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Revista
Diálogos da Coordenação Pedagógica 
na Educação Pro�ssional
Artigos
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI
 
Robson Braga de Andrade
Presidente
DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA
 
Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor de Educação e Tecnologia
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI
 
Conselho Nacional
 
Robson Braga de Andrade
Presidente 
SENAI – Departamento Nacional
 
Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor-Geral
 
Gustavo Leal Sales Filho
Diretor de Operações
 
SENAI – DEPARTAMENTO NACIONAL
UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP
Felipe Esteves Morgado
Gerente Executivo
Maria Eliane Franco 
Gerente de Educação
Sinara Sant’ Anna Celistre
Gestora do Programa SENAI de Capacitação Docente
SENAI/ SC – JARAGUÁ DO SUL
Michael Eberle Siemeintcoski
Diretor da Unidade
Iracema Schuster Gruetzmacher
Gerência Técnica de Educação e Tecnologia
Revista: Diálogos da Coordenação Padagógica na Educação Profissional. Proibida a reprodução 
comercial sem autorização. (Inciso 1 do Artigo 29 Lei 9.610/98). É permitida a utilização parcial ou 
total deste material para fins não comerciais, desde que citadas as fontes.
Esta publicação foi elaborada pela equipe do SENAI/ SC - Jaraguá do Sul, com a coordenação do SENAI 
Departamento Nacional.
EQUIPE TÉCNICA
Morgana Machado Tezza
Coordenação do Desenvolvimento da Revista
 
Rosemary Aparecida Scharf
Avaliadora da Edição
 
Ana Cristina de Borba
Ellen Cristina Ferreira
Patricia Marcilio
Projeto Gráfico
 
Ana Cristina de Borba
Ilustração
 
Ana Cristina de Borba
Ellen Cristina Ferreira
Patricia Marcilio
Scheila Andrea Sabel de Souza
Diagramação
 
Ellen Cristina Ferreira
Fechamento de Arquivo
 
Patrícia Correa Ciciliano – CRB-14/752
Bibliotecária – Ficha Catalográfica
FICHA CATALOGRÁFICA
SENAI
Serviço Nacional de 
Aprendizagem Industrial 
Departamento Nacional
Sede
Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto 
Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001 
Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
__________________________________________________________________ 
 R454 
 
 Revista diálogos da coordenação pedagógica na educação profissional: artigos / 
SENAI. Departamento Nacional – v.1, n.1, (out. 2016). -- Brasília : SENAI, 2016. 
 
 
ISSN xxxx-xxxx (online) 
 
 1. Educação profissional e tecnológica. 2. Ensino – Teoria e prática. I. Serviço 
Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional de Santa Catarina. 
Jaraguá do Sul 
 
CDU:377 
 
 
Apresentação
A relevância do papel da coordenação pedagógica para o alcance dos objetivos de 
nossa instituição, particularmente no tocante ao aprimoramento contínuo da qualidade 
dos processos de ensino e de aprendizagem e à conquista da excelência na apropriação 
da Metodologia SENAI de Educação Profissional, foram os grandes impulsionadores do 
desenvolvimento do Curso Aperfeiçoamento da Coordenação Pedagógica do SENAI: 
Planejamento e Prática.
O primeiro passo em direção a essa iniciativa foi a composição de um comitê de 
especialistas da educação profissional e pedagogos, envolvendo distintos Departamentos 
Regionais, que assumiu o compromisso de realizar um levantamento das atividades 
inerentes à Coordenação Pedagógica do SENAI, resultando na identificação das 
competências a serem mobilizadas no exercício dessa função.
A partir da análise do documento que descreve as competências profissionais 
e o contexto de trabalho dos coordenadores pedagógicos, foi delineado o Curso 
Aperfeiçoamento da Coordenação Pedagógica do SENAI: Planejamento e Prática, que 
concluiu sua primeira turma em 19 de outubro de 2016. A interação entre os diversos 
profissionais que exercem a coordenação pedagógica do SENAI, promovida durante 
o Curso, permitiu, além do compartilhamento de conhecimentos e experiências, o 
estreitamento dos laços entre pessoas que concretizam ideias e projetos em nossa 
instituição.
Outra iniciativa voltada à valorização do trabalho pedagógico nas unidades 
operacionais, por meio da inauguração de espaços contínuos de diálogo e formação 
e da aproximação das iniciativas do Departamento Nacional do dia a dia das escolas, 
considerando suas demandas, interesses e práticas, é a Rede da Coordenação Pedagógica 
do SENAI, um dos principais frutos do Curso.
Esta revista, que compila artigos acadêmicos dos concludentes da primeira turma 
do Curso, também expressa o valor das iniciativas aqui descritas, além de oportunizar 
um novo espaço para que um dos principais responsáveis pela efetivação da educação 
profissional em nossa instituição, o coordenador pedagógico, possa expressar e socializar 
ideias, estudos, propostas e experiências nessa modalidade de ensino, servindo de 
referência e inspiração a outros sujeitos que atuam no campo da educação profissional.
Sinara Sant’Anna Celistre
Gestora do Programa SENAI de Capacitação Docente
SUMÁRIO
A construção do processo de ensino aprendizagem alicerçado na metodologia SENAI de educação 
profissional ..........................................................................................................................................................................10 
Jonas Coelho
A efetividade do planejamento no âmbito escolar ..............................................................................................16
Antonia Iraneide Costa e Darlanny Machado dos Santos
A formação docente no centro da atuação do coordenador pedagógico ..................................................24
Adriana Akiko Sumiya Sampaio de Queiroz e Denise Oetterer Arruda Militello
Aperfeiçoamento da coordenação pedagógica do SENAI: planejamento e prática ................................32 
Cristiane da Rosa e Keyla Lyane Silva do Prado
A prática da metodologia SENAI na educação profissional ...............................................................................44
Cláudia Maria Pereira de Almeida, Josicleide Nunes da Costa Fernandes e Vanêssa Martins Rocha
A prática docente na educação profissional com foco no desenvolvimento de competências ..........52
Néria Rosa Vitalino de Melo
A utilização dos princípios da metodologia SENAI como fonte norteadora da prática docente .........62
Eva Yanni de Araújo Garcia
Avaliação dos serviços educacionais como instrumento de intervenção dos processos de ensino 
e aprendizagem .................................................................................................................................................................70 
Ana Cristina Soares e Silva e Edirlaine Perácio B. de Souza
Avaliação formativa - uma ferramenta eficaz de aprendizagem .....................................................................82
Francisco Aparecido Garcia Andriotta e Solange Simal Pereda
Avaliação por competência – uma prática constante no processo ensino-aprendizagem ..................88
Aline Daniela Dutra, Lenir Ferrari e Simone Sonza Basso
Coordenador pedagógico e a mediação escolar ................................................................................................ 100
Vanessa de Cássia Palácios Fraga
Desafios dos docentes para a formação da competência dos alunos na educação profissional ..... 110
Elisângela Souza de Mélo
Evolução da metodologia SENAI de formação profissional ........................................................................... 114
Elisangela das Dores Faustino
Fundamentos da gestão na educação profissional do SENAI: coordenação pedagógica e a gestão 
do tempo ...........................................................................................................................................................................126
Valdecy Inácio da Costa Neto
Liderança e cooperação da equipe .......................................................................................................................... 134
Jeremias Martins Alves
Metodologia SENAI de educação profissional: a importância da coordenação de educação no 
processo de planejamento e prática docente ..................................................................................................... 138 
Isabela Soares do Nascimento e Rosineide França dos Santos
Metodologia SENAI de educação profissional: uma metodologia conectada com o mundo do 
trabalho.............................................................................................................................................................................. 148 
Helen Camila da Silva
Metodologia SENAI: desenvolvendo facilitadores e multiplicadores de competências nos processos 
de aprendizazem ............................................................................................................................................................ 158
Ana Cristina Souza Pedreira, Bárbara Maria de Queiroz A. Coqueiro e Cátia Cilene Siqueira Xavier 
Cardoso
O coordenador pedagógico: dificuldades encontradas em seu cotidiano ............................................... 166
Paullyanne Leal de Araújo e Silvânia Maria de Holanda
O papel do coordenador na metodologia SENAI de educação profissional ............................................ 176
Joelso Luis Cavalheiro Cardoso, Marcia Gottardi e Vanda Teresinha Silveira de Oliveira
O papel do docente SENAI na aplicação e consolidação da metodologia SENAI de educação 
profissional ....................................................................................................................................................................... 182 
Solange Tonini
O planejamento e a avaliação docente no processo de ensino e de aprendizagem ............................ 192
Celso Roberto Trevisan
O planejamento e a avaliação docente no processo de ensino e de aprendizagem ............................ 200
Maria Aparecida Vieira Silva de Freitas
O planejamento na educação profissional ........................................................................................................... 208
Juliano da Silva Pereira e Luis Augusto Mendes Parker
Perfil do docente no SENAI ......................................................................................................................................... 214
Ana Regina Viana e Renata Costa Ferreira Daniel
Planejamento docente como ferramenta no processo educacional .......................................................... 228
Valdeni de Almeida Alencar
Planejamento e avaliação educacional: desafios para o coordenador pedagógico .............................. 236
Roberta Santos da Silva
Planejamento: essencial na prática da coordenação pedagógica ............................................................... 240 
Isabela Dutra Laureano Fayer, Marilda de Oliveira Valladão Fortes e Sandra dos Anjos Batista
Planejamento teoria e prática .................................................................................................................................... 246
Andrea Eliza Porfiro Silva
SENAI – uma experiência: do planejamento à prática pedagógica ............................................................. 254
Alécia Maria de Almeida Toscano e Karla Suely Carleti Jovita Zani
10 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
Desenvolver um Processo de Ensino e de Aprendizagem significativo e útil 
na contemporaneidade é uma missão acurada. Partindo de uma abordagem 
teórica, dialética e educacional compreenderemos, neste artigo, a visão de 
alguns teóricos sobre o ensino e o ato de aprender, bem como a importância 
e a necessidade da Metodologia SENAI de Educação Profissional para 
formação profissional, tecnológica e humana na atualidade.
Palavras-chave: Metodologia. Ensino. Aprendizagem 
1 Especialista 
jonasco@sc.senai.
br
A CONSTRUÇÃO DO PROCESSO 
DE ENSINO APRENDIZAGEM 
ALICERÇADO NA METODOLOGIA 
SENAI DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
Jonas Coelho1 
11Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
Frente ao contexto social, econômico e 
tecnológico em que vivemos, fica posta a 
necessidade de uma educação assertiva e de 
qualidade. O Serviço Nacional de Aprendizagem 
Industrial – SENAI, é peça chave neste 
contexto, pois grande parte da fatia econômica 
e tecnológica está apoiada na indústria. 
Compreenderemos que em nosso contexto 
a construção do processo de Ensino e de 
Aprendizagem se dá alicerçado à Metodologia 
SENAI de Educação Profissional. 
Qual a definição e o fundamento da 
Metodologia? Como desenvolver um processo 
de Ensino e de Aprendizagem valoroso, aplicável 
e sólido? Essas, são algumas das indagações que 
buscaremos esclarecer neste artigo.
2 METODOLOGIA SENAI DE EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL
2.1 Definição e Fundamento
É relevante definir “metodologia” e para 
isso precisamos entender “método” e assim, 
compreender a proposta da Metodologia 
SENAI de Educação Profissional. Por “método’’ 
entende-se um caminho para chegar a um fim, o 
caminho através do qual se atinge um objetivo.
A Metodologia SENAI de Educação 
Profissional é composta, definida e dividida 
em três momentos essenciais:
■ Perfil Profissional:
“Perfil Profissional: É a descrição 
do que idealmente o trabalhador 
deve ser capaz de realizar no campo 
profissional correspondente à 
Ocupação. É o marco de referência, 
o ideal para o desenvolvimento 
profissional. Expressa o nível de 
desempenho que se espera que o 
trabalhador alcance, indicando o que 
assegura que ele será competente 
ou o que o torna apto a atuar, com 
qualidade, no contexto de trabalho 
da Ocupação. É constituído pelas 
competências profissionais e pelo 
Contexto de Trabalho da Ocupação.” 
(SENAI, 2013, p.208).
■ Desenho Curricular:
“É a concepção da oferta 
formativa que deverá propiciar o 
desenvolvimento das competências 
constitutivas do Perfil Profissional 
... Trata-se de uma decodificação 
de informações do mundo do 
trabalho para o mundo da educação, 
traduzindo-se pedagogicamente as 
competências do Perfil Profissional.” 
(SENAI, 2013, p.205).
■ Prática Docente:
“ ...é o resultado de um conjunto 
de ações didático-pedagógicas 
empregadas para desenvolver, de 
maneira integrada e complementar, os 
processos de ensino e aprendizagem. 
É papel docente planejar, organizar, 
propor Situações de Aprendizagem 
e mediá-las, favorecendo a 
construção de conhecimentos e o 
desenvolvimento de capacidades 
que sustentam as competências 
12 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
explicitadas no Perfil Profissional.” 
(SENAI, 2013, p.105).
São esses os três pilares de sustentação da 
Metodologia SENAI de Educação Profissional. 
Método este, que valoriza as singularidades 
humanas e as potencializa, identifica a realidade 
do sujeito e a transforma, torna o sujeito/
estudante protagonista do processo educativo e 
o encaminha para o desenvolvimento e domínio 
dos Fundamentos Técnicos e Científicos, 
Capacidades Técnicas, Capacidades Sociais, 
Organizativas e Metodológicas. 
Entre as referências teóricas para a Metodologia 
SENAI de Educação Profissional estão Piaget e 
Ausubel - juntamente com Vygotsky e Perrenoud 
-que entendem o estudante/sujeito como ser 
ativo no processo e o meio como desafio para 
impulsionar a construção das competências.
“Para Piaget (2011), o homem 
não é passivo sob a influência do 
meio, pois responde ativamente aos 
estímulos externos, agindo sobre 
eles para construir e (re)organizar 
o seupróprio conhecimento. Nessa 
perspectiva, a educação formal 
promove o desenvolvimento na 
medida em que favorece uma postura 
ativa e construtiva do aluno por 
meio de Situações de Aprendizagem 
desafiadoras que estimulem a dúvida e 
provoquem a reflexão.
Segundo o autor, a construção do 
conhecimento ocorre por meio 
das assimilações e acomodações de 
novos conteúdos em um processo 
contínuo que envolve momentos 
de equilíbrio e desequilíbrio 
denominado equilibração. Para ele, 
os momentos de conflito cognitivo 
que ocorrem quando expectativas 
ou predições não são confirmadas 
pela experiência são a maior fonte 
para o desenvolvimento cognitivo. 
Nesse sentido, cabe ao docente 
promover Situações de Aprendizagem 
desafiadoras que favoreçam ao aluno 
transcender a mera cópia ou repetição 
do conhecimento para alcançar uma 
construção singular e avançar no seu 
desenvolvimento. 
O foco de Ausubel (1980) é 
o processo de compreensão, 
transformação, armazenamento e 
uso da informação. Para o autor, o 
objetivo primordial do docente deve 
ser a promoção da aprendizagem 
significativa que acontece quando 
a nova informação ancora-se aos 
conceitos anteriormente construídos 
pelo aluno. Ao colocar em relevo a 
importância das concepções prévias 
de cada aluno, Ausubel (1980) 
reconhece a aprendizagem como 
uma construção singular e destaca 
a importância do papel do docente 
nesse processo. Na aprendizagem 
significativa, os conhecimentos 
prévios do aluno, ao interagir 
com os novos conhecimentos, vão 
sofrendo mudanças, adquirindo 
novos significados e diferenciando-se 
progressivamente. Diferentemente, na 
aprendizagem mecânica e repetitiva, 
o aluno não consegue articular os 
conhecimentos já construídos com as 
novas informações. Ao não construir 
significado, o aluno pode limitar-se à 
memorização do conteúdo e encontrar 
dificuldades no processo de ensino e 
aprendizagem.” (SENAI, 2013, p.112).
Além destes teóricos, existem outros com 
pensamentos e trabalhos alinhados à proposta 
da metodologia com base em competências. Em 
John Dewey “A experiência é o poder libertador, 
significa o novo, aquilo que nos chama e nos 
desprende do passado, aquilo que nos revela 
novos fatos e novas verdades”. (DEWEY, 1956, 
p. 106 ). John Dewey traz uma nova noção de 
experiência em sua época, que abala a ideia 
de várias outras correntes de pensamento a 
esse respeito. Para provar e importância da 
experiência, é necessário questioná-la em seu 
todo, assim como faz Dewey:
13Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
“Que é experiência e que é razão, 
mente? Qual é o alcance da 
experiência e quais são os seus 
limites? Até onde é a experiência um 
fundamento sólido da crença e um 
guia seguro da conduta? Podemos 
considera-la como digna de confiança 
na ciência e no comportamento?
Ou se torna ela um pântano tão logo 
passemos além de alguns interesses 
materiais baixos? Será ela tão 
movediça flutuante e superficial que 
ao invés de permitir-nos a andar com 
firmeza, de nos fornecer caminhos 
seguros a campos férteis, na realidade 
nos extravia, nos engana e nos 
engolfa? Existirá uma razão ao lado 
e acima da experiência como coisa 
necessária a fornecer princípios bem 
fundamentados à ciência e a conduta?” 
(DEWEY, 1956, p. 93).
Dewey apresenta uma nova proposta 
para a experiência. Experiência torna-se 
primariamente coisa ativa. E da mesma forma se 
constrói a noção da Metodologia de Educação 
por competências e consequentemente a 
Metodologia SENAI de Educação Profissional.
O objetivo central da filosofia de John Dewey 
volta-se a preocupação em estruturar uma nova 
forma de educação e do ensino em sala de 
aula. Esta nova educação, no entanto, necessita 
de uma nova concepção de experiência, ou 
seja, uma nova proposta para a noção de 
experiência e razão. Aqui encontramos algumas 
das convergências entre os pensamentos de 
Piaget, Ausubel e Dewey.
3 PROCESSO DE ENSINO E DE 
APRENDIZAGEM
3.1 Experiência e Desafio
A experiência não é passiva, recepção de dados 
caóticos. O organismo não permanece passivo e 
inerte à espera de alguma coisa que o impressione 
de fora para dentro, pelo contrário, age sob o 
meio de acordo com suas próprias estruturas. 
Em consequência, as mudanças produzidas 
no meio reagem sobre o organismo e suas 
atividades, passando a sofrer as consequências de 
seu próprio comportamento. Cria-se assim uma 
relação entre as experiências e a estruturação 
da competência. A mente é, pois, ativa e exerce 
uma função reguladora sobre as experiências.
A vida tem uma necessidade de adaptação 
com o meio, mas essa adaptação não ocorre 
de uma forma passiva, cujo meio transforma o 
organismo. O organismo interage com o meio, 
o organismo se modela em função do meio e 
o meio se modela de acordo com o organismo. 
Existe aqui, uma troca que promove uma melhor 
adaptação para ambos. 
O ser vivo em sua totalidade tem uma adaptação 
e troca com o meio, mas conforme maior for o 
grau da forma de vida, mais importante será a 
reconstrução ativa do organismo com o meio. 
Experiência é atividade, pois o organismo não 
fica passivo nem “estático” durante a adaptação 
com o meio. Assim o agir e sofrer nesta 
interatividade nos leva a experiência.
Dentro de uma nova ideia, ou melhor, um novo 
conceito de experiência é importante haver um 
sentido vital e significante. Como afirmaria 
Ausubel a Aprendizagem é Significativa quando 
a nova informação entra em contato com a 
estrutura de conhecimentos já existentes no 
14 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
estudante e “ancora”. Com isso a educação tem 
um novo conceito de compreender a aquisição 
do conhecimento, pois os sentidos têm dessa 
forma um novo significado. Deixam de ser 
caminhos para o conhecer e se tornam estímulos 
à ação.
Em oposição ao pensamento de René Descartes, 
temos o que afirma Dewey: “O conhecimento 
não é alguma coisa apartada, que se basta a si 
mesma, mas alguma coisa que se envolve no 
processo pela qual a vida se apoia e se desenrola”. 
(DEWEY, 1958, p. 101).
O princípio de mediação da aprendizagem 
é essencial para o processo educativo. Para 
que um indivíduo participe positivamente 
deste processo, ele deve “viver” a interação. As 
condições internas e externas do indivíduo 
devem estar equiparadas. A mediação tem 
que acontecer na educação em sala de aula, 
caso contrário, a construção dos conhecimentos 
e desenvolvimento das capacidades ficará 
comprometido. Contudo, o princípio de 
mediação da aprendizagem é requisito “sine qua 
non” para um completo e significativo processo 
de ensino e de aprendizagem.
Dessa forma, educar é preparar o indivíduo para 
interagir com o meio. O educador em sala de aula 
deve criar situações desafiadoras que estimulem 
o educando a agir e interagir com o meio – 
Situações de Aprendizagem. Assim, o professor 
não apenas apresenta o conteúdo, mas seleciona 
o que é válido para o contexto do estudante e 
para o Perfil Profissional desejado, livrando-se 
da “galharia seca”, utilizando informações que 
irão possibilitar ao aluno participar ativamente 
da vida social, contexto histórico, mercado de 
trabalho, formando-se assim não um mero 
espectador da vida, mas aquele que vê de 
forma crítica e tem um agir transformador. O 
educando é conduzido ao aprender fazendo. 
“O hábito de aprender diretamente da própria 
vida, e fazer que as condições da vida sejam 
tais que todos aprendam no processo do viver”. 
(DEWEY, 1978, p.31).
Portanto, mediar experiências significativas, 
oportunizando Situações de Aprendizagem 
desafiadoras é papel docente e o cenário 
necessário para que o estudante seja protagonista 
do Processo de Ensino Aprendizageme por 
consequência agente transformador do meio 
onde vive. 
A Metodologia SENAI de Educação 
Profissional e seu Processo de Ensino e de 
Aprendizagem têm suas bases axiológicas em 
uma educação equilibrada em que o educando 
possa aprender a aprender e aprender fazendo. 
Fato este, corroborado pela prática que o 
SENAI em todo o território Nacional emprega 
em suas Unidades Operacionais e através dos 
resultados que os profissionais formados pela 
Instituição têm apresentado nas indústrias que 
os absorveram. 
 Entendemos que as competências vão se 
formando e se desenvolvendo no dia a dia 
da sala de aula, dentro e fora dela. E mesmo 
quando formado, o sujeito que teve acesso a 
essa metodologia - seja aluno, professor ou 
coordenador - está preparado para interagir 
com o meio, seja com suas capacidades técnicas, 
sociais, organizativas ou metodológicas.
15Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
5 CONCLUSÃO
Em vista dos argumentos apresentados, 
entendemos que a construção do Processo de 
Ensino e de Aprendizagem para o SENAI, 
está alicerçada sobre a Metodologia SENAI 
de Educação Profissional. Nossa metodologia 
pressupõe um perfil profissional que se organiza 
através do desenho curricular e se desenvolve 
pela prática docente.
O processo de ensino e de aprendizagem à luz 
da metodologia prevê experiências e desafios 
significativos para o estudante que é figura 
protagonista neste cenário e juntamente com 
os demais envolvidos, fazem a educação ser 
assertiva e de qualidade, atendendo desta forma, 
as demandas do mundo do trabalho e também 
as demandas da vida.
REFERÊNCIAS
DEWEY, John. A Filosofia em reconstrução. São 
Paulo: Nacional, 1958. p. 205.
 ______. Experiência e educação. 2. ed. São Paulo: 
Nacional, 1976. p.101 
______. Experiência e natureza. São Paulo: Abril, p. 
159-263, 1985. (Coleção Os Pensadores).
______. Vida e Educação. 10. ed. São Paulo: 
Melhoramentos, 1978. 113 p.
SENAI. Departamento Nacional. Metodologia 
SENAI de Educação Profissional. Brasília: SENAI/
DN, 2013.

16 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
O planejamento sempre foi uma necessidade básica e necessária em 
qualquer momento na vida do ser humano. No ambiente educacional não 
é diferente, é através do planejamento que o docente se organiza e ministra 
suas aulas diárias com o intuito de adquirir um resultado significativo. Isto 
não significa que todos os docentes façam uso desta prática, ainda existe 
uma grande distância entre esta necessidade e a realidade. Para isso, o 
presente artigo objetiva promover reflexões sobre o tema, por considerar o 
planejamento um ato de grande relevância no ambiente escolar, auxiliando 
na orientação, organização e concretização daquilo que se deseja alcançar. 
Palavras-chave: Planejamento. Prática Pedagógica. Docente.
***
1 E-mail: 
iraneidecosta@
senai-pi.com.br
2 E-mail: 
arlannymachado@
senai -pi.com.br
***
A EFETIVIDADE 
DO PLANEJAMENTO NO 
ÂMBITO ESCOLAR
Antonia Iraneide Costa1
Darlanny Machado dos Santos Bezerra2
17Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
Em nosso dia a dia, enfrentamos situações 
que necessitam de planejamento. Algumas 
pessoas planejam de forma mais rebuscada, 
outras de forma simplificada, porém, não deixa 
de ser planejamento. Como diz MENEGOLA 
& SANT’ANNA, (1998, p.16) “O homem, 
hoje, sempre faz planejamento das suas ações”. 
No ambiente escolar também é necessário 
que as atividades escolares sejam planejadas 
constantemente, o docente precisa planejar bem 
para desenvolver seu trabalho com clareza e 
objetividade, levando os alunos a refletirem, 
compreenderem e mudarem para melhor a 
realidade da qual estão inseridos. O planejamento 
escolar estabelece os objetivos do que se quer 
alcançar, especificando a forma como serão 
alcançados. De acordo com MENEGOLLA 
& SANT’ANNA, (1998, p.40). 
“É um instrumento direcional de todo 
o processo educacional, pois estabelece 
e determina as grandes urgências, 
indica as prioridades básicas, ordena e 
determina todos os recursos e meios 
necessários para a consecução de 
grandes finalidades, metas e objetivos 
da educação”. 
Neste contexto o planejamento é uma atividade 
consciente, sistemática e constante na vida do ser 
humano e pensar em planejamento educacional 
é contribuir de maneira significativa para o 
redirecionamento dos trabalhos na escola. 
2 DESENVOLVIMENTO
Ao longo dos tempos, a medida em que os 
negócios de muitos senhores influentes foram 
se expandindo e o crescimento do patrimônio 
de algumas pessoas foi crescendo, surgiu a 
necessidade de fazer previsões futuras pois 
ninguém queria correr o risco de perdas e dessa 
forma o planejamento foi surgindo de forma 
mais contundente e se tornando cada vez mais 
necessário. 
Segundo MENEGOLLA & SANT’ANNA, 
(1998, p.15), “Sonhar com algo de forma 
definitiva e clara é uma situação que requer 
um ato de planejar”. Assim, o planejamento 
está presente em toda a nossa vida, é um ato 
que faz parte da história do ser humano, é 
uma realidade que existe desde os primórdios, 
o desejo de transformar sonhos em realidade 
sempre foi uma preocupação marcante na vida 
de qualquer pessoa. 
Para GANDIN, (2001), existe uma vasta 
variedade de planejamento necessário em todas 
as atividades humanas e não se pode enumerar 
todos, porém, alguns são fundamentais para o 
processo educacional como: 
■ Planejamento Educacional – sua amplitude 
é maior. Na visão de CORACY, (1994), o 
planejamento é um processo contínuo que 
se preocupa com o “para onde ir” e quais as 
maneiras adequadas de conseguir, tendo em 
vista a situação presente e as possibilidades 
futuras, para que o desenvolvimento da 
educação atenda às necessidades de toda a 
sociedade. 
■ Planejamento Escolar – consiste em uma 
atividade de previsão da ação, ou seja, implica 
numa preparação para algo a ser objetivado 
para atender às necessidades dentro das 
possibilidades, procedimentos e recursos 
18 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
a serem empregados, condizentes com o 
tempo de execução e as formas de avaliação. 
LIBÂNEO diz que, (1994, p. 221), “É um 
processo de racionalização, organização e 
coordenação da ação docente, articulando 
a atividade escolar e a problemática do 
contexto social”. 
■ Planejamento Curricular – é definido nas 
palavras de SARULBI, (1991), como uma 
tarefa multidisciplinar que tem por objetivo 
a organização de um sistema de relações 
éticas e psicológicas dentro de um ou vários 
campos do conhecimento, de tal modo que 
favoreça ao máximo o processo de ensino e 
de aprendizagem. No currículo é definido 
o que se ensina, o para que ensinar, como 
ensinar e as formas de avaliação, em estreita 
colaboração com a didática. 
■ Planejamento de Ensino – está pautado 
em um nível mais específico dentro do 
contexto da escola, sendo essencial para 
nortear o trabalho cotidiano do docente. 
Na visão de LIBÂNEO, (1994, p.222), “É a 
previsão dos o objetivos e tarefas do trabalho 
docente, é um documento mais elaborado, 
no qual aparecem objetivos específicos, 
conteúdos e desenvolvimento metodológico”. 
O planejamento de ensino está dividido em três 
tipos: planejamento do curso, planejamento da 
unidade e planejamento de aula. 
Para PADILHA, (2003), o plano de curso é a 
sistematização da proposta geral de trabalho 
do docente naquela determinada disciplina 
ou área de estudo, numa dada realidade. O 
planejamento da unidade é um documento 
elaborado para um ano ou semestre, dividido 
por unidades sequenciais, formada por assuntos 
inter-relacionados. O plano de aula é a previsãodo desenvolvimento do conteúdo para uma 
aula ou conjunto de aulas e tem um caráter 
específico e deve seguir uma linha de ensino 
aprendizagem contínua. Em sua elaboração 
devem ser considerados vários pontos e critérios 
que unidos especificam quais os objetivos 
finais o docente espera alcançar no decorrer 
da explicação dos conteúdos. 
O planejamento, portanto, é a determinação 
da direção a ser seguida para se alcançar um 
resultado desejado, é um poderoso instrumento 
de intervenção na realidade e que, se bem 
utilizado, constitui ferramenta fundamental 
para o desenvolvimento de boas atividades. 
MENEGOLLA & SANT’ANNA, (1998, 
p.27), procura nos atentar para um ponto muito 
importante afirmando que: 
O planejamento da educação deve 
ser de tal maneira que não venha 
restringir todo o potencial da pessoa, 
impedindo que ela se autodetermine, 
que possa escolher os seus valores, seus 
caminhos, estabelecer suas direções e 
tomar as suas decisões. 
Neste sentido, o planejamento educacional deve 
desenvolver no ser humano a capacidade de 
pensar e agir, sem alienações. Isto os conduzirá 
a uma reflexão sobre o seu ensino e a uma 
constante busca de aperfeiçoamento do seu 
trabalho, com intuito de atingir avanços cada 
vez mais significativos. MENEGOLLA & 
SANT’ANNA, (1998, p.27), diz ainda que, 
“é preciso planejar uma educação que, pelo 
seu processo dinâmico, possa ser criadora e 
libertadora do homem”. 
Muitos docentes não encaram o planejamento 
de suas aulas como algo essencial que sirva para 
melhorar seu desempenho profissional, alguns 
relutam contra a elaboração de seus planos por 
acreditarem ser perda de tempo e sentirem que 
na maioria das vezes as ações planejadas não 
são executadas. 
19Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Para alguns docentes, segundo MENEGOLLA 
& SANT’ANNA, (1998, p.43), “o planejamento 
é encarado como algo que existe apenas para 
satisfazer a burocracia escolar”. No entanto, o 
planejamento não se reduz apenas em preencher 
formulários para o controle pedagógico, 
existe uma finalidade maior que consiste em 
transformar a realidade do aluno através de um 
trabalho voltado para este fim, sabemos ainda 
que de nada adianta elaborar lindos planos se 
estes não puderem ser exequíveis. Por tanto, 
muito embora essa atividade seja desafiadora, 
não deve ser vista como mera burocracia. 
De acordo com LIBÂNEO, (2001), o plano é um 
guia e tem a função de orientar a prática, partindo 
da própria prática e não pode ser visto como 
um documento rígido e absoluto. Portanto, 
o planejamento é flexível e nenhuma turma 
é igual a outra, todas têm suas peculiaridades, 
sendo necessário fazer primeiro um trabalho de 
sondagem da realidade daquilo que se pretende 
planejar, para assim traçar finalidades, metas e 
objetivos daquilo que precisa ser trabalhado 
com mais urgência.
 Os conhecimentos prévios dos alunos são muito 
relevantes, uma vez que busca demonstrar como 
o docente pode utilizar-se do planejamento, 
como um instrumento de visão futura e de 
resultados presentes e reais, daquilo que se 
desejar alcançar. Dessa forma, o docente deverá 
ter em mente que nos conteúdos a serem 
repassados deverão ser incluídos elementos 
de vivência prática dos alunos, para uma melhor 
compreensão das ideias e alcançar melhores 
resultados. 
Salientamos ainda que, há algum tempo, o 
coordenador pedagógico era visto como um 
“fiscal”, o chefe que gerenciava a produção. Na 
atualidade, este se configura como alguém que 
auxilia e contribui para a melhoria do processo de 
ensino aprendizagem, objetivando uma educação 
de qualidade. Deve ser um agente formador para 
ajudar o corpo docente a se aprimorar, ser um 
articulador do diálogo atento à transformação 
da comunidade escolar, promover a reflexão em 
torno das relações escolares e da transformação 
da prática pedagógica. Assim, ele estabelece 
diversos vínculos e relações interpessoais na 
escola ao desenvolver as múltiplas atividades 
que caracterizam a sua função. A ação educativa 
deve ser planejada, articulada com os sujeitos 
escolares e o coordenador pedagógico deve 
surgir como mediador de formas interativas de 
trabalho, em momentos de estudos, proposições, 
reflexões e ações. 
O coordenador em sua atuação na escola é 
de agente transformador e agente formador, 
ou seja, sua atuação vai além do convívio e 
relacionamento com os docentes, significa ser 
formador, ouvinte de opiniões, planejando e 
pondo em execução o dever da escola que é 
exercer um papel social. LIBÂNEO, (2001), 
afirma que o pedagogo é uma exigência dos 
sistemas de ensino e da realidade escolar na 
busca da melhoria na qualidade de ensino. 
Dessa forma, o planejamento deve ser feito em 
coletivo, levando em consideração a realidade 
cultural na qual a escola está inserida, docentes e 
coordenadores deverão caminhar juntos de mãos 
dadas visando superar os desafios, articulando 
ações que fortaleçam as práticas pedagógicas, 
que promovam a autonomia e a criatividade, 
pois só assim alcançará os objetivos propostos. 
Como diz FREIRE, (2000), Coordenador é um 
educador e, como tal, deve estar atento ao caráter 
20 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
pedagógico das relações de aprendizagem no 
interior da escola. 
Destacamos ainda a visão de Perrenoud ao 
indicar que o educador deve ser detentor de 
uma série de competências trabalhadas desde 
o início da sua formação. 
PERRENOUD, (2000, p.15), afirma que, 
“A noção de competência designa aqui uma 
capacidade de mobilizar diversos recursos 
cognitivos para enfrentar um tipo de situação”. 
E apresenta uma lista de (10) dez competências 
necessárias aos docentes para ensinar com base 
na sua teoria. São elas: 
■ Organizar e dirigir situações de aprendizagem 
– Planejar projetos didáticos, envolver os 
alunos nessas atividades e saber lidar com 
erros e obstáculos. 
■ Administrar a progressão das aprendizagens 
– Conhecer o nível e as possibilidades 
de desenvolvimento dos alunos, além de 
acompanhar sua evolução e estabelecer 
objetivos claros de aprendizagem. 
■ Conceber e fazer evoluir os dispositivos 
de diferenciação – Trabalhar com a 
heterogeneidade, oferecer acompanhamento 
adequado a alunos com grande dificuldade 
de aprendizagem e desenvolver o trabalho 
em equipe. 
■ Envolver os alunos em suas aprendizagens 
e em seu trabalho – Instigar o desejo da 
aprendizagem nos alunos, integrá-los nas 
decisões sobre as aulas e oferecer a eles 
atividades opcionais. 
■ Trabalhar em equipe – Elaborar projetos 
em equipe com a turma e com outros 
professores, trocar experiências e colaborar 
com outras atividades promovidas pela 
escola. 
■ Participar da administração da escola – 
Elaborar e disseminar projetos ligados à 
instituição, além de incentivar os alunos a 
também participarem dessas atividades. 
■ Informar e envolver os pais – Promover 
reuniões frequentes e envolver as famílias 
na construção do saber. 
■ Utilizar as novas tecnologias – Conhecer 
as potencialidades didáticas de diferentes 
recursos tecnológicos. 
■ Enfrentar os deveres e os dilemas éticos 
da profissão – Lutar contra preconceitos 
e discriminações, prevenir a violência e 
desenvolver o senso de responsabilidade. 
■ Administrar sua própria formação 
continuada – Estabelecer um programa 
pessoal de formação continuada e participar 
de grupos de debate com colegas de 
profissão. 
Neste contexto fica evidenciado que 
para conseguir o êxito necessário de uma 
aprendizagem focada no desenvolvimento do 
aluno, vislumbrando a aprendizagem de todos 
e ser o produto de uma discussão que envolva 
toda a comunidade escolar, o docente não pode 
abrir mão do planejamento. O docente precisa 
organizarsuas ideias de forma substancial para 
desenvolver habilidades, atitudes e competências 
em todos os envolvidos, inclusive em si mesmo 
e para tanto, planejar é o primeiro passo para 
o sucesso de sua atuação. 
21Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
3 RESULTADOS
Partindo desta premissa, concluímos 
que o planejamento é indispensável no 
processo educacional, sendo fundamental 
no processo ensino aprendizagem. Na visão 
de VASCONCELLOS, (2000, p. 79), o 
planejamento é compreendido de várias formas: 
O planejamento enquanto construção-
transformação de representações é 
uma mediação teórica metodológica 
para ação, que em função de tal 
mediação passa a ser consciente 
e intencional. Tem por finalidade 
procurar fazer algo vir à tona, fazer 
acontecer, concretizar, e para isto é 
necessário estabelecer as condições 
objetivas e subjetivas prevendo o 
desenvolvimento da ação no tempo. 
Assim, faz se necessário que todos os envolvidos 
internalizem que o ato de planejar, visa à 
integração do indivíduo com a sociedade 
buscando realizações de ações articuladas 
dentro de um processo teórico-metodológico. A 
aprendizagem escolar é uma atividade planejada, 
intencional e dirigida, não é algo casual, sendo 
fundamental para orientar e direcionar toda e 
qualquer atitude da pratica pedagógica.
Através desta pesquisa é possível perceber 
que o plano de aula é realmente importante 
na prática pedagógica dos docentes como 
organizador e norteador do seu trabalho e os 
mesmos deverão quebrar o paradigma de que 
o planejamento é um ato simplesmente técnico 
e passar a se questionarem sobre o tipo de 
cidadão que pretendem formar, analisando a 
sociedade na qual ele está inserido, bem como 
suas necessidades para se tornar atuante nesta 
sociedade. 
 Para LUCKESI, (2001, p.108), “O planejamento 
não será nem exclusivamente um ato político-
filosófico, nem exclusivamente um ato técnico; 
será sim um ato ao mesmo tempo político-
social, científico e técnico”. Dessa forma, o 
planejamento deve ser muito bem pensado ao 
ser formulado visando sempre à transformação 
da sociedade e sua credibilidade e seu valor 
jamais poderão ser dispensados. 
E dentro desta perspectiva, de que o 
planejamento é essencial no contexto escolar, 
todos os envolvidos deverão internalizar com 
convicção de que o planejamento é fundamental 
na prática educativa e deverão compreender 
ainda, que o plano é um documento utilizado 
para o registro de decisões do que se pensa em 
fazer, como fazer, quando fazer, com que fazer, 
com quem fazer e para existir plano é necessária 
à discussão sobre fins e objetivos, culminando 
com a definição dos mesmos, seguindo esta 
linha de raciocínio certamente os resultados 
no processo ensino aprendizagem serão mais 
proveitosos em todos os sentidos e contribuirá 
de forma significativa para a formação social 
do homem.
22 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
REFERÊNCIAS
COARACY, Joana. O planejamento como processo. 
Revista Educação. 4º Ed., Brasília, 1972.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: 
Paz e Terra, 2000. 
GANDIN, Danilo. A prática do planejamento 
participativo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. 
LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da 
escola: teoria e prática. Editora Alternativa, Goiânia, 
2001. 
LIBÄNEO, José Carlos. Didática. 21ª. São Paulo: 
Cortez, 1994. 
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da 
aprendizagem escolar: estudos e preposições. 11 ed. 
São Paulo: Cortez, 2001. 
MENEGOLLA, Maximiliano. SANT’ANNA, Ilza 
Martins. Por que Planejar? Como Planejar: currículo 
- área - aula. 2ª edição. Petrópolis: Vozes, 1998. 
PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: 
como construir o projeto político-pedagógico da escola. 
4ª Ed. São Paulo: Cortez, 2003. 
PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências 
para ensinar. Artmed, Porto Alegre, 2000. 
SARULBI, Maria Irma. Curriculum. Buenos Aires. 
Stella, 1971. 
VASCONCELLOS, Celso dos S. Planejamento: 
Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-
Pedagógico. 7º Ed. São Paulo, 2000. 
24 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
Este artigo analisou a atuação do Coordenador Pedagógico na formação dos 
professores de Educação Profissional. Seu objetivo foi identificar quais são 
as reais necessidades formativas deste grupo e definir boas estratégias para 
potencializar seu repertório a favor da aprendizagem dos alunos. O texto 
aborda as principais dificuldades enfrentadas na perspectiva do docente, 
do Coordenador e da Instituição, utilizando dados obtidos em pesquisa 
aplicada em duas Unidades Operacionais do SENAI-SP. Também propõe 
a redefinição do papel do Coordenador enquanto profissional que deve 
garantir a interlocução dos processos escolares que envolvem as necessidades 
do público atendido, a formação do professor e as exigências institucionais. 
Palavras-chave: Formação Docente. Educação Profissional. Coordenador 
Pedagógico. 
***
1 Pós-Graduada 
em Gestão 
Educacional, 
e-mail: adriana.
sumiya@sp.senai.
br 
2 Pós-Graduada 
em Gestão 
Escolar, e-mail: 
dmilitello@
sp.senai.br 
***
A FORMAÇÃO DOCENTE NO CENTRO 
DA ATUAÇÃO DO COORDENADOR 
PEDAGÓGICO 
 Adriana Akiko Sumiya Sampaio de Queiroz1
Denise Oetterer Arruda Militello2
25Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
Este artigo pretende discutir as possibilidades de 
atuação do Coordenador Pedagógico enquanto 
formador do corpo docente, colocando a 
formação do professor como ponto central de 
sua atividade profissional. 
O Coordenador é o grande responsável por 
articular a proposta pedagógica da escola e 
garantir a execução dos processos que envolvem 
desde o relacionamento com a comunidade 
escolar até o desenvolvimento do ensino e da 
aprendizagem. 
No cotidiano do seu trabalho permeado de 
muitas “urgências”, a formação do professor, que 
deveria ser sua principal atividade, muitas vezes 
se perde no meio das inúmeras demandas que 
surgem e o desviam de seu papel fundamental. 
Embora isto seja um problema em todas as 
esferas educacionais, não cuidar da formação 
do docente da educação profissional é um 
problema ainda maior, uma vez que, grande 
parte dos docentes deste nível de ensino têm 
boa formação científica, mas pouca formação 
didática. Entender as necessidades formativas 
destes docentes e garantir o aprimoramento 
da prática pedagógica tem impacto direto 
na qualidade do ensino à medida que faz os 
alunos avançarem. Para embasar o estudo, foi 
realizada uma pesquisa junto a docentes de duas 
Unidades Operacionais do SENAI-SP, além 
de outros dados colhidos pelas Coordenadoras 
Pedagógicas das referidas Unidades. 
2 O PAPEL DO COORDENADOR 
PEGAGÓGICO
Entre as principais atividades do Coordenador 
Pedagógico descritas pelo Código Brasileiro 
de Ocupações, estão: “implementar, avaliar, 
coordenar e planejar o desenvolvimento 
de projetos pedagógicos/instrucionais nas 
modalidades de ensino presencial e/ou a 
distância, aplicando metodologias e técnicas para 
facilitar o processo de ensino e aprendizagem”. 
Embora este texto da CBO coloque o processo 
educacional como ponto central da atuação 
deste profissional, na prática cotidiana das 
escolas, os Coordenadores tem muitas outras 
atribuições advindas de demandas urgentes 
designadas pela direção e outros envolvidos. 
Imerso nesta gama de atividades, nem sempre 
este profissional consegue cuidar da formação 
docente. 
A Fundação Victor Civita, em parceria com a 
Fundação Carlos Chagas e o Ibope Inteligência,realizou uma pesquisa entre março de 2010 e 
março de 2011 para identificar características, 
percepções e opiniões dos Coordenadores 
Pedagógicos brasileiros, além de traçar um perfil 
desse profissional, entendendo sua relação com 
a Educação. 
O levantamento que ouviu 400 profissionais de 
diferentes regiões do Brasil, revelou que 72% dos 
Coordenadores ex executam atividades como 
acompanhar a entrada e saída de alunos e apenas 
26 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
19% conseguem atender individualmente aos 
professores. 
Com relação à referida pesquisa, Serpa e Lopes 
(2011, p.6), declaram que: 
Os motivos que levam o coordenador 
pedagógico a não desempenhar 
bem seu principal papel passam pela 
variedade de demandas que chegam 
às suas mãos e pela falta de identidade 
profissional bem definida, que faz com 
que ninguém (nem o próprio) tenha 
clareza sobre o que é responsabilidade 
dele e o que deve ser delegado. 
Desprovido de certezas, ele vai 
escolhendo o que fazer ou não, no dia 
a dia, durante o exercício da função. 
Para transformar este cenário é fundamental 
investir na formação adequada do Coordenador 
Pedagógico. 
A Graduação em Pedagogia não prepara 
este profissional para executar as funções de 
Coordenador e não favorecer a compreensão 
das práticas necessárias para ser um formador. 
Embora ainda não haja um curso de formação 
específica para esta atividade, atualmente 
há opções de formação continuada nesta 
área promovidas por entidades privadas 
que contribuem para repensar o perfil deste 
profissional e ampliar seu repertório de trabalho 
enquanto formador de formadores. 
2.1 Atuação do Coordenador 
Pedagógico na Educação 
Profissional
O contexto de trabalho do Coordenador 
Pedagógico na Educação Profissional não 
difere das características apresentadas em outras 
modalidades de ensino. No entanto, o grupo de 
docentes com o qual trabalha tem características 
específicas. 
A expansão da educação profissional no Brasil 
trouxe consigo o entendimento de que tal 
modalidade envolve processos educacionais 
que requerem o desenvolvimento de didáticas 
para atender suas especificidades, elevando 
assim a exigência de formação dos docentes 
que atuarão na área. 
É fundamental que seja promovida a reflexão 
sobre a prática docente, já que, não basta 
mais adotar o padrão de que dominar uma 
habilidade técnica é suficiente para ensiná-
la. Os professores da educação profissional 
precisam formar pessoas para atender às novas 
exigências do mundo do trabalho, que exige dos 
profissionais competências fundamentais como 
autonomia, pensamento crítico, capacidade de 
tomar decisões, entre outros. 
Nesse cenário não há mais espaço para o 
ensino centrado na mera transmissão de 
conhecimentos. 
Uma iniciativa do SENAI-SP que veio ao 
encontro desta necessidade de capacitação 
pedagógica do docente foi o PROEDUCADOR. 
Este Programa possibilitou o treinamento de 
grande parte dos docentes e equipe de apoio na 
Metodologia SENAI de Educação Profissional 
(MSEP). Das duas Unidades Operacionais 
abordadas neste Artigo, 85,7% dos docentes 
atuais realizaram capacitação em relação à 
Metodologia. 
No entanto, o acompanhamento da atuação dos 
professores tem demonstrado que a formação 
oferecida pelo curso não é suficiente para que 
os docentes desenvolvam suas aulas com pleno 
domínio da Metodologia SENAI de Educação 
Profissional. 
27Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
O curso fundamenta a base metodológica e 
sua compreensão global, mas a apropriação 
da mesma se dá na reflexão permanente e na 
troca contínua de experiência entre docentes 
e Coordenação sobre seu uso no cotidiano. 
Portanto, é fundamental que a Coordenação 
Pedagógica esteja constantemente reforçando 
os conceitos da MSEP e disponibilizando 
diferentes treinamentos pedagógicos ao corpo 
docente. 
Este é um dos desafios enfrentados pelos 
Coordenadores, pois a tendência natural é 
que os docentes se interessem e solicitem mais 
treinamentos na parte técnica. 
Um exemplo, é a quantidade de horas de 
treinamentos técnico e pedagógico realizados no 
ano de 2015 na primeira Unidade Operacional 
pesquisada: das 691 horas de treinamentos, 
apenas 76 destas foram voltadas a questões 
pedagógicas, ou seja, 89% das horas dedicadas a 
treinamentos estão relacionadas à parte técnica. 
Na segunda Unidade Operacional, das 1.060 
horas de treinamentos realizados em 2015, 496 
horas foram destinadas à formação pedagógica. 
Considerando o contexto das escolas envolvidas, 
entendemos que cabe ao Coordenador 
Pedagógico planejar as atividades formativas 
de seu grupo de professores, articulando 
as necessidades individuais de formação e 
aperfeiçoamento nas competências necessárias 
às demandas da unidade e institucionais. 
2.2 Especificidades da 
formação docente para atuar 
na Educação Profissional 
O docente da Educação Profissional, em 
geral, possui uma formação técnica bastante 
aprimorada e experiência prática na indústria. 
Porém, a formação pedagógica nem sempre é 
priorizada por este profissional. 
Para embasar esta análise, realizou-se uma 
pesquisa com os docentes das referidas Unidades 
Operacionais e os resultados serão apresentados 
a seguir: 
Quadro 1: População pesquisada - 42 docentes
Modalidade de atuação no SENAI-SP Percentual de Docentes 
Aprendizagem Industrial 33% 
Educação Profissional Técnica 45% 
Curso Superior de Tecnologia 14% 
Pós-Graduação 8% 
Fonte: dos Autores (2016)
28 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
45%
35%
FORMAÇÃO PEDAGÓGICA DOS DOCENTES
PESQUISADOS
Sim Não
Fonte: dos Autores (2016)
Dentre os 45,2% que possuem alguma formação 
pedagógica, 57,1% afirmam que esta formação 
foi decorrente de indicação da Instituição e os 
demais por projeto pessoal de formação. 
Porém, ao serem questionados sobre quais 
conhecimentos precisam ter para ajudar seus 
alunos no processo de aprendizagem, 90% 
citam conhecimentos pedagógicos como 
fundamentais. 
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Considerando os contínuos avanços tecnológicos 
que refletem diretamente no mundo do 
trabalho e na educação profissional, é certo 
que os professores precisam permanentemente 
encontrar novas formas de ensinar. 
Quais são então as reais necessidades formativas 
dos professores da Educação Profissional 
para que desempenhem sua atividade com 
sucesso mediante os desafios impostos pela 
contemporaneidade? 
Buscando respostas para esta questão central, 
os resultados da pesquisa confirmaram que os 
próprios professores reconhecem e valorizam 
a formação didática como conhecimento 
fundamental para o exercício da atividade 
educacional. 
29Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Uma das perguntas da pesquisa se referia aos contextos e experiências formativas que contribuem 
para a formação docente, além da própria busca pelo conhecimento. Vejamos a seguir:
Outros
Reuniões Pedagógicas
Seminários sobre educação
Socialização
Cursos institucionais
Experiência profissional
Formação Continuada
1
0 10 20 30 40
Contribuição de contextos e
experiências formativas
na formação do professor
Fonte: dos Autores (2016)
O resultado mostra que os três contextos mais 
significativos para a formação docente na opinião 
dos professores envolvidos são respectivamente: 
experiência profissional, cursos institucionais e 
reuniões pedagógicas. 
Antônio Nóvoa, pesquisador do tema, entende 
que
“A formação não se constrói 
por acumulação de cursos, de 
conhecimentos ou de técnicas, 
mas sim através de um trabalho de 
reflexividade crítica sobreas práticas 
e de (re)construção permanente de 
uma identidade pessoal. Por isso, é 
tão importante investir a pessoa e dar 
um estatuto ao saber da experiência”. 
(Nóvoa, 1995:21). 
Acreditamos que o docente é sujeito do 
conhecimento e co-responsável pela sua própria 
formação, mas concordamos com a ideia de 
Nóvoa, quando enfatiza que é no cotidiano 
escolar que o professor constrói sua formação 
permanente, ao discutir sobre os problemas 
comuns de seu universo real poderá encontrar 
respostas junto com seus pares. 
Portanto, a prática pedagógica deve ser tema 
contínuo de reflexão cujo sentido se fortalece 
na discussão coletiva. 
Entendemos que estamos no caminho certo, já 
que, institucionalmente, o SENAI adota práticas 
de formação de seu quadro de professores, ação 
reconhecida por eles como importante para 
sua atuação. 
O resultado da pesquisa também revela 
que a reunião pedagógica é apontada pelos 
entrevistados como a terceira fonte que mais 
contribui para sua formação. 
Isso corrobora com o ponto central deste artigo: 
o papel do Coordenador Pedagógico enquanto 
formador de formadores. 
30 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Na condição de formador, que estratégias o 
Coordenador pode planejar para contribuir com 
a permanente formação de seus professores nas 
reuniões pedagógicas ou no acompanhamento 
da ação docente? 
Se a formação técnica dos docentes da Educação 
Profissional é bastante sólida e continuamente 
fortalecida, uma ação fundamental da formação 
deve ser colocar em pauta a reflexão do professor 
sobre a própria prática, sobre a forma como ele 
comunica o que sabe aos alunos. Mas o que 
significa formar um professor para que ele se 
torne mais apto a refletir na e sobre a prática? 
Apresentaremos brevemente a proposta 
baseada nos estudos de Donald Schön (1995), 
considerado um dos autores importantes que 
tratam da reflexão nas reformas educacionais 
ocorridas nas décadas de 1980 e 1990 em 
diversos países. 
Schön afirma que deve haver o que chama de 
“homologia de processos” entre as situações 
formativas dos professores e dos alunos. Isso 
siginifica que, se entendemos que nossos alunos 
devem ser protagonistas ativos na construção 
do conhecimento no processo de aprendizagem, 
precisamos enxergar o docente na mesma 
perspectiva, como sujeito ativo de sua própria 
aprendizagem. Tal ação se concretizará no 
planejamento de situações formativas em que 
os professores não sejam colocados apenas para 
ler e ouvir sobre as teorias de aprendizagem, mas 
também para agirem sobre ela, questionando-a, 
iluminando sua prática. 
A leitura de textos educacionais em reuniões 
pedagógicas por si mesma não dá conta de 
transformar a prática real de sala de aula ou as 
atitudes dos professores. 
As práticas formativas devem prever a elaboração 
de um Projeto de Formação, abandonando a 
perspectiva de curto prazo que não permite 
aprofundar conhecimento. É fundamental 
deixar de lado o foco na transmissão de 
conhecimentos, deslocando-o para problemas 
a resolver, exatamente como nas situações 
de aprendizagem desafiadoras propostas aos 
alunos. 
A homologia de processos deve se aplicar 
ao plano de formação, ou seja, as pautas 
dos encontros formativos propostas pelo 
Coordenador Pedagógico devem ter relação 
com o planejamento de atividades desenvolvidas 
pelo professor. Todas essas situações de ensino 
e de aprendizagem devem ser pautadas por 
princípios e valores usados no ensino dos 
alunos: a escuta, o levantamento de hipóteses, 
a construção ativa do conhecimento e a troca 
com os pares. 
Acreditamos que uma proposta de formação 
docente pautada na homologia de processos 
pode garantir a permanente reflexão crítica 
sobre o próprio trabalho e consequentemente o 
fortalecimento da atuação do professor em sala 
de aula. Sendo assim, esta formação pedagógica, 
parte fundamental para a qualidade do ensino, 
fica a cargo da Coordenação Pedagógica. 
31Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016

