigatus, A. flavus e A. niger. 
2.4 Diagnóstico das micoses
O diagnóstico das micoses é realizado pela demonstração da presença do fungo causador da doença por meio do exame micológico. O material obtido (escamas, secreções, cabelos, pêlos, tecidos, fluídos corporais, etc) é analisado ao micrópio óptico pelo método chamado de Exame Micológico Direto. As soluções e corantes empregados para a execução do exame são:
a) Solução de hidróxido de potássio (KOH): é usada em concentrações diferentes, geralmente 10% ou 20%, para clarear os espécimes que são nublados ou opacos, de modo que os elementos micóticos tornem-se visíveis;
b) Tinta da China ou nigrosina: são utilizadas para exame microscópio direto das cápsulas de muitos microrganismos (exemplo Cryptococcus neoformans).
c) Lactofenol-azul de algodão: corante preferido para o exame microscópio das colônias com forma filamentosa.
	Para a identificação do fungo faz-se a cultura e o microcultivo utilizando os seguintes meios de cultura: ágar Sabouraud dextrose (com ou sem cloranfenicol e cicloeximida), ágar Sabhi, etc.
II. IMUNOLOGIA
1. Introdução ao estudo da imunologia
2. Sistema imune
3. Antígenos
4. Imunoglobulinas
5. Complexo de Histocompatibilidade Principal
6. Sisitema complemento
7. Hipersensibilidade
8. Imunologia dos transplantes
9. Tolerância Imunológica
10. Doenças autoimune
11. Imunoprofilaxia e Imunoterapia
12. Infecção e Imunidade
1. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA IMUNOLOGIA
1.1 Conceito
O termo imunidade, do latim immunitas, significa qualidade de isenção de ônus ou encargos. A utilização clássica do termo imunidade se referia à relativa resistência do hospedeiro à reinfecção por um dado micróbio. 
A imunologia consiste essencialmente no estudo da resposta imune, isto é, dos mecanismos pelos quais o organismo é capaz de reconhecer e eliminar substâncias heterólogas, estranhas à sua composição. A grande maioria das substâncias que o organismo reconhece como estranhas consiste em microorganismos ou substâncias que não são próprias dele e, portanto, a eliminação desses agentes é um mecanismo de proteção. Entretanto, numa minoria de casos, o organismo passa a reconhecer como agente estranho um componente endógeno próprio ou responde de forma exagerada contra certos agentes exógenos. Nesses casos se tem o efeito nocivo da defesa.
Desta forma, depreende-se que imunidade não é sinônimo de defesa benéfica, embora isso ocorra na maioria dos casos. 
A imunidade acontece através do reconhecimento, da metabolização, da neutralização e da eliminação de substâncias tidas como estranhas ao organismo. 
1.2 Tipos de imunidade
	A defesa contra os agentes agressores (bactérias, vírus, fungos, parasitas, células cancerosas, tecidos e órgãos transplantados), pode ser dividida em dois mecanismos: imunidade inata e imunidade aquirida.
a) Imunidade inata
	A imunidade inata ou natural refere-se a qualquer resistência presente quando um agente agressor se apresenta pela primeira vez a um organismo. Ela não é uma defesa específica. Através dela o organismo responde sempre da mesma forma, qualquer que seja o agente agressor. A intensidade da resposta pode variar, entretanto, independentemente do agente agressor, não ocorre modificação do tipo ou da qualidade de resposta. A imunidade inata não aumenta após a exposição do organismo a um agente agressor e não determina uma imunidade permanente. 
	Os componentes da imunidade inata são: barreira mecânica, fagócitos, proteinas e enzimas presentes no sangue, líquidos orgânicos e células natural killer ou NK. Estes componentes existem já ao nascimento do indivíduo e não se modificam com o tempo.
a1) Barreira mecânica
 	É a primeira defesa existente no organismo. A pele e as membranas mucosas são os componentes iniciais da barreira mecânica encontradas pelos patógenos.
 A pele é constituída por epitélio revestido de células queratinizadas, formando uma barreira física de defesa. Além disso, apresenta glândulas sudoríparas e sebáceas que atuam como mecanismos que tentam impedir a penetração de substâncias estranhas ao hospedeiro. As glândulas sudoríparas secretam ácidos lático e úrico que são microbicidas, inibindo a proliferação e determinando a lise de microrganismos. As glândulas sebáceas produzem triglicerídes e ácidos graxos que também atuam como microbicidas.
As membranas mucosas revestem todo o trato gastrintestinal, respiratório e geniturinário. Desta forma, uma lesão que determine a falta de continuidade da mucosa poderá permitir a passagem de microrganismos patogênicos para a submucosa e a circulação sanguínea. As secreções das mucosas contém várias substâncias da defesa inespecífica tais como lisozima, citocinas, lactoferrina e são ricas em IgA que atua neutralizando o microrganismo, dificultando a colonização da mucosa e a invasão do organismo pelo agente agressor.
O sistema digestivo apresenta vários mecanismosde defesa inata tais como: pH ácido do estômago, peristaltismo intestinal, flora intestinal normal e o muco intestinal.
No sistema respiratório, a tosse e o espirro, frequentemente desencadeados pela presença de substâncias estranhas ao organismo, são mecanismos de eliminação de agentes infecciosos.
a2) Fagócitos
	Os fagócitos são as células que têm a capacidade de estender porções celulares (pseudópodes) de forma direcionada para englobar uma partícula sólida ou microorganismo estranho e, a este mecanismo, dá-se o nome de fagocitose. A fagocitose é um mecanismo de defesa de grande importância na imunidade. Ela permite a ingestão e a digestão de microrganismos patogênicos com a eliminação de seus restos inativados.
