Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE PAULISTA 
Campus de Araraquara 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DO FILME “O CONTO” NA PERSPECTIVA DA 
TEORIA PSICANALÍTICA 
 
 
 
 
Curso de Psicologia Matutino 
PS5A52 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARARAQUARA 
MARÇO/2019 
 
 
 
 
 
 
Karen Priscila de Almeida RA: D39485-1 
Jéssica Cristina Cervan RA: D3462H-7 
Leia Maurício RA: N13119-5 
Letícia Aparecida Madeira RA: N1983E-3 
 Marcelo de Lima RA: D46ADH-9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de análise de obra cinematográfica, a partir 
dos conteúdos programáticos, ministrados em aula na 
disciplina Teoria Psicanalítica. 
 
 
Profª Ms. Luzia Helena das Neves Teixeira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ..................................................................... 1 
DESENVOLVIMENTO ......................................................... 7 
CONCLUSÃO .................................................................... 15 
REFERÊNCIAS ................................................................. 18 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 O Conto 
The Tale 
ANO: 2018 
PAÍS: EUA 
CLASSIFICAÇÃO: 18 anos 
DIREÇÃO: Jennifer Fox 
ELENCO: Elizabeth Debicki, Jason Ritter, 
Ellen Burstyn, Laura Dern 
 
 
O conto, originalmente intitulado como The Tale, foi o 
escolhido para análise com base nos levantamentos 
bibliográficos e principais temas trabalhados na disciplina 
Teoria Psicanalítica, a partir da obra,
2 
 
 
 
trabalharemos alguns conceitos Freudianos como 
mecanismos de defesa, catarse, repressão, sexualidade 
infantil e sublimação. 
O Conto, diz respeito a uma obra autobiográfica, 
escrita e dirigida pela Jennifer Fox, a produtora 
cinematográfica, resolve trazer sua história de vida no 
cinema, relatando as experiências significativas vivenciadas 
pela mesma em sua pré-adolescência. 
A trama inicia-se mostrando Jenny (como é chamada no 
filme), aos 48 anos, a protagonista tem uma carreira de 
sucesso, trabalha atualmente como documentarista, tem 
um namorado atencioso e uma vida estável. 
 
Após alguns minutos de filme, ela recebe várias 
mensagens de sua mãe, relatando que achou uma antiga 
redação da filha, titulada “O Conto”, a qual trata-se de uma 
história romântica, envolvendo a menina, seu ex treinador 
de educação física e sua orientadora de equitação, ambos 
adultos de aproximadamente 40 anos que mantinham uma 
relação extraconjugal. 
A mãe encontra-se apavorada após ler o conteúdo da 
carta, que inicialmente acreditava ser fictício, confrontando 
Jenny a dizer a verdade e resolve mandá-la para que ela 
3 
 
 
 
também leia, com urgência. A questão é que a própria, não 
recorda mais com clareza do ocorrido naquele verão, cujo 
passou na casa da Sra. G, sua admirada treinadora de 
equitação, onde também conheceu Bill, o amante da Sra. 
G. Jennifer responde a mãe, pedindo que deixe-a com 
suas próprias memórias, afirmou ter 15 anos na época, e 
afinal, isso já havia passado tempo demais, constatando 
ser provavelmente algo sem importância, chegando a 
defender ambas as pessoas citadas no conto, alegando 
serem extraordinárias. 
 
Após rejeitar e esquivar-se dos questionamentos da 
mãe, a protagonista inquieta e intrigada com as lembranças 
e com o conteúdo da carta que finalmente concorda em ler, 
resolve revisitar o passado e desvendar a história de vez. 
Foi até a casa da mãe para encontrar fotos com o casal, 
fazendo uma busca nos álbuns, não encontrando os 
registros. Quem encontra o álbum correto é a mãe, ao 
deparar-se com as fotos ela percebe que tinha 13 anos de 
idade naquele ano e não 15 como recordava, a partir isso, 
ela se dá conta de que algo está errado com suas 
lembranças, questionando a si mesma da versão que ela 
guardou tantos anos sobre essa situação. 
4 
 
