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5 Literatura infantiL
No século XVII, surge a Literatura Infantil, período em que houve a Revolução Industrial, e a burguesia 
se firmou como classe social urbana.
Se até o início do século XVII a criança era vista como um adulto em miniatura, no final deste século 
e no início do século XVIII ela adquire um novo status, é considerada como um ser frágil, desprotegido, 
dependente, que necessita de valorização e proteção. Torna-se necessário, portanto, o surgimento de 
instituições que preservem o lugar da criança e do jovem na sociedade; nesses locais, deve ocorrer a 
mediação entre a criança e o mundo. Isso é feito por meio da alfabetização, o que exige o consumo de 
obras impressas. Muitas tipografias são abertas e estas determinam o início dos laços entre literatura e 
a escola.
Na França, desde o século XVII, (monarquia de Luiz XIV), já havia uma preocupação com a literatura 
para crianças. As fábulas (1668), de La Fontaine e os Contos da Mamãe Gansa (1691-1697), de Charles 
Perrault são algumas das obras pioneiras do mundo literário infantil.
Jean La Fontaine (1621-1692) deu forma às fábulas. Estas foram difundidas em Roma, na Grécia e 
depois retomadas pela corrente humanista. Também foram cultivadas nas literaturas orientais.
La Fontaine nasceu em Paris, foi um poeta e fabulista e seu grande interesse, sempre recaiu na 
literatura. Em 1668, publicou suas primeiras fábulas, intituladas Fábulas escolhidas, as quais continham 
histórias de animais com características humanas e terminavam com o trabalho da moral.
Conquistou os leitores facilmente por sua forma delicada, divertida, simples e atraente de expressão. 
Durante sua vida, foi reescrevendo suas fábulas e acrescentando novas narrativas em suas obras. A 
última edição de suas fábulas foi publicada em 1693. Algumas fábulas escritas e reescritas por ele são: 
A lebre e a tartaruga; O leão e o rato; e O carvalho e o caniço.
Este autor foi considerado o pai da fábula moderna. Está sepultado no cemitério Père-Lachaise, em 
Paris, ao lado do dramaturgo Molière.
Agora, vamos saber um pouco mais sobre Charles Perrault, considerado o precursor da Literatura 
Infantil.
Perrault foi um escritor preocupado com a situação da mulher, a temática de seus contos era a 
injustiça com o público feminino.
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Pedagogia interdisciPlinar
Após sua terceira adaptação do livro A pele de asno, história que mostrava a luta psicológica de 
uma jovem após ter sido assediada por seu pai, é que ele direciona sua escrita para a Literatura Infantil. 
Encanta-se ao perceber que tais narrativas poderiam não só maravilhar as crianças, como também 
orientá-las em sua formação moral, uma vez que, os contos, quando direcionados, podem trabalhar as 
virtudes e os bons sentimentos na infância.
A Literatura Infantil nasce com a publicação dos oito contos da Mamãe Gansa: A bela adormecida no 
bosque; O barba azul; O gato de botas; As fadas; Chapeuzinho vermelho; A gata borralheira; Henrique 
do topete; e O pequeno polegar. Estes textos têm origem em antigos romances céltico-bretões e de 
antigas narrativas indianas.
Quem foi a Mamãe Gansa?
Segundo Coelho (1991), a Mãe Gansa contava diferentes histórias aos seus filhotes todos os dias, eles 
sempre estavam prontos para ouvi-las fascinados. Na verdade, ela representava as mães, que, durante os 
longos dias de inverno, contavam histórias para passar o tempo enquanto teciam. Assim, o nome Mãe 
Gansa passou a se referir a uma velha contadora de histórias.
Citam-se também os irmãos Grimm, Jacob e Wilhelm Grimm (1786), nascidos na Alemanha. Eles 
escreveram várias fábulas infantis e ganharam notoriedade na área. Retrataram as lendas e as narrativas 
conservadas pela tradição oral da memória popular.
Wilhelm Grimm publicou seu primeiro livro em 1811, que apresentava traduções de lendas 
dinamarquesas antigas. Em 1812, eles publicam a primeira coletânea Contos da criança e do lar (Kinder 
und Hausmärchen), com tiragem de 900 exemplares. Mais tarde, em 1815, os irmãos Grimm produzem 
o segundo volume dessa obra.
Uma nova publicação, que abrangia os outros três volumes, surge em 1825 e contribui muito para 
a popularidade dos contos.
Os contos dos irmãos Grimm não são exatamente contos de fadas, apresentam-se como: contos 
de encantamento — as histórias apresentam metamorfoses, isto é, transformações ocasionadas por 
encantamento; os contos jocosos — predomina-se o humor; os contos maravilhosos — o elemento 
mágico norteia toda a história; as fábulas — histórias vividas por animais; os contos de mistério — 
apresentam um enigma a ser desvendado; e as lendas — histórias que sempre tinham ligação a alguma 
divindade.
Alguns dos contos mais famosos dos irmãos Grimm são: A protegida de Maria; João e Maria, e 
Branca de neve.
Outro escritor de renome foi Hans Christian Andersen (Odense, 2 de abril de 1805 — Copenhague, 
4 de agosto de 1875), um dinamarquês mundialmente conhecido.
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Foi escritor de peças de teatro, canções patrióticas, histórias e de contos de fadas. Destacava-se por 
inventar contos que envolviam crianças e jovens. Suas principais obras foram: O abeto; O patinho feio; 
e A pequena sereia.
Nos dias atuais, é comemorado o Dia Internacional do Livro (23 de abril), data do nascimento de 
Hans Chirstian Andresen.
Agora, citamos José Bento Marcondes Monteiro Lobato (1882-1948). Ele foi o homem que 
desencadeou as mudanças na Literatura Infantil. Rompeu com o racionalismo tradicional e liberou toda 
a criatividade que a literatura precisava. Sua maior preocupação era com a renovação da Literatura 
Brasileira e principalmente com a linguagem brasileira na literatura. Lobato buscava uma dimensão 
verdadeiramente “brasileira” em sua obra.
O sucesso das obras de Lobato com as crianças teve um fator decisivo: apontar a realidade comum 
e familiar à criança em seu cotidiano. Apresentava o maravilhoso e o mágico de uma forma natural e 
verossímil, o real e o maravilhoso se misturam em uma só realidade.
Segundo Coelho (1982), algumas personagens reais — Lúcia, Pedrinho, Dona Benta, — têm a mesma 
“contextura” das personagens “inventadas” — a boneca Emília, o Visconde de Sabugosa, o Pequeno 
Polegar e todas as dezenas de personagens que povoam o universo literário lobatiano. Todas elas fazem 
parte do universo faz de conta criado pelo autor e sempre encantam as crianças e os adolescentes.
Monteiro Lobato mostrou como a função lúdica é importante na formação da criança e no seu 
desenvolvimento moral. Nós, como adultos, professores ou pais, podemos e devemos, por meio dessas 
obras, inserir as crianças no mundo literário infantil, a fim de estimulá-las a refletir sobre os livros, bem 
como desenvolver sua criatividade.
As personagens de Monteiro Lobato marcaram época e foram utilizadas por outros escritores em 
suas obras. Por exemplo, cita-se o cartunista Ruy Jobim Neto, que fez três historinhas sobre o Sítio do 
pica-pau-amarelo.
Lobato preocupou-se com a nacionalização da literatura, buscando abrir as portas para a criatividade 
da Literatura Infantil. Trouxe o mágico à realidade comum e familiar da criança com absoluta naturalidade, 
dando vida aos aspectos culturais do nosso cotidiano por meio da criação de seus heróis reais ou 
fictícios, seus mitos, conquistas da Ciência etc.
 Saiba mais
Para saber mais sobre Monteiro Lobato Monteiro Lobato, leia: 
CECCANTINI, J. L.; LAJOLO, M. Monteiro Lobato - livro a livro. São Paulo: 
UNESP, 2008.
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 Observação
Apesar de Monteiro Lobato ser considerado racista e o MEC ter recebido 
solicitações para retirada de seus livros das escolas, Nelly Novaes Coelho, 
estudiosa de autores infantojuvenis, o defende, alegando que a literatura 
tem a função de explorar a realidade, e não se pode apagar a escravidão da 
história brasileira.
5.1 Literatura infantojuvenil e escola
5.1.1 A construção da infância e a Literatura Infantil
Somente com a ascensão da burguesia, quando surge a necessidade de se estabelecer novos laços 
familiares, é que a infância passa a ser respeitada. Nessa época, há grande preocupação com os laços afetivos 
que unem a família, a fim de impedir que terceiros entrem nos negócios internos, evitando, assim, a divisão 
de bens.
A criança é analisada de acordo com sua faixa etária, para que a classe dominante possa exercer 
influência em sua formação e manipular suas emoções. Para essa nova estruturação social, a Literatura 
Infantil e a escola serão de fundamental importância. Essa nova família:
foi estimulada ideologicamente pelo estado absolutista e, depois, pelo 
liberalismo burguês, que encontraram neste núcleo o suporte necessário 
para centralizar o poder político e contrabalançar a rivalidade da nobreza 
feudal, ela recebeu o aval político para irradiar seus principais valores: a 
primazia da vida doméstica, fundada no casamento e na educação dos 
herdeiros; a importância do afeto e da solidariedade de seus membros; a 
privacidade e o intimismo enquanto condições de uma identidade familiar 
(ZILBERMAN, 1985, p. 14).
A Literatura Infantil nasce com a missão de educar e de transmitir valores, portanto, não é vista 
como arte, e sim como um instrumento didático para servir à multiplicação da norma em vigor. Assim, 
é dever da escola participar do processo de manipulação da criança, para conduzi-la a acatar a norma 
vigente, a da classe dominante, a burguesia.
Aspectos importantes da Literatura Infantil:
• os primeiros livros para crianças foram elaborados e publicados somente no final século XVII e no 
século XVIII, pois, até então, não respeitavam a infância tal como ela é;
• a valorização da infância é uma característica fundamental do modelo familiar burguês;
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• a nova valorização da infância permitiu maior união familiar, bem como o controle do seu 
desenvolvimento emocional e intelectual;
• foram as modificações sociais e políticas acontecidas na Idade Moderna que propiciaram o 
surgimento da escola, e, assim, a Literatura Infantil passa a ser utilizada como um instrumento de 
manipulação.
Atualmente, segundo Zilbermam (1985), a literatura e a escola devem se tornar um espaço para a 
criança refletir sobre sua condição pessoal, despertando seu potencial criador, “[...] a Literatura Infantil 
deve ser levada a realizar sua função formadora, que não se confunde com uma missão pedagógica” 
(ZILBERMAN, 1985, p. 25).
A autora ainda destaca como o docente deve trabalhar com a Literatura Infantojuvenil:
o professor que se utiliza do livro em sala de aula não pode ser igualmente 
um redutor, transformando o sentido do texto num número limitado de 
observações vistas como corretas (procedimento que encontra seu limiar 
nas fichas de leitura, cujas respostas devem ser uniformizadas), para que 
possam passar pelo crivo do certo e do errado; [...] ao professor, cabe o 
detonar das múltiplas visões que cada criação literária sugere, enfatizando 
as variadas interpretações pessoais, porque estas decorrem da compreensão 
que o leitor alcançou do objeto artístico, em razão de sua percepção singular 
do universo representado (ZILBERMAM, 1985, p. 24).
Sendo assim, podemos inferir que o professor, ao trabalhar a Literatura Infantojuvenil em sala de 
aula, deverá escolher a literatura ideal para cada faixa etária. Assim, o educador deverá propiciar formas 
de motivação, despertar na criança ou jovem o interesse e a compreensão do assunto em foco. Quando 
o professor conta histórias, ele transforma coisas sérias em brincadeiras, e essas narrativas estimulam a 
análise das crianças, por isso é preciso o docente teatralizar sua voz, mudando seu tom e sua entonação 
durante sua exposição.
