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Português - Literatura
CRÔNICA
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Sumário
Introdução ...........................................................................................................................................2
Objetivos ..............................................................................................................................................2
1. Crônica .........................................................................................................................................2
1.1. Conceito de crônica ..............................................................................................................2
1.2. Características da crônica ....................................................................................................3
Gabarito ...............................................................................................................................................8
Resumo ................................................................................................................................................8
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Introdução
Com base no capítulo Operadores da leitura do texto narrativo de Arnaldo
Franco Junior, vamos apresentar o conceito de crônica, observando os principais
aspectos de sua estrutura. O fato de ser um gênero ensaístico por natureza, e como
ela transita por várias características, apresentando elementos de outros gêneros e
tipos textuais.
Objetivos
• Apresentar o conceito de crônica.
• Apresentar os principais aspectos da estrutura da crônica.
• Apresentar os diferentes tipos de crônicas, bem como as
características herdadas de outros gêneros textuais.
1. Crônica
1.1. Conceito de crônica
Talvez a dificuldade em se dar uma classificação mais rígida seria, de acordo
com Antonio Candido, devido ao caráter popular do gênero. Segundo o crítico,
[...]A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de
grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas,
dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista,
por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica mais perto de nós.
E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de
perto, mas para a literatura. Ora, a crônica está sempre ajudando a estabelecer ou
restabelecer a dimensão das coisas e das pessoas. Em lugar de oferecer um cenário
excelso, numa revoada de adjetivos e períodos candentes, pega o miúdo e mostra
nele uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas. Ela é amiga da
verdade e da poesia nas suas formas mais diretas e também nas suas formas mais
fantásticas, sobretudo porque quase sempre utiliza o humor. Isto acontece porque
não tem pretensões a durar, uma vez que é filha do jornal e da era da máquina, onde
tudo acaba tão depressa. Ela não foi feita originalmente para o livro, mas para essa
publicação efêmera que se compra num dia e no dia seguinte é usada para
embrulhar um par dos sapatos ou forrar o chão da cozinha.” [...]
A partir da reflexão de Candido, podemos concluir que a crônica seria um tipo
textual narrativo curto, como o conto e geralmente produzido em jornais, revistas e
meios de comunicação. O que difere a crônica do conto é que essa trata geralmente
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de acontecimentos do cotidiano, por esse motivo a crônica está extremamente
ligada ao contexto social de sua atualidade.
Conto e crônica são narrativas curtas. Porém, embora em sua maioria o conto
tenha um teor literário, trazendo uma narrativa que possa ser lida brevemente em
sua totalidade sem prejudicar a integridade da obra, a crônica busca trazer, de
maneira explícita, uma reflexão sobre o cotidiano. No entanto, nos dias de hoje há a
crônica literária, que mescla elementos do texto literário e do ensaístico.
A crônica é um pequeno texto variado publicado em revistas e jornais. Pode
ser lírica, como a de Rubem Braga; narrativa, de Fernando Sabino; política, de Carlos
Castelo Branco; esportiva, de João Saldanha. O clássico da crônica é Rubem Braga,
que a transformou num gênero típico, espécie de poesia em prosa.
Existem três tipos mais conhecido de crônica: a jornalística, a narrativa e a
humorística.
SAIBA MAIS!
1.2. Características da crônica
Deve-se observar que a crônica é, também, um texto NARRATIVO e, como tal,
possui características que determinam sua estrutura.
Dizer que ele é um texto narrativo, significa dizer que ela conta os eventos do
cotidiano, com uma diferença: não estão sendo relatadas as grandes histórias e
grandes feitos, mas os acontecimentos diários.
Ela possui o que chamamos de "Personagens", os indivíduos que agem no
texto narrado, seja como protagonistas, coadjuvantes ou protagonistas. Se uma
história é centrada em um indivíduo, este é o protagonista. Os que o auxiliam, que
possibilitam o desenrolar dos fatos, são os coadjuvantes. E aquele que estão em
oposição ao protagonista, é o antagonista. Em um conto de fadas, ele seria o vilão.
