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Formação de Cidades Tradicionais

Aula de Teoria e História das Cidades sobre a ideia de cidade tradicional. Aborda o modelo medieval (feudalismo, burgos), características espaciais — continuidade das vias principais, trama viária complexa, concentração intramuros — cita exemplos como Lübeck e Siena e mudanças no Renascimento/Barroco.

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

O cidadão que vive em um grande centro urbano atual ou mesmo em uma cidade de porte médio poderá questionar-se a respeito do ambiente em que vive, trabalha e se locomove. Anal, todo assentamento humano é fruto de uma teoria urbanística ou de um processo histórico, podendo ser, inclusive, resultado de ambos.
Quais são as características das cidades do Velho Mundo que nos fascinam até hoje e como elas ajudaram a formar um conceito e um imaginário fragmentados de cidade tradicional?

A Idade Média é conhecida como o período intermediário entre a Antiguidade e a Idade Moderna. Início: Queda do Império Romano do Ocidente, no século V (AD 476), Término: Queda do Império Romano do Oriente no século XV (1453).
Quais foram as três características principais da cidade medieval?
1. Continuidade dos percursos principais ao longo de toda a cidade.
2. Complexidade da trama viária secundária e das formas edificadas.
3. Concentração da população e edificações, em geral, intramuros.

O período seguinte, conhecido por Barroco, irá potencializar a monumentalidade e a teatralidade dos espaços urbanos.
Quais foram as principais características do urbanismo no período Barroco?

O urbanismo reproduz o pensamento de uma sociedade em uma determinada época. Isto vale para tanto para modelos da cidade real quanto para projetos da cidade ideal.
Qual é a diferença entre um modelo de cidade e uma cidade ideal?

O urbanismo é, ao mesmo tempo, um vasto campo de conhecimento e uma prática em constante evolução.
Como o percurso do observador e a sequência dos espaços são importantes no urbanismo?

Assinale a única opção que NÃO corresponde ao conteúdo estudado:
A densidade das cidades medievais era uma estratégia de ocupação do território, mas também uma estratégia de defesa.
Em comum com as cidades da Grécia Antiga, as cidades medievais têm a sua autonomia política como cidades-estado.
Veneza é a principal cidade planejada do período Barroco, o que lhe rendeu o apelido de capital do século XVIII.
Em Roma, podem ser encontradas características de todos os períodos estudados, o que lhe rendeu, entre outros motivos, o apelido de Cidade Eterna.
Em comum com as cidades novas implantadas pelo Império Romano em suas áreas de colonização, algumas propostas do período do Renascimento buscam uma geometria regular perfeita.

Quais eram os aspectos e elementos abaixo listados que caracterizavam as cidades medievais europeias, antes das intervenções do período renascentista e barroco?
I - Continuidade dos espaços principais ao longo de toda a cidade.
II - Grandes eixos retilíneos que criavam perspectivas monumentais.
III - Concentração de população e das construções em um perímetro delimitado.
Apenas a alternativa I está correta.
Apenas a alternativa II está correta.
Apenas a alternativa III está correta.
As alternativas I e II estão corretas.
As alternativas I e III estão corretas.

Assinale a opção que melhor descreve as mudanças estruturais nas cidades europeias do período medieval para o Renascimento e o Barroco.
Com o acirramento das guerras entre as cidades-estado, os burgos tornam-se cada vez mais isolados e fortificados.
A disputa pelos territórios do Novo Mundo enfraquece o comércio na Europa e as cidades perdem população nos séculos XV e XVI.
O tecido urbano contínuo e complexo das cidades será interrompido por grandes eixos monumentais, que praticamente ignoram qualquer contexto inicial.
Assim como na arquitetura barroca, o urbanismo do mesmo período estreita os vazios deixados entre as grandes edificações.
As inovações técnicas do Renascimento tiveram pouca influência no urbanismo europeu do período.

De que modo os avanços técnicos de representação da arquitetura, como a perspectiva, influenciaram a nova espacialidade dos grandes espaços urbanos na Europa a partir do século XVI.

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Questões resolvidas

O cidadão que vive em um grande centro urbano atual ou mesmo em uma cidade de porte médio poderá questionar-se a respeito do ambiente em que vive, trabalha e se locomove. Anal, todo assentamento humano é fruto de uma teoria urbanística ou de um processo histórico, podendo ser, inclusive, resultado de ambos.
Quais são as características das cidades do Velho Mundo que nos fascinam até hoje e como elas ajudaram a formar um conceito e um imaginário fragmentados de cidade tradicional?

