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Contagem 2016 CRISTIANA LUCIANA FERREIRA LIMA HAMILTON OLIVEIRA SILVA PATRICIA CRISTINA DIAS RONAN CÂNDIDO DA COSTA SIMONE FERREIRA ANTÔNIO WILLIAN MOISÉS DOS SANTOS EAD – EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA - LICENCIATURA EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Contagem 2016 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Trabalho apresentado ao Curso de Educação Física à Universidade Norte do Paraná - UNOPAR, como requisito parcial para a obtenção de média bimestral nas disciplinas de Educação à Distância; Sociedade Educação e Cultura; Educação Inclusiva; Língua Brasileira de Sinais – Libras; Seminário da Prática I. Orientador: Profs. Wilson Sanches; Maria Gisele de Alencar; Sandra C M Vedoato; Mari Clair M Nascimento. CRISTIANA LUCIANA FERREIRA LIMA HAMILTON OLIVEIRA SILVA PATRICIA CRISTINA DIAS RONAN CÂNDIDO DA COSTA SIMONE FERREIRA ANTÔNIO WILLIAN MOISÉS DOS SANTOS SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 3 2 ASPECTOS HISTÓRICOS DA DEFICIÊNCIA ................................................. 4 2.1 INCLUSÃO ESCOLAR .................................................................................... 7 3 CONCLUSÃO ................................................................................................ 12 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 13 3 1 INTRODUÇÃO Discussões e antagonismos do conceito de inclusão esta vinculado à história da Educação Especial e da inclusão das pessoas com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares e se refere ao processo de inserção escolar. Na década de 80 os movimentos sociais liderados por entidades de pessoas com deficiência começam a elaborar modelo social de deficiência. Encontram-se diversas barreiras que impedem o desenvolvimento e inserção social e escolar, tais como: políticas discriminatórias, atitudes preconceituosas, padrões de normalidade, pré-requisitos atingíveis apenas pela maioria homogênea. As práticas de inclusão surgem a partir desses movimentos sociais e se fundamentam na modificação da sociedade para atender as necessidades das pessoas, de modo a eliminar barreiras que as excluíam e as mantinham afastadas de atividades e instituições sociais. No âmbito educacional, escolas começam a ser reestruturadas para, não apenas receber em seu ambiente físico, pessoas com deficiências físicas, mentais e com características atípicas, mas para promover o desenvolvimento de sua aprendizagem. O Brasil, atualmente, possui vasta legislação que visa à melhoria das condições de vida do segmento populacional constituído pelas pessoas com deficiência. Porém, a legislação não assegura práticas inclusivas, mas ela se apresenta como importante elemento na promoção da igualdade de direitos e respeito à individualidade. As políticas de ações afirmativas, consideradas políticas compensatórias, que visam minimizar os efeitos da exclusão social vivenciados por determinados grupos sociais, vêm sendo praticadas no país há alguns anos. Por tanto, de modo a compreender a construção destes dispositivos de inclusão escolar, sua aplicabilidade, seus aspectos positivos e negativos, buscamos registros históricos de teóricos que respondam os modelos adotados atualmente pelas políticas públicas. 4 2 ASPECTOS HISTÓRICOS DA DEFICIÊNCIA As pessoas com deficiência conquistaram espaço e visibilidade na sociedade brasileira nas últimas décadas. Na literatura acadêmica, há estudos na área da psicologia, da educação e da saúde que se configuram como tradicionais áreas do conhecimento que se interessam pelo tema. Entretanto, esse grupo de pessoas pouco interesse despertou nos historiadores e se encontram à margem dos estudos históricos e sociológicos sobre os movimentos sociais no Brasil, apesar de serem atores que empreenderam, desde o final da década de 1970, e ainda empreendem intensa luta por cidadania e respeito aos Direitos Humanos. Segundo SASSAKI(2005) no começo da história, durante séculos, romances, nomes de instituições, leis, mídia e outros meios mencionavam “os inválidos”. O termo significava “indivíduos sem valor”. Em pleno século 20, ainda se utilizava este