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WWW.CURSOZEROUM.COM.BR 
1 
 
Interpretação de 
Texto 
 
LÍNGUA PORTUGUESA ___________________________________________________________________ 2 
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS _______________________________________________________ 2 
DEFINIÇÃO __________________________________________________________________ 2 
PRESSUPOSTOS________________________________________________________________ 3 
SUBENTENDIDOS _______________________________________________________________ 3 
COERÊNCIA TEXTUAL ____________________________________________________________ 3 
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO ________________________________________________________ 3 
DIVERSIDADE TEXTUAL __________________________________________________________ 5 
ESTRUTURA DO TEXTO ___________________________________________________________ 7 
ELEMENTOS DO TEXTO ___________________________________________________________ 7 
PARÁFRASE __________________________________________________________________ 7 
PARÓDIA ____________________________________________________________________ 7 
AMBIGUIDADE ________________________________________________________________ 7 
DIFERENÇA ENTRE DIALETO, IDIOMA E GÍRIA ____________________________________________ 7 
NEOLOGISMO _________________________________________________________________ 8 
FUNÇÕES DA LINGUAGEM _________________________________________________________ 9 
FIGURAS DE LINGUAGEM _________________________________________________________ 10 
VÍCIOS DE LINGUAGEM __________________________________________________________ 14 
INTERTEXTUALIDADE ___________________________________________________________ 14 
 
 
 
 
 
 
 
WWW.CURSOZEROUM.COM.BR 
2 
 
Definição 
 
A Interpretação de textos faz-se necessária para o bom desempenho 
do candidato em qualquer prova, não só na de Língua Portuguesa. 
Dessa forma, é importante atentar-se a alguns mecanismos 
fundamentais ao correto e bom entendimento das informações 
presentes em cada texto e aos comandos das questões. 
 
A palavra texto origina-se do latim textum, que significa tecido, 
entrelaçamento. Essa origem nos evidencia que texto resulta de 
um trabalho de tecer, de entrelaçar várias partes menores a fim 
de se obter um todo inter-relacionado, ou seja, coeso e coerente. 
Um bom texto é capaz de produzir interação comunicativa: 
(habilidade para codificar e decodificar). 
Em sentido amplo, uma escultura, um quadro, um símbolo, um 
sinal de trânsito, uma foto, um filme, uma novela de televisão 
também são formas textuais. 
 
 Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em cada 
uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com a 
anterior e/ou com a posterior, criando condições para a 
estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação 
dá-se o nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre 
as frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu 
contexto original e analisada separadamente, poderá ter um 
significado diferente daquele inicial. 
 Intertexto - comumente, os textos apresentam referências 
diretas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse 
tipo de recurso denomina-se intertexto. 
 Interlocutor - é a pessoa a quem o texto se dirige. 
 
O candidato deve fazer dois tipos de leitura: 
 
 Leitura informativa: para buscar as palavras mais importantes de 
cada parágrafo, as chamadas palavras-chave do texto, em torno das 
quais as outras se organizam para dar significação e produzirem 
sentidos. 
 Leitura interpretativa: para compreender, analisar e sintetizar as 
informações do texto. 
 
A leitura interpretativa requer: 
 
 Compreensão: entender a mensagem literal contida no texto. As 
questões versam sobre a postura ideológica do autor, a ideia 
central, a tese defendida. É importante que o candidato 
compreenda os níveis da língua e que possua um bom léxico 
internalizado. 
 Análise: depreender do texto a informação essencial. Para isso é 
importante buscar as palavras mais importantes de cada 
parágrafo, elas constituirão as palavras-chave do texto. Atentar 
para os modos de articulação das ideias. 
 Síntese: organizar as ideias principais do autor para chegar à 
expressão que constitui a tese defendida pelo autor durante todo 
o texto. 
 
Nas questões de compreensão / interpretação de texto, o candidato deve, 
além da compreensão, análise e síntese, destacar, em cada parágrafo, a 
informação básica para facilitar a compreensão do texto. 
 
Há diferença no objetivo das questões de compreensão e de 
interpretação de textos. 
 
As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto 
em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um 
confronto entre todas as partes que compõem o texto. 
Compreensão ou Intelecção de Texto – consiste em analisar o que 
realmente está escrito, ou seja, coletar dados do texto. Significa o 
entendimento, isto é, a compreensão. É importante que o 
candidato esteja atento às informações presentes no texto e 
analise-as a fim de ser fiel a elas. 
 
Interpretação de Texto – consiste em saber o que se infere (conclui) 
do que está escrito. Interpretar quer dizer comentar, explicar, 
entender, tirar conclusões, julgar a intenção do autor ou do texto. 
Alguns verbos presentes nos comandos dos enunciados e 
seus significados: 
 
 Inferir: deduzir por meio de raciocínio, tirar por conclusão. 
 Deduzir: concluir, inferir. 
 Concluir: deduzir, inferir, pôr fim. 
 Entender: perceber pela inteligência, compreender o sentido, 
julgar, deduzir, interpretar. 
 Identificar: reconhecer elementos fundamentais de uma 
argumentação (dados relacionados a tempo, verbos e 
advérbios). 
 Comparar: perceber relações de semelhança e dessemelhança 
entre trechos do texto. 
 Comentar: opinar a respeito. 
 Resumir: ater-se às ideias principais e/ou secundárias em um 
texto menor. 
 Parafrasear: escrever o texto com as próprias palavras. 
 
Geralmente os enunciados apresentam-se da seguinte 
maneira: 
 
 Segundo o texto, é correto ou incorreto afirmar... 
 O narrador afirma que... 
 O autor sugere que... 
 
FIQUE LIGADO! 
 
Implícitos e Pressupostos 
 
Um texto é formado por informações explícitas e implícitas. As 
informações explícitas são aquelas manifestadas pelo autor no 
próprio texto. As informações implícitas não são manifestadas pelo 
autor no texto, mas podem ser subentendidas. Muitas vezes, para 
efetuarmos uma leitura eficiente, é preciso ir além do que foi dito, 
ou seja, ler nas entrelinhas. 
 
Por exemplo, observe este enunciado: 
 
- Patrícia parou de tomar refrigerante. 
 
A informação explícita é “Patrícia parou de tomar refrigerante”. A 
informação implícita é “Patrícia tomava refrigerante antes”. 
 
Agora, veja este outro exemplo: 
 
-Felizmente, Patrícia parou de tomar refrigerante. 
 
A informação explícita é “Patrícia parou de tomar refrigerante”. A 
palavra “felizmente” indica que o falante tem uma opinião positiva 
sobre o fato – essa é a informação implícita. 
 
Com esses exemplos, mostramos como podemos inferir informações a 
partir de um texto. Fazer uma inferência significa concluir alguma coisa 
a partir de outra já conhecida. Nos vestibulares, fazer inferências é uma 
habilidade fundamental para a interpretação adequada dos textos e dos 
enunciados. 
 
A seguir, veremos dois tipos de informações que podem ser 
inferidas: as pressupostas e as subentendidas. 
 
Língua Portuguesa
Interpretação de Textos
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3 
Pressupostos 
 
Uma informação é considerada pressuposta quando um enunciado 
depende dela para fazer sentido. Considere, por exemplo, a seguinte 
pergunta: “Quando Patrícia voltará para casa?”. 
 
Esse enunciado só faz sentido se considerarmos que Patrícia saiu 
de casa, aomenos temporariamente – essa é a informação 
pressuposta. Caso Patrícia se encontre em casa, o pressuposto não 
é válido, o que torna o enunciado sem sentido. 
 
Repare que as informações pressupostas estão marcadas através 
de palavras e expressões presentes no próprio enunciado e 
resultam de um raciocínio lógico. Portanto, no enunciado “Patrícia 
ainda não voltou para casa”, a palavra “ainda” indica que a volta 
de Patrícia para casa é dada como certa pelo falante. 
 
Subentendidos 
 
Ao contrário das informações pressupostas, as informações 
subentendidas não são marcadas no próprio enunciado, são 
apenas sugeridas, ou seja, podem ser entendidas como 
insinuações. 
 
O uso de subentendidos faz com que o enunciador se esconda 
atrás de uma afirmação, pois não quer se comprometer com ela. 
Por isso, dizemos que os subentendidos são de responsabilidade 
do receptor, enquanto os pressupostos são partilhados por 
enunciadores e receptores. 
 
Em nosso cotidiano, somos cercados por informações 
subentendidas. A publicidade, por exemplo, parte de hábitos e 
pensamentos da sociedade para criar subentendidos. Já a anedota 
é um gênero textual cuja interpretação depende a quebra de 
subentendidos. 
 
20 Passos para leitura e entendimento do texto 
 
1. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto. 
2. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, 
vá até o fim, ininterruptamente. 
3. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo menos 
umas três vezes ou mais. 
4. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas. 
5. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar. 
6. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor. 
7. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor 
compreensão. 
8. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto 
correspondente. 
9. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão. 
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, 
correta, incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e 
outras; palavras que aparecem nas perguntas e que, às vezes, 
dificultam a entender o que se perguntou e o que se pediu. 
11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a 
mais exata ou a mais completa. 
12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento 
de lógica objetiva. 
13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais. 
14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta, 
mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto. 
15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia 
a resposta. 
16.Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo 
autor, definindo o tema e a mensagem. 
17. O autor defende ideias e você deve percebê-las. 
18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são 
importantíssimos na interpretação do texto. 
Exemplo: Ele morreu de fome. [de fome: adjunto adverbial de 
causa, determina a causa na realização do fato (= morte de "ele").] 
Exemplo: Ele morreu faminto. [faminto: predicativo do sujeito, é o 
estado em que "ele" se encontrava quando morreu.;]. 
19.As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as 
ideias estão coordenadas entre si. 
20.Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior 
clareza de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o 
significado. 
 