 
 
 
Determinada, Jennifer começa a entrar em contato com 
as meninas que participaram do grupo de verão junto a ela 
e tiveram contato o casal, com o intuito de descobrir algo 
sobre o que de fato ocorreu. É nesse ponto que o filme nos 
leva a uma jornada entre o passado e o futuro, utilizando de 
flashbacks como ferramenta, para entendermos o que 
aconteceu com a documentarista. No início dos flashbacks, 
há uma grande confusão e inexatidão das memórias, 
percebe-se que Jenny, mesmo tantos anos depois trazia 
suas memórias na perspectiva de um olhar infantil, é 
perceptível a grande carga emocional que cai sob ela 
justificando a dificuldade de concentrar-se para despertar o 
que estava escondido. 
 
Aos poucos, a dinâmica dessa relação é trazida à tona e 
o mistério é quebrado, ao voltar no passado, Jennifer 
consegue corrigir as memorias distorcidas, em um processo 
doloroso e de muito sofrimento, as cenas ganham sentido e 
ordem cronológica de uma vez por todas, Jennifer recorda 
que havia sido abusada psicologicamente pelo casal e 
sexualmente por Bill, o treinador. Jenny confiava de olhos 
fechados no casal, que por outro lado, aproveitaram da 
5 
 
 
 
situação para manipulá-la e seduzi-la cada vez mais, é 
nesse jogo de persuasão que a jovem se torna amante do 
casal, principalmente de Bill que consegue convencer a 
garota de ter relações sexuais com ele, afirmando que ela 
era mais especial e mais madura do que todas as meninas 
de sua idade e de que ele estaria protegendo-a de todos os 
garotos estúpidos que estavam soltos por aí. 
 
Ao decorrer da trama, Jennifer reconhece que sofreu 
abuso sexual e que foi manipulada, é nesse momento que 
ela se pergunta por que durante tanto tempo ignorou esse 
acontecimento tão importante em sua vida e por que 
distorceu e reprimiu todas essas vivencias, esquecendo-se 
delas por completo. É nessa transição entre o passado e o 
futuro que ela redescobre sua identidade, Jennifer 
consegue quebrar as barreiras psicológicas e os 
mecanismos de defesa que utilizou durante anos para 
sobreviver e encarar a realidade. 
 
A pedofilia e o abuso sexual são tratados de forma 
sensível e realista no enredo, apresentando-se na esfera 
emocional e física, mas o foco da história diz respeito à 
memorias oprimidas, e as consequências que levamos de 
6 
 
 
 
um trauma muito forte do passado para o futuro, 
acompanhamos essa trajetória emocionante, de choque, 
negação, busca pela verdade e por fim justiça, quando a 
documentarista vai atrás do abusador em um momento de 
revolta, e resolve denunciá-lo, ao final do filme, quando a 
mesma descobre que ela não havia sido a única menina 
abusada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO 
 
 
Como já estudamos, Freud construiu e elaborou a teoria 
psicanalítica a partir dos estudos com as mulheres 
histéricas, após conhecer o médico Bruer e estudar esses 
casos clínicos com o mesmo. Uma das questões 
levantadas com essas pacientes, foi a do trauma, para 
Freud, a histeria teria origem em algum episódio que gerou 
um sofrimento psíquico intenso, a ponto, da mente precisar 
proteger aquela pessoa daquelas lembranças indesejadas, 
deixando-as inconscientes, apesar disso, o sintoma 
aparente que sugeria que algo estava errado com aquela 
mulher era externo fixando-se em alguma parte do corpo. 
Além disso, Freud obteve um amplo conhecimento nesses 
estudos e constatou que geralmente esses quadros 
traumáticos estavam ligados a acontecimentos de natureza 
sexual na maioria ou em quase todas as vezes. 
 
