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Interpretação de
Texto
LÍNGUA PORTUGUESA ___________________________________________________________________ 2
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS _______________________________________________________ 2
DEFINIÇÃO __________________________________________________________________ 2
PRESSUPOSTOS________________________________________________________________ 3
SUBENTENDIDOS _______________________________________________________________ 3
COERÊNCIA TEXTUAL ____________________________________________________________ 3
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO ________________________________________________________ 3
DIVERSIDADE TEXTUAL __________________________________________________________ 5
ESTRUTURA DO TEXTO ___________________________________________________________ 7
ELEMENTOS DO TEXTO ___________________________________________________________ 7
PARÁFRASE __________________________________________________________________ 7
PARÓDIA ____________________________________________________________________ 7
AMBIGUIDADE ________________________________________________________________ 7
DIFERENÇA ENTRE DIALETO, IDIOMA E GÍRIA ____________________________________________ 7
NEOLOGISMO _________________________________________________________________ 8
FUNÇÕES DA LINGUAGEM _________________________________________________________ 9
FIGURAS DE LINGUAGEM _________________________________________________________ 10
VÍCIOS DE LINGUAGEM __________________________________________________________ 14
INTERTEXTUALIDADE ___________________________________________________________ 14
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Definição
A Interpretação de textos faz-se necessária para o bom desempenho
do candidato em qualquer prova, não só na de Língua Portuguesa.
Dessa forma, é importante atentar-se a alguns mecanismos
fundamentais ao correto e bom entendimento das informações
presentes em cada texto e aos comandos das questões.
A palavra texto origina-se do latim textum, que significa tecido,
entrelaçamento. Essa origem nos evidencia que texto resulta de
um trabalho de tecer, de entrelaçar várias partes menores a fim
de se obter um todo inter-relacionado, ou seja, coeso e coerente.
Um bom texto é capaz de produzir interação comunicativa:
(habilidade para codificar e decodificar).
Em sentido amplo, uma escultura, um quadro, um símbolo, um
sinal de trânsito, uma foto, um filme, uma novela de televisão
também são formas textuais.
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em cada
uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com a
anterior e/ou com a posterior, criando condições para a
estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação
dá-se o nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre
as frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu
contexto original e analisada separadamente, poderá ter um
significado diferente daquele inicial.
Intertexto - comumente, os textos apresentam referências
diretas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse
tipo de recurso denomina-se intertexto.
Interlocutor - é a pessoa a quem o texto se dirige.
O candidato deve fazer dois tipos de leitura:
Leitura informativa: para buscar as palavras mais importantes de
cada parágrafo, as chamadas palavras-chave do texto, em torno das
quais as outras se organizam para dar significação e produzirem
sentidos.
Leitura interpretativa: para compreender, analisar e sintetizar as
informações do texto.
A leitura interpretativa requer:
Compreensão: entender a mensagem literal contida no texto. As
questões versam sobre a postura ideológica do autor, a ideia
central, a tese defendida. É importante que o candidato
compreenda os níveis da língua e que possua um bom léxico
internalizado.
Análise: depreender do texto a informação essencial. Para isso é
importante buscar as palavras mais importantes de cada
parágrafo, elas constituirão as palavras-chave do texto. Atentar
para os modos de articulação das ideias.
Síntese: organizar as ideias principais do autor para chegar à
expressão que constitui a tese defendida pelo autor durante todo
o texto.
Nas questões de compreensão / interpretação de texto, o candidato deve,
além da compreensão, análise e síntese, destacar, em cada parágrafo, a
informação básica para facilitar a compreensão do texto.
Há diferença no objetivo das questões de compreensão e de
interpretação de textos.
As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto
em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um
confronto entre todas as partes que compõem o texto.
Compreensão ou Intelecção de Texto – consiste em analisar o que
realmente está escrito, ou seja, coletar dados do texto. Significa o
entendimento, isto é, a compreensão. É importante que o
candidato esteja atento às informações presentes no texto e
analise-as a fim de ser fiel a elas.
Interpretação de Texto – consiste em saber o que se infere (conclui)
do que está escrito. Interpretar quer dizer comentar, explicar,
entender, tirar conclusões, julgar a intenção do autor ou do texto.
Alguns verbos presentes nos comandos dos enunciados e
seus significados:
Inferir: deduzir por meio de raciocínio, tirar por conclusão.
Deduzir: concluir, inferir.
Concluir: deduzir, inferir, pôr fim.
Entender: perceber pela inteligência, compreender o sentido,
julgar, deduzir, interpretar.
Identificar: reconhecer elementos fundamentais de uma
argumentação (dados relacionados a tempo, verbos e
advérbios).
Comparar: perceber relações de semelhança e dessemelhança
entre trechos do texto.
Comentar: opinar a respeito.
Resumir: ater-se às ideias principais e/ou secundárias em um
texto menor.
Parafrasear: escrever o texto com as próprias palavras.
Geralmente os enunciados apresentam-se da seguinte
maneira:
Segundo o texto, é correto ou incorreto afirmar...
O narrador afirma que...
O autor sugere que...
FIQUE LIGADO!
Implícitos e Pressupostos
Um texto é formado por informações explícitas e implícitas. As
informações explícitas são aquelas manifestadas pelo autor no
próprio texto. As informações implícitas não são manifestadas pelo
autor no texto, mas podem ser subentendidas. Muitas vezes, para
efetuarmos uma leitura eficiente, é preciso ir além do que foi dito,
ou seja, ler nas entrelinhas.
Por exemplo, observe este enunciado:
- Patrícia parou de tomar refrigerante.
A informação explícita é “Patrícia parou de tomar refrigerante”. A
informação implícita é “Patrícia tomava refrigerante antes”.
Agora, veja este outro exemplo:
-Felizmente, Patrícia parou de tomar refrigerante.
A informação explícita é “Patrícia parou de tomar refrigerante”. A
palavra “felizmente” indica que o falante tem uma opinião positiva
sobre o fato – essa é a informação implícita.
Com esses exemplos, mostramos como podemos inferir informações a
partir de um texto. Fazer uma inferência significa concluir alguma coisa
a partir de outra já conhecida. Nos vestibulares, fazer inferências é uma
habilidade fundamental para a interpretação adequada dos textos e dos
enunciados.
A seguir, veremos dois tipos de informações que podem ser
inferidas: as pressupostas e as subentendidas.
Língua Portuguesa
Interpretação de Textos
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Pressupostos
Uma informação é considerada pressuposta quando um enunciado
depende dela para fazer sentido. Considere, por exemplo, a seguinte
pergunta: “Quando Patrícia voltará para casa?”.
Esse enunciado só faz sentido se considerarmos que Patrícia saiu
de casa, aomenos temporariamente – essa é a informação
pressuposta. Caso Patrícia se encontre em casa, o pressuposto não
é válido, o que torna o enunciado sem sentido.
Repare que as informações pressupostas estão marcadas através
de palavras e expressões presentes no próprio enunciado e
resultam de um raciocínio lógico. Portanto, no enunciado “Patrícia
ainda não voltou para casa”, a palavra “ainda” indica que a volta
de Patrícia para casa é dada como certa pelo falante.
Subentendidos
Ao contrário das informações pressupostas, as informações
subentendidas não são marcadas no próprio enunciado, são
apenas sugeridas, ou seja, podem ser entendidas como
insinuações.
O uso de subentendidos faz com que o enunciador se esconda
atrás de uma afirmação, pois não quer se comprometer com ela.
Por isso, dizemos que os subentendidos são de responsabilidade
do receptor, enquanto os pressupostos são partilhados por
enunciadores e receptores.
Em nosso cotidiano, somos cercados por informações
subentendidas. A publicidade, por exemplo, parte de hábitos e
pensamentos da sociedade para criar subentendidos. Já a anedota
é um gênero textual cuja interpretação depende a quebra de
subentendidos.
20 Passos para leitura e entendimento do texto
1. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto.
2. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura,
vá até o fim, ininterruptamente.
3. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo menos
umas três vezes ou mais.
4. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas.
5. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar.
6. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor.
7. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor
compreensão.
8. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto
correspondente.
9. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão.
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não,
correta, incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e
outras; palavras que aparecem nas perguntas e que, às vezes,
dificultam a entender o que se perguntou e o que se pediu.
11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a
mais exata ou a mais completa.
12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento
de lógica objetiva.
13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais.
14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto.
15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia
a resposta.
16.Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo
autor, definindo o tema e a mensagem.