Observe que ao interpretar o texto é importante estar atento ao 
enunciado. Alguns deles induzem o candidato ao erro. Veja alguns 
deles: 
 
1) Redução 
 
 Observar apenas uma parte do texto e, consequentemente, 
abandonar a principal; 
 Distrair-se e entender o significado do texto ou de alguma ideia 
de maneira contrária àquela que se pretende passar; 
 Particularizar aquilo que é geral. 
 
2) Extrapolação 
 
 Dizer além do que está escrito no texto; 
 Generalizar o que é particular, específico. 
 
3) Contradição 
 
 Entender e concluir contrariamente ao texto; 
 Fugir do ponto principal ao reduzir as ideias (omissão de parte 
do texto). 
 
Ao ser questionado acerca do tema do texto, o candidato deve 
reler o primeiro ou último parágrafo, pois geralmente a ideia 
central está presente nessas partes. Se a busca for pela 
argumentação, é importante estar atento aos parágrafos que 
compõem o desenvolvimento 
 
Em uma prova de concurso deve-se levar em consideração o que 
é dito pelo autor, sob a ótica dele. A exceção vale apenas para 
questões que forem elaboradas a partir de confrontos e que 
busquem outros conhecimentos correlacionados 
 
Coerência Textual 
 
Para que não haja contradição em relação àquilo que se quer dizer, 
é necessário um encadeamento de ideias entre as partes que 
formam um texto. 
 
Elas devem estar concatenadas, dessa forma há coerência entre 
as ideias expostas. 
 
A coerência também é resultante da adequação entre o que se diz 
e o contexto extraverbal (aquilo que se faz referência) e precisa 
ser de conhecimento do leitor. 
 
 Coerência argumentativa: apresentação da tese (ideia que 
será defendida) acompanhada dos argumentos que serão 
utilizados (comprovações, exemplos, citações) e o desfecho. 
 Temas polêmicos devem ser embasados conformidade com a 
tese, pois as opiniões são diversificadas e dependem da 
formação e convicção de cada um. 
 Coerência narrativa: Relação lógica entre as ações e 
características dos personagens. A coerência narrativa contribui 
para o desenvolvimento lógico da história. 
 Coerência descritiva: Relação lógica dos personagens com o 
contexto em que estão inseridos. Ex.: Estar no Polo Norte – usar 
roupas que aquecem. 
 
Denotação e Conotação 
 
 Sentido Denotativo: literal, próprio. Letra “D” de Dicionário. 
 Sentido Conotativo: figurado, parte da significação intencional. 
 
Ao usarmos o sentido conotativo, temos como ferramentas vários 
recursos expressivos que são denominados Figuras de Linguagem. 
Elas representam uma nova intenção do emissor ou o meio mais 
facilitador para comunicar algo de forma criativa, distinta. 
 
Segundo Othon M. Garcia (1973): "Conotação implica, portanto, em 
relação à coisa designada, um estado de espírito, uma opinião, um 
juízo, um sentimento, que variam conforme a experiência, o 
temperamento, a sensibilidade, a cultura e os hábitos do falante ou 
ouvinte, do autor ou leitor. Conotação é, assim, uma espécie de 
emanação semântica, possível graças à faculdade que nos permite 
relacionar coisas análogas ou semelhadas. Esse é, em essência, o traço 
característico do processo metafórico, pois metaforização é 
conotação". 
 
WWW.CURSOZEROUM.COM.BR 
4 
Exemplos: 
Foice – instrumento agrícola (denotação) 
Foice – ideologia marxista (conotação) 
Monstro – ser extravagante, imaginado, mitologia 
(denotação) 
Monstro – pessoa cruel, pessoa inteligente (gíria) 
(conotação) 
Ouro – metal (símbolo químico “Au“) (denotação) 
Ouro – riqueza, poderio, esplendor (conotação) 
Esticou um olho lá para a sala (conotação) 
 
Para que a função social da linguagem seja realizada com êxito é 
fundamental que as palavras possuam um significado, isto é, que 
representem um conceito. A combinação de conceito e palavra é 
denominada Signo. O signo linguístico une um elemento concreto, 
material, perceptível (letras impressas, som) chamado significante 
a um elemento inteligível, uma imagem mental, por exemplo. Este 
elemento é chamado de Significante. 
 
Pensemos em uma abóbora na banca de verduras. Sozinha não 
tem representação. Com nariz, boca e olhos, passa a ter um 
Significado: Halloween. 
 
Signo = significante + significado. 
Significado + ideia ou conceito (inteligível). 
 
O B S E R V A Ç Ã O 
As figuras de linguagem têm uma representação conotativa. 
 
Tipologia Textual 
 
1. Narração 
 
Modalidade em que se conta um fato, fictícioou não, que ocorreu num 
determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se 
a objetos do mundo real. Há uma relação de anterioridade e 
posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado. Estamos 
cercados de narrações desde as que nos contam histórias infantis até 
às piadas do cotidiano. É o tipo predominante nos gêneros: conto, 
fábula, crônica, romance, novela, depoimento, piada, relato etc. 
 
2. Descrição 
 
Um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma 
pessoa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais 
utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua 
função caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se 
até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de 
anterioridade e posterioridade. Significa "criar" com palavras a 
imagem do objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do 
objeto ou da personagem a que o texto se pega. É um tipo textual 
que se agrega facilmente aos outros tipos em diversos gêneros 
textuais. Tem predominância em gêneros como: cardápio, folheto 
turístico, anúncio classificado etc. 
 
3. Dissertação 
 
Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, 
discorrer sobre ele. Dependendo do objetivo do autor, pode ter 
caráter expositivo ou argumentativo. 
 
a) Dissertação-Exposição 
 
Apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico. 
Apresenta informações sobre assuntos, expõe, reflete, explica e avalia 
ideias de modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe ideias sobre 
um determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer. 
 
Exemplos.: 
Aula, resumo, textos científicos, enciclopédia, textos 
expositivos de revistas e jornais etc. 
 
b) Dissertação-Argumentação 
 
Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de ideias ou um 
ponto de vista do autor. O texto, além de explicar, também 
persuade o interlocutor, objetivando convencê-lo de algo. 
Caracteriza-se pela progressão lógica de ideias. Geralmente utiliza 
linguagem denotativa. É tipo predominante em: sermão, 
ensaio, monografia, dissertação, tese, ensaio, manifesto, crítica, 
editorial de jornais e revistas. 
 
4. Injunção/Instrucional 
 
Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem objetiva e 
simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo 
imperativo, porém nota-se também o uso do infinitivo e o uso do 
futuro do presente do modo indicativo. 
 
Exemplos: 
Ordens; pedidos; súplica; desejo; manuais e instruções para 
montagem ou uso de aparelhos e instrumentos; textos com 
regras de comportamento; textos de orientação; 
recomendações de trânsito; receitas, cartões com votos e 
desejos (de natal, aniversário etc.). 
 
O B S E R V A Ç Ã O 
Os exemplos citados de Injunção/Instrucional são um 
consenso entre os gramáticos. Muitos consideram também 
que o tipo Predição possui características suficientes para ser 
definido como tipo textual, e alguns outros possuem o mesmo 
entendimento para o tipo Dialogal. 
 
5. Predição 
 
Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em 
alguma coisa, a qual ainda está por ocorrer. É o tipo predominante 
nos gêneros: previsões astrológicas, previsões meteorológicas, 
previsões escatológicas/apocalípticas. 
 
6. Dialogal / Conversacional 
 
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É o tipo 
predominante nos gêneros: entrevista, conversa telefônica, chat 
etc. 
 
Texto e Paratexto - Elementos Paratextuais 
 
A sabedoria popular diz que não devemos “julgar um livro pela 
capa”. Isso acontece porque muitas vezes a capa de um livro acaba 
despertando ou não nosso interesse pelo texto. Porém, quando 
abrimos um livro, podemos nos deparar com outros elementos, 
como contracapa, biografia do autor, prefácio, dedicatória, índice, 
notas de rodapé, citações, posfácio e ilustrações. Esses elementos 
que margeiam o texto são chamados de elementos paratextuais. 
 
Portanto, paratextos são elementos que estão para além do texto, 
ou seja, informações que acompanham uma obra. Como podem 
motivar a aquisição e a leitura livros, os elementos paratextuais 
são muito privilegiados pela indústria editorial. 
 
O Título 
 
De todos os elementos paratextuais, o mais importante é o título, 
pois funciona como uma espécie de “slogan” do texto, ou seja, 
algo que faça com que o leitor “compre” suas ideias. Alguns 
especialistas já chegaram a sugerir que o título não é relevante 
para a leitura de um texto, mas não é bem assim. Um título 
adequado pode direcionar a compreensão do texto, ajudando o 
leitor a criar expectativas de leitura. 
 