termo, embora já sem nenhum sentido pejorativo. Aquele que tinha deficiência era tido como socialmente inútil, um peso morto para a sociedade, um fardo para a família, alguém sem valor profissional. Século 20 até aproximadamente 1960, o termo inválido derivou-se para incapacitados. O termo incapacitado significava, de início, “indivíduos sem capacidade” e, mais tarde, evoluiu e passou a significar “indivíduos com capacidade residual”. Durante várias décadas, era comum o uso deste termo para designar pessoas com deficiência de qualquer idade. Uma variação foi o termo “os incapazes”, que significava “indivíduos que não são capazes” de fazer algumas coisas por causa da deficiência que tinham. Foi um avanço da sociedade reconhecer que a pessoa com deficiência poderia ter capacidade residual, mesmo que reduzida. Mas, ao mesmo tempo, considerava-se que a deficiência, qualquer que fosse o tipo, eliminava ou reduzia a capacidade da pessoa em todos os aspectos: físico, psicológico, social, profissional etc. De 1960 a 1980 surgiram os termos “defeituosos”, “deficientes” e “excepcionais”. A sociedade passou a utilizar estes três termos, que focalizam as deficiências em si sem reforçarem o que as pessoas não conseguiam fazer como a maioria. Simultaneamente, difundia-se o movimento em defesa dos direitos das pessoas superdotadas (expressão substituída por “pessoas com altas habilidades” ou “pessoas com indícios de altas habilidades”). O movimento mostrou que o termo “os excepcionais” não poderia referir-se exclusivamente aos que tinham deficiência 5 intelectual, pois as pessoas com superdotação também são excepcionais por estarem na outra ponta da curva da inteligência humana. Entre 1981 e 1987 por pressão das organizações de pessoas com deficiência, a ONU deu o nome de “Ano Internacional das Pessoas Deficientes” ao ano de 1981. E o mundo achou difícil começar a dizer ou escrever “pessoas deficientes”. O impacto desta terminologia foi profundo e ajudou a melhorar a imagem destas pessoas. “Pessoas deficientes”, foi pela primeira vez em todo o mundo, o substantivo “deficientes” (como em “os deficientes”) passou a ser utilizado como adjetivo, sendo-lhe acrescentado o substantivo “pessoas”. A partir de 1981, nunca mais se utilizou a palavra “indivíduos” para se referir às pessoas com deficiência. Foi atribuído o valor “pessoas” àqueles que tinham deficiência, igualando-os em direitos e dignidade à maioria dos membros de qualquer sociedade ou país. A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou em 1980 a Classificação Internacional de Impedimentos, Deficiências e Incapacidades, mostrando que estas três dimensões existem simultaneamente em cada pessoa com deficiência. De 1988 até 1993 alguns líderes de organizações de Pessoas com Deficiência contestaram o Termo “pessoa deficiente” alegando que ele sinaliza que a pessoa inteira é deficiente, o que era inaceitável para eles. O termo “pessoas portadorasde deficiência que era utilizado somente em países de língua portuguesa, foi proposto para substituir o termo “pessoas deficientes”. Pela lei do menor esforço, logo reduziram este termo para “portadores de deficiência”. O “portar uma deficiência” passou a ser um valor agregado à pessoa. A deficiência passou a ser um detalhe da pessoa. O termo foi adotado nas Constituições federal e estaduais e em todas as leis e políticas pertinentes ao campo das deficiências. Conselhos, coordenadorias e associações passaram a incluir o termo em seus nomes oficiais. Á partir de 1990 passou a utilizar-se o termo “pessoas com necessidades especiais”. O art. 5° da Resolução CNE/CEB n° 2, de 11/9/01, explica que as necessidades especiais decorrem de três situações, uma das quais envolvendo dificuldades vinculadas a deficiências e dificuldades não vinculadas a uma causa orgânica. O termo surgiu primeiramente para substituir “deficiência” por “necessidades especiais”, daí a expressão “portadores de necessidades especiais”. Depois, esse termo passou a ter significado próprio sem substituir o nome “pessoas com deficiência”. De início, “necessidades especiais” representava apenas um novo termo. Depois, com a vigência da Resolução n° 2, “necessidades especiais” passou 6 