17. O autor defende ideias e você deve percebê-las.
18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são
importantíssimos na interpretação do texto.
Exemplo: Ele morreu de fome. [de fome: adjunto adverbial de
causa, determina a causa na realização do fato (= morte de "ele").]
Exemplo: Ele morreu faminto. [faminto: predicativo do sujeito, é o
estado em que "ele" se encontrava quando morreu.;].
19.As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as
ideias estão coordenadas entre si.
20.Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior
clareza de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o
significado.
Observe que ao interpretar o texto é importante estar atento ao
enunciado. Alguns deles induzem o candidato ao erro. Veja alguns
deles:
1) Redução
Observar apenas uma parte do texto e, consequentemente,
abandonar a principal;
Distrair-se e entender o significado do texto ou de alguma ideia
de maneira contrária àquela que se pretende passar;
Particularizar aquilo que é geral.
2) Extrapolação
Dizer além do que está escrito no texto;
Generalizar o que é particular, específico.
3) Contradição
Entender e concluir contrariamente ao texto;
Fugir do ponto principal ao reduzir as ideias (omissão de parte
do texto).
Ao ser questionado acerca do tema do texto, o candidato deve
reler o primeiro ou último parágrafo, pois geralmente a ideia
central está presente nessas partes. Se a busca for pela
argumentação, é importante estar atento aos parágrafos que
compõem o desenvolvimento
Em uma prova de concurso deve-se levar em consideração o que
é dito pelo autor, sob a ótica dele. A exceção vale apenas para
questões que forem elaboradas a partir de confrontos e que
busquem outros conhecimentos correlacionados
Coerência Textual
Para que não haja contradição em relação àquilo que se quer dizer,
é necessário um encadeamento de ideias entre as partes que
formam um texto.
Elas devem estar concatenadas, dessa forma há coerência entre
as ideias expostas.
A coerência também é resultante da adequação entre o que se diz
e o contexto extraverbal (aquilo que se faz referência) e precisa
ser de conhecimento do leitor.
Coerência argumentativa: apresentação da tese (ideia que
será defendida) acompanhada dos argumentos que serão
utilizados (comprovações, exemplos, citações) e o desfecho.
Temas polêmicos devem ser embasados conformidade com a
tese, pois as opiniões são diversificadas e dependem da
formação e convicção de cada um.
Coerência narrativa: Relação lógica entre as ações e
características dos personagens. A coerência narrativa contribui
para o desenvolvimento lógico da história.
Coerência descritiva: Relação lógica dos personagens com o
contexto em que estão inseridos. Ex.: Estar no Polo Norte – usar
roupas que aquecem.
Denotação e Conotação
Sentido Denotativo: literal, próprio. Letra “D” de Dicionário.
Sentido Conotativo: figurado, parte da significação intencional.
Ao usarmos o sentido conotativo, temos como ferramentas vários
recursos expressivos que são denominados Figuras de Linguagem.
Elas representam uma nova intenção do emissor ou o meio mais
facilitador para comunicar algo de forma criativa, distinta.
Segundo Othon M. Garcia (1973): "Conotação implica, portanto, em
relação à coisa designada, um estado de espírito, uma opinião, um
juízo, um sentimento, que variam conforme a experiência, o
temperamento, a sensibilidade, a cultura e os hábitos do falante ou
ouvinte, do autor ou leitor. Conotação é, assim, uma espécie de
emanação semântica, possível graças à faculdade que nos permite
relacionar coisas análogas ou semelhadas. Esse é, em essência, o traço
característico do processo metafórico, pois metaforização é
conotação".
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Exemplos:
Foice – instrumento agrícola (denotação)
Foice – ideologia marxista (conotação)
Monstro – ser extravagante, imaginado, mitologia
(denotação)
Monstro – pessoa cruel, pessoa inteligente (gíria)
(conotação)
Ouro – metal (símbolo químico “Au“) (denotação)
Ouro – riqueza, poderio, esplendor (conotação)
Esticou um olho lá para a sala (conotação)
Para que a função social da linguagem seja realizada com êxito é
fundamental que as palavras possuam um significado, isto é, que
representem um conceito. A combinação de conceito e palavra é
denominada Signo. O signo linguístico une um elemento concreto,
material, perceptível (letras impressas, som) chamado significante
a um elemento inteligível, uma imagem mental, por exemplo. Este
elemento é chamado de Significante.
Pensemos em uma abóbora na banca de verduras. Sozinha não
tem representação. Com nariz, boca e olhos, passa a ter um
Significado: Halloween.
Signo = significante + significado.
Significado + ideia ou conceito (inteligível).
O B S E R V A Ç Ã O
As figuras de linguagem têm uma representação conotativa.
Tipologia Textual
1. Narração
Modalidade em que se conta um fato, fictícioou não, que ocorreu num
determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se
a objetos do mundo real. Há uma relação de anterioridade e
posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado. Estamos
cercados de narrações desde as que nos contam histórias infantis até
às piadas do cotidiano. É o tipo predominante nos gêneros: conto,
fábula, crônica, romance, novela, depoimento, piada, relato etc.
2. Descrição
Um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma
pessoa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais
utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua
função caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se
até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de
anterioridade e posterioridade. Significa "criar" com palavras a
imagem do objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do
objeto ou da personagem a que o texto se pega. É um tipo textual
que se agrega facilmente aos outros tipos em diversos gêneros
textuais. Tem predominância em gêneros como: cardápio, folheto
turístico, anúncio classificado etc.
3. Dissertação
Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto,
discorrer sobre ele. Dependendo do objetivo do autor, pode ter
caráter expositivo ou argumentativo.
a) Dissertação-Exposição
Apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico.
Apresenta informações sobre assuntos, expõe, reflete, explica e avalia
ideias de modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe ideias sobre
um determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer.
Exemplos.:
Aula, resumo, textos científicos, enciclopédia, textos
expositivos de revistas e jornais etc.
b) Dissertação-Argumentação
Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de ideias ou um
ponto de vista do autor. O texto, além de explicar, também
persuade o interlocutor, objetivando convencê-lo de algo.
Caracteriza-se pela progressão lógica de ideias. Geralmente utiliza
linguagem denotativa. É tipo predominante em: sermão,
ensaio, monografia, dissertação, tese, ensaio, manifesto, crítica,
editorial de jornais e revistas.
4. Injunção/Instrucional
Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem objetiva e
simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo
imperativo, porém nota-se também o uso do infinitivo e o uso do
futuro do presente do modo indicativo.
Exemplos:
Ordens; pedidos; súplica; desejo; manuais e instruções para
montagem ou uso de aparelhos e instrumentos; textos com
regras de comportamento; textos de orientação;
recomendações de trânsito; receitas, cartões com votos e
desejos (de natal, aniversário etc.).
O B S E R V A Ç Ã O
Os exemplos citados de Injunção/Instrucional são um
consenso entre os gramáticos. Muitos consideram também
que o tipo Predição possui características suficientes para ser
definido como tipo textual, e alguns outros possuem o mesmo
entendimento para o tipo Dialogal.
5. Predição
Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em
alguma coisa, a qual ainda está por ocorrer. É o tipo predominante
nos gêneros: previsões astrológicas, previsões meteorológicas,
previsões escatológicas/apocalípticas.
6. Dialogal / Conversacional
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É o tipo
predominante nos gêneros: entrevista, conversa telefônica, chat
etc.
Texto e Paratexto - Elementos Paratextuais
A sabedoria popular diz que não devemos “julgar um livro pela
capa”. Isso acontece porque muitas vezes a capa de um livro acaba
despertando ou não nosso interesse pelo texto. Porém, quando
abrimos um livro, podemos nos deparar com outros elementos,
como contracapa, biografia do autor, prefácio, dedicatória, índice,
notas de rodapé, citações, posfácio e ilustrações. Esses elementos
que margeiam o texto são chamados de elementos paratextuais.
Portanto, paratextos são elementos que estão para além do texto,
ou seja, informações que acompanham uma obra. Como podem
motivar a aquisição e a leitura livros, os elementos paratextuais
são muito privilegiados pela indústria editorial.
O Título
De todos os elementos paratextuais, o mais importante é o título,
pois funciona como uma espécie de “slogan” do texto, ou seja,
algo que faça com que o leitor “compre” suas ideias. Alguns
especialistas já chegaram a sugerir que o título não é relevante
para a leitura de um texto, mas não é bem assim. Um título
adequado pode direcionar a compreensão do texto, ajudando o
leitor a criar expectativas de leitura.