	As células fagocitárias no ser humano são: neutrófilos, macrófagos e eosinófilos. Os neutrófilos são altamente fagocíticos e móveis, são ativos nos estágios iniciais de uma infecção. Eles possuem a capacidade de sair do sangue, penetrar em um tecido infectado, fagocitar e destruir os microrganismos e partículas estranhas. Os macrófagos (células de Kupffer no fígado, macrófagos alveolares nos pulmões) são a forma madura do monócito que sai do sangue circulante e entra nos tecidos corporais. Têm a capacidade de fagocitar e destruir microrganismos intracelulares. Os eosinófilos também têm a capacidade de sair do sangue porém, são pouco fagocitários. 
a3) Proteinas e enzimas 	
A resistência inata do organismo a muitos patógenos é proporcionada por enzimas e outras proteínas presentes no sangue e líquidos orgânicos. Estas proteínas são continuamente expressas durante toda a vida do indivíduo, independentemente da necessidade de seus efeitos protetores em determinado momento. Entre estas proteinas e enzimas podem citadas as seguintes:
- Lisozima: pode lesar ou matar diretamente microrganismos patogênicos; e
- Proteína C-reativa: auxilia as células do hospedeiro na captura e destruição do patógeno;
- Proteínas séricas do complemento: entre outras ações, auxiliam na captura e destruição dos patógenos.
a4) Células natural killer ou NK
	As células matadoras naturais (NK), são linfócitos grandes granulares que possuem importante papel na defesa inata do hospedeiro. Elas são especializadas em matar as células infectadas por vírus e células tumorais mediante a secreção de citotoxinas. 
b) Imunidade adquirida (adaptativa)
	Pelo fato de que esta forma de imunidade desenvolve-se como uma resposta a um agente invasor e se adapta a ele, é designada imunidade adquirida ou adaptativa. Ela reporta-se à resistência que está ausente ou débil no ensejo da primeira exposição do organismo ao agente agressor, mas que pode aumentar acentuadamente com exposições subsequentes ao mesmo agente. 
Os tipos de imunidade adqurida estão resumidas na tabela abaixo: 
	Imunidade adquirida
	Adquirida 
Naturalmente
	Adquirida 
Artificialmente
	Ativa
	Passiva
	Ativa
	Passiva
b1) Imunidade adquirida naturalmente 
	A imunidade adquirida naturalmente pode ser ativa ou passiva. A imunidade ativa adquirida naturalmente é obtida quando uma pessoa é exposta a antígenos (substâncias estranhas, microrganismos, etc) no curso da vida diária. Esse contato pode ser uma infecção clínica ou subclínica. Nesses casos o hospedeiro produz uma resposta imune ativa. Uma vez adquirida, a imunidade dura por toda a vida para alguma doenças, como a varicela e o sarampo. Entretanto, para algumas doenças, a imunidade pode durar apenas alguns anos.
	A imunidade passiva adquirida naturalmente envolve a transferência natural de anticorpos da mãe para o seu lactente. O corpo da gestante passa alguns anticorpos ao feto através da placenta, mecanismo conhecido como transferência transplacentária. Se a mãe é imune à rubéola, difteria ou poliomielite, o recém-nascido também ficará temporariamente imune a estas doenças. Através do leite materno, certos anticorpos(proteínas sintetizadas em resposta ao antígeno) também são passados da mãe ao lactente, principalmente na secreção denominada colostro. No lactente, a imunidade geralmente dura somente enquanto os anticorpos transmitidos estão presentes, usualmente algumas semanas ou meses. Estes anticorpos maternos são essenciais para fornecer imunidade ao lactente até que seu próprio sistema imune amadureça.
b2) Imunidade adquirida artificialmente
	A imunidade adquirida artificialmente pode ser ativa ou passiva. A imunidade ativa adquirida artificialmente resulta da vacinação. A vacinação, também denominada imunização, introduz no corpo agentes infecciosos atenuados ou inativados ou seus antígenos, os quais são denominados vacinas. Estas substâncias não causam doeça, mas estimulam uma resposta imune de modo muito similar aos patógenos adquiridos naturalmente.
		A imunidade passiva adquirida artificialmente envolve a introdução de anticorpos no hospedeiro. Estes anticorpos provêm de um animal ou pessoa que já está imune à doença. A administração de anticorpos contra contra tétano e difteria, permite que grandes quantidades de antitoxinas estejam imediatamente disponíveis para a neutralização das toxinas.
2. SISTEMA IMUNE
 
2.1 Introdução
	O sistema imunológico ou imunitário é o responsável pela imunidade do hospedeiro. Ele possui pelo menos três propriedades funcionais importantes que o distinguem de todas as outras defesas do organismo. A primeira delas é a sua extrema especificidade, ou seja, tem a capacidade de reconhecer e distinguir um enorme número de diferentes moléculas-alvo e responder a cada uma individualmente. A segunda é que o sistema imunológico tem a capacidade de discriminar entre o próprio e o não próprio, de modo que, em condições normais, ele se relaciona pacificamente com as inúmeras proteínas e outros materiais orgânicos que compõem o hospedeiro, mas que respondem vigorosamente contra substâncias estranhas (bactérias, vírus, fungos, parasitas), incluindo células cancerosas e tecidos de outras pessoas. A terceira, o sistema imunológico é dotado de memória, isto é, tem a capacidade de ser condicionado pelas suas experiências, de modo que qualquer encontro subsequente com um patógeno estranho irá provocar uma resposta mais rápida e mais vigorosa do que a que ocorreu no primeiro encontro. Além das citadas propriedades, o sistema imunológico de cada indivíduo está continuamente evoluindo em resposta a seu ambiente e experiências e as céluluas que integram este sistema comunicam-se entre si e cooperam, controlando sua própria proliferação, diferenciação e funções imunológicas.
2.2 Células do sistema imune
	A capacidade de responder a um estímulo imunológico pertence, principalmente, às células linfóides. Durante o desenvolvimento embrionário, as células sanguíneas precursoras (célula hematopoiética pluripotente ou célula-tronco) originam-se no fígado e no saco vitelínico. Entretanto, após o nascimento, as células precursoras ficam localizadas na medula óssea. As células precursoras diferenciam-se em céluas que originaram as séries eritrocitária, mielóide e linfóide. Esta última dá origem a duas importantes populações de células do sistema imune: as células T (linfócito T) e as células B (linfócito B). 
	Os linfócitos T e B são as bases da imunidade adquirida. Estes dois tipos promovem, respectivamente, a imunidade celular e a imunidade humoral. Ambos são derivados originalmente no embrião a partir de células-tronco que diferenciam e originam os linfócitos. Parte destas céluluas formadas, os linfócitos B, durante a vida fetal são pré-processados no fígado e, durante o final da vida fetal e após o nascimento, na medula óssea. Os linfócitos destinados a formar linfócitos T são pré-processados no timo(órgão linfóide). Neste órgão, as células precursoras adquirem grupamentos moleculares na superfície da célula, denominados grupos de diferenciação designados pela sigla CD (cluster of differentiation), que são geralmente glicoproteínas, as quais geralmente são precedidas por aparecimentocitoplasmático das mesmas, indicando que são sintetizadas no próprio linfócito. O aparecimento de CD3, TCR (receptor de células T), CD4 e/ou CD8 na membrana celular linfocítica indica que os linfócitos T atingiram a maturação e estão aptos a combater antígenos. 