 Relacionandoisso ao filme, no ponto de vista da 
psicanalise, podemos afirmar que o abuso sexual e toda a 
história romântica que Jhennifer guardou para si durantes 
anos foi traumática, pois, além da garota não ter 
8 
 
 
 
conseguido externalizar esse acontecimento de maneira 
apropriada, o acontecimento foi esquecido. Pode-se 
analisar que houve um mecanismo de repressão em 
Jennifer, uma força psíquica de resistência, em que ela 
manteve essas lembranças e recordações afastadas do 
consciente, reprimindo-as, expulsando-as de sua memória, 
para poder seguir em frente com sua vida. 
 
 Falando ainda sobre o trauma, ele pode se 
apresentar de várias formas na vida do sujeito, seja no 
aspecto emocional, seja nas ações e nos comportamentos 
que esse sujeito tem ao longo de sua vida. Em alguns 
momentos do filme, após os abusos, a garota costumava 
ter enjoo e vomitar em momentos de desespero e angustia, 
essas crises que Jenny sofria nesse sentido, poderia ser 
um mecanismo de defesa que seu organismo estava 
criando, pelo desequilíbrio no aparelho psíquico ou seja, o 
próprio ato de vomitar seria um sinal de que algo não 
estava bem e que precisava ser colocado para fora de 
alguma maneira. Já, como exemplo, na vida adulta, dessa 
experiência traumática podemos citar a dificuldade de 
Jennifer em estabelecer uma relação sólida, pois ela 
rejeitava assumir sua relação e morar com seu namorado, 
9 
 
 
 
casando-se de vez com ele, toda vez fugindo do assunto e 
do comprometimento, afastando-o dela, como se ela não 
tinha o direito de ser feliz com outra pessoa, provavelmente 
existia uma culpa inconsciente que ela carregava, a qual 
não conseguia se desvincular com a relação traumática da 
infância. 
 
Na quarta lição em psicanalise, Freud, explica talvez 
a mais chocante de suas descobertas para a sociedade: a 
sexualidade infantil, segundo o autor, a sexualidade nos 
acompanha desde o nascimento até a morte, mas a 
sexualidade infantil não é a sexualidade erótica adulta, ela 
diz respeito a busca de prazer que a criança tem e a 
necessidade de realizar seus desejos. Analisando o filme 
segundo conceitos da Psicanálise, podemos perceber 
alguns aspectos a sexualidade infantil sendo apresentadas, 
pois os impactos e os acontecimentos no desenvolvimento 
dessa sexualidade são formadores da personalidade do 
sujeito, principalmente, no que diz respeito ao Complexo de 
Édipo que é fundamental na teoria da sexualidade. 
O complexo de Édipo na análise do filme é importante, pois 
pode nos revelar, a vulnerabilidade emocional de Jennifer 
na sua puberdade, até mesmo explicar seu encanto por 
10 
 
 
 
aquelas duas pessoas, que proporcionavam a ela tantas 
fantasias e uma paixão platônica em ambas as figuras, 
deixando-se ser manipulada e seduzida, sem perceber as 
reais intenções daqueles adultos, que representavam para 
ela o desejo, a liberdade sexual (deixar de ser criança e 
alcançar a maturidade sexual tão almejada), o amor 
verdadeiro e a chance de ser vista e valorizada. 
 
Na teoria Freudiana, em resumo, o complexo de 
édipo, seria uma fase do desenvolvimento infantil, a qual 
toda pessoa passa, por volta dos três anos de idade, seria 
uma relação triangular de disputa, caracterizada por 
sentimentos ambíguos de amor, e ódio entre a criança, e 
seus genitores. Ex: O menino disputaria o amor da mãe 
com o pai, e a menina disputaria o amor do pai com a mãe, 
isso acontece pela castração emocional que a criança 
vivência, quando começa a perceber que não é mais o 
centro das atenções e sente-se ameaçada em relação a 
sua posição, percebe que não é o único ser amado naquela 
relação e que precisa dividir a atenção que tinha só para 
ela, nos primeiros anos de vida. Segundo a teoria freudiana 
também, com o passar do tempo o sujeito busca uma 
identificação com os pais. Mas quanto a Jhennifer, como 
11 
 
 
 
isso foi estabelecido e como a menina passou por essa 
fase do desenvolvimento, sendo que além dela, eram mais 
cinco irmãos mais novos que consumiam todo o tempo dos 
pais, como foi lidar com essa frustração e esse sentimento 
de rejeição? Teria ela buscado a imagem da mãe e do pai 
naquele casal? 
 