Em alguns casos, o título fornece pistas importantes para que o 
leitor levante hipóteses sobre o que vai ler. Por exemplo, diante de 
um título como “Conheça os angiospermas”, o leitor espera ler um 
texto que trará explicações sobre os angiospermas, seus tipos e 
exemplares na natureza. Com a ajuda de outros elementos 
paratextuais, como a ilustração de uma flor, o leitor poderá 
imaginar que se trata de plantas. 
 
Questão comentada: 
 
WWW.CURSOZEROUM.COM.BR 
5 
Nós adoraríamos dizer que somos perfeitos. Que somos infalíveis. 
Que não cometemos nem mesmo o menor deslize. E só não 
falamos isso por um pequeno detalhe: seria uma mentira. Aliás, 
em vez de usar a palavra “mentira”, como acabamos de fazer, 
poderíamos optar por um eufemismo. “Meia-verdade”, por 
exemplo, seria um termo muito menos agressivo. Mas nós não 
usamos esta palavra simplesmente porque não acreditamos que 
exista uma “Meia-verdade”. Para o Conar, Conselho Nacional de 
Autorregulamentação Publicitária, existem a verdade e a mentira. 
Existem a honestidade e a desonestidade. Absolutamente nada no 
meio. O Conar nasceu há 29 anos (viu só? Não arredondamos para 
30) com a missão de zelar pela ética na publicidade. Não fazemos 
isso porque somos bonzinhos (gostaríamos de dizer isso, mas, 
mais uma vez, seria mentira). Fazemos isso porque é a única 
forma da propaganda ter o máximo de credibilidade. E, cá entre 
nós, para que serviria a propaganda se o consumidor não 
acreditasse nela? Qualquer pessoa que se sinta enganada por uma 
peça publicitária pode fazer uma reclamação ao Conar. Ele analisa 
cuidadosamente todas as denúncias e, quando é o caso, aplica a 
punição. 
 
Anúncio veiculado na Revista Veja. São Paulo: Abril. Ed. 2120, ano 
42, nº 27, 8 jul. 2009. 
 
O recurso gráfico utilizado no anúncio publicitário – de 
destacar a potencial supressão do trecho do texto – reforça a 
eficácia pretendida, revelada na estratégia de 
 
a) ressaltar a informação no título, em detrimento do restante do 
conteúdo associado. 
b) incluir o leitor por meio do uso da 1ª pessoa do plural no 
discurso. 
c) contar a história da criação do órgão como argumento de 
autoridade. 
d) subverter o fazer publicitário pelo uso de sua 
metalinguagem. 
e) impressionar o leitor pelo jogo de palavras no texto. 
 
Resolução: 
 
Gabarito: letra D. 
Num primeiro momento, pode ser até que o leitor ache que 
houve um erro na edição da questão, por causa do risco 
sobre parte do anúncio. Mas só a leitura de toda a peça 
publicitária levará à sua adequada compreensão. 
Certamente, o título do anúncio levará o leitor a buscar uma 
justificativa para a supressão da frase “Ele é 100% eficiente 
nesta missão.” Afinal, por que o anunciante reprovaria 
publicamente parte de seu próprio anúncio? Na verdade, 
trata-se da estratégia criada pelo Conar para demonstrar sua 
transparência e compromisso com a ética. Em outras 
palavras, os publicitários foram ousados: usaram a própria 
publicidade para questionar os limites da linguagem 
publicitária. Por isso, podemos falar que houve 
metalinguagem. 
 
Hipertexto 
 
O hipertexto é, em sua definição, uma forma de escrita e leitura 
não linear, com blocos de informação ligados a palavras, partes de 
umtexto ou, por exemplo, imagens. 
 
Os textos, ao longo da história da humanidade, apresentam-se, 
em sua maioria, como narrativas retóricas e lineares, ou seja, a 
narrativa segue uma temporalidade linear, com acontecimentos 
subsequentes. Mas nem sempre foi assim, e hoje em dia também 
não é mais só assim... 
Antes de ter a forma que conhecemos atualmente, o livro já foi de 
tábuas de argila, de rolos de papiro, de folhas de papel costuradas. 
Nos últimos tempos, ganhou formato digital e abandonou as 
páginas de papel. 
 
No mundo contemporâneo, com o excesso de informações, a 
narrativa ganha uma estrutura hipertextual, com forma de 
organização em rede, facilitando a interatividade entre textos 
necessária para a busca da informação com mais rapidez. 
 
Conceito 
 
 O termo hipertexto foi criado por Theodore Nelson, na década de 
1960, para denominar a forma de escrita e de leitura não linear 
na informática. O hipertexto se assemelha à forma como o 
cérebro humano processa o conhecimento: fazendo relações, 
acessando informações diversas, construindo ligações entre 
fatos, imagens, sons, enfim, produzindo uma teia de 
conhecimentos. 
 
No hipertexto, o leitor passa a ter uma participação mais ativa, 
pois ele pode seguir caminhos variados dentro do texto, 
selecionando pontos que o levam a outros textos ou outras mídias 
para complementar o sentido de sua leitura. O leitor torna-se, 
assim, um coautor do texto, pois constrói tramas paralelas de 
acordo com seu interesse. 
 Estrutura do hipertexto. 
 
No entanto, o hipertexto não está somente na internet. Um livro 
de formato tradicional também pode ter sua estrutura interna em 
forma de hipertexto. Um livro de contos, por exemplo, pode ser 
lido sem seguir a ordem em que os contos foram organizados. 
 
As enciclopédias e os dicionários também apresentam estrutura 
hipertextual, já que indicam outros verbetes que complementam 
a consulta do leitor. E ainda há livros em que o autor coloca nas 
margens informações complementares ao texto principal, 
buscando o formato hipertextual. 
 
Estamos rodeados por hipertextos dentro e fora da internet. O 
hipertexto permite a interatividade e a livre escolha para começar 
a leitura por qualquer um dos textos que compõem a teia. O leitor 
é quem decide por quais passará, percebendo novos caminhos, 
ampliando os limites da leitura. 
 
Diversidade Textual 
 
As atividades humanas estão sempre relacionadas com o uso de 
linguagem, seja verbal, seja não verbal. 
 
Gêneros do discurso são textos que circulam em determinadas 
esferas de atividades humanas e que, com pequenas variações, 
apresentam tema, estrutura e linguagem semelhantes (receitas, 
notícias, cartas, entrevistas, debates, e-mails...). 
 
Há inúmeros tipos de texto, pois eles são criados de acordo com a 
finalidade de comunicação de quem escreve (ou fala). Há textos 
informativos, literários, didáticos, jornalísticos, musicais, teatrais, 
humorísticos etc. 
 
No texto literário, o autor pode inventar a história livremente, sem 
ficar preso à realidade. Por isso pode fazer uso de uma linguagem 
diferente (subjetiva), com imagens e comparações, criando os 
fatos e personagens. Esse tipo de texto é muito comum nos livros 
de histórias e de poesias. 
 
Alguns textos não têm palavras. Nós os lemos por meio das cores, 
dos sons, das formas, dos gestos, das imagens, etc. São chamados 
de textos não verbais ou extra verbais. 
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6 
Um texto pode ser escrito com a finalidade de: 
 Dar instruções (regras de jogo, montagem de equipamentos e 
objetos, instalação de eletroeletrônicos, sobre atividades em 
folhetos, avisos, cartazes); 
 Divertir (piada, pegadinhas, charadas, quadrinhos); 
 Esclarecer (verbete de dicionário e enciclopédia); 
 Advertir (rótulo, campanha publicitária, cartazes); 
 Informar o leitor sobre... (concursos, provas, reuniões, por meio 
de editais, avisos); 
 Estabelecer comunicação (bancária, familiar, comercial, escolar); 
 Estabelecer comunicação rápida (bilhete, e-mail); 
 Estabelecer normas de conduta (artigos de lei, de estatutos, de 
regimentos); 
 Conscientizar as pessoas sobre...(cartazes, outdoors, folhetos); 
 Anunciar produtos (propagandas em cartazes, folhetos); 
 Documentar um fato (ocorrido, relatório); 
 Orientar procedimentos (bulas, instruções); 
 Transmitir ordens (ordem de serviço, avisos). 
 
Gêneros textuais 
 
Os Gêneros textuais são as estruturas com que se compõem os 
textos, sejam eles orais ou escritos. Essas estruturas são 
socialmente reconhecidas, pois se mantêm sempre muito parecidas, 
com características comuns, procuram atingir intenções 
comunicativas semelhantes e ocorrem em situações específicas. 
 
Pode-se dizer que se tratam das variadas formas de linguagem que 
circulam em nossa sociedade, sejam eles formais ou informais. Cada 
gênero textual tem seu estilo próprio, podendo então, ser 
identificado e diferenciado dos demais através de suas 
características. 
 
 Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta ao leitor", 
tende a ser do tipo dissertativo-argumentativo com uma 
linguagem formal, em que se escreve à sociedade ou a leitores. 
Quando se trata de "carta pessoal", a presença de aspectos 
narrativos ou descritivos e uma linguagem pessoal é mais 
comum. 
 Propaganda: é um gênero textual dissertativo-expositivo onde há a o 
intuito de propagar informações sobre algo, buscando sempre atingir 
e influenciar o leitor apresentando, na maioria das vezes, mensagens 
que despertam as emoções e a sensibilidade do mesmo. 
 Bula de remédio: é um gênero textual descritivo, dissertativo-
expositivo e injuntivo que tem por obrigação fornecer as informações 
necessárias para o correto uso do medicamento. 
 Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo que tem por objetivo 
informar a fórmula para preparar tal comida, descrevendo os ingredientes 
e o preparo destes, além disso, com verbos no imperativo, dado o sentido 
de ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções. 
 Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num guia que tem 
por finalidade explicar ao leitor, passo a passo e de maneira 
simplificada, como fazer algo. 
 Editorial: é um gênero textual dissertativo-argumentativo que 
expressa o posicionamento da empresa sobre determinado 
assunto, sem a obrigação da presença da objetividade. 
 Notícia: podemos perfeitamente identificar 
características narrativas, o fato ocorrido que se deu em um 
determinado momento e em um determinado lugar, envolvendo 
determinadas personagens. Características do lugar, bem como 
dos personagens envolvidos são, muitas vezes, 
minuciosamente descritos. 
 Reportagem: é um gênero textual jornalístico de 
caráter dissertativo-expositivo. A reportagem tem, por objetivo, 
informar e levar os fatos ao leitor de uma maneira clara, com 
linguagem direta. 
 Entrevista: é um gênero textual fundamentalmente dialogal, 
representado pela conversação de duas ou mais pessoas, o 
entrevistador e o(s) entrevistado(s), para obter informações sobre ou 
do entrevistado, ou de algum outro assunto. Geralmente envolve 
também aspectos dissertativo-expositivos, especialmente quando se 
trata de entrevista a imprensa ou entrevista jornalística. Mas pode 
também envolver aspectos narrativos, como na entrevista de 
emprego, ou aspectos descritivos, como na entrevista médica. 
 História em quadrinhos: é um gênero narrativo que consiste em 
enredos contados em pequenos quadros através de diálogos 
diretos entre seus personagens, gerando uma espécie de 
conversação. 
 Charge: é um gênero textual narrativo onde se faz uma espécie 
de ilustração cômica, através de caricaturas, com o objetivo de 
realizar uma sátira, crítica ou comentário sobre algum 
acontecimento atual,em sua grande maioria. 
 Poema: trabalho elaborado e estruturado em versos. Além dos 
versos, pode ser estruturado em estrofes. Rimas e métrica também 
podem fazer parte de sua composição. Pode ou não ser poético. 
Dependendo de sua estrutura, pode receber classificações específicas, 
como haicai, soneto, epopeia, poema figurado, dramático, etc. Em 
geral, a presença de aspectos narrativos e descritivos são mais 
frequentes neste gênero. 
 Poesia: é o conteúdo capaz de transmitir emoções por meio de 
uma linguagem, ou seja, tudo o que toca e comove pode ser 
considerado como poético (até mesmo uma peça ou um filme 
podem ser assim considerados). Um subgênero é a prosa 
poética, marcada pela tipologia dialogal. 
 
Gêneros literários 
 
Gênero Narrativo: 
 
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram 
apenas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos, o 
gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do 
gênero literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de 
prosa com características diferentes: o romance, a novela, o conto, 
a crônica, a fábula. 
 
Porém, praticamente todas as obras narrativas possuem 
elementos estruturais e estilísticos em comum e devem responder 
a questionamentos, como: quem? o que? quando? onde? por quê? 
Vejamos a seguir: 
 
 Épico (ou Epopeia): os textos épicos são geralmente longos e 
narram histórias de um povo ou de uma nação, envolvem 
aventuras, guerras, viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente 
apresentam um tom de exaltação, isto é, de valorização de seus 
heróis e seus feitos.. Exemplos: Os Lusíadas, de Luís de Camões, 
e Odisséia, de Homero. 
 Romance: é um texto completo, com tempo, espaço e 
personagens bem definidos e de caráter mais 
verossímil. Também conta as façanhas de um herói, mas 
principalmente uma história de amor vivida por ele e uma 
mulher, muitas vezes, “proibida” para ele. Apesar dos obstáculos 
que o separam, o casal vive sua paixão proibida, física, adúltera, 
pecaminosa e, por isso, costuma ser punido no final. É o tipo de 
narrativa mais comum na Idade Média. Exemplos: Tristão e 
Isolda. 
 Novela: é um texto caracterizado por ser intermediário entre a 
longevidade do romance e a brevidade do conto. Como exemplos 
de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado 
de Assis, e A Metamorfose, de Kafka. 
 Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, 
que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores. Inicialmente, 
fazia parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi-lo de 
forma escrita com a publicação de Decamerão. Diversos tipos do 
gênero textual conto surgiram na tipologia textual narrativa: conto de 
fadas, que envolve personagens do mundo da fantasia; contos de 
aventura, que envolvem personagens em um contexto mais próximo 
da realidade; contos folclóricos (conto popular); contos de terror ou 
assombração, que se desenrolam em um contexto sombrio e 
objetivam causar medo no expectador; contos de mistério, que 
envolvem o suspense e a solução de um mistério. 
 Fábula: é um texto de caráter fantástico que busca ser 
inverossímil. As personagens principais são não humanas e a 
finalidade é transmitir alguma lição de moral. 
 Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana, 
com linguagem coloquial. Pode ter um tom humorístico ou um 
toque de crítica indireta, especialmente, quando aparece em 
seção ou artigo de jornal, revistas e programas da TV. 
 Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alternância entre os 
momentos narrativos e manifestos descritivos. 
 Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o poético e o 
didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas 
a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o 
tratado. Consiste também na defesa de um ponto de vista 
pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, 
político, social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que 
se paute em formalidades como documentos ou provas 
empíricas ou dedutivas de caráter científico. Exemplos: Ensaio 
sobre a cegueira, de José Saramago e Ensaio sobre a tolerância, 
de John Locke. 
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Gênero Dramático: 
 
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo 
de texto, não há um narrador contando a história. Ela “acontece” 
no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os 
papéis das personagens nas cenas. 
 
 Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de 
provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia 
era "uma representação duma ação grave, de alguma extensão 
e completa, em linguagem figurada, com atores agindo, não 
narrando, inspirando dó e terror". Exemplos: Romeu e 
Julieta, de Shakespeare. 
 Farsa: é uma pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que 
critica a sociedade e seus costumes; baseia-se no lema latino 
ridendocastigat mores (rindo, castigam-se os costumes). A farsa consiste 
no exagero do cômico, graças ao emprego de processos grosseiros, como 
o absurdo, as incongruências, os equívocos, os enganos, a caricatura, o 
humor primário, as situações ridículas. 
 Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no 
sentimento comum, de riso fácil. Sua origem grega está ligada 
às festas populares. 
 Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos trágicos e 
cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o 
imaginário. 
 Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com 
forte apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da 
sociedade e da realidade vivida por este povo. 
 Gênero Lírico: É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que 
fala no poema e que nem sempre corresponde à do autor) exprime 
suas emoções, ideias e impressões em face do mundo exterior. 
Normalmente os pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há 
o predomínio da função emotiva da linguagem. 
 Elegia: é um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a 
morte é elevada como o ponto máximo do texto. O emissor expressa 
tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema 
melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e yufa, de William 
Shakespeare. 
 Epitalâmia: é um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, 
noites românticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de 
epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais. 
 Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emissor faz uma 
homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à 
mulher amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O hino 
é uma ode com acompanhamento musical. 
 Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o emissor expressa uma 
homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao 
homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de 
desfrutar de tais belezas e riquezas ao lado da amada (pastora), que 
enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal para a paixão. A 
écloga é um idílio com diálogos (muito rara). 
 Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a 
alguém ou a algo, em tom sério ou irônico. 
 Acalanto: ou canção de ninar. 
 Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha), composição lírica na 
qual as letras iniciais de cada verso formam uma palavra ou frase. 
 Balada: uma das mais primitivas manifestações poéticas, são 
cantigas de amigo (elegias) com ritmo característico e refrão 
vocal que se destinam à dança. 
 Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com acompanhamento 
musical. 
 Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e árabes; odes do 
oriente médio. 
 Haicai: expressão japonesa que significa “versos cômicos” 
(=sátira). E o poema japonês formado de três versos que 
somam 17 sílabas assim distribuídas: 1° verso= 5 sílabas; 2°verso = 7 sílabas; 3° verso 5 sílabas. 
 Soneto: é um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois 
quartetos e dois tercetos, com rima geralmente em a-ba-b a-b-
b-a c-d-c d-c-d. 
 Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas 
de escárnio e de maldizer); satíricas, portanto. 
 
Estrutura do Texto 
 
 Parágrafos – espaço em branco junto à margem. Inicia-se a cada 
novo pensamento (assunto) sobre o tema. Cada parágrafo do 
texto é formado por ideias ligadas à ideia central (tema). 
 Estrofes –conjunto de linhas do texto (versos), usadas em textos 
poéticos. 
Elementos do Texto 
 
 Assunto – é aquilo sobre o que se conversa, discorre ou escreve. 
 Tema – é um trecho destacado para servir de assunto em um 
determinado contexto. Pode ser considerado um ponto de vista 
sobre determinado assunto. 
 Título – é o nome ou a expressão que indica o assunto em uma obra ou 
texto. Ele identifica a obra. 
 
Paráfrase 
 
Do grego para-phrasis(repetição de uma sentença), a paráfrase imita o 
original, inclusive em extensão. Assim, parafrasear um texto é repeti-lo 
com outras palavras, mas sem alterar suas ideias. 
 
