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Teoria da Constituição

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Questões resolvidas

José leu, em artigo jornalístico veiculado em meio de comunicação de abrangência nacional, que o Supremo Tribunal Federal poderia, em sede de ADI, reconhecer a ocorrência de mutação constitucional em matéria relacionada ao meio ambiente. Em razão disso, ele procurou obter maiores esclarecimentos sobre o tema. No entanto, a ausência de uma definição mais clara do que seria “mutação constitucional” o impediu de obter um melhor entendimento sobre o tema. Com o objetivo de superar essa dificuldade, procurou Jonas, advogado atuante na área pública, que lhe respondeu, corretamente, que a expressão “mutação constitucional”, no âmbito do sistema jurídico-constitucional brasileiro, refere-se a um fenômeno.
Qual das alternativas abaixo descreve corretamente o fenômeno da mutação constitucional?
a) concernente à atuação do poder constituinte derivado reformador, no processo de alteração do texto constitucional.
b) referente à mudança promovida no significado normativo constitucional, por meio da utilização de emenda à constituição.
c) relacionado à alteração de significado de norma constitucional sem que haja qualquer mudança no texto da constituição federal.
d) de alteração do texto constitucional antigo por um novo, em virtude de manifestação de uma Assembleia Nacional constituinte.

Uma nova Constituição é promulgada, sendo que um grupo de parlamentares mantém dúvidas acerca do destino a ser concedido a várias normas da Constituição antiga, cuja temáticas não foram tratadas pela nova Constituição. Como a nova Constituição ficou silente quanto a essa situação, o grupo de parlamentares, preocupado com possível lacuna normativa, resolve procurar competentes advogados a fim de sanar a referida dúvida.
Os advogados informaram que, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, qual é a alternativa correta?
a) as normas da Constituição pretérita que guardarem congruência material com a nova constituição serão convertidas em normas ordinárias.
b) as matérias tratadas pela Constituição pretérita e não reguladas pela nova Constituição serão por esta recepcionadas.
c) as matérias tratadas pelas Constituição pretérita e não reguladas pela nova Constituição receberão, na nova ordem, status supralegal, mas infraconstitucional.
d) a revogação tácita da ordem constitucional pretérita pela nova Constituição se dará de forma completa e integra, ocasionando a perda de sua validade.

Todos os dispositivos da Lei Y, promulgada no ano de 1985, possuem total consonância material e formal com a Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº1/1969. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário, constatou que, após a atuação do Poder Constituinte originário, que deu origem à Constituição de 1988, o Art. X da mencionada Lei Y deixou de encontrar suporte material na atual ordem constitucional.
Sobre esse caso, segundo a posição reconhecida pela ordem jurídico-constitucional brasileira, assinale a afirmativa correta.
a) Ocorreu o fenômeno conhecido como “não recepção”, que tem por consequência a revogação do ato normativo que não se compatibiliza materialmente com o novo parâmetro constitucional.
b) Ao declarar a inconstitucionalidade do Art. X à luz do novo parâmetro constitucional, devem ser reconhecidos os naturais efeitos retroativos (ex tunc) atribuídos a tais decisões.
c) Na ausência de enunciado expresso, dá-se a ocorrência do fenômeno denominado “desconstitucionalização”, sendo que o Art. X é tido como inválido perante a nova Constituição;
d) Terá ocorrido o fenômeno da inconstitucionalidade formal superveniente, pois o Art. X, constitucional perante a Constituição de 1967, tornou-se inválido com o advento da Constituição de 1988.

Por entender que o voto é um direito, e não um dever, um terço dos membros da Câmara dos Deputados articula proposição de emenda à Constituição de 1988, no sentido de tornar facultativo a todos os cidadãos o voto nas eleições a serem realizadas no país. Sabendo que a proposta gerará polêmica, o grupo de parlamentares resolve consultar um advogado especialista na matéria.
De acordo com o sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a opção que indica a orientação correta a ser dada pelo advogado.
a) Não é possível sua supressão por meio de Emenda Constitucional, por que o voto obrigatório é considerado cláusula pétrea da Constituição da República, de 1988.
b) Não há óbice para que venha a ser objeto de alteração por via de Emenda Constitucional, embora o voto obrigatório tenha estatura constitucional.
c) Para que a proposta de Emenda Constitucional seja analisada pelo Congresso Nacional, é necessária manifestação de um terço de ambas as Casas.
d) A emenda, sendo aprovada pelo Congresso Nacional, somente será promulgada após a devida sanção presidencial.

A respeito da norma obtida a partir desse comando, à luz da sistemática constitucional, assinale a afirmativa correta.
a) Ela veicula programa a ser implementado pelas cidadãos, sem interferência estatal, visando à realização de fins sociais e políticos.
b) Eficácia Limitada - São de aplicação indireta ou mediata, pois há a necessidade da existência de uma lei para “mediar” a sua aplicação.
c) Normas de princípio programático (normas-fim)​- Direcionam a atuação do Estado instituindo programas de governo.
d) Normas de princípio institutivo - Ordenam ao legislador a organização ou instituição de órgãos, instituições ou regulamentos.

Parlamentar brasileiro, em viagem oficial, visita o Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, recebendo numerosas informações acerca do seu funcionamento e de sua área de atuação. Uma, todavia, chamou especialmente sua atenção: a referida Corte Constitucional reconhecia a possibilidade de alteração da Constituição material - ou seja, de suas normas - sem qualquer mudança no texto formal.
A partir da hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a informação dada pela assessoria jurídica.
a) Não. O Supremo Tribunal Federal somente pode reconhecer nova norma no sistema jurídico constitucional a partir de emenda à constituição produzida pelo poder constituinte derivado reformador.
b) Sim. O Supremo Tribunal Federal, reconhecendo o fenômeno da mutação constitucional, pode atribuir ao texto inalterado uma nova interpretação, que expressa, assim, uma nova norma.
c) Não. O surgimento de novas constitucionais somente pode ser admitido por intermédio das vias formais de alteração, todas expressamente previstas no próprio texto da Constituição.
d) Sim. O sistema jurídico-constitucional brasileiro, segundo linhas interpretativas contemporâneas, admite, como, regra a interpretação da Constituição independentemente de limites semânticos concedidos pelo texto.

A Constituição de determinado país veiculou os seguintes artigos: Art. X. As normas destas Constituição poderão ser alteradas mediante processos legislativo próprio, com a aprovação da maioria qualificada de três quintos dos membros das respectivas Casas Legislativas, em dois turnos de votação, exceto as normas constitucionais que não versarem sobre a estrutura do Estado ou sobre os direitos e garantias fundamentais, que poderão ser alteradas por intermédio de lei infraconstitucional.
Com base no fragmento acima, é certo afirmar que a classificação da Constituição do referido país seria.
a) semirrígida, promulgada, heterodoxa.
b) flexível, outorgada, compromissória.
c) rígida, bonapartistas e ortodoxa.
d) semiflexível, cesaristas e compromissória.

O constitucionalismo brasileiro, desde 1824, foi construído a partir de vertentes teóricas que estabeleceram continuidades e clivagens históricas no que se refere à essência e à interrelação das funções estatais, tanto no plano vertical como no horizontal, bem como à proteção dos direitos fundamentais.
A partir dessa constatação, assinale a afirmativa correta.
a) A Constituição de 1824 adotou, de maneira rígida, a tripartição das funções estatais, que seriam repartidas entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
b) A Constituição de 1891 dispôs sobre o federalismo de cooperação um Estado Social e Democrático de Direito.
c) A Constituição de 1937 considerou o Supremo Tribunal Federal o guardião da Constituição, detendo a última palavra no controle concentrado de constitucionalidade.
d) A constituição de 1946 foi promulgada e reinaugurou o período democrático no Brasil, tendo contemplado um rol de direitos e garantia individuais.

Pedro, reconhecido advogado na área do direito público, é contratado para produzir sobre situação que envolve o pacto federativo entre Estados brasileiros. Ao estudar mais detidamente a questão, conclui que, para atingir seu objetivo, é necessário analisar o alcance das chamadas cláusulas pétreas.
Com base na ordem constitucional brasileira vigente, assinale, dentre as opções abaixo, a única que expressa uma premissa correta sob o tema e que pode ser usada pelo referido advogado no desenvolvimento de seu parecer.
a) As cláusulas pétreas podem ser invocadas para ser invocadas para sustentar a existência de normas constitucionais superiores em face de normas constitucionais inferiores, o que possibilita a existência de normas constitucionais inconstitucionais.
b) Norma introduzida por emenda à constituição se integra plenamente ao texto constitucional, não podendo, portanto, ser submetida a controle de constitucionalidade, ainda que sob alegação de violação à cláusula pétrea.
c) Mudanças proposta por constituinte reformador estão sujeitas ao controle de constitucionalidade, sendo que as normas ali propostas não podem afrontar cláusulas pétreas estabelicidas na Constituição da República.
d) Os direitos e as garantias individuais considerados como cláusulas pétreas estão localizados exclusivamente nos dispositivos do Art. 5º, de modo que é inconstitucional atribuir essa qualidade (cláusula pétrea) a normas fundadas em outros dispositivos constitucionais.

Durante ato de protesto político, realizado na praça central do Município Alfa, os manifestantes, inflamados por grupos oposicionistas, começam a depredar órgãos públicos locais, bem como invadem e saqueiam estabelecimentos comerciais, situação que foge do controle das forças de segurança.
Acerca do caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
a) Durante o estado de defesa, podem ser estabelecidas restrições aos direitos de reunião e ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica, mas o referido decreto não poderia estender-se por prazo indeterminado, estando em desconformidade com a ordem constitucional.
b) Ao decretar a medida, o Chefe do Poder Executivo não poderia adotar medidas de restrição ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica, o que denota que o decreto é materialmente inconstitucional.
c) O decreto é formalmente inconstitucional, porque o Presidente da República somente poderia decretar medidas tão drásticas mediante lei previamente aprovada em ambas as casas do Congresso Nacional.
d) O decreto presidencial, na forma enunciada, não apresenta qualquer vício de inconstitucionalidade, sendo assegurada, pelo texto constitucional, a possibilidade de o Presidente da República determinar, por prazo indeterminado, restrições aos referidos direitos.

O deputado federal Alberto propôs, no exercício de suas atribuições, projeto de lei de grande interesse para o Poder Executivo Federal. Ao perceber que o momento político é favorável à sua aprovação, a bancada do governo pede ao Presidente da República que, utilizando-se de suas prerrogativas, solicite urgência (regime de urgência constitucional) para a apreciação da matéria pelo Congresso Nacional. Em dúvida, o Presidente da República recorre ao seu corpo jurídico, que, atendendo à sua solicitação, informa que, de acordo com a sistema jurídico-constitucional brasileiro, o pleito da base governista.
Assinale a alternativa correta sobre a solicitação de urgência pelo Presidente da República.
a) é viável, pois é prerrogativa do chefe do Poder Executivo solicitar o regime de urgência constitucional em todos os projetos de lei que tramitem no Congresso Nacional.
b) não pode ser atendido, pois o regime de urgência constitucional somente pode ser solicitado pelo presidente da mesa das casas do Congresso Nacional.
c) viola a CRFB/88, pois o regime de urgência constitucional somente pode ser requerido pelo Presidente da República em projetos de lei de sua própria iniciativa.
d) não pode ser atendido, pois, nos casos urgentes, o Presidente da República deve veicular a matéria por meio de medida provisória e não solicitar que o Legislativo aprecie a matéria em regime de urgência.

