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Eduvaldo C. S. Júnior 
 
ACIDENTES E COMPLICAÇÕES EM EXODONTIAS 
 PREVENÇÃO DAS COMPLICAÇÕES 
 
 Assim como nas complicações médicas, o melhor e mais fácil caminho para controlar uma complicação cirúrgica é 
prevenir que ela ocorra. A prevenção de complicações cirúrgicas é mais bem executada através de uma minuciosa avaliação, 
um amplo plano de tratamento e uma cuidadosa execução do procedimento cirúrgico. Os dentistas devem realizar cirurgias 
que estejam dentro das limitações de suas habilidades, devendo portanto, avaliar cuidadosamente seus treinamentos e 
habilidades antes de decidir realizar uma cirurgia específica. O dentista deve ter em mente que recomendar um especialista 
é uma opção que deve ser sempre exercida se o plano cirúrgico estiver além de sua própria habilidade. Em algumas situações 
não é apenas uma obrigação moral, mas também uma prudente administração do risco médico legal. 
 No planejamento de um procedimento cirúrgico, o primeiro passo é sempre a revisão completa da história médica 
do paciente. Um dos primeiros meios para prevenir complicações é obter imagens adequadas e avalia-las cuidadosamente. 
As radiografias devem incluir toda área da cirurgia, incluindo os ápices das raízes dos dentes que serão extraídos e as 
estruturas anatômicas locais e regionais, tais como partes adjacentes ao seio maxilar e ao canal alveolar inferior. Após exame 
minucioso das radiografias, o cirurgião deve, ocasionalmente, alterar o plano de tratamento para prevenir ou limitar a 
magnitude das complicações que podem ser esperadas em uma extração fechada. Depois de uma detalhada história médica 
e de as radiografias terem sido analisadas, o cirurgião deve fazer o planejamento pré-operatório, devendo incluir: detalhado 
plano cirúrgico e de instrumentação, procedimentos para controle da dor e ansiedade, recuperação pós-operatória e 
instruções ao paciente. O cirurgião após organizar todas as variáveis acima, ele deverá seguir os princípios básicos para 
realização da cirurgia, afim de que se evite ao máximo as complicações. Deverá sempre haver uma boa visualização, acesso 
amplo ao campo operatório, afastamento e observações ideais dos tecidos moles, adequada aspiração; uso adequado da 
força preservando ao máximo a integridade óssea. 
 
� LESÕES DOS TECIDOS MOLES 
Laceração do Retalho Mucoso 
 É a lesão mais comum dos tecidos moles durante a cirurgia oral. Isso normalmente é resultado de um inadequado 
tamanho do retalho em envelope inicial, que é então firmemente afastado, além da capacidade do tecido em estirar, 
conforme a tentativa do cirurgião em obter o acesso cirúrgico necessário. A prevenção dessa complicação apresenta-se em 3 
partes: (1) fazer um retalho de tamanho adequado para prevenir excesso de tensão no retalho. (2) usar controlada 
quantidade de força de retração sobre o retalho. (3) fazer incisões relaxantes, quando indicadas. Se uma laceração ocorre no 
retalho, este deve ser cuidadosamente reposicionado, uma vez terminada a cirurgia. Se for observada uma laceração inicial 
no retalho, a cirurgia dos tecidos duros deve ser interrompida e a incisão deverá ser estendida para que se obtenha melhor 
acesso e depois se continue a cirurgia dos tecidos duros. Se a laceração for excepcionalmente irregular, o cirurgião poderá 
considerar a excisão das margens em torno do retalho para criar uma margem regular antes do fechamento. Este último 
passo deverá ser realizado com cautela pois a excisão de quantidade excessiva de tecido leva ao fechamento sob tensão da 
ferida e a uma provável deiscência da mesma, ou pode ainda comprometer a quantidade de gengiva inserida adjacente ao 
dente. 
 
Feridas Perfurantes 
 É o resultado de uma perfuração dos tecidos moles. Instrumentos como uma alavanca reta ou um descolador 
perióstico podem escorregar do campo cirúrgico e perfurar ou lacerar os tecidos moles adjacentes. 
 Mais uma vez, essa lesão é o resultado do uso incontrolado da força e é mais bem prevenida pelo uso de força 
controlada, com atenção especial dada ao uso do apoio do dedo ou do suporte da mão contrária na antecipação ao 
deslizamento. Quando uma ferida perfurante acontece, o tratamento tem como objetivo, primeiramente, a prevenção de 
infecção e permite que a cicatrização ocorra, normalmente por segunda intensão. Se houver sangramento excessivo da 
ferida, este deverá ser controlado por compressão direta. Uma vez conseguida a hemostasia, a mesma normalmente é 
deixada aberta, sem sutura, de modo que se uma pequena infecção acontecer, exista uma via adequada de drenagem. 
 