Para produzir uma paráfrase, portanto, é preciso seguir as ideias 
do texto original, reproduzindo-as de outra maneira, mesmo que 
de forma resumida. 
 
Paródia 
 
A paródia é uma recriação de caráter contestador: ela mantém 
algo da significação do texto primeiro, mas constrói todo um 
percurso de desvio em relação a ele, numa espécie de 
insubordinação crítica que incomoda. 
 
Ambiguidade 
 
Ambiguidade é a plurissignificação, ou seja, os múltiplos 
significados que pode ter um texto. Nos textos considerados 
objetivos, a ambiguidade é tida como um erro grave, pois a 
intenção é a de informa, transmitir a mensagem com o máximo de 
clareza e objetividade possível. Nos textos subjetivos, 
principalmente onde predomina a função poética da linguagem, 
pode ser considerado um recurso rico, visto que permite várias 
interpretações. 
 
Diferença entre Dialeto, Idioma e Gíria 
 
Dialetos são modificações regionais, estáveis, de uma língua, 
variações de pronúncia, vocabulário e gramática. Os dialetos não 
ocorrem somente em regiões diferentes, pois numa determinada 
região existem também as variações dialetais etárias, sociais, 
referentes ao sexo masculino e feminino e estilísticas. 
 
Idioma é um termo referente à língua usado para identificar uma 
nação em relação às demais e está relacionado à existência de um 
estado político. Por isso, espanhol é um idioma, mas o basco, não, e 
o português é uma língua e um idioma. O idioma sempre está 
vinculado à língua oficial de um país. 
 
Gíria é uma linguagem fechada, usada por um grupo social 
restrito, com a preocupação de se distinguir dos outros. A gíria é 
um elemento de linguagem que denota expressividade e revela 
grande criatividade, desde que, naturalmente, adequada à 
mensagem, ao meio e ao receptor, só é admitida na língua falada. 
É considerada e aceita no meio informal. 
 
Conceituam-se como expressões idiomáticas aquelas que, perante os 
estudos linguísticos, são destituídas de tradução. Pode considerar-se 
que fazem parte daquilo que chamamos de variações da língua, uma 
vez que retratam traços culturais de uma determinada região. Dotadas 
de um evidente grau de informalismo são geradas por meio das gírias 
e tendem a se perpetuar ao longo de toda uma geração. 
 
Desta forma, ao analisarmos as imagens que seguem constatamos 
que estas nos remetem a dizeres já bastante conhecidos e até 
“cristalizados” no tempo. Observemos, pois: 
 
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Assim, já ouvimos muitas que “fulano engoliu um sapo”, ou que “fulano 
pisou na bola”. Estas, assim como tantas outras revelam um discurso 
específico, uma vez que “engolir um sapo” significa receber uma 
“bronca” e “pisar na bola” revela uma atitude considerada inaceitável”. 
 
Exemplos: 
Armar um barraco – criar uma confusão em público. 
Ao pé da letra – literalmente. 
Arregaçar as mangas – dar início a uma determinada 
atividade. 
Boca de siri – manter um segredo referente a um 
determinado assunto. 
Cara de pau – descarado, sem-vergonha. 
Chutar o balde/chutar o pau da barraca – perder o controle, 
a calma. 
Descascar o abacaxi – resolver um problema complicado. 
Encher linguiça – enrolar, ocupar o tempo por meio da 
embromação. 
Lavar as mãos – não se envolver com um determinado 
assunto. 
Quebrar o galho – improvisar. 
Segurar vela – atrapalhar o namoro. 
Trocar as bolas – atrapalhar-se. 
Trocar os pés pelas mãos - agir de modo desajeitado, 
apressadamente. 
(http://www.brasilescola.com) 
 
Fala 
 
É a utilização oral da língua pelo indivíduo. É um ato individual, pois 
cada indivíduo, para a manifestação da fala, pode escolher os elementos 
da língua que lhe convém, conforme seu gosto e sua necessidade, de 
acordo com a situação, o contexto, sua personalidade, o ambiente 
sociocultural em que vive, etc. 
 
Desse modo, dentro da unidade da língua, há uma grande diversificação 
nos mais variados níveis da fala. Cada indivíduo, além de conhecer o 
que fala, conhece também o que os outros falam; é por isso que somos 
capazes de dialogar com pessoas dos mais variados graus de cultura, 
embora nem sempre a linguagem delas seja exatamente como a nossa. 
 
Níveis da fala 
 
Devido ao caráter individual da fala, é possível observar alguns 
níveis: 
 
Nível coloquial-popular: é a fala que a maioria das pessoas 
utiliza no seu dia a dia, principalmente em situações informais. 
Esse nível da fala é mais espontâneo, ao utilizá-lo, não nos 
preocupamos em saber se falamos de acordo ou não com as regras 
formais estabelecidas pela língua. 
 
Nível formal-culto: é o nível da fala normalmente utilizado pelas 
pessoas em situações formais. Caracteriza-se por um cuidado 
maior com o vocabulário e pela obediência às regras gramaticais 
estabelecidas pela língua. 
 
Significação das Palavras 
 
Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguintes 
categorias: 
 
a) Sinônimos 
 
As palavras que possuem significados próximos são chamadas 
sinônimos. 
Exemplos: 
Casa - lar - moradia – residência 
Longe – distante 
Delicioso – saboroso 
Carro – automóvel 
 
Observe que os sentidos dessas palavras são próximos, mas não 
são exatamente equivalentes. Dificilmente encontraremos um 
sinônimo perfeito, uma palavra que signifique exatamente a 
mesma coisa que outra. 
 
Há uma pequena diferença de significado entre palavras 
sinônimas. Veja que, embora casa e lar sejam sinônimos, ficaria 
estranho se falássemos a seguinte frase: “Comprei um novo lar”. 
 
O B S E R V A Ç Ã O 
O uso de palavras sinônimas pode ser de grande utilidade nos 
processos de retomada de elementos que inter-relacionam as 
partes dos textos l. 
 
b) Antônimos 
 
São palavras que possuem significados opostos, contrários. 
 
Exemplos: 
Mal / bem 
Ausência / presença 
Fraco / forte 
Claro / escuro 
Subir / descer 
Cheio / vazio 
Possível / impossível 
 
c) Polissemia 
 
Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de 
apresentar mais de um significado nos múltiplos contextos em que 
aparece. 
 
Exemplos: 
Cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da vassoura, da 
faca) 
Banco (instituição comercial financeira, assento) 
Manga (parte da roupa, fruta) 
 
Neologismo 
 
Neologismo é o processo de criação de novas palavras em uma 
determinada língua. Com o passar do tempo surgem novas 
palavras, nas ruas, jornais, em grupos, para representar uma 
tecnologia, um sentimento, uma impressão. 
 
Os neologismos podem ser criados a partir de palavras da própria 
língua do país: "presidenciável" e “carreata”, mas também a partir 
de palavras estrangeiras, como deletar, printar, escanear.Manuel Bandeira, escritor modernista do século 20, compôs um 
poema metalinguístico sobre o mesmo tema: 
 
"Neologismo" 
 
Beijo pouco, falo menos ainda 
Mas, invento palavras 
Que traduzem a ternura mais funda 
E mais cotidiana 
Inventei, por exemplo, o verbo te adorar 
Intransitivo; Teadoro, Teodora. 
 
Funções da Linguagem 
 
Para melhor entendermos as funções da linguagem, é importante 
que conheçamos as etapas ou elementos da comunicação. Roman 
Jakobson, linguista russo, diferenciou as seis funções da 
linguagem relacionando-as a um dos componentes do processo de 
comunicação. De acordo com a finalidade da fala é evidenciado um 
elemento da comunicação e consequentemente uma das funções 
da linguagem. Vale ressaltar que, em um diálogo, podemos fazer 
uso de mais de uma função de linguagem. 
São seis os elementos da comunicação: 
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a) Emissor: é aquele que envia a mensagem (pode ser uma única 
pessoa ou um grupo de pessoas). 
b) Mensagem: é o conteúdo (assunto) das informações que ora 
são transmitidas. 
c) Receptor: é aquele a quem a mensagem é endereçada (um 
indivíduo ou um grupo), também conhecido como destinatário. 
d) Canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensagem é 
transmitida. 
e) Código: é o conjunto de signos e de regras de combinação 
desses signos utilizado para elaborar a mensagem: o emissor 
codifica aquilo que o receptor irá decodificar. 
f) Contexto: é o objeto ou a situação a que a mensagem se refere. 
 
