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INTENSIVO I 
Direito Empresarial 
Alexandre Gialluca 
Aula 06 
 
 
ROTEIRO DE AULA 
 
 
TÍTULOS DE CRÉDITO 
 
 
Bibliografia recomendada para o tema “Título de Crédito” 
 
 “Manual de Direito Comercial”; Fábio Ulhoa Coelho, Ed., Saraiva 
 “Título de Crédito”, Luiz Emydio Franco da Rocha Jr.; Ed. Renovar 
 “Curso de Direito Empresarial”; Marlon Tomazette V.2. 
 
1. Legislação aplicável 
 
a) Letra de cambio ou Nota Promissória: Decreto 57.663/66 (Lei uniforme de Genebra) 
 
b) Duplicata: lei 5.474/68 
 
c) Cheque: lei 7.357/85 
 
Art. 903 do CC/02: Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código. 
 
Os títulos de crédito seguem o regimento de leis especiais, o Código civil somente será utilizado quando a lei especial 
não tratar do assunto desejado, ele é subsidiário as leis específicas. 
 
2. Princípios cambiários: 
 
a) Princípio da Cartularidade 
 
A expressão cartularidade advém do latim “chartula” (papel pequeno, pedaço de papel, escrito de pouca extensão), 
que remonta a ideia de papel, no sentido de que a apresentação do documento seria essencial para o exercício do 
direito. (Marlon Tomazette) 
 
 
 
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Ex: Nota promissória 
 
A cártula materializa um crédito, e se reveste em três peculiaridades: 
 
 O crédito deve estar materializado em um documento. 
 Para a transferência do crédito é necessário a transferência do documento. 
 Não há que se falar em exigibilidade do crédito sem a apresentação do documento original. 
 
O exercício de qualquer direito representado no título pressupõe a sua posse legítima 
 
Art. 784 do NCPC: São títulos executivos extrajudiciais: 
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; 
 
São objetos de execução, e esta depende da apresentação do documento original, a cópia dos títulos de crédito só 
servem a uma ação monitória, em se tratando de execução o exequente deve estar de posse do documento orig inal. 
 
Tal princípio encontra inúmeras aplicações, dentre elas, a exigência de apresentação do original para instruir ação 
executiva. 
 
A apresentação de cópia autêntica não garante que o apresentante seja o efetivo possuidor do título, ou seja, não 
garante que o mesmo tenha o direito de exigir o crédito consubstanciado no mesmo. 
 
Além disso, quem paga o título deve exigir que o título lhe seja entregue, ou seja, inutilizado, a fim de evitar a 
circulação do crédito para terceiro de boa-fé, que terão o direito de cobrar-lhe a importância consignada no título. 
 
Mitigação do princípio da Cartularidade 
 
O princípio da cartularidade vem sofrendo mitigação em razão do surgimento do título de crédito eletrônico. O Código 
Civil admitiu o título de credito eletrônico em seu art. 888, §3º. 
 
Ex: Duplicata virtual 
 
A duplicata virtual e emitida de forma eletrônica e contém todos os elementos de uma duplicata tradicional. 
 
Art. 889, §3º do CC/02: O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico 
equivalente e que constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo. 
 
Dúvida: Como executar ou protestar uma duplicara eletrônica, uma vez que a execução dos títulos de crédit os exigem 
a apresentação do documento original? 
 
No tocante ao protesto, a própria lei já cria situações nesse sentido: 
 
Lei 5474/68, Art. 13. A duplicata é protestável por falta de aceite de devolução ou pagamento. (Redação dada pelo 
Decreto-Lei nº 436, de 27.1.1969) 
 
§ 1º Por falta de aceite, de devolução ou de pagamento, o protesto será tirado, conforme o caso, mediante 
apresentação da duplicata, da triplicata (2ª via da duplicata), ou, ainda, por simples indicações do portador, na falta de 
devolução do título. 
 