a ser um valor agregado tanto à pessoa com deficiência quanto a outras pessoas. Nesta mesma época, surgiram expressões como “crianças especiais”, “alunos especiais”, “pacientes especiais” e assim por diante numa tentativa de amenizar a contundência da palavra “deficientes”. O termo “pessoas especiais” apareceu como uma forma reduzida da expressão “pessoas com necessidades especiais”, constituindo um eufemismo dificilmente aceitável para designar um segmento populacional. O adjetivo “especiais” permanece como uma simples palavra, sem agregar valor diferenciado às pessoas com deficiência. O “especial” não é qualificativo exclusivo das pessoas que têm deficiência, pois ele se aplica a qualquer pessoa. Em junho de 1994 a Declaração de Salamanca preconiza a educação inclusiva para todos, tenham ou não uma deficiência. “Pessoas com deficiência” e pessoas sem deficiência, quando tiverem necessidades educacionais especiais e se encontrarem segregadas, têm o direito de fazer parte das escolas inclusivas e da sociedade inclusiva. O valor agregado às pessoas é o de elas fazerem parte do grande segmento dos excluídos que, com o seu poder pessoal, exigem sua inclusão em todos os aspectos da vida da sociedade. Trata-se do empoderamento. Em maio de 2002 o Frei Betto escreveu no jornal O Estado de S.Paulo um artigo em que propõe o termo “portadores de direitos especiais” e a sigla PODE. Alega o proponente que o substantivo “deficientes” e o adjetivo “deficientes” encerram o significado de falha ou imperfeição enquanto que a sigla PODE exprime capacidade. O artigo, ou parte dele, foi reproduzido em revistas especializadas em assuntos de deficiência. O termo “portadores de direitos especiais” e a sigla apresentam problemas que inviabilizam a sua adoção em substituição a qualquer outro termo para designar pessoas que têm deficiência. O termo “portadores” já vem sendo questionado por sua alusão a “carregadores”, pessoas que “portam” (levam) uma deficiência. O termo “direitos especiais” é contraditório porque as pessoas com deficiência exigem equiparação de direitos e não direitos especiais. E mesmo que defendessem direitos especiais, o nome “portadores de direitos especiais” não poderia ser exclusivo das pessoas com deficiência, pois qualquer outro grupo vulnerável pode reivindicar direitos especiais. Não há valor a ser agregado com a adoção deste termo, por motivos expostos na coluna ao lado e nesta. A sigla PODE, apesar de lembrar “capacidade”, apresenta problemas de uso. Podemos 7 imaginar como exemplo, a mídia e outros autores escrevendo ou falando assim: “Os Podes de Osasco terão audiência com o Prefeito...”, “A Pode Maria de Souza manifestou-se a favor ...”, “A sugestão de José Maurício, que é um Pode, pode ser aprovada hoje ...”. Pelas normas brasileiras de ortografia, a sigla PODE precisa ser grafada “Pode”. A Norma instrui que toda sigla com mais de 3 letras, pronunciada como uma palavra, deve ser grafada em caixa baixa com exceção da letra inicial. De 1990 até os dias atuais, estão sendo marcados por eventos mundiais, liderados por organizações de pessoas com deficiência. “Pessoas com deficiência” passa a ser o termo preferido por um número cada vez maior de adeptos, boa parte dos quais é constituída por pessoas com deficiência que, no maior evento (“Encontrão”) das organizações de pessoas com deficiência, realizado no Recife em 2000, conclamaram o público a adotar este termo. Elas esclareceram que não são “portadoras de deficiência” e que não querem ser chamadas com tal nome. 2.1 INCLUSÃO ESCOLAR No século XX, as experiências e institucionalização da educação dos diferentes geram um sistema paralelo de ensino fundamentado em autores como: Pestalozzi, Froebel, Itard, Seguin, Borneville, Binet, Maria Montessori e Decroly, cujo pressuposto básico é de que a inteligência, capacidades e habilidades dos indivíduos são determinadas pelos tipos de experiências proporcionadas pelo meio em que viviam. Os estudos e experiências educativas desenvolvidas, então, passam a usar o diagnóstico das diferenças e necessidades como ponto de partida para a elaboração de estratégias de intervenção que busquem melhorar o nível de desenvolvimento dos