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ESPAÇO BIOLÓGICO Seminário de Periodontia –COI.I 2018 “A saúde periodontal é a condição “sine qua non”, um pré- requisito da odontologia integral bem-sucedida para se alcançarem os alvos terapêuticos a longo prazo de conforto, boa função, prognóstico do tratamento, longevidade e facilidade da assistência restauradora e de manutenção”. (CARRANZA 2012) O QUE É ESPAÇO BIOLÓGICO? ▪ Espaço biológico é o espaço virtual existente na vertente interna do periodonto de proteção, compreendido entre o pico gengival e a crista óssea alveolar. ▪ É preenchido pelos tecidos moles que compõem as distâncias biológicas, pelo epitélio sulcular, epitélio juncional e inserção conjuntiva. ▪ O espaço da inserção combinada é conhecido como espaço biológico. ESTRUTURAS DO ESPAÇO BIOLÓGICO FONTE: Carranza SULCO GENGIVAL ▪ É um espaço raso ou fenda ao redor do dente delimitado pela superfície dental de um lado e o epitélio de revestimento da gengiva marginal livre no outro. ▪ Possui a forma de V e mal permite a entrada de uma sonda periodontal. ▪ A determinação clínica da profundidade do sulco gengival é um importante parâmetro de diagnóstico. ▪ Profundidade do sulco gengival 0,69mm, facultativo. EPITÉLIO JUNCIONAL ▪ Consiste em uma faixa de epitélio escamoso estratificado não queratinizado em forma de colar, possui de três a quatro camadas de espessura no início da vida, mas o número de camadas aumenta com a idade para 10 ou até mesmo 20 camadas. ▪ Se afunila a partir da extremidade coronal, que deve ter de 10 a 29 células de largura para uma ou duas células na sua extremidade apical, localizada na junção cemento-esmalte nos tecidos saudáveis. ▪ Essas células podem ser agrupadas em dois estratos: a camada basal que reveste o tecido conjuntivo e a camada basal que se estende para a superfície dental. ▪ O comprimento do epitélio juncional varia de 0,25 a 1,35 mm. INSERÇÃO CONJUNTIVA ▪ Há presença de fibras gengivais. ▪ Pontilhado gengival com a presença de fibras inseridas no cemento supra-alveolar e no osso. ▪ Sua integridade significa que o periodonto está saudável. ▪ A extensão da inserção conjuntiva pode variar de 1,0 a 1,5mm. RELAÇÃO DO ESPAÇO BIOLÓGICO COM A ODONTOLOGIA AVALIAÇÃO DO ESPAÇO BIOLÓGICO ▪ Interpretação radiográfica pode identificar violações do espaço biológico. ▪ Avaliação com sonda periodontal dos níveis das margens da restauração. ▪ Avaliação mais positiva pode ser feita clinicamente medindo-se a distância entre o osso e a margem da restauração com a ajuda de uma sonda periodontal. ▪ Avaliação do espaço biológico deve ser realizada de forma individual para determinar se o paciente necessita de um espaço biológico adicional acima de 2 mm, de modo que as restaurações permaneçam em harmonia com seus tecidos gengivais. Ramificações de uma violação ao espaço biológico quando a margem restauradora é colocada dentro da zona de inserção. Na face mesial do incisivo central esquerdo ainda não há perda óssea, mas já existe inflamação gengival. Na face distal do incisivo central esquerdo já ocorreu perda óssea. FONTE: Carranza Comprimento médio do espaço biológico humano: inserção de tecido conjuntivo de 1 mm de altura; inserção epitelial de 1 mm de altura e profundidade do sulco de aproximadamente 1 mm. A combinação das inserções conjuntiva e epitelial, ou espaço biológico, é igual a 2 mm. FONTE: Carranza CAUSAS PARA A VIOLAÇÃO DO ESPAÇO BIOLÓGICO ▪ Segundo PALOMO E KOPCZYK (1978), a causa da invasão pode ser o preparo estendido subgengivalmente em dentes com coroa clinica curta, principalmente em dentes fraturados, desgastes excessivos que se estendem subgengivalmente e/ou anormalidades de desenvolvimento. ▪ Esta invasão ocorre quando as margens são colocadas subgengivalmente, ao invés de margens intrasulcularmente MAYNARD E WASON (1979). ▪ A pressão causada, por exemplo, pelo grampo de uma prótese parcial mal projetada, pode provocar traumatismo e retração gengival. CARRANZA (2012). CONSEQUÊNCIAS DA VIOLAÇÃO DO ESPAÇO BIOLÓGICO ▪ Rompe o epitélio juncional e as fibras do tecido conjuntivo supra-alveolar WIAYNARD E WILSON (1979). ▪ A violação, além de perturbar a inserção, irritando o tecido, acumula placa causando doença periodontal KALDAHL et al (1984). ▪ Não há provas que a violação do espaço leve a inflamação gengival, e sim uma etiologia multifatorial poderia resultar em