Em alguns casos, o título fornece pistas importantes para que o
leitor levante hipóteses sobre o que vai ler. Por exemplo, diante de
um título como “Conheça os angiospermas”, o leitor espera ler um
texto que trará explicações sobre os angiospermas, seus tipos e
exemplares na natureza. Com a ajuda de outros elementos
paratextuais, como a ilustração de uma flor, o leitor poderá
imaginar que se trata de plantas.
Questão comentada:
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5
Nós adoraríamos dizer que somos perfeitos. Que somos infalíveis.
Que não cometemos nem mesmo o menor deslize. E só não
falamos isso por um pequeno detalhe: seria uma mentira. Aliás,
em vez de usar a palavra “mentira”, como acabamos de fazer,
poderíamos optar por um eufemismo. “Meia-verdade”, por
exemplo, seria um termo muito menos agressivo. Mas nós não
usamos esta palavra simplesmente porque não acreditamos que
exista uma “Meia-verdade”. Para o Conar, Conselho Nacional de
Autorregulamentação Publicitária, existem a verdade e a mentira.
Existem a honestidade e a desonestidade. Absolutamente nada no
meio. O Conar nasceu há 29 anos (viu só? Não arredondamos para
30) com a missão de zelar pela ética na publicidade. Não fazemos
isso porque somos bonzinhos (gostaríamos de dizer isso, mas,
mais uma vez, seria mentira). Fazemos isso porque é a única
forma da propaganda ter o máximo de credibilidade. E, cá entre
nós, para que serviria a propaganda se o consumidor não
acreditasse nela? Qualquer pessoa que se sinta enganada por uma
peça publicitária pode fazer uma reclamação ao Conar. Ele analisa
cuidadosamente todas as denúncias e, quando é o caso, aplica a
punição.
Anúncio veiculado na Revista Veja. São Paulo: Abril. Ed. 2120, ano
42, nº 27, 8 jul. 2009.
O recurso gráfico utilizado no anúncio publicitário – de
destacar a potencial supressão do trecho do texto – reforça a
eficácia pretendida, revelada na estratégia de
a) ressaltar a informação no título, em detrimento do restante do
conteúdo associado.
b) incluir o leitor por meio do uso da 1ª pessoa do plural no
discurso.
c) contar a história da criação do órgão como argumento de
autoridade.
d) subverter o fazer publicitário pelo uso de sua
metalinguagem.
e) impressionar o leitor pelo jogo de palavras no texto.
Resolução:
Gabarito: letra D.
Num primeiro momento, pode ser até que o leitor ache que
houve um erro na edição da questão, por causa do risco
sobre parte do anúncio. Mas só a leitura de toda a peça
publicitária levará à sua adequada compreensão.
Certamente, o título do anúncio levará o leitor a buscar uma
justificativa para a supressão da frase “Ele é 100% eficiente
nesta missão.” Afinal, por que o anunciante reprovaria
publicamente parte de seu próprio anúncio? Na verdade,
trata-se da estratégia criada pelo Conar para demonstrar sua
transparência e compromisso com a ética. Em outras
palavras, os publicitários foram ousados: usaram a própria
publicidade para questionar os limites da linguagem
publicitária. Por isso, podemos falar que houve
metalinguagem.
Hipertexto
O hipertexto é, em sua definição, uma forma de escrita e leitura
não linear, com blocos de informação ligados a palavras, partes de
umtexto ou, por exemplo, imagens.
Os textos, ao longo da história da humanidade, apresentam-se,
em sua maioria, como narrativas retóricas e lineares, ou seja, a
narrativa segue uma temporalidade linear, com acontecimentos
subsequentes. Mas nem sempre foi assim, e hoje em dia também
não é mais só assim...
Antes de ter a forma que conhecemos atualmente, o livro já foi de
tábuas de argila, de rolos de papiro, de folhas de papel costuradas.
Nos últimos tempos, ganhou formato digital e abandonou as
páginas de papel.
No mundo contemporâneo, com o excesso de informações, a
narrativa ganha uma estrutura hipertextual, com forma de
organização em rede, facilitando a interatividade entre textos
necessária para a busca da informação com mais rapidez.
Conceito
O termo hipertexto foi criado por Theodore Nelson, na década de
1960, para denominar a forma de escrita e de leitura não linear
na informática. O hipertexto se assemelha à forma como o
cérebro humano processa o conhecimento: fazendo relações,
acessando informações diversas, construindo ligações entre
fatos, imagens, sons, enfim, produzindo uma teia de
conhecimentos.
No hipertexto, o leitor passa a ter uma participação mais ativa,
pois ele pode seguir caminhos variados dentro do texto,
selecionando pontos que o levam a outros textos ou outras mídias
para complementar o sentido de sua leitura. O leitor torna-se,
assim, um coautor do texto, pois constrói tramas paralelas de
acordo com seu interesse.
Estrutura do hipertexto.
No entanto, o hipertexto não está somente na internet. Um livro
de formato tradicional também pode ter sua estrutura interna em
forma de hipertexto. Um livro de contos, por exemplo, pode ser
lido sem seguir a ordem em que os contos foram organizados.
As enciclopédias e os dicionários também apresentam estrutura
hipertextual, já que indicam outros verbetes que complementam
a consulta do leitor. E ainda há livros em que o autor coloca nas
margens informações complementares ao texto principal,
buscando o formato hipertextual.
Estamos rodeados por hipertextos dentro e fora da internet. O
hipertexto permite a interatividade e a livre escolha para começar
a leitura por qualquer um dos textos que compõem a teia. O leitor
é quem decide por quais passará, percebendo novos caminhos,
ampliando os limites da leitura.
Diversidade Textual
As atividades humanas estão sempre relacionadas com o uso de
linguagem, seja verbal, seja não verbal.
Gêneros do discurso são textos que circulam em determinadas
esferas de atividades humanas e que, com pequenas variações,
apresentam tema, estrutura e linguagem semelhantes (receitas,
notícias, cartas, entrevistas, debates, e-mails...).
Há inúmeros tipos de texto, pois eles são criados de acordo com a
finalidade de comunicação de quem escreve (ou fala). Há textos
informativos, literários, didáticos, jornalísticos, musicais, teatrais,
humorísticos etc.
No texto literário, o autor pode inventar a história livremente, sem
ficar preso à realidade. Por isso pode fazer uso de uma linguagem
diferente (subjetiva), com imagens e comparações, criando os
fatos e personagens. Esse tipo de texto é muito comum nos livros
de histórias e de poesias.
Alguns textos não têm palavras. Nós os lemos por meio das cores,
dos sons, das formas, dos gestos, das imagens, etc. São chamados
de textos não verbais ou extra verbais.
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6
Um texto pode ser escrito com a finalidade de:
Dar instruções (regras de jogo, montagem de equipamentos e
objetos, instalação de eletroeletrônicos, sobre atividades em
folhetos, avisos, cartazes);
Divertir (piada, pegadinhas, charadas, quadrinhos);
Esclarecer (verbete de dicionário e enciclopédia);
Advertir (rótulo, campanha publicitária, cartazes);
Informar o leitor sobre... (concursos, provas, reuniões, por meio
de editais, avisos);
Estabelecer comunicação (bancária, familiar, comercial, escolar);
Estabelecer comunicação rápida (bilhete, e-mail);
Estabelecer normas de conduta (artigos de lei, de estatutos, de
regimentos);
Conscientizar as pessoas sobre...(cartazes, outdoors, folhetos);
Anunciar produtos (propagandas em cartazes, folhetos);
Documentar um fato (ocorrido, relatório);
Orientar procedimentos (bulas, instruções);
Transmitir ordens (ordem de serviço, avisos).
Gêneros textuais
Os Gêneros textuais são as estruturas com que se compõem os
textos, sejam eles orais ou escritos. Essas estruturas são
socialmente reconhecidas, pois se mantêm sempre muito parecidas,
com características comuns, procuram atingir intenções
comunicativas semelhantes e ocorrem em situações específicas.
Pode-se dizer que se tratam das variadas formas de linguagem que
circulam em nossa sociedade, sejam eles formais ou informais. Cada
gênero textual tem seu estilo próprio, podendo então, ser
identificado e diferenciado dos demais através de suas
características.
Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta ao leitor",
tende a ser do tipo dissertativo-argumentativo com uma
linguagem formal, em que se escreve à sociedade ou a leitores.
