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MARKETING DE SERVIÇOS Professora Me. Cláudia Cristina Batistela Francisco GRADUAÇÃO Marketing Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Direção Operacional de Ensino Kátia Coelho Direção de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha Direção de Operações Chrystiano Mincoff Direção de Mercado Hilton Pereira Direção de Polos Próprios James Prestes Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida Direção de Relacionamento Alessandra Baron Head de Produção de Conteúdos Rodolfo Encinas de Encarnação Pinelli Gerência de Produção de Conteúdos Gabriel Araújo Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo Supervisão de Projetos Especiais Daniel F. Hey Coordenador de Conteúdo Eliane Zanoni Design Educacional Camila Zaguini Silva, Fernando Henrique Mendes Nádila de Almeida Toledo, Rossana Costa Giani Iconografia Amanda Peçanha dos Santos Ana Carolina Martins Prado Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa André Morais de Freitas Editoração Thayla Daiany Guimarães Cripaldi Revisão Textual Ana Paula da Silva, Flaviana Bersan Santos, Jaquelina Kutsunugi, Keren Pardini, Maria Fernanda Canova Vasconcelos, Nayara Valenciano, Rhaysa Ricci Correa e Viviane Favaro Notari Ilustração Thayla Daiany Guimarães Cripaldi C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; FRANCISCO, Claudia Cristina Batistela. Marketing de Serviços. Claudia Cristina Batistela Francisco. (Reimpressão) Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. 163 p. “Graduação em Marketing - EaD. 1. Marketing. 2. Planejamento. 3 . Qualidade. 4. Serviços EaD. I. Título. ISBN 978-85-8084-664-5 CDD - 22 ed. 658.8 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades para liderança e so- lução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho. Cada um de nós tem uma grande responsabilida- de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos- sos farão grande diferença no futuro. Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar – assume o compromisso de democratizar o conhe- cimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros. No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi- tário Cesumar busca a integração do ensino-pes- quisa-extensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desenvolvimento da consci- ência social e política e, por fim, a democratização do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade. Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al- meja ser reconhecido como uma instituição uni- versitária de referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con- solidação da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrati- va; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relaciona- mento permanente com os egressos, incentivan- do a educação continuada. Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quan- do investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequente- mente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capa- zes de alcançar um nível de desenvolvimento compa- tível com os desafios que surgem no mundo contem- porâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialó- gica e encontram-se integrados à proposta pedagó- gica, contribuindo no processo educacional, comple- mentando sua formação profissional, desenvolvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inse- ri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproxi- mação entre você e o conteúdo”, desta forma possi- bilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pes- soal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cres- cimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos peda- gógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possi- bilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e en- quetes, assista às aulas ao vivo e participe das discus- sões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. Diretoria Operacional de Ensino Diretoria de Planejamento de Ensino Professora Me. Cláudia Cristina Batistela Francisco Sou a professora Cláudia Cristina Batistela Francisco, formada em Comunicação Social – Habilitação em Publicidade e Propaganda pela UniCesumar, especialista em Marketing pela UniCesumar (MBA), especialista em Educação a Distância pela Universidade Estadual e Maringá – UEM e mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá – UEM. Trabalho na área de comunicação e marketing há 10 anos em empresas de grande porte, e atualmente sou docente da UniCesumar, em cursos de graduação e pós-graduação nas modalidades presencial e a distância. A U TO RA SEJA BEM-VINDO(A)! Inicio este livro desejando a você boas-vindas e uma ótima leitura do conteúdo aqui apresentado. Este é o livro de Marketing de Serviços, disciplina que compõe a matriz curricular do Cur- so Superior de Tecnologia em Marketing da UniCesumar – Centro Universitário Cesumar, na modalidade a distância. Vivemos, atualmente, em uma sociedade na qual as empresas prestadoras de serviços vêm se destacando no mercado. Muitas pelo diferencial oferecido, que antes não era encontrado pelo consumidor, e outras por ocuparem lacunas na vida dos indivíduos com serviços que facilitam o seu dia a dia. A diferenciação de produtos e serviços pro- vavelmente já lhe foi apresentada em outras disciplinas e no decorrer do curso, porém, nesse momento, nosso objetivo está em mostrar para você como trabalhar o processo de marketing nos serviços. Segundo Grönroos (2004, p. 65), podemos definir serviços como “[...] um processo, con- sistindo em uma série de atividades mais ou menos intangíveis que, normalmente, mas não necessariamente sempre, ocorrem nas interações entre o cliente e os funcionários de serviços [...]”, e tais atividades buscam solucionar problemas apresentados pelos clientes. Um dos fatores mais importantes, e que iremos abordar profundamente neste livro, é a questão da intangibilidade dos serviços, que faz com que os consumidoressintam mais riscos na compra de um serviço do que de um produto. Apresento a você, na primeira unidade do livro, os conceitos iniciais de marketing de serviços. Para começarmos o estudo, vamos analisar brevemente os conceitos de marke- ting já vistos por você também em outras disciplinas. Porém, é preciso lembrar que in- dependente da ferramenta de marketing que iremos trabalhar, sempre haverá foco na satisfação dos desejos e das necessidades do consumidor, conforme nos é apresentado por Kotler e Armstrong (1995) e Kotler e Keller (2006). Os serviços, como os produtos, buscam satisfazer essas necessidades e desejos expos- tos pelos consumidores no mercado, a diferença está na intangibilidade, já citada ante- riormente. O intangível está relacionado ao fato de que o consumidor de serviço não consegue tocá-lo, senti-lo ou vê-lo antes da sua aquisição, pois normalmente o serviço é produzido e consumido no mesmo momento (ZEITHAML; BITNER, 2003). Considerando essa informação, apresentaremos nesse livro as principais diferenças do serviço, sendo essas a intangibilidade, a inseparabilidade, a heterogeneidade ou varia- bilidade e a perecibilidade. O intangível nós já discutimos anteriormente. A insepara- bilidade relaciona-se ao fato do serviço ser produzido junto ao consumo, não estando separado de seu fornecedor. Quanto à heterogeneidade ou variabilidade, é preciso que todos compreendam que os serviços podem ser personalizados, ou seja, são fornecidos conforme a necessidade de cada consumidor, não sendo padronizados como os produtos. E, por fim, a perecibilida- de, pois não há possibilidade de estoque de serviços. APRESENTAÇÃO MARKETING DE SERVIÇOS Assim, encerramos a primeira unidade. Na segunda unidade do livro, você encontra- rá as funções do Composto de Marketing (4 Ps – preço, produto/serviço, promoção, praça) aplicado ao marketing de serviços. Nosso foco nesse momento é explicar como essa ferramenta de marketing deve ser aplicada nos serviços. Não iremos nos ater às suas definições e funções básicas, pois estas já lhe foram apresentadas em outras disciplinas. Las Casas (2011) explica, em seus estudos, que o Composto de Marketing em ser- viços está relacionado aos benefícios que o consumidor busca em suas ofertas. No item serviços, analisaremos o que os consumidores buscam em suas compras, quais os benefícios esperados. E que a qualidade dos serviços também está relacionada ao desempenho e satisfação dos funcionários da empresa. O item praça é apresentado pelos autores utilizados no livro como extremamente importante, pois é nesse momento que ocorre uma ligação entre o produtor do serviço e o consumidor. O consumidor busca no ponto de venda da empresa infor- mações sobre o serviço que irá adquirir, o que auxilia na percepção e na diminuição do risco referente à intangibilidade que este apresenta. Referente ao preço, trabalhado no Composto de Marketing, nosso foco não será no valor pago pelo serviço, mas sim nos fatores analisados pelo consumidor, como o tempo de espera para a execução do serviço. E, por último, vamos analisar o item promoção. Seu foco está nos benefícios oferecidos ao consumidor, e o maior objeti- vo da comunicação é diminuir a dificuldade de avaliação do intangível do produto, evitando o arrependimento pós-compra. O assunto comunicação também será abordado na terceira unidade do livro. Você observará nesse momento como as ferramentas de comunicação e marketing são usadas na divulgação dos serviços no mercado. Trabalharemos também o processo de comunicação emissor-receptor, analisando sua importância para a veiculação de informações corretas ao consumidor. Abordaremos nesse momento, também, as formas de aplicação do planejamento estratégico para os serviços, e as percepções dos consumidores quanto a qualidades e falhas que as empresas de serviço apre- sentam no mercado. Toda a qualidade do serviço está relacionada à expectativa que o consumidor gera com a sua aquisição, podendo essas expectativas serem excedidas no seu atendi- mento, serem atingidas ou não. É preciso atentar-se ao descontentamento apre- sentado pelos consumidores, que pode gerar uma imagem negativa da empresa perante os concorrentes, ocasionando na perda de consumidores. As falhas na qualidade dos serviços são relacionadas ao desempenho dos funcio- nários durante sua execução, à comunicação interna e externa e às promessas não cumpridas ao consumidor. O conteúdo aqui apresentado é extremamente impor- tante, pois trabalha o posicionamento e a imagem da empresa no mercado, os quais não vêm sendo vistos com muita importância pelos administradores. APRESENTAÇÃO APRESENTAÇÃO A última unidade do livro busca fechar todo o conteúdo apresentado, determinan- do ferramentas de retenção do consumidor. Iniciamos essa parte discutindo a im- portância do marketing interno nas empresas. Atente-se nesse momento, no fato de que não realizamos somente comunicação ao consumidor final, mas também aos colaboradores das empresas. Devido à intangibilidade dos serviços e por serem executados diretamente aos consumidores por funcionários da empresa, é extre- mamente importante a realização de ações de marketing direcionadas aos colabo- radores, em busca da satisfação e qualificação profissional. Discutimos também as demandas na busca de serviços, focando na necessidade de preparação das empresas para a busca ou não de serviços pelo consumidor no mercado. Serão apresentados desde os conceitos iniciais até a aplicação de cada tipo de demanda para os serviços. E, por fim, a segmentação e definição do perfil do consumidor de serviços. Trabalharemos suas expectativas, necessidades e desejos nesse mercado que se encontra tão competitivo, sempre abordando a importância em conhecer profundamente para quem se está vendendo. Não deixe de realizar as atividades de autoestudo que estão no final de cada unida- de. Leia atentamente também as informações extras que são acrescentadas durante o decorrer do livro. Esperamos que você realize uma ótima leitura do conteúdo e tenha um excelente estudo. SUMÁRIO 11 UNIDADE I MARKETING DE SERVIÇOS 17 Introdução 18 Marketing de Serviços 28 Marketing de Bens X Marketing de Serviços 35 Considerações Finais UNIDADE II COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS 41 Introdução 42 Composto de Marketing em Serviços 44 Serviço 48 Praça 52 Preço 55 Promoção em Serviços 61 Considerações Finais SUMÁRIO UNIDADE III COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS 67 Introdução 68 Comunicação Integrada de Marketing em Serviços 75 Ferramentas de Comunicação no Marketing de Serviços 81 Planejamento Estratégico na Venda de Serviços 88 Qualidade em Serviços 94 Falhas na Qualidade em Serviço 98 Considerações Finais UNIDADE IV MERCADO DE SERVIÇOS 105 Introdução 106 Mercado de Serviços 110 Demanda 112 Demanda em Serviços 117 Clientes na Prestação de Serviços 120 Segmentação do Consumidor em Serviços 125 Considerações Finais SUMÁRIO 13 UNIDADE V ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS 131 Introdução 132 Marketing Interno 135 Marketing de Relacionamento em Serviços 139 Comportamento do Consumidor 139 Comportamento do Consumidor de Serviços 143 Monitorando o Mercado Consumidor 145 Recuperação de Serviços 147 Estratégias de Recuperaçao de Serviços 153 Considerações Finais 157 Conclusão 161 Referências U N ID A D E I Professora Me. Cláudia Cristina Batistela Francisco MARKETING DE SERVIÇOS Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender os conceitos e definições de marketing de serviços. ■ Conhecer sua tipologia e aplicação no mercado. ■ Verificar as características específicas dos serviços (intangibilidade, inseparabilidadee variabilidade). ■ Analisar a importância dos serviços na sociedade. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Definição de marketing de serviços: funções e conceitos ■ Tipos de serviços no mercado ■ Aplicação dos serviços ■ Características e diferenciação de serviços INTRODUÇÃO A divulgação de uma empresa no mercado e o trabalho de marketing realizado para sua marca, produtos ou serviços vêm crescendo com o desenvolvimento da sociedade. As empresas começam a perceber, um pouco tardiamente, que não basta somente oferecer um produto ou serviço de qualidade com preço acessí- vel ao consumidor, pois o mercado está exigindo muito mais. O consumidor já compreende a diferença entre produtos e serviços, e apre- senta expectativas maiores devido ao grande número de empresas e concorrentes no mercado. Assim, sabemos que as empresas de serviços precisam monitorar as expectativas de seus consumidores e atuar de maneira pró-ativa no mercado. Seguindo esses pensamentos, na primeira unidade do livro trabalharemos as definições e conceitos de serviços, juntamente com os conceitos de marketing. Vamos entender por que a sociedade busca tanto pelos serviços e quais as suas funções no mercado. Iniciamos com suas definições básicas, para em seguida partirmos para as classificações e áreas de atuação dos serviços. Após verificarmos os conceitos de serviços e suas classificações, analisa- remos as diferenças entre bens e serviços. Os consumidores, por muitas vezes, adquirem um produto sem perceber a existência de um serviço na compra ou entrega, por exemplo. Agregam valor somente à marca e ao objeto tangível que estão adquirindo e não se atêm ao atendimento da empresa, à entrega do mate- rial e à comunicação da empresa com o consumidor. E para finalizar a unidade, apresentamos e propomos uma análise dos fatores que diferenciam o serviço de um bem no mercado. Apresentaremos a intangibili- dade, que é o principal fator de diferenciação, a heterogeneidade e a perecibilidade dos serviços. Entenderemos também que para cada cliente o serviço é prestado e realizado de uma maneira personalizada. Não podemos esquecer que durante toda a unidade os conceitos de marke- ting estarão presentes, mostrando como utilizamos as ferramentas de marketing na divulgação dos serviços no mercado. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 17 MARKETING DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E18 MARKETING DE SERVIÇOS CONCEITOS DE SERVIÇO Iniciamos esse estudo relembrando o conceito básico de marketing definido por Kotler e Armstrong (1995, p.3) “[...] como o processo social e gerencial através do qual indivíduos e grupos obtêm aquilo que desejam e de que necessitam, criando e trocando produtos e valores uns com os outros”. Os autores defendem em seus estudos que todo o processo realizado pelo marketing não está voltado somente às vendas, mas também à satisfação das necessidades do cliente. Assim, é preciso que o profissional de marketing iden- tifique corretamente essas necessidades, trabalhe com o Composto de Marketing (preço, produto, promoção e ponto de venda), atendendo à demanda existente no mercado. Dentro desse composto de marketing encontraremos o produto, que corresponde também ao serviço. Um dos principais elementos do marketing é a preocupação com o consu- midor, ou seja, todas as atividades de marketing são direcionadas à satisfação do consumidor, o que acarretará em resultados positivos para a empresa (LAS CASAS, 2011). Após essa breve análise, apenas para relembrarmos os princípios de marketing que permeiam os nossos estudos, podemos, a partir desse momento, discutir os serviços. Grönroos (1995) afirma que as mudanças vividas pela sociedade desen- cadeiam a atual sociedade de serviços. O setor de serviços vem gerando novos empregos e participando ativa- mente no desenvolvimento econômico da sociedade. A Confederação Nacional de Serviços (CNS), órgão privado vinculado ao governo, apresentou em janeiro de 2013 dados referentes aos empregos na área de serviços do Brasil no ano de 2007 a 2012. Observe a seguir os números dessa evolução. Marketing de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 Evolução do Emprego no Setor de Serviços 27.000.000 26.000.000 25.000.000 24.000.000 23.000.000 22.000.000 21.000.000 20.000.000 de z. - 0 7 ju n. - 0 8 de z. - 0 8 ju n. - 0 9 de z. - 0 9 ju n - 1 0 de z - 10 ju n - 1 1 de z - 11 ju n - 1 2 de z - 12 Figura 1: Gráfico de Evolução de Empregos no Setor de Serviços Fonte: CNS (2013) Somente no ano de 2012 foram criados 1.646 milhão de novos cargos na área de prestação de serviços no país. O que representou, segundo dados do CNS (2013), mais de 50% das vagas de trabalho no Brasil, conforme pode ser visua- lizado a seguir. MARKETING DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E20 1.646.017 novos postos de trabalho no ano 50,2% do total 900.000 800.000 600.000 700.000 500.000 400.000 300.000 100.000 - 200.000 14.893 19.920 107.798 256.109 421.375 825.922 Agropecuária Extrativa Mineral Indústria de Transformação Construção civil Comércio Serviços Figura 2: Gráfico de Evolução do Setor de Serviços Fonte: CNS (2013) Apesar de todo o crescimento apresentado anteriormente, Grönroos (1995) nos alerta que não podemos pensar somente na economia e na sociedade de serviços como os únicos fatores que contribuem para o desenvolvimento da sociedade. Os setores da indústria, por exemplo, são de grande importância para o funcio- namento e a riqueza de um país. Sabendo e compreendendo essa importância, vamos analisar os conceitos e definições de serviços, pois dentro do processo de marketing encontramos os bens e os serviços. Nesse momento, iremos nos ater aos serviços e, ainda nesta unidade, trabalharemos com os bens. Marketing de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 21 Las Casas (2011, p. 17) define serviços como “[...] uma transação realizada por uma empresa ou por um indivíduo, cujo objetivo não está associado à trans- ferência de um bem”. Trata-se de uma ação ou um desempenho realizado pela empresa. Serviços, para Urdan e Urdan (2006), são definidos como os resultados de uma ou várias atividades que envolvam o cliente, funcionários, equipamentos, instalações e o processo de produção do prestador de serviços, buscando aten- der às necessidades e aos desejos dos consumidores. E Kotler e Keller (2006, p. 397) nos apresentam serviços como um “[...] ato ou desempenho, essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer a outra e que não resulta na propriedade de nada”. Sendo que a execução do serviço pode ou não ser relacionada à venda de um produto. Essa relação de serviço com produto é apresentada por Kotler e Keller (2006), um mix de serviços: ■ Bem tangível: a oferta é somente do bem, não há nenhum tipo de serviço associado ao produto. ■ Bem tangível associado a serviços: a oferta principal é um bem tangível que está associado a umou mais serviços. ■ Híbrida: a oferta consiste tanto em bens quanto em serviços. ■ Serviço principal associado a bens ou serviços secundários: a oferta prin- cipal é um serviço, e como complemento possui bens ou serviços. ■ Serviço puro: a oferta é somente um serviço, sem associação de bem. Mas não é tão simples assim definir serviços, segundo Bateson e Hoffman (2001), pois nem sempre o serviço está separado do produto, e o consumidor não percebe sua diferença. Para melhor compreensão, vamos nos ater ao exemplo a seguir: MARKETING DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E22 O exemplo apresentado demonstra diversas formas de prestação de serviço ao consumidor, porém todas estão associadas ao produto vendido. Tal situação faz com que o consumidor não perceba a existência ou importância do serviço. Na tabela abaixo, apresentamos os serviços e produtos oferecidos no exemplo: SERVIÇOS PRODUTOS Manobrista. Atendimento dos funcionários: presteza e atenção. Estrutura do local: sala de espera Roupas. Sapatos. Tabela 1: Serviços X Produtos Fonte: elaborado pela autora É nesse momento que verificamos a dificuldade em compreender serviços, apre- sentada por Bateson e Hoffman (2001), pois o consumidor se prende, muitas vezes, ao resultado final do serviço, que é a aquisição das roupas e dos sapatos, por exemplo, e não se atém às demais ações realizadas pela empresa. Sendo con- firmado por Palmer (2005), que nos explica a dificuldade na compreensão do serviço, pois a maioria dos produtos que compramos está relacionada a um bem. José e Maria realizaram suas compras, mas não se atentaram ao trabalho de atendimento e venda da empresa, que inclui o serviço prestado pela vendedora e pelo manobrista do estacionamento. Mas o que seria das roupas e dos sapatos se não houvesse um atendimento de qualidade como o que Maria e José receberam? Serviços relacionados a estética e beleza tem crescimento de 23,9% em suas franquias no mercado brasileiro.Segundo o site Suafranquia.com, o setor de beleza e estética foi o que atingiu maior faturamento no mercado de franquias do Brasil, tendo um crescimento de 23,9%, de acordo com a As- sociação Brasileira de Franchising (ABF). Tal aumento está relacionado ao crescimento no consumo de produtos relacionados à beleza, o que leva o Brasil ao segundo lugar no ranking mundial de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Para saber mais sobre o assunto, acesse o link http://www. suafranquia.com/noticias/beleza-e-saude/2014/03/setor-de-beleza-teve- -maior-crescimento-de-239-no-franchising-brasileiro.html Marketing de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 23 É neste ponto que iremos trabalhar agora. Os serviços prestados por uma empresa são ações e atuações intangíveis, ou seja, não podem ser tocados, vistos e sentidos (ZEITHAML; BITNER, 2003). E podem também não ser produzidos apenas por empresas de serviços, mas também fazer parte do produto vendido, conforme vimos na situação apresentada anteriormente, da loja em que Maria e José compraram. Os autores ainda afirmam que a confusão na definição de serviços se dá pelas suas diferentes formas da apresentação ao longo do tempos. Segundo Lovelock e Wright (2001), o desempenho do serviço é intangível, mesmo que esteja ligado a um produto físico. Esse motivo pode levar o consumidor a não perceber sua importância no desenvolvimento, venda e consumo do bem adquirido. Kotler e Armstrong (1995, p. 455) nos falam sobre a intangibilidade dos ser- viços, afirmando que ela pode ou não estar relacionada a um produto. Como intangível, os autores nos definem aqueles serviços que “[...] não podem ser vis- tos, provados, sentidos, ouvidos ou cheirados antes de serem comprados”. Ou seja, o consumidor apenas terá acesso ao serviço no momento da sua compra e/ou execução. Voltando ao exemplo de José e Maria, o atendimento da loja só pode ser comprovado e “consumido” pelo casal no momento em que estavam no local. Las Casas (2011) nos diz que o serviço está relacionado à parte que é viven- ciada pelo consumidor, uma experiência vivida que irá variar conforme a situação de consumo. Assim, para que possamos compreender melhor a definição de ser- viços, na próxima seção discutiremos os tipos existentes no mercado. A informação apresentada a seguir, no item Saiba Mais, exemplifica as formas como os serviços são utilizados no mercado, demonstrando sua intangibilidade. Como apresentado no exemplo que usamos nesse item, para se chegar a um resultado final dos serviços, diversas ações são realizadas anteriormente, que por muitas vezes não são percebidas e levadas em consideração pelos consumi- dores para análise final do serviço. MARKETING DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E24 TIPOS DE SERVIÇOS É importante entendermos que a prestação de serviços não contempla somente os clientes, mas também está relacionada aos demais setores existentes no mer- cado. Nos tópicos a seguir, apresentados por Zeithaml, Haag, Bitner e Soares (2003), verificamos a classificação de serviços nas indústrias. ■ Transporte e equipamentos públicos: ■ Transporte: ferroviário, trânsito de passageiros local e interurbano, caminhões e armazenagem, hidroviário, aéreo, oleodutos e afins (com exceção de gás natural) e serviços ligados a transportes. ■ Comunicações: telefone e telégrafo, radiodifusão e televisão. ■ Serviços ligados à eletricidade, gás e esgoto. ■ Negócios de atacado. ■ Negócios de varejo. ■ Finanças, seguro e negócios imobiliários. ■ Outros serviços: ■ Hotéis e locais de hospedagem. Propostas Estratégicas de Organização Turística das Cidades-Sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014 De acordo com pesquisas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da- Fundação Getúlio Vargas (FGV), os investimentos em infraestrutura e ser- viços previstos para Copa do Mundo de 2014 ultrapassam R$ 30 bilhões. Da construção de estádios ao treinamento de voluntariado, passando por temas como reformas de aeroportos, capacidade hoteleira, sistemas de se- gurança e meios de acesso, dentre outros, espera-se a geração de milhares de empregos e a exposição massiva da imagem do País em âmbito interna- cional. Marketing de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 25 ■ Serviços pessoais: ■ Manutenção de automóveis e serviços de estacionamento. ■ Entretenimento e recreação. ■ Serviços de saúde. ■ Serviços legais. ■ Serviços educacionais. ■ Serviços sociais. ■ Governo federal, estadual e municipal. Os serviços ao cliente também são prestados por todos os tipos de empresa, conforme os autores. Trata-se de um tipo de serviço que dá suporte ao produto principal da empresa. Las Casas (2011) apresenta uma classificação de serviços com base na sinopse Estatística do Brasil, divulgada pelo IBGE (1971): ■ serviços de alojamento e alimentação; ■ serviços de reparação, manutenção e confecção; ■ serviços de higiene pessoal, saunas, termas e fisioterapias; ■ serviços de diversões, radiodifusão e televisão; ■ serviços auxiliares da agricultura e da pecuária; ■ serviços auxiliares da atividade financeira; ■ serviços auxiliares do transporte; ■ serviços técnicos especializados auxiliares à construção e ao estudo e demarcação do solo, incluindo agenciamento e locação de mão de obra; ■ serviçosde limpeza, higienização, decoração e outros domiciliares, sob encomenda de particulares; ■ serviços pessoais; ■ serviços auxiliares diversos. MARKETING DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E26 Perceba que existe uma diversidade nas áreas relacionadas ao serviço, porém, Las Casas (2011) atém-se àquelas nas quais o consumidor participa ativamente e realiza esforço para sua obtenção. Assim, classifica os serviços como de con- sumo e industriais. Os serviços de consumo são aqueles prestados diretamente ao consumidor: De Conveniência São serviços em que o consumidor não percebe di- ferença entre os existentes no mercado, e não perde tempo procurando por empresas. Exemplo: empresas de pequenos consertos. De Escolha São serviços que apresentam custos diferenciados, com base na qualidade e no tipo de serviço oferecido. Leva o consumidor a pesquisar empresas. Exemplo: bancos. De Especialidade São serviços altamente técnicos e especializados. O consumidor busca o serviço de especialistas. Exemplo: médicos. Tabela 2: Tipos de Serviços Fonte: Las Casas (2011) A classificação apresentada leva em consideração o esforço que o consumi- dor deverá ter para a obtenção e consumo do serviço, sendo esse um dos fatores usados para análise do custo x benefício feita pelo consumidor na hora da esco- lha do serviço que irá adquirir. E os serviços industriais são os prestados por organizações industriais, comerciais ou institucionais. Las Casas (2011) os divide nas categorias de equipa- mentos (relacionados à instalação, montagem e manutenção de equipamentos), facilidade (os que facilitam as operações da empresa, como serviços de seguro) e consultoria/orientação (os que auxiliam na tomada de decisão, como pesquisa de mercado e consultoria). Podemos também classificar os serviços conforme Semenik e Bamossy (1996), com base em seis princípios básicos: Marketing de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 27 1º - Direto ao consumidor: alguns serviços são relacionados e desenvolvidos diretamente com os consumidores finais, como um corte de cabelo, por exemplo. Outros são relacionados a empresas ou instituições sem fins lucrativos e governo. 2º - Centrados no homem ou nas máquinas: existem serviços que são cen- trados no homem, ou seja, usa da mão de obra humana para a sua realização, como o serviço de um massagista. Há também os serviços centrados nas máqui- nas, que são aqueles em que o contato humano está na percepção do seu valor. A máquina intermedia o aqueles realizado, como nos serviços de telefonia. 3º - Treinamento e habilidades: cada tipo de serviço existente no mercado requer uma habilidade e um treinamento específico. Por exemplo, os serviços pres- tados por um médico ou por um advogado exigem especialização e capacitação do seu prestador, enquanto aqueles relacionados à área de limpeza (faxineiras) não exigem tanta habilidade específica ou treinamento formal. 4º - Sem fins lucrativos: encontram-se no mercado também empresas pres- tadoras de serviço sem fins lucrativos, sendo estas as organizações que contam com suporte governamental ou doações de terceiros. 5º - Governamental: empresas de utilidade pública, que são regulamenta- das pelo governo. 