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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE RONDÔNIA ÉTICA E CIDADANIA Disciplina na modalidade à distância 3ª edição Porto Velho – RO EAD-PMRO 2018 Ética e Cidadania Apresentação Este material corresponde à disciplina de ÉTICA E CIDADANIA. O material foi elaborado visando uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos selecionados em trabalhos de alguns autores com o intuito de apresentar uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Quando se fala em estudo a distância, a primeira impressão é a de que você estará sozinho, fisicamente sim, porém lembre-se que durante a sua caminhada nesta disciplina estará a sua disposição um professor tutor que lhe auxiliará nos estudos através do ambiente virtual da EAD-PMRO. Sempre que precisar entre em contato. Bom estudo e sucesso! Coordenação. Ética e Cidadania EDNELZA DO AMARAL TEIXEIRA NASCIMENTO – CAP PM ÉTICA E CIDADANIA 3ª edição Porto Velho – RO EAD-PMRO 2018 Ética e Cidadania Sumário Palavras do professor ................................................................................... 6 Plano de estudo .......................................................................................... 7 Ementa .................................................................................................... 8 Carga horária ............................................................................................. 9 Objetivos da disciplina ................................................................................. 10 Geral .................................................................................................. 10 Específicos ............................................................................................ 10 Agenda de atividades/cronograma ................................................................... 11 Introdução ............................................................................................... 12 Capítulo I ................................................................................................ 13 Capítulo II ............................................................................................... 21 Capítulo III ............................................................................................... 25 Capítulo IV ............................................................................................... 28 Síntese....................................................................................................37 Sobre a Professora Conteudista .......................................................................................... 39 Ética e Cidadania Palavras do professor Caros alunos do curso de formação de cabos PM 2018, sejam bem vindos a essa nova etapa da vida profissional de vocês. Estaremos juntos por algum tempo no estudo da disciplina de Ética e Cidadania, disciplina essa, que já faz parte do nosso cotidiano policial. Estudaremos alguns conceitos importantes e necessários para a compreensão da disciplina, além de realizarmos uma abordagem histórica sobre Ética, e Ética das profissões. Meu desejo é que você futuro cabo da PMRO, possa continuar adotando uma conduta pautada na reflexão acerca do seu papel como profissional de segurança pública, e que suas ações sejam orientadas para a prática do bem. Desejo um excelente curso. Bons estudos! Ética e Cidadania Plano de estudo O plano de estudo visa orientar você no desenvolvimento da disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. O processo de ensino e aprendizagem na EAD-PMRO leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam, portanto, a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. São elementos desse processo: � A apostila; � O AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) da PMRO, EAD- PMRO; � As atividades de interação (fórum, atividades extras); � Materiais complementares. Durante toda a nossa interação com a utilização do ambiente virtual, iremos trabalhar a relação entre: professor, aluno e a tecnologia, de forma a desenvolver habilidades e competências voltadas ao: saber – conhecer, o saber fazer, o saber conviver e o saber ser, lógico, voltado a nossa temática “Ética e Cidadania”. Dentre os aspectos conceituais (saber- conhecer) estudaremos alguns dispositivos, uns novos e alguns já muitos conhecidos por todos vocês: • Bases filosófica e epistemológica1; • Valores organizacionais, sociais e pessoais; • Papel do profissional da segurança pública na construção do Estado Democrático de Direito; • Código de conduta para os encarregados da aplicação da lei (ONU); • Estatuto da PMRO, Regulamento Disciplinar da PMRO; • Artigo 5° da Constituição Federal. Com relação aos aspectos procedimentais (saber fazer), adotaremos uma 1 Epistemologia significa ciência, conhecimento, é o estudo científico que trata dos problemas relacionados com a crença e o conhecimento, sua natureza e limitações. http://www.significados.com.br/epistemologia/. Ética e Cidadania conduta reflexiva voltada para o artigo 5º, Estatuto da PMRO e Regulamento Disciplinar da PMRO. Finalizando, buscaremos o fechamento desse ciclo, desenvolvendo também os aspectos atitudinais (saber ser): • Postura como protagonista do bem estar social; • Reconhecimento de que os nossos atos são políticos indo além das suas dimensões técnico-científicas e corporativas; • Responsabilidade social assumindo seus atos, reconhecendo-se como autor com capacidade de agir por si mesmo, com autodeterminação, autonomia, independência, com noção de interdependência. Ementa Distribuímos o assunto da nossa disciplina em quatro capítulos visando facilitar sua programação de estudos, ou seja, como estaremos junto pelo período de um mês (04 semanas), você poderá estudar um capítulo por semana. Durante esse período, estaremos sugerindo sua participação em fóruns e indicaremos como material complementar alguns artigos científicos, matérias jornalísticas, além de mídias afetas ao tema. Vejamos como foi distribuído os assuntos: Capítulo I • Conceitos básicos que subsidiarão as reflexões a respeito do tema utilizado para a sensibilização inicial; • Conceitos: moral, valores, costumes e cultura (geral e específica da função) contextualizados no tempo e no espaço; Capítulo II • A profissão do profissional da área de segurança pública fundamentada na ética; • A situação ética dos profissionais da área de segurança pública em relação às exigências legais e às expectativas dos cidadãos: despersonalização (indivíduo versus profissional/ estereótipos) e atitudes profissionais éticas; Capítulo III • A conduta ética e legal na atividade do profissional da área de segurança pública; Ética e Cidadania Capítulo IV • A função do profissional da área de segurança pública e suas responsabilidades – a necessidade de um código de ética profissional - a relação com o arcabouço jurídico para o desempenho da atividade do profissional da