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RESUMO TUTORIAIS - UC 14
ATRESIA DE ESÔFAGO
DEFINIÇÃO Interrupção completa da continuidade da luz esofágica. Quando o esôfago é anormalmente fechado ou
ausente
EPIDEMIOLOGIA Anomalia congênita do esôfago mais comum, relacionada a outras anomalias congênitas (cardiovasculares,
gastrointestinais, vertebrais)
FISIOPATOLOGIA Separação embriológica incompleta da traquéia e do esôfago
QUADRO
CLÍNICO
Acúmulo de saliva na faringe posterior, bolhas de ar, aspiração frequente, dificuldade em passagem de
sonda, dispneia, cianose, tosse, regurgitação
Com fístula: abdome distendido (com ar no abdome)
Sem fístula: abdome escavado (sem ar no abdome)
CLASSIFICAÇÃO
DIAGNÓSTICO Ecografia fetal: ausência de bolha gástrica, pequena bolha gástrica, poli-hidrâmnio, visualização do coto
esofágico proximal dilatado
RX de tórax: não utilizar contraste pelo risco de aspiração pela fístula. Injeção de ar durante o exame —>
mostra distensão do coto proximal, presença de ar no abdome ou nas alças intestinais
TRATAMENTO Cirúrgico: não é uma emergência cirúrgica
- Gastrostomia + anastomose: na atresia de sem fístula traqueoesofágica (A). Primeiro libera alimentação
pela gastrostomia, depois espera-se o crescimento de um dos cotos, diminuindo o espaço e permitindo
a anastomose
- Secção + sutura da fístula + anastomose: na atresia com fístula traqueoesofágica distal (C)
Classificação de GROSS
A: Atresia sem fístula traqueoesofágica
- Ambos os cotos terminam em fundo cego
- Sem ar no abdome (abdome escavado)
B: Atresia com fístula traqueoesfágica proximal
- Coto proximal se comunica com a traqueia por fístula
- Coto distal é curto
- Sem ar no abdome
- Sintomas respiratórios
C: Atresia com fístula traqueosofágica distal
- Mais comum
- Coto proximal termina em fundo cego
- Coto distal se comunica com a traqueia por fístula
- Com ar no abdome
D: Atresia com fístula traqueoesofágica proximal e distal
- Mais raro
- Com ar no abdome
E: Fístula traqueoesofágica sem atresia
- Fístula em H
- Esôfago é patente (deglutição possível)
- Tosse à deglutição, pneumonia de repetição
F: Estenose congênita de esôfago
- Estreitamento do orifício esofágico (não fecha por completo)
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Isabela Castilho Pellis - T6
CÂNCER DE ESÔFAGO
ADENOCARCINOMA CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS
(CEC)
DEFINIÇÃO Câncer derivado de células glandulares
EPIDEMIOLOGIA Mais comum em homens, mais em brancos. 2˚ mais
comum dos cânceres de esôfago.
*Acomete mais o esôfago distal
Mais comum em homens, mais em negros,
incide mais na 5˚ década (40-50 anos), mais
comum no Brasil, mais comum no Sul do país
(chimarrão). Mais comum dos cânceres de
esôfago
*Acomete mais o esôfago médio
FATORES DE
RISCO
Esôfago de Barret, DRGE, idade avançada, obesidade Álcool, tabagismo, acalásia, bebidas quentes,
nitritos, ingestão de substâncias cáusticas, HPV,
Síndrome de Plummer-Vinson/ Patterson Brown
Kelly (anemia ferropriva)
FISIOAPTOLOGIA DRGE —> esofagite de refluxo —> metaplasia (Barret)
—> displasia de baixo grau —> displasia de alto grau
—> adenocarcinoma
Lesões —> espaçamento do epitélio —> epitélio
fica mais acinzentado —> displasia —>
desconfiguração total do tecido
Há formação de pérolas córneas
QUADRO
CLÍNICO
- Início assintomático (boa adaptação esofágica)
- Disfagia rapidamente progressiva (sólidos —> pastosos —> líquidos)
- Emagrecimento (inapetência)
- Odinofagia
- Sialorreia
- Halitose
- Rouquidão (envolvimento do nervo laríngeo recorrente)
- Hematêmese
- Metástases comuns: pulmão e fígado
DIAGNÓSTICO Endoscopia digestiva alta + biópsia: permite visualização do tumor (principalmente adenocarcinoma).
Podem ser feitos usos de corantes como Lugol (cora glicogênio)
Esofagograma: RX contrastado do esôfago
RX de tórax: pneumonia recorrente
US endoscópica: identifica extensão da doença e presença de linfonodos
TRATAMENTO Cirúrgico:
- Mucosectomia: nos estádios T1a. É um tratamento endoscópico que faz a remoção de lesões
gastrointestinais presentes nas camadas superficiais da parede do tubo digestivo
- Esofagectomia + esofagogastroplastia: a partir do estádio T1b (invasão da submucosa). É feita a
retirada do esôfago com uma anastomose do esôfago ao estômago. As duas técnicas devem ser feitas
juntas
Isabela Castilho Pellis - T6
ESOFAGITES
ESTADIAMENTO
ADENOCARCINOMA CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS
(CEC)
TNM
T: tamanho do tumor
- TX: não pode ser avaliado
- T0: ausência de tumor
- Tis: carcinoma in situ
- T1a: acometeu lâmina própria ou mucosa
- T1b: acometeu submucosa
- T2: acometeu muscular própria
- T3: acometeu adventícia
- T4a: acometeu pleura, pericárdio, diafragma
- T4b: acometeu traqueia, aorta, espinha dorsal
N: linfonodos (avaliar por esofagectomia)
- NX: não pode ser avaliado
- N0: sem linfonodos regionais
- N1: metástase em até 2 linfonodos regionais
- N2: metástase em 3-6 linfonodos regionais
- N3: metástase em mais de 7 linfonodos regionais
M: metástases
- M0: sem metástase
- M1: metástase à distância
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NÃO INFECCIOSA INFECCIOSAS
EOSINOFÍLICA POR CÂNDIDA POR HERPES VÍRUS POR CITOMEGALOVÍRUS
EPIDEMIOLOGIA Incidência vem
aumentando, mais
comum em homens,
relação com alergias,
acomete mais crianças
que adultos
Mais comum em
imunossuprimidos
(AIDS), é a mais
comum das esofagites
infecciosas.
Tambémchamada de
monilíase esofágica ou
candidíase esofágica
Mais comum em
homens, 2˚ maior
causa de esofagite,
comum em
imunossuprimidos
Comum em
imunossuprimidos (AIDS),
transmissão por contato
sexual ou por fluidos orais
Isabela Castilho Pellis - T6
FISIOPATOLOGIA Relação com alergias,
exacerbado da resposta
imune por Th2. IL-5
aumentada (produz
eosinófilos), IL-13
aumentada (IgE)
Infecção fúngica,
principalmente pela
Candida albicans,
pode não estar
associada à
candidíase oral
*Acomete mais
esôfago superior
Geralmente causado
por VHS tipo 1 ou pelo
vírus Varicela Zoster
Infecção por Citomegalovírus
(CMV)
QUADRO
CLÍNICO
Crianças: aversão
alimentar, N/V, disfagia,
regurgitação
Adultos: disfagia não
progressiva, dor torácica
e abdominal, impactação
alimentar, alergia, rinite,
sintomas de DRGE, falha
no tratamento com IBP
Odinofagia (dor),
disfagia (dificuldade -
mais comum),
estomatite, dor
retroesternal
Odinofagia, disfagia,
náusea, vômito,
hematêmese (por
perfuração), lesões em
boca/ nariz
Odinofagia intensa, disfagia,
início gradual, vômitos, dor
epigástrica
DIAGNÓSTICO Endoscopia digestiva
alta: traqueinização
(aneis mucosos), mucosa
esbranquiçada, erosões
lineares, estenose
esofágica
Análise histopatológica:
feita a partir da EDA.
Infiltração epitelial por
eosinófilos. 15-20
eosinófilos por campo
Hemograma: eosinofilia
(aumento de eosinófilos)
Endoscopia digestiva
alta: lesões
esbranquiçadas,
pouco elevadas. Fazer
biópsia das bordas e
do centro da úlcera
Análise
histopatológica: a
partir da EDA,
presença de fungos
(pseudohifas +
leveduras)
Sorologia para HIV:
comum em
imunossuprimidos
Endoscopia digestiva
alta: úlcera em saca-
bocado, erosões tipo
“vulcão”. Fazer
biópsia das bordas da
úlcera
*Úlcera única
Análise
histopatológica: a
partir da EDA,
inclusões virais
nucleares dentro de
uma linha de células
epiteliais em
degeneração na borda
da úlcera
Sorologia para HIV:
comum em
imunossuprimidos
Endoscopia digestiva alta:
ulcerações mais rasas, úlcera
grande, halo ao redor do
núcleo (“olho”). Fazer biópsia
no centro da úlcera.
*Múltiplas úlceras
Análise histopatológica: a
partir da EDA, células com
inclusões nucleares
Sorologia para HIV:comum
em imunossuprimidos
TRATAMENTO Não medicamentoso:
restrições dietéticas
Medicamentoso: IBP
(Omeprazol 40mg antes
da refeição), Corticoide
(“puff")
Medicamentoso:
- Fluconazol
200-400mg VO (EV
em cassais graves),
1x/dia, por 14-21 dias
- Nistatina 5-10mL, de
6/6h, por 14-21 dias
Medicamentoso:
-Aciclovir, 400mg, de
8/8h, por 7 dias
-Ganciclovir, 5mg/kg
EV, 12/12h, por 14-21
dias
Medicamentoso:
- Ganciclovir, 5mg/kg EV,
12/12h, por 14-21 dias
*Não usar Aciclovir (não
funciona)
NÃO INFECCIOSA INFECCIOSAS
EOSINOFÍLICA POR CÂNDIDA POR HERPES VÍRUS POR CITOMEGALOVÍRUS
Isabela Castilho Pellis - T6
NÃO INFECCIOSA INFECCIOSAS
EOSINOFÍLICA POR CÂNDIDA POR HERPES VÍRUS POR CITOMEGALOVÍRUS
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Isabela Castilho Pellis - T6
ESOFAGITE TRAUMÁTICA - SODA CÁUSTICA
EPIDEMIOLOGIA Causa mais comum de estenose esofágica em crianças < 6 anos (especialmente por pilhas), e a 2˚ causa
mais comum em adultos, relacionada a tentativa suicida, aumenta os riscos de câncer de células
escamosas (CEC)
FISIOPATOLOGIA Necrose de coagulação: causada por agentes ácidos
Necrose de liquefação: causada por agentes alcalinos (pilha, soda cáustica), causam lesões mais graves,
lesão celular imediata, trombose de pequenos vasos, isquemia local, perfuração
Há 3 fases da esofagite traumática: necrose aguda —> ulceração e granulação —> cicatrização
CLASSIFICAÇÃO 1˚ grau: lesão limitada à mucosa, com hiperemia, edema e necrose superficial, cicatrização sem cicatriz
2˚ grau: lesão profunda da mucosa com formação de exsudato, necrose profunda e exposição da
musculatura do esôfago
3˚ grau: lesão de todas as camadas do esôfago e estômago, que pode levar à mediastinite, peritonite
QUADRO
CLÍNICO
Sialorreia, sensação de queimação, edema de lábios/ boca/ faringe, rouquidão, estridor, afonia (queimadura
de VAS), odinofagia, vômito, hematêmese, taquicardia
DIAGNÓSTICO
TRATAMENTO Fase aguda: 1-30˚ dia = observação, hidratação, suspensão de dieta
Fase crônica: > 30 dias
*Evitar indução de vômito e lavagem gástrica
Anamnese + exame físico: história, achados característicos
Laringoscopia/ endoscopia: identificar lesões da mucosa, graduar
RX de tórax e abdome: identificar pneumoperitônio, pneumomediastino (= identificar ar nas cavidades)
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ACALÁSIA IDIOPÁTICA MEGAESÔFAGO CHAGÁSICO
DEFINIÇÃO É um distúrbio de motilidade congênito caracterizado
por peristaltismo defeituoso, falta de relaxamento do
esfíncter esofágico inferior à deglutição e elevação da
pressão de repouso do esfíncter esofágico inferior
Destruição ou ausência dos plexos nervosos
intramuros do esôfago, que determina ausência do
peristaltismo ao nível do corpo esofágico + não
abertura do EEI em resposta à deglutição
EPIDEMIOLOGIA Mais comum dos distúrbios motores, acomete
igualmente homens e mulheres, é um fator de risco
para CEC, no Brasil, ocorre mais em MG e norte do PR
90% apresenta a forma adquirida, endêmica no
Brasil, comum na América do Sul, mais prevalente
no Norte e Nordeste do país (açaí)
FISIOPATOLOGIA Ausência de relaxamento do EEI + peristalse do corpo
esofágico. Perda de neurônios inibitórios (no início),
principal região afetada é o Plexo Mioentérico
(Auerbach)
Fase inicial: componente inflamatório, perda seletiva
de neurônios
Fase final: perda completa das células ganglionares,
substituição por tecido fibroso
Estase esofágica, incoordenação motora,
dilatação e diminuição da capacidade de
contração, desperistalse/ peristalse do corpo,
ausência do relaxamento do EEI. Lesão dos
plexos de Auerbach e Meissne
Etiologia: Trypanossoma cruzi (Doença de
Chagas)
QUADRO
CLÍNICO
Disfagia gradual para sólidos e líquidos, tosse crônica
(especialmente noturna), perda de peso lenta, halitose,
regurgitação alimentar
Disfagia transitória, lenta e progressiva, aliviada
por deglutições repetidas ou ingestão de líquido,
regurgitação noturna, Sinal de Romanã, sintomas
de fase aguda da doença de Chagas (febre,
hepatoesplenomegalia, miocardite aguda)
*Esofagopatia chagásica se manifesta 10-15 anos
após o contato
CLASSIFICAÇÃO Classificação de Rezende
-Grau 1: Até 4cm, com pequeno ou nenhum retardo de esvaziamento
-Grau 2: 4-7cm, com retardo de esvaziamento
-Grau 3: 7-10cm, com retardo de esvaziamento progressivamente maior
-Grau 4: >10cm, ou perda do eixo vertical (dolicomegaesôfago), grande retardo de esvaziamento
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Isabela Castilho Pellis - T6
DIAGNÓSTICO Reação sorológica: contato com o patógeno
Esofagograma baritado: RX contrastado do
esôfago, retardo na progressão do contraste para
o estômago, afilamento distal (“sinal do rabo de
gato”). Padrão-ouro
ECG: investigação de cardiopatia chagásica
*Anamnese = zonas endêmicas, açaí, caldo de
cana, contato com a doença
TRATAMENTO
ACALÁSIA IDIOPÁTICA MEGAESÔFAGO CHAGÁSICO
Clínico: grau 1, alimentação adequada, medidas dietético-comportamentais
Medicamentoso: grau 1
-Bloqueadores de Canal de Cálcio: Verapamil, Diltiazem --> diminuem a pressão no EEI
-Relaxantes da musculatura lisa: Nitratos, 15-30 minutos antes das refeições. Efeitos colaterais são
comuns
-Toxina botulínica: inibe a liberação de Acetilcolina nas terminações nervosas, ajuda a restaurar melhor
pressão de repouso. Pode ser utilizada no grau 2
Cirúrgico: grau 2, 3 e 4
-Dilatação pneumática: rompimento do EEI pela dilatação da JEG com um balão de ar (via endoscópica).
Não é definitiva, grau 2
-Miotomia de Heller/ esofagotomia inferior: secção do EEI até a mucosa (fica preservada). Definitiva,
grau 3
-Esofagectomia subtotal: retirada do esôfago, grau 4
*No megaesôfago chagásico, controlar a parasitemia com Benzinidazol
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Esofagograma baritado: RX contrastado do esôfago.
Demonstra esôfago dilatado, tortuoso, com retardo no
esvaziamento, nível hidroaéreo, “bico de pássaro”
Manometria esofágica: mede a pressão esofagiana,
principalmente nos terços distais. É o padrão-ouro
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Isabela Castilho Pellis - T6
CÉLULAS SECREÇÃO LOCALIZAÇÃO FUNÇÃO
OXÍNTICAS/
FÚNDICAS
HCl, Fator
Intrínseco
Fundo HCl: conversão de tripsinogênio em tripsina, facilita absorção de ferro e
cálcio, destruição de microrganismos
Fator Intrínseco: absorção de vitamina B12
PRINCIPAIS/
ZIMOGÊNICAS
Pepsinogênio Fundo Convertido em Pepsina (forma ativa), inicia a digestão de proteínas
MUCOSAS Muco Fundo e Antro Camada fina e viscosa que adere à superfície gástrica, estimulado pela
distensão gástrica. Lubrifica, facilita movimento dos alimentos no
estômago, protege a mucosa contra ação da Pepsina e HCl, mantém um
ambiente aquoso
CÉLULAS G Gastrina Antro Estimulada pela ingestão de proteínas, estimula a secreção ácida e
séptica, aumenta o fluxo sanguíneo no estômago
CÉLULAS D Somatostatina Antro Atua indiretamente na regulagem da glicemia, modula a secreção da
insulina e glucagon
ENDÓCRINAS Enteroglucagon,
Serotonina
Fundo Enteroglucagon: retarda do esvaziamento gastrico, contraindo o piloro
ESTENOSE HIPERTRÓFICA DO PILORO ATRESIA DUODENAL
EPIDEMIOLOGIA Acomete mais meninos, mais comum em brancos,
filhos de mãe com a mesma doença. Estresse
durante a gestação pode estar relacionado
Relação com prematuridade e Síndrome de Down
(trissomia do 21). Causa mais comum de obstrução
intestinal congênita. Frequentemente ocorre na
Papila de Bater
FISIOPATOLOGIA Hipertrofia das camadas musculares circular e
longitudinal do piloro e do antro gástrico, causando
estreitamento da luz, dificuldade/ retardo no
esvaziamento gástrico
Obstrução da parte inicial do intestino delgado (=
duodeno. Há persistência de proliferações epiteliais
ou recànalização incompleta do TGI
QUADRO
CLÍNICO
Se apresenta geralmente entre 2˚-4˚ semana devida. Tumor palpável em HD (oliva pilórica - sinal
patognomônico), vômitos não-biliosos,
progressivos e em jato, com conteúdo alimentar,
ondas gástricas visíveis , alcalose metabólica
Abdome distendido na região epigástrica (abaulado
no resto), vômitos biliosos, icterícia, poli-hidrâmnio
(>2.000mL)
DIAGNÓSTICO
TRATAMENTO Cirúrgico: não é uma emergência
-Piloromiotomia extramucosa: corte no músculo
do piloro
Cirúrgico: não é uma emergência
-Duodeno-duodenostomia em forma de
diamante: remoção da parte obstruída, ligando as
duas partes do duodeno
Pode ser feita passagem de sonda para alimentação + reposição hidroeletrolítica antes da cirurgia
-Exame físico: palpação da oliva pilórica
-US abdominal: sinal do alvo
-RX contrastado de abdome: sinal da bolha única,
sinal do cordão
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-Ecografia fetal: estômago e ampola duodenal
dilatados, preenchidos por líquido, poli-hidrâmnio
-RX contrastado de abdome: sinal da bolha dupla
(patognomônico), ausência de ar no restante do
abdome
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Isabela Castilho Pellis - T6
GASTRITE MEDICAMENTOSA GASTRITE INFECCIOSA (H. PYLORI) GASTRITE AUTOIMUNE (ANEMIA
(PERNICIOSA)
DEFINIÇÃO É a inflamação da mucosa gástrica, com presença de infiltrado leucocitário inflamatório na mucosa
estomacal
-Aguda: álcool, AINE, corrosivos —> neutrófilos
-Crônica: auto-imune, H. pylori —> linfócitos e plasmócitos
-Especiais: TB, fúngica, granulomatose, flegmonosa
EPIDEMIOLOGIA Mais frequente em idosos,
alcoolistas, tabagistas e
pacientes com predisposição
Mais prevalente entre as gastrites,
infecta cerca de 50% da população
mundial, aumenta os riscos de
câncer (metaplasia intestinal).