 
 
A partir desses elementos, Jakobson nos mostra as seis Funções 
da Linguagem: 
 
a) Função Referencial ou Informativa|: neste tipo de discursos o 
emissor (locutor) centra a sua mensagem de forma predominante 
 
sobre o referente (objeto). Estes discursos são caracterizados pela 
objetividade, neutralidade e imparcialidade do emissor. Exemplo 
deste discurso são as notícias jornalísticas, as informações 
técnicas e científicas. 
 
b) Função Expressiva ou Emotiva: neste tipo de discursos o que 
predomina é a atitude do emissor/locutor perante o objeto (o 
referente), produzindo uma apreciação subjetiva. Trata-se de 
discursos marcados pela adjetivação e interjeições. A poesia lírica 
exemplificativa deste tipo de discurso. 
 
c) Função Apelativa/Conativa ou Apelativa: trata-se de um tipo de 
discurso onde o emissor/locutor procura influenciar, seduzir, 
convencer ou mandar no receptor provocando nele uma dada 
reação. Dois exemplos deste tipo de discurso são a propaganda 
política e a publicidade. 
 
d) Função Estética: o referente da mensagem é ela própria, como 
é o caso das obras de arte. Neste sentido, o emissor procura tornar 
o discurso agradável e inovador. Estas mensagens-objetos são 
portadoras da sua própria significação. 
 
e) Função Fática: estes discursos têm por finalidade estabelecer, 
prolongar ou interromper a comunicação ou verificar se o circuito 
funciona. Um exemplo deste tipo de discurso: "Está? Está aí 
alguém?. Então não dizem nada?...". 
 
f) Função Metalinguística: este tipo de discursos tem por finalidade 
definir o sentido dos signos que podem ser compreendidos pelo 
receptor. No campo das artes, são exemplos deste tipo de 
discursos o que se escreve sobre os diferentes estilos. 
 
Assim:
 
 
 
Exemplos (textos não literários): 
Notícias e reportagens jornalísticas, textos de livros didáticos, 
textos científicos em geral, manuais de instrução, receitas 
culinárias, bulas de remédio, cartas comerciais. 
 
Exemplos (de textos literários): 
Poemas, romances literários, contos, novelas, letras de 
música, peças de teatro, crônicas 
 
Em alguns casos encontramos revistas ou jornais que veiculam os 
dois tipos de textos (notícia, passatempos, editorial, poesias). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figuras de Linguagem 
 
A Gramática normativa é o conjunto de regras que representam o 
padrão da linguagem, chamada de formal. 
 
No entanto ao ocorrerem desvios da norma culta com intenção de 
obter maior expressividade estão presentes as Figuras de 
Linguagem. Quando o desvio se dá pelo não conhecimento da 
norma culta, temos os chamados Vícios de Linguagem. 
 
As figuras de linguagem classificam-se em: 
 
1) Figuras de Palavras. 
2) Figuras de Harmonia. 
3) Figuras de Pensamento. 
4) Figuras de Construção ou Sintaxe. 
 
1) Figuras de Palavras 
 
As figuras de palavra consistem no emprego de um termo com 
sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de 
se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação. 
 
São figuras de palavras: 
 
a) Comparação 
b) Metáfora 
c) Metonímia 
d) Sinédoque 
e) Catacrese 
f) Sinestesia 
g) Antonomásia 
h) Alegoria 
i) Anadiplose 
 
a) Comparação 
 
Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois 
elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos 
explícitos - feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, 
que nem - e alguns verbos - parecer, assemelhar-se e outros. 
 
Exemplos: 
"Amou daquela vez como se fosse máquina. 
Beijou sua mulher como se fosse lógico." (Chico Buarque) 
As solteironas, os longos vestidos negros fechados no pescoço, 
negros xales nos ombros, pareciam aves noturnas paradas... 
(Jorge Amado) 
b) Metáfora 
 
Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma 
relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. 
 
A metáfora também pode ser entendida como uma comparação 
abreviada, em que o conectivo não está expresso, mas subentendido. 
 
Exemplo: 
Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. 
Soares, é ver se posso extrair pérolas, que é a razão. (Machado de 
Assis) 
 
c) Metonímia 
 
Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra, 
havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de 
sentido ou implicação mútua. 
Tal substituição fundamenta-se numa relação objetiva, real, realizando-se 
de inúmeros modos: 
 
 O continente pelo conteúdo e vice-versa: 
 
Exemplo(s): 
Antes de sair, tomamos um cálice de licor. | O conteúdo de 
um cálice 
 
 A causa pelo efeito e vice-versa: 
 
Exemplo(s): 
"E assim o operário ia 
Com suor e com cimento 
Erguendo uma casa aqui 
Adiante um apartamento." (Vinicius de Moraes) | Com 
trabalho 
 
 O lugar de origem ou de produção pelo produto: 
 
Exemplo(s): 
Comprei uma garrafa do legítimo porto. | O vinho da cidade 
do Porto 
 
 O autor pela obra: 
 
Exemplo(s): 
Ela parecia ler Jorge Amado. | A obra de Jorge Amado 
 
 O abstrato pelo concreto e vice-versa: 
 
Exemplo(s): 
Não devemos contar com o seu coração. | Sentimento, 
sensibilidade 
 
 O símbolo pela coisa simbolizada: 
 
Exemplo(s): 
A coroa foi disputada pelos revolucionários. | O poder 
 
 A matéria pelo produto e vice-versa: 
 
Exemplo(s): 
Lento, o bronze soa. | O sino 
 
 O inventor pelo invento: 
 
Exemplo(s): 
Edson ilumina o mundo. | A energia elétrica 
 
 A coisa pelo lugar: 
 
Exemplo(s): 
Vou à Prefeitura. |Ao edifício da Prefeitura 
 
 O instrumento pela pessoa que o utiliza: 
 
Exemplo(s): 
Ele é um bom garfo. | Guloso, glutão 
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d) Sinédoque 
 
Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, 
havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa 
relação quantitativa. 
 
Encontramos sinédoque nos seguintes casos: 
 
 O todo pela parte e vice-versa: 
 
Exemplo(s): 
A cidade inteira1 viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir 
de ladrão, fugindo nos cascos2 de seu cavalo. (J. Cândido de Carvalho) 
1O povo. 
2Parte das patas. 
 
 O singular pelo plural e vice-versa: 
 
Exemplo(s): 
O paulista3 é tímido; o carioca4,atrevido. 
3Todos os paulistas. 
4Todos os cariocas. 
 
 O indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum): 
 
Exemplo(s): 
Para os artistas ele foi ummecenas5. 
5Protetor. 
 
Modernamente, a metonímia engloba a sinédoque. 
 
e) Catacrese 
 
A catacrese é um tipo de especial de metáfora, "é uma espécie de 
metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de 
inovação, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito 
linguístico, já fora do âmbito estilístico." (Othon M. Garcia) 
 
Exemplo(s): 
Folhas de livro Pele de tomate 
Dente de alho Montar em burro 
Céu da boca Cabeça de prego 
Mão de direção Ventre da terra 
Asa da xícara Sacar dinheiro no banco 
 
f) Sinestesia 
 
A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa 
mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, 
audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas). 
 
Exemplo(s): 
A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa 
indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. 
Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, 
macia[sensações táteis], quase irreal. (Augusto Meyer) 
 
g) Antonomásia 
 
Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma 
qualidade, característica ou fato que a distingue. 
 
Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha 
ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.) 
do nome próprio. 
 
Exemplo(s): 
E ao rabi simples1, que a igualdade prega, 
Rasga e enlameia a túnica inconsútil; (Raimundo Correia) 
1 Cristo 
Inconsútil: sem costuras 
 
Pelé (= Edson Arantes do Nascimento) 
O Mestre (= Jesus Cristo) 
O poeta dos escravos (= Castro Alves) 
O Dante Negro (= Cruz e Souza) 
O Corso (= Napoleão) 
 
h) Alegoria 
 
A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo 
objeto; é uma figura poética que consiste em expressar uma situação 
global por meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado. 
Na alegoria, todas as palavras estão transladadas para um plano que 
não lhes é comum e oferecem dois sentidos completos e perfeitos - um 
referencial e outro metafórico. Apesar de se parecer com a metáfora, 
diferenças e discussões existem acerca delas. Alguns estudiosos 
defendem a proximidade de ambas e outros pesquisadores discordam. 
Na turma dos que encontram ligações está Quintilano, que afirma que 
alegoria é “metáfora continuada que mostra uma coisa pelas 
palavras e outra pelo sentido”. Mas resumidamente, a metáfora 
adequa-se a termos isolados, enquanto a alegoria diz respeito ao texto 
na íntegra. 
 
Exemplo(s): 
"A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono 
lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, 
quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em 
presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros 
numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente..." 
(Machado de Assis) 
“Tu os sustentas com pão de lágrimas, e lhes dás a beber 
lágrimas com abundância”. (Bíblia sagrada) 
 
i) Anadiplose 
 
É a repetição de palavra ou expressão de fim de um membro de frase 
no começo de outro membro de frase. 
 
Exemplo(s): 
Todo pranto é um comentário. Um comentário que 
amargamente condena os motivos dados. 
 
2) Figuras de Harmonia 
 
Chamam-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos 
na linguagem quando há repetição de sons ou, ainda, quando se 
procura "imitar” ons produzidos por coisas ou seres. 
 
As figuras de harmonia ou de som são: 
 
a) Aliteração 
b) Paronomásia 
c) Assonância 
d) Onomatopeia 
 
a) Aliteração 
 
Ocorre aliteração quando há repetição da mesma consoante ou de 
consoantes similares, geralmente em posição inicial da palavra. 
 
Exemplo(s): 
Toda gente homenageia Januária na janela. (Chico Buarque) 
Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do 
litoral. (Caetano Veloso) 
 
b) Assonância 
 
Ocorre assonância quando há repetição da mesma vogal ao longo 
de um verso ou poema. 
 
Exemplo(s): 
"Sou Ana, da cama 
da cana, fulana, bacana 
Sou Ana de Amsterdam." (Chico Buarque) 
 
c) Paronomásia 
 
Ocorre paronomásia quando há reprodução de sons semelhantes em 
palavras de significados diferentes. 
 