área de segurança pública – código de conduta para funcionáriosencarregados de fazer cumprir a lei (ONU). Carga Horária A carga horária total da disciplina é de 40 horas-aula Avaliação Será uma avaliação corrente ao final da disciplina. Ética e Cidadania 10 Objetivos da disciplina Geral Desenvolver a capacidade de agir com ética e profissionalismo, através da reflexão sobre o seu papel como profissional de segurança pública, reconhecendo a visibilidade de suas ações e a necessidade de adoção de uma postura em harmonia com os anseios da sociedade. Específicos � Adquirir a capacidade para agir com postura ética e profissional; � Agir sempre com ética e profissionalismo; � Compreender as questões éticas e refletir sobre o seu papel como profissional da segurança pública; � Desenvolver uma conduta ética e legal que o auxilie nos seus momentos de decisão, sejam eles momentos particulares ou profissionais; � Reconhecer a visibilidade moral e a importância de uma postura político- pedagógica que a atuação do profissional de segurança pública requer ao antagonizar-se às atividades ilícitas e criminais. Ética e Cidadania 11 Agenda de atividades/cronograma � Verifique com atenção o AVA, EAD-PMRO, organize-se para acessar periodicamente o espaço da disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e tutor. � Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço a seguir as datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no AVA, EAD-PMRO. � Use o quadro da abaixo para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da disciplina. Atividades Avaliação a Distância Avaliação Presencial Avaliação Final Demais atividades (registro pessoal) Ética e Cidadania 12 Introdução De acordo com a Matriz Curricular Nacional, as doutrinas éticas fundamentais nascem e desenvolvem-se em diferentes épocas e sociedades, como resposta aos conflitos básicos apresentados entre os homens. O senso moral baseia-se em princípios, valores e costumes contextualizados no tempo e na sociedade e tem por objetivo a regulação moral da vida cotidiana, pois é na dinâmica da vida social que se constroem as relações éticas fundamentais. Atualmente, a ética contempla a condição de vida do homem no mundo e dos seus limites e possibilidades. Num mundo de intensas transformações culturais, é preciso compreender que a diversidade humana tem provocado modificações nas relações sociais. Por este motivo é necessário buscar recursos em outras áreas do conhecimento com vistas à análise do comportamento humano. É desta forma que se pretende trabalhar com o profissional de segurança pública, fazendo com que ele também se reconheça como ator fundamental no processo de construção de uma sociedade mais justa e íntegra, já que, o sentimento de pertencimento social é intrínseco à cidadania. O estudo da ética é de fundamental importância para que o profissional de segurança pública possa optar, com segurança, sobre sua conduta ao defrontar-se com as situações de dualidade, tão frequentes em seu cotidiano profissional. Além disso, há uma dimensão pedagógica no seu “fazer profissional” que requer que ele aja de acordo com os princípios éticos, entendendo o significado do seu exemplo como protagonista do bem estar social. Ética e Cidadania 13 Capítulo I Conceitos Neste capítulo estudaremos alguns conceitos básicos necessários para que possamos refletir sobre nossas ações como protagonista na emblemática atividade de segurança pública. A ética e a cidadania são dois dos conceitos que constituem a base de uma sociedade próspera, apesar de serem considerados temas relacionados, há de se destacar que se trata de conceitos diferentes. Vejamos: Ética É o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra ética é derivada do grego, e significa aquilo que pertence ao caráter. Num sentido menos filosófico e mais prático podemos compreender um pouco melhor esse conceito examinando certas condutas do nosso dia a dia. Caro Aluno à Cabo PM, você já ouviu tanto falar sobre Ética e Cidadania, mas sabe o que significa? Exemplo: Quando nos referimos, ao comportamento de alguns profissionais tais como: médico, jornalista, advogado, empresário, um político e até mesmo um professor, é bastante comum ouvir expressões como: ética médica, ética jornalística, ética empresarial e ética Ética e Cidadania 14 Com relação a profissão policial militar, não é diferente, pois no dia a dia, até quando assistimos aos noticiários, também nos deparamos com situações, em que se mencionam: “aquele policial agiu de acordo ou em desacordo com o seu ‘código de ética’”. A ética abrange uma vasta área, podendo ser aplicada à vertente profissional. Existem códigos de ética profissional, que indicam como um indivíduo deve se comportar no âmbito da sua profissão, no nosso caso, podemos citar as leis regulamentos e outros. Em sentido mais amplo podemos definir ética como sendo: “A ciência, um ramo da Filosofia, que estuda, reflete, investiga, pesquisa racional e sistematicamente a conduta, a ação, os costumes do ser humano considerados como comportamento moral, ou seja, a Ética é a parte da ciência que estuda a moral”. Mas, você pode estar se perguntando: O que é um comportamento moral? O comportamento moral é todo tipo de comportamento humano, costume, considerado obrigatório (que deve ser realizado) ou proibido (que não deve ser realizado) e que está sujeito ao julgamento, ao arbítrio da própria consciência humana. O comportamento moral é julgado, basicamente, em função de critérios e valores. O critério mais utilizado para o julgamento do comportamento moral é a consideração de, no mínimo, dois extremos, duas qualidades contrárias, antagônicas: o certo (o bem) ou o errado (mal). Os valores, por sua vez, referem-se às escolhas de determinados comportamentos que devem ser preferidos, escolhidos, ao invés de outro. Esses valores podem estar implícitos, subentendidos ou explícitos. Em muitas culturas, podemos encontrar alguns valores comuns que são considerados como dignos de serem imitados, tais como: ‘não roubar’, ‘não mentir’, ‘ser honesto’ etc. Contudo, observe que os valores que orientam os comportamentos morais são sempre relativos a uma cultura, uma civilização, uma época. Ética e Cidadania 15 Moral A moral refere-se às práticas humanas, aos comportamentos, que são classificados em função de critérios como certos (bons) ou errados (maus). A avaliação dos comportamentos também depende de valores que aceitamos, estabelecemos ou rejeitamos. Pode ser definida como: “Parte da Filosofia que trata dos atos humanos, dos bons costumes e dos deveres dos homens em sociedade e perante os de sua classe.” A moral se fundamenta na obediência a normas, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos. Trata-se do conjunto de regras adquiridas através da cultura da educação, da tradição e do cotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade. Etimologicamente, o termo moral tem origem no latim morales, cujo significado é “relativo