Naquele verão, é provável que Jenny tenha 
encontrado um refúgio emocional na Sra G., mostrando 
total devoção por ela e uma certa obsessão, a Professora 
de equitação, porém, foi a encarregada de apresentar e 
aproximar a garota a Bill que desde o primeiro encontro fez 
ela sentir-se especial e protegida, contando que ele e a 
treinadora eram amantes, que confiavam nela e que 
querem que ela faça parte dessa história, despertando 
fantasias e o afeto da mesma. Como dito acima, o 
complexo de édipo é um dos formadores de personalidade 
e acarreta consequências, desse modo, a ausência e a falta 
de referência dos pais pode ter projetado uma insegurança 
e um sentimento de insuficiência na menina, que aos 13 
anos, encontrou a possibilidade de superar as angustias da 
infância, se relacionando, com pessoas inspiradoras e 
atraentes para ela. 
12 
 
 
 
 
É justamente pela grande importância emocional que 
ambos tiveram naquele período para ela que isso tenha se 
tornado tão traumatizante. Os mecanismos de defesa do 
ego também estão aparentes. Na segunda tópica, Freud 
apresenta-nos o EGO, uma das instancias psíquicas, é a 
parte consciente do aparelho psíquico, tem relação com o 
mundo externo e o sistema perceptivo, o ego então, é 
responsável pelos mecanismos de defesa, usados para 
proteger o sujeito de suas dores e frustrações. No filme 
listamos os seguintes: Negação, utilizando o exemplo de 
Jennifer no início negar a culpa de ambos pelo abuso 
sexual, quando questionada pela mãe, e negando a si 
mesma, que aquilo havia sido algo doloroso pra ela; de 
Racionalização quando ela supostamente tenta justificar 
não haver problema em ela ter mantido uma relação com 
alguém mais velho, pois ela já tinha 15 anos e sabia o que 
estava fazendo, buscando uma explicação lógica e como já 
mencionado a Repressão, mantendo o acontecimento fora 
do seu consciente, ou seja, em seu inconsciente. 
Um ponto a ser falado, é sobre ela querer desvendar 
a história a ponto de lembrar do que realmente aconteceu, 
por conta de ela ter reprimido tudo aquilo e distorcido todas 
13 
 
 
 
as lembranças. Ela foi atrás de pessoas do passado que 
ela conhecia que sabiam da história verdadeira, como a 
própria Sra. G. Após essas lembranças serem buscadas, 
faladas, serem vistas através de fotos, e externalizadas ela 
se lembra da história verdadeira. Segundo Freud, isso se 
dá pelo processo de Catarse, que é permitir que o paciente 
fale sobre si, uma cura pelas lembranças dos fenômenos. 
Ele diz que percebe durante a fala do paciente que ele 
acaba descobrindo coisas sobre si mesmo, é o que ele 
chama de dissolução de sintomas. 
 
 A dissolução dos sintomas só acontece após 
sabermos o porquê estamos tendo aqueles sintomas, ou 
seja, após nos lembrarmos das memórias reprimidas. São 
três lições que nos ajudam a lidar com aquilo que está nos 
machucando: a primeira é a aceitação do desejo reprimido, 
no caso da Jennifer foi vir à tona aquilo que ela estava 
reprimindo, passou do inconsciente dela para o consciente. 
Segunda é a sublimação, entender os sintomas e 
transformar aquilo em algo positivo, usar aquilo ao seu 
favor, pode-se identificar a sublimação, quando Jhennifer 
em seu documentário pede que as mulheres que está 
entrevistando falem sobre abusos sexuais e se interessa 
14 
 
 
 
por isso, tentando ajuda-lasa resolver o problema. E 
terceira e última, reconhecer a repulsa – controle 
consciente do desejo: saber que existe e controlá-lo 
conscientemente, no filme Jennifer “usa” isso como válvula 
de escape, sabia que tinha acontecido aquele 
relacionamento, mas controla conscientemente, para 
lembrar-se das memórias da forma que ela queria lembrar, 
através da repressão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
 
