Trabalho - Tipos de tentativa
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Trabalho - Tipos de tentativa


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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL JAYME DE ALTAVILA \u2013 FEJAL
FACULDADE CESMAC DO AGRESTE 
BRUNO MATEUS BARBOSA SANTOS
ALADSON SILVA DOS SANTOS
TENTATIVA 
ARAPIRACA \u2013 ALAGOAS
2019
BRUNO MATEUS BARBOSA SANTOS
ALADSON SILVA DOS SANTOS
TENTATIVA 
Trabalho de pesquisa apresentado como requisito 
parcial, para conclusão da matéria Direito Penal I, 
Faculdade Cesmac do Agreste, sob a orientação do 
professor Hector Igor Martins e Silva. 
ARAPIRACA \u2013 ALAGOAS
2019
SUMÁRIO 
1. TENTATIVA.............................................................................................................4
1.1. DISPOSITIVO LEGAL......................................................................................4
1.2. ELEMENTOS....................................................................................................4
1.3. NATUREZA JURÍDICA.....................................................................................4 
1.4. TEORIAS SOBRE A PUNIBILIDADE DA TENTATIVA...................................5
1.5. TEORIA ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL .................................................5
1.6. CRITÉRIO PARA DIMINUIÇÃO DA PENA......................................................5
1.7. ESPÉCIES DE TENTATIVA ............................................................................6
1.8. TENTATIVA E CRIMES DE ÍMPETO ..............................................................6
1.9. TENTATIVA E DOLO EVENTUAL...................................................................7
1.10. INADMISSIBILIDADE DA TENTATIVA............................................................7
1.11. CRIMES PUNIDOS SOMENTE NA FORMA TENTADA..................................8
REFERÊNCIAS.................................................................................................9 
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1. Tentativa
1.1. DISPOSITIVO LEGAL
 Proclama o art. 14, II, do Código Penal:
Art. 14. Diz-se o crime:
(...)
 II \u2013 Tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias 
alheias à vontade do agente.
 Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena 
correspondente ao crime consumado, diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços).
 Sendo assim, tentativa é o início de execução de um crime que somente não se 
consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.
1.2. ELEMENTOS 
 Três elementos compõem a estrutura da tentativa:
(1) Início da execução. 
(2) Ausência de consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente. 
(3) Dolo de consumação.
 O dolo da tentativa é igual ao dolo da consumação. Diz o Código Penal que o 
crime somente não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente: 
tinha a intenção de alcançar a consumação, mas por circunstâncias alheias à sua 
vontade não conseguiu atingir seu objetivo.
 A resolução do indivíduo no crime consumado e no crime tentado. Este último, em 
verdade, é perfeito na esfera subjetiva do agente, embora imperfeito no campo 
objetivo, relacionado ao resultado que deveria ser produzido com a conduta 
criminosa. 
1.3. NATUREZA JURÍDICA 
 O art.14, II do Código Penal não goza de autonomia, pois não existe a tentativa 
por si só, isoladamente. Sua aplicação reclama a realização de um tipo incriminador, 
previsto na Parte Especial do Código Penal ou pela legislação penal especial. 
 O Código penal e a legislação extravagante não preveem, para cada crime, a 
figura da tentativa, nada obstante a maioria deles seja com ela compatível. 
 A adequação típica de um crime tentado é de subordinação mediata, ampliada ou 
por extensão, já que a conduta humana não se enquadra prontamente na lei penal 
incriminadora, reclamando-se, para complementar a tipicidade, a interposição do 
dispositivo contido no art. 14, II, do Código Penal. Logo, a norma definidora da 
tentativa é uma de extensão ou de ampliação da conduta.
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1.4. TEORIAS SOBRE A PUNIBILIDADE DA TENTATIVA
 Quatro teorias se destacam na busca de fundamentar a punibilidade da tentativa:
1°) Teoria subjetiva, voluntarística ou monista: ocupa-se exclusivamente da vontade 
criminosa, que pode se revelar tanto na fase dos atos preparatórios como também 
durante a execução. O sujeito é punido por sua intenção, pois o que importa é o 
desvalor da ação, sendo irrelevante o desvalor do resultado.