aos costumes”. No livro “Deontologia Policial Militar”VALLA, Wilson Odirley, apud, Vicente Ráo, pág. 14, traz a compreensão de moral como sendo parte da filosofia prática, que: “estabelece os princípios gerais da ordem que deve reinar nos atos resultantes da livre vontade humana, estudando-os em relação aos fins que visam alcançar, ou seja, em relação aos fins naturais do homem. É assim disciplina dos deveres do homem para com Deus (moral religiosa), perante si próprio (moral individual) e perante a sociedade (moral social)”. As regras definidas pela moral regulam o modo de agir das pessoas, sendo uma palavra relacionada com a moralidade e com os bons costumes. Está associada aos valores e convenções estabelecidos coletivamente por cada cultura ou por cada sociedade a partir da consciência individual, que distingue o bem do mal, ou a violência dos atos de paz e harmonia. Os princípios morais como a honestidade, a bondade, o respeito, a virtude, e etc, determinam o sentido moral de cada indivíduo. São valores universais que regem a conduta humana e as relações saudáveis e harmoniosas. A moral sempre fez parte da história da humanidade. Todas as civilizações Ética e Cidadania 16 humanas, desde os primórdios, apresentam um tipo de moral. Contudo, a Ética (reflexão sobre a moral) surgiu como um fenômeno posterior à moral. Veja que foi a partir de uma prática moral, de vários costumes e comportamentos morais já efetivos, vividos, de um contexto fértil, que surgiu a Ética. Ao estudar essas duas definições, de Ética e de Moral, você deve ter percebido que, basicamente, a Ética é a teoria que estuda a moral. E a moral refere- se às práticas humanas, aos comportamentos, que são classificados em função de critérios como certos (bons) ou errados (maus). A avaliação dos comportamentos também depende de valores que aceitamos, estabelecemos ou rejeitamos. Cidadania É o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na Constituição. Uma boa cidadania implica que os direitos e deveres estão interligados, e o respeito e cumprimento de ambos contribuem para uma sociedade mais equilibrada. Exercer a cidadania é ter consciência de seus direitos e obrigações e lutar para que sejam colocados em prática. Exercer a cidadania é estar em pleno gozo das disposições constitucionais. O conceito de cidadania também está relacionado com o país onde a pessoa exerce os seus direitos e deveres. Assim, a cidadania brasileira está relacionada com o indivíduo que está ligado aos direitos e deveres que estão definidos na Constituição. A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988, pela Assembleia Nacional Constituinte, composta por 559 congressistas (deputados e senadores), consolidou a democracia e em seus artigos 5º e 6º estabelece os deveres e direitos do cidadão: Deveres do cidadão � Votar para escolher os governantes; � Cumprir as leis; � Educar e proteger seus semelhantes; � Proteger a natureza; Ética e Cidadania 17 � Proteger o patrimônio público e social do País. Direitos do cidadão � Direito à saúde, educação, moradia, trabalho, previdência social, lazer, entre outros; � O cidadão é livre para escrever e dizer o que pensa, mas precisa assinar o que disse e escreveu; � Todos são respeitados na sua fé, no seu pensamento e na sua ação na cidade; � O cidadão é livre para praticar qualquer trabalho, ofício ou profissão, mas a lei pode pedir estudo e diploma para isso; � Só o autor de uma obra tem o direito de usá-la, publicá-la e tirar cópia, e esse direito passa para os seus herdeiros; � Os bens de uma pessoa, quando ela morrer, passam para seus herdeiros; � Em tempo de paz, qualquer pessoa pode ir de uma cidade para outra, Valores São normas, princípios ou padrões sociais aceitos ou mantidos por indivíduos, classe, sociedade, cultura ou organização. No caso especifico da Polícia Militar, disciplina, honra, coragem, hierarquia, afora outra qualidades semelhantes, são valores fundamentais que devem ser, além de preservados, vividos e estimulados por todos os integrantes da corporação, independente de posto ou graduação. De acordo com a definição de Simiano (apud VALLA, 2003, p. 31), “os valores são os que resistem à nossa espontaneidade pessoal”, em outras palavras os valores regem os reflexos, não as conveniências. No nosso caso, o exemplo de uma dessa realidade na atividade profissional é a consciência permanente que o exercício da missão, sempre obedecerá aos imperativos da lei do País. Ética e Cidadania 18 A negação dessa realidade ou o seu exercício dentro de perspectivas de valores subjetivos ou subalternos, normalmente influenciados por juízos pessoais, como: a justificativa do uso da violência para obtenção de resultados, a promoção de interesses próprios, a baixa disposição para assumir riscos ou desafios, a tolerância para a apropriação privada dos recursos ou benefícios públicos a valorização da cultura “saber das ruas” etc, geram aquilo que se pode chamar de “subcultura policial”. VALLA (2003, p.31) cita o ensaio de autoria do Cap. PM Paulo Marino LOPES, que entende, que essa “subcultura policial” além de se constituir em verdadeiro obstáculo ao aprimoramento das organizações policiais, estimula os desvios de conduta – abuso de poder ou desvio de poder – estigmas da violência e da corrupção policial que podem ter o cunho de tortura, brutalidade, truculência, ameaça, chantagem, prepotência, arrogância, arbitrariedade e negligência, além de outras atitudes nefastas consagradas na literatura policial. Costumes É a maneira cultural de uma sociedade manifestar-se. A partir da repetição, constituem regras que, embora não escritas como as leis, tornam-se observáveis pela própria constituição de fato da vida social. Um costume é um modo habitual de agir que se estabelece pela repetição dos mesmos atos ou por tradição. Trata-se, portanto, de um hábito. O costume é uma prática social enraizada entre a maior parte dos membros de uma comunidade. É possível distinguir os bons costumes (aprovados pela sociedade) e os maus costumes (considerados negativos). Em certos casos, as leis procuram modificar os comportamentos considerados maus costumes. Para a sociologia, os costumes são componentes da cultura que se transmitem de geração em geração e que estão, portanto, relacionadas com a adaptação do indivíduo ao grupo social. Existem diferentes tipos de considerações sociais relativamente aos costumes. No Brasil, por exemplo, é costume as pessoas saírem à rua para celebrar o Carnaval, ao som do samba. Também são muitas as pessoas a praticarem capoeira. No caso daqueles que não apreciam estes costumes, embora não seja ilegal terem outros hábitos, correm o risco de serem criticados ou condenados socialmente. Ética e Cidadania 19 Carnaval anos 70 Cultura É o conjunto de características humanas que não são inatas, e que se criam e se preservam ou aprimoram através da comunicação e cooperação entre indivíduos em sociedade. É todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro. Cada