Psicoterapia Fenomenológica Existencial
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Psicoterapia Fenomenológica Existencial

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Dr. Thomé Eliziário Tavares Filho

Psicoterapia Fenomenológica
Existencial

Organizador:
Prof. Dr. Thomé Eliziário Tavares Filho

Filósofo, Psicanalista, Teólogo,
Psicopedagogo,

Mestre e Doutor em Psicologia

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Apresentação

Temos o imenso prazer de apresentar aos alunos do 10º período do
Curso de Psicologia Clínica da Faculdade Martha Falcão,

 o presente compêndio com recortes de textos, que se configuram como o ementário básico
da disciplina Terapia Fenomenológica Existencial,
que representa uma das ferramentas poderosa para a

prática clínica psicoterápica, que de certo, alivia o sofrimento psíquico dos pacientes
que convivem com as tensões psicossociais nas suas crises existenciais, desde a

adolescência até a terceira idade. Autores como Rollo May, Abraham Maslow, Carl
Rogers, Frederick Perls, Kiierkegaard, Russerl , Heidegger e Kurt Lewin entre outros,

representam o que há de melhor nessa linha de pesquisa da Terapia Fenomenológica
Existencial, cujas produções e saberes na área de Saúde Mental, muito contribui para a

formação profissional dos alunos do Curso de Psicologia Clínica.

Professor Doutor Thomé Eliziário Tavares Filho

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Sumário

Capítulos Assuntos Páginas
Apresentação 1
Sumário 2

1 Terapia Existencial Humanista. 4
2 Fenomenologia Existencial 6
3 O Humanismo Existencial 9
4 A Psicologia Humanista 17
5 A Fenomenologia de Russerl 21
6 O Existencialismo de Martin Heidegger 25
7 O Existencialismo Moderno de Jean Paul Sartre 30
8 O Existencialismo de Soren Kiierkegaard 39
9 Gestalt na perspectiva Existencial 42
10 Gestalterapia de Frederick Persl 47
11 A Teoria do Campo de Kurt Lewin 57
12 A Psicologia da Consciência de William James 60
13 A Terapia Centrada no Cliente de Carl Rogers 70
14 A Psicologia da Motivação de Abraham Maslow 84
15 A Fenomenologia Psicanalítica de Alfred Adler 84
16 O Inconsciente Coletivo Carl Gustav Jung 89
17 O homem à procura de si mesmo, segundo Rollo May 96
18 A função dos Valores 110
19 Piaget e a Teoria do Desenvolvimento Moral 112
20 Erik Eriksson e o desenvolvimento Psicossocial 114
21 Considerações finais 116
22 Referências 117

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Capítulo I
TERAPIA EXISTENCIAL-HUMANISTA

por Sergio M. de Miranda e Regina Sonia Rodrigues

em 14/5/2008

 Ao final da Segunda Guerra Mundial a Psicologia era dominada, nos E.U.A. pelo
“behaviorismo” (conhecida como a “primeira força”) e, na Europa, pela psicanálise
(conhecida como a “segunda força”). Contra a visão de um “homem doente” apresentada
pela psicologia de então, surgiram uma série de vozes discordantes que buscavam novos
caminhos para a Psicologia, tendo como pontos essenciais:

a) ênfase na experiência consciente;

b) crença na globalidade do Ser Humano e em sua conduta;

c) valorização do livre arbítrio, no poder criativo individual e na espontaneidade;

d) abrangência global de todo os aspectos relevantes para o Ser Humano.

 Abraham. Maslow, Erich Fromm, Rollo May, Karen Horney, Gordon Allport, Angyal,
Goldstein, Victor.Frankl, Carl R.Rogers, F. S. Perls e outros propõem uma visão alternativa
valorizando as forças e virtudes positivas do homem. Em 1961 o novo movimento --
conhecido como Psicologia Existencial–Humanista -- se formaliza com a fundação de uma
publicação e, no ano seguinte, de uma Associação. Em menos de 10 anos, tornar-se-ia parte
integrante da Psicologia, conhecida como a “terceira força”.

 Afirmava Maslow que a Psicologia Humanista era “uma nova filosofia de vida, uma
nova concepção do homem”.

