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Em Odontologia Aula: Cinética e Dinâmica dos fármacos Profª. Sue Ann Lavareda Farmacocinética: Absorção Distribuição Destino dos Fármacos Conceitos Farmacocinética: É o caminho dos fármacos pelo organismo após sua administração, abrangendo os processos de absorção, distribuição, biotransformação (metabolismo) e eliminação (excreção). O que o corpo faz com o fármaco Absorção A absorção consiste na transferência do fármaco desde seu local de aplicação até alcançar a corrente circulatória. A administração de fármacos pela via intravenosa não depende da absorção, pois o medicamento é injetado diretamente na corrente sanguínea. Efeito do Remédio Grau de Absorção Via de administração e dosagemdepende depende Exemplo: na prescrição de uma penicilina via oral, deve-se optar pela penicilina V, pela ampicilina ou pela amoxicilina, que são bem absorvidas por essa via, ao contrário das penicilinas G, que mesmo em altas doses são inativadas pelos sucos digestórios, daí serem empregadas exclusivamente por via parenteral (intramuscular ou intravenosa). Biodisponibilidade A quantidade e a velocidade na qual o princípio ativo de um fármaco é absorvido a partir da forma farmacêutica, tornando-se disponível no local de ação Em termos práticos, a biodisponibilidade é decrescente conforme o fármaco se apresente nas seguintes formas farmacêuticas: solução > emulsão > suspensão > cápsula > comprimido > drágea Propriedade variável Adultos também Considerações A água é a melhor companheira para um medicamento ser ingerido, pois o leite(cálcio), o chá(cafeína) ou o suco de algumas frutas(vit C, flavonoides) contêm substâncias que podem reagir com determinados fármacos e formar compostos que o organismo não consegue absorver. Considerações Com relação aos momentos das tomadas dos medicamentos, a regra é buscar um equilíbrio entre o estômago completamente vazio e a “plenitude gástrica” (estômago cheio e digestão funcionando). No caso dos antibióticos, é preferível que sejam tomados 1 h antes ou 2 h após as grandes refeições, pois, se não há nada no estômago, a passagem do medicamento para o intestino é mais rápida e sua absorção, acelerada (o duodeno é o principal local de absorção de fármacos). Apesar de haver maior proteção à mucosa gástrica quando o estômago está cheio, o bolo alimentar diminui o contato da parede estomacal com o fármaco, reduzindo sua passagem para o intestino e, consequentemente, seu grau de absorção. Uma vez no sangue, distribuem-se aos diferentes tecidos do organismo, onde irão exercer suas ações farmacológicas. O teor e a rapidez de distribuição de um fármaco dependem, principalmente, de sua ligação às proteínas plasmáticas e teciduais. Após a absorção, eles apresentam-se no plasma na forma livre apenas parcialmente, pois uma proporção maior ou menor do fármaco irá se ligar às proteínas plasmáticas, geralmente à albumina e às alfa-globulinas. Distribuição Distribuição A fração do fármaco ligada às proteínas plasmáticas não apresenta ação farmacológica, ou seja, somente a fração livre do fármaco é responsável pelo seu efeito. Isso não significa que um fármaco que exiba alta percentagem de ligação proteica (p. ex., 80%) é menos eficaz do que outro que apresente uma taxa menor (p. ex., 50%), pois toda vez que a fração livre do fármaco deixa o plasma e se distribui aos tecidos, uma proporção correspondente se desliga das proteínas plasmáticas e torna-se livre.4 Distribuição A competição de dois fármacos pelos mesmos sítios de ligação às proteínas plasmáticas pode acarretar implicações clínicas na sua prescrição. Assim, o fármaco com maior afinidade de ligação tem “preferência” sobre outro com menor afinidade, que é deslocado, aumentando sua fração livre no plasma e, por consequência, seus efeitos farmacológicos. Como exemplo, a ação hipoglicêmica da clorpropamida (antidiabético oral) pode ser potencializada por fármacos de alta ligação proteica, como é o caso de alguns anti-inflamatórios não esteroides. Biotransformação Por biotransformação entende-se um conjunto de reações enzimáticas que transformam o fármaco num composto diferente daquele originalmente administrado, para que possa ser eliminado. O fígado constitui-se no principal local de ocorrência desse processo farmacocinético. Eliminação Após serem absorvidos, distribuídos e biotransformados pelo organismo, os fármacos são eliminados para o meio externo, em geral através dos Rins, podendo também ser excretados pelos pulmões, pela bile, pelas fezes, pelo suor, pelas lágrimas, pela saliva e pelo leite materno. Eliminação Entre os fatores que influenciam na velocidade de eliminação de fármacos pela via renal, destacam-se os de ordem fisiológica, como a idade do paciente, que deve sempre ser levada em consideração no momento da prescrição. Nos idosos, por exemplo, a eliminação de certos medicamentos pela urina pode ser prejudicada, por apresentarem a função renal diminuída. Isso justifica o emprego de doses menores de benzodiazepínicos em idosos (p. ex., lorazepam), para se evitar a maior duração de seus efeitos. Eliminação A excreção pelo leite materno também limita o uso de alguns medicamentos em lactantes, que podem causar diretamente efeitos adversos na criança. Como o leite materno é ligeiramente