país tem a sua própria cultura, que é influenciada por vários fatores. A cultura brasileira é marcada pela boa disposição e alegria, e isso se reflete também na música, no caso do samba, que também faz parte da cultura brasileira. Cultura na língua latina, entre os romanos, tinha o sentido de agricultura, que se referia ao cultivo da terra para a produção, e ainda hoje é conservado desta forma quandoé referida a cultura da soja, a cultura do arroz etc. Ética e Cidadania 20 É definida em ciências sociais como um conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais, aprendidos de geração em geração através da vida em sociedade. Seria a herança social da humanidade ou ainda, de forma específica, uma determinada variante da herança social. A principal característica da cultura é o mecanismo adaptativo, que consiste na capacidade que os indivíduos têm de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais até que possivelmente uma evolução biológica. A cultura é também um mecanismo cumulativo porque as modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, onde vai se transformando, perdendo e incorporando outros aspetos procurando assim melhorar a vivência das novas gerações. É um conceito que está sempre em desenvolvimento, pois com o passar do tempo ela é influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do ser humano. � Cultura organizacional O conceito de cultura organizacional remete ao conjunto de normas, padrões e condições que definem a forma de atuação de uma organização ou empresa. � Cultura Popular A cultura popular é algo criado por um determinado povo, sendo que esse povo tem parte ativa nessa criação. Pode ser representada pela literatura, música, arte, dança e etc. A cultura popular é influenciada pelas crenças do povo em questão e é formada graças ao contato entre indivíduos de certas regiões. Ética e Cidadania 21 Capítulo II A ação do profissional da segurança pública fundamentada na Ética, e sua relação com às exigências legais e às expectativas dos cidadãos. A prática profissional pressupõe normas que apontam o que se deve fazer. Normas aceitas e reconhecidas com as quais os indivíduos compreendem como devem agir. Assim a ação de um indivíduo é o resultado de uma decisão refletida. Portanto, quando se reflete sobre as ações, sobre o comportamento prático com seus juízos, entra-se na esfera ética, quando essas ações envolvem o campo profissional passa-se a falar de código de ética. O primeiro dever que a profissão impõe aos profissionais da segurança pública é sem dúvida, o de bem conhecê-la. Não se pode, em verdade, exercer uma profissão, desconhecendo-lhe os deveres, as regras de conduta, as prerrogativas, até porque observar os preceitos do Código de Ética profissional é dever inerente ao exercício de toda profissão. Mesmo sem o Código de Ética abarcar tudo quando deve o policial observar no tocante à moral, tanto profissional, como individual ou social, a verdade é que ele está sujeito, além das normas gerais éticas, às normas civis e penais. O policial militar é um verdadeiro instrumento da defesa dos Direitos Humanos, uma vez que tem por missão constitucional a preservação da ordem pública, e a ofensa ilegal a esses direitos altera a ordem pública. Deve-se zelar pela correção de suas atitudes, enaltecendo a imparcialidade e a justiça, principalmente no atendimento de ocorrências policiais, protegendo a própria sociedade, permitindo o exercício pleno da Cidadania. O policial militar é um permanente guardião dos Direitos Humanos e, devendo proteger as pessoas, prevenindo-as contra a criminalidade. O bem comum da comunidade é a finalidade da atividade policial militar, pois deve atender todos os princípios da Administração Pública, desenvolvendo-se segundo os preceitos do direito e da moral, visando o bem comum. Todo ato de pessoa que represente a Administração Pública deve visar o Ética e Cidadania 22 atendimento dos anseios da Comunidade, como o policial militar age em nome dessa Administração deve objetivar o bem comum, caso contrário ocorre um desvio de finalidade. O princípio da finalidade impõe que cada servidor público aja sempre com a finalidade pública, impedindo a liberdade de buscar o atendimento de interesses particulares ou de terceiros em prejuízo do interesse público. A defesa e o respeito aos Direitos Humanos está dentro do que a sociedade espera. Logo, defender a dignidade humana, mesmo nas situações adversas, é o maior benefício que o policial militar pode fazer à sociedade. O policial militar deve lembrar-se de que a sociedade espera que ele não só a defenda, mas também que respeite a dignidade de cada pessoa. Só assim, estará visando o perfeito bem comum e consequentemente agindo dentro do princípio da finalidade. A sociedade deve buscar o respeito aos Direitos Humanos, pois sem respeito à dignidade das pessoas, não há tranquilidade. Enquanto para os cidadãos em geral o dever de lutar para o respeito aos Direitos Humanos é uma faculdade, para o policial militar é uma obrigação, uma vez que ele tem como missão constitucional e preservação da ordem pública. Com essa obrigação, deve-se agir diante de qualquer ofensa aos direitos da pessoa, e isso implica em afirmar que cada policial militar é um guardião dos Direitos Humanos. Todo dia, antes de assumir o serviço, o policial militar deve refletir sobre a sua forma de atuar, e o que cada pessoa espera dele. Assim estará consciente do vínculo necessário entre sua atividade, e a esperança proteção à liberdade e à dignidade de todos. Não é suficiente as leis previrem direitos e garantias. É necessário entender que todos estamos sujeitos a essas leis. Elas garantem os direitos, inclusive os do policial militar, mas impõem deveres, e só assim poderemos avançar no sentido de construir sociedades justas, onde todos sejam realmente livres e iguais em dignidade e direitos. Não há Cidadania sem a valorização da pessoa, e o policial militar desenvolve uma função importante e indispensável neste contexto, pois sua Ética e Cidadania 23 convivência e relacionamento profissional com ricos e com os menos favorecidos podem trazer conflitos e desequilíbrios capazes de confundir o conceito do que é “justo”. Uma sociedade sem Cidadania é uma sociedade sem liberdade, sem dignidade, sem solidariedade e principalmente sem respeito. O policial militar deve atentar para o fato de que, apesar do sistema legal prever proteção plena aos direitos fundamentais de todas as pessoas, é preciso a fiscalização, através de uma vigilância constante, para recusar e denunciar os atos ilegais de qualquer autoridade, porque desse modo, cada pessoa estará protegendo os direitos de todos. A estabilidade da sociedade e dos direitos entre os cidadãos contribuem para o progresso do Brasil, porém deve ser mantido através do cumprimento consciente de regras básicas, do respeito aos deveres sociais dos outros e das leis que regem nosso país. O policial