Relação com estado
socioeconômico, pobreza, áreas
rurais
Gastrite tipo A, geralmente
associada a outras doenças
autoimunes (Tireoidite de
Hashimoto, DM), menos
prevalente (2%), fator de risco
para adenocarcinoma gástrico
FISIOPATOLOGIA Há uma diminuição dos fatores
defensivos, diminuição do fluxo
sanguíneo submucoso
(isquemia), inibição das COX,
inclusive das constitutivas
(AINEs), inibição da cicatrização
normal.
Medicamentos: Diclofenaco,
Ibuprofeno, Cetoprofeno,
Aspirina (embora não seja
usada como AINE)
*Gastrite aguda
Adquirido por via oral —> gastrite
aguda superficial —> diminuição na
produção de HCl —> gastrite
crônica —> desgranulação de
mastócitos —> liberação de fatores
inflamatórios —> resolução
espontânea (embora a bactéria
geralmente desapareça)
Gastrite neutrofílica —> gastrite
crônica
*Gastrite crônica
Ocorre atrofia seletiva, parcial ou
completa das glândulas gástricas
(parietais) no corpo e fundo do
estômago —> deficiência na
secreção de fator intrínseco —
> substituição de células
superficiais normais por mucosa
intestinal = metaplasia intestinal
Diminuição da absorção de
vitamina B12
*Gastrite crônica
REGIÃO MAIS
ACOMETIDA
Tudo Antro Corpo e fundo
PRODUÇAO DE
HCL
Aumentada Aumentada, levemente reduzida =
hipercloridrina, hipocloridrina
Reduzida = hipocloridrina
CÉLULAS
PREDOMINANTES
Neutrófilos Linfócitos e plasmócitos Linfócitos e plasmócitos
QUADRO CLÍNICO Dispepsia, pirose, náusea e
vômito, dor epigástrica
Dor epigástrica, dispepsia, náusea e
vômito agravados pela alimentação,
GECA, sialorreia, pirose
Sintomas neurológicos
(neuropatia, parestesia,
demência) e hematológicos —>
deficiência de B12 (anemia
megaloblástica)
DIAGNÓSTICO Clínico: anamnese, uso de
AINEs
-Endoscópicos: padrão ouro,
identifica presença de folículos
linfáticos
- Teste rápido de urease
- Biópsia
- PCR
-Não endoscópicos: menos
invasivos
- Teste rápido com ureia:
respiração com C marcado
- Sorologia
- Antígeno nas fezes
-Endoscopia digestiva alta +
biópsia + histopatológico:
mucosa de aspecto liso e
brilhante. Coletar material do
corpo e do antro
-Hemograma: identificar anemia
megaloblástica —> macrocítica
—> perniciosa
TRATAMENTO Clínico: retirada dos AINEs +
uso de IBP (Omeprazol 20mg/
dia em jejum)
Clínico: tríplice esquema —> 7-14
dias de (ATB + IBP) = Amoxicilina +
Clavulanato + Omeprazol
Clínico: tratar apenas a anemia
—> reposição de Vitamina B12
(200mg/ mês, IM, EV, a vida toda)
Isabela Castilho Pellis - T6
ÚLCERA GÁSTRICA ÚLCERA DUODENAL
EPIDEMIOLOGIA Os casos vêm diminuindo devido ao desenvolvimento
de inibidores da secreção gástrica e identificação de
H. Pylori
Úlceras causadas por AINEs vêm aumentando devido
ao uso progressivo desses medicamentos
Acomete mais homens, fator de risco para câncer
gástrico (MALT)
Afecção comum
FISIOPATOLOGIA Diminuição dos mecanismos protetores da mucosa
gastrointestinal ou sua sobreposição por efeitos
agressores do HCl e Pepsina. Relacionado à
autodigestão e desequilíbrio entre fatores agressivos
e defensivos
*Geralmente < 5cm
Corrosão da mucosa duodenal pelo HCl. Perda
de fatores protetivos e aumento da agressão
QUADRO CLÍNICO Dor epigástrica (abdome superior), dor noturna,
melena (bem escuro), hematêmese. Piora com
alimentação (dor não passa com alimento por causa
da fase cefálica que estimula produção de HCl)
Complicações: perfuração, hemorragia digestiva,
pneumoperitônio e peritonite (extravasamento de HCl,
pode ser causado por perfuração)
Dor abdominal. Melhora com alimentação
(alimentos servem como substâncias
“neutralizantes” —> dor tipo “fome" em 3 tempos
= dói-come-passa)
DIAGNÓSTICO Clínico: com base na anamnese/ queixas
Endoscópico: EDA + biópsia —> identificação da
lesão e coleta de material para biópsia
Clínico: com base na anamnese/ queixas
Endoscopia digestiva alta: identificação da
lesão. Pode ou não ser feita biópsia
(Baixos riscos de câncer, nem sempre precisa de
biópsia)
TRATAMENTO Não medicamentoso: melhora da dieta, comer com intervalos frequentes (3/3h), retirada de AINEs
Medicamentoso: IBP (Omeprazol) + Claritromicina + Amoxicilina
Úlcera péptica = úlcera gástrica e duodenal
*Não são fatores de risco para adenocarcinoma
ADENOCARCINOMA LINFOMA MALT
EPIDEMIOLOGIA Mais comum dos cânceres de estômago, 95% das
neoplasias malignas do estômago, 2˚causa de óbito por
câncer, alta incidência na América Latina/ do Sul, acomete
mais homens, 50-70 anos
É um linfoma não-Hodgkin, neoplasia de
células B. O linfoma primário é raro, o
secundário é mais comum, acomete mais
homens, comum acima dos 60 anos
*MALT todos têm (tecido linfoide
associado à mucosa)
FATORES DE RISCO Ambiental (ingestãp/ inalação de carcinogênicos), baixa
situação econômica, dieta (conservados, nitratos), sangue
tipo A, anemia perniciosa (autoimune), tabagismo, história
familiar, gastrite por H. pylori (principalmente CAG-A)
Gastrite por H. pylori (principal),
translocação dos cromossomos 11 e 18,
> 60 anos, distúrbios autoimunes
FISIOPATOLOGIA H. pylori —> gastrite —> metaplasia intestinal —>
displasia —> câncer gástrico
Nitritos e pH elevado —> lesão gástrica pré-cancerosa —
> câncer gástrico
Isabela Castilho Pellis - T6
CLASSIFICAÇÃO
(ADENOCARCINOMA)
QUADRO CLÍNICO Início assintomático, dor epigástrica contínua e não
irradiada, perda de peso e de apetite, plenitude gástrica
Manifestações de metástases: linfonodos
característicos
- Linfonodo de Brumer: peritoneal, fundo de saco de
Douglas —> prateleira de Brumer
- Linfonodo de Virchow: supraclavicular
- Linfonodo de Irmã Maria-José: periumbilical
- Linfonodo de Krukenberg: ovariano
Epigastralgia, anorexia, perda de peso,
náusea e vômito, saciedade precoce,
melena, hematêmese
DIAGNÓSTICO Endoscopia (EDA) + biópsia + histopatológico: incluir
áreas centrais e periféricas
TC de abdome e tórax: identificação de metástases e
estadiamento (TNM)
Endoscopia (EDA) + biópsia+
histopatológico: presença de linfonodos
neoclássicos
TC de abdome e tórax: identificação de
metástases e estadiamento (TNM)
TRATAMENTO Cirúrgico:
- Mucosectomia: em casos precoces —> técnica
endoscópica que permite a remoção de lesões nas
camadas superficiais da parede do TGI (mucosa e
submucosa).
- Gastrectomia + linfadenectomia + omentectomia:
remoção cirúrgica do estômago, de linfonodos e do
omento
- Quimio/ radioterapia: 5-FU, cisplatina
Cirúrgico:
- Gastrectomia total + quimio/
radioterapia: retirada do estômago
Medicamentoso:
- Omeprazol (IBP) + Claritromicina +
Amoxicilina: tratar o H. pylori
ADENOCARCINOMA LINFOMA MALT
De Lauren (histologia)
- Intestinal: bem diferenciado, estrutura glandular, metaplasia intestinal, melhor prognóstico.
Acomete mais idosos
- Difuso: pouco diferenciado, ulcerativo, difusamente infiltrado, células em sinete (cheias de mucina),
não forma glândulas, sem metaplasia, pior prognóstico. Acomete mais jovens
De Bormann (profundidade)
- Tipo I (polipoide/fungoide): acomete a mucosa
- Tipo II (ulcerado): acomete a submucosa, não acomete muscular
- TIpo III (infiltrativo e ulcerado): acomete a muscular, não acomete serosa
- Tipo IV (difuso infiltrativo): infiltra outros órgãos adjacentes
�
COMPONENTES INTESTINAIS
PREGAS SEMILUNARES Dobras de mucosa e submucosa
VILOSIDADES Evaginações (“para cima”) —> fazem absorção
CRIPTAS Invaginações —> estão entre as vilosidades, formadas por epitélio glandular, (“para baixo”)
—> fazem secreção
GLÂNDULAS DE LIEBERKHÜN Epitélio glandular entre as criptas
CÉLULAS DE PANETH Secretam Defensina —> ajuda na proteção contra fungos, bactérias, vírus
ENTERÓCITOS Células responsáveis pela absorção
Isabela Castilho Pellis - T6
DIARREIAS (TEMPO)
DURAÇÃO Aguda: < 2 semanas
Persistente: 2-4 semanas
Crônica: > 4 semanas (Pode ser osmótica, secretória, disabsortiva ou inflamatória)
ETIOLOGIA Geralmente possui etiologia infecciosa
QUADRO
CLÍNICO
3-7 evacuações diárias, perda de menos de 1L de água nas fezes
Inflamatória/ invasiva: afeta o cólon, pequeno volume, vários episódios, dor, tenesmo. Sangue, pus e muco
nas fezes (disenteria), febre e EAF +
Não inflamatória/ não invasiva: afeta o delgado, grande volume, poucos episódios, sem febre, EAF -, sem
sangue, pus ou muco (disenteria)
TRATAMENTO Não há tratamento específico, geralmente são autolimitados (5 dias) —> realizar medidas de suporte:
- Dieta de acordo com aceitação do paciente, leve, de fácil digestão
- Hidratação proporcional à gravidade da diarreia —> oral ou soro caseiro em curtos intervalos
- Probióticos ajudam a reestabelecer a microbiota intestinal
DIARREIAS
(LOCAL)
ALTA BAIXA
ORIGEM Intestino delgado Cólon
CARACTERÍSTICAS Episódios muito volumosos, pequeno número de
evacuações, grande perda líquida (10L/dia —>
pode evoluir para choque hipovolêmico),
esteatorreia (não há absorção dos nutrientes no
intestino delgado —> saem nas fezes com muco)
Episódios pouco volumosos, grande número de
evacuações, tenesmo, urgência fecal, irritação do
reto, baixa perda líquida (1,5L/dia)
DIARREIAS
(FISIOPATOLOGIA)
FISIOPATOLOGIA CAUSAS/ EX CARACTERÍSTICAS
OSMÓTICA Existência/ acúmulo de uma substância
osmoticamente ativa e não absorvível
pelo epitélio intestinal —> impede a
absorção de líquidos
*Mucosa irritada
Ingestão de sais de
magnésio (laxantes),
ingestão de sais de
fosfato, Sorbitol,
intolerância à lactose,
diarreia de antibióticos
Cessa completamente com jejum,
reaparece após uma refeição,
cólica (acúmulo de gás intestinal)
SECRETÓRIA Quando existe algum fator (toxinas,
drogas) que estimula secreção ou inibe
absorção hidroeletrolítica
*Pode ser alta, baixa ou as duas
Laxativos, cólera, diarreia
dos ácidos biliares
Não melhora com jejum
INFLAMATÓRIA/
INVASIVA
Decorrente da liberação de citocinas e
mediadores inflamatórias por lesão direta
da mucosa, estimulando a secreção
intestinal e aumento da motilidade. Há
inibição da absorção por lesão da
mucosa
Amebíase, doença
inflamatória intestinal
(DII), alergia à proteína do
leite de vaca
Presença de pus, sangue e muco
nas fezes (disenteria), febre
DISABSORTIVA Causada pela má absorção de
carboidratos e ácidos graxos, que por
efeito osmótico ou secretório induzem
diarreia
*Originado em uma doença do intestino
delgado
Doença celíaca, doença
de Chron, doença de
Whipple, giardíase
Diarreia com esteatorreia
(eliminação fecal com lipídeos),
deficiência de nutrientes (ferro,
B12)
DIARREIAS
(FISIOPATOLOGIA)
Isabela Castilho Pellis - T6
FUNCIONAL Causada pela hipermotilidade intestinal Síndrome do intestino
irritável (SII), diarreia
diabética
Aumento da freqüência de
evacuação diária, alternância de
diarreia e constipação, cólicas
abdominais
FISIOPATOLOGIA CAUSAS/ EX CARACTERÍSTICASDIARREIAS
(FISIOPATOLOGIA)
DIARREIA
BACTERIANA
SALMONELLA SHIGELLA/ DISENTERIA
BACILAR
ESCHERICHIA COLI CÓLERA
EPIDEMIOLOGIA Comum, problema de
saúde pública
Distribuída mundialmente,
causa comum de diarreia
inflamatória. Relação com
baixo saneamento básico,
superpovoamento, mais
comum em crianças,
altamente contagiosa,
acomete mais intestino
grosso
Diarreia por bactéria mais
comum no Brasil
Endêmica na äsia,
Oriente Médio,
América Central e do
Sul, epidemias
geralmente ocorrem
nos meses quentes,
mais comum em
crianças
ETIOLOGIA S. enterica, S. Typhy
(febre tifóide)
A: S. dysenteriae
B: S. flexneri
C: S. boydii
D: S. sonnei
*S. dysenteriae produz
toxina Shiga
E. Coli enterohemorrágica
E. Coli colienterotoxigênica
E. Coli enteroenvasiva/
enteropatogênica
V. cholerae
FISIOPATOLOGIA Transmissão por
contato com animais
infectados ou produtos
derivados deles —>
carnes, aves, leite,
ovos
*Galinha te ooforite que
contamina os ovos
Infecção por pessoas
infectadas ou portadoras
da doença (humano =
único reservatório).
Transmissão direta por via
fecal-oral, e indireta por
alimentos e água
contaminados
São habitantes aeróbios
comensais do intestino
grosso (maioria não é
patogênica)
Diarreia secretória
(colienterotoxig.) e
inflamatória
Infecção geralmente
ocorre por água ou
frutos do mar
contaminados. V.
cholerae secreta
toxinas
Diarreia secretória
QUADRO
CLÍNICO
Diarreia aquosa, febre,
cólica abdominal,
diarreia, vômito
Diarreia aquosa ou com
sangue e muco, vômito,
tenesmo, febre, cólica
E. Coli
enterohemorrágica:
diarreia inflamatória
(sangue, muco), febre,
pode causar síndrome
hemolítica-urêmica (SHU)
E. Coli
colienterotoxigênica:
diarreia aquosa/ secretória,
sem febre. Não causa
disenteria
E. Coli enteroenvasiva/
enteropatogênica: diarreia
inflamatória, sem febre
Diarreia aquosa, fezes
muito volumosas, com
odor de peixe,
vômitos, desidratação
DIAGNÓSTICO Clínico: Cultura de
fezes, Cultura de
sangue, hemograma
Clínico: Cultura de fezes
(coprocultura)
Clínico: Cultura de fezes
(coprocultura)
Clínico: Cultura de
fezes, hemograma,
creatinina
DIARREIA
BACTERIANA
Isabela Castilho Pellis - T6
TRATAMENTO Suporte: hidratação,
dieta leve
Antibiótico: apenas em
pacientes alto risco ou
infecção sistêmica
- Ciprofloxacino
Suporte: hidratação, dieta
leve
Antibiótico: apenas em
pacientes alto risco ou
infecção sistêmica
- Ciprofloxacino
Não usar ATB na E. Coli
enterohemorrágica
Suporte: hidratação,
dieta leve
Antibiótico: apenas
em pacientes alto risco
ou infecção sistêmica
- Ciprofloxacino
*Existe vacina
SALMONELLA SHIGELLA/ DISENTERIA
BACILAR
ESCHERICHIA COLI CÓLERADIARREIA
BACTERIANA
DIARREIA VIRAL
EPIDEMIOLOGIACausa mais comum de diarreia grave na infância
ETIOLOGIA Rotavírus: mais comum, acomete mais crianças pequenas
Norovírus: crianças e adultos
Astrovírus
Adenovírus
Coronavírus
FISIOPATOLOGIA Diarreia secretória que se transforma em osmótica. Eritrócitos infiltrados —> lesão —> diminui absorção
e aumenta secreção —> causa diarreia
QUADRO CLÍNICO Diarreia aquosa, desidratação, vômitos, dor abdominal
DIAGNÓSTICO Clínico: Cultura de fezes (coprocultura)
TRATAMENTO Clínico: Tratamento de suporte (reidratação, realimentação precoce).