	O receptor de célula T dá especialidade ao linfócito. Desde a sua diferenciação, o linfócito já está predestinado a atuar contra determinadas substâncias, dependendo do TCR que apresente. O TCR torna inerente ao linfócito a habilidade de defesa contra determinado agente. 
	Os vários tipos de células T são classificados em três grandes grupos: linfócitos T auxiliares (CD4 positivos – helper), linfócitos T citotóxicos (CD8 positivos - célula killer) e linfócitos T supressoras. Estes últimos, juntamente com os T auxiliares, são chamados de linfócitos T reguladores.
	As células T auxiliares, mediante a secreção de interleucinas, auxiliam as células B a diferenciarem-se em células plasmáticas produtoras de anticorpos, estimulam o crescimento das T citotóxicas e T supressoras, induzem a uma fagocitose mais eficiente dos macrófagos e ativam as próprias células T auxiliares acentuando a resposta destas células.
	O linfócito T citotóxico é uma célula de ataque direto capaz de matar microrgnaismos, tecidos invadidos por vírus, céluas cancerosas, células estranhas para o corpo e, às vezes, algumas células do próprio corpo. 
	As células T supressoras são capazes de suprimir as funções das células T citotóxicas e de ajuda. Acredita-se que estas funções supressoras têm o objetivo de regular as atividades de outras células, impedindo-as de efetuar reações imunes excessivas que poderiam ser seriamente prejudiciais para o corpo. 
	A série mielóide, na medula, dá origem aos granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e aos monócitos (macrófagos). Os neutrófilos e os macrófagos atacam e destroem as bactérias, vírus, e outros agentes invasores. Os eosinófilos são fagócitos fracos, mas podem matar parasitas e, acredita-se, que nos processos alérgicos eles estejam envolvidos com a fagocitose de complexos alérgeno-anticorpo e dexificação de algumas substâncias indutoras da inflamação. Quanto aos basófilos, além de produzirem histamina e heparina, acredita-se que também participam de processos alérgicos.
2.3 A resposta imunológica
		A resposta imunológica pode ser classificada como humoral (imunidade humoral ou celular (imunidade celular).
		A imunidade humoral envolve a produção de anticorpos que agem contra organismos ou substâncias estranhos. Estes anticorpos são encontrados nos líquidos extracelulares, como o plasma, a linfa e as secreções mucosas. Os linfócitos B (tipo de leucócito) são as células responsáveis pela produção dos anticorpos. A produção de grandes quantidades de anticorpos específicos em resposta a determinado estímulo antigênico depende da capacidade do sistema imunológico de ativar apenas as células B capazes de produzir o anticorpo que irá reagir com o antígeno. Estas células são induzidas a proliferar rapidamente para aumentar suas quantidades. Subsequentemente, diferenciam-se em plasmócitos secretores de anticorpos ou transformam-se em células B de memória, que são células de vida longa que posteriormente voltam a produzir anticorpos em caso de nova exposição ao antígeno.
		A resposta imunológica celular ou imunidade celular envolve diversos tipos celulares: macrófagos (apresentam o antígeno às células T), células T auxiliares (participam no reconhecimento do antígeno e nas funções de regulação – auxiliares e supressoras), células NK (matadoras naturais), células T citotóxicas (matam na presenaça ou na ausência de anticorpos. Macrófagos e células T auxiliares produzem citocinas que ativam células citotóxicas ou auxiliares, provocando a morte do patógeno ou das células tumorais. 
 A resposta imune mediada por células é mais ativa contra bactérias e vírus, localizados dentro das células fagocíticas ou células infectadas do hospedeiro, e contra fungos, protozoários e helmintos. Este sistema fornece a resposta primária ao tecido transplantado, como um enxerto de pele estranha. 
		A resposta imunológica é uma sequência complexa e extremamente regulada de eventos envolvendo vários tipos celulares. É deflagrada quando um antígeno penetra no organismo e entra em contato com uma classe especializada de células, denominadas células apresentadoras de antígeno (APC). Estas células capturam uma diminuta quantidade do antígeno e a exibem num forma que possa ser reconhecida por linfócitos T auxiliares antígeno-específicos. As células T auxiliares tornam-se ativadas e, por sua vez promovem a ativação de outras classes de linfócitos, como as células B ou células citotóxicas. A seguir, os linfócitos ativados proliferam e executam suas funções efetoras específicas que, na maioria dos casos, inativam ou eliminam com êxito antígeno. 
		As resposta imunológicas podem ser localizadas ou sistêmicas, mas são quase sempre altamente específicas, direcionando toda a sua força contra o antígeno, enquanto causam pouca ou nenhuma lesão nos tecidos normais do hospedeiro.	O controle da resposta imunológica permite que ela termine logo após a eliminação do antígeno provocador. 
3. ANTÍGENOS
3.1 Introdução 
Qualquer substância capaz de induzir uma resposta imunológica é denominada imunógeno, sendo descrita como substância imunogênica. Normalmente, o sistema imune reconhece os componentes do corpo que ele protege como próprios (self), e as substâncias estranhas como não próprias (not self). Este reconhecimento é a razão pela qual os sistemas de defesa normalmente não produzem anticorpos contra seus próprios tecidos corporais, embora, por vezes, isto ocorra. 
A resposta imunológica pode exclusivamente pelo componente humoral ou pelo celular do sistema imunológico, mas comumente envolve ambos. Em regra, as respostas imunológicas são efetuadas apenas pelos clones de células B ou T, cujas proteínas de superfície (imunoglobulinas ou receptores de células T – TCR) reconhecem o imunógeno. 
As substâncias que são reconhecidas por uma imunoglobulina ou TCR particular e que, assim, podem servir como alvos de uma resposta imunológica são denominadas antígenos, sendo descritas, portanto, como substâncias antigênicas. Consequentemente, todos os imunógenos também são antígenos.
Os imunógenos encontrados na natureza, incluindo praticamente todos os patógenos microbianos, são, em sua maioria, estruturas complexas formadas de difererentes tipos de moléculas, nem todas sendo antigênicas. 