militar deve estar bem preparado para não ofender os direitos da pessoa, mesmo diante de situações complexas. Durante o atendimento das ocorrências policias, deve-se ter cautela para não se envolver na ocorrência, devendo manter o equilíbrio e a mais absoluta imparcialidade. As pessoas merecem o mesmo tratamento, sem discriminação de qualquer natureza. Os policiais, funcionários do Estado, encarregados da aplicação da lei, devem cumprir, a todo momento, o dever que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e protegendo todas as pessoas contra atos ilegais, em conformidade com o elevado grau de responsabilidade que a sua profissão requer. Este é antes de tudo um cidadão, e na cidadania deve nutrir a sua razão de ser. Um cidadão zeloso, com seus direitos, com suas obrigações e com a responsabilidade de garantir o direito das pessoas, ao fazer prevalecer a lei e a ordem. Existe uma dimensão pedagógica no agir policial que, como em outras profissões de suporte público, antecede as próprias especificidades de sua especialidade. Os paradigmas contemporâneos na área daeducação nos obrigam a repensar o agente educacional de forma mais ampla. Ética e Cidadania 24 O policial, assim, à luz dos paradigmas educacionais mais abrangentes, é um pleno e legitimo educador. Essa dimensão é inabdicável e reveste de profunda nobreza a função policial, quando conscientemente explicitada através de comportamentos e atitudes. � ÉTICA CORPORATIVA X ÉTICA CIDADÃ A consciência da auto importância obriga o policial a abdicar de qualquer lógica corporativista. Ter identidade com a polícia, amar a corporação da qual participa, coisas essas desejáveis, não se podem confundir, em momento algum, com acobertar práticas abomináveis. Ao contrário, a verdadeira identidade policial exige do sujeito um permanente zelo pela “limpeza” da instituição da qual participa. Um verdadeiro policial, ciente de seu valor social, será o primeiro interessado no “expurgo” dos maus profissionais, dos corruptos, dos torturadores, dos psicopatas. Sabe que o lugar deles não é na polícia, pois, além do dano social que causam, prejudicam o equilíbrio psicológico de todo o conjunto da Corporação e inundam os meios de comunicação social com um marketing que denigre o esforço heróico de todos aqueles outros que cumprem corretamente sua espinhosa missão. Por esse motivo, não está disposto a conceder-lhes qualquer tipo de espaço. Aqui, se antagoniza a “ética da corporação” (que na verdade é a negação de qualquer possibilidade ética) com a ética da cidadania (aquela voltada à missão da polícia junto a seu cliente, o cidadão). O acobertamento de práticas espúrias demonstra, ao contrário do que muitas vezes parece, o mais absoluto desprezo pelas Instituições policiais. Quem acoberta o espúrio permite que ele enxovalhe a imagem do conjunto da Instituição e mostra, dessa forma, não ter qualquer respeito pelo ambiente do qual faz parte. Portanto, não se pode admitir a proteção de indivíduos que não procuram honrar o seu compromisso com a sociedade, mesmo porque, cabe lembrar, que fazer vistas grossas para determinadas condutas incompatíveis com a função policial militar, pode vir vitimar ou comprometer os bons policiais. Ética e Cidadania 25 Capítulo III A conduta ética e legal na atividade do profissional da área de segurança pública A atividade da Policia Militar, ou seja, o policiamento ostensivo e a manutenção da ordem pública estão balizados pelo respeito e a obediência às leis, o respeito pela dignidade humana, e o respeito e a proteção dos direitos humanos. São esses princípios que norteiam a atividade policial ética e legal, e são deles que derivam todas as demais exigências e disposições pertinentes à sua atividade. A aplicação da lei não pode estar baseada em práticas ilegais, discriminatórias ou arbitrárias por parte dos policiais, mesmo porque, o policial como cidadão e inserido neste contexto, também pode ser vítima de práticas abusivas, bem como, seus amigos e familiares. Tais práticas destroem a confiança popular e desacreditam a instituição, podendo contribuir para o enfraquecimento e questionamentos com relação à importância da instituição destoante das expectativas do cidadão. Policiais militares representamos o Estado e estão sujeitos às normas do Estado, além das normas específicas, e se violar a ética policial e as leis em vigor, poderá sim, ser alcançados tanto na esfera penal como administrativa e civil, conforme prevê o nosso Estatuto: Art. 43. A inobservância ou falta de exação no cumprimento dos deveres, especificados nas leis e regulamentos, acarretará para o policial-militar, responsabilidade funcional, pecuniária, disciplinar e/ou penal, consoante a legislação específica ou peculiar em vigor. Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada”. Edmund Burke. Ética e Cidadania 26 Durante a ação e no ímpeto de se alcançar resultados, o policial militar, poderá se deparar com dilemas morais, enfrentado situações em que podem sentir- se justificados a infringir a lei para resolver determinadas situações, contudo, a agressão às garantias individuais e a violação de princípios, são inaceitáveis juridicamente, mesmo quando em determinadas circunstâncias, encontrem amparo na opinião pública. A ética pessoal do indivíduo, no caso, do policial, seus valores pessoais de saber o que é bom ou mau, e certo ou errado, deve estar em sintonia com os quesitos legais para que a ação a ser realizada esteja correta. Quando um indivíduo entra uma organização, sua ética pessoal pode se confrontar com a ética do grupo, onde a decisão final é aceitá-la ou rejeitá-la. O conflito existente entre elas não é necessariamente a determinação de qual é a melhor ou pior. Assim a ética profissional se faz necessária, principalmente na Polícia Militar, cujo compromisso com o cidadão é um fator primordial, pois é o compromisso do homem em respeitar as pessoas com quem se relaciona. Esse relacionamento deve estar pautado no respeito, seriedade, justiça e valores morais. ROVER (2006, p. 155-157), no Manual de Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário para Forças Policiais e de Segurança define o temo ética, bem como os termos: ética pessoal, ética de grupo e ética profissional. ... a disciplina que lida com que é bom e mau, e com o dever moral e obrigação... ...um conjunto de princípios morais ou valores... ...os princípios de condutas que governam um individuo ou grupo (profissional)... ...o estudo da natureza geral da moral e das escolhas morais específicas.... ...as regras ou padrões que governam a conduta de membros de uma profissão... ... a qualidade moral de uma ação; propriedade. (...) ética pessoal refere-se à moral, valores e crenças do indivíduo. (...) ética de grupo estabelecida e possivelmente conflitante, com a pressão subsequente da escolha entre aceitá-la ou rejeitá-la. (...) ética profissional, um conjunto de normas codificadas do comportamento dos praticantes de uma determinada