Juliano, governador do estado X, casa-se com Mariana, deputada federal eleita pelo estado Y, a qual já possuía uma filha chamada Letícia, advinda de outro relacionamento pretérito. Na vigência do vínculo conjugal, enquanto Juliano e Mariana estão no exercício de seus mandatos, Letícia manifesta interesse em também ingressar na vida política, candidatando-se ao cargo de deputada estadual, cujas eleições estão marcadas para o mesmo ano em que completa 23 (vinte e três) anos de idade.
A partir das informações fornecidas e com base no texto constitucional, assinale a afirmativa correta.
a) Letícia preenche a idade mínima para concorrer ao cargo de deputada estadual, mas não poderá concorrer no estado X, por expressa vedação constitucional durar o mandato de Juliano.
b) Uma vez que Letícia está ligada a Juliano, seu padrasto, por laços de mera afinidade, inexiste vedação constitucional para que concorra ao cargo de deputada estadual no estado X.
c) Letícia não poderá concorrer por não ter atingido a idade mínima exigida pela Constituição como condição de elegibilidade para o exercício do mandato de deputada estadual.
d) Letícia não poderá concorrer nos estados X e Y, uma vez que a Constituição dispõe sobre a inelegibilidade reflexa ou indireta para os parentes consanguíneas ou afins até o 2º grau nos territórios de jurisdição dos titulares de mandato eletivo.

CF, art5º, XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; Complementando: O DIREITO DE REUNIÃO é meio de manifestação coletiva da liberdade de expressão, em que pessoas se associam temporariamente tendo por objeto um interesse comum, que poderá ser, por exemplo, o mero intercâmbio de ideias, a divulgação de problema da comunidade ou a reivindicação de algumas providência.
Assinale a opção correta sobre a continuidade da iniciativa de Marina.
a) Marina pode dar continuidade à sua iniciativa, pois, com fundamentos no princípio do Estado Democrático está amplamente livre para expressar suas ideias.
b) Marina não poderia dar continuidade à sua iniciativa, pois o direito de reunião depende de prévia autorização por parte da autoridade competente.
c) Mariana não poderia dar continuidade à sua iniciativa, já que sua reunião frustraria a reunião de Antônio, anteriormente convocada para o mesmo local.
d) Mariana pode dar continuidade à sua iniciativa, pois é livre o direito de reunião quando o país não se encontra em estado de sítio ou em estado defesa.

Segundo opinião de especialista, a apuração policial do caso foi prematuramente interrompida. A Polícia Civil teria deixado de realizar diligência imprescindíveis à elucidação da autoria do episódio. Manter o arquivamento do inquérito, sem a investigação adequada, significaria ratificar a atuação institucionalmente violenta de agentes de segurança pública, e consequentemente, referendar grave violação de direitos humanos.
Para a hipótese narrada, como advogado de uma instituição de direitos humanos, assinale a opção processual prevista pela Constituição da República.
a) O MPF deve ingressar com ação diretamente no Supremo Tribunal Federal para assegurar o direito de acesso à justiça.
b) O advogado deve apresentar pedido de avocatória no Superior Tribunal de Justiça, a fim de que se garanta a continuidade das investigações.
c) O Procurador Geral da República deve suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.
d) O advogado deve ajuizar ação competente junto à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

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Questões resolvidas

José leu, em artigo jornalístico veiculado em meio de comunicação de abrangência nacional, que o Supremo Tribunal Federal poderia, em sede de ADI, reconhecer a ocorrência de mutação constitucional em matéria relacionada ao meio ambiente. Em razão disso, ele procurou obter maiores esclarecimentos sobre o tema. No entanto, a ausência de uma definição mais clara do que seria “mutação constitucional” o impediu de obter um melhor entendimento sobre o tema. Com o objetivo de superar essa dificuldade, procurou Jonas, advogado atuante na área pública, que lhe respondeu, corretamente, que a expressão “mutação constitucional”, no âmbito do sistema jurídico-constitucional brasileiro, refere-se a um fenômeno.
Qual das alternativas abaixo descreve corretamente o fenômeno da mutação constitucional?
a) concernente à atuação do poder constituinte derivado reformador, no processo de alteração do texto constitucional.
b) referente à mudança promovida no significado normativo constitucional, por meio da utilização de emenda à constituição.
c) relacionado à alteração de significado de norma constitucional sem que haja qualquer mudança no texto da constituição federal.
d) de alteração do texto constitucional antigo por um novo, em virtude de manifestação de uma Assembleia Nacional constituinte.

Uma nova Constituição é promulgada, sendo que um grupo de parlamentares mantém dúvidas acerca do destino a ser concedido a várias normas da Constituição antiga, cuja temáticas não foram tratadas pela nova Constituição. Como a nova Constituição ficou silente quanto a essa situação, o grupo de parlamentares, preocupado com possível lacuna normativa, resolve procurar competentes advogados a fim de sanar a referida dúvida.
Os advogados informaram que, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, qual é a alternativa correta?
a) as normas da Constituição pretérita que guardarem congruência material com a nova constituição serão convertidas em normas ordinárias.
b) as matérias tratadas pela Constituição pretérita e não reguladas pela nova Constituição serão por esta recepcionadas.
c) as matérias tratadas pelas Constituição pretérita e não reguladas pela nova Constituição receberão, na nova ordem, status supralegal, mas infraconstitucional.
d) a revogação tácita da ordem constitucional pretérita pela nova Constituição se dará de forma completa e integra, ocasionando a perda de sua validade.

Todos os dispositivos da Lei Y, promulgada no ano de 1985, possuem total consonância material e formal com a Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº1/1969. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário, constatou que, após a atuação do Poder Constituinte originário, que deu origem à Constituição de 1988, o Art. X da mencionada Lei Y deixou de encontrar suporte material na atual ordem constitucional.
Sobre esse caso, segundo a posição reconhecida pela ordem jurídico-constitucional brasileira, assinale a afirmativa correta.
a) Ocorreu o fenômeno conhecido como “não recepção”, que tem por consequência a revogação do ato normativo que não se compatibiliza materialmente com o novo parâmetro constitucional.
b) Ao declarar a inconstitucionalidade do Art. X à luz do novo parâmetro constitucional, devem ser reconhecidos os naturais efeitos retroativos (ex tunc) atribuídos a tais decisões.
c) Na ausência de enunciado expresso, dá-se a ocorrência do fenômeno denominado “desconstitucionalização”, sendo que o Art. X é tido como inválido perante a nova Constituição;
d) Terá ocorrido o fenômeno da inconstitucionalidade formal superveniente, pois o Art. X, constitucional perante a Constituição de 1967, tornou-se inválido com o advento da Constituição de 1988.

Por entender que o voto é um direito, e não um dever, um terço dos membros da Câmara dos Deputados articula proposição de emenda à Constituição de 1988, no sentido de tornar facultativo a todos os cidadãos o voto nas eleições a serem realizadas no país. Sabendo que a proposta gerará polêmica, o grupo de parlamentares resolve consultar um advogado especialista na matéria.
De acordo com o sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a opção que indica a orientação correta a ser dada pelo advogado.
a) Não é possível sua supressão por meio de Emenda Constitucional, por que o voto obrigatório é considerado cláusula pétrea da Constituição da República, de 1988.
b) Não há óbice para que venha a ser objeto de alteração por via de Emenda Constitucional, embora o voto obrigatório tenha estatura constitucional.
c) Para que a proposta de Emenda Constitucional seja analisada pelo Congresso Nacional, é necessária manifestação de um terço de ambas as Casas.
d) A emenda, sendo aprovada pelo Congresso Nacional, somente será promulgada após a devida sanção presidencial.

A respeito da norma obtida a partir desse comando, à luz da sistemática constitucional, assinale a afirmativa correta.
a) Ela veicula programa a ser implementado pelas cidadãos, sem interferência estatal, visando à realização de fins sociais e políticos.
b) Eficácia Limitada - São de aplicação indireta ou mediata, pois há a necessidade da existência de uma lei para “mediar” a sua aplicação.
c) Normas de princípio programático (normas-fim)​- Direcionam a atuação do Estado instituindo programas de governo.
d) Normas de princípio institutivo - Ordenam ao legislador a organização ou instituição de órgãos, instituições ou regulamentos.

Parlamentar brasileiro, em viagem oficial, visita o Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, recebendo numerosas informações acerca do seu funcionamento e de sua área de atuação. Uma, todavia, chamou especialmente sua atenção: a referida Corte Constitucional reconhecia a possibilidade de alteração da Constituição material - ou seja, de suas normas - sem qualquer mudança no texto formal.
A partir da hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a informação dada pela assessoria jurídica.
a) Não. O Supremo Tribunal Federal somente pode reconhecer nova norma no sistema jurídico constitucional a partir de emenda à constituição produzida pelo poder constituinte derivado reformador.
b) Sim. O Supremo Tribunal Federal, reconhecendo o fenômeno da mutação constitucional, pode atribuir ao texto inalterado uma nova interpretação, que expressa, assim, uma nova norma.
c) Não. O surgimento de novas constitucionais somente pode ser admitido por intermédio das vias formais de alteração, todas expressamente previstas no próprio texto da Constituição.
d) Sim. O sistema jurídico-constitucional brasileiro, segundo linhas interpretativas contemporâneas, admite, como, regra a interpretação da Constituição independentemente de limites semânticos concedidos pelo texto.

A Constituição de determinado país veiculou os seguintes artigos: Art. X. As normas destas Constituição poderão ser alteradas mediante processos legislativo próprio, com a aprovação da maioria qualificada de três quintos dos membros das respectivas Casas Legislativas, em dois turnos de votação, exceto as normas constitucionais que não versarem sobre a estrutura do Estado ou sobre os direitos e garantias fundamentais, que poderão ser alteradas por intermédio de lei infraconstitucional.
Com base no fragmento acima, é certo afirmar que a classificação da Constituição do referido país seria.
a) semirrígida, promulgada, heterodoxa.
b) flexível, outorgada, compromissória.
c) rígida, bonapartistas e ortodoxa.
d) semiflexível, cesaristas e compromissória.

O constitucionalismo brasileiro, desde 1824, foi construído a partir de vertentes teóricas que estabeleceram continuidades e clivagens históricas no que se refere à essência e à interrelação das funções estatais, tanto no plano vertical como no horizontal, bem como à proteção dos direitos fundamentais.
A partir dessa constatação, assinale a afirmativa correta.
a) A Constituição de 1824 adotou, de maneira rígida, a tripartição das funções estatais, que seriam repartidas entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
b) A Constituição de 1891 dispôs sobre o federalismo de cooperação um Estado Social e Democrático de Direito.
c) A Constituição de 1937 considerou o Supremo Tribunal Federal o guardião da Constituição, detendo a última palavra no controle concentrado de constitucionalidade.
d) A constituição de 1946 foi promulgada e reinaugurou o período democrático no Brasil, tendo contemplado um rol de direitos e garantia individuais.