3.2 Natureza dos antígenos
	A maioria dos antígenos são proteínas ou polissacarídeos grandes. Os lipídeos e os ácidos nucléicos normalmente são antigênicos somente quando combinados a proteínas e polissacarídeos. Os compostos antigênicos frequentemente são componentes dos microrganismos invasores, tais como: cápsulas, parede celular, flagelos, fímbrias e toxinas de bactérias; os revestimentos de vírus; ou a superfície de outros tipos de microrganismos. Os antígenos não microbianos incluem o pólen, moléculas de superfície de células sanguíneas, proteínas do soro de outros indivíduos, ou espécies e moléculas de superfície de tecidos e órgãos transplantados.
	Geralmente, os anticorpos reconhecem e interagem com regiões específicas nos antígenos, denominadas determinantes antigênicos ou epítopos. Os epítopos são pequenos grupos químicos presentes na molécula de um antígeno. A maioria dos antígenos possui vários epítopos. A natureza da interação do antígeno com o anticorpo depende do tamanho, forma e natureza química do determinante antigênico, bem como da estrutura química do sítio de ligação na molécula de anticorpo.
	A imunogenicidade é influenciada pelo peso molecular. Os imunógenos mais potentes são proteínas com pesos moleculares acima de 100.000. Geralmente, moléculas com peso molecular abaixo de 10.000 são fracamente imunogênicas e aquelas muito pequenas como, por exemplo, aminoácidos não são imunogênicas. 
 Umasubstância estranha com baixa massa molecular normalmente não é antigênica, a menos que esteja aderida a uma molécula transportadora. Estes compostos pequenos são denominados haptenos. Uma vez que um anticorpo contra o hapteno tenha sido formado, o hapteno irá reagir com o anticorpo independente da molécula transportadora. 
4. IMUNOGLOBULINAS		
4.1 Introdução
	As imunoglobulinas são proteínas que atuam na resposta imunológica humoral. Estas proteínas compartilham muitas similaridades antigênicas, estruturais e biológicas entre si mas, ao mesmo tempo, diferenças significativas em sua seqüência primária de aminoácidos permitem que a sua função de anticorpo e as suas atividades biológicas sejam altamente específicas para realizar o seu papel na defesa do organismo. As imunoglobulinas se combinam exclusivamente com a substância que induziu a sua formação, ou seja, com os componentes termoestáveis da resposta imunológica. Assim, pode-se dizer que as características marcantes das imunoglobulinas são a especificidade e a diversidade. A sua constituição básica é de glicoproteínas, sendo que cerca de 82 a 96% são polipeptídios e 4 a 18% carboidratos.
	As proteínas do soro humano podem ser separadas pela eletroforese de proteínas em albumina, alfa-1, alfa-2, beta e gamaglobulina. A maioria das proteínas efetoras da imunidade com função anticórpica pertence à fração gamaglobulina. Face a essa heterogeneidade protéica ( alfa, beta e gamaglobulinas) a Organização Mundial de Saúde recomenda que se fale em imunoglobulinas quando as proteínas efetoras estiverem livres no plasma, em cavidades, tecidos e mucosas, reservando-se o termo anticorpos para o momento em que tais proteínas encontrarem-se unidas a substâncias (antígenos).
4.2 Classes e atividade biológica das imunoglobulinas
	No homem são conhecidas cinco classes diferentes de imunoglobulinas, cada qual possuindo ma estrutura química distinta e um papel biológico específico. Estas classes são designadas pelas letras A, D, E, G, M, que se seguem à abreviatura Ig (que indica a sua função de imunoglobulina). Assim, são designadas como IgA, IgD, IgE, IgG e IgM. 
	As classes de imunoglobulinas podem ainda ser divididas em subclasses sendo: IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4 para IgG, e IgA1 e IgA2 para IgA. Estas diversidades de subclasses devem-se a diferenças de recombinações de aminoácidos nas estruturas das cadeias pesadas das imunoglobulinas.
	A IgA é produzida pelas células B nas placas de Peyer, amígdalas e outros tecidos linfóides da submucosa. Mesmo constituindo apenas 10 a 15% das imunoglobulinas séricas, a IgA é a classe de anticorpo mais abundante presente na saliva, lágrima, muco intestinal, secreções brônquicas, leite, líquido prostático e outras secreções sendo, assim, responsável pela defesa de mucosas. Permanece no organismo por aproximadamente 6 dias.
	A atividade biológica da IgD baseia-se no fato de que quase toda IgD encontra-se unida na superfície de linfócitos B e, quando assim presente, amadurece-o, com capacidade de antigênica. Sua atividade como anticorpo é mais restrita, entretanto, possui atividade contra antígenos nucleares, tireoidianos, proteínas do leite, insulina e penicilina. Permanece no organismo por aproximadamente 3 dias. Compõe cerca de 0,2%. 
	A IgE atua na defesa antiparasitária, podendo revestir protozoários para que sejam fagocitados, atuando como opsonina ou promovendo a liberação de grânulos de eosinófilos passíveis de aumentar o peristaltismo intestinal ou degradar diretamente os helmintos por ação das proteases liberadas. Tem ainda atuação nas reações de hipersensibilidade. Permanece no organismo por aproximadamente 2 dias. Compõe cerca de 0,002%. 
	A IgG, no adulto normal, representa aproximadamente 75% do total das imunoglobulinas séricas, constituindo o anticorpo mais abundante produzido durante as respostas imunes humorais secundárias. É a única classe de imunoglobulina capaz de atravessar a placenta nos seres humanos, sendo responsável pela proteção do recém-nascido durante os primeiros meses de vida. A IgG neutraliza toxinas, auxilia a fagocitose de determinadas bactérias, aglutina microrganismos e, quando ligada ao antígeno, é capaz de ativar a via clássica do complemento. Permanece no organismo por aproximadamente 23 dias.
	A IgM é a maior das moléculas e constitui cerca de 10% das imunoglobulinas séricas. É sempre a primeira imunoglobulina a ser sintetizada mediante um processo infeccioso. Quando um antígeno estranho é introduzido em um hospedeiro pela primeira vez, a síntese de IgM e IgG começa quase simultaneamente, entretanto, o nível de IgM atinge o ponto máximo em alguns dias e, a seguir, sofre um declínio mais rápido do que o nível de IgG. Essas macromoléculas aglutinam antígenos particulados, como bactérias e hemácias, de um modo altamente eficaz, e fixam o complemento com um alto grau de eficiência. Sua capacidade é citolítica, determinando lise direta em determinadas bactérias. Permanece no organismo por aproximadamente 5 dias.