4 CONCLUSÃO
Este Artigo apresentou o perfil do docente da 
educação profissional e mostrou que, apesar 
dos docentes terem ciência da importância 
da formação pedagógica, isto não reflete nos 
treinamentos que buscam. 
Os estudos realizados acerca da temática 
da formação docente demonstraram que os 
docentes da Educação Profissional possuem 
um bom embasamento técnico, com constante 
reciclagem de seus conhecimentos. 
Porém, em relação à formação pedagógica, a 
realidade é bem diferente. Grande parte dos 
profissionais, apesar de afirmarem ter ciência 
da importância de uma formação pedagógica, 
isto não reflete na busca de formação. 
Neste sentido, pôde-se evidenciar o papel 
fundamental do Coordenador Pedagógico 
como orientador de um itinerário formativo 
que garanta o desenvolvimento de capacidades 
pedagógicas nos docentes e a constante evolução 
das mesmas, visando a melhoria do processo de 
ensino e de aprendizagem. Este é um desafio a ser 
enfrentado pelo Coordenador Pedagógico, que 
deve fazer a gestão de suas atividades de forma 
a assegurar a priorização do acompanhamento 
docente. 
No Artigo também discutiu-se as diversas 
demandas que o Coordenador Pedagógico 
possui, mas consciente que o centro de sua 
atuação deve ser a formação docente, ele deve 
concentrar esforços para garantir que isto seja 
realizado com todo corpo docente. 
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Laurinda Ramalho de; PLACCO, Vera 
Maria Nigro de Souza. O papel do coordenador 
pedagógico. Revista educação. Disponível em: <http://
zip.net/bptvdl/>. Acesso em: 04 ago. 2016. 
GARCIA, C.M. Formação de professores – Para uma 
mudança educativa. Portugal: Porto Editora, 1999. 
GOMES, Heloísa Maria. MARINS, Hiloko Ogihara. 
A ação docente na educação profissional. São Paulo: 
Editora Senac-São Paulo,2004. 
NÓVOA, Antônio.(org.).Os professores e sua 
formação. Portugal, Dom Quixote:1995. 
SERPA, Dagmar; LOPES, Noemia. Os caminhos 
da coordenação pedagógica e da formação de 
professores. In Revista nova Escola – Gestão Escolar. 
Edição especial, Editora Abril, jun. 2011. 
VICTOR CIVITA. O coordenador pedagógico 
como formador: três aspectos para considerar. 16ª 
Edição do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10.
32 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
O presente estudo tem como principal objetivo o aperfeiçoamento dos 
trabalhos dos coordenadores pedagógicos da Instituição SENAI e procurará 
responder a seguinte questão: como deve ser o aperfeiçoamento do trabalho 
da coordenação pedagógica do SENAI? Além do objetivo geral, foram 
apontados os seguintes objetivos específicos: desenvolver estratégias de 
aperfeiçoamento que favoreçam a prática pedagógica do coordenador; 
capacitar os docentes para a utilização do método mais eficaz de solução 
de problemas; desenvolver, a partir da pesquisa, um método que integre 
o planejamento e a prática do coordenador. O perfil profissional é um 
dos marcos de referência que expressa as competências profissionais que 
subsidiam o planejamento e o desenvolvimento das ofertas formativas. Com 
base nisso é necessário que o profissional saiba realizar o que é determinado 
para ele no campo profissional bem como saber executar suas tarefas com 
dinamismo e conhecimento do que realiza. 
Palavras-chave: Aperfeiçoamento. Planejamento. Prática. 
***
1 Licenciada em 
Pedagogia pela 
Universidade 
de Passo 
Fundo – Santa 
Catarina, e-mail: 
crisrosajuina@
gmail.com
2 Licenciada em 
Pedagogia pela 
Universidade 
Federal de 
Mato Grosso, 
e-mail: educacao.
senairoo@
senaimt.com.br
***
APERFEIÇOAMENTO DA 
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DO 
SENAI: PLANEJAMENTO E PRÁTICA
Cristiane da Rosa1
KeylaLyane Silva do Prado2
33Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
Os coordenadores pedagógicos do SENAI fazem 
a diferença na instituição e são responsáveis 
por articular toda a organização de início, 
desenvolvimento e término dos cursos, são eles 
que elegem os educadores, sempre de olho no 
potencial e capacidade de cada um, visando a 
qualificação e satisfação dos estudantes. Estão 
sempre presentes acompanhando o desempenho 
dos educandos. São também, os responsáveis 
pela garantia da qualidade na execução dos 
cursos. 
Existe uma grande preocupação com a 
capacitação constante dos profissionais que 
trabalham diretamente na área da educação 
e SENAI busca sempre qualificar e capacitar 
através de cursos, fóruns, congressos, formações, 
todos seus pedagogos e instrutores para 
que o trabalho possa ser cada dia melhor, 
correspondendo às expectativas dos estudantes 
conforme as demandas da indústria. Dentro 
desta política o SENAI capacita e prepara os 
trabalhadores da indústria para um mercado de 
trabalho cada vez mais competitivo.
Esta pesquisa procurará responder à seguinte 
questão: como deve ser o aperfeiçoamento 
dos trabalhos da coordenação pedagógica do 
SENAI? 
O objetivo geral deste estudo é: Investigar 
estratégias para promover o aperfeiçoamento da 
atuação da coordenação pedagógica do SENAI, 
apoiando os docentes na realização de suas 
atividades do cotidiano escolar. 
As Unidades Operacionais do SENAI ao 
implantar o projeto de pesquisa e as potenciais 
intervenções que o mesmo possa suscitar, 
contribuirá sobremaneira no cumprimento da 
missão e dos objetivos estratégicos da instituição. 
Assim sendo, o presente estudo justifica-se por 
ser um instrumento que servirá de base para 
melhor estruturar a educação profissional. 
2 METODOLOGIA SENAI DE EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL
Podemos definir metodologia como o ato de 
procurar métodos para desenvolver os trabalhos 
ou atividades no ambiente educativo. Para o 
SENAI esse método tende a respeitar alguns 
princípios fundamentais para execução dos 
trabalhos e planejamentos. 
Podemos destacar três aspectos fundamentais 
para o bom desenvolvimento das atividades 
como: perfil do profissional; desenho curricular 
e prática docente. 
Definiremos cada uma, seguindo sua importância 
para uma metodologia que vise o conhecimento 
integral mais eficaz aproveitando a vivência e 
seus conhecimentos prévios. O profissional 
que trabalha na unidade SENAI necessita ter 
como base esses pilares para que a aplicação da 
metodologia seja melhor desenvolvida. 
Perfil Profissional é um dos marcos de referência 
que expressa as competências profissionais que 
subsidiam o planejamento e o desenvolvimento 
das ofertas formativas. Com base nessa ideia 
34 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
levantada é necessário que o profissional saiba 
realizar a tarefa que é determinada para o 
mesmo no campo profissional, saber executar 
suas tarefas com dinamismo e conhecimento 
do que realiza como tarefa. 
Podemos destacar ainda a formação 
profissional, cujo docente se qualifica para 
executar seus trabalhos em sala de aula, 
alcançando as competências necessárias para 
o desenvolvimento das suas atividades. 
Os Perfis Profissionais propõem que é 
necessário o trabalhador saber que a qualificação 
profissional compreende o processo ou o 
resultado de formação e desenvolvimento de 
capacidades para alcançar as competências de 
um determinado Perfil Profissional definido no 
mercado de trabalho. De acordo com SENAI 
(2013)
“toda qualificação Profissional deve 
corresponder a um Perfil Profissional 
extraído do mercado de trabalho, 
representando uma ocupação 
completa e constituindo-se em 
resposta coerente às necessidades 
presentes e futuras do setor 
correspondente e do mundo do 
trabalho;ser nomeada e descrita de 
forma coerente com a realidade do 
mundo do trabalho, representando o 
perfil do trabalhador de determinada 
ocupação, considerando as demandas 
atuais e futuras do segmento; 
possuir um campo profissional de 
referência suficientemente amplo, 
favorecendo a inserção e a mobilidade 
do trabalhador nos diferentes 
contextos de trabalho, considerando 
as características e vocações 
regionais e os diferentes processos 
produtivos das empresas;guardar 
equilíbrio entre polivalência e 
especialização,respeitando o enfoque 
e as especificidades da ocupação e os 
princípios da classificação da educação 
profissional em seus diferentes níveis e 
modalidades”. 
Uma educação de qualidade deve propiciar 
ao aluno uma progressividade do domínio 
dos fundamentos Técnicos e Científicos 
e das Capacidades Técnicas relativas à área 
profissional em que atua ou pretende atuar, 
assim como o desenvolvimento de Capacidades 
Sociais, Organizativas e Metodológicas, como 
comunicação, autonomia e criatividade. 
Educação profissional é a aquisição desses 
fundamentos e capacidades, que esteja atenta 
ao contexto social brasileiro e à nova realidade do 
mundo do trabalho, preparando o profissional 
para compreender as bases gerais técnicas, 
científicas e socioeconômicas da produção 
em seu conjunto, analisando e planejando 
estratégias e respondendo à situações novas 
num trabalho cooperativo e autônomo. 
Depois de analisar o perfil profissional, entra em 
cena o Desenho Curricular que deve possibilitar 
o desenvolvimento das capacidades traduzidas 
do Perfil Profissional à luz de uma proposta de 
educação profissional delineada com o objetivo 
de formar o trabalhador-cidadão, capaz de atuar 
de forma participativa, crítica e criativa, com 
mobilidade e flexibilidade na vida profissional 
e social. 
Podemos dizer que o desenho curricular deve 
ser implementado nas escolas do SENAI por 
meio de uma prática docente diferenciada e 
inovadora, devidamente apoiada e orientada 
pela equipe técnico-pedagógica, que considere 
no processo educacional os novos desafios 
impostos pela sociedade em transformação. 
Os docentes devem proporcionar situações 
de aprendizagem que sejam planejadas, 
desenvolvidas e avaliadas com o propósito 
de instigar os alunos a desenvolverem o 
raciocínio lógico e a autonomia no processo 
de aprendizagem, aprendendo a lidar com novas 
35Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
e inesperadas situações para a resolução dos 
problemas. 
Com base nos desafios apresentados definimos 
as Situações de Aprendizagem, que devem ser 
contextualizadas, ter valor sociocultural, evocar 
saberes, estimular criatividade e mobilizar a 
solução de problemas, a testagem de hipóteses 
e a tomada de decisão, desenvolvendo no aluno 
as capacidades que sustentam as competências 
definidas no Perfil Profissional. 
Entende-se por Situações de Aprendizagem 
um conjunto de ações que planejadas 
pedagogicamente favorecem aprendizagens 
significativas, por meio da utilização de 
Estratégias de Aprendizagem Desafiadoras 
como situação-problema, estudo de casos, 
projeto e pesquisa aplicada. 
Começamos com a situação-problema que é 
uma Estratégia de Aprendizagem Desafiadora 
que apresenta ao aluno uma situação real ou 
improvável, de ordem teórica e prática, própria 
de uma determinada ocupação e dentro de um 
contexto que a torna altamente significativa. Sua 
hipótese deve envolver elementos relevantes na 
caracterização de um desempenho profissional, 
levando o aluno a mobilizar conhecimentos, 
habilidades e atitudes na busca de soluções para 
o problema proposto. (SENAI, 2013) 
Para Pozo (1998) existem doze passos para a 
elaboração de uma situação-problema, que é 
dividida da seguinte forma: 
■ Propor tarefas abertas que admitam vários 
caminhos possíveis de resolução, evitandoas tarefas fechadas. 
■ Modificar o formato ou a definição dos 
problemas, evitando que o aluno identifique 
uma forma de apresentação com um tipo 
de problema.
■ Diversificar os contextos nos quais se propõe 
a aplicação de uma mesma estratégia, 
fazendo com que o aluno trabalhe os 
mesmos tipos de problemas em diferentes 
momentos do currículo, diante de conteúdos 
conceituais diferentes. 
■ Propor tarefas não só com um formato 
acadêmico, mas também dentro de cenários 
cotidianos e significativos para o aluno, 
procurando fazer com que ele estabeleça 
conexões entre ambos os tipos de situações. 
■ Adequar a definição do problema, as 
perguntas e a informação proporcionada 
aos objetivos da tarefa, usando, em diferentes 
momentos, formatos mais ou menos abertos, 
em função desses mesmos objetivos. 
■ Usar os problemas com fins diversos durante 
o desenvolvimento ou sequência didática de 
um tema, evitando que as tarefas práticas 
apareçam como ilustração, demonstração 
ou exemplificação de alguns conteúdos 
previamente apresentados ao aluno. 
■ Habituar o aluno a adotar as suas próprias 
decisões sobre o processo de resolução, 
dando-lhe autonomia crescente na tomada 
de decisões. 
■ Fomentar a cooperação entre os alunos 
na realização das tarefas, mas também 
incentivar a discussão e os pontos de 
vista diversos, que obriguem a comparar 
as soluções ou caminhos de resolução 
alternativos. 
■ Proporcionar aos alunos a informação de que 
precisarem durante o processo de resolução, 
realizando um trabalho de apoio, dirigido 
mais a fazer perguntas ou a fomentar neles o 
hábito de perguntar-se do que a dar resposta 
as suas perguntas. 
36 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
■ Depois terminamos com a avaliação do 
problema que é dividida em três sugestões 
a serem seguidas. 
■ Avaliar mais os processos de resolução 
desenvolvidos pelo aluno do que a correção 
final da resposta obtida. 
■ Valorizar especialmente se o processo de 
resolução envolveu um planejamento prévio, 
uma reflexão durante a realização da tarefa 
e uma autoavaliação do aluno. 
■ Valorizar a reflexão e a profundidade das 
soluções alcançadas pelos alunos e não a 
rapidez com que são obtidas. 
De acordo com o autor Perrenoud (1999), a 
Situação Problema deve provocar desequilíbrio 
no aluno e motivá-lo a buscar soluções inusitadas 
e novos conhecimentos. Ou seja, fazer com que 
o aluno encontre alternativas para tentar sanar 
supostos problemas, que não sejam expostos 
pelo docente. 
Após a Situação Problema vem o estudo de 
caso que é uma Estratégia de Aprendizagem 
Desafiadora que se caracteriza pela apresentação 
de um fato ou um conjunto de fatos, reais 
ou fictícios, que compõem uma situação 
problemática, com a sua respectiva solução. Tal 
atividade propicia ao aluno a análise do contexto 
apresentado, da problemática evidenciada e da 
solução dada. (SENAI, 2013) 
O docente deve apresentar a situação problema 
para os alunos com intuito de procurarem 
respostas para solução deste, avaliando as 
estratégias seguidas pelos alunos. 
Segundo Lüdke e André (1986) o estudo de 
caso deve seguir os seguintes objetivos; visar 
a descoberta, enfatizar a interpretação em 
contexto, buscar retratar a realidade de forma 
completa e profunda, usar uma variedade de 
fontes de informação, revelar experiências que 
permitem generalizações, procurar representar 
os diferentes pontos de vista presentes numa 
situação e por fim utilizar uma linguagem e 
uma forma de apresentação mais acessível, como 
a comunicação oral, os registros em vídeo, as 
fotografias, os desenhos, os slides, entre outros. 
Com base nos objetivos dos autores podemos 
elaborar uma resolução significativa dos 
problemas levantados. Entretanto, existe 
também a o projeto a ser executado. 
O projeto é a explicitação de um conjunto de 
ações planejadas, executadas e controladas com 
objetivos claramente definidos, dentro de um 
período limitado de tempo, com início e fins 
estabelecidos. Caracteriza-se pela flexibilidade 
e abertura ao imprevisível, podendo envolver 
variáveis e conteúdos não identificados a priori 
e emergentes no processo. (SENAI, 2013) 
O projeto deve integrar teoria e prática 
e pode visar à construção de algo palpável, 
como o desenvolvimento de um exemplo a ser 
seguido. De acordo com a visão do SENAI o 
Projeto pode ser integrador, proporcionando 
interdisciplinaridade dos conteúdos formativos 
abordados nas diversas Unidades Curriculares 
de um ou mais módulos. 
Todo e qualquer projeto precisa de um 
planejamento inicial que considere a definição 
clara de seus objetivos, a análise dos recursos 
necessários, a facilidade para se conseguir 
tais recursos (sejam materiais, financeiros 
ou humanos), o tempo para a realização das 
atividades planejadas, os riscos envolvidos, bem 
como a forma de monitorar as etapas propostas. 
Ao finalizar todas as atividades desenvolvidas 
para solucionar o problema levantado, temos 
a pesquisa aplicada, a mesma é solicitada pelo 
docente com o objetivo de oportunizar ao 
aluno o conhecimento e o aprofundamento das 
37Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
diferentes contribuições científicas disponíveis 
sobre determinado tema. 
O aluno deve recorrer à leitura, à análise e à 
interpretação de materiais diversos, como livros, 
textos, periódicos, artigos, documentos, mapas, 
entre outros, disponíveis em ambientes físicos 
e virtuais, pois a pesquisa em fontes diversas é 
uma estratégia de aprendizagem extremamente 
importante para a formação do aluno, pois 
amplia o seu domínio conceitual ao favorecer 
o acesso e o confronto entre as informações 
coletadas a respeito de um assunto específico. 
(SENAI, 2013) 
Todo e qualquer processo de resolução de 
problemas específicos, tende a seguir parâmetros 
que vêm ajudar o pesquisador a solucionar 
a tese levantada, com base em tudo que foi 
estudado essas divisórias de atividades e práticas 
pedagógicas são de suma importância para o 
bom andamento das metodologias utilizadas 
pelo docente em sala de aula. 
Conhecer todos mecanismos que compõe a 
educação profissional, levará o docente a realizar 
suas atividades com dinamismo e autonomia 
por parte dos alunos, podendo assim enriquecer 
cada vez mais suas aulas e alcançar os objetivos 
propostos na Metodologia SENAI de Educação 
Profissional. 
O SENAI é uma instituição de ensino 
profissional, que visa o aprimoramento de 
suas atividades, constantemente. Utiliza-se 
de uma metodologia de ensino própria e possui 
estratégias que devem ser seguidas por todos os 
docentes que trabalham na unidade de ensino.
3 PLANEJAMENTO É NECESSÁRIO PARA O 
COORDENADOR PEDAGÓGICO?
A sociedade deve ter conhecimento que 
devemos investir numa educação de qualidade, 
para isso temos que seguir uma reta que almeje 
o desenvolvimento do conhecimento do aluno 
como um todo com base nas leis que regem as 
instituições de ensino. 
Podemos citar a LDB que afirma no artigo 
2º da LDB afirma que “A educação, dever da 
família e do Estado, inspirada nos princípios de 
liberdade e nos ideais de solidariedade humana, 
tem por finalidade o pleno desenvolvimento 
do educando, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o trabalho”. 
(BRASIL, 1996, p.1) 
Com base na LDB podemos defender que 
o aluno e seu aprendizado é o alvo central 
de uma instituição de ensino. O SENAI é 
uma instituição de ensino que foi criada para 
aperfeiçoar os trabalhadores das indústrias, e 
que tem como objetivo maior o aperfeiçoamento 
do aluno de forma a atender o mercado de 
trabalho e a expectativa da sociedade que busca 
melhorias na sociedade onde a mesma convive. 
O planejamento está presente emnosso dia 
a dia, mesmo que implícito, como o caso da 
pessoa que, ao levantar-se pela manhã, pensa 
no seu dia e no que vai acontecer longo dele. 
Como não se tem certeza do que realmente irá 
acontecer no passar dessas vinte e quatro horas, 
a pessoa obriga-se a pesar, prever, imaginar e 
tomar decisões, contudo, ela sempre espera 
tomar as decisões mais acertadas, para que sua 
ação alcance os objetivos esperados; mesmo não 
tendo consciência de que está realizando um 
38 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
planejamento, esta pessoa está fazendo o uso 
do ato de planejar. 
Segundo Martinez e Oliveira (1997, p. 11): 
Entende-se por planejamento um 
processo de previsão de necessidades e 
racionalização de emprego dos meios 
materiais e dos recursos humanos 
disponíveis a fim de alcançar objetivos 
concretos em prazos determinados 
e em etapas definidas a partir do 
conhecimento e avaliação cientifica da 
situação original. 
O ato de planejar ajuda no desenvolvimento das 
tarefas educacionais, em que o aluno se sente 
seguro com os docentes e a gestão educacional. 
A prática docente no SENAI é sempre revista 
visando um conjunto de ações e práticas 
pedagógicas proporcionando a articulação dos 
processos de ensino e de aprendizagem. Os 
docentes do SENAI têm em suas atribuições de 
trabalho o ato de planejar, organizar e programar 
situações de aprendizagem, promovendo 
assim o desenvolvimento de conhecimento e 
capacidades atendendo as competências citadas 
no Perfil Profissional. 
Podemos citar também na ação pedagógica 
junto ao docente que a avaliação das atividades 
desenvolvidas em sala de aula tende a estar 
sempre revendo sua metodologia, tendo em vista 
que cada aluno aprende ao seu modo. Segundo 
Gesser (2011) A avaliação é a etapa que necessita 
estar presente em todo o processo. “A avaliação 
ocorre em todos os setores que envolvem a escola 
e deverá ser sistemática, baseada no Plano de 
Ação previamente determinado pelo conjunto 
da escola”. (GESSER, 2011, p.41).
Outro fator que contribui para uma melhor 
execução das tarefas pedagógicas é a elaboração 
do Projeto Político Pedagógico, que serve como 
base para toda atividade exercida na instituição 
de ensino, podendo o mesmo ser mudado assim 
que achar necessário, dando um suporte para 
uma melhor utilização dos mecanismos de 
aprendizagem. 
Podemos destacar também que durante a 
elaboração do Projeto Pedagógico e, nas revisões 
periódicas do documento, o Coordenador 
Pedagógico deverá participar ativamente, 
contribuindo com suas vivências e experiência 
na definição de metas e estratégias para o plano 
de ação, em consonância com os objetivos da 
Instituição. 
Todo e qualquer prática pedagógica deve ter um 
planejamento, em que seja levantada a questão e 
os objetivos a serem alcançados. O coordenador 
enquanto gestor deve colocar sua experiência 
em prática assessorando os docentes em sala 
de aula e nas atividades extraclasse, como por 
exemplo, em formações continuadas e reuniões 
pedagógicas, para que assim haja uma troca de 
conhecimento, visando sempre o aluno e seu 
desenvolvimento e a melhoria contínua nos 
processos executados. 
O SENAI enquanto instituição trabalha com 
profissionais Técnicos e Graduados, porém é sua 
renovação de saberes que garante a instituição 
uma melhor utilização das práticas pedagógicas. 
Espera-se que os Coordenadores Pedagógicos 
do SENAI apresentem o PPP aos docentes, 
e demais colaboradores novos que ingressam 
na Unidade Operacional, orientando-os para 
que compreendam os objetivos e as estratégias, 
e que interpretem de modo eficaz o que está 
contemplado nos documentos. 
Além de todo mecanismo citado anteriormente 
podemos dar uma ênfase ao apoio e orientação 
em relação ao planejamento do docente antes 
do início das aulas de, para tal o SENAI 
tem como documento norteador o Plano de 
Curso. O Plano de Curso é o documento que 
39Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
estabelece as intenções, condições e critérios 
de desenvolvimento do curso. 
O Projeto de Curso deverá ser consultado 
frequentemente pelos docentes, pois as 
informações contidas nesse documento são 
de extrema relevância para o planejamento das 
aulas. Além disso, informações tais como as 
características apresentadas no perfil profissional, 
a justificativa e os objetivos do curso, bem como 
a idade mínima e pré-requisitos de entrada no 
curso, conteúdo formativo e competências a 
serem alcançadas para cada perfil profissional. 
Podemos citar também o regimento escolar que 
deve ser entregue para todo funcionário para 
que tenham ciência de suas responsabilidades 
e deveres perante a unidade de ensino, além 
de dar suporte a eventuais conflitos internos, 
como por exemplo, o aluno que não atende a 
exigência da instituição para frequência nos 
cursos. O regimento serve como base para toda 
atividade da unidade de ensino. 
O Regimento Escolar é um documento 
obrigatório para todas as Unidades Operacionais, 
no qual estão descritas as normas que organizam 
a parte pedagógica, administrativa, disciplinar 
e relações entre comunidade escolar interna e 
externa. (SENAI, 2015). Para ser considerado 
um documento legal é necessário levar em 
consideração as normas de elaboração de atos 
normativos. Este documento é estabelecido 
para organizar as relações entre os discentes, 
os docentes e a comunidade escolar. 
O coordenador pedagógico deve estar por 
dentro de toda a atividade de ensino exercida 
pela instituição, dando suporte a todos que 
fazem parte da mesma, para que assim toda 
atividade seja exercida no seu tempo devido e 
com a qualidade necessária. 
Planejar faz parte de toda atividade humana, 
e para o campo profissional é necessário que 
essa atividade seja constante tendo em vista 
que a sociedade muda constantemente. Todo 
processo aqui citado faz parte do profissional 
que busca desenvolver sua atividade com 
dinamismo, dando suporte ações da prática 
pedagógica exercidas pelos os docentes em 
sua prática pedagógica e que exerce as funções 
administrativas exigidas pela função. 
O ato de avaliação faz parte do planejamento 
pedagógico, em que podemos ver o que está 
dando certo e o que precisa melhorar. O 
coordenador deve desenvolver seu trabalho 
com total conhecimento da história que norteia 
o SENAI, pois com o conhecimento desta, 
vemos qual foi real motivo de ter sido criado, 
dando assim suporte para que continuassem a 
desenvolver nossas atividades de forma ampla 
e segura de nosso real objetivo enquanto 
representante de ensino. 
O planejamento não é atribuição somente da 
docência, é também uma ação projetada com 
objetivo de direcionar o percurso a ser seguido 
por todos. 
 Nesse sentido, nas Unidades Operacionais, 
planejar as ações estrategicamente, é primordial. 
Pensar e discutir democraticamente com a 
equipe é uma forma de verificar se determinada 
decisão é vantajosa ou não. Por isso, além 
de outras atribuições definir os ambientes 
pedagógicos ou de aprendizagem, fazendo 
planos para utilizar os recursos disponíveis de 
forma consciente, proveitosa e otimizada para 
a Unidade Operacional, é fundamental. 
O coordenador pedagógico deve dar autonomia 
e estimular para que todos participem das 
atividades educacionais. A gestão democrática 
40 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
faz com que novas ideias possam surgir visando 
uma educação para todos, em que a inclusão 
aconteça dentro e fora da sala de aula. Com a 
visão de que todos têm o direito de aprender e que 
aprendem como podem, vemos a necessidade de 
adequação da unidade a necessidade do aluno.
4 METODOLOGIA UTILIZADA NA 
PESQUISA
No presenteestudo utilizaram-se metodologias 
apropriadas para desenvolver a pesquisa. 
Segundo Roesch (2005), a metodologia descreve 
de que maneira será realizado o trabalho. 
A pesquisa deste trabalho caracterizou-se como 
quantitativa e qualitativa. 
A pesquisa quantitativa, conforme Dias (1999) 
existe quando há possibilidade de medidas 
quantificáveis de variáveis e inferências a partir 
de amostras de uma população. 
Segundo Lakatos (2004, p. 269) a pesquisa 
qualitativa “preocupa-se em analisar, interpretar 
aspectos mais profundos, descrevendo a 
complexidade do comportamento humano. 
Fornece análise mais detalhada sobre as 
investigações, hábitos, atitudes, tendências do 
comportamento entre outros.”. 
A pesquisa pode ser classificada, de acordo com 
Vergara (2000), em relação a dois aspectos: 
quanto aos fins e quanto aos meios. Quanto 
aos fins, a pesquisa caracteriza-se como sendo 
exploratória, e quanto aos meios, o presente 
trabalho é um estudo de caso. 
De acordo com Vergara (2000, p. 45), “a 
investigação exploratória é realizada em área 
na qual há pouco conhecimento acumulado e 
sistematizado. Por sua natureza de sondagem, 
não comporta hipóteses que, todavia, poderão 
surgir durante ou ao final da pesquisa”. 
Quanto aos meios que se utilizou neste trabalho, 
foi um estudo de caso com a finalidade de 
coletar e discutir informações sobre a atual 
situação, levando em consideração os objetivos 
traçados, o que ocasionou um conhecimento 
mais aprofundado do tema. 
O estudo de caso, para Roesch (2005) possui 
alguns aspectos que o caracterizam como uma 
estratégia de pesquisa: 
■ permite o estudo de fenômenos em 
profundidade dentro de seu contexto; 
■ especialmente adequado ao estudo de pro-
cessos; e 
■ explora fenômenos com base em vários 
ângulos. 
Gil (1995) afirma que “a maior utilidade do estudo 
de caso é verificada nas pesquisas exploratórias. 
Por sua flexibilidade, é recomendável nas 
fases iniciais de uma investigação sobre temas 
complexos, para a construção de hipóteses ou 
reformulação do problema”. 
O presente estudo, as observações e a aplicação 
do questionário aconteceram nas unidades do 
SENAI Juína-MT e Rondonópolis-MT. 
Neste trabalho, utilizou-se um mix de 
instrumentos que foi a base da coleta de 
dados, dentre os quais se destacam: observação 
41Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
participante, frequência em reuniões e aplicação 
de questionários. 
Também se apropriou da técnica de 
levantamentos bibliográficos que serviu de 
embasamento teórico para fundamentar 
cientificamente o trabalho, isso se deu por 
intermédio de bibliografias na área de atuação, 
periódicos e outros que contribuíram para o 
5 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS
Buscamos observar a capacidade de o 
coordenador pedagógico lidar com as 
dificuldades existentes no seu ambiente de 
trabalho, em que, tanto a coordenadora de Juina 
quanto a de Rondonópolis pode executar sua 
capacidade de planejar seu modo de trabalho. 
No questionário respondido pelo docente, 
foram expostos todos os anseios 
que envolvem esse modo de gestão. Relatam 
que ser coordenador é estar mudando seu 
modo de pensar a todo instante. A prioridade 
na coordenação é a capacidade de atender o 
aluno, independentemente de suas limitações 
de aprendizagem, o SENAI tem que se adequar. 
Essa adequação ocorre quando o professor relata 
à coordenação as necessidades e dificuldades 
ocorridas quando ministradas as aulas. 
Quando o coordenador se situa sobre o acorrido 
busca se programar para que esse problema 
tenha solução, nessa programação entra em cena 
o projeto. O projeto vem a dar um caminho, 
a ser percorrido pelo docente, para que sejam 
atendidas as necessidades do aluno. Podemos 
citar o exemplo de um aluno com deficiência 
física, todas as unidades estão adaptadas 
para a inclusão, porém esse aluno necessita 
de uma atenção a mais por parte de todos os 
profissionais. Essa atenção leva o coordenador 
a planejar meios que ajudem esse aluno a se 
adequar, procurando ao máximo ajudá-lo para 
que não desista de seus estudos. 
O planejar é algo que deve estar associado à 
prática do docente, seja na coordenação ou em 
qualquer cargo ligado à educação. 
Nessa realidade pesquisada e observada, 
podemos notar a preocupação do coordenador 
em assessorar o docente e o aluno nas atividades 
educacionais. 
A coordenação é taxativa quando fala da 
importância do pesquisar e planejar estratégias 
para que o conhecimento realmente aconteça. 
As unidades do SENAI nas cidades pesquisadas 
estão cada vez mais se qualificando para atender 
ao mercado de trabalho e a aprendizagem de 
seus alunos. 
sucesso do mesmo. A pesquisa bibliográfica 
busca o conhecimento através de um dos mais 
importantes instrumentos de apropriação 
do conhecimento que são as referências 
bibliográficas. Gil (2002, p. 44) descreve a 
pesquisa bibliográfica como aquela que “é 
desenvolvida com base em material já elaborado, 
constituído principalmente de livros e artigos 
científicos”. 
42 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
6 PROPOSTAS DE ESTRATÉGIAS DE 
INTERVENÇÃO
O fato é que o coordenador pedagógico 
deve estar sempre planejando seu modo de 
intervenção perante as suas atividades. O 
coordenador da unidade do SENAI deve exercer 
em seu dia a dia a capacidade de planejar suas 
atividades, através dessa visão o projetar deve 
ser constante na vida do coordenador, em que 
o ato de planejar é imprescindível. 
Como proposta de estratégia foi sugerida aos 
coordenadores o estudo sobre planejamento e 
prática, em que os profissionais puderam expor 
seus anseios socializando atitudes e atividades 
que vieram a dar certo. Após essa socialização, 
apresentamos um texto que expõe a importância 
das atividades que o coordenador executa, 
além de expor a importância de se planejar 
os caminhos a serem percorridos para que as 
unidades consigam alcançar seus objetivos 
levando ensino com qualidade, cumprindo dessa 
forma a missão do SENAI que é “promover a 
educação profissional e tecnológica, a inovação 
e a transferência de tecnologias industriais, 
contribuindo para elevar a competitividade da 
indústria brasileira”. 
Notamos que essa apresentação foi de suma 
importância, pois puderam ter noção do 
real papel do coordenador pedagógico. Essa 
socialização de saberes pode ajudar cada vez 
mais os trabalhos executados por esses gestores. 
O coordenador deve ter noção de seu papel 
enquanto educador, ter conhecimento de 
que jamais pode andar sozinho na busca de 
melhorias para a qualidade no processo ensino 
e de aprendizagem. 
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Toda e qualquer atividade relacionada à 
educação profissional ou não deve ser revista 
e pensada, para que assim possamos agir com 
consciência, perante as verdades expostas por 
problemáticas que vivemos no nosso cotidiano. 
Para cada qual existe um pensar sobre sua atitude 
sobre determinado assunto, porem devemos 
levar em conta que nossas atitudes refletem na 
nossa vida bem como no coletivo. 
Nessa concepção devemos ao máximo exercer 
nossas tarefas com um planejamento bem 
elaborado e bem desenvolvido, visando o bem 
em comum. 
Percebe-se através do presente estudo que há 
uma intrigante tensão, e planejar/prática permeia 
os mais diversos setores da sociedade. Um 
exemplo para tal dicotomia entre planejamento 
e prática é o que acontece em grande parte dos 
cursos de formação, nos quais, muitas vezes, o 
planejamento aparece dissociado da prática, não 
dando margem à reflexão ou questionamentos 
acerca da relação que existe entre eles. 
Como resposta ao problema de pesquisa 
percebe-se que as estratégias mais adequadas 
para unir teoria e prática estãoligadas ao 
planejamento coletivo, troca de experiências 
entre estudantes, docentes e profissionais. 
43Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
O objetivo geral do estudo foi alcançado, 
pois foi feita uma investigação através do 
acompanhamento dos coordenadores tentando 
ao máximo ajudar a conscientizar os docentes 
que atuam na área, a estarem planejando suas 
estratégias de solucionar eventuais problemas. 
Atualmente, o que se vê muitas vezes é uma 
total separação entre planejamento e práticas 
pedagógicas, que parecem duas realidades 
diferentes como se a prática nunca correspondesse 
ao planejamento. Em meio a esse dilema, 
permanece a conclusão de que é possível, 
portanto, unir estes dois campos em busca de 
um melhor trabalho de pedagógico e profissional.

