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Economia A Lei de Escassez de recursos

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ou, pelo menos, “aquecida”. 
 
Em síntese, devido à escassez de recursos produtivos, utilizados na produção de bens 
e serviços para o atendimento das necessidades dos consumidores, os agentes econômicos 
(produtores, consumidores, tomadores de decisão de órgãos do governo) precisam utilizá-
los de forma mais racional e eficiente possível, de modo a obter os melhores resultados, em 
termos de quantidade e qualidade. 
 
A teoria econômica supõe que as firmas e os consumidores sejam racionais em suas 
decisões, isto é, que os empresários procurem o máximo lucro e os consumidores a máxima 
satisfação no consumo de bens e serviços. O produtor quer minimizar custos e vender seus 
produtos aos preços mais altos possível. O consumidor, pelo contrário, age no sentido de 
obter o máximo de produtos, segundo seus gostos, com um mínimo de dispêndio. Seguindo 
a idéia de racionalidade, ele não age por caridade ou capricho, mas visando ao interesse 
próprio. 
 
 
1.2 A DECISÃO SOBRE O QUE PRODUZIR 
 
Como os fatores produtivos são escassos e as necessidades humanas ilimitadas, os 
agentes econômicos precisam decidir onde aplicar preferencialmente os recursos 
disponíveis. Por exemplo, a sociedade pode escolher entre produzir mais canhões e menos 
alimentos, ou mais escolas e menos estradas. No dia-a-dia, os consumidores fazem 
escolhas desse tipo no supermercado. O Poder Executivo, ao enviar o orçamento anual ao 
Congresso, efetua escolhas similares. 
 
Ao formular a política econômica, o Governo pode induzir a economia a produzir mais 
bens para o mercado interno nacional e menos para a exportação, ou, inversamente, 
aumentar as exportações com redução da oferta interna. Essas escolhas referem-se às 
possibilidades de produção da economia. 
 
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FUNDAMENTOS DA ECONOMIA 
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Prof. Drd. Marcos Rambalducci 
 
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Suponha que a economia escolha a combinação C0, produzindo f0 de feijão para o 
mercado interno nacional e s0 de soja para atender à exportação, com todas as terras férteis 
ocupadas. Desejando aumentar a produção de soja para o mercado externo, passando, por 
exemplo, de s0 para s1, será necessário que o cultivo de soja avance em terras anteriormente 
ocupadas com feijão. Assim, a produção de feijão cairá para f1. 
 
Se a economia empregar todos os seus recursos na produção de feijão, ela obterá a 
produção máxima fm de feijão e produção nula de soja; inversamente, empregando todas as 
terras, capitais e mão-de-obra na produção de soja, ela colherá SM toneladas de soja e zero 
tonelada de feijão. Em qualquer ponto sobre a curva, haverá uma combinação tecnicamente 
eficiente na produção dos dois bens, pois todos os recursos estarão sendo plenamente 
empregados e a produção total permanece constante. 
 
O ponto final de equilíbrio dependerá dos preços de mercado ou de decisões políticas. 
Se os preços da soja (ps) subirem no mercado externo, os produtores nacionais tenderão a 
produzir mais soja e menos feijão. Tanto as oscilações de mercado como as decisões 
políticas, provocarão mudanças no preço do feijão (pf ), alterando os preços relativos (ps/pf) e 
as quantidades demandadas de cada bem. O equilíbrio mudará para outro ponto sobre a 
curva de transformação, como de C0 para C1 (Figura 1.1, (A)). 
 
Em uma situação de pleno emprego dos recursos, a curva de transformação ou 
fronteira das possibilidades de produção (FPP) indica quanto a economia deverá renunciar 
de determinado bem, por unidade de acréscimo da produção de outro. Qualquer ponto sobre 
a curva indica uma produção total constante, com a redução da produção de um bem sendo 
compensada pelo aumento da produção de outro. 
 
Havendo desemprego de recursos, ou ineficiência em sua utilização, como terras 
férteis livres, mão-de-obra desocupada, ou capital ocioso, a economia estaria em um ponto 
abaixo da FPP, como no ponto A da Figura 1.1, parte (A), produzindo fa de feijão e sa, de 
soja. Assim, no curto prazo, seria possível aumentar a produção tanto de feijão, como de 
soja. Nos anos de 1970, quando o Brasil incentivou o aumento da produção de soja para 
exportação, a idéia era a de que a existência de terras livres na fronteira agrícola e a 
concessão de crédito subsidiado para a agricultura impediriam a queda da produção de 
alimentos para o setor urbano. 
 
Também é possível aumentar-se a produção no curto prazo, com mudanças 
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Prof. Drd. Marcos Rambalducci 
 
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tecnológicas que incrementem a produtividade dos fatores, como novas técnicas de 
plantio, sementes geneticamente melhoradas, contratação de mão-de-obra mais bem 
treinada, novos arranjos das máquinas e equipamentos existentes etc. 
 
No longo prazo, como no ano 2007, é possível aumentar simultaneamente a oferta de 
ambos os bens, deslocando a FPP para cima e para a direita, devido à realização de novos 
investimentos de capital (compra de tratores, equipamentos de irrigação e adubos). Esses 
novos investimentos podem ser realizados pela utilização de poupanças acumuladas ou por 
financiamentos, de fontes nacionais e internacionais. Assim, seria possível elevar tanto a 
produção de soja, como a de feijão, atingindo-se a combinação C1’ (s1,f1’), sobre a FPP’ da 
Figura 1.1, parte (B). 
 
Nessa figura, a mudança da curva de transformação para a direita, paralelamente, 
indica a ocorrência de mudança técnica na mesma proporção na produção dos dois bens. As 
mesmas quantidades de insumos são requeridas, como antes, para produzir uma unidade 
de cada um dos bens (custos constantes no longo prazo): o acréscimo possível da produção 
de soja (sM - sM) é igual à variação possível de feijão (fm - fm ). 
 
Já na Figura 1.2, o crescimento econômico (deslocamento da FPP) ocorre com 
acumulação de capital e progresso técnico diferenciado entre os setores. Na parte (A) da 
figura, a dotação de recursos torna-se mais intensa na produção de produtos manufaturados 
do que no setor primário (agropecuária, extrativa vegetal e mineral). Isso pode ser percebido 
pelo fato de que o acréscimo possível da produção de manufaturas, dado pela maior 
abertura da FPP no eixo das abscissas, é maior do que no caso da produção primária. 
 
 
 
 
 
Isso se explica porque, no processo de desenvolvimento, aumenta mais a demanda de 
produtos manufaturados em relação à demanda de produtos primários. Cresce 
substancialmente a demanda de eletrodomésticos, automóveis, computadores. Isso pode 
ser percebido pelo fato de que, no ponto de equilíbrio E1, o acréscimo da produção de bens 
primários (a1 - a0) foi menor do que o acréscimo da produção de bens manufaturados (m1 — 
m0). 
 
O mesmo ocorre com a produção de bens públicos, como rodovias, defesa nacional, 
educação, pesquisa científica, cuja demanda expande-se consideravelmente no processo de 
desenvolvimento econômico (parte (B) da Figura 1.2). Tendo em vista que a urbanização, 
industrialização e desenvolvimento evoluem no mesmo sentido, os gastos com a geração de 
bens públicos tendem a aumentar no tempo, elevando a produtividade e o bem-estar social. 
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