Esgarçamento ou Abrasão 
 Abrasões ou queimaduras dos lábios, das comissuras orais, ou dos retalhos normalmente são resultado do atrito da 
haste rotatória da broca nos tecidos moles, ou do afastador de metal também em contado com os tecidos moles. Quando 
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uma área da mucosa oral sofre abrasão ou queimadura, uma prática simples é a de manter a área limpa com bochechos 
orais regulares. Normalmente tais feridas cicatrizam em 4 ou 7 dias (dependendo da extensão do dano) sem cicatriz. Se a 
abrasão ocorrer na pele, o dentista deverá aconselhar o paciente a mantê-la coberta com uma pomada antibiótica. O 
paciente deve manter a pomada somente na área traumatizada e não espalhar pela pele intacta, pois a pomada, 
provavelmente causará uma irritação na pele saudável. Essas abrasões normalmente levam de 5 a 10 dias para cicatrizarem. 
O paciente deverá manter a área umedecida com a pomada durante todo período de cicatrização a fim de prevenir formação 
de crosta e retardo de cicatrização, bem como manter a área razoavelmente confortável. 
 
� COMPLICAÇÕES COM UM DENTE DURANTE SUA EXTRAÇÃO 
Fratura da Raiz 
 O problema mais comum associado à extração de um dente é a fratura de suas raízes. Raízes longas, curvas e 
divergentes, que se encontram em osso denso são as mais prováveis de serem fraturadas. Deve-se seguir 3 passos para se 
prevenir uma fratura de raiz: (1) sempre se planejar para uma fratura radicular. (2) usar extração cirúrgica (ou seja, aberta) 
se existir alta probabilidade de fratura. (3) não usar força apical intensa em uma raiz fraturada. 
 
Deslocamento da Raiz 
 A raiz do dente que é mais comumente deslocada para dentro dos espaços anatômicos desfavoráveis é a raiz do 
molar superior, quando empurrada ou perdida dentro do seio maxilar. Se a raiz fraturada do molar superior for removida 
com uma alavanca reta utilizada com excesso de pressão apical, a raiz do dente poderá ser deslocada para dentro do seio 
maxilar. Se isso ocorrer, o cirurgião deverá fazer várias avaliações para determinar o tratamento apropriado. Primeiro, ele 
deverá identificar o tamanho da raiz perdida dentro do seio. Deverá avaliar em seguida, se existe alguma infecção no dente 
ou nos tecidos periapicais. Por fim, o cirurgião deverá avaliar a condição pré-operatória do seio maxilar. 
 Se o fragmento do dente que foi deslocado é pequeno (2 ou 3 mm) de ápice radicular e o dente e o seio não têm 
infecções pré-existentes, o cirurgião deverá fazer uma breve tentativa para remover a raiz. A remoção seguirá os seguintes 
passos: (1) radiografia da raiz dentária fraturada para documentar sua posição e tamanho. (2) irrigação através da pequena 
abertura no ápice do alvéolo. (3) sugar a solução irrigada do seio via alvéolo. (4) examinar a solução aspirada e confirmar, 
radiograficamente, se a raiz foi retirada do seio. Caso a técnica não foi bem sucedida, nenhum procedimento cirúrgico 
deverá ser realizado através do alvéolo e a ponta da raiz será deixada no seio, pois um pequeno fragmento não infeccioso 
será improvável que cause algum dano ou deixe alguma sequela importante. O paciente deverá ser informado sobre o 
ocorrido, recebendo instruções pós-operatórias peculiares para monitoramento regular da raiz e do seio maxilar. 
 A comunicação oroantral (bucosinusal) deverá ser tratada com uma sutura emoito sobre o alvéolo, precauções em 
relação ao seio, antibióticos, e um spray nasal para diminuir a chance de infecção pela manutenção do óstio aberto. O 
acontecimento mais comum é que o ápice da raiz fibrose dentro da membrana do seio com nenhum problema subsequente. 
Se o paciente apresenta raiz infectada ou o paciente tem sinusite crônica, deverá ser encaminhado a um cirurgião oral e 
maxilofacial para remover o ápice da raiz via acesso de Caldwell-Luc. 
 
