Amiloidose

Amiloidose


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AMILOIDOSE
Docente: Matheus Costa
Discentes: Andressa Colbalchini e Eloisa Slongo
Amiloidose é um quadro clínico raro e frequentemente negligenciado. 
A cada ano, estima-se que 50.000 pessoas em todo o mundo são afetadas pela doença. Isto é cerca de 1/5 da incidência de mieloma múltiplo e uma incidência semelhante à da doença de Hodgkin ou da leucemia mieloide crônica.
Devido à sua raridade, estudantes de medicina e médicos podem não esperar ver amiloidose em sua prática. 
Sintomas podem ser confundidos com problemas mais comuns de doença pulmonar e cardiovascular, é muito provável que a prevalência atual de amiloidose seja maior do que a reconhecida.
Além disso, como os sintomas não específicos e em contínuo agravamento do quadro clínico (por exemplo, ficar cansado ou com falta de ar) 
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Mas o que é amiloidose? 
\u201cé uma doença de depósito de um tipo de proteínas extracelulares, a proteína amilóide (Dhodapkar, Bellotti & Merlini, 2000). Resulta de uma sequência de alterações no desdobramento de proteínas, que induz o depósito de fibrilas amilóides insolúveis, principalmente nos espaços extracelulares de órgãos e tecidos (Sipe & Cohen, 2006 ).\u201d
Conforme as proteínas amiloides se acumulam em nossa corrente sanguínea, elas vão se depositando em órgãos e tecidos. 
As fibrilas amiloides resultantes podem comprometer os sistemas de vários órgãos ou se localizar em uma área do corpo. 
. O amiloide se deposita mais comumente no rim, coração e nervos, com fígado, baço, trato gastrointestinal e vias respiratórias também sendo afetados ocasionalmente. 
Todas as fibrilhas amilóides compartilham uma estrutura secundária idêntica, a configuração em lâmina pregueada, bem como uma ultra-estrutura peculiar. Todos os depósitos amilóides contêm a pentraxina amilóide P sérica (SAP) e glicosaminoglicanos. As amiloidoses são classificadas segundo a identidade da proteína formadora de fibrilas, como mostra a tabela a seguir:
Dependendo da natureza bioquímica da proteína precursora amilóide, as fibrilas amilóides podem depositar-se localmente (amiloidose localizada) ou envolver praticamente todos os sistemas orgânicos do corpo (amiloidose sistémica, que pode ser de causa primária, secundária ou hereditária). 
Visão Geral do Quadro Clínico
Não é fácil de reconhecer a doença, pois os sintomas são vagos, inespecíficos e parecidos com outros casos clínicos mais comuns.
A amiloidose pode ser encontrada como alteração anatômica insuspeita, não tendo produzido manifestações clínicas, ou pode causar a morte.
Macroscopicamente, os órgãos afetados costumam estar aumentados de volume e firmes e têm uma aparência cérea.
Como o padrão de envolvimento dos órgãos é variável, a sintomatologia não segue uma regra. Os sintomas dependem da magnitude dos depósitos e dos locais ou órgãos afetados em particular.
Os depósitos de amiloide podem causar sintomas como:
perda de peso,
fadiga, 
falta de ar,
tontura ao estar em pé, 
inchaço nos tornozelos e nas pernas, 
dormência ou formigamento nas mãos e nos pés,
 urina espumosa,
episódios alternados de constipação e diarreia,
sentir-se saciado rapidamente após comer, 
hematomas se formam facilmente ao redor dos olhos (púrpura periorbital),
língua aumentada (macroglossia). 
A amiloidose pode afetar um ou vários órgãos, sendo mais comumente sistêmica. 
Com maior frequência afeta os rins (70%), o coração (50%), o sistema nervoso (30%) e trato gastrointestinal. 
Um paciente com combinações de doenças nesses órgãos \u2013 sem causas evidentes \u2013 deveria ser investigada a possibilidade de amiloidose.
Envolvimento Renal
Causa proteinúria, que pode ser intensa o suficiente para causar síndrome nefrótica.
Também causa obliteração dos glomérulos, que em casos avançados leva a insuficiência renal e à uremia. 
Amiloidose renal e esplênica
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Envolvimento Cardíaco
A amiloidose cardíaca pode apresentar-se como insuficiência cardíaca congestiva insidiosa. 