Quando se trata de "carta pessoal", a presença de aspectos
narrativos ou descritivos e uma linguagem pessoal é mais
comum.
Propaganda: é um gênero textual dissertativo-expositivo onde há a o
intuito de propagar informações sobre algo, buscando sempre atingir
e influenciar o leitor apresentando, na maioria das vezes, mensagens
que despertam as emoções e a sensibilidade do mesmo.
Bula de remédio: é um gênero textual descritivo, dissertativo-
expositivo e injuntivo que tem por obrigação fornecer as informações
necessárias para o correto uso do medicamento.
Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo que tem por objetivo
informar a fórmula para preparar tal comida, descrevendo os ingredientes
e o preparo destes, além disso, com verbos no imperativo, dado o sentido
de ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções.
Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num guia que tem
por finalidade explicar ao leitor, passo a passo e de maneira
simplificada, como fazer algo.
Editorial: é um gênero textual dissertativo-argumentativo que
expressa o posicionamento da empresa sobre determinado
assunto, sem a obrigação da presença da objetividade.
Notícia: podemos perfeitamente identificar
características narrativas, o fato ocorrido que se deu em um
determinado momento e em um determinado lugar, envolvendo
determinadas personagens. Características do lugar, bem como
dos personagens envolvidos são, muitas vezes,
minuciosamente descritos.
Reportagem: é um gênero textual jornalístico de
caráter dissertativo-expositivo. A reportagem tem, por objetivo,
informar e levar os fatos ao leitor de uma maneira clara, com
linguagem direta.
Entrevista: é um gênero textual fundamentalmente dialogal,
representado pela conversação de duas ou mais pessoas, o
entrevistador e o(s) entrevistado(s), para obter informações sobre ou
do entrevistado, ou de algum outro assunto. Geralmente envolve
também aspectos dissertativo-expositivos, especialmente quando se
trata de entrevista a imprensa ou entrevista jornalística. Mas pode
também envolver aspectos narrativos, como na entrevista de
emprego, ou aspectos descritivos, como na entrevista médica.
História em quadrinhos: é um gênero narrativo que consiste em
enredos contados em pequenos quadros através de diálogos
diretos entre seus personagens, gerando uma espécie de
conversação.
Charge: é um gênero textual narrativo onde se faz uma espécie
de ilustração cômica, através de caricaturas, com o objetivo de
realizar uma sátira, crítica ou comentário sobre algum
acontecimento atual,em sua grande maioria.
Poema: trabalho elaborado e estruturado em versos. Além dos
versos, pode ser estruturado em estrofes. Rimas e métrica também
podem fazer parte de sua composição. Pode ou não ser poético.
Dependendo de sua estrutura, pode receber classificações específicas,
como haicai, soneto, epopeia, poema figurado, dramático, etc. Em
geral, a presença de aspectos narrativos e descritivos são mais
frequentes neste gênero.
Poesia: é o conteúdo capaz de transmitir emoções por meio de
uma linguagem, ou seja, tudo o que toca e comove pode ser
considerado como poético (até mesmo uma peça ou um filme
podem ser assim considerados). Um subgênero é a prosa
poética, marcada pela tipologia dialogal.
Gêneros literários
Gênero Narrativo:
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram
apenas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos, o
gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do
gênero literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de
prosa com características diferentes: o romance, a novela, o conto,
a crônica, a fábula.
Porém, praticamente todas as obras narrativas possuem
elementos estruturais e estilísticos em comum e devem responder
a questionamentos, como: quem? o que? quando? onde? por quê?
Vejamos a seguir:
Épico (ou Epopeia): os textos épicos são geralmente longos e
narram histórias de um povo ou de uma nação, envolvem
aventuras, guerras, viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente
apresentam um tom de exaltação, isto é, de valorização de seus
heróis e seus feitos.. Exemplos: Os Lusíadas, de Luís de Camões,
e Odisséia, de Homero.
Romance: é um texto completo, com tempo, espaço e
personagens bem definidos e de caráter mais
verossímil. Também conta as façanhas de um herói, mas
principalmente uma história de amor vivida por ele e uma
mulher, muitas vezes, “proibida” para ele. Apesar dos obstáculos
que o separam, o casal vive sua paixão proibida, física, adúltera,
pecaminosa e, por isso, costuma ser punido no final. É o tipo de
narrativa mais comum na Idade Média. Exemplos: Tristão e
Isolda.
Novela: é um texto caracterizado por ser intermediário entre a
longevidade do romance e a brevidade do conto. Como exemplos
de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado
de Assis, e A Metamorfose, de Kafka.
Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa,
que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores. Inicialmente,
fazia parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi-lo de
forma escrita com a publicação de Decamerão. Diversos tipos do
gênero textual conto surgiram na tipologia textual narrativa: conto de
fadas, que envolve personagens do mundo da fantasia; contos de
aventura, que envolvem personagens em um contexto mais próximo
da realidade; contos folclóricos (conto popular); contos de terror ou
assombração, que se desenrolam em um contexto sombrio e
objetivam causar medo no expectador; contos de mistério, que
envolvem o suspense e a solução de um mistério.
Fábula: é um texto de caráter fantástico que busca ser
inverossímil. As personagens principais são não humanas e a
finalidade é transmitir alguma lição de moral.
Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana,
com linguagem coloquial. Pode ter um tom humorístico ou um
toque de crítica indireta, especialmente, quando aparece em
seção ou artigo de jornal, revistas e programas da TV.
Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alternância entre os
momentos narrativos e manifestos descritivos.
Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o poético e o
didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas
a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o
tratado. Consiste também na defesa de um ponto de vista
pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico,
político, social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que
se paute em formalidades como documentos ou provas
empíricas ou dedutivas de caráter científico. Exemplos: Ensaio
sobre a cegueira, de José Saramago e Ensaio sobre a tolerância,
de John Locke.
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Gênero Dramático:
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo
de texto, não há um narrador contando a história. Ela “acontece”
no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os
papéis das personagens nas cenas.
Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de
provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia
era "uma representação duma ação grave, de alguma extensão
e completa, em linguagem figurada, com atores agindo, não
narrando, inspirando dó e terror". Exemplos: Romeu e
Julieta, de Shakespeare.
Farsa: é uma pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que
critica a sociedade e seus costumes; baseia-se no lema latino
ridendocastigat mores (rindo, castigam-se os costumes). A farsa consiste
no exagero do cômico, graças ao emprego de processos grosseiros, como
o absurdo, as incongruências, os equívocos, os enganos, a caricatura, o
humor primário, as situações ridículas.
Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no
sentimento comum, de riso fácil. Sua origem grega está ligada
às festas populares.
Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos trágicos e
cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o
imaginário.
Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com
forte apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da
sociedade e da realidade vivida por este povo.
Gênero Lírico: É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que
fala no poema e que nem sempre corresponde à do autor) exprime
suas emoções, ideias e impressões em face do mundo exterior.
Normalmente os pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há
o predomínio da função emotiva da linguagem.
Elegia: é um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a
morte é elevada como o ponto máximo do texto. O emissor expressa
tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema
melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e yufa, de William
Shakespeare.
Epitalâmia: é um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja,
noites românticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de
epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.
Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emissor faz uma
homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à
mulher amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O hino
é uma ode com acompanhamento musical.
Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o emissor expressa uma
homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao
homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de
desfrutar de tais belezas e riquezas ao lado da amada (pastora), que
enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal para a paixão. A
écloga é um idílio com diálogos (muito rara).
Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a
alguém ou a algo, em tom sério ou irônico.
Acalanto: ou canção de ninar.
Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha), composição lírica na
qual as letras iniciais de cada verso formam uma palavra ou frase.
Balada: uma das mais primitivas manifestações poéticas, são
cantigas de amigo (elegias) com ritmo característico e refrão
vocal que se destinam à dança.
Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com acompanhamento
musical.
Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e árabes; odes do
oriente médio.
Haicai: expressão japonesa que significa “versos cômicos”
(=sátira). E o poema japonês formado de três versos que
somam 17 sílabas assim distribuídas: 1° verso= 5 sílabas; 2°verso = 7 sílabas; 3° verso 5 sílabas.
Soneto: é um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois
quartetos e dois tercetos, com rima geralmente em a-ba-b a-b-
b-a c-d-c d-c-d.
Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas
de escárnio e de maldizer); satíricas, portanto.