 Protesto por indicações: Na falta da duplicata o apresentante indica qual o conteúdo da duplicata e responde 
civil e penalmente pelas declarações. 
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Lei 9492/97, Art. 8º Os títulos e documentos de dívida serão recepcionados, distribuídos e entregues na mesma data 
aos Tabelionatos de Protesto, obedecidos os critérios de quantidade e qualidade. 
Parágrafo único. Poderão ser recepcionadas as indicações a protestos das Duplicatas Mercantis e de Prestação de 
Serviços, por meio magnético ou de gravação eletrônica de dados, sendo de inteira responsabilidade do apresentante 
os dados fornecidos, ficando a cargo dos Tabelionatos a mera instrumentalização das mesmas. 
 
E diante da execução? 
 
Ex: Um posto de gasolina adquire combustível e outros produtos da Petrobrás. E para cobrar o crédito a Petrobrás 
emite uma duplicata eletrônica e encaminha um boleto bancário no valor de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil) reais para 
pagamento ao posto. No dia do vencimento o posto não paga a duplicata e a Petrobrás faz o protesto por indicações. E 
mesmo tendo protestado, ainda assim, o posto não faz o pagamento. A Petrobrás então resolve fazer a execução da 
duplicata. Como se processa essa execução diante de um título eletrônico, já que a Petrobrás não possui um títul o para 
apresentar ao juízo da execução? 
 
 Boleto 
Na Execução: Aviso de comunicação 
 Protesto 
 Comprovante de entrega da mercadoria 
 
Defesa do Posto: A Petrobrás não atendeu ao princípio da cartularidade, não apresentou a duplicata. 
 
Decisão do juiz de 1º grau: Acolhe a defesa do Posto/ Indefere a execução 
 
 
Execução DefesaSentença 1ºgrauRecurso STJ- Informativo n. 467 
 
 
Informativo nº 0467 - aceitação a execução de duplicata virtual – STJ Terceira Turma EXECUÇÃO. DUPLICATA 
VIRTUAL. BOLETO BANCÁRIO. As duplicatas virtuais – emitidas por meio magnético ou de geração eletrônica – podem 
ser protestadas por indicação (art. 13 da Lei n. 5.474/1968), não se exigindo, para o ajuizamento da execução judicial, 
a exibição do título. Logo, se o boleto bancário que serviu de indicativo para o protesto retratar fielmente os elementos 
da duplicata virtual, estiver acompanhado do comprovante de entrega das mercadorias ou da prestação dos serviços e 
não tiver seu aceite justificadamente recusado pelo sacado, poderá suprir a ausência física do título cambiário 
eletrônico e, em princípio, constituir título executivo extrajudicial. Assim, a Turma negou provimento ao recurso. 
REsp 1.024.691-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/3/2011. 
 
Enunciado nº 461 DA V JORNADA DE DIREITO CIVIL: “As duplicatas eletrônicas podem ser protestadas por indicação 
e constituirão título executivo extrajudicial mediante a exibição pelo credor do instrumento de protesto, acompanhado 
do comprovante de entrega das mercadorias ou de prestação de serviços”. 
 
Enunciado n° 462 DA V JORNADA DE DIREITO CIVIL: “Art. 889, § 3º: Os títulos de crédito podem ser emitidos, 
aceitos, endossados ou avalizados eletronicamente, mediante assinatura com certificação digital, respeitadas as 
exceções previstas em lei.” 
 
b) Princípio da literalidade: 
 
 Só tem eficácia para o direito cambiário o que está literalmente. 
 O que não se encontra expressamente consignado no título de crédito não produz consequências na 
disciplina das relações jurídico-cambiais. 
 Assegura certeza quanto á natureza, ao conteúdo e a modalidade de prestação prometida ou ordenada. 
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 Impede que meros ajustes verbais possam influir no exercício do direito ali mencionado. 
 
Dúvida: Título contendo espaços em branco ou omissões, o credor pode preencher essas omissões? 
 
Súmula 387 do STF: A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de 
boa-fé antes da cobrança ou do protesto. 
 