Constituição das cadeias das imunoglobulinas
 A estrutura básica das imunoglobulinas é um monômero constituído por duas cadeias polipeptídicas leves e duas cadeias polipeptídicas pesadas. As cadeias leves são referidas pela letra “L” (light) e as pesadas por “H” (heavy - ), estando unidas entre si as quatro cadeias polipeptídicas por pontes dissulfídricas. Trata-se de uma estrutura tetrapeptídica básica.
 As cadeias leves podem ser classificadas em dois tipos distintos, kappa (κ) e lambda (λ), com base nas suas seqüências da região C. Não existe nenhuma diferença funcional entre estes dois tipos e cada um pode estar associado a qualquer uma das várias classes de cadeias pesadas. 
Imunoglobulina
 
 
 Uma parte das cadeias pesadas e leves apresenta menor rearranjo de aminoácidos, sendo por isso denominada região constante (CH ou CL). Os extremos das cadeias leve e pesada são as regiões variáveis, com maior recombinação de aminoácidos, denominada porção hipervariável da imunoglobulina, a qual é responsável pela união ao antígeno, além de existir uma parte da cadeia polipeptídica que é rica em didroxiprolina, chamada região da dobradiça. Essa região é importante por conferir uma elasticidade à molécula, que, de uma forma inicial em “Y” pode assumir a forma de um “T”, conforme a necessidade espacial determinada pelo tamanho do antígeno.
 A enzima papaína tem a capacidade de cindir a estrutura tetrapeptídica em três fragmentos: dois Fab (fragmento de união ao antígeno), contendo um amino terminal, e um Fc (fragmento cristalizável), com carboxil terminal. Este último fragmento é importante para a ativação do complemento e é também a região que é reconhecida pelos receptores de Fc encontrados em muitos tipos de células.
 
 
	
	
5. SISTEMA COMPLEMENTO
5.1 Introdução
	O sistema complemento é um conjunto formado por, aproximadamente, 30 proteínas plasmáticas, que participam da resposta imunológica. Como resultado da ação desse sistema ocorre a formação de fatores quimiotáticos, anafilatoxinas, opsonização e lise de células ou de microrganismos. No sistema complemento, aparecem fenômenos microscópicos e clínicos, a partir de um fenômeno molecular por ativação de várias proteínas plasmáticas. É possível haver opsonização de microrganismos ( por exemplo, Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae), lise de bactérias extracelulares, de células infectadas por vírus, fungos e bactérias intracelulares. Como resultados clínicos podem ocorrer broncoespasmo, vasodilatação periférica, edema de mucosas até choque anafilactóide.
	O sistema complemento funciona sob a forma de cascata, sendo que cada componente ativa o sequencial. Trata-se de uma cascata de amplificação porque cada componente atua em vários componentes seguintes, resultando ao final na ativação de milhares de moléculas.
	Os componentes do complemento são,em geral, designados por letras seguidas de um número (C1, C2, C3, C4, C5, C6, C7, C8 e C9; B, D, P). Entretanto, a sequência da cascata não segue a ordem numérica e, ainda, quando um componente é clivado em um processo de ativação, seus fragmentos recebem uma letra minúscula adicional, a ou b ( exemplo - C3a, C3b).
5.2 Vias de ativação
	 A sua ativação acontece por três diferentes vias, clássica, alternativa e das lectinas, que são desencadeadas por diferentes mecanismos, mas convergem para uma via terminal comum que culmina com as seguintes atividades biológicas: facilitar a fagocitose, liberar anafilatoxinas e promover a lise de células ou de microrganismos. As três vias apresentam a mesma seqüência de ativação depois do componente C5, sendo que, a partir desse ponto, se fala em via efetora comum às três vias. O componente comum para todas as vias é o C3, com maior concentração plasmática, seguido pelo C4.
	O sistema complemento faz parte da resposta imunológica inespecífica, pois já ao nascimento estão presentes no plasma os componentes do complemento e a cascata de ativação ocorre sempre da mesma forma. A via clássica é um ponto de união entre a resposta inespecífica e a específica, uma vez que necessita de imunoglobulinas para sua ativação.
	A via clássica ou adaptativa inicia pela ativação do componente C1q. Para tanto, é necessária a formação de anticorpos contra os antígenos que devam ser destruídos. As imunoglobulinas capazes de ativar a via clássica do complemento são: IgM (a mais potente ativadora) e IgG. São necessárias duas imunoglobulinas IgG ou uma IgM para que a ativação seja iniciada. A união dessas imunoglobulinas dá-se pela porção Fc da imunoglobulina. 
	A via alternativa ou inata do sistema complemento inicia pelo componente C3, não sendo necessária a formação de imunoglobulinas, tendo como resultado uma ativação mais rápida do sistema complemento. O componente C3 circulando livre no plasma pode ser ativado diretamente por lipopolissacarídios de toxinas bacterianas ou de cápsulas de microrganismos, manose presente em várias bactérias, fator do veneno de cobra, Candida albicans, Aspergillus, bem como por outros microrganismos e células infectadas.
	Via das lectinas: as lectinas são proteínas ligantes de manose, ou seja, podem se unir a grupamentos manose terminal de muitas bactérias gram-negativas e gram-positivas. Após a união lectina-manose, ocorre interação serina proteinase associada a manose. As interações citadas levam à clivagem de C4 seguida de C2, continuando de forma análoga à via clássica.
	Assim, as três vias têm as mesmas atividades biológicas: facilitar a fagocitose, liberar anafilatoxinas e promover a quimiotaxia e a lise de células ou de microrganismos.
6. COMPLEXO DE HISTOCOMPATIBILIDADE PRINCIPAL
Todas as células possuem moléculas sobre suas superfícies que são exclusivas de cada indivíduo. Essas moléculas são denominadas Complexo de Histocompatibilidade Principal ou MHC (major histocompatibility complex). Através de suas moléculas do MHC, o corpo é capaz de diferenciar o que lhe é próprio do que não o é. Qualquer célula que apresenta moléculas idênticas do MHC é ignorada; qualquer célula que apresenta moléculas diferentes do MHC é rejeitada.