Pedro, reconhecido advogado na área do direito público, é contratado para produzir sobre situação que envolve o pacto federativo entre Estados brasileiros. Ao estudar mais detidamente a questão, conclui que, para atingir seu objetivo, é necessário analisar o alcance das chamadas cláusulas pétreas.
Com base na ordem constitucional brasileira vigente, assinale, dentre as opções abaixo, a única que expressa uma premissa correta sob o tema e que pode ser usada pelo referido advogado no desenvolvimento de seu parecer.
a) As cláusulas pétreas podem ser invocadas para ser invocadas para sustentar a existência de normas constitucionais superiores em face de normas constitucionais inferiores, o que possibilita a existência de normas constitucionais inconstitucionais.
b) Norma introduzida por emenda à constituição se integra plenamente ao texto constitucional, não podendo, portanto, ser submetida a controle de constitucionalidade, ainda que sob alegação de violação à cláusula pétrea.
c) Mudanças proposta por constituinte reformador estão sujeitas ao controle de constitucionalidade, sendo que as normas ali propostas não podem afrontar cláusulas pétreas estabelicidas na Constituição da República.
d) Os direitos e as garantias individuais considerados como cláusulas pétreas estão localizados exclusivamente nos dispositivos do Art. 5º, de modo que é inconstitucional atribuir essa qualidade (cláusula pétrea) a normas fundadas em outros dispositivos constitucionais.

Durante ato de protesto político, realizado na praça central do Município Alfa, os manifestantes, inflamados por grupos oposicionistas, começam a depredar órgãos públicos locais, bem como invadem e saqueiam estabelecimentos comerciais, situação que foge do controle das forças de segurança.
Acerca do caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
a) Durante o estado de defesa, podem ser estabelecidas restrições aos direitos de reunião e ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica, mas o referido decreto não poderia estender-se por prazo indeterminado, estando em desconformidade com a ordem constitucional.
b) Ao decretar a medida, o Chefe do Poder Executivo não poderia adotar medidas de restrição ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica, o que denota que o decreto é materialmente inconstitucional.
c) O decreto é formalmente inconstitucional, porque o Presidente da República somente poderia decretar medidas tão drásticas mediante lei previamente aprovada em ambas as casas do Congresso Nacional.
d) O decreto presidencial, na forma enunciada, não apresenta qualquer vício de inconstitucionalidade, sendo assegurada, pelo texto constitucional, a possibilidade de o Presidente da República determinar, por prazo indeterminado, restrições aos referidos direitos.

O deputado federal Alberto propôs, no exercício de suas atribuições, projeto de lei de grande interesse para o Poder Executivo Federal. Ao perceber que o momento político é favorável à sua aprovação, a bancada do governo pede ao Presidente da República que, utilizando-se de suas prerrogativas, solicite urgência (regime de urgência constitucional) para a apreciação da matéria pelo Congresso Nacional. Em dúvida, o Presidente da República recorre ao seu corpo jurídico, que, atendendo à sua solicitação, informa que, de acordo com a sistema jurídico-constitucional brasileiro, o pleito da base governista.
Assinale a alternativa correta sobre a solicitação de urgência pelo Presidente da República.
a) é viável, pois é prerrogativa do chefe do Poder Executivo solicitar o regime de urgência constitucional em todos os projetos de lei que tramitem no Congresso Nacional.
b) não pode ser atendido, pois o regime de urgência constitucional somente pode ser solicitado pelo presidente da mesa das casas do Congresso Nacional.
c) viola a CRFB/88, pois o regime de urgência constitucional somente pode ser requerido pelo Presidente da República em projetos de lei de sua própria iniciativa.
d) não pode ser atendido, pois, nos casos urgentes, o Presidente da República deve veicular a matéria por meio de medida provisória e não solicitar que o Legislativo aprecie a matéria em regime de urgência.

Juliano, governador do estado X, casa-se com Mariana, deputada federal eleita pelo estado Y, a qual já possuía uma filha chamada Letícia, advinda de outro relacionamento pretérito. Na vigência do vínculo conjugal, enquanto Juliano e Mariana estão no exercício de seus mandatos, Letícia manifesta interesse em também ingressar na vida política, candidatando-se ao cargo de deputada estadual, cujas eleições estão marcadas para o mesmo ano em que completa 23 (vinte e três) anos de idade.
A partir das informações fornecidas e com base no texto constitucional, assinale a afirmativa correta.
a) Letícia preenche a idade mínima para concorrer ao cargo de deputada estadual, mas não poderá concorrer no estado X, por expressa vedação constitucional durar o mandato de Juliano.
b) Uma vez que Letícia está ligada a Juliano, seu padrasto, por laços de mera afinidade, inexiste vedação constitucional para que concorra ao cargo de deputada estadual no estado X.
c) Letícia não poderá concorrer por não ter atingido a idade mínima exigida pela Constituição como condição de elegibilidade para o exercício do mandato de deputada estadual.
d) Letícia não poderá concorrer nos estados X e Y, uma vez que a Constituição dispõe sobre a inelegibilidade reflexa ou indireta para os parentes consanguíneas ou afins até o 2º grau nos territórios de jurisdição dos titulares de mandato eletivo.

CF, art5º, XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; Complementando: O DIREITO DE REUNIÃO é meio de manifestação coletiva da liberdade de expressão, em que pessoas se associam temporariamente tendo por objeto um interesse comum, que poderá ser, por exemplo, o mero intercâmbio de ideias, a divulgação de problema da comunidade ou a reivindicação de algumas providência.
Assinale a opção correta sobre a continuidade da iniciativa de Marina.
a) Marina pode dar continuidade à sua iniciativa, pois, com fundamentos no princípio do Estado Democrático está amplamente livre para expressar suas ideias.
b) Marina não poderia dar continuidade à sua iniciativa, pois o direito de reunião depende de prévia autorização por parte da autoridade competente.
c) Mariana não poderia dar continuidade à sua iniciativa, já que sua reunião frustraria a reunião de Antônio, anteriormente convocada para o mesmo local.
d) Mariana pode dar continuidade à sua iniciativa, pois é livre o direito de reunião quando o país não se encontra em estado de sítio ou em estado defesa.

Segundo opinião de especialista, a apuração policial do caso foi prematuramente interrompida. A Polícia Civil teria deixado de realizar diligência imprescindíveis à elucidação da autoria do episódio. Manter o arquivamento do inquérito, sem a investigação adequada, significaria ratificar a atuação institucionalmente violenta de agentes de segurança pública, e consequentemente, referendar grave violação de direitos humanos.
Para a hipótese narrada, como advogado de uma instituição de direitos humanos, assinale a opção processual prevista pela Constituição da República.
a) O MPF deve ingressar com ação diretamente no Supremo Tribunal Federal para assegurar o direito de acesso à justiça.
b) O advogado deve apresentar pedido de avocatória no Superior Tribunal de Justiça, a fim de que se garanta a continuidade das investigações.
c) O Procurador Geral da República deve suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.
d) O advogado deve ajuizar ação competente junto à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

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Teoria da Constituição 
 
José leu, em artigo jornalístico veiculado em meio de comunicação de abrangência 
nacional, que o Supremo Tribunal Federal poderia, em sede de ADI, reconhecer a 
ocorrência de mutação constitucional em matéria relacionada ao meio ambiente. Em razão 
disso, ele procurou obter maiores esclarecimentos sobre o tema. No entanto, a ausência de 
uma definição mais clara do que seria “mutação constitucional” o impediu de obter um 
melhor entendimento sobre o tema. 
Com o objetivo de superar essa dificuldade, procurou Jonas, advogado atuante na área 
pública, que lhe respondeu, corretamente, que a expressão “mutação constitucional”, no 
âmbito do sistema jurídico-constitucional brasileiro, refere-se a um fenômeno 
 
a) concernente à atuação do poder constituinte derivado reformador, no processo de 
alteração do texto constitucional. 
 
b) referente à mudança promovida no significado normativo constitucional, por meio da 
utilização de emenda à constituição. 
 
c) relacionado à alteração de significado de norma constitucional sem que haja 
qualquer mudança no texto da constituição federal. 
 
d) de alteração do texto constitucional antigo por um novo, em virtude de manifestação 
de uma Assembleia Nacional constituinte. 
 
Resposta: 
 
O ​Poder Constituinte Derivado Reformador ​(PCDR) também é chamado de instituído ou 
constituído e possui a prerrogativa de alterar a Constituição Federal vigente. 
 
REFORMA ​(CF, art.60) 
 
→ meio ​ordinário​ de alteração da Constituição. 
→ exige quorum de ⅗ dos votos do Senado Federal e da Câmara dos Deputados (em casa 
casa legislativa), em 2 turnos. 
 
REVISÃO ​(ADCT, art.3) 
 
→ via ​extraordinária​ de alteração da Constituição. 
→ exigiu maioria absoluta do Congresso Nacional (sessão unicameral), em turno único. 
 
MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL ​→ “mudança não formal da Constituição, provindo de 
convenções com o texto, que a mutação ​altera no seu espírito e significado, ​SEM 
TOCAR ​na regra esrita” 
 
 
 
Há processos informais de alteração da Constituição, ​SEM QUE OCORRA ​alteração no 
texto magno​. Sem reformar (sem alterar o texto), extrai-se uma nova interpretação do que 
está escrito com base nas alterações das circunstâncias fáticas (contexto econômico, 
social, político, ideológico…). 
REFORMA 
→ emenda com procedimento específico e dificultoso (CF, art.60) = formal. 
 
MUTAÇÃO 
→ ​alteração do sentido do texto (interpretação ou costumes) = informal. 
 
A mutação terá lugar, especialmente, se se alteram os ​costumes ou se a ​interpretação 
que se dá do texto normativo se altera em vista do contexto sócio-jurídico. 
 
É importante lembrar que texto e a norma são coisas distintas: texto é o que está escrito; 
norma é o que se retira do texto (interpretação). Assim, a mutação é justamente a ​alteração 
da norma​ (​da interpretação)​, sem alteração. 
 
O suporte textual ​deve comportar a interpretação pretendida ​(não dá força a barra) e ​a 
interpretação NÃO PODE derruir princípios estruturantes​ do texto. 
_________________________________________________________________________ 
02) Uma nova Constituição é promulgada, sendo que um grupo de parlamentares mantém 
dúvidas acerca do destino a ser concedido a várias normas da Constituição antiga, cuja 
temáticas não foram tratadas pela nova Constituição. Como a nova Constituição ficou 
silente quanto a essa situação, o grupo de parlamentares, preocupado com possível lacuna 
normativa, resolve procurar competentes advogados a fim de sanar a referida dúvida. 
 
Os advogados informaram que, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, 
 
a) as normas da Constituição pretérita que guardarem congruência material com a 
nova constituição serão convertidas em normas ordinárias. 
 
b) as matérias tratadas pela Constituição pretérita e não reguladas pela nova 
Constituição serão por esta recepcionadas. 
 
c) as matérias tratadas pelas Constituição pretérita e não reguladas pela nova 
Constituição receberão, na nova ordem, ​status​ supralegal, mas infraconstituicional. 
 
d) a revogação tácita da ordem constitucional pretérita pela nova Constituição se dará 
de forma completa e integram, ocasionando a perda de sua validade. 
 
GABARITO LETRA D 
 
O ​PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO (PCO), também denominado inicial, inaugural, 
genuíno ou de 1º grau, é aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rempendo por 
completo com a ordem jurídica precedente. o PCO possui as seguintes ​características​: 
-​Inicial​ - inaugura um novo ordenamento, instaurando uma nova ordem jurídica. 
 
