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Eduvaldo C. S. Júnior ACIDENTES E COMPLICAÇÕES EM EXODONTIAS PREVENÇÃO DAS COMPLICAÇÕES Assim como nas complicações médicas, o melhor e mais fácil caminho para controlar uma complicação cirúrgica é prevenir que ela ocorra. A prevenção de complicações cirúrgicas é mais bem executada através de uma minuciosa avaliação, um amplo plano de tratamento e uma cuidadosa execução do procedimento cirúrgico. Os dentistas devem realizar cirurgias que estejam dentro das limitações de suas habilidades, devendo portanto, avaliar cuidadosamente seus treinamentos e habilidades antes de decidir realizar uma cirurgia específica. O dentista deve ter em mente que recomendar um especialista é uma opção que deve ser sempre exercida se o plano cirúrgico estiver além de sua própria habilidade. Em algumas situações não é apenas uma obrigação moral, mas também uma prudente administração do risco médico legal. No planejamento de um procedimento cirúrgico, o primeiro passo é sempre a revisão completa da história médica do paciente. Um dos primeiros meios para prevenir complicações é obter imagens adequadas e avalia-las cuidadosamente. As radiografias devem incluir toda área da cirurgia, incluindo os ápices das raízes dos dentes que serão extraídos e as estruturas anatômicas locais e regionais, tais como partes adjacentes ao seio maxilar e ao canal alveolar inferior. Após exame minucioso das radiografias, o cirurgião deve, ocasionalmente, alterar o plano de tratamento para prevenir ou limitar a magnitude das complicações que podem ser esperadas em uma extração fechada. Depois de uma detalhada história médica e de as radiografias terem sido analisadas, o cirurgião deve fazer o planejamento pré-operatório, devendo incluir: detalhado plano cirúrgico e de instrumentação, procedimentos para controle da dor e ansiedade, recuperação pós-operatória e instruções ao paciente. O cirurgião após organizar todas as variáveis acima, ele deverá seguir os princípios básicos para realização da cirurgia, afim de que se evite ao máximo as complicações. Deverá sempre haver uma boa visualização, acesso amplo ao campo operatório, afastamento e observações ideais dos tecidos moles, adequada aspiração; uso adequado da força preservando ao máximo a integridade óssea. � LESÕES DOS TECIDOS MOLES Laceração do Retalho Mucoso É a lesão mais comum dos tecidos moles durante a cirurgia oral. Isso normalmente é resultado de um inadequado tamanho do retalho em envelope inicial, que é então firmemente afastado, além da capacidade do tecido em estirar, conforme a tentativa do cirurgião em obter o acesso cirúrgico necessário. A prevenção dessa complicação apresenta-se em 3 partes: (1) fazer um retalho de tamanho adequado para prevenir excesso de tensão no retalho. (2) usar controlada quantidade de força de retração sobre o retalho. (3) fazer incisões relaxantes, quando indicadas. Se uma laceração ocorre no retalho, este deve ser cuidadosamente reposicionado, uma vez terminada a cirurgia. Se for observada uma laceração inicial no retalho, a cirurgia dos tecidos duros deve ser interrompida e a incisão deverá ser estendida para que se obtenha melhor acesso e depois se continue a cirurgia dos tecidos duros. Se a laceração for excepcionalmente irregular, o cirurgião poderá considerar a excisão das margens em torno do retalho para criar uma margem regular antes do fechamento. Este último passo deverá ser realizado com cautela pois a excisão de quantidade excessiva de tecido leva ao fechamento sob tensão da ferida e a uma provável deiscência da mesma, ou pode ainda comprometer a quantidade de gengiva inserida adjacente ao dente. Feridas Perfurantes É o resultado de uma perfuração dos tecidos moles. Instrumentos como uma alavanca reta ou um descolador perióstico podem escorregar do campo cirúrgico e perfurar ou lacerar os tecidos moles adjacentes. Mais uma vez, essa lesão é o resultado do uso incontrolado da força e é mais bem prevenida pelo uso de força controlada, com atenção especial dada ao uso do apoio do dedo ou do suporte da mão contrária na antecipação ao deslizamento. Quando uma ferida