indivíduos. Discussões e antagonismos dos conceitos de integração e inclusão estão vinculados à história da Educação Especial e da inclusão das pessoas com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares. Ambos se referem ao processo de inserção escolar. Práticas de integração prevaleceram nas décadas de 1960 e 70 e fundamentaram-se em modelo médico de deficiência e em práticas de normalização, sendo este, o ingresso em determinado ambiente social ou sistema educacional 8 condicionado à aptidão ou à capacidade de adaptação da pessoa. Na década de 80 os movimentos sociais liderados por entidades de pessoas com deficiência começam a elaborar modelo social de deficiência. Encontram-se diversas barreiras que impedem o desenvolvimento e inserção social e escolar, tais como: políticas discriminatórias, atitudes preconceituosas, padrões de normalidade, pré-requisitos atingíveis apenas pela maioria homogênea. As práticas de inclusão surgem a partir desses movimentos sociais e se fundamentam na modificação da sociedade para atender as necessidades das pessoas, de modo a eliminar barreiras que as excluíam e as mantinham afastadas de atividades e instituições sociais. No âmbito educacional, escolas começam a ser reestruturadas para, não apenas receber em seu ambiente físico, pessoas com deficiências físicas, mentais e com características atípicas, mas para promover o desenvolvimento de sua aprendizagem. O termo “integração” está “relacionado ao compartilhamento do mesmo espaço: a sala de aula comum da escola regular. (LIMA, 2006) Mote da integração é inserir no sistema escolar um aluno que anteriormente tenha sido excluído das salas de aula do ensino regular, pela inserção em classes especiais nas escolas regulares ou em escolas especiais. (MONTAN, 2006) Prática da inclusão considera as deficiências como problema social e institucional e promove a transformação da sociedade e das instituições para acolher essas pessoas. Está associada à ideia de não deixar ninguém fora do ensino regular, desde o início da vida escolar (MANTOAN, 2006) Atualmente, as escolas estão vivendo momento de transição deum modelo pautado na integração para um modelo pautado na inclusão. Essa transição exige novo modelo de formação de professores, novas políticas pedagógicas, novas formas de relação professor-aluno-conteúdos, novas formas de organização dos espaços escolares. Para tanto, faz-se necessário que o conceito de “normal” seja dissociado do conceito de igual e associado ao conceito de diversidade. A diversidade é o “normal” na escola inclusiva e ela é capaz de trabalhar com 9 qualidade com a diversidade humana. Educação inclusiva vem sendo sinônimo para muitos como a transferência de alunos da educação especial para as escolas regulares. Essa ideia pressupõe o “desmonte da educação especial” sem, contudo, prover as escolas regulares das condições necessárias para assegurar que esses alunos estarão sendo bem atendidos. A educação inclusiva, segundo diversos autores de nossa pesquisa, não se restringe aos alunos com deficiências, ao contrário, ela deve atender as necessidades e diferenças de todas as pessoas indiscriminadamente. Os recursos, atendimentos, apoio, acompanhamento, enfim, todas as condições necessárias para que os alunos possam desenvolver todas as suas potencialidades, devem ser asseguradas. Neste contexto, faz-se necessário considerar o termo diversidade, como saber reconhecer a Unidade Humana em meio as diversidades individuais e culturais, e reconhecer as diversidades individuais e culturais em meio à Unidade Humana. Objetivo maior não é “tolerar” a diversidade, mas transformar a escola em um “ambiente de tradução entre experiências culturais e formas de vida diferentes” (VEIGA NETO, 2005). Ao pesquisar os fatores de exclusão, identifica-se que o mesmo ocorre por meio de um processo social, se dá por meio da inclusão marginal, ou seja, exclui-se para depois reincluir em condições adversas. De modo geral, todas as crianças que não frequentam a escola ou que não são assistidas de forma apropriada para seu desenvolvimento integral, são consideradas excluídas. Os fatores de exclusão são de duas ordens: biopsicossiais e sociais; os primeiros