boletim megavertebrados
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BOLETIM
TÉCNICO
ABRAVAS
Publicação digital da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens - Ano II - Fev/2018 - nº 19

Profissional convidado:

Foto da capa:

Lauro Soares Neto

Rinoceronte branco (Ceratotherium simum)

Todos os direitos são reservados a Associação Brasileira de
Veterinários de Animais Selvagens \u2013 ABRAVAS. É proibida a
duplicação ou reprodução deste arquivo, no todo ou em parte, em
quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico,
gravação, fotocópia, distribuição pela Internet ou outros), sem
permissão, por escrito, da Associação.

André Nicolai E. Silva

Médico Veterinário formado pela Universidade de Franca em 2005
Residência em Medicina de Animais Selvagens pela Fundação Parque
Zoológico de São Paulo 2007 \u2013 2009
Médico Veterinário Chefe de Setor Técnico, responsável pelo Núcleo de
Anestesiologia da Fundação Parque Zoológico de São Paulo 2009 \u2013
2013
Capacitação Profissional em Medicina de Animais Selvagens -
Zoológico Temaiken - Argentina 2011
Pós graduado em Anestesiologia Veterinária \u2013 PAV
 Colaborador do Departamento de Medicina Veterinária da Associação
Paulista de Zoológicos e Aquários
Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo - FZEA/USP
Conselheiro Fiscal - Diretoria ABRAVAS - 2017-2019
Professor Assistente de Clinica Médica de Animais Silvestres no Centro
Universitário de Jaguariúna

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CONTENÇÃO QUÍMICA E ANESTESIA DE MEGAVERTEBRADOS

Resumo
 O termo megavertebrados é usualmente utilizado para se referir a um grupo de animais
diferenciados pelo tamanho de suas vértebras e seu grande porte. Como resultante a estas
características corporais particulares, o manejo destes animais mostra-se desafiador na grande
maioria das vezes. Dentre os diferentes pontos que compõem a rotina desses animais em
cativeiro, a contenção química e ou anestesia apresentam-se como um desafio relevante. A
exemplo do observado em grandes animais domésticos, pontos como decúbito, peso e tempo
de anestesia podem influenciar de forma significativa no sucesso do procedimento. Diante
desse contexto faz-se importante a completa compressão de cada um desses fatores para
execução de tais procedimentos de uma forma mais segura. Frente a este cenário, o presente
artigo tem como foco apresentar e discutir alguns dos pontos que compõem essa prática.
Palavras-chave: Protocolo anestésico, Hipopótamo, Rinoceronte, Elefante, Girafa

Introdução
 O termo megavertebrados é usualmente utilizado para se referir a um grupo de animais
diferenciado pelas suas grandes vértebras, seu grande porte e elevado peso corpóreo. Dentro
da rotina de um zoológico, esse grupo é formado basicamente pelos hipopótamos,
rinocerontes, elefantes e girafas. No entanto, vale destacar que essa denominação pode ser
ampla e um pouco subjetiva fazendo com que alguns profissionais incluam neste grupo
animais como camelos, búfalos e até mesmo grandes cetáceos como orcas e baleias.
 Devido estas características corporais particulares, o manejo destes animais mostra-se
desafiador na grande maioria das vezes. Dentre os diferentes pontos que podem compor a
rotina de manejo destes animais em instituições cativas, a contenção química e a anestesia,
quando necessárias, podem mostrar-se como um desafio. Isso se deve basicamente às
estruturas atuais de nossas instituições zoológicas as quais se encontram pouco preparadas
para realização de tais procedimentos, a falta de familiaridade por parte dos médicos
veterinários com esta prática, a ausência de fármacos que para muitos ainda consiste no ponto
de maior dificuldade e a carência de conhecimento quanto às características anatômicas e
fisiológicas de cada uma dessas espécies.
 Diante deste contexto, o presente artigo tem como foco discutir os principais pontos
relacionados à contenção química e anestesia em hipopótamos, rinocerontes, elefantes e
girafas.
 Avaliação pré-anestésica, Planejamento e Preparo do paciente
 O planejamento é parte fundamental e indispensável na anestesia de megavertebrados.
Essa execução deve ser detalhada e ao final deste processo deve-se ter em mãos uma lista de
materiais necessários, onde e quando serão obtidos, detalhes do ambiente no qual será feito o
procedimento, mudanças necessárias no local caso necessite, previsão de horário para início e
término do procedimento, possíveis intercorrências, soluções para as mesmas e descrição da
equipe de trabalho com nomes e funções a serem desempenhadas durante o procedimento.

No que se refere especificamente à avaliação e preparo do ambiente, é indispensável
que o anestesista e a equipe envolvida diretamente no procedimento visitem o local no qual se
planeja realizar a anestesia. Durante essa inspeção a equipe deve-se atentar para o tamanho da
área disponível, presença de quinas, piso ou substrato do local, pontos de fuga para os
profissionais em casos de imprevistos, logística para o transporte e acomodação dos

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equipamentos necessários, temperatura e umidade do local, luminosidade, disponibilidade de
água e quais as adaptações serão necessárias.
 Dentre esses pontos, a natureza do substrato disponível no local do procedimento
merece atenção especial, pois estes pacientes, por apresentarem um elevado peso corporal
(toneladas), possuem um risco potencial de lesões periféricas isquêmicas causadas pelo
decúbito prolongado em piso inadequado. Assim como se observa em equinos domésticos, o
decúbito prolongado de uma densa massa muscular sobre um piso duro, irregular ou
inadequadamente acolchoado pode acarretar na compressão de vasos sanguíneos resultando
em uma perfusão ineficiente.

A postura do paciente durante o período de decúbito pode acarretar em neuropatias
(nervo radial) dificultando o equilíbrio do paciente durante a recuperação anestésica e após a
mesma. Preconiza-se que para todo procedimento de anestesia destes animais seja realizado o
acolchoamento adequado do local e que durante o período de decúbito lateral o membro
torácico que se encontre em contato com o piso seja projetado para frente, para a compressão
sobre o nervo radial.
 Como opção de acolchoamento sugere-se o uso, sob a forma de uma camada mínima
de trinta centímetros acima do piso original de areia, distribuída igualmente pelo local.
Podem-se usar placas de borracha de alta densidade e ou feno, porém este último quando
usado de forma isolada pode ter efeito limitado.

Colchões de espuma (de alta densidade), ar ou água também são indicados, no entanto
não se encontram disponíveis no Brasil.

Associado a este cuidado, o tempo de decúbito controlado e limitado (período máximo
de 60 a 90 minutos) também se mostra como uma ferramenta na prevenção desse tipo de
lesão.

A exemplo dos procedimentos realizados com animais domésticos, a avaliação pré-
anestésica também consiste em uma etapa importante do protocolo de anestesia em um
megavertebrado, não devendo ser negligenciada, mesmo em animais no qual a aproximação
não se faz possível.