CAUSAS EXTINTIVAS DA PUNIBILIDADE
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CAUSAS EXTINTIVAS DA PUNIBILIDADE


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Tema IX 
 
Extinção da Punibilidade I. 1) Considerações gerais: conceito de punibilidade. A extinção da 
punibilidade e as condições objetivas de punibilidade. 2) Causas extintivas da punibilidade: a) A morte 
do agente; b) A anistia, a graça e o indulto; c) Abolitio Criminis; d) A retratação do agente; e) A 
perempção; f) O perdão judicial; g) Outras causas não previstas no artigo 107 do CP. 
 
Notas de Aula 
 
1. Extinção da punibilidade 
 
 Praticado um crime, o Estado tem o dever e o direito de punir o infrator. 
Punibilidade é a possibilidade de se aplicar uma sanção penal ao autor de um ilícito, e 
quando se fala em extinção da punibilidade, se está falando de algum evento que impeça 
o estado de exercer seu direito-dever de punir o infrator. Causas de extinção da 
punibilidade são atos ou fatos que impedem que o Estado exerça seu jus puniendi. 
 Algumas causas surgem naturalmente, como a morte do autor da infração, diante 
da personalidade da pena, que intranscende o condenado. Também a passagem do 
tempo tem o condão de extinguir a punibilidade, como ocorre com a prescrição, ou com 
a decadência. E há fatos que se atribuem à vontade do Estado, o que se passa na anistia, 
no indulto e na graça, ou à vontade do ofendido, como no perdão. 
 Estas causas extintivas da punibilidade, em regra, fazem com que o Estado perca 
o jus puniendi, mas não faz desaparecer o crime. Excepcionalmente, apenas na 
anistia e na abolitio criminis o crime deixa de existir. 
 
 
 O artigo 107 do CP é a sede principal do estudo: 
 
\u201cExtinção da punibilidade 
Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 
11.7.1984) 
I - pela morte do agente; 
II - pela anistia, graça ou indulto; 
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; 
IV - pela prescrição, decadência ou perempção; 
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de 
ação privada; 
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; 
VII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) 
VIII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) 
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.\u201d 
 
 Vejamos cada um dos casos em separado, sendo que o inciso da prescrição terá 
análise em tema Direito Penal III, no próximo semestre. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1.1. Morte do agente 
 
 A morte do agente é causa óbvia de extinção de sua punibilidade, eis que ele não 
está mais entre nós, e seus herdeiros nada podem padecer, por conta da intranscendência 
da pena. Art. 5, XLV, da CRFB \u2013 reza que nenhuma pena será passada da pessoa do 
condenado. Em outras palavras, morto o acusado, não poderão seus parentes sofrer os 
efeitos de uma pena criminal. 
A morte se comprova pela certidão de óbito. Apresentado este documento, o juiz 
abre vistas ao MP, que oficia ao cartório de registro civil, e, confirmada a veracidade do 
óbito, extingue-se a punibilidade. 
 Surge uma questão: se a certidão de óbito for falsa, e o juiz extingue a 
punibilidade do agente indevidamente, há duas soluções contrárias a disputar o tema. 
 
1 ENTD- entende que nada há a fazer, porque não há reformatio pro societatis na 
revisão criminal, e o Estado estaria impedido de agir contra aquele acusado, a não ser a 
própria persecução do crime de uso de documento falso. Esta é a posição majoritária na 
doutrina. 
 
