5- Apostila Quarta

5- Apostila Quarta


DisciplinaDireito do Consumidor10.018 materiais39.178 seguidores
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Profº. Ms. Flawbert Farias Guedes Pinheiro
flawbertguedes@ig.com.br
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RESPONSABILIDADE CIVIL
A responsabilidade civil do fornecedor de produtos e serviços é tratada nos arts. 12 a 25 do CDC. Preferiu o legislador distinguir a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço (arts. 12 a 17) e a responsabilidade por vício do produto ou serviço (arts. 18 a 21).
DEFEITO OU VÍCIO
O defeito vai além do produto ou do serviço para atingir o consumidor em seu patrimônio jurídico, seja moral e/ou material. Por isso, somente se fala propriamente em acidente, e, no caso, acidente de consumo, na hipótese de defeito, pois é aí que o consumidor é atingido.
O defeito do produto ou serviço (que sempre pressupõe a existência de um vício) expõe o consumidor a risco de dano a sua saúde ou segurança, e dele decorre o acidente de consumo.
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MODALIDADES DE VÍCIOS
\u2022 Aparentes: são os de fácil constatação, aparecem no uso ou consumo mais ordinário e comum do produto. Por exemplo: uma cafeteira que não esquenta, com fio desencapado; uma geladeira que não gela; TV sem som; entre outros.
\u2022 Ocultos: são aqueles que só aparecem após algum tempo ou muito tempo após o uso. Por não serem de fácil acesso ao consumidor, não podem ser detectados com o uso ordinário. Por exemplo: a metragem errada de um apartamento ou defeitos de construção.
TIPOS DE PRODUTOS
\u2022 Não duráveis: são aqueles que se esgotam com o uso ordinário. Por exemplo: alimentos, medicamentos, preservativos.
\u2022 Duráveis: são os que se prestam a diversos usos, não se esgotam facilmente. Por exemplo: eletrodomésticos, veículos, roupas.
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PRAZOS PARA RECLAMAÇÕES (GARANTIAS LEGAIS \u2013 ART. 26 do C.D.C.)
 30 DIAS \u2013 Fornecimento de produtos não duráveis. Exs. Alimentos, medicamentos etc.
 90 DIAS \u2013 Duráveis. Exs. Móveis, eletrodomésticos, roupas, veículos etc.
 05 ANOS - Em caso de acidente de consumo (defeito).
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RESPONSABILIDADE PELO FATO DO PRODUTO
A responsabilidade pelo fato ou defeito do produto está disciplinada no art. 12 do CDC.O caput do art. 12 explicita quem são os responsáveis pela reparação dos danos. Ao invés de utilizar o vocábulo fornecedor, preferiu o legislador inserir rol taxativo dos responsáveis, quais sejam fabricante, construtor, importador e produtor, alcançando a todos da cadeia produtiva. 
Há três tipos de fornecedores:
a) Fornecedor real: compreendendo o fabricante, produtor e construtor;
b) Fornecedor presumido: assim entendido o importador de produto industrializado ou in natura;
c) Fornecedor aparente: aquele que apõe seu nome ou marca no produto final.
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RESPONSABILIDADE CIVIL DO COMERCIANTE
O comerciante também pode ser responsabilizado pelo fato do produto, na forma do art. 13 do CDC, ressaltando-se que este deverá indenizar o consumidor sempre que não puder ser identificado ou quando não houver identificação do fornecedor (fabricante, construtor, produtor ou importador), ou, ainda, na hipótese de o comerciante não conservar adequadamente o produto.
Importante notar que nestes casos o comerciante que arca com a indenização terá o direito de regresso em face do causador do dano, devendo o comerciante demonstrar a culpa do fornecedor no evento danoso para ter os prejuízos ressarcidos.
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PRODUTO DEFEITUOSO (Art. 12, parágrafo 1º do CDC)
É possível classificar o defeito do produto da seguinte forma:
a) Defeito de criação ou concepção: o defeito está na fórmula do produto, sendo resultado tanto da escolha inadequada do material utilizado pelo fornecedor quanto do projeto tecnológico;
b) Defeito de produção: é o defeito decorrente da falha instalada no processo produtivo e está presente na fabricação, montagem ou construção no acondicionamento do produto;
c) Defeito de informação ou comercialização: é o defeito que decorre da apresentação ao consumidor, presente na rotulagem e na publicidade. A apresentação do produto inclui todo o processo de informação ao consumidor, incluindo instruções constantes de manuais de instrução para utilização do produto, rótulos e embalagens.
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ÉPOCA EM QUE O PRODUTO FOI COLOCADO EM CIRCULAÇÃO
Interessa saber se o fornecedor ofereceu ao consumidor toda a segurança possível na época em que o produto foi colocado em circulação. Se o produto já apresentava defeito e foi aperfeiçoado pelo fornecedor com o fito de sanar tais defeitos, não há que se falar em incidência do disposto no art. 12, § 2º, em razão de inovação tecnológica, mas adequação de produto defeituoso.
RISCO DE DESENVOLVIMENTO
O risco de desenvolvimento é aquele que não pode ser identificado quando da colocação do produto no mercado em função de uma impossibilidade científica e técnica, somente sendo descoberto depois de algum tempo de uso do produto.
Para que se caracterize o risco de desenvolvimento, o defeito do produto não pode ser perceptível na época de seu lançamento. 
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Deve corresponder a uma impossibilidade absoluta da ciência em perceber o defeito, e não à impossibilidade subjetiva do fornecedor.
Para a doutrina majoritária, os danos advindos dos riscos do desenvolvimento devem ser indenizados pelo fornecedor, posto que o art. 12, § 3º, não exclui expressamente a responsabilidade do fornecedor. Assim, considerando que já existe o defeito no momento da colocação do produto no mercado e inexistindo apenas o conhecimento científico por parte do fornecedor, não há que se falar em exclusão de responsabilidade.
Sérgio Cavalieri Filho trata os riscos de desenvolvimento como fortuito interno (risco integrante da atividade do fornecedor) pelo que não exonerativo da sua responsabilidade.
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RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO
As mesmas considerações feitas na responsabilidade civil pelo fato do produto são aplicáveis para a responsabilidade pelo fato do serviço.
A responsabilidade do fornecedor de serviços também tem por fundamento o dever de segurança.
O serviço será considerado defeituoso sempre que não apresentar a segurança esperada pelo consumidor, levando-se em consideração:
 