Existem dois tipos de moléculas do MHC, as quais são também denominadas antígenos leucocitários humanos ou HLA): classe I e classe II. As moléculas do MHC classe I estão presentes em todas as células do corpo, exceto nos eritrócitos. As moléculas do MHC classe II estão presentes apenas sobre as superfícies dos macrófagos, dos linfócitos B e dos linfócitos T que foram estimulados por um antígeno. As moléculas do MHC das classes I e II de um indivíduo são únicas. Embora gêmeos idênticos possuam moléculas do MHC idênticas, a probabilidade de gêmeos não idênticos possuírem moléculas idênticas é baixa (1 para 4) e extraordinariamente baixa entre os indivíduos não irmãos.
As células do sistema imune aprendem a diferenciar o que é próprio do organismo do que o que não o é no timo. Quando o sistema imune começa a desenvolver-se no feto, células-tronco migram para o timo, onde dividem-se até converterse em linfócitos T. Durante o desenvolvimento do timo, qualquer linfócito T que reaja frente às moléculas do MHC do timo é eliminado. À qualquer linfócito T que tolere o MHC do timo e aprenda a cooperar com células que apresentam moléculas exclusivas do MHC do corpo é permitida a maturação e a sua saída do timo.
O resultado é que os linfócitos T maduros toleram as células próprias do corpo e podem cooperar com outras células do organismo quando solicitadas para defendê-lo. Se os linfócitos T não se tornarem tolerantes às moléculas do MHC, eles podem atacar o corpo. No entanto, algumas vezes, os linfócitos T perdem a capacidade de diferenciar o que é próprio do corpo do que não o é, acarretando doenças auto-imunes como o lúpus eritematoso sistêmico (lúpus) ou a esclerose múltipla.
7. IMUNOFISIOLOGIA: INTERAÇÕES E FUNÇÕES CELULARES
	
7.1 Introdução
	Embora os componentes do sistema imune sejam estudados separadamente, eles são intimamente relacionados. Assim, o objetivo deste tópico é a compreensão da inter-relação dos processos imunológicos que proporcionam a imunidade ao indivíduo contra os agentes causadores de infecção.
7.2 Resposta imunológica a agentes infecciosos
	Os agentes infecciosos ou substâncias estranhas podem penetrar no organismo natural ou artificialmente. Com maior freqüência, eles penetram através dos tratos respiratório ou gastrintestinal. A penetração artificial dos agentes infecciosos ou substâncias estranhas é geralmente realizada por injeção.
	O aparecimento de sinais e sintomas frente a um agente agressor depende da relação entre o patógeno e o hospedeiro. A sintomatologia será o resultado da interação entre a patogenicidade do agente e a imunocompetência do hospedeiro naquele momento.
7.2.1 Defesa inicial e resposta primária 
	No início de um processo infeccioso predomina sempre a resposta inata que é realizada mediante a ação da barreira mecânica, fagócitos, sistema complemento e células natural killer ou NK. Quando a imunidade inata torna-se insuficiente, é acionada a adaptativa. Porém, essa seqüência de eventos é tão rápida que passa desapercebida.
	A resposta primária é a reação do organismo quando entra em contato pela primeira vez com uma substância considerada estranha (imunógeno ou antígeno). O resultado é a ativação inicial do sistema macrofágico, seguida de ativação do sistema linfocítico. Há participação de monócitos, macrófagos, linfócitos T e linfócitos B.
	A resposta só pode iniciar após a captação, processamento e apresentação do imunógeno, por uma célula apresentadora de antígeno (macrófagos, céulas dendríticas, etc), a linfócito T auxiliar . A célula apresentadora apresenta o antígeno ligado à molécula classe II do MHC e ao mesmo tempo a libera uma citocina denominada interleucina-1 (IL-1). A IL-1 induz a célula T auxiliar a secretar IL-2 que potencializa a proliferação de células T auxiliares. 
	Enquanto as células T auxiliares estão sendo ativadas, algumas células B também podem ter entrado em contato com o imunógeno livre, através de seus receptores de antígenos, que são formas de anticorpos (IgM) ligados a membrana, os quais serão posteriormente secretados. Este contato da célula B com o antígeno ativa aquela. 
	As células T auxiliares secretam citocinas (IL-2, IL4 e IL-6), também denominadas de fatores auxiliares, que ativam as células B. Entretanto, o auxílio célula-célula propicia uma melhor ativação. Algumas células B ativadas diferenciam-se em plasmócitos que secretam anticorpos específicos contra o imunógeno e outros serão linfócitos de memória.
	Os anticorpos a serem secretados pelos linfócitos B são da classe IgM e estes são seguidos por IgG. Este padrão é característico de uma resposta primária.
	As células T citotóxicas reconhecem antígenos em associação com moléculas classe I do MHCna superfície de células. Este contato ativa a célula T citotóxica. Esta célula, após ser ativada pelo contato com uma célula apresentadora do antígeno, passa a ser estimulada pela IL-2 secretada pelos linfócitos T auxiliares. Ao receber estes sinais a célula T citotóxica, além de se proliferar, adquire a capacidade de matar a célula à qual está ligada, bem como quaisquer outras células, apresentando o mesmo complexo, ou seja, antígeno-classe I do MHC. 
Os linfócitos T supressores (subpopulação dos T auxiliares), secretam interleucinas que apresentam atividade imunossupressora, reduzindo principalmente, a atividade humoral.
Os linfócitos T auxiliares e os linfócitos T citotóxicos, que não foram destruídos, após a resposta imunológica, permanecem como linfócitos T memória antígeno-específico.
7.2.2 Resposta secundária
	Na resposta secundária, por sua vez, o organismo já manteve contato prévio com o agente agressor. Há ativação seqüencial do sistema macrófago e linfócito. A diferença é que na resposta secundária o organismo já conta com a presença de linfócitos B e T de memória. A reação dá-se de forma mais rápida e mais intensa, tanto para a formação de novas imunoglobulinas por parte dos linfócitos B quanto para o aparecimento de novos linfócitos T. A imunoglobulina predominante na resposta secundária é a IgG, sendo o início dado pela IgM. Assim, um contato prévio com um microrganismo é importante para o desenvolvimento de uma melhor defesa imunológica pelo indivíduo.
	A aplicação prática de uma resposta imunológica secundária é o uso da vacina. Esta é um imunógeno não patogênico que, quando inoculado num hospedeiro, induz imunidade protetora contra um patógeno específico. 