2 ENTD \u2013 a outra corrente, que é do STF e do STJ, defende que a certidão falsa não 
gera nenhuma conseqüência, porque o que extingue a punibilidade, em verdade, é a 
própria morte, e não a notícia da morte feita pela certidão \u2013 é como se a punibilidade 
jamais houvesse sido extinta, e o agente pode ser normalmente processado. Neste 
sentido, veja o HC 84.525, do STF (que foi impetrado contra a decisão do STJ no 
mesmo sentido): 
 
\u201cEMENTA: PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. 
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE AMPARADA EM CERTIDÃO DE 
ÓBITO FALSA. DECRETO QUE DETERMINA O DESARQUIVAMENTO 
DA AÇÃO PENAL. INOCORRÊNCIA DE REVISÃO PRO SOCIETATE E 
DE OFENSA À COISA JULGADA. FUNDAMENTAÇÃO. ART. 93, IX, DA 
CF. 
I. - A decisão que, com base em certidão de óbito falsa, julga extinta a 
punibilidade do réu pode ser revogada, dado que não gera coisa julgada em 
sentido estrito. 
II. - Nos colegiados, os votos que acompanham o posicionamento do relator, 
sem tecer novas considerações, entendem-se terem adotado a mesma 
fundamentação. 
II. - Acórdão devidamente fundamentado. 
IV. - H.C. indeferido.\u201d 
 
Quanto a pena de multa 
 
Outro aspecto referente à morte do agente é a intranscendência da pena de multa: esta 
também será extinta, não podendo recair sobre os herdeiros do condenado falecido. 
Mesmo tendo sido iniciada a execução pela Fazenda Pública, esta será extinta (ao 
contrário do que entendem alguns juizes da execução). 
 
1.2. Anistia, graça e indulto 
 
\uf0b7 A anistia consiste na extinção da punibilidade que faz desaparecer o 
crime, e em regra ocorre em crimes políticos (mas não 
necessariamente em crimes desta natureza). O fato anistiado faz com que 
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o agente retorne à condição de primariedade. É mais abrangente do que a 
graça e o indulto, que não fazem desaparecer o delito cometido. 
 
 A anistia, porém, mesmo que faça desaparecerem todos os efeitos penais do 
delito, não elide os efeitos civis: permanecerá a necessidade eventual de se indenizar a 
vítima ou sua família. 
 
 A anistia é ato do Legislativo, do Congresso Nacional, por meio de lei de anistia. 
Em outras palavras, a anistia consiste na edição, pelo congresso nacional, de uma lei, de 
âmbito federal, capaz de promover a exclusão do crime imputado ao agente delitivo, 
atingindo todos os efeitos penais da condenação, subsistindo, contudo, os extrapenais 
(genéricos e específicos \u2013 art. 91 e 92 do CP). 
 
 OBS \u2013 OS CRIMES HEDIONDOS - e assemelhados não são passíveis de 
anistia, por expressa vedação constitucional, no artigo 5º, XLIII: 
 
\u201c(...) 
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou 
anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o 
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os 
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; 
(...)\u201d 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
 
Anistia Própria \u2013 ocorre antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. 
 
Anistia Imprópria ocorre após o trânsito e não atinge os efeitos civis da condenação. 
Extingue todos os efeitos penais (inclusive o pressuposto da reincidência), todavia 
subsiste a obrigação de indenizar 
 
 
Pode ser geral (favorece a todos os que praticaram determinado fato indistintamente) 
 
ou parcial (beneficia somente alguns autores - ex.: somente os não reincidentes). 
 
 
Também pode ser irrestrita ou limitada conforme abranja todos os delitos elacionados 
ao fato criminoso principal ou exclua somente alguns deles. 
 
Em regra, a anistia é concedida a crimes políticos, militares ou eleitorais, não se 
destinando aos crimes comuns, porém não há empecilho para que seja concedida a 
estes 
 
\uf0b7 A graça e o indulto, como dito, têm efeitos diversos: extinguem a 
punibilidade, mas não elidem os efeitos penais do crime, ou seja, o réu 
agraciado ou indultado não é primário, por exemplo. 
 
A diferença é que a graça é pessoal, individualmente concedida a um condenado, 
enquanto o indulto é coletivo, concedido a uma determinada gama de pessoas. 
 
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A graça ( denominada pela LEP \u2013 lei de execução penal, de indulto individual) consiste 
no benefício por meio do qual o agente terá excluído o efeito principal da condenação, 
qual seja,