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Teoria da Constituição José leu, em artigo jornalístico veiculado em meio de comunicação de abrangência nacional, que o Supremo Tribunal Federal poderia, em sede de ADI, reconhecer a ocorrência de mutação constitucional em matéria relacionada ao meio ambiente. Em razão disso, ele procurou obter maiores esclarecimentos sobre o tema. No entanto, a ausência de uma definição mais clara do que seria “mutação constitucional” o impediu de obter um melhor entendimento sobre o tema. Com o objetivo de superar essa dificuldade, procurou Jonas, advogado atuante na área pública, que lhe respondeu, corretamente, que a expressão “mutação constitucional”, no âmbito do sistema jurídico-constitucional brasileiro, refere-se a um fenômeno a) concernente à atuação do poder constituinte derivado reformador, no processo de alteração do texto constitucional. b) referente à mudança promovida no significado normativo constitucional, por meio da utilização de emenda à constituição. c) relacionado à alteração de significado de norma constitucional sem que haja qualquer mudança no texto da constituição federal. d) de alteração do texto constitucional antigo por um novo, em virtude de manifestação de uma Assembleia Nacional constituinte. Resposta: O Poder Constituinte Derivado Reformador (PCDR) também é chamado de instituído ou constituído e possui a prerrogativa de alterar a Constituição Federal vigente. REFORMA (CF, art.60) → meio ordinário de alteração da Constituição. → exige quorum de ⅗ dos votos do Senado Federal e da Câmara dos Deputados (em casa casa legislativa), em 2 turnos. REVISÃO (ADCT, art.3) → via extraordinária de alteração da Constituição. → exigiu maioria absoluta do Congresso Nacional (sessão unicameral), em turno único. MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL → “mudança não formal da Constituição, provindo de convenções com o texto, que a mutação altera no seu espírito e significado, SEM TOCAR na regra esrita” Há processos informais de alteração da Constituição, SEM QUE OCORRA alteração no texto magno. Sem reformar (sem alterar o texto), extrai-se uma nova interpretação do que está escrito com base nas alterações das circunstâncias fáticas (contexto econômico, social, político, ideológico…). REFORMA → emenda com procedimento específico e dificultoso (CF, art.60) = formal. MUTAÇÃO → alteração do sentido do texto (interpretação ou costumes) = informal. A mutação terá lugar, especialmente, se se alteram os costumes ou se a interpretação que se dá do texto normativo se altera em vista do contexto sócio-jurídico. É importante lembrar que texto e a norma são coisas distintas: texto é o que está escrito; norma é o que se retira do texto (interpretação). Assim, a mutação é justamente a alteração da norma (da interpretação), sem alteração. O suporte textual deve comportar a interpretação pretendida (não dá força a barra) e a interpretação NÃO PODE derruir princípios estruturantes do texto. _________________________________________________________________________ 02) Uma nova Constituição é promulgada, sendo que um grupo de parlamentares mantém dúvidas acerca do destino a ser concedido a várias normas da Constituição antiga, cuja temáticas não foram tratadas pela nova Constituição. Como a nova Constituição ficou silente quanto a essa situação, o grupo de parlamentares, preocupado com possível lacuna normativa, resolve procurar competentes advogados a fim de sanar a referida dúvida. Os advogados informaram que, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, a) as normas da Constituição pretérita que guardarem congruência material com a nova constituição serão convertidas em normas ordinárias. b) as matérias tratadas pela Constituição pretérita e não reguladas pela nova Constituição serão por esta recepcionadas. c) as matérias tratadas pelas Constituição pretérita e não reguladas pela nova Constituição receberão, na nova ordem, status supralegal, mas infraconstituicional. d) a revogação tácita da ordem constitucional pretérita pela nova Constituição se dará de forma completa e integram, ocasionando a perda de sua validade. GABARITO LETRA D O PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO (PCO), também denominado inicial, inaugural, genuíno ou de 1º grau, é aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rempendo por completo com a ordem jurídica precedente. o PCO possui as seguintes características: -Inicial - inaugura um novo ordenamento, instaurando uma nova ordem jurídica. -Autônomo - A estruturação da nova Constituição será determinada, automaticamente, por quem exerce o poder constituinte originário. -Ilimitado Juridicamente - Ele é ilimitado juridicamente, assim não tem que respeitar os limites postos pelo direito anterior. -Soberano e Incondicionado na Tomada de Suas Decisões - Este não tem que se submeter a qualquer forma prefixada de manifestação. O exercício do poder constituinte originário implica na revogação de todas as normas jurídicas inseridas na constituição anterior, ainda que compatíveis com a Constituição ora vigente. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização [NÃO ADOTADA!], as normas constitucionais que não sejam materialmente constitucionais e que tenham compatibilidade com a nova ordem constitucional vigente podem ser mantidas com natureza de lei, desconstitucionalizando-se. Em regra, não é admitida no direito brasileiro. A aplicação da Teoria da Desconstitucionalização deve ter previsão expressa, a exemplo do que ocorre com a Constituição de Portugal (art. 292). no Brasil, o art. 147 da Constituição de 1967 do Estado de SP também trazia tal possibilidade. No que tange à legislação infraconstitucional, o exercício do PCO pode importar na recepção das normas infraconstitucionais anteriores à vigência da nova Constituição, desde que sejam materialmente compatíveis com ela, mediante o fundamento imediato de validade. Trata-se de instituto de prevê que um ordenamento jurídico acolha e torne suas as normas de ordenamento jurídico anterior. Não havendo compatibilidade, a hipótese será de não recepção, e não de inconstitucionalidade. _________________________________________________________________________ 03) Todos os dispositivos da Lei Y, promulgada no ano de 1985, possuem total consonância material e formal com a Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº1/1969. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário, constatou que, após a atuação do Poder Constituinte originário, que deu origem à Constituição de 1988, o Art. X da mencionada Lei Y deixou de encontrar suporte material na atual ordem constitucional. Sobre esse caso, segundo a posição reconhecida pela ordem jurídico-constitucional brasileira, assinale a afirmativa correta. a) Ocorreu o fenômeno conhecido como “não recepção”, que tem por consequência a revogação do ato normativo que não se compatibiliza materialmente com o novo parâmetro constitucional. b) Ao declarar a inconstitucionalidade do Art. X à luz do novo parâmetro constitucional, devem ser reconhecidosos naturais efeitos retroativos (ex tunc) atribuídos a tais decisões. c) Na ausência de enunciado expresso, dá-se a ocorrência do fenômeno denominado “desconstitucionalização”, sendo que o Art. X é tido como inválido perante a nova Constituição; d) Terá ocorrido o fenômeno da inconstitucionalidade formal superveniente, pois o Art. X, constitucional perante a Constituição de 1967, tornou-se inválido com o advento da Constituição de 1988. GABARITO A Regra: A nova Constituição revoga a Constituição anterior. RECEPÇÃO: Nova constituição recepciona as normas infraconstitucionais que foram feitas de acordo com a constituição anterior, desde que não contrariem materialmente a nova constituição. exemplo: Lei 1.079/1940 ( crime de responsabilidade e impeachment). OBS: PODE CONTRARIAR FORMALMENTE, EXEMPLO: ESPÉCIE NORMATIVA, POIS O CÓDIGO DE PROCESSO PENAL FORAM CRIADOS POR DECRETO LEI, TODAVIA, RECEPCIONADOS COMO LEI ORDINÁRIA, VIDE ART. 59 C/C ART. 4, INC XXXVIII E XXXIX, CFRB/88; PRORROGAÇÃO: instituto ou órgão continua vigente até a nova regulamentação. art. 27. §1º, ADCT. obs:O STF TEVE PRORROGADO A SUA COMPETÊNCIA ATÉ A CRIAÇÃO DO STJ (CRIADO NA NOVA CONSTITUIÇÃO DE 1988); DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO: a nova constituição recebe a constituição anterior como norma infraconstitucional. OBS: NÃO EXISTE NA CF/88 REPRISTINAÇÃO: a nova constituição revigora normas constitucionais que a constituição anterior havia revogado. DICA: EXISTE A REPRISTINAÇÃO NO PLANO INFRACONSTITUCIONAL (LEI X LEI). EX: STF JULGANDO ADI DECLARA A LEI REVOGADA INCONSTITUCIONAL REVIGORANDO A LEI REVOGADA. EX: REPRISTINAÇÃO NO PRAZO INFRACONSTITUCIONAL, §3, ART 2º, DEC LEI 4.657/42. INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE: Quando a matéria for compatível, serão recepcionadas, e quando não for incompatível serão não recepcionadas (REVOGADAS). No brasil não existe a inconstitucionalidade superveniente: recepção ou não. _________________________________________________________________________ 04) Por entender que o voto é um direito, e não um dever, um terço dos membros da Câmara dos Deputados articula proposição de emenda à Constituição de 1988, no sentido de tornar facultativo a todos os cidadãos o voto nas eleições a serem realizadas no país. Sabendo que a proposta gerará polêmica, o grupo de parlamentares resolve consultar um advogado especialista na matéria. De acordo com o sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a opção que indica a orientação correta a ser dada pelo advogado. a) Não é possível sua supressão por meio de Emenda Constitucional, por que o voto obrigatório é considerado cláusula pétrea da Constituição da República, de 1988. b) Não há óbice para que venha a ser objeto de alteração por via de Emenda Constitucional, embora o voto obrigatório tenha estatura constitucional. c) Para que a proposta de Emenda Constitucional seja analisada pelo Congresso Nacional, é necessária manifestação de um terço de ambas as Casas. d) A emenda, sendo aprovada pelo Congresso Nacional, somente será promulgada após promulgada após a devida sanção presidencial. GABARITO B a) Não é possível a sua supressão por meio de Emenda Constitucional, por que o voto obrigatório é considerado cláusula pétrea da Constituição da República, de 1988. ERRADO. Aplicação do art. 60, §4º, II, CF: “Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: II - o voto direito, secreto, universal e periódico. Observe que a CF não preceitua que é obrigatório e sim “direito, secreto, universal e periódico”. b) Não há óbice para que venha a ser objeto de alteração por via de Emenda Constitucional, embora o voto obrigatório tenha estatura constitucional. CORRETO→ realmente não há óbice. O fato de ter estatura constitucional não impede um dispositivo de ser alterado ou retirado da Constituição, desde que esse mesmo dispositivo não esteja abrangido pelas cláusulas pétrea. Neste último caso, eventual propositura de PEC só será permitida para endossar a proteção desses direitos. c) Para que a proposta de Emenda Constitucional seja analisada pelo Congresso Nacional, é necessária manifestação de um terço de ambas as Casas. ERRADO. Não é necessária manifestação de ⅓ de AMBAS as Casas. Ou é no CD ou no DF, nos termos do art. 60, I, CF: “A Constituição poderá ser emendada mediante proposta> I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal.” d) A emenda, sendo aprovada pelo Congresso Nacional, somente será promulgada após a devida sanção presidencial. ERRADO. Quem promulga são as Mesas da CD e do SF, nos termos do art. 60, §3º, CF: “A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.” _________________________________________________________________________ 05) Edinaldo, estudante de Direito, realizou intensas reflexões a respeito da eficácia e da aplicabilidade do Art. 14,§4º, da Constituição da República, segundo o qual “os inalistáveis e os analfabetos são inelegíveis”. A respeito da norma obtida a partir desse comando, à luz da sistemática constitucional, assinale a afirmativa correta. a) Ela veicula programa a ser implementado pelas cidadãos, sem interferência estatal, visando à realização de fins sociais e políticos. b) Ela tem eficácia plena e aplicabilidade direta, imediata e integral, pois, desde que a CRFB/88 entrou em vigor, já está apta a produzir todos os efeitos. c) Ela apresenta contornos programáticos, dependendo sempre de regulamentação infraconstitucional para alcançar plenamente sua eficácia. d) Ela tem aplicabilidade indireta e imediata, não integral, produzindo efeitos restritos e limitados em normas infraconstitucionais quando da promulgação da Constituição da República. GABARITO B Questão que trabalhou basicamente a eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais. No caso, a questão já dava a norma (‘os inalistáveis e os analfabetos são inelegíveis”) que situa-se no capítulo dos Direitos Políticos. Então Vejamos: Eficácia Plena - São de aplicação direta e imediata e independem de uma lei que venha mediar os seus efeitos. As normas de eficácia plena também não admitem que uma lei posterior venha a restringir o seu alcance. Eficácia Contida - Assim como a plena é de aplicação direta e imediata não precisando de lei para mediar os seus efeitos, porém, poderá ver o seu alcance limitado pela superveniência de uma lei infraconstitucional, por outras normas da própria constituição estabelece ou ainda por meio de preceitos éticos-jurídico como a moral e os bons costumes. Notem, que nestas a eficácia dela é plena até que venha uma lei restringir sua aplicabilidade.Ex.: “XIII- é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”; Portanto, até a edição da lei, ela é plena; posteriormente, com a edição da lei que é prevista, o direito garantido fica restrito às exigênciasrealizadas. Eficácia Limitada - São de aplicação indireta ou mediata, pois há a necessidade da existência de uma lei para “mediar” a sua aplicação. Caso não Haja regulamentação por meio de lei, não são capazes de gerar os efeitos finalísticos (apenas os efeitos jurídicos que toda norma constitucional possui). Elas existem, mas não tem aplicação nenhuma se não houver uma lei posterior as regulamentando (Ex.:Art. 33. “ A Lei disporá sobre organização administrativa e judiciária dos territórios”). Notem que se a lei não dispor, não terá aplicação nenhuma a organização administrativa e judiciária dos territórios. Podem ser: a) Normas de princípio programático (normas-fim)- Direcionam a atuação do Estado instituindo programas de governo. b) Normas de princípio institutivo - Ordenam ao legislador a organização ou instituição de órgãos, instituições ou regulamentos. _______________ Concluindo, a alternativa que se enquadra é a letra B, pois a norma “os inalistáveis e os analfabetos são inelegíveis” não depende de lei nenhuma para ter aplicabilidade e nem de lei para a limitar/regulamentar. _________________________________________________________________________ 06) Parlamentar brasileiro, em viagem oficial, visita o Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, recebendo numerosas informações acerca do seu funcionamento e de sua área de atuação. Uma, todavia, chamou especialmente sua atenção: a referida Corte Constitucional reconhecia a possibilidade de alteração da Constituição material - ou seja, de suas normas - sem qualquer mudança no texto formal. Surpreendido com essa possibilidade, procura sua assessoria jurídica a fim de saber o Supremo Tribunal FEderal fazia uso de técnica semelhante no âmbito da ordem jurídica brasileira. A partir da hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a informação dada pela assessoria jurídica. a) Não. O Supremo Tribunal Federal somente pode reconhecer nova norma no sistema jurídico constitucional a partir de emenda à constituição produzida pelo poder constituinte derivado reformador. b) Sim. O Supremo Tribunal Federal, reconhecendo o fenômeno da mutação constitucional, pode atribuir ao texto inalterado uma nova interpretação, que expressa, assim, uma nova norma. c) Não. O surgimento de novas constitucionais somente pode ser admitido por intermédio das vias formais de alteração, todas expressamente previstas no próprio texto da Constituição. d) Sim. O sistema jurídico-constitucional brasileiro, segundo linhas interpretativas contemporâneas, admite, como, regra a interpretação da Constituição independentemente de limites semânticos concedidos pelo texto. GABARITO B Poder constituinte difuso é o poder de fato que atua na etapa da mutação constitucional, meio informal de alteração da Constituição. Cabe a ele, portanto, alterar o conteúdo, o alcance e o sentido das normas constitucionais, mas de modo informal, sem qualquer modificação na literalidade do texto da Constituição. É chamado de difuso por que não vem formalizado (positivado) no texto das Constituições. É um poder de fato por que nascido do fato social, político e econômico. É meio informal porque se manifesta por intermédio das mutações constitucionais, modificando o sentido das Constituições, mas sem nenhuma alteração do seu texto expresso. Nas precisas palavras do Professor Uadi Lammêgo Bulos, “enquanto o poder originário é a potência, que faz a Constituição, e o poder derivado, a competência, que a reformula, o poder difuso é a força invisível que a altera, mas sem mudar-lhes uma vírgula sequer”. Jurisprudência: “A legitimidade da adequação, mediante interpretação do Poder Judiciário, da própria CR, se e quando imperioso compatibilizá-la, mediante exegese atualizadora, com as novas exigências, necessidades e transformações resultantes dos processos sociais, econômicos e políticos que caracterizam, em seus múltiplos e complexos aspectos, a sociedade contemporânea. Doutrina: “A mutação constitucional por via de interpretação, por sua vez, consiste na mudança de sentido da norma, em contraste com entendimento preexistente. Como só existe norma interpretada, a mutação constitucional ocorrerá quando se estiver diante da alteração de um interpretação previamente dada. No caso da interpretação judicial, haverá mutação constitucional quando, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal vier a atribuir a determinada norma constitucional sentido diverso do que fixará anteriormente, seja pela mudança da realidade social ou por uma nova percepção do Direito”. Exemplo de mutação: ex1: “Não se estende à mãe adotiva o direito à licença, instituído em favor da empregada gestante pelo inciso XVIII do art. 7º, da Constituição Federal, ficando sujeito ao legislador ordinário o tratamento da matéria. Ex2: “ A licença maternidade prevista no art. 7º, XVIII, da Constituição abrange tanto a licença gestante quanto a licença adotante, ambas asseguradas pelo prazo mínimo de 120 dias. Interpretação sistemática da Constituição à luz da dignidade da pessoa humana, da igualdade entre filhos biológicos e adotados, da doutrina da proteção integral, do princípio da prioridade e do interesse superior de menor”. _________________________________________________________________________ 07) A Constituição de determinado país veiculou os seguintes artigos: Art. X. As normas destas Constituição poderão ser alteradas mediante processos legislativo próprio, com a aprovação da maioria qualificada de três quintos dos membros das respectivas Casas Legislativas, em dois turnos de votação, exceto as normas constitucionais que não versarem sobre a estrutura do Estado ou sobre os direitos e garantias fundamentais, que poderão ser alteradas por intermédio de lei infraconstitucional. Art. Y. A presente Constituição, concebida diretamente pelo Exmo. Sr. Presidentes da República, deverá ser submetida à consulta popular, por meio de plebiscito, visando à sua aprovação definitiva. Art. Z. A ordem econômica será fundada na livre iniciativa e na valorização do trabalho humano, devendo seguir os princípios reitores da democracia liberal e da social democracia, bem o respeito aos direitos fundamentais de primeira dimensão (direitos civis e políticos) e de segunda dimensão (direitos sociais, econômicos, culturais e trabalhistas). Com base no fragmento acima, é certo afirmar que a classificação da Constituição do referido país seria. a) semirrígida, promulgada, heterodoxa. b) flexível, outorgada, compromissória. c) rígida, bonapartistas e ortodoxa. d) semiflexível, cesaristas e compromissória. GABARITO D A Constituição é rígida quando exige um processo legislativo especial para modificação do seu texto, mais difícil do que o processo legislativo de elaboração das demais do ordenamento. A Constituição Federal de 1988 é do tipo rígida, pois um procedimento especial (votação em dois turnos, nas duas Casas do Congresso Nacional) e um quorum qualificado para aprovação de sua modificação (aprovação de, pelo menos, três quintos,dos integrantes das Casas Legislativas), nos termos do art. 60, §2º, da Carta Política. A Constituição flexível é aquela que permite sua modificação pelo mesmo processo legislativo de elaboração e alteração das demais leis do ordenamento, como ocorre na Inglaterra, em que as partes escritas de sua Constituição podem ser juridicamente alteradas pelo Parlamento com a mesma facilidade com que se altera a lei ordinária. A Constituição semirrígida (ou semiflexível) é a que exige um processo legislativo mais difícil para alteração de parte de seus dispositivos e permite a mudança de outros dispositivos por um procedimento simples, semelhantes àqueles de elaboração das demais leis do ordenamento. As Constituições outorgadas são impostas, isto é, nascem sem participação popular. Resultam de ato unilateral de uma vontade política soberana (da pessoa ou do grupo detentor do poder político), que resolve estabelecer, por