profissão. Dentro dos princípios norteadores da conduta policial, NETO (2007) define o conceito de ética policial militar: Ética e Cidadania 27 (...) a ética (ou deontologia) policial militar é constituída pelos valores e deveres éticos, traduzidos em normas de conduta, que se impõe para o exercício da profissão policial atinja plenamente ideais de realização do bem comum, mediante a preservação da ordem pública. Estes valores são aplicados, indistintamente, aos integrantes da Polícia Militar, independentemente do posto ou graduação. Esta deontologia policial deve reunir valores úteis e lógicos e valores espirituais superiores, destinados a elevar a profissão policial-militar à condição da missão. (NETO, 2007). Portanto não podemos nos afastar dos princípios basilares que norteiam a nossa profissão, e ao invés de sermos tragados pela minoria corruptora e descompromissada, temos que fazer a diferença e acreditar no horizonte bom, que todos os dias se apresenta a nossa frente. Ética e Cidadania 28 Capítulo IV A função do profissional da área de segurança pública e suas responsabilidades. Para que possamos entender o nosso papel como profissional de segurança pública e sua relação com o arcabouço jurídico, navegaremos incialmente pela nossa previsão legal como órgão de segurança pública, ou seja, pelo estudo da Constituição Federal de 1988. A nossa carta magna, em seu artigo 144 refere-se a segurança pública como sendo: dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio,através dos seguintes órgãos: Art. 144. [...]: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. § 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. § 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil. § 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine. 1 Coríntios 6: 12. Ética e Cidadania 29 A missão das policias militares, está definida, porém não basta simplesmente saber o que temos que fazer, mas fazer bem feito, pautados pelo conhecimento e pelo compromisso. Preocupado com a qualidade dos serviços públicos, inseriu-se no texto constitucional, de forma expressa o princípio da eficiência: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) Como podemos observar é obrigação de todo servidor público, inclusive policial militar, realizar suas atividades com dedicação e perfeição, por sua vez, cabe à sociedade participar e fiscalizar, e exigir qualidade e efetividade na prestação de serviços por parte da Administração Pública. Neste sentido, a própria administração deve se utilizar de mecanismos adequados para concretizar seus objetivos, tais como: capacitação de agentes públicos; melhoria nos processos administrativos; transparência; racionalização; valorização com base no mérito; produtividade e controle. Na perspectiva de organizar, estruturar, disciplinar a administração pública, surge, a necessidade de construção dos códigos de éticas das instituições, não só tipificando condutas inaceitáveis, mas traçando horizontes que contemplem as necessidades da nossa sociedade. Neste contexto, identificamos a Ética Profissional, que serve para valorizar cada vez mais o comportamento da pessoa humana no exercício de sua profissão e não para tolher sua liberdade pessoal. A partir destas delimitações, pode-se caracterizar a ética profissional como um ramo da ética formado pelos mesmos princípios, defendidos e vividos por uma categoria social, formada pelas pessoas que exercem a mesma profissão que avaliam um determinado comportamento como sendo bom ou mau, ou seja, ético ou não. Desta forma, obedecer aos preceitos do Código de Ética Profissional não é uma simples recomendação; é um dever inerente à própria profissão, considerada Ética e Cidadania 30 como infração disciplinar a transgressão de qualquer de seus preceitos, uma vez que toda a vida profissional dos profissionais do direito se reveste de invólucro moral, que serve de armadura para se defrontar na luta judiciária. A Polícia Militar do Estado de Rondônia editou normas que orientam o comportamento desejado de seus integrantes, e define condutas consideradas reprováveis. Abaixo estudaremos um pouco do nosso Estatuto, Decreto-Lei nº 09-A, de 09 de março de 1982, norma que regula a situação, obrigações, deveres, direitos e prerrogativas dos Policias Militares do nosso Estado e finalizaremos apresentando o Regulamento Disciplinar da PMRO e o Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei. Iniciamos pelo artigo 7º do Estatuto da PMRO, que define a condição jurídica dos policiais militares, lhes atribuindo direitos e deveres, ao mesmo tempo, que nos impõe deveres e obrigações: Art. 7º A condição jurídica dos policiais-militares é definida pelos dispositivos constitucionais que lhes forem aplicáveis, por este Estatuto, pelas leis e pelos regulamentos que lhes outorgam direitos e prerrogativas e lhes impõem deveres e obrigações. Como se pode verificar é expressa a preocupação com a conduta desejada para o exercício das atribuições policiais militares, a qual nos submete a observância das leis, regulamentos, nos impondo deveres e obrigações. Esse cuidado é manifesto mesmo antes do ingresso na Corporação, ainda em fase de concurso, pois pretende dentre os candidatos voluntários a ingressarem na carreira policial, selecionar aqueles, que não tenham praticados atos que doravante assumirão o compromisso de combatê-los: § 1º Para matrícula nos estabelecimentos de ensino policial-militar, além das condições estabelecidas no artigo anterior, é necessário que o candidato não apresente antecedentes policiais ou criminais e seja possuidor de boa conduta social e moral, apurados estes requisitos através de investigação social realizada pela Corporação, anterior à matrícula no curso. (Acrescido pela Lei nº 683, de 10 de dezembro de 1996 - D.O.E. de 10 de dezembro de 1996 - Efeitos a partir de sua publicação.) Em título específico, aborda assuntos que introduziram os nossos estudos, e trata dos valores policiais militares e a forma que estes devem se manifestar ao Ética e Cidadania 31 longo da nossa carreira: Art. 28. São manifestações essenciais do valor policial-militar: I - o patriotismo traduzido pela vontade inabalável de cumprir o dever policial-militar e solene juramento de fidelidade à Pátria; II - o civismo e o culto das tradições históricas, III - a fé na missão elevada da Polícia Militar; IV - o amor à profissão e o entusiasmo com que a exerce; V - o aprimoramento técnico-profissional; VI - o espírito de corpo e orgulho pela Corporação. Segue, o disposto no artigo 29, na íntegra, tema principal de nosso módulo e traduz á ética policial militar: Art. 29. O sentimento do dever, o pundonor policial- militar e o decoro da classe impõem a cada um dos integrantes da Polícia Militar conduta moral e profissional irrepreensíveis, com observância dos seguintes preceitos da ética policial-militar: I - amar a verdade e a responsabilidade como fundamentos da dignidade pessoal II - exercer, com autoridade, eficiência