Grandes escritores brasileiros também foram grandes
cronistas. Machado de Assis, Lima Barreto, Aluísio de
Azevedo...
Como eles publicavam em jornais seus romances, também
fizeram muitas experimentações em gêneros considerados
"menores", sem grande relevância literária no século XIX,
como a crônica. Hoje, muito do desenvolvimento desse gênero
deve a esses escritores, a ponto de termos uma geração de
grandes cronistas, como Luís Fernando Veríssimo.
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Mas como a crônica relata eventos do cotidianos, pode ser um simples personagem
que atua como empecilho.
O texto também possui a categoria do "tempo", o qual pode ser linear ou não.
Se for descrito uma série de acontecimentos com início, meio e fim, temos uma
linearidade. Mas se o texto começa pelo veio, vai para o fim, volta para o começo,
retorna para o fim, em suma, uma história entrecortada, ela é não linear. É um
formato muito comum na crônica, já que é comum o escritor relatar um dado
acontecimento e, em seguida, voltar no tempo para explicar os motivos do ocorrido.
O "Espaço" é onde os acontecimentos se desenvolvem. Como a crônica é
majoritariamente ambientada na cidade, os eventos do dia a dia ali serão
ambientados. Encontros, desencontros, crimes, notícias políticas...
O enredo é como os acontecimentos progridem. Toda história tem um início,
no qual são apresentadas as personagens. Ela tem um conflito inicial, o que tira as
pessoas do seu ócio, que faz com que se movam. Há o desenvolvimento das ações, o
clímax, que é o momento em que personagens tomam decisões que os levam à
solução dos problemas e, por último, a conclusão dos fatos.
Por último, mas não menos importante, temos o narrador. Ocasionalmente a
crônica é narrada por alguém que participou dos fatos, ou só ouviu falar.
Quando o narrador é em 1ª pessoa, ele participou dos acontecimentos
narrados, e isso fica claro pelos verbos utilizados ('vi, fiz, entendi"), sendo que pode
ser narrado pelo protagonista, ou pelo coadjuvante; mas quando a crônica é
narrada em 3ª pessoa, a história é contada por alguém que não teve contado direto,
relata tudo como algo mais distante. Se ele apenas relata os acontecimentos, é um
narrador observador. Mas se ele inclusive diz o que as personagens pensam, sentem,
enfim, o que motivasuas ações, é um narrador onisciente que conhece todos os
fatos.
SAIBA MAIS!
Essas mesmas características da crônica estão presentes no
romance, no conto e em gêneros narrativos. Dai que contar a
história, fazer relatos, é uma das atividades mais antigas
praticadas pelo homem, pelo seu caráter lúdico,
memorialista e, em alguns casos mais antigos, religioso.
Muitas das crônicas antigas não envolviam o entretenimento,
mas registrar a vidas dos grandes homens, como reis. O nome
vem de "Kronus", "o tempo".
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Abaixo, temos alguns tipos de crônicas que exemplificam as características já
apresentadas:
a) A Bola
O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao
ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro.
Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola.
O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse "Legal!". Ou o que os
garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o
velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.
- Como e que liga? - perguntou.
- Como, como é que liga? Não se liga.
O garoto procurou dentro do papel de embrulho. - Não tem manual de
instrução?
O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os
tempos são decididamente outros.
- Não precisa manual de instrução.
- O que é que ela faz?
- Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.
- O quê?
- Controla, chuta...
- Ah, então é uma bola.
- Claro que é uma bola.
- Uma bola, bola. Uma bola mesmo.
- Você pensou que fosse o quê?
- Nada, não.
O garoto agradeceu, disse "Legal" de novo, e dali a pouco o pai o encontrou
na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um
videogame. Algo chamado Monster Baú, em que times de monstrinhos disputavam a
posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que
tentavam se destruir mutuamente.