Ressalva: Tal princípio não se aplica integralmente à duplicata (lei 5.474/68). 
 
Na duplicata são admitidas: 
 
 Quitação em separado (art. 9) 
 Compensação de valores não previstos no título (art.10) 
 
 
Lei 5.474/68, Art . 9º É lícito ao comprador resgatar a duplicata antes de aceitá-la ou antes da data do vencimento. 
 
 § 1º A prova do pagamento é o recibo, passado pelo legítimo portador ou por seu representante com poderes 
especiais, no verso do próprio título ou em documento, em separado, com referência expressa à duplicata. 
 
 § 2º Constituirá, igualmente, prova de pagamento, total ou parcial, da duplicata, a liquidação de cheque , a favor 
do estabelecimento endossatário, no qual conste, no verso, que seu valor se destina a amortização ou liquidação da 
duplicata nele caracterizada. 
 
 Lei 5.474/68, Art . 10. No pagamento da duplicata poderão ser deduzidos quaisquer créditos a favor do devedor 
resultantes de devolução de mercadorias, diferenças de preço, enganos, verificados, pagamentos por conta e outros 
motivos assemelhados, desde que devidamente autorizados. 
 
c) Princípio da autonomia 
 
As relações jurídico-cambiais são autônomas e independentes entre si. Assim, o vício em uma das relações não atinge 
as demais obrigações assumidas no título. 
 
Ex.: o endosso ou o aval dado por pessoa incapaz não atinge as demais obrigações assumidas no título de crédito. 
 
Em consequência, o portador que adquire o título de forma regular e em boa fé, é garantido pelo teor de seus direitos, 
ainda que possa haver vícios anteriores à circulação do título. 
Ex.: assinatura de incapaz !!! 
 
Ex1: Renato compra um celular de Cleber e emite nota promissória para vencimento em 20.12.17. Em razão de 
problemas no aparelho Renato decide devolver o celular a Cleber. Cleber não aceita e resolve transferir o título ao seu 
vizinho que agora irá cobrar a nota promissória de Renato. Estabeleceram-se três relações jurídicas. 
 
 
 2 Transfere 3º boa-fé 3 
 
 
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 (R$ 500,00) N.P. 
 20.12.17 
Cleber/Credor 
Renato/Devedor 
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Obs.: Renato não pode alegar nada em face do vizinho de Cleber que deseja receber o valor da nota promissória, 
pois as relações jurídicas são independentes. Ele poderá apresentar exceções pessoais (desacordo comercial) apenas 
perante Renato, que é o credor primitivo. 
 
 
Execução Cleber x Renato (1) 
 
Execução Defesa Embargos à execução Renato pode opor exceções pessoais, pois tem relação direta como credor. 
 
 Desacordo comercial - exceção pessoal 
 
 
Execução 3º de Boa-fé x Renato (3) 
 
Execução Defesa Embargos à execução Renato não pode opor exceção pessoal ao 3º de boa -fé. 
 
 Desacordo comercial - exceção pessoal 
 
 
Inoponibilidade Exceções Pessoais a Terceiros de Boa-fé: 
 
É o aspecto processual do princípio da autonomia, pois descreve as matérias que poderão ser arguidas como defesa 
pelo devedor. Dessa forma, uma pessoa que seja executada judicialmente em face de um título de crédito não poderá 
alegar matéria diversa daquela que não tenha relação direta com o exequente. 
 
Ex2: 
 
 
 2 Transfere 3º boa-fé 3 
 (N.P) 
 
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 Compra e venda (N.P) 
 
 Relação causal 
 
 
 
Obs.: Quando a nota promissória expedida em uma transação de compra e venda é transferido a terceiro, ela se 
desprende da causa que lhe deu origem (relação causal). A transferência é somente da nota promissória e não da 
compra e venda, chamamos de abstração. 
 