perfurante acontece, o tratamento tem como objetivo, primeiramente, a prevenção de infecção e permite que a cicatrização ocorra, normalmente por segunda intensão. Se houver sangramento excessivo da ferida, este deverá ser controlado por compressão direta. Uma vez conseguida a hemostasia, a mesma normalmente é deixada aberta, sem sutura, de modo que se uma pequena infecção acontecer, exista uma via adequada de drenagem. Esgarçamento ou Abrasão Abrasões ou queimaduras dos lábios, das comissuras orais, ou dos retalhos normalmente são resultado do atrito da haste rotatória da broca nos tecidos moles, ou do afastador de metal também em contado com os tecidos moles. Quando Eduvaldo C. S. Júnior uma área da mucosa oral sofre abrasão ou queimadura, uma prática simples é a de manter a área limpa com bochechos orais regulares. Normalmente tais feridas cicatrizam em 4 ou 7 dias (dependendo da extensão do dano) sem cicatriz. Se a abrasão ocorrer na pele, o dentista deverá aconselhar o paciente a mantê-la coberta com uma pomada antibiótica. O paciente deve manter a pomada somente na área traumatizada e não espalhar pela pele intacta, pois a pomada, provavelmente causará uma irritação na pele saudável. Essas abrasões normalmente levam de 5 a 10 dias para cicatrizarem. O paciente deverá manter a área umedecida com a pomada durante todo período de cicatrização a fim de prevenir formação de crosta e retardo de cicatrização, bem como manter a área razoavelmente confortável. � COMPLICAÇÕES COM UM DENTE DURANTE SUA EXTRAÇÃO Fratura da Raiz O problema mais comum associado à extração de um dente é a fratura de suas raízes. Raízes longas, curvas e divergentes, que se encontram em osso denso são as mais prováveis de serem fraturadas. Deve-se seguir 3 passos para se prevenir uma fratura de raiz: (1) sempre se planejar para uma fratura radicular. (2) usar extração cirúrgica (ou seja, aberta) se existir alta probabilidade de fratura. (3) não usar força apical intensa em uma raiz fraturada. Deslocamento da Raiz A raiz do dente que é mais comumente deslocada para dentro dos espaços anatômicos desfavoráveis é a raiz do molar superior, quando empurrada ou perdida dentro do seio maxilar. Se a raiz fraturada do molar superior for removida com uma alavanca reta utilizada com excesso de pressão apical, a raiz do dente poderá ser deslocada para dentro do seio maxilar. Se isso ocorrer, o cirurgião deverá fazer várias avaliações para determinar o tratamento apropriado. Primeiro, ele deverá identificar o tamanho da raiz perdida dentro do seio. Deverá avaliar em seguida, se existe alguma infecção no dente ou nos tecidos periapicais. Por fim, o cirurgião deverá avaliar a condição pré-operatória do seio maxilar. Se o fragmento do dente que foi deslocado é pequeno (2 ou 3 mm) de ápice radicular e o dente e o seio não têm infecções pré-existentes, o cirurgião deverá fazer uma breve tentativa para remover a raiz. A remoção seguirá os seguintes passos: (1) radiografia da raiz dentária fraturada para documentar sua posição e tamanho. (2) irrigação através da pequena abertura no ápice do alvéolo. (3) sugar a solução irrigada do seio via alvéolo. (4) examinar a solução aspirada e confirmar, radiograficamente, se a raiz foi retirada do seio. Caso a técnica não foi bem sucedida, nenhum procedimento cirúrgico deverá ser realizado através do alvéolo e a ponta da raiz será deixada no seio, pois um pequeno fragmento não infeccioso será improvável que cause algum dano ou deixe alguma sequela importante. O paciente deverá ser informado sobre o ocorrido, recebendo instruções pós-operatórias peculiares para monitoramento regular da raiz e do seio maxilar. A comunicação oroantral (bucosinusal) deverá ser tratada com uma sutura emoito sobre o alvéolo, precauções em relação ao seio, antibióticos, e um spray nasal para diminuir a chance de infecção pela manutenção do óstio aberto. O acontecimento mais comum é que o ápice da raiz fibrose dentro da membrana do seio com nenhum problema subsequente. Se o paciente apresenta raiz infectada ou o paciente tem sinusite crônica, deverá ser encaminhado a um cirurgião oral e maxilofacial para remover o