Zilberman (1985) destaca que o professor deve dominar critérios de julgamento estético que permitam 
a seleção de obras de valor, além de ter conhecimento do conjunto literário destinado às crianças, 
considerando a trajetória histórica (origem e evolução), os autores atuais, nacionais e estrangeiros mais 
representativos.
A criança é influenciada por sua leitura, por isso o professor deve fazer uma escolha criteriosa dos 
assuntos que serão abordados em sala de aula. Existem vários sites na internet que sugerem critérios 
para uma boa seleção de livros infantojuvenis. Vale a pena consultar.
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 Saiba mais
Para saber mais sobre como selecionar livros infantojuvenis, acesse 
os sites: <www.cadernosdapedagogia.ufscar.br/index.php/cp/article>; 
<www.miniweb.com.br/literatura/artigos/leitura.html>; e <www.
pedagogiaaopedaletra.com/.../literatura>.
5.2 a importância da Literatura infantojuvenil para o pedagogo
Para muitos professores, a Literatura Infantojuvenil não precisa ser trabalhada em sala de aula. Basta 
listar os livros que deverão ser lidos no semestre, e, posteriormente, cobrá-los na avaliação. A magia 
dessa leitura, a viagem para dentro do livro e a compreensão dos símbolos contidos ficam para outro 
momento ou outro professor.
O hábito da leitura é desenvolvido nos primeiros 12 anos de vida, e se faz necessário que professores e 
pais se conscientizem do importante papel que terão: incentivar esses jovens a se concentrar nessa jornada.
Sem dúvida, o meio social terá grande influência também, mas, por outro lado, hoje as escolas 
recebem inúmeros livros didáticos e paradidáticos. Mesmo as classes menos privilegiadas podem ter 
acesso à Literatura Infantojuvenil, porém é necessário que a escola disponibilize espaço e tempo para que 
os alunos tenham oportunidade de tocar, cheirar, ler e viajar nas histórias que encontrarão. Sendo assim, 
cabe ao professor desenvolver um trabalho criativo e sedutor, que desperte o interesse do educando 
para a leitura, porque é por meio deste veículo que poderá desenvolver suas habilidades na escrita e na 
leitura.
Portanto, a leitura é uma ferramenta importante para a construção do conhecimento, do 
desenvolvimento intelectual, ético e estético do ser humano.
A dificuldade em desenvolver a leitura está relacionada ao acervo, à experiência dos docentes e ao 
escasso apoio da equipe escolar. Aprender as diferentes formas de leitura corresponde a saber interpretar 
os textos de vários tipos e gêneros textuais que circulam. Para que se estimule a leitura, é necessário 
deixar que os alunos tenham acesso às informações, aos jornais, aos livros, aos vídeos, às histórias em 
quadrinhos, às poesias etc.
5.2.1 A Literatura Infantojuvenil na sala de aula
Você já pensou na importância da Literatura Infantojuvenil para seus alunos?
Literatura é uma arte que desperta as emoções. Sensibilizar é fundamental para estimular o gosto 
estético. Assim, precisamos descobrir esse caminho, aprendendo a apreciar, a sentir, a interpretar, a criar 
etc. A Literatura Infantojuvenil é a chave para a construção desse processo.
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A Literatura Infantojuvenil se justifica no curso de graduação de Pedagogia pela necessidade dofuturo docente estar preparado e dotado de instrumentos adequados ao cumprimento de sua função 
didática. Assim, essa disciplina tem o intuito de despertar no futuro professor o gosto literário, para 
que ele possa pôr em prática suas experiências. Com isso, o professor estará mais consciente frente ao 
essencial e precioso universo da literatura.
O docente, sentindo-se capaz de criar e estando consciente da importância dos benefícios que o 
processo criador atribui à formação da criança e do adolescente, terá condições de oferecer oportunidades 
para que o aluno liberte sua imaginação, desenvolvendo e despertando sua curiosidade para a realidade 
que o cerca.
[...] o fazer literário pode ser muito bem explorado desde cedo, despertando 
a criança, inclusive, para o caráter socializante da literatura: autor-leitor. 
Então, por que não oferecer ao aluno a possibilidade de se posicionar como 
autor – desenvolver seu livro, nele criar a sua realidade, seus anseios, e, por 
meio de sua linguagem, descobrir seu gosto estético? Assim, teremos uma 
literatura criada pelos próprios alunos [...] (ANGELINI, 1991, p. 13).
Usando o fazer literário com intencionalidade, podemos, então, propiciar à criança e ao jovem o seu 
desenvolvimento de forma harmoniosa, intervindo em seu aspecto físico, psíquico e espiritual. Ainda, 
por meio do trabalho com a Literatura Infantojuvenil, outros objetivos podem ser alcançados como o 
desenvolvimento de sua capacidade de comunicação verbal e não verbal, pois, o educando, à medida 
que pensa e escreve, desenvolve a linguagem oral e escrita, além de adquirir conhecimentos culturais e 
artísticos.
Será que somente esses aspectos são trabalhados nesta área? A leitura estimula a observação, o 
pensamento reflexivo, o senso crítico e também aprimora seu gosto estético.
Para a prática dessa proposta, não existem obstáculos, desde que o 
professor queira apoiar o aluno no processo da criação. É importante, então, 
que o próprio professor vivencie essa caminhada para poder despertar 
e possibilitar a formação de seres modificadores, que possam responder 
ativamente. Para tanto, o tom autoritário que desvaloriza, desmerece e 
oprime tem que ser banido da sala de aula, cedendo lugar à integração e à 
valorização no próprio processo educativo — formativo e criativo do aluno 
(ANGELINI, 1991, p. 14).
5.3 Literatura infantojuvenil — arte literária ou recurso pedagógico?
Ainda hoje uma questão tem sido levantada acerca da Literatura Infantil: ela pertence à arte literária 
ou à área pedagógica?
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[...] se analisarmos as grandes obras que através dos tempos se impuseram 
como “Literatura Infantil”, veremos que pertencem simultaneamente a essas 
duas áreas distintas: a da Arte e da Pedagogia. Sob esse aspecto, podemos 
dizer que, como “objeto” que provoca emoções, dá prazer ou diverte, e, 
acima de tudo, “modifica” a consciência de mundo de seu leitor, a Literatura 
Infantil é arte. Por outro lado, como “instrumento” manipulado por uma 
intenção “educativa”, ela se inscreve na área de Pedagogia (COELHO, 1982, 
p. 24, grifo do autor).
Não podemos deixar de compreender que a escola e a literatura devem se tornar o lugar para 
a criança refletir sobre sua condição pessoal. A literatura não deve ser trabalhada apenas com fins 
pedagógicos, ela deve possibilitar a ampliação de uma visão crítica e desencadear uma postura reflexiva 
perante a realidade, bem como desenvolver a sensibilidade da criança, seu gosto estético, a criatividade 
e a autoria.
[...] Felizmente, para equilibrar a balança, há já uma produção infantil e juvenil 
de alto ou muito bom nível, que conseguiu, com rara felicidade, equacionar 
os dois termos do problema: literatura para divertir, dar prazer, emocionar 
[...] e que, ao mesmo tempo, ensina modos novos de ver o mundo, de viver, 
de pensar, de reagir, de criar [...] E, principalmente, mostra-se consciente 
de que é pela invenção da linguagem que essa intencionalidade básica é 
atingida [...] (COELHO, 1982, p. 25-26).
A Literatura Infantojuvenil deve propiciar à criança o sonho, a imaginação, a fantasia, a possibilidade 
de interpretar e recriar o mundo à sua volta. Quanto à leitura, é preciso orientar a criança para o sentido 
lúdico e prazeroso de ler, não se deve coagi-la, isto é, não forçá-la para que ela possa ter uma relação 
gostosa, de lazer com o seu universo literário.
Para que os futuros professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental possam utilizar em 
suas aulas os recursos estéticos, lúdicos e pedagógicos da Literatura Infantojuvenil, é preciso que eles 
tenham subsídios necessários. O docente deve ter em mente que, ao trabalhar a leitura de histórias com 
frequência, o prazer da leitura se consolidará. Ressalta-se que, para a escolha das leituras para crianças, 
jovens e adolescentes, o professor deverá obedecer aos estágios de desenvolvimento psicológico dos 
estudantes.
Obedecer às diversas etapas do desenvolvimento infantil (estabelecidas 
pelas pesquisas da Psicologia Experimental) vem sendo a preocupação 
fundamental de todos que têm a seu cargo a educação de crianças. [...] 
Apesar das óbvias diferenças que existem entre as crianças da mesma 
idade (pois o crescimento físico, o desenvolvimento psíquico-intelectual, a 
evolução da afetividade, da sensibilidade e dos interesses em geral dependem 
diretamente de várias causas interligadas), conseguiu-se estabelecer fases 
que são consideradas normais no desenvolvimento da criança (COELHO, 
1982, p. 11).
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O caminho para a compreensão da criança será realizado por meio dos estudos de Piaget — os estágios 
de desenvolvimento psicológico da criança. Assim, o mestre deve sintetizar as diferentes interpretações 
de cada etapa no desenvolvimento da criança e o tipo de literatura mais adequada.
A seguir, estudaremos essas fases de desenvolvimento e os estágios psicológicos da criança descritos 
por Coelho (1982).
6 eStágiOS pSicOLógicOS da criança e a Literatura
6.1 primeira infância: movimento e emotividade (dos 15/18 meses aos 3 anos)
Neste momento, a criança interage com o meio por meio do tato, e é interessante o professor 
trabalhar com livrinhos que possuam figuras com diferentes texturas; deve-se incentivar a criança a 
manuseá-los, a fim de perceber as lisuras ou asperezas do material. A criança necessita da expansão 
da motricidade, e esta descoberta dar-se-á não só pela descoberta de si mesma, mas também pelo 
incentivo e participação de outras pessoas com as quais convive (COELHO, 1982).
Cabe lembrar que, se a criança aprende pela imitação, é de suma importância o “outro social”.
A natureza do próprio desenvolvimento se transforma do biológico para o 
sócio-histórico. O pensamento verbal não é uma forma de comportamento 
natural e inato, mas é determinado por um processo histórico-cultural e 
tem propriedades e leis específicas (VYGOTSKY, 1989, p. 44).
Portanto, se o meio sócio-histórico-cultural é que irá influenciar no desenvolvimento da linguagem, 
e é esta que irá organizar as formas de pensamento, o “outro social”, os livros, as pessoas e os contadores 
de histórias serão imprescindíveis nesta etapa de aquisição.
A literatura mais adequada é a que se identifica com o jogo. Livros de imagens (álbuns de figuras) 
que estimulam a percepção visual e motriz, livros de pano etc. são desejáveis. A música e o canto fazem 
parte da iniciação literária ou cultural dessa fase.
 Saiba mais
Para saber mais sobre a linguagem, leia: VYGOTSKY, L. S. Pensamento e 
linguagem. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
6.2 Segunda infância: fantasia e imaginação (dos 3 aos 6anos)
Esta fase é marcada pelo uso do faz de conta, é a fase lúdica; o pensamento mágico se torna realidade. 
As coisas são dotadas de vida, vontade e de intencionalidade, é a “fase do animismo” (COELHO, 1982).
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Os livros devem apresentar elementos familiares ao mundo da criança. Recomendam-se textos 
que tratem de situações cotidianas, os contos de animais, as fábulas simples os contos maravilhosos 
e alguns vídeos.
 Saiba mais
Um bom exemplo de filme para a fase apresentada é: Alice no país das 
maravilhas. Direção de Tim Burton. EUA: 2010 (108 minutos).
O filme Alice no país das maravilhas relata a história de uma menina curiosa, de imaginação muito 
fértil, que, ao adormecer embaixo de uma árvore, viaja ao País das Maravilhas. Lá, encontra o coelho 
branco, que será seu cicerone naquele mundo diferente e cheio de magia. Lá, conhece o Gato Risonho 
e a Lagarta, toma chá com a Lebre Maluca e o Chapeleiro Louco, e também participa de um jogo de 
croquet com a Rainha de Copas.