PRESTES, Maria Luci de Mesquita. A pesquisa 
e a construção do conhecimento científico: do 
planejamento aos textos, da escola à academia. 2.ed. 
São Paulo – SP: Rêspil, 2003. 
RIBEIRO, Magnos Alves. (Coord.). Manual para 
elaboração e apresentação de monografias: com 
noções introdutórias de metodologia. – Tangará da 
Serra: UNEMAT, 2006. 
ROESCH. S.M.A . Projetos de Estágio e de Pesquisa 
em Administração: Guia para estágios, trabalhos de 
conclusão, dissertação e estudos de caso. 3ª ed. SP: 
Atlas, 2005. 
SENAI, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. 
Departamento Nacional. Guia de autorização de 
cursos e criação de unidades de ensino. Brasília: 
SENAI, 2015. 
SENAI, Serviço Nacional de Aprendizagem 
Industrial – Departamento Nacional. Metodologias 
SENAI para Formação profissional com base em 
competências: elaboração de perfis profissionais por 
comitês técnicos setoriais. 3. ed. Senai: Brasília, 2008. 
VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Relatórios 
de Pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas, 
2000.
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político-pedagógico. Campinas, SP: Papirus, 1998.
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dezembro de 1996. LDB. Presidência da República 
Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos. 
Disponível em: <http://zip.net/bhttGS. Acesso 
em: 15 Abril, 2016.
DEMO, P. Pesquisa: Princípio Científico e Educativo. 
São Paulo: Cortez, 1996. 
DEFUME, Deise. DEPRESBITERIS, Lea. 
Competências, habilidades e currículos da educação 
profissional. 2.ed. São Paulo – SP: Senac, 2002. 
DIAS, Cláudia. Grupo focal: técnica de coleta de 
dados em pesquisas qualitativas. Nov. 1999. 
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gênese histórico-filosófica aos pressupostos da prática. 
Curitiba, CRV, 2011. 
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Pesquisa Social. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995. 
GIL, Antonio Carlos, 1946. Como elaborar projetos 
de pesquisa, 4.ed. São Paulo – SP: Atlas, 2002. 
LAKATOS, Eva Maria. MARCONI, Marina de 
Andrade. Metodologia Científica. 4. ed. São Paulo – 
SP: Atlas, 2004. 
MARTINEZ, M.J. LAHONE, C.O. Planejamento 
escolar. São Paulo: Saraiva 1997. 
OLIVEIRA, Antonio Benedito Silva (Coor.) Métodos 
e técnicas de pesquisa em contabilidade. São Paulo – 
SP: Saraiva, 2003.
44 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
Em meio as grandes mudanças socioeconômicas enfrentadas nos últimos 
anos, e avanços tecnológicos acompanhados de novas descobertas nas várias 
áreas da ciência, surge a necessidade de um novo perfil de profissional que 
atue nesta nova conjuntura com foco em competências requeridas pelo 
novo cenário do mundo do trabalho. Este perfil, exigido a partir desta nova 
realidade, parte do pressuposto de que o profissional deve ser detentor 
de conhecimentos, habilidades e atitudes que os permitam atuar como 
verdadeiros expertises na área profissional na qual atuam. A metodologia 
SENAI vem trabalhando a nova nuance da educação profissional pautada 
em competências adquiridas por meio de uma metodologia que possibilita 
o indivíduo saber, saber fazer e querer fazer, de forma eficiente e eficaz, 
no mundo do trabalho. Sob este contexto o presente artigo busca analisar 
as diretrizes voltadas a Metodologia SENAI de Educação Profissional 
possibilitando uma visão mais apurada sobre a aprendizagem significativa 
e sua essência para o novo mundo da educação profissional. 
Palavras-chave: Competências. Metodologia. Educação profissional.
***
1 Graduação em 
Administração, 
Pós-gradual em 
Gestão de Pessoas, 
Pós-graduação 
em Docência 
na Educação 
Profissional e 
Tecnológica, 
e-mail: 
claudiamaria@
fiepb.org.br
2 Graduação em 
Psicologia e 
Pós-graduação 
em Docência 
na Educação 
Profissional e 
Tecnológica, 
e-mail: 
Josicleide@fiepb.
org.br
3 Graduação em 
Licenciatura 
em Pedagogia, 
Pós-graduação 
em Docência 
na Educação 
Profissional e 
Tecnológica e 
Especialização 
em Educação 
Ambiental, 
e-mail: 
vanessarocha@
fiepb.org.br
***
A PRÁTICA DA METODOLOGIA SENAI 
NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
Cláudia Maria Pereira de Almeida1
Josicleide Nunes da Costa Fernandes2
Vanêssa Martins Rocha
45Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
O início do século XXI é marcado por impasses 
e perplexidade. Premissas eficazes de educação 
têm surgido ao longo dos últimos anos, 
objetivando proporcionar um maior e melhor 
desenvolvimento no processo educacional, 
promovendo a construção do conhecimento, 
eficaz e transformadora.
Este artigo apresenta o processo de ensino e de 
aprendizagem numa perspectiva significativa 
e construtivista da Metodologia SENAI de 
Educação Profissional que norteia a prática 
docente e baseia-se num modelo inovador de 
desenvolvimento por competências, primando 
pela formação do indivíduo enquanto agente 
protagonista na vida social e no mundo do 
trabalho, construindo o conhecimento tomando 
não só como base o saber, mas o saber fazer 
e o querer fazer, atendendo exigências do 
mundo do trabalho. Alcançando a expectativa 
desse novo contexto de profissional, onde “o 
trabalhador, além de saber fazer, passou a ter 
que demonstrar a capacidade de identificar e 
selecionar o como fazer, a fim de se adaptar 
a cada situação específica que enfrentava”. 
(SENAI, 2014)
A educação profissional vislumbrou uma forma 
mais dinâmica, humanizada e construtivista 
alinhado ao desenvolvimento de competências, 
instigado em sala de aula por um processo 
de ensino e aprendizagem possibilitando o 
desenvolvimento de conhecimentos, habilidades 
e atitudes, além da formação do indivíduo em 
um ser sociável interagindo junto à sociedade 
com princípios éticos e morais. 
Conforme SENAI (2014) a Metodologia 
SENAI de Educação Profissional, consiste em 
“(...)um produto da integração de múltiplos 
saberes, empenho e realidades, que objetiva 
uma prática em formação profissional signifi-
cativa e qualitativa em resposta aos inúmeros 
desafios impostos ao mundo do trabalho na 
realidade(...)”. 
2 DESENVOLVIMENTO
Estamos vivenciando inúmeras e profundas 
mudanças em todo o cenário da sociedade 
mundial. As pessoas vivem direcionadas para 
o novo, para as descobertas que se apresentam 
constantes por se fazerem necessárias diante 
dos avanços tecnológicos, científicos e de vários 
outros segmentos que permeiam o espaço no 
qual vivemos. É correto afirmar que muitas 
vezes, somos obrigados a compartilhar com a 
aceleração dos tempos modernos que nos torna 
imediatistas por natureza.
Diante deste contexto, podemos dizer que o 
mundo da educação também vem, nos últimos 
tempos, enfrentando grandes mudanças nos 
processos de ensino e de aprendizagem em 
um contexto de transformação que busca 
instigar o aluno a ser protagonista em sala de 
aula, a fazer a diferença pensando, criando e 
questionando. Logo o instrutor assume o papel 
de mediadordo conhecimento e das habilidades. 
A sua grande missão, hoje, é buscar motivar o 
aluno a aprender a conhecer, aprender a saber, 
aprender a conviver e aprender a ser, pois só 
46 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
assim é possível criar possibilidades para a 
construção do conhecimento. Como já dizia o 
grande mestre da educação Paulo Freire, “(...)
ensinar não é transferir conhecimentos, mas 
criar possibilidades para a sua produção ou 
construção”. 
É preciso compreender que o processo de 
ensino e de aprendizagem busca a formação 
e o desenvolvimento humano, e isso, só se 
torna possível com a utilização de métodos, 
procedimentos e práticas que instiguem a 
motivação do aprendizado no indivíduo, 
garantindo assim, ao mesmo a oportunidade de 
desenvolver novas habilidades e competências. 
A educação, dever da família e do 
Estado, inspirada nos princípios de 
liberdade e nos ideais de solidariedade 
humana, tem por finalidade o pleno 
desenvolvimento do educando, seu 
preparo para o exercício da cidadania 
e sua qualificação para o trabalho. 
(Art.2º LDB)
O novo modelo de educação vai muito além 
dos muros da escola, renovando a cada dia o 
seu papel social, é uma extensão da família, do 
exercício da cidadania, da busca pela melhoria 
enquanto pessoa e também do crescimento 
profissional. Entra aí a importância da educação 
profissional para o desenvolvimento das pessoas, 
das famílias e, consequentemente, do país. O 
dilema da educação profissional atual e vindoura 
é proporcionar as pessoas a si encontrarem 
enquanto profissionais através do conhecimento 
construído, das habilidades desenvolvidas e da 
vontade de fazer as coisas acontecer.
“Educar é muito mais do que preencher uma 
vasilha vazia. É acender uma luz na mente das 
pessoas. Eu diria que educar e ensinar a pensar.” 
Fatima Bayma (2004, pag.07). Conforme 
menciona Fátima Bayma em seu livro Educação 
Corporativa, o ato de ensinar é muito mais do 
que adquirir conhecimentos, é proporcionar 
às pessoas mudanças através do construir, do 
realizar, do se permitir ser e fazer. 
Para Immanuel Kant (1724-1804), o ser 
humano só se torna verdadeiramente humano 
pela educação. “É a única criatura que precisa 
ser educada”. Baseado neste contexto, o filósofo 
busca propor a ideia de que só a educação tem 
o poder de transformar o homem naquilo que 
ele realmente deve ser.
A metodologia SENAI de educação Profissional 
vem trabalhando a nova nuance da educação 
profissional pautada em competências 
adquiridas, focada numa aprendizagem 
significativa que prima pela formação do 
indivíduo enquanto agente protagonista na vida 
social e no mundo do trabalho, o que possibilita 
ao indivíduo saber, saber fazer e querer fazer, 
de forma eficiente e eficaz no âmbito pessoal 
e profissional. 
A Unesco - Organização das Nações Unidas 
para a Educação, Ciência e Cultura (1998, p.136) 
explica que: “(...)a formação profissional deve 
conciliar dois objetivos divergentes: a preparação 
para os empregos existentes atualmente e uma 
capacidade de adaptação a empregos que ainda 
nem sequer podemos imaginar”.
Portanto, a inserção e a permanência do indivíduo 
no mercado de trabalho estão relacionadas com 
a sua formação profissional e o desenvolvimento 
de competências profissionais.
Fleury e Fleury (2001) explicam que 
“competência é uma palavra do senso comum, 
utilizada para designar uma pessoa qualificada 
para realizar alguma coisa” ou seja, saber-fazer.
De acordo com Fleury e Fleury (2001) apud 
Pereira (2013/2), o termo competência começou 
a ser discutido na França na década de 70, 
devido a divergências na formação profissional 
e a necessidade das empresas.
47Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Não basta simplesmente fazer, é preciso 
saber como fazer, ou seja, é preciso realizar, 
através de um procedimento correto toda e 
qualquer atividade, pois assim o indivíduo vai 
relacionando as possibilidades de chegar a um 
resultado mais eficaz.
Segundo SENAI (2012), a partir dos anos 
70, o foco das empresas voltou-se para o 
cliente, cuja exigência era a qualidade dos 
produtos e serviços, não desconsiderando os 
critérios de preços baixos e custo de produção. 
Mudou o padrão do consumidor, assim houve 
modificação nas normas de concorrência. Não 
havia um parâmetro do mercado consumidor, 
as empresas necessitavam de novos padrões de 
competitividade. Nessa época houve a mudança 
do antigo modelo taylorista-fordista para o 
modelo conhecido como toyotista, produção 
flexível. 
A partir de 80, segundo Fleury e Fleury 
(2001) apud Matos e Arruda (2012) o termo 
competência indicaria “conjunto de capacidades 
específicas, e sociais que justificariam um alto 
desempenho, acreditando-se que os melhores 
desempenhos estão fundamentados na 
inteligência e personalidade das pessoas”.
A Metodologia SENAI de Educação 
Profissional, analisando toda essa evolução do 
mundo do trabalho, busca associar o processo 
de ensino e aprendizagem ao desenvolvimento 
do indivíduo por meio de estratégias que se 
fazem necessárias para a sua contínua e eficaz 
participação junto ao mundo corporativo. 
Assim: 
“(...) cabe ao docente promover 
Situações de Aprendizagem 
desafiadoras que favoreçam ao aluno 
transcender a mera cópia ou repetição 
do conhecimento para alcançar uma 
construção singular e avançar no seu 
desenvolvimento”. (SENAI, 2013). 
Portanto o processo de ensino e de 
aprendizagem da metodologia citada prima 
por um planejamento e um sistema de avaliação 
consistente que possibilite um aprendizado 
voltado para novos significados, aprimorando a 
autonomia, a criatividade e a reflexão do aluno.
O planejamento, no contexto da Metodologia 
SENAI de Educação Profissional, é uma 
ação pedagógica essencial, responsável, 
transformadora e inovadora, que proporcionará 
aos docentes e discentes, segurança no processo 
pedagógico frente à realidade educativa e 
sociocultural. O planejamento é cooperativo, 
participativo, adequado à realidade. 
Partindo dessa premissa os Planos de Cursos se 
tornam fontes norteadoras para o planejamento 
da prática docente, permitindo a elaboração 
eficiente e eficaz dos Planos de Aula. A 
metodologia proposta busca subsidiar de 
forma criativa e inovadora a prática docente 
no desenvolvimento das aulas, possibilitando 
assim, a construção do conhecimento por 
meio de pesquisas, estudos de caso e situações 
problemas. Quando em sua prática docente 
o professor faz uso de uma metodologia que 
visa à competência profissional, que molda os 
cursos oferecidos de acordo com o mercado, 
isso permite que seja construída uma ponte 
entre o mercado de trabalho e a escola, e 
que seja atribuído significado ao processo de 
ensino-aprendizagem. 
A Metodologia SENAI defende que a avaliação 
no processo de ensino e aprendizagem deve estar 
sustentada dentro de uma prática pedagógica 
consistente e efetiva que possibilite a construção 
do conhecimento de forma significativa para 
o aluno, por meio de um processo formativo 
que é apresentado através do diagnóstico, da 
qualificação dos resultados e da intervenção 
quando se fizer necessário. É imprescindível 
que os métodos de avaliação estejam pautados 
48 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
dentro de uma coerência e clareza de resultados 
bem definidos, e não tenha como foco, 
apenas na aplicação de provas em prol de 
uma nota pois, assim a avaliação perde o real 
sentido na construção do saber, tomando um 
direcionamento puramente quantitativo, o que 
poderá levar a um insucesso do processo de 
ensino e aprendizagem. 
Analisando a aprendizagem na educação 
profissional, não podemos trabalhar com 
metodologiasde ensino simples, como aula 
expositiva, trabalho de grupo, é necessário 
associar a teoria e a prática através de 
contextualização e abordagem interdisciplinar, 
garantindo o desenvolvimento de competências, 
preparando assim, o aluno, para atuar com 
excelência no mercado de trabalho.
Moreira (2013), afirma que para capacitar para o 
mercado de trabalho é preciso que haja interação 
entre as escolas e as empresas, portanto, o ensino 
profissional deve ser dinâmico, levando em 
conta situações do cotidiano através da busca 
de uma relação do conteúdo/disciplina com a 
realidade. Fazendo prevalecer a substituição de 
velhos paradigmas educacionais convencionais 
por métodos mais inovadores que possibilitem 
a construção do saber por meio da interação 
social.
A Metodologia SENAI de Educação 
Profissional, muito mais do que uma forma 
de ensinar, é uma filosofia de desenvolvimento 
de talentos nas empresas. Através dela podemos 
orientar as ações das pessoas no intuito de 
se construir uma organização eficaz, ou seja, 
aquela que atinge as suas metas e seus objetivos 
traçados.
Na concepção de Rosangela Borges Martins 
(2006) “competência é uma construção mental e 
não a mera resolução de tarefas. Quem sabe fazer 
deve saber porque está fazendo desta maneira 
e não de outra”. O mercado de trabalho, hoje, 
prima pelo saber fazer e o querer fazer, e não 
somente o saber por si só, pois o conhecimento 
sem a habilidade devida não passa de um 
instrumento inerte. 
Alguns modelos de administração do trabalho, 
como as teorias de Ford e Taylor, por exemplo, 
estão atualmente em desuso por possuírem 
estratégias empresariais ultrapassadas, em que 
os trabalhadores necessitam saber tão somente 
o que é relevante para a execução das suas 
atividades no posto de trabalho. De acordo com 
DELUIZ (2001), é possível perceber que as 
mudanças no perfil profissional são inevitáveis:
“O modelo das competências 
profissionais começa a ser discutido no 
mundo empresarial a partir dos anos 
oitenta, no contexto da crise estrutural 
do capitalismo que se configura, nos 
países centrais, no início da década 
de setenta. Esta crise se expressa pelo 
esgotamento do padrão de acumulação 
taylorista/fordista; pela hipertrofia 
da esfera financeira na nova fase do 
processo de internacionalização do 
capital; por uma acirrada concorrência 
intercapitalista, com tendência 
crescente à concentração de capitais 
devido às fusões entre as empresas 
monopolistas e oligopolistas; e pela 
desregulamentação dos mercados e da 
força de trabalho, resultantes da crise 
da organização assalariada do trabalho 
e do contrato social”.
Diante desta realidade, a Metodologia SENAI 
de Educação Profissional procura ampliar os 
horizontes do futuro trabalhador, fomentando 
o desenvolvimento das mais variadas 
capacidades dos alunos, a fim de cumprir as 
atividades propostas pelo instrutor. No ensino 
fundamental de um curso profissionalizante, por 
exemplo, RUAS (2005) diz que o aluno precisa 
desenvolver a capacidade de “expressar-se por 
escrito”, que é resultado de um processo na 
forma de conhecimentos (da representação de 
49Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
cada letra, organização das palavras e sílabas), 
habilidades (saber desenhar as letras, memorizar 
sons, concentração) e atitudes (executar a 
tarefa com disposição e disponibilidade para 
aprender).
O principal agente que determina quais são 
os conhecimentos, as habilidades e as atitudes 
que um profissional deve possuir, é a sua 
ocupação. Segundo SENAI (2013), “[...] a 
descrição do que idealmente é necessário ao 
trabalhador saber realizar no campo profissional 
correspondente a uma determinada ocupação”. 
Ainda neste sentido, e para cumprir esta 
determinação, SENAI (2013) afirma que “[...] 
a Qualificação Profissional é o processo ou 
resultado de formação e desenvolvimento de 
capacidades para alcançar as competências de 
um determinado Perfil Profissional definido 
no mercado de trabalho”.
A atribuição para determinar o Perfil 
Profissional de uma determinada profissão é 
de um Comitê Técnico-Setorial, que leva em 
conta as tendências e o contexto de atuação 
do trabalhador, indicando as competências 
profissionais e definindo os resultados que o 
trabalhador deve alcançar nas suas atribuições. 
O citado Comitê deve ser composto por 
especialistas, empresários, docentes e vários 
outros representantes da área tecnológica a 
que se refere o perfil profissional. Desta forma, 
é criada a definição da Competência Geral 
que, mediante uma série de verbos de ação, 
sintetizam as funções principais da ocupação.
Como em um efeito cascata, a Competência 
Geral dá origem às Unidades de Competência, 
onde são refletidas as etapas do processo de 
trabalho e explicita o resultado a ser alcançado 
pelo estudante, já permitindo a avaliação da 
sua performance. Dentro de cada Unidade de 
Competência, subdividem-se os Elementos 
de Competência, que são a descrição das 
atividades que devem ser desenvolvidas para 
alcançar os resultados previstos nas Unidades 
de Competência. Junto com todo este processo, 
aparecem os Padrões de Desempenho, que 
definem como o trabalhador desenvolverá as 
atividades.
De acordo com IRIGOIN e VARGAS (2002, 
p. 187), “o desenho curricular de um programa 
ou curso não precisa abranger tudo o que é 
necessário ao estudante”, ou seja, as capacidades 
de um aprendiz devem estar focadas em sua 
ocupação, devendo este, procurar outros 
cursos profissionalizantes para melhorar seu 
desempenho global. A Metodologia SENAI de 
Educação Profissional contribui com a parceria 
entre o mundo do trabalho e a escola.
3 CONCLUSÃO
Após o estudo realizado por meio do 
desenvolvimento do referido trabalho que 
tomou como base a Metodologia SENAI de 
Educação Profissional, constatou-se a grande 
importância da citada metodologia para o 
enriquecimento da educação profissional dentro 
de um parâmetro que leva em consideração a 
realidade e necessidade do mundo do trabalho. 
Numa era em que tudo é muito rápido, a 
tecnologia é acelerada e as informações se 
tornaram imprescindíveis, as instituições de 
ensino estão qualificando as pessoas para que elas 
consigam enfrentar problemas e/ou situações 
do dia a dia, e não centralizando em conteúdos, 
disciplinas, mas focando no desenvolvimento 
de competências.
50 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
“O trabalhador, além de saber fazer, passou a 
ter que demonstrar a capacidade de identificar 
e selecionar o como fazer, a fim de se adaptar 
a cada situação específica que enfrentava”. 
SENAI (2013).
Sendo assim o ensino não deve ser estático, 
mas pensar em várias situações que o cotidiano 
apresenta. Deve haver uma relação do conteúdo/
disciplina com a realidade. 
Dirceu Moreira 2013, afirma em seu artigo 
intitulado “Toda educação é um ensino para o 
trabalho”, que para capacitar para o mercado 
de trabalho é preciso que haja interação entre 
as escolas e as empresas. 
Quando, em sua prática docente, o instrutor 
faz uso de uma metodologia que visa a 
competência profissional que molda os cursos 
oferecidos de acordo com a realidade do 
mercado, há a construção de uma ponte entre 
o mercado de trabalho e a escola atribuição de 
significado ao processo de ensino e de 
aprendizagem.

REFERÊNCIAS
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SENAI. Departamento Nacional; Serviço Nacional 
de Aprendizagem Industrial. Centro de Tecnologia da 
Indústria Química e Têxtil. Rio de Janeiro: SENAI 
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DELUIZ, Neise. O Modelo das Competências 
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52 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
Este artigo apresenta e discute as novas demandas educacionais para educação 
profissional e para a formação dos docentes. A metodologia utilizada foi 
a pesquisa bibliográfica tendo como objetivo abordar e problematizar o 
desafio para o docente durante a prática pedagógica em sala de aula, com 
base em competências. A aquisição de competências implica em algo maior, 
pois admite influências, o que as tornam ao mesmo tempo, um recurso 
mobilizável para a elaboração de outras competências mais elaboradas. O 
docente da Educação Profissional precisa ter um novo olhar para o processo 
de avaliação, sendo relevante à sua formação continuada para atender as 
demandas atuais da sociedade e as novas tecnologias. Nesta concepção de 
educação o docente deixa de ser o centralizador do conhecimento para se 
tornar um mediador, aquele que a todo o momento instigará o educando 
a elaborar novas estratégias para resolver problemas surgidos durante a 
sua aprendizagem.
Palavras-chave: Competências. Docente. Educação Profissional. Formação 
 Continuada. 
1 Pós-graduada 
e-mail: nemelo@
fiemg.com.br
A PRÁTICA DOCENTE NA 
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL COM 
FOCO NO DESENVOLVIMENTO DE 
COMPETÊNCIAS
Néria Rosa Vitalino de Melo1
53Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
A metodologia utilizada neste artigo foi 
pesquisa bibliográfica e possui o objetivo de 
abordar e problematizar o desafio para o docente 
durante a prática pedagógica em sala de aula, 
com base em competências que é norteada pela 
Metodologia SENAI de Educação Profissional.
Os conceitos de habilidades e competências, no 
âmbito educacional, estão presentes em diversos 
documentos brasileiros. Entre eles encontram-
-se os Parâmetros Curriculares Nacionais – 
PCNs (BRASIL, 1997). Para nortear este 
artigo o conceito utilizado de competências 
e habilidades é o desenvolvido por Perrenoud 
(1999). 
De acordo com este autor as competências 
podem ser traduzidas em domínios práticos 
das situações cotidianas que inevitavelmente 
passam pela compreensão da ação realizada e 
do uso a que essa ação se destina. Enquanto 
que as habilidades são representadas pelas ações 
em si, ou seja, pelas ações determinadas pelas 
competências de forma concreta, prática (como 
montar e desmontar algo entre outros).
Para a Metodologia SENAI de Educação 
Profissional, “A prática docente é o 
resultado de ações didáticas-pedagógicas 
empregadas para desenvolver, de maneira 
integrada e complementar, os processos 
de ensino e de aprendizagem.” (SENAI, 
2013, p. 105).
É importante salientar que o docente, dentro do 
atual perfil tenha consciência que sua formação 
profissional deve ter conhecimentos diversos. 
É necessário ter os conhecimentos técnicos 
específicos relacionados com sua formação 
técnica e que nem sempre tem relação direta 
com a área em que desempenha suas atividades. 
Ter um domínio da didática, metodologias 
e estratégias de ensino para poder conduzir, 
mediar o processo de ensino aprendizagem com 
qualidade. Podendo assim levar os seus alunos 
a obter sucesso, seguindo as regulamentações 
desta modalidade de ensino.
2 A PRÁTICA DOCENTE COM FOCO EM 
COMPETÊNCIAS
2.1 Definindo competência
Segundo Perrenoud (1999), o conceito de 
competência surgiu para atender uma demanda 
do campo profissional e migrando logo após 
para o campo educacional. Essa disseminação, 
conforme Zabala e Arnau (2010) aconteceu de 
forma acelerada, causando diversas opiniões, 
tanto a favor como contra no que diz 
respeito ao uso de habilidades e competências 
nas instituições escolares, pois passou a ser 
utilizada nesse âmbito com o intuito de tornar 
ultrapassado o então ensino que se baseava 
apenas na memorização. Sendo assim, esse 
conceito relaciona competência à capacidade 
que o indivíduo demonstra ao realizar tarefas 
determindas de maneira bem sucedida.
Para Perrenoud as competências são “uma 
capacidade de agir eficazmente em um 
determinado tipo de situação, apoiada em 
conhecimentos, mas sem limitar-se a eles” 
54 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
(1999). Uma competência apresentada na 
execução de uma tarefa não é uma mera 
aplicação de conhecimentos memorizados, e 
sim presume um julgamento da apropriação 
dos recursos disponíveis e sua incorporação 
no cotidiano real. 
O autor quer dizer, que as competências são ma-
nifestações dos domínios práticos das situações 
cotidianas que perpassam pela compreensão da 
ação empreendida e do uso a que ela se propõe. 
Portanto, o seu desenvolvimento acontece de 
maneira indissociável da formação de esquemas 
de mobilização, que se constituem e se conso-
lidam em atividades associados a uma prática 
reflexiva. A aquisição de competências implica 
em algo maior, pois admitem influências, o 
que as tornam ao mesmo tempo, um recurso 
mobilizável para a elaboração de outras com-
petências mais elaboradas.
2.2 O desafio de desenvolver 
competências em sala de 
aula
Partindo da perspectiva construtivista da 
educação, que foi desenvolvido pelo por Jean 
Piaget, a aprendizagem passa a ser entendida 
como uma construção realizada pelo próprio 
indivíduo através das relações que estabelece 
entre as informações que lhe são apresentadas, 
entre elas com seus conhecimentos prévios e 
com seu meio social. De acordo com Piaget, 
“o principal objetivo da educação é criar 
indivíduos capazes de fazer coisas novas e não 
simplesmente repetir o que as outras gerações 
fizeram”, pressupõe, portanto, que aprender 
é construir significados para as experiências; 
que compreenderalgo supõe estabelecer 
relações entre o que se está aprendendo e o 
que se sabe; e que toda aprendizagem depende 
de conhecimentos prévios. Partindo desta 
concepção de educação, a reflexão pode ser 
considerada uma estratégia importante para a 
docência, visto que permite encontrar caminhos 
para o aprimoramento da prática e descobrir 
acertos e erros do trabalho educacional para 
construir novos rumos de atuação.
É de fundamental importância que, 
além dos conhecimentos específicos da 
sua área e da cultura geral, ele tenha o 
domínio da Metodologia SENAI de 
Educação Profissional. Considerando as 
inovações tecnológicas e a necessidade de 
permanente aprimoramento pedagógico, 
ressalta-se também a relevância da 
formação continuada desse docente. 
(SENAI, 2013a, p.109).
Conforme Zabala (1998), o ensino necessita 
ser visto a partir da formação integral e que, a 
partir disso, os diferentes tipos de conteúdos 
serão utilizados de forma equilibrada. Esse 
conteúdo precisa ser compreendido como aquilo 
que se deve alcançar e que não se restringe às 
capacidades cognitivas, todavia é relacionado 
às demais capacidades. 
Segundo os PCNs (BRASIL, 1997), a 
memorização deve ser entendida como um 
recurso para relacionar o que foi aprendido, pois 
os conteúdos conceituais permitem organizar a 
realidade a partir de símbolos, imagens, ideias 
e representações. Os conteúdos procedimentais 
estão relacionados ao saber fazer, que envolvem 
a tomada de decisões e a realização de ações 
para atingir uma determinada meta. Sendo 
necessário auxiliar o aluno a escolher o 
procedimento adequado para determinada 
situação, pois ao mesmo tempo ensina-se uma 
forma de pensar e produzir conhecimento. Já 
os conteúdos atitudinais estão inseridos em 
todos os conteúdos técnicos, uma vez que são 
apreendidos mesmo que não haja intenção de 
ensino. 
55Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Para Perrenoud (1999), os docentes precisam 
sentir-se responsáveis pela formação global do 
aluno, uma vez que o ensino por competências 
propõe uma educação integral do educando, 
garantindo a não descompartimentação das 
unidades curriculares. Mesmo que, ao trabalhar 
com competências, o educando mobilize 
conhecimentos que também são de caráter 
formativo, sendo relevante que o aluno consiga 
transcender os conhecimentos de diferentes 
unidades curriculares utilizando--os como 
referência da realidade.
Se esse aprendizado não for associado a 
uma ou mais práticas sociais, suscetíveis 
de ter um sentido para os alunos, será 
rapidamente esquecido, considerado 
como um dos obstáculos a serem 
vencidos para conseguir um diploma, 
e não como uma competência a ser 
assimilada para dominar situações da 
vida (PERRENOUD, 1999).
Desenvolver a prática docente baseada em 
trabalho norteado por situações-problemas 
significa oportunizar ao aluno diferentes decisões 
a fim de alcançar um objetivo traçado. Neste 
aspecto os alunos devem ser instigados através 
da análise de uma situação real associando seus 
conhecimentos prévios no intuito de suplantar 
as suas dificuldades cognitivas. O papel do 
docente, então, é o de mediador instigando o 
aluno a identificar e a elaborar estratégias para 
superar dificuldade encontrada no processo de 
aprendizagem. Zabala (1998) acredita que “[...] 
a interação direta entre alunos e professor tem 
que permitir a este, tanto quanto for possível, o 
acompanhamento dos processos que os alunos 
vão realizando na aula.”.
O mediador seleciona, assinala, organiza 
e planeja o aparecimento do estímulo, de 
acordo com a situação estabelecida por 
ele e com a meta de interação desejada. 
Pela mediação, o mediado adquire os pré-
-requisitos cognitivos necessários para 
aprender, beneficiar-se da experiência 
e conseguir modificar-se. (SOUZA; 
DEPRESBITERIS; MACHADO, 
2004, p. 40).
Para Perrenoud (1999), “[...] no campo dos 
aprendizados gerais, um estudante será levado 
a construir competências de alto nível somente 
confrontadas em dose, regular e intensamente, 
com problemas numerosos, complexos e 
realistas, que mobilizem diversos tipos de 
recursos cognitivos”, que devem ser inicialmente 
trabalhados de maneira separada e depois em 
de forma global.
Para desenvolver uma prática docente a partir 
de situações-problema é de suma importância 
que o docente tenha um planejamento das 
aulas e que este, seja variado e flexível, pois as 
situações-problema necessitam ser desafiadoras 
e estimulantes, para que despertem nos alunos 
o interesse pela resolução e sejam direcionadas 
para aprendizagens específicas. Macedo (2005), 
afirma que o sujeito estará sendo desafiado 
a resolver conflitos e situações-problema a 
partir da tomada de decisão e recursos desse 
contexto. É importante que o aluno analise o 
conteúdo da situação-problema utilizando as 
suas habilidades previamente desenvolvidas: 
ler, interpretar entre outros.
A prática em sala de aula a partir de situações- 
-problema propicia não apenas a aprendizagem 
dos conteúdos, mas a sua administração, 
discernindo os que são importantes “ousando 
extrair o essencial, para não se perder no labirinto 
dos conhecimentos” (Perrenoud, 1999).
56 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
A abordagem por competências leva a 
fazer menos coisas, a dedicar-se a um 
pequeno número de situações fortes e 
fecundas, que produzem aprendizados 
e giram em torno de importantes 
conhecimentos. Isso obriga a abrir mão 
de boa parte dos conteúdos tidos, ainda 
hoje, como indispensáveis. (Perrenoud, 
1999, p.64)
O docente da Educação Profissional precisa 
ter um novo olhar para o processo de avaliação, 
pois avaliar para as competências, segundo 
Perrenoud, significa possibilitar a construção 
de espaços e tempos pedagógicos, afim de 
favorecer o desenvolvimento de capacidades 
práticas de ação e mediação tanto aos alunos 
quanto aos docentes. 
A principal finalidade da avaliação passa a ser 
a de diagnosticar as dificuldades cognitivas 
apresentadas no momento da resolução das 
situações apresentadas possibilitando, de acordo 
com o autor citado acima, a construção de 
espaços e tempos pedagógicos, através de 
estratégias educacionais que possibilitem o 
desenvolvimento de domínios práticos de ação e 
reflexão tanto aos alunos quanto aos professores 
e demais atores escolares.
Os professores de educação profissional 
enfrentam novos desafios relacionados às 
mudanças organizacionais que afetam as 
relações profissionais, aos efeitos das ino-
vações tecnológicas sobre as atividades de 
trabalho e culturas profissionais, ao novo 
papel que os sistemas simbólicos desem-
penham na estruturação do mundo do 
trabalho, ao aumento das exigências de 
qualidade na produção e nos serviços, 
à exigência de maior atenção à justiça 
social, às questões éticas e de sustenta-
bilidade ambiental. São novas demandas 
à construção e reconstrução dos saberes 
e conhecimentos fundamentais à análise, 
reflexão e intervenções críticas e criativas 
na atividade de trabalho (MACHADO, 
2008, p. 15).
Há a necessidade da conscientização deste 
docente de que ele é o elemento responsável 
por conduzir, mediar o aluno na estruturação 
do seu conhecimento e que, para tanto, deve 
apropriar-se de uma prática pedagógica que 
torne significativos os conteúdos técnicos 
trabalhados e que promova, incentive a interação 
do que será aprendido e a estrutura cognitiva do 
indivíduo através da assimilação entre antigos 
e novos significados do que é estudado.
2.3 A formação do docente 
na Educação Profissional 
e o desenvolvimento de 
competências
Ninguém começa a ser educador numa 
certa terça-feira às quatro horas da 
tarde. Ninguém nasce educador ou 
marcado para ser educador. A gente sefaz educador, a gente se forma, como 
educador, permanentemente, na prática 
e na reflexão sobre a prática. 
PAULO FREIRE
A formação dos docentes para a educação 
profissional ainda hoje se apresenta como um 
desafio no Brasil, pois maioria dos docentes 
que atuam nas escolas de educação profissional 
não teve formação na área pedagógica. A 
expertise na área técnica de atuação profissional 
ainda é um critério fundamental para a 
escolha deste docente que então passam de 
técnicos/engenheiros a professor, trazendo na 
bagagem, em sua maioria, uma concepção de 
ensino tradicional, que prioriza um processo 
educacional na transmissão do conhecimento, 
centrado no professor e na reprodução de 
conteúdos pelos alunos.
“Há uma tradição na área no sentido 
de se considerar que, para ser professor, 
o mais importante é ser profissional da 
57Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
área relacionada à(s) disciplinas que se 
vai lecionar ou que leciona. O professor 
do ensino técnico não é concebido como 
um profissional da educação, mas um 
profissional de outra área e que nela tam-
bém leciona (OLIVEIRA, 2006, p.5).
Desconhecem ou possuem pouco conhecimento 
sobre teorias e metodologias que podem auxiliar 
no processo ensino-aprendizagem, a fim de 
elaborar e executar um planejamento educacional 
que possibilite aos alunos a construção e/
ou consolidação de conhecimentos, assim 
como atribuições de significado ao que estão 
aprendendo.
Tardif (2002, p.237) coloca os saberes docentes e 
formação profissional a partir de dois elementos: 
o primeiro: “os professores são sujeitos do 
conhecimento e possuem saberes específicos 
ao seu ofício”, e o segundo: “oseu trabalho além 
de um lugar de aplicação de saberes produzids 
por outros é também um espaço de produção, 
de transformação e de mobilização de saberes 
que lhe são próprios”.
Torna-se necessário uma formação docente 
que vislumbre um profissional “capaz de 
criar situações de aprendizagem nas quais o 
educando desenvolva a capacidade de trabalhar 
intelectualmente, a partir do que se capacita 
para enfrentar as situaçõesda prática social e 
do trabalho.” (KUENZER, 2008). 
“[...] A qualificação desses profissionais 
ocorreu historicamente na prática, 
caracterizando seu fazer peda¬gógico 
com um fazer desenvolvido com a 
experiência profissional específica da 
área não vinculada aos conhecimentos 
pedagógicos propriamente ditos [...].” 
(URBANETZ, 2012, p. 866).
Segundo Libâneo (2004) a reflexividade 
do professor precisa estar imbuída da 
conscientização teórica e crítica de sua realidade; 
da apropriação de teorias que forneçam subsídios 
para a prática (para o entendimento do próprio 
pensamento e para a elaboração de metodologias 
facilitadoras da ação) e, ainda, das diferentes 
situações sociais, políticas e institucionais em 
que ocorrem as práticas escolares.
Os indivíduos aprendem de formas diferentes 
e, portanto, o docente precisa ser capaz de 
observar e atender essa diversidade que se 
apresenta na sala de aula, pois de acordo com 
Zabala (1998), só assim poderá acontecer uma 
aprendizagem significativa. Para Moreira (2006), 
a aprendizagem significativa, é o resultado 
da interação cognitiva entre conhecimentos 
prévios e conhecimentos novos, pois é durante 
este processo de interação que os conhecimentos 
novos adquirem significados novos
Nesta perspectiva, requer-se do docente 
do SENAI competências que ultrapassem 
o campo técnico e tecnológico. É de 
fundamental importância que, além dos 
conheci¬mentos específicos da sua área 
e da cultura geral, ele tenha o domínio 
da Metodologia SENAI de Educação 
Profissional. Considerando as inovações 
tecnológicas e a necessi¬dade de 
permanente aprimoramento pedagógico, 
ressalta-se também a relevância da 
formação continuada desse docente. 
(SENAI, 2013a, p.109).
A formação continuada no processo de formação 
docente que atua na Educação Profissional é 
de suma importância, uma vez que possibilita 
a aquisição de novos conhecimentos que 
auxiliem este docente a refletir sobre o seu 
fazer pedagógico. 
Segundo Nóvoa (1995) a formação continua-
da precisa encontrar processos que valorizem 
a sistematização dos saberes próprios, a ca-
pacidade para transformar a experiência em 
conhecimento e a formalização de um saber 
profissional de referência.
58 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Existe a necessidade de se apriomorar a 
prática docente para a educação profissional, 
oferecendo capacitações constantes para elevar 
o conhecimento sobre o processo de formação e 
atuação em sala de aula. A formação continuada 
bem como a reflexão sobre a prática pedagógica, 
A prática educativa é complexa, nelas se 
expressam múltiplos fatores, ideias, valores, 
hábitos pedagógicos entre outros e está 
estreitamente relacionada a elementos como 
o planejamento, a prática em sala de aula e a 
avaliação. 
Exercer a prática docente através do 
desenvolvimento de competências e habilidades 
exige bastante dedicação e planejamento por 
parte do docente, pois é necessário preparar 
cada atividade, contextualizá-la, conhecer os 
conteúdos e a interações entre as diversas 
unidades curriculares. Deve-se anida estabelecer 
uma relação de mediador com o aluno, tomar 
são necessárias, com a finalidade de produzir 
uma real transformação do pensamento e da 
atuação profissional, oportunizando a melhoria 
da qualidade no processo de aprendizagem 
dos alunos.
3 CONCLUSÃO
decisões, analisar o contexto, em busca de 
instigá-lo a elaboração de soluções para os 
problemas apresentados.
O processo de ensino aprendizagem focado 
no desenvolvimento de competências deve ser 
compreendido e apropriado, para que o docente 
possa ter atitudes positivas ao desenvolver 
esse desafio em prol de uma aprendizagem de 
qualidade. Necessita também, da preparação dos 
docentes e de apoio a uma prática pedagógica, 
através da formação continuada que proporciona 
uma reflexão sobre novas estratégias e eleva os 
conhecimentos.

59Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
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Resumo
Este artigo investiga a importância da utilização dos princípios da 
Metodologia SENAI de Educação Profissional como fonte norteadora da 
prática docente. Objetivamos compreender nos atuais moldes da educação 
profissional, como a Metodologia atua enquanto material didático auxiliar no 
dia a dia da prática docente, despertando criatividade, prazer e a efetivação de 
um ensino de qualidade na sala de aula. A metodologia utilizada baseou-se 
em leituras bibliográficas, auxílio da internet, dentre outros recursos. Como 
resultado dos nossos estudos, identificamos que a utilização constante 
da Metodologia SENAI pelos docentes, contribui positivamente para 
a efetivação do processo de ensino-aprendizagem de qualidade. Porém, 
para que a aprendizagem seja de fato significativa, é fundamental que 
na prática das Unidades, os princípios contidos na Metodologia como 
planejamento, estratégias de ensino aprendizagem, avaliação, recursos 
didáticos e tecnológicos, gestão da sala de aula, mediação da aprendizagem 
e perfil profissional dos docentes estejam alinhados e sejam utilizados de 
forma integrada no dia a dia da sala de aula. Finalmente, a utilização da 
Metodologia SENAI no processo de ensino-aprendizagem é essencial 
para se desenvolver um trabalho dinâmico e eficaz, estimulando os alunos 
e alcançando valores necessários para sua formação como indivíduos e, 
sobretudo, como seres humanos.
Palavras-chave: Metodologia. Prática docente. Planejamento. Processo de 
ensino e aprendizagem
1 Especialista, e-mail: 
evinhayanni@
gmail.com
A UTILIZAÇÃO DOS PRINCÍPIOS 
DA METODOLOGIA SENAI COMO 
FONTE NORTEADORA DA PRÁTICA 
DOCENTE
Eva Yanni de Araújo Garcia 1 
63Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
A Metodologia SENAI de Educação 
Profissional, cujo objetivo é desenvolver o 
processo educacional, visando à qualidade 
das ações forma¬tivas, é norteadora das 
ações docentes, principalmente em relação 
ao planejamento, estratégias de ensino e de 
aprendizagem, mediação, avaliação e gestão 
da sala de aula. 
Neste rumo, considerando a relevância do 
processo de ensino e de aprendizagem para a 
construção do conhecimento e potencialidades 
dos alunos, é necessário que os docentes utilizem 
no dia a dia de sua prática os princípios da 
Metodologia para que possam tornar os 
processos de ensino e de aprendizagem mais 
eficazes e prazerosos. 
Assim, a coordenação pedagógica figura, 
também, como o elo principal que vai interagir 
com toda a escola, por isso deve assessorar 
todas as atividades que tenham influência no 
processo de ensino aprendizagem para que as 
necessidades e aspirações dos educandos sejam 
atendidas com mais primazia. 
Portanto, surgiu então o desafio de pesquisar e 
contribuir para que os professores possam usar 
os fundamentos da Metodologia SENAI como 
pressupostos essenciais para a educação escolar 
e, consequentemente, uma aprendizagem de 
qualidade.
2 UMA SUCINTA ANÁLISE SOBRE A 
PRÁTICA DOCENTE
No mundo atual, a educação é o principal 
substrato do qual o ser humano necessita para 
obter conhecimento e adquirir formação para 
integrar a sociedade como um verdadeiro 
cidadão. Como ressalta Demo (1995, p. 50), 
“cidadania é um fenômeno que se nutre 
da intervenção entre consciência crítica e 
capacidade de tomar iniciativa”.
Porém, a arte de ensinar não é uma tarefa 
fácil. Devido às suas múltiplas transformações 
histórico-sociais, parece cada vez mais difícil 
ensinar e fazer aprender. Entretanto, muitas 
escolas ainda estão longe de se adequar a 
estas mudanças, e continuam com um ensino 
fundamentado em práticas tradicionais. Outro 
fator são as aulas expositivas e mecânicas, que 
não despertam curiosidade nos alunos, e muitos 
acabam se acomodando num processo da 
chamada educação bancária, em que o professor 
deposita as informações e os alunos têm como 
dever absorvê-las. 
No entanto, independente da realidade em que 
cada escola esteja inserida, é necessário que 
todos os educadores tenham conhecimento 
acerca de suas competências no contexto da 
educação, para que possam contribuir da melhor 
forma possível para aprendizagem dos alunos. 
Os professores têm um papel determinante 
na formação de atitudes diante do ato de 
educar, e sua prática educativa tem como foco 
estimular o desenvolvimento dos alunos em 
suas capacidades externas e internas e em 
64 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
suas relações mútuas e sociais, mediando o 
aprimoramento de uma visão crítica. Diante do 
exposto, Delors (2003, p. 152) complementa:
A contribuição dos professores 
é crucial para preparar os jovens, 
não só para encarar o futuro com 
confiança, mas paraconstruí-lo de 
maneira determinada e responsável. 
[...] Os professores tem um papel 
determinante na formação de 
atitudes – positivas ou negativas – 
perante o estudo. Devem despertar a 
curiosidade, desenvolver a autonomia, 
estimular o rigor intelectual e criar as 
condições necessárias para o sucesso 
da educação formal e da educação 
permanente.
Neste âmbito, é fundamental que os professores 
sintam prazer em ensinar, ensinem com alegria, 
amor, para que assim, possam despertar 
motivação nos alunos e o desejo incessante de 
aprender cada vez mais.
Assim, uma competência e função do professor 
é ensinar o aluno a pensar e estimulá-lo a 
descobrir onde pode encontrar as respostas 
para as perguntas que ele tem. Cabe aos 
professores auxiliar os alunos nessa busca, sendo 
mediadores do conhecimento e incentivando-os 
a se tornarem reflexivos e autônomos. Dessa 
forma, Delors (2003, p. 154-155) relata:
[...] professores e escola encontram-se 
confrontados numa nova tarefa: fazer 
da escola um lugar mais atraente para 
os alunos e fornecer-lhes as chaves 
de uma compreensão verdadeira 
da sociedade da informação. [...] 
Para que os alunos possam adquirir 
autonomia, criatividade e curiosidade 
de espírito, que são complementos 
necessários à aquisição do saber, o 
professor deve estabelecer uma nova 
relação com quem está aprendendo, 
passar do papel de “solista” ao de 
“acompanhante”, tornando-se 
não mais alguém que transmite 
conhecimentos, mas aqueles que 
ajudam os seus alunos a encontrar, 
organizar e gerir o saber, guiando, 
mas não modelando os espíritos, e 
demonstrando grande firmeza quanto 
aos valores fundamentais que devem 
orientar toda a vida.
Portanto, o professor é fundamental no 
processo de ensino e aprendizagem, por isso 
cabe a ele a tarefa de dar o melhor de si nesta 
longa caminhada. No processo educativo, 
os professores precisam seduzir os alunos, 
mantendo uma relação de amizade com eles, 
para que sintam cada vez mais prazer em 
aprender.
2.1 Os princípios norteadores 
da metodologia SENAI de 
educação profissional
A Metodologia SENAI de Educação 
Profissional é um documento específico cujo 
objetivo é desenvolver o processo educacional, 
apresentando uma proposta que reflete o 
posicionamento da Instituição perante as atuais 
necessidades do mercado de trabalho.
A educação profissional é uma modalidade 
educativa que apresenta uma proposta voltada 
para formar o cidadão para o mercado de 
trabalho, sob os eixos do trabalho, ciência, 
tecnologia e cultura. Desta forma, a prática 
docente é fundamental neste processo de 
formação do profissional e cidadão para o 
mundo do trabalho e sociedade. 
Assim, na visão da Metodologia SENAI de 
Educação Profissional “a prática docente é 
o resultado de ações didático-pedagógicas 
empregadas para desenvolver, de maneira 
integrada e complementar, os processos de 
ensino e de aprendizagem”. (SENAI, 2013, 
p. 105).
65Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Porém, a prática docente não corresponde 
apenas à atuação do professor na sala de aula, 
é uma tarefa bem mais complexa, ou seja, um 
trabalho coletivo que envolve o apoio de toda 
a gestão escolar e coordenação pedagógica.
Neste sentido, o docente inicia sua prática de 
ensino pela elaboração do planejamento de 
suas aulas, pois é a partir deste roteiro traçado 
e fundamentado que ele poderá dar rumo ao 
processo educativo, de maneira que o ensino 
seja eficaz e a aprendizagem significativa. Neste 
sentido, Freire (2005, p. 81) ressalta:
Ensinar é assim a forma que toma 
o ato de conhecimento que o (a) 
professor (a) necessariamente faz 
na busca de saber o que ensina 
para provocar nos alunos seu ato de 
conhecimento também. Por isso, 
ensinar é um ato criador, um ato 
crítico e não mecânico. A curiosidade 
do (a) professor (a) e dos alunos, 
em ação, se encontra na base do 
ensinar-aprender.
Diante do exposto, o planejamento escolar 
é fundamental para o desenvolvimento de 
uma prática pedagógica eficaz e de qualidade, 
podendo, assim, ser entendido como uma ação 
formativa, espaço privilegiado de aprendizagens 
e desenvolvimento profissional.
Ademais, a prática reflexiva docente é o 
substrato essencial para o desenvolvimento da 
melhoria constante do processo educacional, 
proporcionando autorreflexão e discussão 
acerca da atuação docente, que pretende trazer 
melhorias ao processo de ensino e avaliação da 
aprendizagem.
Integrada à prática docente, a avaliação da 
aprendizagem deve ser concebida como um 
processo primordial ao trabalho profissional, 
principalmente no âmbito educacional, pois 
a prática pedagógica exige a definição de 
objetivos claros, para que se possa promover o 
desenvolvimento eficaz da aprendizagem. 
Assim, avaliação e planejamento caminham 
juntos. O planejamento é a mediação entre o 
que o docente pretende ministrar, associado à 
realidade em que os alunos estão inseridos e a 
avaliação é o acompanhamento deste processo.
 Desta forma, a avaliação da prática pedagógica 
envolve o planejamento, a mediação, a 
interdisciplinaridade, dentre outros aspectos 
que permeiam o processo educativo e estão 
contidos na Metodologia SENAI, de forma 
que a coordenação pedagógica e os docentes 
devem trabalhar em conjunto, proporcionando 
ao aluno uma aprendizagem motivadora e de 
qualidade.
Neste sentido, Libâneo (1994, p.195) destaca:
A avaliação é uma tarefa didática 
necessária e permanente do trabalho 
docente, que deve acompanhar 
passo a passo o processo de ensino 
e aprendizagem. Através dela, os 
resultados que vão sendo obtidos no 
decorrer do trabalho conjunto do 
professor e dos alunos são comparados 
com os objetivos propostos a fim de 
constatar progressos, dificuldades, e 
reorientar o trabalho para as correções 
necessárias.
Assim, a avaliação do processo educativo é 
um importante aliado ao exercício do trabalho 
profissional, passando a ser um instrumento 
que auxiliará o educador a atingir seus 
objetivos propostos em sua prática educativa 
como mecanismo para detectar as dificuldades 
e possibilidades de desenvolvimento do 
educando, possibilitando, assim, que o 
professor possa redimensionar sua prática 
pedagógica, propiciando a melhoria do processo 
ensino-aprendizagem.
Além disso, segundo a Metodologia SENAI, 
a gestão da sala de aula é mais um aspecto 
66 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
salutar para que a aula seja bem-sucedida e a 
aprendizagem satisfatória. 
É fundamental que as aulas sejam bem 
planejadas, que haja uma estrutura física 
adequada, ambientes de aprendizagem 
diversificados, interação entre docentes e 
coordenação pedagógica, conhecimento das 
expectativas dos alunos e bom relacionamento 
e administração do tempo. Nas palavras de 
Freire (1996, p.23) “[...] ensinar não é transferir 
conhecimento, mas criar as possibilidades para 
sua produção ou a sua construção”.
É papel do docente da Educação Profissional 
conhecer novas formas de ensinar, aprender, 
produzir e reconstruir o conhecimento, além 
disso, é importante trabalhar em uma perspectiva 
ética, estabelecendo vínculos e valorizando as 
con-tribuições dos estudantes. A sala de aula 
é um ambiente para proporcionar motivação 
para a aprendizagem, de modo que o docente 
faça as intervenções sempre que necessário, 
caracterizando assim, a mediação.
Ademais, é essencial que os professores procurem 
utilizar recursos didáticos diversificados 
e formulem em suas aulas situações de 
aprendizagens desafiadoras de acordo com o 
contexto em que os alunos estão inseridos, 
buscando despertar neles a criatividade, o 
interesse pela pesquisa e, consequentemente, 
a resolução dos problemas propostos.
Assim, o planejamentoé uma ferramenta 
de fundamental importância na organização 
profissional, pois o docente tem necessidades de 
conhecer e compreender a realidade em que está 
inserido para que consiga realizar intervenções 
com qualidade.
Logo, é salutar que os docentes considerem 
as estratégias de ensino e de aprendizagem 
propostas pela Metodologia SENAI, para que 
lhes possibilitem obter melhor participação 
dos estudantes e, consequentemente, melho-
res resultados. Além disso, é primordial que 
a coordenação pedagógica, juntamente com o 
corpo docente, esteja em constante sintonia, 
planejando com frequência as ações a serem 
desenvolvidas.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Diante dos pressupostos da Metodologia 
SENAI, é essencial que os professores do 
SENAI conheçam e utilizem esses princípios 
no dia a dia da sua prática pedagógica, para 
que possam desenvolver o processo de ensino 
e de aprendizagem com qualidade.
Neste sentido, uma estratégia para que os 
docentes se apropriem da Metodologia e 
possam utilizá-la no planejamento das aulas e 
na sua prática diária, é trabalhá-la em momentos 
em que os docentes estejam reunidos, como 
em semanas pedagógicas e reuniões, de forma 
que se discuta coletivamente a metodologia e 
se utilizem didáticas para a apropriação dos 
conhecimentos abordados no documento.
Outra estratégia que pode ser realizada na 
utilização da metodologia, é no momento 
do planejamento com os docentes, em que a 
coordenação pedagógica possa auxiliar e mostrar 
a importância do conhecimento e utilização da 
mesma, no que diz respeito às estratégias de 
ensino e de aprendizagem desafiadoras. 
67Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Tais estratégias, como as situações de 
aprendizagem, tem o objetivo de proporcionar 
ao aluno situações problemas para que eles 
possam refletir e pensar em soluções para as 
situações propostas. 
A coordenação pedagógica pode elaborar 
um resumo dos principais pontos discutidos 
na metodologia que visam facilitar a prática 
docente. Neste resumo, podem conter estratégias 
didáticas, metodológicas e avaliativas, de modo 
que seja algo objetivo e facilite o trabalho 
docente.
Portanto, é papel do docente da Educação 
Profissional conhecer novas formas de ensinar, 
aprender, comunicar, produzir e reconstruir 
o conhecimento e a metodologia SENAI de 
Educação Profissional é primordial este processo, 
para que o professor possa desenvolver uma 
prática pedagógica fundamentada que instigue 
os estudantes a buscar soluções, impulsionando 
a mobilização de conhecimentos, habilidades 
e atitudes.
4 CONCLUSÃO
O SENAI, assim como toda escola que promove 
a educação, apresenta uma metodologia de 
trabalho que visa à qualificação profissional. 
Para desenvolver um trabalho eficaz no âmbito 
da educação profissional do SENAI, a coor-
denação pedagógica precisa conhecer, além de 
todas as Leis e Normas internas do SENAI, 
Código de Ética, Projeto Político Pedagógico 
Institucional, Regimento, a Metodologia es-
pecífica da instituição.
 Assim, a prática do planejamento do professor 
deve ser orientada e acompanhada diariamente 
pela coordenação pedagógica, para que o ensino 
profissional seja efetivo e forme profissionais 
qualificados e preparados para atuarem no 
mercado de trabalho, com todas as exigências 
e os padrões de qualidade que existem hoje 
no mercado. 
Neste intento, um dos pontos mais importantes 
na função do coordenador pedagógico do 
SENAI, é dar suporte e auxiliar os docentes no 
processo de ensino aprendizagem, visando uma 
educação de qualidade. No ato do planejamento, 
o coordenador é um agente formador, que 
procura buscar novos caminhos e criar novos 
recursos de ensino, acompanhando todas as 
etapas do processo educacional com uma visão 
estratégica e sistêmica, em busca do alcance de 
resultados positivos.
Diante do exposto, o professor deverá ser 
capaz de articular, mobilizar e colocar em 
ação os conhecimentos, habilidades, valores 
e atitudes necessários para o desenvolvimento 
de atividades profissionais e sociais adquiridas 
pela convivência em sociedade de maneira 
comprometida e transformadora.
Portanto, a utilização dos princípios da 
Metodologia SENAI de Educação Profissional 
é primordial neste processo, pois auxiliará os 
docentes a difundirem na prática da sala de 
aula as competências necessárias para formar 
cidadãos, de modo que o educador seja um 
mediador que irá auxiliar o aluno no caminho 
para a liberdade.