Estrutura do Texto
Parágrafos – espaço em branco junto à margem. Inicia-se a cada
novo pensamento (assunto) sobre o tema. Cada parágrafo do
texto é formado por ideias ligadas à ideia central (tema).
Estrofes –conjunto de linhas do texto (versos), usadas em textos
poéticos.
Elementos do Texto
Assunto – é aquilo sobre o que se conversa, discorre ou escreve.
Tema – é um trecho destacado para servir de assunto em um
determinado contexto. Pode ser considerado um ponto de vista
sobre determinado assunto.
Título – é o nome ou a expressão que indica o assunto em uma obra ou
texto. Ele identifica a obra.
Paráfrase
Do grego para-phrasis(repetição de uma sentença), a paráfrase imita o
original, inclusive em extensão. Assim, parafrasear um texto é repeti-lo
com outras palavras, mas sem alterar suas ideias.
Para produzir uma paráfrase, portanto, é preciso seguir as ideias
do texto original, reproduzindo-as de outra maneira, mesmo que
de forma resumida.
Paródia
A paródia é uma recriação de caráter contestador: ela mantém
algo da significação do texto primeiro, mas constrói todo um
percurso de desvio em relação a ele, numa espécie de
insubordinação crítica que incomoda.
Ambiguidade
Ambiguidade é a plurissignificação, ou seja, os múltiplos
significados que pode ter um texto. Nos textos considerados
objetivos, a ambiguidade é tida como um erro grave, pois a
intenção é a de informa, transmitir a mensagem com o máximo de
clareza e objetividade possível. Nos textos subjetivos,
principalmente onde predomina a função poética da linguagem,
pode ser considerado um recurso rico, visto que permite várias
interpretações.
Diferença entre Dialeto, Idioma e Gíria
Dialetos são modificações regionais, estáveis, de uma língua,
variações de pronúncia, vocabulário e gramática. Os dialetos não
ocorrem somente em regiões diferentes, pois numa determinada
região existem também as variações dialetais etárias, sociais,
referentes ao sexo masculino e feminino e estilísticas.
Idioma é um termo referente à língua usado para identificar uma
nação em relação às demais e está relacionado à existência de um
estado político. Por isso, espanhol é um idioma, mas o basco, não, e
o português é uma língua e um idioma. O idioma sempre está
vinculado à língua oficial de um país.
Gíria é uma linguagem fechada, usada por um grupo social
restrito, com a preocupação de se distinguir dos outros. A gíria é
um elemento de linguagem que denota expressividade e revela
grande criatividade, desde que, naturalmente, adequada à
mensagem, ao meio e ao receptor, só é admitida na língua falada.
É considerada e aceita no meio informal.
Conceituam-se como expressões idiomáticas aquelas que, perante os
estudos linguísticos, são destituídas de tradução. Pode considerar-se
que fazem parte daquilo que chamamos de variações da língua, uma
vez que retratam traços culturais de uma determinada região. Dotadas
de um evidente grau de informalismo são geradas por meio das gírias
e tendem a se perpetuar ao longo de toda uma geração.
Desta forma, ao analisarmos as imagens que seguem constatamos
que estas nos remetem a dizeres já bastante conhecidos e até
“cristalizados” no tempo. Observemos, pois:
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Assim, já ouvimos muitas que “fulano engoliu um sapo”, ou que “fulano
pisou na bola”. Estas, assim como tantas outras revelam um discurso
específico, uma vez que “engolir um sapo” significa receber uma
“bronca” e “pisar na bola” revela uma atitude considerada inaceitável”.
Exemplos:
Armar um barraco – criar uma confusão em público.
Ao pé da letra – literalmente.
Arregaçar as mangas – dar início a uma determinada
atividade.
Boca de siri – manter um segredo referente a um
determinado assunto.
Cara de pau – descarado, sem-vergonha.
Chutar o balde/chutar o pau da barraca – perder o controle,
a calma.
Descascar o abacaxi – resolver um problema complicado.
Encher linguiça – enrolar, ocupar o tempo por meio da
embromação.
Lavar as mãos – não se envolver com um determinado
assunto.
Quebrar o galho – improvisar.
Segurar vela – atrapalhar o namoro.
Trocar as bolas – atrapalhar-se.
Trocar os pés pelas mãos - agir de modo desajeitado,
apressadamente.
(http://www.brasilescola.com)
Fala
É a utilização oral da língua pelo indivíduo. É um ato individual, pois
cada indivíduo, para a manifestação da fala, pode escolher os elementos
da língua que lhe convém, conforme seu gosto e sua necessidade, de
acordo com a situação, o contexto, sua personalidade, o ambiente
sociocultural em que vive, etc.
Desse modo, dentro da unidade da língua, há uma grande diversificação
nos mais variados níveis da fala. Cada indivíduo, além de conhecer o
que fala, conhece também o que os outros falam; é por isso que somos
capazes de dialogar com pessoas dos mais variados graus de cultura,
embora nem sempre a linguagem delas seja exatamente como a nossa.
Níveis da fala
Devido ao caráter individual da fala, é possível observar alguns
níveis:
Nível coloquial-popular: é a fala que a maioria das pessoas
utiliza no seu dia a dia, principalmente em situações informais.
Esse nível da fala é mais espontâneo, ao utilizá-lo, não nos
preocupamos em saber se falamos de acordo ou não com as regras
formais estabelecidas pela língua.
Nível formal-culto: é o nível da fala normalmente utilizado pelas
pessoas em situações formais. Caracteriza-se por um cuidado
maior com o vocabulário e pela obediência às regras gramaticais
estabelecidas pela língua.
Significação das Palavras
Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguintes
categorias:
a) Sinônimos
As palavras que possuem significados próximos são chamadas
sinônimos.
Exemplos:
Casa - lar - moradia – residência
Longe – distante
Delicioso – saboroso
Carro – automóvel
Observe que os sentidos dessas palavras são próximos, mas não
são exatamente equivalentes. Dificilmente encontraremos um
sinônimo perfeito, uma palavra que signifique exatamente a
mesma coisa que outra.
Há uma pequena diferença de significado entre palavras
sinônimas. Veja que, embora casa e lar sejam sinônimos, ficaria
estranho se falássemos a seguinte frase: “Comprei um novo lar”.
O B S E R V A Ç Ã O
O uso de palavras sinônimas pode ser de grande utilidade nos
processos de retomada de elementos que inter-relacionam as
partes dos textos l.
b) Antônimos
São palavras que possuem significados opostos, contrários.
Exemplos:
Mal / bem
Ausência / presença
Fraco / forte
Claro / escuro
Subir / descer
Cheio / vazio
Possível / impossível
c) Polissemia
Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de
apresentar mais de um significado nos múltiplos contextos em que
aparece.
Exemplos:
Cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da vassoura, da
faca)
Banco (instituição comercial financeira, assento)
Manga (parte da roupa, fruta)
Neologismo
Neologismo é o processo de criação de novas palavras em uma
determinada língua. Com o passar do tempo surgem novas
palavras, nas ruas, jornais, em grupos, para representar uma
tecnologia, um sentimento, uma impressão.
Os neologismos podem ser criados a partir de palavras da própria
língua do país: "presidenciável" e “carreata”, mas também a partir
de palavras estrangeiras, como deletar, printar, escanear.Manuel Bandeira, escritor modernista do século 20, compôs um
poema metalinguístico sobre o mesmo tema:
"Neologismo"
Beijo pouco, falo menos ainda
Mas, invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana
Inventei, por exemplo, o verbo te adorar
Intransitivo; Teadoro, Teodora.
Funções da Linguagem
Para melhor entendermos as funções da linguagem, é importante
que conheçamos as etapas ou elementos da comunicação. Roman
Jakobson, linguista russo, diferenciou as seis funções da
linguagem relacionando-as a um dos componentes do processo de
comunicação. De acordo com a finalidade da fala é evidenciado um
elemento da comunicação e consequentemente uma das funções
da linguagem. Vale ressaltar que, em um diálogo, podemos fazer
uso de mais de uma função de linguagem.
São seis os elementos da comunicação:
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a) Emissor: é aquele que envia a mensagem (pode ser uma única
pessoa ou um grupo de pessoas).
b) Mensagem: é o conteúdo (assunto) das informações que ora
são transmitidas.
c) Receptor: é aquele a quem a mensagem é endereçada (um
indivíduo ou um grupo), também conhecido como destinatário.
d) Canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensagem é
transmitida.
e) Código: é o conjunto de signos e de regras de combinação
desses signos utilizado para elaborar a mensagem: o emissor
codifica aquilo que o receptor irá decodificar.
f) Contexto: é o objeto ou a situação a que a mensagem se refere.