Exemplo de aplicação
Com base no filme citado anteriormente, elabore um plano de aula respondendo às seguintes 
questões:
• por que trabalhar com esse filme?
• quais conteúdos serão trabalhados com o filme?
• qual o objetivo a ser atingido?
6.3 terceira infância: pensamento racional e socialização (dos 7 aos 11 anos)
Neste estágio, o faz de conta aos poucos vai sendo substituído pelo pensamento racional. É apenas 
o início da racionalidade, porque a criança ainda não abandonou de vez suas características infantis. 
Gradativamente, ela toma consciência do ego, e, então, surge a capacidade de estabelecer novas relações 
entre si e com os outros (COELHO, 1982).
O aparecimento do raciocínio lógico irá permitir o desenvolvimento das operações mentais, o 
que favorecerá o aprendizado da leitura e da escrita. A imaginação e a realidade se fundem. Sendo 
assim, os livros mais adequados são aqueles que realçam as situações de aventura ou mistério 
(a presença do heroico é essencial); histórias alegres; narrativas populares; novelas policiais e 
narrativas do cotidiano.
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6.4 pré-adolescência: pensamento reflexivo e idealismo (dos 11 aos 16 anos)
Neste período, a capacidade de abstração e o pensamento hipotético-dedutivo da criança estarão 
prontos para assimilar o mundo que a rodeia. Por esse motivo, aprofunda-se o conhecimento do mundo 
com as noções abstratas: de tempo; de espaço; de causalidade; de número; e de semelhanças ou 
diferenças entre os elementos que compõem o seu universo concreto (COELHO, 1982).
A literatura adequada é a que realça a ação dos heróis ou heroínas — personagens que lutam por um 
ideal humanitário. Recomendam-se também os romances com grandes aventuras, os mitos, as lendas, 
as novelas de ficção científica, os contos realistas etc.
6.5 adolescência: ânsia de viver — aventura — busca e revolta (a partir dos 
17/18 anos)
As mudanças psicossociais farão que os jovens busquem a compreensão da essência das coisas, 
o porquê dos fenômenos. Surgirá também a necessidade de ajustamento social do mundo “adulto”. 
Haverá mudanças no corpo do adolescente bem como oscilações hormonais, o que favorecerá o 
despertar da sexualidade e o surgimento dos conflitos existenciais entre a ânsia de viver com a ânsia 
de saber.
É difícil delimitar a literatura mais adequada a essa fase. Diferentes gêneros literários podem atrair 
o jovem nessa fase, como: poesia, aventuras que envolvam a realização do ser; histórias humorísticas; 
livro de mistério; romances policiais; ficção científica; livros que tratem das relações sexuais; teatro etc. 
(COELHO, 1982).
Nesta aula, você observou como é importante o professor conhecer a criança e seu desenvolvimento. 
É fundamental que o docente conheça seu aluno e saiba trabalhar com textos mais adequados aos 
estudantes. Ainda, é imprescindível proporcionar oportunidade de o futuro professor conhecer, estudar, 
analisar e valorizar os autores brasileiros da Literatura Infantojuvenil.
7 cOmO avaLiar O textO LiteráriO — critériOS de anáLiSe
7.1 Literatura infantil — aspectos a serem desenvolvidos
A Literatura Infantil não pode trair seu leitor com livros que sejam meramente educativos. Sua 
função é entreter e instruir o leitor para que este tire suas próprias conclusões das obras trabalhadas. 
Ser infantil não significa ser “menor”, ingênuo, fraco ou ser indiferente aos sentimentos.
É muito importante trabalhar com textos polissêmicos, ou seja, que apresentem diversos significados. 
Tendo por objetivo desenvolver o gosto estético, o prazer pela leitura, a valorização da cultura — costumes 
e tradições, a Literatura Infantojuvenil influirá diretamente no processo educativo e formativo do ser. 
Dessa forma, o futuro professor deve ter consciência da importância dos critérios de análise dos livros 
para crianças, bem como conhecer seu desenvolvimento psicológico.
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Mas como levar o futuro professor a avaliar uma obra infantil?
É preciso que o docente conheça e leia diferentes textos infantojuvenis, verificando, seja no texto 
em prosa ou em verso: suas características; seu valor artístico; a consciência de mundo do autor; a 
mensagem etc.
O texto muito ingênuo, tolo, torna a leitura cansativa, a história fica sem expressão — não atraente, 
e a criança o rejeita por ser limitado, pois não abre caminhos à sua imaginação. Dessa forma, o valor 
artístico se perde com o empobrecimento da matéria literária.
Há muitos poemas que apresentam apenas a rima, não possuem muito conteúdo e oferecem 
valores ultrapassados que reforçam apenas as aparências e uma ingenuidade tola. Por isso, torna-se 
imprescindível esclarecer o futuro professor sobre os critérios a utilizar para a avaliação do texto literário.
7.2 como avaliar o texto literário?
A análise do texto procura todas as possíveis relações entre a escrita literária e o universo criado por 
ela (que é a obra em seu todo). Também busca as relações entre a obra e seu momento histórico, social, 
político, econômico e cultural.
Com esse processo, tentamos descobrir: em que medida a obra difere ou não dos esquemas 
consagrados em seu tempo; e em que medida sua matéria literária pode ser diluidora (fórmulas de 
textos já desgastadas, sem nenhuma preocupação com a arte literária).
Uma análise literária avança a partir de uma série de perguntas:
a) O que a obra transmite?
b) Qual seu enredo, assunto, trama?
c) Como isso é expresso em escritura literária? Quais os recursos de linguagem ou de estrutura 
escolhidos pelo autor?
d) Qual a intenção que predomina nessa escolha: a estética ou a ética? (a primeira dá ênfase ao fazer 
literário; a segunda, aos padrões de comportamento [...]).
e) Qual a consciência de mundo (ou sistema de valores) ali presente ou latente? Há ou não coerência 
orgânica na construção da obra entre estilo, recursos expressivos, problemática e consciência de 
mundo? (é essa organicidade que lhe dá o valor de obra literária).
f) Qual a intencionalidade do autor que pode ser percebida na obra?
g) Qual seria sua finalidade em relação ao leitor? Divertir, instruir, educar, emocionar, conscientizar? 
(COELHO, 1982, p. 27)
Coelho está apenas sugerindo algumas questões para trabalhar com textos literários, estas serão 
úteis no momento de se fazer a avaliação; elas indicam um caminho para o futuro professor poder 
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realizar uma leitura, reflexiva, pois isso o levará a perceber melhor o texto, suas ideias e intenções em 
relação ao seu discurso literário. Esses aspectos são fundamentais para uma leitura crítica, o docente 
poderá desvendar o “currículo oculto”, isto é, quais as intenções verdadeiras existentes por trás dos 
textos, que, aparentemente, inocentes; também será possível levar o leitor a encontrar o “belo” na obra 
literária, o seu valor estético, um princípio básico da Arte.
A análise da obra literária ajuda o professor a perceber a consciência de mundo implícita a ela e o 
seu valor literário e a avaliar a obra literária infantojuvenil, pois a criança ainda é um leitor imaturo 
intelectualmente. O docente precisa cultivar na criança, por meio da leitura e da interpretação, um 
espírito crítico e reflexivo.
7.3 como avaliar a imagem da obra literária infantojuvenil?
A ilustração de um texto ocorre fundamentalmente em livros para pequenos leitores, para aqueles 
que ainda não sabem ler as palavras, pois é um símbolo complexo e depende de um aprendizado para a 
relação convencionalmente estabelecida entre a palavra e o ser a que se refere. Para que se desenvolva 
o gosto pela futura leitura e o prazer pelas histórias que são lidas para as crianças, a ilustração é um 
recurso essencial a essa fase.
A imagem possibilita à criança mergulhar no universo encantado da Literatura Infantil; o ilustrador, 
o editor e mesmo o professor têm grande responsabilidade ao escolher um livro para as crianças que 
ainda não construíram seu processo de leitura e escrita. O livro de Literatura Infantil, quando escrito e 
ilustrado com arte, é o encontro de pelo menos dois artistas, que propiciam à criança o prazer por ler a 
imagem e contar sua história.
[...] ilustrar não significa desenhar e pintar com perfeição para reproduzir o 
texto, o que deve ser ressaltado é o valor artístico da técnica a ser utilizada: 
desenho, pintura, colagem etc. É essencial saber jogar criativamente com 
cores e formas, pois a imagem deve ser um caminho para o despertar da 
imaginação; portanto, não deve reproduzir o texto escrito nem se distanciar 
da história. Os dois tipos se limitam, não dão chance ao leitor de imaginar. 
A ilustração, como o texto, com valor artístico, aflora a sensibilidade e leva a 
criança ao gosto estético, permitindo que mergulhem no mundo da fantasia 
(ANGELINI, 1991, p. 27-28).
A ilustração estereotipada, a qual não oferece ao leitor qualquer possibilidade de imaginar, por não 
apresentar inovação, torna-se muito simples, e, geralmente, sua intenção é reproduzir o texto ou se apoiar no 
colorido para chamar a atenção. Ainda há ilustrações que se distanciam do texto e outras que o traduzem. As 
duas propostas estão equivocadas por não apresentarem nada de criativo e sugestivo à criança.
Outro aspecto a considerar é o exagero de detalhes:
Um engano muito frequente nas edições infantis é supor que o número de 
elementos e a superposição de detalhes sejam dados positivos com relação 
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à criança. Muitas vezes, a ilustração perde a unidade, desintegra o texto e 
torna-se um amontoado de mau gosto. Há livros que chegam a apresentar, 
nas linhas do próprio texto, desenhos “traduzindo” as palavras da história. 
Diferem das cartas enigmáticas, porque trazem as palavras escritas ao lado 
do desenho. As cartas enigmáticas são mais interessantes, porque pelo 
menos são como um jogo (CUNHA, 2004, p. 76).
Portanto, a ilustração deve ser pensada e repensada em sua aplicação, porque é um elemento que 
poderá desenvolver o gosto ou não pela leitura.
8 a iLuStraçãO e O pequenO LeitOr — aSpectOS impOrtanteS
Para crianças bem pequenas, é interessante trabalhar com livros em que prevaleça a ilustração; o 
texto deve ser curto e levar a criança ao encontro das imagens.
Nessa fase, pode-se apresentar à criança os “livros-vivos” (nomenclatura usada na França) ou 
livros-brinquedo. Estes são livros que têm apelo visual, suas imagens são ferramentas que entram no 
universo lúdico da criança, possibilitando o prazer com o texto. Os “livros-vivos” funcionam também 
como estratégia para atingir os não leitores; são os livros com diferentes texturas, formatos, sons, que 
propõem uma interação maior com a criança, pois se identificam com os jogos.
Destacam-se também os “álbuns de figuras” ou os livros de imagens, que estimulam a percepção 
visual e motriz das crianças e atendem às necessidades básicas da primeira infância. O material desses 
livros pode ser de pano, plástico, papel grosso etc. Esse é o momento em que, ao mesmo tempo em que 
as crianças descobrem as formas concretas do mundo e dos seres à sua volta, ela também começa a 
conquista da linguagem.
Veja algumas dicas:
• para crianças que já iniciaram seu processo de leitura, deve-se predominar a ilustração, o texto 
deve ser curto e apresentar letras grandes, como no “álbum de figuras”;
• para crianças que já desenvolveram sua leitura, é importante reduzir as ilustrações e colocar o 
texto em evidência;
• para crianças de nove, dez anos e que já são leitoras, os livros podem conter imagens, mas o 
professor deve incentivá-las a ler livros sem imagem.
Se o texto for suficientemente interessante e o livro tiver uma boa 
diagramação, a leitura não “pesará” à criança. Se for difícil, devemos tomar 
o fato como um alerta: talvez ela tenha sido exageradamente “poupada” 
pelas leituras muito fáceis e cheias de gravuras. O excesso de ilustrações 
nessa fase é sinal do quanto subestimamos a criança, não considerando que 
seja capaz de qualquer esforço intelectual (CUNHA, 2004, p. 75).