 O modo de fornecimento;
 O resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
 A época em que foi colocado em circulação.
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Toda vez que o fornecedor de serviços infringir o dever de prestar as informações necessárias e adequadas sobre o serviço inserido no mercado de consumo, deverá ressarcir o consumidor pelos prejuízos por este experimentados.
As excludentes de responsabilidade pelo fato do produto também se aplicam ao fato do serviço. Na forma do § 3º do art. 14 do CDC. É importante salientar que a prova da excludente de responsabilidade é do fornecedor de serviço.
O caso fortuito e a força maior também são considerados excludentes de responsabilidade.
Há também a responsabilidade civil do profissional liberal, conforme a regra do § 4º do art. 14, a qual é adotada a teoria da responsabilidade subjetiva.
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CONSUMIDOR POR EQUIPAÇÃO
O art. 17 do CDC prevê a figura do \u201cconsumidor por equiparação\u201d, estendendo a proteção do Código a qualquer pessoa eventualmente atingida por acidente de consumo.
A extensão justifica-se pela potencial gravidade que pode assumir a difusão de um produto ou serviço no mercado. Protege-se, assim, o consumidor direto e o indireto por equiparação.
A equiparação de todas as vítimas do evento aos consumidores, na forma do citado art. 17, justifica-se em função da potencial gravidade que pode atingir o fato do produto ou do serviço.
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VÍCIO DO PRODUTO
O vício do produto o torna impróprio ao consumo, produz a desvalia, a diminuição do valor e frustra a expectativa do consumidor, mas sem coloca-lo em risco.
Cabe esclarecer que não se trata aqui do vício redibitório previsto nos arts. 441 a 446 do CC. A garantia assegurada pelo CDC é bem mais ampla. Enquanto os vícios redibitórios pelo CC dizem respeito aos defeitos ocultos da coisa, os vícios de qualidade ou de quantidade