e probidade, as funções que lhe couberem em decorrência do cargo; III - respeitar a dignidade da pessoa humana; IV - cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das autoridades competentes; V - ser justo e imparcial, nos julgamentos dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados; VI - zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e físico e, também, pelo dos subordinados, tendo em vista o cumprimento da missão comum; VII - empregar todas as suas energias em benefício do serviço; VIII - praticar a camaradagem e desenvolver, permanentemente, o espírito de cooperação; IX - ser discreto em suas atitudes e maneiras, e em sua linguagem escrita e falada; X - abster-se de tratar, fora do âmbito apropriado, de matéria relativa à Segurança Nacional, seja de caráter sigiloso ou não; XI - acatar as autoridades constituídas; XII - cumprir seus deveres de cidadão; XIII - proceder de maneira ilibada na vida pública e particular; XIV - observar as normas de boa educação; XV - garantir assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família modelar; XVI - conduzir-se, mesmo fora do serviço, ou na inatividade, de modo que não sejam prejudicados os princípiosda disciplina, do respeito Ética e Cidadania 32 e do decoro policial- militar; XVII - abster-se de fazer uso do posto, ou graduação, para obter facilidades pessoais de qualquer natureza, ou para encaminhar negócios particulares ou de terceiros; XVIII - abster-se o Policial-Militar, na inatividade, do uso das designações hierárquicas quando: a) em atividade político-partidária; b) em atividades comerciais; c) em atividades industriais; d) para discutir ou provocar discussões pela imprensa a respeito de assuntos políticos ou policiais-militares, excetuando-se as de natureza exclusivamente técnica, se devidamente autorizado; e) no exercício de funções de natureza não policial-militar, mesmo oficiais. XIX - zelar pelo bom nome da Polícia Militar e de cada um dos seus integrantes, obedecendo e fazendo obedecer aos preceitos da ética policial- militar. Parágrafo único. Ao policial-militar, em serviço ativo, são proibidas a sindicalização, a greve e a filiação a partidos políticos. (Acrescido pela Lei nº 305, de 07 de janeiro de 1991 - D.O.E. de 9 de janeiro de 1991 - Efeitos a partir de sua publicação.) O estatuto também aborda de maneira bem objetiva os deveres como Policial Militar, quais sejam: 32. São deveres dos Policiais-Militares: I - a dedicação integral ao serviço policial-militar e a fidelidade à instituição a que pertencer; II - o culto aos símbolos nacionais; PARE E LEIA OS ITENS NOVAMENTE, DE FORMA CRÍTICA. Ética e Cidadania 33 III - a probidade e lealdade em todas as circunstâncias; IV - a disciplina e o respeito à hierarquia; V - o rigoroso cumprimento das obrigações e ordens; VI - a obrigação de tratar o subordinado, dignamente e com urbanidade. VII- manter domicílio no local para onde for designado a prestar o serviço Policial-Militar. (Acrescido pela Lei nº 683, de 10 de dezembro de 1996 - D.O.E. de 10 de dezembro de 1996 - Efeitos a partir de sua publicação Observe que assumimos por compromisso ao escolher ser policial militar, nos dedicarmos de forma incondicional ao nosso papel constitucional, sendo leal: à sociedade que optamos por servir e a nossa instituição. Aceitamos solenemente, através de juramento, respeitar as nossas tradições, sermos honestos em todas as circunstâncias, cumprir as normas e respeitar a hierarquia, bem como, tratar os subordinados e todos os cidadãos com respeito e atenção. Relembremos o nosso compromisso prestado quando do ingresso na corporação, perante autoridades constituídas, familiares e amigos, manifestando de forma consciente a nossa aceitação em bem servir a sociedade: Art. 34. (...) “Ao ingressar na Polícia Militar do Estado de Rondônia, prometo regular a minha conduta pelos preceitos da moral, cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado, e dedicar-me, inteiramente ao serviço policial- militar, à manutenção da ordem pública e à segurança da comunidade, mesmo com o risco da própria vida".(Alterado pela Lei nº 683, de 10 de dezembro de 1996 - D.O.E. de 10 de dezembro de 1996 - Efeitos a partir de sua publicação.). Passemos ao estudo do Decreto nº 13255, de 12 de novembro de 2007, que aprova o Regulamento Disciplinar da PMRO, que além de regular o exercício dos poderes hierárquico e disciplinar, disciplina a apuração de transgressões disciplinares, a aplicação de punição, a concessão de benefícios e a apreciação de recursos e tipifica determinadas condutas inaceitáveis na Corporação. Como já estudado, a base da nossa Instituição Policial Militar, é a hierarquia e a disciplina. A disciplina de acordo com o regulamento se manifesta através da: correção de atitudes; a pronta obediência às ordens dos superiores hierárquicos; a Ética e Cidadania 34 dedicação ao serviço, prioritariamente; a colaboração espontânea à disciplina coletiva e à eficiência da Corporação; a consciência das obrigações e a rigorosa observância das prescrições regulamentares. O RDPM define as ações ou omissões contrárias á ética ou ao dever policial militar como sendo “Transgressão disciplinar”, sujeitando o policial militar a responsabilização pelos atos praticados. O artigo 13 define como sendo transgressão disciplinar ou violação ao nosso compromisso “todas as ações ou omissões contrárias à disciplina policial militar, especificadas nos artigos 15, 16 e 17 do Regulamento, bem como, todas as ações ou omissões contrárias à legislação vigente, desde que violem a ética ou o dever policial militar”, além de definir sua natureza de acordo com a intensidade do ato praticado, podendo ser: leve, média ou grave. Abaixo, citamos um recorte de algumas condutas que podem constituir violação a ética ou a dever policial militar: Art. 15. São transgressões de natureza leve: I – portar-se inconvenientemente, desrespeitando as normas de boa educação, os costumes ou as convenções sociais; II – não portar seu documento de identidade, quando uniformizado, ou não exibi-lo quando solicitado; III – deixar de participar em tempo hábil, à autoridade competente, a impossibilidade de comparecer à OPM ou a qualquer ato de serviço de que deva participar ou a que deva assistir; IV – permutar serviço sem autorização da autoridade competente; (...) Art. 16. São transgressões disciplinares de natureza média: I – concorrer para a discórdia, desarmonia ou cultivar inimizade entre os policiais militares ou entre estes e os de outra Corporação; II – interferir na administração do serviço ou na execução de ordem ou missão sem ter a devida competência para tal, exceto para salvaguardar o interesse da Corporação; III – deixar de cumprir ou de fazer cumprir as normas, regulamentos ou instruções na esfera de suas atribuições; VI – negar-se a receber documento ou processo que lhe for encaminhado por autoridade competente, exceto nos casos de impedimento justificável, hipótese