68 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
REFERÊNCIAS
DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. 
8 ed. São Paulo: Cortez; Brasília, MEC, UNESCO, 
2003.
DEMO, Pedro. Educação e qualidade. 11 ed. São 
Paulo: Papirus Editora, 1995. 
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes 
necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 
1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 40 ed. Rio 
de janeiro: Paz e Terra, 2005.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. Cortez Editora: 
São Paulo, Coleção Magistério 2° Grau Série 
Formando Professor, 1994.
SENAI. Departamento Nacional. Metodologia 
SENAI de Educação Profissional. Brasília: SENAI/
DN, 2013.
VASCONCELLOS, Celso dos S. Planejamento: 
projeto de ensino-aprendizagem e projeto político-
pedagógico. São Paulo: Libertad Editora, 2010.
70 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
Atualmente, a avaliação vem sendo muito discutida, pois ela possui subsídios 
que devem ser utilizados como fator de orientação, acompanhamento e 
planejamento do processo de educação. Desta forma deve ser feita uma 
reflexão sobre que tipo de ação a equipe escolar, docente, coordenação 
técnico pedagógica deve ter mediante a avaliação da qualidade do ensino 
e do ato de avaliar. A partir disso, procuramos fazer uma reflexão sobre 
o real papel da avaliação, da qualidade dos processos educacionais, isto é, 
auxiliar no desenvolvimento de conhecimentos, competências e capacidades 
técnicas, bem como detectar pontos fortes e fracos do processo de ensino e 
de aprendizagem. A pesquisa foi de cunho bibliográfico, e para elaboração 
do referencial teórico, buscou-se subsídios em autores que argumentam 
sobre o processo de ensino e de aprendizagem, bem como sobre avaliação. 
Palavras-chave: Avaliação. Aprendizagem. Educação Profissional. Aluno.
AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS 
EDUCACIONAIS COMO 
INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO 
DOS PROCESSOS DE ENSINO E 
APRENDIZAGEM
Ana Cristina Soares e Silva
Edirlaine Perácio B. de Sousa 
***
1 E-mail: ana.soares@
fiemg.com.br
2 E-mail: edirlaine@
fiemg.com.br
***
71Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
A educação profissional do SENAI, bem como 
seu sistema de avaliação demandam estratégias, 
didáticas e práticas pedagógicas diversificadas 
mediante a variedade dos níveis, modalidades 
de ensino e as áreas de formação profissional 
que atua em todo o território nacional. Sendo 
esse um dos principais pontos de reflexão para 
o planejamento e desenvolvimento de práticas 
técnico - pedagógicas, que resultem em uma 
educação de qualidade que atenda ao perfil 
profissional esperado pelo mundo trabalho. 
Dessa forma devemos ter clareza de que 
“(...) a avaliação é uma tarefa complexa 
que não se resume à realização de 
provas e atribuição de notas. A 
mensuração apenas proporciona 
dados que devem ser submetidos 
a uma apreciação qualitativa. A 
avaliação, assim, cumpre funções 
pedagógico-didáticas, de diagnóstico 
e de controle em relação às quais se 
recorre a instrumentos de verificação 
do rendimento escolar”. (LIBÂNEO, 
2000, p. 195). 
A avaliação do Processo Educacional é uma 
necessidade constantepara alinhamento de 
perspectivas técnicas, pedagógicas, didáticas e 
metodológicas que resultem em um ensino de 
qualidade e consequentemente no aprendizado 
do aluno. 
Para tanto, a formação profissional do SENAI 
deve possibilitar que ao final do curso o perfil 
de saída do aluno atenda ao perfil profissional 
do mundo do trabalho, com competências, 
capacidades técnicas, sociais e organizativas 
aplicadas na vida e no exercício de uma profissão. 
2 A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL 
Articular a experiência técnica, didática 
e pedagógica, com o embasamento da 
fundamentação teórica e legal, através do diálogo 
contínuo com a equipe escolar, é uma estratégia 
de possível alinhamento da teoria com a prática, 
tendo como foco desenvolver uma educação de 
qualidade e o pleno desenvolvimento do aluno, 
através de práticas pedagógicas e sistemas de 
avaliação que tragam resultados positivos no 
processo de ensino e de aprendizagem. 
É impossível analisar o processo de avaliação 
sem antes analisar e planejar o processo de 
ensino e aprendizagem. Faz-se necessário 
contemplar várias atividades mediadoras como 
estratégias de melhorais no processo de ensino 
e de aprendizagem para se alcançar resultados 
de evolução entre o perfil de entrada do aluno 
e o perfil de saída para o mundo do trabalho. 
Segundo Freire, o que me interessa fortemente 
(...) não é dar receitas, mas é propor desafios, é 
discutir aspectos que eu considero necessários e 
permanentemente presentes na prática docente, 
que eu chamei de saberes fundamentais. Para se 
alcançar bons resultados precisa-se contemplar 
72 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
estratégias na prática pedagógica com 
treinamentos de formação técnica e didático-
pedagógica para docentes, reuniões contínuas 
para repasse, disseminação e multiplicação 
de conhecimentos e informações comuns à 
equipe técnico - pedagógica, utilizando-se de 
comunicação clara e objetiva pessoalmente 
e/ou através de recursos simples como 
e-mail, divulgação de agenda diária da escola 
informando os principais acontecimentos do 
dia, buscando o alinhamento das informações 
referentes aos processos educacionais de ações 
previstas e realizadas. 
Piletti (1998) aponta quatro atribuições da 
coordenação pedagógica, como uma assessoria 
permanente e continuada ao trabalho docente, 
dentre outras: 
■ acompanhar o professor em suas atividades 
de planejamento, docência e avaliação; 
■ fornecer subsídios que permitam aos pro-
fessores atualizarem-se e aperfeiçoarem-se 
constantemente em relação ao exercício 
profissional; 
■ promover reuniões, discussões e debates 
com a população escolar e a comunidade no 
sentido de melhorar sempre mais o processo 
educativo; 
■ estimular os professores a desenvolverem 
com entusiasmo suas atividades, procurando 
auxiliá-los na prevenção e na solução dos 
problemas que aparecem. 
O profissional de educação, no contexto da 
prática pedagógica, assume o papel mediador 
do processo de ensino, de aprendizagem e de 
avaliação, sendo ator e autor de referência para 
o aluno em sala. Tendo a responsabilidade de
“Saber que não posso passar 
despercebido pelos alunos, e que a 
maneira como me percebam me ajuda 
ou desajuda no cumprimento da 
minha tarefa de professor, aumenta 
em mim os cuidados com o meu 
desempenho. Se a minha opção é 
democrática, progressista, não posso 
prática reacionária, autoritária, elitista. 
Não posso discriminar o aluno 
em nome de nenhum motivo. A 
percepção que o aluno tem de mim 
não resulta exclusivamente de como 
atuo, mas de como o aluno entende 
como atuo.” (FREIRE, 2013, p. 95) 
Dessa forma a prática didática, pedagógica e 
avaliativa do profissional de educação deve estar 
atenta não só nas suas ações enquanto educador, 
mas também como essas ações são percebidas e 
entendidas pelo aluno, procurando aplicar em 
sua prática diária os pilares da educação aprender 
a ser, aprender a conviver, aprender a fazer e 
aprender a aprender, que consequentemente 
serão aplicados na vida profissional e pessoal 
do aluno. 
Nesse sentido, segundo Mendez (2002), há 
a necessidade de uma modificação na prática 
do professor em compreender que o aluno é, 
não só o ponto de partida, mas também o de 
chegada. Seu progresso só pode ser percebido 
quando comparado com ele mesmo. 
Sendo importante ficar atendo à necessidade 
de diversas práticas didático–pedagógicas, pois 
a que alcança bons resultados para um aluno, 
pode não ser a mesma prática que possibilitará 
melhores resultados a outro. 
 Portanto, é de extrema importância que a 
equipe técnico-pedagógica esteja em constante 
articulação com o docente e discente, para 
que, juntos, encontrem melhores estratégias e 
resultados no processo de ensino e aprendizagem. 
73Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
3 A METODOLOGIA SENAI DE EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL - MSEP
A Metodologia SENAI de Educação 
Profissional – MSEP é uma prática inovadora e 
eficaz, que deve nortear todo o planejamento do 
processo de ensino e aprendizagem, garantindo 
na prática docente: 
■ contextualização; 
■ Integração entre teoria e prática; 
■ interdisciplinaridade; 
■ aprendizagem significativa; 
■ incentivo ao pensamento criativo; 
■ ênfase no aprender a aprender; 
■ desenvolvimento de capacidades; 
■ aproximação do mundo do trabalho; 
■ mediação da aprendizagem; 
■ avaliação diagnóstica, formativa e somativa. 
Para tanto, faz-se necessário considerar, 
acompanhar e questionar, 
...a prática de ensino, as condições 
de aprendizagem, as dificuldades do 
aluno, sua realidade social, o currículo 
da escola, os instrumentos de avaliação 
e a competência do professor. O 
processo de avaliação consiste, antes 
de mais nada, em que o professor 
estabeleça onde quer chegar, em 
seguida defina os critérios e então 
escolha os instrumentos de coleta de 
dados, ou seja, os de avaliação, para 
que os resultados sejam utilizados em 
benefício do aluno. (BERTICELLI, 
2010, p.146). 
A nova metodologia provoca muitas reflexões 
sobre ações que já são desenvolvidas nas 
Unidades Escolares do SENAI e que podem ser 
melhoradas. Desperta também percepções sobre 
novas ações que ainda não são desenvolvidas e 
que podem ser implementadas, possibilitando 
uma rede de trabalho norteada entre as unidades 
do SENAI DN com práticas pedagógicas 
compartilhadas, criando uma conexão entre 
regional, estadual e nacional (Unidade & DR 
& DN). 
Tal conexão possibilitará maior integração 
das propostas, estratégias e metodologias de 
educação profissional do SENAI, com uma 
visão holística de práticas e planejamentos 
unificados, focados em qualidade dos serviços 
educacionais e bons resultados que atendam às 
expectativas da indústria, da sociedade e dos 
órgãos governamentais, dentre outros. 
Contudo, atender às expectativas requer traçar um 
planejamento estratégico articulado com o grupo 
gestor da Unidade, envolvendo toda a equipe 
escolar, sendo necessário que o planejamento 
esteja alinhado com a legislação e documentos 
norteadores do trabalho educacional, mantendo 
um contínuo acompanhamento e a atualização 
do planejamento. 
Dentro da prática da MSEP, percebe-se um 
desafio e uma necessidade de acompanhamento 
contínuo do instrutor em sala de aula, pois a 
maioria possui formação técnica ou bacharelado 
na área de exatas, os quais carregam um histórico 
de formação que se distancia das propostas de 
ensino do Itinerário Formativo e suas relações de 
interdependência, pré-requisitos para possíveis 
saídas para o mercado de trabalho, quando 
previstas no perfil profissional, focado na 
Metodologia SENAI de Educação Profissional 
que busca desenvolver as capacidades técnicas,74 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
sociais, metodológicas e organizativas do aluno, 
através da educação por competências, com 
estratégias de ensino relacionadas a situações 
problemas, desenvolvimento de projetos, estudo 
de caso, situações hipotéticas, entre outras. 
Atualmente, a nova estruturação dos Planos 
de Curso, proposta pela padronização SENAI, 
proporcionou maior alinhamento com o 
itinerário nacional e as matrizes curriculares 
do perfil profissional nacional, possibilitando 
uma proposta de educação profissional unificada 
que atende às normas vigentes, bem com as 
expectativas do mundo do trabalho. 
Entretanto, de nada adianta o processo de 
estruturação de um curso estar atualizado 
e alinhado às demandas da indústria, se o 
desenvolvimento do curso não for realizado 
em sintonia com essas estratégias. Pois, todos 
são responsáveis pelo sucesso ou fracasso do 
processo de ensino e de aprendizagem. 
Nesse contexto, o papel do instrutor no 
planejamento das aulas é uma etapa essencial 
para o desenvolvimento de um trabalho de 
qualidade, devendo ter como referências 
norteadoras o perfil da turma, o Plano de 
Curso, o Plano de Ensino, o Roteiro de Prática 
e o Projeto Político Pedagógico da unidade 
escolar. Sendo importante o envolvimento e 
acompanhamento da coordenação técnico- 
pedagógica, possibilitando assim que, juntos, 
alcancem melhores resultados no processo de 
ensino e de aprendizagem. 
É importante ressaltar que a atuação dos 
instrutores de educação profissional é desafiadora 
diante de mudanças constantes de informações 
e tecnologias, sendo necessário manter-se 
atualizado técnico e metodologicamente, 
com estratégias que proporcionem ao 
aluno o desenvolvimento e a assimilação do 
conhecimento. 
O instrutor atingirá os objetivos de ensinar 
quando, 
“Em primeiro lugar, para 
considerarmos o ensino como sucesso, 
é preciso que o professor estabeleça 
seus objetos ao preparar suas aulas. 
Estabelecer objetivos para o ensino 
é de fundamental importância 
para que as estratégias de ensino 
sejam adequadamente escolhidas e 
para que o processo de ensinar seja 
sistematicamente reavaliado pelo 
professor. Se ele sabe o que deseja 
ensinar, certamente encontrará formas 
de fazê-lo.” (MORETTO, 2002, 
p.17). 
O profissional de educação deve, em seu 
planejamento, saber valorizar e respeitar as 
diversidades, estando atento a todos os aspectos 
que podem contribuir ou interferir no dia a dia 
em sala de aula, atuando de maneira integrada 
docente e equipe técnico-pedagógica, buscando 
a consolidação de bons resultados no processo 
educacional. 
A MSEP está embasada em três pilares: Perfil 
Profissional, Desenho Curricular e Prática 
Docente. Para que o docente compreenda 
os pilares da MSEP e passe a implementá-
la de forma eficaz dentro da sala de aula é 
de suma importância que o coordenador 
pedagógico promova momentos de estudos 
sobre a metodologia, proponha alternativas 
para o desenvolvimento da mesma e faça 
um acompanhamento sistemático da prática 
docente. 
Outro aspecto a se considerar para a 
implementação da MSEP é o planejamento do 
processo de ensino e de aprendizagem. Portanto, 
esse planejamento precisa ser internalizado 
por todos os profissionais envolvidos no 
processo educacional: coordenadores técnicos, 
coordenadores pedagógicos e docentes. 
75Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
4 AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL - SENAI 
Atualmente, as unidades escolares do SENAI/
MG contam com o Provão, sistema de avaliação 
que verifica os conhecimentos aprendidos ao 
final do curso de aprendizagem, tendo como 
referência uma matriz de especificação estadual, 
elaborada para cada curso de aprendizagem. 
Já para os cursos técnicos, o SENAI/DN 
oferece o SAEP, Sistema de Avaliação da 
Educação Profissional, que é aplicado aos alunos 
concluintes dos cursos técnicos, bem como um 
questionário ao diretor da unidade escolar e aos 
docentes dos referidos cursos. 
Esses instrumentos de avaliação, alinhados aos 
instrumentos diários da unidade de ensino, 
norteiam docentes e coordenação técnico- 
-pedagógica a rever planejamentos e elaborar 
novas estratégias de ensino que contemplem 
os pontos fortes e os pontos fracos em 
conhecimentos, competências e capacidades 
técnicas que precisam ser melhoradas. 
Sendo também, e não menos importante, 
instrumentos norteadores no planejamento 
diário das aulas, com o objetivo de desenvolver 
no aluno o perfil profissional previsto na matriz 
de especificação, a qual para sua elaboração 
possui instrumentos de referência legal e de 
pesquisas do mundo do trabalho. 
Segundo Esteban (2014), as discussões sobre 
avaliação da aprendizagem só se justificam se 
estiverem preocupadas em refletirem sobre 
a produção do fracasso/sucesso escolar no 
processo de inclusão/exclusão social. 
O “erro” no processo de avaliação nem sempre é 
negativo, uma vez que o mesmo pode contribuir 
para o avanço do processo de ensino (docente) 
e de aprendizagem (aluno). Cabe ao docente 
realizar uma prática avaliativa focada na pro-
cesso de inclusão e não de exclusão do aluno, 
preocupada em contemplar as diversidades 
sociais, tecnológicas e metológicas, formando 
um cidadão transformador, atuante e capaz de 
contribuir para a sociedade, em um mundo em 
constantes mudanças. 
Sendo importante analisar que 
“O ato de avaliar na vida cotidiana se 
dá, permanentemente, pela unidade 
imediata de pensamento e ação. 
Nesta unidade a pessoa precisa estar 
sempre pronta para identificar o que 
é para si o “verdadeiro”, o “correto”, 
opções que vão lhe indicar o melhor 
caminho a seguir, o que fazer. Muitas 
vezes essa escolha não corresponde 
a um conhecimento aprofundado, 
real, daquilo a que se refere à opção”. 
(KENSKI, 2002, p.131) 
Estamos em tempos de grandes progressos 
científicos e tecnológicos, os quais vêm 
provocando transformações para a sociedade 
e para o mundo do trabalho. 
Nessa perspectiva, faz-se necessário pensar 
e repensar as ações que se processam no 
desenvolvimento do ato educativo e avaliativo 
mediante uma demanda contínua de novas 
ideias e estratégias, um repensar sobre avaliação. 
O que é avaliar, como avaliar, o que fazer com 
os resultados, que subsídios os resultados de 
avaliação nos trazem, sendo esse um assunto 
tão antigo e ao mesmo tempo atual. 
Atual ou antigo o fato é que 
“Os alunos são considerados como 
tendo alcançado êxito ou fracasso na 
76 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
escola porque são avaliados em função 
de exigências manifestadas pelos 
professores ou outros avaliadores, 
que seguem os programas ou 
outras diretrizes determinadas pelo 
sistema educativo. As normas de 
excelência e as práticas de avaliação, 
sem engendrar elas mesmas as 
desigualdades no domínio dos saberes 
e das competências, desempenham 
um papel crucial em sua formação em 
classificações e depois em julgamentos 
de êxito ou de fracasso: sem normas 
de excelências, não há avaliação; 
sem avaliação, não há hierarquias 
de excelência; sem hierarquias de 
excelência, não há êxitos ou fracassos 
declarados e, sem eles, não há seleção, 
nem desigualdades de acesso às 
habilitações almejadas do secundário 
ou aos diplomas”. (PERRENOUD, 
1999, p. 25) 
Diante do exposto, a prática da avaliação em 
nossas Unidades tem sido alvo de diálogo 
constante para busca de melhoria nos processos 
e resultados, pois é necessária uma reflexão 
sobre o papel que o processo avaliativo vem 
desempenhando no sentido de conferir 
aos alunos as competências e capacidades 
técnicas, metodológicas, sociais e organizativas 
relacionados à vida social eo perfil profissional 
esperado no mundo do trabalho. Um processo 
avaliativo justo, que não penalize o aluno com 
reprovações levando-o a exclusão da escola e 
que também não proponha uma aprovação 
automática. 
4.1 O PAPEL DO PPP–
PROJETO POLÍTICO 
PEDAGÓGICO NA 
AVALIAÇÃO 
Tendo como referência o Projeto Político 
Pedagógico – PPP, da nossa unidade de 
ensino, é importante destacar que a avaliação 
deve ser permanente, partilhada, positiva, 
plena e pedagógica, buscando uma maneira 
de contribuir, ter um novo olhar até mesmo 
para “erros” cometidos no processo de ensino 
(docente e equipe técnico / pedagógica) e 
de aprendizagem (aluno), provocando uma 
interpretação que leve à intervenção no sentido 
de manutenção, correção e de planejamento de 
novas estratégias. Assim, contribuiremos para o 
aumentando do interesse do aluno para com a 
sua aprendizagem e melhorando os resultados da 
qualidade dos serviços educacionais e reduzindo 
a evasão escolar. A avaliação é assim, 
...uma prática tipicamente humana, 
pois ao obter a realidade qualitativa, 
pretende-se conservá-la ou modificá- 
-la através de ações. Pratica- se o 
ato de avaliar. A avaliação é uma 
apreciação qualitativa sobre dados 
relevantes do processo de ensino e 
aprendizagem que auxilia o professor 
a tomar decisões sobre o seu trabalho. 
Os dados relevantes se referem às 
várias manifestações das situações 
didáticas, nas quais os professores e os 
alunos estão empenhados a atingir os 
objetivos do ensino. A apresentação 
qualitativa desses dados, através 
da análise de provas, exercícios e 
aprendizagem dos alunos, conversas, 
realização de tarefas e outros que 
permitam uma tomada de decisão 
para o que deve ser feito em seguida 
(ALMEIDA, 2011, p.86). 
A avaliação permanente deve permear o processo 
em todo o seu tempo, constituindo-se numa 
prática natural e cotidiana. O docente deve 
estar continuamente observando o desempenho 
e o aprendizado de seus alunos. Os testes, 
exercícios e trabalhos devem ser distribuídos 
harmoniosamente ao longo do desenvolvimento 
da unidade curricular, atribuindo nota ou não, 
pois a avaliação não deve se restringir apenas 
a momentos específicos da nota, mas também 
para acompanhar o processo de ensino e de 
aprendizagem. 
77Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
É preciso haver um canal aberto de comunicação 
permanente entre alunos e docentes, 
possibilitando que ambos tenham liberdade 
em dar e receber feedbacks, constituindo assim 
uma avaliação partilhada, pois, os resultados de 
avaliação e o próprio sistema de avaliação devem 
ser discutidos e partilhados, com vistas a elucidar 
dúvidas e oportunizar o compartilhamento de 
ideias individuais e coletivas. O resultado, assim, 
será uma avaliação positiva, que proporciona a 
elevação da autoestima, estando normalmente 
relacionada à imagem positiva que o indivíduo 
faz de si mesmo, assim como dos retornos dos 
pontos fortes e francos que vai recebendo do 
ambiente externo ao longo de suas experiências. 
Avaliar deve ser uma oportunidade para 
descobrir talentos, potencialidades e não 
uma oportunidade de apenas destacar erros, 
dificuldades e falhas, pois tais situações devem 
ser tratadas e não valorizadas, sendo que o bom 
desempenho deve sempre ser reconhecido. 
A avaliação deve contemplar todas as etapas 
da aprendizagem, sendo plena, considerando 
as capacidades técnicas, sociais, organizativas e 
metodológicas relacionadas aos objetivos geral e 
específicos do curso, assim como cada unidade 
curricular. 
Portanto, ao planejar a avaliação de cada 
unidade curricular, o docente deve levar em 
consideração não apenas os conteúdos, mas 
principalmente a capacidade de elaboração 
do aluno em transformar a informação em 
conhecimento que resulta em competências, 
habilidades e atitudes aplicadas na análise, 
solução de problemas e desenvolvimento de 
novas ideias. Tornando o aluno mais autônomo 
e independente na resolução de problemas e 
vencendo novos desafios. 
As atividades de avaliação devem ser também 
pedagógicas, oportunizando o crescimento e 
desenvolvimento do aluno, do docente e da 
equipe técnico-pedagógica. Os feedbacks 
devem ser educativos, proporcionando uma 
reflexão e uma autoavaliação direcionada com 
vistas à mudanças pessoais e profissionais. Todos 
os envolvidos no processo educacional devem 
estar abertos continuamente à avaliação dos 
processos de ensino e de aprendizagem, sem 
adotar postura autocrática e de represálias, 
pois, abrindo-se às críticas, estaremos nos 
colocando como modelo, demonstrando que 
todos devem usufruir dos processos de avaliação 
para se tornarem pessoas e profissionais cada 
vez melhores. 
Segundo Hoffman (1995, p.160), “toda 
e qualquer ação avaliativa é carregada de 
intenções, reveladoras de postura de vida”. A 
avaliação é um processo presente em todos 
os aspectos de vida escolar: docentes avaliam 
alunos, alunos avaliam docentes, diretor avalia 
seus docentes e equipe técnico- pedagógica, e 
estes avaliam-se mutuamente. 
A vigência, o diálogo e os estudos têm nos levado 
a uma constante autoavaliação dos processos 
referentes a nossa atuação técnica, pedagógica, 
metodológicas, avaliativa, metas e resultados, 
visando o comprometimento das pessoas que 
assegurem a excelência no processo de ensino e 
de aprendizagem, possibilitando a formação de 
alunos em profissionais essenciais ao mundo do 
trabalho, que gerem resultados que sustentem 
sua competividade. 
Em nossa unidade, buscamos ao término de 
cada ano letivo, concluirmos nossos trabalhos 
com mais maturidade, conscientes de que a 
qualidade do processo de ensino e do processo 
78 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
de aprendizagem é tarefa de equipe e que 
precisamos nos capacitar permanentemente 
para o sucesso dos serviços educacionais 
prestados. 
A educação é um processo dinâmico por ex-
celência na medida em que seus objetos de 
trabalho são o indivíduo e o meio em plena 
transformação. Desta forma entendemos que 
precisamos ser submetidos a constante avaliação 
por parte da escola e da comunidade escolar, 
para registrar sistematicamente os pontos fortes 
e os pontos de melhoria. 
Periodicamente a equipe técnico-pedagógica e 
os docentes devem se dedicar à reuniões para 
alinhamento de informações e melhorias dos 
processos educacionais com a participação 
em treinamentos técnicos e pedagógicos que 
possibilitem o desenvolvimento individual e 
coletivo, sendo que os sentimentos que nos 
mobilizam para a manutenção da nossa prática 
técnico-pedagógica são comprometimento, 
compartilhamento, responsabilidade, ética e 
entusiasmo. 
4.2 AVALIAÇÃO DO 
PROCESSO DE ENSINO 
APRENDIZAGEM NO SENAI 
Conforme Regimento SENAI e embasamentos 
legais a avaliação ou a verificação da aprendizagem 
é entendida como um processo contínuo de 
obtenção de informações, análise e interpretação 
da ação educativa e subsidia a melhoria dos 
processos de ensino e aprendizagem. 
A verificação ou a avaliação do rendimento 
escolar por unidade curricular é pautada 
pela avaliação do domínio de competências 
profissionais do aluno e realizada no decorrer 
do processo, bem como no seu término. Faz 
parte do processo de ensino e de aprendizagem 
e compreende as seguintes funções: 
■ Diagnóstica: realizada no início do processo 
educativo. Consiste em um levantamento de 
condições gerais de aprendizagem (ponto de 
partida) que devem balizar o planejamento 
de ensino, apurando competências 
dominadas pelo aluno. 
■ Formativa: realizada durante o processo 
educativo. Efetiva-se continuamente 
em coerência com a concepção da 
aprendizagem, como apropriações e 
construções permanentes, tendo como 
objetivos:■ verificar os avanços e as necessidades do 
aluno no processo de desenvolvimento das 
competências para orientá-lo na melhoria 
de seu desempenho; 
■ possibilitar aos alunos a tomada de 
consciência de seus avanços e necessidades, 
visando ao seu envolvimento no processo 
de aprendizagem. 
■ Somativa: realizada no final de cada processo 
de ensino – aprendizagem. Destina- 
-se à verificação final das competências 
desenvolvidas pelo aluno, subsidiando 
decisões de aprovação e/ou de certificação 
de estudos. 
Segundo Perrenoud (1999), pode-se considerar 
como formativa toda prática de avaliação 
contínua que pretenda contribuir para melhorar 
as aprendizagens em curso, qualquer que seja o 
quadro e qualquer que seja a extensão concreta 
da diferenciação do ensino. 
79Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
A avaliação do processo de ensino e de 
aprendizagem é feita a partir das próprias 
avaliações de aprendizagem realizadas na escola 
e/ou das avaliações especialmente elaboradas 
para a aferição de competências no âmbito do 
Sistema SENAI. Seus resultados subsidiam a 
revisão da prática docente, do desenvolvimento 
curricular, dos ambientes de aprendizagem, das 
metodologias, das formas de capacitação dos 
docentes e outros recursos. 
4.3 Sistema de avaliação 
externa do SENAI – sapes 
A Satisfação do Cliente é um outro ponto 
de constante atenção do SENAI, sendo essa 
avaliação realizada para analisar e conhecer a 
satisfação do aluno quando ao desenvolvimento 
do curso e atuação docente. Esta ferramenta 
subsidia a equipe técnico-pedagógica em ajustes 
e providências necessárias ao curso, à escola e ao 
corpo docente através da elaboração de planos 
de ação para melhorias, quando necessárias. 
O SAPES, é o sistema de avaliação aplicado 
pelo SENAI Departamento Nacional, que visa 
avaliar a adequação dos cursos ao mundo do 
trabalho e às expectativas profissionais e sociais 
dos egressos e das empresas, contemplando 
várias dimensões:
■ Benefícios da Educação Profissional para 
organizadores, empresas, parceiros e alunos. 
■ Contribuição da Educação Profissional para 
a melhoria da qualidade de vida de sua 
clientela. 
■ Qualidade dos cursos do ponto de vista dos 
egressos e das empresas. 
■ Uso dos recursos e alcance dos resultados 
esperados. 
■ Satisfação dos egressos e das empresas com 
a formação ministrada pelo SENAI. 
4.4 SISTEMA DE 
AVALIAÇÃO DE EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL – SAEP 
Ao final de cada curso, os alunos concluintes, 
realizarão o SAEP, que consiste em uma 
avaliação instituída pelo SENAI Nacional, que 
tem como objetivo medir o desempenho e o 
alcance do perfil profissional dos estudantes 
dos cursos técnicos de nível médio. Os estudos 
da avaliação 
(...) dedicaram-se a elaborar 
instrumentos adequados a esses 
diagnósticos, selecionar instrumentos 
de êxito, como, por exemplo, 
tempo para execução de uma 
tarefa, porcentagem de sucesso na 
escolarização, número de alunos 
aprovados nos diversos níveis, e a 
formular índices para diagnosticar o 
êxito da empresa escola. (SOUZA, 
1994, p.16). 
Portanto, esse instrumento de avaliação não 
se resume à aplicação, mas sim aos feedbacks, 
estratégias e planejamentos que acontecem ao 
longo do processo, analisando os dados obtidos, 
dialogando e planejando, pois com dados e fatos 
possibilita-se a consolidação do que é bom, 
assim como a reflexão e correção daquilo que 
precisa ser melhorado. 
80 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
5 CONCLUSÃO
Mensurar a qualidade dos serviços educacionais 
através de ferramentas como SAPES, SAEP, 
Provão, Pesquisa de Satisfação Interna, dentre 
outros deve ser uma prática constante para 
analisar os pontos fortes e pontos de melhoria da 
escola, e posteriormente subsidiar a elaboração 
de planejamento e estratégias, fortalecendo 
aquilo que já está bom no processo de ensino 
e de aprendizagem e corrigindo o que precisa 
ser melhorado. 
A escola deve propor atividades, sempre 
respeitando o nível do aluno e demandas da 
educação profissional. Só assim, a partir daí, 
o educando será capaz de avançar, pois isso 
resultará numa aprendizagem processual. A 
qualidade dessa aprendizagem dependerá da 
mediação do docente. 
Desta forma o aluno estará sempre motivado 
a conhecer algo novo e haverá mais qualidade 
na assimilação do conhecimento, pois o 
comprometimento da comunidade escolar 
com as avaliações, metas e indicadores devem 
ser constantes, buscando a sensibilização e a 
conscientização de todos os envolvidos no 
processo de ensino e de aprendizagem. 
A avaliação dentro das escolas de um modo geral 
precisa focar na aprendizagem e na qualidade da 
educação. Não deve estar a serviço da opressão, 
do controle e da cobrança. Deve libertar e ser 
comprometida com a transformação do discente 
em seres humanos mais autônomos, criativos, 
críticos e, consequentemente, mais felizes. 
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, J. A, FRANCO, M.G. Avaliação para a 
aprendizagem: o processo avaliativo para melhorar o 
desempenho dos alunos. São Paulo: Ática, 2011. 
 BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. 
Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 1996. 
 BERTICELLI, I.A. Da escola utópica a escola 
heterotópica: educação e pós modernidade. In: 
Educação em perspectivas epistêmicas pós-modernas. 
Santa Catarina: Argos, 2010. 
 ESTEBAN, M.T. O que sabe quem erra? Um 
convite a pensar a avaliação numa perspectiva 
descolonial. In: ALVARENGA. M.S et al. Vozes da 
educação: formação docente e memórias polifônicas. 
Rio de Janeiro: EDUERJ, 2014. 
 FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes 
necessários a prática educativa. 45ª ed. São Paulo: Paz 
e Terra, 2013. 
 HOFFMANN, J. M. L. Avaliação mediadora: uma 
prática em construção da pré-escola a universidade. 32 
ed. Porto Alegre: Mediação, 2009. 
 KENSKI, V. M. (coord.). Avaliação da 
Aprendizagem. In: Repensando a Didática. Campinas, 
SP: Papirus, 2002. 
 LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2000. 
 MENDEZ, A. J. M. Avaliar para conhecer, examinar 
para excluir. Trad. Magda Schwartzhaupt Chaves. 
Porto Alegre: Artmed, 2002. 
 MORETTO, V.P. Prova – um momento 
privilegiado de estudos – não um acerto de contas. 
Rio de Janeiro: DP&A, 2002. 
 PERRENOUD, P. Avaliação da Excelência à 
Regulação das Aprendizagens Entre Duas Lógicas. 
Porto Alegre: ARTMED, 1999. 
 PILETTI, N. Estrutura e funcionamento do ensino 
fundamental. São Paulo: Ática, 1998. 
 SENAI. Departamento Regional de Minas Gerais. 
Regimento Escolar Unificado 2016. Belo Horizonte. 
2016. 
______. Departamento Regional de Minas Gerais. 
Documento de Diretrizes 2016 do SENAI-MG. 
Belo Horizonte, Minas Gerais, 2016. 
 SOUZA, C. P. (org.) et al. A Avaliação do 
rendimento Escolar. 5 ed. Campinas: Papirus, 1994.