Exemplo(s): 
"Berro pelo aterro pelo desterro 
berro por seu berro pelo seu erro 
quero que você ganhe que você me apanhe 
sou o seu bezerro gritando mamãe." (Caetano Veloso) 
 
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 d) Onomatopeia 
 
Ocorre quando uma palavra ou conjunto de palavras imita um 
ruído ou som. 
 
Exemplo(s): 
"Havia uma velhinha / Que andava aborrecida / Pois dava a 
sua vida / Para falar com alguém. / E estava sempre em casa 
/ A boa velhinha, / Resmungando sozinha: / Nhem-nhem-
nhem-nhem-nhem..." (Cecília Meireles) 
"Ó rodas, ó engrenagens,r-r-r-r-r-r-reterno." (Fernando Pessoa) 
 
3) Figuras de Pensamento 
 
As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se 
referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico. 
 
São figuras de pensamento: 
 
a) Antítese 
b) Apóstrofe 
c) Paradoxo 
d) Eufemismo 
e) Gradação 
f) Hipérbole 
g) Ironia 
h) Prosopopeia 
i) Perífrase 
 
a) Antítese 
 
Ocorre antítese quando há aproximação de palavras ou expressões 
de sentidos opostos. 
 
Exemplo(s): 
Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos 
querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos 
trazem o mal. (Rui Barbosa) 
 
b) Apóstrofe 
 
Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma pessoa ou algo, real ou 
imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao vocativo 
na análise sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão. 
 
Exemplo(s): 
Deus! ó Deus! onde estás, que não respondes? (Castro Alves) 
 
c) Paradoxo 
 
Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de 
sentido oposto, mas também na de ideias que se contradizem 
referindo-se ao mesmo termo. 
 
É uma verdade enunciada com aparência de mentira. Oxímoro (ou 
oximoron) é outra designação para paradoxo. 
 
Exemplo(s): 
"Amor é fogo que arde sem se ver; 
É ferida que dói e não se sente; 
É um contentamento descontente; 
É dor que desatina sem doer;" (Camões) 
 
d) Eufemismo 
 
Ocorre eufemismo quando uma palavra ou expressão é empregada 
para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou 
chocante. 
 
Exemplo(s): 
E pela paz derradeira1que enfim vai nos redimir Deus lhe 
pague. (Chico Buarque) 
1paz derradeira: morte 
 
e) Gradação 
 
Ocorre gradação quando há uma sequência de palavras que 
intensificam uma mesma ideia. 
 
Exemplo(s): 
Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo. (Castro Alves) 
 
f) Hipérbole 
 
Ocorre hipérbole quando há exagero de uma ideia, a fim de 
proporcionar uma imagem emocionante e de impacto. 
 
Exemplo(s): 
Rios te correrão dos olhos, se chorares! (Olavo Bilac) 
 
g) Ironia 
 
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, pela 
contradição de termos, sugere-se o contrário do que as palavras 
ou orações parecem exprimir. A intenção é depreciativa ou 
sarcástica. 
 
Exemplo(s): 
Moça linda, bem tratada, 
três séculos de família, 
burra como uma porta: 
um amor. (Mário de Andrade) 
 
h) Prosopopeia 
 
Ocorre prosopopeia (ou animização/animismo ou personificação) 
quando se atribui movimento, ação, fala, sentimento, enfim, 
caracteres próprios de seres animados a seres inanimados ou 
imaginários. 
 
Também a atribuição de características humanas a seres animados 
constitui prosopopeia o que é comum nas fábulas e nos apólogos, 
como este exemplo de Mário de Quintana: "O peixinho (...) 
silencioso e levemente melancólico..." 
 
Exemplo(s): 
... os rios vão carregando as queixas do caminho. (Raul Bopp) 
Um friointeligente (...) percorria o jardim... (Clarice 
Lispector) 
 
i) Perífrase 
 
Ocorre perífrase quando se cria um torneio de palavras para 
expressar algum objeto, acidente geográfico ou situação que não 
se quer nomear. 
 
Exemplo: 
"Cidade maravilhosa 
Cheia de encantos mil 
Cidade maravilhosa 
Coração do meu Brasil." (André Filho) 
 
3) Figuras de Sintaxe 
 
As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios 
em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, 
possíveis repetições ou omissões. 
 
Elas podem ser construídas por: 
 
 Omissão: assíndeto, elipse e zeugma. 
 Repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto. 
 Inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage. 
 Ruptura: anacoluto. 
 Concordância ideológica: silepse. 
 
Portanto, são figuras de construção ou sintaxe: 
 
a) Assíndeto 
b) Elipse 
c) Zeugma 
d) Anáfora 
e) Pleonasmo 
f) Polissíndeto 
g) Anástrofe 
h) Hipérbato 
i) Sínquise 
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13 
j) Hipálage 
k) Anacoluto 
l) Silepse 
 
a) Assíndeto 
 
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas 
por conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou 
separadas por vírgulas. 
 
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por 
exigência das pausas rítmicas (vírgulas). 
 
Exemplo(s): 
"Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, 
todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado 
de Assis) 
 
b) Elipse 
 
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente 
podemos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer na 
supressão de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um 
poderoso recurso de concisão e dinamismo. 
 
Exemplo(s): 
"Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas." 1 | 
1Elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de 
sandálias...) 
 
c) Zeugma 
 
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, 
ficando subentendida sua repetição. 
 
Exemplo(s): 
"Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos 
Felipes." 1 (Camilo Castelo Branco) | 1 Zeugma do verbo: "e 
foram assassinados..." 
 
d) Anáfora 
 
Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no 
início de um período, frase ou verso. 
 
Exemplo(s): 
"Depois o areal extenso... 
Depois o oceano de pó... 
Depois no horizonte imenso 
Desertos... desertos só..." (Castro Alves) 
 
e) Pleonasmo 
 
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma ideia, isto é, 
redundância de significado. 
 
 Pleonasmo literário 
 
É o uso de palavras redundantes para reforçar uma ideia, tanto do 
ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado 
como um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase 
à mensagem. 
 
Exemplo(s): 
"Iam vinte anos desde aquele dia 
Quando com os olhos eu quis ver de perto 
Quando em visão com os da saudade via." (Alberto de 
Oliveira) 
 
"Morrerás morte vil na mão de um forte." (Gonçalves Dias) 
 
"Ó mar salgado, quando do teu sal 
São lágrimas de Portugal" (Fernando Pessoa) 
 
 Pleonasmo vicioso 
 
É o desdobramento de ideias que já estavam implícitas em 
palavras anteriormente expressas. Pleonasmos viciosos devem 
ser evitados, pois não têm valor de reforço de uma ideia, sendo 
apenas fruto do descobrimento do sentido real das palavras. 
 
Exemplo(s): 
Subir para cima 
Entrar para dentro 
Breve alocução 
Repetir de novo 
Ouvir com os ouvidos 
Principal protagonista 
Hemorragia de sangue 
Monopólio exclusivo 
 
f) Polissíndeto 
 
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção 
coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a 
conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou 
vertiginosos. 
 
Exemplo(s): 
"Vão chegando as burguesinhas pobres, 
e as criadas das burguesinhas ricas 
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza." (Manuel 
Bandeira) 
 
g) Anástrofe 
 
Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras 
vizinhas (determinante/determinado). 
 
Exemplo(s): 
"Tão leve estou1 que nem sombra tenho." (Mário Quintana) 
1Estou tão leve... 
 
h) Hipérbato 
 
Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros 
da frase. 
 
Exemplo(s): 
"Passeiam à tarde, as belas na Avenida. " 1 (Carlos Drummond de 
Andrade) 
1As belas passeiam na Avenida à tarde. 
 
i) Sínquise 
 
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da 
frase. É um hipérbato exagerado. 
 
Exemplo(s): 
"A grita se alevanta ao Céu, da gente. " 1 (Camões) 
1A grita da gente se alevanta ao Céu. 
 
j) Hipálage 
 
Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma 
qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma 
frase. A hipálage é uma figura típica do Impressionismo aplicado 
à literatura (nomeadamente no Simbolismo), por ser capaz de 
transmitir impressões sensoriais mescladas, em difusa 
intersecção. 
 
Exemplo(s): 
"... as lojas loquazes dos barbeiros." 2 (Eça de Queiros) 
2 ... as lojas dos barbeiros loquazes. 
 
k) Anacoluto 
 
Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com 
que se inicia a frase, alternando-lhe a sequência lógica. A 
construção do período deixa um ou mais termos - que não 
apresentam função sintática definida - desprendidos dos demais, 
geralmente depois de uma pausa sensível. 
 
Exemplo(s): 
"Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas." 
(Alcântara Machado) 
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l) Silepse 
 
Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas 
com a ideia a elas associada. 
 
a)Silepse de gênero 
 
Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais 
(feminino ou masculino). 
 
Exemplo(s): 
"Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa) 
“São Paulo continua poluída.” 
 
b)Silepse de número 
 
Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical 
(singular ou plural). 
 
Exemplo(s): 
Corria gente de todos lados, egritavam." (Mário Barreto) 
“O casal não veio, estavam ocupados.” 
 
c)Silepse de pessoa 
 
Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa 
verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado. 
 