meio da outorga de um texto constitucional, certas limitações ao seu próprio poder. As Constituições outorgadas são designadas por alguns doutrinadores “Cartas Constitucionais”. As Constituições democráticas (populares, votadas ou promulgadas) são produzidas com a participação popular, em regime de democracia direta (plebiscito ou referendo), ou de democracia representativa, neste caso, mediante a escolha, pelo povo, de representantes que integrarão uma “assembleia constituinte” incumbida de elaborar a Constituição. As Constituições cesaristas (bonapartidas) são unilateralmente elaboradas pelo detentor do poder, mas dependem de ratificação popular por meio de referendo. Essa participação popular não é democrática, pois cabe ao povo somente referendar a vontade do agente revolucionário, detentor do poder. Por isso, não são, propriamente, nem outorgadas, nem democráticas. QUANTO À ORIGEM: → Outorgadas (impostas,cartas constitucionais) → 1824,1937,1967 e 1969. → Populares (promulgadas, votadas, democráticas) → 1891, 1934, 1946, 1988. → Cesaristas (bonapartistas) → unilateralmente elaboradas, mas dependem de ratificação popular (referendo). → Pactuada (dualistas) → compromisso instável de duas políticas rivais. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: → Dogmáticas → dogma e ideias então imperantes → escritas. Ortodoxas (simples) → uma só ideologia. Ecléticas (compromissórias). → Históricas (costumeiras) → resultam da lenta formação histórica → maior estabilidade → não escritas. QUANTO À ESTABILIDADE: → Imutável → não permite modificações. → Rígida → processo legislativo especial para modificação de normas constitucionais (maior estabilidade) → todas, menos a de 1824 → a rigidez (pressupostos do controle de constitucionalidade das leis) deve assegurar certas estabilidade e possibilidade de atualização. → Flexível → mesmo processo legislativo para normas constitucionais e não constitucionais. → Semirrígida (ou semiflexível) → processo legislativo especial para parte da Constituição → 1824. → Super-rígida → + cláusula pétrea. Quanto a essa classificação, a cf/88 é promulgada, dogmática eclética e rígida (para alguns, super-rígida) _________________________________________________________________________ 08) O constitucionalismo brasileiro, desde 1824, foi construído a partir de vertentes teóricas que estabeleceram continuidades e clivagens históricas no que se refere à essência e à interrelação das funções estatais, tanto no plano vertical como no horizontal, bem como à proteção dos direitos fundamentais. A partir dessa constatação, assinale a afirmativa correta. a) A Constituição de 1824 adotou, de maneira rígida, a tripartição das funções estatais, que seriam repartidas entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. b) A Constituição de 1891 dispôs sobre o federalismo de cooperação um Estado Social e Democrático de Direito. c) A Constituição de 1937 considerou o Supremo Tribunal Federal o guardião da Constituição, detendo a última palavra no controle concentrado de constitucionalidade. d) A constituição de 1946 foi promulgada e reinaugurou o período democrático no Brasil, tendo contemplado um rol de direitos e garantia individuais. GABARITO D LETRA A //Errada //→ Além dos três poderes propugnados por Montesquieu - Legislativo, Executivo e Judiciário-, foi acrescentado um poder denominado Moderador, concentrado nas mãos do Imperador. LETRA B // Errada //→ Foi a Constituição de 1934, decorrente do rompimento da ordem jurídica ocasionado pela Revolução de 1930, a qual pôs fim à era dos coronéis, à denominada Primeira República, costuma ser apontada pela doutrina como a primeira a preocupar-se em enumerar direitos fundamentais sociais, ditos direitos de segunda geração ou dimensão. LETRA C // Errada //→ Foi na Constituição de 1946, que nasceu a importante Emenda constitucional nº16/65 que instituiu no Brasil o controle abstrato de constitucionalidade, sendo este um controle sobre a lei em tese, cuja competência para julgar é somente do Supremo Tribunal Federal, demonstrando com isso a prevalência de sua principal competência - o controle de constitucionalidade. LETRA D // Correta // O rol de direitos fundamentais retoma o que existia na Constituição 1934, com alguns importantes acréscimos, como o do princípio da inafastabilidade de jurisdição, e supressões relevantes, como a exclusão da pena de morte, do banimento e do confisco. Os direitos dos trabalhadores, muitos surgidos durante o Estado Novo, são constitucionalizados, com alguns acréscimo, como o do direito de greve. Trata também, pela primeira vez, dos partidos políticos, instituindo o princípio da liberdade de criação e organização partidárias. _________________________________________________________________________ 09) Muitos Estados ocidentais, a partir do processo revolucionário franco-americano do final do século XVIII, atribuíram aos juízes a função de interpretar a Constituição, daí surgindo a denominada jurisdição constitucional. A respeito do controle de constitucionalidade exercido por esse tipo de estrutura orgânica, assinale a afirmativa correta. a) A supremacia da Constituição e a hierarquia das fontes normativas destacam-se entre os pressupostos do controle de constitucionalidade. b) A denominada mutação constitucional é uma modalidade de controle de constitucionalidade realizado pela jurisdição constitucional. c) O controle concentrado de constitucionalidade consiste na análise da compatibilidade de qualquer norma infraconstitucional com a Constituição. d) O controle de constitucionalidade de qualquer decreto regulamentar deve ser realizado pela via difusa. GABARITO A LETRA A // Correta//→ A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelá-la documentos supremo, conduz a necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observarem-na, sob pena de transmudá-la, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico com harmonia com a Constituição Federal. O conflito de leis com a Constituição encontrará solução na prevalência desta, justamentepor ser a Carta Magna produto do poder constituinte originário, ela própria elevando-se à condição de obra suprema, que inicia o ordenamento jurídico, impondo-se, por isso, ao diploma inferior com ela inconciliável. LETRA V //Errada // → As denominadas mutações (ou transições) constitucionais descrevem o fenômeno que se verifica em todas as Constituições escritas, mormente nas rígidas, em decorrência do qual ocorrem contínuas, silenciosas e difusas modificações no sentido e no alcance conferidos às normas constitucionais, sem que haja modificação na letra de seu texto. Consubstanciam a chamada atualização não formal de Constituição. Em uma frase: ocorre uma mutação constitucional quando “muda o sentido da norma sem mudar o seu texto, não sendo portanto uma modalidade de controle de constitucionalidade. LETRA C //Errada//→ não são todas, tendo em vista que as editadas antes à 1988 cabem adpf LEI 9.882 → Art 1º. A arguição previstas no § 1 do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluído os anteriores à Constituição. LETRA D //Errada//→ Apenas os atos normativos primários é que podem ser objeto de controle de constitucionalidade. Assim, não é qualquer decreto regulamentar que pode