Abstração: 
 
O título de crédito se desvincula do negócio jurídico que lhe deu origem, isto é, questões relativas a esse negócio 
jurídico subjacente não têm o condão de afetar o cumprimento da obrigação do título de crédito . Não importa a 
origem do título, ele existe abstratamente, completamente desvinculado da relação originária. 
 
O que autoriza a execução é exclusivamente o título e não a obrigação que o gerou. 
 
Cleber/Credor 
Renato/Devedor 
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STJ afirmou ainda que “Ausente qualquer indício de má-fé por parte do endossatário, exigir que ele responda por 
fatos alheios ao negócio jurídico que o vinculam à duplicata contraria a própria essência do direito cambiário, 
aniquilando sua principal virtude, que é permitir a fácil e rápida circulação do crédito” .STJ - REsp 1102227/SP, Rel. 
Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/05/2009, DJe 29/05/2009. 
 
O POSSUIDOR DE BOA-FÉ EXERCITA UM DIREITO PRÓPRIO QUE NÃO PODE SER RESTRINGIDO OU DESTRUÍDO PELAS 
RELAÇÕES OCORRIDAS ENTRE OS POSSUIDORES anteriores E O DEVEDOR 
 
Qualquer pessoa de boa-fé, que adquira a condição de credora do título de crédito, adquire um direito novo como se 
fosse um credor orginário, não ocupando a posição do antigo credor. 
 
Tal princípio é uma garantia de negociabilidade do título na medida em que a pessoa que o adquire não precisa saber 
se o credor anterior teria ou não direito de receber o valor do título. 
 
Informativo 0532 
DIREITO EMPRESARIAL. EXECUÇÃO DE AVALISTA DE NOTA PROMISSÓRIA DADA EM GARANTIA DE CRÉDITO 
CEDIDO POR FACTORING. 
Para executar, em virtude da obrigação avalizada, o avalista de notas promissórias dadas pelo faturizado em garantia 
da existência do crédito cedido por contrato de factoring, o faturizador exequente não precisa demonstrar a 
inexistência do crédito cedido. Com efeito, ainda que as notas promissórias tenham sido emitidas para garantir a 
exigibilidade do crédito cedido, o avalista não integra a relação comercial que ensejou esse crédito, nem é parte no 
contrato de fomento mercantil. Na condição de avalista, (...) 
(...) questões atinentes à relação entre o devedor principal das notas promissórias e a sociedade de fomento 
mercantil lhe são estranhas. Isso decorre da natureza pessoal dessas questões e da autonomia característica do aval . 
Assim, na ação cambial somente é admissível defesa fundada em direito pessoal decorrente das relações diretas entre 
devedor e credor cambiários, em defeito de forma do título ou na falta de requisito necessário ao exercício da ação. 
REsp 1.305.637-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/9/2013. 
 
O STJ já afirmou que “a ausência de entrega da mercadoria não vicia a duplicata no que diz respeito a sua existência 
regular, de sorte que, uma vez aceita, o sacado (aceitante)vincula-se ao título como devedor principal e a ausência de 
entrega da mercadoria somente pode ser oponível ao sacador, como exceção pessoal, mas não a endossatários de boa-
fé.” 
STJ - REsp 261.170/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 04/08/2009, DJe 
17/08/2009. 
 
Ex: 
 
 
 
Banco 
Executa o 
contrato de 
abertura de 
crédito
Contrato de abertura 
de crédito - limite de 
R$ 20.000,00
Uti l iza o 
l imite do 
cheque 
especial e não 
consegue 
pagar
As Instituições financeiras passaram a solicitar a 
assinatura de nota promissória em branco pelos 
clientes para possível execução, em razão da súmula; 
Problemas enfrentados: o valor preenchido pelo 
banco em possível execução estaria correto? Os juros 
foram devidamente aplicados? Como o devedor 
reivindicaria possíveis erros da instituição financeira? 
Súmula 298 do STJ: “A nota promissória vinculada 
a contrato de abertura de crédito não goza de 
autonomia em razão da iliquidez do título que a 
originou” 
 
Súmula 233 do STJ: O contrato de abertura de 
crédito, ainda que acompanhado de extrato da conta -
corrente, não é título executivo. 
 