ápice da raiz via acesso de Caldwell-Luc. Dente Perdido na Faringe Ocasionalmente, a coroa do dente ou o dente inteiro pode ser perdido dentro da faringe. Se isso ocorrer, o paciente deverá estar voltado para o cirurgião e colocado na posição coma boca na direção do chão tanto quanto possível. O paciente deverá ser encorajado a tossir e cuspir o dente no chão. O aparelho de sucção pode, elgumas vezes, ser usado para ajudar a remover o dente. Apesar dessas tentativas, o pacientes algumas vezes não conseguirá tossir para expelir o dente, e acabará aspirando o dente, onde será alojado nos pulmões, ou deglutindo, atingindo o estômago. Em ambas as situações, o cirurgião deverá encaminhar o paciente a uma sala de emergência e radiografar o tórax e abdômen afim de determinar a localização especifica do dente. Se o dente estiver alojado nos pulmões, uma consulta deverá ser marcada e a possibilidade de remoção do dente será solicitada. Caso o dente seja deglutido, uma radiografia deverá ser tirada para que se confirme a presença no trato gastrointestinal. Como o dente não apresenta formas irregulares ou pontiagudas, o mesmo não apresentará problemas para ser expelido. Em 2 a 4 dias ele será retirado do organismo junto às fezes. Eduvaldo C. S. Júnior � LESÕES A DENTES ADJACENTES Fratura ou Deslocamento de uma Restauração Adjacente A lesão mais comum aos dentes adjacentes é a fratura ou deslocamento inadvertido de uma restauração ou de um dente bastante cariado enquanto o cirurgião está tentando luxar o dente que vai ser removido com uma alavanca. Se existir uma restauração grande, o cirurgião deverá prevenir o paciente pré-operatório sobre a possibilidade de fratura-la durante a extração. A prevenção de tal fratura é alcançada, principalmente, evitando-se a aplicação de instrumentação e força na restauração. Uma vez deslocada a restauração, o cirurgião deverá ter certeza que esta está fora da cavidade oral, ou ter certeza que não está dentre do alvéolo dental vazio. Uma vez terminado o procedimento cirúrgico, o dente traumatizado deverá ser tratado com a recolocação da coroa deslocada ou colocação de uma restauração temporária. O paciente deverá ser informado se a fratura de um dente ou restauração tiver ocorrido e que a recolocação da restauração será necessária. Luxação de um Dente Adjacente O uso inapropriado de instrumentos para extração pode luxar um dente adjacente. Essa luxação é evitada pelo uso criterioso da força com alavancas e fórceps. Se o dente a ser extraído está comprimido e sobreposto aos dentes adjacentes, conforme comumente é visto na região de incisivos inferiores, um fórceps fino e estreito, tal como o fórceps de nº 286, pode ser útil à extração. Os fórceps com a extremidade larga devem ser evitados porque causarão lesão e luxação dos dentes adjacentes. Se um dente adjacente é significantemente luxado ou parcialmente avulsionado, o tratamento proposto é a reposição do dente em sua posição apropriada e sua estabilização para que uma cicatrização adequada ocorra. Isso normalmente requer que o dente seja simplesmente reposicionado em seu alvéolo e deixado sem mais nada. A oclusão deverá ser checada para assegurar que o dente não tenha sido deslocado para uma supra e traumática oclusão. Ocasionalmente, o dente luxado fica móvel. Se este for o caso o dente deverá ser estabilizado com fixação semirrígida para mantê-lo em posição. Uma sutura simples com seda que atravessa a face oclusão e é suturada na gengiva adjacente normalmente é suficiente. Uma fixação rígida com fio circundando o dente e barra em arco resulta em maior chance de reabsorção externa da raiz e anquilose do dente, e por essa razão, normalmente deverá ser evitada. Extração do Dente Errado É a complicação mais comum de ações judiciais movidas por pacientes contra cirurgiões dentistas, devido a tratamentos inadequados. Esse problema pode ser o resultado de uma atenção inadequada na avaliação pré-operatória. Se o dente a ser extraído está totalmente cariado, é menos provável que o dente errado seja removido. O uso de diferentes sistemas numéricos para o dente ou a diferença na montagem das radiografias pode