 
-​Autônomo - A estruturação da nova Constituição será determinada, automaticamente, por 
quem exerce o poder constituinte originário. 
-​Ilimitado Juridicamente - Ele é ilimitado juridicamente, assim não tem que respeitar os 
limites postos pelo direito anterior. 
-​Soberano e Incondicionado na Tomada de Suas Decisões ​- Este não tem que se 
submeter a qualquer forma prefixada de manifestação. 
 
O exercício do poder constituinte originário implica na ​revogação ​de todas as normas 
jurídicas inseridas na constituição anterior​, ainda que compatíveis com a Constituição 
ora vigente. 
 
De acordo com a ​Teoria da Desconstitucionalização [NÃO ADOTADA!], as normas 
constitucionais que não sejam materialmente constitucionais e que tenham compatibilidade 
com a nova ordem constitucional vigente podem ser mantidas com natureza de lei, 
desconstitucionalizando-se. Em regra, ​não é admitida no direito brasileiro. A aplicação da 
Teoria da Desconstitucionalização deve ter previsão expressa, a exemplo do que ocorre 
com a Constituição de Portugal (art. 292). no Brasil, o art. 147 da Constituição de 1967 do 
Estado de SP também trazia tal possibilidade. 
 
No que tange à legislação infraconstitucional, o exercício do PCO pode importar na 
recepção das normas infraconstitucionais anteriores à vigência da nova Constituição, 
desde que sejam materialmente compatíveis com ela, mediante o fundamento imediato de 
validade. Trata-se de instituto de prevê que um ordenamento jurídico acolha e torne suas as 
normas de ordenamento jurídico anterior. Não havendo compatibilidade, a hipótese será de 
não recepção​, e não de inconstitucionalidade. 
_________________________________________________________________________ 
 
03) Todos os dispositivos da Lei Y, promulgada no ano de 1985, possuem total consonância 
material e formal com a Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda 
Constitucional nº1/1969. 
No entanto, o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário, constatou que, 
após a atuação do Poder Constituinte originário, que deu origem à Constituição de 1988, o 
Art. X da mencionada Lei Y deixou de encontrar suporte material na atual ordem 
constitucional. 
 
Sobre esse caso, segundo a posição reconhecida pela ordem jurídico-constitucional 
brasileira, assinale a afirmativa correta. 
 
a) Ocorreu o fenômeno conhecido como “não recepção”, que tem por consequência a 
revogação do ato normativo que não se compatibiliza materialmente com o novo 
parâmetro constitucional. 
 
b) Ao declarar a inconstitucionalidade do Art. X à luz do novo parâmetro constitucional, 
devem ser reconhecidosos naturais efeitos retroativos (​ex tunc​) atribuídos a tais 
decisões. 
 
 
 
c) Na ausência de enunciado expresso, dá-se a ocorrência do fenômeno denominado 
“desconstitucionalização”, sendo que o Art. X é tido como inválido perante a nova 
Constituição; 
 
d) Terá ocorrido o fenômeno da inconstitucionalidade formal superveniente, pois o Art. 
X, constitucional perante a Constituição de 1967, tornou-se inválido com o advento 
da Constituição de 1988. 
 
GABARITO A 
Regra: A nova Constituição revoga a Constituição anterior. 
RECEPÇÃO: ​Nova constituição recepciona as normas infraconstitucionais que foram feitas 
de acordo com a constituição anterior, desde que não contrariem materialmente a nova 
constituição. exemplo: Lei 1.079/1940 ( crime de responsabilidade e impeachment). OBS: 
PODE CONTRARIAR FORMALMENTE, EXEMPLO: ESPÉCIE NORMATIVA, POIS O 
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL FORAM CRIADOS POR DECRETO LEI, TODAVIA, 
RECEPCIONADOS COMO LEI ORDINÁRIA, VIDE ART. 59 C/C ART. 4, INC XXXVIII E 
XXXIX, CFRB/88; 
 
PRORROGAÇÃO: instituto ou órgão continua vigente até a nova regulamentação. art. 27. 
§1º, ADCT. obs:O STF TEVE PRORROGADO A SUA COMPETÊNCIA ATÉ A CRIAÇÃO 
DO STJ (CRIADO NA NOVA CONSTITUIÇÃO DE 1988); 
 
DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO​: a nova constituição recebe a constituição anterior como 
norma infraconstitucional. OBS: NÃO EXISTE NA CF/88 
 
REPRISTINAÇÃO: a nova constituição revigora normas constitucionais que a constituição 
anterior havia revogado. DICA: EXISTE A REPRISTINAÇÃO NO PLANO 
INFRACONSTITUCIONAL (LEI X LEI). EX: STF JULGANDO ADI DECLARA A LEI 
REVOGADA INCONSTITUCIONAL REVIGORANDO A LEI REVOGADA. EX: 
REPRISTINAÇÃO NO PRAZO INFRACONSTITUCIONAL, §3, ART 2º, DEC LEI 4.657/42. 
 
INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE: ​Quando a matéria for compatível, serão 
recepcionadas, e quando não for incompatível serão não recepcionadas (REVOGADAS). 
No brasil não existe a inconstitucionalidade superveniente: recepção ou não. 
_________________________________________________________________________ 
 
04) Por entender que o voto é um direito, e não um dever, um terço dos membros da 
Câmara dos Deputados articula proposição de emenda à Constituição de 1988, no sentido 
de tornar facultativo a todos os cidadãos o voto nas eleições a serem realizadas no país. 
Sabendo que a proposta gerará polêmica, o grupo de parlamentares resolve consultar um 
advogado especialista na matéria. 
 
De acordo com o sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a opção que indica a 
orientação correta a ser dada pelo advogado. 
 
 
 
a) Não é possível sua supressão por meio de Emenda Constitucional, por que o voto 
obrigatório é considerado cláusula pétrea da Constituição da República, de 1988. 
 
b) Não há óbice para que venha a ser objeto de alteração por via de Emenda 
Constitucional, embora o voto obrigatório tenha estatura constitucional. 
 
c) Para que a proposta de Emenda Constitucional seja analisada pelo Congresso 
Nacional, é necessária manifestação de um terço de ambas as Casas. 
 
d) A emenda, sendo aprovada pelo Congresso Nacional, somente será promulgada 
após promulgada após a devida sanção presidencial. 
 
GABARITO B 
 
a) Não é possível a sua supressão por meio de Emenda Constitucional, por que o voto 
obrigatório é considerado cláusula pétrea da Constituição da República, de 1988. ​ERRADO​. 
Aplicação do art. 60, §4º, II, CF: “​Não será objeto de deliberação a proposta de emenda 
tendente a abolir: II - o voto direito, secreto, universal e periódico. ​Observe que a CF não 
preceitua que é obrigatório e sim “direito, secreto, universal e periódico”. 
 
b) Não há óbice para que venha a ser objeto de alteração por via de Emenda 
Constitucional, embora o voto obrigatório tenha estatura constitucional. ​CORRETO​→ 
realmente não há óbice. O fato de ter estatura constitucional não impede um dispositivo de 
ser alterado ou retirado da Constituição, desde que esse mesmo dispositivo não esteja 
abrangido pelas cláusulas pétrea. Neste último caso, eventual propositura de PEC só será 
permitida para endossar a proteção desses direitos. 
 
c) Para que a proposta de Emenda Constitucional seja analisada pelo Congresso Nacional, 
é necessária manifestação de um terço de ambas as Casas. ​ERRADO. Não é necessária 
manifestação de ⅓ de AMBAS as Casas. Ou é no CD ou no DF, nos termos do art. 60, I, 
CF: “​A Constituição poderá ser emendada mediante proposta> I - de um terço, no mínimo, 
dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal​.” 
 
d) A emenda, sendo aprovada pelo Congresso Nacional, somente será promulgada após a 
devida sanção presidencial. ​ERRADO​. Quem promulga são as Mesas da CD e do SF, nos 
termos do art. 60, §3º, CF: ​“A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da 
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.” 
_________________________________________________________________________ 
 
05) Edinaldo, estudante de Direito, realizou intensas reflexões a respeito da eficácia e da 
aplicabilidade do Art. 14,§4º, da Constituição da República, segundo o qual “os inalistáveis e 
os analfabetos são inelegíveis”. 
A respeito da norma obtida a partir desse comando, à luz da sistemática constitucional, 
assinale a afirmativa correta. 
a) Ela veicula programa a ser implementado pelas cidadãos, sem interferência estatal, 
visando à realização de fins sociais e políticos. 
 
 
b) Ela tem eficácia plena e aplicabilidade direta, imediata e integral, pois, desde que a 
CRFB/88 entrou em vigor, já está apta a produzir todos os efeitos​. 
 
c) Ela apresenta contornos programáticos, dependendo sempre de regulamentação 
infraconstitucional para alcançar plenamente sua eficácia. 
 
d) Ela tem aplicabilidade indireta e imediata, não integral, produzindo efeitos restritos e 
limitados em normas infraconstitucionais quando da promulgação da Constituição da 
República. 
GABARITO B 
Questão que trabalhou basicamente a eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais. 
No caso, a questão já dava a norma (‘os inalistáveis e os analfabetos são inelegíveis”) que 
situa-se no capítulo dos Direitos Políticos. Então Vejamos: 
 
Eficácia Plena ​- São de aplicação ​direta e ​imediata e independem de uma lei que venha 
mediar os seus efeitos. As normas de eficácia plena também não admitem que uma lei 
posterior venha a restringir o seu alcance. 
 
Eficácia Contida - Assim como a plena é de aplicação direta e imediata não precisando de 
lei para mediar os seus efeitos, porém, poderá ver o seu alcance limitado pela 
superveniência de uma lei infraconstitucional, por outras normas da própria constituição 
estabelece ou ainda por meio de preceitos éticos-jurídico como a moral e os bons 
costumes. Notem, que nestas a eficácia dela é plena até que venha uma lei restringir sua 
aplicabilidade.Ex.: “XIII- é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, 
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer​”; Portanto, até a edição 
da lei, ela é plena; posteriormente, com a edição da lei que é prevista, o direito garantido 
fica restrito às exigênciasrealizadas. 
 
