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AULA 1 TEORIA GERAL DOS RECURSOS 2

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AULA 1 TEORIA GERAL DOS RECURSOS
Conceito de Recurso: “ recurso é o meio idôneo para provocar a impugnação e , consequentemente, o reexame de uma decisão judicial, com vistas a obter, na mesma relação processual, a reforma, a invalidação, o esclarecimento ou a integração do julgado.”
Recurso é procedimento, é instrumento, NÃO é meio material. Isso também se aplica ao processo administrativo. O objeto do recurso é um reexame de uma decisão prolatada por órgão jurisdicional. O recurso NÃO inaugura uma nova relação processual, é a mesma relação, só que em outra fase processual. A relação processual só se extingue pelo transito em julgado. Enquanto houver a possibilidade jurídica de interposição de recursos, o processo continua existindo. Visa reformar, invalidar, esclarecer ou integrar a decisão objeto de recurso.
Princípios Fundamentais do Recurso: (específicos do sistema recursal)
Duplo Grau de Jurisdição: obs: comporta EXCEÇÃO: competência originária do STF.
Uma ação de competência originária do STF. Tem algum grau de jurisdição acima do STF? Não. Então, em regra, não seria possível dá efetividade ao princípio do duplo grau de jurisdição, porque o recurso de uma decisão do STF será julgado pelo próprio STF, não mudo de grau de jurisdição, vai haver apenas o reexame.
Duplo grau significa que o legislador deu direito a parte que habilita em juízo, pelo menos, direito a 1 revisão da decisão.
Ex2: Juizado Especial Cível cabe recurso para o Conselho Recursal. Cabe reexame? NÃO. E não é duplo grau de jurisdição, porque o Conselho Recursal, assim com o STF, também é 1º grau de jurisdição. 
Taxatividade: consideram-se recursos apenas os meios processuais, definidos como recurso, em Lei Federal. Além daqueles enumerados no art.994, CPC, há recursos previstos em leis extravagantes. 
Só é recurso o procedimento previsto como tal em Lei Federal. Por que? Porque a Constituição afirma que a União tem competência privativa para legislar sobre matéria processual. Os recursos estão no CPC também (numerus clausus). Além desses, lei extravagante também enumera. Ex: da decisão prolatada em sede de JEC, o recurso cabível é o recurso inominado. 
E se não tiver na lei? Não é recurso. Pode ser um sucedânio recursal! Vimos que no Conselho Recursal do JEC não cabe recurso. Mas, eu posso pedir uma revisão da decisão, através da reconsideração ou reclamação direta ao STJ. Isso não é recurso, porque não está na lei, é sucedânio recursal.
Art. 994.  São cabíveis os seguintes recursos:
I - apelação;
II - agravo de instrumento;
III - agravo interno;
IV - embargos de declaração;
V - recurso ordinário;
VI - recurso especial;
VII - recurso extraordinário;
VIII - agravo em recurso especial ou extraordinário;
IX - embargos de divergência.
Singularidade (ou unirrecorribilidade): cada decisão judicial comporta apenas uma espécie de recurso.
Só existe 1 espécie de recurso para cada decisão judicial. Então, recurso contra sentença, só vai ser APELAÇÃO. \ Recurso contra Acórdão: RECURSO ESPECIAL ou RECURSO EXTRAORDINÁRIO\ Decisão Interlocutória: agravo de instrumento. Ou seja, tenho que ter 1 recurso único para cada decisão judicial.
ATENÇÃO: Há exceções. Exemplo: recurso contra decisão em sede de Mandado de Segurança de competência originária do Tribunal –RE\RESP\ recurso ordinário constitucional.
Aqui, temos 3 recursos possível, e não apenas 1. Pode haver a interposição de recurso especial, recurso extraordinário e recurso ordinário constitucional. Para 1 decisão do mandado de segurança, teremos 3 recursos cabíveis. 
Fungibilidade: possível apenas quando houver dúvidas objetivas acerca do recurso cabível (art.1024 CPC)
Você recebe como certo, um procedimento que está errado. No caso do recurso, isso só se admite quando houver DÚVIDA OBJETIVA, decorrente de uma dúvida fundada se realmente é aquele recurso, o recurso adequado! É raro.
Art. 1.024.  O juiz julgará os embargos em 5 (cinco) dias.