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8.1 paginação e diagramação
A relação texto-imagem-espaço é que vai dar ao livro momentos especiais, marcar diferentes 
sentimentos que se queira sugerir, como suspense, expectativa, surpresas; são momentos cruciais e 
envolventes à história.
Outros elementos também são essenciais: o tipo de papel, de capa e a forma de acabamento do livro. 
Tais aspectos vão determinar a qualidade artística do livro, bem como o seu custo. Quanto à editoração 
de livros infantojuvenis, é preciso cuidar da ilustração com o mesmo cuidado em relação ao texto.
Há muitos aspectos que devemos avaliar para a indicação de um bom livro na Literatura 
Infantojuvenil. Dessa forma, compete aos educadores ampliar sua visão frente ao universo da 
Literatura Infantojuvenil como arte.
Aspectos relevantes:
• as ilustrações dos livros infantis devem ser reduzidas à medida que as crianças evoluam na leitura;
• a ilustração nasce da leitura que um artista fez de outro artista, o escritor;
• a ilustração artística deve ser conotativa;
• para as crianças pequenas, é preciso prevalecer a ilustração no livro, cujo objetivo é desenvolver 
seu interesse pela leitura;
• para crianças que começaram a ler há pouco tempo, ainda se deve trabalhar com livros em que as 
imagens predominam;
• a ilustração no campo da Literatura Infantil só é válida se for artística;
• à medida que a criança evolui na leitura, as ilustrações devem ser reduzidas.
8.2 como e por que desenvolver a criação de um livro infantojuvenil?
Essa pergunta é fundamental para que o professor possa se ver como um agente transformador, ser 
capaz de ousar e possibilitar a seus alunos espaços de autoria e criatividade.
Acredito que criar é essencial à natureza humana; dentro desse princípio 
e de minha função – ser professora. Soltei as amarras, mergulhando numa 
grande aventura e descobri dentro do magistério que, antes do professor 
ensinar, ele tem muito a aprender, a criar, desde que esteja aberto a uma 
postura de troca,onde todos têm algo a aprender. O aluno traz riquíssimas 
experiências quando solicitados a participar de seu processo formativo e 
educativo, apresentando uma infinidade de caminhos, por meio de técnicas, 
jogos vivenciados e renovados de acordo com suas necessidades; assim, 
engajado no processo, o aprender torna-se agradável e rico a ambos 
(ANGELINI, 1991, p. 5).
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Atualmente, temos a necessidade de encarar a construção dos processos de leitura e escrita como 
autoria e criatividade, e a literatura infantojuvenil – a arte da palavra – pode propiciar essa aventura. 
Aventura no sentido de levar o aluno ao mundo da imaginação, da subjetividade, da estética, pelo prazer 
de ler, escrever e ser autor de sua história de vida.
Nossa proposta é sensibilizar o aluno frente à vida, à sua história. A criança é essencialmente 
narradora, gosta de ouvir e contar histórias, principalmente de ouvir sobre sua história. Isso está se 
perdendo por conta do desencontro entre pais e filhos. Dessa forma, a escola pode propiciar esses 
espaços e aproximá-las da literatura, das artes.
A criança é inventiva, adora criar — para ela, o ato de criar se identifica com o de brincar.
8.3 como envolver o aluno no processo criador?
A criança precisa ser estimulada para ler, contar e escrever. O professor é a chave para que esse 
processo se desenvolva. Envolver o aluno no processo criador é essencial, por isso, antes da criação do 
livro, ele deve vivenciar algumas técnicas para se inserir no mundo da arte da palavra.
Introduzir, num primeiro momento, o cantar, o gosto por ouvir músicas, 
poesias e histórias para levar o aluno ao encanto do ritmo das palavras 
é importante. O caminho da literatura oral dará condições à criança e 
ao adolescente de desenvolver a linguagem oral, corporal, plástica, e, 
consequentemente, a escrita; o prazer em ouvir a levará a contar, e, na 
infância, a criança é essencialmente narradora (ANGELINI, 1991, p. 33).
Dessa maneira, cabe ao professor desenvolver propostas que sensibilizem seu aluno para a leitura 
e a escrita. É sempre muito importante conduzir os estudantes à leitura e à análise de diferentes livros 
e gêneros literários da Literatura Infantojuvenil: histórias, poesias, crônicas, imagens, quadrinhos etc.
É importante fazer que os alunos observem a construção de um livro: texto, ilustrações, paginação, 
diagramação, a forma do livro, tipo e tamanho das letras, a montagem do livro, sua encadernação, bem 
como observar a capa, autor, ilustrador e editora. O objetivo é instigá-lo a criar o seu livro, a escrever e 
a ilustrar sua própria história. À medida que o aluno se envolve com a atividade, mais vontade tem de 
criar.
Depois de todo um trabalho prévio de motivação, está na hora do aluno ser autor, criar seu livro. 
Quanto à organização e montagem do livro, são necessárias algumas orientações, como: dados sobre a 
capa – título do livro; nome do autor; e uma ilustração sugestiva e atraente, que se prenda à essência da 
história. O aluno pode usar o material que quiser, e, quanto à ilustração, pode trabalhar com a técnica 
que melhor dominar: desenho, colagem, fotografia, pintura etc.
Em relação à produção do texto, cabe ao professor ajudar o aluno em sua revisão e torná-lo consciente 
que tudo que escrevemos é para um leitor, e, assim, devemos escrever com cuidado e respeitar as 
normas gramaticais de nossa língua. É preciso orientá-lo na organização do texto, se usará narrativa ou 
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poesia, pois a maneira de escrever deve obedecer a critérios da modalidade de texto. Esse é um trabalho 
fascinante; o aluno se realiza enquanto autor e expressa em seus livros sua realidade, e, ao discutir seus 
problemas, facilita seu processo educativo, formativo e criativo. Uma satisfação imensa invade a sala de 
aula — é o poder da palavra nas mãos.
O importante é que o trabalho que nasce da Literatura Infantil deixa marcas importantes para a vida 
da criança e de todo aquele que experimenta o ato de criar.
Veja as palavras de uma aluna de onze anos, de uma escola da rede pública da cidade de Diadema, 
onde foi vivenciada a criação dos livros:
Eu adoro escrever, porque é escrevendo que eu solto minha imaginação e 
digo o que penso. Criando meu livro, descobri que sou capaz de escrever 
outros. Lendo bons livros infantojuvenis, sinto-me feliz, e foi com um 
desses livros que eu comecei a me interessar por livros de todas as espécies 
(ANGELINI, 1991, p. 56).
O livro possibilita a construção de leitores e escritores. Ter a oportunidades de escrever aguça a 
imaginação, a criação e a curiosidade presentes desde a infância e que são tão obstruídas pela sociedade.
Aspectos relevantes:
• o professor deve estimular a criança a criar dentro da construção de seus processos de leitura e 
escrita, isso possibilita o desenvolvimento da autoria;
• a criança é um ser de histórias, de narrativas; por isso, pais e professores devem contar histórias;
• a Literatura Infantojuvenil é um instrumento valioso para despertar o gosto pela leitura, desde 
que o professor saiba trabalhar com a literatura enquanto arte;
• o professor deve estimular a criança a ouvir e ler histórias, isso despertará sua vontade por escrever 
outras histórias;
• a criança, ao escrever uma história, está desenvolvendo seu processo de autoria e criatividade;
• a Literatura Infantil deve entrar na escola apenas como um recurso didático;
• o professor precisa conhecer o desenvolvimento psicológico da criança para saber qual o livro 
adequado à sua faixa etária;
• o docente deve deixar a criança expor oralmente sua interpretação sobre o livro lido: texto, 
ilustração, paginação e diagramação;
• ao se aventurar no processo da criação, a criança pode apresentar muita insegurança, é preciso 
que o professor a apoie e a estimule nesse momento;
• para a criação de um livro, o professor deve conversar com a criança a respeito da organização do 
texto, sobre os aspectos da ilustração e como montá-lo;
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• em relação ao processo de ilustração, o que deve ser ressaltado é o valor artístico da técnica a ser 
utilizada. Deve-se saber trabalhar com cores e formas;
• quanto à narrativa, precisa-se pensar na adequação da obra em relação à idade da criança.
Devemos considerar três fases para a Literatura Infantil:
Fase do mito — crianças de três/quatro anos a sete/oito anos.
Características: predomínio da fantasia, do animismo: para as crianças, 
pessoas e objetos têm alma. Não existe diferença entre a realidade e a 
fantasia. A leitura adequada a essa fase é a dos contos de fadas, as lendas, 
os mitos e as fábulas.
Fase do robinsonismo — crianças de sete/oito anos a onze/doze anos.
Características: conhecimento da realidade; a criança tem maior necessidade 
de ação; interessa-se pela experiência do homem e da ciência; valoriza o esforço 
pessoal, o engenho do herói para vencer obstáculos. A literatura adequada 
a essa fase é o romance de aventura, o relato histórico, relatos mitológicos. 
Nessa fase, meninos e meninas têm interesses diferentes, as meninas têm uma 
tendência maior ao sonho, à irrealidade, ao romantismo da terceira fase.
Fase do pensamento racional — crianças de onze/doze anos até a adolescência.
Características: domínio das relações abstratas; surge uma segunda fase 
egocêntrica, a criança preocupa-se consigo mesma, em sua relação com 
os outros; há a preocupação sexual; as questões pessoais apresentam valor 
essencial, por isso seu interesse porromances. A leitura adequada a essa fase é a 
romântica, pelo caráter de seus heróis e por seus temas (CUNHA, 2004, p. 101).
O que o professor deve lembrar é que as crianças e jovens devem ter acesso a todo tipo de obra 
literária e que possam expressar-se livremente sobre os textos lidos.
8.4 O teatro na escola — uma atividade completa
O futuro professor deve saber da importância de se trabalhar com o teatro desde os primeiros anos 
de escolaridade da criança. Essa atividade passa pelo corpo, pelo organismo, pelo afeto, pela cognição, 
pelas relações, pelo inconsciente. Também desenvolve todos os aspectos inerentes à vida da criança: 
social, afetivo, cultural. É uma atividade envolve a criança como um todo, atingindo vários objetivos.
Para Casa Branca (1982), o teatro é um retrato de emoções, de sentimentos inerentes ao ser humano. 
Essa linguagem artística terá sua origem na Antiga Grécia, e, desde então, o mundo inteiro vive, participa 
desse espetáculo de emoções — o teatro.
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Veja a citação a seguir:
Acredito ser o teatro uma das formas mais completas para desenvolver 
integralmente a criança: envolve leitura, interpretação, redação, adaptação 
do texto, caracterização de personagens, representação-desenvolvimento da 
expressão facial e corporal das percepções; cenário-linguagem; sonoplastia; 
tudo isso é arranjado de forma integrada (ANGELINI, 1991, p. 41).
Lembrar aos alunos os elementos que fazem parte da montagem de uma peça teatral ajuda-os 
muito a se organizarem como:
a) produtor — indivíduo que escolhe o texto a ser encenado e se encarrega da parte financeira para 
montagem do espetáculo;
b) diretor — tem a ideia do texto como um todo e escolhe os atores;
c) cenógrafo — sua função é cuidar do ambiente-cenário;
d) figurinista — responsável pela vestimenta das personagens de acordo com a época a ser retratada;
e) iluminador — é o que organiza o jogo de luzes, sombra do ambiente etc., para causar um efeito 
especial aos diferentes momentos da peça;
f) sonoplasta — é o técnico do som, responsável pelas músicas e pelos ruídos.
Outros elementos são importantes para um trabalho profissional, como: o contrarregra; o 
maquiador; o administrador; a camareira etc. Todos eles colaboram para a organização da peça. 