facilmente induzir o dentista que efetua o tratamento a interpretar mal as instruções do dentista que encaminhou. Assim, o dente errado é, às vezes, extraído quando o dentista é solicitado a remover dentes para finalidade ortodôntica, especialmente de pacientes que estão em fase de dentição mista e cujos ortodontistas têm solicitado extrações incomuns. Um planejamento pré-operatório cuidadoso, boa comunicação com os dentistas que encaminham os pacientes e avaliação clinica de qual dente será removido antes que o procedimento seja realizado são os principais métodos para prevenir essas complicações. Se o dente errado é extraído e o cirurgião percebe imediatamente esse erro, o dente deverá ser recolocado rapidamente em seu alvéolo. Caso a extração tenha finalidade ortodôntica, o cirurgião deverá contactar imediatamente o ortodontista e discutir se o dente que for removido pode substituir o dente que deveria ter sido removido, a extração correta devera ser adiada para 4 ou 5 semanas até o destino do dente reimplantado poder ser reavalidado. Se o dente extraído erroneamente tem recuperada sua fixação ao processo alveolar, então a extração originalmente planejada poderá ser realizada. Contudo, o cirurgião não deverá extrair o dente contralateral até que uma alternativa definitiva do plano de tratamento seja feita. � COMUNICAÇÕES OROANTRAIS A remoção dos molares superiores, ocasionalmente, resulta na comunicação entre a cavidade oral e o seio maxilar. Se o seio maxilar é muito pneumatizado, se pouco ou nenhum osso existe entre as raízes dos dentes e o seio maxilar, e se as raízes do dente são amplamente divergentes, é comum que uma porção do assoalho ósseo do seio seja removida com o dente ou que uma comunicação seja criada até mesmo se nenhum osso sair com o dente. Se esse problema ocorrer, medidas apropriadas serão necessárias para prevenir uma variedade de sequelas. As duas sequelas de maior interesse são Eduvaldo C. S. Júnior sinusite maxilar pós-operatória e formação de fístula oroantral crônica. A probabilidade de cada uma dessas duas sequelas ocorrerem é relacionada com o tamanho da comunicação oroantral e com o tratamento da exposição. A prevenção dessa comunicação é fácil e eficiente, seguindo os seguintes passos: (1) radiografias pré-operatórias para avaliar cuidadosamente a relação dente-seio sempre que molares superiores estiverem para ser extraídos. (2) se o assoalho do seio parecer próximo às raízes do dente e estas estiverem amplamente divergentes, o cirurgião deverá evitar a extração fechada. (3) realizar remoção cirúrgica com secção das raízes dentárias. (4) avaliação quanto ao uso de força excessiva para remoção desses molares superiores. O diagnóstico da comunicação oroantral pode ser feito de várias formas: (1) examinar o dente removido, averiguando se há presença de parte óssea aderida ao final da raiz do dente. (2) caso a resposta seja afirmativa, supor que possa haver comunicação oroantral. (4) realizar a Manobra de Valssalva para confirmar se há comunicação. Após o diagnóstico da comunicação oroantral ter sido estabelecido ou caso exista suspeita de sua existência, o cirurgião deverá estimar, aproximadamente, o tamanho da comunicação porque o tratamento depende do tamanho da abertura.A sondagem de uma abertura pequena pode aumenta-la, então, se nenhum osso veio com o dente, é provável que a comunicação tenha 2 mm ou menos de diâmetro. Porém, se um pedaço de osso relativamente grande veio com o dente, o tamanho da abertura é mensurável. Se a comunicação for pequena (2 mm ou menos), nenhum tratamento cirúrgico adicional será necessário. O cirurgião deverá tomar medidas para assegurar a formação de um coágulo de sangue de boa qualidade no alvéolo e, então, aconselhar o paciente a ter precaução com o seio maxilar, a fim de prevenir deslocamento do coágulo. Se a abertura entre a boca e o seio é de tamanho moderado (2 a 6 mm), medidas adicionais deverão ser tomadas. Para ajudar a assegurar a permanência do coágulo de sangue na área, uma sutura em forma de oito figurado deverá ser feita sobre o alvéolo dental. Alguns cirurgiões colocam uma substância promotora de