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PSICOLOGIA FLORENSE Para entender como surgiu a Psicologia Forense, é preciso ir até a fonte de como tudo começou. Ela tem como possível marco de seu nascimento no ano de 1911 no “Tribunal de Flandes”, localizado na Bélgica quando um juiz fez a convocação de um especialista (que usou de um saber diferente do universo do Direito) para gerar um laudo pertinente à validade do testemunho de crianças sobre um caso de homicídio. (SAUNIER, 2002: 29). A psicologia forense surgiu da necessidade do Direito em compreender o comportamento humano e aplicar esses ensinamentos no auxílio ao sistema legal, desde a interpretação de leis até a sua aplicação das penas. Desde o século XVIII os pareceres psicológicos já eram utilizados nos tribunais norte americanos. Essas consultas jurídicas aos profissionais de outras áreas buscavam aprofundar análises testemunhais, exames de evidências delitivas e análise do grau de veracidade em suas confissões, motivações para a prática dos crimes, orientações psíquicas e morais do infrator, dentre outras questões que isoladamente o Direito não conseguiria compreender. No estudo de Huss5 , em 1962 a psicologia forense conseguiu o evento que marcou seu ingresso ao campo jurídico. No caso Jenkins nos Estados Unidos: a Corte determinou que fosse reconhecido o testemunho psicológico para determinar a responsabilidade criminal dos agentes (Inimputabilidade). Após isso os psicólogos forenses passaram a testemunhar frequentemente casos de inimputabilidade. A decisão Jenkins levou a uma explosão da psicologia forense nos Estados Unidos durante as décadas de 1960 e 1970. A psicologia Jurídica (gênero que abrange a psicologia forense) se consolidou nos anos seguintes, contudo, depois das experiências de psicologia criminal, desenvolvidas por agentes do FBI que entrevistaram assassinos em séries presos, com o intuito de entender como os criminosos pensavam, e aplicar esse conhecimento da psicologia e da ciência comportamental ao comportamento criminoso violento de maneira abrangente (HUSS, 2011, p. 24). Já no Brasil, a psicologia Forense já era utilizada no país antes mesmo da regulação da profissão de psicólogo, em 1962. A Psicologia Forense trata da aplicação dos conhecimentos da Psicologia no âmbito da justiça e da aplicação das leis. É uma área em constante desenvolvimento e com elevada relevância no contexto jurídico, tanto ao nível da solicitação profissional por parte dos Tribunais como pelo papel do psicólogo nos diversos contextos jurídicos, nomeadamente na avaliação e intervenção psicológica a agressores ou vítimas. O Psicólogo Forense pode estar envolvido na avaliação psicológica de indivíduos para determinar fatores como inimputabilidade, verificar a relação entre perturbação psicológica e crime e avaliar o risco de comportamentos futuros potencialmente perigosos. Além de estar associado à condução de entrevistas e à administração de testes psicológicos, os psicólogos forenses estão também envolvidos na recolha de informação com relevância jurídica, nomeadamente historiais hospitalares e criminais, testemunhos judiciais, investigações policiais, comissões de proteção, entre outros. Este curso pretende fornecer uma visão global do âmbito e da aplicabilidade desta especialidade, debruçando-se nas principais áreas de intervenção do psicólogo forense. A psicologia forense está se tornando cada vez mais popular, tanto em nível de especialização quanto de graduação. No entanto, o próprio termo psicologia forense é interpretado de maneiras diferentes pelos estudiosos e pelo público em geral. Alguns especialistas na área o utilizam para descrever o amplo campo da psicologia e do direito que inclui a prática clínica da psicologia, a psicologia penitenciária, psicologia policial e áreas não clínicas da psicologia e do direito (p. ex., comportamento do júri, identificação de testemunhas oculares). Existem diversos livros disponíveis que focalizam o campo mais amplo. A origem da psicologia forense Parte da interpretação errônea do público em relação à psicologia forense provém da falta de conhecimento sobre a própria origem da palavra “forense”. Embora algumas pessoas pensam na ciência forense e na aplicação da lei quando se trata de psicologia forense, outras podem pensar em palestras e debates nas escolas. Colocar o foco na solução de discussões ou sendo adversários verbais em uma competição de debates realmente nos aproxima um pouco mais do verdadeiro significado de psicologia forense. A palavra forense é originada da palavra latina forensis que significa do fórum e era usada para descrever um local na Roma Antiga. O Fórum era o local onde os cidadãos resolviam disputas, algo parecido com o nosso tribunal dos dias modernos (Blackburn, 1996; Pollock e Webster, 1993). A partir desse contexto, evoluiu o significado da psicologia forense. O papel do psicólogo forense é, na verdade, muito simples e direto: os psicólogos forenses auxiliam o sistema legal. O conflito entre o direito e a psicologia faz com que algumas pessoas possam argumentar que a interseção entre a psicologia e o direito é, na verdade, uma colisão. A psicologia e o direito são duas disciplinas muito diferentes que abordam a solução dos problemas de maneiras também muito diferentes. Haney (1980) e Ogloff e Finkelman (1999) identificaram vários conflitos entre a psicologia e o direito. A psicologia forense pode ser dívida em aspectos criminais e cíveis, embora não ser uma regra a participação dos psicólogos para analisar todos os casos, torna-se necessário a atuação em situações específicas, geralmente tem seu foco no tema da inimputabilidade. A Psicologia Jurídica aplicada nos tribunais é o ramo da psicologia que restringe-se às situações que se apresentam nos tribunais. Deste modo, a psicologia forense trata de todos os casos psicológicos que podem surgir em contexto de tribunal. Dedica-se ao estudo do comportamento criminoso. Clinicamente, tenta construir o percurso de vida do indivíduo criminoso e todos os processos psicológicos que o possam ter conduzido à criminalidade, tentando descobrir a raiz do problema, uma vez que só assim se pode partir à descoberta da solução. Descobrindo as causas das desordens tanto mentais como comportamentais (criminosas, neste caso), também se pode determinar uma pena justa, tendo em conta que estes casos são muito particulares e assim devem ser tratados em Tribunal. Esta ciência nasceu da necessidade de legislação apropriada para os casos dos indivíduos considerados doentes mentais e que tenham cometido atos criminosos, pequenos ou graves delitos. A doença mental tem de ser encarada a partir de uma perspectiva clínica, mas também do ponto de vista jurídico. Um psicólogo formado nesta área tem que dominar os conhecimentos que dizem respeito à psicologia em si, mas também tem que dominar os conhecimentos referentes às leis civis e às leis criminais. Deve ser um bom clínico e possuir um conhecimento pormenorizado da psicopatologia. Podem-se encontrar peritos nesta área em instituições hospitalares, especialmente do tipo psiquiátrico. A psicologia criminal realiza estudos psicológicos de alguns dos tipos mais comuns de delinquentes e dos criminosos em geral, como por exemplo, dos psicopatas que ficaram na história. De facto, a investigação psicológica desta área da psicologia apresenta, sobretudo, trabalhos sobre homicídios e crimes sexuais, talvez devido à sua índole grave e fascinante.