Para desenvolvê-lo, pode-se apresentar a seguinte estratégia: diferentes livros infantojuvenis são 
oferecidos à classe, e os grupos devem escolher um livro. Quando a escolha não funcionar, o melhor 
é o sorteio.
Já com os livros, cada grupo desenvolverá o trabalho em conjunto. Em primeiro lugar, todos devem 
ler conhecer a história, perceber a mensagem e discuti-la; mesmo sendo uma peça teatral (o livro 
destinado ao grupo), é necessário o trabalho de readaptação para que ele possa ser apresentado na 
escola.
Depois, se o texto pertencer a outro gênero literário: conto; crônica; romance etc., será preciso 
reescrevê-lo, marcando as falas e o cenário para adaptá-lo à peça teatral.
Para a representação na escola, destacamos alguns pontos importantes:
a) Adaptação do texto:
• ler, entender, interpretar a história, guardando os fatos importantes;
• reescrever os momentos marcantes do texto;
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• conhecer as personagens física e psicologicamente e caracterizá-las;
• construir diálogos, destacando-os bem de acordo com as personagens;
• testar as falas e sua clareza;
• destacar os elementos principais de cada momento da história para a caracterização dos 
cenários, que devem ser poucos;
• a sonoplastia deve criar e envolver o espectador com diversos sons no momento em que a cena 
é apresentada;
• cenário, ação, falas e sonoplastia devem ser integradas;
• os atores devem transitar no palco com desenvoltura e saber o momento de entrar e sair das 
cenas, pois ninguém deve ficar sem movimento e/ou fala;
• havendo problemas com a memorização das falas, o melhor é improvisar;
• verificar a linguagem da obra — se é preciso ser fiel a ela, atualizá-la, modificá-la;
• não fugir à ideia central da obra;
• verificar o tempo de encenação e o público a que se destina;
• montar e ensaiar toda a peça, bem como verificar se faltou alguma coisa.
b) Estrutura da peça (aproveitar os momentos e situações mais interessantes e culminantes da obra):
• exposição — apresentação dos fatos e sugestão do problema proposto; é o momento de tensão 
(deve despertar o interesse do espectador pela história);
• conflito — ponto de maior tensão, o clímax da peça;
• desfecho — é o alívio da tensão, a solução do problema.
Para crianças muito pequenas, o tempo da peça não deve ser longo, a fim de não dispersá-las; para 
atingi-las, a história pode durar de vinte a trinta minutos.
Então, há um terceiro momento — a encenação — todos estão com o texto revisado e adaptado ao 
teatro. Assim, temos a:
c) Caracterização das personagens:
• estudar a personagem como um todo, física e psicologicamente falando;
• marcar falas e atitudes por meio da expressão corporal e facial; de acordo com o perfil psicológico, 
deve-se sugerir comicidade, tristeza etc., captar os sentimentos e emoções das personagens;
• desenvolver a capacidade de comunicação e melhorar a dicção;
• preparar a indumentária e a maquiagem.
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A quarta etapa é pensar nos números de atos (cada uma das partes em que se divide a peça); nas 
cenas (pontos culminantes de cada ato); no cenário — desenvolvimento da linguagem plástica, este deve 
ser construído de forma simples e imaginativa; quanto à sonoplastia, é preciso selecionar as músicas de 
fundo e/ou ruídos, bem como verificar a iluminação adequada.
O quinto passo corresponde aos ensaios frequentes que devem ser realizados, visando à apresentação 
à classe. Depois de a peça ser encenada, os alunos discutem a obra, a adaptação, a linguagem explorada; 
enfim, tudo o que despertar o interesse do público frente ao texto e à encenação.
Podemos, ainda, explorar junto aos alunos diferentes formas de apresentar o texto, como: 
o teatro de marionetes — utiliza-se um boneco em estrutura de madeira com pernas, braços e 
cabeça, estes são articulados e movimentados pelo ator, que lhe dará vida; o teatro de fantoche — 
usa-se um boneco confeccionado em tecido, borracha, pano, etc. em que é possível pôr as mãos 
(como luva), e o ator o movimenta. Para desenvolver esses tipos de teatro, basta confeccionar 
um pequeno palco de papelão ou madeira em formato de caixa para que as personagens possam 
atuar.
Por fim, destacamos: o teatro de sombra — nessa modalidade, por meio do jogo de luzes, criam-se 
diferentes situações; o teatro de vara — com cartolina e varetas, em que é possível criar personagens 
e manipulá-las (esta a técnica é simples e atraente); e o teatro de máscaras — os atores confeccionam 
diferentes máscaras utilizadas no momento da apresentação.
Quanto ao material a ser utilizado para a realização dos diferentes tipos de teatro, caberá ao aluno 
escolher, preferivelmente com sucata, algo simples e barato. O fundamental é que o grupo se preocupe 
em fazer o melhor com o que tem em mãos, explorando sua imaginação e trabalhando com carinho e 
respeito.
O tempo para elaboração desse trabalho varia; no entanto, as equipes precisam de pelo menos 
um mês para desenvolvê-lo, e, se não houver um lugar adequado na escola, a apresentação pode ser 
realizada na própria sala de aula.
A função do professor para essa atividade deve ser de muita 
responsabilidade, ele sempre precisa orientar, acompanhar, estimular e 
ajudaro aluno a vencer suas dificuldades. Em sala de aula, depois de 
todos terem lido as obras, as equipes podem desenvolver a adaptação do 
texto, cenário e dramatização. Por ser um trabalho que exige reuniões 
extraclasses, é preciso contar com o apoio e colaboração dos pais, para 
que o aluno se sinta seguro e tranquilo frente à atividade (ANGELINI, 
1991, p. 46).
O resultado é gratificante. O aluno cresce interiormente, desinibe-se, valoriza-se e respeita seu 
trabalho, tendo a oportunidade de vivenciar outras situações, épocas, conceitos, valores e passa a refletir 
sobre a realidade em que está inserido.
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8.5 O folclore e sua importância na escola
“Plantado no passado imemorial da humanidade, projeta-se o folclore como a voz do presente e do 
futuro” (CASA BRANCA, 1982, p. 19).
Como professores, não podemos deixar de levar o nosso folclore a nossas crianças; este representa 
o que há de essencial em nossa cultura, ele representa as tradições de um povo. Ao deixarmos de 
olhar para nossa cultura, seus valores e tradições, estamos sujeitos a uma colonização cultural. Por isso, 
precisamos ficar atentos, a escola é um espaço de difusão cultural.
A data comemorativa de 22 de agosto (Brasil) foi criada em 1965, por meio de um decreto federal, 
para a comemoração do folclore.
O termo folclore origina-se de duas palavras: folk, que vem do inglês e que dizer “povo”; e lore, que 
significa “conhecimento”. Quem criou o termo foi William John Thoms (1803-1885), antropólogo que 
elaborou suas pesquisas apoiado na cultura europeia.
O folclore brasileiro constitui-se ao longo dos anos principalmente por índios, brancos e negros. 
Narram os chamados mitos e lendas, que foram criados para explicar a natureza, para assustar as 
pessoas, para transmitir valores e conhecimentos, uma vez que a ciência não podia explicá-los com 
fidedignidade. Essas histórias foram transmitidas de geração para geração e hoje fazem parte da história 
da humanidade. As lendas, de um modo geral, misturam fatos reais e históricos contados de maneira 
fantasiosa. Os mitos, por sua vez, explicavam os fenômenos da natureza, em que deuses e heróis 
alertavam as pessoas sobre os perigos do mundo.
O folclore é visto em todas as idades e atividades das camadas populares. Segundo Cunha (2004), 
apresenta dois segmentos: o lúdico e o prático. No primeiro, a autora engloba a literatura oral por meio 
de lendas, mitos, contos e poesias. Também apresenta diversões por meio de danças, cortejos, teatros, 
autos etc.; no segundo, destaca as artes e técnicas, com a cerâmica, a pintura, a escultura, a cestaria etc. 
Apresenta os usos e costumes nas atividades de pesca e caça, nas cerimônias relativas ao casamento, 
quanto à morte, ao nascimento. Também destaca a linguagem popular por meio de provérbios, línguas 
especiais, frases feitas etc.
A criança, por ter contato desde muito pequena com o nosso folclore, terá capacidade de se envolver 
com a nossa cultura, assim, poderemos combater a massificação e a colonização cultural a que estamos 
sujeitos. O conhecimento da cultura regional possibilitará não apenas a sua aceitação, mas a valorização 
e a integração do indivíduo no seu todo.
Segundo Henriqueta Lisboa, é importante realçar o seguinte aspecto:
um instrumento mais promissor do que qualquer disciplina nessa área (a 
imaginação), o folclore auxiliará o florescimento da sensibilidade; despertará 
os sentidos e a alma da criança diante das cores, das vozes e dos segredos 
da terra; acomodará sentimentos a interesses vitais e genuínos. Entretanto, 
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para ressalva do próprio fenômeno, o folclore não deve ser ministrado à 
infância a feitio de estudo, mas sim, proporcionado de modo recreativo, 
espontâneo, sem insistência. O que se define como popular, tradicional e 
anônimo não lograria viver em clima de oposição (LISBOA, 1970, p. 43 apud 
CUNHA, 2003).
Podemos, assim, encantar a criança com as coisas de nossa terra por meio do folclore, das nossas 
tradições e de nossa cultura de forma lúdica e prazerosa. “Os homens mais cultos, os artistas mais 
sensíveis têm muitas vezes seus olhos voltados para o folclore” (CUNHA, 2003, p. 49).
Entre alguns mitos e lendas, podemos resgatar a lenda do Saci-Pererê, tão conhecida por todos nós.
Figura 11 – Saci-Pererê
Muitas outras lendas e mitos podem ser encontrados nos mais diversos veículos literários, como a 
lenda do Boto, o Curupira, o Lobisomem, a Mula-sem-cabeça, entre outros.
O trabalho com o folclore nas escolas é bem aceito pelas crianças, que adoram ouvir estas histórias, 
bem como desenhar e pintar esses seres sobrenaturais. O professor pode e deve fazer um “gancho” com 
as explicações científicas atuais, respeitando as faixas etárias, de acordo com o grau de complexidade 
que irá trabalhar. Então, é possível fazer um trabalho interdisciplinar, em que o docente poderá usar tais 
assuntos na Língua Portuguesa, em Ciências, e, principalmente, em Educação Artística.
Aspectos relevantes:
• o folclore representa a alma de um povo; por isso, deve ser prazerosamente trabalhado com a 
criança na escola;
• compete à escola trabalhar com a cultura e com as tradições de seu povo;
• o professor deve se preocupar com a cultura e tradições do seu povo;
• a escola é um dos melhores lugares para se divulgar o folclore.
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 Lembrete
Um dos projetos mais importantes a serem desenvolvidos pela Literatura 
Infantil atual é conseguir proporcionar à criança descobrir que a palavra 
literária é algo precioso e essencial à sua própria vida.
8.6 poesia e parlendas na escola
Na sociedade contemporânea, a criatividade passa a ser uma das características mais valorizadas 
no ser humano. Ela é compreendida em um aspecto multidimensional, pois envolve o indivíduo, o 
ambiente, o objeto e o processo de criação, sendo que todas essas dimensões se interligam, facilitando 
a realização do aluno, e, posteriormente, do cidadão.
Cada sociedade apresenta um conceito sobre criatividade, e esta se relaciona à cultura e ao 
contexto social de cada comunidade. Alunos criativos se destacam na escola pelo seu estilo próprio 
de pensar e resolver problemas, mas muitas vezes não reconhecidos e valorizados pelos professores, 
que, por sua vez, acreditam que eles não conseguem seguir as normas e regras estabelecidas por 
eles.
A poesia possibilita o despertar da criatividade e do sentimento do aluno, desenvolvendo sua 
percepção do todo e atribuindo significado a um contexto específico. Ela envolve componentes 
sensoriais, emocionais, intelectuais e culturais; na poesia, há um processo de expressão e compreensão 
tanto simbólico quanto formal.