*Vacinação infantil existe contra a maioria das cepas patogênicas
DIARREIA POR
PROTOZOÁRIOS
GIARDÍASE AMEBÍASE CRIPTOSPORIDÍASE
EPIDEMIOLOGIA Acomete mais o delgado, acomete
crianças
Relacionada com más condições
socioeconômicas e de
saneamento. Comum na América
Central e do Sul, África e Índia
Comum em pacientes com
AIDS, causa diarreia do
viajante
ETIOLOGIA Giardia intestinalis Entamoeba histolytica Cryptosporidium hominis
(humanos), Cryptosporidium
parvum
FISIOPATOLOGIA Transmissão ocorre pela água e
alimentos contaminados, geralmente
pela via fecal-oral e contato direto
com pessoas contaminadas. causa
um atapetamento
Diarreia alta, disabsortiva
Trofozoítos na mucosa se
multiplicam e formam cistos.
Transmissão oral-fecal
Diarreia baixa
Transmissão ocorre por água
e alimentos contaminados
por fezes, geralmente por
contato direto com pessoas
contaminadas
Diarreia secretória ou
disabsortiva
QUADRO
CLÍNICO
Diarreia aquosa e fétida, fezes
explosivas, esteatorreia, flatulência,
má absorção crônica (perda de peso
significante
Fezes semilíquidas, com sangue,
muco e trofozoítos vivos (disenteria
amebiana), cólicas,
emagrecimento, anemia e
abscesso hepático
Diarreia aquosa, de início
agudo, cólicas abdominais
DIAGNÓSTICO Clínico: coprocultura Clínico: coprocultura, cistos Clínico: coprocultura
TRATAMENTO Clínico: suporte (reidratação).
Metronidazol
Clínico: suporte (reidratação).
Metronidazol + Iodoquinolol
Clínico: suporte (reidratação).
Nitazoxanida
Isabela Castilho Pellis - T6
COLITE PSEUDOMEMBRANOSA
DEFINIÇÃO Forma grave de colite associada a placas mucosas exsudativas (pseudomembranas) aderidas à
superfície da mucosa colônia inflamada
EPIDEMIOLOGIA Principal causa de infecção entérica hospitalar
FATORES DE RISCO Idosos, pacientes debilitados, antibioticoterapia prolongada (>10 dias), história prévia de doença
inflamatória intestinal
ETIOLOGIA Clostridium difficile: bactéria comensal normal do intestino, anaeróbia obrigatória, resistente. Cepas
mais virulentas: NAP-1
*Toxina A: enterotoxina
*Toxina B: citotoxina
FISIOPATOLOGIA Antibioticoterapia —> altera a mcroflora colônica —> exposição aos esporos do C. Difficile —>
liberação de toxinas A e B—> lesão inflamatória da mucosa.
*Bacterioides: bactérias que impedem o crescimento do C. Difficile —> geralmente são aniquiladas
pelos antibióticos
*Antibióticos envolvidos: clindamicina, ampicilina, cefalosporina, fluoroquinolonas
QUADRO CLÍNICO Diarreia aquosa até diarreia com muco e sangue (disenteria), dor abdominal, febre, dor abdominal.
Complicações envolvem hipotensão, taquicardia, desidratação, megacólon tóxico
*Pode se manifestar até 6 semanas após a antibioticoterapia
DIAGNÓSTICO
TRATAMENTO Suspensão do antibiótico em uso e troca por outra classe com menos risco de CPM (ex.:
Aminoglicosídeos) + Antibioticoterapia contra o C. difficile (Metronidazol, Vancomicina)
*Transplante fecal pode ser usado como tratamento (enterobactérias vindas de um indivíduo saudável)
Clínico + exames laboratoriais + exames de imagem
Laboratorial:
- Pesquisa de toxinas nas fezes: positiva, feita por ELISA
- Pesquisa de Glutamato-desidrogenase nas fezes: screening
Imagem/ endoscópico:
- Retossigmoidoscopia: achados de pseudomembranas (elevações de mucosa, arredondadas e
amareladas)
- Colonoscopia: achados de pseudomembranas (elevações de mucosa, arredondadas e amareladas)
- TC: evidências de colite (espessamento da parede colônica)
�
Isabela Castilho Pellis - T6
DOENÇAS
INFLAMATÓRIAS
INTESTINAIS (DII)
DOENÇA DE CHRON (DC) RETOCOLITE ULCERATIVA (RCU)
DEFINIÇÃO Doença autoimune que pode acometer qualquer
parte do tubo digestivo, da boca até o ânus
Surgimento inexplicado de lesões inflamatórias que
ascendem de maneira homogênea pela mucosa do
cólon
EPIDEMIOLOGIA Acomete mais mulheres, mais comum em brancos,
judeus, nas idades entre 15-40 anos
Acomete mais homens, fator de risco para câncer
FATORES DE
RISCO
História familiar positiva, tabagismo, gene NOS2/
CARD15
História familiar positiva
*Tabagismo = fator protetivo
FISIOPATOLOGIA Tem etiologia desconhecida, pode estar relacionada
com uma desregulação da imunidade na mucosa
intestinal, justificando o surgimento de um processo
inflamatório espontâneo
QUADRO
CLÍNICO
Acomete qualquer parte do TGI, de forma
“salteada”/ descontínuas, com lesões
transmurais, presença de granulomas, diarreia
crônica, cólicas, doença perianal (fístulas,
fissuras), febre, síndrome disabsortiva grave
Acomete exclusivamente o cólon (principalmente
distal), acomete apenas a mucosa, de padrão
uniforme (padrão contínuo), diarreia mais
sanguinolenta (disenteria)
COMPLICAÇÕES Deficiência de B12, anemia, sangramento,
megacólon tóxico, estenose, fístulas, câncer
Megacólon tóxico
DIAGNÓSTICO - Endoscopia digestiva alta + biópsia:
comprometimento salteado, com úlceras aftosas
- Ileocolonoscopia + biópsia: comprometimento
salteado, com úlceras aftosas
- Histopatologia: presença de granulomas
- Colonoscopia + biópsia: comprometimento
contínuo, hiperemia, edema, mucosa com
aspecto tubular, perda das haustrações,
espessamento da mucosa lisa (“cano de
chumbo")
- RX contrastado: perda das haustrações (“cano
de chumbo”)
TRATAMENTO Medicamentoso:
- Derivados do 5-ASA: Asacol, Apriso,
Sulfassalazina
Cirúrgico:
- Estricturoplastia: apenas se houverem
complicações
*Não tem cura
Medicamentoso:
- Derivados do 5-ASA: Asacol, Apriso,
Sulfassalazina
Cirúrgico: proctocolectomia total
INTOLERÂNCIAS
ALIMENTARES/
SÍNDROMES
DISABSORTIVAS
DOENÇA CELÍACA INTOLERÂNCIA À LACTOSE
DEFINIÇÃO Doença autoimune de caráter permanente que só
aparece em indivíduos geneticamente predispostos,
sendo desencadeada pela exposição ao glúten na
dieta
Incapacidade parcial ou completa de digerir o
açúcar existente no leite e seus derivados
EPIDEMIOLOGIA Acomete mais brancos, mas só 10% recebe o
diagnóstico
Sua prevalência vem aumentando
INTOLERÂNCIAS
ALIMENTARES/
SÍNDROMES
DISABSORTIVAS
Isabela Castilho Pellis - T6
METABOLISMO DA BILIRUBINA
Hemácias (120 dias) —> degradadas no baço (polpa vermelha) —> hemoglobina quebrada em heme e globina —> heme é
degradado em ferro e protoporfirina —> ferro é incorporado aos ossos —> protoporfirina se transforma em biliverdina —> vira
bilirrubina —> bilirrubina se liga com albumina = indireta/ não conjugada —> bilirrubina indireta vai para o fígado e sofre
conjugação (hepatócitos) e excreção —> enzima glucoronil-transferase transforma bilirrubina indireta em direta (não conjugada
em conjugada)—> excreção de bilirrubina direta na bile —> metabolização por bactérias (íleo e cólon) —> formação de
urobilinogênio —> parte é absorvida e volta para circulação para ser excretada na urina (= urobilina)—> outra parte que não foi
absorvida sai nas fezes (= estercobilina)
- Captação: bilirrubina é removida da albumina na superfície dos hepatócitos
- Conjugação: atuação da glucoronil-transferase (indireta —> direta)
- Secreção/ excreção: transporte ativo, exceção de bilirrubina na bile
FISIOPATOLOGIA Glúten parcialmente digerido no TGI —> liberação deglicina —> se liga à Transglutaminase tecidual (tTG)
—> formação de um complexo macromolecular —>
reconhecido como antígeno pelo MHC classe II —>
linfócitos fazem resposta imune —> destruição da
mucosa intestinal
*Genes HLA-DQ2 e HLA-DQ8
Congênita/ primária: ausência ou deficiência da
atividade lactária (enzima lactase) —> aparece
após 1˚-2˚ ingestão de leite e cessa com a
suspensão da lactose
- Mais em crianças
De início tardio/ secundária: redução da
atividade lactásica com a idade (hipolactasia). A
reintrodução dos alimentos pode ser feita de
forma gradual (pois ainda existe a enzima). Pode
haver relação com GECA prolongada (lesiona
borda em escova)
- Mais em adultos
QUADRO
CLÍNICO
Assintomáticos, diarreia crônica pela perda de
vilosidades, diarreia com muco (esteatorreia),
distensão abdominal, carência de nutrientes/ anemia
(B12, ferro, ácido fólico), dermatite herpetiforme
Diarreia com muco (esteatorreia), distensão
abdominal, dor abdominal, flatulência
Diarreia osmótica, alta
DIAGNÓSTICO Sorologia:
- IgA anti-tTG: IgA anti transglutaminase
- IgA total
EDA + biópsia: atrofia e aplanamento das dobras
mucosas e vilosidaes, infiltração linfocítica,
hiperplasia das criptas
*Diagnóstico definitivo só pode ser feito com a
reversão do quadro após o início de uma dieta sem
glúten + biópsia compatível
Clínico: exalação de H+ (ingestão de lactase)
TRATAMENTO Suspensão do glúten da dieta e medicamentos/
suplementos para as carências nutricionais
Diminuição ou eliminação da lactose da dieta e
uso da enzima lactase (extraída de fungos)
DOENÇA CELÍACA INTOLERÂNCIA À LACTOSEINTOLERÂNCIAS
ALIMENTARES/
SÍNDROMES
DISABSORTIVAS
Isabela Castilho Pellis - T6
*Enzimas hepáticas: lesão hepática
- AST/ TGO
- ALT/ TGP (mais específica do fígado)
*Enzimas caniculares
- FA
- GGT (mais específica do fígado)
*Função hepática:
- Bilirrubina
- Albummina
- Fatores de coagulação (principalmente
TAP)
*Paciente com hepatite viral
aguda: sem prurido, TGO e TGP
elevados
*Paciente com hemólise maciça:
sem acolia, pode ter colúria, sem
prurido, BI elevada, TGO e TGP
podem estar normais
*Paciente com icterícia e cálculo
no colédoco: acolia, pode ter
colúria, prurido, BD aumentada,
GGT e FA aumentadas
ICTERÍCIA DO RN ICTERÍCIA FISIOLÓGICA ICTERÍCIA PATOLÓGICA
EPIDEMIOLOGIA Ocorre em cerca de 60% dos RNs à termo, em 80% dos
RNs pré-termo. Acomete mais meninos
Mais grave
FISIOPATOLOGIA Acontece por decréscimo da conjugação da bilirrubina
não conjugada (bilirrubina indireta) —> imaturidade da
glucoronil-transferase (enzima que transforma
bilirrubina indireta em direta = transforma não conjugada
em conjugada)
Geralmente relacionada à incompatibilidade
Rh (filho + e mãe -), defeitos genéticos
(enzimas)
Ocorre por sobrecarga de bilirrubina no
hepatócito, deficiência da conjugação ou
colestase
FATORES DE
RISCO
Clampeamento tardio do cordão, incompatibilidade
sanguínea materna e fetal (Mão Rh-, pai Rh+, filho Rh+
—> 1˚ filho causa “sensibilização")
Aleitamento materno inadequado, TORCHS
QUADRO CLÍNICO Icterícia que se inicia entre o 2˚-5˚ dia de vida, não está
presente no nascimento, tem sentido crânio-caudal,
geralmente não ultrapassa Zona 3 de Kramer. Má
sucção, hiperatividade, anemia, edema
Complicação: Kernicterus (encefalopatia bilirubínica por
BI)
Acontece já nas primeiras 24h de vida,
DIAGNÓSTICO Dosagem de bilirrubina total e fracionada:
hiperbilirrubinemia às custas da indireta
- < 5mg/dL
Exclusão de causas patológicas
Dosagem de bilirrubina total e fracionada:
hiperbilirrubinemia às custas da indireta
- > 12mg/dL (já nas primeiras 24h)
TRATAMENTO Fototerapia: posicionar a 30cm do paciente, luz azul ou
branca, com o bebê despido, apenas com proteção
ocular
Fototerapia: posicionar a 30cm do paciente,
luz azul ou branca, com o bebê despido,
apenas com proteção ocular
Tratar a causa
SÍNDROMES
ICTÉRICAS
HIPERBILIRRUBINEMIA NÃO CONJUGADA HIPERBILIRRUBINEMIA CONJUGADA
GILBERT CRIGLER-NAJJAR 1 e 2 DUBIN-JOHNSON ROTOR
DEFINIÇÃO Distúrbio genético
benigno do fígado
Icterícia congênita não-
hemolítica
Doença recessiva
autossômica que causa
aumento da bilirrubina
sem elevação das
enzimas do fígado
Patologia benigna
hereditária do fígado
que causa
hiperbilirrubinemia não-
hemolítica crônica
EPIDEMIOLOGIA Doença comum,
acomete mais meninos,
relacionada com
genética, autossômica,
benigna, acomete
3-7% da população
Tipo 1: muito rara, com
prognóstico ruim (morte)
Tipo 2: o paciente
geralmente chega à vida
adulta
Distúrbio hereditário,
comum em judeus (Irã
e Iraque)
Ocorre mais na 2˚
década de vida (10-20
anos)
SÍNDROMES
ICTÉRICAS
Isabela Castilho Pellis - T6
FISIOAPATOLOGIA Deficiência parcial leve
de glucoronil-
transferase (UGT1A1 -
conjuga bilirrubina). O
processo de
conjugação é lento,
mas ocorre
*Predomínio de
bilirrubina indireta
*Autossômica
recessiva
Tipo 1: deficiência
completa da enzima
glucoronil-transferase
(UGT1A1). Distúrbio grave
associada à encefalopatia
por kernicterus
Tipo 2: deficiência parcial
da enzima glucoronil-
transferase (UGT1A1).
Kernicterus pode ou não
ocorrer
*Predomínio de bilirrubina
indireta
*Autossômica recessiva
(1) e autossômica
dominante (2)
Falha na excreção de
bilirrubina (mutação na
proteína MRP2 —>
hepatócitos não
secretam bilirrubina
conjugada na bile).
Como a exceção só
ocorre após a
conjugação, há
acúmulo de bilirrubina
conjugada (direta)
*Predomínio de
bilirrubina direta
*Autossômica
recessiva
Distúrbio no
armazenamento de
bilirrubina direta nos
hepatócitos, que acaba
retornando ao sangue
antes de ser excretada
(é excretada, mas não
é armazenada)
*Predomínio de
bilirrubina direta
*Autossômica
recessiva
QUADRO CLÍNICO Icterícia discreta,
geralmente
desencadeada por
estresse, jejum
prolongado,
menstruação, falta de
sono. Geralmente se
manifesta no final da
adolescência
Tipo 1: hiperbilirrubinemia
grave em RNs, sintomas
associados ao kernicterus,
fezes de coloração normal,
baixo urobilinogênio. Fatal
Tipo 2: icterícia, pode não
aparecer até a dolescência
Geralmente
assintomático,
fraqueza, colúria,
hepatomegalia discreta
Icterícia, fadiga, dor
abdominal. Geralmente
o paciente leva uma
vida normal
DIAGNÓSTICO Diagnóstico de
exclusão
- Exame físico: normal
- Dosagem de
bilirrubinas:
bilirrubinas indiretas
levemente
aumentadas
Dosagem de bilirubina:
bilirrubina indireta
aumentada (mais no tipo 1)
- Tipo 1: BI = 20-25mg/dL,
quantidades indetectáveis
de BD no sangue
- Tipo 2: BI < 20mg/dL, BD
detectável no sangue
Dosagem de
bilirubina: bilirrubina
direta aumentada
(2-5mg/dL)
Excreção de
coproporfirina
urinária: anormal
Dosagem de
bilirubina: bilirrubina
direta aumentada
Excreção de
coproporfirina
urinária: anormal
TRATAMENTO Não é necessário
- Fenobrabital para
icterícia (estética)
- Melhora do sono
- Diminuição do
estresse
Tipo 1: fototerapia e
plasmaférese, reposição de
cálcio e fósforo. Única
opção curativa é o
transplante
Tipo 2: não é necessário,
pode usar Fenobarbital
(icterícia)
Não é necessário (bom
prognóstico)
Não é necessário (bom
prognóstico)
HIPERBILIRRUBINEMIA NÃO CONJUGADA HIPERBILIRRUBINEMIA CONJUGADA
GILBERT CRIGLER-NAJJAR 1 e 2 DUBIN-JOHNSON ROTOR
SÍNDROMES
ICTÉRICAS
Isabela Castilho Pellis - T6
HEPATITES
VIRAIS
HEPATITE A HEPATITE B HEPATITE C
EPIDEMIOLOGIA Mais comum em crianças
(com a melhora das
condições, as pessoas
não pegam mais na
infância, mas sim na vidaadulta) = transição
epidemiológica
Mais comum em adultos, endêmica na região
Amazônica, comum no PR e SC. Acomete mais
homens, dos 20-69 anos. Fator de risco para
carcinoma hepatocelular (CHC) e cirrose
Comum no Norte do país.
Possui 7 genótipos, e o
tipo 1 é o mais comum
TRANSMISSÃO Transmissão fecal-oral
comum, transmissão
sexual
Transmissão vertical/ perinatal e sexual
*Único DNA vírus
Transmissão sexual, por
seringas, transfusão
sanguínea, por drogas
(cachimbo, canudo).