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 A solução adotada pelas instituições financeiras foi fazer o correntista assinar um instrumento de confissão 
de dívida para que através desse instrumento pudesse entrar com uma execução extrajudicial, com 
fundamento na súmula 300 do STJ. 
 
Súmula 298 do STJ: “A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em 
razão da iliquidez do título que a originou” 
 
Súmula 247 do STJ: O contrato de abertura de crédito em conta-corrente, acompanhado do demonstrativo de 
débito, constitui documento hábil para o ajuizamento da ação monitória. 
 
Súmula 233 do STJ: O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da conta-corrente, não é 
título executivo. 
 
Súmula 300 do STJ: O instrumento de confissão de dívida, ainda que originário de contrato de abertura de crédito, 
constitui título executivo extrajudicial. 
 
(MPE-SP - 2015 - MPE-SP - Promotor de Justiça) No tocante aos títulos de crédito, assinale a alternativa correta. 
a) A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito goza de autonomia em razão da liquidez do título 
que originou. 
b) Como instituto típico do direito cambiário, o aval é dotado de autonomia substancial, de sorte que a sua 
existência, validade e eficácia não estão jungidas à da obrigação avalizada. 
c) A duplicata mercantil é exemplo típico de título não causal. 
d) A omissão de qualquer requisito legal que tire ao escrito a sua validade como título de crédito, implicará, por 
consequência, a invalidade do negócio jurídico que lhe deu origem. 
e) O título de crédito poderá ser reivindicado do portador que o adquiriu de boa-fé, desde que a transmissão tenha 
origem ilícita. 
Gabarito: B 
 
(CESPE - 2013 - DPE-DF - Defensor Público) Julgue os próximos itens, relacionados aos títulos de crédito em espécie. 
Perde o atributo da abstração a nota promissória em cujo corpo haja referência ao contrato que a tenha ensejado, de 
modo que defesas decorrentes da falta ou falha de execução contratual poderão ser opostas, pelo sacador, a terceiro de 
boa-fé a quem tenha sido a nota endossada. (Abstração é consequência da autonomia) 
Gabarito: Certo 
 
 (TJ-SC - 2013 - TJ-SC - Juiz) Sobre os princípios básicos dos títulos de crédito, analise as proposições abaixo e assinale 
a alternativa correta: 
I. Pelo princípio da cartularidade, trazido na expressão “documento necessário ao exercício do direito”, o título de 
crédito é representado por uma cártula, documento sem o qual não poderá o devedor ser cobrado . 
II. Pelo princípio da literalidade o título tem sua existência regulada pelo teor de seu conteúdo, ou seja, em um 
escrito, e somente se leva em conta o que nele está estampado. (Literalidade) 
III. A abstração importa na circulação do título sem qualquer ligação com a causa que lhe deu gênese. (Abstração) 
IV. O título de crédito é autônomo em virtude de que o seu possuidor, pouco importando se de boa-fé ou má-fé, 
exercita um direito próprio, o qual não pode sofrer empecilhos frente a adredes relações reinantes entre os anteriores 
possuidores e a parte devedora. 
a) Somente as proposições I e IV estão corretas. 
b) Somente as proposições II, III e IV estão corretas. 
c) Somente as proposições II e III estão corretas. 
d) Somente as proposições I, II e III estão corretas. 
e) Todas as proposições estão corretas. 
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3. Conceito de Título de crédito 
 
Cesare Vivante – “título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito, literal e autônomo nele 
mencionado”. 
 
E o Código Civil adotou o conceito de Vivante? 
 
Art. 887, CC/02 - “O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito, literal e autônomo nele contido, 
somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.” 
 
Os títulos de crédito vieram substituir a moeda, mas para isso precisa ter fácil negociação e circulação. 
 