Para formar um leitor, é preciso propiciar ao aluno formas diversificadas de leitura e expressão, 
para que ele possa se identificar com uma delas. A poesia pode ser um gênero para iniciar a criança 
na leitura, porém, cabe ao professor preparar-se para desenvolver o espírito criativo e sensível em 
seus estudantes.
A poesia é um dos gêneros literários mais importantes ao universo da criança. Por meio da poesia 
e de sua linguagem lúdica, a criança insere-se no mundo mágico dos sentimentos e das emoções. A 
poesia deve instigar a imaginação e a fantasia no aluno, e não ser apenas um mero jogo de rimas, 
sem contextualização. A essência poética encanta e suscita imagens que estimulam a criatividade e 
o brincar.
Para Jaqueline Held (1977), no momento em que a criança imagina, ela transforma as coisas em 
tudo o que deseja.No livro dessa autora, O imaginário no poder, apresenta-se um poema que traduz o 
mundo fantasioso da criança:
Eu queria pentear o menino,
Como os anjinhos de caracóis.
Mas ele quer cortar o cabelo,
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Pois é pescador e precisa de anzóis.
Eu queria calçar o menino,
Com uma botinha de cetim
Mas ele diz que agora é sapinho
E mora nas águas do jardim.
Eu queria dar ao menino
Umas asinhas de arame e algodão
Mas ele diz que não pode ser anjo,
Pois todos já sabem que ele é índio e leão.
Este menino está sempre brincando
Dizendo-me coisas assim.
Mas eu bem sei que ele é anjo escondido,
Um anjo que troça de mim.
(HELD, 1977, p. 17)
Além de desenvolver a criatividade da criança, o professor poderá trabalhar os aspectos estruturais 
de uma poesia, seus versos, suas estrofes, o vocabulário, pode pedir que os alunos a recriem, a partir da 
poesia original, ou mudem alguma coisa que não gostaram.
Uma das formas de levar a criança ao mundo poético se faz por meio do canto, da música, para 
depois se trabalhar com o texto escrito. Dessa forma, o brincar de roda, as cirandas e as cantigas de ninar 
propiciam a sensibilização da criança de forma lúdica. A poesia tem o intuito de fazer que a criança 
saboreie as palavras, sua sonoridade e seus ritmos. Veja a citação a seguir:
[...] é de se compreender que o poeta para crianças (tal como poesia para 
o povo) deva basicamente atuar sobre os seus sentidos. Não deve querer 
“falar” ao seu intelecto, ao seu pensamento racional, a fim de lhe transmitir 
conselhos acerca da vida ou dos valores de moral ou de comportamento 
humano em geral, como era comum na poesia “infantil” que se divulga a 
partir dos primeiros anos do século XX e que já não se pode aceitar. Da 
mesma forma, já não se aceita uma poesia que só repita clichês ou não 
consiga ultrapassar o nível da “ingenuidade” literária, que é instintivamente 
repudiada pela criança (COELHO, 1982, p. 149).
O professor deve saber que não deve trabalhar com fórmulas livrescas, com obras fora do mundo real 
em que a criança vive. Muitas tratam de mensagens retóricas ou convencionais que já não atendem ao 
espírito infantil. A autora continua:
Para além do esquema poético estereotipado, que, com certeza, não levará à 
criança a descobrir a poesia, os “ensinamentos” abertamente veiculados pelo 
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poema reforçam a educação das aparências e da necessidade do prêmio 
pelas boas ações. Mostram que o cumprimento às pessoas é uma regra de 
educação, e não um impulso de comunicação afetiva, como deve ser [...] 
e é também uma ação que visa à recompensa, o ser “apreciado” e depois 
“recompensado” (COELHO, 1982, p. 152, grifo do autor).
Essas observações são de fundamental importância frente ao contexto social, cultural, histórico 
e político em que vivemos. Hoje temos textos excelentes, a produção poética brasileira destinada às 
crianças apresenta-se com qualidade, e temos poetas conscientes de nossa realidade e da poesia que 
desenvolvem, estes buscam as cores e os sons da poesia de uma forma criativa. Assim, cabe ao professor 
fazer um levantamento dos autores atuais e dos já consagrados, como Cecília Meireles, Vinícius de 
Moraes, Henriqueta Lisboa, entre outros.
A poesia precisa entrar na sala de aula como a arte da palavra, que leva à imaginação e à fantasia, e 
não apenas com fins pedagógicos. Ela pertence muito mais à área da intuição do que à razão; a função 
poética da linguagem provém do conhecimento intuitivo, possibilita a descoberta das coisas em pureza 
ou valor original antes de serem racionalizadas e codificadas pelo homem. A função poética expressa, 
portanto, as manifestações da fantasia, da imaginação ou os sonhos dos homens, é o “alimento” para a 
sensibilidade da criança.
Por intermédio dos livros, da televisão, das músicas, das poesias, das parlendas, entre outros, a 
criança descobre a linguagem oral, escrita, corporal etc. Nesse contato, ela interage com seu meio, 
emitindo opiniões, criando, recriando e fantasiando formas visuais e orais, que lhes permitirão um 
desenvolvimento global do seu ser.
Normalmente, as parlendas são rimas em pequenos versos. A parlenda é uma forma literária 
tradicional para se trabalhar a linguagem oral, possui rimas fáceis e aceleradas, que divertem muito as 
crianças, ajudando-as na dicção e na desinibição. Fazem parte do folclore brasileiro, e suas temáticas 
estão sempre voltadas ao público infantil.
Trava-língua
Os versinhos trava-língua são, na verdade, parlendas com visíveis dificuldades de audição e de 
pronúncia.
Este tipo de verso é bastante utilizado com o objetivo de melhorar a dicção e pretendem fazer que 
a criança perceba as diferenças sutis de muitas palavras, que, quando pronunciadas incorretamente, 
passam a ter outro significado.
Autoria – um processo
Muitos alunos, independentes de estarem alfabetizados, possuem um pensamento alfabetizado. 
Conseguem se expressar fluentemente, discursar e dividir suas ideias com o outro. Esse aspecto nos 
mostra que esses alunos são capazes de verbalizar pensamentos muito elaborados, mostrando, assim, 
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uma diversidade de conhecimentos, e estes os ajudam a resolver conflitos e contradições que surgem 
em sua vida.
No olhar de Vygotsky, construir conhecimentos refere-se a uma ação partilhada, já que é necessário 
haver o outro para que as relações entre sujeito e objeto de conhecimentos sejam estabelecidas. O 
paradigma sugere um repensar sobre o valor das interações sociais que acontecem entre os alunos e os 
professores no contexto escolar. Elas passam a ser entendidas como fator necessário para a produção 
de conhecimentos por parte dos alunos, especificamente quando é permitido o diálogo, a cooperação 
e troca de informações entre os sujeitos, bem como o confronto de ideias divergentes, buscando uma 
relação que implique a divisão de tarefas com responsabilidades e uma interdependência na ação, que 
resultará num objetivo comum.
Em síntese, uma prática escolar baseada nesses princípios deverá 
necessariamente considerar o sujeito ativo (e interativo) no seu processo de 
conhecimento, já que ele não é visto como aquele que recebe passivamente 
as informações do exterior (REGO, 1998, p. 110).
Portanto, devemos trabalhar com todo tipo de conhecimento que possa desenvolver as estruturas 
mentais dos educados, de forma que, a cada dia, possam interagir ativamente em seu cotidiano.
8.7 a literatura na educação especial
Para essa aula, vamos destacar a relevância de se trabalhar com a literatura junto a crianças e 
jovens especiais. Trata-se de um relato de experiência inédita com alunos de uma escola especial e 
o desenvolvimento de seu potencial criador. Portanto, a literatura é o caminho para se despertar a 
sensibilidade do ser humano, seja ele quem for.
[...] o desenvolvimento cognitivo-afetivo do jovem especial se dá a partir 
de relações interpessoais, mediadas simbolicamente pelo professor. Dessa 
forma, partimos de uma prática educacional que considera o sujeito da 
aprendizagem ativo-interativo na construção de seu conhecimento [...] Para 
tanto, consideramos esse sujeito um ser cognoscente, capaz de ampliar 
seus conhecimentos e construir outros, desde que haja uma mediação 
afetiva-ativa por meio do professor (ANGELINI, 2004, p. 61,62).
 Observação
Todas as palavras iniciadas com “cog”, como cognoscitivo, cognoscente, 
cognitivo, referem-se ao intelecto, à inteligência. Relacionam-se à sapiência, 
ao aprendizado, ao raciocínio pessoaletc.
Qualquer educando, com dificuldades de aprendizagem ou não, traz toda uma gama de experiências, 
favoráveis na solução de conflitos, nas brincadeiras etc.
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Angelini (1991) mostra que é possível trabalhar com crianças deficientes nas mais diversas maneiras, 
e, entre elas, destaca-se a poesia.
[...] é da riqueza de alma desses alunos que nasce esse trabalho inovador, que 
dá a possibilidade de o aluno se “ressignificar” no contexto sociocultural em 
que vive, enquanto um jovem produtor das letras, de uma escrita, de um 
movimento poético (ANGELINI, 1991, p. 64).
Podemos afirmar, portanto, que o educando sempre é um sujeito ativo e interativo, e caberá ao 
professor propiciar situações que favoreçam o desenvolvimento de seu potencial criativo.
Todos os jovens têm direito à criação; esta é uma forma de possibilitar a reflexão e a elaboração de 
situações vivenciadas dentro de um contexto sócio-histórico.
Em momento algum se pode esquecer que a afetividade, por exemplo, é a 
energética do comportamento, bem como que o aluno deficiente mental 
se esforça em inventar estratégias de resolução de problemas quando sua 
motivação e necessidades são consideradas. A ativação do funcionamento 
intelectual depende de como o interesse do sujeito com deficiência mental 
foi despertado (MANTOAN, 2000, p. 63).
Nesse sentido, o fazer literário pode ser muito bem explorado, desde os primeiros anos escolares, 
o que despertará a criança e o jovem para o caráter socializante da literatura. Cabe, então, ao 
professor motivar o aluno para que este tenha interesse pelas manifestações culturais e artísticas, 
pois tais atitudes desenvolvem a capacidade de observação e o pensamento reflexivo. É importante 
que todo trabalho seja socializado, porque o aluno se sente importante, acaba lendo com prazer o 
seu trabalho e o do outro, faz comparações, assume a autoria de sua produção, favorecendo, assim, 
sua autoestima.
 Lembrete
Ao ler uma história para as crianças, lembre-se sempre de fazer “inferências”, 
isto é, antes de concluir um capítulo, ou tema, peça, por exemplo, interrompa 
a história de repente e pergunte às crianças o que elas acham que vai 
acontecer. Deixe fluir a imaginação da turma, analise suas suposições, para 
depois continuar a história.
As inferências durante as histórias estimulam a criatividade da criança, além de motivá-las 
à leitura. Para tanto, o professor deve sempre preparar suas aulas de leitura, apropriando-se do 
conteúdo que pretende “transmitir” para os educandos. Em aulas improvisadas, podem surgir alguns 
imprevistos, portanto, há falta de argumentação por parte do professor, o que irá desmotivar os 
estudantes.
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Exemplo de aplicação
Distribua alguns livros de história a um grupo de crianças de 8 anos e peça para que mudem a história. 
Peça para que os alunos comparem trechos do livro com a realidade e façam comentários sobre ele.
Após isso, faça um levantamento dos tipos de mudanças ocorridas.
É importante saber que, quando formos ler histórias muito compridas, é preciso que elas sejam lidas 
em capítulos. Essa prática aguça a curiosidade do aluno e não o cansa, afastando-o da leitura.
No trecho da história a seguir — O galo apaixonado —, será apresentado um texto que poderá ser 
usado pelo professor como exemplo de inferência.
O galo Niu era um galo inglês muito chique, mas totalmente ignorante. Imaginem vocês 
que ele pensava, segundo a autora, que as galinhas cacarejavam em inglês. Na verdade, ele 
nem sabia o que era uma galinha.