82 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
Este artigo tem a finalidade de contribuir para a construção de uma concepção 
da avaliação formativa que possa orientar, fundamentar e melhorar as práticas 
de avaliação nos cursos de formação profissional baseados na Metodologia 
SENAI de Educação Profissional - MSEP. Além de apresentar, discutir 
e definir o conceito de avaliação formativa, propõe uma investigação que 
permita compreender os processos de desenvolvimento do currículo e a 
sua relação com os processos de avaliação bem como os papéis de alunos e 
docentes, os contextos, dinâmicas, ambientes de ensino e de aprendizagem 
e avaliação da prática profissional. Propõe-se ainda a descrever, analisar e 
interpretar as realidades da avaliação formativa, de forma a desenvolver a 
investigação empírica e a construção teórica nesta área. 
Palavras-chave:Situação de Aprendizagem. Avaliação Formativa. 
Educação Profissional.
***
1 Bacharel em 
Engenharia 
Mecânica 
pela Escola de 
Engenharia 
de Piracicaba 
e Licenciado 
em Pedagogia 
pela ASSETTA 
– Faculdades 
Tatuí – e-mail: 
fandriotta@
sp.senai.br
2 Bacharel em Letras 
– Tradutor/
Intérprete e 
Licenciado 
em Letras – 
Português/Inglês 
pela Universidade 
Presbiteriana 
Mackenzie – 
e-mail: solange@
sp.senai.br
***
AVALIAÇÃO FORMATIVA - UMA 
FERRAMENTA EFICAZ DE 
APRENDIZAGEM
Francisco Aparecido Garcia Andriotta1
Solange Simal Pereda2
83Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
Uma maneira de estimular o desenvolvimento 
das capacidades que constituirão as competências 
requeridas pelo Perfil Profissional do curso, é 
proporcionar ao aluno participar na execução 
das Situações de Aprendizagem. São geralmente 
atividades elencadas que possuem uma 
sequência lógica e que constroem o caminho 
para a aprendizagem de vários conhecimentos 
pertinentes ao seu curso. A interdisciplinaridade 
contemplada nessas atividades enriquece de 
forma significativa a compreensão dos processos 
a serem internalizados pelos estudantes. 
A Situação de Aprendizagem não é uma 
única atividade, mas um conjunto delas com 
o objetivo de evocar saberes para que o aluno 
as desenvolva e aprenda fazendo. As situações 
devem ser contextualizadas e estimular a 
criatividade, permitindo que os estudantes 
mobilizem conhecimentos para solucionar 
problemas, buscando alcançar as competências 
propostas pelo Perfil Profissional. Se planejada 
de forma interdisciplinar, envolvendo mais 
Unidades Curriculares, será mais significativa 
pela globalidade de conhecimentos que serão 
abordados, favorecendo a compreensão do 
estudante e a integração dos docentes na busca 
do mesmo objetivo. 
Durante a execução das Situações de 
Aprendizagem, o docente terá o compromisso 
de mediar o processo de forma que o estudante 
seja mobilizado a pensar a respeito do que 
está sendo ensinado. ZABALA (1998, p. 90) 
acredita que “(...) a interação direta entre alunos 
e professor tem que permitir a este, tanto quanto 
for possível, o acompanhamento dos processos 
que os alunos vão realizando na aula”. 
A situação proposta ao aluno não deve ser tão 
difícil que ele não consiga resolvê-la, nem tão 
fácil a ponto de ele não querer resolvê-la, por 
não ser desafiadora. É nesse momento que 
o aluno irá testar hipóteses e arriscar-se até 
encontrar uma solução para resolver o desafio. 
Esse contexto está alinhado à formação com 
base em competências, estimulando o estudante 
a mobilizar seus saberes. 
Outro aspecto importante é que o docente 
precisa assumir sua função de mediador, 
direcionando os estudantes às fontes de pesquisa 
existentes de modo a aperfeiçoar sua produção, 
tais como: livro didático, internet, observação de 
como o colega resolve um problema, o debate 
entre alunos, uma visita técnica, entre outros. 
Cabe ao docente direcionar os questionamentos 
e promover a circulação dessas informações. 
ZABALA (1998) ainda afirma que o aluno 
estabelece relações baseadas no grau de 
auxílio que o docente lhe oferece, pois pode 
esclarecer o que ficou em dúvida e destacar 
aspectos fundamentais já aprendidos. Ademais, 
é atributo do docente utilizar estratégias práticas 
que aproximem o estudante de situações 
que possivelmente ocorrerão no mercado de 
trabalho. 
Para propor uma Situação de Aprendizagem, 
o docente necessita planejá-la e, se realizada 
de forma interdisciplinar, desenvolvê-la com 
os demais professores. Deve-se propor uma 
situação descrevendo o contexto, para que o 
estudante consiga imaginar-se vivendo o que lhe 
está sendo proposto. A redação do contexto deve 
ser clara, de modo que o aluno compreenda o 
cenário e saiba o que precisa fazer para alcançar 
o que é sugerido na atividade. 
84 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
O próximo passo é selecionar e planejar as 
estratégias de aprendizagem que serão utilizadas 
na Situação de Aprendizagem, observando 
sempre a ênfase no aprender a fazer fazendo. 
Isto feito, define quais estratégias de ensino 
o professor adotará para desenvolver a 
aprendizagem. Vale lembrar que as estratégias 
selecionadas deverão permitir a mediação do 
professor, pois, conforme a metodologia com 
base em competências, o importante não é a 
estratégia de ensino selecionada, e sim, como o 
docente a utiliza. Como exemplos de estratégias 
de ensino, é possível citar a exposição dialogada 
(em que o docente expõe temas e permite espaços 
para o diálogo e questionamentos), a atividade 
prática, o trabalho em grupo (atividade em que o 
estudante é quem busca inicialmente dar solução 
para o questionamento feito pelo docente), visita 
técnica, entre outras. Ao selecionar as estratégias 
de ensino, o docente tem a missão de pensar nas 
intervenções mediadoras para tornar mais eficaz 
o processo de construção da aprendizagem. A 
mediação possui três elementos essenciais: o 
docente, o aluno e a Situação de Aprendizagem, 
que permitirá a interação entre eles. Durante 
o planejamento das intervenções mediadoras, 
o docente registrará perguntas-chave para 
tornar o processo de ensino e de aprendizagem 
mais dinâmico auxiliando na construção do 
conhecimento. Entretanto, o professor deverá 
ter clareza de que “As perguntas relacionadas 
ao conhecimento têm como finalidade avaliar 
o que o aluno já sabe, (...). As perguntas de 
intervenção mediadora pretendem mobilizar 
o aluno a utilizar operações mentais mais 
complexas, levando-o a dominar estratégias 
de aprender a aprender (...)”. (SENAI, 2013, 
p. 189). 
Após a definição das estratégias de ensino, 
o docente estabelecerá as estratégias e os 
instrumentos de avaliação, que podem ser 
provas escritas, provas de execução, listas de 
verificação, portfólios, entre outros. Além disso, 
é preciso estabelecer parâmetros para julgar 
a qualidade do desempenho do estudante. 
Portanto, o docente necessitará elaborar os 
critérios de avaliação, alinhados aos Padrões de 
Desempenho definidos pelo Perfil Profissional 
do curso em estudo. Os critérios avaliativos 
têm de ser bem definidos e considerar dados 
qualitativos e quantitativos. O docente precisa 
estar atento à redação do critério, lembrando 
que é necessário avaliar a ação do aluno sobre 
a realização da tarefa. 
Para dar suporte ao docente durante 
o desenvolvimento das Situações de 
Aprendizagem é necessário planejar e definir 
os recursos didáticos e tecnológicos, ou outros, 
como equipamentos, instrumentos, máquinas, 
materiais e insumos. Dentre esses estão os livros, 
vídeos, apostilas, simuladores, kits didáticos e 
recursos multimídia, por exemplo. A utilização 
de recursos didáticos desperta a curiosidade 
nos alunos, aproxima-os da realidade, permite 
a fixação da aprendizagem, além de ilustrar 
conceitos abstratos. 
Para colocar em prática tudo o que foi planejado 
para a Situação de Aprendizagem, o professor 
necessitará selecionar os locais onde vão 
acontecer os momentos de aprendizagem, ou 
seja, os ambientes pedagógicos. Os ambientes 
deverão atender aos objetivos propostos para 
a construção dos conhecimentos necessários 
ao curso em estudo, permitindo estimular a 
criatividade, promover a autonomia e privilegiar 
o fazer. Sendo assim, a escolha dos ambientes 
deverá possibilitar a expressão de diferentes 
modos de aprender e o fortalecimento da ação 
coletiva e compartilhada. 
85Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
propusemos focar a avaliação formativa. 
2 DESENVOLVIMENTO
Em virtude da grande necessidade de rever os 
conceitos de ensino e aprendizagem para a atual 
geraçãode estudantes, a fim de atingir resultados 
significativos na aprendizagem e na formação 
global dos alunos, a equipe pedagógica se propôs 
a rever a maneira de ensinar e consequentemente 
a maneira de avaliar. 
Depois de tantas reflexões, ficou evidente 
que precisávamos deixar de lado as avaliações 
meramente quantitativas – que visavam “notas” 
e achar “culpados” pelo o mal desempenho, 
comportamento totalmente reativo – e, 
partirmos para um novo jeito de pensar a 
aprendizagem e a avaliação. 
2.1 Avaliação formativa 
A avaliação formativa, como o próprio nome diz, 
tem caráter de formar, construir conhecimento, 
validar a aprendizagem e nortear a continuação 
da aprendizagem, qual será o próximo passo, de 
que maneira, em que ritmo, o que é necessário 
reforçar, resgatar para garantir a aprendizagem 
total no final do programa. 
A avaliação formativa considera que o 
aluno aprende ao longo do processo, que vai 
reestruturando o seu conhecimento por meio 
de atividades que executa. Do ponto de vista 
cognitivo, a avaliação formativa centra-se em 
compreender o funcionamento da construção 
do conhecimento. A informação procurada na 
avaliação se refere às representações mentais do 
aluno e às estratégias utilizadas, para chegar 
a um determinado resultado. Os erros são 
objetos de estudo, pois revelam a natureza das 
representações ou estratégias elaboradas pelo 
estudante.
Nos laboratórios pedagógicos feitos com a 
equipe docente, foi muito interessante notar a 
dificuldade deles em mudar seu comportamento 
e crença diante da avaliação. A velha crença 
que se o aluno foi mal na prova, foi porque 
não estudou o bastante, não prestou atenção na 
aula o suficiente, não tem vontade de aprender, 
a responsabilidade é dele; ao passo que, em 
pensando neste novo molde de avaliação, os 
resultados se tornam instrumento de trabalho 
para professor e aluno – no que devo focar para 
que meu aluno aprenda e o que ainda falta para 
atingir de fato determinado conhecimento. A 
construção desta nova maneira de trabalhar se 
deu como a construção de uma casa, passo a 
passo, tijolo a tijolo. Coordenação e docentes se 
debruçaram sobre os planos de ensino e passaram 
a pensar a educação de traz para frente. Qual o 
objetivo do curso? O que o aluno precisa saber 
fundamentalmente para obter tal formação? 
O que é essencial? O que é desejável? Desta 
forma, estabeleceram-se critérios de avaliação. 
A partir daí, pensou-se em como saber se o 
aluno aprendeu ou não. De quanto em quanto 
tempo essa verificação deveria ser feita para não 
acumular dúvidas. Entra em cena a avaliação 
formativa, diagnóstica, ajustadora de conteúdo, 
reguladora da aprendizagem. 
Exploramos então a Metodologia SENAI 
de Educação Profissional. Neste artigo nos 
86 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Situações de aprendizagem, estratégias de 
ensino e sequência didática precedem esse 
momento de verificação da aprendizagem. Ela 
exige da parte dos professores a capacidade de 
fazer as articulações necessárias para possibilitar 
a regulação das aprendizagens. Como diz 
Perrenoud (1999): “(...) a avaliação formativa 
demanda uma relação de confiança entre alunos 
e professores” (p. 96). 
Essa relação de confiança vai além do momento 
da avaliação, acaba por permear todas as partes 
do processo, docente e aluno ficam mais 
próximos, mais conectados, mais cúmplices 
de cada momento de aprendizagem, como uma 
dança, um conduz, o outro se deixa conduzir, 
sente os movimentos, aprende até o momento 
que o conduzido também seja capaz de conduzir 
ou conduzir-se até outros cenários. 
Observamos que a maneira de avaliar, de olhar 
para a aprendizagem dos alunos fez muita 
diferença em todas as etapas da aprendizagem. 
Os alunos ficaram mais encorajados a participar, 
mais comprometidos com o ensino, mais 
seguros, sabendo que de uma forma ou de outra, 
agora ou daqui a pouco hão de aprender e que 
nunca estão sozinhos nessa construção. 
MATUI (1995) trata a avaliação em sua 
concepção formativa, utilizando o termo 
“avaliação dialógica”. Ele afirma que o diálogo 
perpassa por uma proposta construtivista de 
ensino, garantindo um processo de intervenção 
eficaz e uma relação de afetividade, que contribui 
para a construção do conhecimento. Na 
perspectiva de MATUI, a “avaliação dialógica” 
será subsidiada pela diagnóstica, viabilizando a 
participação do aluno no processo de ensino e 
de aprendizagem. 
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Apesar de ainda estarmos trabalhando 
arduamente neste processo de implementação 
da avaliação formativa, já observamos maior 
frequência escolar, menos necessidade de 
reforços individuais, menos fracasso escolar, 
ensino mais focado, melhor aproveitamento 
do tempo em aula, aulas mais dinâmicas e 
com estratégias diversificadas e alunos mais 
comprometidos. O ganho foi múltiplo e muito 
animador. 
4 CONCLUSÃO
Esta forma de avaliação possui grande poder 
de ação e modificação na vida dos alunos. Ela 
deixa continuamente evidente ao professor 
aqueles alunos com maior dificuldade de 
aprendizagem, dando agilidade ao processo de 
recuperação, de reforço ou ainda provocando 
mudança estratégica em tempo hábil na maneira 
de apresentar determinado conteúdo. Além 
disso, ela emite um olhar mais atento e solidário 
ao aluno que tem um ritmo de aprendizagem 
menos acelerado. Ela torna assim a educação 
mais inclusiva e acessível ao vasto universo de 
aprendizes, cada um com suas necessidades 
diferenciadas de aprendizagem.

87Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
REFERÊNCIAS
RODRIGUES, Edlene do Socorro Teixeira. 
Aprendizagens Através da Avaliação Formativa. 
Disponível em: <http://zip.net/bmttz6>. Acesso em 15 
set. 2016. 
MATUI, J. Construtivismo: Teoria Construtivista 
Sócio Histórica Aplicada ao Ensino. São Paulo: 
Moderna,1995.
PERRENOUD, P. Avaliação: Da Excelência à 
Regulação das Aprendizagens, Entre Duas Lógicas. 
Porto Alegre: Artmed, 1999. 
SÁ, Robison. Avaliação Formativa. Disponível em: 
<http://zip.net/brttGL>. Acesso em 15 set. 2016. 
SENAI. Metodologia SENAI de Educação 
Profissional. Brasília: SENAI/DN, 2013. 
ZABALA, Antoni. A Prática Educativa: como 
ensinar. Trad. Ernani F. da F. Rosa. Porto Alegre: 
Artmed, 1998. 
88 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
A prática da avaliação é uma intervenção presente nas ações de qualquer 
professor. Historicamente, a avaliação segue um viés classificatório, indo de 
encontro à tendência atual de transformá-la em diagnóstica. Nesse sentido, 
faz-se necessário que o assunto avaliação seja amplamente discutido e 
refletido, para que se possa aprofundar cada vez mais nessa temática. A 
proposta deste artigo é a de pontuarmos as antigas concepções de avaliação, 
confrontando-as com a avaliação mediadora e a avaliação por competências, 
e relacionando-as aos processos de ensino aprendizagem. Busca-se, dessa 
forma, balizar a avaliação desenvolvida pelos professores, para que ela possa 
cumprir o seu papel fundamental, que é o de auxiliar no desenvolvimento 
da aprendizagem. 
Palavras-chave: Avaliação. Mediação. Competência. 
Ensino-Aprendizagem. 
***
1 Pós-graduada, 
e-mail: aline.
dutra@senairs.
org.br 
2 Pós-graduada, 
e-mail: lenir.
ferrari@senairs.
org.br 
3 Mestre, e-mail: 
simone.basso@
senairs.org.
***
AVALIAÇÃO POR COMPETÊNCIA 
– UMA PRÁTICA CONSTANTE NO 
PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM 
 Aline Daniela Dutra1
Lenir Ferrari2
Simone Sonza Basso3
89Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 20161 INTRODUÇÃO
O ato de avaliar implica na coleta, na análise e 
na síntese dos dados, que configuram o objeto 
da avaliação, acrescido de uma atribuição de 
valor ou de qualidade. 
Segundo Luckesi (2002), a avaliação, 
diferentemente da verificação, envolve um ato 
que ultrapassa a obtenção da configuração do 
objeto, exigindo decisão do que fazer com ele. A 
verificação é uma ação que “congela” o objeto; a 
avaliação, por sua vez, direciona o objeto numa 
trilha dinâmica da ação. 
A reflexão apresentada em torno da temática 
aqui discutida implica que a avaliação está 
relacionada com a concepção de educação que 
o professor possui. Dessa forma, a avaliação 
não deve ser vista como um ato isolado, mas 
sim integrada a um aspecto mais amplo que 
influencia de uma maneira ou de outra o 
processo de ensino e de aprendizagem. 
Esse estudo tem como finalidade provocar uma 
discussão e uma breve reflexão sobre a avaliação 
no processo de ensino e de aprendizagem. A 
ideia presente no decorrer do texto, é de que a 
avaliação desenvolvida pelo professor deverá 
possibilitar a aprendizagem significativa e a 
própria formação do aluno. 
Portanto, falar de avaliação exige reflexão sobre a 
realidade em que estamos inseridos para, a partir 
daí, sermos capazes de emitirmos julgamento 
que contribua para a tomada de decisões. 
Para discutir e aprofundar esse tema privilegiou-
-se a fundamentação bibliográfica, com intuito 
de nortear e embasar este estudo. 
A avaliação aqui abordada deve, também, ser 
considerada como instrumento que subsidiará 
tanto o aluno no seu desenvolvimento cognitivo, 
quanto o professor no redimensionamento de 
sua prática pedagógica. 
2 CONCEPÇÃO DE AVALIAÇÃO
Quando se fala em educação ou em escola, 
vem em mente a palavra avaliação. Falar de 
avaliação nos remete ao entendimento e reflexão 
da amplitude da educação. Nesse sentido, a ideia 
que cada profissional traz sobre a educação 
está diretamente relacionada à sua própria 
concepção de avaliação. 
Em diversos momentos a palavra avaliação 
nos remete também a uma perspectiva de 
ansiedade, medo, angústia e ao estresse. Por 
esse motivo, a concepção que muitos professores 
ainda têm dela aponta para um teor meramente 
classificatório. 
Nessa perspectiva, faz-se necessário 
primeiramente apresentar algumas tendências 
pedagógicas sobre a avaliação, para melhor 
compreensão de sua real dimensão e de suas 
implicações na prática educativa, observando 
que elas estão sempre relacionadas aos contextos 
histórico-sociais em que estão inseridas, ou seja, 
são reflexos das ideias de seu tempo. 
A abordagem tradicional, que predominou no 
Brasil até a década de 1930, foi embasada pela 
ideia de que os professores detinham todo o saber 
e deveriam repassá-lo a seus alunos, cabendo 
90 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
a estes, em grande parte, a memorização dos 
conteúdos transmitidos. 
Na época, os alunos eram classificados por 
sua capacidade de memorização, sendo alguns 
rotulados como não inteligentes por não 
conseguirem memorizar. Eram vítimas do 
sistema de avaliação de então. “Nesse sentido, 
a inteligência era vista como uma faculdade de 
armazenar e acumular informações. Portanto, 
quanto mais informações uma pessoa pudesse 
armazenar, mais inteligente era considerada” 
(MIZUKAMI, 2005-2006, p. 10). 
Dentro da área da educação, historicamente, 
a avaliação utilizada sempre foi baseada em 
resultados, em provas e notas, ou seja, sempre 
necessitou de resultados mensuráveis, os quais 
davam aos pais e professores maior segurança 
em termos de controle. 
O sistema de avaliação da educação tradicional, 
segundo Hoffmann (2009), é vago, uma vez 
que apenas aponta falhas no processo de 
aprendizagem. Além disso, acaba por reforçar 
a discriminação e a selecionar aqueles de melhor 
desempenho, reforçando a ideia de uma escola 
para poucos onde, na maioria das vezes, avaliar 
se confunde com medir. 
Naquela concepção, o professor é inquestionável, 
é sempre o detentor do saber, enquanto que o 
aluno é sempre aquele que nada sabe. Essa 
forma de avaliar desvincula aquilo que o aluno 
lembra, sobre o que lhe foi transmitido, daquilo 
que ele pode fazer com o que aprendeu. 
Na pedagogia tradicional “(...) os conteúdos e 
procedimentos didáticos não tinham nenhuma 
relação com o cotidiano do aluno e muito menos 
com as realidades sociais. É a predominância 
da palavra do professor, das regras impostas”. 
(LUCKESI, 1994, p. 55) 
Evidencia-se, assim, uma prática que ilustra a 
ideia de reprodução do conteúdo trabalhado 
na escola, em que ao aluno não cabe refletir, 
somente reproduzir as informações na sequência 
em que elas lhe forem apresentadas. 
A pedagogia nova trouxe um olhar voltado 
para o aluno, que se baseia na autoavaliação, 
uma vez que o aluno é considerado a parte 
mais importante do processo de ensino e de 
aprendizagem. O professor passa a ser mediador 
do conhecimento, facilitador da aprendizagem, 
fazendo com que o aluno perceba nas propostas 
didáticas a ele apresentadas, temas que venham 
ao encontro de suas experiências de vida. 
Na prática da pedagogia nova, a “autocrítica 
e a auto avaliação são fundamentais para 
ajudar o aluno a ser independente, criativo e 
autoconfiante” (LUCKESI,2002, p. 20). Nesse 
momento especial, a grande ênfase é dada à 
relação professor-aluno. 
A pedagogia tecnicista, por sua vez, concebia a 
escola como modeladora de comportamentos. 
Para alcançar seus objetivos eram usadas 
técnicas específicas, daí o nome tecnicista. 
Professores administravam a transmissão do 
conteúdo, contando com técnicas e conteúdos 
previamente estipulados e colocados na ordem 
em que deveriam ser ensinados. Como os alunos 
faziam parte apenas do grupo que recebia as 
informações, cabia-lhes apenas apreendê-las 
e fixá-las. A comunicação professor-aluno, 
exclusivamente técnica, visava garantir a 
eficácia na transmissão dos conteúdos. Debates 
e reflexões jamais eram incentivados. 
Com tanta ênfase em instrumentos e técnicas, 
a avaliação se caracterizava como mais um 
momento de aplicá-los. Portanto, à época, 
somente avaliar o aluno com questionários, 
sem que as questões tivessem relação com ele, 
sem que possibilitassem reflexão e análise, 
91Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
significava enfatizar somente a técnica, o que 
definitivamente caracterizava a perspectiva 
da pedagogia tecnicista. Constata-se que a 
avaliação era considerada somente uma medida, 
um resultado final, diferentemente do que se 
pensa hoje sobre avaliação, quando ela precisa 
vir acompanhada de um momento de reflexão. 
 A proposta construtivista, por sua vez, vem 
estabelecer uma nova relação entre quem 
aprende e quem ensina. A escola passa a ser 
um lugar onde o aluno é estimulado a construir 
seu próprio conhecimento. 
 De acordo com o olhar de Brooks & Brooks 
(1997), Piaget via o construtivismo como uma 
forma de explicar de que maneira as pessoas 
chegam a conhecer o seu próprio mundo. Ele 
sustentou esta explicação pelas observações 
dos comportamentos que testemunhou 
e, igualmente, através de inferências bem 
fundamentadas sobre as funções da mente. 
 Segundo Franco: 
“(...) os temas de interesse surgem 
da própria realidade do aluno, de 
suas necessidades, de seus problemas, 
de sua curiosidade sobre o que 
vê na comunidade, nos meios de 
comunicação, na família, etc. O 
professor deve saber conciliar ambas 
as intenções, a do professor que quer 
permitir ao aluno aprender e a do 
aluno que deseja aprender”. (1998, 
p.7) 
Destaca-se a necessidade de que a avaliação 
deve ser sempre contínua, de forma a verificar 
os vários momentos de desenvolvimento do 
aluno. Importantesalientar que o aluno não 
é comparado a nenhum colega, ele é um ser 
único, respeitado no seu próprio ritmo. É nesse 
sentido que o professor oportuniza a seus alunos 
atividades lúdicas que incentivam o raciocínio, 
para que eles entendam e percebam o que estão 
fazendo. 
O professor passa a ser mediador do 
conhecimento e acredita que o aluno também 
produz sua própria aprendizagem. 
Já no caso da avaliação mediadora, de acordo 
com Hoffmann (2009), cabe ao professor prestar 
muita atenção no aluno, conhecê-lo, ouvir 
seus argumentos, propor-lhe questões novas 
e desafiadoras, guiando-o por um caminho 
voltado à autonomia moral e intelectual, pois 
estamos vivendo um momento caracterizado 
por uma infinidade de fontes de informação. 
 A mediação conduz à aproximação, a qual 
assume um papel de grande relevância na 
educação. Ela é o olhar especial ao jeito de 
ser de cada aluno, bem como de sua história 
pessoal e familiar, respeito ao seu tempo, pois 
ele é sujeito de seu conhecimento. 
Um professor mediador preocupa-se com 
a aprendizagem de seu aluno; ele tem a 
observação como uma aliada na construção 
do conhecimento. Ao observar seu aluno o 
professor mediador é capaz de identificar suas 
habilidades e trabalha-las, como também, suas 
dificuldades, sempre procurando alternativas 
para transformá-las em aprendizagem, e 
objetivando levar seu aluno a perceber sua real 
importância dentro deste cenário. 
O mediador, segundo Feuerstein, tem o objetivo 
de gerar modificabilidade, ou como já dissemos 
capacidade do indivíduo para usar a experiência 
prévia para se adaptar a novas situações. 
O processo de aprendizagem torna-se continuo 
através da avaliação mediadora, uma vez que 
o professor possui ferramentas de intervenção 
adequadas para que os alunos se apropriem 
92 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
de conhecimentos significativos, ou seja, o 
aprendizado ocorre de maneira natural, com 
mais facilidade de internalização do conteúdo 
aplicado em sala de aula. 
Para Hoffmann (2000), é responsabilidade 
do educador trabalhar a individualidade do 
seu aluno, respeitando suas diferenças com o 
intuito de formar jovens autônomos, críticos 
e cooperativos. 
O professor tem o papel de participar do 
sucesso ou do fracasso de seus alunos, ou 
seja, ele tem a responsabilidade de, através de 
uma prática reflexiva, conhecer o seu aluno e 
identificar a maneira adequada de promover 
a sua aprendizagem, levando em conta seus 
conhecimentos anteriores. 
Nesse caso, Hoffmann (2009) assevera que a 
ação avaliativa mediadora se desenvolve em 
benefício do aluno e dá-se fundamentalmente 
pela proximidade entre quem educa e quem é 
educado. 
A qualidade da aprendizagem, enquanto 
princípio da educação tem na avaliação 
mediadora um caminho seguro, pois através 
dela professores e alunos estabelecem vínculos 
na construção contínua do conhecimento. 
Penna Firme (2001) afirma que para falarmos 
em avaliação de competências é preciso falar 
de competência em avaliação. À luz dessa 
afirmativa, acreditamos ser importante, discorrer 
sobre competência. 
O dicionário Webster (1981, p. 63) define 
competência, na língua inglesa como: “qualidade 
ou estado de ser funcionalmente adequado 
ou ter suficiente conhecimento, julgamento, 
habilidades ou força para uma determinada 
tarefa”. Esta definição, genérica, menciona 
dois pontos principais ligados à competência: 
conhecimento e tarefa. 
O dicionário de língua portuguesa Aurélio 
enfatiza, em sua definição, aspectos semelhantes: 
capacidade para resolver qualquer assunto, 
aptidão, idoneidade e introduz outro: capacidade 
legal para julgar pleito. 
O conceito de competência começou a ser 
discutido na década de 1990, sendo mais restrita 
a discussão na área educacional. Palavra que 
vem do latim que competere, que significa uma 
aptidão para cumprir alguma tarefa ou função. 
Também é uma palavra usada como sinônimo 
de cultura, conhecimento e jurisdição. 
Fato é que, nos últimos anos, o tema competência 
entrou para a pauta das discussões acadêmicas 
e empresariais, associado a diferentes instâncias 
de compreensão. Mas em virtude da evolução 
tecnológica, que trouxe consigo o acesso às 
informações de forma acelerada, o mercado de 
trabalho está cada vez mais buscando profissionais 
que consigam lidar com as adversidades, e que 
tenham capacidade de adaptação, diante das 
mudanças que são constantes no mundo hoje, 
ou seja, que se mostrem competentes em suas 
áreas de atuação. 
Diante deste contexto, a palavra competência 
vem sendo discutida também nos ambientes 
corporativos, sendo relevante para educação 
profissional que tem como foco preparar pessoas 
para atuarem de forma eficaz e produtiva no 
mercado de trabalho. 
Segundo Perrenoud (1999, p. 30): “Competência 
é a faculdade de mobilizar um conjunto de 
recursos cognitivos (saberes, capacidades, 
informações etc.). Para solucionar com 
pertinência e eficácia uma série de situações”. 
93Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
3 RESULTADOS
A avaliação por competência é uma forma de 
avaliar o aluno, que leva em consideração o 
que o aluno já sabe, o que o aluno aprendeu 
com a aula, e como ele coloca em prática o que 
aprendeu relacionando com a realidade de sua 
profissão, a fim de atender as expectativas do 
mercado de trabalho e do perfil profissional. 
Tratando-se de avaliação por competência é 
fundamental considerar as diferentes funções 
da avaliação que são: diagnóstica, formativa e 
somativa. 
A avaliação diagnóstica é constituída por 
uma sondagem, que oportuniza identificar as 
particularidades de cada aluno. É uma etapa 
do processo educacional que tem por objetivo 
verificar em que medida os conhecimentos 
anteriores ocorreram, e o que se faz necessário 
planejar para solucionar dificuldades 
encontradas. 
O professor precisa, antes de tudo, verificar se 
seus alunos dominam ou não os pré-requisitos 
necessários para as novas aprendizagens, ou seja, 
se apresentam as habilidades e os conhecimentos 
prévios necessários, sem os quais não poderão 
prosseguir para a próxima etapa. Esta fase da 
avaliação tem a finalidade de detectar falhas de 
aprendizagem e descobrir suas causas. 
A referida função diagnóstica da avaliação obri-
ga a uma tomada de decisão posterior em favor 
do ensino, estando a serviço de uma pedagogia 
que visa à transformação social. A avaliação 
deve estar comprometida com o instrumento 
diagnóstico do processo ensino-aprendizagem. 
Assim,
“Não é apenas no início do período 
letivo que se realiza a avaliação 
diagnóstica. No início de cada 
unidade de ensino, é recomendável 
que o professor verifique quais as 
informações que seus alunos já têm 
sobre o assunto, e que habilidades 
apresentam para dominar o conteúdo. 
Isso facilita o desenvolvimento da 
unidade e ajuda a garantir a eficácia 
do processo ensino–aprendizagem”. 
(HAYDT, 2000, p. 20). 
Os dados que o professor vai obtendo por meio 
da avaliação são sempre provisórios, pois o que 
o aluno demonstrou não compreender hoje, 
poderá ser compreendido amanhã. Aprender 
é um processo ativo pelo qual o aluno constrói, 
modifica, enriquece e diversifica seus esquemas 
de conhecimento a respeito dos diferentes 
conteúdos escolares, a partir do significado e 
do sentido que pode atribuir a esses conteúdos 
e ao próprio fato de aprendê-lo. 
Por sua vez, a avaliação formativa fornece 
informações ao docente e ao aluno durante o 
desenvolvimento de todo o processo de ensino 
e aprendizagem, permitindo localizar os pontos 
deficientes nos quais há notória necessidade de 
intervir na melhoria contínua desse processo. 
De acordo com Sant’anna, a avaliação 
(...) formativatem como função 
informar o aluno e o professor 
sobre os resultados que estão sendo 
alcançados durante o desenvolvimento 
das atividades; melhorar o ensino 
e a aprendizagem; localizar, 
apontar, discriminar deficiências, 
insuficiências, no desenvolvimento do 
ensinoaprendizagem para eliminá-
las; proporcionar feedback de ação 
94 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
(leitura, explicações, exercícios) (2001, 
p. 34). 
No entanto, o professor deve dar ênfase à 
função formativa da avaliação, pois através dela 
é possível verificar, além dos progressos feitos 
pelos alunos, os desvios que poderão advir nesse 
processo, possibilitando que se façam os ajustes 
necessários, e com isso se possam alcançar os 
objetivos propostos. 
Em suma, o aspecto importante dessa avaliação 
é a orientação que ela fornece tanto no que se 
refere ao estudo do aluno quanto ao trabalho 
do professor, funcionando como mecanismo 
de “feedback”. Neste caso, esse mecanismo 
permite detectar e identificar deficiências na 
forma de ensinar, possibilitando reformulações, 
pelo docente, do seu trabalho didático, visando 
aperfeiçoá-lo. 
Diferentemente da avaliação formativa, a 
avaliação somativa tem como entendimento 
servir de ponto de apoio para atribuir notas e 
ou classificar os alunos ao final de um semestre 
ou ano letivo, de acordo com os níveis de 
aproveitamento por eles apresentados. 
O objetivo da avaliação somativa é classificar 
o aluno para determinar se ele será aprovado 
ou reprovado. Pode-se afirmar que ela está 
vinculada à noção de medir. Segundo Haydt, 
“Medir significa determinar a 
quantidade, a extensão ou o grau 
de alguma coisa, tendo por base um 
sistema de unidades convencionais. 
Na nossa vida diária estamos 
constantemente usando unidades 
de medidas, unidades de tempo. O 
resultado de uma medida é expresso 
e números. Daí a sua objetividade e 
exatidão. A medida se refere sempre 
ao aspecto quantitativo do fenômeno a 
ser descrito”. (2000, p. 9). 
Por esse motivo, o sistema educacional, muitas 
vezes, tem se apoiado na avaliação classificatória 
com a pretensão de verificar aprendizagens ou 
competências. 
Importante lembrar que as informações 
resultantes dessa avaliação, ao final da etapa, 
podem se constituir em informações diagnósticas 
para a etapa seguinte dos processos de ensino 
e de aprendizagem. 
Tanto a avaliação diagnóstica quanto a avaliação 
formativa contribuem para a avaliação somativa, 
pois a avaliação da aprendizagem se dá dentro 
de um ciclo de intervenções pedagógicas de 
um mesmo processo. 
É fato que a necessidade de avaliar sempre se fará 
presente, não importando a norma ou padrão 
pela qual se baseia o modelo educacional. Não 
há como fugir da necessidade de avaliação de 
conhecimentos. Para tanto é necessário torná-la 
eficaz naquilo a que se propõe: a melhora de 
todo o processo educativo. 
Por isso, vale salientar que o processo avaliativo 
deverá sempre ocorrer em favor do aluno, 
sujeito do processo. Deverá ser aliado de sua 
aprendizagem e promover o desenvolvimento 
de sua autoestima, gerando o desejo de conhecer 
mais e fortalecendo o seu vínculo com a escola. 
95Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
4 AVALIAÇÃO POR COMPETÊNCIA E SEU 
PROCESSO
 Os métodos de avaliação sempre ocuparam 
um lugar de destaque no processo de ensino 
aprendizagem. Atualmente, com a ênfase 
voltada à formação de competências do aluno, 
que deve ser capaz de resolver problemas e 
contextualizar o que aprende, a avaliação passa 
a fazer parte do processo de formação dele, 
ultrapassando a ideia de simples verificação. 
A formação com base em competências é 
um tema bastante discutido nos dias atuais, 
principalmente, a partir da promulgação da 
Resolução nº 4 do Conselho Nacional de 
Educação, que define a competência profissional 
como: “a capacidade de mobilizar, articular 
e colocar em ação valores, conhecimentos e 
habilidades necessários para o desempenho 
eficiente e eficaz de atividades requeridas pela 
natureza do trabalho” (CNE,1999). 
O termo competências tem sido definido 
como “capacidade de agir eficazmente em 
um determinado tipo de situação, apoiada 
em conhecimentos, mas sem limitar-se a 
eles” (PERRENOUD, 1999, p. 7). Segundo 
Moretto (2009) competência é a capacidade 
de o sujeito mobilizar recursos para abordar e 
resolver situações complexas. 
A noção de competência se direciona para o 
desempenho e os conhecimentos adquiridos. 
Aos conteúdos deve-se atribuir significado, 
contextualizando-os com a realidade. Uma 
base estruturada de conhecimentos gerais, de 
valores e atitudes, é essencial para a construção 
da identidade pessoal. 
Avaliar a aprendizagem baseada em competência 
requer a consideração, não só dos conhecimentos 
adquiridos, mas também das habilidades e das 
atitudes desenvolvidas pelos alunos. 
Na abordagem por competência há também 
uma mudança no papel da escola e dos profes-
sores com relação aos alunos e com o mundo 
do trabalho. Esse ensino precisa provocar o 
diálogo entre os conhecimentos adquiridos e a 
experiência do trabalho, potencializando as mu-
danças no processo formativo de maneira crítica 
e autônoma. Diante desse diálogo, percebe-se a 
necessidade de reflexão e compreensão acerca 
do processo da avaliação da aprendizagem. 
Segundo Celso Antunes (2001), reter a 
informação não é tão importante quanto saber 
lidar com a mesma e dela fazer um caminho 
para solucionar problemas. 
Pode-se compreender que o ensino por 
competência não é mera transmissão de 
conhecimento, mas sim a mobilização de 
novos conhecimentos para tomada de decisões 
e a resolução de problemas. Esse ensino nos 
remete a uma prática pedagógica que visa 
formar alunos com autonomia, iniciativa, pró- 
-atividade, capazes de solucionar problemas. 
Realiza também auto avaliação, privilegia as 
ações centradas no aluno que aprende e valoriza 
o docente no papel de facilitador e mediador 
do processo de aprendizagem. 
O termo competência está diretamente 
relacionado aos quatro pilares da educação 
citados por Jacques Delors (1998), que são: 
Aprender a conhecer: onde destacam-se as 
habilidades para construir conhecimentos e 
exercitar o pensamento, permitindo que o 
aluno seja capaz de selecionar informações com 
significado para sua realidade. Aprender a fazer: 
96 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
nesta aprendizagem, destaca-se a aplicação de 
conhecimentos significativos ao trabalho e o 
estímulo à criatividade. Aprender a conviver: 
ou seja, descobrir o outro e identificar objetivos 
comuns, que destaquem o autoconhecimento, 
a autoestima, a solidariedade e a compreensão. 
Aprender a ser: nesta aprendizagem destaca-se 
a ideia de preparar o ser humano inteiramente, 
espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, 
responsabilidade pessoal, ética, espiritualidade, 
críticos e autônomos. 
Diante dessas mudanças não basta o aluno 
meramente saber determinado assunto e saber 
aplicar o que conhece. Deve também saber 
comportar-se, desenvolver a sua capacidade 
crítica, ter autonomia, conhecer para 
transformar-se, ter habilidade para atuar em 
equipe, aperfeiçoar sua atividade e solucionar 
de forma criativa situações desafiadoras em 
seu dia a dia. 
Dentro desse quadro, a avaliação com base 
em competências implica a necessidade de 
utilização de diferentes estratégias de ensino, 
mais especificamente, os trabalhos em grupo, 
de modo a permitir a troca de informações, e 
a realização de autoavaliação, favorecendo a 
autocrítica, que por sua vez propicia a negociação 
e a promoção de maior autonomia no processo 
ensino aprendizagem. 
Citado por Perrenoud, “Tardif (2004)estende, 
à avaliação das competências, as características 
que toda avaliação autêntica deveria respeitar”. 
Destas citamos algumas das mais significativas: 
■ Avaliação não inclui senão tarefas 
contextualizadas. 
■ A tarefa e suas exigências são conhecidas 
antes da situação de avaliação. 
■ A avaliação aborda problemas complexos. 
■ A autoavaliação faz parte da avaliação. 
■ A avaliação deve determinar as forças 
dos estudantes. (Isto quer dizer que a 
avaliação deve propiciar condições de o 
aluno demonstrar o domínio dos saberes 
desenvolvidos). 
■ As informações extraídas da avaliação de-
vem considerar as aptidões dos estudantes, 
seus conhecimentos anteriores e seu grau 
atual de domínio das competências visadas. 
Essas citações nos fazem pensar em uma 
avaliação ampla, rica e com critérios de avaliação 
claros e confiáveis, para que não gerem dúvidas 
naquele que é avaliado, no caso o aluno, e nem 
naquele que avalia, o docente. 
O conteúdo deve ser entendido como meio e 
não um montante de informações repassadas 
para cumprimento de um programa. O 
professor deve ser o mediador do processo de 
aprendizagem, o qual leva o aluno se tornar 
autônomo e capaz de tomar decisões. Com esse 
olhar, o processo avaliativo e a prática docente 
estão sendo repensados pelos professores. A 
transformação do processo avaliativo no sistema 
educacional é uma necessidade que se tornou 
evidente em razão do desenvolvimento de novas 
propostas pedagógicas. 
Segundo Perrenoud (1986), a avaliação deve 
ajudar o aluno a aprender e o professor a 
ensinar, num clima de confiança onde o 
educando exponha suas dúvidas e o professor 
evite o fracasso escolar esboçando e colocando 
em prática um plano de ação bem pensado, 
exequível. 
A avaliação, deste modo, ajuda a desenvolver 
no indivíduo seus processos cognitivos, para 
codificar e decodificar informações, mobilizar 
conhecimentos, resolver problemas complexos, 
analisar, realizar inferências, levantar hipóteses, 
classificar, definir regras, estabelecer relações 
com o contexto vivenciado, dentre outras. 
97Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
No entanto, qualquer que seja a opção da escola, 
esta tem que considerar que todo o processo 
de ensino e de aprendizagem não pode perder 
de vista a sua dimensão social e sua busca 
incessante de igualdade de oportunidades aos 
indivíduos, de forma a levá-los a sua realização 
plena, enquanto sujeito-cidadão, e a conviver 
com as transformações do mundo da ciência 
e da tecnologia. 
5 CONCLUSÃO
A avaliação, conforme foi apresentada ao longo 
deste artigo, é um processo abrangente, que 
implica uma reflexão crítica sobre a prática, no 
sentido de captar seus avanços, suas resistências 
e dificuldades a fim de possibilitar uma tomada 
de decisão sobre o que fazer para superar os 
obstáculos que impedem a aprendizagem dos 
alunos. A avaliação diagnóstica e formativa 
é necessária para o acompanhamento do 
desenvolvimento dos alunos para assim, ajudá- 
-los em suas eventuais dificuldades. 
Outra constatação que este estudo permitiu, 
consiste no fato de que a classificação, na 
avaliação, não auxilia em nada o avanço e o 
crescimento da aprendizagem do aluno. Somente 
com uma função formativa e diagnóstica, ela 
pode ter esta finalidade. 
Desse modo, a avaliação não se constitui apenas 
como uma ferramenta para aprovação ou 
reprovação dos alunos, mas sim um instrumento 
de diagnóstico de uma situação. 
A avaliação é um desafio que exige mudanças 
por parte do professor, exigindo dele, além de 
grande dedicação, muito estudo, reflexão e ação. 
Um professor mediador busca transformar a 
aprendizagem em um momento prazeroso para 
seu aluno, levando-o a perceber sua importância 
para a construção de seu próprio conhecimento. 
Por isso, é fundamental que os professores 
entendam o verdadeiro significado da avaliação 
e questionem a sua prática de forma consciente. 
É por meio das metodologias e dos processos 
avaliativos utilizados que o professor irá 
participar da reprodução ou transformação da 
sociedade na qual estamos inseridos, podendo 
formar, ou não, sujeitos críticos e emancipados 
para que possam nela conviver com equidade. 
Compreende-se que a metodologia por 
competência não deve ser vista com um olhar 
simplista de professores que podem se esconder 
atrás das definições acadêmicas e se esquecerem 
de trabalhar uma perspectiva de valorização da 
“educação e saber”, as quais estão subjacentes 
em muitos dos alunos, e que devem direcionar 
este saber para a inclusão, a transformação e a 
intervenção crítica dos indivíduos na realidade 
do mundo do trabalho. 
É possível constatar que historicamente 
o SENAI passou por mudanças em sua 
metodologia, sendo hoje voltada ao ensino 
com base no desenvolvimento de competências. 
Este pressupõe a preparação de profissionais 
qualificados, um ambiente pedagógico 
diferenciado, uma prática pedagógica 
interdisciplinar, contextualizada, integradora 
do saber, do saber fazer, do saber ser e do 
saber conviver. Nessa nova realidade o SENAI 
adotou a seguinte definição de competência 
profissional: 
98 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
“Competência Profissional é a 
mobilização de conhecimentos, 
habilidades e atitudes profissionais 
necessários ao desempenho de 
atividades ou funções típicas segundo 
padrões de qualidade e produtividade 
requeridos pela natureza do trabalho”. 
(SENAI. DN, 2000, p. 15) 
Dessa maneira a metodologia com base em 
competência parece proporcionar, nos dias de 
hoje, uma articulação entre tecnologia, trabalho 
e educação, principalmente diante do avanço 
produtivo, que levou as empresas a modificarem 
sua forma de olhar o profissional. Este deve 
ter habilidades necessárias para o desempenho 
eficiente e eficaz, que lhe permita lidar com as 
atividades exigidas no mundo do trabalho. Nesse 
contexto, a avaliação pôde ser percebida como 
espaço de diálogo e de respeito, ressaltando-
se a sua importância no suporte das práticas 
docentes. 