6º - Grau de contato com o cliente: alguns serviços dependem, exclusiva- mente, do contato pessoal com o cliente para a sua realização, como os serviços prestados por cabelereiros durante um corte de cabelo. Esta classificação, determinada anteriormente por Semenik e Bamossy (1996), necessita de uma estratégia diferenciada, baseada no composto de marketing, que será discutido nas próximas unidades. Porém, o valor percebido pelo con- sumidor é proporcional à qualidade e ao tipo de serviço que está comprando. A seguir, vamos estudar a diferenciação entre marketing de bens e marke- ting de serviços. ©shutterstock MARKETING DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E28 MARKETING DE BENS X MARKETING DE SERVIÇOS Em todas as definições de serviços que analisarmos, haverá sempre dois pon- tos em comum: a intangibilidade e o consumo simultâneo (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Tais ações serão abordadas com mais profundidade ainda nesta parte do livro. Os autores anteriormente citados nos afirmam que o setor de serviços relacio- na-se com todas as atividades econômicas, na qual o produto não é um bem físico. Seu consumo ocorre, normalmente, no momento em que é produzido e busca fornecer ao cliente um valor agregado que representa a parte intangível do serviço. Quanto à intangibilidade, Zeithaml e Bitner (2003) afirmam que essa é a principal diferença entre bens e serviços. Os serviços não podem ser vistos, sentidos ou toca- dos, diferente dos bens tangíveis, os produtos, onde o consumidor pode conhecê-los antes da com- pra indo a uma loja, por exemplo, “O marketing foi desenvolvido a princípio para vender produtos físicos, como pasta dental, carros, aço e equipamento industrial. Mas essa aborda- gem tradicional pode fazer com que as pessoas ignorem os vários outros tipos de coisas a serem mercadizadas” (KOTLER; ARMSTRONG, 1995, p. 455). Acesse o link: <www.youtube.com/watch?v=cBGQtNq5ZDg> e conheça as estratégias de Marketing de Serviços usadas pela Disney World para atrair e manter seus clientes. Marketing de Bens X Marketing de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 29 e experimentando o item que pretende adquirir antes de tomar sua decisão de compra. Porém, essa característica pode levar o consumidor a incertezas da qualidade do serviço. Para que esse fator negativo seja reduzido, os compradores dedu- zem a qualidade analisando as instalações, os funcionários, os equipamentos, as campanhas publicitárias, a marca e os preços percebidos do serviço (KOTLER; KELLER, 2006). Ao utilizar os serviços de um hotel, por exemplo, o consumidor estará atento à recepção e ao quarto (instalações), ao atendimento dos funcionários na recep- ção e ao serviço de quarto (funcionários), às instalações físicas do hotel, como a piscina e restaurante (equipamentos), ao material de divulgação e site da empresa (campanhas publicitárias), à tradição e imagem do hotel no mercado (marca) e ao valor pago pela diária e extras do quarto (preço). Encontramos também a heterogeneidade dos serviços, ou seja, os clien- tes atendidos nunca são iguais, pois cada demanda existente apresentará uma necessidade diferente, conforme Zeithaml e Bitner (2003). Nesse sentido, a hete- rogeneidade do serviço ocorre em virtude da ligação do consumidor com o fornecedor, o local e tempo. E cada serviço prestado dependerá de quem o for- nece, quando e onde está sendo realizado e como é provido. Essas características fazem com que o serviço seja uma espécie de venda sob medida (BATESON; HOFFMAN, 2001). Ao comprar um serviço, o consumidor adquire um pacote de benefícios, que são gerados por toda a empresa, sendo que os benefícios variam conforme as necessidades do cliente. Até esse ponto entendemos que os serviços, em sua maioria, primeiramente são vendidos, depois produzidos e consumidos, sendo essas duas últimas ações realizadas no mesmo momento (ZEITHAML; BITNER, 2003). Isso permite que o consumidor esteja presente durante o processo de produção do serviço, podendo ver e até mesmo participar desse processo. Kotler e Armstrong (1995) informam queos serviços são inseparáveis de seus fornecedores, sejam esses pessoas ou máquinas. Reafirmando o que anali- samos anteriormente, que o serviço é produzido e consumido ao mesmo tempo. Essa informação é reafirmada por Urdan e Urdan (2006), que descrevem que os bens ou produtos são primeiro produzidos em uma fábrica, por exemplo, e MARKETING DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E30 depois comercializados, para aí sim serem consumidos pelo cliente. Enquanto os serviços primeiramente são vendidos e somente depois produzidos e consumidos. E, por último, verificamos a perecibilidade dos serviços. Já sabemos que ele é um bem intangível, que “não pode ser tocado”, e heterogêneo, pois nunca é produzido igual para todos os consumidores, agora nos falta compreender o porquê de o definirmos como perecível. Zeithaml e Bitner (2003) relacionam a perecibilidade dos serviços ao fato de que não podem ser estocados, revendidos, preservados ou devolvidos. Vamos usar um salão de cabelereiro como exemplo. Um corte de cabelo realizado por um profissional não será o mesmo para todos os clientes, mesmo que ele siga a mesma linha e/ou técnica de corte. E caso o cliente não fique satisfeito, não há como “devolver” o corte inicial, do mesmo modo que não há como realizar esto- que desse tipo de serviço. O que o profissional conseguirá oferecer são modelos de cortes de cabelo, registrados em fotos, por exemplo, para que o consumidor tenha uma ideia de como poderá ser o resultado final. Lembrando que cada ser- viço prestado ocorre de uma maneira, nesse caso, o corte de cabelo dependerá do tipo de cabelo do cliente e da capacitação do profissional que o executar. Kotler e Keller (2006, p. 401) levantam também a questão da demanda de serviços quando analisamos a perecibilidade, ao afirmarem que “a perecibilidade dos serviços não é um problema quando a demanda é estável. Porém, quando a demanda oscila, as empresas prestadoras de serviços têm problemas”. E os problemas levantados pelos autores relacionam-se à mão de obra e capa- cidade de atendimento. Com pouca demanda a empresa mantém, por muitas vezes, um número mínimo de funcionários e equipamentos para a realização dos serviços. Havendo o aumento da demanda, é preciso, por muitas vezes, o aumento no seu efetivo, o que pode ocasionar em aumento de custos. Para resumir as informações apresentadas, usamos a figura a seguir, apre- sentada por Kotler e Armstrong (1995, p. 456). Marketing de Bens X Marketing de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 31 Serviços Serviços que não podem ser vistos, provados, sentidos, ouvidos ou cheirados antes de comprados. Intangibilidade Variabilidade A qualidade dos serviços depende de quem os proporciona e quando, onde e como são proporcionados. Perecibilidade Os serviços não podem ser estocados para venda ou uso posterior. Inseparabilidade Os serviços não podem ser separados de seus fornecedores. Figura 3: Características dos serviços Fonte: adaptada de Kotler e Armstrong (1995) A variabilidade e a inseparabilidade citadas por Kotler e Armstrong (1995) na figura anterior foram discutidas nesta seção como sendo a heterogeneidade dos serviços. Ocorre uma variação de nomenclatura pelos autores, porém as fun- ções de diferenciação dos serviços de bens são as mesmas. Urdan e Urdan (2006) também apresentam diferenças que consideram típi- cas entre bens e serviços, sendo essas apresentadas na tabela a seguir. BENS SERVIÇOS O consumo é precedido por produção. Produção e consumo geralmente coincidem. Produção, venda e consumo ocor- rem em locais diferentes. Produção, consumo e venda são espacial- mente unidos. O profissional que vende, em geral, não produz o bem. O cliente costuma tomar parte da produ- ção de serviços. O bem é concreto. O serviço é imaterial. © sh ut te rs to ck MARKETING DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E32 O bem pode ser mostrado e de- monstrado antes da compra. O serviço não pode ser plenamente mos- trado e demonstrado antes da compra. O bem pode ser revendido, estoca- do por vendedores e compradores e transportado. O serviço não pode ser revendido, estoca- do e transportado. O vendedor não é o produtor. O cliente ou comprador toma parte na produção. Tabela 3: Diferenças entre Bens e Serviços Fonte: adaptada de Urdan e Urdan (2006, p. 101) Entre as diferenças apresentadas pelos autores, Las Casas (2011) ressalta que a intangibilidade, acima descrita como imaterial, é a considerada principal e a qual devemos focar nossos esforços mercadológicos. Agora que já sabemos das definições, funções e diferenciações dos serviços, abordaremos na próxima unidade o composto de marketing, direcionando o seu entendimento e aplicação aos serviços. Porém, antes, apresentamos um texto que complementa as informações apresen- tadas nesta unidade. As informações que você verá a seguir explicam os diferenciais dos serviços no mercado, e alguns pontos principais que o marketing pode tra- balhar para melhorar sua ação na divulgação e venda de serviços ao consumidor. 33 Os serviços que os consumidores querem* Criar novos serviços que cativem os consumidores e gerem lucro é um trabalho difícil hoje em dia. A abundância de ofertas, fornecedores e canais torna a concorrência pela atenção dos clientes particularmente intensa. Pense nas opções disponíveis para alguém que quer assistir a um filme. Além de ir ao cinema, a pessoa pode alugar um DVD por meio de um serviço de locação on-line, alu- gar um vídeo sob demanda de um provedor de TV por assinatura, assistir a um filme gravado pelo TiVo ou fazer um download a partir do iTunes, da Amazon.com, ou de uma série de outros sites. Para sair à frente da concorrência, gestores responsáveis pelo desenvolvimento de no- vos serviços emergentes precisam: • Identificar os próximos serviços atraentes com mais certeza. • Priorizar ideias e investimentos que concorrem entre si com rapidez e eficiência. • Desenvolver propostas de valor que os consumidores achem convincentes. • Implementar a estratégia escolhida mais rapidamente. O autor desse texto nos apresenta a seguir suas sugestões a serem realizadas por em- presas quanto às melhores formas de atrair consumidores para o consumo de serviços no mercado. 1. Comece pelo cliente, não pela tecnologia Quando se coloca a tecnologia em primeiro lugar, corre-se o risco de criar serviços que estejam muito distantes das prioridades do cliente, por seu uso ser muito complicado ou porque sua produção é muito dispendiosa. Vamos lembrar que, segundo Hoffman e Bateson (2003), a intangibilidade dos serviços é a dificuldade na percepção dos clientes quanto à análise de seus atributos. Sendo assim, é importante que toda ação comece pelo cliente, para que o mesmo seja conhecido pela empresa (suas características e perfil) e seja informado da melhor maneira sobre o serviço que pretende adquirir. 2. Desenhe o modelo de negócio, não apenas as funcionalidades e características do serviço A maioria das organizações investe grande quantidade de tempo no desenvolvimento de funcionalidades e características, gastando apenas uma pequena fração do tempo na definição de um modelo de negócio em torno do serviço. Mas um novo serviço geral- mente exige um novo modelo de negócio para criar valor contínuo para o consumidor e obter lucro. Cabe, nesse momento, falarmos da importância da elaboração do Planejamento Estra- tégicoem Serviços, que abordaremos mais profundamente neste livro. Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) afirmam que, para atrair consumidores no mercado competitivo atual, as empresas de serviços devem elaborar estratégias que não trabalhem apenas as características dos serviços, mas que envolvam todas as suas dimensões, como o preço, a conveniência, a reputação e a segurança, não esquecendo também dos consumidores. 3. Teste rapidamente e com rigor as grandes apostas ou conceitos pioneiros com os clientes Ferramentas sofisticadas de análise de consumo já estão disponíveis para testar novos conceitos e embasar decisões de criação de produtos com fatos, antes de investir em protótipos. Vídeos e animações podem demonstrar as funcionalidades e benefícios-cha- ve de um novo conceito de serviço, e uma simulação do ambiente de concorrência pode determinar que características realmente influenciam a demanda e como as respostas do consumidor podem afetar o mercado. Outro fator extremamente importante nos serviços, e que também será discutido mais à frente no livro, está em ouvir os consumidores. Sendo confirmado por Zeithaml, Haag, Bitner e Soares (2003), ao afirmarem que uma das estratégias do marketing de serviços, além das focadas nas vendas, é a de incentivar e acompanhar as reclamações dos clien- tes, para que a empresa possa acompanhar seu desenvolvimento no mercado. Adaptado de: John Sênior, sócio da Oliver Wyman, firma de consultoria sediada em Nova York, EUA, escreveu este artigo originalmente para a Harvard Management Update. Disponível em: <http:// www.hsm.com.br/artigos/os-servicos-que-os-consumidores-querem>. Acesso em: 22 fev. 2013. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 35 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao final desta unidade, é possível compreender a importância do marketing no desenvolvimento de uma empresa no mercado. No caso das empresas prestado- ras de serviços, torna-se ainda mais importante a utilização do marketing para a divulgação e venda dos seus serviços nos mercados. Iniciamos esta unidade com uma pequena revisão do conceito de marke- ting, que você já conhece e foi apresentado em outras disciplinas. Porém, essa contextualização foi feita para facilitar a compreensão do marketing de serviços. Verificamos que nem sempre o consumidor consegue perceber o serviço com- prado, pois este está agregado a um produto. Porém, a aplicação desse serviço torna todo o processo de venda e consumo do produto diferente. A realização de um serviço, na área de atendimento ao público, por exemplo, pode ser a peça- -chave para o crescimento da empresa no mercado. O consumidor não percebe que a qualidade do produto adquirido também está relacionada à qualidade do atendimento que lhe foi oferecido durante a compra. Mas se o atendimento não tivesse a qualidade esperada, provavelmente o resultado final da compra do produto apresentaria um resultado menor que o esperado. Observamos também os tipos de serviços que encontramos no mercado, com definições e divisões de diversos autores. E na última seção, foi possível analisar as diferenciações dos serviços quanto aos produtos e bens oferecidos ao consumidor. Os fatores intangibilidade, heterogeneidade e perecibilidade são essenciais no desenvolvimento de um serviço e devem ser monitorados pelos profissionais de marketing constantemente, para que auxiliem na percepção de valor e qua- lidade do serviço pelo consumidor final. Na próxima unidade, trataremos sobre o Composto de Marketing (Preço, Produto/Serviço, Promoção e Praça), tendo como foco a sua aplicação no desen- volvimento dos serviços no mercado. 1. Escreva sobre a importância do marketing de serviços no mercado atual. Pesqui- se exemplos de empresas que inovaram na prestação de serviços. 2. Realize uma pesquisa buscando dois tipos de serviços existentes no mercado. Analise a qual tipo de serviço a empresa pertence. Em seguida, faça uma pes- quisa junto aos consumidores questionando sua opinião quanto à qualidade percebida nos serviços. Analise as respostas verificando se os consumidores conseguem perceber os conceitos de intangibilidade, heterogeneidade e pere- cibilidade dos serviços analisados. 3. Após leitura do artigo apresentado no item “Saiba Mais Sobre o Assunto”, elabo- re um texto analisando as ações realizadas pelas empresas para que os serviços sejam oferecidos aos clientes de maneira satisfatória. Utilize o conteúdo apre- sentado nesta unidade para análise e discussão do material. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Marketing de Serviços - Casos Brasileiros Ângela da Rocha e Renato Cotta de Mello Editora: Atlas Sinopse: O livro apresenta casos brasileiros de marketing de serviços, abrangendo os temas de Varejo, Marketing Financeiro e Marketing de Saúde. Possibilita ao leitor acesso a casos de sucesso e insucesso, que poderão orientar o futuro esforço nessa área. Os textos apresentados ilustram as formas como as empresas enfrentaram os desafios e oportunidades de mercado. Para iniciarmos nossos estudos, propomos aqui um vídeo que traz um segmento de mercado que vem sendo muito explorado pelas empresas de serviços, a prestação de serviços domésticos voltados à manutenção da residência. O programa Soluções Criativas, da rede Jovem Pan on-line, trata deste assunto, apresentando uma empresa como exemplo. Vale a pena assistir e conferir as oportunidades que as empresas de serviços vêm oferecendo no mercado, e analisar como o marketing pode contribuir nesta ação. Você encontra o vídeo pelo link: <http://www.youtube. com/watch?v=gOQfYkXKkGc>. U N ID A D E II Professora Me. Cláudia Cristina Batistela Francisco COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender o Composto de Marketing. ■ Analisar a atuação do Marketing de Serviços no mercado. ■ Verificar as ferramentas do Composto de Marketing. ■ Conhecer a forma de aplicação do Composto de Marketing nos serviços. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Definição do Composto de marketing: preço, produto/serviço, promoção, praça e ponto de venda ■ Produto/Serviço aplicado aos Serviços ■ Praça aplicada aos Serviços ■ Preço aplicado aos Serviços ■ Promoção aplicada aos Serviços INTRODUÇÃO Agora que já compreendemos a diferença entre um produto e um serviço, e sabemos suas funções e seus conceitos no mercado, vamos partir para as ações de marketing que podem ser aplicadas para sua divulgação. O serviço não foge das ferramentas de marketing utilizadas pelos produtos para o seu trabalho de divulgação no mercado. Porém, encontraremos nesta unidade as diferenciações e adaptações dos itens do Composto de Marketing para análise dos Serviços. O primeiro P do Composto de Marketing apresentado será referente ao Produto, que aqui se trata do serviço. Será discutida a forma de análise do serviço pelo consumidor e como percebe seus benefícios no mercado. Trabalharemos o fator intangibilidade dos serviços, e como usar fatores intangíveis na sua venda. Outro fator importante apresentado serão os benefícios procurados pelos con- sumidores nos serviços. Em seguida, será apresentado o Composto de Marketing referente à Praça ou Canal de Distribuição. Apesar de o serviço ser intangível, é preciso que as empresas possuam um ponto de venda, um local onde o consumidor possa coletar informações e realizar o processo de compra. São as informações que o consumidor analisa quanto à estrutura física da empresa, o material de comu- nicação utilizado e os funcionários. O Composto de Preço não trará o foco no valor financeirodo serviço, mas sim nos valores emocionais, psicológicos e comportamentais do consumidor. O posicionamento da empresa no mercado gera uma imagem na mente do consu- midor, positiva ou negativa, que o fará buscar ou não pelos serviços oferecidos por determinada empresa no mercado. Vamos analisar como o valor da marca pode ser trabalhado. E, por último, falaremos do Composto Promocional de Marketing. Para que as informações fluam de maneira satisfatória, o processo de comunicação nos serviços deve acontecer sem falhas (ruídos) na mensagem. Os consumidores se apoiam muito nas informações que recebem quanto à empresa e seu serviço, e buscam informações com terceiros (propaganda boca a boca) como forma de conhecer a qualidade do que lhes é oferecido. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 41 COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E42 A intangibilidade do serviço prejudica o entendimento do cliente quanto à qualidade e o valor do que está comprando. Assim, a comunicação é importante entre clientes, funcionários e empresas, para que não surjam dúvidas e criem expectativas não superadas ao final. Serão analisadas as ferramentas de propa- ganda, relações públicas, promoção de vendas e venda pessoal. O propósito desta unidade está em demonstrar a aplicação do Composto Promocional no Marketing de Serviços, oferecendo ferramentas e informações para que seja realizado da melhor maneira possível. COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS COMPOSTO DE MARKETING Antes de iniciar esta unidade, vamos apenas relembrar a definição do Composto de Marketing e sua aplicação no mercado. Será uma breve análise, pois esse con- teúdo já foi apresentado anteriormente em outras disciplinas a você, aluno(a). O Composto de Marketing ou mix de marketing é formado por um “[...] grupo de variáveis controláveis de marketing que a empresa utiliza para produzir a resposta que deseja no mercado-alvo” (KOTLER; ARMSTRONG, 1995, p. 31). Os autores afirmam que as variáveis disponíveis nesse composto são for- madas pela análise do preço, produto, praça e promoção do produto ou serviço oferecido no mercado, que juntas consistem em ações da empresa na busca de aumentar a demanda do consumidor. Composto de Marketing em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 43 Produto Preço Promoção Praça (Pronto de Venda) Mercado-Alvo Figura 4: Composto de Marketing Fonte: <http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos/Marketing%20Mix.htm> Na figura acima, verificamos a importância da interação das quatro verten- tes do composto para análise e desenvolvimento de um produto ou serviço no mercado. E cada variável engloba uma série de atividades, conforme Kotler e Armstrong (1995). Preço Condições de Pagamento Descontos Crediário Produto/Serviço Design Diferenciais com a concorrência Marca Características Embalagem COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E44 Promoção Propaganda Publicidade Relações Públicas Promoções Praça/ Ponto de Venda Lojas Canais de distribuição Logística Armazenamento Distribuição Tabela 4: Atividades do Composto de Marketing Fonte: Kotler e Armstrong (1995) O composto de marketing para os serviços trabalha com a integração das ferra- mentas de marketing que a empresa possui para se comunicar com o mercado. Seu objetivo é apresentar vantagens competitivas que as diferencie de seus con- correntes na prestação de um serviço no mercado. Nesta unidade, trabalharemos o serviço em vez do produto que aparece citado na imagem e analisaremos como as atividades apresentadas anteriormente são aplicadas nos serviços juntamente com o marketing. SERVIÇO Produtos e serviços possuem a mesma finalidade no mercado, ou seja, buscam a satisfação de uma necessidade ou desejos dos consumidores. Porém, nos ser- viços encontramos o componente intangível (KOTLER; AMRSTRONG, 1995). Para minimizar os efeitos causados pela intangibilidade do serviço, os con- sumidores buscam sinais de qualidade, pela observação da estrutura física, do equipamento, do material de comunicação e do preço. Assim, cabe às empresas tornar o serviço perceptível (tangível) ao consumidor. Las Casas (2011) afirma que os consumidores buscam os benefícios nos ser- viços, e que o Composto de Marketing está relacionado a essa variável. Dentro Serviço Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 45 desses benefícios procurados pelo consumidor, estão inclusas as decisões quanto à qualidade dos serviços, os tipos, a marca e a embalagem, as garantias e o pós-vendas. E nessa percepção que o consumidor tem dos serviços, Las Casas (2011) nos apresenta os seguintes benefícios procurados pelos consumidores: ■ Pessoal: está relacionado ao nível de competência profissional da pessoa que executa o serviço. O consumidor busca, nesse momento, a qualidade. ■ Duração do serviço: quantidade de tempo que o consumidor espera para a execução do serviço. ■ Equipamento de suporte: materiais e equipamentos que o profissional utiliza para a execução do serviço. ■ Pacote e Rotulagem: nome e descrição do serviço oferecido pela empresa. Tais atributos estão à disposição do cliente, de alguma forma perceptíveis, em que o mesmo possa identificá-los e satisfazer suas necessidades no que está pro- curando. Funcionam para suprir a intangibilidade do serviço, tornando-o mais acessível ao consumidor. Urdan e Urdan (2006, p. 99) afirmam que o prestador de serviços realiza atividades para pessoas ou organizações (como corte de cabelo, faxina na casa ou projeto de consultoria) que não resultam na posse de bens, mas que geram em percepções de bene- fícios e custos, formadores do valor percebido. Não há como, nos exemplos apresentados, saber o resultado final do serviço sem a execução. O cliente precisa consumir o serviço e “confiar” na empresa que o está executando, não sabendo exatamente como será o resultado final. Além dessa percepção dos serviços, os consumidores buscam no Composto de Marketing de produto/serviço, segundo Zeithaml e Bitner(2003), os itens evi- dências físicas, pessoas e processo. As evidências físicas serão tratadas no item Praça, do Composto Promocional, ainda nesta unidade do livro, pois se relacionam ao ponto de venda dos serviços. Já a variável pessoa, segundo os autores, relaciona-se a todos os indiví- duos que desempenham um papel no processo de execução de um serviço e COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E46 que influenciam as percepções do consumidor, sendo esses os funcionários das empresas, o próprio consumidor e outros clientes que estejam no local da exe- cução do serviço. Quanto aos colaboradores, Hoffman e Bateson (2003) explicam que a satis- fação do funcionário de uma empresa de serviços e do cliente está claramente relacionada. Para que a empresa possa tornar seus clientes satisfeitos, deve levar em consideração a satisfação de seus funcionários. São os colaboradores de uma empresa que fornecem aos seus consumido- res as informações e percepções sobre os serviços oferecidos.Para alguns tipos de serviços, como consultorias e ensino, por exemplo, o executor do serviço é essencial. Pois, conforme Zeithaml e Bitner (2003), o executor é o serviço. Tanto os funcionários que estão na linha de frente da empresa quanto os que estão internamente são essenciais para o sucesso da empresa. Como deter- minado pelos autores, a oferta é o funcionário na empresa de serviço, e nesse sentido, o investimento que a empresa realiza no funcionário corresponde ao investimento feito no serviço ofertado ao cliente. Apresentamos na figura a seguir a importância da satisfação do funcioná- rio no processo de prestação do serviço, sendo essas informações baseadas dos estudos de Zeithaml e Bitner (2003). Crescimento da empresa LucroProdutividade de Funcionários Retenção de Funcionários Satisfação e �delidade do cliente Qualidade de serviços internos Satisfação do Funcionário Figura 5: Satisfação do Funcionário na Empresa de Serviços Fonte: adaptada de Zeithaml e Bitner (2003, p. 261) Serviço Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 47 Verificamos que existe uma ligação entre a qualidade de serviços internos, a satisfação, retenção e produtividade dos funcionários com a satisfação do cliente, que trará o crescimento e o lucro da empresa no mercado. Todos os pontos apre- sentados dependem um do outro, havendo uma troca e ligação de informações e ações para que ocorra o bom funcionamento da empresa. Porém, Zeithaml e Bitner (2003) lembram que a satisfação dos funcionários não é a causa principal de satisfação dos clientes. As duas satisfações estão rela- cionadas e devem acontecer juntas. Os funcionários que oferecem o serviço são peça-chave no desenvolvimento da empresa. Dependendo do serviço, o consumidor “compra a pessoa”, no caso o funcionário, no lugar do serviço. O que requer atributos profissionais que se relacionam a treinamento, aprendizagem e mobilidade. Para exemplificar, podemos pensar em um salão de cabelereiro para um corte de cabelo, como já utilizado anteriormente. Ao aderir ao serviço dessa empresa, o cliente não pensa no serviço oferecido, mas sim no profissional que irá executá-lo e assim “compra” o profissional, e não o serviço que está sendo prestado. É nesse momento que cabe a capacitação e habilidade do profissional que executará o serviço. A satisfação do funcionário também será apresentada nesse momento, pois está em contato direto com o cliente, podendo executar o serviço de maneira satisfatória ou não. Para medir a satisfação do cliente com o serviço, nesse caso, podem ser realizadas pesquisas junto aos consumidores. E segundo Urdan e Urdan (2006), as ações dos funcionários e gestores de serviços da empresa, durante a venda do serviço, têm impacto direto nas ava- liações e percepções do cliente, pois interagem diretamente com o consumidor. Quanto ao envolvimento do cliente, a influência no resultado dos serviços pode acontecer de forma passiva ou com uma participação mais efetiva, em que, nesse caso, o serviço pode ser quase que completamente conduzido pelo consu- midor (ZEITHAML; BITNER, 2003). E por último, o item processos, que se refere à forma como a empresa admi- nistra a prestação de serviços. São todas as etapas na execução do serviço ao cliente e que são de extrema importância para a sua satisfação (LAS CASAS, 2011). É o processo de execução das atividades que permite que o serviço seja realizado de forma organizada e com qualidade, buscando a satisfação do cliente. COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E48 A falta de organização no desenvolvimento do processo pode causar uma ima- gem negativa na mente do consumidor, deixando-o insatisfeito com a empresa. Vamos lembrar que a satisfação do cliente está relacionada ao atendimento de suas expectativas quanto ao desempenho do produto ou serviço que adquiriu. Kotler e Keller (2006) afirmam que um cliente satisfeito permanece por mais tempo fiel ao produto ou serviço da empresa, fala bem do serviço e não se atém às ações de mercado do concorrente. Enquanto clientes insatisfeitos, em sua maioria, abandonam a empresa e estão propensos a falar mal dela no mercado. Após análise da influência dos três itens (pessoas, evidência física e proces- sos), compreendemos sua importância no processo de decisão de compra do cliente e no composto de marketing de serviços. Trabalharemos a seguir com o item Praça do Composto de Marketing, voltado aos serviços. PRAÇA Anteriormente, analisamos a intangibilidade dos serviços e a impossibilidade de estocá-los por este motivo. Porém, as empresas prestadoras de serviços neces- sitam de um ponto de venda físico para que o consumidor busque informações e realize negociações a respeito do serviço que pretende adquirir. Vale lembrar que o Composto Promocional que iremos trabalhar neste tópico pode ser deno- minado tanto de praça como canal de distribuição pelos autores. Segundo Kotler e Armstrong (1995, p. 31), “praça envolve as atividades da empresa que tornam o produto disponível para os consumidores-alvo”. Apesar dos autores citarem a denominação produto, entendemos que a afirmação apre- sentada encaixa-se também para os serviços. Ainda para os autores, a praça ou canal de distribuição tem por função rea- lizar a ligação entre o produtor do bem ou serviço com o consumidor. É possível realizar no local de venda do bem ou serviço a busca, coleta e distribuição de informações quanto à oferta, a negociação com o vendedor e o contato direto com a empresa. Praça Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 49 No caso das empresas de serviço, por não ocorrer o estoque do material pro- duzido, como ocorre com os produtos, é preciso que elas estejam instaladas em locais onde acontecerá o consumo do bem adquirido. Segundo Urdan e Urdan (2006, p. 127), o canal de distribuição do serviço é um “[...] sistema de orga- nizações, pessoas, outros recursos (como estoques, prédios e equipamentos) e processos que tornam produtos e serviços disponíveis ao consumidor”. A praça, do Composto de Marketing, relaciona-se à evidência física, citada no tópico anterior (Serviços). Tais evidências estão relacionadas ao local onde acontecerá a prestação e execução do serviço. Las Casas (2011, p.79) denomina essas evidências como “[...] toda comunicação visual de uma loja ou escritório, como também limpeza, disposição de móveis, layout etc.”