A partir desses elementos, Jakobson nos mostra as seis Funções
da Linguagem:
a) Função Referencial ou Informativa|: neste tipo de discursos o
emissor (locutor) centra a sua mensagem de forma predominante
sobre o referente (objeto). Estes discursos são caracterizados pela
objetividade, neutralidade e imparcialidade do emissor. Exemplo
deste discurso são as notícias jornalísticas, as informações
técnicas e científicas.
b) Função Expressiva ou Emotiva: neste tipo de discursos o que
predomina é a atitude do emissor/locutor perante o objeto (o
referente), produzindo uma apreciação subjetiva. Trata-se de
discursos marcados pela adjetivação e interjeições. A poesia lírica
exemplificativa deste tipo de discurso.
c) Função Apelativa/Conativa ou Apelativa: trata-se de um tipo de
discurso onde o emissor/locutor procura influenciar, seduzir,
convencer ou mandar no receptor provocando nele uma dada
reação. Dois exemplos deste tipo de discurso são a propaganda
política e a publicidade.
d) Função Estética: o referente da mensagem é ela própria, como
é o caso das obras de arte. Neste sentido, o emissor procura tornar
o discurso agradável e inovador. Estas mensagens-objetos são
portadoras da sua própria significação.
e) Função Fática: estes discursos têm por finalidade estabelecer,
prolongar ou interromper a comunicação ou verificar se o circuito
funciona. Um exemplo deste tipo de discurso: "Está? Está aí
alguém?. Então não dizem nada?...".
f) Função Metalinguística: este tipo de discursos tem por finalidade
definir o sentido dos signos que podem ser compreendidos pelo
receptor. No campo das artes, são exemplos deste tipo de
discursos o que se escreve sobre os diferentes estilos.
Assim:
Exemplos (textos não literários):
Notícias e reportagens jornalísticas, textos de livros didáticos,
textos científicos em geral, manuais de instrução, receitas
culinárias, bulas de remédio, cartas comerciais.
Exemplos (de textos literários):
Poemas, romances literários, contos, novelas, letras de
música, peças de teatro, crônicas
Em alguns casos encontramos revistas ou jornais que veiculam os
dois tipos de textos (notícia, passatempos, editorial, poesias).
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Figuras de Linguagem
A Gramática normativa é o conjunto de regras que representam o
padrão da linguagem, chamada de formal.
No entanto ao ocorrerem desvios da norma culta com intenção de
obter maior expressividade estão presentes as Figuras de
Linguagem. Quando o desvio se dá pelo não conhecimento da
norma culta, temos os chamados Vícios de Linguagem.
As figuras de linguagem classificam-se em:
1) Figuras de Palavras.
2) Figuras de Harmonia.
3) Figuras de Pensamento.
4) Figuras de Construção ou Sintaxe.
1) Figuras de Palavras
As figuras de palavra consistem no emprego de um termo com
sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de
se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação.
São figuras de palavras:
a) Comparação
b) Metáfora
c) Metonímia
d) Sinédoque
e) Catacrese
f) Sinestesia
g) Antonomásia
h) Alegoria
i) Anadiplose
a) Comparação
Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois
elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos
explícitos - feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual,
que nem - e alguns verbos - parecer, assemelhar-se e outros.
Exemplos:
"Amou daquela vez como se fosse máquina.
Beijou sua mulher como se fosse lógico." (Chico Buarque)
As solteironas, os longos vestidos negros fechados no pescoço,
negros xales nos ombros, pareciam aves noturnas paradas...
(Jorge Amado)
b) Metáfora
Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma
relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria.
A metáfora também pode ser entendida como uma comparação
abreviada, em que o conectivo não está expresso, mas subentendido.
Exemplo:
Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr.
Soares, é ver se posso extrair pérolas, que é a razão. (Machado de
Assis)
c) Metonímia
Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra,
havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de
sentido ou implicação mútua.
Tal substituição fundamenta-se numa relação objetiva, real, realizando-se
de inúmeros modos:
O continente pelo conteúdo e vice-versa:
Exemplo(s):
Antes de sair, tomamos um cálice de licor. | O conteúdo de
um cálice
A causa pelo efeito e vice-versa:
Exemplo(s):
"E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento." (Vinicius de Moraes) | Com
trabalho
O lugar de origem ou de produção pelo produto:
Exemplo(s):
Comprei uma garrafa do legítimo porto. | O vinho da cidade
do Porto
O autor pela obra:
Exemplo(s):
Ela parecia ler Jorge Amado. | A obra de Jorge Amado
O abstrato pelo concreto e vice-versa:
Exemplo(s):
Não devemos contar com o seu coração. | Sentimento,
sensibilidade
O símbolo pela coisa simbolizada:
Exemplo(s):
A coroa foi disputada pelos revolucionários. | O poder
A matéria pelo produto e vice-versa:
Exemplo(s):
Lento, o bronze soa. | O sino
O inventor pelo invento:
Exemplo(s):
Edson ilumina o mundo. | A energia elétrica
A coisa pelo lugar:
Exemplo(s):
Vou à Prefeitura. |Ao edifício da Prefeitura
O instrumento pela pessoa que o utiliza:
Exemplo(s):
Ele é um bom garfo. | Guloso, glutão
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d) Sinédoque
Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro,
havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa
relação quantitativa.
Encontramos sinédoque nos seguintes casos:
O todo pela parte e vice-versa:
Exemplo(s):
A cidade inteira1 viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir
de ladrão, fugindo nos cascos2 de seu cavalo. (J. Cândido de Carvalho)
1O povo.
2Parte das patas.
O singular pelo plural e vice-versa:
Exemplo(s):
O paulista3 é tímido; o carioca4,atrevido.
3Todos os paulistas.
4Todos os cariocas.
O indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum):
Exemplo(s):
Para os artistas ele foi ummecenas5.
5Protetor.
Modernamente, a metonímia engloba a sinédoque.
e) Catacrese
A catacrese é um tipo de especial de metáfora, "é uma espécie de
metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de
inovação, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito
linguístico, já fora do âmbito estilístico." (Othon M. Garcia)
Exemplo(s):
Folhas de livro Pele de tomate
Dente de alho Montar em burro
Céu da boca Cabeça de prego
Mão de direção Ventre da terra
Asa da xícara Sacar dinheiro no banco
f) Sinestesia
A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa
mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação,
audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).
Exemplo(s):
A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa
indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo.
Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida,
macia[sensações táteis], quase irreal. (Augusto Meyer)
g) Antonomásia
Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma
qualidade, característica ou fato que a distingue.
Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha
ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.)
do nome próprio.
Exemplo(s):
E ao rabi simples1, que a igualdade prega,
Rasga e enlameia a túnica inconsútil; (Raimundo Correia)
1 Cristo
Inconsútil: sem costuras
Pelé (= Edson Arantes do Nascimento)
O Mestre (= Jesus Cristo)
O poeta dos escravos (= Castro Alves)
O Dante Negro (= Cruz e Souza)
O Corso (= Napoleão)
h) Alegoria
A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo
objeto; é uma figura poética que consiste em expressar uma situação
global por meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado.
Na alegoria, todas as palavras estão transladadas para um plano que
não lhes é comum e oferecem dois sentidos completos e perfeitos - um
referencial e outro metafórico. Apesar de se parecer com a metáfora,
diferenças e discussões existem acerca delas. Alguns estudiosos
defendem a proximidade de ambas e outros pesquisadores discordam.
Na turma dos que encontram ligações está Quintilano, que afirma que
alegoria é “metáfora continuada que mostra uma coisa pelas
palavras e outra pelo sentido”. Mas resumidamente, a metáfora
adequa-se a termos isolados, enquanto a alegoria diz respeito ao texto
na íntegra.
Exemplo(s):
"A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono
lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários,
quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em
presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros
numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente..."
(Machado de Assis)
“Tu os sustentas com pão de lágrimas, e lhes dás a beber
lágrimas com abundância”. (Bíblia sagrada)
i) Anadiplose
É a repetição de palavra ou expressão de fim de um membro de frase
no começo de outro membro de frase.
Exemplo(s):
Todo pranto é um comentário. Um comentário que
amargamente condena os motivos dados.
2) Figuras de Harmonia
Chamam-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos
na linguagem quando há repetição de sons ou, ainda, quando se
procura "imitar” ons produzidos por coisas ou seres.