Menos contagioso, mas
muito mutagênico
FISIOPATOLOGIA Ação das TCD8,
causando apenas
hepatite aguda (4
semanas - 45 dias)
Ação das TCD8, causando hepatite aguda
(resposta exacerbada), e hepatite crônica
(resposta deficiente)
Benigna:
- Assintomática
- Anictérica
- Ictérica
- Recorrente
- Colestática
Grave:
- Fulminante
- Subaguda
Ação das TCD8, causa
hepatite aguda. Dessa
hepatite aguda, 80% se
torna crônica, e os 20%
restante desenvolvem
cirrose, que pode evoluir
para carcinoma
hepatocelular
EVOLUÇÃO Fase prodrômica: dura dias. Síndrome gripal, febre (39˚), sintomas TGI inespecíficos, anorexia, fadiga,
desconforto no QSD, manifestações imunomediadas (glomerulonefrite, esplenomegalia)
Fase ictérica: dura semanas. Icterícia + colúria + acolia fecal + melhora dos sintomas prodrômicos (exceto
TGI)
Fase da convalescência: dura semanas. Melhora clínica lenta e progressiva de todos os sinais e
sintomas. Evolui para cura ou cronicidade. Limite de tempo = 6 meses (> 6 meses = crônica)
TEMPO Aguda: as 3 fases ocorrem em 6 meses
Crônica: as 3 fases duram mais que 6 meses
QUADRO
CLÍNICO
Icterícia na maioria dos
casos, intenso prurido
Hepatite B crônica pode causar artrite,
glomerulonefrite, lesões herpéticas
Sintomas inespecíficos
(astenia, anorexia, mal-
estar, dor abdominal).
DIAGNÓSTICO
GERAL
Laboratorial
- Transaminases/ enzimas hepáticas/ ALT e AST/ TGP e TGO: elevadas, 100x o valor de referência (>
1.000 UI/L), com predominância de TGP/ALT
- Bilirrubina: elevada, icterícia às custas de bilirrubina direta (padrão colestático)
- Hemograma: normal ou com linfocitose (infecção viral)
HEPATITES
VIRAIS
Isabela Castilho Pellis - T6
DIAGNÓSTICO
ESPECÍFICO
Anti-HVA-IgM: infecção
aguda (ou vacina recente)
Anti-HVA-IgG: infecção
crônica ou prévia
HBs-Ag: antígeno, primeiro marcador, indica
existência de hepatite
HBc-Ag: indica infecção pelo vírus
HBe-Ag: produzido durante a replicação viral,
indica replicação ativa e infectividade
Anti-HBs: anticorpo que confere imunidade,
“neutralizad o HBs-Ag“, indica evolução para cura
Anti-HBe: indica baixa replicação viral, baixa
infectividade
Anti-HBc-IgG: cicatriz sorológica, indica hepatite
B curada ou crônica
Anti-HBc-IgM: diagnostica hepatite B aguda
Anti-HCV:
TRATAMENTO Sem tratamento
medicamentoso
Suporte, sintomáticos,
repouso e dieta
adequada. Evitar
medicamentos
hepatotoxicos.
*Existe vacina
Medicamentoso: Tenaflovir, Entecavir, Interferon-
penquilado
Clínico/
medicamentoso: DAA
(drogas de ação antiviral)
tentam prevenir a forma
crônica. Alta taxa de cura
e poucas reações
adversas
HEPATITE A HEPATITE B HEPATITE CHEPATITES
VIRAIS
HEPATITES HEPATITE MEDICAMENTOSA HEPATITE ALCOÓLICA HEPATITE AUTOIMUNE
EPIDEMIOLOGIA 30% das hepatites agudas Mais comum em homens, mas
mais agressiva em mulheres
Tipo 1: mais comum, acomete
mais mulheres jovens ou perto da
menopausa
Tipo 2: mais grave que o tipo 1
FISIOPATOLOGIA Os medicamentos causam
vários tipos de lesões:
- Hepatocelulares:
acetominofeno, isoniazida,
fenitoína
- Colestáticas: eritromicina,
amoxicilina/ clavulanato, ACO
- Indutoras de esteatose:
amiodarona, tetraciclina
3 fases: esteatose —> hepatite —
> cirrose
Hipóxia centrolobular —> acúmulo
de ácidos graxos —> imede as
mitocôndrias de fazer degradação
—> esteatose —> hepatite
alcoólica —> cirrose hepática
Tipo 1: associado ao gene HLA-
B8, anticorpo FAN e antiactina
Tipo 2: anti- LKM1 (liver/kidney/
microssome), ou anticorpo
anticitosol hepático tipo 1
QUADRO
CLÍNICO
Febre, icterícia, dor abdominal,
náusea, vômito, insuficiência
hepática, cronificação (se não
remover o medicamento)
Esteatose: geralmente
assintomática, hepatomegalia, dor
no QSD
Hepatite: anorexia, icterícia, febre,
hepatomegalia dolorosa
Cirrose: ascite, icterícia
Fadiga, náusea, anorexia, dor
abdominal, icterícia, rash cutâneo
HEPATITES
Isabela Castilho Pellis - T6
DIAGNÓSTICO Exposição aos medicamentos +
exames laboratoriais:
- Aminotransferases (TGO/
TGP): aumentadas
- FA e GGT: aumentadas
- Bilrrubinas: aumentadas às
custas da direta
Histórico de uso crônico de álcool
+ clínica + exames laboratoriais:
- Aminotransferases (TGO/TGP):
elevadas (TGO > TGP)
- FA e GGT: elevadas (predomínio
de GGT)
- Prova de função hepática
(bilirrubinas, albumina, fatores
de coagulação): mais elevada
na hepatite alcoólica grave ou
an cirrose
Clínico: afastar outras casas
- Aminotransferases (TGO/
TGP): aumentadas (mais que FA
e GGT)
- FA e GGT: aumentadas
- Presença de: FAN, AML ou
anti-LKM1
- Ausência de lesões biliares
TRATAMENTO Clínico: Suspender o
medicamento, medidas de
suporte. Podem ser feitos
antídotos (Paracetamol - N-
acetilcisteína), lavagem gástrica
e carvão ativado
Clínico: Abstinênica, terapia
nutricional, corticoides,
Pentoxifilina
Clínico: Imunossupressão por
12-18 meses (Corticoides)
HEPATITE MEDICAMENTOSA HEPATITE ALCOÓLICA HEPATITE AUTOIMUNEHEPATITES
ESTENOSE DE
VIAS BILIARES
ATRESIA CONGÊNITA ATRESIA PÓS-
OPERATÓRIA/ LESÃO
IATROGÊNICA
COLANGITE ESCLEROSANTE PRIMÁRIA
DEFINIÇÃO Obstrução completa do
fluxo de bile causada pela
destruição ou ausência de
todo ou parte dos duetos
biliares extra-hepáticos
Lesão iatrogênica, causada
por uma cirurgia
Doença colestática crônica. Processo
inflamatório-fibrosante, estenosante e
progressivo, que oblitera o dueto biliar
EPIDEMIOLOGIA Comum em crianças,
principal causa de
colestase neonatal,
Causa mais comum é a
colecistectomia
Associada ao sistema imune, doença rara,
comete mais homens, < 45 anos, podendo
ser idiopática ou associada à doença
inflamatória intestinal
*RCU é mais prevalente que a colangite
esclerosantes primária
FISIOPATOLOGIA Fibrose inflamatória —>
destruição das vias biliares
—> cirrose
Etiologia: genética,
toxinas, morfogênese,
infecções virais
A manipulação dos órgãos,
vísceras, pode causar fibroses
Predisposição genética: HLA-B8
Fatores de risco: infecções, tabagismo,
reposição hormonal
Colangiócitos são ativados e expressam
moléculas de adesão —> citocinas,
receptores inflamatórios, fatores de
crescimento e pró-fibrogênicos estimulam a
produção de matriz extracelular —>
produção de matriz extracelular e
proliferação de miofibroblastos periductais
QUADRO
CLÍNICO
Se inicia entre os 15-21
dias de vida, fezes
coradas até os 15 dias de
vida —> hipocromia —>
acolia, prurido, ascite,
desnutrição, varizes de
esôfago. Acolia
persistente é um sinal de
alerta
Icterícia obstrutiva (se inicia
no 2˚-3˚ dia pós-operatório),
drenagem abundante e
persistente de bile pelo dreno
(se tiver dreno), peritonite ou
ascite (se não tiver dreno)
Complicações: cirrose biliar
secundária
Início insidioso, fadiga, prurido, icterícia
obstrutiva, esteatorreia, deficiência de
proteínas lipossolúveis, perda de peso,
xantelasma
Complicações: cirrose biliar secundária,
colangiocarcinoma
ESTENOSE DE
VIAS BILIARES
Isabela Castilho Pellis - T6
DIAGNÓSTICO - US: mostra dilatação das
vias biliares
- CPRE -
Colangiopancreatografiaretrógrada endoscópica:
consegue visualizar a papila
duodenal, com injeção de
contraste e visualização de
estenose das vias biliares.
Dependendo da situação já
podem ser feitos
procedimentos
- TC abdominal: mostra
líquido no abdome
TRATAMENTO Cirúrgico
- Portoenterostomia: liga
o fígado ao intestino
- Transplante de fígado:
tratamento definitivo
Cirúrgico
- Coledocoduodenostomia
- Coledocojejunostomia
- Stents
Clínico: respoisição de vitamina D,
Colestiramina para o prurido, ácido
Ursodesoxicólico (melhora os parâmetros
laboratoriais - FA e aminotransferases)
Cirúrgico: transplante hepático (única
terapia curativa)
ATRESIA CONGÊNITA ATRESIA PÓS-
OPERATÓRIA/ LESÃO
IATROGÊNICA
COLANGITE ESCLEROSANTE PRIMÁRIAESTENOSE DE
VIAS BILIARES
- Laboratorial
- Bilirrubina: elevada às custas da direta
- FA e GGT: elevadas
- TGO e TGP: levemente alteradas
- CPRE - Colangiopancreatografia
retrógrada endoscópica: achado de anel
de estenose intercalada com áreas
normais (colar de contas), que são
estendes multifocais
- Biópsia hepática: mostra colangite
obliterante com fibrose peridural
�
Clínico (sintomas) + US
- US: sinal do cordão
(“achatamento” da
vesícula)
�
COLEDOCOLITÍASE
DEFINIÇÃO Presença de cálculos no interior dos ductos biliares
EPIDEMIOLOGIA Maioria dos casos são cálculos secundários
FISIOPATOLOGIA Hipomotilidade da vesícula biliar (estase) —> promove a nucleação e hipersecreção de muco —>
cristais ficam aprisionados —> se agregam em cálculos
Primária: cálculos se formam diretamente no ducto colédoco, pela estase e infecção biliar
- Cristais de Sais biliares
- Múltiplos
- Cor escura/ esverdeada
- Aspecto de lama
- Recorrente: reaparece após 2 anos
- Secundária: os cálculos se formam na vesícula e migram para o ducto
- Cristais de Colesterol
- Amarelados ou pretos
- Menor número
- Se esfarelam
- Residual: aparece até 2 anos após colecistectomia
QUADRO CLÍNICO Dor de forte intensidade em hipocôndrio direito, oscila e ocorre quando o cálculo se movimenta
(cólica biliar), dor referida na escápula, ausência de prurido (não há colestase), icterícia flutuante
(depende de como o cálculo se move, pode fazer obstrução parcial ou total)
COLEDOCOLITÍASE
Isabela Castilho Pellis - T6
DIAGNÓSTICO Laboratorial:
- Bilirrubinas: elevadas às custas da direta
- FA: aumentada (é o que mais se eleva)
- Aminotransferases (TGO e TGP): moderadamente elevadas
- GGT: aumentada
US: visualização de dilatação do colédoco (> 5mm). Primeiro exame a ser feito
CPRE: o endoscópio deve ser introduzido na papila, subindo pelo ducto comum ou pancreático,
injetando contraste. Serve como diagnóstico e tratamento
TRATAMENTO Endoscópico: papilotomia por CPRE (corte na papila com saída do cálculo) para retirada dos
cálculos. Apenas aqueles com muito baixo risco (sem nenhum sintoma) não removem os cálculos.
Grande maioria realiza papilotomia
Cirúrgico: coledocotomia, com inserção do dreno de Kehr no ducto colédoco (por onde sai a bile).
Nos casos secundários, pode-se realizar colecistectomia
COLEDOCOLITÍASE
COLANGITE
AGUDA
DEFINIÇÃO Inflamação aguda da parede dos ductos biliares, quase sempre causada por infecção bacteriana da luz
(deveria ser estéril)
EPIDEMIOLOGIA Comum acima dos 70 anos
FISIOPATOLOGIA Causas: coledocolitíase (mais comum), tumores, procedimentos invasivos, CPRE (ao jogar contraste,
bactérias podem ir junto), bactérias no trato biliar, obstrução parcial ou incompleta
Bactérias mais comuns: E. coli, Klebsiella, Enterococcus fecalis, Bacteroides fragilis (único anaeróbio)
Estágios: resposta inflamatória —> fase catarral —> fase supurativa
QUADRO
CLÍNICO
Ausência de sinais de inflamação peritoneal, icterícia
Tríade de Charcot: dor abdominal biliar + icterícia + febre, com calafrios intermitentes
Pêntade de Reynold (colangite tóxica): tríade de Charcot (dor abdominal biliar + icterícia + febre) +
alterações no SNC (confusão, letargia, delírio) + choque distributivo (hipotensão) —> choque séptico
(Colangite supurativa = pêntade + sepse)
Colangite supurativa: sepse
DIAGNÓSTICO Laboratorial:
- Bilirrubinas: elevada às custas da direta
- FA: elevada
- GGT: elevada
- Hemocultura: E. coli
US: pode ser pedida para descobrir a causa (estase, dilatação)
TRATAMENTO Cirúrgico/ endoscópico: desobstrução/ retirada dos cálculos por CPRE, drenagem percutânea,
coledocotomia, dreno de Kehr. Para tratar a causa, pode ser feita colecistectomia (origem dos cálculos)
- Pêntade/Colangite tóxica: cirurgia de emergência
- Tríade/ Colangite aguda: 1˚ estabilizar o paciente (controlar a sepse = Cefalosporina 3˚ + Metronidazol),
2˚ cirurgia (corrigir a obstrução biliar)
Isabela Castilho Pellis - T6
NEOPLASIAS ADENOCARCINOMA
DE CABEÇA DE
PÂNCREAS
CARCINOMA DE
VESÍCULA BILIAR
COLANGIOCARCINOMA CARCINOMA DE
AMPOLA DE VATER
(AMPULOMA)
EPIDEMIOLOGIA Ocorre mais em
idosos, tabagismo é
um fator de risco
Acomete mais o fundo
de colo, acomete mais
mulheres, 7˚ década.
Neoplasia mais
comum do trato biliar.
Principal fator de risco
é a colelitíase. Tem
prognóstico ruim
Comum em idosos, acomete
mais os homens. Tumor raro, de
prognóstico ruim
Fatores de risco: litíase intra-
hepática, hepatite (B e C),
colangite esclerosantes
primária, cistos no colédoco,
síndrome de Lynch
Comum em idosos,
acomete mais
homens, 10% dos
tumores
perambulares
FISIOPATOLOGIA Altamente invasivo, faz
proliferação de tecido
fibroso (reação
desmoplásica =
fibrose)
Metástases: fígado,
pulmão e peritônio
Colelitíase —>
inflamação do epitélio
—> metaplasia —>
displasia
Vesícula em
porcelana:
calcificação da
vesícula. É um fator de
risco. Deve ser feita
colecistectomia
Adenocarcinomas que se
originam nos colangiócitos que
revestem os ductos biliares intra
e extra hepáticos. Reação
desmoplásica (fibrose)
Intra-hepático: ocorrem nos
ductos biliares dentro do fígado
Extra-hepático: ocorrem nos
ductos fora do fígado
- Tumor de Klatskin: ocorre
onde os ductos hepáticos
esquerdo e direito se
encontram para formar o ducto
hepático comum. É um tumor
extra-hepático. Ausência do
sinal de Courvoisier-Terrier
Peri-hilar: ocorrem no local onde
os ductos biliares saem do fígado
Tumor de Klatskin: ocorre onde
os ductos hepáticos esquerdo e
direito se encontram para formar
o ducto hepático comum. É um
tumor extra-hepático
- Ausência do sinal de
Courvoisier-Terrier
Propensão a
seguirem uma
sequência
adenomatosos
semelhante aos
adenocarcinomas
colorretais
Ampola de Vater =
junção dos tratos
biliar, pancreático e
digestivo
QUADRO
CLÍNICO
Icterícia obstrutiva,
esteatorreia,
sintomas tardios,
perda de peso. Sinal
de Courvoisier-
Terrier (vesícula
palpável, distendida e
indolor).Dor abdominal
Obstrução do
Wirsung/ ducto
pancreático:
esteatorreia sem
icterícia
Obstrução do
colédoco: esteatorreia
com icterícia
Maioria assintomática.