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100 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
COORDENADOR PEDAGÓGICO E A 
MEDIAÇÃO ESCOLAR
Vanessa de Cássia Palácios Fraga1
Resumo
O presente artigo abordará a relação entre a função de Coordenação 
Pedagógica e a mediação escolar a fim de apresentar a função desse pro-
fissional, reafirmando sua atuação não só como mediadora, mas também 
como transformadora no espaço escolar. Portanto, este artigo dialoga com 
autores voltados para esta temática, refletindo sobre a importância deste 
profissional no ambiente Institucional.
Palavras-chave: Coordenação Pedagógica. Competências. Educação.
***
1E-mail: vanessa.
fraga@senairs.
org.br
***
101Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho tem por finalidade identificar 
quais as competências do Coordenador 
Pedagógico, apresentando seu papel como 
mediador e transformador, através da análise 
de suas funções e assessoria pedagógica. O 
compromisso que este cargo tem de garantir 
que a escola cumpra a sua função social de 
socialização e construção do conhecimento, 
assegurando que a Unidade Operacional 
proporcione qualidade no ensino, formando 
alunos críticos, cientes de seus direitos e deveres.
“Rangel (1997, p. 147) contribui definindo 
que “supervisor” é o que procura a “visão 
sobre”, no interesse da função coordenadora e 
articuladora de ações, é também quem estimula 
oportunidades de discussão coletiva, crítica e 
contextualizada do trabalho”. 
Portanto, o Coordenador Pedagógico é aquela 
pessoa especializada na motivação do corpo 
docente e que direciona seu trabalho pedagógico 
na busca da efetiva qualidade, auxiliando o 
professor na elaboração de seu planejamento.
Um bom Coordenador dedica seu tempo para 
conversar individualmente com cada membro 
de sua equipe, não somente sobre as funções 
a serem bem desempenhadas, mas também 
sobre quem eles são e como ajudam uns aos 
outros dentro do ambiente escolar, pois saber 
se expressar é uma das competências deste 
profissional.
Atualmente, pode-se dizer que o papel do 
Coordenador Pedagógico está ligado à gestão 
da Unidade Operacional como um todo, 
executando atividades administrativas e dando 
suporte ao professor para minimizar as possíveis 
dificuldades do contexto escolar em relação ao 
ensino-aprendizagem. O cargo de Coordenador 
Pedagógico tem como importante função a 
intermediação entre o trabalho administrativo e 
a prática pedagógica da Unidade Operacional, 
através de suas ações. 
Dentro do âmbito escolar surgem muitos 
conflitos, não só relacionados aos alunos, mas 
também entre os docentes, que mesmo com 
objetivos voltados para a educação, divergem 
em opiniões. No entanto, esses conflitos não 
podem ser vistos apenas como algo negativo, 
mas deve-se sim, saber administrá-lo, pois, “a 
administração de conflitos consiste exatamente 
na escolha e implementação das estratégias 
mais adequadas para se lidar com cada tipo de 
situação” (NASCIMENTO; KASSEN, 2002 
p.48).
Desta forma, o Coordenador Pedagógico é 
pessoa preparada para gerenciar estes conflitos, 
visto que, ele não está atento apenas à docência, 
mas a tudo que envolva a escola.
Sendo assim, com a escolha deste tema, 
objetiva-se explorar o outro lado da docência: 
o administrativo aliado ao pedagógico, de modo 
a contribuir de forma clara a definir o que de 
fato compete ao Coordenador Pedagógico.
102 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Na educação, a supervisão atua em parceria 
com o corpo docente, coordenando as práticas 
pedagógicas, acompanhando o desenvolvimento 
do currículo, auxiliando os professores 
na organização das atividades didáticas e 
estimulando oportunidades grupais de estudo, 
realizando reuniões pedagógicas.
Conforme Rangel (2001, p.2):
A supervisão passa de escolar, 
como é frequentemente designada, 
a pedagógica e caracteriza-se por 
um trabalho de assistência ao 
professor, em forma de planejamento, 
acompanhamento, coordenação, 
controle, avaliação e atualização do 
desenvolvimento de processo ensino-
aprendizagem. A sua função continua 
a ser política, mas é uma função 
sociopolítica crítica (...).
Portanto, este profissional deve ter uma postura 
de líder, pois se envolve diretamente com 
professores, diretoria, alunos e seus pais. Ou 
seja, é um profissional especializado que, no 
seu papel de transformador, busca integrar a 
escola à comunidade na qual se insere.
Para isto, é necessário que o Coordenador 
Pedagógico esteja sempre atualizado em suas 
formações, “sua atuação deve estar baseada nas 
áreas do planejamento, da formação continuada 
e da avaliação” (LIMA; MOREL, 2013, p.18). 
Estas definições revelam uma evolução nas 
atribuições do Coordenador Pedagógico.
Tendo por objetivo a melhoria do ensino 
elementar brasileiro, no final da década de 
50, foi firmado entre Brasil e Estados Unidos 
da América um acordo para implantação do 
Programa de Assistência Brasileiro Americana 
ao Ensino Elementar, o PABAEE.
A necessidade de firmar esse acordo surgiu 
da análise da situação do ensino primário, nos 
anos 1950: altos índices de evasão e repetência, 
elevado número de professores leigos e utilização 
de material didático que não contribuía para o 
processo de escolarização. 
No projeto de desenvolvimento das propostas 
de melhoria da qualificação do corpo docente 
do ensino primário, as escolas normais foram 
naturalmente identificadas como locus 
privilegiado de implantação de ações para a 
melhoria do ensino primário. Considerando 
essa estratégia, o Instituto de Educação de 
Minas Gerais foi eleito como a instituição-
chave para a avaliação das novas propostas 
pedagógicas.
Minas Gerais foi uma das executoras do 
programa, entretanto, esta tendência influenciou 
a educação e a função do Coordenador 
Pedagógico em todo o Brasil.
Em um determinado período, este profissional 
foi considerado como fiscal de ensino. De acordo 
com Rangel (1997), em seu início, a Supervisão 
Escolar foi praticada no Brasil em condições que 
produziam o ofuscamento e não a elaboração da 
vontade do supervisor. E esse era, exatamente, 
o objetivo pretendido com a supervisão que 
se introduzia. Para uma sociedade controlada, 
uma educação controlada; um Coordenador 
controlador e também controlado. 
Neste momento vem o importante preparo do 
Coordenador Pedagógico, com base nas suas 
concepções tecnicistas,pois esses profissionais 
poderiam atuar, conforme Garcia (1997, p.40) 
“ interferindo, diretamente no que ensinar, no 
como ensinar e avaliar, educando professores e 
2 HISTÓRICO DA SUPERVISÃO ESCOLAR
103Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
alunos para uma organização escolar fundada na 
ordem, na disciplina e na hierarquia e cimentada 
na visão liberal cristã “.
A LDB Leis de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional (Brasil), passa a propiciar a criação de 
setores especializados nas escolas para coordenar 
suas atividades.
 Assim o Coordenador Pedagógico “passa a 
ter uma perspectiva baseada na participação, 
integração e flexibilidade no ambiente 
escolar, atuando em parceria com o professor” 
(LIMA; MOREL, 2013, p.53). Desta forma, 
o Coordenador terá uma atuação diferente do 
contexto anterior, pois no atual ele terá um 
papel político, pedagógico e líder na escola, 
sendo que também deverá assegurar a qualidade 
na educação, articulando todas as esferas que 
envolvem o processo de ensino-aprendizagem, 
trabalho direcionado para os fundamentos da 
educação.
O Coordenador Pedagógico, voltado para 
a administração das práticas docente, tem a 
função de acompanhar e orientar os professores, 
bem como a qualidade da aprendizagem, 
contribuindo com a transformação social dos 
educandos.
Segundo Piletti 1998, p. 125 apud Lima e 
Santos, o coordenador pedagógico deve ser 
uma assessoria permanente ao trabalho docente 
e suas atribuições são:
a) Acompanhar o professor em suas 
atividades de planejamento, docência 
e avaliação. 
b) Fornecer subsídios que permitam 
aos professores atualizarem-se e 
aperfeiçoarem-se constantemente em 
relação ao exercício profissional.
c) Promover reuniões, discussões e debates 
com a população escolar e a comunidade 
no sentido de melhorar sempre mais o 
processo educativo.
d) Estimular os professores a desenvolverem 
com entusiasmo suas atividades, 
procurando auxiliá-los na prevenção e 
na solução dos problemas que aparecem. 
No que se refere à descrição das funções do 
cargo de Coordenador Pedagógico, constata-
se que esse profissional tem responsabilidades 
estreitamente ligadas com o processo de ensino 
e de aprendizagem da escola. Em relação a 
parte pedagógica escolar, é responsável por 
coordenar a elaboração do planejamento, 
acompanhar a execução do currículo, promover 
a avaliação permanente do currículo visando 
o replanejamento a fim de conduzir os 
envolvidos no processo educativo a refletirem 
sobre novas técnicas de aprendizado visando 
a melhoria; coordena, juntamente com o 
Orientador Educacional, o Conselho de Classe 
em seu planejamento, execução, avaliação e 
desdobramentos, fazendo com que o Conselho 
flua de acordo com suas necessidades de análise. 
O Coordenador também é responsável por 
promover o aperfeiçoamento permanente dos 
professores, através de reuniões pedagógicas 
e encontros de estudo, visando a construção 
da competência docente, valorizando e 
estimulando o profissional. Auxilia na garantia 
de que cada área do conhecimento recupere o 
seu significado e se articule com a globalidade 
do conhecimento.
A Coordenação Pedagógica é importante no 
contexto escolar por oferecer uma variedade 
de responsabilidades visando benefício da 
qualidade da educação, envolvendo todos os 
profissionais da escola.
O Coordenador atua para a eficiência e eficácia 
da educação com resultados, em um trabalho 
contínuo e em parceria com os professores, esses, 
104 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
3 LIDERANÇA
O líder institucional está à frente de um grupo 
de pessoas que precisam atingir objetivos e 
metas comuns. Sendo um “coordenador” do 
trabalho pedagógico assumindo a liderança, 
responsável pela articulação dos saberes dos 
professores e sua relação com a proposta de 
trabalho da escola.
Segundo Moreno 2004, “Liderança emana 
de conhecimento, da perícia, das habilidades 
interpessoais e não do nível de autoridade. Cada 
um pode e deve ser um líder. As qualidades da 
liderança não são mais mistérios distantes e 
responsáveis por conduzir a ação de ensinar. 
Todo esse processo em conjunto aponta a 
necessidade e importância da atuação constante 
do Coordenador habilitado profissionalmente, 
garantindo uma liderança efetiva buscando os 
objetivos educacionais estabelecidos na função 
social da escola.
O Coordenador Pedagógico influencia 
todos os funcionários da escola para que se 
comprometam com o atendimento às reais 
necessidades dos alunos. 
A figura do Coordenador Pedagógico faz parte 
do contexto educacional, “há necessidade de 
controle no trabalho educacional. Ele necessita 
ser redefinido com base nos novos significados” 
(FERREIRA, 2004, p. 99). Interessante é 
investir no Coordenador, capacitá-lo e acima 
de tudo valorizá-lo, pois se houve uma busca 
para tal formação, se proporcionaram a criação 
de um cargo na escola é porque o Coordenador 
Pedagógico é fundamental para a educação.
A partir da promulgação da atual Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(BRASIL, 1996), o Coordenador passou a 
elaborar e a acompanhar a execução da proposta 
pedagógica, tendo a comunidade escolar como 
participante.
Atualmente pode-se dizer que o papel do 
Coordenador Pedagógico está ligado à 
gestão da escola como um todo. Executando 
atividades administrativas pedagógicas, sendo 
um mediador entre o grupo de docentes e a 
direção da escola. Disciplina e diálogo são 
palavras relevantes na rotina do Coordenador 
Pedagógico. Saber expressar-se, argumentar, 
compreender, são palavras-chave para uma boa 
atuação. A visão sistêmica também é uma grande 
aliada do Coordenador Pedagógico.
Conforme Silva Júnior e Rangel (1997) a ação 
supervisora implica ter uma concepção clara 
a respeito da posição que o sistema de ensino 
atribui ao Coordenador e a posição que o 
próprio Coordenador se atribui.
inatos – elas podem ser aprendidas. Os líderes 
removem as barreiras que impedem as pessoas 
e as máquinas de atingirem o ótimo. Sonhar, 
saber, planejar e agir são palavras-chave”.
Moreno destaca também “nove atributos da 
liderança:
1. Confiança: em si, nos outros, na sua 
causa e no seu trabalho.
2. Otimismo: crença de que o objetivo 
não é só bom como também será 
alcançado.
105Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
3. Conhecimento: uma compreensão 
dos problemas fundamentais, do que 
precisa ser feito.
4. Determinação: capacidade de 
ponderar as opções, tomar decisões e 
conquistar a aceitação do grupo. 
5. Mente aberta: respeito pela 
opinião dos outros e disposição para 
trabalhar com pessoas de diferentes 
personalidades. 
6. Participação: disposição para 
ajudar até mesmo em tarefas das 
mais humildes, para se colocar à 
frente e apoiar os esforços feitos pelos 
membros do grupo.
7. Paciência: disposição para 
amadurecer as ideias, para planejar 
adequadamente e aguardar a hora 
certa de agir. 
8. Coragem: para suportar críticas, 
fazer sacrifícios e resistir às pressões, 
bem como para prosseguir apesar das 
adversidades. 
9. Comunicação: “habilidade para 
entender o que os outros estão 
querendo dizer e comunicar decisões 
e planos de ação de forma clara e 
objetiva”. 
Percebe-se que o termo liderança é conceituado 
de uma forma mais ampla e aprofundado do 
que simplesmente o ato de guiar ou chefiar. 
A liderança eficaz se forma na ligação de 
princípios, hábitos e qualidades humanas, que 
tanto os indivíduos quanto as organizações 
lutam para adquirir e manter. 
O que diz Johnson (1972 apud ANJOS, 1988, 
p. 22), sobre liderança:
A influência que a pessoa exerce sobre 
os outros componentes do grupo e 
que transcende o purocumprimento 
do papel que lhe cabe na organização. 
Liderar significa ajudar o grupo a 
alcançar seus objetivos através de 
uma realização de atos. Esses atos são 
denominados funções grupais e as 
funções do líder consistem em fixar 
metas, ajudar o grupo a aceitá-las.
O Coordenador Pedagógico, portanto, é o 
profissional orientador do trabalho pedagógico 
desenvolvido pelos docentes em uma escola 
influenciando na construção de ideias de um 
grupo de pessoas, fazendo com que estas, 
quando necessário, “mudem suas mentes” em 
relação a determinados assuntos.
Alarcão (2004, p. 35), refere-se a este profissional 
como líder, definindo como objeto de seu 
trabalho “o desenvolvimento qualitativo da 
organização escolar e dos que nela realizam 
seu trabalho de estudar, ensinar ou apoiar a 
função educativa por meio de aprendizagens 
individuais e coletivas”.
Alarcão (2004, p. 47) traz o pensamento de 
Senge, Mintzberg e Bronfenbrenner, que aponta 
para o desenvolvimento da escola enquanto 
organização aprendente, repercutindo no 
trabalho do Coordenador Pedagógico (IIPE, 
2000, p. 17 59). Destaco algumas ideias:
“A Instituição é constituída por 
pessoas, profissionais, também 
elas em desenvolvimento pessoal e 
profissional.
O desenvolvimento humano, 
individual e coletivo, é a pedra 
de toque para o desenvolvimento 
organizacional. 
A liderança estratégica, baseada 
numa visão partilhada da escola, num 
pensamento sistêmico e no diálogo, é 
de importância capital.
A resolução cooperativa dos 
problemas é fator de aprendizagem e 
de coesão organizacional. 
A linguagem como expressão 
do pensamento crítico e fator de 
conscientização, aumenta o nível de 
empenho”.
Hunter (2004, p. 33) afirma que a liderança 
“é uma habilidade que pode ser aprendida e 
desenvolvida por alguém que tenha o desejo e 
pratique as ações adequadas”.
106 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Pode-se dizer que competência consiste na 
junção e coordenação de conhecimentos, 
atitudes e habilidades.
Conforme cita Perrenoud (1999, p.68),
(...) um conjunto identificável e 
avaliável de conhecimentos, atitudes, 
valores e habilidades, relacionados 
entre si, que permitem desempenhos 
satisfatórios em situações reais de 
trabalho, segundo padrões utilizados 
na área ocupacional.
O conhecimento é o saber, é o que se aprende nas 
universidades, nos livros. Já habilidade é o saber 
fazer, é a utilização dos conhecimentos na sua 
rotina diária. Por fim, a atitude diz respeito ao 
querer fazer, é o que leva uma pessoa a exercitar 
uma determinada habilidade. Complementando, 
as competências podem ser classificadas em 
técnicas (conhecimentos e habilidades), as 
quais dizem respeito a tudo o que o profissional 
precisa para ser um especialista tecnicamente, e 
comportamentais (atitudes) que dizem respeito 
ao que o profissional precisa demonstrar como 
sendo seu diferencial competitivo. No entanto, 
as competências podem ser classificadas, ainda, 
em: competências organizacionais e individuais. 
As competências organizacionais decorrem 
da gênese e do processo de desenvolvimento 
da organização, concretizando-se em seu 
patrimônio de conhecimentos, o qual estabelece 
as vantagens competitivas da organização no 
contexto em que se insere para as competências 
individuais. 
Então, trabalho por competências surgiu a 
partir da constatação de uma forte mudança 
no modelo de julgamento avaliativo que as 
empresas faziam de sua força de trabalho e 
das modificações potenciais das práticas de 
gestão de recursos humanos. Este modelo 
estava baseado em quatro premissas básicas: 
novas práticas de recrutamento; novo tipo de 
compromisso no que concerne à mobilidade 
interna; insistência inédita na responsabilização 
dos assalariados; e modificação dos sistemas de 
classificação e de remuneração. 
Nesse sentido, o primeiro passo em gestão por 
competências é saber quais os requisitos da 
função, quais as competências que a função 
exige. Num segundo momento, procura-se 
saber quais as competências e o quanto de cada 
uma delas a pessoa que desempenha a função 
possui. Por fim, compara-se as competências 
que a função exige com as competências que 
o ocupante possui, demonstrando a lacuna 
existente, para, a partir disso, traçar um plano. 
Portanto, competência pode ser entendida 
como uma ação fundamentada e assertiva 
frente aos desafios, juntamente com as 
capacidades organizativas que compreendem o 
planejamento, organização, execução e avaliação 
do trabalho. As capacidades sociais que tratam, 
essencialmente, das relações interpessoais e 
questões comportamentais, fundamentais para 
a execução de um trabalho eficaz.
Conforme Saviane (2002 p 237) “a ação do 
Coordenador Pedagógico é vista como prática 
educativa ou função constitui-se em trabalho 
que tem o compromisso de garantir a qualidade 
de ensino, da educação, e da formação humana” 
garantindo assim, o cumprimento da função 
social da Unidade Operacional.
Portanto, o Coordenador Pedagógico deve ter 
o conhecimento de qual realidade está inserida 
a escola, a comunidade e suas características 
4 COMPETÊNCIA
107Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
sociais, econômicas e culturais. Como são os alunos, docentes e, demais funcionários que ali 
trabalham, para assim, realizar um trabalho significativo.
5 CONCLUSÃO
Reitera-se que função de Coordenador 
Pedagógico não se limita apenas ao aspecto 
administrativo ou ao pedagógico, relacionando-
se a ambos. A atuação do Coordenador precisa 
estar adequada à realidade da comunidade. 
Para melhor atender aos alunos, esse profissional 
deve estar preparado para gerenciar conflitos 
entre professores, já que este profissional é 
preparado para liderar e essa liderança deve ser 
exercida com autoridade, mas sem autoritarismo, 
para que se possa proporcionar tanto aos alunos 
quanto aos professores um ambiente acolhedor 
cuja à aprendizagem se consolida com o trabalho 
de todos.
O Coordenador Pedagógico lidera líderes em 
potencial, por isso, deve estar a frente de tudo 
que acontece no âmbito escolar. Sua função 
surgiu para atuar com os professores em busca 
da qualidade, com a intenção de melhorar o 
desempenho da educação e para isso precisa 
trabalhar as questões éticas, sociais e sócio 
políticas em sua rotina.
O Coordenador Pedagógico deve ter consciência 
da importância de seu papel sendo um sujeito 
ativo, promovendo um trabalho coletivo em 
prol da formação de pessoas. Com a intenção de 
integrar o grupo, respeitando a individualidade 
de cada um, deve estar sempre atento as 
dificuldades e facilidades apresentadas por 
cada sujeito, tais como: planejamento, método, 
avaliação, conteúdo, relações interpessoais com 
o intuito de orientar. 
Conclui-se, então, que as competências atribuídas 
a este profissional são de grande relevância 
para o processo de ensino e organização de 
uma Instituição. Por acompanhar o processo 
pedagógico, o Coordenador Pedagógico é visto 
como uma figura de referência para o grupo 
de docentes. 
A parceria entre as partes é fundamental para 
o alinhamento pedagógico. No que diz respeito 
às atividades pedagógico-administrativas, 
é de suma importância que o Coordenador 
Pedagógico execute de forma adequada os 
procedimentos da escola. 
Para realizar um trabalho eficaz, deve transmitir 
segurança na sua fala e em seus atos para isto, 
é necessário estar constantemente estudando, 
se atualizando sobre Leis, grandes pensadores, 
atualizações pedagógicas, pesquisando, para 
assim, dar um suporte melhor aos docentes, 
pois quando os mesmos tiverem dúvidas, sintam 
confiança ao esclarecê-las com o Coordenador 
Pedagógico, o vejam como uma pessoa confiável, 
capaz de dar o suporte quenecessitam.

108 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
REFERÊNCIAS
ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivos em uma 
escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2004.
ANJOS, Almerinda dos. Relação entre a função 
de liderança do Coordenador Pedagógico e a 
satisfação de professores: estudo de caso na 1ª 
D. E. de Porto Alegre. Dissertação (Mestrado em 
Educação). Porto Alegre: PUCRS, 1988.
FERREIRA, Naura Syria (org.). Supervisão 
Educacional para uma Escola de Qualidade. São 
Paulo: Cortez, 2002.
HUNTER, C James . O Monge e o Executivo: 
uma história sobre a essência da liderança. 15. 
ed. Tradução de Maria da Conceição Fornos de 
Magalhães. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.
LIMA, Maria José Machado de; MOREL 
Yolanda Pereira. O miúdo da supervisão escolar/
educacional. Porto Alegre: ASSERS, 2013.
MARCELO, Garcia. A formação de professores: 
novas perspectivas baseadas na investigação sobre o 
pensamento do professor. In: NÓVOA, A. (Coord.). 
Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom 
Quixote, 1997. p. 53-75.
MORENO, Luis Carlos. Informação: O gerente 
educador e a liderança-publicado em 02/04/2004.
NASCIMENTO, Eunice Maria; KASSEN, 
Mohamed. Administração de conflitos. Curitiba: 
Editora Gazeta do Povo, 2002.
PERRENOUD, Philip. Construir as competências 
desde a escola. Editora Artes Médicas, pg. 68. Porto 
Alegre (1999)
RANGEL, Mary. Nove Olhares Sobre a 
Supervisão. Campinas: Editora Papirus, 1997. 
RANGEL, Mary. Supervisão Pedagógica: 
Princípios e Práticas. Campinas: Editora Papirus, 
2001.
SAVIANI, Demerval. A Supervisão Educacional 
em Perspectiva Histórica: da função à profissão pela 
mediação da idéia. In: FERREIRA, Naura. Siria. C. 
(Org.). Supervisão educacional para uma escola de 
qualidade: da formação à ação. São Paulo, Cortez, 
2002.
LIMA, Paulo Gomes e SANTOS, Sandra Mendes. 
O coordenador pedagógico na educação básica: 
desafios e perspectivas. Educare ET. Revista 
Educação. Vol.2. Nº 4jul/dez, 2007.p.77-99).
110 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
O presente artigo foi elaborado com o propósito de causar uma reflexão 
sobre o processo de avaliação de alunos e docentes em cursos voltados para 
a educação profissional. A avaliação é um tema bastante difundido em 
diversos cursos de licenciatura mas sempre esbarra em obstáculos quando 
nos propomos a analisar a sua eficácia dentro do contexto educacional. 
Alunos e docentes necessitam de uma avaliação consistente, que cumpra 
o seu papel dentro do perfil a que se propõe a instituição. Preparar para 
o mercado de trabalho é ir além das disciplinas teóricas e práticas pré-
definidas. É preciso seguir numa estrada em que se exponha a necessidade 
do aprendizado, aliado à questões práticas que realizem as intervenções 
necessárias para compormos um conjunto: doutrinação teórica, correlação 
prática com fatos do cotidiano e constatação do aprendizado. E para tal 
precisaremos centrar esforços inicialmente na formação docente. Barreiras 
mentais precisam ser eliminadas e o apoio da coordenação pedagógica será 
fundamental para alicerçar o conhecimento do docente e a partir dessa 
base seguirmos para a etapa de construção do conhecimento do aluno. 
A coordenação pedagógica necessitará acompanhar intensivamente o 
desenvolvimento das atividades dos docentes, com sensibilidade para 
propor intervenções, quando necessárias. 
Palavras-chave: Avaliação. Acompanhamento. Coordenação Pedagógica.
1 Especialista 
em Direito 
Educacional - 
elisangela.melo@
pe.senai.br 
DESAFIOS DOS DOCENTES PARA 
A FORMAÇÃO DA COMPETÊNCIA 
DOS ALUNOS NA EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL
Elisângela Souza de Mélo 1
111Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
O processo educacional possui diversas etapas 
e nesse estudo o foco principal será o processo 
de avaliação dos docentes que atuam em cursos 
de habilitação técnica, voltados para a educação 
profissional. Muito mais que elaborar planos de 
aula para repassar conteúdos teóricos e práticos, o 
docente precisa conscientizar-se que a educação 
profissional foge aos padrões do ensino regular. 
O aluno não poderia receber uma carga teórica 
demasiada, que o colocaria na simples posição de 
um receptor de informações gerais. A interação 
com o grupo, o conhecimento do contexto social 
dos alunos, as perspectivas para o mercado de 
trabalho, enfim, diversos itens que o docente 
necessitará conhecer sobre seus alunos para que 
possa desenhar suas aulas, teóricas e práticas, 
da melhor maneira possível. A avaliação não 
pode se transformar em algo rígido e pontual. 
Necessita ser trabalhada diariamente e por 
muitas vezes também necessita sofrer alterações 
ou adaptações que possam levar o aluno a atingir 
os objetivos. E desde o processo de elaboração 
das aulas o docente necessitará de apoio da 
coordenação pedagógica. A materialização 
das aulas, propostas de oficinas pedagógicas, 
definição de materiais adequados são itens que 
a coordenação e o docente precisarão definir em 
conjunto e com a antecedência necessária para a 
aquisição. As propostas pedagógicas e os estudos 
de caso são fundamentais para que os alunos 
possam utilizar os conhecimentos teóricos e 
práticos adquiridos nas aulas, formalizando um 
conjunto final, a formação de sua competência 
em determinada área ou tema.
2 DESENVOLVIMENTO
Os docentes geralmente preocupam-se 
com o processo avaliativo de seus alunos no 
aspecto apenas de aprovações ou reprovações. 
Geralmente, a avaliação é um item que afeta 
todos os atores educacionais, num fluxo contínuo 
e retroalimentado. A coordenação pedagógica 
faz a explanação das diretrizes que deverão 
ser consideradas em sala de aula, os docentes 
planejam suas atividades e os alunos recebem 
toda essa carga, processando o conjunto de 
informações e em seguida dando o retorno 
à coordenação pedagógica. Nesse ciclo, as 
atividades de um grupo interferem diretamente 
nas ações do grupo seguinte. Alguns docentes 
ainda desejam atuar de forma tradicionalista, 
ficando plenamente felizes em aplicarem provas 
e provocarem o medo dos alunos. Orgulham-se 
da dificuldade de suas provas e não sentem 
que deram uma boa prova se muitos alunos 
tiraram nota alta. No outro extremo, temos os 
docentes que tornam suas provas tão simples 
que não chegam a suscitar no aluno nenhum 
comportamento de empenho pessoal para 
realizá-las. No primeiro caso, desenvolve-
-se nos alunos um grau de ansiedade, de 
frustração ou de sentimento de injustiça que 
interfere negativamente em seu processo de 
aprendizagem. No segundo, criam-se condições 
de indolência e nenhum empenho para aprender, 
muitas vezes associadas a sentimentos relativos 
ao desinteresse do professor pelos alunos e pelo 
seu trabalho. Sentimentos negativos em relação 
às provas vão sendo desenvolvidos ao longo dos 
anos. Quando falamos em educação profissional 
112 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
esse item torna-se ainda mais relevante. Como 
poderemos avaliar os nossos alunos, dentro 
dos nossos muros, para que o desempenho no 
mercado de trabalho reflita a nossa preocupação 
e prática pedagógica que tantos afirmamos 
que temos? Podemos destacar alguns aspectos 
relativos a esta questão para reflexão e discussão. 
Para a elaboração dos planos de aula o docente 
precisa dispor de tempo para identificar o perfil 
da turma, aliando aos objetivos do curso e 
competências que necessitarão serem formadas 
nos alunos. Os aspectos a serem trabalhados 
em sala de aula e os conhecimentos adquiridos 
nas diversas disciplinas precisam ser discutidos 
com a equipe pedagógica. A correlação dos 
conteúdos é essencial e poderá conduzir o 
docente a ministraraulas atraentes, dinâmicas 
e recheadas de informações que levem os 
alunos a refletirem, a fortalecerem o senso 
crítico e a colocar em prática os conceitos 
assimilados durante as aulas. Uma dificuldade 
apontada por alguns docentes é o fato de que 
as disciplinas se cruzam durante o curso, pois 
os tópicos apresentados se interligam em rede. 
Porém, a metodologia usada pelos docentes 
nem sempre possui uniformidade, causando 
rupturas no aprendizado. A metodologia precisa 
ser única e sabe-se que cada docente traz seu 
histórico, suas bagagens e seus traumas e acertos. 
Conciliar as ações dos docentes direcionando 
para o objetivo da instituição é papel exclusivo 
da coordenação pedagógica. Ela possui o 
conhecimento necessário para identificar os 
perfis e conseguir tecer a padronização que tanto 
se deseja. Ela conseguirá definir intervenções 
necessárias para que o processo educacional 
siga o fluxo parametrizado pela instituição. 
Essa ação precisa ser contínua pois não se pode 
conceber uma coordenação pedagógica que 
define papéis e ações e encaminha o docente 
à sala de aula. A avaliação da prática docente 
também precisa ser contínua. Nenhum processo 
é estático. As turmas não são iguais. O mercado 
de trabalho também pode apresentar alterações 
ao longo do tempo. A dedicação de tempo ao 
estudo e a elaboração das aulas também é um 
fato questionado pelos docentes pois muitos 
informam que não possuem tempo para preparar 
as aulas, com a qualidade desejada. Infelizmente, 
as adequações no horário escolar nem sempre 
são possíveis e a coordenação pedagógica 
precisa criar situações para que os docentes 
interajam, troquem experiências e atualizem 
seus conhecimentos visando colocar em prática, 
na sala de aula, inovações que se adequem às 
necessidades do curso e dos alunos. Os docentes 
precisam identificar quais aspectos de ensino de 
sua disciplina foram realmente trabalhados em 
classe no período a ser avaliado, quais dentre 
estes serão incluídos na prova e o motivo. Depois 
de determinar o que será avaliado, é importante 
discutir com os alunos as questões trabalhadas 
em sala de aula, sinteticamente, conversando 
sobre compreensões e incompreensões, 
procurando explicitar, recordando os conteúdos 
já trabalhados de modo simples, claro e direto. 
Os alunos precisam participar da avaliação, 
não simplesmente como meros agentes que 
respondem a determinadas ações ou questões e 
sim de forma mais ativa, fortalecendo o próprio 
processo avaliativo.
113Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
3 CONCLUSÃO
Durante o estudo proposto nas disciplinas do 
curso de Aperfeiçoamento da Coordenação 
Pedagógica do Senai: Planejamento e Prática, 
foram apresentados subsídios teóricos excelentes 
que levaram não só à reflexão da prática 
pedagógica, como também num mergulho nas 
ações diárias em nossas Unidades. A 
Coordenação Pedagógica precisa cada vez mais 
aliar-se aos docentes promovendo intensivo 
acompanhamento das atividades executadas 
em sala de aula, identificando as dificuldades 
no processo de ensino e de aprendizagem. É 
possível trabalharmos novos processos de 
avaliação, tendo como foco a formação de 
competências nos alunos e para tal o 
acompanhamento do fluxo educacional 
precisará configurar como meta principal do 
núcleo educacional. Não se trata de atividade 
que possa ficar estagnada. Precisa ser considerada 
como um processo que sempre será poderá 
sofrer adequações visando atingir os objetivos. 
E precisam estar visíveis e incorporados por 
toda a equipe escolar. Sem meta e sem objetivo 
não há como se caminhar em direção a lugar 
nenhum e muito menos será possível avaliar se 
o local a que se chegou realmente é o ideal para 
a instituição e para o produto final: o aluno 
devidamente qualificado e inserido no mercado 
de trabalho, fortalecendo o reconhecimento 
pela sociedade do nosso nome, SENAI.

REFERÊNCIAS
BRASILIA, Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 
Brasil, Senado Federal, 1997, lei n° 9.394, de 1996. 
PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à 
regulação das aprendizagens. Porto Alegre: Artmed, 
1999. 
SOUZA, Alberto de Melo e. Dimensões da Avaliação 
Educacional. Petrópolis: Vozes, 2005. 
114 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
O enfoque atual de formação de trabalhadores ora proposto, baseado em 
no conceito de competência profissional, representa um desafio para o 
setor educacional, uma vez que se torna imprescindível que se identifique 
e se construa novos âmbitos de saberes, que permitam uma permanente 
adaptação às novas exigências dos setores produtivos, decorrentes da contínua 
implantação de novas tecnologias. Nesta pesquisa, será possível observar a 
evolução e construção de um processo educacional se fazem na coerência 
de princípios filosóficos, pedagógicos e éticos voltados para ações educativas 
capazes de atender às expectativas dos atores sociais produtivos (empresas, 
trabalhadores e comunidade escolar). 
Palavras-chave: Evolução. Tecnologia. Educação profissional. 
Metodologia.
1 E-mail: efaustino@
fiemg.com.br 
EVOLUÇÃO DA METODOLOGIA SENAI 
DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL 
Elisangela das Dores Faustino1
115Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
As mudanças ocorridas no mundo do trabalho 
e pelo desenvolvimento das tecnologias, 
provocaram mudanças e levam à novos desafios 
para a educação. Nessa perspectiva, este artigo 
tem como objetivo apresentar a evolução 
da educação profissional na qual exige-se 
estruturação contínua de acordo realidade do 
mercado de trabalho. 
O cenário da indústria atual, através do novo 
processo de produção passou a exigir um novo 
perfil profissional que domine não apenas o 
conteúdo técnico da sua atividade, mas que 
detenha habilidades de trabalhar em equipe e 
solucionar problemas. 
Nesta perspectiva, a educação profissional tem 
o papel de colaborar para a formação de pessoas 
autônomas, capazes de mobilizar, habilidades, 
conhecimentos, atitudes e valores frente às 
situações da vida pessoal e profissional. 
Assim, o SENAI - Centro Automotivo, busca 
contribuir para esse processo educacional em 
coerência de princípios filosóficos, pedagógicos 
e éticos voltados para ações educativas 
capazes de atender às expectativas dos atores 
sociais produtivos (empresas, trabalhadores e 
comunidade escolar).
2 CONTEXTO HISTÓRICO
Ao longo da história da humanidade, é 
possível observar a importância do trabalho 
na construção da identidade do homem. Nesta 
perspectiva, ARENDT, aponta que:
Através do trabalho, o ser do homem 
se distingue do ser dos animais e do 
ser das coisas: o sujeito humano passa 
a poder se assumir como sujeito em 
contraposição ao objeto. Através do 
trabalho, o homem não só se apropria 
da natureza como se afirma e se 
expande, se desenvolve, se transforma, 
se cria a si mesmo. (ARENDT, 1979, 
p 46). 
Nesta vertente, embora o exercício de uma 
função esteja associado há tempos antigo 
conforme relatos bíblicos, registros apontam 
que uma das primeiras escolas de formação 
profissional se deu em Portugal em 1755, com 
formação para área do comércio, náuticos, 
desenho entre outos.
 No Brasil, o processo de ensino e de 
aprendizagem teve início na colonização, em 
que os primeiros aprendizes eram os índios e 
escravos que precisavam aprender a trabalhar 
com a finalidade de gerar renda servir aos 
seus senhores. Nesta época, o trabalho era 
menosprezado e consequentemente, a educação 
profissional era desvalorizada. 
Anos após, com a abolição da escravidão, entre 
o final do século XIX e o início da Segunda 
República, gerou-se um problema social ao 
juntar ex escravos pobres, cegos, aleijados,que 
segundo FONSECA (1961), eram conhecidos 
como “desvalidos”, por não encontrarem meios 
de conquistar sua subsistência. Dessa forma, o 
Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Nilo 
Peçanha, por meio do Decreto n° 787, de 11 
de setembro de 1906, criou ensino técnico 
116 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
nas cidades de Campos, Petrópolis, Niterói, e 
Paraíba do Sul. 
Dessa primeira experiência, Nilo Peçanha, ao 
assumir o governo do Brasil após a morte de 
Afonso Pena, criou em 23 de setembro de 1909, 
o ensino técnico através do Decreto nº 7.566. 
Formando dezenove “Escolas de Aprendizes 
Artífices”, com formação destinada ao primário 
e ensino profissionalizante gratuito. 
Figura 1: Escola de Aprendizes e Artífices
Fonte: http://portal1.iff.edu.br (2016)
Uma das vertentes de formação profissional 
era a agrícola, que propiciou um alavancar na 
economia do país por atender as demandas dos 
setores agrícolas e da indústria, que se valeu da 
crise conhecida como crash1 da bolsa de Nova 
Iorque em 1929. 
Este cenário perdura até às décadas de 30 e 
40, onde ocorreram diversas transformações 
na economia, nas políticas educacionais com 
o fortalecimento da nova burguesia industrial 
em substituição às Oligarquias cafeeiras, que 
foi atigida pela crise. A industrialização e 
modernização do setor produtivo exigiu um 
posicionamento mais efetivo do governo com 
relação à educação nacional. 
Respondendo a essas demandas foram promul-
gados vários Decretos–Lei para regulamentar a 
1 Conhecida também como quinta 
negra causada pela queda da bolsa 
de valores de Nova York.
educação nacional, ficou conhecido como as Leis 
Orgânicas. Destaca-se, entre eles, o Decreto-
Lei nº. 12 4.048/1942 – cria o Serviço Nacional 
de Aprendizagem Industrial (SENAI), que deu 
origem ao que hoje se conhece como Sistema S2 . 
2 Serviço Nacional de 
Aprendizagem Industrial 
(SENAI), Serviço Social da 
Indústria (SESI), Serviço Nacional 
de Aprendizagem Comercial 
(SENAC), Serviço Social do 
Comércio (SESC), Serviço 
Nacional de Aprendizagem 
dos Transportes (SENAT), 
Serviço Social dos Transportes 
(SEST), Serviço Nacional 
de Aprendizagem Rural 
(SENAR), Serviço Nacional de 
Aprendizagem do Cooperativismo 
(SESCOOP) e Serviço Brasileiro 
de Apoio às Micro e Pequenas 
Empresas (SEBRAE).
117Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
 O planjemanejamento para construção de 59 
escolas próprias de aprendizagem do SENAI em 
todo o país aconteceu em 1943 com a capacidade 
de atender 23 mil alunos /aprendizes. A 
localização baseou-se na classificação geográfica 
da força do trabalho. 
2.1 SENAI
A criação do Serviço Nacional de Aprendizagem 
Industrial demostra a importância que a 
educação passou a ter no país, sobretudo, a 
educação profissional que passou a ter leis 
específicas e correlatas à área de formação de 
cada setor da indústria. 
 Com Reforma Capanema1 , a educação brasi-
leira, conhecida como regular, passou a ser estru-
turada em dois níveis: básica (em duas etapas: o 
curso primário e o secundário) e a superior. A 
formação básica era subdividida em ginasial e 
colegial. Já a formação profissionalizante fazia 
parte do final do ensino secundário, era com-
posta pelos cursos normal superior, industrial 
técnico, comercial técnico e agrotécnico. 
A burguesia industrial, neste cenário, vinha 
se consolidando trazendo a ideia do “homem 
certo” para o “lugar certo”, para a qual seriam 
indispensáveis a educação metódica e a aplicação 
de testes psicotécnicos, criando, assim, a seleção 
dos mais adequados. “Os exames psicotécnicos 
serviriam, também, para evitar a contração 
de ‘agitadores’, medida convergente com a 
adoção de fichas de identificação datiloscópica 
destinadas a evitar a reentrada, nos quadros 
da empresa, de trabalhadores despedidos por 
razões políticas ou outras” (Cunha, 2000, p.25). 
1 Reforma educacional brasileiro 
em 1942, durante a Era Vargas, 
liderada Ministro da Educação e 
Saúde, Gustavo Capanema.
No Estado Novo (1937 - 1945), a pobreza deixa 
de ser critério, previsto em lei, para o acesso 
aos cursos do ensino profissional, que se dá por 
meio de processo de seleção, testes de aptidão 
física e mental. Ainda, iniciam-se as discussões 
defendendo a liberdade e com o objetivo de 
assegurar a educação como direito de todos os 
brasileiros, dessa forma, obrigaria os poderes 
públicos a garantir na forma da Lei, a educação 
em todos os níveis de ensino, juntamente com 
a iniciativa privada (Constituição de 1946).
A partir de então, uma proposta da reforma 
da educação foi encaminhada ao Congresso 
Nacional, por demanda do Ministro da 
Educação, Clemente Mariani, em 1946 levando 
a um extenso debate no Congresso Nacional 
até 1961 onde foi promulgada a primeira Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(LDB) ampliando assim, as oportunidades 
educacionais. 
 A LDB 5.692/1971 introduz modificações 
na estrutura do ensino, entre elas a pretensa 
supressão do dualismo existente entre escola 
secundária e escola técnica, originando-se a 
partir de então, uma escola única de 1º e 2º graus, 
voltada para a educação básica geral juntamente 
com a preparação para o trabalho: 
Pela primeira vez e legislação 
educacional reconhece a 
integração completa do ensino 
profissional ao sistema regular 
de ensino, estabelecendo-se a 
plena equivalência entre os cursos 
profissionais e propedêuticos, para 
fins de prosseguimento nos estudos. 
(KUENZER, 2007, p. 29)
Diversas emendas foram propostas nos 47 
anos desde o surgimento da primeira LDB 
até finalmente no dia 17 de dezembro de 
1996, em que foi aprovado na Câmara o texto 
final da LDB, posteriormente sancionada 
pela Presidência da República no dia 20, sob 
118 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
o nº 9.394/96. Nesta perpectiva, a Educação 
Profissional, através do Decreto nº 2.208 de 
17 de abril de 1997, passou por nova reforma 
integrando as diferentes formas de educação, 
de trabalho à ciência e à tecnologia. O objetivo 
de atender o aluno matriculado ou o egresso 
do ensino básico.
3 METODOLIGIA DE ENSINO
As transformações econômicas mundiais, 
em especial envolvendo o avanço das 
novas tecnologias e meios de informação, 
impactaram nos modelos de produção e visão 
de administração. 
Neste contexto, as empresas passaram a 
demandar novos padrões produtivos, a qualidade 
e produtividade são fatores de competitividade. 
O antigo princípio educativo decorrente da 
base técnica da produção Taylorista-Fordista 
vai sendo substituído por outra concepção 
pedagógica, determinada pelas mudanças 
ocorridas no trabalho, o qual, embora ainda 
hegemônico, começa a apresentar-se como 
dominante. Assim, observou-se, uma mudança 
do modelo Taylorista-Fordista para um tipo 
de produção flexível, denominado Toyotista. 
Esse por sua vez exigia um conjunto de 
conhecimentos e habilidades: 
Quadro 1: Características do Fordismo e Toyotismo
Fordismo (paradigma industrial) Toyotismo (paradigma pós insdustrial)
Realização de umaúnica tarefa pelo trabalhador Míltiplas tarefas
Pagamento pro rata (baseado em critérios da 
definição do emprego)
Pagamento pessoas em função e resultado por 
equipe
Alto grau de especialização de tarefas Eliminação da delimitaçã de tarefas
Pouco ou nenhum treinamento no trabalho 
(disciplinamento da força de trabalho)
Longo treinamento no trabalho “educação 
continuada” do trabalhador
nebhuma ou pouca preocupação com a segurança 
no trabalho
Grande estabilidade no emprega para 
trabalhadores centrais (emprego vitalício)
Autocracia Liderança particcipativa
Layout compartimentado (ambiente de trabalhofechado)
Layout flexível e aberto (ambiente de trabalho 
panorâmico)
Fonte: http://www.fecap.br
119Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
O novo modelo de produção demandou mu-
danças na filosofia organizativa e administrativa 
das empresas através de controles mais efetivos, 
eliminação de estoques, just-in-time, entre ou-
tros processos de melhoria. 
Nesta vertente, o SENAI, para atender a essas 
demandas, lança mão da metodologia Séries 
Metódicas Ocupacionais (SMO), concebida 
por Roberto Mange no Liceu de Artes e Ofícios 
do CEFESP: 
De 1924 a 1926, reuniu-se em torno 
do engenheiro Roberto Mange um 
grupo de estudiosos empenhados em 
desenvolver as aplicações psicotécnicas 
e a racionalização dos métodos de 
ensino industrial. Já nessa época 
havia ele conseguido a colaboração de 
algumas empresas ferroviárias, como 
a Companhia Paulista de Estradas 
de Ferro, a Sorocabana e a Mogiana, 
que matriculavam alguns jovens na 
Escola Profissional Mecânica, onde 
se formaram, voltando a trabalhar 
nas respectivas estradas. Lá foram 
introduzidas as primeiras séries 
metódicas de aprendizagem dos 
ofícios, as quais, paulatinamente, 
penetraram nas instituições de ensino 
industrial no Brasil. (DIAS, 1992, p. 
56,)
As séries metódicas delimitava o ensino do 
ofício de forma que o aluno pudesse aprender 
um conjunto de operações separadamente. Com 
a definição da metodologia, deu-se início ao 
planejamento e implantação dos cursos no 
SENAI. 
A reprodução do ambiente fabril, das séries 
metódicas de ensino, poderia ser notada no 
funcionamento da instituição onde havia 
uma caderneta de presença para cada aluno, 
semelhante a um cartão de ponto, além da 
limpeza, cuidado com as máquinas, ferramentas 
e até o comportamento. 
Nesta metodologia, o papel dos instrutores 
consistia em demonstrar como seriam 
executadas as operações, supervisionar, 
controlar e avaliar o processo de ensino e de 
aprendizagem, utilizando um conjunto de 
folhas Individuais de instrução. A eles competia 
cumprir rigorosamente as instruções das séries 
metódicas. 
Anos depois, em 1960 com as novas necessidades 
da indústria, revelou-se o descompasso SENAI 
– Indústria. Dessa forma, Departamento 
Nacional juntamente com os Departamentos 
Regionais iniciaram uma revisão do ensino. 
Consequentemente, cria-se uma nova Série 
Metódica pautada numa metodologia mais 
moderna, 1962. Neste modelo, além das “folhas 
de instrução” o aluno recebe as “folhas de 
operações”, de Estudo Dirigido com o objetivo 
de desenvolver hábitos de estudo e capacidade 
de auto aprendizagem através do Plano de 
Trabalho de Oficina (PTO). Nesta concepção, 
o modelo ajuda o educando a aprender. 
Posteriormente, outra proposta de modelo 
de ensino “Aprendizagem Motriz” baseado 
na reprodução da mesma atividade com a 
orientação do instrutor. A ideia era de que 
com o treino, com os movimentos do aluno 
se desenvolvesse de forma automática: hábito 
motor. Assim, o instrutor deveria agir como 
um incentivador e controlador das atividades 
dos alunos. 
Na década de 90, com o objetivo de atender 
as diversas mudanças setor produtivo que se 
mostrava cada vez mais competitivo, mutante e 
complexo onde a formação profissional requerida 
deveria pautar-se em práticas inovadoras em 
consonância com os avanços tecnológicos, das 
novas formas de produção e relações sociais, o 
SENAI, sobre esta perspectiva, comprometido 
para atender as demandas das indústrias se 
propõe busca práticas diferenciadas de oferta de 
120 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
educação profissional, desenhadas para a nova 
indústria que gerasse vantagem e competividade. 
Assim, o elemento mais importante passou a ser 
a competência humana, ou seja, a capacidade 
do indivíduo propor mudanças, que segundo 
Braslavski (1993), a competência é um saber 
fazer com conhecimento e consciência a respeito 
do impacto deste saber. Esse conceito nos 
leva à conclusão de que competência é um 
procedimento em processo contínuo de revisão 
e de aperfeiçoamento que possibilita a solução 
de problemas. 
Nessa vertente, a Metodologia SENAI de 
Educação Profissional é uma resposta às 
mudanças as essas novas demandas do mundo do 
trabalho. Assim, o SENAI procurou desenhar as 
suas ofertas formativas em consonância a essas 
mudanças com o objetivo de instigar ao aluno 
na resolução de problemas através da integração 
dos conhecimentos prévios aos novos. 
Nesta metodologia, o professor é mediador 
do processo de aprendizagem, estimulando-o 
na tomada de decisões. A formação por 
competência está relacionada aos quatro 
pilares fundamentais, segundo o Relatório da 
UNESCO (aprender a conhecer, aprender a 
fazer, aprender a viver com os outros, aprender 
a ser), formando o homem na sua dimensão 
humana de ser: 
Aprender a Conhecer: fundamenta-se 
no prazer de descobrir, de conhecer e de 
compreender; sinaliza para a importância de 
uma cultura geral vasta, além da especialização. 
Supõe, sobretudo, aprender a aprender, o que 
requer a construção de estratégias de atenção, 
de memória e de pensamento para beneficiar-se 
das oportunidades oferecidas pela educação ao 
longo da vida.
Aprender a Fazer: está estritamente relacionado 
com as habilidades técnicas necessárias para 
que o aluno possa realizar suas atividades no 
mundo do trabalho. Aqui reside toda a formação 
técnica e tecnológica no sentido de dar suporte 
ao aluno para apresentar suas propostas ou 
soluções para os problemas do dia-a-dia do 
trabalho, sendo capaz também de antecipar-se 
a eles, com postura pró ativa na execução de 
suas tarefas. 
Aprender a Conviver: fundamenta-se na 
capacidade de atuar em equipes, de ser parte 
de um grupo demonstrando habilidades 
inter-relacionais do tipo, saber ouvir, saber 
respeitar pontos de vistas diferentes, saber 
comunicar-se com polidez e clareza, saber atuar 
como facilitador nas diversas situações, saber 
aproximar-se das pessoas vendo sempre na figura 
do outro a liberdade e a individualidade do ser 
humano concebendo uma educação mais aberta 
ao diálogo e ao desenvolvimento do espírito 
crítico, indispensável ao processo de formação 
do homem disposto a viver e trabalhar numa 
sociedade moderna. Representa um dos maiores 
desafios a ser enfrentado pelos educadores. 
Aprender a Ser: indica que a educação deve 
contribuir para o desenvolvimento total da 
pessoa-inteligência, sensibilidade, sentido 
estético, afetividade, responsabilidade pessoal 
e espiritualidade. Diz respeito à formação do 
indivíduo como pessoa autônoma capaz de 
formular seu próprio juízo de valor e decidir por 
si mesmo diante dos diferentes desafios da vida. 
Nesta perspectiva, o desenvolvimento das 
competências técnicas e humanas, visa 
crescimento, aperfeiçoamento e eficácia nos 
resultados, tendo como premissa que o ser 
humano tem um poderoso potencial, e que 
acaba sendo o diferencial competitivo das 
organizações. 
De acordo com PERRENOUD (1999) 
“capacidade de agir eficazmente em um 
121Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
determinado tipo de situação, apoiada em 
conhecimentos, mas sem limitar-se a eles”. A 
formação por competência desenvolve processos 
cognitivos, para interpretação de informações, 
definindo quais os problemas serão resolvidos, 
através de comparações, levantamento de 
hipóteses entre a situação vivenciadas dos casos 
previstos nas Situações de Aprendizagem. 
Dessa forma, a competência traduz pela 
capacidade de alcançar um desempenho em 
situação real de trabalho. Interessando-se pela 
situação de realização da atividade, reportando-
-se às próprias habilidades, saberem tácitos.
Figura 2: Formaçãocom Base em competência
Fonte: https://www.google.com.br/imagem
3.1 Desenvolvendo por 
Competências – SENAI 
Centro Automotivo
A organização de ofertas formativas coerentes 
com as mudanças no mundo do trabalho 
constitui em um desafio para a renovação de 
estruturas e práticas pedagógicas, visto que 
os trabalhadores precisam ser dotados de 
uma sólida formação geral, maior capacidade 
de pensamento teórico-abstrato e lógico-
-matemático e uma compreensão global do 
processo produtivo. 
Diante desta perspectiva, foi necessário, portanto, 
migrar do enfoque da qualificação concebida 
como transmissão ordenada e sistemática de 
habilidades, destrezas manuais 
e conhecimentos voltados para o desempenho 
de tarefas prescritas em postos de trabalho 
específicos, para uma abordagem mais ampla, 
que propicie a competência e favoreça a 
polivalência. 
Pensar numa educação profissional 
sintonizada com os novos cenários do 
mundo do trabalho, pautada pelas noções de 
competência e polivalência, tem como base 
propiciar progressivamente ao trabalhador 
o domínio consistente dos fundamentos 
técnicos e científicos de sua área profissional, 
o desenvolvimento das capacidades relativas 
à cooperação, comunicação, autonomia e 
criatividade, com condições de transitar por 
um leque mais amplo de atividades profissionais 
afins. 
122 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Por meio de uma educação profissional que 
conjugue e a aquisição de competências básicas, 
específicas e de gestão, atenta ao contexto 
social brasileiro, em especial de Minas Gerais, 
à nova realidade do mundo do trabalho, 
com o objetivo de preparar o profissional 
para compreender as bases gerais técnicas, 
científicas e socioeconômicas da produção em 
seu conjunto, sendo capaz de analisar e planejar 
estratégias, bem como responder a situações 
novas e exercitar um trabalho cooperativo e 
autônomo. 
Em reposta a esse desafio, foi elaborada por 
diversos especialistas, a Metodologia SENAI 
de Educação Profissional, com o objetivo de 
nortear as ações pedagógicas da Instituição, 
desde a concepção do Perfil Profissional a 
ser formado e do currículo até as estratégias 
educacionais a serem utilizadas com vistas ao 
desenvolvimento de competências. 
O SENAI definiu como principal estratégia, a 
constituição de Comitês Técnicos Setoriais para 
contribuírem com a identificação e atualização 
das competências profissionais requeridas 
dos trabalhadores, responsabilizando-se 
particularmente pela definição dos perfis 
profissionais correspondentes as ocupações 
demandadas pelos segmentos industriais 
atendidos pelo SENAI. Nesse contexto, o Perfil 
Profissional é o marco de referência que expressa 
às competências profissionais que subsidiam o 
planejamento e o desenvolvimento das ofertas 
formativas. Os Perfis Profissionais definidos por 
Comitês Técnicos Setoriais são referências para 
o processo de elaboração do Desenho Curricular 
da oferta formativa. 
O Desenho Curricular é o resultado do 
processo de concepção de ofertas formativas 
que devem propiciar o desenvolvimento das 
capacidades referentes às competências de 
um perfil profissional. Esse processo realiza 
a transposição das informações do mundo do 
trabalho para o mundo da educação, traduzindo 
pedagogicamente as competências de um perfil 
profissional. 
Numa visão mais centralizada, no SENAI 
Centro Automotivo, assim como em outras 
Unidades escolares de educação profissional, 
a metodologia, encontrava-se obsoleta e sem 
uma definição, visto que cada instrutor tinha 
autonomia para desenvolver, ainda que com 
apoio pedagógico, o método mais adequado 
para o desenvolvimento das aulas. Precisa de 
uma mudança, e está deveria estar alinhado a 
proposta do SENAI/DR e DN de criar um 
desenho curricular que criava possibilidade 
de desenvolver as competências requeridas no 
perfil profissional à luz de uma proposta de 
educação profissional delineada com o objetivo 
de formar o trabalhador cidadão, capaz de atuar 
de forma participativa, crítica e criativa, com 
mobilidade e flexibilidade, na vida profissional 
e social. 
Visando atender a esta nova realidade, o SENAI 
Centro Automotivo iniciou em janeiro de 2011 
o processo de articulação junto à comunidade 
escolar para implantação a título de projeto 
piloto da metodologia SENAI, para formação 
com base em competências, implantado em 
agosto de 2011.
123Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Figura 3: Treinamento Metodologia com Base em Competência 
Fonte: SENAI (2011) 
A metodologia SENAI de Educação Profissional 
emprega concepção de reestruturação dos 
currículos e prática docente. Os currículos são 
elaborados em fases distintas e interdependentes: 
a) Elaboração de Perfis Profissionais: 
descreve o que idealmente é necessário 
saber realizar no exercício de uma 
ocupação e identifica competências 
necessárias ao exercício profissional, de 
acordo com o apontado por um comitê 
técnico composto por representantes do 
SENAI, de empresas e da sociedade civil. 
b) Elaboração do Desenho Curricular: 
identificam-se os fundamentos técnicos 
e as capacidades técnicas, sociais e de ges-
tão que vão subsidiar o desenvolvimento 
das competências elencadas no perfil 
profissional, com a posterior identifica-
ção do desconhecimento e carga horária 
necessária. 
c) Organização do Itinerário formativo: 
compreende a estruturação das possi-
bilidades de oferta de cursos ao aluno, 
de forma integrada e articulada, visando 
possibilitar percursos de formação numa 
perspectiva de educação continuada. 
d) A prática docente com foco no desenvol-
vimento de competências profissionais 
deve: 
e) Privilegiar metodologias ativas centra-
das no sujeito que aprende, a partir de 
ações desencadeadas pela proposição de 
desafios e projetos. 
f ) Deslocar o foco do trabalho educacional 
do ensinar para o aprender, privilegiando 
uma educação centrada na aprendiza-
gem do aluno e contextualizada com o 
mercado de trabalho. 
Destaca-se, portanto, o surgimento de uma 
demanda crescente de profissionais técnicos 
que congreguem determinados perfis de 
competência, capazes de suprir as carências 
detectadas no mundo do trabalho. Em sintonia 
com as mudanças no contexto do trabalho e 
em consonância com a Legislação Educacional 
vigente, o SENAI DR/MG busca uma atuação 
profissional coerente com as imposições da 
contemporaneidade assegurando assim, uma 
educação profissional vinculada às demandas 
do mundo produtivo e dos cidadãos. 
Porém, era necessário, além da metodologia, 
pensar num plano de curso e material didático 
que comungassem desta concepção. Assim, 
124 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Figura 4: Alinhamento da Metodologia
Fonte: SENAI (2016) 
em 2015, o SENAI – Centro Automotivo por 
demanda da FIEMG, participa da reforma 
da Educação Profissionalizante por meio 
da restruturação e padronização dos planos 
de curso, elaboração e validação de diversos 
materiais didáticos, buscando acompanhar as 
evoluções do mercado produtivo mundial, bem 
como da realidade da indústria brasileira, no 
que diz respeito às necessidades de capacitação, 
qualificação e requalificação profissional dos 
trabalhadores do setor produtivo. 
Em 2016, o foco foi a atuação docente, que 
na ótica de Vigostskyana, possui a função 
do mediador capaz de interferir no que ele 
designa como “Zona de desenvolvimento 
proximal” dos alunos provocando avanços que 
não aconteceriam espontaneamente. Nesta 
perspectiva, a proposta foi fazer um realimento 
da Metodologia SENAI de formação com Base 
em Competências diante do cenário econômico 
e do turnover da Unidade.
4 RESULTADOSCom reestruturação do currículo, do 
alinhamento da Metodologia SENAI e adesão 
Material Didático padronizado, faz com que a 
expectativa do SAEP, avaliação instituída pelo 
SENAI Nacional, possa efetivamente medir 
o desempenho dos alunos, para alcance do 
perfil profissional e coerente aos definidos pela 
indústria. É importante ressaltar que o SAEP 
foi adotado como um dos indicadores para 
avaliar a proficiência da qualidade dos cursos 
técnicos em nível nacional e no Planejamento 
Estratégico do SENAI-MG. 
Análise do conjunto desses instrumentos, 
ligados ao rendimento do aluno em sala, os 
projetos e planos de curso, além de mensurar o 
desempenho acadêmico dos alunos bem como, 
acompanhar a inserção de jovens no mercado de 
trabalho, será possível no 2º semestre de 2016 
e 1º de 2017; pela primeira vez o SENAI MG 
poderá avaliar seus resultados com base num 
currículo único em nível de Brasil.
125Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
5 CONCLUSÃO
É possível constatar a partir do presente 
instrumento, que o SENAI, passou por diversas 
mudanças em sua metodologia ao longo da sua 
existência. 
Hoje, para atender as exigências da 
competitividade que marcam o mercado 
globalizado, as tecnologias presentes no dia a 
dia que exigem um perfil profissional adequado, 
a proposta SENAI de ensino com base no 
desenvolvimento de competências propõe a 
preparação dos profissionais desenvolvidos, um 
espaço pedagógico diferenciado, uma prática 
pedagógica interdisciplinar, contextualizada, 
integrando os pilares da educação concebidos 
pela UNESCO: saber fazer, saber ser e saber 
conviver. 
Nesta perspectiva, o objetivo é romper com 
modelos tradicionais, tanto no ato de aprender 
como de ensinar e alcançar os resultados 
esperados para e fortalecimento da 
competitividade da indústria mineira, 
oferecendo soluções em gestão e inovação.