As figuras de harmonia ou de som são:
a) Aliteração
b) Paronomásia
c) Assonância
d) Onomatopeia
a) Aliteração
Ocorre aliteração quando há repetição da mesma consoante ou de
consoantes similares, geralmente em posição inicial da palavra.
Exemplo(s):
Toda gente homenageia Januária na janela. (Chico Buarque)
Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do
litoral. (Caetano Veloso)
b) Assonância
Ocorre assonância quando há repetição da mesma vogal ao longo
de um verso ou poema.
Exemplo(s):
"Sou Ana, da cama
da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam." (Chico Buarque)
c) Paronomásia
Ocorre paronomásia quando há reprodução de sons semelhantes em
palavras de significados diferentes.
Exemplo(s):
"Berro pelo aterro pelo desterro
berro por seu berro pelo seu erro
quero que você ganhe que você me apanhe
sou o seu bezerro gritando mamãe." (Caetano Veloso)
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d) Onomatopeia
Ocorre quando uma palavra ou conjunto de palavras imita um
ruído ou som.
Exemplo(s):
"Havia uma velhinha / Que andava aborrecida / Pois dava a
sua vida / Para falar com alguém. / E estava sempre em casa
/ A boa velhinha, / Resmungando sozinha: / Nhem-nhem-
nhem-nhem-nhem..." (Cecília Meireles)
"Ó rodas, ó engrenagens,r-r-r-r-r-r-reterno." (Fernando Pessoa)
3) Figuras de Pensamento
As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se
referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.
São figuras de pensamento:
a) Antítese
b) Apóstrofe
c) Paradoxo
d) Eufemismo
e) Gradação
f) Hipérbole
g) Ironia
h) Prosopopeia
i) Perífrase
a) Antítese
Ocorre antítese quando há aproximação de palavras ou expressões
de sentidos opostos.
Exemplo(s):
Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos
querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos
trazem o mal. (Rui Barbosa)
b) Apóstrofe
Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma pessoa ou algo, real ou
imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao vocativo
na análise sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão.
Exemplo(s):
Deus! ó Deus! onde estás, que não respondes? (Castro Alves)
c) Paradoxo
Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de
sentido oposto, mas também na de ideias que se contradizem
referindo-se ao mesmo termo.
É uma verdade enunciada com aparência de mentira. Oxímoro (ou
oximoron) é outra designação para paradoxo.
Exemplo(s):
"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;" (Camões)
d) Eufemismo
Ocorre eufemismo quando uma palavra ou expressão é empregada
para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou
chocante.
Exemplo(s):
E pela paz derradeira1que enfim vai nos redimir Deus lhe
pague. (Chico Buarque)
1paz derradeira: morte
e) Gradação
Ocorre gradação quando há uma sequência de palavras que
intensificam uma mesma ideia.
Exemplo(s):
Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo. (Castro Alves)
f) Hipérbole
Ocorre hipérbole quando há exagero de uma ideia, a fim de
proporcionar uma imagem emocionante e de impacto.
Exemplo(s):
Rios te correrão dos olhos, se chorares! (Olavo Bilac)
g) Ironia
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, pela
contradição de termos, sugere-se o contrário do que as palavras
ou orações parecem exprimir. A intenção é depreciativa ou
sarcástica.
Exemplo(s):
Moça linda, bem tratada,
três séculos de família,
burra como uma porta:
um amor. (Mário de Andrade)
h) Prosopopeia
Ocorre prosopopeia (ou animização/animismo ou personificação)
quando se atribui movimento, ação, fala, sentimento, enfim,
caracteres próprios de seres animados a seres inanimados ou
imaginários.
Também a atribuição de características humanas a seres animados
constitui prosopopeia o que é comum nas fábulas e nos apólogos,
como este exemplo de Mário de Quintana: "O peixinho (...)
silencioso e levemente melancólico..."
Exemplo(s):
... os rios vão carregando as queixas do caminho. (Raul Bopp)
Um friointeligente (...) percorria o jardim... (Clarice
Lispector)
i) Perífrase
Ocorre perífrase quando se cria um torneio de palavras para
expressar algum objeto, acidente geográfico ou situação que não
se quer nomear.
Exemplo:
"Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil." (André Filho)
3) Figuras de Sintaxe
As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios
em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem,
possíveis repetições ou omissões.
Elas podem ser construídas por:
Omissão: assíndeto, elipse e zeugma.
Repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto.
Inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage.
Ruptura: anacoluto.
Concordância ideológica: silepse.
Portanto, são figuras de construção ou sintaxe:
a) Assíndeto
b) Elipse
c) Zeugma
d) Anáfora
e) Pleonasmo
f) Polissíndeto
g) Anástrofe
h) Hipérbato
i) Sínquise
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j) Hipálage
k) Anacoluto
l) Silepse
a) Assíndeto
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas
por conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou
separadas por vírgulas.
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por
exigência das pausas rítmicas (vírgulas).
Exemplo(s):
"Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco,
todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado
de Assis)
b) Elipse
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente
podemos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer na
supressão de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um
poderoso recurso de concisão e dinamismo.
Exemplo(s):
"Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas." 1 |
1Elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de
sandálias...)
c) Zeugma
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido,
ficando subentendida sua repetição.
Exemplo(s):
"Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos
Felipes." 1 (Camilo Castelo Branco) | 1 Zeugma do verbo: "e
foram assassinados..."
d) Anáfora
Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no
início de um período, frase ou verso.
Exemplo(s):
"Depois o areal extenso...
Depois o oceano de pó...
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só..." (Castro Alves)
e) Pleonasmo
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma ideia, isto é,
redundância de significado.
Pleonasmo literário
É o uso de palavras redundantes para reforçar uma ideia, tanto do
ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado
como um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase
à mensagem.
Exemplo(s):
"Iam vinte anos desde aquele dia
Quando com os olhos eu quis ver de perto
Quando em visão com os da saudade via." (Alberto de
Oliveira)
"Morrerás morte vil na mão de um forte." (Gonçalves Dias)
"Ó mar salgado, quando do teu sal
São lágrimas de Portugal" (Fernando Pessoa)
Pleonasmo vicioso
É o desdobramento de ideias que já estavam implícitas em
palavras anteriormente expressas. Pleonasmos viciosos devem
ser evitados, pois não têm valor de reforço de uma ideia, sendo
apenas fruto do descobrimento do sentido real das palavras.
Exemplo(s):
Subir para cima
Entrar para dentro
Breve alocução
Repetir de novo
Ouvir com os ouvidos
Principal protagonista
Hemorragia de sangue
Monopólio exclusivo
f) Polissíndeto
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção
coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a
conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou
vertiginosos.
Exemplo(s):
"Vão chegando as burguesinhas pobres,
e as criadas das burguesinhas ricas
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza." (Manuel
Bandeira)
g) Anástrofe
Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras
vizinhas (determinante/determinado).
Exemplo(s):
"Tão leve estou1 que nem sombra tenho." (Mário Quintana)
1Estou tão leve...
h) Hipérbato
Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros
da frase.
Exemplo(s):
"Passeiam à tarde, as belas na Avenida. " 1 (Carlos Drummond de
Andrade)
1As belas passeiam na Avenida à tarde.
i) Sínquise
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da
frase. É um hipérbato exagerado.
Exemplo(s):
"A grita se alevanta ao Céu, da gente. " 1 (Camões)
1A grita da gente se alevanta ao Céu.
j) Hipálage
Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma
qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma
frase. A hipálage é uma figura típica do Impressionismo aplicado
à literatura (nomeadamente no Simbolismo), por ser capaz de
transmitir impressões sensoriais mescladas, em difusa
intersecção.
Exemplo(s):
"... as lojas loquazes dos barbeiros." 2 (Eça de Queiros)
2 ... as lojas dos barbeiros loquazes.
k) Anacoluto
Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com
que se inicia a frase, alternando-lhe a sequência lógica. A
construção do período deixa um ou mais termos - que não
apresentam função sintática definida - desprendidos dos demais,
geralmente depois de uma pausa sensível.
Exemplo(s):
"Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas."
(Alcântara Machado)
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l) Silepse
Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas
com a ideia a elas associada.
a)Silepse de gênero
Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais
(feminino ou masculino).
Exemplo(s):
"Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa)
“São Paulo continua poluída.”
b)Silepse de número
Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical
(singular ou plural).