4. Características: 
 
4.1 – Negociabilidade 
 
4.2 – Bens móveis (arts. 82 a 84 do CC) 
 
CC, Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da 
substância ou da destinação econômico-social. 
 
 São objetos de penhor. 
 
4.3 - Executividade – art. 784 do NCPC 
 
CPC, Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: 
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; 
 
4.4 - OBRIGAÇÃO QUESÍVEL (querable) 
 
CABE AO CREDOR DIRIGIR-SE AO DEVEDOR PARA EXIGIR O PAGAMENTO DO TÍTULO NO LUGAR NELE DESIGNADO. 
 
OBJETIVO É FACILITAR A CIRCULAÇÃO: O DEVEDOR PODE NÃO SABER QUEM É O CREDOR, AINDA MAIS PORQUE A 
CIRCULAÇAO INDEPENDE DE SUA ANUÊNCIA OU AUTORIZAÇÃO!!!!! 
 
4.5 - OBRIGAÇÃO PRO SOLVENDO OU PRO SOLUTO 
 
Direito Comercial 
 
O que diferencia a nota-promissória emitida em caráter "pro-soluto" da nota-promissória emitida em caráter "pro-
solvendo"? Aponte os efeitos de cada uma delas, em decorrência da falta de pagamento, quando emitidas em razão da 
compra e venda de um imóvel. 
 
Título pro solvendo 
 
PRO SOLVENDO – NÃO IMPLICA EM NOVAÇÃO NO QUE TOCA À RELAÇÃO CAUSAL, QUE SUBSISTE JUNTO COM A 
RELAÇÃO CAMBIÁRIA, PORQUE AS DUAS RELAÇÕES COEXISTEM. 
 
PARA PAGAMENTO, E ASSIM, A RELAÇÃO CAUSAL SÓ SE EXTINGUE COM O PAGAMENTO DO TÍTULO. 
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TEM NATUREZA PRO SOLUTO QUANDO EMITIDO E ENTREGUE AO BENEFICIÁRIO VISANDO A EXTINGUIR A OBRIGAÇÃO 
QUE GEROU A SUA CRIAÇÃO, OU SEJA, QUANDO DADO EM PAGAMENTO DA RELAÇÃO CAUSAL. 
 
Ex: Compra e venda de um imóvel. Pagamento mediante emissão de 10 notas promissórias no valor de R$ 10.000,00 
(Dez mil) reais cada. 
 
 A nota promissória emitida é PARA pagamento, e não o pagamento, ela não implica em novação 
(extinção da dívida anterior nascendo nova dívida); 
 Só se fala em quitação do contrato após o pagamento da nota promissória. 
 Se o pagamento não é realizado, a construtora executa o devedor ou rescinde o contrato e vende o 
imóvel a outra pessoa. 
 
Título Pro Soluto 
 
É um título em pagamento e não um título para pagamento. 
 
Ex: No exemplo anteriorse o título emitido for pro soluto, as notas promissórias já são o pagamento do imóvel 
implicando em quitação. 
 
 A entrega do título é o pagamento. 
 Extingue o contrato de compra e venda que é quitado. 
 Opera-se a novação. 
 A construtora não pode invocar a rescisão contratual. 
 A construtora pode executar a nota promissória no caso de não pagamento. 
 
EM PAGAMENTO 
 
NESTA CASO, O TC OPERA NOVAÇÃO, EM PAGAMENTO, POIS EXTINGUE A OBRIGAÇÃO DECORRENTE DA CAUSA 
DEBENDI 
 
Dúvida: Como identificar se o título é pro soluto o u pro solvendo? 
A presunção é de que o título é pro solvendo no caso de omissão contratual. Para que o título seja pro soluto deve 
estar expressamente constando no título essa qualificação em clausula pro soluto. 
 
4.6 – Solidariedade: 
 
Em se tratando de solidariedade é preciso sabermos que os títulos de crédito estão revestidos da solidariedade, no 
entanto, essa solidariedade se difere da solidariedade civil. 
 