ser objeto de controle de constitucionalidade na via difusa. _________________________________________________________________________ 10) Pedro, reconhecido advogado na área do direito público, é contratado para produzir sobre situação que envolve o pacto federativo entre Estados brasileiros. Ao estudar mais detidamente a questão, conclui que, para atingir seu objetivo, é necessário analisar o alcance das chamadas cláusulas pétreas. Com base na ordem constitucional brasileira vigente, assinale, dentre as opções abaixo, a única que expressa uma premissa correta sob o tema e que pode ser usada pelo referido advogado no desenvolvimento de seu parecer. a) As cláusulas pétreas podem ser invocadas para ser invocadas para sustentar a existência de normas constitucionais superiores em face de normas constitucionais inferiores, o que possibilita a existência de normas constitucionais inconstitucionais. b) Norma introduzida por emenda à constituição se integra plenamente ao texto constitucional, não podendo, portanto, ser submetida a controle de constitucionalidade, ainda que sob alegação de violação à cláusula pétrea. c) Mudanças proposta por constituinte reformador estão sujeitas ao controle de constitucionalidade, sendo que as normas ali propostas não podem afrontar cláusulas pétreas estabelicidas na Constituição da República. d) Os direitos e as garantias individuais considerados como cláusulas pétreas estão localizados exclusivamente nos dispositivos do Art. 5º, de modo que é inconstitucional atribuir essa qualidade (cláusula pétrea) a normas fundadas em outros dispositivos constitucionais. GABARITO C LETRA A //Errada//→ Não há que se falar em norma constitucional superior a outra, inexistindo essa possibilidade. LETRA B // Errada//→ Toda norma que for incorporada ao texto Constitucional passará pelo controle de constitucionalidade. LETRA C //Correta// → Poder constituinte derivado reformador )de reforma, de emenda). É o poder criado pelo poder constituinte originário para alterar, por emendas constitucionais, as normas impostas originalmente, por meio de um processo legislativo mais rigoroso. No brasil, este poder reformador é representado pelo Congresso Nacional, via emendas constitucionais, não existe participação do Presidente da República na fase constitutiva do processo legislativo de uma emenda constitucional, uma vez que o titular do poder constituinte derivado reformador é o Poder Legislativo. Assim, não haverá necessidade de sanção ou veto. A emenda constitucional aprovada pelas duas Casas do Congresso Nacional seguirá, diretamente, à fase complementar, para promulgação e publicação. LETRA D //Errada//→ Como exemplo podemos citar à existência do art. 60, §4º, da CF, que erigiu como cláusula pétrea a forma federativa, cujo contexto engloba, constitucionalmente, o “regime democrático”, tanto em relação às regras constitucionais para sua consecução, quanto às regras constitucionais para sua fiscalização, ou seja, existem sim, cláusula pétreas fora do art. 5. // Direitos e garantia fundamentais não estão arrolados exclusivamente no art. 5º da CF/88, Exemplos: Direitos Sociais ( art 6CF/88), Princípios da Anterioridade Tributária (art 150, II, “b” CF/88) etc. _________________________________________________________________________ Defesa do Estado e das Instituições Democráticas 11) Durante ato de protesto político, realizado na praça central do Município Alfa, os manifestantes, inflamados por grupos oposicionistas, começam a depredar órgãos públicos locais, bem como invadem e saqueiam estabelecimentos comerciais, situação que foge do controle das forças de segurança. Diante do quadro de evidente instabilidade social, o Presidente da República, por Decreto, institui o estado de defesa no Município alfa por prazo indeterminado, até que seja restaurada a ordem pública e a paz social. No Decreto, ainda são fixadas restrições aos direitos de reunião e ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica. Acerca do caso apresentado, assinale a afirmativa correta. a) Durante o estado de defesa, podem ser estabelecidas restrições aos direitos de reunião e ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica, mas o referido decreto não poderia estender-se por prazo indeterminado, estando em desconformidade com a ordem constitucional. b) Ao decretar a medida, o Chefe do Poder Executivo não poderia adotar medidas de restrição ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica, o que denota que o decreto é materialmente inconstitucional. c) O decreto é formalmente inconstitucional, porque o Presidente da República somente poderia decretar medidas tão drástica mediante lei previamente aprovada em ambas as casas do Congresso Nacional. d) O decreto presidencial, na forma enunciada, não apresenta qualquer vício de inconstitucionalidade, sendo assegurada, pelo texto constitucional, a possibilidade de o Presidente da República determinar, por prazo indeterminado, restrições aos referidos direitos. GABARITO A CF, art. 136,§1º O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração, especificará as áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei, as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes: I - restrições aos direitos de: a) reunião, ainda que exercida no seio das associações; b) sigilo de correspondência; c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica; [...] §2º O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez,por igual período, se persistirem as razões que justificaram a sua decretação. o ESTADO DE DEFESA é medida de exceção mais branda do que o estado de sítio e corresponde às antigas medidas de emergência, que vigoravam no regime constitucional pretérito. Como medida mais branda, não exige autorização prévia do Congresso Nacional para a sua decretação. Entretanto, a decretação do estado de defesa exige a prévia audiência do Conselho da República (CF, art 89 e 90) e do Conselho de Defesa Nacional (CF, art.91). A manifestação desses dois Conselhos é OBRIGATÓRIA, sob pena da inconstitucionalidade da decretação do estado de desa. Porém, a manifestação deles é MERAMENTE OPINATIVA, não vinculante. Significa que mesmo tais Conselhos opinando contra a decretação da medida, o Presidente da República poderá decretá-la, se assim entender conveniente. O estado de defesa não é situação de arbítrio, mas sim situação extraordinária constitucionalmente regrada. É verdade que o juízo de conveniência da decretação da medida cabe ao PResidente da República, desde que ocorra uma das situações constitucionais autorizadoras. Mas, para decretá-la e executá-la, deverá o Presidente da República observar fielmente as normas constitucionais de regência, sob pena da inconstitucionalidade da medida e da responsabilização decorrente. Exatamente por esse motivo, a decretação do estado de defesa sujeita-se a controle político e jurisdicional. Cabe ressaltar que a doutrina e jurisprudência convergem em afirmar que a fiscalização jurisdicional do estado de defesa deverá se restringir ao chamado controle de legalidade. Esse ato discricionário do Presidente da República, de natureza essencialmente política, não se sujeita à fiscalização do Poder Judiciário. _________________________________________________________________________ Processo Legislativo 12) O deputado federal Alberto propôs, no exercício de suas atribuições, projeto de lei de grande interesse para o Poder Executivo Federal. Ao perceber que o momento político é favorável à sua aprovação, a bancada do governo pede ao Presidente da República que, utilizando-se de suas prerrogativas, solicite urgência (regime de urgência constitucional) para a apreciação da matéria pelo Congresso Nacional Em dúvida, o Presidente da República recorre ao seu corpo jurídico, que, atendendo à sua solicitação, informa que, de acordo com a sistema jurídico-constitucional brasileiro, o pleito da base governista. a) é viável, pois é prerrogativa do chefe do Poder Executivo solicitar o regime de urgência constitucional em todos os projetos de lei que tramitem no Congresso Nacional. b) não pode ser atendido, pois o regime de urgência constitucional somente pode ser solicitado pelo presidente da mesa das casas do Congresso Nacional. c) viola a CRFB/88, pois o regime de urgência constitucional somente pode ser requerido pelo Presidente da República em projetos de lei de sua própria iniciativa. d) não pode ser atendido, pois, nos casos urgentes, o Presidente da República deve veicular a matéria por meio de medida provisória e não solicitar que o Legislativo aprecie a matéria em regime de urgência. GABARITO C CF, art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados. §1º O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa. §2º Se, no caso do §1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa [trancamento de pauta], com exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação. §3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior. §4º Os prazos de §2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de código. Em termos constitucionais, o PROCESSO LEGISLATIVO SUMÁRIO [ou de urgência] não apresenta uma diferenciação de procedimentos em relação ao processo ordinário, antes analisado. O que diferencia do processo legislativo ordinário é, tão somente, a existência de prazos constitucionalmente fixados para que as Casas do Congresso Nacional deliberem sobre o projeto apresentado. Observa-se que, se for solicitada urgência pelo Presidente da República, o processo legislativo deverá findar no prazo máximo de cem dias, desconsiderados os períodos de recesso do Congresso Nacional (quarenta e cinco dias na Câmara, quarenta e cinco dias no Senado Federal e mais dez dias para a Câmara dos Deputados apreciar as emendas dos senadores se houve). Desrespeitados esses prazos, ocorrerá o trancamento de pauta da Casa Legislativa, ficando sobrestadas todas as demais matérias, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado, como são exemplo as medidas provisórias. A apreciação dos atos de outorga ou renovação de concessão, permissão ou autorização para serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens obedecerá também ao regime de urgência, no prazo fixado pelo art. 64 §§2º e 4º, da Constituição Federal (art. 223, §1º). Trata-se, portanto, de mais uma hipótese de aplicação do regime de urgência, prevista diretamente no texto constitucional. Por fim, cabe ressaltar que essas são as únicas hipóteses de regime de urgência constitucional. Além delas, temos também hipóteses de urgência regimental, a partir de solicitação dos parlamentares, na ´forma prevista nos regimentos internos das Casa Legislativas. Porém enfatiza-se, as hipóteses de urgência regimental, requeridas por parlamentares, seguem regras diversas, e não têm previsão constitucional. _________________________________________________________________________ Direitos Políticos 13) Afonso, nascido em Portugal e filho de pais portugueses, mudou-se para o Brasil ao completar 25 anos, com a intenção de advogar no estado da Bahia, local onde moram seus avós paternos. Após cumprir todos os requisitos exigidos e ser regularmente inscrito nos quadros da OAB local, Afonso permanece, por 13 (treze) anos ininterruptos, laborando e residindo em Salvador. Com base na hipótese narrada, sobre os direitos e políticos e de nacionalidade de Afonso, assinale a afirmativa correta. a) Afonso somente poderá se tornar cidadão brasileiro quando completar 15 (quinze) anos ininterruptos de residência na República Federativa do Brasil, devendo, ainda, demonstrar que não sofreu qualquer condenação penal e requerer a nacionalidade brasileira. b) Uma vez comprovada sua idoneidade moral, Afonso poderá, na forma da lei, adquirir a qualidade de brasileiro naturalizado e, nessa condição. desde que preenchidos os demais pressupostos legais, candidatar-se ao cargo de prefeito da cidade de Salvador. c) Afonso poderá se naturalizarbrasileiro caso demonstre ser moralmente idôneo, mas não poderá alistar-se como eleito ou exercer quaisquer dos direito políticos elencados na Constituição da República Federativa do Brasil. d) Afonso, por originário de país de língua portuguesa, adquirirá a qualidade de brasileiro nato ao demonstrar, na forma da lei, residência ininterrupta por 1 (um) ano em solo pátrio e idoneidade moral GABARITO B CF, art. 12. são brasileiros: II - Naturalizados: a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral; §1º aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. Nessa hipótese (naturalização ordinária), é concedida a naturalização aos estrangeiros, residentes no país, que cumpram os requisitos previstos na lei brasileira de naturalização (capacidade civil de acordo com a lei brasileira; visto permanente no país, saber ler e escrever em português, exercício de profissão etc). No caso dos estrangeiros originários de países de língua portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Açores, Cabo Verde, Príncipe, Goa, Macau e Timor Leste), somente são exigidos dois requisitos presentes no art. 12, II, “a”, da CF. A principal característica da naturalização ordinária é que ela é discricionária (dependerá de avaliação de conveniência e oportunidade do Chefe do Poder Executivo). A hipótese do §1º do art. 12, da CF não se trata de concessão aos portugueses da nacionalidade brasileira (sem assim o desejarem, deverão instaurar o processo de naturalização ordinária, nos moldes do art. 12, II, “a”, da CF). Os portugueses residentes no Brasil continuam portugueses e os brasileiros que vivem em Portugal continuam com a nacionalidade brasileira. O que acontece é que, uns e outros recebem direitos que, no geral, somente poderiam ser concedidos aos nacionais de cada país. CF, art. 12, §3º São privativos de brasileiro nato os cargos: I- de presidente e Vice-Presidente da República; Art. 14, §3 São condições de elegibilidade, na forma da lei: I- a nacionalidade brasileira; Assim como a capacidade eleitoral ativa diz respeito ao diretor de votar (alistabilidade), a capacidade eleitoral passiva diz respeito ao direito de ser votado, de ser eleito (elegibilidade) No Brasil a elegibilidade não coincide com a alistabilidade (não basta ser eleitor para ser elegível; nem todo eleitor é elegível). Porém, não basta ser eleitor para ser elegível, porquanto é exigido o cumprimento de outros requisitos para a elegibilidade. Para que alguém possa concorrer a um mandato eletivo nos Poderes Executivo ou Legislativo (ser elegível), é necessário o cumprimento de alguns requisitos