Exemplo(s): 
"Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." 
(Machado de Assis) 
“Os brasileiros somos otimistas.” 
 
Vícios de Linguagem 
 
a) Barbarismo 
 
Consiste em erros nos aspectos: gráfico, ortoépico (pronúncia), 
prosódico (acentuação tônica), semântico, morfológico. 
 
Exemplo(s): 
"Gratuíto" (em vez de gratuito), "Rítmo" (em vez de ritmo), 
Estou com poblemas a resolver. (problemas) 
Solicitei à cliente sua rúbrica. (rubrica) 
 
b) Solecismo 
 
Consiste em desvio em relação à sintaxe. 
 
Exemplo(s): 
"Fazem dois anos que não nos vemos" (em vez de faz) 
 
c) Pleonasmo 
 
É a repetição de ideias ou palavras desnecessariamente. 
 
Exemplo(s): 
Hoje me fizeram uma surpresa inesperada. 
 
d) Ambiguidade ou Anfibologia 
 
Exemplo(s): 
Este líder dirigiu bem sua nação"("sua"? nação da 2ª ou 3° 
pessoa(o líder)?). 
 
e) Cacófato ou Cacoépia 
 
É o som desagradável ou sugestivo a uma ideia. Segundo o 
gramático e filólogo Napoleão Mendes de Almeida "Só haverá 
cacofonia quando a palavra produzida for torpe, obscena ou 
ridícula. É infundado o exagerado escrúpulo de quem diz haver 
cacófato em 'por cada', 'ela tinha' e 'só linha'." No mesmo caso 
podemos incluir "uma mão" e "já tinha". 
 
Exemplo(s): 
"Uma prima minha...", "Na boca dela...", "Na vez passada...", 
"Eu vi ela...", "Teu time nunca ganha. 
 
f) Eco 
 
Repetição de palavras que terminam com o mesmo som. 
 
Exemplo(s): 
Vicente mente constantemente. 
 
IntertextualidadeA Intertextualidade pode ser definida como um diálogo entre dois 
textos. Observe os dois textos abaixo e note como Murilo Mendes 
(século XX) faz referência ao texto de Gonçalves Dias (século XIX): 
 
 
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Nota-se que há correspondência entre os dois textos. A paródia-piadista de Murilo Mendes é um exemplo de intertextualidade, uma vez que 
seu texto foi criado tomando como ponto de partida o texto de Gonçalves Dias. 
 
Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade é persistente. 
Sabemos que todo texto, seja ele literário ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se refere a 
assuntos abordados em outros textos é exemplo de intertextualização. 
 
A paródia, de forma tendenciosa, também pauta-se pela recriação de um texto, entretanto, utiliza-se de um caráter contestador 
voltado para a crítica, muitas vezes sob um tom jocoso. Como podemos constatar em: 
 
Meus Oito Anos 
 
Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida. 
Que os anos não trazem mais! 
Que amor, que sonhos, que flores, 
Naquelas tardes fagueiras 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais! 
[...] 
Casimiro de Abreu 
Meus Oito Anos 
 
Oh que saudades que eu tenho 
Da aurora de minha vida 
Das horas 
De minha infância 
Que os anos não trazem mais 
Naquele quintal de terra! 
Da rua de Santo Antônio 
Debaixo da bananeira 
Sem nenhum laranjais 
[...] 
Oswald de Andrade 
 
Aqui, percebemos que a intenção de Oswald de Andrade foi a de criticar o romantismo e o sentimento nacionalista revelados pelas 
palavras de Casimiro de Abreu. Mesmo porque o ideário modernista perfez-se por um repúdio aos moldes anteriormente adotados 
por outros artistas, principalmente àqueles que compuseram o Romantismo e o Parnasianismo. 
 
 
 
A intertextualidade está presente também em outras áreas, como na pintura: 
 
 
 
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16 
 
 
 
 
A intertextualidade pode ser classificada em dois tipos principais: 
Intertextualidade Explícita e Intertextualidade Implícita. 
 
Na intertextualidade explícita ocorre a citação da fonte do 
intertexto, encontrada principalmente nas citações, nos resumos, 
resenhas e traduções, além de estar presente também em diversos 
anúncios publicitários. Nesse caso, dizemos que a intertextualidade 
localiza-se na superfície do texto, pois alguns elementos nos são 
fornecidos para que identifiquemos o texto fonte. 
 
Exemplo: 
 
 
A intertextualidade, quando explícita, fornece ao leitor diversos 
elementos que o remetem ao texto fonte. 
 
No anúncio publicitário utilizado no exemplo, há uma forte 
referência ao texto fonte, facilmente identificada pelo leitor 
através dos elementos fornecidos pela linguagem verbal e pela 
linguagem não verbal. A composição do anúncio nos transporta 
imediatamente para o filme “Tropa de Elite”, do cineasta José 
Padilha, e isso só é possível em razão do forte apelo popular da 
produção, que ganhou grande projeção em nossa sociedade. 
 
Já a intertextualidade implícita ocorre de maneira diferente, 
pois não há citação expressa da fonte, fazendo com que o leitor 
busque na memória os sentidos do texto. Geralmente está inserida 
nos textos do tipo paródia ou do tipo paráfrase, ganhando espaço 
também na publicidade. 
Exemplo: 
 
 
A intertextualidade implícita depende da construção de sentidos 
feita pelo leitor a partir da busca de inferências em sua própria 
memória. 
 
No anúncio há um elemento verbal que permite a retomada do 
texto fonte, mas essa inferência depende de um conhecimento 
prévio do leitor: se ele não souber que há uma referência à música 
“Mania de você”, da cantora Rita Lee, provavelmente o texto não 
será compreendido em sua totalidade. 
 
Portanto, a intertextualidade é um elemento muito importante 
para a constituição de sentidos do texto, colaborando em muito 
para a coerência textual ao reforçar a ideia de que a competência 
linguística não depende apenas do conhecimento do código 
linguístico, mas também do conhecimento das relações 
intertextuais. 
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17 
Intertextualidade entre a música e a poesia 
 
 
 
A palavra intertextualidade, uma vez analisada sob a ótica da 
semântica, oferece-nos pistas relevantes para que possamos 
compreender acerca das características que a nutrem – as quais 
fazem dela um importante e recorrente fenômeno linguístico. 
Assim, temos que o prefixo “-inter-”, denotando uma noção rela- 
cionada a algo que se situa no interior de algo, bem como 
“textualidade”, fazendo referência a tudo aquilo que se mostra 
claro, preciso, isso levando para o lado do discurso, obviamente, 
tem-se que “intertextualidade” diz respeito a uma ideia situada 
dentro de outra. 
 
Levando em conta esse aspecto significativo, associamo-lo a outro, 
uma vez mencionado no início do texto, demarcado por 
“recorrente”. Ora, se se trata de uma ideia estabelecendo relação 
com outra, torna-se evidente que, não raras as circunstâncias em 
nosso cotidiano, pegamo-nos lançando mão desse recurso no 
momento em que proferimos nossas ideias, expressamos nossos 
pensamentos. Assim, essas referências que fazemos a algo dito 
por alguém retratam tão somente o que chamamos de relações 
intertextuais, manifestadas com base nas artes em geral, como é 
o caso da pintura, escultura, da Literatura e por que não dizer da 
música? Dessa forma, usuário(a), pautados na forte evidência com 
que se manifesta o assunto em questão, enquanto posicionados 
na qualidade de usuários da língua, dispomo-nos de alguns 
proveitosos momentos para propor a você essa discussão, tendo 
em vista essas relações que se materializam entre a música e a 
poesia. 
 
Elegemos, para tanto, a música “Amor pra recomeçar”, de autoria 
de Roberto Frejat, a qual estabelece um diálogo com a poesia de 
Victor Hugo, um importante poeta francês, autor de "Os 
miseráveis" e "O Corcunda de Notre Dame", intitulada “Desejo”. 
Vejamos, pois, como se dá esse entrelaçar de ideias entre ambas 
as produções, lembrando que procuramos nos limitar somente a 
alguns fragmentos da poesia, visto que ela se apresenta de forma 
um tanto quanto extensa: 
 
 
 
Como podemos perceber, o cantor Frejat intertextualiza de forma 
ímpar as belas palavras retratadas por esse magnífico poeta, 
representado na pessoa de Victor Hugo. Assim, torna-se 
importante estarmos atentos para o fato de que esse 
entrelaçamento de posições firmadas se dá por meio da paráfrase, 
ou seja, um procedimento que se materializa com base na imitação 
das ideias expressas no texto original. 
 
Dessa forma, para que você possa constatar de forma significativa 
como esse reproduzir manifesta-se, perceba por meio das 
demarcações realizadas em forma de distintas cores, expressas, 
evidentemente, em ambas as produções. 
 
Concluamos, pois, nossa discussão, constatando, ainda, acerca 
das belas palavras de Victor Hugo, nas quais ele, além de nos 
desejar o que já presenciamos, ainda nos relata um de seus 
desejos, expressos nesta última das estrofes: 
 
“Desejo por fim que você sendo homem, 
Tenha uma boa mulher, 
E que sendo mulher, 
Tenha um bom homem 
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes, 
E quando estiverem exaustos e sorridentes, 
Ainda haja amor para recomeçar. 
E se tudo isso acontecer, 
Não tenho mais nada a te desejar ". 
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Mapa Mental de Figuras de Linguagem 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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