 
 
 
A solidariedade civil decorre da lei ou do contrato. Nesta solidariedade o credor poderá cobrar de um e/ou de todos os 
devedores toda a dívida. Uma vez que um dos devedores paga a dívida inteira, ele terá o direito de regresso, ou seja, 
poderá cobrar dos demais devedores a cota parte que cada um deles devia. Os devedores são ligados ao mesmo credor 
Solidariedade 
cambiária Solidariedade 
civil
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através de uma única obrigação. Se uma obrigação estiver viciada, este vício alcança a todos os devedores p orque as 
obrigações civis não possuem autonomia. 
 
Por exemplo: se a obrigação de pagar a dívida prescrever para um devedor, ela também prescreverá para todos os 
outros. 
 
A solidariedade cambiária é diferente da solidariedade civil. Na solidariedade cambiária há autonomia nas relações 
jurídicas. Cada devedor possui a sua própria obrigação. As obrigações cambiárias são autônomas e independentes. Cada 
devedor possui a sua própria obrigação. Se houver um vício intrínseco em uma obrigação cambiária, este vício não será 
estendido aos demais devedores. E o vício de uma relação cambiária não pode ser oposto pelo sujeito que figurar em 
outra relação cambiária. 
 
Solidariedade cambiária: 
 
 
 
 Renato Cleber Charles 
 
 Gialluca Codevedor Codevedor Credor 
 
 
 
 
 Di rei to de regresso Di rei to de regresso Di rei to de regresso 
 
 
 
 Charles diante do não pagamento da N.P por Gialluca resolver executar Cleber, Cleber tem direito de regresso 
e pode cobrar a dívida total de Gialluca ou de Renato (anteriores a ele). Já se Renato for executado, também 
terá direito de regresso contra Gialluca, mas não contra Cleber, porque este não é anterior a ele, na verdade é 
seu credor e não seu devedor. 
 O devedor principal não tem direito de regresso. 
 
 
 
SOLIDARIEDADE CIVIL SOLIDARIEDADE CAMBIÁRIA 
Decorre de lei ou de contrato Decorre apenas da lei 
Não há autonomia Há autonomia 
Há uma causa comum A obrigação de cada devedor decorre de uma causa distinta 
Qualquer devedor que paga a dívida terá direito de 
regresso contra os outros codevedores. 
Nem todos os devedores terão direito de regresso. 
N.P 
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O devedor solidário que paga a dívida pode cobrar 
de qualquer outro devedor a cota parte que for devida 
respectivamente. Não há uma ordem de preferência 
entre os devedores solidários. Todos são devedores 
de uma cota parte da dívida e ao mesmo tempo são 
devedores da dívida toda. 
O devedor solidário que paga não pode cobrar de todos os demais 
devedores. Só pode cobrar dos devedores anteriores à ele. Não pode 
cobrar dos devedores posteriores. Sendo assim, não há o que se 
falar em cota parte na solidariedade cambiária. O devedor que paga 
ao credor pode cobrar dos demais devedores a dívida inteira. 
 
 
5. Classificação 
 
5.1. Quanto ao modelo 
 
a) Vinculado 
 
É aquele cuja forma/formatação, deve observar uma rígida padronização fixada pela legislação cambiária. Ex: 
Cheque e duplicata. 
 
b) Livre 
 
É aquele para o qual a lei não estabelece uma padronização obrigatória. Ex: nota promissória. 
 