. Como já verificamos a intangibilidade do serviço, o cliente, ao entrar em uma empresa prestadora de serviços, busca evidências no que vê (estrutura física) para auxiliar no seu pro- cesso de decisão. A análise da qualidade do serviço, bem como sua distinção com os concor- rentes, se baseia também nos equipamentos que a empresa oferece e apresenta aos clientes (KOTLER; KELLER, 2006). Em primeiro lugar, os clientes de ser- viço confiam nas informações boca a boca e, em seguida, julgam sua qualidade pelos fatores visíveis, ou seja, pela estrutura da empresa. Porém, Zeithaml e Bitner (2003, p. 42) relacionam as evidências físicas dos serviços a [...] todas as representações tangíveis do serviço, como brochuras, tim- bres, cartões de visitas, apresentações de relatórios, sinalização e equi- pamentos. Em alguns casos, inclui a instalação física em que o serviço é executado, como por exemplo, as instalações da agência de um banco de varejo. Em outros casos, como nos serviços de telecomunicações, a instalaçãofísica pode ser irrelevante. Os itens usados para avaliação da evidência física auxiliam a empresa, oferecendo ao cliente mensagens sobre os seus objetivos, o segmento de mercado atendido e a natureza do serviço oferecido. É uma forma usada pelo consumidor para per- ceber e analisar o serviço que irá adquirir. As empresas prestadoras de serviço podem ter seu próprio local de distribui- ção ou execução do serviço, bem como contar com o apoio de intermediários. COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E50 Zeithaml e Bitner (2003) afirmam que a distribuição de serviços pode ocorrer de três maneiras distintas: ■ Por canais diretos ou de propriedade da empresa: é quando o próprio prestador entrega o serviço ao consumidor. Ocorre com profissionais autô- nomos, como médicos e dentistas, ou quando a empresa possui uma loja própria para distribuição dos serviços que possui. A vantagem está no con- trole que a empresa possui quanto à distribuição e execução dos serviços. ■ Por intermediários: que podem ser franqueados ou agentes parceiros da empresa, também sendo responsáveis pela produção e fornecimento local dos serviços. Nesse modelo de distribuição, os intermediários realizam a ligação entre a empresa principal, que detém a marca do serviço, com o cliente. Porém, podem ocorrer problemas quanto ao controle da quali- dade do serviço oferecido. Como exemplo de modelo, temos as franquias. ■ Por meio de canais eletrônicos: os serviços mais oferecidos por esse canal estão relacionados à informação, educação e entretenimento. Trata-se de um canal muito conveniente ao cliente, pois ele pode consumi-lo no local que achar mais apropriado e no horário em que escolher, também apresenta um custo baixo, permite a customização e acompanhamento da satisfação do cliente. Porém, é um meio que depende da pró-atividade do cliente na busca de informações e compra. Com base na apresentação e defesa das autoras quanto aos canais de distribui- ção de serviços, Lovelock e Wirtz (2006) não descartam o uso de intermediários nesse processo, porém defendem que a distribuição e o controle de serviços é mais complexa e maior do que a de produtos e bens. Para os autores, a entrega de serviços pode ocorrer de três maneiras, apre- sentadas na tabela a seguir. Praça Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 51 MÉTODO DE ENTREGA DO SERVIÇO EXEMPLO Cliente tem a necessidade de se dirigir até a em- presa prestadora de serviços Salão de Beleza A empresa prestadora de serviços vai até o cliente Empresas de entrega Cliente e empresa prestadora negociam a distância Operadora de cartão de crédito Tabela 5: Modelo de Entrega do Serviço Fonte: adaptada de Lovelock e Wirtz (2006, p. 159) Havendo ou não a existência de intermediários ou dentro da diversidade no método da entrega de serviços, é preciso que a empresa se preocupe se o serviço está sendo entregue ao cliente no momento e no lugar correto. Agora que compreendemos como as formas de distribuição dos serviços ocorrem, apresentamos a seguir o Composto de Marketing referente ao preço nos serviços. O marketing de serviços necessita de considerações especiais para sua comercialização. Não basta que um prestador de serviços tenha de decidir a respeito das características dos serviços que irá comercializar, tais como qualidade, mar- cas, embalagens etc. Um administrador do setor deverá, também, consi- derar e decidir como essa atividade será desempenhada, onde e por quem será oferecida ao mercado (LAS CASAS, 2006, p. 79). Para saber mais sobre a distribuição de serviços, acesse o link: <www.youtube.com/watch?v=1FYRi1VBYiE> e veja como a empresa MSX foca serviços para a rede de distribuição. COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E52 PREÇO “As empresas de serviços devem entender como funciona a precificação, mas, primeiro, devem entender como os clientes percebem os preços e suas mudan- ças” (ZEITHAML; BITNER, 2003). Tendo essa afirmação como base, analisamos também o que Urdan e Urdan (2006) nos apresentam, ao dizerem que a maioria dos consumidores compre- ende preço como a quantidade em dinheiro que pagam na compra de um bem ou serviço. Porém, os autores focam a percepção do preço para o marketing, que está relacionada aos benefícios percebidos pelo cliente, ou seja, o valor. E neste momento, o nosso objetivo será o de analisar a influência do preço nos serviços, tendo como base o marketing. Hoffman e Bateson (2003) afirmam que há uma inexistência de pesquisas e conhecimentos para a determinação de preços de serviços. Somente há pouco tempo os profissionais de marketing demonstra- ram a preocupação na determinação dos preços. A definição de preços em serviços tem como base os mesmos fatores que são avaliados quando se define o preço de um bem ou produto, porém, a diferença está no conteúdo desses fatores. O preço se torna um elemento fundamental na escolha do consumidor, pois em sua maioria, está relacionado à qualidade do serviço prestado (Zeithaml e Bitner 2003). Encontramos situações nas quais o consumidor utiliza-se de outras per- cepções e sinais para analisar a qualidade dos serviços, uma delas é a marca da empresa. E quando a marca não é conhecida no mercado, e o consumidor não conhece sua reputação, acaba se apoiando no preço para análise da qualidade do serviço. O risco na compra de um serviço também se relaciona à ideia de que preço é sinônimo de qualidade. Os custos analisados pelo cliente de serviços envolvem mais que o preço monetário pago por ele. Também são analisados fatores como tempo, energia e o psicológico, que se relaciona ao tempo e às dificuldades que o cliente enfrenta para adquirir o serviço. Hoffman e Bateson (2003) dizem que o valor total do cliente inclui o valor do serviço, o valor do pessoal e o valor da imagem. Os autores explicam que o valor do serviço está associado ao valor atribu- ído ao serviço pelo cliente. Já o valor do pessoal relaciona-se aos prestadores Preço Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 53 (pessoas) que executam o serviço, e o valor da imagem refere-se à percepção que o cliente tem do serviço ou prestador. O que acontece no caso dos serviços é uma análise do custo X benefício pelo cliente. O valor percebido pelo cliente está na diferença que o cliente faz entre os benefícios e os custos relativos ao serviço adquirido, conforme Kotler e Keller (2006). Trata-se de um conjunto de benefícios que a empresa promete entregar e, no caso dos serviços, são esses benefícios que atraem o cliente para a compra. As características dos serviços (intangibilidade, heterogeneidade e perecibili- dade) contribuem para o risco percebido no serviço. Os clientes de serviços, por muitas vezes, apresentam-se dispostos a pagar mais pelo serviço e assim reduzi- rem o risco percebido, que se relaciona ao grau de importância e à incerteza da compra (HOFFMAN; BATESON, 2003). Devido à natureza intangível dos serviços, segundo autores, os consumido- res não encontram muitas evidências informativas, ou seja, atributos de análises dos mesmos. Essa falta de informação e percepção tangível dificulta a análise do serviço, já que a tangibilidade do produto auxilia muito na análise do con- sumidor, que já possui atributos disponíveis no mercado. Enquanto no serviço, devido a sua intangibilidade,a sua percepção, como entendimento dos atribu- tos e as suas características, só ocorrerá durante o consumo. No marketing, o conceito de preço não está relacionado somente ao valor financeiro pago pelo serviço, mas também ao conceito de valor percebido por ele. O cliente relaciona os benefícios que irá receber com o custo financeiro que terá, conforme Urdan e Urdan (2006). O preço também é analisado pelo cliente com base nos sacrifícios que teve para adquirir o serviço e nos preços referenciais que já possui devido a expe- riências anteriores. Zeithaml e Bitner (2003) apresentam razões pelas quais os preços dos serviços são diferentes para os consumidores. ■ A heterogeneidade dos serviços: por serem intangíveis e não estarem em estoque à disposição do consumidor, as empresas apresentam uma fle- xibilidade nos serviços que oferecem, o que torna a definição do preço mais complexa. Alguns autores também denominam essa característica como efemerabilidade, pois “os serviços não podem ser estocados, logo têm uma existência efêmera, o COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E54 que gera grande dificuldade para atender as oscilações da demanda” (SERRALVO, 2009, p. 56). ■ Informação prévia do preço: nem todos os prestadores de serviços con- seguem estimar seu preço, pois não sabem o que o serviço envolverá até que seja feita uma análise inicial ou conclusão do serviço prestado. ■ Necessidades individuais: cada cliente apresenta uma necessidade dife- rente para a mesma prestação de serviços. Cabe à empresa analisar os custos e desempenho de cada atividade oferecida ao cliente, na busca de aperfeiçoamento. E também se atentar ao desempenho dos concorrentes, buscando vantagens competitivas que apresentem maior valor ao consumidor podendo, assim, praticar o preço com base nos benefícios do mer- cado (KOTLER; ARMSTRONG, 1995). Lovelock e Wirtz (2006) afirmam que o preço é um fator extremamente importante no processo de decisão de compra do cliente, e que as empresas pre- cisam se preocupar com a sua correta divulgação. Uma falha na comunicação do preço pode levar o consumidor a perder a confiança na empresa e gerar uma imagem antiética da mesma no mercado. O preço costuma ter mais impacto nas decisões da empresa. Urdan e Urdan (2006, p. 185) discutem a agilidade que o preço permite na venda dos produ- tos e serviços. As empresas não mudam um produto e menos ainda a distribuição com a rapidez com que alteram preços. Dá pra ser rápido na gestão da promoção, mas o preço costuma ter mais impacto nas decisões de compra, comportamento da concorrência e rentabilidade do negócio. Os autores ainda afirmam que o preço requer flexibilidade e velocidade nas tomadas de decisões da empresa. Nesse ponto, analisam que o preço também está relacionado ao interesse do consumidor pelos concorrentes. Quando o serviço apresenta mais benefícios e preços menores como vanta- gem, o interesse pela concorrência diminui. Porém, quando as demais empresas concorrentes abaixam o preço, os consumidores passam a perceber essa vanta- gem no mercado e podem rever o custo x benefício que a empresa costumava ter (URDAN; URDAN, 2006). Promoção em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 Após análise da aplicação do preço no Composto Promocional, e a percep- ção de que o valor de um serviço não está relacionado somente à parte financeira, passaremos agora ao último item a ser analisado, a Promoção em Serviços. PROMOÇÃO EM SERVIÇOS O ato de promover um produto ou serviço está relacionado à comunicação, que compreende a troca de ideias e informações com pessoas (URDAN; URDAN, 2006). Dentro do marketing, o processo de comunicação envolve a promoção e divulgação dos atributos do produto ou serviço da empresa, apresentando seu preço, a praça e os fatores que o diferenciam no mercado da concorrência. A promoção busca conquistar e manter clientes fiéis à empresa, completando o Composto de Marketing já apresentado anteriormente. Para Lovelock e Wirtz (2006), a comunicação possui os objetivos de informar os clientes atuais e poten- ciais quanto à empresa e os serviços oferecidos, persuadir e lembrar o cliente sobre os serviços prestados pela empresa, mantendo contato direto com os clientes. A comunicação no marketing de serviços não foge aos princípios da comu- nicação realizada para os bens e/ou produtos. Busca estimular a demanda por meio das ferramentas de comunicação, focando nos benefícios oferecidos ao consumidor. O maior esforço está em diminuir o arrependimento pós-compra, a dissonância cognitiva do consumidor, que nos serviços é maior que na com- pra de bens, devido à dificuldade de avaliação do intangível. A estratégia de promoção comunica o posicionamento da empresa aos seus consumidores, o que inclui clientes, funcionários, acionistas e fornecedores. As empresas de serviço, conforme Hoffman e Bateson (2003), analisam inicialmente as necessidades do cliente, classificando-o em segmentos de mercado para que a comunicação seja direcionada. Para que o Composto de Promoção em serviços tenha o resultado esperado, Hoffman e Bateson (2003) apresentam diretrizes que auxiliam no desenvolvi- mento das comunicações em serviços: COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E56 1ª – Comunicação Boca a Boca: os clientes de serviço buscam fontes pesso- ais de informações, para reduzir o risco de uma compra. 2ª – Prometer somente o que é possível: ao prometer o que não pode ser cumprido, a empresa aumenta a expectativa do cliente e posteriormente diminui sua satisfação quando as promessas iniciais não são realizadas. Os clientes, além de desapontados com a empresa, contarão sua experiência aos demais na comu- nicação boca a boca, o que cria uma imagem negativa da empresa no mercado. 3ª – Tornar tangível o intangível: os serviços são abstratos para o cliente, assim, uma das ferramentas de comunicação de um serviço é torná-los mais con- cretos. Essa tangibilidade pode ser trabalhada com a apresentação de números ou símbolos associados à marca da empresa de serviços. 4ª – Apresentar a empresa de serviços ao cliente: utilize as formas de comu- nicação existentes, que discutiremos na próxima unidade, para apresentar ao cliente da empresa seus funcionários e representantes. As diretrizes acima discutidas são algumas das ferramentas que auxiliam na promoção dos serviços no mercado, permitindo que os clientes conheçam a empresa e o serviço fornecido, para que a sua imagem e marca sejam trabalha- das na mente do consumidor. O Composto de Comunicação, conforme Zeithaml e Bitner (2003), consiste nos veículos de comunicação que transmitem informações a respeito dos ser- viços ao cliente. Tanto no caso dos serviços como no dos produtos, as ações de comunicação são as mesmas. Os objetivos da comunicação podem ser alcançados mediante a utilização de ferramentas promocionais de comunicação, ou seja, empregando-se uma combinação apropriada da propaganda, venda pessoal, promoção de vendas e relações públicas (KOTLER; ARMSTRONG, 1995). Propaganda É a forma que as empresas usam para divulgar seus produtos, serviços ou ideias, de forma paga e com a identificação da empresa ao final. Venda Pessoal Uso da força de vendas da empresa buscando as relações com os clientes e as vendas dos bens ou serviços. Promoção em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .610 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 57 Promoção de Vendas Incentivo usado pelas empresas para o consumo, em curto prazo, de um produto ou serviço. Por exemplo, promoções de liquidação para troca de estoque. Relações Públi- cas É o desenvolvimento das relações da empresa com seus públicos em busca de uma publicidade favorável, construin- do uma imagem positiva no mercado e afastando rumores e histórias desfavoráveis sobre a empresa, produto ou serviço. Tabela 6: Ferramentas Promocionais de Comunicação Fonte: Kotler e Armstrong (1995) Cada uma das ferramentas apresentadas possui estratégias e técnicas diferencia- das, mas que possuem o mesmo objetivo: divulgar a empresa e seus serviços no mercado. E para que essa ação seja realizada, é preciso trabalhar todos os itens do Composto de Marketing na promoção de serviços. O problema da intangibilidade dos serviços pode ser trabalhado no composto promocional. Las Casas (2006) afirma que a intangibilidade pode ser trabalhada enfatizando-se os benefícios do serviço e a sua imagem corporativa no mercado. A divulgação dos serviços, conforme autor, deve ser feita com base nos bene- fícios proporcionados por ele. Como cada serviço oferecido no mercado pode se adaptar à necessidade individual do consumidor, é preciso que a comunica- ção elabore, inicialmente, uma imagem da empresa para o cliente, que auxiliará na visualização do serviço no momento da necessidade de consumo, com base nas informações que o cliente já possui. O desafio para descrever os serviços também é discutido por Urdan e Urdan (2006). É preciso demonstrar os benefícios que o consumidor obterá na pres- tação do serviço, destacando as necessidades que o consumidor tem, e como o que é irá satisfazê-las. Os autores ainda afirmam que o consumidor compreende melhor o serviço quando a empresa prestadora utiliza-se de imagens que transmitam a ideia do serviço. Chamando a atenção do consumidor e levando-o a refletir e conhecer melhor o que é oferecido. Hoffman e Bateson (2003) discutem que a comunicação dos serviços de uma empresa pode ser realizada por meio de duas fontes: as fontes impessoais e as fontes pessoais. Como fontes impessoais encontramos as informações veicula- das pelos meios de comunicação, como a televisão, as revistas e os jornais. Já as ©shutterstock COMPOSTO DE MARKETING EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E58 formas pessoais relacionam-se à comunicação face a face, onde os indivíduos estão em contato direto, trocando informações nos períodos de pré-compra, consumo e pós-compra. A comunicação em serviços deve facilitar o envolvimento do cliente com a empresa, conforme Lovelock e Wirtz (2006). Ao oferecer informações sobre a produção dos serviços e seu desenvolvimento no mercado, a empresa reduz os riscos envolvidos e minimiza as chances de insatisfação do cliente. Os autores ainda propõem que as empresas de serviços utilizem o marketing no auxílio da avaliação da oferta de serviços pelo cliente, oferecendo informações que auxiliem na análise do serviço apresentado e dos concorrentes existentes no mercado. Para exemplificar a aplicação do Composto de Marketing no mercado, pro- pomos o texto a seguir, que nos apresenta de uma forma diferenciada como as empresas compreendem os 4Ps no mercado. 59 OS 4PS DAS EMPRESAS QUE NÃO ESTÃO NEM AÍ PRO MARKETING. Ainda há as empresas que simplesmente desprezam o marketing e acham perda de tempo investir nessa área, como se os clientes fossem obrigados a comprar de suas or- ganizações. Da mesma forma que os 4Ps indicam as formas mais simplificadas e eficien- tes de trabalhar o marketing em qualquer empresa, os empreendimentos que não ligam para o marketing, certo tempo depois, também passam a lidar com outros 4Ps: 1- Pra quê propaganda? Abrir uma empresa em um mercado onde várias empresas são abertas diariamente e não investir um real sequer em propaganda é um belo de um erro gerencial. Sem saber que sua empresa existe, como os clientes poderão ir até ela e comprar os produtos ou serviços? A propaganda nunca deve ser ignorada. Lovelock e Wirtz (2006) e Urdan e Urdan (2006) apresentaram a importância da comu- nicação para as empresas, afirmando seus objetivos em informar os clientes atuais e potenciais quanto às características da empresa e de seus serviços oferecidos no merca- do. Sendo que a comunicação também permite o contato contínuo com o consumidor, antes, durante e após a venda. 2- Poxa, esqueci de ligar para os clientes! Os clientes chegavam na sua empresa, adquiriam seus produtos e nunca mais voltavam. Então, no desespero, você se concentrou em trazer para a empresa todo tipo de cliente, para que eles comprassem e suprissem a falta dos clientes que só apareciam uma vez e nada mais. Um trabalho de pós-venda poderia diminuir esse esforço e aumentar a lucratividade. 3- Peraí, não vou gastar dinheiro treinando funcionário nenhum! Atendimento é um dos fatores mais lembrados, se não o mais, pelos clientes após com- prarem de uma empresa. Treinamento constante sobre recepção do cliente, técnicas de vendas e sobre os produtos ou serviços oferecidos pela empresa torna o atendimento uma arma estratégica para a organização. Nas discussões anteriores desta unidade do livro, verificamos que os autores Hoffman e Bateson (2003) e Zeithaml e Bitner (2003) concordam e afirmam a importância dos funcionários no desenvolvimento das empresas de serviços. Devido à intagibilidade, os consumidores buscam nos colaboradores de uma empresa informações e percepções sobre os serviços oferecidos. 4- Puxa vida, não tinha previsto esse golpe da concorrência! Um belo dia sua empresa é surpreendida pelo lançamento de um novo produto do seu maior concorrente. Acontece que todos os outros concorrentes também sabiam, pois até no Jornal Nacional saiu reportagem sobre o fato, que era inédito apenas para você. Então, o impacto dessa medida vai demorar bem mais a ser absorvido pela sua empresa, que não se preparou para tal. Inteligência de marketing, meu caro Watson! Considerar a propaganda em seu planejamento, ter um programa de pós-venda e re- lacionamento, treinar os funcionários frequentemente e ter o mínimo de inteligência competitiva são remédios para evitar o aparecimento dos incômodos 4Ps dos que rejei- tam o marketing. Todas as informações apresentadas são confirmadas por Kotler e Armstrong (1995), quando nos dizem que o objetivo do Composto de Marketing para os serviços está em diferenciar as empresas dos concorrentes no mercado e, acima de tudo, apresentar vantagens competitivas. Ou seja, auxiliam na compreensão do mercado de atuação e proporcionam conhecimento para que as ações de marketing sejam direcionas correta- mente pela empresa. Adaptado de: Site Ponto Marketing. Disponível em: <http://www.pontomarketing.com/ marketing/os-4ps-das-empresas-que-nao-estao-nem-ai-pro-marketing/#ixzz2NRlqbt13>. Aces- so em 20 de Julho de 2016. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 61 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, analisamos a forma como o Composto de Marketing (serviço/pro- duto, praça, preço e promoção) atua no desenvolvimento dos serviços no mercado. Foi possível verificar que existem diferenças de aplicação do composto para bens e serviços, o que torna ainda mais importante a análise e discussão do assunto. A princípio apresentamos a definição do Composto de Marketing para que você pudesse relembrar sua importância no desenvolvimento das estratégias da empresa. Em seguida, verificamos a importânciado serviço. Originalmente, o composto do serviço é apresentado como produto, porém, foi possível discutir com o auxílio dos autores a aplicação para os serviços, no qual analisamos suas características e percepções dos consumidores. Referente ao composto da praça, ou canal de distribuição, percebemos a importância de um ponto de venda físico do serviço, mesmo que o consumidor o considere intangível. É preciso estar disponível ao consumidor para negocia- ção e esclarecimento de dúvidas, evitando problemas na percepção do custo x benefício do serviço. Quanto ao fator preço, os serviços não foram relacionados ao fator financeiro, mas sim ao valor agregado para o consumidor. A percepção quanto à qualidade do serviço está relacionada à ideia que o consumidor apresenta sobre ele, quais percepções possui e o que a marca representa em suas experiências e análises. E, por último, a promoção em serviços, em que apresentamos a importân- cia da comunicação e divulgação dos serviços no mercado. Na próxima unidade, abordaremos os temas relacionados à Comunicação Integrada, focando na atu- ação da comunicação para divulgação e venda de serviços, o Planejamento Estratégico para Serviços e a Qualidade em Serviços percebida pelo consumidor. 1. Analisamos que a percepção do serviço pelo consumidor está ligada também ao valor agregado que ele apresenta. Tendo essa informação como base, escolha duas empresas prestadoras de serviço, com as quais você já teve contato, e ana- lise os valores percebidos pelo consumidor. 2. Uma empresa prestadora de serviço pode ter seu próprio local de distribuição ou execução do serviço, bem como contar com o apoio de intermediários, que pode ocorrer de três maneiras distintas. Relate quais são essas três formas de distribuição que o serviço pode ter. Utilize exemplos reais para analisar. 3. Discuta como a satisfação dos funcionários da empresa pode influenciar no de- senvolvimento do serviço. Em seguida, elabore um texto, com no máximo 20 linhas, abordando o assunto nos dias atuais. Se necessário, utilize exemplos. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Marketing com Valor Agregado - A próxima Evolução do Marketing Bob Gilbreath Editora: M. Books Sinopse: O livro busca, por meio de estudos de casos e campanhas bem- sucedidas, apresentar ao leitor a melhor forma de criar e gerenciar ações de marketing trabalhando o valor agregado. São apresentadas estratégias para a satisfação das necessidades dos clientes no mercado competitivo. O livro aborda temas como o valor agregado de marketing, realizações com valor agregado, implementação de valor no marketing e o futuro do marketing com valor agregado. U N ID A D E III Professora Me. Cláudia Cristina Batistela Francisco COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Objetivos de Aprendizagem ■ Analisar as ferramentas de comunicação para aplicação no marketing de serviços. ■ Verificar as estratégias mercadológicas de análise de mercado para as empresas de serviço. ■ Compreender a influência da qualidade em serviço no mercado. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Atuação da comunicação na divulgação e venda de serviços ■ Apresentar as ferramentas de comunicação no marketing de serviços ■ Aplicação do Planejamento Estratégico para elaboração de ações no mercado ■ Análise da qualidade dos serviços ■ Falhas na execução dos serviços no mercado INTRODUÇÃO “Quem não é visto não é lembrado”. René Descartes Uma empresa que não realiza ações de marketing e comunicação no mercado tem mais chances de fechar do que as demais. O consumidor retém diariamente muita informação, por todos os meios de comunicação, e só é retido em sua mente aquilo que lhe interessa, e se a empresa não se manifestar e mostrar sua existência, não terá retorno e procura para compra. Ao sabermos dessas informações, vamos analisar nesta unidade como a comunicação e o marketing são trabalhados na venda dos serviços no mercado. Iniciamos falando da comunicação integrada tanto externamente para clientes quanto internamente na empresa. O processo de comunicação (emissor-receptor) é a base para uma comunicação eficiente e, para isso, analisaremos sua aplica- ção no marketing em serviços. Os fatores de comunicação interna, entre funcionários, também serão apre- sentados, pois um funcionário mal informado transmitirá informações erradas ao consumidor, o que pode gerar insatisfação com a empresa e com o serviço. Em seguida, falaremos das estratégias mercadológicas usadas para divulga- ção e vendas dos serviços. Seguimos a linha das estratégias dos produtos, porém na forma de aplicação nos serviços. O foco será na análise do macroambiente (fatores externos) e no microambiente (fatores internos). E para finalizar, abordaremos o tema Qualidade em Serviços. Serão apresen- tados fatores que influenciam e auxiliam na percepção do cliente, sendo eles a confiança no serviço, a qualidade no atendimento dos funcionários, a segurança na compra e os aspectos tangíveis dos serviços. O objetivo está em demonstrar como usar esses fatores a favor da empresa, criando seu posicionamento posi- tivo para o consumidor. E também as falhas que podem ocorrer na execução dos serviços no mercado, que estão relacionadas ao atendimento das expectativas criadas pelo consumidor. A empresa precisa conhecer o que o cliente espera dos seus serviços e realizar um acompanhamento, verificando se o que é prometido realmente está sendo realizado pelos seus funcionários e pela empresa. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 67 ©shutterstock COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E68 COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING EM SERVIÇOS A comunicação no marketing tem como objetivo principal “[...] informar, persu- adir e lembrar os consumidores – direta ou indiretamente – sobre os produtos e marcas que comercializam” (KOTLER; KELLER, 2006, p. 532). E é pela comuni- cação que a empresa e sua marca são percebidas e constroem um relacionamento no mercado pelos clientes. Las Casas (2006) afirma que, ao analisarmos a comunicação em serviços, é preciso preocupar-se em como diferenciá-la da comunicação focada nos bens. As diferenças estão nas formas de abordar o consumidor, pois trabalhamos os serviços divulgando seu desempenho. É preciso entender também que a comunicação de marketing mudou com o desenvolvimento da sociedade. Antes o cliente recebia as informações sobre os bens e serviços de um número limitado de veículos de comunicação. Atualmente, verificamos a existência de inúmeras fontes de informação no mercado e na pró- pria empresa (ZEITHAML; BITNER, 2003). Toda essa quantidade de veículos de comunicação existente no mercado pro- porciona um grande volume de informações sobre a marca e a empresa, o que aumenta também a complexidade das informações. Segundo as autoras, esse “bombardeio” de informações para o consumidor pode levá-lo a uma imagem e a promessas confusas sobre as empresas. Comunicação Integrada de Marketing em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 69 As empresas devem se preocupar com a integração das informações transmi- tidas, para que o consumidor receba as mensagens de forma unificada. É preciso atentar-se também, nos serviços, à forma como ocorre a propagação de infor- maçõesrealizada pelos funcionários, pois esses possuem muito contato com o cliente (ZEITHAML; BITNER, 2003). Para que a proposta apresentada pelas autoras ocorra, a comunicação interna das empresas de serviço deve ser integrada, ou seja, é preciso que as informações divulgadas internamente para os funcionários estejam de acordo com as infor- mações divulgadas externamente para os consumidores. Devemos lembrar também de que o serviço possui um valor intangível, que nem sempre é percebido pelo consumidor. Assim, o trabalho de construção da marca e seu posicionamento influenciam na divulgação do serviço ao consumidor. Shimp e Souza (2009, p. 27) afirmam que o valor de uma marca conhecida e respeitada é inestimável, pois “as marcas desempenham uma função estratégica crítica, permitindo diferenciar a oferta de uma empresa e aquelas das marcas concorrentes”. Essas marcas respeitadas indicam benefícios ao consumidor e auxiliam nas tomadas de decisões. O poder da marca sobre o consumidor é tão forte que, no caso de marcas conhecidas, apenas a menção do seu nome desperta no cliente diversas expecta- tivas quanto à qualidade e aos aspectos relacionados à compra, conforme autor. Kotler e Keller (2006, p.269) definem marca com base na definição da AMA – American Marketing Association como um “nome, termo, sinal, símbolo ou design, ou uma combinação de tudo isso, destinado a identificar os produtos ou serviços de um fornecedor ou grupo de fornecedores para diferenciá-los de outros concorrentes.” Portanto, a marca de um serviço relaciona-se a fatores e benefícios que os diferenciam dos demais, buscando a satisfação do consumidor. Os autores ainda afirmam que, no caso dos serviços, a marca pode se diferen- ciar pelo atendimento ao cliente, a facilidade de pedido, a entrega, a instalação, a consultoria ao cliente e a assistência técnica prestada, o que verificamos tam- bém em Pinho (1996), ao falar sobre o branding, que é a construção da marca no mercado. Trata-se do desenvolvimento da marca junto ao seu público, bus- cando apresentar a qualidade e a função do serviço apresentado. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E70 Em um mercado competitivo, quando surge a concorrência, o objetivo da empresa, além de vender, passa a ser também manter e conquistar seus clientes. É preciso brigar por uma fatia de mercado, e a marca nesse momento auxi- lia na escolha do consumidor. Assim, um serviço que possui uma marca bem trabalhada e conhecida no mercado terá mais chance de ser lembrado pelo con- sumidor no ato da compra. Zeithaml e Bitner (2003) nos apresentam razões que levam a problemas rela- cionados às comunicações em serviços. Uma dessas questões está relacionada à administração inadequada das promessas de serviço, ou seja, quando ocorre uma oposição entre as promessas apresentadas ao consumidor e a execução do serviço. Essas falhas são denominadas de ruídos de comunicação. Segundo Berlo (1999), o processo de comunicação deve ser o mais fiel possível à mensagem que o emissor deseja transmitir, evitando ruídos, ou seja, os fatores que distor- cem a qualidade da comunicação. A distorção na comunicação pode levar o consumidor a uma compreensão inadequada da mensagem e à criação de uma imagem negativa da marca em sua mente. Kotler e Armstrong (1995) apresentam o ruído de comunicação como uma distorção durante o processo, que resulta na produção de uma mensagem para o receptor diferente da que foi enviada pelo emissor. Para compreendermos melhor a importância do processo de comunica- ção, vamos relembrar suas etapas e como funciona, com base na figura a seguir. Emissor Codi�cação Ruído Feedback Resposta Mensagem Mídia Decodi�cação Receptor Figura 6: Processo de Comunicação Fonte: adaptada de Kotler e Armstrong (1995) O processo de comunicação inicia-se com o emissor, determinado por Kotler Comunicação Integrada de Marketing em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 71 e Armstrong (1995, p. 319) como “[...] a parte que emite a mensagem para outra parte”. É no emissor que surge a necessidade de transmissão de uma mensagem. Berlo e Fontes (1999) apresentam algumas habilidades necessárias do emis- sor para que o processo de comunicação ocorra da maneira correta. São elas: ■ Habilidades Comunicativas: relaciona-se à facilidade que o receptor tem em utilizar os códigos de comunicação, dentre eles a linguagem, para transmissão de informações ao receptor. ■ Atitudes: a fonte emissora deve compreender e acreditar na informa- ção que está transmitindo, pois essa postura afetará o resultado final da comunicação. ■ Nível de Conhecimento: o emissor só é capaz de comunicar aquilo que sabe, porém, se a fonte emissora “souber demais”, pode errar pelo fato de suas habilidades comunicadoras serem realizadas de maneira técnica, de forma que o receptor não entenda. ■ Sistema Sociocultural: todo emissor elabora uma mensagem conforme o contexto sociocultural em que vive, porém deve-se lembrar de que o receptor receberá e analisará essa mensagem com base em seu contexto social e cultural, que pode não ser o mesmo do emissor. Já a codificação, para Kotler e Armstrong (1995), é o processo de criação e trans- formação da mensagem em forma simbólica. O emissor elabora a mensagem a ser transmita ao receptor com base em seu contexto social e cultural, utilizando- se de ferramentas conhecidas por ele para construção das informações. Berlo (1999) apresenta o processo de codificação dentro das habilidades do emissor, citadas anteriormente, quando discutimos o seu sistema cultural e nível de conhecimento. Quanto à mensagem, o autor a define como um grupo de símbolos estrutu- rados, que, ao serem transmitidos e recebidos, apresentam um significado para o receptor. Trata-se do produto criado pelo emissor para levar informações refe- rentes à sua empresa, por exemplo, aos clientes. A mídia, ou meio, são os canais de comunicação pelos quais a mensagem será trans- mitida ao receptor. Pode-se usar a televisão e a internet, por exemplo, tudo dependerá do perfil do público com o qual se está trabalhando (KOTLER; ARMSTRONG, 1995). COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E72 O receptor é a parte que recebe a mensagem e, nesse momento, realiza o pro- cesso de decodificação. Ou seja, realiza a análise das informações recebidas do emissor, tendo como base seu contexto sociocultural. Se o receptor não conhece o código da mensagem, não haverá compreensão, conforme autores. Por fim, encontramos o ruído da comunicação, já apresentado anteriormente, a resposta e o feedback do processo. A resposta são as reações dos receptores, por exemplo, a compra de um serviço divulgado é analisada como uma resposta positiva do processo. Enquanto o feedback proporciona a avaliação dos resul- tados pelo receptor, analisando se houve ou não ruído durante o processo de comunicação (BERLO; 1999; KOTLER; ARMSTRONG, 1995). Dentro do marketing de serviços, encontramos uma dificuldade na comu- nicação das informações pelo fato de ser algo intangível ao consumidor. Assim, é preciso compreender esse processo de comunicação, evitando que o consumi- dor encontre dificuldades na compreensão da real função do serviço, cabendo à comunicação realizar essa ação. Deve-se comunicar de maneira clara e sem ruí- dos, evitando falhas nesse processo. As principais razões para que essas falhas ocorram, segundo Zeithaml e Bitner (2003), relacionam-seao fato das empresas deixarem de fornecer infor- mação e realizar uma integração no processo de comunicação para atender às promessas apresentadas ao consumidor. Outro problema de comunicação apresentado está relacionado à adminis- tração inadequada das expectativas dos clientes. “A comunicação adequada e precisa sobre os serviços é de responsabilidade tanto do marketing quanto da área de operações” (ZEITHAML; BITNER, 2003). É por meio da propaganda que as empresas realizarão a comunicação dos serviços que estão vendendo. As ações de venda envolvem a análise, a sugestão, a proposta e o convencimento do consumidor para aquisição de um serviço (SANT´ANNA, 2000). Ao despertar a necessidade de consumo e apresentar o serviço que pode satisfazê-la, surge no consumidor um desejo pelo serviço apre- sentado. Esse desejo de consumo irá motivá-lo à busca e futura compra. Comunicação Integrada de Marketing em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 73 Compramos o que desejamos, sendo essa compra motivada pelo valor intrínseco que o serviço apresenta, não somente ao preço que propõe. É nesse momento que são apresen- tadas, pelo processo de comunicação com auxílio da propaganda, as qualidades dos serviços, os benefícios que o consumidor terá com sua aquisição, conforme autores, criando expectativas. Ao trabalhar com as expectativas do cliente, a propaganda considera a visão do consumidor. Para Shimp e Souza (2009), os consumidores compram os benefícios oferecidos pelos produ- tos ou serviços, portanto, a propaganda deve ser relacionada às suas necessidades e valores. Os anúncios buscam refletir a cultura, os valores e as ideias dos con- sumidores para que atendam às suas expectativas. Zeithaml e Bitner (2003, p. 361) afirmam que “o aumento das expectativas para níveis irreais pode gerar mais negócios novos, mas invariavelmente levará ao desapontamento do cliente e à desmotivação para os negócios”. A criação das expectativas no consumidor é feita com base nas necessidades e nos desejos de consumo. As necessidades são os estados de carência percebidos pelo consumidor, ou seja, são as necessidades físicas (alimentação, roupa, calor e segurança), as necessidades sociais (aceitação em um grupo) e as necessidades individuais (autorrealização). Já os desejos são as necessidades moldadas pelas características dos indivíduos e do meio em que vivem. Transformamos neces- sidades em desejos de consumo (KOTLER; ARMSTRONG, 1995). Os motivos e a expectativa da compra se relacionam aos desejos do consumi- dor, buscando satisfazer suas necessidades. Conforme Sant´Anna (2009, p. 84), “não é a imposição pura e simples do estímulo que o fará agir, mas a capacidade do objeto em satisfazer – isto é, dar solução – a uma necessidade que ele tenha”. Ainda segundo o autor, para fazer com que o consumidor reaja e busque pelo serviço, é preciso que a comunicação da empresa foque nas necessidades básicas do indivíduo, aguçando seu desejo de consumo, para que ele busque a satisfação dessa necessidade que surgiu e realize a compra. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E74 É preciso analisar também, dentro da comunicação de serviços, a educação inadequada do cliente. Caso o cliente não tenha clareza sobre como os serviços serão prestados, que papel desempenha nessa prestação e como deve avaliar, pode ocorrer um desapontamento e, em vez de se considerar culpados, respon- sabiliza a empresa por tudo (ZEITHAML; BITNER, 2003). A satisfação do cliente em uma compra, seja de um produto ou serviço, depende do desempenho do mesmo em relação às suas expectativas, conforme Kotler e Armstrong (1995). Tais expectativas também atuam com base nas infor- mações e promessas realizadas pelos profissionais de marketing. Os consumidores precisam ser informados corretamente sobre todas as eta- pas e procedimentos necessários para a execução do serviço, sendo essa ação de responsabilidade da empresa. Caso isso não ocorra, podem aparecer falhas na execução do serviço, o que resultará na insatisfação do consumidor final. O sucesso ou fracasso de uma venda depende também da motivação do cliente em consumir (SHIMP; SOUZA, 2009). O sucesso na venda traz con- fiança para o consumidor, que não terá medo de adquirir um produto ou serviço. E durante esse processo de aquisição e consumo, o consumidor estará em contato com os colaboradores da empresa, o que nos levanta a preocupação com a comunicação interna. Para Zeithaml e Bitner (2003), se a comunicação interna da empresa é fraca, a qualidade do serviço percebida pelo cliente poderá ser errada. Caso a comunicação da empresa seja executada sem o suporte e conhecimento de seus colaboradores, a execução e venda do serviço podem não ser as mesmas prometidas nas propagandas. O consumidor pode ficar decepcionado pela falta de informação ou por comunicações divergentes da empresa, conforme autores. Kunsch (2003) afirma que, no ambiente organizacional, encontramos várias bar- reiras que podem prejudicar o processo de comunicação. Uma delas, apresentada pela autora e que se relaciona à divulgação dos serviços, está no ambiente organizacional. As pessoas, no caso, os colaboradores que vendem ou executam os serviços, podem auxiliar ou atrapalhar no processo de venda. Tudo dependerá da per- sonalidade, dos valores e da forma como cada um se comporta no ambiente da empresa, sendo esses considerados por Kunsch (2003) como barreiras pessoais. Até o momento verificamos a importância do processo de comunicação e do estímulo do consumidor para divulgação e venda dos serviços no mercado. Ferramentas de Comunicação no Marketing de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 75 Abordaremos agora as ferramentas que auxiliam nessas tarefas apresentadas anteriormente. FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO NO MARKETING DE SERVIÇOS As mídias são os veículos de comunicação utilizados pelas empresas para divulgação aos consumidores dos seus produtos e/ou serviços. Consistem na comunicação escrita, como jornais e revistas; na transmitida, como rádio e TV; na eletrônica, como a internet; e na expositiva, como os cartazes e outdoors (KOTLER; ARMSTRONG, 1995). O desenvolvimento das estratégias de comunicação em serviços varia con- forme o perfil do público-alvo e é necessário para influenciar e atrair novos consumidores. Para Hoffman e Bateson (2003), a definição do público a ser trabalhado é baseada, no marketing de serviços, nas necessidades dos clientes. Las Casas (2006) concorda com a afirmação dos autores e complementa afir- mando que a segmentação do público-alvo auxilia na elaboração de campanhas direcionadas ao consumidor, comunicando as informações da empresa de ser- viços de forma mais eficiente e com resultados positivos. A tendência do mercado, conforme autor, é cada vez mais se segmentar, para que a comunicação fique mais fácil de ser feita e alcance as expectativas do público definido. Outra estratégia, apresentada por Hoffman e Bateson (2003), está no posi- cionamento da marca de serviços no mercado. Essa estratégia busca diferenciar a empresa que está sendo divulgada dos seus concorrentes. Kotler e Keller (2006, p. 305) definem posicionamento como “[...] ação de projetar o produto e a imagem da empresa para ocupar um lugar diferenciado na mente do público-alvo”. Ao posicionar a marca no mercado, as empresas de serviço buscam criarum valor agregado para o cliente, esclarecendo sua pro- posta e maximizando suas vantagens competitivas no mercado. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E76 A ideia proposta pelos autores é posicionar a empresa ou marca na mente do consumidor, para que ele tenha uma lembrança positiva e a use no momento de escolha e definição do serviço a ser adquirido. O posicionamento de mercado é definido por Lupetti (2007) como as informa- ções que as pessoas retêm na mente a respeito de determinada empresa, produto, serviço ou pessoa. É uma ferramenta utilizada pelas empresas para que sejam percebidas pelos consumidores durante sua comparação com a concorrência. Dentro dessa ferramenta, utilizamos algumas estratégias para posiciona- mento das empresas, tanto para produtos quanto para os serviços (LUPETTI, 2007). Apresentamos as principais formas de posicionamento e como podem ser aplicadas nos serviços: ■ Posicionamento por Atributos: apresentar um atributo da empresa ou do serviço ao consumidor. Por exemplo, a tradição da empresa no mercado, na área de serviços, conta muito para o consumidor. Como o serviço é intangível, e normalmente produzido somente no ato de consumo, a tra- dição é usada como fator positivo e de confiança para esse consumidor na hora da escolha. ■ Posicionamento por Benefícios: os clientes compram por benefícios racio- nais ou emocionais. No caso das empresas de serviços, pode-se utilizar a confiança na empresa como um fator emocional. Aplicando esse posicio- namento com a mesma base do apresentado anteriormente. ■ Posicionamento por Usuário: é o foco da empresa em um grupo especí- fico de consumidores. Por exemplo, uma academia de ginástica exclusiva para mulheres. ■ Posicionamento por Concorrente: apresentar algum diferencial compe- titivo do serviço. Por exemplo, a academia de ginástica, anteriormente citada, possui um serviço para as mães que frequentam o local. Enquanto realizam suas atividades físicas (serviço principal prestado pela empresa), seus filhos possuem um espaço para brincar com profissionais especiali- zados (serviço agregado ao principal). Essa diferenciação, que pode não existir no concorrente, atrairá mais consumidoras. Além do posicionamento de mercado, verificamos nos elementos do Composto Promocional, referente à promoção ou comunicação, que o mais utilizado pelos Ferramentas de Comunicação no Marketing de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 77 serviços é a propaganda, conforme Las Casas (2006). O autor define propaganda, com base na Associação Americana de Marketing, como as formas pagas de divulgação de produtos, serviços ou ideias, com a marca da empresa anunciante ao final. E para essa divulgação, são usados veículos de comunicação, também conhecidos como mídias (jornal, televisão, internet, revista etc.). Sant´Anna (2009) define propaganda como uma ferramenta utilizada para tornar um produto, serviço ou marca conhecidos no mercado, e que tem como objetivo principal despertar o desejo nos consumidores, apresentando as dife- renças dos produtos e serviços de seus concorrentes. A propaganda permite que a mensagem seja transmitida e repetida várias vezes ao público-alvo, buscando o estímulo às vendas. Também proporciona à empresa a oportunidade de colocar em cena seus serviços, apresentando-os aos consumidores (KOTLER; KELLER, 2006). Las Casas (2006, p.171) apresenta em seus estudos as características das fer- ramentas promocionais e como podem ser usadas nos serviços. VENDA PESSOAL PROPAGANDA RELAÇÕES PÚBLICAS PROMOÇÃO DE VENDAS Flexibilidade Adaptada às necessidades de cada consumidor Não personalizada Fora do con- trole Não personalizada Feedback Sim Não Não Não Controle da mensagem Sim Sim Não Não Custo por contato Alto Baixo Frequente- mente ne- nhum custo Variável Identificação da marca Sim Sim Não Sim Continuidade da mensa- gem Alta/baixa, depende da situação Alta/baixa, depende dos recursos disponíveis Fora do controle da empresa Geralmente baixa Tabela 7: Características das Ferramentas Promocionais Fonte: adaptada de Las Casas (2006) A venda pessoal é o momento em que o provedor do serviço, por meio de uma interação direta, influencia o cliente (HOFFMAN; BATESON, 2003). Permite COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E78 um relacionamento imediato e interativo entre o consumidor e o vendedor da empresa, auxiliando no processo de vendas, conforme Kotler e Keller (2003). Por ter esse contato direto com o cliente, a venda pessoal é direcionada con- forme a necessidade do cliente, pois é possível compreender pessoalmente o que cada pessoa busca no serviço adquirido, por exemplo. Consequentemente o fee- dback torna-se mais fácil e rápido, pois o vendedor está “cara a cara” com o cliente. Já a continuidade dependerá da situação de compra e da necessidade do cliente. Na propaganda, que já foi definida anteriormente, Las Casas (2006) nos apre- senta em sua análise que o feedback não é direto, pois a propaganda é transmitida a um público amplo, muitas vezes não identificado pelo emissor, podendo estar em diversas regiões do país, o que dificulta a análise das respostas. As relações públicas, conforme Kunsch (2003), promovem e administram os relacionamentos, muitas vezes como conflitos, da empresa com o seu mercado. Trabalham em parceria com o marketing, realizando ações de comunicação no mercado, administrando a comunicação com o seu público dentro do contexto onde a empresa está inserida. Estão relacionadas à divulgação institucional da empresa, por isso se diferenciam do marketing, que está mais ligado à venda de produtos e serviços. Ao afirmarmos na tabela anterior que a flexibilidade e a continuidade estão fora do controle nas ações de relações públicas, devemos pensar que são ações normalmente sem custo e espontâneas no mercado. Por exemplo, a publicação de uma matéria jornalística sobre os serviços de uma empresa em um jornal local não terá custo para a empresa, porém, o conteúdo será redigido pelo jornalista Ferramentas de Comunicação no Marketing de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 79 responsável da redação do jornal, podendo conter informações diferentes das divulgadas pela empresa, o que pode causar no público uma reação diferente da esperada. E a promoção de vendas refere-se ao uso de ferramentas, como cupons, con- cursos, entre outras, buscando uma resposta rápida do consumidor (KOTLER; KELLER, 2006). Pode ser usada para obter resposta em curto prazo, chamando a atenção para novas empresas e serviços no mercado. No caso da promoção de vendas, verificamos que a continuidade é baixa, pois promoções possuem data de início e fim, o que não permite uma sequên- cia. Cada promoção é realizada conforme a necessidade da empresa e as datas comemorativas nas quais encaixam seus serviços. Após análise dos fatores que podem alterar o processo de comunicação em serviços e das ferramentas de comunicação que auxiliam em sua divulgação, par- tiremos agora para análise de como o Planejamento Estratégico auxilia na venda dos serviços no mercado. Uma das formas de divulgação tanto de produtos quanto serviços que vem sendo muito utilizada nosúltimos anos são os sites de compra coletiva. Por meio dessa ferramenta, as empresas oferecem seus produtos e/ou serviços com descontos ao consumidor, o que atrai atuais e novos clientes para a compra e conhecimento da empresa no mercado. A seguir, apresentamos um exemplo do uso desses sites para as vendas no mercado. SITES DE COMPRAS COLETIVAS REVELAM-SE EFICAZES FERRAMENTAS DE MARKETING NA INTERNET. Para muitas empresas, promover a divulgação da marca em sites e internet pode ser um grande desafio. Além das conhecidas redes sociais, desde o ano passado, uma boa alternativa para conquistar visibilidade e conquistar clientes tem se destacado: são os sites de compras coletivas. Os portais funcionam como lojas de atacado pela internet, quando vários usuários cadastrados compram a mesma oferta com descontos entre 50% e 90%. Tais ações apresentadas encaixam-se nas propostas de promoção de vendas que ana- lisamos anteriormente nesta unidade. Kotler e Keller (2006) afirmam que esse tipo de ação utiliza-se de ferramentas como cupons, por exemplo, para chamar a atenção dos consumidores atuais e potencias. No caso dos sites de compras coletivas, as vendas são feitas pelos cupons, que o consu- midor “troca” na empresa pelo produto ou serviço adquirido. “As promoções são anun- ciadas com uma cota mínima de vendas para ser ativada. Assim, um cliente fala para um amigo, que fala para o outro, que manda para o outro e todos compram o mesmo item pelo portal, representando uma rápida divulgação boca a boca”, explica Pedro Casarin, diretor de negócios do Tripular – site especializado em compras coletivas. Adaptado de: Site Maxpress. Disponível em: < http://www.maxpressnet.com.br/conteu- do/1,394261,sites_de_compras_coletivas_revelam-se_efciazes_ferramentas_de_marketing_na_ internet,394261,3htm>. Acesso em: 20 de Julho de 2016. Planejamento Estratégico na Venda de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 81 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA VENDA DE SERVIÇOS DEFINIÇÃO DE PLANEJAMENTO O Planejamento Estratégico busca o estabelecimento das ações da empresa no mercado em busca de vantagens competitivas. Chiavenato e Sapiro (2004) definem como as funções do planejamento, a identificação de recursos, o reconhecimento das fraquezas da empresa e/ou serviço e o estabelecimento das medidas neces- sárias são relevantes para o sucesso das ações no mercado. Os autores ainda afirmam que as ações do planejamento devem ser elabora- das de maneira integrada e articulada a todos os planos da empresa, envolvendo não somente o planejamento de marketing, mas também o planejamento finan- ceiro, de produção e de recursos humanos. Oliveira (2006) define o planejamento estratégico como as ações a serem tomadas pelas empresas, buscando que o futuro seja diferente do passado. Deve resultar em decisões presentes, tomadas a partir de uma análise de mercado, pensando o resultado futuro. Dentro dessa administração estratégica, onde está o planejamento, Wright, Kroll e Parnell (2000) apresentam três pontos que devem ser seguidos: 1º - a formulação da estratégia e seu desenvolvimento; 2º - a implementação da estratégia; 3º - o controle estratégico. Para os autores, primeiramente é preciso analisar o mercado, verificando oportu- nidades e ameaças existentes no ambiente externo. O foco de análise no ambiente externo está na verificação dos pontos fortes e fracos da empresa. Após essa aná- lise, é possível o estabelecimento e formulação das estratégias para que sejam colocadas em prática. O controle estratégico é usado para uma análise das ações, verificando se irão alcançar os resultados esperados ou precisam de alteração. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E82 A elaboração de um planejamento estratégico na área de serviços, como pro- cesso, não se difere das demais áreas. Ao falarmos de planejamento de serviços, também falamos de planejamento de bens e produtos. As diferenças, quando ocorrem, estão nas estratégias do composto de marketing (LAS CASAS, 2006). Assim, apresentaremos estratégias utilizadas pelas empresas de serviço para se tornarem competitivas no mercado. APLICAÇÃO DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM SERVIÇOS Kotler e Keller (2006) afirmam que até há pouco tempo as empresas prestadoras de serviços não se preocupavam com a utilização de estratégias mercadológicas devido ao seu tamanho das empresas ou à falta de concorrência. Porém, com o desenvolvimento da sociedade, as empresas passaram a investir em um serviço superior que as destaque da concorrência, agora acirrada no mercado. O planejamento inicia-se com a análise e o diagnóstico da empresa. Nesse momento, a empresa de serviços analisa as informações do ambiente em que está inserida. As variáveis que surgem aqui são as relacionadas aos macroambientes (econômico, político, social, competitivo, tecnológico, demográfico) segundo Las Casas (2006). E cada setor de serviço sofre influências e efeitos das variáveis: ■ Econômica: características econômicas da população, crescimento ou declínio do mercado, distribuição de renda e tendências de consumo. ■ Política: efeitos da legislação nos serviços. ■ Demográfica: características da população, taxa de crescimento, distri- buição populacional. ■ Social: fatores culturais e sociais que influenciem na venda no serviço. ■ Tecnológica: mudanças tecnológicas, inovações, marcas e patentes, pes- quisa e desenvolvimento. ■ Competitiva: desenvolvimento da concorrência no mercado. A análise das estratégias anteriores funciona como as realizadas para produtos, as quais já foram apresentadas na disciplina de Planejamento Estratégico de Planejamento Estratégico na Venda de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 83 Marketing. Vamos nos ater nesse momento às abordagens que as empresas de serviço utilizam com mais frequência. De acordo com Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), ganhar clientes no mer- cado competitivo de serviços consiste em competir em várias dimensões. Os clientes possuem diversas variáveis para análise em sua compra, sendo as prin- cipais o preço, a conveniência, a reputação e a segurança. Cada variável irá depender da preferência do cliente e da competitividade da empresa no mercado. Vamos lembrar que apenas definir as estratégias que a empresa utilizará não basta, é preciso foco no cliente para o atendimento de suas necessidades. No ambiente competitivo dos serviços, para Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), existem dificuldades e razões que atuam no desenvolvimento das estra- tégias. Analisam a existência de poucas barreiras para entrada de competidores, pois na maioria dos casos, os serviços não exigem grande investimento de capital para sua produção, o que faz com que novos concorrentes apareçam no mercado. Outra estratégia usada para a análise da concorrência, proposta por Las Casas (2011), está na observação das demais empresas existentes no mercado, denominada de “cliente fantasma”. No caso dos bens e produtos, a observação torna-se mais fácil, pois é possível adquirir a mercadoria em um estabelecimento comercial e realizar sua análise após a compra. Já nos serviços, não é possível realizar essa ação. Essa ação de observação funciona quando um funcionário da organização ou uma pessoa contratada se passa por cliente da empresa concorrente e faz uma avaliação do serviço prestado. Todas as suas considerações são anotadascom base em um questionário, sem que a empresa observada perceba essa análise. Essa estratégia permite o levantamento das ações realizadas pelos concorrentes, levando em consideração seus pontos fortes e fracos. Outro ponto do ambiente competitivo estratégico, levantando por Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), refere-se ao deslocamento do cliente ou da empresa de serviços para sua aquisição e execução. Essa necessidade de deslocamento acaba limitando a área de mercado, e em consequência a prestação de serviços ocorre em pequena escala. Uma sugestão apresentada pelos autores refere-se às franquias. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E84 Quanto à análise das variáveis legais, Kotler e Keller (2006) afirmam que os profissionais de marketing precisam conhecer as principais leis do setor de atu- ação da empresa para se protegerem da concorrência e conhecerem os direitos do consumidor. No setor de serviços, aplicam-se as mesmas análises dos produtos, porém, com o surgimento de novos segmentos e empresas, é preciso acompanhar as leis que surgem e se atualizar conforme as necessidades de mercado. Um exemplo que verificamos no ano de 2013 é a alteração da Lei das Empregadas Domésticas no país. Essa função encaixa-se na área de prestação de serviços, e com a alte- ração na Lei, empresas e pessoas físicas que contratam esse serviço precisam atentar-se às mudanças e adequar-se à contratação dos seus prestadores, evi- tando problemas futuros. Referente às análises demográficas, Las Casas (2006) apresenta os seguintes pontos de análise: características da população, taxa de crescimento, distribui- ção populacional e migração. A análise das características da população em geral e do público-alvo da empresa na área de serviços constitui-se na compreensão dos desejos do consumidor. Um exemplo das características do consumidor relaciona-se ao desenvol- vimento da sociedade, que apresenta um ritmo de vida cada vez mais agitado. A população não possui tempo para realizar tarefas simples e diárias, o que a leva, em sua maioria, à contratação de prestadores de serviços. Um exemplo está na prestação de pequenos serviços domésticos, como organização residencial. Empresas como a House Shine (<www.houseshine.com.br>), que realiza servi- ços de limpeza (diaristas e mensalistas) para as residências. O consumidor que não possui tempo para realizar a limpeza de sua casa contrata esse serviço, que antigamente era realizado pela dona de casa ou por um empregado contratado pelo chefe de família. Ambrósio (1999) apresenta o consumidor como o principal foco do marke- ting, sendo este o início de todo planejamento. Essa análise é baseada nos seguintes pontos: ■ Perfil do consumidor: análise do seu perfil cultural (valores e costumes), social (grupos de referências, família, posição social), pessoal (idade, ocupação, estilo de vida) e psicológico (motivação, percepção e crenças). Planejamento Estratégico na Venda de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 85 ■ Necessidades e desejos do consumidor: está relacionado à satisfação do consumidor quanto ao serviço oferecido pela empresa, analisando os moti- vos que o levam a adquiri-lo e quais suas sugestões de melhoria. ■ Hábitos de uso e atitudes do consumidor: análise das preferências de compra do consumidor, verificando quando e como costuma comprar. ■ Papéis de compra: iniciador, influenciador, decisor, comprador e usuário. Durante a realização do Planejamento Estratégico, os fatores relacionados ao consumidor que acabamos de apresentar são analisados para determinação do segmento de mercado a ser trabalhado. Sabendo exatamente quem é o consu- midor, e conhecendo suas necessidades e desejos, as ações de marketing serão direcionadas corretamente, evitando falhas de comunicação e desperdício no investimento da empresa. Os fatores sociais analisam as tendências referentes às crenças, valores, nor- mas e costumes na sociedade (CHIAVENATO; SAPIRO, 2003). Essa análise torna-se mais complexa, pois os fatores culturais relacionados ao estilo de vida, valores sociais e às crenças estão mudando rapidamente na sociedade. Por exemplo, os papéis das mulheres nas famílias, que antes era o de ser mãe e esposa. Hoje a mulher está se inserindo cada vez mais no mercado de trabalho, o que a deixa mais tempo longe de casa e a faz buscar empresas para realiza- ção de serviços domésticos, empresa de transporte escolar para levar seus filhos para estudar, entre outros. Kotler e Keller (2006) afirmam que os consumidores possuem crenças e valores centrais e secundários. As crenças e valores centrais são aqueles trans- mitidos de pais para filhos, e reforçados pelas instituições sociais como igrejas e escolas. Esses valores são mais difíceis de serem mudados, pois envolvem tradi- ção e conceitos familiares nos quais os consumidores acreditam sem questionar. Já as crenças secundárias são mais abertas a mudanças, elas são baseadas nas crenças centrais, mas podem ser mudadas. Os autores citam um exemplo relacionado aos valores do casamento. A crença central está em acreditar no casamento, agora, acreditar que as pessoas devem se casar cedo ou mais tarde é uma crença secundária, que se altera conforme o desenvolvimento da sociedade. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E86 Os fatores econômicos, segundo Las Casas (2006), são relacionados ao cres- cimento do mercado, às taxas de emprego, à distribuição de renda e às tendências de consumo. Aqui analisamos os fatores econômicos do mercado da empresa de serviço, por exemplo, se está em crescimento ou em declínio. E como a economia contribui para o desenvolvimento da empresa. No caso de uma empresa prestadora de serviços na área de organização de eventos, por exemplo, se a economia desse setor estiver em crescimento os con- sumidores investirão em eventos mais elaborados e com um custo maior. Porém, se o público-alvo estiver enfrentando problemas financeiros, poderá optar por um evento menor ou a não realização, o que prejudicará o desenvolvimento da empresa no mercado. São as análises das variáveis econômicas que podem alterar a demanda e a oferta dos serviços no mercado (CHIAVENATO; SAPIRO, 2003). E para que ocorra demanda é preciso que existam consumidores com poder de compra, o que nos leva a também analisar se o preço praticado pela empresa está acessível ao público escolhido como segmento de mercado (KOTLER; KELLER, 2006). E, por último, a análise dos fatores tecnológicos que são as inovações e mudanças tecnológicas referentes ao segmento do serviço oferecido ao consu- midor (LAS CASAS, 2006). Trata-se do uso da tecnologia, tanto na produção e execução do serviço, quanto no processo de contratação. A empresa de prestação de serviços domésticos HouseShine, que citamos anteriormente, utiliza seu website para divulgação de seus serviços e também para execução de orçamentos. O uso da tecnologia virtual facilita a busca do consumidor pela empresa, o qual não precisará se deslocar fisicamente para entender os serviços oferecidos pela empresa, bem como conhecer o preço pra- ticado no mercado. Kotler e Keller (2006) afirmam que encontramos no mercado empresas que, em vez de atualizarem novas tecnologias, apresentam uma rejeição ao novo e se mantêm desatualizadas no mercado, o que pode prejudicar o seu desenvol- vimento. O dinamismo do mercado e a evolução tecnológica do consumidor requer que a empresa acompanhe essedesenvolvimento. Há também no Planejamento Estratégico a análise dos fatores internos da empresa, que é a análise SWOT (Pontos Fortes, Pontos Fracos, Ameaças e Planejamento Estratégico na Venda de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 87 Oportunidades). Essa análise interna busca evidenciar as qualidades e deficiên- cias da empresa analisada. Sendo que os pontos fortes e fracos são relacionados à empresa e seus serviços, enquanto as ameaças e oportunidades são relaciona- das ao mercado de atuação (OLIVEIRA, 2012). Las Casas (2006) levanta que as empresas de serviços focam suas análises internas e externas nas exigências dos consumidores, como o atendimento dos funcionários. A intangibilidade dos serviços faz com que essas análises sejam realizadas para identificar os pontos positivos e negativos não somente na pro- dução dos serviços, mas também durante a sua execução. Após a análise inicial já proposta, as empresas elaboram seus objetivos e estratégias para aplicação no mercado. Las Casas (2006) afirma que o processo é o mesmo usado pelos produtos. Os objetivos precisam ser coerentes e dire- cionar a empresa para determinados fins. E as estratégias determinam como as metas e objetivos de marketing serão alcançados. Como esses fatores já foram trabalhados em outra disciplina do curso, não iremos nos ater a essas informações neste momento. O propósito desta etapa da unidade foi de apresentar como as análises de mercado são realizadas para as empresas de serviço. Apresentaremos agora a execução e análise da qualidade dos serviços no mercado. Cresce a procura por empresas prestadoras de serviços de limpeza profis- sional em imóveis. Os serviços domésticos vêm crescendo no país, segundo dados apresenta- dos pelo Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Rio de Janei- ro (Seac-RJ) e divulgado pelo site Yahoo Finanças, nas empresas prestado- ras de serviços de limpeza profissional em imóveis a procura triplicou e a expectativa é que haja um novo aumento durante o ano. O público alvo dessas empresas são pessoas que não possuem mais interesse em manter vínculos empregatícios com domésticas (os), mas que também não tem tempo para manter a casa limpa e arrumada. © sh ut te rs to ck COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E88 QUALIDADE EM SERVIÇOS A qualidade do serviço é medida pelo consumidor a longo prazo, sendo rela- cionada ao desempenho esperado. Las Casas (2006, p.358) afirma que “[...] a satisfação atualiza nos clientes suas percepções da qualidade do serviço”. Essa afirmação surge do princípio de que o cliente percebe a qualidade do serviço com base em suas expectativas, a ponto de que nos próximos encontros com a empresa, o cliente atualizará e reforçará a percepção inicial que teve. Para Rocha e Gomes (1993), a qualidade em serviços busca um objetivo comum a todas as empresas, que é o da satisfação do usuário, conquista e garantia do mercado. A avaliação da qualidade do serviço ocorre durante o processo de sua execu- ção e cada contato realizado pela empresa com o consumidor é um momento de satisfazê-lo. Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) também concordam com a ideia de que a qualidade do serviço está agregada às expectativas do consumidor. E ainda afirmam que, quando o serviço não atende a tais expectativas, sua qualidade passa a ser vista como inaceitável e, quando se confirma, passa a ser satisfatória. Qualidade em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 89 Grönroos (2004) diz que a qualidade de um serviço é qualquer coisa per- ceptiva ao usuário, e que a vantagem competitiva de uma empresa no mercado relaciona-se com a qualidade do valor de seus bens e serviços, sempre se aten- tando à maneira como a qualidade é percebida pelos clientes. A qualidade, tanto nos produtos quanto nos serviços, faz a diferença para o consumidor no mercado, garantindo sua permanência e os lucros na empresa. Sendo considerada pelo autor como uma ferramenta capaz de destacar a empresa no seu mercado de atuação. Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) apresentam cinco dimensões que os clientes usam para julgar a qualidade em serviços. A primeira relaciona-se à confiabilidade, sendo a confiança e exatidão na prestação do serviço ao con- sumidor. O desempenho está relacionado à expectativa em relação ao prazo e erros durante a execução do serviço. Por exemplo, a entrega de uma encomenda no prazo determinado pela empresa prestadora de serviço. Gianese e Corrêa (1994) denominam essa dimensão como velocidade no atendimento. A qualidade está na prontidão da empresa e de seus funcionários na prestação do serviço. Relaciona-se também com o tempo de espera, tanto o tempo real quanto o tempo percebido pelo consumidor. “Nada pode ser mais frustrante para os clientes do que provedores de serviços não confiáveis” afirma Hoffman e Bateson (2003, p. 369). A confiabilidade reflete a confiança que o desempenho da empresa transmite ao cliente, sendo essa o ponto considerado pelos autores como o mais importante entre as cinco dimensões. Para Las Casas (2006), a confiabilidade é extremamente importante na prestação do serviço, pois para prestar um serviço de qualidade, a empresa deve ter a habi- lidade de fornecer o que foi prometido ao consumidor de forma segura e precisa. A segunda dimensão apontada por Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) é a da responsabilidade, ou seja, a disposição em atender e fornecer ao cliente o serviço prontamente. Não deixá-lo esperando por um serviço, ou caso ocorra atraso em sua execução, oferecer algo a mais, sem custo que compense a espera do consumidor. Por exemplo, quando um voo de uma companhia área estiver com atraso, elas pode oferecer um coffee break aos seus passageiros enquanto aguardam o avião. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E90 Trata-se de uma atenção personalizada ao cliente, utilizando-se das ferramen- tas que a empresa possui para que o serviço não perca sua qualidade, segundo Gianese e Corrêa (1994). Essa dimensão reflete o compromisso da empresa no fornecimento do serviço ao cliente, não podendo ocorrer ausência de atendi- mento (HOFFMAN; BATESON, 2003; LAS CASAS, 2006). Para exemplificar a dimensão do atendimento, usamos o exemplo de uma nova pizzaria, que tem sua inauguração agendada e divulgada a toda a cidade. Durante o evento de abertura, a empresa deve estar preparada para atender toda a demanda do dia, minimizando as falhas de serviços e as queixas dos clientes. Estar comprometida com o atendimento aos clientes, oferecer o que foi prome- tido aos consumidores em sua divulgação publicitária, entre outros serviços que podem ser realizados para atender às expectativas do consumidor. A dimensão de segurança relaciona-se ao atendimento e cortesia dos fun- cionários, e na transmissão de confiança e confidencialidade ao cliente. É preciso transmitir a impressão ao cliente de que o funcionário está realmente interessado nas suas necessidades (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Para Hoffman e Bateson (2003), a segurança diz respeito à cortesia da empresa, à sua competência e à segurança de suas operações ao consumidor. A competência está ligada ao conhecimento e habilidade da empresa em desempenhar o ser- viço. Já a cortesia está no modo como os funcionáriosda empresa interagem com seus clientes. E a segurança reflete a sensação de confiança que o cliente possui quanto aos riscos que podem ocorrer durante a aquisição e execução do serviço. É uma habilidade da empresa transmitir confiança, evitando riscos, segundo Gianese e Corrêa (1994). Um exemplo que podemos apresentar nessa dimensão são os serviços bancários. O cliente busca segurança e confiança, tanto quando está investindo seu capital, quanto na confiança de que suas informações não serão repassadas a terceiros. A dimensão da empatia é definida por Hoffman e Bateson (2003) como a capacidade da empresa perceber as sensações e necessidades do cliente como se fossem suas. Ao compreender o que o cliente busca, a empresa não perde a noção do que é ser cliente, atender suas necessidades e tornar o serviço acessí- vel aos seus consumidores. Empatia – grau de cuidado e atenção pessoal dispensado pelos clientes. Qualidade em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 91 Também são importantes aspectos a capacidade de se colocar no lugar dos outros como também a receptividade, que é a disposição de ajudar os clientes e fornecer serviços com presteza (LAS CASAS, 1999, p. 79). Trata-se de fornecer uma atenção personalizada ao cliente, demonstrando o interesse da empresa por ele. Para Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), a empa- tia inclui a acessibilidade ao serviço, a sensibilidade e o esforço para entender as necessidades do cliente. A empatia pode ser exemplificada na resolução de problemas do cliente. Por exemplo, um passageiro que por algum motivo atrasou-se para o voo e perdeu sua conexão. Cabe à empresa procurar soluções e ajudá-lo a resolver seu problema. E, por último, os aspectos tangíveis, que se relacionam às instalações físicas, equipamentos, pessoal e material para comunicação da empresa com o cliente, conforme Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) e Las Casas (2006). Hoffman e Bateson (2003) relembram que a intangibilidade do serviço leva o cliente à busca de uma evidência física, onde estão os objetos envolvidos na pres- tação do serviço, como a estrutura física do escritório da empresa, por exemplo. Kotler e Keller (2006) resumem essas cinco dimensões na tabela apresen- tada a seguir. Confiabilidade Entrega do serviço como prometido. Segurança ao lidar com os problemas dos clientes. Entrega do serviço certo na primeira vez. Entrega do serviço no prazo. Capacidade de resposta Manter o cliente informado sobre a data de realização do serviço. Efetuar o atendimento rápido ao cliente. Mostrar disposição para ajudar o cliente. Estar preparado para atender às solicitações do cliente. Segurança Dispor de funcionários que inspirem confiança nos clientes. Fazer os clientes se sentirem seguros em suas transações. Dispor de funcionários cordiais. Dispor de funcionários com conhecimento necessário para res- ponder aos questionamentos do cliente. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E92 Empatia Dar ao cliente atenção individual. Ter em mente os melhores interesses do cliente. Dispor de funcionários que entendam as necessidades do cliente. Oferecer horário de funcionamento conveniente. Itens tangíveis Equipamentos modernos. Instalações com visual atraente. Aparência dos funcionários. Material visualmente atraente associado ao serviço. Tabela 8: Dimensões dos Serviços Fonte: adaptada de Kotler e Keller (2006, p. 408) As cinco dimensões apresentadas são utilizadas pelos clientes para o julgamento da qualidade dos serviços, no qual comparam o serviço esperado (suas expecta- tivas) com o serviço percebido (serviço entregue), podendo sua percepção ser negativa ou positiva. Para compreendermos melhor a definição de serviço desejado, vamos nos apoiar nas ideias apresentadas por Zeithaml e Bitner (2003). Serviço desejado é a relação entre o que o cliente acredita que possa ser com aquilo que considera o que deveria ser. Ou seja, está relacionado com o que o consumidor gostaria de receber. Essa expectativa do consumidor sofre influência de quatro fatores (GIANESI; CORRÊA, 1994). A comunicação boca a boca, em que o cliente sofre influência com as recomendações de terceiros. As necessidades pessoais, pois cada cliente busca um serviço devido a uma necessidade única e individual. As experiências anteriores que já viveu, em que relembra a aquisição do serviço e se foi positivo ou negativo. E por último, a comunicação externa, que provém das informa- ções transmitidas pela empresa. Para Grönroos (2004), o cliente, de um modo geral, avalia a qualidade con- forme a sua experiência. Assim, as empresas devem definir qualidade do mesmo modo que os clientes fazem, para que não tomem atitudes erradas e invistam mal sua comunicação mercadológica. O que conta, nesse caso, é como a quali- dade é percebida pelo cliente. Qualidade em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 93 Cada expectativa do cliente pode gerar um grau de qualidade que deve ser conhecido pela empresa. Gianesi e Corrêa (1994) ilustram na figura a seguir uma forma de avaliação da qualidade de serviço que as empresas podem usar. Expectativas do cliente antes da compra do serviço Percepção do cliente sobre o serviço prestado Resultado do serviço Processo do serviço Geram Expectativas não atendidas Expectativas excedidas Expectativas atendidas Qualidade Total Qualidade Satisfatória Qualidade Inaceitável Figura 7: Avaliação da Qualidade de Serviço pelo Consumidor Fonte: adaptada de Gianesi e Corrêa (1994, p. 80) Os autores afirmam que encontramos no mercado divergência quanto à avalia- ção de qualidade. Existem linhas de estudo e pesquisa que defendem a ideia de que o cliente usa suas expectativas para avaliar a qualidade de um serviço, assim, a empresa deve atender às expectativas do cliente e não às suas necessidades. Enquanto há também a linha que defende a ideia de que o ponto principal está no atendimento das necessidades do cliente. Com essas divergências existentes, Gianesi e Corrêa (1994) nos propõem que é mais fácil compreender e identificar as expectativas do cliente do que suas necessidades. Pois o que o consumidor transmite é o que ele espera de um ser- viço, não o que realmente precisa. Cabe, assim, às empresas detectarem as expectativas dos clientes, para rea- lizarem ações que busquem a percepção positiva dos seus serviços no mercado. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E94 FALHAS NA QUALIDADE EM SERVIÇO “A avaliação da distância entre o serviço esperado e o percebido é um processo rotineiro de retorno de informações do cliente, praticado pelas principais com- panhias de serviços” (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005, p. 250). É preciso monitorar, constantemente, se os clientes de serviços estão ou não satisfeitos, levantando assim os pontos de falha e negativos da empresa. A qualidade na prestação de serviços relaciona-se, em primeiro lugar, com a expectativa do cliente, que realiza comparações com os concorrentes. Hoffman e Bateson (2003) afirmam que não importa o quanto o serviço seja bom, se hou- ver falhas na satisfação das expectativas do cliente, este o perceberá como de baixa qualidade. O cliente não avalia o serviço somente porque aprova ou não seus resulta- dos,mas também pelo seu prestador, analisando suas habilidades interpessoais. Assim, a avaliação dos serviços pode ser feita em termos de lacunas que surgem entre as expectativas e percepções da empresa e dos clientes. Comunicação externa com clientes Prestação do serviço (incluindo pré e pós-contatos) Percepções da qualidade do serviço Percepções da empresa quanto às expectativas do cliente Necessidades pessoais Experiências anteriores Propaganda boca a boca Serviço esperado Serviço percebido Cliente Negociante FALHA 1 FALHA 3 FALHA 4 FALHA 5 FALHA 2 Figura 8: Falhas na Satisfação das Expectativas do Cliente Fonte: adaptada de Fitzsimmons e Fitzsimmons (2003, p. 252) Falhas na Qualidade em Serviço Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 95 A primeira falha ou lacuna trata das divergências entre as expectativas do cliente e a percepção da administração quanto a essas expectativas. Para Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), os clientes formulam suas expectativas com base no material de divulgação da empresa, nas experiências anteriores, nos con- correntes e na troca de informações com amigos. Para minimizar essa falha, a empresa precisa conhecer seu consumidor por meio de pesquisa de mercado e da comunicação que realiza com seus funcionários e clientes. Las Casas (2006) atribui essa falha à análise errada de informações de pes- quisa de mercado, das expectativas dos clientes, da demanda existente e do fluxo de informações interno e externo da empresa. São falhas de gerenciamento de informações da empresa. Já Hoffman e Bateson (2003) apresentam três fatores que influenciam nessa falha de conhecimento: ■ Orientação para pesquisa: ação da empresa na realização de pesquisa com o cliente para conhecer sua expectativa. ■ Comunicação ascendente: trata-se do fluxo de informação dos funcio- nários que estão na linha de frente, e que possuem contato direto com o consumidor. À medida que essas informações que os funcionários pos- suem são passadas aos demais da empresa, diminuem-se as falhas. ■ Níveis hierárquicos: quanto mais complexo os níveis hierárquicos da organização, mais fácil fica para os níveis mais altos se distanciarem dos clientes e das atividades diárias da empresa. A segunda falha está na incapacidade da administração em formular a qualidade do serviço conforme a percepção do cliente. Resulta na falta de comprometimento da administração da empresa com a qualidade do serviço, ou na impossibilidade de suprir a expectativa do cliente (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Nessa falha é trabalhada a diferença entre o que a empresa acredita que o cliente quer e espera, e as especificações de qualidades realmente estabelecidas para a prestação de serviços (HOFFMAN; BATESON, 2003). Aqui a empresa deve questionar se o serviço está sendo executado exatamente como o cliente espera. Se a empresa conseguiu compreender o que o cliente quer, e se essa expec- tativa é traduzida no serviço final. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E96 Grönroos (2004) afirma que essa falha relaciona-se à especificação de qua- lidade e resulta de erros de planejamento, procedimento ineficiente, falha no gerenciamento do planejamento, objetivos confusos da organização e falta de apoio da alta administração no planejamento da qualidade de serviço. A qualidade percebida pelo cliente é tão importante para as empresas, que o autor a denomina como fator de sucesso para o seu desenvolvimento no mer- cado. É um fator que o consumidor coloca no topo de sua lista de prioridades quando avalia uma empresa de serviços. A terceira falha está no desempenho do serviço. É quando o serviço pres- tado ao consumidor não está de acordo com as especificações determinadas pela administração da empresa. Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) indicam a ocor- rência dessa falha por problemas na equipe de trabalho por falta de treinamento, contratação errada de funcionários e projeto inapropriado de tarefas. Hoffman e Bateson (2003) definem essa falha como a diferença que existe entre as especificações de qualidade estabelecidas pela empresa durante a presta- ção do serviço e sua qualidade real, a que foi entregue ao cliente. E citam fatores que influenciam nesse momento: ■ Disposição para desempenhar o serviço: se o funcionário está desempe- nhando o serviço com todo seu potencial e capacidade. ■ Adequação funcionário-tarefa: se os funcionários estão alocados nas tare- fas que são capazes de cumprir. ■ Conflito de funções: falha na comunicação, onde falta ligação entre o que o administrador da empresa espera que o funcionário forneça ao cliente e o que realmente é oferecido. ■ Ambiguidade de função: falta de conhecimento do funcionário a respeito da função que deve desempenhar. ■ Apoio inadequado: falha no treinamento dos funcionários e falta de mate- rial para execução do trabalho. Essas falhas também se relacionam a problemas de comunicação interna. A ine- xistência ou insuficiência do endomarketing da empresa pode gerar um ruído de comunicação para os colaboradores, levando-os a não compreensão da tarefa Falhas na Qualidade em Serviço Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 97 a ser executada (LAS CASAS, 2011). O não entendimento da tarefa leva ao não cumprimento da função, o que refletirá no resultado final do serviço oferecido ao cliente, podendo gerar insatisfação e percepção negativa da qualidade. Os materiais de comunicação elaborados pela empresa de serviços também podem gerar falhas de percepção da qualidade no cliente, sendo essa a quarta falha. O serviço prometido no material de divulgação e na mídia da empresa deve ser o mesmo entregue ao consumidor (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). As promessas feitas pelos meios de comunicação no mercado devem con- sistir no serviço entregue. Las Casas (2011) apresenta duas razões para que as falhas relacionadas à comunicação ocorram: 1ª razão: relacionada ao planejamento e à execução das ações de comunica- ção no mercado. Antes de prometer algo ao consumidor, a empresa deve analisar se é possível entregar o serviço prometido, para somente depois comunicar sua existência ao cliente. 2ª razão: a empresa promete demais em sua comunicação. Na ânsia de ven- der, algumas empresas prometem mais do que podem cumprir, e isso resulta em problemas na entrega do serviço. E por último, a quinta falha, que trata da diferença entre as expectativas e as percepções dos clientes. Essa falha relaciona-se as quatro apresentadas anterior- mente. Caso ocorra algum problema durante o processo de venda e execução do serviço, o cliente não terá sua expectativa atendida e, consequentemente, terá uma imagem e percepção da qualidade do serviço negativa (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). São muitas as dificuldades na implementação e execução dos serviços no mercado. Muito se deve à expectativa do cliente, conforme já apresentado ante- riormente, e a sua necessidade de comparação com suas experiências anteriores (HOFFMAN; BATESON, 2003). Assim, não importa o quanto o serviço seja bom, se houver falha constante na satisfação do cliente, haverá uma percepção de baixa qualidade, prejudicando o desenvolvimento da empresa no mercado. Para evitar essas falhas, é preciso conhecer o consumidor e suas expectativas. Nas próximas unidades, trataremos mais a respeito desse assunto, determinando ferramentasque auxiliem no desenvolvimento de ações para satisfação dos clien- tes das empresas de serviço. “Estratégia de marketing de serviços refere-se à posição que a em- presa deseja alcançar no futuro e o que deve fazer para con- segui-la, considerando-se determinado ambiente de atuação” (LAS CASAS, 2006, p. 53). A TAM, empresa de aviação, foi fundada em 1961, e vem apresentado cresci- mento de mercado. Sua trajetória de crescimento é marcada por uma oferta de serviços diferenciados dos seus concorrentes. O surgimento de novos competidores no mercado, com estratégias diferenciadas que envolvem baixo custo e serviços básicos, fez com que a TAM repensasse sua atuação e estratégias de mercado, o que levantou a questão de como conseguiriam oferecer um pacote de serviços que atendesse às necessidades dos consu- midores, mantendo sua posição de mercado sem perder a lucratividade. COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E QUALIDADE EM SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E98 CONSIDERAÇÕES FINAIS O que buscamos nesta unidade foi a aplicação de ferramentas de marketing que auxiliam na venda de serviços no mercado. Iniciamos discutindo como o processo de comunicação e suas ferramentas contribuem na divulgação dos serviços. Nesse momento, compreendemos que as falhas no processo de comunicação, os ruídos, ocorrem frequentemente no marketing de serviços devido às dificuldades de compre- ensão, por parte dos consumidores, das funções da empresa de serviços no mercado. Para isso, apresentamos as etapas do processo de comunicação (emissor- -receptor), as aplicações do posicionamento de mercado e as ferramentas de comunicação (venda pessoal, propaganda, relações públicas e promoção de vendas). Todas as análises foram realizadas com base nos serviços, focando nas formas como podem ser utilizadas. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 99 Em seguida, conhecemos as formas de aplicação do Planejamento Estratégico para o marketing em serviços. Os princípios são os mesmos dos realizados para os produtos ou bens. O que se buscou nesse momento foi apresentar como as análises externas e as análises internas (SWOT) são realizadas para os serviços. A análise do mercado deve ter seu foco principal no consumidor, compreen- dendo suas necessidades e desejos quanto ao serviço oferecido e a compreensão do desenvolvimento do serviço no mercado, para que os objetivos e estratégias sejam viáveis e mensuráveis. Ao final da unidade, discutimos a Qualidade em Serviços, que atua com base na confiabilidade que o consumidor tem com a empresa, na capacidade de res- posta ao mercado, na segurança e empatia que é repassada ao consumidor e no item tangível do serviço. Abordamos também as falhas na qualidade dos serviços. Não basta somente entregar um serviço de qualidade ao consumidor, é preciso analisar pontos referentes à empresa, serviço e consumidores. A forma como a empresa de serviços é administrada reflete no seu desen- volvimento no mercado. Há também a qualidade dos serviços, ou seja, o que o cliente quer, e o que a empresa realmente entrega. A comunicação realizada pela empresa no mercado pode gerar problemas também devido à quantidade ou falta de informações. E o desempenho do serviço, que se relaciona à expec- tativa do cliente. Na próxima unidade, falaremos sobre o mercado de serviço, analisando os cenários atuais com dados e situação de mercado. Trabalharemos também a demanda por serviços, ou seja, a busca de mercado, bem como as estratégias de demanda que podem ser usadas e a atuação dos clientes na prestação de serviço. 1. No primeiro item desta unidade estudamos a Comunicação Integrada de Marke- ting nas empresas de serviço. Para facilitar a compreensão desses conceitos, pes- quise uma empresa de serviços que realiza ações de comunicação no mercado, e responda as seguintes questões: a) Defina as etapas do processo de comunicação, determinando quem exerce as funções de emissor, receptor, qual o canal/meio de comunicação utilizado e qual a mensagem transmitida. b) Verifique quais ferramentas de comunicação a empresa utilizou (venda pes- soal, propaganda, relações públicas e promoção de vendas). Apresente as ações feitas e faça uma análise do seu resultado no mercado. 2. No Planejamento Estratégico, usamos as análises externas (macroambientes) e as análises internas (SWOT) para conhecimento de mercado e determinação das estratégias de marketing. Após leitura desse item da unidade, elabore um texto explicando como essas duas análises são aplicadas no marketing em serviços. Cite exemplos se necessário. 3. A qualidade percebida pelo consumidor nos serviços faz a diferença no merca- do, garantindo sua permanência e competitividade com os demais concorren- tes. Explique como essa qualidade pode destacar a empresa no seu mercado de atuação. 4. Elabore um texto explicando e discutindo como as falhas de qualidade nos ser- viços podem prejudicar uma empresa. Discuta as falhas de administração, quali- dade, desempenho e comunicação. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Estratégias de Marketing para Serviços - Como as Organizações de Serviços Devem Estabelecer e Implementar Estratégias de Marketing Aléssio Bessa Sarquis Editora: Atlas Sinopse: O livro apresenta ferramentas para a melhoria do desempenho de marketing das organizações no setor de serviços, propondo conceitos básicos e novas formas de pensar a administração de marketing em serviços, com a utilização de estratégias mercadológicas. Utiliza exemplos reais, com estudos de caso brasileiros, apresentando o dia a dia das empresas no mercado. As empresas, antes de entrarem no mercado e durante a sua atuação, precisam se preocupar com as parcerias que realizarão, pois suas ações em conjunto também refletirão no resultado final do serviço oferecido ao cliente. O vídeo apresentado no link <http://www.youtube.com/watch?v=ymSXLV7Lj4o> foi apresentado no Programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios, e discute as parcerias e escolhas de prestadores de serviço que irão auxiliar uma empresa a se desenvolver no mercado. U N ID A D E IV Professora Me. Cláudia Cristina Batistela Francisco MERCADO DE SERVIÇOS Objetivos de Aprendizagem ■ Verificar a dinâmica e o desenvolvimento do mercado de serviços no país. ■ Compreender a função da demanda na venda de serviços. ■ Analisar a importância dos consumidores na prestação de serviços. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Análise do setor de serviços no país ■ Tipos de demandas no mercado ■ Clientes da prestação de serviços ■ Segmentação de mercado no marketing de serviços INTRODUÇÃO O mercado de serviços vem se destacando cada vez mais na economia do país. Esse fator se dá pelo aumento da procura de empresas que ofereçam serviços em todas as áreas aos consumidores finais. A falta de tempo para execução de pequenas tarefas domésticas ou a necessidade de contratar uma empresa que organize um evento, por exemplo, são ações que levam os consumidores a bus- carem cada vez mais por empresas de serviços. Assim, iniciamos esta unidade do livro abordando o mercado de serviços no país. Será realizada uma breve análise dos setores em segmento, assim como do comportamento do consumidor nessa nova realidade de mercado. Em seguida, abordaremos o tema demanda de mercado. A busca por um produto ou um serviço no mercado pelos consumidores faz com que as empre- sas se desenvolvam e cresçam, atingindo um estado de maturidade no setor em que atuam. A demandapor serviços não é diferente da por produtos. Depende, inicialmente do mercado em que atua, necessitando conhecer seus consumidores. Também trabalharemos com as demandas positivas e negativas de mer- cado. O que vamos apresentar são formas como as empresas de serviços devem se preparar para atender à demanda da melhor forma possível, visando sempre a satisfação de seus consumidores. Para finalizarmos esta unidade, abordaremos o tema Clientes na Prestação de Serviços. É preciso conhecer quem as empresas então atendendo, para que as ações de marketing sejam direcionadas corretamente, obtendo o máximo de resultado positivo. Primeiramente, será abordado o tema decisão de compra do consumidor, no qual trataremos de assuntos referentes aos fatores e riscos que os consumidores de serviços levam em consideração para escolha de uma empresa, e também as formas de segmentação de mercado, que podem ser rea- lizadas pelas empresas para a definição de seu público-alvo. O objetivo nesse momento é apresentar as diferenças existentes entre os consumidores de ser- viços, os pontos principais de seu comportamento que os levam a escolher por uma empresa ou outra. Afinal, conhecer o consumidor é a melhor maneira de atender às suas expectativas positivamente. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 105 MERCADO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E106 MERCADO DE SERVIÇOS “O setor de serviços da economia está passando por um período de mudança quase revolucionária” (LOVELOCK; WRIGHT, 2001, p. 8). Nosso objetivo, ao iniciar esta unidade do livro com essa afirmação, é demons- trar que esse segmento está crescendo muito nos últimos tempos e vem chamando a atenção do consumidor para as novas ofertas no mercado. Lovelock e Wright (2001) complementam a informação afirmando que a inovação oferecida pelas empresas de serviço é realizada com sucesso no mercado. Os concorrentes atuais não conseguem agradar os clientes, que estão cada vez mais exigentes, o que permite o ingresso de empresas de pequeno, médio e grande porte no mercado. Os autores apresentam os fatores que auxiliam na mudança do cenário das empresas de serviço no mercado. Apresentamos aqui os mais relevantes. Regulamentação governamental. Privatização de serviços públicos sem fins lucrativos. Inovações tecnológicas. Crescimento do segmento de serviços. Pressão do consumidor pela qualidade. Figura 9: Fatores de Mudanças no mercado de serviços Fonte: adaptada de Lovelock e Wright (2001) A regulamentação governamental se relaciona às leis do segmento em que a empresa atua (KOLTER; KELLER, 2006). Até a década de 70, o mercado de serviços sofria com fortes regulamentações relacionadas a preço, distribuição e entendimento da diferença entre serviço e produto. Hoje, a regulamentação já está reduzida, o que permite uma abertura do mercado para mais empresas e oferece ao consumidor a opção de escolha, afir- mam Lovelock e Wright (2001). Para exemplificar esta afirmação, analisamos as empresas de telefonia existentes no país. Por muito tempo, o consumidor con- tava apenas com uma operadora de serviços telefônicos, a mudança veio após alterações nas leis e no mercado, o que permitiu a entrada de novos concorren- tes, e hoje o consumidor possui mais de uma opção para escolha. ©shutterstock Mercado de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 107 A privatização de serviços públicos resulta na redução de custos, reestrutu- ração da empresa e uma postura mais voltada para o mercado (LOVELOCK; WRIGHT, 2001). O que antes era exclu- sivo do governo, sem opção de escolha, passa a ser acessível ao consumidor, com várias empresas privadas trabalhando no mercado. Essa ação permite a competitividade no mercado. O consumidor passa a ter uma percepção melhor da qualidade apresentada, e com a concorrência no mercado, as empresas tornam-se competitivas, traba- lhando principalmente o preço para o consumidor final. As inovações tecnológicas também são relacionadas ao ambiente tecnológico de marketing, já analisado anteriormente. Um dos fatores tecnológicos apresenta- dos por Kotler e Keller (2006) está relacionado à evolução digital. Essa tecnologia nos serviços passa a ser usada nos acessos aos sites da empresa, por exemplo. Como trabalhamos com algo intangível, normalmente produzido no ato do consumo, o uso de um site com fotos da empresa e dos serviços já oferecidos auxilia na sua escolha. Uma empresa de eventos pode apresentar o que já rea- lizou com fotos no site, para que o consumidor escolha e analise as opções que possui, por exemplo. Quanto ao crescimento do segmento de serviços, os dados apresentados pelo SEBRAE (2012) demonstram que o setor é o que mais evoluiu na economia do país. São apresentados os seguintes segmentos: ■ Beleza e Estética: o Brasil é o 2º país do mundo em consumo de produ- tos relacionados à estética, estando atrás somente do Japão e dos Estados Unidos. O faturamento chegou a R$ 21,7 bilhões em 2008, tendo um aumento de 10,6% nos últimos 13 anos. Os fatores que auxiliam no desen- volvimento desse segmento relacionam-se ao aumento da participação da mulher no mercado de trabalho, a vaidade masculina e as novas tec- nologias no mercado. ■ Educação a Distância: tanto a oferta quanto a demanda vêm crescendo na educação a distância. Cada vez mais o mercado exige capacitação do MERCADO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E108 profissional, e pela carga de trabalho, que muitas vezes é conciliada com cuidados da família e atividades extras, o consumidor não possui tempo para estudar. A Educação a Distância aparece como alternativa para suprir a necessidade apresentada pela empresa e, para muitos, a realização do sonho de cursar uma universidade, por exemplo. ■ Turismo: com a realização de grandes eventos com porte internacional no país, a área de turismo vem crescendo cada vez mais. Eventos como a Copa das Confederações (2013) e a Copa do Mundo (2014) no país aumentam a demanda pelas empresas de turismo, que oferecem pacotes direcionados aos consumidores. ■ Mercado de games: os dados apresentados no estudo realizado pelo SEBRAE (2012) afirmam que no Brasil há uma média de 40 milhões de gamers, em que um terço dos jogadores está on-line, sendo a principal fonte e acesso pela página do Facebook. O aumento na procura pelos jogos oferece uma oportunidade de mercado, surgindo novas empresas no ramo e aumentando o crescimento no segmento. Todo esse crescimento do setor é sustentado, em parte, pelas pequenas e médias empresas, que vêm ganhando espaço no mercado devido aos financiamentos bancários. O governo utiliza-se de políticas públicas de incentivo para aber- tura de novas empresas, o que permite a expansão do mercado de serviços (DE LORENZO, 2012). Lovelock e Wright (2001) finalizam falando sobre a pressão que o consu- midor exerce nas empresas pela qualidade dos serviços. Ocorreram diversas mudanças no mercado quanto a essa percepção, antes voltada para os interesses da empresa, e agora focando no consumidor. O assunto já foi trabalhado ante- riormente no livro, apenas relembramos aqui que as empresas vêm realizando inúmeros investimentos nesse sentido, como pesquisas na busca da melhoria da qualidade para entrega do serviço aos seus clientes. Em 2009 no Brasil, existiam 918.200 empresas de serviços,com participação de mercado de 31,4% voltadas às famílias, 30,5% às empresas, 7,7% de informa- ção, 15% de transportes e 15,4% de outras atividades (DE LORENZO, 2012). Mercado de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 109 Conforme CEBRASSE (2010), em 2009 o setor de serviços respondeu por mais de 70% dos empregos formais, sendo a atividade econômica que mais recebeu investimentos estrangeiros diretos, uma média de 45% das aplicações externas no setor. Fica evidente que o setor de serviços está em expansão no mercado, pois mui- tas atividades antes realizadas pelo consumidor agora passam a ser terceirizadas, devido à falta de tempo ou habilidade para realizá-las. É um segmento em pleno desenvolvimento e que apresenta uma grande necessidade de ações de marke- ting para divulgação do que vem sendo oferecido e da disputa dos concorrentes. Assim, apresentaremos a seguir a demanda por serviços, ou seja, a busca dos consumidores pelas empresas, focando nas estratégias e ações a serem realizadas. Serviços asseguram crescimento do PIB em 2012. Matéria publicada em 01/03/2013 Apesar do baixo crescimento do PIB, o baixo desemprego e o rendimento em expansão impulsionaram principalmente o setor de serviços, que asse- gurou o crescimento ainda que modesto da economia em 2012. O PIB (Pro- duto Interno Bruto) teve expansão de apenas 0,9% no ano passado, para R$ 4,4 trilhões, segundo informou o IBGE. Os reajustes salariais e a alta do emprego resultaram em um aumento de 1,7% da produção de serviços, se- tor com peso de 68,5% do PIB. Dentre os subsetores, os destaques positivos ficaram com serviços de informação (TV, rádio, internet, telefonia, informáti- ca e outros), com alta de 2,9%, e administração, saúde e educação públicas – expansão de 2,8%. Os outros serviços avançaram 1,8%. Fonte: Folha de São Paulo online. Disponível em: <http://www1.folha.uol. com.br/mercado/2013/03/1238945-servicos-asseguram-crescimento-do- -pib-em-2012-agropecuaria-cai.shtml>. Acesso em: 1 abr. 2013. MERCADO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E110 DEMANDA Iniciamos esta parte do livro conceituando demanda de um modo geral, tanto para produtos quanto para serviços. Em seguida, trabalharemos a demanda dire- cionada aos serviços. Kotler e Armstrong (1995, p. 145) definem demanda como [...] o volume total a ser adquirido por um determinado grupo de clien- tes em uma determinada área geográfica, durante determinado perío- do, em um determinado ambiente de marketing, sob um determinado nível e mix de esforço de marketing praticado pelas empresas do setor. A demanda está relacionada à procura de um produto ou serviço pelo consumi- dor. Cabe às empresas atentarem-se a essa ação de mercado, evitando problemas, como falta dos produtos anunciados em uma determinada promoção, para que não se crie a insatisfação no consumidor. O fornecimento de um serviço está relacionado à sua disponibilidade no mercado para um consumidor que necessita de algo. “Assim, o fornecimento de serviços implica a análise da necessidade (demanda) do serviço e na criação de mecanismos para oferecermos os serviços que satisfaçam as necessidades dos clientes (canais de distribuição)” (RAZZOLINI FILHO, 2010, p. 64). Para determinação da demanda, Kotler e Keller (2006) dizem que o tamanho do mercado deve ser analisando, buscando o número de compradores que podem existir para determinada oferta, e apresentam os seguintes tipos de mercado: ■ Mercado potencial: são consumidores que possuem renda suficiente e acesso para adquirir o produto ou serviço. Apresentam um alto nível de interesse pela oferta no mercado. ■ Mercado disponível: são os consumidores que possuem renda, interesse, acesso e qualificação para adquirir um produto ou serviço. Por exemplo, a venda de bebidas alcóolicas só é permitida para maiores de 18 anos, nesse caso, os consumidores que podem comprar esse produto consti- tuem um mercado qualificado e disponível para aquisição. ■ Mercado-alvo: é a parte do mercado disponível que a empresa busca. Trata-se da segmentação de mercado, definindo um grupo (segmento) a ser trabalhado. Demanda Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 111 ■ Mercado Atendido: são os consumidores que estão comprando o pro- duto ou serviço da empresa. A definição do mercado auxilia na elaboração do planejamento de marke- ting da empresa e na compreensão do tamanho da demanda que se pode atender, evitando problemas de descontentamento do consumidor. Razzolini Filho (2010) afirma que o mercado é formado por consumidores (usuários) de um produto ou serviço e por clientes potenciais. Assim, precisa- mos compreender o comportamento de todos os clientes, tanto os que já são atendidos pela empresa quanto os que podem vir a se tornar consumidores futu- ramente, para que possamos determinar estratégias e táticas de ações no mercado. Os autores Kotler e Keller (2006) também nos apresentam oito possíveis estados ou formas de demanda que encontramos no mercado, apresentadas na tabela a seguir. Demanda Negativa Surge quando os consumidores não gostam do produto ou serviço e tentam evitá-lo. Exemplo: grande parte das pessoas não gosta das vacinas pelo fato de usar agulha (injeção). Alguns consumidores evitam, porém outros, mesmo não gostando, pagam pela vacina para evitar uma doença futura. Demanda Inexistente Ocorre quando os consumidores não têm conhecimento do produto ou serviço, ou não estão interessados nele. Exemplo: se uma nova empresa no mercado não realizar divul- gação dos seus serviços, não haverá procura pelos consumido- res. Demanda Latente Os consumidores apresentam um grande desejo pela compra de um produto ou serviço. Há uma grande procura por parte dos consumidores. Exemplo: a busca por novos aplicativos de celular. Demanda em Declínio A frequência de compra do produto ou serviço diminui, poden- do chegar a não ter mais procura pelos consumidores. Exemplo: os aparelhos de vídeo cassete já não possuem procura pelos consumidores, pois existe outra tecnologia que os substi- tuem no mercado. MERCADO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E112 Demanda Irregular Quando a busca pelo produto ou serviço sofre com a sazonali- dade. Exemplo: as pessoas buscam os serviços de um cinema mais nos finais de semana (sexta, sábado e domingo), enquanto nos demais dias a procura é menor. Demanda Plena Ocorre quando as vendas da empresa são satisfatórias, ou seja, há busca pelo produto ou serviço. Exemplo: aparelhos de celular. É um mercado em crescimento no qual os consumidores sempre buscam pelas novidades tec- nológicas, o que faz com que a demanda seja constante. Demanda Excessiva Há mais consumidores interessados nos produtos ou serviços do que a quantidade de pessoas que a empresa consegue atender. Exemplo: venda de ingressos para os jogos da Copa do Mundo. A venda acaba rapidamente, porém, ainda há muitos torcedores que gostariam de comprar o ingresso. Demanda Indesejada É a procura por produtos ou serviços prejudiciais à saúde, socie- dade ou meio-ambiente. Exemplos: a venda de cigarros. Tabela 9: Tipos de Demanda Fonte: adaptada de Kotler e Keller (2006) É preciso analisar cada caso, verificando em qual sua empresa se enquadra, para que as ações de marketing sejam direcionadas corretamente.Agora que compreendemos a importância da demanda e como podem auxi- liar ou prejudicar o desenvolvimento da empresa no mercado, partimos para a compreensão da atuação da demanda no mercado de serviços. DEMANDA EM SERVIÇOS A gestão da demanda em serviços difere-se dos produtos pela impossibilidade de estoque (ZEITHAML; BITNER; GREMLER, 2011). As empresas de serviço não conseguem realizar estoque no período de baixa demanda e utilizá-lo depois, quando necessário. ©shutterstock Demanda em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 113 Lovelock e Wright (2001) dizem que, para os bens manufaturados, a produ- ção física é armazenada para ser vendida posteriormente, enquanto nos serviços, a produção não é feita com antecedência, não podendo assim ser estocada. Tratamos neste momento novamente da efe- merabilidade dos serviços, ou seja, da característica relacionada ao fato de não ser possível estocá-los. Serralvo (2009) nos diz que o aumento repentino na demanda de serviços pode não ser atendido devido a esse fator, o que pode pre- judicar o desenvolvimento da empresa no mercado. A efi ciência nesse caso está na capacidade de produção quando a demanda aumenta para os serviços. Os autores expõem que não há necessidade de aumen- tar a mão de obra e os equipamentos, mas sim em utilizar o efetivo que possui da forma mais produtiva possível. Os gerentes de serviços bem-sucedidos reconhecem que a adminis- tração da demanda e da capacidade são essenciais não só para o uso produtivo dos recursos da empresa mas, também, para propiciar aos clientes as experiências com serviço de alta qualidade que eles procu- ram (LOVELOCK; WRIGHT, 2001, p. 347). Faz-se necessária a elaboração de um planejamento de produção para as empre- sas de serviços. Grönroos (2004) afi rma que o serviço é algo que será produzido, comercializado e consumido, denominando-o de “não produto”, pois não existe um serviço pré-produzido e estocado para ser comercializado e consumido. Os serviços são elaborados com base no processo em que sua produção não está separada do consumo. No ponto de vista da empresa, parte do serviço é produzida em uma área de apoio na retaguarda da empresa, mas no ponto de vista da qualidade, a parte mais crítica do serviço é produzida juntamente com o cliente, que participa, percebe e avalia o processo de serviço. Razzolin Filho (2010) discute a distribuição dos serviços dentro da demanda. Afi rma que o fornecimento de um serviço ocorre da ligação entre fornecedor e cliente. A forma de distribuição dependerá do cliente. Na tabela a seguir, apresenta- mos diferentes possiblidades de fornecimento de serviços para atender à demanda. MERCADO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E114 DISTRIBUIÇÃO EXEMPLO DE SERVIÇOS Cliente vai à organização Cinema, cabelereiro, agência lotérica, supermercado. Ativação a distância Cursos pela internet, banco online, progra- mas de televisão. A organização vai ao cliente Serviços de táxi, serviços de jardinagem, serviços de encanador. Tabela 10: Fornecimento de Serviços Fonte: Razzolin Filho (2010, p. 65) As formas de distribuição dos serviços permitem que a empresa faça uma análise prévia de como a demanda acontecerá, proporcionando que ela elabore estratégias para atendimento e satisfação das necessidades do consumidor. Quanto ao atendimento da demanda de serviços, Lovelock e Wright (2001) e Zeithaml, Bitner e Gremler (2011) apresentam quatro condições que um ser- viço pode enfrentar no mercado: 1ª – Excesso de demanda: ocorre quando a demanda é muita e a empresa começa a recusar clientes por não poder atender a todos. 2ª – Demanda excede a capacidade ótima: a empresa não recusa clientes, porém, a capacidade de produção fica prejudicada, e os clientes percebem a queda na qualidade do serviço oferecido. 3ª – Demanda e oferta estão equilibradas: a empresa não está sobrecarregada e consegue atender a seus clientes com qualidade e sem atrasos. 4ª – Excesso de capacidade: a demanda está baixa, o que pode levar a empresa a desperdiçar recursos. É preciso analisar como está a demanda da empresa em cada momento de atuação do mercado. No caso de uma demanda excessiva, por exemplo, a empresa não conseguirá atender a todos os clientes que a procuram, e a sua recusa fará com que o consumidor busque pela concorrência e não retorne depois à sua empresa. Zeithaml, Bitner e Gremler (2011) propõem estratégias que permitem o ajuste da demanda ao mercado, conforme figura a seguir. Demanda em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 115 • Informe os dias de mais movimento. • Modi�que horários e dias de prestação do serviço. • Ofereça incentivo para utilização da capacidade fora dos horários de pico. • De�na prioridades, dando atenção a clientes leais e com necessidades importantes. • Cobre preço integrais, sem desconto. • Estimule os negócios com segmentos de mercado inexistentes. • Informe os horários de pico e as vantagens da utilização do serviço em outros horários. • Diversi�que a maneira de utilizar instalações. • Diversi�que os serviços oferecidos. • Diferencie o preço. AJUSTE NA DEMANDA DEMANDA EXCESSIVAMENTE ALTA DEMANDA EXCESSIVAMENTE BAIXA Figura 10: Ajuste da Demanda no Mercado Fonte: adaptada de Zeithaml, Bitner e Gremler (2011, p. 488) Ao utilizar essas estratégias, a empresa de serviços busca atrair clientes nos períodos em que a demanda está em baixa, e deslocar os clientes em períodos que excede a capacidade. Porém, nenhuma estratégia será suficiente se a empresa não souber analisar sua demanda. Lovelock e Wright (2001) afirmam que as estratégias para atendi- mento da demanda só serão bem-sucedidas se forem baseadas no entendimento e conhecimento das causas que levam o cliente de um segmento específico de mercado a procurar por um serviço em um determinado momento. Os autores também afirmam que a administração da demanda depende tam- bém da divisão da demanda por segmento, ou seja, a análise de quando cada segmento de mercado busca o serviço e por quais motivos. Assim, sabendo da importância da demanda e do consumidor na empresa de serviços, abordaremos a seguir os clientes na prestação de serviços, anali- sando os segmentos de mercado e o perfil do consumidor. O texto a seguir apresenta uma das formas de demanda existentes no mercado para as empresas de serviços. Ao realizar a leitura, fiquem atentos às informa- ções apresentadas que são confirmadas pelos autores nesta unidade do livro. CRESCE A DEMANDA POR SERVIÇO DE ENTREGAS EM CASA Uma tendência que observamos é a de que os consumidores estão ficando mais tempo em suas residências, que em muitos casos também passaram a ser seus locais de traba- lho – home office. Os maiores motivos desses comportamentos estão relacionados ao crescimento da violência nas ruas, à necessidade de poupar tempo de deslocamento, à facilidade de acesso à tecnologias que nos possibilitam adquirir produtos e serviços sem sair de casa. Para atender a esse novo perfil de consumidor, as empresas, além de pensarem na qua- lidade de seus produtos e serviços, precisam se atentar aos serviços logísticos de entre- ga, gerenciando estoque e principalmente os serviços de entrega (prazo, quantidade e qualidade). Infelizmente ainda observamos diversas empresas “prometendo” entregas em “x” dias que não ocorrem no prazo (falhas nos processosde entrega). Empresas que oferecem uma variedade imensa de itens, mas muitos destes estão indisponíveis no momento que o consumidor deseja comprar (falhas no sistema de gestão de estoque). Empresas que não informam ao consumidor o status do pedido de compra (falha nos processos de rastreabilidade). Empresas que não possibilitam um processo de devolução adequado (falha na logística reversa). Dentro das estratégias de demanda que verificamos anteriormente está a demanda que excede a capacidade ótima, apresentada por Lovelock e Wright (2001) e Zeithaml, Bitner e Gremler (2011). Esta demanda identifica as empresas que não se recusam a atender aos clientes, porém não se atentam à sua capacidade de produção, o que pode pre- judicar no resultado final da entrega do serviço, prejudicando também a imagem da empresa no mercado. As Empresas e os profissionais de logística devem estar atentos a estes e outros desa- fios necessários para atender às premissas da entrega em casa. Para isso, é importante conhecer com maiores detalhes as necessidades e expectativas desses “novos” consu- midores, e com base neste conhecimento desenvolver processos e sistemas logísticos adequados a essa tendência. Adaptado: Site Administradores.com. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/ artigos/tecnologia/cresce-a-demanda-por-servico-de-entregas-em-casa/20264/>. Acesso em: 02 de julho de 2016. Clientes na Prestação de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 117 CLIENTES NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS O conhecimento do consumidor passou a ter grande importância para a comer- cialização de serviços no mercado. Las Casas (2011, p.34) afirma que “[...] os profissionais de marketing de serviços devem preocupar-se em primeiro lugar com ‘como’, ‘quem’ e ‘quando’ são realizadas as compras tanto para pessoas físi- cas quanto jurídicas”. O comprador de serviços utiliza-se de alguns critérios e características que considera importante na seleção e avaliação do serviço a ser adquirido. O autor apresenta essas características como sendo as de competência técnica da empresa, reputação da empresa no mercado, qualidade no serviço oferecido e experiên- cia da empresa e da equipe no mercado. Bateson e Hoffman (2001) afirmam que é preciso entender os processos mentais dos consumidores para a compra, que passa por três estágios, que se dividem em Estágio Pré-Compra, Estágio de Consumo e Avaliação Pós-compra. A pré-compra, para os autores, são as atividades do consumidor antes de realizar a compra do serviço. Tem início quando o cliente possui um problema a ser resolvido, ou seja, a necessidade de compra, e nesse momento busca-se pela solução desse problema. Lovelock e Wright (2001) afirmam que conhecer essas necessidades do cliente, no período de pré-compra, é extremamente importante, pois as infor- mações que eles oferecem nessa busca da empresa e do serviço influenciam em quais alternativas o cliente irá considerar. O cliente nesse momento avalia os riscos que podem acontecer na compra do serviço. Lovelock e Wright (2001) apresentam os seguintes riscos: ■ Risco Funcional: o resultado de desempenho do serviço é grande. Nesse caso, antes da compra o consumidor questiona se a empresa é capaz de ofe- recer o que promete ou se o serviço realmente atenderá a suas expectativas. ■ Risco Financeiro: é a perda monetária do consumidor. Aqui o cliente analisa se as despesas com o serviço são viáveis ou se seu investimento terá retorno. MERCADO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E118 ■ Risco Temporal: refere-se à perda de tempo para aquisição do serviço. No processo de pré-compra, o cliente indagará quanto ao tempo de espera para aquisição do serviço, como espera em filas ou dias para execução do serviço. ■ Risco Físico: é o dano pessoal ou prejuízo material. Por exemplo, em um pacote de viagens, o consumidor pode se questionar previamente quanto ao dano pessoal de ficar doente durante as férias ou ao dano físico que pode acontecer em um passeio de avião. ■ Risco Psicológico: temores e emoções pessoais. São os fatores emocionais do consumidor quanto à incerteza da prestação do serviço, a demora na entrega, entre outros. ■ Risco Social: refere-se à forma como os outros pensam ou reagem. Aqui o consumidor analisa como suas escolhas e seus comportamentos de com- pra serão vistos e analisados pela sociedade (amigos, famílias, colegas de trabalho, entre outros). ■ Risco Sensorial: referente aos cinco sentidos do ser humano (tato, olfato, paladar, visão e audição). Por exemplo, em um restaurante, o cliente ava- lia previamente se a refeição o irá agradar ou se o ambiente possui muito barulho. Os riscos apresentados podem incomodar os clientes e influenciar no seu pro- cesso de decisão de compra do serviço. Lembrando, conforme os autores, que esses riscos relacionam-se à aquisição de serviços. Porém, Zeithaml, Bitner e Gremler (2011) afirmam que durante a tarefa de seleção da empresa de serviço, no período de pré-compra, os clientes apresentam uma tendência a escolher a primeira alternativa aceitável, em vez de pesquisar as demais existentes no mercado. Após decisão do tipo de serviço que será adquirido e da empresa que o for- necerá, o cliente passa para o estágio de consumo. Aqui estão o processo de decisão de compra e a compra do serviço (BATESON; HOFFMAN, 2001). E a decisão de compra é acompanhada das expectativas de desempenho do serviço. O consumidor envolve na decisão de compra, também, as instalações da empresa de serviços como forma de análise. As empresas de serviço, conforme Clientes na Prestação de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 119 autores, envolvem-se ativamente nesse processo, pois os serviços são produzi- dos e consumidos, em sua maioria, simultaneamente. Lovelock e Wright (2001) afirmam que a decisão de compra do cliente para um serviço incluem alguns fatores, sendo eles: ■ Ambiente de serviços: são todas as características tangíveis do ambiente onde ocorre a entrega do serviço. São os equipamentos, a limpeza, os barulhos, e até os demais clientes, que podem afetar a percepção de qua- lidade e de entrega do serviço. ■ Profissionais de serviço: atuação dos funcionários durante a venda e a execução dos serviços influencia na escolha do consumidor, pois há uma interação direta com o cliente. Espera-se que os funcionários sejam trei- nados e capacitados para a execução do serviço. ■ Serviços de suporte: são todos os equipamentos e a matéria-prima que permitem aos funcionários executarem os seus trabalhos. Durante a compra de um produto, os consumidores têm a opção de ver e expe- rimentar antes de comprar. No serviço, o consumidor sabe pouco a respeito antes de adquiri-lo. E a etapa pós-compra está relacionada ao atendimento ou não das expec- tativas do consumidor (KOTLER; KELLER, 2006). A sua reação após a compra influenciará no seu comportamento futuro quanto à empresa. Se o consumidor ficar satisfeito, haverá mais chances de comprar novamente na empresa, enquanto os consumidores insatisfeitos podem abandoná-la, buscando pelos concorrentes na próxima necessidade de compra. Zeithaml, Bitner e Gremler (2011) dizem que após a experiência da compra e consumo do serviço, o cliente elabora uma avaliação, determinando a chance de retornar ou não à empresa. As empresas de serviços costumam avaliar a satisfação pós-compra do cliente com basena qualidade do serviço, na fidelidade do consumidor e no vínculo emocional que criado. E para entendermos quem é o consumidor, precisamos analisar as formas de segmentação de mercado. Vamos nos ater a seguir na definição de público para as empresas de serviços. ©shutterstock MERCADO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E120 SEGMENTAÇÃO DO CONSUMIDOR EM SERVIÇOS “Um segmento de mercado consiste em um grupo de consumidores que possuem as mesmas preferências” (KOTLER; KELLER, 2006, p. 237). Ao iniciarmos esta etapa do livro com essa afirmação, realizamos o seguinte questionamento: como agrupar segmentos de clientes de serviço, se já analisa- mos que os serviços são prestados de acordo com a necessidade que cada cliente apresenta, podendo ser individualizado? Kotler e Keller (2006) esclarecem muito bem essa questão ao afirmarem que um segmento é uma “ficção”, pois dentro de um grupo, nem todas as pessoas querem exatamente o mesmo serviço, mas estão relacionadas a tal segmento por apresentarem muitas características em comum. A segmentação de mercado, segundo Cobra (2003), é a divisão do mercado em grupos de consumidores, tendo como foco os clientes-alvo do serviço ou produto. Para realizar essa divisão, é preciso levantar informações sobre moti- vos, atitudes e comportamento de compra. E para Churchill (2003), segmentar o mercado é um processo de divisão dos consumidores em grupos de compradores potenciais, que apresentam seme- lhanças nas necessidades e nos desejos de compra. Há inúmeras maneiras de segmentar mercado, variando as informações desde a idade do consumidor até as suas atitudes e comportamentos de compra. Kotler e Armstrong (1995) apresentam variáveis (geográficas, demográficas, Segmentação do Consumidor em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 121 psicográficas e comportamentais), que auxiliam na segmentação de mercado, que são usadas tanto para a definição de público de produtos e/ou serviços. A segmentação geográfica divide o mercado em regiões, estados, países, muni- cípios ou bairros. As empresas definem sua participação em determinada localidade com base no público que lá está (KOTLER; ARMSTRONG, 1995; COBRA, 2003). Muitas empresas estão segmentando seus serviços buscando atender às neces- sidades individuais de cada região de atuação. Suas estratégias e adequações dos serviços serão de acordo com o perfil do público. Churchill (2003, p.213) define a segmentação geográfica como o “processo de dividir o mercado com base na localização e outros critérios geográficos, como densidade populacional ou clima”. Ou seja, o mercado não precisa ser divi- dido somente em país, mas pode ser segmentado em estado, cidade ou bairro, podendo ou não ser específico. Um exemplo que podemos analisar de serviços na segmentação geográfica está nas escolas. Em determinados países, os alunos estudam em período integral, independente da idade, enquanto no Brasil, os serviços escolares são oferecidos somente em meio período (manhã ou tarde). As escolas de período integral são oferecidas somente a crianças pequenas, como as creches. A segmentação demográfica realiza a divisão dos consumidores em grupos, com base nas variáveis: idade, sexo, renda, tamanho da família, ocupação, entre outras. Kotler e Armstrong (1995) afirmam que, em relação aos fatores demográ- ficos, as necessidades e os desejos do consumidor variam conforme as mudanças das variáveis analisadas. Em cada ciclo de vida do consumidor, será apresentado um desejo e uma necessidade de compra diferente. A seguir, vamos analisar as variáveis mais utilizadas na definição da seg- mentação demográfica. ■ Segmentação por sexo: é apropriada para definir se o serviço é desti- nado somente a mulheres ou é exclusivo para homens, podendo ainda ser consumido pelos dois. Auxilia na decisão dos esforços e estratégias de comunicação (CHURCHILL, 2003). Usamos como exemplo os serviços oferecidos por salões de beleza. Hoje, encontramos no mercado empre- sas exclusivas para mulheres e barbearias (como são chamadas) somente para homens. Nesses casos, a comunicação é feita com base no sexo do MERCADO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E122 consumidor também, e essa exclusividade pode ser usada como diferen- cial de mercado, deixando o consumidor mais à vontade no ambiente da empresa. ■ Segmentação por renda: define o potencial de compra do consumidor, conforme Kotler e Armstrong (1995). Vem sendo muito usada por empre- sas de serviços, como agências de viagens, que oferecem desde pacotes mais populares, para a