Eficácia Limitada - São de aplicação indireta ou mediata, pois há a necessidade da 
existência de uma lei para “mediar” a sua aplicação. Caso não Haja regulamentação por 
meio de lei, não são capazes de gerar os efeitos finalísticos (apenas os efeitos jurídicos que 
toda norma constitucional possui). Elas existem, mas não tem aplicação nenhuma se não 
houver uma lei posterior as regulamentando (Ex.:Art. 33. “ ​A Lei disporá sobre organização 
administrativa e judiciária dos territórios”). Notem que se a lei não dispor, não terá aplicação 
nenhuma a organização administrativa e judiciária dos territórios. Podem ser: 
a) Normas de princípio programático (normas-fim)​- Direcionam a atuação do Estado 
instituindo programas de governo. 
b) Normas de princípio institutivo - Ordenam ao legislador a organização ou instituição de 
órgãos, instituições ou regulamentos. 
_______________ 
Concluindo, a alternativa que se enquadra é a ​letra B​, pois a norma “os inalistáveis e os 
analfabetos são inelegíveis” não depende de lei nenhuma para ter aplicabilidade e nem de 
lei para a limitar/regulamentar. 
_________________________________________________________________________ 
 
 
 
06) Parlamentar brasileiro, em viagem oficial, visita o Tribunal Constitucional Federal da 
Alemanha, recebendo numerosas informações acerca do seu funcionamento e de sua área 
de atuação. Uma, todavia, chamou especialmente sua atenção: a referida Corte 
Constitucional reconhecia a possibilidade de alteração da Constituição material - ou seja, de 
suas normas - sem qualquer mudança no texto formal. 
Surpreendido com essa possibilidade, procura sua assessoria jurídica a fim de saber o 
Supremo Tribunal FEderal fazia uso de técnica semelhante no âmbito da ordem jurídica 
brasileira. 
A partir da hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a informação dada pela 
assessoria jurídica. 
a) Não. O Supremo Tribunal Federal somente pode reconhecer nova norma no sistema 
jurídico constitucional a partir de emenda à constituição produzida pelo poder 
constituinte derivado reformador. 
 
b) Sim. O Supremo Tribunal Federal, reconhecendo o fenômeno da mutação 
constitucional, pode atribuir ao texto inalterado uma nova interpretação, que 
expressa, assim, uma nova norma. 
 
c) Não. O surgimento de novas constitucionais somente pode ser admitido por 
intermédio das vias formais de alteração, todas expressamente previstas no próprio 
texto da Constituição. 
 
d) Sim. O sistema jurídico-constitucional brasileiro, segundo linhas interpretativas 
contemporâneas, admite, como, regra a interpretação da Constituição 
independentemente de limites semânticos concedidos pelo texto. 
GABARITO B 
Poder constituinte difuso é o poder de fato que atua na etapa da ​mutação 
constitucional​, meio informal de alteração da Constituição. Cabe a ele, portanto, alterar o 
conteúdo, o alcance e o sentido das normas constitucionais, mas de ​modo informal, sem 
qualquer modificação na literalidade do texto da Constituição​. 
 
É chamado de difuso por que não vem formalizado (positivado) no texto das Constituições. 
É um poder de fato por que nascido do fato social, político e econômico. É meio informal 
porque se manifesta por intermédio das mutações constitucionais, modificando o sentido 
das Constituições, mas sem nenhuma alteração do seu texto expresso. 
 
Nas precisas palavras do Professor Uadi Lammêgo Bulos, “enquanto o poder originário é a 
potência, que faz a Constituição, e o poder derivado, a competência, que a reformula, o 
poder difuso é a ​força invisível que a altera, mas sem mudar-lhes uma vírgula sequer”​. 
 
Jurisprudência​: “A legitimidade da adequação, mediante interpretação do Poder Judiciário, 
da própria CR, se e quando imperioso compatibilizá-la, mediante exegese atualizadora, com 
as novas exigências, necessidades e transformações resultantes dos processos sociais, 
econômicos e políticos que caracterizam, em seus múltiplos e complexos aspectos, a 
sociedade contemporânea. 
 
 
Doutrina​: “A mutação constitucional por via de interpretação, por sua vez, consiste na 
mudança de sentido da norma, em contraste com entendimento preexistente. Como só 
existe norma interpretada, a mutação constitucional ocorrerá quando se estiver diante da 
alteração de um interpretação previamente dada. No caso da interpretação judicial, haverá 
mutação constitucional quando, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal vier a atribuir a 
determinada norma constitucional sentido diverso do que fixará anteriormente, seja pela 
mudança da realidade social ou por uma nova percepção do Direito”. 
Exemplo de mutação: 
ex1: “Não se estende à mãe adotiva o direito à licença, instituído em favor da empregada 
gestante pelo inciso XVIII do art. 7º, da Constituição Federal, ficando sujeito ao legislador 
ordinário o tratamento da matéria. 
Ex2: “ A licença maternidade prevista no art. 7º, XVIII, da Constituição abrange tanto a 
licença gestante quanto a licença adotante, ambas asseguradas pelo prazo mínimo de 120 
dias. Interpretação sistemática da Constituição à luz da dignidade da pessoa humana, da 
igualdade entre filhos biológicos e adotados, da doutrina da proteção integral, do princípio 
da prioridade e do interesse superior de menor”. 
_________________________________________________________________________ 
 
07) A Constituição de determinado país veiculou os seguintes artigos: 
Art. X. As normas destas Constituição poderão ser alteradas mediante processos legislativo 
próprio, com a aprovação da maioria qualificada de três quintos dos membros das 
respectivas Casas Legislativas, em dois turnos de votação, exceto as normas 
constitucionais que não versarem sobre a estrutura do Estado ou sobre os direitos e 
garantias fundamentais, que poderão ser alteradas por intermédio de lei infraconstitucional. 
Art. Y. A presente Constituição, concebida diretamente pelo Exmo. Sr. Presidentes da 
República, deverá ser submetida à consulta popular, por meio de plebiscito, visando à sua 
aprovação definitiva. 
Art. Z. A ordem econômica será fundada na livre iniciativa e na valorização do trabalho 
humano, devendo seguir os princípios reitores da democracia liberal e da social 
democracia, bem o respeito aos direitos fundamentais de primeira dimensão (direitos civis e 
políticos) e de segunda dimensão (direitos sociais, econômicos, culturais e trabalhistas). 
Com base no fragmento acima, é certo afirmar que a classificação da Constituição do 
referido país seria. 
a) semirrígida, promulgada, heterodoxa. 
 
b) flexível, outorgada, compromissória. 
 
c) rígida, bonapartistas e ortodoxa. 
 
d) semiflexível, cesaristas e compromissória. 
GABARITO D 
A ​Constituição é rígida quando exige um processo legislativo especial ​para modificação do 
seu texto​, mais difícil do que o processo legislativo de elaboração das demais do 
ordenamento. ​A Constituição Federal de 1988 é do tipo rígida​, pois um procedimento 
especial (votação em dois turnos, nas duas Casas do Congresso Nacional) e um quorum 
 
 
qualificado para aprovação de sua modificação (aprovação de, pelo menos, três quintos,dos integrantes das Casas Legislativas), nos termos do art. 60, §2º, da Carta Política. 
 
A ​Constituição flexível é aquela que ​permite sua modificação pelo mesmo processo 
legislativo de elaboração e alteração das demais leis do ordenamento, ​como ocorre na 
Inglaterra​, em que as partes escritas de sua Constituição podem ser juridicamente alteradas 
pelo Parlamento com a mesma facilidade com que se altera a lei ordinária. 
 
A ​Constituição semirrígida (​ou semiflexível​) é a que exige um processo legislativo ​mais 
difícil para alteração de parte de seus dispositivos e permite a mudança de outros 
dispositivos ​por um procedimento simples​, semelhantes àqueles de elaboração das demais 
leis do ordenamento. 
As ​Constituições outorgadas são impostas​, isto é, nascem ​sem participação popular​. 
Resultam de ato ​unilateral de uma vontade política soberana (da pessoa ou do grupo 
detentor do poder político), que resolve estabelecer, por meio da outorga de um texto 
constitucional, certas limitações ao seu próprio poder. As Constituições outorgadas são 
designadas por alguns doutrinadores “Cartas Constitucionais”. 
As ​Constituições democráticas (populares, votadas ou ​promulgadas​) são produzidas 
com a ​participação popular​, em regime de democracia direta (plebiscito ou referendo), ou de 
democracia representativa, neste caso, mediante a escolha, pelo povo, de representantes 
que integrarão uma “assembleia constituinte” incumbida de elaborar a Constituição. 
As ​Constituições cesaristas ​(bonapartidas) são unilateralmente elaboradas pelo detentor 
do poder, ​mas dependem de ratificação popular por meio de referendo​. Essa participação 
popular ​não é democrática​, pois cabe ao povo somente referendar a vontade do agente 
revolucionário, detentor do poder. Por isso, não são, propriamente, nem outorgadas, nem 
democráticas. 
 
QUANTO À ORIGEM: 
→ ​Outorgadas (impostas,cartas constitucionais) → 182​4​,193​7​,196​7​ e 196​9. 
→ ​Populares ​(promulgadas, votadas, ​democráticas​) → 189​1​, 193​4​, 194​6​, 198​8. 
→ ​Cesaristas ​(bonapartistas) → unilateralmente elaboradas, mas dependem de ratificação 
popular (referendo). 
→ Pactuada (dualistas) → compromisso instável de duas políticas rivais. 
 
QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO​: 
→ ​Dogmáticas​ → dogma e ideias então imperantes → escritas. 
Ortodoxas (simples) → uma só ideologia. 
Ecléticas​ (compromissórias). 
→ Históricas (costumeiras) → resultam da lenta formação histórica → maior estabilidade → 
não escritas. 
 
QUANTO À ESTABILIDADE​: 
→ Imutável → não permite modificações. 
→ ​Rígida → processo legislativo especial para modificação de normas constitucionais 
(maior estabilidade) → todas, menos a de 1824 → a rigidez (pressupostos do controle de 
 
 
constitucionalidade das leis) deve assegurar certas estabilidade e possibilidade de 
atualização. 
→ Flexível → mesmo processo legislativo para normas constitucionais e não 
constitucionais. 
→ Semirrígida (ou ​semiflexível​) → processo legislativo especial para parte da Constituição 
→ 1824. 
→ Super-rígida → + cláusula pétrea. 
 
Quanto a essa classificação, a cf/88 é ​promulgada​, dogmática eclética ​e rígida ​(para alguns, 
super-rígida​) 
_________________________________________________________________________ 
 
08) O constitucionalismo brasileiro, desde 1824, foi construído a partir de vertentes teóricas 
que estabeleceram continuidades e clivagens históricas no que se refere à essência e à 
interrelação das funções estatais, tanto no plano vertical como no horizontal, bem como à 
proteção dos direitos fundamentais. A partir dessa constatação, assinale a afirmativa 
correta. 
a) A Constituição de 1824 adotou, de maneira rígida, a tripartição das funções estatais, 
que seriam repartidas entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. 
 
b) A Constituição de 1891 dispôs sobre o federalismo de cooperação um Estado Social 
e Democrático de Direito. 
 
c) A Constituição de 1937 considerou o Supremo Tribunal Federal o guardião da 
Constituição, detendo a última palavra no controle concentrado de 
constitucionalidade. 
 
d) A constituição de 1946 foi promulgada e reinaugurou o período democrático no 
Brasil, tendo contemplado um rol de direitos e garantia individuais. 
GABARITO D 
LETRA A //Errada //​→ Além dos três poderes propugnados por Montesquieu - Legislativo, 
Executivo e Judiciário-, foi acrescentado um poder denominado ​Moderador, concentrado 
nas mãos do Imperador​. 
 
LETRA B // Errada //​→ Foi a Constituição de 1934, decorrente do rompimento da ordem 
jurídica ocasionado pela Revolução de 1930, a qual pôs fim à era dos coronéis, à 
denominada Primeira República, costuma ser apontada pela doutrina ​como a primeira a 
preocupar-se em enumerar ​direitos fundamentais sociais​, ditos direitos de ​segunda 
geração ou dimensão​. 
 
LETRA C // Errada //​→ ​Foi na Constituição de 1946​, que nasceu a importante ​Emenda 
constitucional nº16/65 que instituiu no Brasil o controle abstrato de constitucionalidade, 
sendo este um controle sobre a lei em tese, cuja competência para julgar é somente do 
Supremo Tribunal Federal, demonstrando com isso a prevalência de sua principal 
competência - o controle de constitucionalidade. 
 