5.2. Quanto à sua estrutura 
 
a) Ordem de pagamento 
 
• Aquele que dá a ordem 
• Aquele que recebe a ordem (destinatário) 
• Tomador/beneficiário 
 
b) Promessa de pagamento: 
 
• Promitente (quem faz a promessa) 
• Tomador Beneficiário (beneficiado pela promessa) 
• Ex: Nota promissória 
 
5.3. Quanto às hipóteses de emissão 
 
a) CAUSAL: é aquele que somente pode ser emitido nas hipóteses definidas em lei. Ex: Duplicata (caso de compra e 
venda mercantil ou prestação de serviço). 
 
b) Não CAUSAL/ABSTRATO: é aquele cuja emissão não está vinculada a nenhuma causa preestabelecida em lei. Ex: 
Cheque 
 
5.4. Quanto à sua circulação 
 
a) Ao portador 
 
 É aquele que não identifica o beneficiário. Desde a lei 8021/90 que não se admite mais títulos ao portador 
exceto se com previsão expressa em lei especial. O título ao portador circula com a mera tradição (entrega do 
título). 
 
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b) Nominal 
 
É aquele que identifica o beneficiário. E pode ser: 
 
b.1. Nominal à ordem – é transferível por endosso. (Endosso + tradição) 
b.2. Nominal não à ordem – é transferível por cessão civil. (Cessão civil + tradição) 
 
 
 
 
ENDOSSO CESSÃO CIVIL 
Quem endossa o título, responde pelo pagamento 
desse título. 
- Responde pela solvência 
Endosso parcial não é possível 
Quem transfere por cessão civil não responde pelo 
pagamento do título. 
- Não responde pela solvência 
Cessão parcial é possível 
 
Na omissão de cláusula expressa, a presunção é de que o título é transferível por endosso (são à ordem), por ser uma 
forma de vincular a todos. Para que o título seja “não à ordem” deve existir essa previsão expressa. 
 
 
b.3. Nominativo (art. 921 do CC/02) 
 
“Art. 921. É título nominativo o emitido em favor de pessoa cujo nome conste no registro do emitente.” 
 
O nome do beneficiário não está no título, mas deve estar no registro do emitente. 
 
A distinção está justamente no termo de cessão ou transferência que se faz e m outro documento, 
enquanto os á ordem se transferem pelo mero endosso, que é a colocação da assinatura no verso, não se impondo que 
se refira a quem é cedido. 
 
Diferentemente do título nominal, o nominativo não requer que se decline o nome da pessoa a qu em se 
destina, sendo suficiente o mero registro no livro do emitente . 
 
Ex. bônus do tesouro, apólices públicas. 
 
MPAL-FCC-2012 – PROMOTOR DE JUSTIÇA – A circulação do títulos de crédito a ordem se dará: 
 
(A) Por endosso que não pode ser cancelado e independentemente da tradição do título. 
(B) Apenas por endosso em preto ( em branco também) 
(C) Pela aposição de aval (garantia) 
(D) Por endosso, completando-se a transferência com a tradição do título. 
(E) Pela simples tradição, uma vez que o título se considera coisa móvel 
Gabarito: D 
 
6. Endosso 
 
É o atopelo qual o credor de um título de crédito à ordem transmite o direito ao valor constante do título a outra 
pessoa, sendo acompanhado da tradição da cártula, que transfere a posse desta. PONTO DO RATEIO - www.pontodorateio.com.br
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6.1. Efeitos 
 
 Transferência da titularidade do credito do endossante para o endossatário 
 Tornar o endossante codevedor do título; Corresponsável pelo pagamento; (A legislação especial define 
dessa forma); 
 
 
Atenção: Para o Código Civil a corresponsabilidade do endossante é diferente. 
 
Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, não responde o endossante pelo 
cumprimento da prestação constante do título. 
 
 O Código Civil só será aplicado quando a lei especial não tratar do tema. 
 
6.2. Como se dá o endosso 
 
O endosso se processo com a simples assinatura no verso do título de crédito. 
 
É possível a assinatura no anverso do título? 
R- Sim, desde que acompanhe a expressão identificadora. 
 
Ex: Endosso a... Pague-se a ... 
 
6.3. Endosso 
 
a) em branco: Não identifica o endossatário 
 
b) em preto: Tem identificação do endossatário 
 
6.4. Endosso parcial 
 
Conforme o art. 12 do DL 57.663: é nulo, não se admitindo o endosso parcial . 
 
Não se admite endosso parcial. 
 
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