classe média, até pacotes mais caros, para as clas- ses mais altas. ■ Segmentação por idade: os desejos e as necessidades do consumidor mudam conforme o seu ciclo de vida (KOTLER; KELLER, 2006). Em cada etapa da vida, os consumidores possuem um hábito e um desejo específico de consumo. Por exemplo, ao analisarmos os serviços de entretenimento, as crianças preferem lugares com brinquedos, enquanto o público jovem busca sua diversão em locais que ofereçam música e espaço para dança. As variáveis apresentadas anteriormente são as mais comuns no mercado, porém, nada impede a empresa de acrescentar outras. Pode-se usar também variáveis como a instrução e ocupação do consumidor. Por exemplo, um banco pode oferecer seus serviços, como uma conta universitária a estudantes, com taxas reduzidas e sem necessidade de comprovação de renda. Nesse caso, o foco está na ocupação e na instrução do consumidor (CHURCHILL, 2003). A segmentação psicográfica divide o grupo de consumidores, conforme Kotler e Armstrong (1995), com base no estilo de vida ou nas características da personalidade. Trata-se da maneira como o consumidor conduz sua vida, o que inclui as atividades que executa, seus interesses e suas opiniões. Quanto ao estilo de vida, os autores afirmam que as compras que realizam expressam o seu estilo. Por exemplo, os consumidores buscam muitos serviços relacionados ao bem-estar e à saúde. Encontramos no mercado pessoas que pos- suem um estilo de vida esportivo, que gostam de praticar exercícios e buscam uma alimentação saudável. Já existem empresas que oferecem serviços direciona- dos a esses consumidores, com o acompanhamento de nutricionistas, educador físico, e até na produção e entrega da alimentação ao cliente. Kotler e Armstrong (1995) também afirmam que a variável personalidade corresponde à individualidade do consumidor-alvo. Os traços analisados nessa Segmentação do Consumidor em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 123 variável induzem comportamentos diferenciados de compras. São características que ficam mais expostas nas ações de comunicação da empresa, apresentando campanhas com personagens ou testemunho de pessoas que tenham a mesma personalidade do consumidor do serviço, por exemplo. E por último, a segmentação comportamental. Churchill (2003) afirma que as variáveis a serem observadas relacionam-se à ocasião de uso do serviço, aos benefícios buscados com a compra, ao status do comprador e usuário do serviço, entre outros. Quanto à ocasião e volume do uso do produto ou serviço adquirido, Kotler e Armstrong (1995) afirmam que o consumo pode ser grande, médio ou pequeno. Encontramos consumidores no supermercado que compram em grande quanti- dade e fazem compra uma vez por mês, porexemplo, enquanto outros preferem fazer compras diárias ou semanais. Ao apresentar os benefícios do serviço, a empresa busca consumidores que estão comprando com base no retorno esperado, afirmam os autores. Por exemplo, consumidores que procuram os serviços de uma clínica odontológica para cor- reção da arcada dentária e estética buscam o benefício da beleza em seu sorriso. Kotler e Armstrong (1995) ainda afirmam que os mercados são divididos, dentro da segmentação comportamental, conforme o status do usuário como sendo não usuário, ex-usuário, usuário potencial ou usuário regular. Para os usuários potenciais (consumidores que podem se tornar clientes dos serviços) e regulares (atuais consumidores do serviço), é preciso um esforço diferenciado de comunicação. Entender o consumidor atual e potencial é extremamente importante para as empresas, para que possam direcionar suas ações de marketing. Por isso, tais estratégias de segmentação de mercado foram abordadas. Sabendo que o segmento de mercado auxilia na definição do público da empresa, o que permite um melhor direcionamento de informação, algumas empresas vêm trabalhando segmentos específicos em áreas diferenciadas, como é o caso dos salões de beleza exclusivos para homens. Assim, reproduzimos um pedaço da matéria publicada pelo site <http:// www.abril.com.br/noticias/ciencia-saude/homens-preferem-ambiente-exclusi- vo-saloes-beleza-diz-gerente-216406.shtml> (acesso em: 20 Julho de 2016) para discutir sobre o assunto. HOMENS PREFEREM AMBIENTE EXCLUSIVO EM SALÕES DE BELEZA, DIZ GERENTE. Por Marcos Burghi São Paulo - Os homens aumentaram a frequência nos salões de beleza e, de olho nesse mercado, começam a surgir espaços exclusivos para atrair esse público. “Eles preferem ambiente exclusivo, sem mulheres”, revela gerente do J.J. Cabeleireiros, Au- gusto Castro, na capital paulista. Castro conta que o público masculino representa, atualmente, 40% da clientela do salão. Há quatro anos, informa, não era mais que 5%. Castro diz que os homens procuram tratamentos rápidos, que “mudem o que seja co- mum, mas tenham o estilo do cliente”. Além disso, ele afirma que alguns frequentadores, antes de marcar a visita, perguntam se há espaço reservado para homens. Entre os ser- viços mais requisitados estão os tradicionais cortes de barba e cabelo, além de práticas que indicam mudanças de hábitos, como massagens e cuidados com a pele do rosto. George Arliani, proprietário da franquia brasileira do salão Llongueras, rede com sede em Barcelona, Espanha, e que conta com 133 unidades entre próprias e franqueadas em países como Itália e Portugal, diz que atualmente 30% do faturamento de seu estabeleci- mento vêm dos clientes homens. Segundo ele, há três anos, o salão fazia, mensalmente, cerca de 1,2 mil atendimentos em serviços, cerca de 100 para homens. Atualmente, são executados cerca de 5 mil serviços ao mês, dos quais cerca de 1,5 mil, 30%, para homens. As informações apresentadas na matéria vêm comprovar as colocações de Cobra (2003, p.134) ao afirmar que como os gostos e preferências dos consumidores que formam deter- minado mercado são individualizados, é importante a identificação do padrão de compra de cada segmento de mercado. Portanto, para seg- mentar, ou seja, dividir um mercado maior em partes menores, é preciso conhecer as necessidades dos consumidores-alvo, bem como suas atitu- des e comportamentos mais frequentes na decisão de compra. E é nesse sentido que os salões exclusivos para o público masculino vêm trabalhando. Oferecendo um serviço direcionado e que atenda às necessidades do público. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 125 CONSIDERAÇÕES FINAIS O mercado de atuação dos serviços vem crescendo constantemente no país, o que abre novas portas para a atuação dos profissionais de marketing. Sabendo dessa informação, iniciamos a unidade discutindo sobre o mercado de serviços, as áreas de maior atuação das empresas e quais as expectativas futuras. Em seguida, discutimos os tipos de demandas existentes no mercado, tanto as relacionadas aos produtos quanto as utilizadas para os serviços. Ao aplicarmos o conceito de demanda para serviços, verificamos a importância da organização das empresas para que consigam suprir a procura do consumidor. O serviço não é algo que pode ser estocado, e somente será produzido, comer- cializado e consumido no momento da compra. É nessa fase que as empresas devem se preocupar em como atender a toda a demanda, não gerando insatis- fação no consumidor. Finalizamos a discussão analisando os clientes na prestação de serviços, apre- sentando também como devemos realizar sua segmentação. Durante a aquisição de um produto, o consumidor tem a opção de analisá-lo antes de comprar (pela sua existência física), o que no serviço não é possível. Assim, foram levantados fatores que influenciam na decisão de compra do consumidor de serviços. Discutimos o ambiente de serviços, onde estão todas as características tangíveis do serviço (estrutura física da empresa). E analisamos também a atuação dos funcionários durante a venda e a execução dos serviços, o quanto esse fator influencia no processo de decisão. Finalizamos apresentando as formas de segmentação de mercado que podem ser realizadas para a definição do público-alvo da empresa de serviços. Na próxima unidade, vamos tratar sobre a atuação do marketing interno nas empresas de serviços, analisando a importância dos funcionários nesse pro- cesso. Serão tratados também os temas marketing de relacionamento em serviços, comportamento do consumidor e retenção de serviços, onde discutiremos as estratégias para manter clientes fiéis. 1. Analisamos o crescimento do segmento de serviços com dados apresenta- dos referentes ao Brasil, bem como a definição dos segmentos que mais cres- cem nessa área. Assim, realize uma análise na sua cidade dos segmentos de serviços que mais cresceram no último ano, escolha um desses segmentos e elabore um texto analisando suas ações de marketing no mercado. 2. Verificamos a existência de diversos tipos de demandas existentes no merca- do. Explique cada tipo de demanda, definindo como funcionam no segmen- to de serviços. Use exemplos se necessário. 3. No período de pré-compra os clientes, além de avaliarem as alternativas existentes no mercado, verificam os riscos que podem ocorrer na aquisição de um serviço. Sabendo dessa informação, determine e explique quais são os riscos analisados pelo consumidor nas empresas de serviço. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Marketing e Serviços que ainda fazem a diferença. Áurea Ribeiro e Ângela Fleury Editora: Saraiva Sinopse: O livro apresenta informações que auxiliam nas tomadas de decisões relativas a marketing e oferta de serviços. Levantando questionamentos quanto à atuação ou não em um determinado mercado, para qual público oferecer o serviço, como fidelizar os clientes e que ações de mercado usar para encantá-los. Também são apresentados casos do nosso cotidiano, que nos levam à reflexão e aplicação nas experiências do leitor. A Creche do Papai O filme A Creche do Papai , com os atores Jeff Garlin e Eddie Murphy, retrata, de uma forma engraçada, a atuação de uma empresa prestadora de serviços no mercado. A história trabalha a vida de dois profissionais que ficaram desempregados recentemente e, como não têm dinheiro para pagar a creche de seus filhos, são obrigados a retirá-los dela e cuidar deles até que arranjem um novo serviço. É nesse momento que surge a ideia de ganhar dinheiro criando uma instituição que cuida de crianças enquanto seus pais trabalham.Durante o filme, é possível ver as dificuldades que uma empresa enfrenta, bem como as necessidades de traçar estratégias para que se possa alcançar o público-alvo. U N ID A D E V Professora Me. Cláudia Cristina Batistela Francisco ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender os conceitos e definições de marketing interno voltados para os funcionários da empresa. ■ Verificar as formas de utilização do marketing de relacionamento nas empresas de serviços. ■ Compreender o comportamento do consumidor de serviços. ■ Analisar as formas de monitorar e recuperar serviços no mercado. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Definição de marketing interno: funções e aplicações no marketing de serviços ■ Marketing de relacionamento em serviços ■ Comportamento do consumidor de serviços ■ Monitoramento do mercado de serviços ■ Recuperação de serviços ■ Estratégias de recuperação em serviços ■ Serviços de suporte e assistência ■ Pós-venda INTRODUÇÃO O desenvolvimento de uma empresa no mercado não depende somente das ações de marketing e comunicação que são propostas e realizadas. O trabalho pres- tado pelos colaboradores de uma empresa e sua satisfação com a atividade que executam auxiliam no desenvolvimento da imagem da empresa no mercado. Há também a importância em conhecer para quem a empresa está direcionando os seus serviços e suas ações de comunicação. Ao entendermos que uma empresa não é feita somente pelo serviço final que vende no mercado, nos propomos nesta unidade a entender como o marke- ting interno, direcionado aos funcionários, contribui para o desenvolvimento e a venda dos serviços no mercado. Em seguida, vamos analisar as melhores formas da utilização do marketing de relacionamento para as empresas de serviços no mercado. Serão abordados os benefícios que os consumidores buscam na aquisição de um serviço e os tipos de clientes que as empresas possuem no mercado. O objetivo é apresentar a melhor forma de compreender o consumidor para que se crie uma relação de fidelidade. Além dessas informações, será realizada uma breve análise do comporta- mento do consumidor no mercado, focando nas empresas de serviços. Com base nas necessidades humanas, vamos compreender o que os consumidores buscam quando escolhem uma determinada empresa. Após a realização de todas as ações para atrair os consumidores para uma empresa, é preciso monitorar o mercado e compreender que falhas sempre exis- tirão e que devem ser corrigidas para evitar problemas futuros. Assim, vamos analisar como o consumidor se porta em caso de insatisfação com a empresa de serviços, e quais as formas de recuperá-lo no mercado. Finalizando esta unidade e nosso estudo, serão apresentadas as estratégias para retenção do consumidor, demonstrando quais ações devem ser realizadas para fide- lizar clientes atuais e atrair clientes que se afastaram da empresa por algum motivo. Esta unidade fechará todo o nosso estudo realizado na área de marketing de serviços, apresentando ferramentas que auxiliem no desenvolvimento das empresas no mercado. Tenha uma ótima leitura e bom estudo! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 131 ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E132 MARKETING INTERNO No marketing de serviços, encontramos três grupos que atuam ligados buscando o desenvolvimento, a promoção e a execução dos serviços, conforme figura a seguir (ZEITHAML; BITNER, 2003). Marketing Interno Tornando as promessas possíveis Empresa Executores Clientes Marketing Externo Gerando promessas Marketing Interativo Mantendo as promessas Figura 11: Funcionamento do Marketing nas Empresas Fonte: Zeithaml; Bitner (2003, p. 39) Em cada ponta do triângulo está um tipo de marketing, que deve ser reali- zado de forma que o serviço obtenha sucesso no mercado. O item empresa está relacionado à Unidade Estratégica de Negócio ou à Administração, e os execu- tores são aqueles que fazem o serviço chegar ao cliente, que é o consumidor. Segundo Zeithaml; Bitner, (2003), as atividades apresentadas na figura estão interligadas e buscam a geração e manutenção das promessas feitas ao cliente. O marketing externo está relacionado às atividades de comunicação (publicidade e propaganda) feitas pela empresa para o consumidor. É nesse momento que as pro- messas são criadas, levando em conta as expectativas dos clientes. O marketing interativo, conforme os autores, relaciona a manutenção das promessas realizadas anteriormente. Ocorrendo no momento em que o cliente interage com a empresa, ou seja, no momento em que o serviço é produzido e consumido, podendo a promessa ser mantida ou frustrada. Marketing Interno Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 133 E o marketing interno é realizado quando as promessas são executadas. Zeithaml; Bitner (2003, p. 39) afirmam que “a fim de que os executores e os sis- temas de serviços possam cumprir com o que foi prometido, eles devem ter as habilidades, competências, ferramentas e motivação para executá-los. Em outras palavras, devem estar capacitados”. Verificamos que o marketing interno está relacionado ao desempenho dos funcionários na execução e entrega do serviço ao cliente da empresa. Ou seja, antes da empresa apresentar seus serviços no mercado, deve realizar ações inter- nas de motivação e capacitação dos funcionários. Grönroos (1995) afirma que os funcionários são o mercado interno da empresa, ao qual devem direcionar primeiramente seu foco, pois quanto mais integrada for a empresa, maior a chance de sucesso na venda e execução do serviço no mercado. Las Casas (2003) enfatiza em seus estudos que a satisfação do cliente só acon- tecerá se a equipe de funcionários estiver motivada. A empresa precisa ter uma visão do empregado como cliente, buscando satisfazer, também, os desejos e as necessidades desse cliente. O autor propõe algumas técnicas de marketing que podem ser aplicadas inter- namente na busca da motivação para o melhor desempenho dos funcionários: ■ Pesquisa de mercado: usada para identificar as necessidades e os dese- jos dos funcionários. É aplicada da mesma forma que usada para análise dos clientes. ■ Segmentação: a empresa implanta horários de serviços e benefícios, por exemplo, conforme a necessidade de cada funcionário. Ou seja, realiza uma segmentação no grupo de funcionários para divisão e execução das tarefas da empresa. ■ Propaganda: usada para motivar, envolver e educar os funcionários da empresa. São formas de comunicação que mantêm os funcionários infor- mados sobre a empresa e os serviços oferecidos no mercado. As ações descritas são realizadas dentro do plano de marketing da empresa, pois não basta informar o consumidor final das ações da empresa e deixar de falar com o cliente interno. Tal ação pode gerar insatisfação com a empresa, que pode ser externalizada para o cliente. ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E134 Vasconcelos (2004, p.41) reitera a importância de tratar os funcionários como clientes internos, considerando essa uma atitude “socialmente responsá- vel”, pois no mercado competitivo em que as empresas atuam, é preciso reter o capital humano.“Máquinas podem ser facilmente substituídas, mas dedicação, competência e qualidade nem sempre é possível”. É preciso reter e atrair os funcionários qualificados na empresa. O autor ainda apresenta alguns elementos essenciais na realização do marketing interno. Conhecer seu cliente Competir por talento Oferecer uma visão Preparar as pessoas para realizar Realçar espírito de equipe In�uência do fator liberdade Avaliação e recompensa Atraindo, desenvolvendo, motivando e retendo empregados quali�cados Figura 12: Elementos para Realização do Marketing Interno Fonte: Vasconcelos (2004, p. 41) Os funcionários são tratados como parceiros da organização, pois um funcio- nário satisfeito tende a ser um bom defensor da empresa. Kotler e Keller (2006) afirmam que o marketing interno necessita que todos os funcionários da empresa compreendam os seus conceitos e objetivos de marketing, e se envolvam na esco- lha, na prestação e na comunicação do serviço para o cliente. Compreendemos, assim, que o marketing interno relaciona a satisfação do funcionário à satisfação do cliente, o que reflete no resultado final da empresa no mercado. Marketing de Relacionamento em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 135 Após verificarmos a importância da satisfação e do relacionamento com os funcionários, vamos analisar agora o Marketing de Relacionamento realizado com os clientes de serviços. MARKETING DE RELACIONAMENTO EM SERVIÇOS “Maximizar o valor do cliente significa cultivar um relacionamento de longo prazo com ele” (KOTLER; KELLER, 2006, p. 150). A afirmação acima é apresentada pelos autores para confirmar a importân- cia de um marketing mais preciso e direcionado ao consumidor, buscando um relacionamento sólido com o cliente. Deixa-se de lado o marketing de massa, e passa-se a trabalhar com a segmentação de mercado, conhecendo seu cliente e falando diretamente a ele. Quanto mais informações as empresas possuem dos seus clientes, mas fácil fica individualizar seus produtos e serviços no mercado, segundo autores. Tais ações criam vínculos fortes com os clientes. Zeithaml e Bitner (2003) afirmam que o marketing de relacionamento repre- senta uma grande mudança no marketing, pois o foco que antes estava na compra e venda de produtos ou serviços é alterado para o foco na retenção e nas relações com os clientes. A orientação estratégica da empresa passa a ser manutenção e a retenção dos atuais clientes. Os autores ainda afirmam que o principal objetivo do marketing de rela- cionamento está na construção e na manutenção de clientes fiéis e que sejam rentáveis financeiramente para a empresa. E para que esse objetivo seja alcan- çado, as empresas devem se concentrar na retenção e criação de relacionamento com seus clientes. “Um marketing agressivo custa mais do que um marketing defensivo, pois exige uma enorme quantidade de trabalho e despesas para afastar os clien- tes dos concorrentes que estão satisfeitos” (KOTLER; ARMSTRONG, 1995, p. 397). Assim, verificamos que com a competitividade do mercado atual, cabe às ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E136 empresas manter os clientes atuais, o que ocorre também devido a muitos mer- cados já terem atingido sua maturidade, o que não promove a entrada de novos clientes nesse segmento. Bogmann (2001) associa o marketing de relacionamento à liderança da empresa no mercado, pois proporciona uma aceitação do produto ou serviço ofe- recido e realiza a fidelidade do consumidor. Porém, afirma que a criação de uma relação duradoura com o cliente é uma tarefa difícil que exige muita manutenção. O autor ainda afirma que, no marketing de relacionamento, o valor é criado com os clientes, ou seja, a empresa compreende o desejo do cliente e trabalha em cima desse fator, proporcionando o mesmo valor que busca no serviço. Dentro desse processo de retenção e manutenção dos clientes, verificamos a existência de benefícios para a empresa e para os clientes. Tais benefícios são aplicados tanto para produtos, quanto para serviços. Nesse momento, nosso obje- tivo é o de apresentar a utilização desses nas empresas prestadoras de serviços, apresentando também seus conceitos e definições. Conforme Zeithaml e Bitner (2003), encontramos os seguintes benefí- cios: Benefícios para os Clientes, Benefícios de Confiança, Benefícios Sociais e Benefícios de Tratamento Especial. Os Benefícios para os Clientes trabalham o valor do serviço para o cliente. A fidelidade do consumidor está relacionada ao valor que recebe no serviço que compra. Essa análise é feita pelo cliente com base em sua percepção e expecta- tivas de consumo, segundo os autores. Os consumidores apresentam-se mais propensos a continuarem em uma empresa quando a relação custo x benefício atende a suas expectativas, ou seja, o serviço que recebem (qualidade, satisfação, benefícios) supera o valor mone- tário pago por ele. E para que esse benefício seja atendido, primeiramente a empresa deve conhe- cer seu cliente. Bogmann (2001) propõe uma diferenciação, apresentando tipos de clientes que podem ser trabalhados no mercado. ■ Prospects: pessoas que estão interessadas em adquirir o produto. São con- sumidores potencias que podem se tornar clientes da empresa. ■ Shoppers: clientes que visitaram sua empresa pelo menos uma vez. Marketing de Relacionamento em Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 137 ■ Clientes eventuais: pessoas que já adquiriram os serviços da empresa, mas por uma ou duas vezes. ■ Clientes regulares: são os consumidores que adquirem regularmente os serviços da empresa. ■ Defensores: são pessoas que defendem e indicam a empresa para os demais consumidores no mercado. Apesar de encontramos consumidores que ainda não adquiriram o serviço da empresa, Bogmann (2001) afirma que tais clientes merecem atenção quando a empresa trabalha com a fidelização de mercado. Pois mesmo que a pessoa não consumo este serviço, ela pode atuar como defensor e influenciar no processo de compra de outro consumidor. Já os Benefícios de Confiança, Zeithaml e Bitner (2003) os relacionam ao sen- timento de confiança que o cliente apresenta para com o prestador de serviços. Relembramos que os serviços são intangíveis, e que sua aquisição e consumo normalmente ocorrem no momento de sua compra, o que pode gerar apreensão ao consumidor por não saber o resultado final que lhe será entregue. Assim, muitos consumidores preferem não alterar a empresa prestadora de serviços que já conhecem, principalmente quando ela já realizou ações de fide- lização e relacionamento com o consumidor. Essa intangibilidade dos serviços é trabalhada no marketing de relacionamento criando um posicionamento e uma imagem positiva na mente do consumidor. Kotler e Keller (2006) afirmam que quanto maior o envolvimento do cliente com a empresa, maior a chance de que ele se mantenha fiel a ela. No marketing de serviços, a fidelidade do consumidor também está relacionada a fatores psi- cológicos e emocionais, que trabalham a confiança na marca. Quando ocorre um relacionamento social com o prestador de serviço, a empresa está trabalhando os Benefícios Sociais (ZEITHAML; BITNER, 2003). São criados relacionamentos de longo prazo entre o cliente e o prestador de ser- viços, tornando-se parte de um sistema de apoio social. ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOSReprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E138 Para exemplificar, citamos um serviço prestado por um cabelereiro. Os clientes acabam criando uma relação de amizade com o prestador, o que leva o cliente a não trocar de empresa, mesmo que o concorrente ofereça promoções e preços mais acessíveis. Kotler e Keller (2006) definem esse benefício como o trabalho realizado pela empresa na busca de criar ou aumentar seus vínculos sociais com os clientes, personalizando seus relacionamentos. É como se as empresas transformassem seus clientes em clientes preferenciais. E os Benefícios de Tratamento Especial trabalham com a heterogeneidade dos clientes, pois, como a prestação de serviço pode ocorrer de maneira individuali- zada e diferenciada para cada consumidor, a empresa pode oferecer um beneficio ou condições especiais para cada cliente que atende Zeithaml e Bitner (2003). Os benefícios apresentados até o momento atuam na aquisição e retenção de clientes nas empresas de serviços. Ainda abordaremos o tema retenção de consumidores de serviços nesta unidade, mas para que possamos compreender melhor a maneira de trabalharmos com os consumidores de serviços, discutire- mos o comportamento do consumidor para esse segmento de mercado. “O marketing de relacionamento está mais voltado para o longo prazo. Sua meta é oferecer valor de longo prazo ao cliente, e a medida do sucesso é dar-lhes satisfação a longo prazo” (BOGMANN, 2001, p. 27). O uso de ações de marketing de relacionamento pelas empresas no mercado vem crescendo a cada ano. Algumas empresas trabalham com programas de fidelização a longo prazo, que fazem com que seu consumidor opte pela sua marca ao realizar uma compra. É o caso da operadora de cartões de crédito Mastercard, que possui um clube de benefícios, com a proposta de tornar tangível o relacionamento e es- tabelecer um canal direto entre a empresa e o consumidor. Acesse o site <https://www.naotempreco.com.br/> e conheça as ações de fidelização que a empresa vem realizando com seus consumidores. Comportamento do Consumidor Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 139 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR O processo de compra do consumidor não envolve somente a aquisição de um produto ou serviço. Segundo Karsaklian (2004), o ponto inicial de consumo surge de uma motivação que conduz a uma necessidade no consumidor, a qual irá despertar um desejo de compra. A motivação surge de um problema levantado pelo consumidor, que lhe gera um desconforto. E é por essa razão que a busca pela solução desse problema é realizada, para satisfação da necessidade e do desejo que foi apresentado. Não iremos nos ater às definições e conceitos básicos de comportamento do consumidor, pois já foram apresentadas em disciplina específica do curso. Nosso objetivo agora é compreender como o consumidor de serviços se porta no mercado, qual o seu comportamento e como podemos trabalhar o marke- ting neste momento. COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR DE SERVIÇOS A aquisição de um serviço pelo consumidor inicia-se com o reconhecimento de uma necessidade ou de um desejo, conforme Zeithaml, Bitner e Gremler (2011). Encontramos nesse processo semelhanças com o realizado para os bens e pro- dutos, porém, algumas diferenças também serão apresentadas. Os autores iniciam a análise definindo a importância de conhecermos as necessidades dos consumidores, sendo essas as necessidades fisiológicas, neces- sidades por segurança e proteção, necessidades sociais e as necessidades do ego e autorrealização. Essas necessidades são apresentadas por Kotler e Keller (2006) como a Hierarquia de Necessidades de Maslow1. 1 “Abraham Maslow procurou explicar por que as pessoas têm necessidades específicas em momentos específicos. [...] Segundo Maslow, as necessidades humanas são organizadas hierarquicamente [...]”, sendo essas representadas pela figura apresentada como a Hierarquia de Necessidades de Maslow (KOTLER; KELLER, 2006, p. 103). ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E140 Necessidades de autorrealização Necessidades sociais Necessidades de segurança Necessidades �siológicas Necessidades de estima Figura 13: Hierarquia de Necessidades de Maslow Fonte: adaptada de Kotler e Keller (2006, p.103) As necessidades fisiológicas são definidas por Kotler e Keller (2006) como as relacionadas à comida e água, sendo estas as mais importantes para o ser humano, pois as demais necessidades apenas serão satisfeitas após a realização destas. Nos serviços encontramos tais necessidades realizadas por um estabele- cimento que fornece alimentação. Por exemplo, ao realizar uma viagem de automóvel, os viajantes encontrarão diversos restaurantes à beira da estrada, que podem satisfazer essa necessidade. As necessidades de segurança e proteção, conforme Karsaklian (2004), são as relacionadas à segurança física, como abrigo para morar ou roupa para o inverno. Relacionam-se à defesa e proteção do ser humano. Podemos citar como exem- plo, no caso dos serviços, os abrigos que os viajantes encontram no caminho, como os hotéis nas estradas, que podem ser usados no caso de uma longa via- gem para descanso, ou quando há uma chuva muito forte que não permite que a viagem continue. Neste último caso, o consumidor buscará um abrigo para a sua segurança, até que a chuva passe e possa retornar a sua viagem. Ao nos referirmos às necessidades sociais, falamos de sentimentos afetivos e emocionais, que envolvem o relacionamento com outras pessoas (KARSAKLIAN, 2004). Nesse caso, as empresas que podemos relacionar a essas necessidades são aquelas que trabalham com esse sentimento do consumidor. Comportamento do Consumidor de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 141 Hoje encontramos sites de relacionamentos amorosos, onde a pessoa realiza sua inscrição e busca por um parceiro ideal, tendo como foco a necessidade de envolvimento afetivo e emocional. Podemos dizer que este serviço trabalha com a necessidade acima citada, pois o consumidor que o busca tem como objetivo satisfazer a lacuna existente nessa parte da pirâmide, que apresentamos como a Hierarquia das Necessidades de Maslow. E o que podemos pensar e relacionar às necessidades que se encontram no topo da pirâmide, a de estima e de realização? Kotler e Armstrong (1995) nos apresentam como as necessidades referentes ao reconhecimento e status do ser humano. São os desejos de prestígio, de status e de reputação sendo reconheci- dos pelos demais. Já a necessidade de realização, conforme autores, está relacionada ao desenvol- vimento pessoal e à realização individual. Esta ocorre somente após a realização das demais necessidades apresentadas. Vamos lembrar que as necessidades de estima e as de realização são conside- radas fatores motivacionais, estando relacionadas com o emocional do indivíduo. Agora que compreendemos que os consumidores realizam suas compras com base em necessidades, vamos analisar como se comportam na aquisição de um serviço. Para tomar a decisão na aquisição de um serviço, Zeithaml e Bitner (2003) apresentam categorias que auxiliam nesse processo: ■ Busca de Informações: que acontece pelo uso de informações pessoais e pelo risco percebido. ■ Uso de fontes pessoais: na aquisição de um serviço, os consumidores buscam e confiam muito mais nas fontes pessoais,pois conseguem coletar informações relacionadas às experiências vivenciadas na aqui- sição do serviço. ■ Risco percebido: como os serviços são intangíveis, sem padronização na sua produção e vendidos sem garantias, o consumidor apresenta um receio maior na sua aquisição, por não saber o que irá receber. ■ Avaliação de Alternativas: antes de adquirir um serviço, o consumidor avalia suas alternativas (opções) para a compra. Diferente de um produto, ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E142 o serviço não pode ser analisado antes da compra, assim, o que é levado em consideração são as instalações físicas da empresa e a marca. ■ Compra e o consumo: quando o cliente escolhe a marca e a empresa, rea- lizando a compra. ■ Avaliação pós-compra: o cliente avalia se suas expectativas foram atin- gidas ou não. Zeithaml e Bitner (2003) afirmam que devido à intangibilidade, à heterogenei- dade e à inseparabilidade dos serviços, as quais já discutimos anteriormente neste livro, os consumidores sentem dificuldade na avaliação e na escolha do serviço. Para isso, é preciso que as empresas avaliem os fatores apresentados anterior- mente e trabalhem com estratégias de satisfação do consumidor. Lovelock e Wright (2001) também analisam essas etapas. Na etapa pré- compra, apresentam a importância em conhecer as necessidades e expectativas individuais de cada consumidor, pois é com base nessas informações que o con- sumidor irá escolher qual empresa lhe fornecerá o serviço que necessita. Na etapa de encontro do serviço, ou seja, de escolha da empresa, os auto- res afirmam que o cliente analisa fatores como as características tangíveis do ambiente onde o serviço é produzido e dos profissionais que fornecerão o ser- viço, pois são estes que possuem contato direto com o cliente. E, por último, a etapa pós-compra, quando os clientes avaliam a qualidade do serviço recebido e sua satisfação ou não com a experiência que obtiveram. O resultado desse processo resultará na permanência ou na não fidelidade do con- sumidor pela empresa (LOVELOCK; WRIGHT, 2001). Bateson e Hoffman (2001) complementam estas análises afirmando que para que a comercialização de serviços ocorra de modo eficaz, as empresas prestadoras e seus profissionais de marketing precisam entender cada um dos estágios realizados pelo consumidor: pré-compra, escolha e encontro do serviço, e pós-compra. São estas etapas que fornecerão informações para análise da insatisfação dos consumidores, e para a elaboração de ações de marketing para que a empresa se destaque no mercado. E já que discutimos tanto a questão da retenção e satisfação do cliente, passaremos agora à última etapa do nosso estudo, verificando as formas de moni- toramento de mercado e recuperação de clientes de serviços. ©shutterstock Monitorando o Mercado Consumidor Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 143 MONITORANDO O MERCADO CONSUMIDOR As ações relacionadas ao monitoramento de mercado são direcionadas ao entendi- mento das falhas que os serviços apresentam e como se trabalhar para a retenção de clientes na empresa. Bateson e Hoffman (2001) dizem que, por mais que a empresa direcione todos os seus esforços para a satisfação dos clientes, as falhas em serviços são inevitáveis. Porém, Lovelock e Wright (2001) levantam em seus estudos que a grande maioria dos clientes insatisfeitos não reclamam com a empresa. As razões apre- sentadas são: por não acharem que vale a pena o tempo e esforço que terão para reclamar, por acreditarem que ninguém se preocuparia com o seu problema e por não saberem a quem se dirigir ou o que fazer para reclamar. Essa não participação ou falta de envolvimento do consumidor pode preju- dicar o desenvolvimento da empresa no mercado. Assim, o monitoramento de satisfação precisa ser realizado constantemente, podendo ser feito na situação pós-compra, já citada anteriormente, com a aplicação de pesquisas. Zeithmal, Bitner e Gremler (2011) determinam que o objetivo de uma pes- quisa é o de levantar informações sobre os consumidores e o mercado de uma maneira ampla, porém, apresentam também os objetivos de pesquisa para os serviços, apresentados na tabela a seguir. ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E144 Descobrir as exigências ou expectativas dos clientes para com o serviço. Monitorar e rastrear o desempenho do serviço. Avaliar o desempenho global da companhia em comparação ao da concorrência. Avaliar as lacunas entre as expectativas dos clientes e suas percepções. Identificar os clientes insatisfeitos de forma a possibilitar a recuperação do serviço. Mensurar a eficiência das mudanças na execução dos serviços. Medir o desempenho de indivíduos e de equipes na execução do serviço para fins de avaliação, reconhecimento e recompensas. Determinar as expectativas dos clientes frente a um novo serviço. Monitorar as alterações nas expectativas dos clientes em um dado setor. Prever as expectativas futuras dos clientes. Tabela 11: Objetivos da Pesquisa para os Serviços Fonte: adaptada de Zeithmal, Bitner e Gremler (2011, p. 177) Como os serviços são intangíveis e fornecidos com particularidades a cada cliente, a pesquisa faz-se importante para o monitoramento amplo do mercado e individual de cada consumidor. Zeithaml e Bitner (2003) nos apresentam as formas como os clientes podem reagir quando evidenciam uma falha na prestação de serviços. Falha de serviço Não fazer nadaAgir Reclamar para a família e amigos Reclamar a terceiros Reclamar ao prestador de serviços Mudar de fornecedor Permanecer com o fornecedor Permanecer com o fornecedor Mudar de fornecedor Figura 14: Falha de Serviços Fonte: adaptada de Zeithaml e Bitner (2003, p. 163) Recuperação de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 145 Cabe aos clientes escolherem ou não fazer algo quanto à sua reclamação. Porém, mesmo que o cliente resolva por reclamar ou não, em algum momento no seu processo de decisão de compra será preciso analisar e decidir se conti- nua ou não com o fornecedor. Agora que analisamos e compreendemos como os clientes reagem quando não estão satisfeitos com o serviço adquirido, serão apresentadas a seguir as estratégias de recuperação de serviços no mercado. RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Sabendo que as falhas existem e que os consumidores possuem queixas a serem feitas, Bateson e Hoffman (2001) propõem três ações necessárias como estraté- gias de recuperação de clientes e da empresa no mercado. 1ª: A empresa deve encorajar as reclamações. 2ª: A empresa deve ouvir as reclamações e aprender com elas. 3ª: A empresa precisa desenvolver estratégias de recuperação para toda a organização. Zeithaml e Bitner (2003) afirmam que um dos componentes da estratégia de serviços está em acolher, incentivar, estimular e acompanhar as reclamações dos clientes. As formas que propõem como incentivo às reclamações são rela- cionadas ao planejamento e à realização de pesquisa com clientes, tanto atuais como com os clientes perdidos. Os autores ainda afirmam que as empresas devem tratar seus clientes como amigos, principalmente os que possuem reclamações a serem feitas. O estímulo das reclamações dos clientes também está em informar como devem fazer para reclamar, ou seja, qual o processo a ser seguido.Esse estímulo é apresentado também por Lovelock e Wright (2001). A capta- ção de informação pode ocorrer por diversos canais de comunicação da empresa com o cliente, como telefone ou contato pela internet. Os autores ainda levan- tam o ponto de que os funcionários da empresa devem ser treinados para que ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E146 questionem seus clientes quanto à satisfação, de modo que sintam-se à vontade para falar o que pensam da empresa. Após ouvir e coletar as reclamações, é preciso que algo seja feito, ou seja, que alguma atitude seja tomada e que o cliente receba um feedback da sua soli- citação. Zeithmal, Bitner e Gremler (2011) afirmam que os clientes reclamantes esperam que suas solicitações sejam atendidas com rapidez. Para que essa ação seja realizada, os autores propõem ações internas na empresa, como determinar prazos ao consumidor para que receba uma res- posta da reclamação, evitar que o cliente precise contatar diversos funcionários para resolver seus problemas e treinar funcionários para que possam resolver o mais rápido possível o problema apresentado. Bateson e Hoffman (2001) reiteram a importância em resolver com rapidez o problema do cliente, determinando ainda que as reclamações relativas a quali- dade dos serviços são as mais importantes para a empresa. E lembram ainda que não basta à empresa fornecer um feedback ao cliente, é preciso que essas infor- mações também atinjam internamente a organização para que sejam tomadas medidas de correção. A melhora na qualidade dos serviços se dará quando a empresa souber ana- lisar e tomar atitudes frente às reclamações que recebe de seus clientes, podendo aprender com os problemas existentes. É preciso levantar as fontes dos proble- mas e modificar os processos, se necessário, para que não aconteça novamente, segundo Zeithmal e Bitner (2003). E como forma de demonstrar ao cliente que a empresa ouviu suas reclama- ções e tomou atitudes quanto a suas falhas, pode-se implementar estratégias de recuperação de serviços, que apresentaremos a seguir. ©shutterstock Estratégias de Recuperaçao de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 147 ESTRATÉGIAS DE RECUPERAÇAO DE SERVIÇOS Dentre as estratégias de recuperação de clientes e da empresa de serviços, Lovelock e Wright (2001) levantam pontos que denominam como diretrizes, que auxiliam na resolução dos problemas. Alguns já foram apresentados no monitoramento de mercado, porém, verificamos a existência de mais pontos que auxiliam na recuperação. Iniciam levantando a importância em se agir depressa, ou seja, não demorar para responder à solicitação do cliente, assunto esse já discutido anteriormente. Afirmam também que a empresa deve admitir os erros sem ficar na defensiva, pois quando a empresa age defensivamente pode sugerir ao cliente que está escondendo algo. Zeithmal, Bitner e Gremler (2011) complementam esse ponto afirmando que as explicações corretas da empresa para o cliente auxiliam no entendi- mento da falha e demonstram respeito ao consumidor. Cada vez mais os consumidores sabem onde e por que reclamar de um pro- duto ou serviço que não os deixaram satisfeitos. Zeithaml, Bitner e Gremler (2011, p.143) afirmam que “[...] satisfação é a avaliação do cliente para um produto ou serviço em termos dele atender as expectativas e necessidades desse cliente. O fracasso em atender essas necessidades e expectativas é entendido como sendo causa da insatisfação com um produto ou serviço”. ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E148 Outro ponto levantando refere-se a não discutir e respeitar o cliente. O obje- tivo é compreender o que o cliente quer dizer, respeitando sua opinião, e não buscando vencer um debate ou provar que o cliente está errado (LOVELOCK; WRIGHT, 2001). E por último, manter os clientes informados sobre o anda- mento de suas reclamações. Além dessas estratégias apresentadas pelos autores anteriormente, a empresa de serviços pode utilizar-se da Garantia de Serviços, buscando impressionar posi- tivamente seus clientes, mantendo sua relação comercial com eles (ZEITHMAL; BITNER, 2003). Os autores afirmam que muitas pessoas acreditavam que os serviços não pode- riam oferecer garantias por terem sua natureza intangível e variável conforme o cliente. É claro que no caso dos serviços não há como realizar a devolução, nem desfazer o que já foi executado pelo consumidor, como se faria com os produtos. As garantias dos serviços podem ser garantias de satisfação incondicional ou garantias de atributos dos serviços, conforme Zeithmal, Bitner e Gremler (2011). Por exemplo, a empresa prestadora de serviços pode propor aos seus clientes a garantia incondicional quanto à satisfação, ou seja, se não ficarem satis- feitos com o serviço recebido, não precisam pagar. Um hóspede de um hotel, caso não fique satisfeito com os serviços oferecidos, pode não pagar pelas suas diárias, por exemplo. E a garantia por atributos está relacionada, conforme autores, ao que a empresa promete aos clientes. Um exemplo que se encaixa nessa garantia está relacionado à entrega de produtos, no caso a entrega se encaixa nos serviços ofe- recidos pela empresa. Muitas pizzarias propõem em suas promoções a entrega (serviço) do produto (pizza) em um determinado período de tempo, ou o con- sumidor não precisará pagar pelo produto recebido. Nesses casos, a empresa precisa controlar o serviço de entrega oferecido, bem como a produção do produto a ser entregue, para que os prazos sejam cumpri- dos e não aconteça a insatisfação do consumidor. Bateson e Hoffman (2001) apresentam a garantia por atributos como uma garantia de resultado específico, ou seja, a empresa apresenta uma proposta de realização do seu serviço ao consumidor, como um prazo de entrega, por Estratégias de Recuperaçao de Serviços Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 149 exemplo, caso não seja cumprido, a empresa beneficiará o cliente de alguma maneira (como o reembolso do valor pago). Ao oferecer uma garantia ao cliente, o risco percebido no serviço torna-se menor, e o consumidor passa a ver a empresa como mais confiável. Auxilia tam- bém na decisão de compra, pois o consumidor pode optar por uma empresa que possua garantia, o que diferencia a marca no mercado. Os Correios oferecem aos seus clientes no Brasil o serviço denominado de SEDEX 10, que funciona como um serviço de envio de documentos e mercado- rias, no qual garantem a entrega até as 10 horas da manhã do dia útil seguinte ao da postagem. Porém, o serviço não é oferecido para todas as cidades e segue uma sequência de normas e regras que podem ser verificadas no site da empresa, <www.correios.com.br>. O objetivo em apresentar esse exemplo está em demonstrar como as empresas de serviços podem garantir aos seus clientes que eles serão cumpridos, e traba- lhar com o fator intangibilidade dos mesmos. Porém, mesmo que as garantias apresentem-se viáveis às empresas de servi- ços, Zeithmal, Bitner e Gremler (2011) afirmam que nem todas são apropriadas. Antes de implementar qualquer ação de garantia, as empresas de serviços devem se atentar a fatores como: ■ A qualidade que está em vigor na empresa: verificar se existem falhas de qualidade no serviço oferecido para que não prejudiquem a ideiada garantia oferecida. ■ A garantia não se encaixa na imagem da empresa: se a empresa já possui uma imagem de boa qualidade e que garante os seus serviços sem questio- namento do consumidor, não há motivos para oferecer garantia ao cliente. ■ A qualidade do serviço é incontrolável: existem situações em que a empresa não consegue controlar a qualidade do serviço. Por exemplo, uma insti- tuição que oferece cursos de capacitação profissional não pode prometer que seus alunos terão emprego garantido com o término do curso, tudo dependerá da dinâmica do mercado e da capacidade do profissional. Nesses casos, não é recomendado que se use a garantia como estratégia de retenção. ESTRATÉGIAS NA RECUPERAÇÃO DE SERVIÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E150 ■ O cliente pode abusar da garantia: um dos motivos que mais leva as empre- sas a não utilizarem-se da garantia é o fato de que alguns consumidores apresentam comportamento oportunista, o que inclui trapaça e fraude, para que possam usufruir da garantia. ■ Os custos da garantia são maiores do que as vantagens que ela traz: a empresa precisa calcular se não terá prejuízo com a garantia oferecida. ■ A garantia não diferencia a empresa da concorrência: os clientes não per- cebem a garantia como vantagem competitiva da empresa no mercado, e isso não os fazem optar por uma empresa ou outra. Antes da aplicação de qualquer estratégia mercadológica na empresa, é pre- ciso conhecer muito bem o mercado em que se está atuando, o serviço que está sendo oferecido e os consumidores que irão adquiri-lo para que as ações propos- tas estejam de acordo com os objetivos da empresa e evitem problemas futuros. A seguir, propomos a análise de uma situação real, vivenciada por uma empresa prestadora de serviços que enfrentou problemas com sua imagem no mercado. Vamos analisar e compreender como o marketing de serviços pode agir nesse momento. 151 Apresentamos nesta unidade a importância de compreender as expectativas do consumi- dor e o quanto as falhas da empresa prejudicam o seu andamento. “Os clientes precisam de muitas experiências positivas para se recuperar de uma falha e costumam comentar o que aconteceu com várias pessoas” (BATESON; HOFFMAN, 2001, p. 335). Para ilustrar essa afirmação, apresentamos o texto a seguir, que descreve como uma falha na produção de um serviço pode gerar uma imagem negativa no consumidor, demonstrando falhas na atuação da empresa após um momento de crise. O texto descreve um acidente aéreo ocorrido em 17 de julho de 2007 com o Airbus da TAM. ACIDENTE AFETA MARCA TAM, DIZEM ESPECIALISTAS. “Você leva anos para construir uma marca, mas pode acabar com ela em questão de minutos”, lembra Arnaldo Brazil Ferreira, diretor da consultoria Prime Action e pro- fessor de marketing do curso de MBA da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap). “A TAM é uma empresa com 30 anos. O falecido comandante Rolim (Amaro, fun- dador da empresa) levou anos construindo uma imagem de qualidade e bom atendi- mento aos clientes, do tapete vermelho, do comandante na porta do avião para recep- cionar os passageiros. Com a crise, a TAM passou a sofrer no quesito atendimento e, agora, com o acidente, a perda pode ser ainda maior.” Em julho de 2007, a empresa TAM sofreu consequências graves em sua imagem devido a um acidente aéreo, procurada para comentar a respeito de prejuízos à sua marca ou à imagem da empresa, a TAM informou por meio de sua assessoria de imprensa que não iria se pronunciar sobre o assunto. Outra falha que prejudicou a imagem da empresa foi o comportamento do pre- sidente da companhia, Marco Antonio Bologna, ao falar sobre o acidente. A mídia considerou sua posição frente à situação como “fria” e de descaso com a imprensa, pois não se apresentava disposto a respon- der os questionamentos dos repórteres. Discutimos nesta unidade do livro a impor- tância em ouvir e responder prontamente aos questionamentos do consumidor. No caso da empresa TAM, referente ao acidente com o avião, não havia reclamações dos consumidores, mas sim busca de informa- ções pelos familiares e pela imprensa. Essa ação deve ser tratada com a mesma impor- tância que as sugestões e reclamações dos consumidores. Bateson e Hoffman (2001) afirmam que as solicitações dos consumidores devem ser resolvidas com rapidez, e que esse fee- dback deve também atingir internamente a empresa, para que ocorram mudanças e evitem novos problemas futuramente. Outro detalhe que pode ter um impacto ruim para a opinião pública, conforme texto apresentado para análise, foi que o posicio- namento da empresa no mercado estava voltado à segurança, com as afirmações: “Nada substitui o lucro” e “Mais importante que o cliente é a segurança.” Os consultores em marketing destacam que a marca TAM já vinha sofrendo muito antes do acidente de 17 de julho. Na ver- dade, o problema tornou-se mais grave com o acirramento da concorrência no setor aéreo, que aumentou após a saída da antiga Varig do mercado. “Uma marca entrega uma promessa. Quando você cria uma marca, você esta- belece uma relação de confiança com o consumidor. No caso da TAM, a promessa era de possuir um serviço diferenciado. Com a crise aérea, os passageiros come- çaram a sofrer com o mau atendimento nos aeroportos. Portanto, houve uma quebra na associação com a marca”, explica Fer- reira, da Faap. Tais informações fornecidas pela TAM aos consumidores estão dentro das Garantias de Serviços, que estudamos nesta unidade. Ou seja, são as promessas que a empresa faz aos clientes, segundo Zeithmal e Bit- ner (2003). A não entrega ou falha na execução dessas promessas pode gerar insatisfação do con- sumidor, que além de falar mal da empresa no mercado, pode trocá-la por um de seus concorrentes. Adaptado: Site Globo.com. Publicado em: 05 ago. 2007 Disponível em: <http://g1.globo. com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL83147-9356,00.html>. Acesso em: 20 de julho de 2016 Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 153 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao final desta unidade, encerramos os estudos direcionados à compreensão do marketing de serviços. Nesta etapa, discutimos primeiramente a importância do marketing interno que trabalha a satisfação e o desempenho dos funcioná- rios nas empresas de serviços. É preciso lembrar que, por muitas vezes, são os funcionários da empresa que entregam e executam o serviço ao consumidor. Assim, cabe também a estes ações de marketing direcionadas, bem como a avaliação da sua satisfação com a empresa, para que suas ações sejam refletidas positivamente ao consumidor. Em seguida, tratamos do marketing de relacionamento aplicado às empre- sas de serviço. Por se tratar de um bem intangível, é preciso que as empresas de serviços trabalhem com benefícios direcionados aos consumidores. Foram discu- tidos nesta unidade do livro os benefícios para os Clientes, de Confiança, Sociais e de Tratamento Especial, bem como sua aplicação nas empresas. O comportamento do consumidor também foi um dos temas tratados, porém o foco foi em explicar como os consumidores de serviço se portam no mercado. Utilizamos o princípio da Hierarquia das Necessidades de Maslow para anali- sar como as empresas prestadoras de serviços podem satisfazer os desejos e as necessidades de seus consumidores. Em todos os momentos, as questões da intangibilidade dos serviços e de sua execução, por vezes, de modo personalizada ao cliente, foram abordadas e ana- lisadas como podem ser aplicadas no mercado. Parafinalizarmos a unidade, analisamos o monitoramento do mercado, a retenção de serviços e as estratégias que podem ser utilizadas para manter e fide- lizar consumidores. Um dos pontos importantes levantados foi a ferramenta de ouvidoria das empresas de serviços aos consumidores. É preciso ouvir o que cada cliente tem a dizer, principalmente os pontos negativos, para que possam ser corrigidos e proporcionar à empresa um melhor desenvolvimento no mercado. 1. Verificamos nesta unidade a importância do Marketing Interno nas empresas de serviços, que envolve a satisfação e capacitação dos funcionários. Assim, após estudo do conteúdo apresentado, realize uma pesquisa no mercado de uma em- presa que realiza ações de Marketing Interno com seus colaboradores. Descreva como funciona essa ação, usando o conteúdo apresentado no livro como base para análise. 2. Ao tratarmos sobre relacionamento com os clientes de serviços, analisamos a existência de alguns benefícios que podem ser trabalhados pela empresa para os consumidores, sendo esses os Benefícios para os Clientes, Benefícios de Con- fiança, Benefícios Sociais e Benefícios de Tratamento Especial. Explique cada um dos benefícios citados, utilizando um exemplo real. 3. Nas ações de recuperação de serviços, verificamos a existência de três ações necessárias usadas como estratégias de recuperação. Defina quais são essas es- tratégias e explique como devem ser aplicadas no dia a dia das empresas. 4. As empresas prestadoras de serviços podem utilizar como estratégias de reten- ção de clientes as Garantias de Serviços. Essa ação busca impressionar positi- vamente o consumidor, mantendo sua fidelidade à empresa. Elabore um texto explicando a importância da Garantia de Serviços, citando exemplos existentes no mercado. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR O Comportamento do Consumidor. Ernesto Michelangelo Giglio Editora: Cengage Learning Sinopse: O livro apresenta um estudo atualizado das teorias dominantes do comportamento humano ligado ao consumo. O autor aponta sugestões de novos desenvolvimentos para o tema, procurando referenciar, sempre que possível, autores e casos brasileiros. O livro promove e enriquece o debate entre estudantes, professores e profissionais que desejem compreender a importância do estudo do consumidor como ferramenta estratégica no cenário atual de acirrada concorrência. Os Delírios de Consumo de Becky Bloom Como discutimos a questão de comportamento de consumo nesta unidade, e durante o trabalho também falamos das necessidades e desejos de compra do ser humano, vamos encerrar o livro com a indicação do filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom. O filme não fala especificamente do consumo de serviços, porém trabalha a compulsão do consumidor pela compra, e também a influência que a indicação de uma pessoa e/ou empresa exerce ao indicar produtos ou serviços para consumo. CONCLUSÃO 157 Finalizamos a disciplina de marketing de serviços esperando que tenha aproveitado ao máximo o conteúdo apresentado no livro. Vamos recapitular e rever como as informações apresentadas podem ser aplicadas no seu dia a dia profissional. Tivemos como objetivo inicial nesta disciplina apresentar os conceitos de marketing de serviços e um cenário desse mercado no país. É preciso compreender que trabalha- mos com um mercado em pleno crescimento e que requer ações de marketing dire- cionadas para o seu desenvolvimento. Os serviços apresentam características impor- tantes que os diferenciam dos bens ou produtos, e que fazem com que o consumidor sinta dificuldade na percepção de sua qualidade. Em muitos momentos de compra e consumo, os clientes não percebem a presença do serviço em sua aquisição. Compram um produto e não se atêm à entrega ou ao atendimento prestado pelos vendedores. Tais fatores são relacionados às caracte- rísticas diferenciadas que os serviços apresentam. E dentro dessas características encontramos dois fatores importantes que foram analisados cuidadosamente no decorrer do livro: a intangibilidade e o consumo simultâneo dos serviços (FITZSIM- MONS; FITZSIMMONS, 2005). Sabendo dessas informações, como devemos trabalhar o marketing de serviços no mercado? Para responder a essa pergunta, devemos primeiramente analisar o mer- cado em que atuamos e o serviço que está sendo oferecido, para que possamos traçar estratégias direcionadas ao consumidor. O início está na análise do Composto de Marketing (os 4Ps). Kotler e Armstrong (1995) demonstraram em seus estudos que o Composto de Marketing trabalha com variáveis controláveis, ou seja, são fatores que a empre- sa pode e deve trabalhar buscando atendimento dos desejos e das necessidades do consumidor. Verificando essa importância, foi possível demonstrar a você como cada P (preço, produto/serviço, praça e promoção) é trabalhado nos serviços. Um dos itens que apresentamos mais profundamente foi o da promoção, em que falamos sobre a comunicação integrada. A expectativa que o consumidor cria pe- rante um serviço que está adquirindo depende, além do seu desempenho, das in- formações que lhe foram passadas durante a comunicação externa da empresa. Compreendemos que, caso o cliente não tenha clareza sobre como os serviços serão prestados, pode ocorrer um desapontamento com o resultado final ZEITHAML; BITNER, (2003); KOTLER; ARMSTRONG, 1995). É lógico que toda comunicação também está relacionada ao posicionamento que a empresa apresenta ao seu consumidor no mercado, e como utiliza as ferramen- tas de comunicação (propaganda, relações públicas, venda pessoal e promoção de vendas) de forma integrada, dentro do planejamento estratégico. No marketing de serviços, também verificamos a questão da qualidade que o con- sumidor espera e atribui às empresas e ao resultado final do serviço. Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) nos apresentaram cinco dimensões utilizadas pelos clientes CONCLUSÃO CONCLUSÃO para julgar a qualidade em serviços (confiabilidade, capacidade de resposta, se- gurança, empatia, itens intangíveis). Trabalhamos ao longo do livro a importância dessas dimensões, utilizando exemplos que auxiliassem no entendimento de cada uma. A intangibilidade do serviço faz com que o consumidor perceba um risco maior du- rante a sua compra, pois reconhece uma insegurança em não saber o que receberá com o final da compra. É nesse ponto que apresentamos como as ferramentas de marketing trabalham, buscando minimizar essa insegurança, fazendo com que o consumidor perceba por outras ações da empresa que pode confiar no serviço que está comprando. Compreender o cliente também foi um dos pontos discutidos no livro. É redundante falar, pois acreditamos que você já tenha ouvido incansavelmente de outros profes- sores, porém nunca é demais lembrar que é preciso conhecer muito bem o públi- co para quem se está trabalhando. É grande o número de empresas existentes no mercado que não conhecem ou acreditam conhecer seu público, e direcionam todo seu investimento em marketing de maneira errada. E quando o retorno não vem, sempre buscam outro fator como desculpa. Para isso, apresentamos as formas como a segmentação de mercado pode e deve ser realizada, focando nas particularidades dos consumidores de serviços. Porém, é preciso atentar-se ao fato de que não possuímos apenas clientes externos, há tam- bém os clientes internos, que são os colaboradores da empresa. Grönroos (1995) e Las Casas (2006) nos apresentaram essa importância, afirmando que os funcionários da empresa de serviços são o foco inicial de todo o processo. Uma equipe desmotivada refletirá ao consumidor, na qualidade do serviço apre- sentado. Vamos lembrar que, em sua maioria, os consumidores recebem os serviços das mãos de funcionários que os executam. Assim, tornam-se a “cara” da empresa, auxiliam no sucesso,na venda e execução do serviço no mercado. Para auxiliar nas análises de mercado, também compreendemos o comportamento do consumidor de serviços, que utiliza-se de etapas pré-compra, encontro do ser- viço e pós-compra. Zeithaml e Bitner (2003) afirmam que a busca de informações, antes da escolha do serviço pelo consumidor, no período pré-compra, auxilia na minimização do risco intangível de sua aquisição. E para verificar se o consumidor que está sendo trabalhado é correto, e se está sa- tisfeito com o serviço adquirido, é preciso monitorar o mercado. Foi nessa etapa do livro que discutimos sobre o monitoramento do mercado consumidor. Por mais que uma empresa direcione todos os seus esforços para a realização de um marketing direcionado, busque conhecer o mercado profundamente, trabalhe a motivação e capacitação de seus funcionários e entregue o que prometeu, falhas na execução dos serviços sempre podem ocorrer (BATESON; HOFFMAN 2001). CONCLUSÃO 159 E Lovelock e Wright (2001) nos apresentaram que nem sempre os clientes reclama- ram diretamente com a empresa, mas não se sentem incomodados em expor suas insatisfações no mercado para conhecidos. É sabido que um cliente expõe muito mais sua insatisfação do que sua satisfação com a empresa. Por isso a importância em monitorar o que acontece no mercado, e tomar as atitudes necessárias para evi- tar problemas maiores quanto à imagem da empresa. E por final, já que falamos de falhas das empresas, apresentamos estratégias para correção desses problemas. As empresas não podem aceitar que algo está errado, é preciso corrigir, mostrar ao consumidor que mudou. Principalmente na prestação de serviços, que possui o fato do consumidor, em sua maioria, só conhecer o serviço após sua aquisição, durante a execução. Diante da discussão apresentada aqui, esperamos ter contribuído na sua aquisição de conhecimento para a área de marketing de serviços. Muitas dúvidas ainda po- dem surgir, pois vivemos em uma sociedade que muda rapidamente, e que pos- sui consumidores com opiniões diferenciadas e que buscam sempre novidades no mercado. Mas não desanime, as ferramentas aqui apresentadas são a base para qualquer estudo e conhecimento de mercado, e irão lhe auxiliar muito na sua vida profissional. Desejo-lhe muito sucesso em sua carreira como profissional de marketing, e espe- ro que você tenha gostado desta disciplina. Sucesso! Prof.ª Me. Cláudia Cristina Batistela Francisco REFERÊNCIAS 161 AMBRÓSIO, Vicente. Plano de marketing passo a passo: um roteiro prático para lançar com sucesso produtos, serviços e ideias. 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