gerais, denominados condições de elegibilidade, e a não incidência em nenhuma das inelegibilidades, que consistem em impedimentos à capacidade eleitoral passiva, O primeiro desses requisitos é possuir nacionalidade brasileira ou condição de equiparado a português, sendo que para Presidente e Vice-Presidente exige-se a condição de brasileiro nato. _________________________________________________________________________ Direitos Políticos 14) Juliano, governador do estado X, casa-se com Mariana, deputada federal eleita pelo estado Y, a qual já possuía uma filha chamada Letícia, advinda de outro relacionamento pretérito. Na vigência do vínculo conjugal, enquanto Juliano e Mariana estão no exercício de seus mandatos, Letícia manifesta interesse em também ingressar na vida política, candidatando-se ao cargo de deputada estadual, cujas eleições estão marcadas para o mesmo ano em que completa 23 (vinte e trÊs) anos de idade. A partir das informações fornecidas e com base no texto constitucional, assinale a afirmativa correta. a) Letícia preenche a idade mínima para concorrer ao cargo de deputada estadual, mas não poderá concorrer no estado X, por expressa vedação constitucional durar o mandato de Juliano. b) Uma vez que Letícia está ligada a Juliano, seu padrasto, por laços de mera afinidade,, inexiste vedação constitucional para que concorra ao cargo de deputada estadual no estado X. c) Letícia não poderá concorrer por não ter atingido a idade mínima exigida pela Constituição como condição de elegibilidade para o exercício do mandato de deputada estadual. d) Letícia não poderá concorrer nos estados X e Y, uma vez que a Constituição dispõe sobre a inelegibilidade reflexa ou indireta para os parentes consanguíneas ou afins até o 2 ] grau nos territórios de jurisdição dos titulares de mandato eletivo. GABARITO A Sobre o parentesco por afinidade: No caso, Letícia é enteada de Juliano, sendo sua parente por afinidade em primeiro grau na linha reta. CC, art. 1.593. O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consanguinidade ou outra origem. Art. 1.594. Contam-se, na linha reta, os graus de parentesco pelo número de gerações, e, na colateral, também pelo número delas, subindo de um parentes até ao ascendentes comum, e descendo até encontrar o outro parente. Art.1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes pelo vínculo da afinidade. §1º O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro. §2º Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. PARENTESCO POR AFINIDADE Existentes entre um cônjuge ou companheiro e os parentes do outro cônjuge ou companheiro. Deve ser atentado o fato de que marido e mulher e companheiros - inclusive homoafetivos -, não são parentes entre si, havendo outro tipo de vínculo, decorrente da conjugalidade ou da convivência. Como novidade, o CC/2002 reconhece o parentesco de afinidade decorrente da união estável (art. 1.595 do CC) O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro (art. 1.595, §1º). Desse modo, há parentesco por afinidade na linha ascendente em relação ao sogro, à sogra e seus ascendentes até o infinito. Na linha reta descendente, em relação ao enteado e à enteada e assim sucessivamente até o infinito. Na linha colateral, entre cunhados. Na linha reta, até o infinito, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável, havendo um vínculo perpétuo (art. 1.595, §2º, do CC). Nessas últimas relações há impedimento matrimonial (art. 1.521, II, do CC). CF, art. 14, §3º São condições de elegibilidade, na forma da lei: c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vince-Prefeito e juiz de paz; §7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, Presidente da República, de Governador do Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituídodentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. A idade mínima deverá ser verificada tendo por referência a data da posse (e não a data do alistamento ou do registro. Lei nº 9.504/1997, art.11, §2º A idade mínima constitucionalmente estabelecida como condição de elegibilidade é verificada por referência a data da posse, salvo quando fixada em dezoito anos, hipótese em que será aferida na data-limite para o pedido de registro. A INELEGIBILIDADE consiste na ausência de capacidade eleitoral passiva, incidindo como impedimento à candidatura a mandato eletivo nos Poderes Executivo e legislativo. A própria Constituição Federal estabelece certas hipóteses de inelegibilidade (CF, art. 14, §§ 4º ao 7º). Porém, essas hipóteses de inelegibilidade constitucionalmente previstas não são exaustivas ( numerus clausus), por que a Constituição expressamente permite que lei complementar venha a estabelecer outras hipóteses de inelegibilidade (CF, art.14 §9º) A hipótese do art. 14, §7º, da CF é denominada inelegibilidade reflexa, porque incide sobre terceiros. Segundo orientação do TSE, o cônjuge, os parentes e afins são elegíveis até mesmo para o próprio cargo do titular (chefe do Executivo), quando este tiver direito à reeleição e houver renunciado até seis meses antes do pleito eleitoral. O raciocínio seguindo pela corte eleitoral é que, se ao titular do cargo seria permitido um mandato a mais, não se poderia vetar a possibilidade de os parentes concorrerem a esse mesmo cargo, em caso de renúncia do titular no tempo hábil. Em outras palavras: quem pode reeleger-se, pode ser sucedido por quem mantenha com ele vínculo parental; quem não reeleger-se, não pode por ele ser sucedido. Essa tese foi referendada pelo STF, com vistas a harmonizar o § 7º do art. 14 com novo sistema jurídico imposto pela EC 16/1997, que passou a permitir a reeleição do chefe do Executivo. Essa situação ocorreu concretamente, nas eleições para Governador do Estado do Rio de Janeiro em 2002. O então Governador (“Garotinho”) que tenha direito à reeleição, afastou-se do cargo nos seis meses anteriores ao pleito eleitoral, para assegurar a legitimidade da candidatura, para o período subsequente, de sua esposa, que veio a ser eleita Governadora do Estado (“Rosinha”). _________________________________________________________________________ Direitos Individuais 15) Antônio, líder ativista que defende a proibição do uso de quaisquer drogas, científica as autoridades sobre a realização de manifestação contra projeto de lei sobre a liberação do uso de entorpecentes. Marina, líder ativistas do movimento pela liberação do uso de toda e qualquer droga, ao tomar conhecimento de tal evento, resolve, então, sem solicitar autorização à autoridade competente, marcar, para o mesmo dia e local, manifestação favorável ao citado projeto de lei, de forma a impedir a propagação das ideias defendidas por Antônio. Nesse sentido, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a afirmativa correta. a) Marina pode dar continuidade à sua iniciativa, pois, com fundamentos no princípio do Estado Democrático está amplamente livre para expressar suas ideias. b) Marina não poderia dar continuidade à sua iniciativa, pois o direito de reunião depende de prévia autorização por parte da autoridade competente. c) Mariana não poderia dar continuidade à sua iniciativa, já que sua reunião frustraria a reunião de Antônio, anteriormente convocada para o mesmo local. d) Mariana pode dar continuidade