Anorexia, perda de
peso, dor abdominal
com piora frequente da
dor, piora das queixas
da colelitíase
Icterícia, perda de peso, exame
físico normal, dor em QSD
Icterícia flutuante,
perda de peso,
anemia ferropriva,
melena (necrose
causa sangramento),
Sinal de Courvoisier-
Terrier
*Diagnóstico
diferencial com
coledocolitíase
NEOPLASIAS
Isabela Castilho Pellis - T6
DIAGNÓSTICO US endoscópica+
biópsia aspirativa
TC helicoidal
trifásica: identifica se
a lesão é irressecável
ou não
PET-Scan: metástases
CA 19.9: dosagem
US das vias biliares
TC com contraste
RNM: estreitamento do
ducto, presença de
tumor
Colangiorressonância
: mais focada nas viasbiliares. A bile é
utilizada como
contraste
CPRE + biópsia
TC: auxilia no estadiamento
Colangiorresonância: vê melhor
as vias biliares
CPRE + biópsia
TRATAMENTO Cirúrgico: ressecção
(pancreatoduodenecto
mia - Whipple) +
rádioterapia/
quimioterapia
Cirúrgico: ressecção +
rádioterapia/
quimioterapia
Intra-hepático: cirúrgico
(ressecção)
Extra-hepático: cirúrgico
(pancreatoduodenectomia -
Whipple)
Peri-hilar: cirúrgico
(hepatectomia central ou
anastomose). Alta complexidade
Cirúrgico:
pancreatoduodenect
omia - Whipple
ADENOCARCINOMA
DE CABEÇA DE
PÂNCREAS
CARCINOMA DE
VESÍCULA BILIAR
COLANGIOCARCINOMA CARCINOMA DE
AMPOLA DE VATER
(AMPULOMA)
NEOPLASIAS
CIRROSE HEPÁTICA
DEFINIÇÃO Processo patológico irreversível do parênquima hepático, acometendo todo o órgão, causando rearranjo
da arquitetura lobular e nódulos de regeneração, que acabam gerando graves danos funcionais
EPIDEMIOLOGIA Mais comum em homens, vem aumentando (principalmente pela hepatite C)
FISIOPATOLOGIA Lesão causa ativação nas células de Kupffer e das células estreladas/ Ito —> deposição de matriz
cicatricial (colágeno) no Espaço de Disse + liberação de citocinas, perda das vilosidades, perda das
fenestrações e arranjo desordenado. Fígado se contrai e há hiperplasia
Causas: álcool, hepatite C, drogas (Amiodarona, Metildopa, MTX), doença de Wilson, esteado-hepatite
não alcoólica (doença hepática gordurosa não alcoólica), cirrose criptogênica (idipática —> quando todas
as outras causas forem afastadas)
Fases: esteatose (reversível) —> fibrose (irreversível) —> cirrose
- Fases da fibrose: fibrose em ponte (deposição de colágeno, capitalização dos sinusoides, necrose dos
hepatócitos) —> shunt intra-hepático (sangue vai direto para o espaço porta) —> alternância entre
necrose e regeneração celular —> nódulos de regeneração (massa de hepatócitos sem função)
QUADRO
CLÍNICO
Compensada: ascite, varizes
Descompensada: encefalopatia, icterícia
Hiperestrogenismo/ hipoandrogenismo (telangectasias, eritema palmar, ginecomastia), hipertensão
portal (ascite, varizes esofágicas, podendo causar sangramento digestivo), insuficiência hepatocelular
(doença avançada, icterícia, encefalopatia hepática, hipoalbuminemia, anasarca), redução do lobo
hepático direito + aumento do lado esquerdo (palpável no gradio costal, consistência endurecida,
superfície nodular), esplenomegalia, Flapping (Asterix - fazer hiperextensão da mão e ela volta)
ESTADIAMENTO Child-Turcott: índice preditivo de sobrevida do paciente cirrótico, determina prognóstico. Leva em conta
ascite, bilirrubina, albumina, tempo de protrombina e encefalopatia
- Grau A: 5-6 pontos. Cirrose compensada, sobrevida de 100-85%
- Grau B: 7-9 pontos. Dano funcional significativo, sobrevida de 80-60%
- Grau C: 10-15 pontos. Cirrose descompensada, 45-35%
CIRROSE HEPÁTICA
Isabela Castilho Pellis - T6
DIAGNÓSTICO Laboratorial:
- Aminotransferases (TGO e TGP/ AST e ALT): na cirrose instalada, TGO > TGP (AST > ALT)
- FA e GGT: muito elevadas
- Bilirrubinas: elevadas, às custas da direta
- Albumina: hipoalbuminemia
- Fatores de coagulação: tempo de protrombina aumentado (coagulopatia, tendência hemorrágica)
US: alargamento de veia porta, parênquima alterado, redução volumétrica direita e aumento do lado
esquerdo, esplenomegalia, ascite
Elastografia fibroscan: mede a elasticidade do fígado
Biópsia: padrão-ouro, embora nem sempre seja necessária. Identificação de fibrose em ponte + nódulos
de regeneração (confirmam a presença da cirrose). Para identificar se é fibrose ou cirrose = classificação
de Metavir:
- F0: sem fibrose
- F1: sem septos
- F2: raros septos
- F3: vários septos, sem cirrose
- F4: paciente com cirrose
TRATAMENTO Clínico/ medicamentoso: considerada condição irreversível, fazer manejo das complicações
- Tratamento específico da causa
- Terapia antifibrótica: Colchicina
- Terapia nutricional: suplementos nutricionais, vitaminas. Não precisa reduzir ingestão de gorduras
- Vacinas: hepatite A e B
CIRROSE HEPÁTICACIRROSE HEPÁTICA
HIPERTENSÃO PORTAL ENCEFALOPATIA
HEPÁTICA
SÍNDROME
HEPATORRENAL
(SHR)
PERITONITE
BACTERIANA
ESPONTÂNEA
ASCITE
DEFINIÇÃO Pressão na veia porta >
10mmHg ou gradiente de
pressão venosa hepática
(HVPG) > 5mmHg
Síndrome
neuropsiquiatrica
potencialmente
reversível, surge na
hepatopatia crônica
avançada ou
insuficiência hepática
aguda
Insuficiência renal
funcional não
acompanhada de
alterações
histopatológicas
renais
Infecção da
ascite que
surge na
ausência de
uma fonte
contígua de
contaminação
Derrame de
líquido na
cavidade
peritoneal
Isabela Castilho Pellis - T6
FISIOPATO Bloqueio —> aumenta
tônus vascular intra-
hepático —> aumenta
resistência ao fluxo venoso
portal —> perda de
hepatócitos —>
deficiência na
metabolização hepática—
> vasodilatação
esplâncnica —> aumento
do DC, redução da PA
sistêmica, redução da RVS
—> aumento de
catecolaminas, ativação
do SRAA e aumento do
ADH —> retenção de
sódio e água —> ascite —
> aumento do fluxo
sanguíneo—> hipertensão
portal
Pré-hepática: sem ascite.
Trombose de veia porta e
esplênica
Intra-hepática:
- Pré-sinusoidal: sem
ascite.
Esquistossomose,
sarcoidose
- Sinusoidal: ascite.
Cirrose, hepatite
- Pós-sinusoidal: ascite
Pós-hepática: ascite.
Síndrome de Budd-Chiari
(obstrução da cava
inferior)
Passagem de
substâncias tóxicas do
intestino para o cérebro
(aumento da
permeabilidade da BHE)
—> normalmente seriam
degradadas pelo fígado
Hipertensão portal
desvia sangue
meúsentérico para
circulação sistêmica —>
Shunt portossistêmico
nos sinusóides —>
sangue sujo vai para
circulação sistêmica
Causas que podem
precipitar:
- HDA
- Desidratação
- Alcalose
- Infecção intestinal
Perda progressiva da
função renal,
secundária à
vasoconstrição renal
—> diminui a TFG
Cirrose —>
hipertensão portal —
> vasodilatação
arterial esplâncnica
—> diminuição da
RVS e do DC
Translocação
bacteriana a
partir do TGI e
deficiência de
opsoninas
(sistema
reticuloendote
lial) no líquido
ascítico =
supercrescime
nto bacteriano
Bactéria migra
do lúmen
intestinal para
linfonodos
mesentéricos
= bacteremia
+ deposição e
replicação do
patógeno
Etiologia:
geralmente é
monobacteria
na (gram -
entéricos
aeróbicos) —>
E. coli,
Klebsiela
pneumonia
Cirrose —>
vasodilatação
esplâncnica (NO)
—> aumento do
DC e diminuição
da RVP —>
vasodilatação =
má distribuição
polêmica —>
diminui volume
circulante —>
hipotensão
arterial, ativação
do SRAA, SNS e
liberação de ADH
—> retenção de
sódio e água —>
ascite e edema
HIPERTENSÃO PORTAL ENCEFALOPATIA
HEPÁTICA
SÍNDROME
HEPATORRENAL
(SHR)
PERITONITE
BACTERIANA
ESPONTÂNEA
ASCITE
Isabela Castilho Pellis - T6
QUADRO
CLÍNICO
Hiperesplenismo antes da
esplenomegalia
(hiperfunção - não
necessariamente
aumento), esplenomegalia
congestiva (aumento de
tamanho), circulação
colateral visível no
abdome (“cabeça de
medusa”), ascite,
trmbocitopenia (=
plaquetopenia. Fígado
hiperfuncionante degrada
mais hemácias)
Exame físico:
hepatimetria
(hepatomegalia), Schuster
(esplenomegalia)
Grau 1, mínima,
subclínica: confusão
leve, euforia/ depressão,
perda de atenção,
inversão do ciclo sono-
vigília, incoordenação
motora, tremor leve.
Alteração
neuropsiquiátrica leve
Grau 2, aguda
esporádiga,
desencadeada por
fatores precipitantes:
letargia, alteração de
personalidade,
desorientação, flapping
leve, disartria
Grau 3, crônica:
sonolência, não realiza
tarefas mentaris,
desorientação,
hiperrreflexia,rigidez
muscular, flapping
Grau 4, associada à
insuficiência hepática
fulminante: coma, perda
de reflexos e respostas,
edema cerebral
Tipo 1: rápida
progressão da
insuficiência renal (<
2 semanas), falência
renal, oligúria.
Creatinina mais alta
Tipo 2: evolução
insidiosa,
deteriorização
moderada,
sustentação da
função renal, pode
ficar estável por um
tempo. tem
prognóstico melhor e
pode ter ascite
refratária
Febre (38˚),
estado mental
alterado
(encefalopatia)
, dor à
palpação
abdominal,
diarreia,
peritonite.
Pode ser
assintomática
Abdome globoso
(avental,
batráquio), cicatriz
umbilical alterada,
circulação
colateral
abdominal
(“cabeça de
medusa”),
dispneia
(compressão do
diafragma)
Classificação:
-Estágio 1: leve,
detectável
apenas na US
-Estágio 2:
moderada,
distensão
abdominal
-Estágio 3:
grande ascite,
grande distensão
DIAGNÓSTI
CO
Laboratorial:
- Plaquetas:
plaquetopenia/
trombocitopenia. Mais
sensível, avalia
sequestro do baço
(primeiro a se alterar)
US-Doppler: calibre da
veia porta aumentado
(15mm)
EDA: varizes esofágicas
selam o diagnóstico
Angio-TC e Angio-RNM:
identificam trombose de
veia porta. Indicado
quando há dúvida com US
Cateterismo: > 5mmHg
de pressão
Clínico: de exclusão.
Afastar outras causas
- EEG, punção lombar,
TC, RNM
US com Doppler
renal
Critérios
diagnósticos:
creatinina sérica >
1,5, que não melhora
com albumina.
Ausência de choque,
hipovolemia, doença
parenquimatoso
renal, presença de
cirrose com ascite
Contagem de
PMN: > 250/
mm3
(polimorfonucl
eares e não
mais que 250
leucócitos)
Cultura para
bactérias
*Diagnóstico
se baseia no
líquido
ascítico
coletado na
paracentese
Exame físico:
Piparote +,
maciçez móvel
US: coleções
líquidas no
abdome
TC: diferencia
lesões líquidas de
massas
GASA (gradiente
soro-ascite
albumina):
albumina no soro -
albumina no
líquido
- < 1,1 =
exsudato,
doença
peritoneal
- > 1,1 =
transudato,
hipertensão
portal, cirrose
HIPERTENSÃO PORTAL ENCEFALOPATIA
HEPÁTICA
SÍNDROME
HEPATORRENAL
(SHR)
PERITONITE
BACTERIANA
ESPONTÂNEA
ASCITE
Isabela Castilho Pellis - T6
TRATAMEN
TO
Cirúrgico: descompressão
das varizes
- TIPS: categorizar uma
veia da porta e fazer um
shunt guiado por US
- Shunt descompressivo
- Transplante
Medicamentoso: beta-
adrenérgicos,
vasopressina,
somatostatina. Diminuem
o fluxo sanguíneo portal
Clínico: identificar/
corrigir fatores
precipitantes, melhora
dos hábitos de vida,
restringir proteínas,
usar lactulose, ATB
(diminuir a flora
bacteriana intestinal)
Clínico: repouso,
retirada de agentes
nefrotóxicos,
parecentese de alívio
- Medicamentoso:
vasoconstrição
com Terlipressina +
expansão de
volume com
albumina. Pode ser
feita prova com
albumina (se
coloca e não
melhora = é SHR)
Transplante
hepático: único que
aumenta sobrevida,
tratamento de
escolha
Clínico:
antibioticotera
pia
- Cefalospori
na 3˚
geração +
expansão
plasmática
com
Albumina
Transplante
hepático:
tratamento
permanente
Profilaxia
secundária:
paciente com
PBE prévia
devem fazer
—>
Norfloxacino,
Ciprofloxacino
,
sulfametoxazo
l-trimetoprim,
até o
desaparecime
nto da ascite
*Hemorragia =
profilaxia
primária
*PBE = tratar
+ profilaxia
secundária
-Estágio 1: sem
tratamento
-Estágio 2:
restrição salina +
diuréticos
(Espironolactona,
Furosemida)
-Estágio 3:
paracentese de
grande volume +
restrição salina +
diuréticos
*Ascite refratária:
paracentese de
grande volume
(5-15L) + colocar
Albumina (coloide)
HIPERTENSÃO PORTAL ENCEFALOPATIA
HEPÁTICA
SÍNDROME
HEPATORRENAL
(SHR)
PERITONITE
BACTERIANA
ESPONTÂNEA
ASCITE
TRANSPLANTE HEPÁTICO
RECEPTOR Quanto menor a expectativa de vida = mais rápido recebe. Indicação de transplante deve ser
feita por equipe multidisciplinar, paciente e família
- MELD > 11 (fila do transplante) —> quantifica urgência, prioriza transplantes
- CHILD B e C (cirrose descompensada, grupos de risco) —> indica prognóstico
Critérios de Milão: paciente com lesão única < 5cm ou até 3 lesões < 3cm = melhores
pacientes para transplante hepático
DOADOR Até 60 anos, com morte cerebral, oxigenação adequada, ausência de infecção, exclusão
sorológica de Hepatite B, C, HIV
ESCORE MELD - Bilirrubina
- INR (tempo de protrombina)
- Creatinina
Paciente com MELD > 11 entram para a fila de transplante
TRANSPLANTE HEPÁTICO
Isabela Castilho Pellis - T6
TIPOS Ortotópico: retira o fígado doente, transplanta um fígado inteiro de um doador morto
Heterotópico: transplante de um fígado novo em um local anômalo, mantendo o fígado do
receptor
Reduzido: retirada do fígado doente, transplante de parte do fígado de um doador vivo ou
morto
TRANSPLANTE HEPÁTICO
HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA (HDA) HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA (HDB)
Sangramentos proximais (antes) ao ângulo de Treitz Sangramentos distais (depois) ao ângulo de Treitz
Mais comum Menos comum
Causas: úlcera péptica, varizes esofágicas, lacerações
* 1˚ causa = Úlcera péptica
* 1˚ causa de sangramento em cirróticos = Varizes
Causas: diverticulose, angiodisplasia
*1˚ causa: Doença diverticular do cólon
*2˚ causa: Angiodisplasia intestinal
Hematêmese, melena (sangue “escuro" nas fezes, já digerido),
sangramento oculto
Hematoquezia (sangue vivo nas fezes)
Diagnóstico: EDA Diagnóstico: colonoscopia, exame anorretal
DOENÇAS QUE
CAUSAM
HEMORRAGIA
ALTA
ÚLCERA DE MALLORY-WEISS
(NÃO VARICOSADA)
SÍNDROME DE BOERHAAVE
(NÃO VARICOSADA)
VARIZES ESOFÁGICAS
(VARICOSADA)
DEFINIÇÃO Laceração não penetrante na
mucosa do esôfago distal e
estômago proximal
Ruptura espontânea da parede
do esôfago
Veias dilatadas no esôfago distal ou
estômago proximal
EPIDEMIOLOGIA Comum em alcoólatras (vomitam
mais), mais comum em homens
Fator de risco: varizes
esofágicas
Mais grave que Sd. Mallory.
Rara, mas com alta mortalidade,
acomete mais homens
Fator de risco: Barret, esofagite,
úlcera de esôfago
Alta mortalidade, 60% dos
pacientes possuem cirrose hepática
FISIOPATOLOGIA Aumento súbito da pressão intra-
abdominal —> tenta fazer
distensão —> acaba lacerando a
mucosa
Causas: vômito, ânsia, soluços
*Rompe apenas mucosa
Aumento súbito da pressão intra-
abdominal —> tenta fazer
distensão —> acaba lacerando a
mucosa
Causas: vômito, ânsia, soluços,
parto, convulsões
*Rompe todas as camadas do
esôfago
Causada pela pressão elevada no
sistema porta, tipicamente
secundária à cirrose —> quando a
veia porta chega no fígado encontra
alta resistência hepática, fazendo
com que os vasos se dilatem
*Sangramento ocorre quando a
pressão portossistêmica >
12mmHg
QUADRO
CLÍNICO
Sangramento intenso
(hematêmese), síncope, síndrome
de Boerhaave (complicação)
Tríade de Meckler: vômitos +
dor retroesternal + enfisema
subcutâneo
Desconforto agudo após se
alimentar/ beber, dor, colapso,
dispneia, cianose
Complicação: mediastinite
Sangramento súbito e indolor do
TGI superior, pode haver
sangramento maciço, hematêmese,
melena, encefalopatia, síndrome
hepatorrenal
DOENÇAS QUE
CAUSAM
HEMORRAGIA
ALTA
Isabela Castilho Pellis - T6
DIAGNÓSTICO Exame físico: diminuição do MV,
febre, crepitação cervical,
diminuição dos RHA
RX: identificação de
pneumotórax
*Não fazer endoscopia pelo risco
de contaminação
TRATAMENTO Clínico: Maria autolimitada. Usar
anti-eméticos, redução do álcool
Endoscópico: hemostasia
endoscópica,embolização
terapêutica
Clínico: diminuir contaminação
(antibioticoterapia de amplo
espectro), jejum, reposição
hiroeletrolítica, sonda
nasogástrica para
descompressão esôfago
Cirúrgico: raro, apenas em
complicados
Clínico: maioria autolimitada. Tratar
causas do sangramento (cirrose
descompensada, AINEs, refluxo,
sinais vermelhos, CHILD B e C)
Cirrose: acompanhamento com
EDA (tamanho das varizes, sinais
vermelhos)
- Cirrose com varizes: EDA a cada
1-2 anos
- Cirrose sem varizes: EDA a cada
3-4 anos
CHILD A com varizes de baixo
calibre: não fazer nada
CHILD A com varizes de alto
calibre: terapia profilática
(betabloequeadores, ligadura
endoscópica, substâncias
esclerosantes)
ÚLCERA DE MALLORY-WEISS
(NÃO VARICOSADA)
SÍNDROME DE BOERHAAVE
(NÃO VARICOSADA)
VARIZES ESOFÁGICAS
(VARICOSADA)
DOENÇAS QUE
CAUSAM
HEMORRAGIA
ALTA
Laboratorial: pesquisar
coagulopatia. Pedir hemograma
completo
- Plaquetas: plaquetopenia (pocas
plaquetas)
- Fatores de coagulação:
diminuídos
RX com contraste: esôfago,
estômago e duodeno
EDA: identifica as varizes
�
EDA: laceração da mucosa,
lesão única, longitudinal
�
Isabela Castilho Pellis - T6
DOENÇAS QUE
CAUSAM
HEMORRAGIA
BAIXA
DEFINIÇÃO EPIDEMIOLOGIA FISIOPATOLOGIA QUADRO
CLÍNICO
DIAGNÓSTICO TRATAMENTO
DOENÇA
DIVERTICULAR
DO CÓLON
Mais comum em idosos, dietas pobres em fibras (constipação), mais comum no cólon esquerdo, mas
sangra mais no cólon direito
- Assintomáticos: diverticulose
- Manifestação: doença diverticular
- Inflamação: diverticulite
DIVERTICULOSE Presença de
múltiplos
divertículos
no cólon
Ocorre em
qualquer lugar
do intestino
grosso
(geralmente
sigmoide).