ácido (pH 6,5), substâncias básicas como a codeína tendem a se acumular neste líquido. Eliminação A excreção pelo suor, pela saliva e pelas lágrimas é quantitativamente desprezível, da mesma forma que através dos cabelos e da pele. Os métodos para detecção de fármacos nestes últimos são úteis em medicina legal. Farmacodinâmica A farmacodinâmica é o ramo da ciência que estuda os mecanismos de ação dos fármacos e seus efeitos no organismo. O que o fármaco faz com o corpo Ação e Efeito Ação e efeito de um determinado fármaco são termos que muitas vezes se confundem, mas que não são verdadeiramente sinônimos. A ação de um fármaco nada mais é do que o local onde ele age; o efeito, o resultado dessa ação. Ação e Efeito Um determinado fármaco pode atuar em diferentes sítios do organismo e, em decorrência, provocar diversos efeitos, desejáveis ou indesejáveis. É o que acontece com os anti-inflamatórios não esteroides, que reduzem a síntese de prostaglandinas por atuarem nas células de vários tecidos do organismo, por meio da inibição da enzima ci- cloxigenase. Em decorrência dessas ações, manifestam-se efeitos desejáveis como a atenuação da dor e do edema inflamatório e, por outro lado, efeitos adversos como a irritação da mucosa gastrintestinal, a alteração da função renal, a diminuição da agregação plaquetária, etc. Relação Dose-Efeito A intensidade do efeito de um fármaco geralmente aumenta de acordo com o aumento da dose administrada. Para alguns fármacos, o aumento das doses e, consequentemente, de seus efeitos não apresenta limites, exceto pelos riscos determinados. Para outros, o efeito atinge uma grandeza que não mais se modifica, chamado de efeito máximo ou efeito platô. Dose eficaz mediana e dose letal mediana Os novos fármacos, antes de serem introduzidos no mercado, são testados experimentalmente em várias espécies animais, para se determinar a dose eficaz e a dose tóxica ou letal. Dose eficaz é aquela capaz de produzir os efeitos benéficos Dose letal é aquela capaz de matar. Dose eficaz mediana e dose letal mediana A dose de um fármaco, necessária para produzir um efeito desejado em 50% dos indivíduos, é chamada de dose eficaz mediana ou DE. A dose capaz de matar 50% dos animais em um determinado experimento é chamada de doseletal mediana ou DL. Quando o efeito não é a morte, pode-se falar então em dose tóxica mediana (DT). Muitas vezes, a resposta do organismo a um fármaco não é aquela desejável. Isso decorre de fatores ligados ao próprio fármaco, ao organismo com o qual ele se põe em contato ou da interação de ambos esses fatores. Reações anômalas e efeitos adversos dos fármacos Fatores dependentes do próprio fármaco Efeito colateral ou reação adversa: “[...] é uma resposta nociva e indesejável, não intencional, que aparece após a administração de um medicamento em doses normalmente utilizadas no homem para a profilaxia, o diagnóstico e o tratamento de uma en- fermidade.”. Como exemplo clássico, a morfina e seus derivados são fármacos que, além da analgesia (seu efeito principal), provocam sonolência, depressão respiratória e constipação intestinal como reações adversas ou efeitos colaterais. Fatores dependentes do próprio fármaco Efeitos teratogênicos: Podem ser considerados como reações adversas graves, caracterizadas pela ação do fármaco sobre o feto, o que provoca alte- rações morfológicas, funcionais e emocionais no mesmo, sobretudo quando administrado no pe- ríodo da organogênese (entre a 2a e a 10a semana de gestação). O melhor exemplo é o da talidomida, an- tiemético muito empregado na década de 1950 para controlar náuseas e vômitos durante a gravidez, mas que causou perda gestacional, malformações severas Superdosagem (overdose) – É a administração de doses anormalmente elevadas de um fármaco Fatores dependentes principalmente do organismo Hipersensibilidade: Compreende as reações imunológicas, que podem se manifestar como uma simples urticária ou até mesmo como uma reação anafilática fatal. Fatores dependentes do medicamento e do organismo Tolerância ou resistência – Reação que pode ocorrer após o uso prolongado de certos fármacos, especialmente os que atuam no sistema nervoso central. Em indivíduos que desenvolvem tolerância é necessário aumentar progressivamente as doses do fármaco para manter a intensidade de seus efeitos iniciais. É pouco provável que a tolerância ou resistência ocorra com os medicamentos de uso rotineiro em odontologia. Dependência – Em alguns casos, em conjunto com a tolerância, ocorre uma dependência para com os efeitos do fármaco, ou seja, após seu uso continuado, o indivíduo passa a necessitar do fármaco para manter-se em equilíbrio. Fatores dependentes do medicamento e do organismo Efeito paradoxal – É o efeito contrário ao esperado após a administração de um fármaco. Como exemplo, pode-se citar a manifestação de intensa agitação após o uso de diazepam, ao invés de sedação desejada, que ocorre eventualmente em crianças e idosos (incidência de 1-3% dos casos). Oga S, Basile AC, Carvalho FM. Guia Zanini-Oga de in- terações medicamentosas. 7. ed. São Paulo: Atheneu; 2002. Wannmacher L, Ferreira MBC. Farmacologia clínica para dentistas: fundamentos da terapêutica racional. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2007. LEITURAS RECOMENDADAS Obrigada