 Um ponto central na psicologia existencial-humanista é o respeito, a valorização do
“homem em pessoa”, em contraste com como “homem em geral” valorizado por outras
abordagens (Nota 1). Essa ênfase sobre a pessoa humana, sobre o indivíduo em sua
totalidade e unicidade é uma característica central da Psicologia Existencial-Humanista
(Nota 2). Mais além do indivíduo, enfatiza a importância do relacionamento Eu-Tu no
crescimento da personalidade.

 Matson (1975) destaca a importância de:

 Abraham Maslow, considerado como o “pai espiritual” do movimento humanista;

 Gordon Allport, o teórico da personalidade e herdeiro de William James;

[SMM1] Comentário:

[SMM2] Comentário:

[SMM3] Comentário:

[SMM4] Comentário:

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 Rollo May que introduziu a abordagem existencial na psicologia norte-americana;

 Carl Rogers, com o “respeito incondicional” pelo cliente se assemelha a Paul
Tillich;

 Erich Fromm, que se mudou da psicanálise para a Filosofia Social;

 Henry A Murray, mestre do humanismo;

 Charlotte Bühler, que enfatizou a importância dos valores-metas no curso da vida
humana

entre muitos outros.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 GREENING, T.C. (1975). Psicologia Existencial-humanista. Rio de Janeiro: Zahar.

 MATSON, F. W. (1975). Teoria Humanista: a terceira revolução em Psicologia. IN
Greening . Psicologia Existencial-humanista. Rio de Janeiro: Zahar. p.67-82

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Capítulo II

Fenomenologia Existencial

Introdução. O Existencialismo difundiu-se como o pensamento mais
radical a respeito do homem na época contemporânea. Surgiu em
meados do século XIX com o pensador dinamarquês Kierkegaard e

alcançou seu apogeu após a Segunda Grande Guerra, nos anos cinqüenta e sessenta,
com Heidegger e Jean-Paul Sartre.

A corrente existencialista assimilou ainda uma influência da fenomenologia cuja
figura principal, Husserl, já citado, propõe a descrição dos fenômenos tais como eles
parecem ser, sem nenhum pressuposto de como eles sejam na verdade. Para o
existencialismo, a fenomenologia de Husserl significou um interesse novo no
fenômeno da consciência.

Reunindo as sínteses do pensamento de cada um desses filósofos podemos listar os
postulados principais dessa corrente filosófica que são:

1. A primeira é o ser humano enquanto indivíduo, e não com as teorias gerais sobre o
homem. Há uma preocupação com o sentido ou o objetivo das vidas humanas, mais
que com verdades científicas ou metafísicas sobre o universo. Assim, a experiência
interior ou subjetiva - e aí está a influência da fenomenologia - é considerada mais
importante do que a verdade "objetiva", um fundamento igual à da filosofia oriental.

2. O homem não foi planejado por alguém para uma finalidade, como os objetos que
o próprio homem cria, mediante um projeto. O homem se faz em sua própria
existência.

3. O mundo, como nós o conhecemos, é irracional e absurdo, ou pelo menos está além
de nossa total compreensão; nenhuma explicação final pode ser dada para o fato de
ele ser da maneira que é;

4. A falta de sentido, a liberdade conseqüente da indeterminação, a ameaça
permanente de sofrimento, da origem à ansiedade, à descrença em si mesmo e ao
desespero; há uma ênfase na liberdade dos indivíduos como a sua propriedade
humana distintiva mais importante, da qual não pode fugir

Kierkegaard. O dinamarquês Soren Aabye Kierkegaard (1813-1855), encontra sua
posição filosófica ao insurgir-se contra posições aristotélicas remanescentes na
filosofia, o que faz opondo-se à filosofia de Hegel (1770 - 1831). Kierkegaard não só
rejeitou o determinismo lógico de Hegel (tudo está logicamente predeterminado para
acontecer) como sustentou a importância suprema do indivíduo e das suas escolhas
lógicas ou ilógicas.

Kierkegaard contribuiu com a idéia original do existencialismo de que não existe
qualquer predeterminação com respeito ao homem, e que esta indeterminação e
liberdade levam o homem a uma permanente angústia.

Segundo Kierkegaard, o homem tem diante de si várias opções possíveis, é
inteiramente livre, não se conforma a um predeterminismo lógico, ao qual, segundo
Hegel, estão submetidos todos os fatos e também as ações humanas. A verdade não é
encontrada através do raciocínio lógico, mas segundo a paixão que é colocada na

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afirmação e sustentação dos fatos: a verdade é subjetividade. A conseqüência de ser a
verdade subjetiva