A escritora relata em seu livro que ele havia nascido em uma chocadeira, foi criado numa 
granja no meio de machos e acabou indo morar numa loja de aves, sem conhecimento 
nenhum de mundo.
Segundo a escritora:
Já moço, viera da granja diretamente para a loja de aves, onde 
a posição de sua gaiola não lhe permitia enxergar senão pombas, 
patas e codornas, além de galos de outras raças. — Rock, indagava 
ele ao carijó da gaiola à esquerda: — de onde você está, dá para 
ver alguma galinha? — Negativo. Nesta direção fica uma pilha de 
sacos de farelo, e não vejo nada. Por que não pergunta ao Ródia?
— Nadinha! — Não vejo nada, jurava o Ródia. Acho que a 
gente não perde por esperar, porque o Órpintão, aquele galo 
preto que mora lá perto do balcão, andou gritando que hoje vai 
passar por aqui, pelo nosso corredor, uma tal de Label Rouge, 
loura e francesa, mas caipira (SUZUKI, 1996, p. 3).
A história prossegue e há um momento em que Niu fica perto do velho Órpintão, e então eles conversam 
por longo tempo. De toda forma, o professor deverá constantemente fazer inferências. Por exemplo, quando 
chegar no trecho da história em que Niu é colocado perto do Órpintão, o professor poderá perguntar:
O que vocês acham que vai acontecer com o galo Niu? Enfim, usem a criatividade e bom senso ao 
elaborar as inferências.
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Vamos citar outro exemplo de inferência. A imagem a seguir é do livro Nuvem cinzenta.
Figura 13
Mostre a ilustração da capa, e, antes de começar a contar a história ou relatar o conteúdo do livro, 
pergunte à classe sobre o que o livro vai falar.
Faça a criança explorar a capa do livro, pergunte sobre o conteúdo. Depois, peça que elas contem em 
poucas palavras o enredo da história, onde ela acontece, e assim por diante. Somente após isso é que 
deve se iniciar o conto. No final, por meio de questionário, trabalhar com a interpretação do texto. Veja 
a sugestão a seguir:
Divida a história em três capítulos. Ao término de cada um, peça para as crianças desenhem o trecho 
narrado. No final, elas poderão unir os quadrinhos criados, e, assim, cada um terá criado a sua própria 
versão da história em quadrinhos.
 Saiba mais
Para saber mais sobre esta e outras obras da autora, leia: SUZUKI, 
A. F. Nuvem cinzenta. São Paulo: Paulinas, 1995.; e SUZUKI, A. F. O galo 
apaixonado. São Paulo: Paulinas, 1998.
8.8 Histórias em quadrinhos
Para discutirmos sobre as histórias em quadrinhos, se faz necessário entender sua origem e sua 
evolução até as histórias em quadrinhos — HQ.
Os homens primitivos registravam cenas do cotidiano nas paredes das cavernas. Pintavam relatos 
sobre a caça, a pesca, apresentavam pessoas correndo com armas atrás dos animais e outras cenas que 
possibilitaram, aos pesquisadores, conhecer o cotidiano, o hábito desses homens e seu meio. Era essa a 
forma de registro e comunicação “escrita” utilizada por eles.
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Dessa forma, pode-se afirmar que a história em quadrinhos já estava presente nessa época. É importante 
observarmos alguns desenhos para compreender como aconteceu o processo de construção das HQ.
Figura 14
Passado alguns séculos, encontramos a escrita hieroglífica no Egito, uma mistura de letras com 
desenhos como forma de comunicação. A imagem encontrava-se novamente com forma de comunicação 
e registro de atividades cotidianas.
Figura 15
Os faraós contavam sua história por meio de desenhos nas pirâmides. Elas começavam no alto e 
caminhavam até embaixo, numa sequência de desenhos que comunicavam e transmitiam informações 
às outras pessoas e às gerações posteriores.
Continuando essa trajetória, encontramos os desenhos nas igrejas da Via Sacra de Jesus presentes na 
Idade Média (do século V ao XV). Pode-se observar que os desenhos e imagens constituíam e constituem, 
até hoje, uma formade comunicação que possibilita o entendimento de todas as pessoas que compõem 
a sociedade (pessoas não alfabetizadas, com deficiência cognitiva, auditiva etc.).
No Renascimento, encontramos Leonardo da Vinci (século XV). Suas pinturas marcaram época. A 
Adoração dos magos foi a primeira obra-prima inacabada do pintor. Outro pintor renomado no século XVI 
foi Michelangelo. Chamado pelo Papa Júlio II para pintar a cúpula da Capela Sistina, embora se considerasse 
um escultor, e não um pintor, e mesmo com toda a sua relutância em aceitar o trabalho, acabou por realizar 
uma grande obra de arte. Na capela Sistina, podemos notar que seus dons criativos são muito marcantes. 
Destaca-se que as figuras humanas são ressaltadas, deixando as paisagens em segundo plano:
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Figura 16
No século XV, tivemos a invenção da imprensa por Johann Gutenberg, que, apesar de ser considerado 
o inventor, não foi o pioneiro, porém foi a sua invenção que se propagou. Antes dele, tivemos os chineses, 
em 1045, e os coreanos, com uma técnica de caracteres metálicos, em 1230. O primeiro livro impresso 
por Gutenberg foi a bíblia, conhecida como a Bíblia de 42 linhas, em 1452.
Continuando nosso percurso pela história em quadrinhos, encontramos o italiano radicalizado no Brasil, 
Ângelo Agostini, que publicava fatos jornalísticos; ele fez o Brasil ser um dos pioneiros na criação da linguagem 
moderna de quadrinhos. Em 1869, Agostini começou a publicar novelas gráficas em capítulos semanais.
No século passado, especificamente nas décadas de 1920, 1930 e 1940, os quadrinhos passaram a 
ser procurados pela população do mundo inteiro, devido à criação dos suplementos infantis nos jornais e 
revistas. Em 1939, o grupo O Globo lança uma revista chamada O Gibi para concorrer com a revista Mirim.
Na década de 1960, destacam-se alguns nomes, como: Maurício de Souza, Turma da Mônica, e 
Ziraldo, com Pererê. A nova geração desponta com Angelí, Laerte e Glauco, com seus personagens de 
humor. Notamos, portanto, que a história em quadrinhos se mistura com a história do homem.
Os quadrinhos aparecem estimulando a leitura e a transformação social, pois, quando um jovem lê 
uma história em quadrinhos, ele desenvolve a concentração e o hábito da leitura, podendo auxiliar o 
professor na construção do conhecimento do aluno.
Na década de 1990, surgem os Parâmetros Curriculares Nacionais — PCNs, para garantir aos brasileiros 
o direito de acesso ao conjunto de conhecimentos considerados necessários para o exercício da cidadania. 
Vale ressaltar que esse documento não tem o caráter de obrigatoriedade, e sim de refêrencia para 
formação dos objetivos, conteúdos e de didática de ensino. Dessa forma, os PCNs procuram estabelecer 
uma conexão entre escola, sociedade e trabalho.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (PCN, 1998) sugerem que o ensino de 
Língua Portuguesa se atente às práticas de linguagem, e, em especial, ao estudo do texto apresentado 
na forma de algum gênero discursivo. Essa necessidade atual de preparar o aluno para uma ação 
mais consciente na sociedade requer a elaboração de estratégias de ensino que contemplem as atuais 
orientações pedagógicas.
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Diante do exposto, questionamos quais gêneros devemos levar ao ensino de Língua Portuguesa e 
como validá-los nas práticas didáticas? E então, o MEC passa a apostar em trabalhos a partir de um 
determinado gênero discursivo, as histórias em quadrinhos. O MEC vem incluindo paulatinamente as 
histórias em quadrinhos em programas públicos, como o Programa Nacional Biblioteca na Escola — 
PNBE, criado em 1997, que distribui livros de literatura, quadrinhos, entre outros, gratuitamente às 
escolas da rede pública do Ensino Básico.
Quando se discute a possibilidade de trabalhar com quadrinhos em sala de aula, almeja-se que o 
professor conheça a linguagem utilizada nesse sistema semiótico e os aspectos temáticos da obra. A 
linguagem dos quadrinhos exige aquisição de certas competências de leitura: distinguir formas, volumes, 
profundidade, além do significado que só o cartunista escondeu atrás das falas, sombras e nuances.
As HQ são as mais eficientes alianças da literatura com as artes visuais. É impossível achar alguma 
forma de mídia que transmita com tanta elegância, versatilidade e fidelidade às nuances das artes 
visuais, que sempre marcaram os observadores pela capacidade de transmitir inúmeros detalhes e ideias 
por meio da visualização, bem como a sutileza e a força da literatura, que, de uma forma lenta e gradual, 
gera infinitos pensamentos e reflexões ao leitor. Enfim, a história em quadrinhos é uma forma de arte, 
de transformação, de aprendizagem.
Coelho (1982) afirma que, como processo de leitura acessível às crianças pequenas, as histórias 
em quadrinhos são tão válidas quanto os livros de figuras. Dessa forma, ela destaca que psicólogos, 
como Claparède, por exemplo, acreditam que as crianças, ao ler as histórias em quadrinhos, se divertem 
e satisfazem a uma necessidade interior e instintiva, de crescimento mental, inerente ao ser em 
desenvolvimento. Por ter uma linguagem simples e imagens coloridas, os quadrinhos atraem as crianças 
e jovens com mais facilidade.
Sabendo que os quadrinhos atraem as crianças e os adolescentes, o grupo de Maurício de Souza 
publica em 2006 A turma da Mônica em: o Estatuto da Criança e do Adolescente, com o objetivo de 
conscientizar, promover e garantir efetivamente os direitos das crianças e adolescentes em nosso país.
Figura 17
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As histórias em quadrinhos, por integrarem a figura aos textos, auxiliam as crianças a aprender e a 
ler. Contribuindo no processo de aprendizagem, traçando uma comunicação com as crianças, com os 
adolescentes e com os adultos, pelas imagens e pelos balões enigmáticos que aguçam a curiosidade e 
imaginação dos leitores.
Durante o processo de alfabetização, o educador procura soluções para os problemas de leitura e 
escrita dos seus alunos. Quando se trabalha com gêneros textuais variados, proporciona-se ao educando 
um desenvolvimento amplo, tanto cognitivo quanto emocional, e, por meio de seus conhecimentos, ele 
poderá formar opiniões e compreender o significado das coisas que o rodeiam.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais da Língua Portuguesa:
Todo texto se organiza dentro de um determinado gênero. Os vários gêneros 
existentes, por sua vez, constituem formas relativamente estáveis de 
enunciados, disponíveis na cultura, e são caracterizados por três elementos: 
conteúdo temático, estilo e construção composicional (BRASIL, 2000, p. 26).
Para os PCNs, o texto está em toda parte, é a forma como este se apresenta que é o diferencial, pois 
depende da interação e do objetivo a que se pretende alcançar. Oferecendo uma diversidade de gêneros 
textuais, pode-se proporcionar ao educando uma aprendizagem que tenha significado e o leve a vencer 
os desafios, desenvolvendo a autonomia nas suas construções.
Durante a nossa vida, construímos histórias como leitores e escritores, seja pela experiência do dia a 
dia ou porque vivenciamos as situações práticas do nosso cotidiano. Adquirimos um grau de instrução 
porque temos contato com livros, jornais, revistas e outros meios que nos levam a construir nossa 
escrita, mas, infelizmente, há pessoas que são privadas desse conhecimento.
Segundo alguns escritores, é nos espaços escolares e não escolares que a criança vive; nessas 
instituições, poderá se determinar se ela será ou nãouma leitora e escritora. Isso dependerá dos 
estímulos recebidos do meio em que está inserida para que possa evoluir na construção da sua escrita. 
Sem contato com o meio, a possibilidade de formar-se leitora ou escritora será pequena.