 
 
LETRA D // Correta // ​O rol de direitos fundamentais retoma o que existia na Constituição 
1934, ​com alguns importantes acréscimos​, como o do princípio da inafastabilidade de 
jurisdição, e supressões relevantes, como a exclusão da pena de morte, do banimento e do 
confisco. Os direitos dos trabalhadores, muitos surgidos durante o Estado Novo, são 
constitucionalizados, com alguns acréscimo, ​como o do direito de greve​. Trata também, 
pela primeira vez, dos partidos políticos, instituindo o princípio da liberdade de criação e 
organização partidárias. 
_________________________________________________________________________ 
 
09) Muitos Estados ocidentais, a partir do processo revolucionário franco-americano do final 
do século XVIII, atribuíram aos juízes a função de interpretar a Constituição, daí surgindo a 
denominada jurisdição constitucional. 
A respeito do controle de constitucionalidade exercido por esse tipo de estrutura orgânica, 
assinale a afirmativa correta. 
a) A supremacia da Constituição e a hierarquia das fontes normativas destacam-se 
entre os pressupostos do controle de constitucionalidade. 
 
b) A denominada mutação constitucional é uma modalidade de controle de 
constitucionalidade realizado pela jurisdição constitucional. 
 
c) O controle concentrado de constitucionalidade consiste na análise da 
compatibilidade de qualquer norma infraconstitucional com a Constituição. 
 
d) O controle de constitucionalidade de qualquer decreto regulamentar deve ser 
realizado pela via difusa. 
GABARITO A 
LETRA A // Correta//​→ A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelá-la 
documentos supremo, conduz a necessidade de as leis hierarquicamente inferiores 
observarem-na, sob pena de transmudá-la, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei 
surge no cenário jurídico com harmonia com a Constituição Federal. O conflito de leis com a 
Constituição encontrará solução na prevalência desta, justamentepor ser a Carta Magna 
produto do poder constituinte originário, ela própria elevando-se à condição de obra 
suprema, que inicia o ordenamento jurídico, impondo-se, por isso, ao diploma inferior com 
ela inconciliável. 
 
LETRA V //Errada // ​→ As denominadas ​mutações (ou transições) constitucionais 
descrevem o fenômeno que se verifica em todas as Constituições escritas, mormente nas 
rígidas, em decorrência do qual ocorrem contínuas, silenciosas e difusas modificações no 
sentido e no alcance conferidos às normas constitucionais, sem que haja modificação na 
letra de seu texto. Consubstanciam a chamada atualização não formal de Constituição. Em 
uma frase: ocorre uma mutação constitucional quando “muda o sentido da norma sem 
mudar o seu texto, não sendo portanto uma modalidade de controle de constitucionalidade. 
 
LETRA C //Errada//​→ não são todas, tendo em vista que as editadas antes à 1988 cabem 
adpf 
 
 
LEI 9.882 → Art 1º. A arguição previstas no § 1 do art. 102 da Constituição Federal será 
proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a 
preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. 
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato 
normativo federal, estadual ou municipal, ​incluído os anteriores​ à Constituição. 
 
LETRA D //Errada//→ ​Apenas os ​atos normativos primários é que podem ser objeto de 
controle de constitucionalidade. Assim, não é qualquer decreto regulamentar que pode ser 
objeto de controle de constitucionalidade na via difusa. 
_________________________________________________________________________ 
 
10) Pedro, reconhecido advogado na área do direito público, é contratado para produzir 
sobre situação que envolve o pacto federativo entre Estados brasileiros. Ao estudar mais 
detidamente a questão, conclui que, para atingir seu objetivo, é necessário analisar o 
alcance das chamadas cláusulas pétreas. 
Com base na ordem constitucional brasileira vigente, assinale, dentre as opções abaixo, a 
única que expressa uma premissa correta sob o tema e que pode ser usada pelo referido 
advogado no desenvolvimento de seu parecer. 
a) As cláusulas pétreas podem ser invocadas para ser invocadas para sustentar a 
existência de normas constitucionais superiores em face de normas constitucionais 
inferiores, o que possibilita a existência de normas constitucionais inconstitucionais. 
 
b) Norma introduzida por emenda à constituição se integra plenamente ao texto 
constitucional, não podendo, portanto, ser submetida a controle de 
constitucionalidade, ainda que sob alegação de violação à cláusula pétrea. 
 
c) Mudanças proposta por constituinte reformador estão sujeitas ao controle de 
constitucionalidade, sendo que as normas ali propostas não podem afrontar 
cláusulas pétreas estabelicidas na Constituição da República. 
 
d) Os direitos e as garantias individuais considerados como cláusulas pétreas estão 
localizados exclusivamente nos dispositivos do Art. 5º, de modo que é 
inconstitucional atribuir essa qualidade (cláusula pétrea) a normas fundadas em 
outros dispositivos constitucionais. 
GABARITO C 
LETRA A //Errada//​→ Não há que se falar em norma constitucional superior a outra, 
inexistindo essa possibilidade. 
 
LETRA B // Errada//​→ Toda norma que for incorporada ao texto Constitucional passará 
pelo controle de constitucionalidade. 
 
LETRA C //Correta​// → Poder constituinte derivado reformador )de reforma, de emenda). É 
o poder criado pelo poder constituinte originário para alterar, por emendas constitucionais, 
as normas impostas originalmente, por meio de um processo legislativo mais rigoroso. No 
brasil, este poder reformador é representado pelo Congresso Nacional, via emendas 
constitucionais, ​não existe participação do Presidente da República na fase constitutiva do 
 
 
processo legislativo de uma emenda constitucional, uma vez que o titular do poder 
constituinte derivado reformador é o Poder Legislativo​. Assim, não haverá necessidade de 
sanção ou veto​. A emenda constitucional aprovada pelas duas Casas do Congresso 
Nacional seguirá, diretamente, à fase complementar, para promulgação e publicação. 
 
LETRA D //Errada//→ ​Como exemplo podemos citar à existência do ​art. 60, §4º, da CF​, que 
erigiu como cláusula pétrea a forma federativa, cujo contexto engloba, constitucionalmente, 
o “regime democrático”, tanto em relação às regras constitucionais para sua consecução, 
quanto às regras constitucionais para sua fiscalização, ​ou seja, existem sim, cláusula 
pétreas fora do art. 5. // ​Direitos e garantia fundamentais ​não estão arrolados 
exclusivamente no art. 5º da CF/88, Exemplos: Direitos Sociais ( art 6CF/88), Princípios da 
Anterioridade Tributária (art 150, II, “b” CF/88) etc. 
_________________________________________________________________________ 
Defesa do Estado e das Instituições Democráticas 
11) Durante ato de protesto político, realizado na praça central do Município Alfa, os 
manifestantes, inflamados por grupos oposicionistas, começam a depredar órgãos públicos 
locais, bem como invadem e saqueiam estabelecimentos comerciais, situação que foge do 
controle das forças de segurança. 
Diante do quadro de evidente instabilidade social, o Presidente da República, por Decreto, 
institui o estado de defesa no Município alfa por prazo indeterminado, até que seja 
restaurada a ordem pública e a paz social. No Decreto, ainda são fixadas restrições aos 
direitos de reunião e ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica. 
Acerca do caso apresentado, assinale a afirmativa correta. 
a) Durante o estado de defesa, podem ser estabelecidas restrições aos direitos de 
reunião e ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica, mas o referido 
decreto não poderia estender-se por prazo indeterminado, estando em 
desconformidade com a ordem constitucional. 
 
b) Ao decretar a medida, o Chefe do Poder Executivo não poderia adotar medidas de 
restrição ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica, o que denota que o 
decreto é materialmente inconstitucional. 
 
c) O decreto é formalmente inconstitucional, porque o Presidente da República 
somente poderia decretar medidas tão drástica mediante lei previamente aprovada 
em ambas as casas do Congresso Nacional. 
 
d) O decreto presidencial, na forma enunciada, não apresenta qualquer vício de 
inconstitucionalidade, sendo assegurada, pelo texto constitucional, a possibilidade 
de o Presidente da República determinar, por prazo indeterminado, restrições aos 
referidos direitos. 
GABARITO A 
CF, art. 136,§1º O decreto que instituir o estado de defesa ​determinará o tempo de sua 
duração​, especificará as áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei, 
as ​medidas coercitivas​ a vigorarem, ​dentre as seguintes​: 
I - ​restrições​ aos direitos de: 
a) reunião, ainda que exercida no seio das associações; 
 
 
b) sigilo de correspondência; 
c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica; 
[...] 
§2º O tempo de duração do estado de defesa ​não será superior a trinta dias, podendo 
ser prorrogado uma vez,por igual período​, se persistirem as razões que justificaram a 
sua decretação. 
o ​ESTADO DE DEFESA é medida de exceção mais branda do que o estado de sítio e 
corresponde às antigas medidas de emergência, que vigoravam no regime constitucional 
pretérito. Como medida mais branda, ​não exige autorização prévia do Congresso 
Nacional para a sua decretação. 
 
Entretanto, a decretação do estado de defesa exige a prévia audiência do Conselho da 
República (CF, art 89 e 90) e do Conselho de Defesa Nacional (CF, art.91). A manifestação 
desses dois Conselhos é ​OBRIGATÓRIA​, sob pena da inconstitucionalidade da decretação 
do estado de desa. Porém, a manifestação deles é ​MERAMENTE OPINATIVA​, não 
vinculante. Significa que mesmo tais Conselhos opinando contra a decretação da medida, o 
Presidente da República poderá decretá-la, se assim entender conveniente. 
 
O estado de defesa não é situação de arbítrio, mas sim situação extraordinária 
constitucionalmente regrada. É verdade que o juízo de conveniência da decretação da 
medida cabe ao PResidente da República, desde que ocorra uma das situações 
constitucionais autorizadoras. Mas, para decretá-la e executá-la, deverá o Presidente da 
República observar fielmente as normas constitucionais de regência, sob pena da 
inconstitucionalidade da medida e da responsabilização decorrente. Exatamente por esse 
motivo, a decretação do estado de defesa ​sujeita-se a controle político e jurisdicional​. 
 