Comum após
40 anos
Aumento da
pressão
intraluminal —
> extrusão da
mucosa
Forma
hipertônica:
fenômeno de
propulsão da
mucosa e
submucosa,
causa
herniado por
pequenas
fendas
Forma
simples em
massa:
fraqueza da
camada
muscular,
menos
comum.
Síndrome de
Ehler Danlos
Adquiridos:
são isolados,
herniações de
mucosa e
submucosa
pela camada
muscular. Mais
frequentes
Congênitos:
múltiplos,
associados às
síndromes,
acomete toda a
espessura da
parede.
Maioria
assintomático,
podem inflamar
ou sangrar
(doença
sintomática),
sangramento
indolor, hábitos
intestinais
alterados
Clínico: dieta
rica em fibras,
hidratação,
antiespasmódico
s e analgésicos
*Não usar
opióides =
aumentam a
pressão
intracolônica
DOENÇAS QUE
CAUSAM
HEMORRAGIA
BAIXA
Colonoscopia:
geralmente são
descobertos por
acidente
Enema opaco:
vários pólipos
TC: visualização
do abdomecom
divertículos
�
�
Isabela Castilho Pellis - T6
DIVERTICULITE Inflamação
dos
divertículos
Complicação
mais comum
da diverticulite,
maioria ocorre
no sigmoide
*Mais comum
no cólon
esquerdo
Desenvolvime
nto de
perfurações
(micro ou
macro) em um
divertículo —>
liberação de
bactérias
intestinais —>
inflamação
pode ficar
localizada ou
causar
abscessos,
fístulas
Dor no QIE,
febre, sinais de
peritonite
(Blumberg,
reação de
defesa),
náusea, vômito
Casos leves:
dieta líquida +
ATB oral
(Cefalosporina 3˚
geração +
Metronidazol).
Tratamento em
cassa. Reavaliar
(colonoscopia)
após 8 semanas
Casos mais
graves:
antibiótico IV +
jejum
Abscessos:
drenagem
percutânea
guiada por TC
Perfuração:
laparotomia de
urgência + ATB
HEMORRAGIA
DIVERTICULAR
Laceração ou
erosão da
arteríola
associada ao
divertículo
Acontece em
15% dos
pacientes com
diverticulose.
Mais no cólon
direito
Erosão da
arteríola por
trauma
mecânico
(geralmente
fecalito)
Enterorragia
em grande/
média
quantidade,
taquicardia,
sudorese
Colonoscopia:
visualização do
sangue saindo
pelo divertículo
Clínico: controle
dos sinais vitais,
reposição
(Ringer)
Endoscópico:
cauterização ou
escleroterapia
por via
colonoscópica
DEFINIÇÃO EPIDEMIOLOGIA FISIOPATOLOGIA QUADRO
CLÍNICO
DIAGNÓSTICO TRATAMENTODOENÇAS QUE
CAUSAM
HEMORRAGIA
BAIXA
US: área espaçada
e inflamada
TC com
contraste:
sigmoide com
paredes
espessadas,
abscesos, fístulas,
líquido
intrabdominal
Colonoscopia:
contraindicada na
fase aguda. Fazer
só após a
resolução por
risco de
perfuração
*Escala de
Hinchney:
determina a
conduta
-Hinchney I:
abscesso
localizado
-Hinchney II:
abscesso pélvico
-Hinchney III:
peritonite
purulenta
-Hinchney IV:
peritonite
fecaloide
�
Isabela Castilho Pellis - T6
ANGIODISPLASIA
INTESTINAL
Malformação
arteriovenosa,
vasos
dilatados/
tortos que se
desenvolvem
no ceco e
cólon
ascendente
> 60 anos.
Causa mais
comum de
sangramento do
TGI em idosos,
2˚ causa de
HDB em
adultos
Vasos se
sobressaem
na mucosa
como lesões
arborizadas ou
aracneiformes
vermelho-vivo
Sem sintomas,
anemia
ferropriva,
hematoquezia
(sangue vivo pelo
reto) ou sangue
oculto nas fezes
Endoscópico:
coagulação
(sonda aquecida
a laser,
eletrocoagulaçã
o bipolar) ou
embolização
angiográfica
DOENÇA
POLIPOIDE
INTESTINAL
Pólipo = qualquer lesão que surja na superfície interna do TGI, projetando-se para a luz. Podem ser
isolados ou manifestações das síndromes hereditárias
PÓLIPOS
NEOPLÁSICOS
(ADENOMAS)
Pólipo
neoplásico
benigno
(neoplasia
verdadeira)
Aumenta com a
idade. Pólipos
mais
frequentes no
intestino grosso
-Tubular/
pedunculado:
mais comum,
pequeno
-Viloso/ séssil:
pior
prognóstico,
maiores que
os tubulares
-Tubuloviloso:
prognóstico
intermediário,
“mistura" dos
outros 2
Displasia de
baixo grau
(não acomete
lâmina própria)
com núcleo
hipercromático
, perda de
uniformidade
de tamanho e
orientação
espacial
Fatores de
malignização:
tamanho
(>2cm), tipo
histológico
(vilosos), grau
de displasia
(alto grau)
Assintomáticos
, sangramento
retal
(hematoquezia)
Enema opaco: RX
contrastado
Sigmoidoscopia
flexível: exame
endoscópico
Colonoscopia:
exame
endoscópico
obrigatório
(pólipos
adenomatosos
podem ser
múltiplos e
coexistirem com
câncer)
Cirúrgico:
polipectomia +
análise
histológica
(através de
sigmoidoscopia
flexível ou
colonosopia)
PÓLIPOS NÃO
NEOPLÁSICOS
Hiperplásicos: 2˚ mais comuns, sésseis, encontrados mais no reto e sigmoide. Causados por hiperplasia
das criptas colônias (ausência de displasia). Assintomáticos, causa, sangramento e tendência à
intussuscepção. Diagnosticados por sigmoidoscopia flexível, não indicam realização de colonoscopia
(benigno)
Hamartomatosos juvenis: comuns em crianças < 5 anos, encontrados até os 20 anos. Geralmente são
pedunculados e grandes (1-3cm), esporádicos, mas podem estar associados às síndromes hereditárias.
Diagnosticados por sigmoidoscopia flexível, não indicam realização de colonoscopia (benigno)
Hmartomatosos - Peutz-Jeghers: são circundados por músculo liso. Diagnosticados por
sigmoidoscopia flexível, não indicam realização de colonoscopia (benigno)
Inflamatórios: ocorrem nas doenças inflamatórias (mais na RCU), e é o que tem maior risco de
malignização. São resultantes das fases de regeneração e cicatrização dos processos inflamatórios.
Maior risco de câncer. Diagnóstico por sigmoidoscopia flexível, colonoscopia, estudo
patológico.Tratamento com polipectomia e rastreamento a cada 3 anos com colonoscopia
DEFINIÇÃO EPIDEMIOLOGIA FISIOPATOLOGIA QUADRO
CLÍNICO
DIAGNÓSTICO TRATAMENTODOENÇAS QUE
CAUSAM
HEMORRAGIA
BAIXA
Colonoscopia
EDA: diagnósticodiferencial (maioria
dos sangramento
é por HDA)
Hemograma
�
Isabela Castilho Pellis - T6
SÍNDROMES
HEREDITÁRIAS
DE POLIPOSE/
POLIPOSES
FAMILIARES
Poliposes Adenomatosas familiares (PAF):
- PAF clássica: distúrbio autossômico dominante que causa vários (centenas - milhares) de pólipos
adenomatosos, que atapetam todo o cólon. Causados por mutações no gene APC. Sintomas se iniciam
na adolescência e progridem com a idade: diarreia, hiperpigmentação retiniana hipertrófica. Chance
de câncer colorretal = 100%. Diagnosticada por colonoscopia, com achados de > 100 pólipos.
Tratamento é a colectomia profilática (evita evolução para carcinoma). Rastreamento em parentes (teste
genético, retossigmoidoscopia —> a partir de 10-12 anos, até 35-40 anos)
- Síndrome de Gardner: variante da PAF, associada à osteomas (manbibular e craniano) e tumores de
tecido mole. 100% de chance de câncer colorretal aos 40 anos
- Síndrome de Turcot: variante da PAF,associada a tumores do SNC, meduloblastoma e glioblastoma.
Relacionado com mutações no gene APC. 100% de chance de câncer colorretal aos 40 anos
Poliposes Hamartomatosas familiares (PHF)
- Síndrome de Peutz-Jeghers: doença autossômica dominante com vários pólipos hamartomatosos no
estômago, intestino delgado e colo, junto com lesões epidérmicas pigmentadas. Máculas melanocíticas
da pele e mucosas (perioral, lábios, mãos, pés), hematoquezia, anemia ferropriva. Diagnóstico por testes
genéticos, colonoscopia e exames associados a canceres extraintestinais. EDA a cada 2 anos, remoção
dos pólipos > 1cm
- Polipose juvenil: doença autossômica dominante, caracterizada pelo aparecimento de 10 ou mais
pólipos hamartomatosos juvenis (pedunculados e grandes) entre os 4-16 anos. Possuem alta propensão
a sangramentos, hematoquezia, anemia ferropriva, malformações arteriovenosas pulmonares
- Síndrome de Cowden: tipo de polipose juvenil familiar que tem risco de elevado desenvolvimento de
câncer de mama e tireoide
DIVERTÍCULO DE
MECKEL
Saculação
congênita do
íleo distal
Acomete mais
homens,
comum em
crianças com
outras
malformações
Obliteração do
ducto
onfalomesenté
rico (ou dueto
vitelino).
Muitas vezes
contém tecido
ectópico
gástrico e
pancreático
(úlceras,
sangramentos,
secreção de
HCl)
Dor abdominal
abaixo ou à
esquerda do
umbigo (QIE),
sangramento
indolor,
obstrução
intestinal,
cólicas,
náuseas,
vômitos
*Dor
semelhante à
apendicite,
mas do lado
esquerdo
Cirúrgico:
quando estiver
sangrante,
ressecar o
divertículo + o
local sangraste,
quando não
sangrar, apenas
o divertículo
Clínico: cirurgia
não é necessária
quando não
houverem
sintomas
associados
DEFINIÇÃO EPIDEMIOLOGIA FISIOPATOLOGIA QUADRO
CLÍNICO
DIAGNÓSTICO TRATAMENTODOENÇAS QUE
CAUSAM
HEMORRAGIA
BAIXA
US
TC: mais
direcionada para a
dor
Cintilografia:
utilizada para o
sangramento
Cirúrgico:
encontrado por
“acidente" na
cirurgia
exploratória para
apendicite
�
Isabela Castilho Pellis - T6
HEMORROIDAS Veias
dilatadas do
plexo
hemorroidário
do reto
inferior
Comum em
idosos (idade
avançada =
fator de risco)
Internas:
acima da linha
pectínea,
epitélio
colunar
intestinal.
Podem se
exteriorizar
-Grau 1: não
sai do ânus
-Grau 2:
podem sair,
mas voltam
sozinhas
-Grau 3: saem
e devem ser
empurradas
-Grau 4: saem
e não voltam,
dor intensa
Externas:
abaixo da linha
pectínea,
epitélio
escamoso.
Podem
trombosar
Interna:
Sangramento
durante
evacuação ou
aos esforços,
dor, prolapso,
prurido, sangue
vivo (no papel
higiênico, gota
no vaso).
indolor
Externa: dor é
a principal
característica
Estrangulada:
quando a
protrusão e
constrição
diminuem o
suprimento
sanguíneo —>
dor, necrose,
úlcera
Clínico:
emolientes
fecais, banhos
de assento,
lidocaína, AINEs
Cirúrgico:
hemorroidectomi
a, ligadura
elástica
(hemorróidas
internas maiores
ou que não
respondem)
Internas:
-Grau 1: clínico
(fibras,
supositório)
-Grau 2: dieta,
supositório.
Sem corticoide
-Grau 3: fibras,
supositório,
ligadura
elástica,
hemorroidecto
mia
-Grau 4:
hemorroidecto
mia
FISSURAS ANAIS Laceração
aguda
longitudinal
ou úlcera oval
crônica no
epitélio
escamoso do
canal anal até
a linha
pectínea
Uma das
patologias
benignas
anorretais mais
comuns. Igual
nos dois sexos,
mais comum
em adultos
jovens
Resulta da
laceração por
fezes largas ou
duras, ou por
fezes altas
frequentes.
Traumas (sexo
anal) são
causas raras
Dor forte (após
evacuação),
por horas,
diminui
progressivame
nte até a
próxima
evacuaçõ.
Sangramento
na defecação
(sangue vivo,
mas menos
que a
hemorragia)
Clínico: igiene
local, cremes
protetores,
emolientes
fecais, injeção
de toxina
botulínica
DEFINIÇÃO EPIDEMIOLOGIA FISIOPATOLOGIA QUADRO
CLÍNICO
DIAGNÓSTICO TRATAMENTODOENÇAS QUE
CAUSAM
HEMORRAGIA
BAIXA
Inspeção:
Anuscopia:
exame
endoscópico do
ânus
Retossigmoidosc
opia/
colonoscopia
�
Clínico: inspeção
anal
*Exames não são
necessários
�
OBSTRUÇÃO
INTESTINAL
FISIOPATOLOGIA Funcional: causada por íleo paralítico, pancreatite aguda
Mecânica: presença de barreira anatômica impedindo a passagem. Causada por estenose,
compressão, aderência, volvo. Mais comum no lado esquerdo
-Intraluminal: dentro do lúmen. Causada por invaginações, corpo estranho, fecaloma
-Extraluminal: fora do lúmen. Causada por bridas, hérnias, tumores
-Intramural: causada por DII (principalmente Chron), endometriose, estenose
OBSTRUÇÃO
INTESTINAL
Isabela Castilho Pellis - T6
CONSTIPAÇÃO: é um diagnóstico e um sintoma. É a diminuição da frequência evacuatória, com sintomas de
esforço excessivo para evacuar, fezes endurecidas e sensação de evacuação incompleta. É uma doença funcional,
acomete cerca de 20% da população, mais comum em mulheres e idosos
LOCALIZAÇÃO Alta: intestino delgado. Causada por bridas, neoplasias (crcinomatose), hérnias estranguladas
- Sintomas imediatos
- Cólicas (umbigo, epigástrio)
- Vômitos biliosos
- Obstipação (se obstrução completa)
- Alças dilatadas palpáveis
- Peristaltismo hiperativo, depois estrangulamento (RHA ausentes)
Baixa: intestino grosso, com válvula íleo-cecal competente ou incompetente. Causada por neoplasias
(tumor colorretal), volvo, doença diverticular, fecaloma
- Início mais gradual
- Obstipação
- Distensão
- Vômitos fecaloides (se válvula íleo-cecal incompetente)
- Cólicas em hipogástrio
- RHA aumentados
- Massa palpável, se tumor
SENTIDO DA
OBSTRUÇÃO
Alça simples/ aberta: 1 ponto de obstrução, impede sentido aboral (boca - ânus). Mais comum na
obstruçao alta (delgado). Pode causar choque hipovolêmico
Alça fechada: 2 pontos de obstrução, conteúdo fecal não vai em nenhum dos sentidos (aboral ou ano-
oral), mais comum na obstrução baixa (grosso), pode causar choque séptico
SOFRIMENTO DA
ALÇA
Vascular primária: problema vascular em si (ex,: obstrução arterial que causa obstrução intestinal)
Vascular secundária: problema que causa outro problema vascular
ANAMNESE/ EXAME
FÍSICO/
DIAGNÓSTICO
OBSTRUÇÃO
INTESTINAL
Sinais/ sintomas: Diminuição/ parada de eliminação de gases/ fezes, cicatriz, hérnia, febre (sinal de
estrangulamento), peristalse intercalada com silêncio abdominal.
Toque retal: presença de fezes e sangue, secreções, sinais de Gersuny (fecaloma)
RX tórax/abdome: em posição ortostática, há distensão de alças do delgado (cheias de líquido e gás),
causando sinal de empilhamento de moedas, com níveis hidroaéreos (ar intercalado com fezes/bile), ausência de gases no intestino distal (não há eliminação de gases/ fezes)
TC abdome: pode ser necessária após RX, indica sinal do bico de pássaro
Hemograma: leucocitose
B-HCG: diagnóstico diferencial para mulheres em idade fértil
�
Isabela Castilho Pellis - T6
OBSTRUÇÃO -
CRIANÇAS
ÂNUS IMPERFURADO/ ATRESIA
ANAL
MEGACÓLON CONGÊNITO/
HIRSCHSPRUNG
INTUSSUSCEPÇÃO
DEFINIÇÃO Estreitamento do canal anal,
podendo ter uma membrana fina
ou espessa recobrindo o ânus.