Dente Perdido na Faringe 
 Ocasionalmente, a coroa do dente ou o dente inteiro pode ser perdido dentro da faringe. Se isso ocorrer, o paciente 
deverá estar voltado para o cirurgião e colocado na posição coma boca na direção do chão tanto quanto possível. O paciente 
deverá ser encorajado a tossir e cuspir o dente no chão. O aparelho de sucção pode, elgumas vezes, ser usado para ajudar a 
remover o dente. 
 Apesar dessas tentativas, o pacientes algumas vezes não conseguirá tossir para expelir o dente, e acabará aspirando 
o dente, onde será alojado nos pulmões, ou deglutindo, atingindo o estômago. Em ambas as situações, o cirurgião deverá 
encaminhar o paciente a uma sala de emergência e radiografar o tórax e abdômen afim de determinar a localização 
especifica do dente. Se o dente estiver alojado nos pulmões, uma consulta deverá ser marcada e a possibilidade de remoção 
do dente será solicitada. Caso o dente seja deglutido, uma radiografia deverá ser tirada para que se confirme a presença no 
trato gastrointestinal. Como o dente não apresenta formas irregulares ou pontiagudas, o mesmo não apresentará problemas 
para ser expelido. Em 2 a 4 dias ele será retirado do organismo junto às fezes. 
 
 
 
Eduvaldo C. S. Júnior 
 
� LESÕES A DENTES ADJACENTES 
Fratura ou Deslocamento de uma Restauração Adjacente 
 A lesão mais comum aos dentes adjacentes é a fratura ou deslocamento inadvertido de uma restauração ou de um 
dente bastante cariado enquanto o cirurgião está tentando luxar o dente que vai ser removido com uma alavanca. Se existir 
uma restauração grande, o cirurgião deverá prevenir o paciente pré-operatório sobre a possibilidade de fratura-la durante a 
extração. A prevenção de tal fratura é alcançada, principalmente, evitando-se a aplicação de instrumentação e força na 
restauração. Uma vez deslocada a restauração, o cirurgião deverá ter certeza que esta está fora da cavidade oral, ou ter 
certeza que não está dentre do alvéolo dental vazio. Uma vez terminado o procedimento cirúrgico, o dente traumatizado 
deverá ser tratado com a recolocação da coroa deslocada ou colocação de uma restauração temporária. O paciente deverá 
ser informado se a fratura de um dente ou restauração tiver ocorrido e que a recolocação da restauração será necessária. 
 
Luxação de um Dente Adjacente 
 O uso inapropriado de instrumentos para extração pode luxar um dente adjacente. Essa luxação é evitada pelo uso 
criterioso da força com alavancas e fórceps. Se o dente a ser extraído está comprimido e sobreposto aos dentes adjacentes, 
conforme comumente é visto na região de incisivos inferiores, um fórceps fino e estreito, tal como o fórceps de nº 286, pode 
ser útil à extração. Os fórceps com a extremidade larga devem ser evitados porque causarão lesão e luxação dos dentes 
adjacentes. 
 Se um dente adjacente é significantemente luxado ou parcialmente avulsionado, o tratamento proposto é a 
reposição do dente em sua posição apropriada e sua estabilização para que uma cicatrização adequada ocorra. Isso 
normalmente requer que o dente seja simplesmente reposicionado em seu alvéolo e deixado sem mais nada. A oclusão 
deverá ser checada para assegurar que o dente não tenha sido deslocado para uma supra e traumática oclusão. 
Ocasionalmente, o dente luxado fica móvel. Se este for o caso o dente deverá ser estabilizado com fixação semirrígida para 
mantê-lo em posição. Uma sutura simples com seda que atravessa a face oclusão e é suturada na gengiva adjacente 
normalmente é suficiente. Uma fixação rígida com fio circundando o dente e barra em arco resulta em maior chance de 
reabsorção externa da raiz e anquilose do dente, e por essa razão, normalmente deverá ser evitada. 
 