Cabe ressaltar que a doutrina e jurisprudência convergem em afirmar que a ​fiscalização 
jurisdicional do estado de defesa deverá se restringir ao chamado controle de 
legalidade​. Esse ato discricionário do Presidente da República, de natureza 
essencialmente política, não se sujeita à fiscalização do Poder Judiciário. 
_________________________________________________________________________ 
Processo Legislativo 
12) O deputado federal Alberto propôs, no exercício de suas atribuições, projeto de lei de 
grande interesse para o Poder Executivo Federal. 
Ao perceber que o momento político é favorável à sua aprovação, a bancada do governo 
pede ao Presidente da República que, utilizando-se de suas prerrogativas, solicite urgência 
(regime de urgência constitucional) para a apreciação da matéria pelo Congresso Nacional 
Em dúvida, o Presidente da República recorre ao seu corpo jurídico, que, atendendo à sua 
solicitação, informa que, de acordo com a sistema jurídico-constitucional brasileiro, o pleito 
da base governista. 
a) é viável, pois é prerrogativa do chefe do Poder Executivo solicitar o regime de 
urgência constitucional em todos os projetos de lei que tramitem no Congresso 
Nacional. 
 
b) não pode ser atendido, pois o regime de urgência constitucional somente pode ser 
solicitado pelo presidente da mesa das casas do Congresso Nacional. 
 
 
c) viola a CRFB/88, pois o regime de urgência constitucional somente pode ser 
requerido pelo Presidente da República em projetos de lei de sua própria iniciativa. 
 
d) não pode ser atendido, pois, nos casos urgentes, o Presidente da República deve 
veicular a matéria por meio de medida provisória e não solicitar que o Legislativo 
aprecie a matéria em regime de urgência. 
GABARITO C 
CF, art. 64. A discussão e votação dos ​projetos de lei de iniciativa do Presidente da 
República​, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara 
dos Deputados. 
§1º O ​Presidente da República poderá ​solicitar urgência para apreciação de ​projetos de 
sua iniciativa​. 
§2º Se, no caso do §1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal ​não se 
manifestarem sobre a proposição, cada qual sucessivamente, em até ​quarenta e cinco 
dias​, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa 
[trancamento de pauta], com ​exceção das que tenham ​prazo constitucional determinado​, 
até que se ultime a votação. 
§3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se-á no 
prazo de ​dez dias​, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior. 
§4º Os prazos de §2º ​não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, ​nem 
se aplicam​ aos​ projetos de código​. 
Em termos constitucionais, o ​PROCESSO LEGISLATIVO SUMÁRIO [ou de urgência] não 
apresenta uma diferenciação de procedimentos em relação ao processo ordinário, antes 
analisado. O que diferencia do processo legislativo ordinário é, tão somente, a existência de 
prazos constitucionalmente fixados para que as Casas do Congresso Nacional deliberem 
sobre o projeto apresentado. 
Observa-se que, se for solicitada urgência pelo Presidente da República, o processo 
legislativo deverá findar no ​prazo máximo de cem dias​, desconsiderados os períodos de 
recesso do Congresso Nacional (quarenta e cinco dias na Câmara, quarenta e cinco dias no 
Senado Federal e mais dez dias para a Câmara dos Deputados apreciar as emendas dos 
senadores se houve). Desrespeitados esses prazos, ocorrerá o trancamento de pauta da 
Casa Legislativa, ficando sobrestadas todas as demais matérias, com exceção das que 
tenham prazo constitucional determinado, como são exemplo as medidas provisórias. 
A ​apreciação dos atos de outorga ou renovação de concessão, permissão ou 
autorização para serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens obedecerá 
também ao regime de urgência, no prazo fixado pelo art. 64 §§2º e 4º, da Constituição 
Federal (art. 223, §1º). Trata-se, portanto, de mais uma hipótese de aplicação do regime de 
urgência, prevista diretamente no texto constitucional. 
Por fim, cabe ressaltar que essas são as únicas hipóteses de regime de urgência 
constitucional. Além delas, temos também hipóteses de urgência regimental, a partir de 
solicitação dos parlamentares, na ´forma prevista nos regimentos internos das Casa 
Legislativas. Porém enfatiza-se, as hipóteses de urgência regimental, requeridas por 
parlamentares, seguem regras diversas, e não têm previsão constitucional. 
_________________________________________________________________________
Direitos Políticos 
 
 
13) Afonso, nascido em Portugal e filho de pais portugueses, mudou-se para o Brasil ao 
completar 25 anos, com a intenção de advogar no estado da Bahia, local onde moram seus 
avós paternos. 
Após cumprir todos os requisitos exigidos e ser regularmente inscrito nos quadros da OAB 
local, Afonso permanece, por 13 (treze) anos ininterruptos, laborando e residindo em 
Salvador. Com base na hipótese narrada, sobre os direitos e políticos e de nacionalidade de 
Afonso, assinale a afirmativa correta. 
a) Afonso somente poderá se tornar cidadão brasileiro quando completar 15 (quinze) 
anos ininterruptos de residência na República Federativa do Brasil, devendo, ainda, 
demonstrar que não sofreu qualquer condenação penal e requerer a nacionalidade 
brasileira. 
 
b) Uma vez comprovada sua idoneidade moral, Afonso poderá, na forma da lei, adquirir 
a qualidade de brasileiro naturalizado e, nessa condição. desde que preenchidos os 
demais pressupostos legais, candidatar-se ao cargo de prefeito da cidade de 
Salvador. 
 
c) Afonso poderá se naturalizarbrasileiro caso demonstre ser moralmente idôneo, mas 
não poderá alistar-se como eleito ou exercer quaisquer dos direito políticos 
elencados na Constituição da República Federativa do Brasil. 
d) Afonso, por originário de país de língua portuguesa, adquirirá a qualidade de 
brasileiro nato ao demonstrar, na forma da lei, residência ininterrupta por 1 (um) ano 
em solo pátrio e idoneidade moral 
GABARITO B 
CF, art. 12. são brasileiros: 
II - ​Naturalizados: 
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de 
países de língua portuguesa apenas residência por ​um ano ininterrupto e ​idoneidade 
moral​; 
§1º aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor 
de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos 
nesta Constituição. 
Nessa hipótese (​naturalização ordinária​), é concedida a naturalização aos estrangeiros, 
residentes no país, que cumpram os requisitos previstos na lei brasileira de naturalização 
(capacidade civil de acordo com a lei brasileira; visto permanente no país, saber ler e 
escrever em português, exercício de profissão etc). 
 
No caso dos estrangeiros originários de países de língua portuguesa (Portugal, Angola, 
Moçambique, Guiné Bissau, Açores, Cabo Verde, Príncipe, Goa, Macau e Timor Leste), 
somente são exigidos dois requisitos presentes no art. 12, II, “a”, da CF. 
 
A principal característica da naturalização ordinária é que ela é discricionária (dependerá de 
avaliação de conveniência e oportunidade do Chefe do Poder Executivo). 
 
A hipótese do §1º do art. 12, da CF ​não se trata de concessão aos portugueses da 
nacionalidade brasileira (sem assim o desejarem, deverão instaurar o ​processo de 
 
 
naturalização ordinária​, nos moldes do art. 12, II, “a”, da CF). Os portugueses residentes 
no Brasil continuam portugueses e os brasileiros que vivem em Portugal continuam com a 
nacionalidade brasileira. O que acontece é que, uns e outros recebem direitos que, no geral, 
somente poderiam ser concedidos aos nacionais de cada país. 
CF, art. 12, §3º São privativos de brasileiro ​nato​ os cargos: 
I- de presidente e Vice-Presidente da República; 
 
Art. 14, §3 São ​condições de elegibilidade​, na forma da lei: 
I- a nacionalidade brasileira; 
 
Assim como a capacidade eleitoral ativa diz respeito ao diretor de votar (alistabilidade), a 
capacidade eleitoral passiva diz respeito ao direito de ser votado, de ser eleito 
(​elegibilidade​) 
 
No Brasil a elegibilidade não coincide com a alistabilidade (não basta ser eleitor para ser 
elegível; nem todo eleitor é elegível). Porém, não basta ser eleitor para ser elegível, 
porquanto é exigido o cumprimento de outros requisitos para a elegibilidade. 
 
Para que alguém possa concorrer a um mandato eletivo nos Poderes Executivo ou 
Legislativo (ser elegível), é necessário o cumprimento de alguns requisitos gerais, 
denominados condições de elegibilidade, e a não incidência em nenhuma das 
inelegibilidades, que consistem em impedimentos à capacidade eleitoral passiva, 
 
O primeiro desses requisitos é ​possuir nacionalidade brasileira ou condição de 
equiparado a português​, sendo que para Presidente e Vice-Presidente exige-se a 
condição de brasileiro nato. 
_________________________________________________________________________ 
Direitos Políticos 
14) Juliano, governador do estado X, casa-se com Mariana, deputada federal eleita pelo 
estado Y, a qual já possuía uma filha chamada Letícia, advinda de outro relacionamento 
pretérito. 
Na vigência do vínculo conjugal, enquanto Juliano e Mariana estão no exercício de seus 
mandatos, Letícia manifesta interesse em também ingressar na vida política, 
candidatando-se ao cargo de deputada estadual, cujas eleições estão marcadas para o 
mesmo ano em que completa 23 (vinte e trÊs) anos de idade. 
A partir das informações fornecidas e com base no texto constitucional, assinale a afirmativa 
correta. 
a) Letícia preenche a idade mínima para concorrer ao cargo de deputada estadual, 
mas não poderá concorrer no estado X, por expressa vedação constitucional durar o 
mandato de Juliano. 
 
b) Uma vez que Letícia está ligada a Juliano, seu padrasto, por laços de mera 
afinidade,, inexiste vedação constitucional para que concorra ao cargo de deputada 
estadual no estado X. 
 
 
 
c) Letícia não poderá concorrer por não ter atingido a idade mínima exigida pela 
Constituição como condição de elegibilidade para o exercício do mandato de 
deputada estadual. 
 
d) Letícia não poderá concorrer nos estados X e Y, uma vez que a Constituição dispõe 
sobre a inelegibilidade reflexa ou indireta para os parentes consanguíneas ou afins 
até o 2 ] grau nos territórios de jurisdição dos titulares de mandato eletivo. 
GABARITO A 
Sobre o parentesco por ​afinidade: 
No caso, Letícia é enteada de Juliano, sendo sua parente por afinidade em primeiro grau na 
linha reta. 
CC​, art. 1.593. O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consanguinidade ou 
outra origem​. 
Art. 1.594. Contam-se, na ​linha reta​, os ​graus ​de parentesco pelo ​número de gerações​, e, 
na colateral, também pelo número delas, subindo de um parentes até ao ascendentes 
comum, e descendo até encontrar o outro parente. 
Art.1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes pelo vínculo da ​afinidade​. 
§1º O parentesco por afinidade ​limita-se aos ​ascendentes​, aos ​descendentes e aos 
irmãos​ do cônjuge ou companheiro. 
§2º Na linha reta, a afinidade ​não se extingue com a dissolução do casamento ou da união 
estável. 
PARENTESCO POR AFINIDADE 
Existentes entre um cônjuge ou companheiro e os parentes do outro cônjuge ou 
companheiro. Deve ser atentado o fato de que marido e mulher e companheiros - inclusive 
homoafetivos -, não são parentes entre si, havendo outro tipo de vínculo, decorrente da 
conjugalidade ou da convivência. 
Como novidade, o CC/2002 reconhece o parentesco de afinidade decorrente da união 
estável (art. 1.595 do CC) 
O parentesco por afinidade ​limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos 
do cônjuge ou companheiro (art. 1.595, §1º). Desse modo, há parentesco por afinidade 
na linha ascendente em relação ao sogro, à sogra e seus ascendentes até o infinito. Na 
linha reta descendente, em relação ao enteado e à enteada e assim sucessivamente até o 
infinito. Na linha colateral, entre cunhados. 
Na linha reta, até o infinito, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou 
da união estável, havendo um vínculo perpétuo (art. 1.595, §2º, do CC). Nessas últimas 
relações há impedimento matrimonial (art. 1.521, II, do CC). 
 