§ 3o O órgão julgador conhecerá dos embargos de declaração como agravo interno se entender ser este o recurso cabível, desde que determine previamente a intimação do recorrente para, no prazo de 5 (cinco) dias, complementar as razões recursais, de modo a ajustá-las às exigências do art. 1.021, § 1o.
Vedação à Reformatio in Pejus: ex: numa sentença, eu sou parte parcialmente sucumbente. O cara pediu na inicial a condenação por dano moral e material do valor de R$500 mil e o Juiz me condenou a pagar R$200 mil. A outra parte ficou satisfeita, e óbvio, não recorreu. Eu não gostei da decisão. Eu não quero pagar nada! Então interponho o recurso de APELAÇÃO, que é cabível contra sentença. A apelação vai para o Tribunal, que irá julgar o mérito. O que pode fazer? Manter os R$200 mil ou reduzir, nunca aumentar esse valor. \\\ O cara pediu R$500 mil e o juiz me condenou a R$200 mil. Terei sucumbência recíproca, porque o cara não quer pagar esse valor, e o outro não gostou da decisão. Ambos recorrem! O juiz julgou improcedente para mim (terei que pagar então). O outro recurso vai sofrer uma Reformatio in Pejus, que nesse caso não ocorre, porque vai haver um litígio recursal, já que o outro foi julgado improcedente. Quando ocorre sucumbência recíproca, e um cara ganha e outro perde no recurso, NÃO ocorre a Reformatio in Pejus.
Voluntariedade: a parte prejudicada tem o ônus de recorrer, sob pena de preclusão.
Tive a decisão julgada improcedente. Sou obrigada a recorrer? Não, salvo se eu for Fazenda Pública. Mas, quando eu deixo de recorrer, opera-se a PRECLUSÃO, ou seja, perda do direito de se efetivar um procedimento processual. 
Efeitos da decisão de não recorrer (da preclusão): superação de fase procedimental ou ocorrência do Transito em Julgado da decisão.
Se a decisão é não terminativa, é interlocutória, e eu não recorro, essa fase do processo fica superada. O processo prossegue. \ Se for decisão terminativa, a não interposição do recurso vai gerar o efeito da Coisa Julgada. É ônus do recorrente recorrer da decisão. Se ele não recorre, preclui. 
Dialeticidade: com o nome de REGULARIDADE FORMAL, figura como requisito de admissibilidade recursal o recorrente de indicar os fundamentos de fato e de direito para a reforma da decisão recorrida.
Você, ao recorrer, tem a obrigação de indicar na sua peça, qual é o fundamento para impugnar a decisão. Mas, por que? Por que o processo é dialético? Porque a parte recorrida tem que saber quais são os motivos, os fundamentos de fato e direito que estão embasando a pretensão do recorrente, para que ele possa contraditá-los. É uma garantia fundamental. Qualquer recurso que não tenha fundamentos de fato e de direito, não será admitido, por falta de pressuposto. 
****Preclusão Consumativa= o recorrente, desistindo do recurso interposto, NÃO pode mais, ainda que haja prazo,interpor novamente.
A preclusão da Voluntariedade é diferente da Consumativa! Aquela, era por omissão, por inércia, de não ter recorrido. Já a preclusão consumativa, houve a sentença, a parte sucumbente ficou inconformada, interpôs o recurso, por exemplo, de apelação que tem prazo de 15 dias, tudo certo, ele entrou no 12º dia. 3 dias depois, o cliente chegou pro advogado e disse que quer desistir desse recurso. O advogado peticiona ao Tribunal dizendo que desistiu do recurso. 3 dias depois, o cliente volta e diz que quer continuar com o recurso. Não pode mais! Ocorreu a preclusão consumativa. Esse ato processual ele não pode praticar mais! 
Pressupostos de Admissibilidade dos Recursos: condição de ação no processo civil, tem que ter legitimidade, interesse e possibilidade fática e jurídica do pedido.
Considerações Preliminares: o julgamento de um recurso é dividido em 2 etapas ou fases: (são condições que permitem o conhecimento do recurso)
Juízo de Admissibilidade: consiste no exame relativamente ao cumprimento dos REQUISITOS legais que devem estar presentes para que o Tribunal possa analisar o mérito.
Não se julga mérito ainda. O relator sorteado para relatar o recurso, nessa primeira fase, vai apenas verificar

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