2°) Teoria sintomática: idealizada pela Escola Positiva de Ferri, Lombroso e 
Garofalo, sustenta a punição em razão da periculosidade subjetiva, isto é, do perigo 
revelado pelo agente. Possibilita a punição de atos preparatórios, pois a mera 
manifestação de periculosidade já pode ser enquadrada como tentativa, em 
consonância com a finalidade preventiva da pena.
3°) Teoria objetiva, realística ou dualista: a tentativa é punida em face do perigo 
proporcionado ao bem jurídico tutelado pela lei penal. Sopesam-se o desvalor da 
ação e o desvalor do resultado: a tentativa deve receber punição inferior à do crime 
consumado, pois o bem jurídico não foi atingido integralmente. 
4°) Teoria da impressão ou objetivo-subjetiva: representa um limite à teoria 
subjetiva, evitando o alcance desordenado dos atos preparatórios. A punibilidade da 
tentativa só é admissível quando a atuação da vontade ilícita do agente seja 
adequada para comover a confiança na vigência do ordenamento normativo e o 
sentimento de segurança jurídica dos que tenham conhecimento da conduta 
criminosa. 
1.5. TEORIA ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL 
 A punibilidade da tentativa é disciplinada pelo art. 14, parágrafo único. E, nesse 
campo, o Código Penal acolheu como regra a teoria objetiva, realística ou dualista, 
ao determinar que a da tentativa deve ser correspondente à pena do crime 
consumado, diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços).
 Como o desvalor do resultado é menor quando comparado ao do crime 
consumado, o conatus deve suportar uma punição mais branda. 
 Excepcionalmente, entretanto, é aceita a teoria subjetiva, voluntarística ou 
monista, consagrada pela expressão \u201csalvo disposição em contrário\u201d.
1.6. CRITÉRIO PARA DIMINUIÇÃO DA PENA 
 A tentativa constitui-se em uma causa obrigatória de diminuição da pena.
 Incide na terceira fase de aplicação da pena privativa de liberdade, e sempre a 
reduz. A liberdade do magistrado repousa unicamente no quantum da diminuição, 
balizando-se entre os limites legais, de 1 (um) a 2/3 (dois terços). Deve reduzi-la, 
podendo somente escolher o montante da diminuição. 
 E, para navegar entre tais parâmetros, o critério é a maior ou menor proximidade 
da consumação, é dizer, a distância percorrida do iter criminis. Para o Supremo 
Tribunal Federal: \u201cA quantificação da causa de diminuição de pena relativa à 
tentativa (art. 14, II, CP) há de ser realizada conforme o iter criminis percorrido pelo 
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agente: a redução será inversamente proporcional à maior proximidade do resultado 
almejado\u201d. 
 Não interfere na diminuição da pena a maior ou menor gravidade do crime, bem 
como os meios empregados para sua execução, ou ainda as condições pessoais do 
agente, tais como antecedentes criminais e a circunstância de ser primário ou 
reincidente.
1.7. ESPÉCIES DE TENTATIVA 
 A tentativa comporta a seguinte divisão:
I) Tentativa branca ou incruenta, nesta espécie de tentativa, o objeto material não é 
atingido pela conduta criminosa. Exemplo: \u201cA\u201d efetua disparos de arma de fogo 
contra \u201cB\u201d, sem acertá-lo. Recebe essa denominação ao relacionar-se com a 
tentativa de homicídio em que não se produzem ferimentos na vítima, não 
acarretando no derramamento de sangue.
II) Tentativa cruenta ou vermelha, nesta espécie de tentativa, o objeto material é 
alcançado pela atuação do agente. Exemplo: \u201cA\u201d, com intenção de matar, atira em 
\u201cB\u201d, provocando-lhe ferimentos. Porém, a vítima é socorrida prontamente e 
sobrevive.
III) Tentativa