REFERÊNCIAS
 ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. 5a. 
Ed. São Paulo: Perspectiva. 1979. 
FONSECA, Celso Suckow. História do Ensino 
Industrial no Brasil. Rio de Janeiro: Escola Técnica, 
1961. v.1. 
BRASLAVSKY, B. Escola e alfabetização: 
uma perspectiva didática. São Paulo: Editora da 
Universidade Estadual Paulista, 1993. 
CUNHA, A. L. O ensino profissional na irradiação 
do industrialismo. São Paulo/Brasília: Editora da 
UNESP/FLACSO, 2000. 
DIAS, J. J. A. [et al.]. O giz e a graxa: meio século de 
educação para o trabalho. São Paulo, SP: SENAI, 1992. 
KUENZER, Acacia Zeneida (Org.). Ensino Médio: 
Construindo uma proposta para os que vivem do 
trabalho. – 3 ed. – São Paulo: Cortez, 1997. 
126 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Jaraguá do Sul, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
O trabalho apresenta a rotina do coordenador pedagógico no espaço da escola 
SENAI e as estratégias para o gerenciamento do tempo. O coordenador 
pedagógico durante a sua jornada de trabalho, precisa saber administrar 
seu tempo, caso contrário, dificilmente conseguirá realizar suas atividades 
dentro dos prazos previstos no seu planejamento. Na instituição SENAI, 
o coordenador pedagógico é de extrema importância no ambiente escolar, 
tendo em vista que ele promove a integração das pessoas que fazem parte 
do processo de ensino e de aprendizagem. A pesquisa tem como objetivo 
de investigar o trabalho do coordenador pedagógico e sua gestão do tempo 
no trabalho. 
Palavras-chave: Coordenador pedagógico. Cotidiano escolar. Gestão do 
tempo. 
***
1 Especialista 
em educação 
profissional, 
e-mail: valdecy.
senai@sistemafieg.
org.br 
***
FUNDAMENTOS DA GESTÃO NA 
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DO 
SENAI: COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA 
E A GESTÃO DO TEMPO
Valdecy Inácio da Costa Neto1
127Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
Este artigo é uma pesquisa bibliográfica sobre 
a importância da gestão tempo do coordenador 
pedagógico atuante na rede SENAI de educação 
profissional. A pesquisa tem como objetivo de 
investigar o trabalho do coordenador pedagógico 
e sua gestão do tempo no trabalho. Faz parte 
do artigo uma pesquisa qualitativa realizada 
em 2016, com 05 coordenadores atuantes na 
escola SENAI de Itumbiara-GO. 
Na instituição SENAI, o coordenador 
pedagógico é de extrema importância no 
ambiente escolar, tendo em vista que ele 
promove a integração das pessoas que fazem 
parte do processo de ensino e de aprendizagem, 
estabelecendo, de forma saudável, as relações 
interpessoais entre os envolvidos. É um 
profissional que atua entre o gestor da unidade, 
professores e os alunos. 
O coordenador pedagógico durante a sua jornada 
de trabalho, precisa saber administrar seu tempo, 
caso contrário, dificilmente conseguirá realizar 
suas atividades, dentro dos prazos previstos no 
seu planejamento (OLIVEIRA, 2008). 
No ambiente escolar pode ocorrer de não 
conseguimos realizar nossas atividades no 
tempo determinado, por uma série de fatores, 
sendo que isso, pode impactar nas atividades 
de outras pessoas que darão continuidade ao 
processo quando se tem dificuldade de fazer 
a gestão do tempo. (GREUTZMACHER; 
SILVEIRA, 2015). 
O acúmulo de trabalho acaba gerando um 
estresse desnecessário, e as cobranças passam 
a ser mais frequentes. Em consequência disso, 
o bom relacionamento entre os envolvidos no 
processo (coordenador, professores, alunos e 
administrativos) pode ser afetado, o que agravará 
ainda mais a situação (GREUTZMACHER; 
SILVEIRA, 2015). 
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Gestão do tempo 
De acordo com ROCHA (2016) gerir o tempo 
é saber usá-lo para realizar atividades que você 
considere prioritárias e importantes. Ressalta 
ainda que o bom administrador do tempo de 
serviço, faz com que aumente a produtividade 
e a qualidade na empresa. Ser produtivo é fazer 
aquilo que se considera importante e prioritário, 
com a menor quantidade de recursos possíveis, 
e tendo qualidade. 
Definir as prioridades do serviço é um dos 
meios mais eficazes de aperfeiçoar seu tempo. 
É importante saber o que é necessário entregar 
primeiro e quais tarefas são mais importantes 
no dia a dia. (MATTA, 2016). 
2.2 Dicas para boa 
administração do tempo 
Quando o coordenador pedagógico não se 
planeja, pode gerar alguns atrasos em ações 
128 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
importantes no ambiente escolar, entre elas: 
falta dos registros das reuniões, conselhos de 
classes fora do prazo, atraso nos compromissos 
assumidos com docentes e estudantes, entre 
outros. Por isso a importância de conseguir 
planejar e administração o tempo de serviço. 
(GREUTZMACHER; SILVEIRA, 2015). 
De acordo Proetti (200[?]) segue algumas dicas 
para boa administração do tempo: 
1. analisar a prioridade das ações; 
2. planejar com antecedência as atividades; 
3. não agendar compromissos que não poderá 
assumir; 
4. programar um tempo determinado para 
cada tipo de atividade; 
5. não deixar que telefonemas e pessoas que 
não agendaram 
6. atendimento interrompam suas atividades; 
7. ter objetividade em reuniões e telefonemas; 
8. compartilhar atividades, quando possível; 
9. ter agenda (física ou eletrônica) e anotar 
compromissos e 
10. atividades importantes; 
11. comunicar às pessoas interessadas, caso não 
consiga realizar alguma tarefa no prazo; 
12. analisar, ao fim de cada semana, se o que 
foi planejado foi cumprido, para que 
possa repensar o planejamento na semana 
seguinte. 
Segundo MATTA (2016), é importante 
também para boa gestão do tempo: 
comunicação eficaz, reuniões objetivas, gestão 
por processos, uso das tecnologias.
2.2.1 Comunicação eficaz, você se faz 
entender? 
Passar as informações completas para que 
não haja dúvidas e conclusõesequivocadas é 
outro ponto que facilita o trabalho. Pergunte, 
questione e anote para certificar-se do que é 
preciso, para não fazer nada errado, e ter que 
refazer novamente (MATTA, 2016). 
O coordenador pedagógico é um formador, 
aquele que promove a formação continuada, é 
quem dá suporte ao processo de aprendizagem. 
Por isso, é imprescindível que desenvolva 
habilidades para comunicar-se de maneira 
efetiva (GREUTZMACHER; SILVEIRA, 
2015). 
2.2.2 Se reúna com objetivo e tempo 
determinado 
Reuniões mal planejadas são um grande 
desperdício de tempo. Use-as apenas para 
resoluções específicas e com objetivo concreto 
(MATTA, 2016). 
É importante informar aos participantes 
a necessidade e os objetivos da reunião. A 
convocação, ou o convite, deve conter informações 
sobre a data, horário e o local, além de justificar 
a importância da participação dos envolvidos. 
(GREUTZMACHER; SILVEIRA, 2015). 
Considerando essa necessidade, é essencial 
planejá-la cuidadosamente. Afinal, uma reunião 
eficaz não deve ser improvisada. É necessário 
levar em conta o objetivo do encontro, bem como 
reservar o ambiente e testar equipamentos. Isso 
inclui também a reflexão antecipada sobre os 
assuntos que serão discutidos, elaborando a 
pauta com os assuntos na ordem de prioridade 
(GREUTZMACHER; SILVEIRA, 2015). 
129Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
2.2.3 Boas práticas da gestão por 
processos 
A gestão de processos se caracteriza por um 
tipo de administração específica cujo objetivo 
é buscar compreender as atividades que são 
realizadas na instituição, para os realinhamentos 
e otimizações necessárias, tornando os processos 
mais objetivos e que atendam às metas propostas. 
A gestão de processos traz benefícios, entre eles: 
redução no tempo de realização das atividades, 
maior qualidade do trabalho desenvolvido, 
maior satisfação de clientes e colaboradores e 
atendimento às metas (GREUTZMACHER; 
SILVEIRA, 2015). 
Tanto o funcionário quanto o gestor da empresa 
precisam estabelecer metas e horários, além 
de serem transparentes com o que a empresa 
espera de cada um. Um diálogo aberto reflete 
muito na execução de um serviço, pois quem 
o executa sabe o seu destino e a empresa não é 
afetada por desconfiança ou fofocas. Aprender 
a se organizar é a melhor forma de melhorar 
seu desempenho e eliminar serviços ineficazes. 
(MATTA, 2016). 
2.2.4 Uso da tecnologia 
As novas tecnologias revolucionaram o sistema 
de ensino. Porém ainda na prática, muitos 
profissionais ainda não têm a dimensão exata 
do quanto esses instrumentos são importantes 
quando empregados adequadamente. Mas é 
provável que todo coordenador já tenham 
se deparado com plataformas e softwares 
especializados que foram responsáveis por uma 
melhoria significativa no âmbito acadêmico. 
(WERNECK, 2012). 
Os aplicativos se mostram instrumentos ideais 
para auxiliar no processo de administração do 
tempo, otimizando ainda mais a rotina de 
trabalho do coordenador pedagógico, carreira 
marcada por momentos de extrema correria. 
Existem, por exemplo, o App (Google Agendas) 
que organizam as atividades de acordo com os 
compromissos e com as respectivas datas livres, 
além de sincronizar os dados com o telefone e 
o computador (PANTELIDES, 2015). 
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
 Podemos perceber que os autores pesquisados 
no referencial teórioco relatam a importância 
da gestão, e o foco da distribuição do tempo 
(Carga horária) e suas atividades. 
Também gostaria de mostrar os resultados 
da pesquisa qualitativa realizada com 05 
coordenadores pedagógicos, a mesma foi 
realizada no mês de maio de 2016, por meio 
de questionário eletrônico. 
O 1º gráfico mostra que todos os coordenadores 
(100%), considera a gestão do tempo importante 
no seu trabalho. 
130 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
SIM NÃO
120
100
80
60
40
20
0
Você considera a gestão de tempo importante na
sua função de coordenador?
No 2° Gráfico mostra que 50% dos coordena-
dores planeja suas atividades com antecedên-
cia. Podemos perceber que os outros 50% não 
planeja, sendo que é importante relatar que o 
coordenador pedagógico que não se planeja 
pode gerar alguns atrasos em ações importantes 
no ambiente escolar.
Você planeja com antecedência as suas
atividades?
60
50
40
30
20
10
0
SIM NÃO AS VEZES
No 3° gráfico detalha o que atrapalha na boa 
gestão do tempo, podemos demonstrar que o 
esquecimento dos compromissos foi o mais 
assinalado pelos coordenadores. E o que menos 
atrapalha é o tempo de trabalho, sendo que 
a carga horária é suficiente, se houver um 
planejamento.
131Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
O que atrapalha na sua gestão do tempo na suas
atividades?
Telefonemas e pessoas não agendadas.
Reuniões longas e sem objetividade.
Esquecer de anotar suas atividades e 
compromissos.
Reuniões não programadas.
Tempo de trabalho.
No 4° gráfico podemos perceber que os coor-
denadores já buscam interagir as ferramentas 
eletrônicas, sendo que 75% dos coordenadores 
utilizam e somente 25% não utilizam, mas 
pretende utilizar.
80
70
60
50
40
30
20
10
0
SIM NÃO
Você utiliza ferramentas eletrônicas para gerir o
seu tempo?
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A coordenação pedagógica é uma profissão 
cheia de desafios, que exige paciência, dedicação 
e, claro, tempo para lidar com as obrigações 
pertencentes ao cargo e função. É preciso, 
portanto, contar com ferramentas e estratégias 
eficientes para auxiliar na complicada tarefa 
de melhorar a rotina de trabalho e gestão do 
tempo. Então otimize, use o planejamento, e 
os recursos da gestão profissional do SENAI.
132 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
REFERÊNCIAS
GREUTZMACHER, Iracema; SILVEIRA, Ana 
Carolina. Fundamentos teóricos, legais e de gestão 
da educação profissional no SENAI. Florianópolis: 
SENAI/DR, 2015. 
MATTA, Villela da. Gestão do Tempo! Maneiras 
que podem melhorar seu desempenho no trabalho. 
Ago.2016. Disponível: http://zip.net/bmttxN
OLIVEIRA, Jane Cordeiro de. O trabalho de gestão 
do coordenador pedagógico no cotidiano escolar 
das escolas públicas municipais da cidade do Rio de 
Janeiro. Pontifícia Universidade Católica do Rio de 
Janeiro – PUC –Rio, 2008. 
PANTELIDES, Daniela. O papel do coordenador 
pedagógico. Nov.2015. Disponível em: http://zip.net/
bqtvzY. Acesso em: 04 Ago. 2016. 
PROETTI, Sydnei. A importância da administração 
do tempo no trabalho. (200[?]). Disponível em: http://
zip.net/bhttHL. Acesso em: 17 jul. 2015. 
ROCHA, Davi. Gestão do tempo e produtividade. 
Ago.2016. Disponível em: http://zip.net/bgttyc. Acesso 
em: 04 Ago. 2016 
WERNECK, Hamilton. Educando com as 
ferramentas da simplicidade. 4 ed. Petrópolis, RJ: 
Vozes, 2012. 
134 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
Para se obter o alcance das metas na educação, o Coordenador deve exercer 
a liderança e contar com a colaboração de toda a sua equipe. Este artigo 
tem como objetivo introduzir conceitos de gestão de pessoas nos trabalhos 
do Coordenador Pedagógico a fim de que este obtenha uma melhor 
colaboração de sua equipe. 
Palavras-chave: Liderança. Cooperação. Equipe.
***
1 Licenciatura, e-mail: 
jmalves@sp.senai.
br
***
LIDERANÇA E COOPERAÇÃO DA 
EQUIPE
Jeremias Martins Alves1
135Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
Liderar pessoas é uma arte e pode ser aprendida. 
Trata-se de um requisito indispensável para 
o gestor em qualquerárea de atuação. Mas, a 
liderança não pode ter fim em si mesma. Liderar 
para quê? A liderança deve ser o meio para 
que o gestor possa fazer a sua equipe atingir os 
objetivos. Para liderar e se obter a cooperação 
da equipe é necessário que o gestor possua ou 
desenvolva algumas competências sociais, que 
o auxiliem em suas relações interpessoais. 
2 LIDERANÇA
Mesmo nas carreiras técnicas como 
a Engenharia, demonstram tais 
investigações, que apenas 15% dos 
sucessos financeiros de um indivíduo 
são devido aos conhecimentos 
profissionais e - cerca de 85% à 
competência na “engenharia humana” 
- à personalidade e à habilidade para 
dirigir as pessoas. (Carnegie,1995). 
Howard Gardner, psicólogo americano, em 
sua Teoria das Inteligências Múltiplas (1983) 
identificou nove tipos de inteligências contidas 
em cada indivíduo. Essas inteligências, com 
níveis diferentes para cada pessoa, contradizem 
o paradigma da inteligência única, que atribuía 
aos testes de quociente de inteligência (QI) as 
capacidades cognitivas do indivíduo. 
Anos se passaram após a divulgação dessa teoria 
e a formação acadêmica dos profissionais ainda 
é fundamentada em conhecimentos técnicos 
e científicos. O meio acadêmico ainda não 
manifesta a possibilidade de se adequar às 
novas tendências. 
Dale Carnegie, escritor americano com vivência 
inigualável nas relações interpessoais, relatou 
em seus livros a necessidade de desenvolvermos 
algumas competências sociais. Sendo essas 
preponderantes, sobretudo, na relação entre 
níveis hierárquicos. 
2.1 A Liderança na gestão 
educacional 
Um gestor de produção em uma indústria é 
capaz de medir com eficácia o quanto cada 
um de seus subordinados produz, pois cada 
profissional sob sua supervisão deve entregar 
uma quantidade de produtos tangíveis. 
Já para um gestor educacional, isso é impossível. 
Como saber, com exatidão, se o professor, 
dentro de uma sala de aula, desenvolve o seu 
trabalho conforme os preceitos preconizados 
pela coordenação? 
A resposta é única: Confiança. Confiança é, 
sem dúvida, o mais tênue dos sentimentos que 
se manifestam nas relações interpessoais. E, 
como ter confiança na equipe? 
Quando tratarmos com pessoas, 
lembremo-nos sempre de que não 
estamos tratando com criaturas 
de lógica. Estamos tratando com 
criaturas emotivas, criaturas suscetíveis 
às observações norteadas pelo orgulho 
e pela vaidade. (Carnegie,1995). 
Para se ter confiança na equipe é necessário, 
antes de mais nada, obter a confiança da equipe. 
O gestor deve tratar a equipe com o mesmo 
zelo que trata os entes que lhe são mais caros. A 
relação de confiança só ocorrerá quando existir 
136 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
respeito entre as partes. Portanto, cabe ao gestor 
ser o exemplo nas relações interpessoais. Pois, 
o que se espera de um líder é que ele tenha 
assertividade, respeito e seja capaz de influenciar 
positivamente o grupo. 
3 CONCLUSÃO
A liderança é, sobretudo, uma função sedutora, 
pois é um exercício do poder e devido a isso 
requer discernimento e prudência do gestor. 
Ao somar se a isso a necessidade de se atingir 
resultados, caberá ao líder contar com estratégias 
para manter sua equipe em constante cooperação 
e em uma relação de confiança.

REFERÊNCIAS
CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar 
pessoas. 45° edição. São Paulo: Companhia Editora 
Nacional, 1995. 
GARDNER, Howard. Estruturas da Mente: A teoria 
das Inteligências Múltiplas. 2ª edição. Artmed, 1994. 
CARNEGIE, Dale. Biografia Disponível em: < 
http://zip.net/bqtvCh> Acesso em 18 de set. 2016. 
138 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
O presente artigo tem o objetivo de analisar da estruturação metodológica 
e os conceitos didáticos pedagógicos presentes na Metodologia SENAI 
de Educação Profissional e a relevância do trabalho de acompanhamento 
e orientação desenvolvido pela equipe de coordenação de educação na 
apropriação da MSEP pelo corpo docente. Destaca-se ainda a importância 
do planejamento docente na busca por estratégias que subsidiam sua prática 
no processo de ensino e aprendizagem fundamentados na MSEP, na 
perspectiva de promover uma formação coerente fomentada pela realidade 
do mundo do trabalho.
Palavras-chave: MSEP. Coordenação de Educação. Planejamento e 
Prática
 Docente.
1 Especialista Isabela.
nascimento@
al.senai.br
2 Especialista – 
rosineide.santos@
al.senai.br
METODOLOGIA SENAI DE EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL: A IMPORTÂNCIA DA 
COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO NO 
PROCESSO DE PLANEJAMENTO E 
PRÁTICA DOCENTE
Isabela Soares do Nascimento 1 
Rosineide França dos Santos 2 
139Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
O Serviço Nacional de Aprendizagem 
Industrial, desde sua criação tem como principal 
finalidade desenvolver Educação Profissional 
para atender a necessidade da indústria no que 
diz respeito à qualificação dos profissionais que 
nela atuarão. 
E como parte integrante do processo educacional 
para alcançar o nível de excelência em educação o 
SENAI desenvolveu uma metodologia própria, 
cuja aplicabilidade está fundamentada no 
desenvolvimento de competências. Hoje, após 
algumas revisões e atualizações, este documento 
foi reestruturado e dividido em três volumes 
(Perfil Profissional, Desenho Curricular, Prática 
Docente) que juntos formam a Metodologia 
SENAI de Educação Profissional (MSEP). 
Sabendo da relevância que a MSEP exerce 
sobre o processo educacional nas unidades do 
SENAI a nível nacional, buscou-se evidenciar 
a importância do trabalho de orientação e 
acompanhamento desenvolvido pela equipe da 
Coordenação de Educação, frente ao processo 
de planejamento e prática do corpo docente 
que ancoram suas ações nos conceitos didático-
pedagógicos e metodológicos evidenciados na 
MSEP. 
Sabendo que o coordenador pedagógico 
é: aquele que tem por princípio a função 
coordenativa e articuladora de ações, é também 
quem estimula oportunidades de discussão 
coletiva, crítica e contextualizada do trabalho 
educativo”. (RANGEL, 2006, p.147), 
Buscou-se estabelecer um posicionamento 
crítico e reflexivo sobre as ações e competências 
da Coordenação de Educação na unidade, 
de modo que contemplasse o envolvimento 
dessa equipe com o trabalho desenvolvido 
no cotidiano escolar, o acompanhamento 
e efetivação das ações do projeto político 
pedagógico, um posicionamento plausível e 
motivacional na condição de liderança, e sobre 
tudo o posicionamento de multiplicador da 
MSEP frente ao corpo docente e todos os 
envolvidos no processo educacional. 
Na efetivação da MSEP o foco é a aprendizagem, 
sendo assim, o professor deve estar apto a ser 
um agente mediador que fomenta em sua 
prática juntos com os alunos a mobilização 
dos conhecimentos, habilidades e atitudes, de 
modo que se tornem profissionais autônomos 
e construtores do próprio conhecimento. 
Nesta mudança de paradigma na forma de 
ensinar e aprender o professor deve ter a 
Coordenação de Educação como principal 
aliada, pois, é essa equipe que vai auxilia- ló 
no planejamento de sua prática.
140 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
2 2 DESENVOLVIMENTO
2.1 O SENAI e a 
Metodologia SENAI de 
Educação Profissional
Criado através do decreto-lei 4.048 de 22 de 
janeiro de 1942, com o foco de capacitar os 
trabalhadores da indústria, o Serviço Nacional 
de Aprendizagem Industrial-SENAI tornou-
-se uma das maiores instituições de Educação 
Profissional que trabalha na perspectiva da 
disseminação de conhecimentos aplicados ao 
desenvolvimento da indústria. Em Alagoas 
o SENAI foi fundado em1947 e tem como 
missão “promover a Educação Profissional e 
tecnológica, a inovação e a transferência de 
tecnologias industriais, contribuindo para elevar 
a competitividade da indústria”. (SENAI, DR-
AL 2014). Atualmente o DR AL desenvolve 
ações que atendem a duas áreas distintas e 
complementares: Educação Profissional e 
Tecnologia e Inovação. Elas possibilitam 
atender, de forma mais ampla, às necessidades 
dos diversos setores industriais locais. Nesta 
perspectiva percebe-se que o SENAI evidencia 
de forma expressiva o compromisso para com 
a sociedade e com o setor industrial. 
Na busca pela permanente excelência na 
prestação dos serviços em Educação Profissional 
e na formação de profissionais qualificados 
para atender as aceleradas transformações 
tecnológicas relacionadas ao setor industrial, 
o SENAI desenvolveu uma metodologia 
própria que ancora sua estrutura metodológica 
e pedagógica no desenvolvimento de 
competências, buscando assim em suas práticas 
de ensino durante o processo de formação uma 
maior aproximação da realidade com o mundo 
do trabalho. 
A Metodologia SENAI de Educação 
Profissional (MSEP) está fundamentada 
nos princípios teóricos de Vygotsky, Piaget, 
Ausubel e Perrenoud, que colocam em pauta 
a aprendizagem significativa através de uma 
educação com base no desenvolvimento de 
competências, cujo princípio se dá por meio da 
mobilização dos conhecimentos, habilidades e 
atitudes. 
O material que subsidia a Metodologia SENAI 
de Educação profissional está dividido em três 
capítulos que juntos estruturam a concepção 
pedagógica dessa proposta, são eles: Perfil 
Profissional, Desenho Curricular e a Prática 
Docente. E para que sejam de fato empregados, 
se faz necessário todos os envolvidos no processo 
educacional conhecer como se dá a estrutura 
de cada uma deles, contribuindo nos trabalhos 
pedagógicos e potencializando a aplicabilidade 
que irá favorecer uma formação qualidade 
podendo suprir necessidades do mercado. 
O perfil profissional é o ponto de partida para 
o direcionamento das ações que envolvem a 
estruturação dos cursos de Educação Profissional 
no SENAI, pois ele
“descreve as ações que o trabalhador 
deverá ser capaz de realizar no 
exercício da função, ou seja, 
apresenta o mínimo que se espera 
do trabalhador para que possa 
desempenhar sua função. Além 
disso, é por meio dessas informações 
que se torna possível prever se esse 
perfil atenderá ás expectativas para 
atuar com qualidade no Contexto de 
Trabalho da Ocupação”. (SENAI, 
2016, p. 47).
E para elaborar esse perfil, é formado um comitê 
técnico setorial com 11 a 15 pessoas sendo 
141Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
eles representantes de vários seguimentos da 
indústria, tais como: representantes do SENAI 
(Coordenador Metodológico, Especialista da 
Área), empresários (pequeno médio e grande 
porte), sindicatos e órgãos de classe, meio 
acadêmico, e outros. Na perspectiva de compor 
um fórum técnico consultivo para viabilizar 
um momento de elaboração, atualização 
das competências profissionais, validação e 
alinhamento das tendências. 
Compete dizer que o SENAI utiliza esse 
momento de forma estratégica para atualização 
da carta de oferta de cursos, bem como 
aproximar-se do cenário de constante mudança 
do mercado de trabalho, a fim de atender as 
reais necessidades da indústria e elevar sua 
competitividade. 
Após definido e validado o perfil profissional, 
é hora de elaborar o desenho que curricular. 
Quando pensamos em desenho curricular, já nos 
vem à memória uma lista de componentes que 
precisam ser executados e estudados a finco na 
busca do conhecimento, para então galgarmos 
a qualificação. Para a Metodologia SENAI de 
Educação Profissional, o desenho curricular vai 
muito mais além de uma simples lista, pois, “é o 
resultado do processo de definição e organização 
dos elementos que compõem o currículo e 
que devem propiciar o desenvolvimento das 
capacidades referentes às competências do 
Perfil Profissional”. (SENAI, 2013, p. 63), ou 
seja, especialistas em educação, que tenham um 
vasto conhecimento na MSEP denominados 
curriculistas, juntamente com técnicos da área 
que será desenvolvido o currículo que irão 
traduzir de forma pedagógica as competências 
elencadas neste perfil, de modo que viabilizem 
na estruturação a articulação entre a realidade 
que será vivida em sala de aula com o mundo 
do trabalho. 
E para que seja possível colocar em prática tudo 
que já foi evidenciado, é necessário que o SENAI 
disponha de um corpo docente que possua 
um perfil diferenciado para então traduzir os 
conceitos postos pela metodologia na prática 
docente, que “é o resultado de um conjunto 
de ações didático pedagógicas empregadas 
para desenvolver, de maneira integrada 
e complementar os processos de ensino 
aprendizagem” (SENAI, 2013, p. 105), pois, 
o conceito de práticas tradicionais já não cabe 
mais no conceito de educação transformadora 
e significativa fomentada pelo ensino por 
competência. Senso assim fica evidente que o 
docente é uma peça fundamental no processo do 
desenvolvimento da aprendizagem profissional 
dos alunos, por possibilitar a integração dentro 
de uma dinâmica mediadora focada nos 
princípios que a metodologia por competência 
releva em conhecimento, habilidade e atitude. 
2.2 A Coordenação 
Pedagógica no SENAI
Para exercer a função de Coordenador 
Pedagógico, apenas as experiências e vivências 
no âmbito educação não são suficientes, 
pois, o exercício desta função é de extensa 
complexidade no que diz respeito à vasta gama 
de conhecimentos que este profissional precisa 
dispor para fundamentar suas ações e decisões, e 
para respaldar o profissional em exercício nesta 
função é estabelecido pela Lei 9694/96 – LDB, 
em seu Art. 64 coloca que:
Art. 64- A formação de profissionais 
para administração, planejamento, 
inspeção, supervisão e orientação 
educacional para a educação básica, 
será feita em curso de graduação em 
Pedagogia ou em nível de pós-gradua-
ção, a critério da instituição de ensino, 
garantida, nesta formação, a base 
comum nacional. (BRASIL, 1996)
142 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Está exigência é “regulamentada pela Resolução 
CNE/ CP nº 1/2006, devidamente homolo-
gada pelo ministro da Educação”. (SANTOS, 
2008, p. 10). No entanto compete dizer que “a 
experiência é muito importante se associada à 
reflexão” (SANTOS, 2008, p. 14) sobre a prática 
pedagógica, mas se faz necessário estabelecer 
parâmetros de formação para os cargos/profis-
sionais citados pela lei. 
De acordo com Santos (2008), a ausência da 
formação inicial ou em nível de pós-graduação 
poderá implicar: 
[...] no desenvolvimento de e 
habilidades que viabilizem o trabalho 
coletivo, a liderança de grupos, a 
formulação e o encaminhamento de 
soluções de problemas educacionais 
e a construção de uma proposta 
pedagógica no âmbito de educação 
escolar, em uma perspectiva de 
atuação e ética com responsabilidade 
social. (SANTOS, 2008, p. 18) 
Fica evidente que a formação prepara o 
profissional de forma que eles estejam 
aptos a desenvolver o trabalho analisando 
e contemplando as atribuições em sua 
totalidade, com embasamento teórico e 
prático, principalmente do que se diz respeito 
às competências pedagógicas na perspectiva 
de uma educação de qualidade. Pode-se ainda 
acrescentar que um Coordenador Pedagógico 
que atue na Educação Profissional do SENAI 
necessita de um perfil diferenciado, uma vez 
que o mesmo precisa estar disposto a romper 
os paradigmas da educação tradicional básica 
que é estudada com mais frequência durante 
o período de formação para apropriar-se dos 
princípios e estrutura tão particular adotadanas 
unidades operacionais através da Metodologia 
SENAI de Educação Profissional, uma vez 
que ele se colocará na condição de principal 
multiplicador dessa proposta. 
As atribuições desenvolvidas pelo Coordenador 
Pedagógico no SENAI estende-se a várias 
atividades “dentre elas planejar para mobilizar 
a equipe que atuará no processo de ensino 
e de aprendizagem, assim como orientar e 
acompanhar a elaboração e a implementação 
do planejamento.” (SENAI, 2016, p. 13). 
Com essa afirmação pode-se dizer que a 
Coordenação de Educação é um setor que 
exerce a função mediadora dos trabalhos 
pedagógicos na Unidade Operacional. Desta 
forma cabe à equipe, acompanhar de forma 
efetiva o trabalho dos docentes, dando total 
apoio e direcionando para que haja de fato e 
efetivação de tudo que foi planejado, no que 
diz respeito aos conhecimentos e ferramentas 
didático pedagógicas. 
A equipe da Coordenação de Educação deve 
pautar sua prática profissional no planejamento 
e na execução de ações educativas, visando o 
processo educacional como um todo. 
Ter sempre conhecimento da legislação vigente, 
juntamente com as políticas e diretrizes da 
educação SENAI, planejando, executando, 
acompanhando e avaliando os resultados 
obtidos de todas as ações formativas criadas 
em prol de melhorias em todos as modalidades 
e níveis de ensino em que se atua. 
De forma geral, deve ter um compromisso 
prioritariamente com a educação, no sentido 
de assumir um compromisso com a sociedade 
de que a partir dela (no caso a educação), 
possamos formar um cidadão capaz de atuar 
de forma eficaz no mundo do trabalho e assim 
tornar-se apto a ser o gestor da sua própria 
vida, promovendo seu crescimento pessoal e 
profissional. Contudo, devemos ter ciência 
de que a coordenação pedagógica não deve 
assumir toda a responsabilidade sozinha, pelo 
contrário, deve trabalhar em grupo, levando 
em consideração todas as vertentes presentes 
143Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
na educação, cada uma com sua contribuição 
singular, desde os administrativos, professores, 
coordenadores, diretores, enfim, todos 
envolvidos no processo educativo. 
Uma ferramenta indispensável para orientação 
e direcionamento das ações da equipe da 
Coordenação de Educação é o Projeto Político 
Pedagógico- PPP, pois
“Tem como objetivo apresentar 
os fundamentos, princípios e fins 
educacionais, bem como, gestão 
de pessoas, a gestão educacional e 
financeira. Apresenta o currículo, 
o processo de avaliação e 
acompanhamento da aprendizagem 
e avaliação da produção da Unidade 
Operacional. (SENAI, 2016, p. 41)
O PPP é um documento norteador de vital 
importância para a caracterização da escola, 
nele constam os objetivos macros que são 
orientadores para o trabalho de toda equipe 
de educação, bem como, dos docentes. 
Vale salientar que a revisão deste documento 
deve ser atualizada sempre que houver mudanças 
significativas, bem como o conhecimento do 
conteúdo posto deve ser veiculado sempre que 
possível com toda comunidade escolar, uma vez 
que nele são contidos os objetivos importantes 
a serem alcançados. Não apenas relacionados 
ao trabalho dos professores voltados ao ensino 
e aprendizagem em sala de aula, mas também 
a relevância social de toda comunidade escolar.
2.3 Coordenação de 
Educação e Corpo Docente: 
Uma parceria que fortalece o 
processo educacional
Presente em um cenário de constante 
transformação, que compromete a estruturação 
dos cursos para atender a um perfil profissional 
previamente já elaborado pelo SENAI, de 
forma alinhada “com a legislação educacional 
vigente, que coloca em relevo a necessidade 
de uma nova organização curricular com base 
em competências em atenção às demandas 
requeridas pelo mercado” (SENAI, 2013, p. 107). 
Percebe-se que para atender a essa demanda 
a escola em sua totalidade precisa trabalhar 
como um sistema humanista, que depende 
de um todo para que seu funcionamento e 
desenvolvimento ocorram de forma harmoniosa 
e crescente e alinhada com as exigências postas 
pela contemporaneidade. Ou seja, este sistema 
precisa contar com a participação de todos os 
envolvidos no processo educacional, desde a 
equipe de gestão, coordenação de educação e 
dos cursos, pois sem este apoio torna-se inviável 
o desenvolvimento de uma prática docente que 
fortaleça a formação profissional com base em 
competência. 
Dentro desta perspectiva destaca-se o trabalho 
de parceria entre Coordenação de Educação e 
Corpo Docente, como órgãos vitais desse sistema, 
pois cabe a equipe de educação as competências 
de orientar, acompanhar, planejar e organizar os 
trabalhos pedagógicos ancorando suas práticas 
nos princípios legais e metodológicos que gerem 
a Educação Profissional do SENAI, de modo 
que viabilize e subsidie condições para que 
o corpo docente desenvolva com sucesso sua 
prática. 
Sabendo da complexidade para disseminação e 
apropriação da proposta metodológica adotada 
pelo SENAI, acredita-se que, para o trabalho 
de parceria Coordenação de Educação e Corpo 
docente dar certo é necessário conhecer o perfil 
desse grupo de trabalho para poder contribuir 
de forma eficaz com a necessidade de cada um, 
pois, de acordo com Vasconcelos (2008) uma 
das grandes virtudes da equipe da Coordenação 
de Educação frente ao corpo docente “é a 
144 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
sensibilidade, a capacidade de estar aberto, 
perceber o outro, reconhecer suas demandas, 
suas lacunas, bem como seu potencial, seu valor”. 
(VASCONCELOS, 2008, p. 95). 
Visto a diversidade de trabalhos desenvolvidas 
pela equipe de coordenação no cotidiano 
escolar quando a mesma consegue estabelecer 
estratégias que contemplem laços nas relações 
interpessoais com seu grupo de professores, as 
mesmas tomam espaço de protagonistas em 
virtudes, pois se efetivadas de forma positiva 
possuem um resultado grandioso no que diz 
respeito à construção do conhecimento, bem 
como firma um perfil próprio de trabalho 
apoiando-se nos diversos interesses de 
partilha, confiança, sensibilidade, segurança, 
troca, colaboração, para buscar “o caminho de 
reflexões que gerem soluções mais aprofundadas 
e criativas quanto aos obstáculos e problemas 
emergentes no caminho do cotidiano...” 
(PLACCO, 2003, p. 52). 
A liderança, motivação e a comunicação são uma 
das formas que também caracterizam a ação 
da equipe pedagógica. Essas ações permitem 
ao grupo a oportunidade de crescimento, de 
criatividade, de liberdade de expressão. O grupo 
de professores que desenvolvem seu trabalho 
na perspectiva de um relacionamento mais 
afetivo, dialógico tende a traçar metas, objetivos 
comuns que possibilitam ampliar uma ação 
eficaz na escola, Luck (2009) faz uma excelente 
colocação, quando enfatiza que a motivação “ 
passa, portanto, pelo reconhecimento e adoção 
de estratégias capazes de criar na escola a 
pedagogia do sucesso, pela ação diferenciada 
de seus profissionais [...] LUCK, 2009, p. 85). 
Um dos momentos mais propícios para haver 
essa brilhante troca de saberes e interação são 
as formações continuadas que podem acontecer 
sob diferentes formas e em diversos espaços. 
A Coordenação de Educação exerce um papel 
muito importante na formação continuada, pois 
é através delas que irão auxiliar os professores nas 
descobertas dos recursos necessários para que 
realizem seu trabalho. Nelas são discutidas novas 
metodologias de trabalhos que contribuirão 
para melhoria da ação docente em sala de 
aula, nas escolhas das estratégias de ensino e 
aprendizagem, bem como no desenvolvimento 
de um planejamento. 
Orientado e acompanhado pela coordenação, 
o papel do docente do SENAI é 
“planejar, propor Situações de Aprendizageme mediar os alunos em relação a elas, 
favorecendo a construção de conhecimentos e o 
desenvolvimento de capacidades que sustentam 
as competências explicitas no Perfil Profissional” 
(SENAI, 2013, p. 119). Frente a essas atribuições 
pode-se analisar que o planejamento é uma 
ferramenta de fundamental importância nas 
ações desenvolvidas pelos docentes pois, 
Segundo Oliveira, “planejar é pensar sobre 
aquilo que existe, sobre o que se quer alcançar, 
com que meios se pretende agir”. (2007. p.21). 
Quando há organização e planejamento, nos 
antecipamos e traçamos objetivos e os meios 
como serão desenvolvidas as ações, neste 
momento o docente precisa estar atento para 
algumas etapas que são elencadas pela MSEP, 
que é a contextualização para prática docente 
que envolve a apropriação do Projeto Político 
Pedagógico-PPP e Regimento Escolar, nesses 
documentos a instituição evidencia o modelo 
pedagógico que é adotado, juntamente com seus 
objetivos e fins educacionais, em consonância 
com a forma legal, administrativa e normativa 
da organização da escola, o contexto que os 
alunos estão inseridos, juntamente coma a 
apropriação dos planos de curso que irá elencar 
as características do curso que será desenvolvido, 
bem como a elaboração da Situação de 
Aprendizagem, ferramenta de vital importância 
145Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
para a construção do processo ensino e de 
aprendizagem com base em competências. 
Espera-se que o docente do SENAI, apoiado 
pela coordenação de educação, atue como líder 
em sala de aula, não se restringindo apenas à 
socialização de conteúdos pré-estabelecidos, mas 
que coloque-se na condição de empreendedor 
da sua própria prática pedagógica, e que seja 
capaz de conduzir o processo de aprendizagem 
de modo fomentar nos alunos atitudes 
transformadoras. 
 Somando a atitude de professor inovador ao 
domínio da Metodologia SENAI de Educação 
Profissional, ficará mais fácil para que possa 
proporcionar uma aprendizagem mediada à 
interdisciplinaridade e contextualização, atre-
lando concomitantemente a teoria à prática, 
rompendo assim as barreiras de sala de aula 
e proporcionando a transcendência de modo 
que os alunos construam uma aprendizagem 
significativa. O docente que utiliza a MSEP 
como direcionadora de suas ações didático-
-pedagógicas e principalmente no que tange as 
informações no “planejamento das Situações de 
Aprendizagem, contemplando as estratégias de 
ensino e as estratégias de aprendizagem desafia-
doras, vinculadas a uma proposta de avaliação 
da aprendizagem. (SENAI, 2016, p 13). 
Outro ponto relevante na prática docente é a 
avaliação, uma vez que ela é “parte integrante 
do processo de ensino e de aprendizagem e, 
alinhada à Metodologia SENAI, deverá prever 
constante intervenção do docente, buscando a 
melhoria e superação das dificuldades do estu-
dante. (SENAI, 2016. p. 23). Para a Educação 
Profissional do SENAI, a avaliação se dá como 
base no desenvolvimento das competências 
para atender o perfil profissional em questão. 
E o professor, na condição de mediador do 
conhecimento e condutor do processo de ensino 
aprendizagem, deve estar atento aos detalhes 
para interpretar esse desenvolvimento de forma 
coerente, e utilizar as estratégias de ensino e 
instrumentos de avaliação assertivos de modo 
que potencializem o desempenho intelectual 
dos seus alunos. 
Durante o processo de desenvolvimento do 
curso, podemos contar com três funções da 
avaliação que ajudarão de forma significativa 
o trabalho do professor, são elas: Avaliação 
diagnóstica que se dá na origem do processo; 
avaliação formativa que se dá durante o processo 
e pode ser diagnosticada durante o processo 
de ensino aprendizagem; e a somativa, que é 
utilizada no final do processo para validar tudo 
que foi aprendido. 
Para garantir que uma avaliação foi de fato 
justa e coerente durante o desenvolvimento do 
processo educativo, é necessário que o professor 
no momento do planejamento de aula e na 
elaboração da Situação de aprendizagem tenha 
bem definido os critérios de avaliação, levando 
em consideração os aspectos técnicos e sociais, 
organizativos e metodológicos. 
3 CONCLUSÃO
A oportunidade de estudar a Metodologia 
SENAI de Educação profissional é uma ocasião 
muito valiosa, singular e bastante significativa, 
pois, nos permite percorrer uma jornada de 
conhecimentos que agregam valores à prática 
diária no exercício da função de Coordenador 
Pedagógico, bem como nas tomadas de decisões 
no cotidiano escolar. 
146 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
As reflexões realizadas sobre a importância da 
Coordenação Pedagógica, conduz a afirmação de 
que “coordenador pedagógico pode ser um dos 
agentes de mudança das práticas dos professores 
mediante as articulações que realiza entre estes 
[...]”(ORSOLON, 2006, p. 20), analisando essa 
ideia, foi possível constatar o papel fundamental 
que o coordenado pedagógico possui dentro 
da escola, pois ele está na condição de líder no 
que diz respeito as ações desenvolvidas neste 
ambiente, e consequentemente, torna-se uma 
referência no processo de acompanhamento e 
orientação das ações docentes. 
Compor a equipe de educação do SENAI é 
um desafio, tendo em vista que a sua atuação 
é muito complexa dentro da escola, pois os 
colaboradores envolvidos nesse processo 
precisam se posicionar de modo que atendam 
as especificidades da função. 
Conclui-se que as atividades e competências 
que são desenvolvidas pela Coordenação de 
Educação em parceria com um corpo docente 
que tem um perfil diferencia, capacitado, e 
apropriado dos pressupostos estabelecidos pela 
MSEP, volta-se para uma direção, o ensino 
aprendizagem, pois o mesmo é fator 
preponderante para o desempenho de resultados 
da escola, bem como para a formação de alunos 
competentes e qualificados, afirmando assim 
o excelente trabalho desenvolvido pelo SENAI 
que trabalha fortemente para atender as 
exigências do mercado e principalmente a 
indústria.