8. HIPERSENSIBILIDADE
8.1 Introdução
	O termo hipersensibilidade ou alergia refere-se a uma resposta antigênica exagerada ou imprópria que danifica o hospedeiro. As respostas de hipersensibilidade ocorrem em indivíduos que foram sensibilizados por uma exposição prévia a um antígeno que, neste contexto, algumas vezes é denominado alérgeno. Uma vez sensibilizado quando um indivíduo é exposto àquele antígeno novamente, seu sistema imune reage ao mesmo de modo prejudicial. 
8.2 Tipos de Hipersensibilidade
	Há quatro tipos de reações de hipersensibilidade: tipo I, tipo II, tipo III e tipo IV.
a) Reação tipo I : hipersensibilidade imediata (anafiláticas)
	As reações tipo I, ou anafiláticas, frequentemente ocorrem dentro de poucos minutos após uma pessoa sensibilizada a um antígeno ser exposta novamente a ele. Ela ocorre quando um antígeno liga-se à IgE na superfície de mastócitos (célula residente no tecido conjuntivo), com subseqüente liberação de diversos mediadores, tais como histamina, serotonina e prostaglandinas. O processo inicia quando o antígeno induz a formação de anticorpo IgE, o qual liga-se firmemente pela sua porção Fc aos basófilos e mastócitos. Ambos estão cheios de grânulos contendo uma variedade de substâncias químicas denominadas mediadores. Uma reexposição ao mesmo antígeno resulta na ligação cruzada (formação de uma ponte) da IgE ligada à célula e na liberação dos mediadores farmacologicamente ativos, dentro de minutos (fase imediata). Sintomas como edema, eritema e coceira surgem rapidamente, pois esses mediadores são pré-formados.
	A fase tardia da inflamação mediada por IgE ocorre aproximadamente seis horas após a exposição do antígeno e é devida a mediadores, por exemplo, leucotrienos, que são sintetizados após a degranulação da célula. Esses mediadores causam um influxo de células inflamatórias, como os neutrófilos e eosinófilos, e ocorrem sintomas como eritema e induração. 
	A anafilaxia pode ser sistêmica ou localizada. A anafilaxia sistêmica é a mais grave podendo apresentar severa broncoconstrição e hipotensão (choque) que pode ser fatal. Os antígenos injetados têm maior probabilidade de induzir esta reação grave.
	A anafilaxia localizada é usualmente associada a antígenos ingeridos ou inalados. Os sintomas dependem primariamente da via pela qual o antígeno entra no corpo. A anafilaxia por antígenos inalados pode apresentar sintomas como olhos lacrimejantes e pruriginosos, fossas nasais congestionadas, tosse e espirros. Quando o antígeno for ingerido a anafilaxia poderá causar os sintomas como desconforto intestinal, diarréia e urticária. 
b) Reação tipo II (citotóxicas)
	A hipersensibilidade citotóxica ocorre quando um anticorpo dirigido contra um antígeno da membrana celular ativa o complemento. Isso leva à geração do complexo de ataque à membrana, o qual danifica a membrana celular. O anticorpo (IgG ou IgM) liga-se ao antígeno na porção Fab atua como uma ponte ao complemento na porção Fc. Como resultado, há uma lise celular mediada pelo complemento. As reações de hipersensibilidade citotóxicas mais conhecidas são as reações transfusionais e hemolíticas, em que as hemácias são destruídas ao reagirem com anticorpos circulantes. Estas envolvem os antígenos dos sistemas de grupos sanguíneos ABO e Rh.
c) Reação tipo III: Hipersensibilidade do complexo imune
	Esta hipersensibilidade ocorre quando o complexo antígeno-anticorpo induz uma resposta inflamatória nos tecidos. Normalmente, o complexo imune é prontamente removido por fagocitose, mas ocasionalmente persiste e é depositado nos tecidos, resultando em várias desordens. Os anticorpos envolvidos geralmente são IgG, assim, ocorre a ativação do complemento. Células polimorfonucleares são atraídas para o local e ocorrem a inflamação e a lesão do tecido.
d) Reação tipo IV: mediada por células ou hipersensibilidade tardia
	As reações tipo IV envolvem respostas imunes mediadas por células T auxiliares. A resposta é retardada, isto é, inicia-se horas ou dias após o contato do indivíduo sensibilizado com o antígeno e frequentemente dura por dias.
	A hipersensibilidade de contato é um exemplo e ela ocorre após a sensibilização com antígenos químicos simples ( formaldeído, níquel), drogas aplicadas topicamente (sulfonamidas, neomicina), sabonetes e outras substâncias. Em todos os casos, pequenas moléculas atuam como haptenos, entram na pele, ligam-se às proteínas do corpo e tornam-se antígenos completos.
9. IMUNOLOGIA DOS TRANSPLANTES
9.1 Introdução
	Transplante é qualquer fragmento de tecido ou órgão inteiro retirado de um local e colocado em outro, em um mesmo indivíduo ou em outro indivíduo. A intensidade da resposta imune poderá variar de acordo com o tipo de transplante. Alguns transplantes ou enxertos não estimulam uma resposta imune. Por exemplo, uma córnea transplantada raramente é rejeitada principalmente porque os anticorpos usualmente não circulam naquela parte do olho. Esta situação difere muito de um transplante de medula óssea, pâncreas, rim ou outro órgão ou tecido em que haja irrigação sanguínea.
9.2 Tipos de transplantes
	Os transplantes podem ser classificados em auto-enxerto, transplante isogênico, alogênico e xenotransplante.
Auto-enxerto 
É utilizado frequentemente para a pele, que é retirada de um local considerado esteticamente menos nobre e colocado em outro, no mesmo indivíduo. O auto-enxerto não induz resposta imune.
Isoenxerto ou isotransplante
 Referem-se a transplantes entre gêmeos univitelinos. Os gêmeos idênticos possuem a mesma constituição genética, assim, o transplante de órgãos entre eles não provoca uma resposta imune.
 Aloenxerto
 É aquele entre as pessoas que não são gêmeas idênticas. Este transplante desencadeia resposta imune. 
 Xenoenxerto
 É utilizado para transplantes entre indivíduos de espécies diferentes. Neste tipo de transplante, ocorre resposta imune.
9.3 Rejeição a transplantes
	A rejeição a transplante ocorre quando o receptor não aceita o tecido ou o órgão transplantado, resultando em lesões no enxerto, com perda progressiva até perda total da função do órgão transplantado. A rejeição pode ter causa imunológica ou não.
	As rejeições não imunológicas dependem, principalmente, do atocirúrgico e da revascularização do órgão ou tecido transplantado.