Pode haver fístula da bolsa anal até
o períneo (uretra/ vagina)
Anomalia congênita da inervação do
intestino baixo
Telescopagem (penetração,
invaginação) do intestino
(intussusceptum) dentro de
um segmento adjacente
(intussuscipiens)
EPIDEMIOLOGIA Associada a outras anomalias -
VACTERL (vertebral, atresia anal,
cardíacas, fístula traqueoesofágica,
renais, rádio). Associada à
trissomia do 21 (Sd. Down)
Acomete mais homens, comum na
Síndrome de Down, fatores genéticos
associados, geralmente ocorre no
reto sigmoide
Causa mais comum de
obstrução intestinal em
crianças, acomete mais
homens, mais comum em
lactentes, pode acontecer em
adultos
FISIOPATOLOGIA Ausência de perfuração da
membrana anal no final da 8˚
semana ou por falta de suprimento
sanguíneo na vida intrauterina
Classificação
-Alto
-Intermediário
-Baixo
-Coberto com epitélio
-Coberto com membrana
-Sem membrana anal
-Anus em fundo sérico
Ausência congênita do pelo
autonômico de Meissner e Auerbach
na parede intestinal. A área
denervada é sempre contígua, e o
peristaltismo está ausente ou anormal
Substâncias irritantes/ lesão
—> alteração do peristaltismo
—> o segmento da
telescopagem provoca
obstrução intestinal —>
impede o fluxo sanguíneo
para o segmento da
intussuscepção —> isquemia,
gangrena e perfuração
*Obstrução em alça fechada
QUADRO
CLÍNICO
Distensão abdominal, mecônio na
urina (indica lesão alta), ausência
de eliminação de mecônio nas
primeiras 24h, vômitos biliosos
(podem passar para fecaloides)
Obstipação, sem passagem de
mecônio nas primeiras 24h de vida,
distensão abdominal, vômitos,
diarreia líquida (acúmulo de fezes
com bactérias). Reto vazio com fezes
palpáveis + repentina passagem de
fezes estimulada pelo toque (sinal
explosivo)
Cólicas intermitentes, fácies
de sofrimento, massa
abdominal palpável em forma
de salsicha. Tríade clássica:
dor abdominal aguda +
vômito + eliminação de muco
com sangue (geleia de
framboesa)
DIAGNÓSTICO Exame físico: ânus não é patente
RX simples
US abdome e pelve
UB obstétrica
OBSTRUÇÃO -
CRIANÇAS
Enema opaco: diâmetro de transição
entre o cólon dilatado, dilatado
proximal ao segmento denervado,
estreitado depois. Deve ser feito sem
preparo prévio (falso diagnóstico) e
um RX normal antes (excluir
perfuração). Cone de transição
Toque retal: saída explosiva de fezes
líquidas
Biópsia de reto: ausência de células
ganglionares (agangliose)
Manometria anal: revela falta do
relaxamento do esfíncter anal interno
�
US abdominal: aspecto em
casca de cebola, sinal do
alvo, sinal do pseudorim
Toque retal: muco
sanguinolento
RX abdominal/ enema
aéreo: não usar bário (pode
causar peritonite)
�
Isabela Castilho Pellis - T6
TRATAMENTO Cirúrgico: urgência cirúrgica
-Lesão de baixo grau: correção
primária
-Lesão de alto grau: colostomia,
depois de 4 meses realizar
correção cirúrgica
Cirúrgico: colectomia (ressecção do
segmento acometido)
Endoscópico: enema aéreo
Cirúrgico: enterectomia
(ressecção da parte do
intestino com
intussuscepção). Indicada
quando o enema não for bem
sucedido ou se houver
perfuração
ÂNUS IMPERFURADO/ ATRESIA
ANAL
MEGACÓLON CONGÊNITO/
HIRSCHSPRUNG
INTUSSUSCEPÇÃOOBSTRUÇÃO -
CRIANÇAS
OBSTRUÇÃO -
ADULTOS
VOLVO MEGACÓLON
CHAGÁSICO
CÂNCER COLORRETAL (CCR) CÂNCER
ANORRETAL/ DE
CANAL ANAL
DEFINIÇÃO Torção completa da
alça intestinal com
comprometimento
vascular e luminal
Denervação do cólon
causado pela Doença
de Chagas (protozoário
Trypanosoma cruzi)
Neoplasia maligna do intestino
grosso
Adenocarcinoma de
canal anal
EPIDEMIOLOGIA Mais comum no cólon
sigmoide (não é preso
ao mesentério), depois
no ceco. Mais comum
em homens
Endêmica na América
do Sul/ Central. Mais
comum no reto e
sigmoide
3˚ câncer mais comum, 2˚ causa
de morte por neoplasia. Mais
comum no Sudeste. 50-60 anos
Mais comum é o
adenocarcinoma,
mais comum em
mulheres, 5˚-7˚
década de vida
FISIOPATOLOGIA Rotação do intestino
sobre seu eixo
mesentérico
A doença crônica se
desenvolve em
20-40% dos pacientes,
após uma fase de
latências (décadas),
causando efeitos
cardíacos e no TGI.
Degeneração do Plexo
de Auerbach
*Tropismo pela
musculatura lisa
Transformação maligna dos pólipos
adenomatosos. APC, KRAS, P53,
caderina
Fatores de risco:
- PAF
- Sd. Lynch
- Obesidade
- DII
Classificação de Dukes: A
(mucosa), B1 (não atravessa
muscular, sem gânglios), B2
(atravessa mucosa, sem gânglios),
C1 (não atravessa muscular, com
gânglios), C2 (infiltra muscular, com
gânglios), D (metástase)
Fatores de risco:
- HPV (16, 18)
- Fístulas crônicas
(D. Chron)
- Condiloma
acuminado
Classificação:
-Escamoso/
Doença de Bowen/
CEC/ Epidermoide
-Queratinizado
-Não
queratinizado
-Mucoepidermói
de
-Basaloide
QUADRO
CLÍNICO
Distensão abdominal,
náuseas, vômitos com
dor abdominal
Obstipação, volvo
intestinal, cólicas com
náuseas e vômito,
fecaloma,
megaesôfago,
miocardiopatia
chagásica
Crescimento lento (demora a
aparecer sintomas), sangue nas
fezes, anemia, massas, mudanças
de hábitos intestinais
CA cólon D: sangue oculto,
melena, fezes de maior calibre, dor
em QID
CA cólon E: diarreia/ constipação,
fezes menos calibrosas,
hematoquezia, dor em QIE. Forma
hemorrágica, dá sintomas antes
(diagnostica antes)
CA retal: hematoquezia, fezes em
fita, constipação, tenesmo
Metástases: fígado (sistema porta)
Lesões com úlceras
acima da linha
pectínea,
sangramento com
defecação, prurido,
tumoração, fístulas,
dor,, disseminação
linfática (linfonodos
aumentados)
Metástases: fígado
OBSTRUÇÃO -
ADULTOS
Isabela Castilho Pellis - T6
DIAGNÓSTICO Impeção perianal
Toque retal
US transrretal
Colonoscopia
Biópsia de pele
TRATAMENTO Endoscópico:
distorção por
retossigmoidoscopia
(alça estável, sem sinal
de necrose)
Cirúrgico: colostomia
+ ATB (com sinal de
necrose)
Clínico: não existe
tratamento depois que
os sintomas aparecem.
Melhorar a alimentação
(comer mais fibras,
usar laxativos)
Cirúrgico:
retossigmoidectomia
Cirúrgico:
Quimioterapia adjuvante: depois
da cirurgia. 5-FU, Leucovorina
Acompanhamento: CEA
(prognóstico) + colonoscopias
Rastreamento:
- Sangue oculto: 2-3 amostras,
imunohistoquímica. Positivo =
fazer colonoscopia
- Colonoscopia:
- História familiar: 10 anos
antes do família diagnosticado
- Pólipo: repetir o exame
anualmente
Cirúrgico: excisão
local ampla
Tratamento
combinado:
quimioterapia mais
radioterapia
- Protocolo de
Nigro:
mitomicina + 5-
FU +
Ondansentrona +
SF
Acompanhamento:
após a cura,
anuscopia e que
retal a cada 3
meses, por 3 anos
VOLVO MEGACÓLON
CHAGÁSICO
CÂNCER COLORRETAL (CCR) CÂNCER
ANORRETAL/ DE
CANAL ANAL
OBSTRUÇÃO -
ADULTOS
Exame físico: massa
na fossa ilíaca
esquerda à palpação
(fecaloma). Toque retal
= sinal de Gersuny
(Fecaloma)
Enema opaco:
alargamento do
sigmoide e reto
ELISA: detecção de
Chagas
ECG: problemascardíacos associados
�
Anamnese: história familiar de
CCR, história de pólipos.
Sangramento, anemia ferropriva,
dor
Colonoscopia + biópsia:
rastreamento a partir de 50 anos.
Visualização de pólipo/ câncer
Enema opaco: sinal da “maçã
mordida”
�
Exame físico: sinal de
Kiwul (som timpânico)
e sinal de Von What
(bolha elástica,
resistência à palpação)
Enema opaco:
imagem do grão de
café/ “U" invertido/
bico de pássaro
�
Isabela Castilho Pellis - T6
TUMORES
HEPÁTICOS
BENIGNOS
DEFINIÇÃO EPIDEMILOGIA FISIOPATOLOGIA QUADRO CLÍNICO DIAGNÓSTICO TRATAMENTO
HEMANGIOMA
CAVERNOSO
Má formação
vascular.
Tumor
composto
por
“enovelado"
de veias
Mais comum
em mulheres
múltiparas
(estrógeno).
Únicos e no
lobo direito.
Mais comum
dos tumores
benignos
Aparência vascular
característica,
capilares ou
cavernosos,
aspecto de favo
de mel
(aglomerado de
vasos sanguíneos)
Inchaço,
trombose de
hemangioma
gigante (=
comprime
estruturas),
choque
hipovolêmicos,
Sd. Kasabach-
Merrit
US: 1˚, imagens
hiperecoicas
TC: massa
hipotensa
RNM: favo de
mel
*Não biopsiar
(hemorragia)
Cirúrgico:
hepatectomia
Clínico:
corticoides,
diuréticos
ADENOMA
HEPATOCELULAR
Tumor
benigno,
lesão
hepática
sólida
Mulheres,
idade fértil, uso
de ACO (> 5
anos). Mais
importante
tumor benigno
Alteração do fluxo
sanguíneo no
fígado —>
hiperplasia —>
proliferação —>
nódulo
Mutações:
inativação do TNF-
a, ativação de b-
catenina
assintomático,
desconforto no
QSD, dor em
epigástrio/
hipocôndrio
direito, massa
palpável, achado
de imagem
("acidental")
Cirúrgico:
ressecção.
Indicado
quando = não
regride,
subcapsular ou
> 5cm
Clínico: tirar
ACO, não
engravidar.
Baixo risco =
fazer
Embolização:
feito se o
paciente
sangrar e estiver
estável
Adenomas
multifocais:
transplante
ortotópico
hepático
HIPERPLASIA
NODULAR FOCAL
Lesão
hamartomat
osa,
parecida
com cirrose
20-50 anos,
mulheres, pode
ter relação
hormonal. 2˚
tumor
hepático
benigno mais
comum
Contém grandes
vazos, com uma
cicatriz central
(estrela, roda de
carruagem),
geralmente não
maligniza.
É uma resposta
hepatocelular
hiperplásica (e
não neoplásica) à
hipoperfusão ou
injúria vascular
causada por uma
artéria anômala
pré-existente no
local da lesão
Assintomático,
baixo risco
maligno
Cirúrgico:
ressecção
cirúrgica (lesões
indeterminadas
ou sintomáticas)
Clínico:
acompanhamen
to (US
periódica),
suspensão de
ACO
TUMORES
HEPÁTICOS
BENIGNOS
US: 1˚ exame,
Biópsia:
confirma
diagnóstico,
afasta
malignização.
Hepatócitos
atípicos,
ausência de
ductos biliares e
células de
Kupffer
AFP: normal
FA e GGT:
normais/ altas
�
US: 1˚ exame
Cintilografia
com enxofre
coloidal
TC
contrastada:
estrela, roda de
carruagem
Biópsia:
confirma
diagnóstico
�
Isabela Castilho Pellis - T6
ABSCESSO
BACTERIANO
Infecção,
acúmulo de
pus,
bactérias
Mais
comum:
Gram -, E.
Coli
Abscesso
amebiano:
pus como
molho de
anchovas
Geralmente é
secundário,
comum em
homens e
idosos. Pode
ter relação com
traumas
Disseminação:
-Ducto biliar
(colangite)
-Artéria hepática
(infecção em
qualquer lugar)
-Veia porta
(infecção
abdominal, pelve,
apendicite) = via
hematogênica
-Criptogênica (foco
não identificado)
Febre, icterícia
com pileflebite
(tromboflebite da
veia porta), torno
QSD
Múltiplos:
quadros mais
agudos, choque
séptico
Simples: quadro
insidioso
Clínico: ATB
(ceftriaxona +
Metronidazol)
Drenagem:
aspiração
percutânea
guiada (US, TC),
+ escleroterapia
com álcool.
- Mandar o
líquido para
cultura e
pesquisa
direta
CISTO HEPÁTICO Lesão com
conteúdo
líquido
Afetam 5% da
população
Hiperplasia
inflamatória que
retém líquido, tem
parede fina, septos
e parede fina.
Únicos ou
múltiplos
Sintomas
compressivos,
dor abdominal,
dispepsia,
dispneia, icterícia
(obstrui canais
biliares),
hepatomegalia.
Rompimento =
sangramento =
choque
US: aparência
de roseta,
calcificações.
Reforço
acústico
ELISA
TC
Clínico:
pequenos,
apenas
acompanhar
Cirúrgico:
destelhamento
do cisto
(ressecção). >
10-15cm
*tratamento
curativo =
quando remover
o cisto todo
CHISTO
HIDÁTICO
Lesões com
conteúdo
líquido +
larvas
Comum na
zona rural,
Argentina,
Chile, Sul do
Brasil
Echinococcus
granulosis
Zoonose
parasitária
(equinococose). O
parasita se replica
em cães/ raposas,
que defecam e
eliminam ovos —>
contaminam bois,
ovelhas —>
homem come a
carne ou água
contaminada com
fezes de cachorros
Parasita atinge o
fígado —>
absorvido —>
cresce em forma
de cisto
Dor abdominal,
dor irradiada para
o ombro,
compressão de
vísceras,
náuseas,
hepatomegalia,
sem febre.
Complicação
clássica da
ruptura do cisto
hepático: choque
anafilático (cisto
com corpos
estranhos =
rompem =
reação)
US: 1˚ exame
TC
ELISA: reação
de anticorpos
*Não puncionar
Cirúrgico:
retirada de
cistos
Medicamentos:
pré-operatórios
(Albendazol/
Mebendazol)
DEFINIÇÃO EPIDEMILOGIA FISIOPATOLOGIA QUADRO CLÍNICO DIAGNÓSTICO TRATAMENTOTUMORES
HEPÁTICOS
BENIGNOS
Hemograma:
leucocitose,
desvio à
esquerda
Função
hepática: FA
alta
Hemocultura
TC: padrão-
ouro
US: mais usado
�
Isabela Castilho Pellis - T6
NEOPLASIAS
HEPÁTICAS
MALGINAS
PRIMÁRIAS
CARCINOMA HEPATOCELULAR/
HEPATOCARCINOMA
ANGIOSSARCOMA/
HEMANGIOSSARCOMA
/ TUMOR CÉLS.
KUPFFER
HEPATOBLASTOMA
EPIDEMIOLOGIA Ocorre em pacientes com cirrose, comum em
áreas com infecção por Hepatite B (oncogênico).
Mais comum em homens, câncer hepático
primário mais comum
Tumor raro, comum em
crianças, mas mais
comum em idosos.
Acomete mais homens
Tumor maligno hepático
primitivo mais comum em
crianças (<5 anos)
FISIOPATOLOGIA Geralmente ocorre como uma complicação da
cirrose
Fatores de risco:
- Cirrose (principal)
- Hepatite B (risco 100x)
- Hepatite C crônica
- Obesidade, DM, álcool
Não está associado à
cirrose. Derivado das
células endoteliais
(origem mesodérmica),
relação com cloreto de
vinila (PVC), amendoim,
esteroides
Associada à PAF, trissomia
do 18, mutação no
cromossomo 11, exposição
a agentes exógenos
(mutações)
QUADRO
CLÍNICO
Tríade clássica: dor em QSD + aumento de
volume abdominal + perda de peso
Piora do estado clínico ou trombose de veia porta
em paciente cirrótico previamente compensado
Dor abdominal,
hepatomegalia,
emagrecimento, ascite
Anorexia, massa abdominal
palpável, perda de peso,
dor abdominal. Bem
limitado, solitário e com
contornos bem definidos
DIAGNÓSTICO US
TC
AFP: normal
AFP: muito elevada
TC: hipervascularização
*Não realizar biópsias (por
causa da
hipervascularização do
tumor)
NEOPLASIAS
HEPÁTICAS
MALGINAS
PRIMÁRIAS
AFP: elevada (significa diferenciação de
hepatócitos = carcinoma hepatocelular). Principal
marcador tumoral
US: identifica lesões sólidas hepáticas
TC: hipervascularização em volta do nódulo
(angiogênese), trombose, Washout (contraste na
fase portal/ venosa)
- Fase pré-contraste
- Fase arterial
- Fase portal
Biópsia: diagnóstico definitivo, guiada por US
Rastreamento: cirróticos e portadores de
hepatite B = dosagem de AFT e US a cada 6
meses
Estadiamento: Barcelona-Clinic Liver Cancer
(BCLC)
�
Isabela Castilho Pellis- T6
TRATAMENTO Cirúrgico: ressecção (hepatectomia parcial)
Transplante: quando os tumores forem únicos
<5cm ou múltiplos >3cm e limitados ao fígado
(Barcelona)
CHILD A + não cirróticos: hepatectomia parcial
CHILS B e C: transplante (únicos <5cm ou
múltiplos >3cm e limitados ao fígado - Barcelona).
Preferência na fila de transplante
(hepatocarcinoma = pontos no MELD)
Cirúrgico: ressecção
(raramente é ressecável)
Quimioembolização
Quimioterapia: associada
à ressecção cirúrgica
Cirúrgico: alto risco,
prognóstico ruim
CARCINOMA HEPATOCELULAR/
HEPATOCARCINOMA
ANGIOSSARCOMA/
HEMANGIOSSARCOMA
/ TUMOR CÉLS.