A Idade Média é conhecida como o período intermediário entre a Antiguidade e a Idade Moderna. Início: Queda do Império Romano do Ocidente, no século V (AD 476), Término: Queda do Império Romano do Oriente no século XV (1453).
Quais foram as três características principais da cidade medieval?
1. Continuidade dos percursos principais ao longo de toda a cidade.
2. Complexidade da trama viária secundária e das formas edificadas.
3. Concentração da população e edificações, em geral, intramuros.

O período seguinte, conhecido por Barroco, irá potencializar a monumentalidade e a teatralidade dos espaços urbanos.
Quais foram as principais características do urbanismo no período Barroco?

O urbanismo reproduz o pensamento de uma sociedade em uma determinada época. Isto vale para tanto para modelos da cidade real quanto para projetos da cidade ideal.
Qual é a diferença entre um modelo de cidade e uma cidade ideal?

O urbanismo é, ao mesmo tempo, um vasto campo de conhecimento e uma prática em constante evolução.
Como o percurso do observador e a sequência dos espaços são importantes no urbanismo?

Assinale a única opção que NÃO corresponde ao conteúdo estudado:
A densidade das cidades medievais era uma estratégia de ocupação do território, mas também uma estratégia de defesa.
Em comum com as cidades da Grécia Antiga, as cidades medievais têm a sua autonomia política como cidades-estado.
Veneza é a principal cidade planejada do período Barroco, o que lhe rendeu o apelido de capital do século XVIII.
Em Roma, podem ser encontradas características de todos os períodos estudados, o que lhe rendeu, entre outros motivos, o apelido de Cidade Eterna.
Em comum com as cidades novas implantadas pelo Império Romano em suas áreas de colonização, algumas propostas do período do Renascimento buscam uma geometria regular perfeita.

Quais eram os aspectos e elementos abaixo listados que caracterizavam as cidades medievais europeias, antes das intervenções do período renascentista e barroco?
I - Continuidade dos espaços principais ao longo de toda a cidade.
II - Grandes eixos retilíneos que criavam perspectivas monumentais.
III - Concentração de população e das construções em um perímetro delimitado.
Apenas a alternativa I está correta.
Apenas a alternativa II está correta.
Apenas a alternativa III está correta.
As alternativas I e II estão corretas.
As alternativas I e III estão corretas.

Assinale a opção que melhor descreve as mudanças estruturais nas cidades europeias do período medieval para o Renascimento e o Barroco.
Com o acirramento das guerras entre as cidades-estado, os burgos tornam-se cada vez mais isolados e fortificados.
A disputa pelos territórios do Novo Mundo enfraquece o comércio na Europa e as cidades perdem população nos séculos XV e XVI.
O tecido urbano contínuo e complexo das cidades será interrompido por grandes eixos monumentais, que praticamente ignoram qualquer contexto inicial.
Assim como na arquitetura barroca, o urbanismo do mesmo período estreita os vazios deixados entre as grandes edificações.
As inovações técnicas do Renascimento tiveram pouca influência no urbanismo europeu do período.

De que modo os avanços técnicos de representação da arquitetura, como a perspectiva, influenciaram a nova espacialidade dos grandes espaços urbanos na Europa a partir do século XVI.