coágulo, tal como uma esponja gelatinosa (Gelfoam), dentro do alvéolo antes da sutura. O paciente deve ser informado a seguir sobre os cuidados com o seio. Finalmente, deverão ser prescritas ao paciente várias medicações para ajudar a diminuir a possibilidade de ocorrer sinusite maxilar. Os antibióticos – normalmente amoxicilina, cefalexina ou clindamicina – deverão ser prescritos por 5 dias. Além disso, um spray descongestionante nasal deverá ser prescrito para retrair a mucosa nasal e manter o óstio desobstruído. Se a abertura entre a boca e o seio for grande (7 mm ou maior), o cirurgião deverá considerar o reparo da comunicação através da confecção de um retalho. Isso normalmente requer que o paciente seja encaminhado a um cirurgião oral e maxilofacial porque a realização do retalho e o fechamento da abertura do seio são procedimentos complexos que necessitam de habilidade especial e experiência. O retalho mais comumente utilizado para pequenas aberturas é o vestibular. Essa técnica mobiliza tecido mele vestibular para recobrir a abertura e promover um fechamento primário. Essa técnica deverá ser realizada tão logo possível, de preferência no mesmo dia que ocorrer a abertura. As mesmas precauções com o seio e medicações normalmente são exigidas. As recomendações já descritas são confirmadas para pacientes que não têm nenhuma doença sinusal pré-existente. Se a comunicação ocorrer, é importante que o dentista pergunte, especificamente, sobre histórico de sinusite ou infecção do seio nasal. Se o paciente possui histórico de doença sinusal crônica, até uma pequena comunicação oroantral pode cicatrizar de modo deficiente e resultar em uma comunicação oroantral crônica e eventual. Por isso, a criação de uma comunicação oroantral em pacientes com sinusite crônica é motivo para encaminhar a um cirurgião oral e maxilofacial para tratar de forma definitiva. Os pacientes deverão ser acompanhados por várias semanas para confirmar se ocorreu a cicatrização. Até mesmo os pacientes que retornam em poucos dias com uma pequena comunicação normalmente cicatrizam espontaneamente se não existir nenhuma sinusite. Deve-se solicitar ao paciente evitar assoar o nariz, espirrar violentamente, sugar com canudos, fumar. Pacientes fumantes devem ser aconselhados a fumar em tragadas pequenas e suaves, não inalando a fumaça profundamente, evitando assim que haja deslocamento do coágulo. � CICATRIZAÇÃO RETARDADA E INFECÇÃO Infecção A causa mais comum de uma cicatrização retardada de feridas é a infecção. As infecções são complicações um pouco raras após a rotina de extração dentária e são principalmente vistas após cirurgias orais que envolvem realização de retalhos de tecido mole e remoção de osso. Uma cuidadosa assepsia e completo debridamento da ferida após a cirurgia podem ser a melhor prevenção a retalho após procedimentos cirúrgicos. Isso quer dizer que uma área de osso removida abaixo do retalho deve ser copiosamente irrigada com soro sob pressão e que todos os fragmentos externos visíveis devem ser removidos com uma cureta. Alguns pacientes são predispostos à infecção de feridas pós-operatórias e deverão ser dados antibióticos pré-operatioriamente para profilaxia. Eduvaldo C. S. Júnior Deiscência de Feridas Outro problema de cicatrização retardada é a deiscência das feridas (separação das margens da ferida). Se um retalho de tecido mole é recolocado e suturado sem um adequado osso de sustentação, esse retalho não suportado frequentemente será separado ao longo da linha de incisão. Um segundo caso de deiscência é a sutura de ferida sob pressão. Isso ocorre quando o cirurgião precisa tracionar as margens da ferida com as suturas. O fechamento estará sob pressão se a sutura for a única força mantendo as margens aproximadas. Se as margens da ferida se abrem caso a sutura seja removida logo após ser colocada, o fechamento da ferida está sob pressão. Se o retalho de tecido mole é suturado sob pressão, as suturas causam isquemia da margem do retalho com subsequente necrose tecidual, o que possibilita que a sutura solte da margem do retalho, resultando em deiscência da ferida. Por isso as suturas deverão