KUPFFER
HEPATOBLASTOMANEOPLASIAS
HEPÁTICAS
MALGINAS
PRIMÁRIAS
NEOPLASIAS
MALIGNAS
SECUNDÁRIAS
METÁSTASES
EPIDEMIOLOGIA Mais comuns que os tumores primários
FISIOPATOLOGIA Metástases hepáticas são comuns em vários tipos de câncer, especialmente: TGI, mama, pulmão,
pâncreas
- Colorretal
- Pulmão
- Mamas
- Malignos urogenitais
- carcinomatose (imagens regulares)
QUADRO
CLÍNICO
Sintomas inespecíficos, perda de peso, hepatomegalia, dor no QSD, ascite, icterícia leve ou ausente. Se
o tumor causar obstrução biliar = icterícia
DIAGNÓSTICO
TRATAMENTO Cirúrgico: ressecção ocasional
Quimioterapia
Função hepática: TTGO, TGP, KPTT, bilirrubina, albumina —> pouco específicas
FA e GGT: aumentam precocemente
TC, RNM com contraste: resultados mais acurados
Biópsia por imagem + histopatológico: diagnóstico definitivo
�
DOENÇAS QUE
ACUMULAM METAIS
DOENÇAS DE WILSON HEMOCROMATOSE
DEFINIÇÃO Distúrbio do metabolismo do cobre, doença recessiva
autossômica rara. Causada por mutação no gene
ATP7B
Distúrbio genético caracterizado pelo
acúmulo de ferro que resulta em lesão
tecidual
EPIDEMIOLOGIA Afeita mais homens, doença rara Fator de risco para hepatocarcinoma,
pode causar cirrose, mais homens
DOENÇAS QUE
ACUMULAM METAIS
Isabela Castilho Pellis - T6
FISIOPATOLOGIA Defeito genético prejudica o transporte de cobre —>
diminui secreção de cobre na bile —> sobrecarga de
cobre e acúmulo no fígado—> transporte prejudicado
interfere na incorporação de cobre na ceruloplasmina
—> diminui níveis de ceruloplasmina
ATPase de Wilson diminuída ou ausente = sem
transporte de cobre
Aumento da absorção intestinal de ferro —.
Deposição excessiva de ferro (fígado,
pâncreas, coração) —> lesão
parenquimatoso (fibrose)
- Primária: mutação no gene HFE
(clássica)
- Secundária: siderose (acúmulo de ferro)
—> anemias, hepatite C, dieta, doença
hepática alcoólica
QUADRO CLÍNICO Sintomas hepáticos (hepatite aguda crônica ativa ou
fulminante), cirrose inexplicada (principalmente em
jovens), acomete núcleos da base no cérebro (déficits
motores, tremor, distonia), anéis de Kayser-Fleischer
(cobre depositado na parede da íris = anéis dourados/
dourado-esverdeados)
Índice de Fazer: avaliar prognóstico. Avalia bilirrubina,
AST eprotromâina. Fazer > 9 = indica transplante
Doença hepática (leva à cirrose e
carcinoma hepatocelular), pigmentação
dapele, diabetes, artropatia, disfunção
erétil
Descrição clássica de Sheldon: DM +
hepatomegalia + hiperpigmentação da pele.
- Ferro no pâncreas = lesiona células beta
= resistência insulínica
- Deposição de melanina =
hiperpigmentação
DIAGNÓSTICO Dosagem de ceruloplasmina sérica: baixa
Dosagem de cobre sérico: alto
Excreção urinária de cobre: alta (urina 24h)
Exame de feixe de lux: anéis de Kayser-Fleischer
Dosagem de ferritina sérica: alta
Dosagem de ferro sérico: alto
Índice de saturação de transferritina
(IST): alta
Aminotransferases: altas (10x)
TRATAMENTO Clínico: Penicilamina (quelante do cobre), dietapobre
em cobre
Clínico: desferoxamina (quelnte do ferro)
- Sangria: indicado para pacientes com
manifestações clínicas, níveis elevados de
ferritina ou saturação de transferrina
elevada. Método mais eficaz pra remover
excesso de ferro
DOENÇAS DE WILSON HEMOCROMATOSEDOENÇAS QUE
ACUMULAM METAIS
COLELITÍASE COLECISTITE AGUDA
DEFINIÇÃO Pedras/ cálculos na vesícula biliar Inflamação da vesícula biliar
EPIDEMIOLOGIA Comum em mulheres, incidência aumenta com a
idade
Comum em mulheres, 40-80 anos
FISIPATOLOGIA Cálculos de colesterol: amarelos, maiores, risco
de câncer de vesícula. Substância insolúvel se
agrega com sais e com leptina (normalmente) —>
colesterol supernatural e forma o cálculo —> bile
litogênica. Mais comum
Cálculos pigmentados:
- Pigmentos negros: bilirrubinatos de cálcio,
formados pela hemólise crônica. São pequenos,
duros, relacionados com doença hepática
alcoólica
- Pigmentos castanhos: únicos, formados pela
vesícula, formados por bilirrubinas ou ácidos
graxos. Amolecidos, engordurados,
relacionados com processos infecciosos e
inflamação
Calculosa: maioria, causada por
obstrução no ducto cístico. Obstrução
—> aumento de pressão —> obstrução
venosa e linfática, edema, isquemia,
necrose —> infecção (pode causar
empiema e gangrena)
Acalculosa: minoria, causada por
colecistite, sepse, trauma, infecções
Aguda enfisematosa: comum em
idosos, dor na vesícula, gás na vesícula
(bactérias anaeróbias - gênero
Clostridium)
Isabela Castilho Pellis - T6
QUADRO CLÍNICO Dor contínua (dor biliar - dura menos que 6h), dor
epigástrica ou no QSD, que corre após uma
refeição, dor irradiada para escápula
Dor persistente no QSD (mais que 6h),
dor irradiada para dorso, dor referida na
região subescapular direita. Murphy +,
massa palpável
DIAGNÓSTICO US: melhor exame, vê cálculos arredondados, que
se movem conforme o paciente se movimenta.
Presença de sombra acústica
RX: mostra cálculos pigmentados (bilirrubinatos).
Minoria dos casos, pois a maioria é de colesterol
(não visto no RX)
Exame físico: sinal de Murphy positivo
(interrupção da inspiração ao palpar o
ponto cístico)
US: melhor exame, mostra enfisema,
cálculos, sinal de Murphy
ultrassonográfico
RX - rotina abdome agudo: AP tórax,
perfil abdome, PA abdome
Laboratorial: hemograma,
transaminase, FA, amilase, lipase
TRATAMENTO Cirúrgico: colecistectomia (indicada = cálculos >
3cm, pólipos de vesícula biliar, vesícula em
porcelana, vesícula dupla). Feita mesmo em
pacientes assintomáticos
Cirúrgico: colecistectomia
Clínico: tratamento de suporte
(reidratação, jejum e ATB - Cftriaxona +
Metronidazol), internamento.
Dependendo do quadro do paciente =
pode ficar internado e depois ser
operado
COLELITÍASE COLECISTITE AGUDA
PANCREATITES PANCREATITE AGUDA PANCREATITE CRÔNICA
DEFINIÇÃO Processo inflamatório agudo do pâncreas, que pode envolver
tecido peripancreático e outros órgãos
Dano permanente do tecido pancreático
EPIDEMIOLOGIA Causa comum de abdome agudo Causa mais comum é o alcoolismo
FISIPATOLOGIA Lesões reversíveis. Causas são litíase biliar (maioria = cálculos
pequenos), álcool
- Cálculos: Lesão pancreática inicial (obstrução por cálculo) —
> fusão de lisossomos —> ativação de enzimas pancreáticas
(tripsina, lipase) —> autodigestão —> necrose pancreática
- Álcool: estimula diretamente as enzimas pancreáticas —>
iniciam autodigestão. Causa espasmo no esfíncter de Oddi
Lesões irreversíveis. Causas são álcool,
fibrose cística, tabagismo, dieta rica em
gorduras
CLASSIFICAÇÃO Edematosa/ leve: pode evoluir para necrosante, acomete
apenas o pâncreas
Necrosante: necrose e hemorragia do parênquima, mais grave,
acomete pâncreas + tecidos próximos
Pancreatite crônica calcificante (PCC):
mais comum, relação com álcool.
Diminuição de substâncias que evitam
precipitação e formação de cálculos =
causa obstrução, atrofia e estenose.
Secreção anormal de suco pancreático,
que se acumula e forma calcificados =
fibrose. Acometimento irregularPancreatite crônica obstrutiva (PCO):
relação com tumor, obstrução do ducto
principal (Wirsung), causa atrofia uniforme
Pancreatite crônica inflamatória (PCI):
relação com síndrome de Sjörgen, rara,
mais em idosos, infiltrado inflamatório
sem origem conhecida, progressiva,
difusa
PANCREATITES
Isabela Castilho Pellis - T6
QUADRO
CLÍNICO
Dor súbita em faixa (irradiada para as costas), paciente curvado
para frente (posição antálgica, prece maometana), náusea,
vômito, febre, sudorese, contratura muscular. Hiperglicemia
(não faz DM)
Complicações: choque distributivo (séptico - SIRS, síndrome
da resposta inflamatória sistêmica), choque hemorrágico
Dor após as refeições (dura 2h), dores
aumentam no início, mas com anos de
pancreatite, diminuem (destruição do
tecido)
Tríade clássica: esteatorreia
+calcificação + diabetes
DIAGNÓSTICO Exame físico:
- Sinal de Cullen: equimose periumbilical (hemorragia
retroperitoneal)
- Sinal de Gray-Turner: equimose em flancos (hemorragia
retroperitoneal)
- Sinal de FOX:equimose na base do pênis
- Paniculite: espessamento da gordura abdominal (necrose da
gordura subcutânea)
Laboratorial:
- Amilase: aumentada (permanece por 3-7 dias)
- Lipase: aumentada (permanece por 7-10 dias). Mais
específica
- Hemograma: leucocitose com desvio à esquerda
- LDH: elevada
- AST/ TGO: elevada
- Glicose: pode ou não estar elevada
TC contrastada: exame de escolha para pancreatite, deve ser
o 1˚. Nas primeiras 24h, o pâncreas pode aparecer normal
US: serve para diagnóstico diferencial com colelitíase. Vê
volume e edema do pâncreas, se há litíase ou pseudocistos
CRITÉRIOS
DIAGNÓSTICOS
(PANCREATITE
AGUDA)
Critérios de Atlanta: pelo menos 2 dos seguintes:
- Sintomas compatíveis com a doença
- Amilase ou lipase aumentadas
- Imagem radiológica compatível com a doença
Critérios de Ranson: serve para prognóstico. Deve ser aplicado 2x e muda se for causa alcoólica ou causa
biliar
- Admissão: idade, leucocitose, hieperglicemia, aumento de AST/ TGO, aumento de LDH.
- Após 24h: queda do hematócrito, aumento da BUN (ureia), cálcio sérico, PaO2, déficit de base (ver
gasometria arterial), perda de fluidos
- > 3 = pancreatite grave
- 7-8 = mortalidade 100%
Critérios de Balthazar: se baseia na TC com contraste
- A: 0 pontos - pâncreas normal
- B: 1 ponto - aumento focal ou difuso da víscera
- C: 2 pontos - inflamação peripancreática
- D: 3 pontos - coleção líquida única
- E: 4 pontos - 2 ou mais coleções
APACHE: avalia o paciente que já está grave. Tem 14 parâmetros e leva em consideração funções
orgânicas. Quando maior o APACHE = pior (score de prognóstico em terapia intensiva, calcula mortalidade)
PANCREATITE AGUDA PANCREATITE CRÔNICAPANCREATITES
Laboratorial:
- Amilase: não aumentada
- Lipase: não aumentada
TC: melhor exame. Mostra ducto
dilatado, atrofia parenquimatosa e
calcificações
RX: pode mostrar calcificações
�
�
Isabela Castilho Pellis - T6
TRATAMENTO Clínico: internamento (já pedir Ranson - demora 2 dias) +
reposição polêmica + jejum (até 1 semana) com nutrição
parenteral + analgesia + ATB se necrose (Imipeném)
Cirúrgico: necrosectomia. Única indicação = sepse, infecção
ou necrose
*Ar na necrose (na TC) = infecção
Clínico: analgesia (não usar morfina =
espasmo do esfíncter de Oddi), tratar
esteatorreia, tratar DM (insulina). Suporte
nutricional e tratamento das
consequências
Cirúrgico: cirurgia de Whipple
(pancreatoduodenectomia). Apenas
quando a dor for intratável ou refratária
PANCREATITE AGUDA PANCREATITE CRÔNICAPANCREATITES
COMPLICAÇÕES
DE PANCREATITE
AGUDA
PSEUDOCISTO NECROSE PANCREÁTICA
DEFINIÇÃO Coleção líquida rica m suco pancreático que persiste após 4-6 semanas
da pancreatite aguda
Doença inflamatória
esclerosantes progressiva.
Infecção, sepse
FISIOPATOLOGIA Podem ser únicos ou múltiplos, maioria possui comunicação com o
sistema ducal pancreático = contém altos níveis de lipase e amilase
*São formados na parte extra-hepática
*Sem potencial maligno
Alta mortalidade, ocorre
quando as enzimas caem na
circulação e tem relação com
a presença da infecção
QUADRO
CLÍNICO
Dor abdominal intensa, náuseas, histórico de pancreatite Derrame pleural, dispneia,
SIRS
DIAGNÓSTICO Diagnóstico difícil, alterações
sistêmicas e laboratoriais.
Exames de imagem podem
ser feitos
TRATAMENTO Clínico: maioria tem resolução espontânea
Cirúrgico: punção/ drenagem. Indicado quando > 5cm, ou permanecer
por mais de 6 semanas, com vômitos ou complicações
Clínico: ATB
Cirúrgico: necrosectomia ou
punção/ drenagem
Laboratorial: suspeita = amilase e lipase não melhoram após o tratamento
- Amilase: aumentada
- Lipase: aumentada
TC com contraste: paciente com histórico de pancreatite aguda. Lesão
cística só deve ser diagnosticada como pseudocisto se houver exame de
imagem prévio demonstrando sua ausência
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Isabela Castilho Pellis - T6
TUMORES DE
PÂNCREAS
INSULINOMA VIPOMA GLUCAGONOMA SOMATOSTATINOMA GASTRINOMA
DEFINIÇÃO Tumor das células
beta-pancreáticas
Sïndrome de
Werner-Morrison
ou DAHA. Tumor
de células não
beta secretoras
de Peptídeo
intestinal
vasoativo (VIP)
Tumor das células
alfa pancreáticas
(secretam
glucagon)
Tumor maligno das
células delta
Síndrome de
Zollinger-Ellison.
Tumor produtor
de gastrina, a
partir das células
das ilhotas
pancreáticas ou
das células
produtoras de
gastrina no
duodeno
EPIDEMIOLOGIA Comportamento mais
benigno, raro, mais
em mulheres,
geralmente são
lesões únicas
Comum na
cabeça do
pâncreas, maioria
malignos
Crescimento
lento, acomete
mais mulheres,
80% malignos.
Quando
diagnosticado,
geralmente já tem
metástase
Comum na cabeça do
pâncreas, mas podem
estar presentes em
outros locais (ex.:
duodeno)
50% malignos,
mais em homens,
comum em idosos
FISIOPATOLOGIA Únicos, benignos,
encapsulados,
vascularizados.
Associada à
Síndrome de Verner
VIP —> aumento
de adenilciclase
—> aumenta o
transporte de
líquidos —>
diarreia
Grandes e únicos
Acometimento de
células
pancreáticas que
secretam
glucagon =
hipersecreção de
glucagon =
hiperglicemia
Acomete células que
produzem
somatostatina =
hiperprodução de
somatostatina
Hipersecreção de
gastrina (HCl)
QUADRO
CLÍNICO
Hipoglicemia de
jejum, cefaleia,
sintomas
neuroglicopênicos
(confusão, distúrbios
visuais), sintomas
adrenérgicos (fome,
sudorese, taquicardia
- principalmente em
jejum). Sintomas
diminuem após
ingestão de alimentos
Tríade de Whipple:
hipoglicemia
(sintomas) + glicemia
< 50 + diminuição dos
sintomas após
alimentação
Metástase: fígado
Diarreia aquosa
e em grande
volume (até 3L
de líquido),
hipocalemia (K+ =
hipopotassemia)
e hipercalcemia,
acloridria,
letargia, cólicas.
Relaxamento de
músculos lisos
Hiperglicemia,
sintomas de DM,
perda de peso,
anemia, língua
brilhante, lisa e
hiperemiada,
eritema
necrológico
migratório
(eritema
pruriginoso,
vermelho-
amarronzado,
nxcrólise
superficial - virilha
e nádegas)
DM, esteatorreia,
colelitíase (tumor inibe
a CCK), acloridria
(tumor inibe secreção
de gastrina)
*Menos sintomas
quando no duodeno
Diarreia,
hiperssecreção de
HCl, úlcera
séptica refratária
(locais atípicos,
podem perfurar =
pneumoperitônio
, peritonite. Se
tem hemorragia =
hematêmese e
melena)
TUMORES DE
PÂNCREAS
Isabela Castilho Pellis - T6
DIAGNÓSTICO Dosagem de
glicemia em jejum:
hipoglicemia quando
glicose < 40
US intraoperatória:
massa
hipoecogênica.
Muitas alças na frente
(não consegue ver no
normal)
TC e RNMPeptídeo C: ajuda a
diferenciar de
aplicação de insulina
exógena
- Aumentado:
insulinoma
Dosagem de VIP
sérico: > 60
picomols
TC seguida de
US endoscópico:
localiza o tumor
Clínica: diarreia
secretória
(diagnóstico
diferencial com
cólera, laxante).
Diarreia ocorre
mesmo em jejum
Dosagem de
glucagon sérico:
aumentado (>
1000)
TC
US endoscópica
Dosagem de
somatostatina sérica:
aumentada (> 100)
*Quando
diagnosticado,
geralmente já tem
metástase
Análise de pH:
baixo (ácido)
Gastroinemia:
gastrina elevada
(> 1000)
TC: localização
do tumor
Endoscopia:
úlcera múltiplas,
locais anômalos
(ex.: jejuno)
*Diagnóstico
diferencial com
úlcera péptica por
AINE e H.pylori —
> não melhora
com IBP, não usa
AINE
TRATAMENTO Cirúrgico: ressecção
ou enucleação
Clínico:
medicamentos
(Octreotida,
Diazóxido), alteração
da dieta
Cirúrgico:
ressecção
(quando for
doença
localizada) -
pancreatectomia
distal
Clínico:
medicamentos
(Octreotida),
hidratação,
reposição de
eletrólitos
Cirúrgico:
ressecção
Medicamentos:
octreotida
Quimioterápico:
doença
metastática
Zinco:
desaparecimento
do eritema
*Fazer nutrição
parenteral
(diminui ingesta
de alimentos)
*Anticoagulação
profilática (risco
de TVP) =
Heparina
Cirúrgico: ressecção
de metástases
- Cirurgia de Whipple
- Colecistectomia
profilática
Quimioterapia
Clínico: Octreotida
Cirúrgico:
duodenotomia
Clínico: inibidor
de bomba de
prótons
(supressão ácida)
Quimioterapia:
doença
metastática
INSULINOMA VIPOMA GLUCAGONOMA SOMATOSTATINOMA GASTRINOMATUMORES DE
PÂNCREAS
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