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14/10/2018 Disciplina Portal
http://estacio.webaula.com.br/Classroom/index.html?id=1580711&classId=981738&topicId=2424617&p0=03c7c0ace395d80182db07ae2c30f03… 1/13
Teoria e história das
cidades
Aula 4 - A formação de uma ideia de cidade
tradicional
INTRODUÇÃO
O cidadão que vive em um grande centro urbano atual ou mesmo em uma cidade de porte médio poderá questionar-se
a respeito do ambiente em que vive, trabalha e se locomove. A�nal, todo assentamento humano é fruto de uma teoria
urbanística ou de um processo histórico, podendo ser, inclusive, resultado de ambos. Os motivos que �zeram os seres
humanos criarem grupamentos para poderem viver em sociedade explica parte da questão.
14/10/2018 Disciplina Portal
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Mas, para entender por que nossas cidades são como elas verdadeiramente são, é preciso compreender que há
modelos de urbanismo, assim como falamos uma língua especí�ca e seguimos determinados padrões culturais. No
caso das cidades brasileiras, elas terão uma forte matriz europeia. Portanto, é fundamental identi�car como viviam
nossos antepassados europeus.
Curiosamente, como veremos em aulas seguintes, muito do que aconteceu na Europa na Idade Média, no
Renascimento e no Barroco terá repercussão no modo como estruturamos nossas cidades séculos mais tarde.
Também, nesta aula, tentaremos perceber quais são as características das cidades do Velho Mundo que nos fascinam
até hoje e como elas ajudaram a formar um conceito e um imaginário fragmentados de cidade tradicional.
OBJETIVOS
Identi�car e analisar o modelo de cidade medieval;
Reconhecer a transformação da cidade medieval no Renascimento e no Barroco;
Comparar diferentes modelos e ideais de cidade.
14/10/2018 Disciplina Portal
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O MODELO DE CIDADE MEDIEVAL
CIDADES MEDIEVAIS 
A Idade Média é conhecida como o período intermediário 
entre a Antiguidade e a Idade Moderna.
Início: Queda do Império Romano do Ocidente, no século V (AD 476),
Término: Queda do Império Romano do Oriente no século XV (1453).
A decadência do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras propiciaram um processo de retração do
fenômeno urbano. No campo, a população se dispersa em propriedades rurais denominadas feudos. O sistema
socioeconômico derivado desta estrutura chamava-se feudalismo.
No feudalismo, o proprietário da terra ou senhor feudal oferecia abrigo e proteção militar aos produtores da terra, nesta
relação chamados vassalos, em troca da produção. Formaram-se, então, aldeias rurais em colinas (muradas) e
con�uência de rios.
Em contrapartida, houve o desenvolvimento de burgos, cidades-estado e cidades novas. Estas cidades reuniam
artesãos, mercadores e corporações (burgueses); o clero e parte da nobreza. Elas gozavam de autonomia
administrativa e cobravam taxas para obras públicas.
Criou-se, no decorrer da Idade Média, uma divisão de centralidade entre:
A cidade medieval tinha três características principais:
Fonte: Arles, sul da França atual.
14/10/2018 Disciplina Portal
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Estrutura básica de uma cidade medieval – Lübeck
1. Continuidade dos percursos principais ao longo de toda a cidade. 
2. Complexidade da trama viária secundária e das formas edi�cadas. 
3. Concentração da população e edi�cações, em geral, intramuros.
A ocupação acompanhava a topogra�a. A cidade era formada por uma rede irregular de vias principais e vias
secundárias. As vias principais con�guravam um circuito de praças e largos onde estavam localizadas as áreas cívicas,
onde estavam as sedes do governo civil e das corporações, e as áreas sagradas com grandes catedrais ou templos
das ordens religiosas.
O conjunto das habitações formava um todo denso e complexo, que emoldurava as vias, as praças e os largos, além de
servir de contraponto aos palácios e demais edi�cações de destaque.
Veja a seguir o exemplo da famosa Siena, cidade italiana da região da Toscana:
14/10/2018 Disciplina Portal
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Vista aérea de Siena em que se podem observar as três características bases da cidade medieval – continuidade,
complexidade e concentração – assim como a manifestação espacial do poder religioso (esquerda), do poder civil
(centro) e do poder das corporações (embaixo à direita).
A continuidade interna da estruturação urbana de Siena também se estende na sua relação com o território rural
criando uma rede de comunicação regional.
Fonte: Google Earth
Vista panorâmica da cidade de San Geminiano, Itália.
O centro da cidade é o local mais procurado: as classes mais abastadas moram no centro, os mais pobres na periferia;
no centro se constroem algumas estruturas muito altas — a torre do palácio municipal, e o campanário ou os zimbórios
da catedral — “o arranha-céu de Deus dominava a paisagem” (Le Corbusier) — que assinalam o ponto culminante do
per�l da cidade e uni�cam o seu cenário também na terceira dimensão.
Leonardo Benevolo
A transformação da cidade medieval no Renascimento e no Barroco
Renascimento (Século XIV a XVI)
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O Renascimento recebeu este nome por diferentes motivos. Entre eles está, ainda que
indiretamente, o �orescimento de uma nova vida urbana em toda a Europa, inspirado pelos
chamados grandes descobrimentos e a intensi�cação do comércio internacional.
A arquitetura ganha destaque renovado como uma união entre arte, ciência e técnica. Ao
contrário de boa parte da produção arquitetônica medieval, que se caracterizava como obra
coletiva sem autoria especí�ca, as grandes obras passam a ter um autor reconhecido pela
sociedade.
Arquitetos e construtores valorizam sobremaneira a razão e a proporção em arquitetura. O
desenvolvimento da perspectiva terá grande impacto, tanto na maneira de se conceberem as
novas edi�cações, como na sua implantação em meio ao tecido urbano.
A relação entre edifício e espaço urbano, percurso e perspectiva terão uma inserção
dramática no interior da cidade medieval. O tecido denso e complexo da cidade medieval
será cortado sem hesitações para dar lugar a novas ruas retilíneas e a novos edifícios
regulares.
No Renascimento, a arte desenvolveria a perspectiva. A arquitetura iria privilegiar os
conceitos da razão e da proporção. Ao urbanismo, isto signi�cava abrir vias retilíneas que
criassem eixos e perspectivas para o observador em meio à trama da cidade existente, além
de edi�cações mais regulares.
 