dizem respeito às deficiências físicas, intelectuais, psicológicas, e o segundo refere-se às desigualdades sociais que geram diferenças entre os indivíduos. Essa classificação tem como parâmetros valores, comportamentos, cultura, entre outros, definidos como “normais. Os processos de exclusão se manifestam em práticas de hostilidade, rejeição, segregação, humilhação, ocasionando, por sua vez, a organização desses excluídos em grupos, através de 10 movimentos sociais, que buscam lutar pelos seus direitos de cidadãos. O processo de exclusão dos deficientes/diferentes na sociedade atual vem se dando, muitas vezes, pela sua inserção nos sistemas regulares de ensino sem, contudo, promover as condições necessárias tanto para os deficientes como para os demais membros da escola para que a inserção educacional seja efetiva. A exclusão, nas escolas, se manifesta no fracasso escolar de várias ordens: defasagem idade-série, crianças fora da escola, evasão escolar, mecanismos de aceleração para compensar os fracassos, más condições de trabalho dos profissionais da educação, formação inicial e continuada deficitária, dentre tantos outros. Diante do quadro de exclusão e deficiência da educação, em 1981 a UNESCO elaborou um Projeto Principal no qual foram apontados como objetivos urgentes: erradicação do analfabetismo, melhoria da qualidade e eficiência dos sistemas educacionais e universalização da educação. Foi sugerido o sistema de colaboração intra e entre os países para a concretização desses objetivos. Esse Projeto Principal e seus desdobramentos nos diferentes países do mundo foram sendo discutidos em encontros periódicos. Destes, o sétimo, ocorrido em 2001 em Cocha bamba, na Bolívia, teve como resultado a Declaração de Cochabamba sobre Políticas Educativas para o século XXI. Algumas orientações contidas nesse documento são: necessidade de acelerar as mudanças nos sistemas educacionais para acompanhar as em curso na sociedade, a educação é primordial para o desenvolvimento humano, flexibilização da escola, autonomia pedagógica e de gestão das escolas, participação de outros atores nas instituições educativas, uso de novas tecnologias da informação e comunicação nos processos pedagógicos. O marco histórico da promoção de uma educação inclusiva é a Conferência “Educação para Todos” realizada em 1990 em Jomtien, na Tailândia, promovida pelo UNICEF, UNESCO ONU e Banco Mundial. Desde então, algumas ações foram desenvolvidas a fim de cumprir as metas estabelecidas até o ano 2000. Contudo, observou-se nas obras de referência pesquisada que, apesar de alguns avanços, a situação ainda é precária e a esperança parece que diminuiu, já que as metas para até 2015 são mais tímidas. Isso se explica pelo fato de que a educação não é prioridade nas políticas públicas, como demonstram vários dados estatísticos. Ainda há um déficit educacional enorme que aumenta significativamente em relação às pessoas portadoras de necessidades especiais. Há, contudo, várias ações em 11 curso objetivando práticas educacionais inclusivas atentando, também, para as necessidades das pessoas portadoras de deficiência, destacando-se como ações da ONU: Conferência de Salamanca (1994); Normas-Padrão (1993); Reunião Mundial de Cúpula sobre desenvolvimento social (1995); Convenção dos Direitos da criança da ONU (1989). Outro leque de ações é desenvolvido pela UNESCO, agência-chave da ONU, somando-se às iniciativas gerais da Organização das Nações Unidas: publicando relatórios e coletâneas divulgando e analisando as práticas inclusivas, oferecendo consultorias aos países que solicitam, preparando materiais a serem utilizados na formação e qualificação dos professores. Outras práticas pontuais estão em desenvolvimento através de organizações como: Organização para a Cooperação econômica e o desenvolvimento que, desde 1970, busca influir nas políticas educacionais acerca das necessidades das pessoas portadoras de necessidades especiais e incentivando a relação entre educação e trabalho. Comunidade Europeia focando, basicamente, a questão do trabalho, mas também, buscando promover uma educação inclusiva; a Agência Europeia para Necessidades Educacionais Especiais, envolvendo não