Os aspectos mais sérios são os distúrbios de condução e as arritmias, que podem ser fatais. 
Envolvimento Gastrointestinal
A amiloidose da língua pode causar aumento de volume e falta de elasticidade, atrapalhando a fala e a deglutição.
As deposições no estômago e no intestino podem levar à má absorção, diarréia e distúrbios da digestão;
A colonoscopia mostrou áreas de mucosa congestiva e friável, com sufusões subepiteliais de coloração arroxeada pericentimétricas (A, B, C, D) a nível do ângulo hepático, transverso e sigmoide. O estudo histológico revelou na mucosa cólica deposição de material eosinofílico claro com aspeto amorfo (Figura 1 E \u2013 hematoxilina e eosina, ampliação 400 x). Este material cora pelo Vermelho do Congo (Figura 1 F, ampliação 200 x) e apresenta birrefringência verde à luz polarizada \u2013 depósitos de amiloide na mucosa cólica (setas).
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Pacientes de Risco
Têm 50 anos ou mais 
Têm uma infecção ou doença inflamatória crônica 
Têm histórico familiar de amiloidose 
Têm mieloma múltiplo (cerca de 10% dos pacientes com mieloma múltiplo também desenvolvem amiloidose) 
Têm doença renal que exige diálise por muitos anos
O Mieloma múltiplo se caracteriza pelo aumento do número de plasmócitos (se aumenta o número de plasmócitos, aumentam as chances de eles produzirem cadeias leves defeituosas)
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Testes para Amiloidose
Além de identificar a presença da amiloidose, deve-se determinar o tipo de amiloide que está causando a doença. 
O padrão ouro para detectar depósitos amiloides é aplicar a coloração vermelho Congo em uma amostra de tecido. 
A microdissecção a laser seguida por espectrometria de massa é a técnica principal para tipagem de amiloidose, nela, amostras positivas de vermelho Congo são dissecadas e decompostas em componentes menores de moléculas de proteínas (os peptídeos). 
Essa espectrometria identifica todas as proteínas amiloides conhecidas com praticamente 100% de precisão, e pode caracterizar novas.
A amostra de tecido pode ser o tecido adiposo do abdome, com anestésico local e aspiração pela agulha, tendo uma porcentagem de diagnóstico de 70-80% e tendo quase 100% se for retirada amostra do tecido do órgão mais afetado.
Lembrar de falar do microscópio de polarização (imagem verde-maçã)
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Visão geral do tratamento
Trabalhar com uma equipe de médicos é a melhor forma de se iniciar uma investigação para a amiloidose (exemplo : hematologistas, cardiologistas, nefrologistas, neurologistas, etc.). 
Se não diagnosticado e brevemente tratado os depósitos amiloides podem danificar os tecidos e até causar insuficiência do órgão, possivelmente óbito.
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Tratamento consiste basicamente em dois fatores:
Gerenciar os sintomas e promover o bem-estar, a qualidade de vida e a sobrevivência do paciente; 
Eliminar o suprimento de proteína amiloide para melhorar a função do órgão
Há casos em que os depósitos amiloides \u2013 com o tempo \u2013 podem ser reabsorvidos e a função do órgão restaurada. 
eliminar o suprimento de proteína amiloide para melhorar a função do órgão. Isso ocorre por meio da intervenção na produção da proteína percursora que leva a doença; ou por um medicamento que estabilize a estrutura normal da proteína precursora que iria se dobrar incorretamente e dar origem a doença; e uma terceira forma, seria atingindo os depósitos amiloides desestabilizando as fibrilas, e elas n permanecerão incorretamente dobradas.
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AMILOIDOSE SISTÊMICA
1. Amiloidose primária (AL)
É a forma mais comumente diagnosticada da doença, representando 85% de todos os casos em países desenvolvidos. 
O distúrbio se inicia na medula óssea, onde o plasmócito é produzido.
plasmócito 	 anticorpos	 cadeias leves e pesadas. 
O plasmócito produz anticorpos que nos protegem de infecções. Essas proteínas de anticorpo (imunoglobulinas) são compostas de moléculas de cadeias leves e pesadas. Normalmente, nossas células plasmáticas produzem anticorpos completos e o nosso corpo decompõe essas proteínas e as recicla