 
Na Roma Barroca,
a Piazza Del
Popolo é o ponto
de fuga de três
eixos viários.
 
O tecido humilde e emaranhado é cortado sem hesitações para dar lugar a
novas ruas retilíneas e novos edifícios regulares (... avalia-se o contraste entre
a cidade medieval e acidade moderna, mas destrói-se o tecido medieval,
sobrepondo os novos traçados regulares aos antigos irregulares). (BENEVOLO,
2015, p. 446)
Barroco (Século XVII a XVIII)
O período seguinte, conhecido por Barroco, irá potencializar a monumentalidade e a
teatralidade dos espaços urbanos. A tentativa será de prolongar o controle da paisagem
construída, de forma simétrica e regular até a linha do horizonte. Os percursos do
observador serão cada vez mais pré-estabelecidos e a percepção das edi�cações se dará do
relevo volumétrico à riqueza dos acabamentos.
Do ponto de vista do urbanismo, ambos representaram umatentativa de ordenar o
emaranhado tecido original da cidade medieval.
14/10/2018 Disciplina Portal
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Na cidade de Florença, pode-se notar a herança
do período em que a arquitetura do
Renascimento tenta abrir espaço em meio ao
tecido da cidade medieval. 
Fonte: Google Earth
 
 
No per�l de Florença, poder civil (Palazzo della
Signoria ou prefeitura — esquerda) e religião
(Duomo ou catedral — à direita) destacam-se
na paisagem.
 