A história em quadrinhos é um gênero textual que favorece a “conceitualização” do conteúdo e 
a proximidade com a leitura necessária para envolver e cativar o aluno. O PCN de Língua Portuguesa 
(2000) recomenda que a história em quadrinhos seja trabalhada em sala de aula para desenvolver 
a linguagem oral e a escrita. Desde 2006, esse tipo de gênero foi incluído na lista do Programa 
Nacional Biblioteca da Escola — PNBE, no qual o “objetivo é permitir aos estudantes o acesso 
à cultura e à informação e estimular o hábito pela leitura” (RAMOS; VERGUEIRO, 2009, p. 12). 
Quando o aluno tem à sua disposição vários tipos de textos, ele desperta o interesse pela leitura e 
pela escrita.
Os quadrinhos podem ser autônomos e não precisam de qualquer outro tipo de gênero para serem 
desenvolvidos, o que se faz necessário é um estudo sobre as HQ, para compreender a sua linguagem e 
utilizá-la de forma adequada.
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Em 1897, Rudolph Dirks, jovem desenhista americano do Morning Journal, ofereceu um processo 
“cômico-gráfico”, que ficaria decididamente conhecido como história em quadrinhos.
É interessante notar como crianças e adultos se interessam por esse tipo de leitura, em que a 
imagem muitas vezes diz mais do que as palavras. Esse tipo de leitura foi criticado pelos professores, que 
argumentavam que a literatura tornava-se quase que exclusivamente visual, não incentivando, desta 
forma, o ânimo de ler e nem a reflexão.
Atualmente, por meio de inúmeras pesquisas e estudos, observa-se que as crianças aprendem a 
gostar de ler, divertindo-se com as personagens dos quadrinhos e com os conteúdos das histórias. Por 
isso, as HQ estão sendo utilizadas até mesmo em livros didáticos nas aulas de Língua Portuguesa, de 
História, de Geografia e de Arte como meio de aprender brincando.
Sendo assim, esse trabalho é capaz de explicar e mostrar aos educandos, de forma prazerosa, os 
conceitos das várias disciplinas, diversificando os meios de ensino e fugindo do tédio que muitas vezes 
assola a sala de aula. Notamos que, dependendo do conteúdo em que estamos trabalhando e da forma 
como esse assunto é tratado, muitos alunos demonstram desinteresse e sonolência.
 Saiba mais
Para saber mais sobre as HQ e de como trabalhar com elas em sala 
de aula, acesse: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.
html?aula=23963>.
8.8.1 Como trabalhar com as histórias em quadrinhos?
a) para crianças entre 3 a 5 anos, podemos transformar as histórias que lemos em quadrinhos e fazer 
que cada aluno possa colorir e pintar todas elas; com os alunos maiores, pode-se solicitar que eles 
próprios transformem aquilo que foi lido e explorado em histórias em quadrinhos, confeccionando 
seu próprio gibi;
b) apresentar somente as imagens e deixar as crianças completarem os balões, para depois colorir 
os desenhos;
c) apresentar as “tirinhas” e pedir para que as crianças contem oralmente os episódios apresentados etc.
Com certeza, ao colocar em ação sua criatividade, encontrará mais formas de trabalhar com os quadrinhos.
Outra forma de aguçar o interesse da criança, desenvolver o raciocínio lógico e abstrato de maneira 
lúdica, são as cartas enigmáticas, que reúnem palavras cortadas e figuras, uma combinação que traz um 
enigma a ser desvendado. Com a curiosidade inerente ao ser humano, a criança, na busca de resolver o 
problema, aprende, socializa e possibilita o desenvolvimento da leitura e da escrita.
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Veja um exemplo de carta enigmática:
Figura 18
 resumo
Nesta unidade, buscamos subsidiar o trabalho do futuro educador, 
elucidando caminhos que possam fazer florescer no aluno a curiosidade a 
fim de que ele procure seu conhecimento por meio da leitura, tornando-se 
um pesquisador e assim melhorando a sua ação oral e escrita.
As histórias em quadrinhos possibilitam uma aproximação do aluno 
com o mundo da leitura. A leitura e a escrita têm uma importância social: 
proporcionar situações que possibilitem a interação da criança com os 
diferentes tipos de literatura, o que requer um preparo da parte do professor. 
As parlendas aproximam o aluno do saber popular, ampliando sua visão de 
mundo e desenvolvendo sua escrita e sua leitura.
Assim, este livro-texto cumpre com seu objetivo de trazer as diversas 
formas de trabalhar com o aluno em sala de aula, visando ao seu pleno 
desenvolvimento. Para Fazenda (2002), ser interdisciplinar é entrar em 
contato com o outro e com a aprendizagem pelas diferentes portas 
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existentes no ser humano. O sentir, o pegar, o degustar, o ouvir, o ver, o 
encontrar-se com o outro.
Continuando o percurso, podemos dizer que ser interdisciplinar requer 
coerência, contextualização, harmonia e também ambiguidade, que 
está nas incertezas do nosso fazer cotidiano, na humildade em admitir 
nossa ignorância e na impotência em muitas situações. Mas também na 
afetividade ao chegar perto do outro e percebê-lo, na mudança de atitude, 
na espera, num movimento que busca o caminho a ser percorrido. A espera 
pelo tempo que vai chegar requer uma ponte que ligará o lugar de onde se 
partiu ao lugar a que se chegará.
 exercícios
Questão 1 (ENEM, 2012). Segundo Kênia Kemp: “Atribuir significado ao mundo é parte de um processo 
relacionado à cultura e nos auxilia nos processos de relacionamento humano. Além da comunicação e 
da linguagem, a arte é um sistema simbólico que requer a nossa interpretação requisitando da nossa 
sensibilidade e imaginação a capacidade de fazer relações com fatos históricos e a enxergar a nossa 
realidade de maneira mais crítica.” A leitura do poema Descrição da guerra em Guernica traz à lembrança 
o famoso quadro de Picasso.
Entra pela janela
o anjo camponês;
com a terceira luz na mão;
minucioso, habituado
aos interiores de cereal,
aos utensílios que dormem na fuligem;
os seus olhos rurais
não compreendem bem os símbolos
desta colheita: hélices,
motores furiosos;
e estende mais o braço; planta
no ar, como uma árvore
a chama do candeeiro.
(...)
Carlos de Oliveira in ANDRADE, Eugénio. Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa. Porto: Campo das Letras, 1999.
Uma análise cuidadosa do quadro permite que se identifiquem as cenas referidas nos trechos do 
poema.
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Podem ser relacionadas ao texto lido as partes:
(A) a1, a2, a3 (B) f1, e1, d1 (C) e1, d1, c1 (D) c1, c2, c3 (E) e1, e2, e3
Resposta correta: alternativa C.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: no fragmento do quadro indicado, na sequência, não aparece uma figura que possa ser 
associada ao anjo camponês entrando por uma janela com uma lamparina na mão, e sim um boi.
B) Alternativa incorreta.
Justificativa: apesar de (d 1) e (e 1) fazerem parte da cena que tem relação com o texto do poema, 
(f 1) não tem nenhuma relação com a passagem: “Entra pela janela/o anjo camponês;/com a terceira 
luz na mão;”.
C) Alternativa correta.
Justificativa: o fragmento do quadro indicado na seqüência corresponde perfeitamente à passagem 
do texto do poema: “Entra pela janela/o anjo camponês;/com a terceira luz na mão;”.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: no fragmento do quadro indicado na sequência, não aparece uma figura que possa ser 
associada ao anjo camponês entrando por uma janelacom uma lamparina na mão, mas sim um cavalo 
embaixo de uma luminária que está no teto da cena.
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E) Alternativa incorreta.
Justificativa: no fragmento do quadro indicado na sequência, não aparece uma figura completa do 
anjo camponês entrando por uma janela com uma lamparina na mão, mas apenas uma parte do rosto 
do personagem retratado na pintura.
Questão 2 (ENADE, 2008).
O menino que carregava água na peneira
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse
que carregar água na peneira
Era o mesmo que roubar um vento e sair correndo
com ele pra mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixe no bolso.
99
O menino era ligado em 
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
Gostava mais do vazio
Do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
E até infinitos.
Com o tempo aquele menino
Que era cismado e esquisito
Porque gostava de carregar água na peneira
BARROS, M. Exercício de ser criança/bordados de Antônia Zulma Diniz, Ângela Marilu e 
Sávia Dumont sobre desenhos de Demóstenes Vargas. Rio de Janeiro: Salamandra, 1999 (fragmento).
O texto e os bordados inventam uma realidade mágica e uma estética do corpo em movimento. 
Esses elementos expressivos mostram algumas características de linguagem:
I. possibilidades plásticas da linguagem escrita;
II. aproximação do mundo mágico com o mundo real pela metáfora da água na peneira;
III. literatura e arte visual como expressões dos conhecimentos que caracterizam o mundo 
infantojuvenil;
IV. hegemonia dos aspectos gramaticais na criação dos textos literários.
São características de linguagem evidenciadas no texto APENAS
A) I e II.
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B) II e III.
C) III e IV.
D) I, II e III.
E) II, III e IV.
Resolução desta questão na plataforma.
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FIGURAS E ILUSTRAÇÕES
Figura 4
Disponível em: <www.camarasalesopolis.sp.gov.br>. Acesso em: 4 jun. 2012.
Figura 6
050131A.JPG. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1368>. 
Acesso em: 5 jun. 2012.
Figura 7
I261904.JPG. Disponível em: <https://www.utilidadepublica.inf.br/2012/02/02/desfrute-da-
reflexologia-pratica-milenar-segura-para-saude-e-alivio-de-dores-ate-para-quem-tem-cancer/>. 
Acesso em: 8 jun. 2012.
Figura 8
MASK_VENICE_DESPERATE_SAD.JPG. Disponível em: <http://www.cepolina.com/mask_Venice_
desperate_sad.html>. Acesso em: 6 jun. 2012.
Figura 9
Disponível em: <www.seas.pa.gov.br>. Acesso em: 6 jun. 2012.
Figura 11
MD.0000021417.JPG. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.
html?aula=26887>. Acesso em: 7 jun. 2012.
Figura 13
SUZUKI. A. F. Nuvem cinzenta. São Paulo: Paulinas, 1995.
Figura 14
MD.0000036452.JPG. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.
html?aula=38037>. Acesso em: 12 jun. 2012.
Figura 15
MD.0000001412.JPG. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.
html?aula=18988>. Acesso em: 13 jun. 2012.
102
Figura 16
3872335.JPG. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=570>. 
Acesso em: 14 jun. 2012.
Figura 17
MD.0000002596.JPG. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.
html?aula=19681>. Acesso em: 14 jun. 2012.
Figura 18
0000001409.JPG. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.
html?aula=18988>. Acesso em: 15 jun. 2012.
REFERÊNCIAS
Audiovisuais
ALICE no país das maravilhas. Direção de Tim Burton. EUA: 2010 (108 minutos).
EM BUSCA de um sonho: Direção de Kevin Brodie, Holenda, 2008.
ESCRITORES da liberdade. Direção de Richard La Gravenese. EUA/Alemanha: 2007 (123 minutos).
MÃOS talentosas: a história de Ben Carson. Direção de Thomas Carter. EUA: 2009 (86 minutos).
SER e ter. Direção de Nicholas Philibert. França: 2002 (104 minutos).
UM MESTRE em minha vida. Direção de Lonny Price. África do Sul: 2010 (87 minutos).
Textuais
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107
Exercícios
Unidade 1 – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO 
TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2004: Caderno amarelo. Questão 24. 
Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2004/2004_amarela.pdf>. 
Acesso em: 18 abr. 2013.
Unidade 2 – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO 
TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2012: Caderno amarelo. Questão 46. 
Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2002/2002_amarela.pdf>. 
Acesso em: 18 abr. 2013.
Unidade 2 – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO 
TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) 2008: Pedagogia. Questão 
28. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/download/Enade2008_RNP/PEDAGOGIA.pdf>. Acesso 
em: 18 abr. 2013.
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Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000

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