 
CONCLUSÃO 
 
Uma situação traumática pode encontrar terreno fértil 
quando se depara com um sujeito frágil ou incapaz, em 
função da sua natural imaturidade de dar-se conta de 
situações extremas e potencialmente desorganizadoras, 
como, por exemplo, no caso do filme em que uma criança é 
submetida a uma situação de abuso sexual. Neste sentido, 
existem implicações diversas nessas organizações, pelo 
fato do trauma precoce ocorrer logo ao início da fase 
edípica, o objeto passa a ser instável, sucedendo uma 
introjeção falha, assim como o próprio período edípico o foi. 
Portanto, a relação com o objeto permanece centrada na 
dependência analítica do outro, ou seja, o que se 
estabelece é uma relação de grande dependência e de 
difícil superação dessa situação, como percebemos 
claramente na relação central do filme. 
 
Existe, também, a presença forte e determinante da 
figura paterna, ainda que ela não seja entendida como 
sexuada devido à imaturidade do ego da criança. Esta 
última luta contra um estado depressivo que a ameaça 
constantemente, sendo que, na verdade, a angústia ocorre 
16 
 
 
 
pelo receio de perder o objeto, daí, então, a relação de 
dependência. 
 
Finalizamos assim, afirmando que a vítima de abuso 
sexual geralmente tem uma predisposição para perpetuar o 
ciclo de violência a qual foi submetida, em O Conto, 
vivenciamos o sofrimento da garota após cada violação, 
apesar da angustia ela demorou para conseguir se 
desprender daquilo, afinal, sentia-se ‘amada’ e não queria 
aceitar o verdadeiro significado daquela relação. 
 
Quanto aos abusadores também podemos identificar 
alguns aspectos, no caso de Bill, percebemos que ele se 
acha no direito de impor seu desejo, para satisfazer suas 
necessidades utilizando do poder que tinha com Jennifer, 
principalmente por ela ser de uma faixa etária menor, 
podemos associar que ele obteve prazer a partir da 
vulnerabilidade de Jennifer, ou seja, para ele isso era um 
jogo de poder. 
 Em relação a Sra. G, há indícios de que ela também 
tenha sofrido abuso em sua infância, isso é questionado 
várias vezes no filme, ou talvez ela tenha reproduzido o 
17 
 
 
 
acontecimento que vivenciou no passado, como forma de 
vingar-se. 
Há de ressaltar também a coragem da diretora Jennifer 
Fox em tornar pública sua história de violência e abuso 
infantil. Mas talvez o mérito mais importante de O Conto 
seja constatar que quando uma vítima escolhe contar sua 
história para os outros, ela também está contando para si 
mesma e reformulando o trauma. Nesse sentido a 
realização do filme foi também uma ‘cartase’ pessoal. Em 
uma entrevista, Fox disse que queria mostrar ao público 
que o sofrimento é algo que do qual precisamos lidar 
durante a vida. “O que acho muito bom é que, pela primeira 
vez, as pessoas podem ver que, uau, tudo isso é realmente 
confuso para todos. Aquilo que a mídia tenta dizer que é 
simples, como se o mundo fosse pintado de preto e branco, 
não funciona. Quando uma criança se sente amada, 
amando e quando ela sente especial, elas precisam lidar 
com essas emoções e é aí que os abusadores se 
aproveitam e tiram vantagem.” 
 
 
 
18 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
FREUD, S. Cinco Lições de Psicanálise: Quarta Lição 
(1912). IN FREUD, S. Obras Completas de S. Freud, Rio 
de Janeiro: Imago Editora Ltda; 1969. 
 
GARCIA-ROZA, L. A. Freud e o Inconsciente. Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar, 
1996 
O CONTO. Direção: Jennifer Fox. Produção: Jennifer Fox. 
Distribuidora: HBO, 2018.

Mais conteúdos dessa disciplina