Extração do Dente Errado 
 É a complicação mais comum de ações judiciais movidas por pacientes contra cirurgiões dentistas, devido a 
tratamentos inadequados. Esse problema pode ser o resultado de uma atenção inadequada na avaliação pré-operatória. Se 
o dente a ser extraído está totalmente cariado, é menos provável que o dente errado seja removido. O uso de diferentes 
sistemas numéricos para o dente ou a diferença na montagem das radiografias pode facilmente induzir o dentista que efetua 
o tratamento a interpretar mal as instruções do dentista que encaminhou. Assim, o dente errado é, às vezes, extraído 
quando o dentista é solicitado a remover dentes para finalidade ortodôntica, especialmente de pacientes que estão em fase 
de dentição mista e cujos ortodontistas têm solicitado extrações incomuns. Um planejamento pré-operatório cuidadoso, boa 
comunicação com os dentistas que encaminham os pacientes e avaliação clinica de qual dente será removido antes que o 
procedimento seja realizado são os principais métodos para prevenir essas complicações. 
 Se o dente errado é extraído e o cirurgião percebe imediatamente esse erro, o dente deverá ser recolocado 
rapidamente em seu alvéolo. Caso a extração tenha finalidade ortodôntica, o cirurgião deverá contactar imediatamente o 
ortodontista e discutir se o dente que for removido pode substituir o dente que deveria ter sido removido, a extração 
correta devera ser adiada para 4 ou 5 semanas até o destino do dente reimplantado poder ser reavalidado. Se o dente 
extraído erroneamente tem recuperada sua fixação ao processo alveolar, então a extração originalmente planejada poderá 
ser realizada. Contudo, o cirurgião não deverá extrair o dente contralateral até que uma alternativa definitiva do plano de 
tratamento seja feita. 
 
� COMUNICAÇÕES OROANTRAIS 
A remoção dos molares superiores, ocasionalmente, resulta na comunicação entre a cavidade oral e o seio maxilar. 
Se o seio maxilar é muito pneumatizado, se pouco ou nenhum osso existe entre as raízes dos dentes e o seio maxilar, e se as 
raízes do dente são amplamente divergentes, é comum que uma porção do assoalho ósseo do seio seja removida com o 
dente ou que uma comunicação seja criada até mesmo se nenhum osso sair com o dente. Se esse problema ocorrer, 
medidas apropriadas serão necessárias para prevenir uma variedade de sequelas. As duas sequelas de maior interesse são 
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sinusite maxilar pós-operatória e formação de fístula oroantral crônica. A probabilidade de cada uma dessas duas sequelas 
ocorrerem é relacionada com o tamanho da comunicação oroantral e com o tratamento da exposição. 
A prevenção dessa comunicação é fácil e eficiente, seguindo os seguintes passos: (1) radiografias pré-operatórias 
para avaliar cuidadosamente a relação dente-seio sempre que molares superiores estiverem para ser extraídos. (2) se o 
assoalho do seio parecer próximo às raízes do dente e estas estiverem amplamente divergentes, o cirurgião deverá evitar a 
extração fechada. (3) realizar remoção cirúrgica com secção das raízes dentárias. (4) avaliação quanto ao uso de força 
excessiva para remoção desses molares superiores. 
O diagnóstico da comunicação oroantral pode ser feito de várias formas: (1) examinar o dente removido, 
averiguando se há presença de parte óssea aderida ao final da raiz do dente. (2) caso a resposta seja afirmativa, supor que 
possa haver comunicação oroantral. (4) realizar a Manobra de Valssalva para confirmar se há comunicação. Após o 
diagnóstico da comunicação oroantral ter sido estabelecido ou caso exista suspeita de sua existência, o cirurgião deverá 
estimar, aproximadamente, o tamanho da comunicação porque o tratamento depende do tamanho da abertura.A 
sondagem de uma abertura pequena pode aumenta-la, então, se nenhum osso veio com o dente, é provável que a 
comunicação tenha 2 mm ou menos de diâmetro. Porém, se um pedaço de osso relativamente grande veio com o dente, o 
tamanho da abertura é mensurável. Se a comunicação for pequena (2 mm ou menos), nenhum tratamento cirúrgico 
adicional será necessário. O cirurgião deverá tomar medidas para assegurar a formação de um coágulo de sangue de boa 
qualidade no alvéolo e, então, aconselhar o paciente a ter precaução com o seio maxilar, a fim de prevenir deslocamento do 
coágulo. 
Se a abertura entre a boca e o seio é de tamanho moderado (2 a 6 mm), medidas adicionais deverão ser tomadas. 
Para ajudar a assegurar a permanência do coágulo de sangue na área, uma sutura em forma de oito figurado deverá ser feita 
sobre o alvéolo dental. Alguns cirurgiões colocam uma substância promotora de coágulo, tal como uma esponja gelatinosa 
(Gelfoam), dentro do alvéolo antes da sutura. O paciente deve ser informado a seguir sobre os cuidados com o seio. 
Finalmente, deverão ser prescritas ao paciente várias medicações para ajudar a diminuir a possibilidade de ocorrer sinusite 
maxilar. Os antibióticos – normalmente amoxicilina, cefalexina ou clindamicina – deverão ser prescritos por 5 dias. Além 
disso, um spray descongestionante nasal deverá ser prescrito para retrair a mucosa nasal e manter o óstio desobstruído. 
Se a abertura entre a boca e o seio for grande (7 mm ou maior), o cirurgião deverá considerar o reparo da 
comunicação através da confecção de um retalho. Isso normalmente requer que o paciente seja encaminhado a um cirurgião 
oral e maxilofacial porque a realização do retalho e o fechamento da abertura do seio são procedimentos complexos que 
necessitam de habilidade especial e experiência. O retalho mais comumente utilizado para pequenas aberturas é o 
vestibular. Essa técnica mobiliza tecido mele vestibular para recobrir a abertura e promover um fechamento primário. Essa 
técnica deverá ser realizada tão logo possível, de preferência no mesmo dia que ocorrer a abertura. As mesmas precauções 
com o seio e medicações normalmente são exigidas. 
As recomendações já descritas são confirmadas para pacientes que não têm nenhuma doença sinusal pré-existente. 
Se a comunicação ocorrer, é importante que o dentista pergunte, especificamente, sobre histórico de sinusite ou infecção do 
seio nasal. Se o paciente possui histórico de doença sinusal crônica, até uma pequena comunicação oroantral pode cicatrizar 
de modo deficiente e resultar em uma comunicação oroantral crônica e eventual. Por isso, a criação de uma comunicação 
oroantral em pacientes com sinusite crônica é motivo para encaminhar a um cirurgião oral e maxilofacial para tratar de 
forma definitiva. Os pacientes deverão ser acompanhados por várias semanas para confirmar se ocorreu a cicatrização. Até 
mesmo os pacientes que retornam em poucos dias com uma pequena comunicação normalmente cicatrizam 
espontaneamente se não existir nenhuma sinusite. Deve-se solicitar ao paciente evitar assoar o nariz, espirrar 
violentamente, sugar com canudos, fumar. Pacientes fumantes devem ser aconselhados a fumar em tragadas pequenas e 
suaves, não inalando a fumaça profundamente, evitando assim que haja deslocamento do coágulo. 
 