CF, art. 14, §3º São condições de ​elegibilidade​, na forma da lei: 
c) ​vinte e um anos para Deputado Federal, ​Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, 
Vince-Prefeito e juiz de paz; 
§7º São ​inelegíveis​, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os ​parentes 
consanguíneos ou ​afins​, até o segundo grau ou por adoção, Presidente da República, de 
Governador do Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja 
substituídodentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo 
e candidato à reeleição. 
 
 
A idade mínima deverá ser verificada tendo por referência a ​data da posse (e não a data 
do alistamento ou do registro. 
 
Lei nº 9.504/1997, art.11, §2º A idade mínima constitucionalmente estabelecida como 
condição de elegibilidade é verificada por referência a ​data da posse, salvo quando fixada 
em dezoito anos​, hipótese em que será aferida na data-limite para o pedido de registro. 
 
A ​INELEGIBILIDADE consiste na ​ausência de capacidade eleitoral passiva​, incidindo 
como impedimento à candidatura a mandato eletivo nos Poderes Executivo e legislativo. 
 
A própria Constituição Federal estabelece certas hipóteses de inelegibilidade (CF, art. 14, 
§§ 4º ao 7º). Porém, essas hipóteses de inelegibilidade constitucionalmente previstas ​não 
são exaustivas ( numerus clausus), por que a Constituição expressamente permite que ​lei 
complementar​ venha a estabelecer ​outras hipóteses​ de inelegibilidade (CF, art.14 §9º) 
A hipótese do art. 14, §7º, da CF é denominada ​inelegibilidade reflexa​, porque incide 
sobre terceiros. 
Segundo orientação do TSE, o cônjuge, os parentes e afins são elegíveis até mesmo para o 
próprio cargo do titular (chefe do Executivo), quando este tiver ​direito à reeleição e houver 
renunciado até seis meses antes do pleito eleitoral​. 
O raciocínio seguindo pela corte eleitoral é que, se ao titular do cargo seria permitido um 
mandato a mais, não se poderia vetar a possibilidade de os parentes concorrerem a esse 
mesmo cargo, em caso de renúncia do titular no tempo hábil. Em outras palavras: quem 
pode reeleger-se, pode ser sucedido por quem mantenha com ele vínculo parental; quem 
não reeleger-se, não pode por ele ser sucedido. 
Essa tese foi ​referendada pelo STF​, com vistas a harmonizar o § 7º do art. 14 com novo 
sistema jurídico imposto pela EC 16/1997, que passou a permitir a reeleição do chefe do 
Executivo. 
Essa situação ocorreu concretamente, nas eleições para Governador do Estado do Rio de 
Janeiro em 2002. O então Governador (“Garotinho”) que tenha direito à reeleição, 
afastou-se do cargo nos seis meses anteriores ao pleito eleitoral, para assegurar a 
legitimidade da candidatura, para o período subsequente, de sua esposa, que veio a ser 
eleita Governadora do Estado (“Rosinha”). 
_________________________________________________________________________ 
Direitos Individuais 
15) Antônio, líder ativista que defende a proibição do uso de quaisquer drogas, científica as 
autoridades sobre a realização de manifestação contra projeto de lei sobre a liberação do 
uso de entorpecentes. 
Marina, líder ativistas do movimento pela liberação do uso de toda e qualquer droga, ao 
tomar conhecimento de tal evento, resolve, então, sem solicitar autorização à autoridade 
competente, marcar, para o mesmo dia e local, manifestação favorável ao citado projeto de 
lei, de forma a impedir a propagação das ideias defendidas por Antônio. 
Nesse sentido, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a afirmativa 
correta. 
a) Marina pode dar continuidade à sua iniciativa, pois, com fundamentos no princípio 
do Estado Democrático está amplamente livre para expressar suas ideias. 
 
 
 
b) Marina não poderia dar continuidade à sua iniciativa, pois o direito de reunião 
depende de prévia autorização por parte da autoridade competente. 
 
c) Mariana não poderia dar continuidade à sua iniciativa, já que sua reunião frustraria a 
reunião de Antônio, anteriormente convocada para o mesmo loca​l. 
 
d) Mariana pode dar continuidade à sua iniciativa, pois é livre o direito de reunião 
quando o país não se encontra em estado de sítio ou em estado defesa. 
GABARITO C 
CF, art5º, XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao 
público, independentemente de autorização, ​desde que não frustrem outra reunião 
anteriormente convocada para o mesmo local​, sendo apenas exigido prévio aviso à 
autoridade competente; 
Complementando: 
O ​DIREITO DE REUNIÃO é meio de manifestação coletiva da liberdade de expressão, em 
que pessoas se associam temporariamente tendo por objeto um interesse comum, que 
poderá ser, por exemplo, o mero intercâmbio de ideias, a divulgação de problema da 
comunidade ou a reivindicação de algumas providência. 
O STF considerou ​válidos manifestações e eventos públicos na defesa da 
descriminalização do uso de drogas, ou de qualquer substância entorpecente específica 
(“marcha da maconha”). ADPF 187/DF. 
Para o Tribunal Constitucional, a mera proposta de descriminalização de determinado ilícito 
penal não se confunde com o ato de incitação à prática do crime, nem com o de apologia de 
fato criminoso (CP, art. 287). Logo, a defesa, em espaços públicos, da legalização das 
drogas, ou de proposta de abolição de algum outro tipo penal, não significaria ilícito penal, 
mas, ao contrário, representa o exercício legítimo do direito à livre manifestação do 
pensamento, propiciada pelo exercício do direito de reunião. 
Ademais, vale lembrar que a própria CD, em circunstâncias ​excepcionais​, admite 
expressamente a ​restrição e até a ​suspensão do direito de reunião. Assim, na hipótese de 
decretação de decretação do estado de defesa (CF, art. 136, §1º, I, “a”) e do estado de sítio 
(CF, art.139, IV) o direito de reunião, ainda que exercida no seio das associações, poderá 
sofrer restrições, permitindo-se, até, no caso do estado de sítio, a suspensão temporária 
desse importante direito constitucional. 
Caso ocorra lesão ou ameaça de lesão ao direito de reunião, ocasionada por algumas 
ilegalidade ou arbitrariedade por parte do POder Público, o remédio constitucional cabível é 
o ​MANDADO DE SEGURANÇA​, e não habeas corpus (este, como se sabe, destina-se à 
proteção do direito de locomoção, nos termos do art. 5º, LXVIII, da CF). 
_________________________________________________________________________ 
Organização do Poder Judiciário 
16) No estado em que você reside há cerca de quinze anos, cinco homens foram assinados 
por tiros disparados por pessoas encapuzadas. Houve uma alteração da cena do crime, 
sugerindo a mesma forma de atuação de outros assassinatos que vinham sendo praticados 
por um grupo de extermínio que contraria com a participação de policiais. 
Na época, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar os fatos, mas concluiu pela 
ausência de elementos suficientes de autoria, encaminhando os autos ao Ministério Público, 
 
 
que pediu o arquivamento do caso, A Justiça acolheu o pedido e alegou não haver 
informações sobre autoria, motivação ou envolvimento de policiais. 
Segundo opinião de especialista, a apuração policial do caso foi prematuramente 
interrompida. A Polícia Civil teria deixado de realizar diligência imprescindíveis à elucidação 
da autoria do episódio. Manter o arquivamento do inquérito, sem a investigação adequada, 
significaria ratificar a atuação institucionalmente violenta de agentes de segurança pública, 
e consequentemente, referendar grave violação de direitos humanos. 
Para a hipótesenarrada, como advogado de uma instituição de direitos humanos, assinale 
a opção processual prevista pela Constituição da República. 
a) O MPF deve ingressar com ação diretamente no Supremo Tribunal Federal para 
assegurar o direito de acesso à justiça. 
 
b) O advogado deve apresentar pedido de avocatória no Superior Tribunal de Justiça, a 
fim de que se garanta a continuidade das investigações. 
 
c) O Procurador Geral da República deve suscitar, perante o Superior Tribunal de 
Justiça, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. 
 
d) O advogado deve ajuizar ação competente junto à Corte Interamericana de Direitos 
Humanos. 
GABARITO C 
CF [Seção IV - DOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E DOS JUÍZES FEDERAIS], 
art.109, §5º Nas hipóteses de ​grave violação de direitos humanos​, o Procurador-Geral da 
República [PGR], com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes 
de tratados internacionais de direito humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, 
perante o Superior Tribunal de Justiça [STF], ​em qualquer fase do inquérito ou processo​, 
incidentes de deslocamento de competência [IDC] para a Justiça Federal[JF]. 
→ federalização dos crimes; 
→ deslocamento de competências da JE para a JF. 
INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA 
 
1. Todo homicídio doloso, independentemente da condição pessoal da vítima e/ou da 
repercussão do fato no cenário ou internacional, representa grave violação ao maior e mais 
importante de todos os direitos do ser humano, que é o direito à vida, previsto no art. 4º, nº1 
da convenção americana sobre Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário por força do 
Decreto nº 678, de 6/11/1992, razão por que não há falar em inépcia da peça inaugural. 
 
2. Dada a amplitude e a magnitude da expressão “direitos humanos”, é verossímil que ​o 
constituinte derivado tenha optado por não definir o rol dos crimes que passariam 
para a competência para a competência da JF, sob pena de restringir os casos de 
incidência do dispositivo (CF, art.109, §5º), afastando-o de sua finalidade precípua, que é 
assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais firmados 
pelos Brasil sobre a matéria, examinando-se cada situação de fato, suas circunstâncias e 
peculiaridades detidamente, motivo pelo qual ​não há em norma de eficácia limitada​. 
Ademais, não é próprio de texto constitucional tais definições. 
 
 
 
3. Aparente incompatibilidade do IDC, criado pela EC nº 45/2004, com qualquer outro 
princípio constitucional ou com a sistemática processual em vigor deve ser resolvida 
aplicando-se os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. 
 
4. Na espécie, as autoridades estaduais encontram-se empenhadas na apuração dos fatos 
que resultaram na morte da missionária norte americana ​Dorothy Stang​, com o objetivo de 
punir os responsáveis, refletindo a intenção de o Estado do Pará dar resposta eficiente à 
violação do maior e mais importante dos direitos humanos, o que ​afasta a necessidade de 
deslocamento da competência originária para a Justiça Federal​, de forma subsidiária, 
sob pena, inclusive, de dificultar o andamento do processo criminal e atrasar o seu 
desfecho, utilizando-se o instrumento criado pela aludida norma em desfavor de o seu ​fim​, 
que é ​combater a impunidade dos crimes praticados com grave violação de direitos 
humanos. 
 
5. O deslocamento de competência - em que a existência de crime praticado com grave 
violação aos direitos humanos é ​pressuposto de admissibilidade do pedido - deve 
atender ao princípio da proporcionalidade (adequação, necessidade e proporcionalidade em 
sentido estrito), compreendido na ​demonstração concreta de risco de decumprimento 
de obrigações decorrentes de tratados internacionais firmados pelo Brasil, resultante 
de inércia, negligência, falta de vontade política ou de condições reais do 
Estado-membro, por suas instituições, em proceder à devida persecução penal​. No 
caso, ​não há a cumulatividade de tais requisitos​, a justificar que se acolha o incidente. 
 
6. Pedido ​indeferido​, sem prejuízo do disposto no art. 1º, inc. III, da Lei nº 10.446, de 
8/5/2002 
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