O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava
ganhando da máquina.
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O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar
a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.
- Filho, olha.
O garoto disse "Legal" mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola
com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A
bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou.
Mas em inglês, para a garotada se interessar.
Luís Fernando Veríssimo
b) A invenção do milênio
Qual foi a maior invenção do milênio? Minha opinião mudou com o tempo. Já
pensei que foi o sorvete, que foi a corrente elétrica, que foi o antibiótico, que foi o
sufrágio universal, mas hoje _ mais velho e mais vivido _ sei que foi a escada rolante.
Para muitas pessoas, no entanto, a invenção mais importante dos últimos mil anos
foi o tipo móvel de Gutemberg. Nada influenciou tão radicalmente tanta coisa,
inclusive a religião (a popularização e a circulação da Bíblia e de panfletos
doutrinários ajudaram na expansão do protestantismo), quanto a prensa e o
impresso em série. Mas há os que dizem que a prensa não é deste milênio, já que os
chineses tiveram a ideia de blocos móveis antes de Gutemberg, e antes do ano 1001,
e que _ se formos julgar pelo impacto que tiveram sobre a paisagem e sobre os
hábitos humanos _ o automóvel foi muito mais importante do que a tipografia. O
melhor teste talvez seja imaginar o tempo comparativo que levaríamos para notar os
efeitos da ausência do livro e do automóvel no mundo. Sem o livro e outros
impressos seríamos todos ignorantes, uma condição que leva algum tempo para
detectar, ainda mais se quem está detectando também é ignorante. Sem o
automóvel, não existiriam estradas asfaltadas, estacionamentos, a Organização dos
Países Exportadores de Petróleo e provavelmente nem os Estados Unidos, o que se
notaria em seguida. É possível ter uma sociedade não literária, mas é impossível ter
uma civilização do petróleo e uma cultura do automóvel sem o automóvel. Ou seja:
nós e o mundo seríamos totalmente outros com o Gutemberg e sem o automóvel,
mas seríamos os mesmos, só mais burros, com o automóvel e sem o Gutemberg. É
claro que esse tipo de raciocínio _ que invenções fariam mais falta, não num sentido
mais nobre, mas num sentido mais prático _ pode ser levado ao exagero. Não seria
difícil argumentar que, por este critério, as maiores invenções do milênio foram o
cinto e o suspensório, pois o que teriam realizado Gutemberg e o restante da
humanidade se tivessem de segurar as calças por mil anos? Já ouvi alguém dizer que
nada inventado pelo homem desde o estilingue é mais valioso do que o cortador de
unhas, que possibilitou às pessoas que moram sozinhas cortar as unhas das duas
mãos satisfatoriamente, o que era impossível com a tesourinha. Tem gente que não
consegue imaginar como o homem pôde viver tanto tempo sem a TV e uma geração
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que não concebe o mundo sem o controle remoto. E custa acreditar que nossos
antepassados não tinham nada parecido com tele-entrega de pizza.
Minha opinião é que as grandes invenções não são as que saem do nada, mas
as que trazem maneiras novas de usar o que já havia. Já existia o vento, faltavam
inventar a vela. Já existia o bolor do queijo, faltava transformá-lo em penicilina. E já
existia a escada, bastava pô-la em movimento. Tenho certeza que se algum viajante
no tempo viesse da antiguidade para nos visitar, se maravilharia com duas coisas: o
zíper e a escada rolante. Certo, se espantaria com o avião, babaria com o biquíni,
admiraria a televisão, mesmo fazendo restrições à programação, teria dúvidas sobre
o microondas e o celular, mas adoraria o caixa automático, mas, de aproveitável
mesmo, apontaria o zíper e a escada rolante, principalmente esta. Escadas em que
você não subia de degrau em degrau, o degrau levava você! Nada mais prático na
antiguidade, onde escadaria era o que não faltava. Com o zíper substituindo ganchos
e presilhas, diminuindo o tempo de tirar e botar a roupa e o risco de flagrantes de
adultério e escadas rolantes facilitando o trânsito nos palácios, a antiguidade teria
passado mais depressa, a Idade Moderna teria chegado antes, o Brasil teria sido
descoberto há muito mais tempo e todos os nossos problemas já estariam resolvidos
faltando só, provavelmente, a reforma agrária.