Exemplo(s):
Corria gente de todos lados, egritavam." (Mário Barreto)
“O casal não veio, estavam ocupados.”
c)Silepse de pessoa
Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa
verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado.
Exemplo(s):
"Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas."
(Machado de Assis)
“Os brasileiros somos otimistas.”
Vícios de Linguagem
a) Barbarismo
Consiste em erros nos aspectos: gráfico, ortoépico (pronúncia),
prosódico (acentuação tônica), semântico, morfológico.
Exemplo(s):
"Gratuíto" (em vez de gratuito), "Rítmo" (em vez de ritmo),
Estou com poblemas a resolver. (problemas)
Solicitei à cliente sua rúbrica. (rubrica)
b) Solecismo
Consiste em desvio em relação à sintaxe.
Exemplo(s):
"Fazem dois anos que não nos vemos" (em vez de faz)
c) Pleonasmo
É a repetição de ideias ou palavras desnecessariamente.
Exemplo(s):
Hoje me fizeram uma surpresa inesperada.
d) Ambiguidade ou Anfibologia
Exemplo(s):
Este líder dirigiu bem sua nação"("sua"? nação da 2ª ou 3°
pessoa(o líder)?).
e) Cacófato ou Cacoépia
É o som desagradável ou sugestivo a uma ideia. Segundo o
gramático e filólogo Napoleão Mendes de Almeida "Só haverá
cacofonia quando a palavra produzida for torpe, obscena ou
ridícula. É infundado o exagerado escrúpulo de quem diz haver
cacófato em 'por cada', 'ela tinha' e 'só linha'." No mesmo caso
podemos incluir "uma mão" e "já tinha".
Exemplo(s):
"Uma prima minha...", "Na boca dela...", "Na vez passada...",
"Eu vi ela...", "Teu time nunca ganha.
f) Eco
Repetição de palavras que terminam com o mesmo som.
Exemplo(s):
Vicente mente constantemente.
IntertextualidadeA Intertextualidade pode ser definida como um diálogo entre dois
textos. Observe os dois textos abaixo e note como Murilo Mendes
(século XX) faz referência ao texto de Gonçalves Dias (século XIX):
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Nota-se que há correspondência entre os dois textos. A paródia-piadista de Murilo Mendes é um exemplo de intertextualidade, uma vez que
seu texto foi criado tomando como ponto de partida o texto de Gonçalves Dias.
Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade é persistente.
Sabemos que todo texto, seja ele literário ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se refere a
assuntos abordados em outros textos é exemplo de intertextualização.
A paródia, de forma tendenciosa, também pauta-se pela recriação de um texto, entretanto, utiliza-se de um caráter contestador
voltado para a crítica, muitas vezes sob um tom jocoso. Como podemos constatar em:
Meus Oito Anos
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida.
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
[...]
Casimiro de Abreu
Meus Oito Anos
Oh que saudades que eu tenho
Da aurora de minha vida
Das horas
De minha infância
Que os anos não trazem mais
Naquele quintal de terra!
Da rua de Santo Antônio
Debaixo da bananeira
Sem nenhum laranjais
[...]
Oswald de Andrade
Aqui, percebemos que a intenção de Oswald de Andrade foi a de criticar o romantismo e o sentimento nacionalista revelados pelas
palavras de Casimiro de Abreu. Mesmo porque o ideário modernista perfez-se por um repúdio aos moldes anteriormente adotados
por outros artistas, principalmente àqueles que compuseram o Romantismo e o Parnasianismo.
A intertextualidade está presente também em outras áreas, como na pintura:
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A intertextualidade pode ser classificada em dois tipos principais:
Intertextualidade Explícita e Intertextualidade Implícita.
Na intertextualidade explícita ocorre a citação da fonte do
intertexto, encontrada principalmente nas citações, nos resumos,
resenhas e traduções, além de estar presente também em diversos
anúncios publicitários. Nesse caso, dizemos que a intertextualidade
localiza-se na superfície do texto, pois alguns elementos nos são
fornecidos para que identifiquemos o texto fonte.
Exemplo:
A intertextualidade, quando explícita, fornece ao leitor diversos
elementos que o remetem ao texto fonte.
No anúncio publicitário utilizado no exemplo, há uma forte
referência ao texto fonte, facilmente identificada pelo leitor
através dos elementos fornecidos pela linguagem verbal e pela
linguagem não verbal. A composição do anúncio nos transporta
imediatamente para o filme “Tropa de Elite”, do cineasta José
Padilha, e isso só é possível em razão do forte apelo popular da
produção, que ganhou grande projeção em nossa sociedade.
Já a intertextualidade implícita ocorre de maneira diferente,
pois não há citação expressa da fonte, fazendo com que o leitor
busque na memória os sentidos do texto. Geralmente está inserida
nos textos do tipo paródia ou do tipo paráfrase, ganhando espaço
também na publicidade.
Exemplo:
A intertextualidade implícita depende da construção de sentidos
feita pelo leitor a partir da busca de inferências em sua própria
memória.
No anúncio há um elemento verbal que permite a retomada do
texto fonte, mas essa inferência depende de um conhecimento
prévio do leitor: se ele não souber que há uma referência à música
“Mania de você”, da cantora Rita Lee, provavelmente o texto não
será compreendido em sua totalidade.
Portanto, a intertextualidade é um elemento muito importante
para a constituição de sentidos do texto, colaborando em muito
para a coerência textual ao reforçar a ideia de que a competência
linguística não depende apenas do conhecimento do código
linguístico, mas também do conhecimento das relações
intertextuais.
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Intertextualidade entre a música e a poesia
A palavra intertextualidade, uma vez analisada sob a ótica da
semântica, oferece-nos pistas relevantes para que possamos
compreender acerca das características que a nutrem – as quais
fazem dela um importante e recorrente fenômeno linguístico.
Assim, temos que o prefixo “-inter-”, denotando uma noção rela-
cionada a algo que se situa no interior de algo, bem como
“textualidade”, fazendo referência a tudo aquilo que se mostra
claro, preciso, isso levando para o lado do discurso, obviamente,
tem-se que “intertextualidade” diz respeito a uma ideia situada
dentro de outra.
Levando em conta esse aspecto significativo, associamo-lo a outro,
uma vez mencionado no início do texto, demarcado por
“recorrente”. Ora, se se trata de uma ideia estabelecendo relação
com outra, torna-se evidente que, não raras as circunstâncias em
nosso cotidiano, pegamo-nos lançando mão desse recurso no
momento em que proferimos nossas ideias, expressamos nossos
pensamentos. Assim, essas referências que fazemos a algo dito
por alguém retratam tão somente o que chamamos de relações
intertextuais, manifestadas com base nas artes em geral, como é
o caso da pintura, escultura, da Literatura e por que não dizer da
música? Dessa forma, usuário(a), pautados na forte evidência com
que se manifesta o assunto em questão, enquanto posicionados
na qualidade de usuários da língua, dispomo-nos de alguns
proveitosos momentos para propor a você essa discussão, tendo
em vista essas relações que se materializam entre a música e a
poesia.
Elegemos, para tanto, a música “Amor pra recomeçar”, de autoria
de Roberto Frejat, a qual estabelece um diálogo com a poesia de
Victor Hugo, um importante poeta francês, autor de "Os
miseráveis" e "O Corcunda de Notre Dame", intitulada “Desejo”.
Vejamos, pois, como se dá esse entrelaçar de ideias entre ambas
as produções, lembrando que procuramos nos limitar somente a
alguns fragmentos da poesia, visto que ela se apresenta de forma
um tanto quanto extensa:
Como podemos perceber, o cantor Frejat intertextualiza de forma
ímpar as belas palavras retratadas por esse magnífico poeta,
representado na pessoa de Victor Hugo. Assim, torna-se
importante estarmos atentos para o fato de que esse
entrelaçamento de posições firmadas se dá por meio da paráfrase,
ou seja, um procedimento que se materializa com base na imitação
das ideias expressas no texto original.
Dessa forma, para que você possa constatar de forma significativa
como esse reproduzir manifesta-se, perceba por meio das
demarcações realizadas em forma de distintas cores, expressas,
evidentemente, em ambas as produções.
Concluamos, pois, nossa discussão, constatando, ainda, acerca
das belas palavras de Victor Hugo, nas quais ele, além de nos
desejar o que já presenciamos, ainda nos relata um de seus
desejos, expressos nesta última das estrofes:
“Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".
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Mapa Mental de Figuras de Linguagem
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