No período do Barroco, estas características são levadas à mais alta potência, a partir de
intervenções completas, visadas controladas, perspectivas monumentais, racionais e
simétricas, que praticamente ignoram qualquer contexto inicial.
A atual con�guração do Vaticano é fruto de intervenções superpostas que vão da Idade
Média ao Barroco. 
Fonte: Google Earth
DIFERENTES MODELOS E IDEAIS DE CIDADE
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Representação da cidade ideal.
O urbanismo reproduz o pensamento de uma sociedade em uma determinada época. Isto vale para tanto para modelos
da cidade real quanto para projetos da cidade ideal. De maneira simpli�cada, poderíamos a�rmar que modelo é aquilo
que serve de exemplo, algo que deveria ser reproduzido. Já ideal, entre outras acepções da palavra, é aquilo que atingiu
a perfeição e que di�cilmente se poderá alcançar na realidade.
Portanto, o urbanismo irá produzir modelos e ideais diferentes de acordo com a época, o lugar e a corrente de
pensamento. Já vimos nesta aula como estas ideias se transformaram ao longo de alguns séculos. O quadro Cidade
Ideal (acima reproduzido) retrata a visão renascentista de ordem, simetria e proporção, fazendo uso privilegiado da
perspectiva em sua representação. Mas parece fácil supor como este ambiente urbano, perfeito do ponto de vista de
um artista do Renascimento, iria parecer ordenado demais tanto para um morador da Siena medieval quanto para um
habitante da Roma barroca.
O subtítulo escolhido por Françoise Choay para seu livro O urbanismo, que apresentamos na primeira aula, era utopias
e realidades. Utopia é uma palavra formada pelo pre�xo grego óu que signi�ca “não” e a palavra grega topos ou “lugar”.
De certo modo, utopia seria um lugar que ainda não existe. Em vários momentos de nossas aulas, iremos nos deparar
com projetos visionários, que são a tentativa do urbanista demonstrar para o público sua visão do que seria uma
cidade perfeita. Cabe lembrar que a própria Choay classi�ca tais visões, no que se refere aos séculos XIX e XX, como
progressista, culturalista e naturalista. Enquanto o urbanismo progressista buscava um padrão racional, a visão
culturalista valorizava os aspectos originais de cada comunidade e a corrente naturalista preconizava uma relação
mais estreita entre urbanismo e natureza.
14/10/2018 Disciplina Portal
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O urbanismo progressista da cidade contemporânea de Le Corbusier (esquerda) e a visão culturalista da
Cidade Jardim de Ebenezer Howard (direita), que veremos nas próximas aulas.
Como veremos nas aulas 9 e 10, o urbanismo progressista vem perdendo adeptos nos dias de hoje, não porque se
tratava de uma utopia, ou seja, um ideal irrealizável, mas precisamente porque se tornou um modelo aplicado em
diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil. Nossa capital é considerada a maior realização dos princípios
urbanísticos de Le Corbusier. Entretanto, a visão progressista parece não se encaixar mais em uma época que busca
um modelo de cidade mais sustentável.
Você poderá se perguntar, a esta altura, como um arquiteto e urbanista decide optar por esta ou aquela visão de
cidade. Um caminho seria avaliar os valores que fundamentam cada proposta. Alguns modelos de cidade irão propiciar
o encontro entre as pessoas. Entre elas, algumas promoverão tanto o convívio quanto a diversidade. Outros modelos
darão prioridade à segurança. Assim como a arquitetura trabalha com os conceitos de função, estrutura e forma,
também no urbanismo é preciso buscar um equilíbrio entre utilidade, viabilidade (técnica e econômica) e beleza.
A complexidade maior do urbanismo reside, no entanto, em outro fator principal. O cliente do projeto urbano é a
população de uma comunidade, sejam os moradores de um bairro, sejam os habitantes de toda uma cidade, com suas
diferentes visões e prioridades, seus desejos e interesses muitas vezes con�itantes. Alguns projetos podem parecer
atraentes no primeiro caso, mas tornarem-se inadequados para contextos mais complexos.
Veja o exemplo da comunidade de Seaside, na Flórida, Estados Unidos. Construída a partir dos princípios do novo
urbanismo norte-americano, que veremos na aula 9. Ela foi concebida como uma cidade modelo, a ponto de se tornar
cenário do �lme O show de Truman (1998, direção de Peter Weir), em que o protagonista de um reality show nasce e
vive em uma cidade supostamente perfeita sem nunca ter conhecido o mundo real. Embora Seaside tenha atraído uma
classe média a�uente norte-americana, di�cilmente este modelo seria adequadamente implantado em contextos
sociais e culturais diferentes.
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Vista e master plan de Seaside, Florida.
Por �m, é importante ressaltar que:
Fonte: Artintercool / Shutterstock
O urbanismo é, ao mesmo tempo, um vasto campo de conhecimento e uma prática em constante evolução.
Observe como o ângulo inclinado entre as edi�cações dramatiza a perspectiva em direção às edi�cações principais.
Agora imagine o impacto de chegar a este espaço após uma caminhada pelas ruas tortuosas da cidade.
No urbanismo, como na Arquitetura, muitas vezes o percurso do observador e a sequência dos espaços são tão
importantes quanto as construções em si.