� CICATRIZAÇÃO RETARDADA E INFECÇÃO 
Infecção 
 A causa mais comum de uma cicatrização retardada de feridas é a infecção. As infecções são complicações um pouco 
raras após a rotina de extração dentária e são principalmente vistas após cirurgias orais que envolvem realização de retalhos 
de tecido mole e remoção de osso. Uma cuidadosa assepsia e completo debridamento da ferida após a cirurgia podem ser a 
melhor prevenção a retalho após procedimentos cirúrgicos. Isso quer dizer que uma área de osso removida abaixo do 
retalho deve ser copiosamente irrigada com soro sob pressão e que todos os fragmentos externos visíveis devem ser 
removidos com uma cureta. Alguns pacientes são predispostos à infecção de feridas pós-operatórias e deverão ser dados 
antibióticos pré-operatioriamente para profilaxia. 
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Deiscência de Feridas 
 Outro problema de cicatrização retardada é a deiscência das feridas (separação das margens da ferida). Se um 
retalho de tecido mole é recolocado e suturado sem um adequado osso de sustentação, esse retalho não suportado 
frequentemente será separado ao longo da linha de incisão. Um segundo caso de deiscência é a sutura de ferida sob pressão. 
Isso ocorre quando o cirurgião precisa tracionar as margens da ferida com as suturas. O fechamento estará sob pressão se a 
sutura for a única força mantendo as margens aproximadas. Se as margens da ferida se abrem caso a sutura seja removida 
logo após ser colocada, o fechamento da ferida está sob pressão. Se o retalho de tecido mole é suturado sob pressão, as 
suturas causam isquemia da margem do retalho com subsequente necrose tecidual, o que possibilita que a sutura solte da 
margem do retalho, resultando em deiscência da ferida. Por isso as suturas deverão ser sempre colocadas sem tensão nos 
tecidos e prendidas frouxas o suficiente para prevenir a isquemia tecidual. 
 Uma região comum de exposição de osso após a extração dentária é a linha obliqua externa. Após a extração do 
primeiro e do segundo molares, durante a cicatrização inicial, o retalho lingual torna-se estirado sobre a linha obliqua (milo-
hióidea) interna. Ocasionalmente o osso perfura completamente a fina mucosa, causando uma projeção pontiaguda de osso 
na área. 
 As duas principais opções de tratamento são: (1) deixar a projeção ou (2) regulariza-la com lima para osso. Se a área 
é deixada cicatrizar sem tratamento, a exposição do osso desaparecerá em 2 a 4 semanas. Se a irritação da ponta óssea for 
pequena, esse método deverá ser escolhido. Se uma lima de osso é usada, nenhum retalho deverá ser levantado porque 
resultara num aumento da quantidade de osso exposto. A lima é usada somente para regularizar as projeções irregulares do 
osso. Esse procedimento normalmente requer anestesia local. 
 