só países da comunidade europeia, divulga relatórios de estados da arte acerca da inclusão e organiza conferência sobre a temática. Mediante aos aspectos que dificultam a inclusão escolar, CARVALHO(2005) menciona a necessidade de serem geradas condições para que, efetivamente, se dê a inserção dos deficientes nos processos de ensino- aprendizagem respeitando suas diferenças e lhes proporcionando condições de desenvolvimento. Nesse sentido, a mesma autora aponta para a necessidade de não só mudar os discursos referentes à educação inclusiva, mas, além disso, intervir no próprio cotidiano escolar, nas práticas pedagógicas, nas relações entre escola, família, comunidade, na formação inicial e continuada dos professores, nas suas condições de trabalho, etc. 12 3 CONCLUSÃO Na sociedade regida pelo modo de produção capitalista, as formas dominantes de participação social são: a educação, o trabalho e a política. A riqueza é produzida por meio do trabalho que, cada vez mais, com a inserção de novas tecnologias no processo produtivo, vem a exigir novos e mais complexos conhecimentos por parte dos trabalhadores. Essas novas exigências geram, por sua vez, a necessidade de educação que atenda à demanda de qualificação profissional. Responde-se aos objetivos sem, no entanto,justificá-los. No entanto, verificou-se com esta pesquisa bibliográfica que, a educação das pessoas com necessidades especiais se baseia em técnicas e valores já superados que não permitem a integração efetiva dos especiais no processo produtivo. Por meio da análise do conteúdo histórico referente à inclusão escolar, foi possível destacar alguns aspectos positivos que permitem acreditar na possibilidade da inclusão, tais como: prioridade dos governos atuais à educação; comprometimento dos governos para com uma educação para todos; inclusão na pauta sobre educação das crianças com necessidades especiais; políticas e práticas estão em curso buscando uma educação inclusiva. Esses pontos que evidenciam um avanço em direção a uma educação e sociedade da inclusão são permeados por tensões e dilemas, tais como: a natureza desigual da sociedade expressa na divisão do sistema de ensino; o ainda comprometimento de vários governos em promover a competição e separação entre as escolas; o impacto da pobreza na aprendizagem e desenvolvimento das crianças; separação das crianças no interior das escolas em função de seus sucessos ou fracassos; necessidade de ampliação e consolidação da parceria entre escola- comunidade; falta de um projeto amplo e consistente de educação contínua. Contudo, conclui-se que seja de fato necessário conhecer os primeiros passos dados rumo a inclusão escolar, para compreender a atual situação das políticas de inclusão e possibilitar-nos construir novas formas de contribuir para a melhoria deste processo. 13 REFERÊNCIAS CARVALHO, Rosita Edler. Educação Inclusiva com os Pingos nos Is. 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 2005. CONADE. I Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Acessibilidade: você também tem compromisso. Subsídios para o conferencista. Caderno de Textos. Brasília, 2006. Disponível em: http://www.mj.gov.br/sedh/ct/CONADE/conferencia/arquivos/subsidios_para_o_confe rencista.doc>. Acesso em: 05 mai. 2016. BRASIL. Comissão Internacional das Pessoas Deficientes. Relatório de atividades da Comissão Nacional para o Ano Internacional das Pessoas Deficientes. 1981. SASSAKI, Romeu Kazumi. Como chamar as pessoas que têm deficiência? São Paulo, jan. 2005. Disponível em: http://biblioteca. planejamento.gov.br/biblioteca- tematica-1/textos/direitos-dacidadania/ at_managed_file.2009-09-22.8124846448/> Acesso em: 05 mai. 2016. OMS - Organização Mundial da Saúde. CIF: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. São Paulo: EDUSP, 2003. Publicação. Disponível em: < http://www.inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 05 mai. 2016. MANTOAN, Maria Teresa Egler. Inclusão Escolar: o que é? Por quê? Como fazer? 2. ed. São Paulo: Moderna, 2006. UNESCO. Declaração Mundial sobre Educação para Todos - Jomtien – 1990. Disponível em: < http://unesdoc.unesco.org/images/0008/000862/086291por.pdf>. Acesso em: 05 mai. 2016.