E o Homem do milênio? Se não foi o Gutemberg, quem foi? Também depende
dos critérios. Se o fato mais importante do mundo no fim do milênio é a
globalização, então devemos honrar o homem que começou tudo isso: Gengis Khan.
Foi ele que convocou as tribos das estepes e avançou contra o Ocidente, unindo a
Europa no susto. Antes da ameaça dos mongóis, no século 13, a Europa era uma
coleção de Estados monárquicos e papais em conflito, sem qualquer identidade
continental ou interesse no restante do mundo. Gengis e seus ferozes descendentes
mudaram tudo isto. Criaram entre os europeus a ideia de uma identidade comum,
despertaram o seu interesse no Oriente e em outros povos e foram os responsáveis
indiretos pelo Renascimento, no século seguinte.
E dizem que foi um neto do grande Khan, ao reclamar da falta de gosto da
comida europeia antes de decapitar um garçom, que deflagrou a grande busca por
especiarias que levou aos descobrimentos, ao comércio internacional e à civilização
como nós a conhecemos. Nós, literalmente, não estaríamos aqui se não fosse o
Gengis Khan. E a mulher do milênio, claro, é a Patrícia Pillar.
Luís Fernando Veríssimo
c) Furto da Flor
Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava,e eu furtei a
flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não
estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida. Passei-a para o
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vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição.
Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.
Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água
do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la no
jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer. Já murcha,
e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim
onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me.
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!
Carlos Drummond de Andrade
Exercícios
1) A partir dos estudos feitos no presente capítulo, ordene a coluna a seguir?
( ) Crônica Jornalística
( ) Crônica Narrativa
( ) Crônica humorística
2) Indique as personagens principais da crônica A Bola.
3) O que dá o efeito de humor na crônica A invenção do Milênio?
4) Indique as personagens principais da crônica Furto da Flor e o espaço em que se
desenvolve a narrativa?
Gabarito
1) a – c- b
2) O pai e o menino.
3) A citação de Patrícia Pillar.
4) O homem que furtou a flor e o porteiro, o jardim e o edifício.
Resumo
Relembrando o que vimos no capítulo, a crônica seria um tipo textual
narrativo curto, em jornais, revistas, relacionada aos acontecimentos do cotidiano e
da atualidade.
Inicialmente é uma forma de registro dos acontecimentos, sendo uma das
origens do texto em prosa no ocidente. Com a diferenciação progressiva entre texto
ficcional e factual, começa a desenvolver-se como texto dos gêneros ensaísticos,
trazendo discussão sobre aspectos do cotidiano.
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Atualmente, a própria crônica passa por processos de reinvenções, tendo em
vista que diferentes crônicas como Rubem Braga levaram ao limite as possibilidades
do gênero.
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Referências bibliográficas
CANDIDO, Antônio. A vida ao rés-dochão. In: Para gostar de ler – Crônicas 5. São Paulo. Ática. 1981.
FRANCO JR., Arnaldo. Operadores de leitura da narrativa. In: BONNICI, Thomas e ZOLIN, Lúcia
Osana. (orgs.) Teoria da Literatura, abordagens históricas e tendências contemporâneas. Maringá, Ed.
da UEM, 2003, pp.33-56.
MARICONI, Ítalo. Os cem melhores contos brasileiros do século. Editora Objetiva – Rio de Janeiro,
2000. Furto de flor – Crônica de Carlos Drummond de Andrade
VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Editora Objetiva. 2001.
Disponível em: < https://www.todamateria.com.br>. Acesso em: 27/10/2018.