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Fonte: http://www.cruiserswiki.org/wiki/Venice_-_Central (glossário)
Curiosidade
, Bruno Zevi é o autor que irá aplicar à Arquitetura o conceito da quarta dimensão. Além de comprimento, largura (ou
profundidade) e altura, Zevi de�ne o tempo como a quarta dimensão do espaço. Ao contrário de um objeto ou escultura, a
Arquitetura e o Urbanismo criam espaços que podem ser percorridos pelo observador em um tempo dado. Isto permite ao autor
do projeto de�nir a sequência de percepção de cada espaço, provocando assim sensações determinadas. Esta característica
levou Göethe, o �lósofo alemão, a declarar que: “Arquitetura é música congelada”.
Fonte: Veja o Mapa Nolli da região da Praça Navona em Roma.
Atenção!
, Uma boa estratégia utilizada pelos arquitetos e urbanistas para analisar o traçado de uma cidade é conhecida como Mapa Nolli
ou Mapa de Nolli. Gianbattista Nolli produziu um mapa de Roma (Pianta Grande di Roma) em 1748, em que enfatizava a relação
entre cheios e vazios. Esta técnica tem sido muito utilizada pelos urbanistas mais recentes a �m de demonstrar as carcaterísticas
da estrutura urbana da cidade tradicional.
ATIVIDADE
Pesquise e veri�que as transformações por que possa ter passado o seu bairro ou o centro de sua cidade desde a sua
fundação. Tente compará-las com os modelos de cidade que estudamos nesta aula, de acordo com os seguintes itens
de observação:
a) Note os edifícios mais proeminentes e como eles se localizam dentro da malha urbana; 
b) Veri�que se a malha urbana é contínua, regular, espontânea, planejada etc.;c) Escreva como suas anotações se aproximam da sua visão de cidade tradicional.
Questão 1
Ao se analisar a estrutura das cidades medievais, podemos a�rmar, de acordo com o conteúdo estudado, que:
Uma via principal, quase sempre sinuosa, percorria a cidade interligando uma sequência de praças e largos, onde se
localizavam os edifícios mais proeminentes do poder civil, religioso e econômico.
A topogra�a era desa�ada por uma trama regular e racional.
Os muros tornaram-se obsoletos, pois o período medieval foi marcado por uma grande trégua entre os diferentes povos
europeus.
Embora dominassem a paisagem edi�cada, as grandes catedrais eram localizadas em vias secundárias a �m de que se
protegessem tanto a vida dos sacerdotes quanto o patrimônio da igreja.
A complexidade do sistema viário era uma tentativa de quebrar a monotonia dos grandes eixos monumentais produzidos
anteriormente pelos povos bárbaros.
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Justi�cativa
Questão 2
Assinale a única opção que NÃO corresponde ao conteúdo estudado:
A densidade das cidades medievais era uma estratégia de ocupação do território, mas também uma estratégia de defesa.
Em comum com as cidades da Grécia Antiga, as cidades medievais têm a sua autonomia política como cidades-estado.
Veneza é a principal cidade planejada do período Barroco, o que lhe rendeu o apelido de capital do século XVIII.
Em Roma, podem ser encontradas características de todos os períodos estudados, o que lhe rendeu, entre outros motivos, o
apelido de Cidade Eterna.
Em comum com as cidades novas implantadas pelo Império Romano em suas áreas de colonização, algumas propostas do
período do Renascimento buscam uma geometria regular perfeita.
Justi�cativa
Questão 3
Quais eram os aspectos e elementos abaixo listados que caracterizavam as cidades medievais europeias, antes das
intervenções do período renascentista e barroco?
I - Continuidade dos espaços principais ao longo de toda a cidade. 
II - Grandes eixos retilíneos que criavam perspectivas monumentais. 
III - Concentração de população e das construções em um perímetro delimitado.
Apenas a alternativa I está correta.
Apenas a alternativa II está correta.
Apenas a alternativa III está correta.
As alternativas I e II estão corretas.
As alternativas I e III estão corretas.
Justi�cativa
Questão 4
Assinale a opção que melhor descreve as mudanças estruturais nas cidades europeias do período medieval para o
Renascimento e o Barroco.
Com o acirramento das guerras entre as cidades-estado, os burgos tornam-se cada vez mais isolados e forti�cados.
A disputa pelos territórios do Novo Mundo enfraquece o comércio na Europa e as cidades perdem população nos séculos XV e
XVI.
O tecido urbano contínuo e complexo das cidades será interrompido por grandes eixos monumentais, que praticamente
ignoram qualquer contexto inicial.
Assim como na arquitetura barroca, o urbanismo do mesmo período estreita os vazios deixados entre as grandes edi�cações.
As inovações técnicas do Renascimento tiveram pouca in�uência no urbanismo europeu do período.
Justi�cativa
14/10/2018 Disciplina Portal
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Questão 5
O espaço urbano re�ete as relações de poder de uma sociedade em um determinado tempo histórico. Neste sentido,
indique as principais edi�cações de uma cidade medieval típica e analise as suas respectivas localizações:
Resposta Correta
Questão 6
De que modo os avanços técnicos de representação da arquitetura, como a perspectiva, in�uenciaram a nova
espacialidade dos grandes espaços urbanos na Europa a partir do século XVI.
Resposta Correta
Glossário

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