Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ CURSO DE LETRAS / LICENCIATURA EM LIBRAS DISCIPLINA: EDUCAÇÃO ESPECIAL PROFESSOR (A) TUTOR (A): CYNTIA MARIA SILVA FERRINI TÍTULO DA ATIVIDADE ESTRUTURADA: Pesquisa e análise de práticas pedagógicas na escola inclusiva. ALUNO (A) AUTOR (A) DA ATIVIDADE: JEANNE MARIE GOMES FILGUEIRA DATA: 20 / 05 /19. Sumário Capa Página 01 Sumario Página 02 A inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino regular. Pagina 03 Uma escola inclusiva de qualidade Página 04 - 06 Importância dos valores,princípios e atitudes Página 07 Entrevista com a professora Página 08 e 09 Referências Página 10 Relatório Página 11 A INCLUSÃO DE ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NO ENSINO REGULAR O direito do aluno com necessidades educativas especiais e de todos os cidadãos à educação é um direito constitucional. A garantia de uma educação de qualidade para todos implica, dentre outros fatores, um redimensionamento da escola no que consiste não somente na aceitação, mas também na valorização das diferenças. Esta valorização se efetua pelo resgate dos valores culturais, os que fortalecem identidade individual e coletiva, bem como pelo respeito ao ato de aprender e de construir. Segundo as políticas educacionais, descreve-se uma escola que se prepara para enfrentar o desafio de oferecer uma educação inclusiva e de qualidade para todos os seus alunos. Considerando que, cada aluno numa sala de aula apresenta características próprias e um conjunto de valores e informações que os tornam únicos e especiais, constituindo uma diversidade de interesses e ritmos de aprendizagem, o desafio e as expectativas da escola hoje é trabalhar com essas diversidades na tentativa de construir um novo conceito do processo ensino-aprendizagem, eliminando definitivamente o seu caráter excludente, de modo que sejam incluídos neste processo todos que dele, por direito, são sujeitos. Este novo olhar da escola implica na busca de alternativas que garantam o acesso e a permanência de todas as crianças e adolescentes no seu interior. Assim, o que se deseja é a construção de uma sociedade inclusiva compromissada com as minorias, cujo grupo inclui os portadores de necessidades educacionais especiais. O espaço escolar, hoje, tem de ser visto como espaço de todos e para todos. Uma escola inclusiva de qualidade A escola inclusiva com equidade é um desafio que implica e rever alguns aspectos, que envolvem desde o setor administrativo até o pedagógico. As Unidades Escolares de Ensino Regular devem oferecer vagas e matricular todos os alunos, organizando-se para o atendimento com equidade aos educandos com necessidades educacionais especiais e assegurar-lhes condições necessárias para a permanência e aprendizagem. Em relação à educação especial, o artigo 3º da Resolução CNE/CEB Nº 2, de 11 de setembro de 2001 especifica que: Por educação especial, modalidade da educação escolar entende-se um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais e especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentem necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica (BRASIL- MEC/SEESP, 2001, p. 1) A política de inclusão de alunos que apresentam necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino não consiste apenas na permanência física desses alunos junto aos demais educandos, mas representa a ousadia de rever concepções e paradigmas, bem como desenvolver o potencial dessas pessoas, respeitando suas diferenças e atendendo suas necessidades. A diversidade deve ser respeitada e valorizada entre os alunos. Daí a importância do papel da escola em definir atividades e procedimentos de relações, que envolvam alunos, funcionários, corpo docente e gestores, para que possibilite espaços inclusivos, de acessibilidade, para que todos possam fazer parte de um todo, isto é, que as atividades extraclasses nunca deixam de atender os alunos com necessidades especiais. O atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais deve ser realizado em classes comuns do ensino regular, em qualquer etapa ou modalidade da Educação Básica. De acordo com o artigo 4º da Resolução CNE/CEB Nº 2, de 11 de setembro de 2001, a educação especial considera as situações singulares, os perfis dos estudantes, as características biopsicossociais dos alunos e suas faixas etárias e se pauta em princípios éticos, políticos e estéticos de modo a assegurar: I - a dignidade humana e a observância do direito de cada aluno de realizar seus projetos de estudo, de trabalho e de inserção na vida social; II - a busca da identidade própria de cada educando, o reconhecimento e a valorização das suas diferenças e potencialidades, bem como de suas necessidades educacionais especiais no processo de ensino e aprendizagem, como base para a constituição e ampliação de valores, atitudes, conhecimentos, habilidades e competências; III - o desenvolvimento para o exercício da cidadania, da capacidade de participação social, política e econômica e sua ampliação, mediante