 
 
Alvéolo Seco 
 É um retardo de cicatrização, porém não associado a uma infecção. Essa complicação causa dor moderada a intensa, 
mas sem os usuais sinais de infecção, como febre, edema e eritema. O termo alvéolo seco descreve a aparência do alvéolo 
quando a dor começa. A dor se desenvolve no terceiro ou quarto dia após a remoção do dente. Quase todos os alvéolos 
secos aparecem após a remoção dos molares inferiores. Durante o exame o alvéolo dental parece estar vazio, com um 
coágulo de sangue parcial ou completamente perdido, e algumas superfícies ósseas do alvéolo estão expostas. O osso 
exposto é sensível e é a causa da dor. A dor indefinida e contínua é moderada a intensa, normalmente lateja e quase sempre 
irradia para a orelha do paciente. A área do alvéolo tem um odor ruim e o paciente normalmente reclama de um gosto 
desagradável. 
 A causa não é absolutamente clara, mas parece resultar de altos níveis de atividade fibrinolítica dentro e ao redor do 
alvéolo do dente extraído. Essa atividade fibrinolítica resulta na lise do coágulo de sangue e da subsequente exposição do 
osso. Ela pode resultar de infecções subclínicas, inflamação do espaço medular do osso ou outros fatores. A ocorrência de 
alvéolo seco após uma rotina de extração dentária é rara (2% das extrações), mas é frequente após remoção de terceiros 
molares impactados (20% das extrações em algumas séries). 
 A prevenção da síndrome do alvéolo seco requer que o cirurgião minimize o trauma e a contaminação bacteriana no 
local da cirurgia. O cirurgião deverá realizar cirurgias atraumáticas com incisões regulares e rebatimento de tecido mole. 
Após o procedimento cirúrgico, a ferida deverá ser completamente irrigada com grandes quantidades de soro aplicadas sob 
pressão, tal como de uma seringa plástica. Pequenas quantidadesde antibióticos podem ser aplicadas sozinhas ou numa 
esponja de gelatina, têm mostrado ajudar substancialmente na diminuição da incidência de alvéolos secos. 
 O tratamento é direto e consiste na irrigação e colocação de um curativo medicamentoso. Primeiro, o alvéolo dental 
é cuidadosamente irrigado com soro estéril. O alvéolo não deverá ser curetado para desnudar o osso, pois isso aumenta a 
quantidade de osso exposto e a dor. O alvéolo é aspirado de todo excesso de soro, e uma pequena tira de gaze iodoformada 
embebida com a medicação é inserida no alvéolo. A medicação contém os seguintes ingredientes: eugenol (alívio da dor do 
tecido ósseo), anestésico tópico como a benzocaína, um veiculo carreador (bálsamo do Peru). A gaze medicamentosa é 
levemente colocada dentro do alvéolo e o paciente normalmente sente profundo alívio da dor em 5 minutos. O curativo é 
trocado diariamente pelos próximos 3 a 6 dias, dependendo da intensidade da dor. O alvéolo é sutilmente irrigado com soro 
a cada troca de curativo. Uma vez que a dor do paciente diminui, o curativo não deverá ser recolocado, pois ele age como 
um corpo estranho e prolonga ainda mais a cicatrização da ferida. 
 
Referência Bibliográfica: HUPP James R., ELLIS E. & TUCKER M. R – Cirurgia Oral e Maxilofacial Contemporânea, 5ª Edição, 
Editora Elsevier, Capítulo 11, pág. 185