REFERÊNCIAS
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Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996 
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Positivo, 2009. 
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da Educação: Desafios Contemporâneos. 7ª edição. 
Petrópolis, RJ. Editora Vozes, 2009. 
ORSOLON, Luiza Angelina marino. Trabalhar 
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PLACCO e ALMEIDA. O coordenador pedagógico 
e o cotidiano escolar. São Paulo: Loyola, 2003. 
RANGEL, Maria. Supervisão Pedagógica: um 
modelo. 4º ed. São Paulo: Vozes, 2006. 
SANTOS, Clovis Roberto dos. A gestão educacional 
e escolar para a modernidade. São Paulo: Cengage 
Learnig, 2008. 
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Industrial. Fundamentos teóricos, legais e de gestão 
da educação profissional no SENAI. Florianópolis: 
SENAI/DR-SC, 2015. 
SENAI, 2015b.Plano de ação nacional para 
a conquista da excelência na apropriação da 
Metodologia SENAI de Educação Profissional. 
Departamento Nacional/Brasília: SENAI/DN, 2015. 
SENAI, 2016a. Aperfeiçoamento da Coordenação 
Pedagógica do SENAI: Planejamento e Prática. 
Departamento Regional de Santa Catarina. Brasília: 
SENAI/DN, 2016. 
SENAI, 2016b. Avaliação dos Processos de 
Ensino e Aprendizagem. Departamento Nacional/
Departamento Regional de Santa Catarina: SENAI/
DR-SC, 2016. 
SENAI, 2016c. Metodologia SENAI DE Educação 
Profissional na Prática Pedagógica (MSEPPP). 
Departamento Nacional/Departamento Regional de 
Santa Catarina: SENAI/DR-SC, 2016. 
VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Coordenação 
do trabalho pedagógico: do projeto político 
pedagógico no cotidiano da sala de aula.8ªed. Cap.4. 
São Paulo: Libertad Editora, 2008. 
148 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
Este artigo tem como objetivo discorrer sobre alguns conceitos de trabalho e 
educação e descrever sobre a Metodologia SENAI de Educação Profissional 
frente a este contexto, demonstrando as relações entre o mundo do trabalho 
e a formação profissional. A metodologia utilizada neste estudo é de 
cunho bibliográfico. No atual cenário econômico, o trabalhador que antes 
conseguia uma inserção no mercado com poucas qualificações, hoje, deve 
estar em permanente formação para o seu aprimoramento profissional e 
pessoal. Desta forma, este sujeito tende a estar apto a atender demandas 
com uma formação adequada ao seu contexto de trabalho. Neste sentido, o 
SENAI, por meio da sua metodologia, centra suas atividades pedagógicas 
em situações de aprendizagem cujos alunos são transportados à realidade 
encontrada no mundo do trabalho. Assim, acreditamos que este artigo 
fortalecerá futuros estudos dos profissionais da Educação em geral, pois, 
apresentamos uma metodologia que visa atender às necessidades reais dos 
educandos e que esteja conectada com a sociedade e o mercado.
Palavras-chave: Trabalho. Educação. Metodologia SENAI de Educação
 Profissional. 
***
1 Mestre, e-mail: 
helen.silva@
pr.senai.br
***
METODOLOGIA SENAI DE EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL: UMA METODOLOGIA 
CONECTADA COM O MUNDO DO 
TRABALHO
Helen Camila da Silva1
149Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
Os sistemas educativos de diversos países, 
como no Brasil, enfrentam não só o desafio 
de responder à demanda de acesso universal 
à educação, mas, também de oferecer uma 
educação que seja considerada de qualidade e 
que atenda as necessidades atuais da sociedade 
em que estamos inseridos. 
Desse modo, a Educação Profissional é 
uma modalidade educacional que objetiva o 
desenvolvimento de competências, habilidades e 
capacidades para a vida produtiva dos indivíduos, 
oportunizando-os a se integrar no mercado de 
trabalho. Assim, é necessário compreender as 
relações entre trabalho e educação para que 
possamos entender alguns aspectos da educação 
profissional. 
Sintonizado com esta demanda e com as 
mudanças no contexto do trabalho, o SENAI, 
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, 
pratica ações que visam à construção das 
competências requisitadas. Dentre estas ações, 
a referida instituição tem se apropriado de 
uma metodologia, denominada Metodologia 
SENAI de Educação Profissional, que assegura 
uma educação conectada ao mundo do trabalho 
e aos cidadãos. 
Dessa forma, este estudo tem como objetivos 
discorrer sobre alguns conceitos de trabalho 
e educação e descrever sobre a Metodologia 
SENAI de Educação Profissional frente a este 
contexto, demonstrando as relações entre o 
mundo do trabalho e a formação profissional. 
O que nos motivou a elaborar este estudo 
foram os estudos no Curso de Aperfeiçoamento 
da Coordenação Pedagógica do SENAI, 
nossa vivência profissional e a percepção da 
importância da Educação Profissional em nosso 
país. Esta pesquisa é de cunho bibliográfico a 
qual será norteada por documentos do SENAI 
e autores como Manfredi e Saviani. 
2 TRABALHO E EDUCAÇÃO: ALGUNS 
CONCEITOS
O trabalho é uma necessidade humana que 
expressa a forma como os seres sociais se 
relacionam com o meio para produzir a sua 
existência. Ou seja, é próprio da necessidade 
humana historicamente transformar a natureza 
e, nesse processo, o homem transforma a si 
mesmo. Assim, para nós, existe uma estreita 
relação entre a educação profissional e o mundo 
do trabalho. 
 Nos últimos anos, temos presenciado mudanças 
significativas nas relações trabalhistas com o 
advento das novas tecnologias. O surgimento 
de novas profissões ocorreu de forma bastante 
acelerada nas sociedades capitalistas industriais, 
e com a utilização da informática, dos meios 
de comunicação e da internet houve inovações 
nesse campo e novas necessidades profissionais, 
como pontua Rodrigues (2005, p. 36): “O novo 
padrão de organização da produção e das 
relações de trabalho, traduz-se, em um sistema 
produtivo cujas características principais são a 
flexibilidade e a polivalência dos processos de 
trabalho e dos trabalhadores”. 
150 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
 Ao se modificarem os modos de produção e de 
reordenamento das relações de trabalho para 
bases mais flexíveis e polivalentes, verificamos 
que se alteraram as maneiras e as exigências de 
formação do trabalhador, havendo a exigência 
de um novo tipo de trabalhador. A esse respeito, 
Kuenzer (1999, p. 169) sublinha que: 
A mudança da base eletromecânica 
para a base microeletrônica, ou seja, 
dos procedimentos rígidos para 
os flexíveis, que atinge todos os 
setores da vida social e produtiva 
nas últimas décadas, passa a exigir 
o desenvolvimento de habilidades 
cognitivas e comportamentais, tais 
como análise, síntese, estabelecimento 
de relações, rapidez de respostas e 
criatividade em face de situações 
desconhecidas, comunicação clara 
e precisa, interpretação e uso de 
diferentes formas de linguagem, 
capacidade para trabalhar em 
grupo, gerenciar processos, eleger 
prioridades, criticar respostas, avaliar 
procedimentos, resistir a pressões, 
enfrentar mudanças, aliar raciocínio 
lógico-formal à intuição criadora, 
estudar continuamente, e assim por 
diante. 
O desenvolvimento do capitalismo industrial 
criou, nos últimos anos, uma necessidade 
da universalização da escola como local de 
preparação para a inserção no mundo do 
trabalho, pois há uma grande concentração de 
trabalhadores nas ocupações profissionais, as 
quais, exigem menos escolaridade e envolvem 
operações simples e rotineiras, e há uma 
baixa concentração nas profissões que exigem 
maior escolaridade, em uma relação piramidal. 
Essas estruturas piramidais foram criadas para 
conduzir pessoas com pouca escolaridade e que 
precisavam de dirigentes que lhes dissessem o 
que fazer e como proceder. 
Libâneo (2004) afirma que as novas realidades 
do mundo do trabalho hoje requerem 
trabalhadores com mais conhecimento, cultura, 
preparo técnico, e que demandam, por sua vez, 
uma relação mais explícita entre conhecimentos 
e capacidades e sua aplicação. Essa assertiva 
nos leva a entender que, se hoje percebemos a 
escola cuja função é preparar os cidadãos para 
o trabalho e para uma possível ascensão social, 
a sua constituição não esteve vinculada a essa 
ideia, pois foi criada para o exercício do comando 
e poder de grupos seletos de uma sociedade 
elitizada. Apesar das escolas públicas brasileiras 
das primeiras décadas do século XX objetivar a 
escolarização das camadas populares, só foram 
integrados os que pertenciam à elite, ficando 
de fora os pobres, os miseráveis e os negros. 
Os conceitos que norteiam as relações 
produtivas e educativas escondem o discurso 
do capital sobre a realidade de desvalorização do 
trabalho em função da lucratividade. Devido às 
necessidades das empresas, existe uma aparente 
autonomia e participação dos trabalhadores 
no contexto capitalista. A participação e a 
autonomia podem ser vistas não apenas em 
relação à capacidade de decisão no processo 
produtivo, pois para Ramos (2006, p. 205), 
“a autonomia é vista como uma condição que 
permite ao indivíduo mudar de emprego numa 
mesma empresa ou de uma empresa para outra 
ou mesmo de um setor de atividades para 
outro”. Essas são características fundamentais 
ao trabalhador para que ele possa adequar-se 
às necessidades do mercado. 
Ainda hoje, percebemos a estrutura ocupacional 
de trabalho de maneira piramidal,e essa 
forma de trabalho nos remete à aproximação 
entre educação e trabalho. Assim, a relação 
trabalho e escola assume uma ligação entre 
desenvolvimento econômico e educação, 
emprego, autonomia, mobilidade e ascensão 
social, e a educação surge como um elemento 
151Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
das relações de produção capitalista (SAVIANI, 
2007). 
Saviani (2007) ainda destaca que, na segunda 
metade do século XX em diante, a educação 
é colocada sob a determinação das condições 
de funcionamento do mercado capitalista, e “a 
educação passou a ser concebida como dotada 
de um valor econômico próprio e considerada 
um bem de produção (capital) e não apenas de 
consumo” (SAVIANI, 2002, p. 22). A relação 
entre educação e trabalho é resultado de um 
movimento global da sociedade capitalista e 
seus sujeitos. Nesse âmbito, Manfredi (2002, 
p. 59) afirma: 
“Assim, ao longo do século XX, 
embora com diferenças quantitativas e 
qualitativas, nos níveis de atendimento 
e ampliação da escolaridade 
obrigatória, entre países avançados e 
aqueles do Terceiro Mundo, a escola 
tende a ser considerada como um 
espaço de inserção político-social e 
cultural, extrapolando a função – que 
vem assumindo na atualidade – de ser 
um dos principais instrumentos de 
certificação e credenciamento para o 
ingresso e a manutenção no mercado 
de trabalho.” 
Desta forma, apesar de acreditarmos que 
a educação deve ser compreendida como 
um processo de formação de ensino e de 
aprendizagem, com sua função maior de 
promover e produzir o conhecimento aos 
sujeitos, a educação tem sido delineada por 
meio das novas relações de trabalho e está 
direcionada a mudar a realidade do mercado, 
principalmente no tocante ao emprego, 
desemprego e subemprego, atrelada às exigências 
de uma sociedade globalizada, com ênfase na 
valorização das novas tecnologias de informação 
e comunicação. 
Com essa repaginação econômica no país, novas 
exigências são cobradas dos trabalhadores. 
Para ocupar cargos mais elevados, um novo 
perfil de trabalhador é requisitado, com mais 
escolarização e qualificações contínuas. O 
trabalho modificou as formas de ensino e 
aprendizagem dentro das estruturas escolares, 
e em consequência, a modalidade de educação 
profissional ganha destaque. Ressaltamos que 
houve uma modificação nas formas de relação 
entre o homem e o conhecimento na atual fase 
de acumulação, com repercussões importantes 
para os processos de formação humana e para 
a organização do trabalho (RODRIGUES, 
2005). Da mesma forma, o processo de formação 
dos trabalhadores, por meio da educação 
profissional, sofreu mudanças, surgindo novas 
práticas para a qualificação profissional. 
Nascimento (2007) afirma que, a partir dos anos 
de 1980, surge um novo perfil de trabalhador, 
com mais capacitações para ocupar cargos 
diferenciados. Se antes o trabalhador estava 
habituado ao modelo fordista/taylorista, restrito 
a trabalhos de repetição e pouca escolarização, 
hoje o mercado está em um novo universo, e 
o indivíduo está inserido em uma produção 
flexibilizada, com técnicas de organização e 
produção, práticas administrativas e gestão de 
empresa. 
Contudo, vale a pena ressaltar que a educação 
por si só não é capaz de garantir o emprego 
ou o trabalho. A educação não é um fim em 
si mesmo, e nesse contexto, a escolarização e a 
qualificação profissional são entendidas como 
uma vertente necessária que possibilitam o 
ingresso e a inserção no mundo do trabalho. Com 
essa visão, discorremos a seguir sobre o contexto 
da Educação Profissional e Tecnológica a partir 
da LDBEN 9394 de 20 de dezembro de 1996, 
que ao longo de seu texto reforça a ideia da 
152 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
relação entre trabalho e educação (BRASIL, 
1996). 
Neste sentido, o mundo do trabalho modificou 
as formas de ensino e aprendizagem dentro das 
estruturas escolares. Em consequência disto, o 
SENAI se apropriou da Metodologia SENAI 
de Educação Profissional para atender esta nova 
demanda do mercado e é sobre este assunto, 
a metodologia, que discorreremos em nosso 
próximo item. 
3 A METODOLOGIA SENAI DE EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL
A Metodologia SENAI de Educação 
Profissional se estrutura, principalmente, a 
partir das concepções de Vygotsky, Piaget, 
Ausubel e Perrenoud e apresenta como 
objetivos prioritários atualizar e garantir a 
qualidade da educação profissional, articular a 
oferta formativa correspondente aos níveis de 
educação e qualificação e buscar sintonia entre 
escola e o mundo do trabalho em um contexto 
de globalização, tecnologias e flexibilidade 
(SENAI, 2012a). 
Além destas características, esta metodologia é 
baseada no desenvolvimento de competências 
e nesse contexto, “[...] competência é a 
mobilização de conhecimentos, habilidades 
e atitudes necessários ao desempenho de 
atividades ou funções típicas segundo padrões 
de qualidade e produtividade requeridos pela 
natureza do trabalho” (SENAI, 2012a, p. 10). 
Na busca por ampliar as oportunidades de 
inserção profissional do trabalhador por meio 
da preparação para perfis mais abrangentes, 
assim como a renovação do processo de ensino 
e aprendizagem, o SENAI utiliza-se dessa 
metodologia tendo em vista o dinamismo do 
trabalho e a globalização, vinculando a prática 
da educação profissional com as exigências 
dos mesmos. No documento intitulado 
Metodologia SENAI de Educação Profissional 
(2013), encontramos algumas características 
que o trabalhador precisa ter diante do novo 
paradigma produtivo do mercado: 
“A formação do trabalhador não 
deve ser apenas regulada por tarefas 
relativas a postos de trabalho. O 
mundo do trabalho exige cada vez 
mais um profissional que domine não 
apenas o conteúdo técnico específico 
à sua atividade, mas que, igualmente, 
detenha capacidade crítica, autonomia 
para gerir seu próprio trabalho, 
habilidade para atuar em equipe e 
solucionar criativamente situações 
desafiadoras em sua área profissional. 
O novo paradigma produtivo requer 
o desenvolvimento de competências 
profissionais que superem os modelos 
de uma educação circunscrita à 
formação para tarefas e postos de 
trabalho”. (SENAI, 2013, p. 9) 
Um elemento importante passou a fazer parte da 
arquitetura interna das empresas, a competência 
do fator humano, ou seja, o quanto o indivíduo 
é capaz de chegar aos objetivos atribuídos em 
seu trabalho, sendo considerados protagonistas 
e impulsores de mudanças (SENAI, 2013). 
Tendo em vista que as indústrias passaram a 
requerer um profissional com maior autonomia, 
o SENAI buscou planejar e desenvolver suas 
ofertas de cursos formativos alinhadas às 
mudanças no mundo produtivo, na sociedade, 
nas políticas públicas e profissões. A principal 
153Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
estratégia do SENAI para garantir essa 
interlocução foi a constituição de “Comitês 
Técnicos Setoriais” para contribuir para a 
identificação e atualização das competências 
profissionais requeridas dos trabalhadores, 
responsabilizando-se pela definição dos perfis 
profissionais correspondentes às ocupações 
demandadas pelos seguimentos atendidos pelo 
SENAI (SENAI, 2013, p. 16). 
O Comitê Técnico Setorial (CTS) é um fórum 
técnico-consultivo que possibilita a aproximação 
entre o mundo do trabalho e a educação 
profissional. Faz parte desses “Comitês Técnicos 
Setoriais” profissionais internos do SENAI e 
profissionais externos a especialistas da área 
tecnológica em estudo – três profissionais, no 
mínimo, da área técnica de empresas do setor 
tecnológico em estudo, um técnico indicado 
pelo sindicato patronal, um técnico indicado 
pelo sindicato dos trabalhadores,um técnico 
indicado por associação de referência técnica 
do segmento (quando houver), um especialista 
(no setor tecnológico em estudo) do meio 
acadêmico, um técnico indicado por órgão 
do poder público ligado às áreas de trabalho, 
indústria, educação ou ciência e tecnologia 
(SENAI, 2012a, p. 14). 
Nesse contexto, o perfil profissional é o item 
de referência para subsidiar o planejamento e 
desenvolvimento das ofertas formativas pela 
instituição, além de ser a descrição daquilo que 
o trabalhador, idealmente, deve saber realizar 
no campo da qualificação profissional, que, por 
sua vez, é o processo ou resultado da formação 
e desenvolvimento de capacidades para alcançar 
as competências definidas pelo mundo do 
trabalho. 
A elaboração do desenho curricular, que pode 
ser elaborado pelo Departamento Nacional 
ou pelo Departamento Regional, compreende 
as seguintes subfases: análise do perfil da 
qualificação profissional; definição dos módulos 
que integrarão a oferta formativa; definição das 
Unidades Curriculares relativas aos módulos; 
organização interna das Unidades Curriculares; 
organização do itinerário formativo e elaboração 
do plano de curso (SENAI, 2012a). 
Assim, o desenho curricular deve possibilitar 
o desenvolvimento das capacidades descritas 
no perfil profissional e, além disto, deve ser 
implementado por meio de uma prática docente 
diferenciada. Para isto, os docentes devem 
se valer de situações de aprendizagem bem 
planejadas, de forma que levem os alunos a 
desenvolver as capacidades técnicas, sociais, 
organizativas e metodológicas. 
Evidenciamos que o SENAI tem se preocupado 
em realizar uma ação pedagógica que transcende 
a reprodução de conteúdos e a realização do 
processo de desenvolvimento de competências 
de todos os alunos, em um espaço de boa 
convivência. Assim, são elencados, no documento 
Metodologia SENAI de Formação Profissional 
(2013), os dez princípios norteadores da 
Prática Docente do SENAI, as quais sejam: 
Mediação da Aprendizagem; Desenvolvimento 
de Capacidades; Interdisciplinaridade; 
Contextualização; Ênfase no aprender a 
aprender; Proximidade entre o mundo do 
trabalho e as práticas sociais; Integração entre 
teoria e prática; Incentivo ao pensamento 
criativo e à inovação; Aprendizagem significativa 
e Avaliação da aprendizagem com função 
diagnóstica, formativa e somativa. 
Os dez princípios norteadores da prática 
pedagógica do SENAI visam possibilitar o 
desenvolvimento de atividades que possuam 
utilidade e significado para o trabalho e para 
a vida dos alunos, chamadas de “Situação de 
Aprendizagem”. 
154 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Uma situação de aprendizagem é entendida 
como uma atividade desafiadora que, planejada 
pedagogicamente, considera o cruzamento 
entre o difícil e o possível para o aluno em dado 
momento. A situação deve ser contextualizada, 
ter valor sociocultural, evocar saberes e propor 
a solução de um problema que exija tomada de 
decisão, testagem de hipóteses e transferência 
de aprendizagens, ampliando no aluno a 
consciência das suas possibilidades cognitivas 
(SENAI, 2012b). 
Para que uma situação de aprendizagem 
seja desafiadora, é necessário uma interação 
intencional e contínua entre docentes e alunos. 
O professor deve escolher atividades voltadas 
à formação com base em competências, 
rompendo a visão fragmentada dos conteúdos e 
possibilitando ao aluno aplicar os fundamentos 
e capacidades em sua prática profissional 
diária. As situações de aprendizagem podem 
ser realizadas individualmente, em equipes ou 
com toda a turma, sempre com a orientação 
de um mediador. 
Neste contexto, o professor deve utilizar 
estratégias complexas em suas situações 
de aprendizagem. Uma delas é a situação-
problema, em que o professor deve apresentar 
uma situação na qual o aluno tenha uma atitude 
ativa e um esforço para buscar as suas respostas 
e os seus conhecimentos. Essa situação deve 
exigir do aluno reflexão e tomada de decisão 
por tratar-se de uma atividade que não possui 
um caminho rápido de resolução. 
Outra estratégia é a pesquisa científica, que é 
o uso refinado de procedimentos para obter 
uma solução de um problema coletando dados 
e informações que permitam buscar respostas. 
Já o estudo de caso deve ser delimitado e bem 
definido para o desenvolvimento da atividade. 
Ele não pode possuir uma solução rápida, 
devendo exigir do aluno análises e evidências 
para chegar a uma tomada de decisão. O projeto, 
por sua vez, caracteriza-se pelo desenvolvimento 
de uma atividade com período pré-estabelecido, 
com início e fim, cujos objetivos devem ser 
nitidamente definidos e a conclusão deve gerar 
um serviço ou um produto. 
Em alusão sobre a prática pedagógica, no 
documento chamado Metodologia SENAI de 
Formação Profissional (2013), são apresentados 
alguns pressupostos essenciais para que a mesma 
seja eficaz: 
Desloque o foco do ensinar para o 
aprender, do que vai ser ensinado para 
o que é preciso aprender no mundo 
contemporâneo e futuro; privilegie 
Situações de Aprendizagem ativas 
centradas no sujeito que aprende, 
desencadeada por estratégias 
desafiadoras, planejadas para o 
desenvolvimento das competências 
definidas no Perfil Profissional; 
valorize o papel do docente como 
mediador da aprendizagem; vise 
formar alunos com autonomia, 
iniciativa, proatividade, capazes de 
solucionar problemas, recorrer à 
metacognição, realizar autoavaliação 
e, consequentemente, conduzir sua 
autoformação e aperfeiçoamento; 
possibilite reformulações durante os 
processos de ensino e aprendizagem, 
sem comprometimento do 
planejamento como um todo, 
conferindo, assim, flexibilidade à 
ação docente; propicie oportunidade 
de acompanhamento constante das 
atividades do aluno por meio de 
avaliações formativas que permitam 
ao docente intervir, ainda durante o 
processo, com ações para melhoria 
da aprendizagem; e permita ao aluno 
a visão de conjunto do que deve ser 
desenvolvido no Módulo como um 
todo e nas Unidades Curriculares, 
propiciando a interdisciplinaridade 
entre elas (SENAI, 2013, p. 109). 
Em síntese, objetivando uma maior articulação 
entre educação e o mundo do trabalho, além da 
155Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
quebra de paradigmas ditadas por metodologias 
anteriores aplicadas pela instituição, como a 
exemplo, as Séries Metódicas Ocupacional 
(SMO) (SENAI, 2012a, p. 6) o SENAI adotou 
o enfoque por competências com o intuito de 
desenvolver habilidades e competências técnicas 
e comportamentais. É uma metodologia com 
visão sistêmica da formação profissional, que é 
contínuo e alimentado pelo mundo do trabalho.
4 CONCLUSÃO
No decorrer deste estudo, observamos que a 
educação numa dada sociedade é produto de 
um movimento de construção e reconstrução de 
diferentes esferas, tais como, social, econômica, 
política e cultural. Mais do que isto, a educação 
é determinada por fatores diferenciados, com 
protagonistas sociais com interesses distintos. 
Descrevemos, de forma sucinta, a relação que 
o mundo do trabalho possui com a educação 
e discorremos acerca da Metodologia SENAI 
de Educação Profissional que tem como maior 
objetivo a inserção do aluno num ambiente 
pedagógico que se aproxime do mercado e da 
sociedade em que estão. 
É inquestionável que a globalização e as ino-
vações tecnológicas têm alterado o processo 
produtivo significativamente, gerando mudan-
ças no desempenho do trabalho. Sendo assim, 
o processo educacional apresenta-se como o 
caminho que conduz o indivíduo ao patamar 
da empregabilidade, uma educação que tem se 
adequado aos padrões de formação exigidos pela 
modernidade que se apresenta nesse momento 
de início doséculo XXI. Assim, constatamos 
neste estudo que de fato existe uma grande 
relação entre trabalho e educação. 
Na atualidade, o anseio social é por uma for-
mação que prepare para o trabalho flexível, 
dinâmico e criativo e não mais para simples 
tarefas mecânicas de repetição. A Educação 
Profissional necessita criar técnicas de apren-
dizagem que superem aquelas fragmentadas de 
seu contexto, mas que, todavia, proporcionem a 
correlação entre os conteúdos e os processos de 
produção sem perder a visão de todo o conjunto. 
Sendo assim, a Metodologia SENAI de 
Educação Profissional vem de encontro com 
estas necessidades, pois, evidenciamos neste 
estudo a construção do processo de ensino e 
aprendizagem pautada na Educação com Base 
em Competências. Essa metodologia centra 
suas atividades pedagógicas em situações de 
aprendizagem em que os alunos são transpor-
tados à realidade encontrada no mundo do 
trabalho. Dando assim, condições e oportuni-
dades de aprendizagens adequadas para jovens 
e adultos, favorecendo a qualificação contínua 
ao longo da vida. 
Esta metodologia, que é conectada com o mundo 
do trabalho, possui como princípios norteadores 
a aprendizagem mediada, a interdisciplinari-
dade, a contextualização, o desenvolvimento 
de capacidades que sustentam competências, a 
ênfase no aprender a aprender, a aproximação 
da formação ao mundo real, com conexão ao 
trabalho e às práticas sociais, a integração entre 
teoria e prática, a avaliação da aprendizagem 
com função diagnóstica e formativa, levando em 
consideração a afetividade para a aprendizagem 
significativa. 
156 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016

Para nós, a formação profissional não se esgo-
ta apenas na conquista de um certificado ou 
um diploma. O desafio é ir além do preparo 
técnico, ultrapassar a questão da qualificação 
da mão de obra para o mercado de trabalho e 
inserir os cidadãos numa formação humana 
integral, possibilitando a todos um ensino de 
qualidade por meio da Educação Profissional, 
foco este delineado pela Metodologia SENAI 
de Educação Profissional. 
Estar atento ao mundo do trabalho e ao que 
ele demanda é o desafio do SENAI, que pode 
assim formar profissionais que se adequam ao 
que a indústria necessita. Diante das constantes 
novidades que o setor apresenta, é importante 
aliar a formação dos profissionais com o que o 
setor produtivo e tecnológico solicita. 
Em síntese, esperamos que os conhecimentos 
aqui apresentados possam contribuir para o 
aprofundamento das pesquisas sobre a Educação 
Profissional e que também estimulem a reali-
zação de novos estudos sobre o tema. 
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, 
de 20/12/1996. Estabelece as Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional. Brasília, DF: MEC, 1996. 
Disponível em: <http://zip.net/bttvl3>. Acesso em: 1 
set. 2016. 
 KUENZER, A. Z. As políticas de formação: a 
construção da identidade do professor sobrante. 
Educação & Sociedade, Campinas, SP, ano 20, n. 
68, p. 163-183, 1999. Disponível em: <http://zip.net/
bdtt52>. Acesso em: 1 set. 2016. 
LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão 
escolar: teoria e prática. Goiânia: Editora alternativa, 
2004. 
MANFREDI, Silvia Maria. Educação Profissional 
no Brasil. São Paulo: Cortez, 2002. 
RAMOS, Marise. A pedagogia das competências: 
autonomia ou adaptação? São Paulo: Cortez, 2006. 
RODRIGUES, Marli de Fatima. Da racionalidade 
técnica à “nova” epistemologia da prática: A 
proposta de formação de professores e pedagogos nas 
políticas oficiais atuais. 2005. 228 f. Tese (Doutorado 
em Educação) – Universidade Federal do Paraná, 
Curitiba, 2005. 
SAVIANI, Dermeval. Trabalho e educação: 
fundamentos ontológicos e históricos. Rio de Janeiro, 
v.12, n. 34, Apr. 2007. Disponível em <http://zip.net/
blts5s>. Acesso em 1 set. 2016. 
SENAI. Laboratório da Prática Pedagógica: 
Fundamentos da Metodologia SENAI de Formação 
Profissional com Base em Competências. Curitiba, 
SENAI/DR, 2012a. 
 ______ . Laboratório da Prática Pedagógica: 
Pressupostos da Prática Pedagógica. Curitiba, 
SENAI/DR, 2012b. 
______ . Metodologia SENAI de Educação 
Profissional. Brasília, DF: SENAI/DN, 2013. 
158 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Resumo
É certo dizer que, toda e qualquer modalidade de ensino é vital para o 
desenvolvimento humano e que esta, por sua vez, faz parte de um processo 
contínuo de conhecimentos. A proposta deste artigo tem como objeto, 
tratar aspectos relativos à aplicabilidade da Metodologia SENAI nos 
processos de Aprendizagem Industrial. Para tal, é preciso que o professor 
se posicione como facilitador do ensino e da aprendizagem de seu aluno, 
possibilitando o preparo mais adequado à sua futura vida profissional. 
Acompanhando essa perspectiva, ressalta-se a ideia de que professores e 
alunos devem travar um contato mais próximo, compartilhando experiências, 
conhecendo como vivem ou viviam e a forma como pensam. Docentes 
devem se preocupar em conhecer a história de vida de seus alunos, pois desta 
forma seu discente terá maior interesse em participar efetivamente do seu 
aprendizado. Paralelamente, o professor deve primar por dominar conceitos 
culturais, sociais e familiares de seus alunos, se fazendo entender de forma 
mais eficaz. Hoje, muitos docentes aceitam que a dificuldade de aprendizado 
dos estudantes nem sempre é por ignorância, mas sim, por reflexo de sua 
realidade e, por conhecerem esse fato, eles trabalham buscando conhecer 
um pouco mais da vida de cada um deles. Com estratégias adequadas e 
metodologia bem aplicadas, com ações voltadas ao seu aluno, coordenação 
e docentes, podem gerar desenvolver um trabalho mais eficiente e com 
melhores resultados. 
Palavras-chave: Metodologia SENAI. Competências. Multiplicadores e 
Facilitadores. Aprendizagem. 
***
1 Pós-Graduação 
em Pedagogia 
Empresarial, 
e-mail: 
apedreira@firjan.
org.br
2 Pós-Graduação em 
Administração 
Escolar e 
Empresarial, 
e-mail: cxavier@
firjan.org.br
3 Pós-graduação 
em Gestão 
Empresarial 
e-mail: 
bcoqueiro@firjan.
org.br
***
METODOLOGIA SENAI: 
DESENVOLVENDO FACILITADORES 
E MULTIPLICADORES DE 
COMPETÊNCIAS NOS PROCESSOS DE 
APRENDIZAZEM
Ana Cristina Souza Pedreira1
Barbara Maria de Queiroz A. Coqueiro2
Cátia Cilene Siqueira Xavier Cardoso3
159Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
1 INTRODUÇÃO
“A escola não deve apenas transmitir 
conhecimentos, mas também 
preocupar-se com a formação 
global dos alunos, numa visão onde 
o conhecer e o intervir no real se 
encontrem.” Freire apud GADOTI1 
(1991).
Melhorias. Aperfeiçoamentos. Capacitações. 
Profissionalismo. Aprendizagens. Inovações. 
Tecnologias. Modernizações. Humanidade. 
Essas são algumas das palavras chave aplicadas 
nos processos de aprendizagem SENAI. Esses 
conceitos engrandecem o dia a dia, tanto dos 
profissionais inseridos neste Sistema de Ensino, 
quando no dia a dia de seus alunos. É assim que, 
se torna possível atingir o objetivo maior a que 
todos se propõem: disseminar conhecimentos e 
oportunizar melhorias para suas comunidades.
Sendo o SENAI um dos mais importantes polos 
nacionais de geração e difusão de conhecimento 
aplicado ao desenvolvimento industrial, sua 
atuação segue por duas vertentes: promover a 
qualificação e especialização dos trabalhadores 
da indústria, dos cursos de aprendizagem até o 
nível superior e oferecer soluções tecnológicas 
para empresas por intermédio de programas 
de assessoria técnica e tecnológica. 
Quando se fala de Aprendizagem Industrial, 
entende-se como sendo: 
São cursos para jovens de 14 a 24 
anos, na modalidade CAI (gratuidade) 
ou CAO (cotistas de empresas), 
conformedetermina a Lei 10.097, de 
19 de dezembro de 2000. Os cursos 
podem contemplar também prática 
profissional na empresa, de forma a 
favorecer o pleno desenvolvimento 
das competências profissionais. (PPP, 
2015, p. 7).
Com base em diversas compreensões sobre 
métodos pedagógicos e suas aplicações, uma 
compreensão que vai ao encontro à Metodologia 
SENAI se baseia na Teoria Rogeriana, cujo 
conceito principal está na Aprendizagem 
Centrada na Pessoa.
Este estudo norteia-se com pesquisas 
fundamentadas na METODOLOGIA 
SENAI (2016), no PPP do SENAI / Itaguaí 
(2014, 2015 e 2016), conteúdos desenvolvidos 
no decorrer do curso “Aperfeiçoamento da 
Coordenação Pedagógica do SENAI” e em 
obras de ROGERS (2001), além de pesquisas 
realizadas em sites especializados sobre o tema 
abordado.
2 DESENVOLVIMENTO
É sabido que o coordenador pedagógico no 
SENAI tem sobre si uma gama de atribuições, 
dentre as quais contam a avaliação dos processos 
de ensino e de aprendizagem, além do 
acompanhamento de desempenho do docente 
e discente. É competência dos coordenadores 
realizar aperfeiçoamentos para conhecer bem 
as Leis que regem a Educação Nacional e se 
apropriar da Metodologia SENAI também, 
pois é assim que ele contribui nas suas ações 
práticas dos métodos pedagógicos planejados 
para seus docentes e discentes.
160 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Para auxiliar na implementação da Metodologia 
SENAI, suas unidades implementam o 
Plano Político Pedagógico (PPP), o qual é 
desenvolvido após observância dos aspectos 
gerados nas comunidades de seu local de 
atuação. Especificamente para este artigo, a 
pesquisa refere-se às unidades localizadas no 
Bairro de Santa Cruz/RJ e no munícipio de 
Itaguaí/RJ, cuja abrangência se estende por 
bairros e sub-bairros de munícipios vizinhos. 
Outro fator agregador e direcionador para 
o desenvolvimento do PPP são as empresas 
localizadas na região conhecidas por “Distrito 
Industrial”. 
Os cursos do SENAI de Educação 
Profissional seguem princípios, 
conteúdos e metodologias que 
valorizam o aprendizado, a 
iniciativa, a tomada de decisões, o 
espírito cooperativo e o senso de 
autonomia. As ações são discutidas 
sistematicamente em fóruns onde 
participam representantes das 
indústrias, os órgãos de representação 
de classe profissional, dos sindicatos e 
do meio acadêmico. (PPP, 2014, p. 8).
É nesse sentido que a Metodologia SENAI, 
busca empreender por caminhos de 
autoconhecimento, tanto do ponto de vista 
metodológico, quanto com relação à interligação 
com outras modalidades presentes no cotidiano 
dos alunos. Deve-se compreender que há uma 
busca frenética e constante em se extrair o 
melhor aproveitamento dos conhecimentos 
e competências que os participantes desse 
sistema de ensino podem desenvolver. Para tal, 
coordenações e docentes atuam em conjunto, 
a fim de oferecer maior entendimento sobre o 
conteúdo aplicado em sala de aula.
A teoria de Carl Rogers nos remete 
a uma reflexão sobre o processo 
de aprendizagem que permeia a 
educação tradicional instigando-
nos ao desenvolvimento de um 
posicionamento crítico no sentido 
de propor mudanças a esse processo 
apontando assim caminhos para a 
construção de uma aprendizagem mais 
significativa para o aprendiz, onde 
esta, “é mais que uma acumulação 
de fatos, é uma aprendizagem que 
provoca uma modificação, quer seja 
no comportamento do indivíduo, 
na orientação futura que escolhe ou 
nas suas atitudes e personalidade. 
É uma aprendizagem penetrante, 
que não se limita a um aumento de 
conhecimentos, mas que penetra 
profundamente todas as parcelas da 
sua existência”. (ROGERS, 2001).
O único homem que se educa é aquele 
que aprendeu como aprender: que 
aprendeu como se adaptar e mudar; 
que se capacitou de que nenhum 
conhecimento é seguro, que nenhum 
processo de buscar conhecimento 
oferece uma base de segurança. 
(ROGERS apud COELHO; JOSÉ, 
1993 p. 9).
Dentro da Metodologia SENAI e do PPP 
de cada unidade é imprescindível que cada 
personagem (coordenadores e docentes), saiba 
exatamente qual é a sua participação nos 
processos de aprendizagem.
2.1 Facilitadores e 
Multiplicadores de 
Competências nos Processos 
de Aprendizagem
Facilitador deve ser aquela pessoa 
capaz de contribuir para a realização 
do processo de improvisar e refinar 
o improviso de uma outra pessoa, no 
caso o estudante; e para realizar esta 
árdua tarefa, esse ser humano deve 
estar constantemente atualizado, caso 
contrário ele não estará instruindo, 
treinando ou facilitando, mas 
impondo paradigmas e conceitos 
que não podem contribuir mais para 
161Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
Competências nos remete para a adoção de 
uma prática pedagógica que:
•Privilegia metodologias ativas centradas 
no sujeito que aprende, a partir de ações 
desencadeadas por desafios, problemas e 
projetos.
•Desloca o foco do trabalho educacional do 
ensinar para o aprender, do que vai ser ensinado 
para o que é preciso aprender no mundo 
contemporâneo e futuro.
•Valoriza o docente no papel de facilitador e 
mediador do processo de aprendizagem.
•Visa formar alunos com autonomia, iniciativa, 
pró-atividade, capazes de solucionar problemas, 
alcançar a metacognição, realizar auto avaliação 
e por consequência, conduzir sua auto formação 
e aperfeiçoamento.
•Enfatiza a importância do planejamento 
sistemático das atividades pedagógicas pelos 
docentes em termos de atividades e projetos 
para o exercício das competências pretendidas, 
bem como do processo de avaliação. (PPP, 2014, 
p. 15).
Em todos os aspectos, reforça-se a percepção de 
que todo educador, seja coordenador ou docente, 
desenvolve um papel como Facilitadores e 
Multiplicadores das competências inerentes 
a seus cursos, acentuando-se sobremaneira, 
quando as ações se referem aos alunos de 
Aprendizagem Industrial, visto que, esses 
alunos estão ineridos ou se preparando para a 
inserção no mercado de trabalho o que torna, 
extremamente, necessário ter um aprendizado 
que o prepare para o que é esperado fora da 
sala de aula.
a mudança e melhoria contínua da 
qualidade do comportamento dos seus 
aprendizes. (PANEGALLI, 2012, p. 
3).
Ao se aprofundar nos conceitos da Metodologia 
SENAI, chega-se a conclusão de que seu 
objetivo foca no aprimoramento dos processos 
de Aprendizagem e que, principalmente, busca 
promover um aprendizado mais eficaz, levanto 
seus alunos a absorverem os conteúdos para 
a vida. A Metodologia visa desenvolver nos 
educandos uma consciência de que o mercado 
está pronto para absorvê-los.
Nesse contexto, coordenadores e docentes 
devem exercer suas competências dentro desse 
processo como Facilitadores e Multiplicadores 
dos conhecimentos técnico-pedagógicos 
apresentados a seus discentes. O PPP SENAI/
Itaguaí (2014) reforça essa afirmativa:
O mundo do trabalho exige hoje 
novas competências profissionais 
como valores, inteligência emocional, 
visão de futuro, atitudes e habilidades, 
além de conhecimentos específicos. E 
em consonância com essas mudanças 
no contexto do mundo do trabalho 
e aliada a Legislação Educacional 
vigente, diante de uma nova 
organização curricular. (PPP, 2014, p. 
15).
Ainda seguindo o contexto do PPP SENAI/
Itaguaí (2014), pode-se dizer que a prática 
profissional aplicada nos processos de 
Aprendizagem SENAI se baseia na metodologia 
por competências, conforme orientações do 
documento interno “Norteador da Prática 
Pedagógica”, considerando uma atuação de 
trabalhar na perspectiva da Pedagogia de 
162 Diálogos da Coordenação Pedagógica na Educação Profissional, Brasília, v. 1, n. 1, 2016
2.1.1 Papel do Coordenador
Planejar é indispensável em qualquer atividade.

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