o cumprimento de seus deveres e o usufruto de seus direitos (BRASIL- MEC/SEESP, 2001, p. 1) Assim, o trabalho com a educação inclusiva nas Unidades Escolares tem que ser direcionado a partir do seu contexto real, analisando as condições em que a escola recebe os alunos com necessidades especiais e como assegura aprendizagem, possibilitando a integração entre educação regular e especial. Nas escolas inclusivas as pessoas se apóiam mutuamente e suas necessidades específicas são atendidas por seus pares, sejam colegas de classe, de escola ou profissionais de áreas. A pretensão dessas escolas é a superação de todos os obstáculos que as Impedem de avançar no sentido de garantir um ensino de qualidade (MADER,1997) Conforme Mader (1997), é necessário construir uma política de igualdade com seriedade e responsabilidade, possibilitando ações significativas e de qualidade na prática de educação inclusiva. Há um emergente consenso de que as crianças e jovens com necessidades educacionais especiais devem ser incluídas nos planos educativos feitos para a maioria das crianças. Isto levou ao conceito de escola inclusiva. O desafio para uma escola inclusiva é o de desenvolver uma pedagogia capaz de educar com sucesso todos os alunos, incluindo aqueles com deficiência e desvantagens severas (SALAMANCA, 1994, p.6) Mantoan (2003), enfatiza que reconstruir os fundamentos de escola de qualidade para todos, remete-se em questões específicas relacionadas ao conhecimento e a aprendizagem, ou seja, consideram-se que o ato de educar supõe intenções, representações que temos do papel da escola, do professor, do aluno, conforme os paradigmas que os sustentam. A autora ainda relata que a escola inclusiva exige mudanças de paradigmas, que podem ser definidos como modelos, exemplos abstratos que se materializam de modo imperfeito no mundo concreto. Possa também ser entendida, segundo uma concepção moderna, como um conjunto de regras, normas, crenças, valores, princípios que são partilhados em um grupo em um dado momento histórico e que norteiam o nosso comportamento, até estarem em crise, porque não nos satisfazem mais, não nos dão mais conta dos problemas que temos para solucionar. Ainda nos dias atuais a inclusão é vista como um desafio, causando angústias e expectativas em grande parte dos profissionais da educação. Porém, mais amenas que em tempos passados, pelo fato de que, ao ser devidamente aceita pela escola, desencadeia um compromisso com as práticas pedagógicas que favorecem todos os alunos, ou seja, uma verdadeira mudança na concepção de ensino, visando uma aprendizagem significativa, inclusiva e dequalidade. Não há mais sentido em preservar modelos de ensino tradicional, desrespeitar as diferenças, mantendo uma escola excludente. O artigo 208 Constituição Federal, § 1º reza que “O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público e subjetivo”. Ainda no artigo 208 descreve que o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, deve ser preferencialmente na rede regular de ensino. E já no século XXI, a escola que se tem, que se precisa é aquele que tem compromisso com a formação integral do cidadão, de um cidadão crítico, participativo e criativo, que atenda as demandas e a competitividade do mundo atual, com as rápidas e complexas mudanças da sociedade moderna. Assim, a educação escolar no exercício da cidadania implica na efetiva participação da pessoa na vida social, cabendo-lhe o respeito e a solidariedade, poupada a sua dignidade, a igualdade de direitos e repelido quaisquer forma de discriminação. Importância dos valores, princípios e atitudes Segundo Sassaki (1997), a igualdade entre as pessoas é o valor fundamental quando tratamos de escolas para todos. Podemos encará-los de vários ângulos, mas em todo o sentido da igualdade não se esgota no indivíduo, expandindo as considerações para aspectos da natureza política, social, econômica. Para Delours (1998), a igualdade não está em desacordo com o respeito às diferenças entre as pessoas, mas sim na valorização na capacidade de cada ser humano em suas realizações. Assim quando se trata de proporcionar oportunidades iguais e justas para todos, tem-se muito ainda por fazer nas escolas para corresponder ao princípio segundo o qual os seres humanos têm direito à dignidade, sejam quais forem as suas capacidades ou realizações. A observância deste princípio é limitada por predisposições que nos levam a responder situações ou a outras pessoas de modo desfavorável, tendo em vista um dado valor. No caso da igualdade entre pessoas, as barreiras se materializam na recusa em reconhecer e defender este valor, por meio de comportamentos, reações, emoções e palavras. Para Delours (1998), a existência dessas barreiras comprova a cultura de desigualdade marcante nas escolas, influenciando todos os procedimentos e discursos de seus membros, chegando mesmo ao atingir os alunos e os pais. Em uma palavra, a igualdade entre as pessoas é um valor esquecido nos padrões e concepções da escola