inflamação e perda óssea WOLFFE et al (1994). ▪ Nas restaurações de tamanho excessivo é um fator contribuinte para a gengivite, devido à retenção de placa CARRANZA (2012). ▪ Clinicamente, a transgressão do espaço biológico se manifesta tipicamente como inflamação gengival, bolsas periodontais profundas ou retração gengival CARRANZA (2012). MARGENS RESTAURATIVAS DENTRO DO ESPAÇO BIOLÓGICO Inflamação Gengival Perda da Inserção Clínica Perda Óssea Migração Apical do Epitélio Juncional VIOLAÇÃO DO ESPAÇO BIOLÓGICO TÉRMINOS CERVICAIS Inúmeras situações clínicas exigem que preparos cervicais se localizem no nível subgengival. Devido à importância do Espaço Biológico e do sulco histológico neste contexto, a classificação proposta por Carvalho et al. apresenta 3 condições de términos cervicais: 1. Subsucular; 2. Intrassulcular; 3. Suprassulcular. SUBSUCULAR ▪ Término cervical do preparo restaurador invadindo a área da união dentogengival. FONTE: www.dentalpress.com.br INTRASSULCULAR ▪ Término cervical do preparo restaurador localizado dentro das dimensões do sulco histológico (aproximadamente 0,5 mm) sem invasão do complexo dentogengival. FONTE: http://www.edutavares.com.br SUPRASSULCULAR ▪ Término cervical do preparo restaurador localizado em um nível supragengival. FONTE: http://www.clinicaodontomania.com.br TÉRMINOS CERVICAIS O bom senso clínico é fundamental na tomada de decisão do tratamento onde há a necessidade de invasão do Espaço Biológico visto que os limites deverão ser avaliados para maior previsibilidade e manutenção de bons resultados a longo prazo. OPÇÕES TERAPÊUTICAS Correção das Violações do Espaço Biológico OPÇÕES TERAPÊUTICAS ▪ Podem ser corrigidas removendo cirurgicamente o osso das proximidades das margens da restauração ou através de uma extrusão ortodôntica do dente, afastando-o da margem do osso. ▪ Existe um grande risco de retração gengival depois da remoção do osso e se e o osso interproximal for removido, há alta probabilidade de retração da papila e da criação de um triângulo não estético de espaço, abaixo dos contatos interproximais. ▪ Se a violação do espaço biológico for na face interproximal, ou através da superfície vestibular e o nível de tecido gengival estiver correto, é indicada a extrusão ortodôntica. EXTRUSÃO ORTODÔNTICA A extrusão ortodôntica pode ser realizada de duas formas: 1. Aplicar uma força de extrusão ortodôntica suave, o dente é erupcionado vagarosamente, trazendo consigo o osso alveolar e o tecido gengival. 2. É realizar uma rápida extrusão ortodôntica, em que o dente é erupcionado na quantidade necessária ao longo de várias semanas. CASO CLÍNICO O incisivo central esquerdo sofreu uma fratura em um acidente e foi restaurado, porém, o paciente se mostrou descontente com a aparência do tecido ao redor da restauração. FONTE: Carranza. A radiografia revela uma violação do espaço biológico na face mesial interproximalmente. A remoção do osso interproximal criaria uma deformidade estética, portanto, o paciente deverá ser tratado mediante extrusão ortodôntica. FONTE: Carranza. Após extrusão ortodôntica, o dente foi erupcionado 3 mm para mover o osso e a gengiva coronalmente 3 mm no incisivo central esquerdo. Torna-se agora possível a reposição cirúrgicado osso e o posicionamento da gengiva em seus níveis corretos, restabelecendo o espaço biológico FONTE: Carranza. Foto tirada durante a consulta de controle um ano após extrusão ortodôntica, cirurgia óssea e nova restauração. É possível notar a excelente saúde tecidual após o restabelecimento do espaço biológico. FONTE: Carranza. INTEGRANTES DO GRUPO Amanda Caroline dos Reis Augusto Pereira Neto Johannes Garcia Leandra Colevati Marcia Ferreira Mariana Junqueira Dalbon Rafaela Barro RA: 82639 RA: 82357 RA: 84730 RA: 87168 RA: 82189 RA: 82535 RA: 8243 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ▪ CARRANZA, F. et al. Periodontia Clínica. Ed. 11ª, 2012. ▪ LEMOS, Liane Parucker. Distâncias biológicas: uma revisão de literatura. 2002.38f. Monografia (Especialização em Periodontia) — Curso de Especialização em Periodontia, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. ▪ https://www.portaleducacao.c om.br/conteudo/artigos/odont ologia/gengiva-caracteristicas- clinicas-e-histologicas-do- periodonto-normal/34102 ▪ http://tcc.bu.ufsc.br/Espodon to225588.PDF FONTE: https://elidioalmeida.com/2018/01/voce-sabe-o-que-e-psicoterapia/.