	Na rejeição imunológica, a reação mediada por células T é a principal causa da rejeição de muitos tipos de enxertos, mas os anticorpos contribuem para a rejeição de certos transplantes, especialmente de medula óssea.
	A aceitação ou rejeição de um transplante é determinada, em grande parte, por proteínas de classe I e II do MHC (também denominadas antígenos leucocitários humanos ou HLA) das células do doador, com as proteínas de classe II desempenhando o papel principal. Esses antígenos ativam as células T, tanto as auxiliares quanto as citotóxicas. As células T ativadas proliferam em reagem contra os antígenos das células do doador.
9.4 Prevenção da rejeição de transplantes
	Objetivando o sucesso dos transplantes, são realizados vários exames, tais como tipagem ABO e Rh, tipagem HLA do doador e do receptor e, quando necessárias, são tomadas medidas para reduzir a chance de rejeição de um tecido transplantado, mediante o uso de imunossupressores, cujas ações principais são prevenir a ativação de linfócitos T, inibindo a transdução de sinais dentro da célula T.	
10. TOLERÂNCIA IMUNOLÓGICA
10.1 Introdução
	Tolerância imunológica é uma falta de resposta imunológica contra os antígenos.
Em geral, antígenos que estão presentes durante a vida embrionária são considerados próprios e não estimulam uma resposta imune. A tolerância aos antígenos próprios é uma propriedade fundamental do sistema imune, e sua perda leva às doenças auto-imunes. Embora as células T e B participem na tolerância, são as celuas T tolerantes que desempenham o papel primário.
10.2 Tolerância de Células T
	O principal processo pelo qual os linfócitos T adquirem a habilidade de distinguir o próprio do não-próprio ocorre durante a vida fetal no timo. Esse processo, denominado deleção clonal, envolve a eliminação das células T que reagem contra antígenos (proteínas do próprio MHC) presentes no feto. As células auto-reativas morrem por um processo de morte celular programada denominado apoptose.
10.3 Tolerância de células B
	As células B também se tornam tolerantes ao próprio por dois mecanismos: 
a) deleção clonal: ocorre provavelmente enquanto as precursoras de células B estão na medula óssea; e
b) anergia clonal das células B.
	Entretanto, uma observação nos achados de que as doenças auto-imunes são mediadas por anticorpos leva a crer que a tolerância nas células B é menos completa.
10.4 Indução de tolerância
	Um antígeno para induzir tolerância no lugar de resposta imunológica depende dos seguintes fatores:
a) maturidade imunológica do hospedeiro: animais neonatais são imunologicamente imaturos não respondendo bem a antígenos estranhos; e
b) estrutura e dose do antígeno: molécula simples induz tolerância mais facilmente do que molécula mais complexa e doses muito baixas ou muito altas do antígeno podem resultar em tolerância. 
Outrossim, a administração de drogas imunossupressoras aumenta a tolerância.
11. DOENÇAS AUTO-IMUNES	
11.1 Introdução
	Quando a ação do sistema imune ocorre em resposta a auto-antígenos e causa lesão aos próprios órgãos da pessoa, o resultado é uma doença auto-imune. As doenças auto-imunes ocorrem quando existe uma perda da autotolerância, a capacidade do sistema imune de discriminar entre o próprio (self) e o estranho (not-self). 
	Nas doenças auto-imunes, a perda da autotolerância leva à produção de anticorpos ou uma resposta pelas células T sensibilizadas contra os próprios antígenos teciduais da pessoa. As reações auto-imunes e as doenças que elas causam podem ser citotóxicas, por imunocomplexos ou mediadas por células.
11.2 Reações auto-imunes citotóxicas
	As reações deste tipo podem envolver reações de anticorpos contra antígenos da superfície da célula, embora não exista destruição citotóxica das células. Exemplo: 
Miastenia grave: doença em que os músculos ficam progressivamente mais fracos. Nesta doença, anticorpos que recobrem os receptores de acetilcolina nas junções em os impulsos nervosos atingem os músculos.
11.2 Reações auto-imunes por imunocomplexos
	Os complexos formados por antígenos e anticorpos específicos podem ser depositados nos tecidos, causando reação inflamatória. Exemplos: 
a) Lupus Eritematoso Sistêmico: há produção de anticorpos dirigidos contra componentes das próprias células e os imunocomplexos são depositados nos glomérulos renais.
b) Artrite Reumatóide: os imunocomplexos de IgM, IgG e complemento são depositados nas articulações.
	
11.3 Reações auto-imunes mediada por células	
	Estas reações são causadas por células T apresentam capacidade para causar lesão tecidual. Exemplos:
Tireoidite de Hiashimoto: ocorre a destruição da glândula tireóide, primariamente por células T.
Diabete melito insulino-dependente: condição causada pela destruição imunológica das células secretoras de insulina do pâncreas. 
12. IMUNOPROFILAXIA E IMUNOTERAPIA
12.1 Imunoprofilaxia
	 Imunoprofilaxia trata das medidas de prevenção envolvendo o sistema imune.
Há dois tipos: imunoprofilaxia ativa e imunoprofilaxia passiva
a) Imunoprofilaxia passiva
A imunoprofilaxia passiva ocorre mediante a aplicação de soros. A transferência de IgG via placenta é um exemplo de imunoprofilaxia passiva.
 b) Imunoprofilaxia ativa
A imunoprofilaxia ativa é feita mediante a aplicação uso de vacinas.
12.2 Imunoterapia
	A imunoterapia consiste na intervenção farmacológica sobre o sistema imunulógico visando modificar e adequar (potencializar ou desacelerar) a resposta imunológica contra qualquer tipo de agressão. Como exemplo pode-se citar a otimização da capacidade do sistema imunológico de localizar e destruir células cancerosas utilizando modificadores da resposta biológica. Essas substâncias são utilizadas para, entre outras, as seguintes funções: 
a) Estimular a resposta antitumoral aumentando o número de células assassinas;
b) atuar diretamente como agentes assassinos de tumores; e
c) frear os mecanismos normais do corpo que suprimem a resposta imune.
	A compreensão básica sobre a imunoterapia é que nela a intervenção se dá após a ocorrência da infecção.
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Sulfametoxazol
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(A) virus sem envelope.
(B) Virus com envelope: 1-cápside, 2-ácido nucleico, 3-capsômero, 4-nucleocápside, 5-virion, 6-envelope, 7-espículas.

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