tradicional. Segundo Machado (2001) ainda existem diretores, professores e pais que apresentam uma certa “ignorância” em aceitar que o perfil dos alunos mudou que as crianças e adolescentes de hoje não são mais os mesmos que tiveram acesso à escola do passado. O preconceito é destacado quando se trata do aluno com dificuldades para aprender por ser ou por estar deficiente, do ponto de vista intelectual, social, afetivo, emocional, físico, cultural e outros. Existem também preconceitos de alunos de raça negra, de famílias de religiões populares, filhos de famílias desestruturadas, de mães solteiras e pais omissos, drogados e marginalizados. Nesse sentido, ressalta-se que apesar da escola não ser capaz de sozinha efetuar transformações sociais, é ela quem pode estabelecer os primeiros princípios de uma inclusão escolar. Portanto, a escola como espaço inclusivo, deve considerar como seu principal desafio, o sucesso de todos os alunos, sem nenhuma exceção. Entrevista com professora Nome da professora entrevistada: Alice Carvalho Martins de lima. Escola onde trabalha: Escola Brito Elias - Vila Emil – Mesquita/RJ Qual a sua formação enquanto professor na área de educação especial? R – Considero que sou autodidática, uma vez que não tenho formação específica nessa área.Mediante a necessidade atual, procuro ler a respeito da lei de Inclusão e participei do fórum da UERJ sobre educação inclusiva no colégio Pedro II em 2014. Em 2017,fiz uma extensão pela UFRJ na área de autismo e aprendizagem. Quais as características e necessidades especiais que os alunos incluídos na sua turma representam? R – Atualmente tenho um aluno com laudo de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Esse aluno apresenta necessidade de acompanhamento para as tarefas que exigem organização além de um suporte extraclasse,pois fica muito estressado em determinados momentos e precisa ser acompanhado. Também temos um aluno com artrogripose com comprometimento motor extremo. E um outro aluno portador com Paralisia Cerebral. A aluna com Artrogripose consegue escrever com dificuldade, mas se recusa a falar. O aluno com Paralisia Cerebral não consegue escrever nem falar, tem o congnitivo preservado, mas não tem controle motor. Como você realiza as adaptações necessárias para o planejamento de aula? R – Basicamente procuro atender cada aluno dentro do seu tempo. A matéria é direcionada à eles com os conteúdos mais objetivos O aluno com TDAH exige maior cuidado na orientação devido a extrema agitação. Quais recursos adaptados estão disponíveis e quais adaptações no currículo são realizadas para adequar sua prática pedagógicas necessidades específicas do aluno incluído? R – Na escola onde leciono,há apoio pedagógico para os alunos de inclusão. Sendo necessário temos o P.E.I ( Programa de Ensino Individualizado) adaptado a cada caso. As avaliações são aplicadas individualmente, sendo feita a prova oral também. As atividades desenvolvidas mobilizam os saberes, as habilidades e as interações entre os diferentes alunos da turma? R – Sempre buscamos essa interação pois o aluno de inclusão precisa sentir-se como parte do grupo,da classe. Sem isso não há efetivamente a INCLUSÃO. O tempo e os recursos são adequados?Quais as limitações encontradas para atingir o objetivo proposto de aprendizado para cada aluno? R – A nível de escola. Algumas vezes nos deparamos com as dificuldades oriundas da família como: abandono de acompanhamento, falta de participação efetiva no processo educacional. Ocorrem parcerias entre professor, aluno,equipe pedagógica, gestor da escola e a família do aluno? R – Sim. Trabalhamos como um todo,visando sempre o sucesso do aluno. Como a avaliação da aprendizagem do aluno com necessidades educacionais é realizada? R – As avaliações recebem orientação especial, adequada para cada caso. Provas mais objetivas, aplicação individual, leitura da prova com o aluno. Além disso, temos a preocupação de avaliar a produção do aluno no dia-a-dia, não somente em dias de provas. Quais os maiores desafios enfrentados pelo professor na construção de uma proposta inclusiva de educação? R – Penso que estamos em direção a um grande salto de qualidade nesse aspecto. Como desafios enfrentamos a dificuldade em atender esse aluno de forma especial sem fazer com que ele se sinta apartado do contexto da turma. Por outro lado,precisamos trabalhar os demais alunos para que entendam e também sejam participantes nesse processo. REFERÊNCIAS Resolução CNE / CEB Madder,1997 Salamanca,1994 Mantoan,2003 Constituição Federal Sassaki,1997 Delours,1998 Machado,2001 RELATÓRIO Para se alcançar uma escola inclusiva na rede pública de ensino, tem de haver profissionais qualificados para que saibam lidar, não só com os alunos com necessidades especiais, porém com a turma em geral. Na entrevista com a professora Alice, a mesma fala que a escola aceita qualquer tipo de pessoas com necessidades especiais desde o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), quanto a Paralisia Cerebral (PC)