ser sempre colocadas sem tensão nos tecidos e prendidas frouxas o suficiente para prevenir a isquemia tecidual. Uma região comum de exposição de osso após a extração dentária é a linha obliqua externa. Após a extração do primeiro e do segundo molares, durante a cicatrização inicial, o retalho lingual torna-se estirado sobre a linha obliqua (milo- hióidea) interna. Ocasionalmente o osso perfura completamente a fina mucosa, causando uma projeção pontiaguda de osso na área. As duas principais opções de tratamento são: (1) deixar a projeção ou (2) regulariza-la com lima para osso. Se a área é deixada cicatrizar sem tratamento, a exposição do osso desaparecerá em 2 a 4 semanas. Se a irritação da ponta óssea for pequena, esse método deverá ser escolhido. Se uma lima de osso é usada, nenhum retalho deverá ser levantado porque resultara num aumento da quantidade de osso exposto. A lima é usada somente para regularizar as projeções irregulares do osso. Esse procedimento normalmente requer anestesia local. Alvéolo Seco É um retardo de cicatrização, porém não associado a uma infecção. Essa complicação causa dor moderada a intensa, mas sem os usuais sinais de infecção, como febre, edema e eritema. O termo alvéolo seco descreve a aparência do alvéolo quando a dor começa. A dor se desenvolve no terceiro ou quarto dia após a remoção do dente. Quase todos os alvéolos secos aparecem após a remoção dos molares inferiores. Durante o exame o alvéolo dental parece estar vazio, com um coágulo de sangue parcial ou completamente perdido, e algumas superfícies ósseas do alvéolo estão expostas. O osso exposto é sensível e é a causa da dor. A dor indefinida e contínua é moderada a intensa, normalmente lateja e quase sempre irradia para a orelha do paciente. A área do alvéolo tem um odor ruim e o paciente normalmente reclama de um gosto desagradável. A causa não é absolutamente clara, mas parece resultar de altos níveis de atividade fibrinolítica dentro e ao redor do alvéolo do dente extraído. Essa atividade fibrinolítica resulta na lise do coágulo de sangue e da subsequente exposição do osso. Ela pode resultar de infecções subclínicas, inflamação do espaço medular do osso ou outros fatores. A ocorrência de alvéolo seco após uma rotina de extração dentária é rara (2% das extrações), mas é frequente após remoção de terceiros molares impactados (20% das extrações em algumas séries). A prevenção da síndrome do alvéolo seco requer que o cirurgião minimize o trauma e a contaminação bacteriana no local da cirurgia. O cirurgião deverá realizar cirurgias atraumáticas com incisões regulares e rebatimento de tecido mole. Após o procedimento cirúrgico, a ferida deverá ser completamente irrigada com grandes quantidades de soro aplicadas sob pressão, tal como de uma seringa plástica. Pequenas quantidadesde antibióticos podem ser aplicadas sozinhas ou numa esponja de gelatina, têm mostrado ajudar substancialmente na diminuição da incidência de alvéolos secos. O tratamento é direto e consiste na irrigação e colocação de um curativo medicamentoso. Primeiro, o alvéolo dental é cuidadosamente irrigado com soro estéril. O alvéolo não deverá ser curetado para desnudar o osso, pois isso aumenta a quantidade de osso exposto e a dor. O alvéolo é aspirado de todo excesso de soro, e uma pequena tira de gaze iodoformada embebida com a medicação é inserida no alvéolo. A medicação contém os seguintes ingredientes: eugenol (alívio da dor do tecido ósseo), anestésico tópico como a benzocaína, um veiculo carreador (bálsamo do Peru). A gaze medicamentosa é levemente colocada dentro do alvéolo e o paciente normalmente sente profundo alívio da dor em 5 minutos. O curativo é trocado diariamente pelos próximos 3 a 6 dias, dependendo da intensidade da dor. O alvéolo é sutilmente irrigado com soro a cada troca de curativo. Uma vez que a dor do paciente diminui, o curativo não deverá ser recolocado, pois ele age como um corpo estranho e prolonga ainda mais a cicatrização da ferida. Referência Bibliográfica: HUPP James R., ELLIS E. & TUCKER M. R – Cirurgia Oral e Maxilofacial Contemporânea, 5ª Edição, Editora Elsevier, Capítulo 11, pág. 185