à sua iniciativa, pois é livre o direito de reunião quando o país não se encontra em estado de sítio ou em estado defesa. GABARITO C CF, art5º, XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; Complementando: O DIREITO DE REUNIÃO é meio de manifestação coletiva da liberdade de expressão, em que pessoas se associam temporariamente tendo por objeto um interesse comum, que poderá ser, por exemplo, o mero intercâmbio de ideias, a divulgação de problema da comunidade ou a reivindicação de algumas providência. O STF considerou válidos manifestações e eventos públicos na defesa da descriminalização do uso de drogas, ou de qualquer substância entorpecente específica (“marcha da maconha”). ADPF 187/DF. Para o Tribunal Constitucional, a mera proposta de descriminalização de determinado ilícito penal não se confunde com o ato de incitação à prática do crime, nem com o de apologia de fato criminoso (CP, art. 287). Logo, a defesa, em espaços públicos, da legalização das drogas, ou de proposta de abolição de algum outro tipo penal, não significaria ilícito penal, mas, ao contrário, representa o exercício legítimo do direito à livre manifestação do pensamento, propiciada pelo exercício do direito de reunião. Ademais, vale lembrar que a própria CD, em circunstâncias excepcionais, admite expressamente a restrição e até a suspensão do direito de reunião. Assim, na hipótese de decretação de decretação do estado de defesa (CF, art. 136, §1º, I, “a”) e do estado de sítio (CF, art.139, IV) o direito de reunião, ainda que exercida no seio das associações, poderá sofrer restrições, permitindo-se, até, no caso do estado de sítio, a suspensão temporária desse importante direito constitucional. Caso ocorra lesão ou ameaça de lesão ao direito de reunião, ocasionada por algumas ilegalidade ou arbitrariedade por parte do POder Público, o remédio constitucional cabível é o MANDADO DE SEGURANÇA, e não habeas corpus (este, como se sabe, destina-se à proteção do direito de locomoção, nos termos do art. 5º, LXVIII, da CF). _________________________________________________________________________ Organização do Poder Judiciário 16) No estado em que você reside há cerca de quinze anos, cinco homens foram assinados por tiros disparados por pessoas encapuzadas. Houve uma alteração da cena do crime, sugerindo a mesma forma de atuação de outros assassinatos que vinham sendo praticados por um grupo de extermínio que contraria com a participação de policiais. Na época, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar os fatos, mas concluiu pela ausência de elementos suficientes de autoria, encaminhando os autos ao Ministério Público, que pediu o arquivamento do caso, A Justiça acolheu o pedido e alegou não haver informações sobre autoria, motivação ou envolvimento de policiais. Segundo opinião de especialista, a apuração policial do caso foi prematuramente interrompida. A Polícia Civil teria deixado de realizar diligência imprescindíveis à elucidação da autoria do episódio. Manter o arquivamento do inquérito, sem a investigação adequada, significaria ratificar a atuação institucionalmente violenta de agentes de segurança pública, e consequentemente, referendar grave violação de direitos humanos. Para a hipótesenarrada, como advogado de uma instituição de direitos humanos, assinale a opção processual prevista pela Constituição da República. a) O MPF deve ingressar com ação diretamente no Supremo Tribunal Federal para assegurar o direito de acesso à justiça. b) O advogado deve apresentar pedido de avocatória no Superior Tribunal de Justiça, a fim de que se garanta a continuidade das investigações. c) O Procurador Geral da República deve suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. d) O advogado deve ajuizar ação competente junto à Corte Interamericana de Direitos Humanos. GABARITO C CF [Seção IV - DOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E DOS JUÍZES FEDERAIS], art.109, §5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República [PGR], com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direito humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça [STF], em qualquer fase do inquérito ou processo, incidentes de deslocamento de competência [IDC] para a Justiça Federal[JF]. → federalização dos crimes; → deslocamento de competências da JE para a JF. INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA 1. Todo homicídio doloso, independentemente da condição pessoal da vítima e/ou da repercussão do fato no cenário ou internacional, representa grave violação ao maior e mais importante de todos os direitos do ser humano, que é o direito à vida, previsto no art. 4º, nº1 da convenção americana sobre Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário por força do Decreto nº 678, de 6/11/1992, razão por que não há falar em inépcia da peça inaugural. 2. Dada a amplitude e a magnitude da expressão “direitos humanos”, é verossímil que o constituinte derivado tenha optado por não definir o rol dos crimes que passariam para a competência para a competência da JF, sob pena de restringir os casos de incidência do dispositivo (CF, art.109, §5º), afastando-o de sua finalidade precípua, que é assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais firmados pelos Brasil sobre a matéria, examinando-se cada situação de fato, suas circunstâncias e peculiaridades detidamente, motivo pelo qual não há em norma de eficácia limitada. Ademais, não é próprio de texto constitucional tais definições. 3. Aparente incompatibilidade do IDC, criado pela EC nº 45/2004, com qualquer outro princípio constitucional ou com a sistemática processual em vigor deve ser resolvida aplicando-se os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. 4. Na espécie, as autoridades estaduais encontram-se empenhadas na apuração dos fatos que resultaram na morte da missionária norte americana Dorothy Stang, com o objetivo de punir os responsáveis, refletindo a intenção de o Estado do Pará dar resposta eficiente à violação do maior e mais importante dos direitos humanos, o que afasta a necessidade de deslocamento da competência originária para a Justiça Federal, de forma subsidiária, sob pena, inclusive, de dificultar o andamento do processo criminal e atrasar o seu desfecho, utilizando-se o instrumento criado pela aludida norma em desfavor de o seu fim, que é combater a impunidade dos crimes praticados com grave violação de direitos humanos. 5. O deslocamento de competência - em que a existência de crime praticado com grave violação aos direitos humanos é pressuposto de admissibilidade do pedido - deve atender ao princípio da proporcionalidade (adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito), compreendido na demonstração concreta de risco de decumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais firmados pelo Brasil, resultante de inércia, negligência, falta de vontade política ou de condições reais do Estado-membro, por suas instituições, em proceder à devida persecução penal. No caso, não há a cumulatividade de tais requisitos, a justificar que se acolha o incidente. 6. Pedido indeferido, sem prejuízo do disposto no art. 1º, inc. III, da Lei nº 10.446, de 8/5/2002 _________________________________________________________________________ 17