em que deverá manifestar-se por escrito; Ética e Cidadania 35 (...) Art. 17. São transgressões disciplinares de natureza grave: I – faltar à verdade, espalhar boatos ou utilizar-se do anonimato; II – filiar-se, quando na ativa, a partidos políticos, sindicatos, associações profissionais com caráter de sindicato ou associações cujos estatutos não estejam de conformidade com a lei; – tomar parte, uniformizado, em manifestação de caráter político ou reivindicatório; IV – discutir ou promover discussão, por meio de qualquer veículo de comunicação, sobre assuntos estratégicos afetos à área da segurança pública; (...) Para finalizar, apresento o Código de Conduta para os Encarregados pela Aplicação da Lei, Resolução 34/169, da 106ª sessão plenária, da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 17 dez 1979 – CCEAL. O Brasil como membro da Organização das Nações Unidas (ONU) está vinculado às resoluções que criaram o Código de Conduta (CCEAL) e os princípios básicos sobre a utilização da força e de armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei (PBUFAF). O CCEAL reconhece a importante função desempenhada, de maneira digna e diligente, pelos policiais, de acordo com os princípios dos direitos humanos, e exige que os seus padrões façam parte da crença de todo policial através de educação, treinamento e avaliação. Art. 1º - Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem cumprir, a todo o momento, o dever que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e protegendo todas as pessoas contra atos ilegais, em conformidade com o elevado grau de responsabilidade que a sua profissão requer. Art. 2º - No cumprimento do seu dever, os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem respeitar e proteger a dignidade humana, manter e apoiar os direitos fundamentais detodas as pessoas. Art. 3º - Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem empregar a força quando tal se afigure estritamente necessário e na medida exigida para o cumprimento do dever. Art. 4º - Nenhum funcionário responsável pela aplicação da lei pode infligir, instigar ou tolerar qualquer ato de tortura ou qualquer outra pena ou tratamento cruel, desumano ou degradante, nem invocar ordens superiores ou circunstâncias Ética e Cidadania 36 excepcionais, tais como o estado de guerra ou ameaça a segurança nacional, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública como justificação para torturas ou outras penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Art. 5º - Reitera a proibição da tortura ou outro tratamento ou pena cruel, desumana ou degradante. Art. 6º - Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem assegurar a proteção da saúde das pessoas à sua guarda e, em especial, devem tomar medidas imediatas para assegurar a prestação de cuidados médicos sempre que tal seja necessário. Art. 7º - Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei não devem cometer ato de corrupção. Devem, igualmente, opor-se rigorosamente e combater todos os atos dessa índole. Art. 8º - Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem respeitar a lei e o presente código A intenção do legislador fora definir padrões gerais de comportamento aos encarregados de aplicarem a lei, zelando pelo bem servir a comunidade, protegendo o cidadão contra abusos e comprometidos com a defesa da vida. Boa Prova! Ética e Cidadania 37 Síntese Bom, chegando ao fim desta etapa vocês tiveram a oportunidade de rever alguns conceitos antes estudados no Curso de Formação de Soldados, estudaram sobre aspectos éticos e sua aplicação prática como profissional de segurança pública. Identificaram a necessidade de agir com ética e profissionalismo através da reflexão sobre o seu papel como profissional de segurança pública e espero que coloquem em prática e consigam realmente atender as expectativas da sociedade. Vimos que Moral está ligada diretamente aos costumes e que ética refere-se a comportamento. Abordamos sobre os aspectos e a ética das profissões, bem como, da necessidade dos Códigos de Éticas pelas instituições. Estudamos recortes de nossa legislação específica, a saber: Estatuto e Regulamento Disciplinar, e também abordamos de forma discreta o Código de Conduta para os Encarregados pela Aplicação da Lei. Espero que coloquem em prática os conhecimentos socializados durante esse período, e que doravante, sejamos agentes de transformação, na construção de uma sociedade mais justa e voltada para o respeito a dignidade humana. Despeço-me desejando a todos, sucesso nessa empreitada e que consigam atingir os seus objetivos. Abraços...... Ética e Cidadania 38 Referências - Apostila CFSD 2016/2017. - Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 - Decreto-Lei nº. 09-A, de 09 de março de 1982 (Estatuto dos Policiais Militares da Polícia Militar do Estado de Rondônia); - ARAÚJO , Júlio César Rodrigues de, TCC - Abordagem Policial: Conduta Ética e Legal – 2008; - Lei nº. 13.255, de 12 de novembro de 2007 (Regulamento Disciplinar da Polícia Militar de Rondônia); - Matriz Curricular Nacional; - MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 2002. - NETO. Miguel Libório Cavalcante. Ética policial militar no exercício da atividade de polícia ostensiva. - PIETRO, Maria Sylvia Zanella Di. Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 2002. - ROVER. Cees de. Para servir e proteger. Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário para Forças Policiais e de Segurança: manual para instrutores. Tradução de Silvia Backes e Ernani S. Pilla. 2.ª ed. Belo Horizonte: Polícia Militar de Minas Gerais. 2006. - Teoria do conhecimento : livro didático / conteudistas, Alexandre de Medeiros Motta, Gabriel Henrique Collaço, Marciel Evangelista Cataneo, Vilson Leonel ; design instrucional Eliete de OliveiraCosta. – Palhoça : UnisulVirtual, 2013. - VALLA, Wilson Odirley – Deontologia Policial Militar / 3ª ed. Ver. E ampl, Curitiba, Paraná 2003 – (AVM); - http://www.significados.com.br/cidadania/ - http://www.webartigos.com/artigos/o-principio-da-eficiencia-na-gestao- publica/ - http://conceito.de/costume#ixzz40kWiQ8ZD - http://www.dicionarioinformal.com.br/costume/ - http://cdn5.colorir.com/desenhos/color/201101/7af0ca2688ace03e132ea6cf2 6d0eee2.png Sobre a professora conteudista Ednelza do Amaral Teixeira Nascimento, ocupa o posto de Capitã, é formada em História pela Universidade Federal de Rondônia, em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul –SP, pós graduada em Gestão de Pessoas e Segurança Pública e Direitos Humanos, entrou nas fileiras da Polícia Militar do Estado de Rondônia no Curso de Formação de Soldados – 2006, formou no curso de Segurança Publica/ Curso de formação de Oficiais no ano 2011. Trabalha atualmente na Diretoria de Apoio Administrativo e Logístico, onde desempenha suas funções enquanto diretora adjunta e chefe da Divisão de Patrimônio, trabalhou parte de sua carreira na Corporação no 5º Batalhão de Polícia Militar.